[Espanha] Ato de Memória Histórica em Puerto Real

Organizado pelo Instituto Manuel de Falla de Puerto Real, com o qual colaboramos em várias ocasiões, ambos relacionados com a Memória Histórica, na quinta-feira, 18 de julho, realizaram dois significativos atos de evocação. O primeiro consistiu em um roteiro, para explicar e divulgar os fatos de alguns lugares do povoado que foram representativos do ocorrido naquele fatídico dia; como a prefeitura e o Comando Militar, as Igrejas, ou a praça onde estava a Prisão Municipal. O segundo realizado no Centro Cultural Municipal foi uma obra de teatro realizada de forma maravilhosa e emocionante pelos jovens do Instituto, dos quais, três deles, são descendentes diretos de perseguidos e assassinados. Ali denunciaram com grande conhecimento dos fatos históricos, o terror imposto pelos fascistas e militares. Um povoado onde mais de oitenta por cento dos perseguidos eram obreiros filiados e militantes da CNT-AIT. Seus familiares eram:

Gaspar Morales Peña, nascido em 1895 em Vejer. De profissão agricultor, militava na CNT desde 1912. Com tão somente 17 anos, já foi eleito Vogal da Sociedade de Viticultores e Similares “A Defensora” da que foi um de seus fundadores. Em 1932, ocupou a Secretaria do Sindicato de Agricultores e Viticultores pertencente ao Sindicato de Ofícios Vários da Confederação Nacional do Trabalho, até seu assassinato em setembro de 1936. Foi um dos organizadores da defesa de Puerto Real, estabelecendo as barricadas na entrada do município desde San Fernando.

Rosa Cuenca Gómez, nascida em Puerto Real em 11 de abril de 1887. Gestionava um posto na plaza de Abastos e pertencia ao Sindicato de Mulheres da CNT. O promotor do PSU-272/37 a acusou de alentar e participar na resistência ao golpe em julho de 1936 e pediu pena de morte para ela. Finalmente foi condenada a 20 anos de prisão. Seu filho, José Rueda Cuenca, e dois sobrinhos, Manuel Rodríguez Cuenca e José Puente Cuenca, foram assassinados pelos golpistas.

Rosario Prado Gutiérrez, nascida em Puerto Real em agosto de 1919. Filiada ao sindicato de Mulheres da CNT, o promotor do PSU-272/37 a acusou de participar na resistência em julho de 1936 e do saque da casa do cura, mas por ser menor de idade, ainda que maior de 16 anos, lhe pediram 12 anos de prisão aos quais foi condenada. Detida em setembro de 1937, esteve cumprindo pena na Prisão de Mulheres de Girona, onde faleceu em 1º de agosto de 1942 aos 23 anos.

As fotos se correspondem: A primeira mostra uma militante do Sindicato das Mulheres da CNT, agitando a bandeira e conclamando os trabalhadores a defender a cidade contra os golpistas; a segunda, o sobrinho-neto de Gaspar Morales dando vida ao seu bisavô; a próxima, à esquerda, um soldado prendendo e insultando a bisneta de Rosa Cuenca Gómez, que interpreta sua bisavó, e a bisneta de Rosario Prado Gutiérrez, que também interpreta sua bisavó, sendo presa e insultada pelo mesmo soldado. As imagens abaixo são do percurso: uma na Igreja Prioral e a outra onde ficava a Prisão Municipal.

Fonte: https://cntaitpuertoreal.blogspot.com/?fbclid=IwZXh0bgNhZW0CMTAAAR3C0sCmTv2gTPiYo9TnW06w-1cD30-LZyIUuh2oRX-Xtr-uAgaujAbXY6k_aem_Z16oTkVJu2X-pS4CGWlomA

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

passeio campestre —
no vestido e nas sandálias
o aroma do mato

Leonilda Alfarrobinha

Putin, o tiraninho queridinho da esquerda, da direita…

Putin, o tiraninho queridinho da esquerda, da direita…

Putin, o tiraninho autocrata que é o queridinho da esquerda, da direita e dos bilionários oligarcas europeus.

Bug mental na militância pro Putin, afinal seria Putin de esquerda ou de direita, para saber se apoio ou não? Se você se perguntou sobre isso, não entendeu porra nenhuma.

O Putin apenas faz o jogo que lhe interessa. Ele não é puramente ideológico, ele abraça Trump/Orbán/Bolsonaro e ao mesmo tempo Maduro/Ortega/Lula, e ainda dá propulsão nos sonhos imperialistas da população invadindo os países vizinhos.

É um mestre da política, se perpetua no poder com os métodos stalinistas, e se mantém no luxo e na riqueza capitalista abraçado com os bilionários oligarcas, seus fieis sócios na partilha do Estado russo. Um verdadeiro malabarista, o melhor de todos os tempos.

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agência de notícias anarquistas-ana

O Tempo cochila
em tardes quentes de sol
no banco da praça.

Lena Jesus Ponte

[Chile] Atualização sobre a situação de isolamento do anarquista Francisco Solar (Julho 2024)

Desde julho de 2020 o companheiro anarquista Francisco Solar permanece em um regime de isolamento, primeiro na seção de Máxima Segurança no Cárcere de Alta Segurança em Santiago e logo no Módulo 2 de Máxima Segurança no Cárcere “La Gonzalina” de Rancagua.

No final de março de 2024, a Corte de Apelações ratificou sua condenação a 86 anos de prisão por diversos ataques a poderosos e repressores. O conduto regular por parte de gendarmeria assinalava que uma vez a condenação se encontre firme o companheiro deveria sair do isolamento e ingressar a outro tipo de módulo.

