[Espanha] “Não entendo por que parte da esquerda alemã apoia Israel e a OTAN”

Klaus Armbruster, um militante alemão baseado em Bilbao, apresentou em Astúrias “Ação antifascista. História de um movimento de esquerda radical”.

Por Diego Díaz Alonso | 28/10/2024

Klaus Armbruster (Stuttgart, 1956) esteve na CNT em Xixón e em La Llegra em Oviedo/Uviéu neste fim de semana para apresentar“Acción antifascista. Historia de un movimiento de izquierda radical”, um trabalho exaustivo do historiador e ativista Bernd Langer, do qual ele é tradutor e co-editor.

Militante de longa data de movimentos sociais anticapitalistas, ele vive em Bilbao há 25 anos, onde é membro da associação basco-alemã Baskale.

Como um jovem se torna politizado na República Federal da Alemanha na década de 1970?

Envolvi-me na militância um pouco depois das revoltas estudantis de 1968, no início da década de 1970, por meio do movimento juvenil. Naquela época, o que era chamado de Oposição Extra-Parlamentar estava começando a se dividir e as pessoas envolvidas estavam tomando caminhos diferentes. Por um lado, havia pessoas que foram para a luta armada, outras para organizações comunistas, outras optaram pela “longa marcha através das instituições” e se juntaram à ala esquerda do Partido Social Democrata ou fundaram os Verdes, e havia aqueles de nós que formaram o movimento autônomo.

Como esses jovens autônomos da RFA viam a República Democrática Alemã?

Com pouca simpatia. Não era o socialismo em que acreditávamos. Tinha muito autoritarismo e limites. Havia jovens do Partido Comunista na RFA que iam para a RDA de férias ou para fazer cursos, mas não estávamos interessados nesse socialismo, mesmo que não apoiássemos os EUA e a OTAN por esse motivo. Estive na RDA apenas uma vez, em 1989, pouco antes da queda do Muro.

O termo “autônomo” também era muito comum na Itália. Quais eram as semelhanças e diferenças entre a autonomia italiana e a alemã?

A Itália e a Alemanha tinham em comum a existência de organizações comunistas armadas na década de 1970, mas na Itália havia, acima de tudo, um movimento de trabalhadores muito radical, com uma base forte nas fábricas, algo que não existia na Alemanha, onde todo o sindicalismo era e ainda é organizado em uma central social-democrata. Na Alemanha, o movimento autônomo não tinha essa base da classe trabalhadora. Ele era antifascista, com tendências comunistas e anarquistas, e dava grande importância ao ambientalismo e à luta contra as usinas nucleares. O movimento antinuclear estava muito associado à luta contra o militarismo e a corrida armamentista, porque, por trás da energia civil, sabia-se que as armas nucleares estavam chegando. Se você tivesse a tecnologia civil, poderia fabricar as armas. O movimento era muito diversificado e estava envolvido em muitas coisas. Nas décadas de 80 e 90, havia até grupos de sabotagem e revistas clandestinas amplamente distribuídas que ensinavam como derrubar um poste de alta tensão.

Como era o movimento antifascista naqueles anos?

Os social-democratas de esquerda, os Verdes e os sindicatos estavam se manifestando contra o fascismo, mas a um quilômetro de distância. Nós, por outro lado, fomos até onde eles estavam e os confrontamos. Se eles quisessem realizar um congresso ou uma manifestação, nosso objetivo era ir até lá e impedi-los. Era um fascismo muito diferente do fascismo de hoje, que usa terno e gravata, está nas instituições e tem um ar de seriedade que não tinha nas décadas de 80 e 90.

Qual foi a leitura do fracasso do antifascismo alemão na década de 1930?

A Ação Antifascista foi fundada em 1932 pelo Partido Comunista Alemão, apenas um ano antes da vitória de Hitler. A esquerda alemã demorou a reagir ao que estava por vir. Os comunistas tinham razão em criticar os líderes social-democratas por sua repressão sanguinária à revolução alemã, mas ao chamar o SPD de “social-fascista”, eles também ofenderam e atacaram suas bases, o que tornou impossível a unidade contra os nazistas. Além disso, em 1939, Hitler e Stalin assinaram um pacto que desmoralizou os militantes remanescentes. Em 1944, houve uma tentativa de matar Hitler, mas por militares fascistas que viam a guerra como perdida e queriam se salvar fazendo a paz com os Aliados.

Em teoria, a Alemanha havia sido desnazificada, mas mais uma vez o fascismo está de volta…

Em teoria, o fascismo alemão terminou em 1945, mas hoje sabemos que não terminou. Houve um processo bastante sério de desnazificação em nível nacional, regional e local enquanto o país estava sob a supervisão dos Aliados, mas esse padrão foi rebaixado quando passou para as mãos dos alemães. Antigos nazistas, até mesmo da SS, estavam envolvidos na formação do exército, outros sobreviveram no judiciário e tivemos até mesmo dois chanceleres com histórico fascista. Agora as coisas mudaram, muitas pessoas acham difícil ver o novo fascismo porque ele ganhou muita respeitabilidade e fala muito parecido com a direita tradicional.

Como você vê a evolução da esquerda alemã com o desmembramento do Die Linke (A Esquerda)?

O Die Linke está passando por uma crise muito profunda. Ele não tem uma posição comum sobre quase nada. Há setores que apoiam Israel e a OTAN na guerra da Ucrânia. Acho difícil entender que uma parte da esquerda faça isso. A divisão, o partido de Sahra Wagenknecht, afirma ser de esquerda, mas defende coisas sobre imigração que os fascistas da Alternativa para a Alemanha poderiam dizer. Atualmente, o anticapitalismo é uma corrente muito minoritária na esquerda alemã.

O apoio ao sionismo de grande parte da esquerda alemã é surpreendente do ponto de vista da Espanha.

Na Alemanha, há pessoas de esquerda que apoiam muito os curdos ou outros povos, mas que depois apoiam Israel. Isso não tem consistência. Uma parte da esquerda tem muito medo do antissemitismo e de um novo Holocausto, mas ao mesmo tempo tem uma completa falta de empatia pelo sofrimento do povo palestino. Parece que Israel tem o direito de falar em nome de todos os judeus e de todas as vítimas do Holocausto, e que qualquer um que discorde é antissemita. Até mesmo uma organização como a Judeus por uma paz justa no Oriente Médio, que se manifesta contra o regime de Netanyahu, foi acusada de antissemitismo e proibida de realizar algumas de suas atividades na Alemanha. O mesmo ocorre com a guerra na Ucrânia. Você pode condenar a invasão russa e se opor a Putin, mas não pode ignorar o papel da OTAN na preparação para a guerra. Tive problemas com velhos amigos que agora apoiam a OTAN.

Para encerrar, o que você acha do caso das mulheres sindicalistas em La Suiza?

É um escândalo. É um ataque a um direito fundamental que exigiu décadas de luta e muito sacrifício para ser conquistado. Os sindicatos precisam se mexer, porque isso é contra eles. Destruir os sindicatos é sempre o plano deles.

Fonte: https://www.nortes.me/2024/10/28/no-entiendo-que-una-parte-de-la-izquierda-alemana-apoye-a-israel-y-la-otan/?utm_campaign=twitter#google_vignette

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

a sombra da nespereira
mergulha
na frescura do poço

Rogério Martins

[São Paulo-SP] Sob a chuva e o olhar sanguinário da polícia, manifestantes exigem a liberdade do professor Adriano Gomes da Silva

São Paulo, 5 de novembro de 2024 – Na tarde desta terça-feira, um grupo de militantes sociais se reuniu nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo para exigir a libertação do professor Adriano Gomes da Silva, preso há 50 dias após ser condenado por um crime que não cometeu. Mesmo sob a constante vigilância da polícia e enfrentando uma chuva torrencial, os manifestantes não se intimidaram e seguiram firmes na defesa de Adriano, um preso político do Estado de São Paulo.

