[Espanha] Concurso literário de contos curtos e poesias para o 15º aniversário da Biblioteca Anarquista La Maldita

Por ocasião do 15º aniversário da Biblioteca Anarquista La Maldita, convocamos um concurso literário para todos os companheiros e companheiras que queiram contribuir com uma poesia ou conto incendiário e rebelde. O texto consistirá em um tamanho máximo de duas páginas (aproximadamente 400 palavras) e será enviado a partir da data atual até o dia 15 de agosto. O objetivo será publicá-los para acrescentar mais volume às nossas prateleiras repletas de livros críticos ou lê-los coletivamente durante a comemoração do aniversário.

Nós o incentivamos a participar dessa corrida de longa distância que esperamos continuar compartilhando por muitos anos. Os textos devem ser enviados para o seguinte endereço de e-mail: bibliotecalamaldita@riseup.net

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o rio ao lado da estrada
corre
ri à gargalhada

Eugénia Tabosa

[Portugal] Jornal Mapa #42 nas ruas

A solidariedade que se possa impor ao racismo interessa-nos mais do que o dó ou a caridade. E disso damos conta numa grande reportagem feita com migrantes que estão há mais de um mês acampados nos Anjos, em Lisboa, pessoas que conseguiram passar pelos poros das cada vez mais violentas fronteiras externas da UE. As lutas pelo território continuam também a interessar-nos mais do que as eleitorais e, mesmo saídos dum desses exercícios, decidimos lançar um olhar à “voragem energética” que a nova vaga industrial trouxe para Sines e também para as ocupações, despejos, resistências que se dão em tecido mais urbano.

Tudo como cama para um composto que possa ajudar a criar uma vida de outro modo, como nos lembra Carmen Staats. Uma vida que, para ser atingida, necessita de lutas ecológicas pensadas também a partir dos Soulèvements de la Terre, um movimento nascido em 2021 numa assembleia da ZAD de Notre-Dame-des-Landes (França) na qual participaram duzentas pessoas de diferentes coletivos de agricultores, ambientalistas, sindicais e autónomos. Interessa-nos ainda relembrar o Unabomber mais do que o Manuel Fernandes, ou Varela Gomes mais do que o Camões, e apoiar o esforço financeiro da Disgraça mais do que o do crescimento orçamental para a defesa.

Jorge Valadas, continua a iluminar-nos com o seu luar que, desta vez, nos deixa ver uma América onde “o sonho” se desfez e onde a pobreza branca também se generaliza. A série “25 de Abril – outros 50 anos” continua neste número, permitindo um olhar para essa espécie de turismo revolucionário que foi a vinda de muita gente de fora do país para participar na revolução, nas palavras de Joëlle Ghazarian.

Tudo isto e ainda outras notícias, crónicas, entrevistas, poesia, literatura, ilustração e BD, no número 42 do Jornal MAPA, que podes adquirir em qualquer dos pontos habituais de venda ou, melhor ainda, assinar, ajudando assim à continuação sustentada deste projeto voluntário de informação crítica.

jornalmapa.pt

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A abelha voa vai
vem volta pesada
dourada de pólen

Eugénia Tabosa

[Espanha] Solidariedade basca diante da ratificação da sentença contra as 6 de La Suiza

Sindicatos e coletivos denunciam que a sentença de três anos e meio para as 6 de La Suiza “abre uma porta perigosa para que o sindicalismo seja perseguido em toda a Espanha”.

Por Laura Fontalba | 03/07/2024

Após a sentença da Suprema Corte que ratifica a sentença de três anos e meio de prisão para as 6 de La Suiza, sindicatos e coletivos sociais se reuniram para reafirmar que “fazer sindicalismo não é crime”.

Em 24 de junho, a Suprema Corte ratificou que as seis sindicalistas, que participaram de concentrações entre maio e setembro de 2017 em frente à confeitaria La Suiza, serão condenadas a três anos e meio de prisão e a uma indenização de 125.428 euros ao empregador por um crime de “coação grave” e outro “contra a administração da justiça”. Uma condenação que, conforme denunciaram coletivos e sindicatos, “abre uma porta perigosa para que o sindicalismo seja perseguido em toda a Espanha”.