A razão de Estado transformada em uma vingança jurídica e penitenciária contra Francisco, pretende que o companheiro cumpra a totalidade de sua condenação neste macabro regime. Buscando algum pretexto, em abril de 2024 Francisco é sancionado por “insultar” a um funcionário durante uma busca. Desde então a gendarmeria assinalou – entre outros argumentos – que dita “falta” era um dos principais motivos para manter o isolamento.

Em meados de julho o tribunal eliminou a existência de dita “falta”, mas Francisco segue permanecendo em isolamento já por quatro anos. É de esperar que a gendarmeria tente criar outro pretexto legal para que permaneça nesse regime de castigo.

Tiremos o companheiro Francisco Solar do isolamento!

Fonte: Buskando La Kalle

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

um gato dormita
sobre o tapete da sala –
noite de inverno.

Sidnei Olívio

[Espanha] “A sentença de La Suiza é um aviso claro e direto a todas as organizações sindicais”

Erika Conrado Arredondo avalia a sentença contra ‘As Seis de La Suiza’, que correm o risco de serem presas por participar em um piquete informativo. A secretária geral da CNT é clara: eles vão continuar nas ruas, “porque está no nosso DNA”, e recorrerão a Estrasburgo. 

A secretária-geral da CNT, Erika Conrado Arredondo, considera que a decisão do Tribunal Supremo espanhol de ratificar a condenação contra seis sindicalistas asturianas, no âmbito de um conflito trabalhista na Pastelaria La Suiza de Xixón, a faz temer “que estamos entrando em uma era em que a criminalização do sindicalismo e do ativismo social será nosso dia a dia”. Por isso, ela manifesta que vão continuar nas ruas, já que “sem sindicalismo, a classe trabalhadora não tem como fazer valer seus direitos”.

O que significa a condenação para as seis sindicalistas de La Suiza?

As implicações para as companheiras são múltiplas e diversas. Se, além da condenação, considerarmos a possibilidade de que tenham que entrar na prisão, podemos imaginar a hecatombe que pode implicar ter que fazer uma pausa na vida por uma decisão unilateral: questões familiares por ter pessoas sob sua responsabilidade, questões laborais, econômicas e formativas e, a partir daí, as implicações de ter uma condenação nas costas (dificuldades para se reintegrar no mercado de trabalho, questões econômicas decorrentes da falta de renda, estigma social… muito disso já foi discutido ao longo da história).

Se considerarmos a implicação dessa condenação, não apenas em nível particular, mas para o resto da sociedade, é um “cuidado com o que você diz e faz, estamos de olho”. De qualquer forma, diante da adversidade, consideramos que é uma oportunidade para unir a classe trabalhadora, que só se defende entre si.

Após sete anos de luta, temiam uma decisão do Supremo como essa?

 A aceitação do recurso pelo Supremo nos deu esperança. Certamente, em casos como esses, você deve contar com todas as variáveis, e estávamos plenamente cientes de que havia a possibilidade de ser rejeitado parcial ou totalmente. Por isso, desde praticamente um ano atrás, já estabelecemos contato com especialistas constitucionalistas para, caso ocorresse, como aconteceu, estarmos preparadas para enfrentar a situação. Sentimos esse conflito como algo nosso e estamos cientes de que a rejeição representa um antes e um depois para o sindicalismo.

Sua organização já apontou o papel desempenhado pelo juiz Lino Rubio e o fato de a empresa ser de uma família ligada à direita política.

Bem, é uma informação pública, está em todos os meios de comunicação e não é necessário um investigador particular para saber. A mídia está fazendo um trabalho muito importante neste momento, visibilizando e colocando as coisas em contexto; às vezes, sem essa informação, pode ser difícil entender o alcance desta situação.

O fato de as protagonistas da luta serem mulheres pode ter influenciado esse processo judicial?

Acreditamos que é uma questão meramente circunstancial. Certo é que quando a trabalhadora da época chegou ao sindicato, relatou situações que podem nos afetar a todas e nos empurram a tomar uma posição: uma ameaça de aborto após realizar tarefas pesadas, um tratamento reprovável por parte do empregador, a falta de pagamento de horas extras…

Não temos evidências, mas a realidade é que as mulheres, de um tempo para cá, estamos participando de maneira mais ativa e visível na vida política em geral. O sindicalismo é outra manifestação desse ativismo, sonho e desejo de revolução social. As mulheres nos posicionamos pela luta de nossos direitos, contra o patriarcado e o capitalismo. Isso desagrada, mas também não estamos aqui para agradar.

E o fato de a CNT ter liderado essa luta?

Está claro que não somos um sindicato convencional, que podemos ser considerados incômodos porque não agradamos a ninguém.

Para contextualizar o nascimento do conflito, é necessário remontar a 2017, quando a CNT Xixón estava em um processo de crescimento, especialmente no setor de hotelaria.

A patronal não gosta nem que ganhemos presença nas ruas, nem que respondamos às necessidades da classe trabalhadora, nem que os conflitos e abusos apareçam na mídia. A partir daqui, podemos tirar as conclusões…

Você declarou que esta sentença “é um golpe no sindicalismo”, como vocês vão enfrentar isso?

Primeiramente, acompanhando as companheiras afetadas, como temos feito há sete anos, estamos em contato constante com nosso Gabinete Técnico Confederal e advogados especialistas, porque não podemos fazer de conta que nada aconteceu.

Trabalhamos na linha jurídica e ponderando as possibilidades que temos à nossa frente. Vamos pedir a suspensão da condenação, não podemos esquecer que os três anos e meio de condenação são a soma de dois delitos, portanto, nenhum deles é superior a dois anos. A partir daqui, o que podemos adiantar é que vamos recorrer a todas as instâncias possíveis: Constitucional e, como já fizemos, a Estrasburgo, se necessário.

Vamos continuar nas ruas, porque está em nosso DNA. Vamos visibilizar a situação e explicar as consequências que uma sentença como essa tem para todas que levantam a voz, atos de autodefesa das trabalhadoras, aquelas que não têm uma carteira cheia, mas que têm muito mais dignidade. Somos muitas e vamos estar em contato com organizações semelhantes porque isso é por e para todas.