A manifestação começou pouco depois das 17h, com os ativistas posicionando-se discretamente entre as barracas de camelôs, tentando evitar o cerco da polícia, que já estava presente na área antes mesmo do ato começar. Em um gesto de resistência, os manifestantes aguardaram a retirada dos veículos policiais das escadarias do Teatro Municipal, momento em que tomaram o espaço e ergueram uma faixa com os dizeres: “LIBERDADE AO PROFº ADRIANO!”. Diante dos agentes repressores, venceram a unidade e a coragem.

Adriano Gomes é um preso político, vítima do Estado burguês que persegue e pune todo aquele e toda aquela que ousam se posicionar contra suas políticas desumanas!“, denunciou um dos participantes do ato. De acordo com os manifestantes, Adriano foi preso em 2018 após protestar contra a violência policial numa ação de despejo no Butantã, zona oeste de São Paulo, e acusado pela polícia de desacato. “Ainda que Adriano tivesse cometido desacato, crime pelo qual a justiça burguesa paulista o condenou há mais de 10 meses de prisão, por que o mantém preso em regime fechado se sua sentença é no semiaberto?”, questiona uma manifestante indignada.

“É sabido que quase ninguém cumpre uma punição por desacato em regime fechado! Exceto por ser pobre ou por enfrentar as políticas de desprezo do Estado. Adriano está nessas duas condições: é pobre e trabalhador que se posiciona contra um sistema social injusto. Há décadas ele vem somando forças em lutas coletivas contra as injustiças desse Estado burguês! É por isso que a prisão dele é resultado de uma perseguição política. Por que a justiça desse Estado burguês mantém o professor Adriano preso? Porque Adriano há tempos se posiciona contra uma sociedade de classes na qual quem manda na justiça é a burguesia! Tanto é que em 2020, essa mesma instituição (o Estado burguês) o demitiu de seu cargo de professor da rede pública de ensino do Estado de São Paulo, sob a mesma alegação de “crime de desacato”. Por que essa justiça não ofereceu alguma medida alternativa para Adriano cumprir por desacato ser considerado um crime de menor potencial ofensivo? Porque se trata da justiça burguesa e sua punição é sempre política, pois, só penaliza gente pobre e gente que luta contra as injustiças que esse sistema produz! É por isso que Adriano é um preso político” – fala de um dos participantes do ato.

Uma das militantes, lembrou o contexto de injustiça social que motivou o professor a se manifestar contra a ação de despejo, em 2018: “Como qualquer trabalhador explorado que luta para criar seus filhos, como qualquer pessoa indignada com esse sistema de exploração, como qualquer pessoa sem direito à moradia, à saúde e à educação, como alguém pode ficar em silêncio diante de tanta desigualdade promovida pelas classes dominantes? Lutar não é crime!“, exclamou, em tom de revolta.

Enquanto os manifestantes faziam sua manifestação, a polícia observava de perto, posicionando-se em frente ao teatro com suas viaturas, mantendo uma vigilância constante. Durante todo o ato, os agentes de repressão faziam rondas na área. Contudo, o grupo de apoiadores de Adriano não se dispersou, permanecendo firme em sua reivindicação pela liberdade do professor.

O protesto durou cerca de uma hora, sendo encerrado pouco antes das 19h. Apesar da presença da polícia, os manifestantes se retiraram tranquilamente, mas deixaram claro que a luta pela liberdade de Adriano Gomes da Silva continua.

A ação foi uma demonstração de resistência contra um sistema opressor, que tenta silenciar e pune aqueles que ousam questionar suas práticas.

lutafob.org

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agência de notícias anarquistas-ana

tatalou e caiu
com onda espiralada
fragor de entrudo

Guimarães Rosa

[Espanha] Dana, dor, raiva e solidariedade

Coletivo Redes Libertárias

Para aqueles que pensam que a mudança climática é uma enteléquia, e para aqueles que, apesar de reconhecerem sua nocividade desastrosa, ainda não admitem que o modo de vida no qual o capitalismo nos imerge aumenta exponencialmente as catástrofes produzidas por essa mudança. Os recentes acontecimentos no Mediterrâneo, especialmente na província de Valência, são a pior prova do custo de vidas humanas e não humanas, da destruição de áreas naturais, agrícolas, industriais e de infraestrutura, de sua abordagem negacionista e de sua aceitação do modo de vida capitalista. Também gostaríamos de destacar a coordenação ineficaz dos recursos regionais e estaduais, juntamente com o aparecimento dos carniceiros habituais para lucrar com a tragédia humana e material.

É necessário enfrentar a realidade das mudanças climáticas e a depredação capitalista do território em todas as esferas, incluindo as esferas comunitárias que demonstraram com sua agência a importância da solidariedade, do apoio mútuo e do cuidado em um momento em que o sofrimento das vítimas desse DANA deve ser uma prioridade em nossas abordagens libertárias e anarquistas.

2 de novembro de 2024

redeslibertarias.com

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Muitos ventos sopram.
Dentro e fora de mim uivam
lobos que não sou.

Urhacy Faustino

[Belém-PA] 20N: Dia da Consciência Negra no CCLA + campanha pela mudança de nome de rua

DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA NO CCLA + CAMPANHA PELA MUDANCA DE NOME DE RUA, DE GENERAL GURJÃO PARA BRUNO DE MENEZES¹, ESCRITOR E POETA NEGRO.

PROGRAMAÇÃO DO ATO

12:00 às 14:00 – Abertura da FEIRA CRIATIVA/almoço FEIRA CRIATIVA – EXPOSITORES

CARDÁPIO VEGANO

  • PF VEGANO
  • SAMOSA
  • FEIJOADA
  • ACARAJAZZ (PETISCOS)

BEBIDAS

  • SUCOS
  • CERVEJA
  • CAIPIRINHA

14:00 às 16:00- Roda de Diálogo “Bruno de Menezes e a Consciência Negra”

16:00 às 23:00 – Arte

Intervenções poéticas/música

23:00 às 00:00 – Desmontagem do evento em autogestão e com apoio mútuo.

Localização do CCLA

Rua General Gurjão 301 – Bairro Campina – Belém do Pará.

cclamazonia.noblogs.org

[1] https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Bruno_de_Menezes

agência de notícias anarquistas-ana

vela acesa
testemunha olhares
sobre a mesa

Carlos Seabra

[Grécia] Atenas: Aqueles que caem no calor da batalha nunca morrem

Em 31 de outubro, o anarquista Kyriakos Xymitiris foi morto por uma explosão em um apartamento no bairro de Ambelókipi, em Atenas.

Somos os únicos que podemos falar por nosso companheiro. Todos nós que estivemos com ele em assembleias, ações, manifestações e conflitos.

Durante anos, Kyriakos esteve constantemente presente em projetos de solidariedade com prisioneiros, no movimento internacionalista contra a guerra, em ações para defender o bairro de Exarchia, em lutas universitárias, na defesa de espaços liberados e ocupados e em todas as lutas sociais e de classe. Ele deu tudo de si nessas lutas, sempre buscando descobrir juntos suas possibilidades mais insurrecionais. Ele não só defendeu teoricamente a luta multifacetada pela liberação social, como também foi sua encarnação mais autêntica.

Kyriakos escolheu lutar até o fim, usando todos os meios para combater o mundo do poder, o estado, o capital, o racismo e o patriarcado. Ele escolheu lutar ao lado dos oprimidos e dos rebeldes, por um mundo melhor, por um mundo de solidariedade, igualdade e liberdade.

Sua perda deixa um grande vazio em sua família e entre seus amigos, entre os compas que estavam próximos a ele, mas também na própria luta, que ele marcou tanto por sua atitude quanto por suas palavras.