Desde coletivos e sindicatos explicaram que “manifestar-se na rua, distribuir panfletos e compartilhar slogans com um megafone” são comuns em qualquer ação sindical. No entanto, nessa ocasião, elas acabaram se tornando motivo de “repressão” pelo Tribunal Penal de Xixón, sob a justificativa de que a confeitaria “acabou fechando devido à inferência desses protestos”. Esse argumento foi endossado primeiro pelo Tribunal Provincial e agora pela Suprema Corte.

A situação despertou a preocupação de sindicatos e coletivos que consideram essa decisão muito “séria” porque, a partir de agora, “qualquer pessoa que se manifeste contra uma empresa pode se encontrar na mesma situação”; além do fato de que ela lança dúvidas sobre se o “sindicalismo” pode ser um crime. “Desde o início do conflito, todos os sindicatos da CNT e outras organizações amigas se envolveram em uma campanha de solidariedade com as 6 de La Suiza”, lembraram, dando como exemplo a manifestação massiva que percorreu o centro de Madri em 2022, Xixón em junho; ou, recentemente, na última terça-feira, 19 de junho, Madri, nos portões do Supremo Tribunal.

“Essa solidariedade não termina aí”, acrescentaram. É por isso que, nesta manhã, sindicatos e coletivos fizeram um novo apelo à solidariedade e à participação na manifestação que ocorrerá neste sábado, dia 6, em Bilbao. A manifestação terá início às 12h em frente ao Teatro Arriaga, em solidariedade com as seis sindicalistas condenadas, para reafirmar que não se pode permitir que a violação dos direitos fundamentais da classe trabalhadora – direito de reunião, expressão e liberdade sindical – continue.

Assinado: CNT, CGT, LAB, ESK, ELA, BATU, Argitan, Berri Otxoak, Barakaldo Naturala, Movimento de Pensionistas de Barakaldo, La Kelo Gaztetxea, Ezkerraldea Antifaxista, Sare Antifaxista, Red Apoyo Mutuo “Lagun”, Ezkerraldea Anarkista.

Fonte: https://www.ecuadoretxea.org/solidaridad-vasca-ante-la-ratificacion-de-la-condena-a-las-6-de-la-suiza/

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A lua fria —
Sobre o templo sem portão,
O céu tão alto.

Buson

[Espanha] Raiva e esperança

30 de junho de 2024

Desde o grupo de companheiros que seguimos de perto a situação de Amadeu, queremos compartilhar com vocês informações auspiciosas.

Como já comunicamos em outro escrito, Amadeu estava em coma provocado por um colapso múltiplo dos órgãos, provavelmente produzido por algum tipo de infecção que foi alterando o funcionamento do coração, rins, pulmões, etc…. Por seu estado grave, os médicos decidiram hospitalizá-lo na UCI e lhe provocaram o coma para poder tratar seus órgãos. O tinham conectado a numerosos aparatos que mantinham seus sinais vitais, enquanto tentavam que os órgãos pudessem se recuperar. No final da semana passada, já viram que seus órgãos respondiam ao tratamento e se recuperavam, e por isso decidiram tirá-lo do coma, mas sem desligá-lo de todas as máquinas, esperando assim que os órgãos fizessem sua função já consciente.

A situação nesse momento, ainda que esperançosa seguisse sendo muito grave e se esperava que sem seu organismo voltasse a recuperar sua funcionalidade, aconteceu o mesmo estando já consciente. Recuperar a consciência abria outras questões como a de ver-se prostrado em uma cama sem poder fazer nada e conectado a uns aparelhos que soavam por qualquer reação de Amadeu frente a um estímulo. Sua situação seguia sendo grave, e só era possível vê-lo um curto período de tempo e com máscara, luvas e roupa de cirurgia.

