[Colômbia] Ataque incendiário na Universidade Pedagógica Nacional em memória de Mauricio Morales

Em 22 de maio de 2024, estudantes encapuzados montaram barricadas e enfrentamentos com molotov contra a Unidade de Manutenção do Diálogo e da Ordem (UNDMO) do lado de fora da Universidade Pedagógica Nacional (UPN), para comemorar o Dia do Caos e o companheiro anarquista Mauricio Morales. Além disso, de acordo com uma reportagem fotográfica, a ação foi realizada para criticar o Governo Nacional e seu discurso progressista. No meio dos confrontos, os manifestantes encapuzados deixaram um SITP (ônibus de transporte público) na entrada da universidade para impedir a entrada nela, uma situação que foi respondida com balas de borracha pela UNDMO, deixando vários estudantes feridos.

Durante a jornada, os companheiros encapuzados distribuíram o seguinte folheto de mão em mão:

O amanhecer de 22 de maio. Uma bicicleta está passando pela noite fria de Santiago. Um companheiro carrega um sonho insurrecional em sua mochila. Em seu cinto, carrega um revólver com o qual repelirá qualquer reação dos carcereiros. Ele levava consigo uma bomba caseira e apenas um objetivo ficava claro a cada pedalada: atacar a escola da gendarmaria.

Por volta da 1h30 da madrugada, após sua última parada, apenas um quarteirão o separa da execução da ação.  Ele para para verificar o sistema de relógio ligado a um extintor de incêndio cheio de pólvora negra, mas em um segundo, um acidente inesperado apressa o dispositivo incendiário. Um grande clarão é produzido, e um barulho ensurdecedor se espalha e ecoa pelas ruas maltratadas do bairro Matta. A bomba que deveria ser jogada na cara dos poderosos, quando ativada, arremessa o corpo do companheiro para o meio da rua. Ele morreu instantaneamente. O corpo frio corresponde a Mauricio Morales Duarte, o Punky Mauri, o moicano, o perro loko, tio Punky, Mabri, dezenas de nomes para um único irmão.

 Mauri, a ofensiva não te esquece“.

Fonte: https://informativoanarquista.noblogs.org/post/2024/05/26/colombia-salida-incendiaria-en-la-universidad-pedagogica-nacional-en-memoria-de-mauricio-morales/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/05/23/chile-companheiro-mauricio-morales-presente-em-cada-acao-rebelde/

agência de notícias anarquistas-ana

Hora do almoço.
Pela porta, com os raios de sol,
As sombras do outono.

Chora

[Grécia] Thanos Hatziangelou é libertado da prisão

O companheiro Thanos Hatziangelou [da Organização de Ação Anarquista] foi libertado na sexta-feira, 24/05, após uma longa espera pela resposta do conselho sobre sua liberdade condicional. As condições restritivas impostas a ele são a proibição de sair da cidade de Tessalônica, residência obrigatória na casa que ele havia registrado em Tessalônica e duas presenças semanais em uma delegacia de polícia.

Continuamos nossas lutas apoiando os prisioneiros, dando-lhes voz até a demolição da última prisão. Para caminhar novamente lado a lado com nossos companheiros e companheiras nas ruas da rebelião e da desobediência. Até a libertação total.

Fogo em todas as celas/gaiolas

Liberdade para todos os prisioneiros e prisioneiras de guerra

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1630556/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/03/17/grecia-a-acao-anarquista-nao-se-curva-a-justica-burguesa-mensagem-de-thanos-hatziangelou/

agência de notícias anarquistas-ana

Gosto de ficar
Olhando as cores do céu –
Os dias se alongam.

Hisae Enoki

[México] Carta do prisioneiro anarquista Jorge “Yorch” Esquivel

26 de maio de 2024

Olá!

Compas, como vocês já sabem, a audiência foi adiada mais uma vez para o dia 29 de maio, às 10h00.

Bem, desta vez a audiência não pôde ser realizada porque o promotor estava com diarreia e queria ir para casa. Vocês podem imaginar a indignação que isso me causou, mas com quase 18 meses de prisão, continuamos resistindo.

Gostaria que vocês comparecessem no dia 29 de maio para pressionar o tribunal ou para pressionar de suas respectivas trincheiras.

Espero estar com vocês do lado de lá do muro, a menos que o tribunal invente outra charada.

Obrigado ao pessoal que compareceu no último fim de semana ao evento na Okupa Che. Ao pessoal da Fujitiva pelos legumes que me enviaram. A todos que participaram das atividades anticarcerárias em La Clandestina, agradeço os cartões, o apoio e lembro que meus artesanatos estão lá para aqueles que quiserem me apoiar comprando-os. Muito obrigado, compas. Mando um abraço e espero vê-los em breve.

Liberdade para os presos políticos!

Com os melhores cumprimentos,

El Yorch

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/05/28/mexico-continua-a-repressao-contra-a-okupa-che-e-jorge-yorch-esquivel/

agência de notícias anarquistas-ana

Ao fim da fogueira
Apenas cinco cachorros
Dormindo ao redor.