Coletivas de imprensa e mobilizações com os coletivos que nos estão mostrando seu apoio serão os próximos atos nos quais estamos trabalhando. Não temos datas planejadas, mas essas informações vamos transmitir de forma clara e direta para que todas participemos da denúncia desse atropelo.

Você acha que pode estabelecer um precedente perigoso em outras lutas semelhantes às das trabalhadoras dessa confeitaria de Xixón? Vai condicionar sua ação sindical?

Uma sentença como a proferida é um aviso claro e direto a todas as organizações sindicais.

Se entendermos que a ação sindical é um direito fundamental, conforme o artigo 28 da Constituição espanhola, e mesmo que tenha sido proferida essa sentença, não podemos deixar de fazer sindicalismo. Sem sindicalismo, a classe trabalhadora não tem como fazer valer seus direitos; não devemos esquecer que, graças às denúncias e reivindicações dos sindicalistas ao longo da história, foram obtidas melhorias trabalhistas. É a cidadania que impulsiona para conseguir as mudanças reais.

Vocês receberam algum tipo de apoio de outras organizações sindicais, políticas e sociais?

São muitas as organizações que demonstraram seu apoio e disponibilidade para realizar comunicados conjuntos e ações, tanto em nível nacional quanto internacional. Muitas delas manifestaram seu apoio publicamente, e outras nos contataram de maneira mais formal. Nosso funcionamento interno, baseado na tomada de decisões de maneira horizontal e por meio de assembleias, nos impõe um ritmo que, às vezes, nos obriga a destinar mais tempo que outras organizações; mas também nos oferece a possibilidade de avaliar e meditar qual será a estratégia mais adequada.

Estamos trabalhando na confluência porque a sentença proferida estabelece um precedente preocupante para todas; não apenas para as organizações sindicais, mas para a sociedade como um todo.

Fonte: https://www.naiz.eus/es/info/noticia/20240710/esta-sentencia-es-un-aviso-claro-y-directo-a-todas-las-organizaciones-sindicales

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Tarde de inverno:
Sobe do fundo dos vales
A sombra das montanhas.

Paulo Franchetti

[País Basco] 20 anos de prisão e 56.000 euros por acampar em Aroztegia

Sete participantes da acampada enfrentam essa pena após serem acusados de formar um grupo criminoso

Por Maite Uriarte | 16/07/2024

Cerca de 270 pessoas se reuniram nesta terça-feira à tarde em frente ao Palácio de Aroztegia, em Lekaroz, para mostrar sua solidariedade com as sete pessoas acusadas pela acampada realizada em 2021.

O objetivo desse acampamento, organizado pelo coletivo Aroztak, era paralisar o projeto promovido pelo Palácio de Arozteguía S.L., que contemplava a construção de 228 moradias, um hotel e um campo de golfe em Lekaroz.

Agora, segundo informaram, a esses sete acusados estão sendo pedidos um total de 20 anos de prisão e multas que somam 56.000 euros.

Na primavera de 2021, quando as máquinas apareceram para iniciar as obras em Aroztegia, um grupo de cidadãos decidiu acampar para impedir o avanço dos trabalhos. Como lembraram na coletiva de imprensa, por meio dessa acampada “colorida e desobediente” conseguiram paralisar uma obra que qualificam como uma “barbaridade”. “Enviamos o Palácio de Arozteguia SL, TEX e QUEIPO SL de volta para casa”.

Após contextualizar os eventos, os manifestantes denunciaram o “assédio judicial, policial e econômico” que sofreram “sistematicamente durante todos esses anos de luta, cruzando desta vez todas as linhas vermelhas”.

“Querem silenciar o povo”

“Agora nos coube a sete pessoas fazer parte desse circo de mau gosto. Querem silenciar o povo com 20 anos de prisão e multas de 56.000 euros. Nos acusam de ser uma organização criminosa e nos imputam um delito de coação por participar de um acampamento em Aroztegia”, explicaram, qualificando os acontecimentos como “vergonhosos”.

Com o apoio de uma multidão de baztandarras, os presentes continuaram sublinhando que, “por trás desse julgamento político” existe a intenção de “punir o compromisso que a cidadania tem com a defesa de sua terra”.

Além disso, destacaram que “essa é uma situação criada pelo próprio Governo de Navarra, que fez ouvidos surdos à população baztandarra e que a luta ainda não acabou: O abandono do PSIS e a devolução das terras roubadas aos agricultores e à Assembleia Geral do Vale de Baztan são responsabilidade deles”.

“Repressão”

Por fim, concluíram deixando claro que não vão aceitar essa tentativa de “criminalizar o direito à desobediência”. “Respondem com repressão aos movimentos que praticaram a desobediência civil na defesa da terra, da cultura, do idioma e da vida, mas não vamos permitir isso”.

Assim, fizeram um apelo “aos agentes e indivíduos dos sete territórios de Euskal Herria para responderem de forma solidária à repressão econômica que sofremos”, para o qual criaram o e-mail aroztegia_elkartasuna@ni.eus.

Fonte: https://www.noticiasdenavarra.com/navarra/2024/07/16/20-anos-carcel-56-000-8489015.html

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Água de cristal
Forma nuvens coloridas
No meu céu de sol.

Claudia Chermikoski

Evento antifascista em Vitória (ES) neste sábado, 27/07

A Federação Anarquista Capixaba (FACA) convida todas e todos para a jornada antifascista, autogestionária e anarquista, neste sábado 27 de julho, em Vitória, Espírito Santo. Este evento, em parceria com a @caramelodiscos, é uma celebração da resistência, da liberdade e da solidariedade, trazendo artistas que se dedicam a promover uma sociedade mais justa e igualitária.