Era um respiro ver Amadeu com os olhos abertos e olhá-lo. Tinha consciência e memória, mas não podia falar nem mover-se para nada, pois para a respiração ainda necessitava uma máquina e não podia pronunciar palavra porque para isso se requer um esforço e de ar… Sua expressão se podia adivinhar em seus olhos e nas máquinas que quando menos se espera, soavam. Ainda que estivesse recuperando a função orgânica a situação era ainda muito grave e se esperava que sua força o mantivesse sem recaídas.

Até a quarta-feira, 26 de junho o tiraram da UCI e o levaram ao andar de internação com outros pacientes. Agora compartilha quarto, segue sem poder mover-se porque depois de tantos dias em coma deve recuperar a resposta muscular. Já pode falar, e é por isso que recebemos uma chamada para explicarmos que se encontrava melhor que quando o levaram à UCI, e que ainda que sem forças para sustentar-se, se sentia muito melhor e já podia manter uma conversação sem asfixiar-se.

Queremos transmitir seu agradecimento a todas as pessoas e companheiros que se preocuparam por sua situação e esperamos que em um curto prazo de tempo, já possam ser suas palavras as que lhe cheguem. Vai custar, mas tinha forças para seguir adiante e consegui-lo. Agora precisa, além do tratamento, sessões de reabilitação com fisioterapeutas para que possa voltar a por-se de pé e andar ou para ter força para sustentar uma caneta e escrever. Ainda não está nesse ponto, mas está convencido que, ainda que o processo seja longo, retornará antes ou depois ao caminho de luta que teve que abandonar à força.

Desde o grupo de companheiros que estamos no aguardo da atual situação de saúde de Amadeu, pedimos que não façam caso de rumores sobre seu estado, e ainda que nós também estejamos enviando este comunicado, é melhor esperar que sejam suas palavras as que o expliquem. Nós não somos médicos, nem temos acesso a informação clínica, o que compartilhamos não é mais que as percepções de quem foi vê-lo ou, como nesta ocasião, pudemos falar com ele.

Nestes momentos necessita descansar e recuperar-se, sem sobressaltos inesperados e por isso, ainda que tenha começado a falar, não recebe chamadas de telefone para centrar-se em tudo o que deve fazer para recuperar a saúde e sair do hospital por seus próprios pés.

Desde aqui, a espera dessa necessária recuperação, enviamos um abraço fraterno e libertário, olhando sempre a esse horizonte de vida que é a anarquia.

Nossa luta continua e seguirá firme até o último alento de nossos dias.

Grupo de apoio a Amadeu Casellas

Fonte: https://www.llibertatamadeu.org/2024/06/30/rabia-y-esperanzas/

Tradução > Sol de Abril

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Primeira chuva de inverno —
O macaco também quer
Uma capinha de palha.

Bashô

[EUA] Declaração de Michael Kimble em 2024

Saudações revolucionárias, família

Primeiramente, gostaria de fazer um breve resumo da minha situação. Recentemente, consegui contratar um advogado para apresentar uma Petição da Regra 32 buscando uma redução de pena. Obrigado por todas as generosas contribuições para minha defesa. Espero estar lá fora com todos vocês este ano.

A situação se agravou a tal ponto que as prisões do Alabama foram designadas como o sistema prisional mais perigoso dos EUA devido ao alto número de mortes de prisioneiros por suicídio, overdose de drogas e homicídios. Na prisão Donaldson, onde estou sendo mantido em cativeiro, houve pelo menos trinta ou mais mortes de prisioneiros desde que cheguei, em 2021. E esses filhos da puta escorregadios e gananciosos estão cometendo atrocidades nessas prisões contra seres humanos e uma guerra de baixa intensidade por meio da epidemia de drogas, drogas psicotrópicas e ilícitas. Há apenas um mês, foi noticiado que o diretor da prisão de Limestone e sua esposa foram presos por contrabandear Fentanil para a prisão. Na mesma notícia foi relatado que os órgãos de prisioneiros falecidos estavam faltando em seus corpos. Se não por outras razões para além dessas atrocidades, as prisões deveriam ser abolidas. A polícia não impede o crime, nem as prisões impedem o crime, ou tenho certeza de que haveria menos seres humanos mantidos em cativeiro pelo Estado.