Miyoko Namikata

[EUA] Chamada para apoiar a família do prisioneiro político indígena Oso Blanco após incêndio devastador

Chamada para apoiar a família do prisioneiro político indígena Oso Blanco, cuja casa foi recentemente danificada em um incêndio.

Nas primeiras horas da manhã de 5 de abril, a família do ativista indígena e prisioneiro político Oso Blanco (também conhecido como Byron Shane Chubbuck) perdeu sua casa no chamado Oklahoma, território Cherokee ocupado, devido a uma explosão resultante de um incêndio elétrico que atingiu o tanque de propano.

Em nome do nosso camarada encarcerado e de sua família, estamos pedindo às pessoas que têm capacidade para compartilhar, impulsionar e/ou doar para esta campanha para ajudar a família de Oso Blanco a reconstruir suas vidas e repor o que foi perdido. Todo apoio é sinceramente apreciado. Por favor, compartilhe e doe se você tiver capacidade!

Quem é Oso Blanco?

O ativista e organizador radical indígena Oso Blanco (também conhecido como Byron Shane Chubbuck) foi detido e sumariamente condenado a 55 anos de prisão por expropriar fundos de bancos norte-americanos para apoiar o projeto revolucionário dos zapatistas na região de Chiapas, no México, e por supostamente ter se defendido de agentes federais que não se identificaram antes de tentar prendê-lo com o uso da força.

Embora Oso Blanco tenha se auto-libertado e imediatamente retomado a expropriação de fundos para apoiar os companheiros zapatistas, ele foi preso novamente e atualmente está cumprindo sua pena na USP de Victorville. Para saber mais sobre o caso de Oso Blanco e como apoiá-lo, confira as informações disponíveis em https://freeosoblanco.org/

>> Para apoiar financeiramente, acesse aqui:

https://www.gofundme.com/f/help-political-prisoners-family-cherokee-rebuild-after-fire

Fonte: https://itsgoingdown.org/call-support-oso-blanco-family-after-fire/

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Ah, lua de outono —
Andando em volta do lago
Passei toda a noite.

Bashô

 

[Itália] Contra todas as guerras, contra todos os exércitos

Quase cem pessoas participaram na última sexta-feira, 24 de maio, da concentração-manifestação convocada pela Assembleia Antimilitarista da Toscana em frente à fábrica da Leonardo em Campi Bisenzio. Uma iniciativa contra todas as guerras, contra todos os exércitos, contra a indústria bélica e o envio de armas para Israel.

Depois de uma concentração perto dos portões, com panfletos para os trabalhadores na saída, foi realizada uma assembleia e em uma passeata chegamos aos portões da Ex GKN para encontrar os trabalhadores do Collettivo Di Fabbrica – Lavoratori Gkn Firenze e relançar a palavra de ordem da reconversão produtiva [da indústria militar].

Coordenação Antimilitarista Livornese

Tradução > Liberto

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olhar vadio
sem a pressa das horas
pousa na rosa

Sandra Santos

[Alemanha] Betonwelt: O trio anarco-punk de Hamburgo lança seu álbum de estreia (Premiere)

A DIY Conspiracy se uniu à Brainwasher Records e à banda anarco/pós-punk de Hamburgo, Betonwelt, para lançar seu álbum de estreia autointitulado.

Por DIY Conspiracy | 24/05/2024

Dentro da boca que tudo consome de nossas paisagens urbanas, o concreto se estende infinitamente, devorando o horizonte. O mundo natural, que já foi um santuário de plantas e animais verdejantes, agora está enterrado sob camadas de cinza opressivo. O ar cheira a fumaça industrial, um lembrete constante da busca implacável e autodestrutiva da humanidade pelo progresso, destilada em um coquetel amargo de poluição e decadência.

Em meio a esses destroços, onde os policiais defendem o sistema, os nazistas espalham suas porcarias odiosas e os políticos corruptos nos sugam até a exaustão, outra banda punk DIY toma forma, canalizando essas duras realidades em sua música – Betonwelt.

Betonwelt é a nova e ardente banda de anarco-punk/pós-punk de Hamburgo, Alemanha. Formado em janeiro de 2023, esse trio internacional – composto por Iggy (vocal, guitarra), Phil (vocal, baixo) e Sabrina (vocal, bateria) – inspira-se nas crenças políticas e na estética sombria, furiosa e articulada do anarco-punk/pós-punk dos anos 80 e na ferocidade do hardcore moderno. Seu nome, Betonwelt, que significa “mundo concreto” em alemão, resume as realidades duras e deprimentes de nossos tempos.