Venha compartilhar conosco essa noite de música, consciência e resistência!

Dia: 27/07/2024

Horário: 17 horas

Local: Caramelo Discos, na Rua Gama Rosa, 103, Centro, Vitória-ES.

federacaocapixaba.noblogs.org

agência de notícias anarquistas-ana

abelha na flor
a brisa nas árvores
eu com teu sabor

Carlos Seabra

3 anos após o 11J, mais de 600 pessoas continuam presas por protestos pacíficos em Cuba.

As organizações abaixo assinadas fazem a seguinte declaração em comemoração ao terceiro aniversário das manifestações realizadas em 11 de julho de 2021 (11J – de agora em diante) e nos dias seguintes em Cuba, e exigem que o Estado cubano respeite, proteja e garanta os direitos humanos de todos os seus habitantes, sem discriminação de qualquer tipo.

Os protestos do 11J surgiram como uma resposta da população à crise social, econômica e de direitos em Cuba. Apesar de terem se passado três anos desde essas manifestações históricas, a situação na ilha não melhorou, resultando, ao contrário, em um aumento das violações de direitos. Somente entre janeiro e fevereiro de 2024, organizações independentes da sociedade civil relataram à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) “cerca de 300 ações repressivas contra ativistas e defensores de direitos humanos, dissidentes políticos, jornalistas, artistas independentes e parentes de pessoas privadas de liberdade por motivos políticos”.

Esses acontecimentos ocorrem em meio a crescentes restrições ilegítimas à liberdade de expressão, reunião, associação e outros direitos humanos. Nas palavras da CIDH, em Cuba há um padrão de “violações maciças, graves e sistemáticas dos direitos humanos”, o que é corroborado por dados documentados por organizações independentes da sociedade civil, como o Observatório Cubano de Direitos Humanos e a Cubalex.

Nesse contexto, os cubanos continuam a levantar suas vozes. De acordo com o Observatório Cubano de Conflitos, pelo menos 671 protestos foram registrados em junho de 2024. Ao mesmo tempo, o governo cubano continua a reprimir e a cercar aqueles que decidem se manifestar pacificamente. A organização Justicia 11J documentou que mais de 650 pessoas continuam presas por sua participação em diferentes protestos que ocorreram desde julho de 2021. Isso se soma ao número de pessoas exiladas à força que foram obrigadas a deixar a ilha em busca de proteção. O Relatório Mundial de Migração de 2024 da Organização Internacional para as Migrações (OIM) revelou que mais de 340.000 cubanos deixaram seu país em 2022, um dos maiores êxodos já registrados na história da ilha.

Os fatos descritos acima revelam uma situação preocupante de direitos humanos em Cuba. Os efeitos do 11J persistem até hoje, afetando milhares de famílias cubanas. A fim de limitar o exercício do direito de protesto e da liberdade de expressão, intensificaram-se as detenções arbitrárias, os desaparecimentos forçados de curta duração, a vigilância, as convocações ilegais e as ameaças, entre outras práticas sistemáticas. Além disso, o governo cubano ameaçou sanções severas, incluindo a pena de morte, contra os manifestantes. A política do Estado, baseada na repressão e na intimidação constante da população, exige ações urgentes para acabar com essas violações dos direitos humanos. Portanto, por ocasião do terceiro aniversário do 11J, conclamamos o Estado cubano a respeitar, proteger e garantir os direitos humanos de todos os seus habitantes, sem discriminação de qualquer tipo; também exigimos a libertação das pessoas privadas de liberdade por exercerem seus direitos civis e políticos.

AssinadoARTICLE 19 México y Centroamérica / Artists at Risk Connection (ARC) / Civil Rights Defenders / Centro de Documentación de Prisiones Cubanas / Cubalex / Instituto sobre Raza, Igualdad y Derechos Humanos (Raza e Igualdad) / Justicia 11J / Mesa de Diálogo de la Juventud Cubana / PEN Internacional / PEN de Escritores cubanos en el exilio

Fonte: https://justicia11j.org/a-3-anos-del-11j-mas-de-600-personas-permanecen-privadas-de-libertad-por-protestar-pacificamente-en-cuba/

Tradução > anarcademia

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Muita brisa à noite.
Dos jasmineiros da rua,
perfumes e flores.

Humberto del Maestro

[Chile] Tiremos o companheiro Francisco Solar do isolamento!

Agradecemos a todos os companheiros que participaram, assistiram e colaboraram na jornada informativa contra o isolamento do companheiro Francisco Solar. Aos que contribuíram com música, suas experiências, reflexões e ao espaço anarquista La Termita.

Conhecer em detalhes a realidade carcerária, especialmente por meio de uma de suas ferramentas mais agudas: o isolamento, juntamente com outras experiências de combate a esses regimes de aniquilação, nos permite empreender uma campanha contra o isolamento do companheiro anarquista Francisco Solar no módulo de Segurança Máxima da prisão La Gonzalina, em Rancagua.

Submetido a um regime de 21 horas de confinamento em uma cela individual, restrição de visitas e de encomendas, além da ameaça de instalação de uma tecnologia mediadora como único meio de comunicação com o exterior, tirar o

companheiro Francisco Solar do isolamento se torna um desafio que assumimos entre todos os antiautoritários!

Solidariedade com prisioneires anarquistas e subversives!

Buskando La Kalle

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agência de notícias anarquistas-ana

o velho com gosto
chupa a mosquinha
que poisa em seu rosto

Olívia Iceberg

Lula, vai se foder!

[EUA] Anunciando a segunda Feira do Livro Anarquista de Sacramento no sábado, 7 de setembro.