O lutador anarquista Kyriakos Xymitiris era um de nós. Defenderemos sua memória e a manteremos para sempre em nossos corações e em cada momento de nossa luta.

“Sei que vocês os consideram inúteis porque o tribunal está armado; mas […] eles devem ser considerados muito, sempre que se considerarem tudo. Eles chegaram a esse ponto: eles mesmos estão começando a considerar seus exércitos como nada, e o mais lamentável é que a força deles consiste em sua imaginação; e pode-se realmente dizer que, ao contrário de todos os outros tipos de poder, quando eles chegam a um certo ponto, podem fazer qualquer coisa que pensem que podem. [1]

Companheiro, nós nos encontraremos novamente nas estradas de fogo, onde você viverá para sempre…

Marianna [2], forte até o ponto da liberdade!

Honra eterna ao companheiro anarquista Kyriakos Xymitiris.

Solidariedade com aqueles que estão sendo processados nesse caso.

anarquistas / comunistas

Assembleia em solidariedade aos lutadores presos, foragidos ou perseguidos

Notas:

[1] Citação de Mémoires du Cardinal de Retz (ed. J. Delon, Paris, Honoré Champion, 2015, tomo VIII, p. 487). Aqui ele está falando com o Príncipe de Condé, no início da Fronde, sobre o povo. Essa citação apareceu em um pôster anarquista popular na Grécia nas décadas de 70 e 80.

[2] Uma companheira, Marianna, ficou gravemente ferida na explosão. Ela está atualmente no hospital sob prisão. Também em conexão com a explosão, outro companheiro, que não estava presente no apartamento, foi preso, e um quarto companheiro está sendo procurado pela polícia.

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1632529/

agência de notícias anarquistas-ana

Em meio ao capim
de onde sopra o vendaval,
lua desta noite.

Miura Chora

[Espanha] A 100 anos do assassinato de Gregorio Suberviola

Em 13 de março passado, completaram-se 100 anos do assassinato de Gregorio Suberviola Baigorri, Torinto, em Barcelona, nas mãos da polícia.

Gregorio, membro de uma família humilde dedicada à construção, nasceu em Morentin, localidade Navarra da Merindad de Estella, onde viveu até que em 1919, após realizar o serviço militar em Lizarra, abandonou o domicílio familiar rumo a Donostia, onde trabalhará na construção do grande cassino Kursaal Donostiarra. Logo se filiará ao Sindicato da Construção da CNT e começará a participar nas lutas obreiras do setor junto a outros militantes libertários como Buenacasa.

Em 1920, Suberviola participa na criação do grupo “Los Justicieros”, junto a Buenaventura Durruti (que acaba de chegar à capital Gipuzkoana após seu exílio na França), Pablo Ruiz (alfaiate e libertário nascido em Estella), o bilbaino Aldabaldetrecu e o vallisoletano Marcelino del Campo.

O propósito inicial de Los Justicieros é executar Regueral, o governador de Bizkaia, por sua implacável repressão contra o anarcossindicalismo. Não obstante, seus planos se veem modificados ao serem acusados de um suposto atentado contra o rei Alfonso XII em sua visita a Donostia no final de 1920. Esta situação os obriga a escapar transladando-se a Zaragoza, para o qual contam com o apoio de Inocencio Pina.

Em Zaragoza, o grupo projeta a criação de uma federação anarquista de alcance peninsular que seja capaz de acelerar a revolução. Também realiza assaltos a entidades bancárias com o fim de adquirir armamento. Ademais, durante estes anos, Torinto, assim como o resto do grupo, faz um importante esforço em sua formação teórica e participa em intensos debates dentro do movimento libertário.

Como resultado destes debates, em 1922, o grupo toma o nome de Crisol e passam a compô-lo Suberviola, Durruti, Torres Escartín, Marcelino del Campo e Ascaso.

Em agosto, se transladam a Barcelona, onde apesar de sofrer todo tipo de dificuldades, pouco a pouco conseguem reforçar o grupo com militantes que frequentavam o sindicato confederal da Madeira, até constituir em outubro o grupo “Los Solidarios”.

O grupo Los Solidarios volta a propor-se impulsionar a criação de uma federação anarquista revolucionária em todo o estado. Do mesmo modo, iniciam uma série de ações espetaculares como o assalto ao Banco de Espanha em Gijón. Em março de 1923 Suberviola foi detido em Zaragoza e quiseram envolvê-lo em um crime do Sindicato Livre, não obstante consegue escapar do cárcere em 8 de novembro desse mesmo ano.

Com a implantação da ditadura de Primo de Rivera, as atividades dos grupos de ação enfrentam renovadas dificuldades e o cerco policial se estreita. Descobrem-se arsenais cuja finalidade é um levante insurrecional, após o qual começa a caça a Los Solidarios, até que no início de 1924 foi localizado pela polícia o domicílio de Suberviola em Barcelona e por causa do enfrentamento, em 24 de fevereiro, cai assassinado Marcelino del Campo e Suberviola, inicialmente ferido, falece em 13 de março.

Não podemos saber se Suberviola participou realmente no justiçamento de Regueral, o assalto ao Banco de Gijón ou outras ações as quais sua memória fica associada. No entanto, fica claro que sua biografia é uma clara mostra dos sacrifícios que realizou toda uma geração de militantes libertários surgidos do seio do proletariado, que deram suas vidas para derrubar os violentos obstáculos que o Estado e a burguesia impunham para frear o avanço da classe trabalhadora organizada na CNT, para a revolução social.

Ao reivindicar sua figura, não o fazemos com a finalidade de recriarmos em tempos passados ou gerar novos mitos. A classe trabalhadora vive tempos de atomização e derrota enquanto a burguesia nos dirige para o abismo. É um trabalho imprescindível manter os fios que nos unem com as lutas revolucionárias do passado e aprender destas, para que uma vez mais possamos avançar “até o triunfo total da classe trabalhadora”.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/a-100-anos-del-asesinato-de-gregorio-suberviola/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

flor na tapera
ruína
produzindo primavera

Joaquim Pedro

[Espanha] Processo geral contra o anarcossindicalismo, CNT-AIT Fraga

O sindicato de Fraga da CNT/AIT, entra no “processo geral” promovido pela elite que lidera a “CNT (CIT)” contra o anarcossindicalismo.

Comunicado da CNT/AIT Fraga

Processo geral contra o anarcossindicalismo

Uma organização é, no final das contas, nada mais do que um meio para um determinado fim. Quando se torna um fim em si mesma, ela mata o espírito e a iniciativa vital de seus membros, estabelecendo a regra da mediocridade que é característica da burocracia.

Rudolf Rocker

A liberdade não é confortável; é um estado de tensão constante, uma conquista contínua de territórios internos e externos, um risco de cada minuto.

Luce Fabri

Mais de trinta sindicatos da CNT/AITestão sendo denunciados perante a Audiência Nacional, processos movidos por aqueles que lideram a atual CNT (CIT), um sindicato com o qual, até menos de 10 anos atrás, formávamos uma única organização. O processo judicial que estamos sofrendo é semelhante à perseguição franquista perpetrada contra os opositores antifascistas com essa “causa geral” – “processo geral”.

Com os processos, pretendem nos obrigar a deixar de usar “o nome Confederação Nacional do Trabalho, a sigla CNT e, como se isso não bastasse, estão pedindo 50 mil euros por cada sindicato denunciado”. Todo um absurdo com consequências previsivelmente catastróficas, inclusive para o movimento libertário como um todo.