Com letras em inglês, alemão e russo, as músicas do Betonwelt são um manifesto contundente contra a exploração capitalista e a sensação generalizada de isolamento pessoal. Seu álbum de estreia autointitulado apresenta 13 faixas de ritmo médio, cada uma oferecendo um comentário incisivo sobre o mundo ao seu redor. “Nowhere” pinta um quadro de perambulação sem objetivo pelas ruas degradadas, enquanto “Burning” captura a desolação de um mundo à beira do abismo, com “oceanos vazios” e “casas vazias” refletindo a pobreza, o despejo de casas e a falta de esperança nos corações humanos. “Plastic Life” se insurge contra a natureza sintética e descartável da existência moderna, gritando: “O mundo está cheio de plástico, o mundo está cheio de merda”.

Músicas como “No Way” e “Sterben” confrontam a autoridade e a opressão com firme determinação, e “Machine World” lamenta a rotina desumanizante do trabalho moderno. A faixa-título, “Betonwelt”, resume a mensagem da banda com uma letra dura sobre um mundo onde “campos vazios, sem mais árvores” é a nova realidade. A arte do álbum, feita pelo próprio Iggy Punx do Betonwelt, apresenta representações monótonas dos canteiros de obras de Hamburgo e a cabeça decepada da estátua de Otto von Bismarck no famoso distrito de St. Pauli, projetada para o espaço, complementando os temas do álbum sobre decadência urbana, conformidade e topografias de concreto abrangentes.

Em suma, as músicas do Betonwelt são um lembrete nítido da desesperança ao nosso redor, mas também aproveitam o belo poder do punk para desafiar o status quo e dar voz aos que não têm voz. Lançado hoje, o álbum estará disponível em vinil e cassete diretamente com a banda e pela Brainwasher Records.

A banda fará um show secreto de lançamento (pergunte a um punk local!) em Hamburgo, no dia 25 de maio, com o apoio de Dunkle Strassen e Quit (primeiro show). Encontre a Betonwelt no Bandcamp, Instagram e Brainwasher Records.

Fonte: https://diyconspiracy.net/betonwelt-album-premiere/

Tradução > Contrafatual

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A chuva parou –
Na voz do pássaro,
Que frio!

Paulo Franchetti

[Espanha] Vídeo | Encontro de cantores e compositores libertários em Can Batlló

Trobada de cantautores llibertàries“, homenagem à figura de Ramon Muns, cantor e compositor libertário que, entre muitos, escreveu em 1978 uma canção emblemática: “Cant d’Utopia”.

O evento contou com a participação de Mateolika, Pilu Velver, Sílvia Tomàs, El Sobrino del Diablo e Josolana no Can Batllo, Barcelona, em 23 de março de 2024, com grande sucesso de público e participação.

Graças ao apoio da Fundació Salvador Segui, CGT d’Espectacles, Federació Local de CGT Barcelona, Federació de Comerç de la CGT e Can Batllò.

Filmado por TxangaFilms e editado por Fer Navarro.

>> Confira o vídeo (30:39) aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=34Pnhgutcuo

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A noite caminha.
No negrume, o vaga-lume
acende a bundinha.

Flora Figueiredo

[Grécia] Heraklion, Ilha de Creta | 22 anos da okupação Evangelismos

No dia em que você nasceu

você acendeu fogueiras na cidade,

uma multidão de pessoas o abraçou

E juntos ergueram bem alto

a bandeira negra,

Naquele dia

tomamos a vida em nossas próprias mãos,

naquele momento tudo começou,

nossa história…

Nosso caminho é difícil,

mas consciente,

nosso relacionamento,

livre e contínuo,

para seguir em frente

rumo à utopia…

22 anos depois…

ainda lutando

contra o poder…

você se mantém forte

e resistindo,

contra aqueles que profanaram você,

ameaçaram você…

“cimentaram” você…

e em solidariedade

aos lutadores,

os “fora da lei”

e aos oprimidos,

deste mundo!

Eu lhes prometo, como

e se for necessário

a cidade para você novamente

vai queimar…

evagelismos.squat.gr

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/10/10/grecia-despejo-da-okupacao-evangelismos-creta-policiais-jogam-uma-pessoa-do-telhado/

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eu em demasia
não fosse
a poesia

Eder Fogaça

 

[Espanha] Fraguas: Quiseram enterrar-nos, mas esqueceram de que somos sementes.

E agora estamos espalhadas por todo o território.

Desde o rural, desde os projetos autogestionados que vão mais além da lógica capitalista e Estatista, várias pessoas próximas ao projeto de Fraguas que em seu momento habitamos o povoado e construímos comunidade, quisemos transmitir com nossas palavras o que significou para nós a demolição.

Assim é, não havia forma fácil de escrevê-lo, mas pensamos que é importante que se saiba. Faz aproximadamente cinco meses, no mês de dezembro de 2023, se executou definitivamente a sentença firmada desde 2017. Entraram com suas máquinas e arrasaram o povoado em uma tentativa de apagar uma vez mais a história de Fraguas.

As casas reconstruídas estão como as encontraram as primeiras ocupantes em 2013, todos os restos de vida humana pós-prévia expropriação e desmantelamento em 1968 retirada. Mas não se pode apagar a história, e a amoreira centenária segue erguida, testemunhando todas as vidas que passaram por ali, nossas vidas.