Em território Miwok e Nisenan ocupado, convidamos você a se juntar a nós na assim chamada Sacramento, no sábado, 7 de setembro, para a segunda edição anual da “Sacramento Anarchist Bookfair”. O evento contará com a participação de editoras, projetos, organizações e distros, além de painéis, discussões e workshops práticos. As portas serão abertas às 10 horas e o evento se estenderá até as 19 horas. O evento será realizado no Washington Neighborhood Center, no centro de Sacramento.

Este ano, haverá painéis de discussão sobre ajuda mútua e socorro autônomo em caso de desastres diante do caos climático e do aumento da inflação, relatórios sobre as lutas dos inquilinos, defesa contra despejos, construção de solidariedade com solicitantes de asilo e refugiados, a intifada estudantil que luta contra a guerra em curso na Palestina e muito mais. Também temos o prazer de anunciar que o ex-preso político Eric King será um dos palestrantes! Por fim, teremos um espaço com vários organizadores de diferentes lutas autônomas discutindo o terreno que se aproxima, independentemente de quem vencer as próximas eleições.

Queremos que a feira de livros seja um lugar para as pessoas se reunirem, se conectarem a projetos autônomos, refletirem e discutirem as lutas atuais e se conectarem com uma comunidade crescente de pessoas que querem construir o poder a partir de baixo e contra esse pesadelo que nos leva ao apocalipse. Junte-se a nós!

Entre em contato!

Tem dúvidas ou preocupações, quer se envolver, ajudar a promover ou fazer uma doação para ajudar a cobrir os custos? Envie-nos um e-mail aqui: sacabf@proton.me

Vejo você em setembro!

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Manhã de inverno
o orvalho pisca
um raio de sol

Yara Darin

[Itália] Não vamos desertificar nossos cérebros

Seca. Entre a escassez e o mau gerenciamento da água

Há artigos jornalísticos que já poderiam ser confiados à inteligência artificial. Entre eles estão aqueles que repetem os mesmos conceitos, os mesmos dados, as mesmas entrevistas todos os anos. E entre esse grupo de artigos estão, infelizmente, aqueles sobre a seca e a escassez de água na Sicília. Ao ler os relatos dramáticos e os terríveis testemunhos sobre a falta de água, somos imediatamente assaltados por um sentimento de desânimo: essas são histórias que já ouvimos milhares de vezes, então por que estamos remoendo esse repetido Dia da Marmota enquanto nossa ilha está sendo desertificada, literal e simbolicamente? Ao analisar esse miserável ano de 2024, que provavelmente entrará para a história como a pior crise hídrica da Sicília, primeiro é preciso fazer uma divisão. Porque a seca, entendida como falta de chuva, é uma coisa, e a gestão da água é outra.

A ausência de chuva na Sicília é um dos efeitos mais óbvios da mudança climática. No último ano e meio, todos os meses em todo o mundo registraram temperaturas mais altas, que é basicamente o mesmo período de tempo em que a seca se desenvolveu na ilha: já em 2023, a falta da tradicional “estação chuvosa” em outubro e novembro reduziu os suprimentos de água para a primavera de 2024, que, por sua vez, acabou sendo menos chuvosa do que o normal. Em fevereiro, o que nunca havia acontecido antes, a região solicitou e obteve um estado de desastre natural devido à seca. E voltando ainda mais no tempo: já nos esquecemos, mas o recorde de temperatura na Europa foi registrado em Floridia, na província de Siracusa, em 2021, com o valor recorde de 48,8 graus centígrados. Desde 2003, a precipitação na ilha diminuiu em mais de 40%.

Em resumo, os sinais alarmantes estavam todos lá. No entanto, a Sicília não se mobilizou em relação a essas questões. Nem na adaptação climática, ou seja, na redução dos danos e dos inconvenientes causados pelo aquecimento global, nem na mitigação, ou seja, na redução das emissões de gases de efeito estufa que causam o aumento das temperaturas. A água, na Sicília, sempre será menor. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) das Nações Unidas previu que as ondas de calor e as secas afetarão cada vez mais o Mediterrâneo nas próximas décadas. Já em 2030, ou seja, em poucos anos, um terço das áreas da Sicília se tornará desértica. Diante de tais transformações históricas, fica claro que é necessária uma reversão do status quo. A população percebe isso em sua própria pele, mas talvez isso ainda não esteja totalmente claro para os movimentos e grupos de luta. Ativistas com mentalidade reformista, incluindo os das próprias associações ambientais, têm se esforçado nos últimos meses para encontrar soluções para melhorar a gestão da água. Mas eles não contam com um fato essencial: essas são hipóteses que os detentores do poder conhecem muito bem. Os documentos regionais e ministeriais estão repletos de indicações nesse sentido.

Vale mesmo a pena lembrar que, na Sicília, mais de 50% da água pública é perdida devido a tubulações desgastadas que datam da década de 1950? Vale a pena lembrar que, das 26 represas controladas pela região, algumas estão em teste há mais de 50 anos e, portanto, acabam descarregando água assim que um determinado limite é ultrapassado (menos da metade)? É realmente necessário lembrar que as usinas de dessalinização desejadas por Cuffaro duraram apenas alguns anos porque eram mal projetadas, consumiam muita energia e eram muito caras? Em nossa opinião, não se trata nem mesmo de apontar, como fez recentemente o Republica Palermo, que em 17 anos os políticos sicilianos tiveram três bilhões e meio de euros à sua disposição para enfrentar e resolver o problema da seca. Com relação à água, há questões ainda mais urgentes que precisam ser abordadas e que, em vez disso, são sempre deixadas em segundo plano. Por exemplo, os chamados “patrões dos caminhões-tanque”, aqueles para quem toda crise de água é uma barganha, com as pessoas obrigadas a pagar duas contas, a pública e a privada.