Em 19 de setembro passado, começaram os julgamentos contra 16 sindicatos da CNT-AIT; agora, no mês de outubro, mais 17 sindicatos, incluindo o sindicato Fraga, estão pendentes de julgamento. Não entraremos em detalhes sobre as razões dessa situação, o que já foi feito há 3 anos em um texto intitulado “Contra o vento e a maré” (1), bem como no comunicado “Sobre os julgamentos na Corte Nacional contra a CNT/AIT”, tornado público em setembro deste ano (2).

O objetivo dessa ação não é apenas prejudicar os militantes dissidentes, mas também fechar todas as portas para qualquer tentativa de reunir posições ideológicas divergentes, em um exercício político excludente que nada tem de libertário.

Queremos salientar que a gravidade dos fatos revela e evidencia a personalidade de quem que provocou essa situação e controla a chamada CNT(CIT), com traços autoritários, comparáveis ao comportamento de quem lidera qualquer partido stalinista ou seita religiosa.

Longe está o ano de 1918, quando um grupo de trabalhadores fundou o Sindicato Único de Fraga, mas desde então o anarcossindicalismo tem feito parte da sociedade de Fraga e das terras baixas de Cinca. Com maior ou menor repercussão, mas com momentos de extraordinária relevância histórica e com mais de cem anos de presença, que nem a repressão da ditadura de Franco, nem as tentativas de “demolição controlada” da “democracia”, nem o entrismo perpetrado a partir do autoritarismo marxista e partidário conseguiram interromper ou extinguir.

Gostaríamos também de dizer que a discordância ideológica e humana é com os que lideram a atual CNT(CIT) e com as pessoas que os apoiam e justificam, de qualquer forma, sempre haverá uma mão estendida aos que sofrem exploração, prevalecendo a solidariedade de classe sobre ideologias e/ou crenças. Lembramos que, para a militância da Confederal Fraga, a luta por dignidade e justiça social sempre andou de mãos dadas com as ideias anarquistas, sendo parte ativa da luta dos trabalhadores e de nossa forma de nos organizarmos, integrando-as também, na medida do possível, em nossa caminhada pela vida e assim continuaremos a fazer no futuro.

Vida longa ao anarcossindicalismo!

De Fraga e da região de Bajo/Baix Cinca, na zona rural de Alto Aragão.

Sindicato de Ofícios Vários de Fraga da CNT/AIT

Fraga, 28 de outubro de 2024

(1) https://www.cntait.org/cnt-ait-contra-viento-y-marea/

(2) https://www.cntait.org/a-proposito-de-los-juicios-en-la-audiencia-nacional-contra-la-cnt-ait/

Fonte: https://www.cntait.org/causa-general-contra-el-anarcosindicalismo-cnt-ait-fraga/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

cantam os pássaros
aqui e ali; deito na rede
e começo a roncar

Rafael Noris

Atividades XII Feira do Livro Anarquista Porto Alegre 2024

Sábado 9 de novembro:

09:00 horas – Inicio do FLASH TATTOO SOLIDÁRIO // Montagem das bancas e faixas

10:00 horas – Anarquistas na Palestina e a solução sem estado: A base da conversa serão os zines “Vozes da Linha de Frente Contra a Ocupação” da Black Rose/Rosa Negra International Relations Committee e “Solução sem estado” de Mohammed Bamyeh e Shuli Branson’s, traduzidos pela Pandemia Distro

10:30 horas – Atuar Anárquico em contextos de crise: Potencializar o colapso do projeto civilizador.

11:15 horas – Internacional Anarquista e o Movimento Anarquista no Brasil

12:00 horas – Almoço

14:00 horas – Foda-se Black Friday, lançamento do zine e conversa.

14:00 horas – Oficina bolhas de sabão gigantes. Com materiais disponíveis e autonomia cada criança irá criar seu próprio brinquedo artesanal. Desenvolvendo capacidade motora, atenção, movimento, paciência, encantamento.

Com brinquedo pronto, vamos aprender como fazer as bolhas de sabão gigantes.

Adultos são bem vindos!

14:45 horas – Apresentação da publicação: Esse colapso não é de hoje. Dani Eizirik / Jambalú, editora Riacho

15:20 horas – Diante de cada encruzilhada nosso caminho é a Anarquia!

Uma provocação a constante luta contra as imposições do poder e da autoridade, e a consequente tensão por trilhar e ler o mundo com o agir antiautoritário

16:00 horas – Apresentação de livros da Barricada de Livros:

De Luto em Luta. Uma antologia de textos, poemas e contos de Louise Michel

Uma Casa Viva, Andrea Staid

17:00 horas – Troca de ideias: Para nascer novos mundos é preciso abortar mundos não desejados: Alerta para as políticas partidaristas em todos os territórios ocupados pelo capitalismo, um olhar desde nossos ventres e nossa terra.

18:00 horas – Vídeo Debate: A expansão da fronteira digital: Agronegócio, agronegocinho e resistência camponesa ao avanço do capitalismo de vigilância

19:00 horas – Encerramento

Domingo 9 de novembro:

10:00 horas – Montagem das bancas

14:00 horas – Trilhas de autonomia: Desde as serras, território explorado pelo estado uruguaio. O caminhar como fundamento da autonomia humana

15:00 horas – Oficina bombas de sementes

16:00 horas – Marcando a cidade.

Breve recorrido e intervenção em alguns pontos da cidade marcados por eventos de ímpeto anárquico.

17:00 horas – Roda de encerramento

18:00 horas – Apresentação Crua

O almoço de sábado está garantido pelo Aurora Restaurante Vegano

Também teremos os lanches vegetarianos e veganos de Mãos Livres – cozinha criativa e Arackno

Contaremos com várias bancas de livros e materiais anarquistas assim como uma banca de sementes crioulas.

Sábado desde as 09:00 horas, na Sede da Escola de Samba Acadêmicos da Orgia, Avenida Ipiranga 2741

Domingo desde as 10:00 horas, na Praça do Aeromóvel, em frente ao Gasômetro.

agência de notícias anarquistas-ana

nas noites de frio
um bom vinho, um edredon
dois corpos no cio

Cristina Saba

[Porto Alegre-RS] Vem colar nas atividades do Esp(a)ço neste mês de novembro!

Em novembro vai ter ciclo de documentários, sarau, atividade antiespecista e mais! Confere aí nossa programação:

  • COMO ASSIM?! GENOCÍDIO?! Ciclo de documentários – todas as terças de novembro.

O Genocídio promovido por Israel com as vistas grossas da comunidade internacional não começou em 7 de outubro de 2023. Mas neste pouco mais de um ano o mundo acompanha, inerte, e praticamente em tempo real, as atrocidades cometidas pelo Exército Israelense a serviço do Sionismo. Todos os dias todas as redes sociais disponibilizam cenas inéditas e terríveis. Todos os dias quem realmente se importa com a vida se revolta.

E nada faz Israel parar.

O Esp(a)ço vai exibir três documentários produzidos pela Al Jazeera e legendados em português pela FEPAL e Intercept.

Venham assistir e conversar a respeito.

Começaremos dia 05/11 com o documentário “7 de outubro”, que faz uma análise investigativa das cenas divulgadas para justificar as ações do Exército Israelense.

Nas 4 terças-feiras seguintes exibiremos a série documental “The Lobby”, censurada após pressão de Israel por mostrar como o lobby do país exerce influência em Washington.

Para encerrar o ciclo exibiremos o “Investigando crimes de guerra em Gaza”, uma longa investigação da Unidade de Investigação da Al Jazeera que expõe os crimes de guerra israelense na Faixa de Gaza através de fotos e vídeos publicados online pelos próprios soldados israelitas durante o conflito que durou um ano.

Lembramos que os vídeos possuem imagens de violência real e explícita.

As exibições iniciarão às 19h45 mas o Esp(a)ço estará aberto desde às 17h30 com a Apoio Mútuo, a loja grátis, para quem quiser ir chegando.