Gostaríamos de destacar que se passaram seis anos desde que foi assinada a sentença que condenava as pessoas a pagar uma multa de 14.000€, mais a demolição e seus custos, finalmente taxada em 2021 em 110.000€, por repovoar, voltar a levantar as casas, trabalhar e cuidar da terra e tratar de viver de forma coletiva e autossuficiente. Passaram seis anos desde a sentença, mas uma década desde sua okupação, desde que Fraguas retomou sua vida ressurgindo dos escombros. O território e o povoado se defendem, e assim o fez Fraguas. Não podemos parar de agradecer a cada uma das pessoas que passaram por ali. Foram milhares as que passearam por suas ladeiras, as que participaram da organização e da vida de uma comunidade viva. E não foi até que depois de quase um ano do último comunicado transmitido pelas pessoas que ainda habitavam o povoado em fevereiro de 2023, que se cumpriu a sentença.

A história de Fraguas desde 2013 foi uma história de digna resistência que nos últimos anos teve de centrar seus maiores esforços em evitar o cárcere às 6 pessoas condenadas, objetivo conquistado graças ao apoio e solidariedade de todos vocês.

Não queremos romantizar e dizer que Fraguas era perfeita. Como dizia um sábio companheiro, “se não nos cuidamos vamos acabar desalojando a nós mesmos”. Fraguas, como tantos outros projetos foi atravessado pelo heteropatriarcado, a xenofobia, o capacitismo, o especismo e tantos outros ismos que temos interiorizados e que nos esforçamos dia a dia para destruir e desaprender. E isto se dificulta ainda mais sob a perseguição constante, repressão e ameaças do Estado ao qual se viu submetido Fraguas desde o início do projeto. Não obviamos, no entanto que estas violências fizeram ao longo dos anos com que muitas das pessoas que passamos por ali saíssemos com feridas abertas que tivemos que curar, normalmente solitários, mas nunca sós.

Isto não é um final, nem uma derrota. A maioria das pessoas que demos vida ao projeto de Fraguas está em projetos de autogestão, seguimos acreditando no mundo novo que levamos em nossos corações, lutando pela defesa da terra e do território, da autodeterminação e da solidariedade e do apoio mútuo como pilares de nosso cotidiano. Tratando de observar com atenção todos os eixos de opressão que nos atravessam e desde os quais desde nosso privilégio exercemos violência também. E nesse caminho estamos, e seguiremos.

Agradecemos a todas as pessoas que lutam dia a dia e que constroem rebeldia.

Fraguas vive e viverá sempre.

Força e determinação.

Fonte: https://www.algranoextremadura.org/todas-las-noticias/por-proximidad/estatal/2024/03/19/fraguas-quisieron-enterrarnos-pero-olvidaron-que-somos-semillas/

Tradução > Sol de Abril

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/02/28/espanha-fraguas-liberdade-porque-repovoar-nao-e-um-crime/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/08/04/espanha-o-tribunal-ratifica-que-os-habitantes-de-fraguas-paguem-110-000-mil-euros-pela-demolicao-da-vila/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/06/28/espanha-fraguas-resiste/

agência de notícias anarquistas-ana

Grilos e corujas
Conversam de madrugada
Um coral noturno.

Qiyun Shen

[França] Pela revolução social em Kanaky!

A Federação Anarquista, reunida em Congresso, condena a intervenção policial e militar do Estado francês na Nova Caledônia/Kanaky aliada à violência assassina das milícias supremacistas. Isso prova mais uma vez que o Estado continua prisioneiro das práticas coloniais e conhece apenas a repressão para resolver conflitos importantes. Anarquistas, levamos nossa solidariedade ao povo em luta em Kanaky.

Este território abriga populações de várias origens:

Kanaks, Caldoches (descendentes de ex-condenados e primeiros colonos), trabalhadores e trabalhadoras vindos da França metropolitana, do sudeste da Ásia e das ilhas do Pacífico. A revolta atual afeta principalmente a grande Nouméa urbana, e é a expressão de uma demanda social (especialmente entre os mais jovens) tanto quanto uma demanda política/independentista.

O Estado nunca teve, tem mesmo, a vontade sincera de descolonizar a Nova Caledônia/Kanaky?

A tônica nas questões relacionadas com os referendos sobre a autodeterminação e a reabertura do eleitorado não deve obscurecer as verdadeiras questões:

A distribuição desigual da riqueza da ilha. A mineração (níquel) e o desenvolvimento econômico da ilha beneficiam todos igualmente, quando sabemos que 36% dos menores de 25 anos estão desempregados?

Na sua diversidade, as populações têm as mesmas aspirações em matéria de independência?

Devemos apoiar incondicionalmente uma luta de libertação nacional?

Como anarquistas, pensamos, pelo contrário, que devemos escolher o caminho mais difícil, mas que esteja mais de acordo com os nossos princípios, e com os interesses do povo, o de uma autêntica revolução social, em Kanaky como em qualquer outro lugar, para vivermos juntos harmoniosamente em um território independente, sem exploração ou dominação.