A Sicília está repleta de poços e reservas que, no entanto, são gerenciados de forma mafiosa e paramilitar, com os cursos d’água sendo roubados e drenados. Ou podemos citar as preciosas reservas de água que foram dadas a multinacionais em troca dos subornos habituais aos territórios. Dois são os exemplos mais marcantes (mas há muitos que poderiam ser citados): a água das Montanhas Sicani que foi cedida em 1999 para a Nestlé, que depois a revende para nós como Acqua Vera; a represa Ragoleto, gerenciada pela Eni, que prefere usá-la para suas próprias fábricas em Gela em vez de cedê-la aos agricultores da região de Nissena.

O último exemplo de urgência que não pode mais ser adiada diz respeito aos maus hábitos. E veja bem, não queremos aqui culpar os indivíduos, estamos longe de qualquer abordagem moralista, mas há alguns estragos que não são mais aceitáveis: desde o uso de água potável para irrigar campos ou para uso sanitário até as piscinas espalhadas nas mansões dos ricos ou nos hotéis (muitas vezes com o mar a um passo de distância). Não faltam frentes de batalha. Desde que saibamos como lidar com imobilismos deletérios e equilíbrios perigosos, porém convenientes. Porque um povo reduzido à sede é um povo que continuará a delegar. Por outro lado, o verão seco deste ano corre o risco de ser apenas o prelúdio de uma deterioração ainda maior. Juntamente com as cenas terríveis do lago Pergusa secando e as besteiras sobre a ausência de turistas – deserções que, no entanto, ocorreram – há mais uma preocupação que deve ser acrescentada pelos técnicos da região: se no início de julho os reservatórios estavam com 25% da capacidade, não é preciso dizer que o problema provavelmente piorará em setembro. Até agora, a água tem faltado principalmente para o setor agrícola, com a área de Madonie tendo que, ou sendo forçada, a ceder água para saciar a sede da cidade de Palermo e de uma província que sozinha abriga cerca de um milhão de pessoas. Mas, nesse ritmo, as torneiras secas podem se estender até a capital siciliana. Com consequências que podemos imaginar. Teremos que estar prontos para esta e as próximas temporadas sem água.

Andrea Turco

Fonte: https://www.sicilialibertaria.it/2024/07/09/non-facciamo-desertificare-i-nostri-cervelli/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

uma folha salta
o velho lago
pisca o olho

Alonso Alvarez

[Espanha] Huesca: Concentração em apoio às 6 de La Suiza

COMPANHEIRAS, VOCÊS NÃO ESTÃO SOZINHAS!

Ontem (18 de julho), em Huesca, meia centena de pessoas se reuniram para exigir a absolvição das “6 de La Suiza” e para mostrar sua solidariedade com um caso que condena o sindicalismo e abre um precedente perigoso contra o direito à liberdade sindical.

A concentração em Huesca, que ocorreu de forma unitária com outros sindicatos e organizações, juntou-se a outras dez manifestações convocadas pela CNT para quinta e sexta-feira em toda a Espanha.

Representantes de vários sindicatos e organizações, bem como a participação dos cidadãos, uniram-se em um único grito: FAZER SINDICALISMO NÃO É CRIME. Solidariedade com as seis trabalhadoras condenadas à prisão por ação sindical (repetidamente se manifestando em frente às instalações da empresa em 2017).

A concentração também foi um lembrete da repressão que estamos sofrendo nos últimos anos: a lei da mordaça, as montagens policiais, a perseguição daqueles que se manifestam contra o fascismo (os 6 de Zaragoza), ou as milhares de pessoas detidas no CIES cujo único crime foi migrar para a Europa.

A única resposta continua sendo a luta e o apoio mútuo. As condenações contra as sindicalistas de Xixón ou os Seis de Zaragoza têm como objetivo fazer com que nos sintamos sozinhos. Eles querem nos fazer acreditar que a luta é inútil, que as consequências de se levantar contra o sistema são muito piores do que permanecer em silêncio.

Mas, apesar da condenação, a CNT continuará a tecer redes de solidariedade e a ocupar as ruas para exigir justiça. Uma justiça que não proteja os interesses das empresas, uma justiça igualitária que proteja as que somos da classe trabalhadora.

Hoje, ontem e sempre, o sindicalismo NÃO é crime.

aragon-rioja.cnt.es

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agência de notícias anarquistas-ana

árvore seca
a lua é a mosca
em sua teia

Aclyse de Mattos

[Espanha] Crônica da manifestação de 18 de julho em solidariedade com às 6 de La Suiza

A CNT de Ciudad Real convocou uma manifestação para a tarde de 18 de julho em solidariedade às companheiras da CNT Gijón, depois que o Supremo Tribunal rejeitou o recurso da CNT, ratificando sua sentença de três anos e meio de prisão. Durante esse dia e em nível nacional, foram convocadas manifestações de apoio em 25 cidades.

Gostaríamos de agradecer a todas as pessoas e grupos que compareceram à Plaza del Pilar, onde foram lidos vários manifestos em apoio às companheiras e onde se gritou em alto e bom som que “fazer sindicalismo não é crime”, “vocês não estão sozinhas”, “vocês fizeram algo, peçam seus direitos” ou “absolvição, companheiras de Gijón”.

Esse é um problema muito sério que afeta todo o sindicalismo deste país, mas também a sociedade como um todo. Essa sentença abre caminho para a condenação de milhares de pessoas em todo o país pelo simples fato de se mobilizarem ante um conflito.

Continuaremos a lutar pela liberdade de nossas companheiras nas ruas e nos tribunais, tanto em nível nacional quanto internacional.

ciudadreal.cnt.es

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agência de notícias anarquistas-ana

Na noite sem lua
o mar todo negro
se oferece em espuma

Eugénia Tabosa

[Alemanha] Saudações solidárias de Tübingen para Maja

Hoje (17/07), os antifascistas se reuniram para uma foto de solidariedade a Maja na Sternplatz, em Tübingen. Saudações também necessárias a todos os outros antifascistas presos e pessoas escondidas. Esperamos que a ação seja um prelúdio para uma solidariedade mais forte e barulhenta com os perseguidos em nossa cidade. Desde atenção pública, apoio financeiro, escrever cartas e… Há muitas maneiras de fazer algo.