  • ASSEMBLEIA GERAL MASSA CRÍTICA! POA – Quarta, 13 de novembro, 19h

Gostaríamos de convidá-lys pra a Assembleia Geral da Massa Crítica, que ocorrerá no dia 13/11 às 19h no Esp(A)ço.

O intuito é discutirmos os próximos passos, coletarmos feedbacks e ideias e tentarmos propagar ainda mais a Massa Crítica.

Depois de tantos anos parado, o evento de toda última sexta do mês está voltando e sendo novamente reconhecido.

Na data, apresentaremos também o filme We Are Traffic! (1999): O filme narra a história e o desenvolvimento da “Massa Crítica”, o movimento popular e sem liderança da bicicleta, desde seu início em São Francisco, em 1992, até sua propagação por todo o mundo, abrangendo mais de 200 cidades em 14 países. Com o aumento do congestionamento, da poluição e da violência no trânsito, ys ciclistas estão defendendo alternativas de transporte. A Massa Crítica está na vanguarda desta mentalidade.

Contamos com a tua presença pra agregar ainda mais!

  • SARAU DO FIM DO MUNDO – Quinta, 21 de novembro – 19h

Na quinta dia 21 de novembro, vai acontecer o primeiro sarau no Esp(a)ço. O tema será “Fim do Mundo”. Traga textos, poemas, música ou outro tipo de performance para compartilhar.

  • ATIVIDADE ANTIESPECISTA – Leitura coletiva + troka de ideia + feira de materiais – Sábado, 23 de novembro – 17h

A complexidade de habitar dentro de um cistema colonial – construído a partir de estruturas de opressão como o especismo, racismo, machismo, capacitismo, classismo, etarismo e suas miríades fragmentadoras – demanda resistências críticas y coletivas.

Refletir sobre as imposições especistas na alimentação, consumo, relações e linguagem é apenas uma das muitas possibilidades desse encontro. O texto a ser lido traz dados sobre alguns dos impactos do Grande Agronegócio, expondo as relações de poder que definem quais corpos são explorados, como são explorados e, ainda, onde são explorados.

No sábado, dia 23/11 propomos essas reflexões através de leitura coletiva, além de roda de conversa y feira de materiais. Sinta-se à vontade para trazer lanches veganos para compartilharmos durante a atividade!

  • REUNIÃO ABERTA – Sábado, 23 de novembro – 14h.

Quer propor uma atividade para o Esp(a)ço? Quer conhecer mais o coletivo e ajudar a compor? Nossas portas estão abertas! Chega mais e vem participar da nossa reunião aberta para organização do calendário dos próximos meses.

Em novembro nossa reunião vai ocorrer no sábado dia 23, às 14h.

Até lá!

  • APOIO MÚTUO – Loja Grátis – Toda terça, das 17h30 às 20h30.

Além de todas as atividades,  Apoio Mútuo, a loja grátis do Esp(a)ço, abre toda terça-feira, das 17h30 às 20h30. Venha conhecer, trazer doações ou procurar aquilo que você está procurando.

O Esp(a)ço fica na Rua Castro Alves, 101, no Bom Fim, em Porto Alegre.

Atenção: Para garantir o conforto e segurança de todas as pessoas presentes, pedimos que se você possuir histórico ou denúncia por cometer assédio, abuso ou outro tipo de violência, por favor, entre em contato conosco pelo nosso email ou redes sociais antes de comparecer. Não fazer isso é não se responsabilizar por suas ações e será solicitado que se retire.

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agência de notícias anarquistas-ana

Sentei-me na praia
e quando dou pela coisa
o mar me beijava.

Humberto del Maestro

Declaração da União dos Anarquistas do Sudão

O Sudão tem testemunhado uma guerra brutal que entrou em seu segundo ano, com milhões de sudaneses interna e externamente deslocados.

Milhões de pessoas não têm casa nem trabalho para atender às suas necessidades mais básicas, e milhões de crianças não têm educação. As calamidades continuam a afligir o vulnerável e simples povo do Sudão.

Hoje, condenamos veementemente os massacres cometidos pela milícia Janjaweed contra os fazendeiros inocentes do Estado de Gezira, o que equivale a um genocídio.

A milícia cometeu atrocidades contra cidadãos desarmados, mulheres e crianças nos vilarejos de Saraiha, Azraq, Tambul e Al-Hilaliya. Eles levaram cidadãos em cativeiro, estupraram mulheres e agrediram idosos.

Essa milícia criminosa tem servido há muito tempo como um braço do Estado, usando as mesmas táticas brutais contra qualquer pessoa que resista à opressão e à tirania.

Este é um apelo revolucionário e humanitário a todos os anarquistas para que aumentem a conscientização sobre os crimes cometidos pelos Janjaweed e a necessidade urgente de impedi-los e responsabilizar seus autores. É também um chamado à solidariedade para apoiar nosso povo em sua fraqueza, para que ele possa se reerguer.

Viva a paz, não às guerras!

União dos Anarquistas do Sudão

Tradução > anarcademia

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Borboleta azul
raspa este céu de mansinho
insegura e frágil.

Eolo Yberê Libera

[Espanha] Só o povo salva o povo

A resposta coletiva à tragédia da DANA em Valência está mostrando, mais uma vez, que “só o povo salva o povo” não é apenas um slogan. Apesar de décadas de neoliberalismo, é uma realidade que o apoio mútuo, a solidariedade e a auto-organização são tendências profundamente enraizadas que emergem em situações de emergência. O fato de alguns grupos de extrema-direita tentarem aproveitar a oportunidade para ganhar visibilidade não significa que todas as pessoas que hoje expressaram a sua raiva contra o rei e as autoridades sejam semelhantes à sua ideologia. A função histórica do fascismo sempre foi copiar a linguagem revolucionária para intoxicar, manipular e mentir a fim de proteger os poderosos.

Desde o início surgiram iniciativas como a “Rede de Apoio Mútuo DANA Valencia”, ao mesmo tempo que vários coletivos coordenavam a recolha de material e organizavam voluntários para colaborar nas tarefas de sobrevivência que não estão a ser realizadas pelos diferentes organismos de segurança. Estamos a falar de iniciativas que surgiram agora em resposta a esta necessidade, mas que têm anos de trabalho atrás delas. São espaços, ateneus e centros autogestionados, assembleias feministas e redes de bairros, sindicatos de classe e sindicatos habitacionais, que trabalham, dia após dia, para garantir estruturas comunitárias que, em momentos como estes, são mais necessárias do que nunca.

Criticar um Estado podre, corrupto e negligente que, diante de uma tragédia que poderia ter sido evitada, ainda manda o rei passear cercado de policiais, não é “extrema direita”. Nem significa ser contra certas estruturas públicas que, pelo menos em teoria, garantem o bem-estar da classe trabalhadora. É estar consciente ao abandono institucional. E lembre-se que os culpados pelas nossas mortes são os políticos que cortaram os serviços de emergência e cancelaram os planos contra inundações, os empresários que enviaram pessoas para trabalhar e a polícia, que criminalmente impedem o acesso a bens de primeira necessidade. Foram todos eles que fizeram com que a DANA tivesse o impacto que teve.

Que diferentes intelectuais acreditem ter o poder de criticar slogans como “só o povo salva o povo” por ser “populista”, “desorganizado” ou “reacionário”, só nos mostra a sua desconexão com a realidade das ruas. E também mostra a desconfiança e o medo que têm da capacidade das pessoas de se organizarem e de sacudir, até ao colapso, o sistema tortuoso que as sustenta.

Assemblea Llibertària de Vallcarca

heuranegra.net

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sob a janela
o gato prepara o salto
como sempre faz

Fred Schofield

[República Tcheca] Feira do Livro Anarquista de Brno

Deixe-nos convidá-lo para a Feira do Livro Anarquista em Brno no dia 09 de novembro!