Moção aprovada no 82º congresso da Federação Anarquista, reunido em Merlieux (02) nos dias 18, 19 e 20 de maio de 2024

federation-anarchiste.org

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/05/23/franca-82o-congresso-da-federacao-anarquista/

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Teus olhos formam
das ázimas lágrimas
rios que retornam ao mar

Anibal Beça

[Bélgica] Policiais invadem casa de anarquistas em Bruxelas

Por volta das 7h da manhã de quinta-feira, 23 de maio de 2024, policiais invadiram a casa de dois companheiros em Bruxelas.

Depois de revistar o local por cerca de 3 horas, eles apreenderam equipamentos de informática (computadores, discos rígidos, pen drives, telefones, câmeras), ferramentas e literatura anarquista.

Ninguém presente foi preso.

As buscas foram iniciadas pelas autoridades judiciais alemãs em conexão com a prisão de um companheiro na Suíça.

Não estamos surpresos.

Sabemos que esse tipo de procedimento faz parte do vasto arsenal usado pelo Estado contra seus inimigos.

Nossa resposta à repressão é a solidariedade, o apoio mútuo e a luta contínua contra todas as formas de autoridade.

Mais informações a seguir.

Fonte: https://stuut.info/Descente-de-flics-contre-des-anarchistes-a-Bruxelles-3834

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Brilha até de dia
O relógio fluorescente –
Estação chuvosa.

Keizan Kayano

[Espanha] “Cádiz insurgente com a Palestina”

Como parte das atividades que aconteceram ontem, sábado (25/05), no evento “Cádiz insurgente com a Palestina”, tivemos uma palestra e o prazer de ouvir Layth Salameh, onde ela nos atualizou, e como palestina, sobre a situação pela qual os habitantes de Gaza estão passando, a maior prisão do mundo, a opressão, a pobreza, a fome, o que sofreu e continua sofrendo, seu povo: o povo palestino.

É interessante notar que o Estado de Israel existe porque uma resolução da ONU lhe concede o direito de existir. É o primeiro Estado moderno criado dessa forma. Por outro lado, o Estado de Israel viola sistematicamente todas e cada uma das resoluções da mesma organização que lhe deu vida e reconheceu a legitimidade de sua existência.

Agradecemos a Layth por sua ajuda desinteressada, fazendo uma revisão histórica para nos ajudar a entender o que chamamos de conflito palestino-israelense.

Não é uma guerra, mas um GENOCÍDIO.

O povo palestino vencerá.

CNT-AIT Cádiz

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Bem que me agasalho.
Galhos sem folhas lá fora
parecem ter frio.

Anibal Beça

[Itália] 1º e 2 de junho. Senzapatria: Dias de luta contra o militarismo

Senzapatria

Sábado 1º e Domingo 2 de junho

Dias de luta contra o militarismo, contra a guerra, a ocupação militar dos subúrbios, a produção bélica, o nacionalismo! Contra todas as pátrias, por um mundo sem fronteiras! Com desertores de todas as guerras!

  • Sábado, 1º de junho

Tirem os soldados das ruas!

15h30 Corso Palermo esquina Via Sesia (se chover na Piazza Crispi)

Distribuição de folhetos, palestras, música, passeios pelo bairro militarizado.

Alba e Carenza 503 no cancioneiro antimilitarista, o Exército de Palhaços patrulhará a área durante todo o dia.

  • Domingo, 2 de junho

Antimilitaristas pelos bairros de Turim. Desmilitarizemos a cidade!

Assembleia Antimilitarista

Federação Anarquista de Turim

anarresinfo.org

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O velho salgueiro
Inclinado sobre o lago
Resmunga baixinho.

Mary Leiko Fukai Terada

[México] Continua a repressão contra a Okupa Che e Jorge “Yorch” Esquivel

Há 533 dias, uma nova montagem criminal contra a Okupa Che começou.

Nosso companheiro Jorge Esquivel, foi quem pela segunda ocasião recebeu o golpe. Desde esse momento o mantêm cativo no Reclusório Oriente da Cidade do México. Sob delitos que anteriormente tinham sido descartados.

Durante este tempo, as autoridades prolongaram o processo judicial para poder fabricar provas suficientes para sustentar sua farsa; bolaram em suas cabeças e armaram uma suposta “investigação” para poder justificar e legitimar sua montagem, suas acusações falsas, seus testemunhos ausentes e suas provas manipuladas. Até o dia de hoje, não puderam armar absolutamente nada. Só uma acusação que basta para que se justifique o sequestro de Yorch e a negação de sua liberdade.