Estamos unidos!

Felicidade e liberdade!

Fonte: https://de.indymedia.org/node/379860

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agência de notícias anarquistas-ana

inverno iluminado
tarde azul se despede
noite traz o frio

Ana Rodrigues

[Espanha] Elas não estavam sozinhas

Milhares de pessoas saem às ruas da Espanha em apoio às trabalhadoras da La Suiza e da CNT

Milhares de pessoas se manifestaram em 18 de julho em 18 cidades da Espanha para demonstrar seu apoio às trabalhadoras da confeitaria La Suiza de Gijón, e à Confederação Nacional do Trabalho. As manifestações, que ocorreram de forma pacífica e, em muitos casos, em unidade com outros sindicatos e organizações, denunciaram a criminalização da ação sindical e exigiram a absolvição das seis trabalhadoras condenadas à prisão pelas manifestações realizadas em frente às instalações da empresa em 2017.

Manifestações multitudinárias em toda a Espanha

Em Xixón, o ponto de partida do conflito, foi realizada uma das maiores manifestações, assim como em Barcelona, onde a manifestação contou com o apoio maciço de manifestantes e simpatizantes de diferentes organizações. Em outras cidades de Astúrias, como Llangréu, também houve manifestações com grande participação.

As mobilizações foram replicadas em cidades de toda a Espanha, como Lleida, Huesca, Logroño, León, Cuéllar, Valladolid, Santiago de Compostela, Pontevedra, Iruña, Málaga, Ciudad Real, Burgos, Cáceres, Segovia e Villaverde.

As mobilizações continuam:

Hoje, 19 de julho, são esperadas outras manifestações em Zaragoza, Teruel, Jerez de la Frontera, Granada, Adra, Las Palmas e Salamanca. A rodada de manifestações será concluída no dia 20 com um comício em Aranjuez.

Uma mensagem clara:

As manifestações de ontem mostram a ampla rejeição social à condenação das trabalhadoras de La Suiza e o apoio à luta pela liberdade sindical. As manifestações serviram para tornar visível a criminalização da ação sindical e para exigir que o sistema judicial revise a condenação.

cnt.es

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agência de notícias anarquistas-ana

Durante o pôr-do-sol
Vejo andorinhas voando
Juntas, sempre em bando.

Renata da Rocha Gonçalves

[Espanha] O caso de Nahuel: quando é barato para o Estado confundir anarquistas com terroristas e mantê-los presos por 16 meses.

O jovem, do movimento anarquista e vegano Straight Edge, foi absolvido de terrorismo. Ele havia pedido uma indenização de 266.000 euros por ter passado um ano e quatro meses na prisão em um regime penitenciário severo, mas o sistema judiciário lhe concedeu apenas 54.650. 

Por Ana María Pascoal | 13/07/2024

Novembro de 2015, Madri. A Polícia Nacional prende seis jovens entre 19 e 25 anos de idade no âmbito de uma operação denominada Ice. Os seis são membros de um movimento cultural chamado Straight Edge, que se caracteriza por sua ideologia anarquista e um modo de vida que enfatiza a alimentação vegana e a rejeição absoluta do consumo de todos os tipos de drogas, ilegais e legais, especialmente o álcool.

É, em resumo, um movimento antiviolência, antidrogas, vegano e anticapitalista, mas para uma força policial sem treinamento em movimentos sociais e para uma juíza, Carmen Lamela, obcecada por casos de terrorismo, esses membros do Straight Edge eram supostamente membros de uma organização terrorista dedicada a explodir caixas eletrônicos com explosivos.

Um dos jovens presos, Juan Manuel Bustamante, conhecido como Nahuel, levou a pior. A polícia entrou em sua casa nas primeiras horas da manhã e encontrou parafusos e ferramentas da montagem de uma cama Ikea, várias bebidas gaseificadas, repolho vermelho e videogames como Red Dead Redemption, ambientado no oeste americano. E com esse material inofensivo, a polícia construiu uma história de terrorismo na qual o repolho, as bebidas e alguns dos produtos de limpeza apreendidos com Nahuel poderiam ser usados para fabricar dispositivos explosivos.

Nahuel, que tinha 26 anos na época, passou 16 meses em prisão preventiva, entre 4 de novembro de 2015 e 8 de março de 2017, sob a acusação de terrorismo e, portanto, foi classificado em primeiro grau e em regime FIES 3 (Ficheros de Internos de Especial Seguimiento).

Seu advogado, Eduardo Gómez Cuadrado, da Red Jurídica, explica a jornada de prisão de Nahuel: “O FIES 3 é o regime prisional mais severo e é uma prisão dentro de uma prisão. Nesse regime, todas as comunicações com o mundo exterior podem ser interceptadas (exceto com o advogado do preso); também há buscas constantes e mudanças constantes de cela ou centro penitenciário (política de dispersão). No caso de Nahuel, ele esteve em cinco prisões em apenas um ano e meio, quatro na Comunidade de Madri e uma em Sevilha”.

Direito a um cardápio vegano

“Ele passou um tempo em confinamento solitário, o que significa 22 ou 23 horas por dia na cela, e tudo por causa do conflito que ele tinha toda vez que chegava a um centro penitenciário e eles se recusavam a lhe fornecer uma dieta vegana dentro da prisão. Também tivemos que lutar contra isso e a Corte Nacional acabou reconhecendo seu direito de receber um cardápio vegano”, lembra o advogado da Red Jurídica.