Vamos criar juntos um espaço onde possamos partilhar não só livros e ideias, mas também competências e habilidades práticas no espírito DIY. Fora isso, como característica das feiras de livros anarquistas, nosso principal objetivo é nos reunirmos e pensarmos juntos sobre nossa prática e fazermos novas alianças.

  • Na véspera do evento, você está convidado a jantar conosco no bistrô cooperativo Tři Ocásci.
  • No sábado, vamos nos encontrar em Káznice (Bratislavská 68), onde haverá principalmente barracas com livros, zines, revistas e outras coisas, mas também programação de acompanhamento (com oficinas de encadernação, serigrafia, pintura de árvores, comunicação pacífica e estimulante).
  • Seguido de uma festa onde podemos continuar a nossa camaradagem mútua e inventar travessuras.

Se você gostaria de compartilhar algumas habilidades práticas, organizar um workshop ou uma discussão, não hesite em nos contatar em: anarchist-bookfair-brno@riseup.net

anarchisticky-bookfair-brno.cz

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o bambual se encantava
parecia alheio
uma pessoa

Guimarães Rosa

[México] Liberdade absoluta para Miguel Peralta!

Sessão no Supremo Tribunal Federal em 6 de novembro de 2024

A todas as pessoas, organizações e grupos de solidariedade que acompanharam a trajetória para a plena liberdade de Miguel Peralta, indígena Mazateca de Eloxochitlán de Flores Magón:

Queremos compartilhar com vocês que na quarta-feira, 6 de novembro de 2024, a primeira Câmara da Suprema Corte de Justiça da Nação, na Cidade do México, discutirá o Amparo Direto na Revisão 6535/2023 do nosso colega Miguel Peralta.

Esta sessão acontecerá após quase dez anos do conflito sociopolítico que eclodiu na comunidade de Eloxochitlán de Flores Magón, em 14 de dezembro de 2014, catalisando uma onda de repressão, criminalização, perseguição e encarceramentos contra membros da Comunidade da Assembleia de Eloxochitlán de Flores Magón, entre eles Miguel Peralta.

Miguel foi preso em abril de 2015 por acusações forjadas relacionadas ao mesmo evento. Em outubro de 2018 foi condenado a 50 anos de prisão. Após a interposição de um amparo, e depois de quase um mês em greve de fome, em outubro de 2019, Miguel foi absolvido de todas as acusações e libertado.

Mais de dois anos depois, em 4 de março de 2022, a Terceira Câmara Penal de Oaxaca revogou sua liberdade, condenando-o a 50 anos de prisão e emitindo um mandado de prisão contra ele. Desde então, Miguel está deslocado de sua comunidade, tendo que viver sob perseguição política.

A primeira Câmara, que está com o assunto em mãos desde outubro de 2023, se reunirá no dia 6 de novembro, depois que a ministra Loretta Ortiz Ahlf retirou da discussão o projeto de sentença no dia 19 de junho. Esperamos que dê certo, para o bem de Miguel e da comunidade Mazateca de Eloxochitlán. Na próxima quarta-feira saberemos o que o ministro propõe para acabar com este martírio judicial. As cinco pessoas que compõem a Câmara são: Loretta Ortiz Ahlf, Juan Luis González Alcántara Carrancá, Jorge Mario Pardo Rebolledo, Ana Margarita Ríos Farjat e Alfredo Gutiérrez Ortiz Mena. Nesse dia, o Tribunal terá a oportunidade de pôr fim à perseguição contra Miguel Peralta.

Eles têm a responsabilidade de proferir uma sentença com uma perspectiva intercultural, tendo em conta o contexto sociopolítico do processo criminal, optando por fazer prevalecer a inocência de Miguel Peralta, face a um acúmulo de provas que refletem a assimetria de poder entre os que acusam ​​e aqueles que têm sido perseguidos.

Sabemos que uma decisão do Tribunal não será suficiente para fazer justiça no caso de Miguel Peralta e da comunidade de Eloxochitlán de Flores Magón. Dez anos de terror estatal e caciquil desvendaram o tecido comunitário em Eloxochitlán, separando os membros da comunidade de suas famílias e de seus territórios, estabelecendo divisão, desconfiança e medo entre a população. A justiça só virá da auto-organização comunitária, da cura dos relacionamentos e do trabalho para reparar o tecido comunitário.

Exigimos do Tribunal a liberdade absoluta de Miguel Peralta neste dia 6 de novembro, permitindo-lhe e à comunidade trilhar o seu próprio caminho para a justiça em condição de liberdade.

Apelamos a todos, onde quer que estejam, de acordo com suas capacidades, que mais uma vez se solidarizem com Miguel Peralta e lutem pela sua liberdade. E não só para ele, mas para a comunidade de Eloxochitlán e todas as comunidades indígenas que enfrentam a repressão e a criminalização nas mãos do Estado.

Liberdade absoluta para Miguel Peralta!

Liberdade para todos os perseguides e preses!

Grupo de Apoio Solidário para com Miguel Peralta, familiares e pessoas caracterizadas de Eloxochitlán de Flores Magón

Tradução > Alma

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Ah! Oh! É tudo
O que se pode dizer —
Monte Yoshino em flor.

Yasuhara Teishitsu

[Espanha] Em tempos de catástrofe, organização dos trabalhadores e apoio mútuo. A CNT com as vítimas da DANA

A catástrofe da DANA (fenômeno climático) expôs a dura realidade enfrentada pela classe trabalhadora no século XXI: só temos a nós mesmos quando chega a hora da verdade.

Quando ainda é impossível assimilar os números de mortos e desaparecidos, que continuam aumentando a cada hora, só podemos enviar uma mensagem de solidariedade e fraternidade às vítimas, às suas famílias e às populações devastadas pela catástrofe. Uma solidariedade que, sem esperar por governos ou administrações, como a humanidade tem feito ao longo de sua história, já está surgindo do povo pelo povo e para o povo.

Apelamos à militância confederal e a toda a classe trabalhadora para que continuem a prestar essa ajuda necessária neste momento. Aos nossos irmãos e irmãs nas cidades afetadas, e especialmente no País Valencià, saibam que a CNT está à sua inteira disposição.

Da Secretaria Permanente do Comitê Confederal da Confederação Nacional do Trabalho, condenamos a classe empresarial e seus aliados no governo, ou seja, a burguesia deste país, que sacrificou tantas vidas humanas para preservar seus lucros empresariais ou para encobrir a vergonha de sua gestão política. A incapacidade manifesta do governo e o egoísmo da classe empresarial, por outro lado, foram acompanhados por estratégias de negação da mudança climática. Ambos são mais responsáveis pelas mortes do que o próprio desastre ecológico.

Nós, a classe trabalhadora, somos mais uma vez as vítimas das catástrofes do capital. É por isso que somos também a única classe que abriga dentro de si um novo mundo capaz de superar essa miséria. Estamos vendo isso agora, neste momento, ele está emergindo novamente da auto-organização e da ajuda mútua do povo.

Pedimos à militância da CNT que esteja pronta e disposta a colaborar com todas as iniciativas locais que estão surgindo. É hora de nos unirmos para que esse novo mundo nasça de uma vez por todas e para sempre.

Granollers, 2 de novembro de 2024.

Secretaria Permanente do Comitê Confederal

Confederação Nacional do Trabalho

cnt.es

Tradução > Liberto

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Pequena flor
Sol contido na cor
Ipê amarelo

Luciana Bortoletto

[Reino Unido] Entrevista do Cowley Club: “Toda comunidade pode se beneficiar de um centro social”

Um dos centros sociais mais antigos em funcionamento do Reino Unido, o Cowley Club, em Brighton, é estruturado como uma cooperativa gerida por membros.