É evidente que se pretende sustentar este caso como castigo exemplar, como ameaça tácita contra os que se organizam de forma independente, autônoma e autogestionária. Yorch era e é parte da Okupa Che que, ao longo de seus 24 anos de existência, viu e participou na luta pela organização autônoma, independente, anarquista, estudantil e afim. Apesar de que se encontra dentro da Universidade Nacional Autônoma do México, o alcance de sua existência os ultrapassa por muito. Isso o sabem os serviços de espionagem da própria UNAM e do Estado mesmo. Pelo que vive sob uma permanente ameaça de desalojo e montagens anunciados.

A 533 dias da montagem e sequestro de Yorch, a UNAM, o Estado e as autoridades judiciais se mantêm como cúmplices de dita arbitrariedade. Parece óbvio que a construção de inimigos comuns também lhes saiu mal e que seguirão mantendo pela violência e a força de suas leis ao não poder enfrentar a organização horizontal que lhes escapa das mãos.  A 533 dias de ter começado esta montagem, de uma longa espera e luta desde o legal e as ruas.

No dia de hoje, 24 de maio de 2024, as autoridades judiciais chamaram a receber uma sentença final contra Yorch. Nós e a equipe jurídica sabemos que não há sustentação legal que o mantenha encarcerado. Ficou demonstrado que a acusação sobre pequeno tráfico é inexistente e que a suposta mochila que atribuem a Yorch como prova contundente nem sequer foi vista e tocada por ele. Não há absolutamente nada para que se negue a liberdade a Yorch. E, no entanto, ao estar terminando com este escrito, nos chega a notícia de que a audiência foi deferida. Uma prova mais de que a montagem segue em marcha.

LIBERDADE IMEDIATA E ABSOLUTA PARA YORCH!!!

Fonte: http://www.anticarcelaria.org/2024/05/25/a-533-dias-del-montagem-y-sequestro-de-yorch/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=a-533-dias-del-montagem-y-sequestro-de-yorch

Tradução > Sol de Abril

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/05/15/mexico-atualizacao-sobre-a-situacao-de-jorge-yorch-esquivel/

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do orvalho
nunca esqueça
o branco gosto solitário

Matsuo Bashô

[Grécia] Comunicado sobre o ataque contra a polícia de choque na Praça Exarchia

Ataque contra a MAT na Praça Exarchia

Pouco depois da meia-noite de sábado [18 de maio de 2024], realizamos um ataque coordenado contra a MAT [polícia de choque] que estava protegendo o canteiro de obras do metrô na Praça Exarchia. Nós os atacamos simultaneamente de três ruas diferentes, Themistokleous, Solomou e Metaxas. Os policiais, mais uma vez, correram em pânico tentando se proteger das chamas.

Essa ação ocorreu em um momento em que os tapumes dos canteiros de obras estão se expandindo, quando o governo está preparando o terreno para novas medidas mais repressivas, tanto nas universidades quanto nos bairros, aproveitando, como de costume, a temporada de verão, quando as possibilidades de resistência organizada e em massa são reduzidas. Esta é, portanto, nossa resposta para lembrá-los de que, como sempre, eles estarão nos enfrentando.

15 anos após a morte de Mauricio Morales, enviamos um sinal de fogo e cumplicidade da Grécia para o Chile, homenageando a cooperação internacional que existia entre essas duas terras há muitos anos. Que o slogan “faísca em Santiago, fogo em Atenas” se torne realidade novamente.

Mauricio Morales presente

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1630510/  

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/05/23/chile-companheiro-mauricio-morales-presente-em-cada-acao-rebelde/  

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Oh rã pequenina,
oh não se deixe vencer!
Issa está aqui.

Kobayashi Issa

[Espanha] Quando hippies e anarquistas ocuparam uma ilha balear para salvá-la dos ricos

Uma empresa de capital catalão quis converter a Dragonera em uma área urbana para veranistas endinheirados, mas os contínuos protestos da sociedade malorquina e a batalha legal travada pelos ecologistas conseguiram converter a ilhota no que é hoje em dia, um valioso parque natural.

Por Angy Galvín

Mallorca, Menorca, Ibia, Formentera, Cabrea… e Dragonera? Ainda que seja menos conhecida, a história de Baleares passa por essa ilha localizada no sudoeste de Mallorca, em frente de uma das localidades turísticas mais populares do arquipélago: Sant Elm. A luta para salvar a ilhota de Sa Dragonera é a batalha contra a especulação e a destruição da natureza, que às vezes acaba com um final feliz.

O historiador Pere J. Garcia, autor do livro “Salvem Sa Dragonera. Història dels ecologismes a Mallorca” (Illa Edicions), relembra que este parque natural esteve a ponto de ser convertida em uma “ilhota de veraneio para ricos”, que teria acesso pelo heliporto que era previsto para ser instalado pela empresa construtora de resorts de luxo PAMESA (Patrimonial Mediterránea S. A.).

“As mobilizações foram a chave para salvar a ilhota, e vêm de um contexto muito específico: a maioria das pessoas estava mobilizada, pois estavam saindo da ditadura e havia esperanças de mudança”, explica Garcia. “As sucessivas ocupações da ilhota sim, foram uma novidade”.