E depois de três anos, a absolvição

Nahuel foi libertado provisoriamente em março de 2017, enquanto aguardava julgamento. “Com o passar do tempo e na ausência de provas de que eles eram os terroristas perigosos que a polícia disse em seus relatórios, o juiz não teve escolha a não ser libertá-lo”, lembra o advogado.

Pouco mais de um ano depois, após o julgamento, em julho de 2018, a Audiência Nacional absolveu os seis membros do Straight Edge Madrid. O caso havia sido esvaziado após a investigação da juíza Lamela, na época encarregada do Tribunal Central de Instrução 3, que não conseguiu reunir provas do crime de terrorismo pelo qual ela havia acusado os rapazes.

Julgamento por acusações forjadas

No final, eles não foram julgados por terrorismo, mas por glorificar o terrorismo por suas mensagens de ideologia anarquista revolucionária nas redes sociais, no site do movimento e em vídeos, como “Morte ao capital”, “Capitalismo assassino”, “Fogo e morte ao Estado e viva a anarquia”.

A acusação indicou que alguns dos réus venderam camisetas no Rastro com mensagens como “Resistência não é violência, é autodefesa”; ou tweets que parecem uma piada em um caso de terrorismo, como “Goku vive, a luta continua”, em referência ao personagem da série de mangá Dragon Ball, que o juiz considerou ser membro do ETA; os réus também reproduziram citações do filósofo alemão Hervert Marcuse, que era muito crítico do capitalismo.

A promotoria os acusou de disseminar em suas mensagens “a legalidade da luta ativa e essencialmente violenta contra a ordem constitucional e contra qualquer tipo de autoridade, sempre tentando corroer o prestígio e a credibilidade do Estado e, em particular, de suas forças de segurança”, pelo que pediram dois anos de prisão.

O advogado Eduardo Gómez relembra o momento do julgamento. “Chegamos ao julgamento com o caso completamente esvaziado, no sentido de que eles haviam sido presos pela polícia sob uma acusação grave de organização criminosa para fins terroristas, posse de explosivos, desordem pública e dano agravado, que poderia levar a dezenas de anos de prisão; e a acusação final da promotoria, e para a qual o julgamento foi realizado, era apenas por glorificação do terrorismo nas redes sociais com um pedido de sentença de apenas dois anos de prisão. E eles foram até absolvidos disso”.

Juíza Lamela, promovida à Suprema Corte

A juíza Carmen Lamena foi promovida e nomeada para a Suprema Corte ao mesmo tempo em que foi anunciada a absolvição de Nahuel e seus companheiros. A Audiência Nacional considerou que as mensagens pelas quais eles foram julgados eram um sinal de rebelião, mas que não atacavam o Estado.

“Fica claro nos procedimentos do presente caso que a disseminação aberta dos vídeos e imagens sob o nome comum de Straight Edge Madrid não gerou o risco de cometer atos de terrorismo, mesmo em abstrato, que temos estabelecido”, afirma a sentença da Câmara Criminal do Tribunal Nacional de 26 de julho de 2018.

A Operação Gelo e o processo contra os seis do Straight Edge, especialmente a repressão contra Nahuel, foi uma resposta desproporcional e injustificada, como demonstrado, do Estado contra o ativismo anarquista, equiparando esse movimento político ao terrorismo.

Denúncia ao Ministério da Justiça

“Uma vez que a absolvição foi definitiva, e tendo em vista o absurdo de todo o processo de detenção, prisão, investigação e julgamento, ficou claro que era preciso encontrar alguma forma de compensar os danos causados”, diz o advogado Eduardo Gómez Cuadrado a este jornal.

Assim, Nahuel e seu advogado apresentaram uma reclamação por mau funcionamento da Administração da Justiça, que o Ministério da Justiça rejeitou por silêncio administrativo. A vítima solicitou uma indenização de 266.000 euros por danos resultantes da prisão preventiva.

“Como os juízes e policiais são intocáveis e a reivindicação de responsabilidades individuais não teria nenhuma chance, decidimos fazer essa reivindicação ao próprio Ministério da Justiça por meio dos mecanismos de responsabilidade patrimonial da Administração por mau funcionamento, neste caso da Administração da Justiça, que está estabelecido no artigo 294.1 da Lei Orgânica do Poder Judiciário”, explica o advogado de Nahuel.

Finalmente, a Câmara Contencioso-Administrativa da Corte Suprema Nacional concordou com a defesa do jovem e deu parcial provimento ao seu recurso, ordenando que o Estado indenizasse Nahuel com 54.650 euros e não com os 266.000 euros solicitados. O advogado destaca que a sentença levou em consideração o fato de a pessoa afetada ter estado em um regime prisional tão severo quanto o FIES 3.

Prisões polêmicas

Para esse advogado de direitos humanos, o caso de Nahuel surgiu porque “às vezes a polícia, digamos, inflaciona os relatórios e as declarações que apresenta aos juízes. Às vezes, os relatórios policiais superestimam certas circunstâncias ou interpretam erroneamente certos dados, de tal forma que a detenção é justificada e, ao mesmo tempo, incentiva o juiz de instrução, muitas vezes com certo grau de automatismo e falta de rigor, a concordar com uma medida cautelar que é tão onerosa para a liberdade como a prisão preventiva”.

A sentença de indenização põe fim ao caso de Nahuel. Ficou demonstrado que é possível que eles compensem de alguma forma os danos que causaram”, diz Eduardo Gómez. Ninguém vai lhe pagar pelo tempo que passou na prisão, e o dinheiro também não compensa essa perda, mas pelo menos você pode obter o reconhecimento da injustiça cometida e que, de alguma forma, ela não fica impune”.

Fonte: https://www.publico.es/politica/caso-nahuel-le-sale-barato-confundir-anarquistas-terroristas-tenerlos-16-meses-carcel.html

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Flores desabrocham
à espera das borboletas.
Festa do haicai!

Maria Lucia Daloce Castanho