Entrevistado por Zosia Brom ~

Você pode nos contar quem são vocês, como tudo começou e quais são suas atividades?

Somos o Cowley Club, um centro social em Brighton, nós estamos atuando desde 2003, ou seja, por um bom tempo. Tudo começou com a necessidade de um espaço que não apenas promovesse os princípios anarquistas de organização, mas também servisse como um centro comunitário para diversos movimentos ativistas.  Ao longo dos anos, nos transformamos em um coletivo com uma ampla variedade de atividades. Temos um café vegano que serve comida deliciosa, uma livraria anarquista onde você pode encontrar de tudo, desde teoria até zines, e um banco de alimentos para os necessitados. Mas isso não é tudo!

Também oferecemos um espaço de encontro para diferentes grupos ativistas – pense nele como uma base para organizações populares. Nossa biblioteca é abastecida com literatura radical e organizamos eventos culturais abertos a todos.

Trata-se de criar um ambiente onde as pessoas se sintam bem-vindas e possam engajar-se em discussões e ações que importem para elas. Honestamente, estamos sempre procurando maneiras de expandir nossas atividades, então quem sabe o que vem a seguir na pauta do dia?

Quais são os valores fundamentais que orientam o Clube e como vocês garantem que esses valores sejam refletidos nas atividades diárias?

Citando o texto em nosso quadro de abertura: “Por um sistema social baseado no apoio mútuo e na cooperação voluntária: contra todas as formas de opressão. Para estabelecer uma participação na prosperidade geral para todos – a derrubada das barreiras raciais, religiosas, nacionais, de gênero e sexuais – para resistir à destruição ecológica e para lutar pela vida em uma terra”. Em termos mais simples, somos guiados por princípios anarquistas de organização popular e pelo lema “sem deuses, sem gerentes” [1] e estamos tentando, tanto quanto possível, que todos esses valores sejam refletidos na forma como nos organizamos no cotidiano e permanecer livres da influência dos partidos políticos, mesmo os “progressistas”.

Por que vocês acham que manter centros sociais como Cowley é importante?

À medida que o mundo que nos rodeia se torna cada vez mais sombrio – graças ao aumento do custo de vida, à gentrificação desenfreada e à ameaça iminente de colapso ecológico – espaços como o Cowley Club tornam-se mais cruciais do que nunca. Oferecemos uma alternativa às estruturas opressivas que nos são impostas, mostrando diferentes maneiras de organizar nossas vidas. Não se trata apenas de ter um lugar para frequentar; trata-se de criar um suporte para o movimento, um espaço para as pessoas se reunirem, socializarem e planejarem mudanças.

Nestes tempos turbulentos, centros sociais como o nosso desempenham um papel vital promovendo resiliência e solidariedade comunitárias. Lembram-nos que não estamos sozinhos nesta luta e que podemos trabalhar juntos para construir um mundo que se alinhe com os nossos valores – um mundo baseado na cooperação e no apoio mútuo, em vez da competição e do individualismo.

Qual o papel do clube no fortalecimento do ativismo local e como vocês se envolvem com outros movimentos populares em Brighton e para além?

Em primeiro lugar, nosso objetivo é fornecer espaço acessível para projetos e grupos importantes na área. Hospedamos uma série de organizações, incluindo a Federação Solidária, Cruz Negra Anarquista, Antifascistas de Brighton, e Sabotadores de Caça de Brighton [2]. Esses grupos usam nosso espaço não apenas para se reunir, mas também para arrecadar fundos e traçar estratégias. Algumas das iniciativas são de longo prazo, enquanto outras surgem em resposta a necessidades imediatas – elas são igualmente importantes no plano das coisas.

Também adoramos organizar conversas sobre livros, discussões, exibições de filmes e eventos de apoio a prisioneiros. Cada uma dessas atividades ajuda a cultivar um senso de comunidade e a incentivar o diálogo em torno de questões urgentes. Honestamente, adoraríamos fazer ainda mais, mas muita da nossa energia é dedicada a garantir que possamos manter as portas abertas e a luz acesa. É um ato de malabarismo, mas cada evento e reunião contribuem para a trama do ativismo local e reforçam a ideia de que estamos todos juntos nessa.

Que impacto o Cowley Club teve na comunidade de Brighton?

Ao longo dos anos, eu diria que o Cowley Club causou um impacto bastante significativo na comunidade de Brighton. Fornecemos um espaço onde as pessoas podem se conectar, se organizar e desenvolver um senso de pertencimento. A visibilidade das nossas atividades contribuiu para normalizar as discussões em torno do anarquismo e do ativismo popular, tornando estes conceitos mais acessíveis ao público em geral.

Também servimos como rede de apoio durante as crises, seja através do nosso banco de alimentos ou organizando eventos que aumentem a conscientização sobre questões sociais. Ao oferecer um espaço seguro para as pessoas se reunirem e aprenderem, encorajamos muitos indivíduos a envolverem-se no ativismo nas suas próprias comunidades. As relações aqui formadas estendem-se, muitas vezes, para além dos nossos muros, criando redes permanentes de solidariedade.

Como vocês vêem o papel de centros sociais como o Cowley Club evoluindo no futuro?

À medida que o mundo continua a mover-se em um espiral de crises – sociais, ecológicas e econômicas – o papel dos centros sociais como o Cowley Club se tornará, sem dúvida, ainda mais vital. Estes espaços serão essenciais não apenas para fornecer recursos, mas para nutrir a próxima geração de ativistas e organizações.

Diante dos desafios constantes, precisaremos nos adaptar e evoluir, encontrando novas maneiras de atender às necessidades de nossa comunidade, permanecendo leais aos nossos princípios anarquistas. Nós vemos Cowley como um lugar onde surgem soluções criativas, onde as pessoas podem experimentar novas ideias e práticas de organização. Quer se trate de enfrentar a crise do custo de vida ou de responder a desastres ecológicos, queremos estar na vanguarda da criação e partilha de recursos que capacitem outros a agir.

Que projetos ou iniciativas futuras estão em preparação pelo Cowley Club?

Existem muitos planos e ideias circulando por aí, mas atualmente estamos limitados pelo fato de que nossos voluntários fazem o que podem. A realidade é que precisamos encontrar um equilíbrio entre o que queremos fazer e o que podemos efetivamente alcançar com os nossos recursos atuais.

Como o Clube é financiado e quais são os desafios financeiros de gerir tal espaço?

Temos uma mescla de fontes de financiamento para manter o Cowley Club funcionando. Principalmente, nós contamos com o bar e vários eventos que organizamos, além do apoio de uma cooperativa habitacional que tem uma unidade em nosso prédio e de doações de nossos apoiadores. Mas sejamos realistas: os desafios financeiros estão sempre presentes. Tudo fica cada vez mais caro – taxas de juros, serviços públicos, você escolhe!

Nosso prédio tem mais de um século e com isso vem a necessidade constante de reparos, grandes e pequenos. Além disso, estamos lidando com algumas dívidas históricas que estamos trabalhando para quitar. Custava mais de £ 3.000 por mês para manter o local funcionando e muitas vezes, parece uma luta constante garantir todo esse dinheiro. Estamos todos trabalhando juntos para encontrar maneiras de arrecadar fundos e manter nosso espaço.

Qual o papel dos voluntários nas ações diárias do Clube?

Os voluntários são o coração do Cowley Club. Todo o lugar funciona com a força voluntária – sem eles, simplesmente não existiríamos. Eles tomam conta de tudo, desde servir no café e organizar eventos até manter a livraria abastecida e o espaço limpo. É uma situação em que todos estão a postos, e nós realmente valorizamos cada voluntário que atravessa nossas portas.