“Havia hippies, libertários, anarquistas, intelectuais… Não havia acampamentos, nem mesmo barracas. Se dormia de baixo dos pinheiros, ou no máximo num saco de dormir”, comenta o fotógrafo Eduardo Miralles, que participou na ocupação da Dragonera e nas sucessivas mobilizações que a sociedade malorquina protagonizou nos anos 70, contra a construção do resort de luxo.

Os protestos, que se estenderam durante anos, tentavam evitar que a PAMESA construísse um complexo turístico em uma zona de especial relevância ambiental. “Foi uma explosão social, uma luta contra a destruição da paisagem, que cada vez estava – e está – mais cheio de chalés”, comenta Miralles. “Diziam-nos que o contrato estava assinado e que não conseguiríamos nada, mas era preciso lutar.” garante.

Um valor ambiental especial

Dragone é a casa de diversas colônias de pássaros, entre as quais destaca a principal colônia de falcões marinhos da Espanha ou as espécies do falcão de Eleonora (“falcó mari” em catalão). Os ecologistas da época defenderam que representa um exemplo da vegetação das zonas áridas do Mediterrâneo Ocidental e que dá uma beleza singular à paisagem com sua silhueta, que atua como prolongamento da Sierra Norte de Mallorca e fecha a bahia de Sant Elm.

Toni Munyoz, membro do GOB, explica que a Dragonera é uma boa representação dos ecossistemas isolados que puderam se manter à margem da exploração turístico-imobiliária”. A ilha tem elementos de fauna muito importantes, alguns inclusive só vivem ali, como uma subespécie da lagartixa balear e alguns crustáceos. Também habitam espécies armazenadas como a pardela cinzenta (‘virot’ em catalão), a pardela balear (‘virot petit’), o paíño (‘noneta’), os cormoranes (‘corb marí’) e a gaivota de Audouin (‘gavina roja’).

Povoado desde a época talaiótica, a ilhota acabou nas mãos do Bispo de Barcelona, Berenguer Palou, após a chegada dos cristãos. No começo do século XIX passou para as mãos da família Villalonga, voltou a comprar a ilha e a vendeu para a Joan Flexas Pujol em 1944 por 150.000 pesetas. Em 1974, a PAMESA comprou a Dragonera de Flexas, ainda que em realidade Flexas passou a ser acionista da empresa, oferecendo a Dragonera como capital por um valor de 300 milhões.

Veraneio para os ricos

Cinco urbanizações, serviços de luxo, redes de estradas e ruas, zonas de estacionamentos de veículos, duas plantas de tratamento de água, uma estação de tratamento de esgoto, um porto esportivo, um cabo elétrico submarino… A empresa PAMESA tinha planejado uma urbanização quase completa da ilhota, para dar uma ilha a mais de 4.500 pessoas.

PAMESA era uma empresa de capital catalão, vinculada ao Banco Mas Sardá, uma imobiliária de Barcelona e a Cavas Codorniu, como explica Garcia. O historiador comenta que a entidade se construiu apenas para fazer construções na Dragonera. O objetivo era convertê-la em lugar de veraneio para endinheirados, um projeto que contou desde o primeiro minuto com o apoio da Prefeitura de Andratx, que viu oportunidades de negócios na urbanização da ilhota, desde o benefício econômico a concessão de licenças, até postos de trabalho que estavam previstos.

Após umas poucas mudanças no plano inicial, a Prefeitura de Andratx aprovou o plano urbanístico em 31 de dezembro de 1976, “quando a população estava se preparando para as festas de fim de ano, uma data estranha que poderia responder a necessidade de não chamar a atenção”, aponta Garcia. O povoado de Adratx, na linha de Consistorio, apoiou majoritariamente o projeto por interesses econômicos, inclusive chegou ao ponto de expulsar o pároco, Joan Fracesc March, que era contrário aos planos de urbanização.

Além disso, acreditava-se numa imagem distorcida dos ecologistas, dos hippies e dos anarquistas que lutavam pelo ilhote, até o ponto de afirmar que teriam chalés ou que estavam passando as férias em Dragonera. Como aponta Garcia em seu livro, uma carta enviada ao semanário Andraitx se dizia que era uma “juventude barbuda e mal vestida”.

Uma mobilização histórica

O historiador denuncia que as autoridades da época fizeram todo o possível para sucumbir aos “interesses especulativos”. Dragonera passou de espaço protegido a urbanizável em questão de meses. Em 1976 se aprovou o PGOU de Andratx, que previa a urbanização da ilhota. Tudo estava pronto para o começo das obras, mas tanto a Prefeitura de Andratx como a empresa construtora se depararam com uma grande oposição social contra as obras na ilha, que foi declarada parque natural em 1995.

Xavier Pastor, dirigente do GOB naquela época, explica que esta entidade liderou a luta judicial, a qual foi “crucial”. Houve uma batalha legal e burocrática, mas não fosse a mobilização social que aconteceu entre 1977 e 1983, provavelmente Dragonera seria hoje uma área urbana de luxo. A maioria das pessoas que participou no processo para salvar a Dragonera era anônima, e viriam a fazer parte dos movimentos sociais que apareceram depois da Ditadura. Destacamos o Terra i Llibertat, o GOB e a CNT.

Também foram pessoas anônimas que ocuparam a ilha, em protesto, repetidas ocasiões. A primeira ocupação da Dragonera foi em 7 de Julho de 1977, quando um grupo de pessoas, de ideologia libertária e relacionadas com a Terra i Llibertat, se armaram com mochilas e mantimentos para ocupar a ilha. O primeiro problema: como chegar a ela. “Precisaram se passar por estudantes da universidade para poder entrar na balsa que ia e vinha regularmente”, explica Garcia.

Uma vez lá, o grupo acabou ficando incomunicável. Contaram com a ajuda dos que se manifestavam em Palma, que se organizavam para lhes levar alimentos e substituí-los. “Às vezes alguém passava de barco e nos dava arroz ou macarrão”, comenta Miralles. Comíamos muito arroz com peixe. Vinha uma zodiak de vez em quando e nos trazia frutas e um companheiro que tinha prática como piloto nos jogava chocolate de um avião. A guarda civil se assustava”, lembra Pujula.

Os proprietários das barcas estavam avisados que não podiam transportar ninguém até a ilha, por isso um segundo grupo acabou ficando na costa de Sant Elm e organizou desembarques com barcas particulares ou de plástico. Ou mesmo nadando.

A ocupação da ilha foi um processo lento, condicionado pelas patrulhas da Guarda Civil e a guarda costeira, que impediram muitas viagens. O que piorou as condições de vida na ilha. Naquele momento, quarenta pessoas a ocupavam. Uma delas era Montse Pujula, do grupo Terra i Libertat: “ser ecologista é ser revolucionário. Éramos jovens e tínhamos vontade de mudar o mundo. Defino-me mais como libertária do que como anarquista”.

“Foi uma grande aventura, na minha casa não sabiam que eu havia ido. Acho que eu não era nem maior de idade. Disse-lhes que estava na casa de um amigo, estudando. Muita gente jovem de diferentes ideologias queria fazer coisas diferentes”, comenta, a palavra “hippie” veio depois. A maneira de se vestir, de romper com o passado. Eu levava as camisetas do meu pai, e minha mãe as escondia”, lembra.

Pujula lembra que “a ocupação não podia ser mais precária, dormíamos em sacos de dormir” e passamos “por muito medo” pelas patrulhas da Guarda Civil, em uma época na qual o franquismo ainda impregnava os aparatos do Estado. A ideia da ocupação foi de Basilio Baltasar, que planejou a data de 7 de julho de 1977: “Em algumas semanas organizamos a ocupação”, explica Pujula.

Os ocupantes da Dragonera contavam também com as ações que aconteciam na capital malorquina, com o objetivo de arrecadar dinheiro e alimentos, e algumas personalidades como a cantora Maria del Mar Bonet e o pintor Joan Miró apoiaram a causa. Terra i Libertat chegou a organizar uma performance para vender, de forma fictícia, parcelas da Dragonera, enquanto enchiam as ruas de plástico e lixo como metáfora ao que aconteceria caso a ilhota fosse urbanizada.

Dragonera chegou a ser um dos principais temas de debate durante vários anos e até a BBC fez uma reportagem sobre esta ilha balear. As mobilizações começaram em 1977 por coletivos anarquistas e, ao longo de seis anos, foram se desenrolando. Houve três ocupações da ilha. Entre 1977 e 1979, os anarquistas da Terra i Libertat impulsionaram uma mobilização constante, com consequente repressão policial.

Uma vez desmobilizado esse grupo, somente o GOB, que não apoiou desde o início a ocupação da ilhota, foi capaz de manter certo nível de protesto; por exemplo, compartilhando correspondência com os cidadãos para enviá-las a casa do gerente da Codorniu, a quem culpavam de ser o instigador da urbanização da ilha.

A Nomeação como parque natural

A última grande manifestação a favor da Dragonera foi em 29 de agosto de 1981. Finalmente, os tribunais deram razão aos ecologistas, em 1983 os planos urbanísticos foram anulados pelo Conselho de Mallorca por 280 milhões de pesetas ao Banco Bilbao e foi declarado parque natural em 1995.

“Quando vou a Sant Elm e vejo a Dragonera, me sinto orgulhosa. Sou mais consciente agora do que naquele momento. Fazemos muitas coisas na nossa vida e nem sempre ganhamos, mas desta vez sim, ganhamos. Todo mundo lutou para defender a ilha”, comenta Pujula.

Fonte: https://www.eldiario.es/illes-balears/sociedad/anarquistas-isla-balear-ricos_1_8949872.html

Tradução > 1984

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Durante o pôr-do-sol
Vejo andorinhas voando
Juntas, sempre em bando.

Renata da Rocha Gonçalves