Quanto mais voluntários tivermos, mais energia poderemos gerar, e isso abre a oportunidade para ainda mais projetos e atividades. Trata-se de construir uma comunidade de pessoas que compartilham uma visão comum e desejam contribuir para algo maior do que elas mesmas. Além disso, é uma ótima maneira de conhecer pessoas que pensam como você e aprender novas habilidades ao longo do caminho!

Se alguém lhe dissesse que está planejando abrir seu próprio centro social, com base na experiência de funcionamento do Cowley, que conselho você daria?

Em primeiro lugar, eu diria: vá em frente! Há uma necessidade real de mais espaços como este e todas as comunidades podem beneficiar-se de um centro social. Mas meu conselho seria planejar bem. Faça sua pesquisa e converse com pessoas que têm experiência em gerir centros sociais – há uma riqueza de conhecimento por aí, e aprender com os acertos e erros dos outros pode economizar muito tempo e esforço.

Tenha em mente que cada área tem sua vibração única e o que funciona em um lugar pode não ser transposto diretamente para outro. Portanto, embora seja ótimo obter inspiração de outros projetos, mantenha-se flexível e adaptável às necessidades da sua própria comunidade. Por último, não se esqueça de se divertir! Construir um centro social é criar um espaço que reflita seus valores e reúna as pessoas. Abrace a jornada e os relacionamentos que você construirá ao longo do caminho.

Notas

[1] No original: “no gods, no managers”, em provável alusão ao lema “no gods, no masters” (sem deuses, sem mestres).

[2] No original: Solidarity Federation, Anarchist Black Cross, Brighton Antifascists e Brighton Hunt Saboteurs. A última organização refere-se a um grupo que atua, desde a década de 1960, sabotando a prática de caça de animais selvagens na região, ver: https://brightonhuntsaboteurs.wordpress.com/

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2024/10/09/cowley-club-interview-every-community-can-benefit-from-a-social-centre/

Tradução > mariposa

agência de notícias anarquistas-ana

Flores ao vento.
Na cortina da janela
Cores da primavera.

Alonso Alvarez Lopes

Ondas de calor ameaçam colapsar ecossistemas, incluindo o Amazonas

Aquecimento da temperatura terá variadas consequências, como a queda da fertilidade, prevê relatório sobre ciência climáticas.

O aumento das temperaturas globais está perturbando processos vitais nos oceanos, levando a Amazônia ao limite de um colapso em grande escala e colocando em risco uma geração ainda não nascida, aumentando as chances de complicações na gravidez.

Essa é uma das conclusões do relatório anual ’10 Novos Insights em Ciência Climática’, lançado pela The Earth League, um consórcio internacional de cientistas e especialistas em clima.

O trabalho revela o impacto das mudanças climáticas que podem reverter décadas de progresso em saúde materna e reprodutiva, contribuir para eventos de El Niño mais extremos e causadores de prejuízo, além de ameaçar a Amazônia, um dos mais importantes sumidouros naturais de carbono, juntamente com outros sete insights climáticos cruciais.

O relatório foi elaborado para subsidiar os formuladores de políticas com o conhecimento mais recente disponível. As informações científicas foram sintetizadas para destacar as implicações políticas que podem orientar as negociações na COP29, que ocorre em novembro, no Azerbaijão, e direcionar as políticas nacionais e internacionais.

“O relatório confirma desafios em escala planetária, desde o aumento das emissões de metano até a vulnerabilidade de infraestruturas críticas”, diz Johan Rockström, co-presidente da The Earth League e diretor do Instituto Potsdam de Pesquisas sobre o Impacto Climático, na Alemanha.

“Ele mostra que o aumento do calor, a instabilidade dos oceanos e a possível virada da Amazônia podem empurrar partes do nosso planeta além dos limites habitáveis. No entanto, também oferece caminhos claros e soluções, demonstrando que, com ação urgente e decisiva, ainda podemos evitar resultados incontroláveis.”

“O relatório revela o alcance dos impactos da mudança do clima em diferentes sistemas ecológicos, econômicos e sociais. Com menos ambientes habitáveis, a migração de populações pode se intensificar. Também existe um impacto importante na saúde materna, que pode perdurar por gerações”, afirma Mercedes Bustamante, professora da UnB (Universidade de Brasília) e membro do conselho editorial da publicação.

Segundo ela, no Brasil, há uma articulação entre as ações do país para reduzir o desmatamento e a degradação da Amazônia e as iniciativas internacionais para diminuir as emissões de gases de efeito estufa, que afetam o bioma de forma sinérgica.

Apesar dos desafios globais em intensificação, ela ressaltou haver um conjunto de políticas e soluções que podem ser implementadas para enfrentar as mudanças climáticas de maneira eficaz. Diante das ameaças à saúde materna, essas soluções integram, por exemplo, ações de equidade de gênero e justiça climática.

O relatório também destaca dois grandes desafios para o mundo natural. O aquecimento dos oceanos persiste e os recordes de temperatura da superfície do mar continuam a ser quebrados, levando a eventos de El Niño mais severos do que se compreendia anteriormente.

Segundo o relatório, as perdas econômicas globais adicionais projetadas devido ao aumento na frequência e intensidade do El Niño, resultante do aquecimento global, podem chegar a quase 100 trilhões de dólares ao longo do século 21.

A série ’10 Novos Insights em Ciência Climática’, lançada com a UNFCCC (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas) nas COPs desde 2017, é uma iniciativa colaborativa da Future Earth, da The Earth League e do Programa Mundial de Pesquisa Climática, sintetizando os principais desenvolvimentos recentes na pesquisa sobre mudanças climáticas.

O relatório deste ano representa o esforço coletivo de mais de 80 pesquisadores de destaque, provenientes de 45 países.

Os 10 insights

Metano: Desde 2006, os níveis de metano aumentaram drasticamente. Já existem soluções econômicas, mas políticas rigorosas são necessárias para reduzir suas emissões nos setores de combustíveis fósseis, resíduos e agricultura.

Poluição do ar: A redução da poluição atmosférica melhora a saúde pública, mas afeta o clima de forma complexa, exigindo que as estratégias de mitigação e adaptação levem isso em consideração.

Calor extremo: Temperaturas e níveis de umidade crescentes estão tornando partes do planeta inabitáveis. Planos de ação contra o calor precisam priorizar os grupos mais vulneráveis.

Saúde materna e reprodutiva: Extremos climáticos estão prejudicando a saúde materna, ameaçando décadas de progresso. Soluções precisam integrar equidade de gênero e justiça climática.

Mudanças nos oceanos: O aquecimento dos oceanos agrava eventos de El Niño e ameaça a estabilidade de sistemas marinhos, podendo causar perdas econômicas globais massivas.

Resiliência da Amazônia: A diversidade biocultural ajuda a Amazônia a resistir às mudanças climáticas, mas essas ações locais precisam ser complementadas por reduções globais de emissões.

Infraestruturas críticas: Infraestruturas estão cada vez mais vulneráveis a desastres climáticos. Ferramentas de IA podem auxiliar a torná-las mais resilientes.

Desenvolvimento urbano: Poucas cidades integram mitigação e adaptação em seus planos climáticos. Uma abordagem que combine fatores sociais, ecológicos e tecnológicos pode ajudar no desenvolvimento resiliente.

Minerais de transição energética: A demanda por minerais de transição está aumentando, assim como os riscos na cadeia de suprimentos. Melhor governança é essencial para uma transição justa.

Justiça climática: A aceitação pública das políticas climáticas depende de sua percepção de justiça. A exclusão dos cidadãos no processo de formulação pode gerar resistência.

Fonte: Agência Bori.

federacaocapixaba.noblogs.org

agência de notícias anarquistas-ana

Procurando pouso
Na rua movimentada,
Borboleta aflita

Edson Kenji Iura