Nós, prisioneiros anarquistas que são queer/trans, estamos sofrendo um inferno nas prisões do Alabama. Estamos sendo oprimidos, reprimidos e suprimidos de várias maneiras. Estamos sendo arbitrariamente abusados psicológica e fisicamente e discriminados por esse sistema de opressão, administração porca e prisioneiros com pensamento retrógrado. Fazemos o que precisamos para sobreviver, mas permanecendo fiéis aos nossos princípios anarquistas. E, em geral, sem nenhuma ajuda ou apoio de fora. Quando os administradores da prisão percebem que temos apoio e solidariedade de camaradas e movimentos externos, eles se afastam rapidinho, de várias maneiras.

Somos abolicionistas e “a abolição não é impossível”. Nas palavras do meu camarada Sean Swain, “ela pode ser inevitável. Pode estar acontecendo por si só agora e só precisa de nós para ajudá-la a ocorrer um pouco mais rápido. O que pode ser feito? Bem, não é muito difícil. Imagine-se como a pessoa responsável por esses vastos e extensos complexos. Pergunte a si mesmo: o que você NÃO gostaria que acontecesse? Então, faça isso. Considere que todos os complexos industriais dependem de redes logísticas ou escritórios administrativos, armazéns, fornecedores e distribuidores para manter esses complexos em funcionamento. Nenhum deles está atrás de muros ou cercas impenetráveis; nenhum deles está sob a guarda armada de um exército. Todos eles são vulneráveis, frágeis e inflamáveis. Todos os locais têm estacionamentos. Cada veículo em cada estacionamento é vulnerável, frágil e inflamável. Todos os veículos têm pneus e entram e saem dos estacionamentos por pontos de estrangulamento que, por sua vez, são vulneráveis. Talvez, com imaginação, possamos desenvolver métodos de baixo risco e alto rendimento para tornar esses complexos completamente incontroláveis, dando início a uma era em que eles não existirão mais. Um ótimo recurso que reimagina a abolição está disponível em detroitabc.org. O futuro é nosso. Quanto mais fizermos, mais rápido ele chegará aqui.”

Não há melhor momento para agir do que agora!

Sempre há algo que você pode fazer que é simples e fácil de reproduzir. Obrigado a todos vocês por fazerem o que fazem. Isso me inspira, me empolga e me faz continuar lutando. Somente o amor e a solidariedade, e um ódio perfeito pela opressão em todas as suas manifestações, podem esmagar o Estado!

Fonte: https://june11.noblogs.org/post/2024/06/30/michael-kimbles-2024-statement/

Tradução > anarcademia

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Banquete de infância
Guri comendo sementes
Pássaros no chão…

Estela Bonini

 

[Espanha] Lançamento: “Obreras anarquistas y sociedad civil. En torno a La Mano Negra (1881-1886)”, de Ignacio C. Soriano Jiménez

O que já foi publicado sobre La Mano Negra (1882-1884) se concentra nos eventos e em seu contexto histórico, por isso destacamos aqui uma série de campos menos pesquisados: o primeiro se refere às associações de mulheres anarquistas; o segundo se concentra nas qualidades humanas daqueles que compunham as seções de trabalhadores; o terceiro cobre a educação; e o último aponta para o surgimento legal da sociedade civil. Esses são aspectos relacionados ao livre pensamento, que foram realizados por grupos progressistas e que, na Andaluzia, como apontou o notário de Bujalance, foram fortemente impulsionados pelo anarquismo.

Coleção Colossus, n. 21, 13×18 cm, 125 p., 2024.

ISBN 978-84-128279-4-1, €10.00, calumnia-edicions.net

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Leve brisa
aranha na bananeira
costura uma folha.

Rodrigo de Almeida Siqueira

[Chile] Vamos tirar o companheiro Francisco Solar do isolamento

Francisco está em isolamento excepcional na prisão-empresa “La Gonzalina”, em Rancagua, uma medida aplicada pela direção da gendarmaria como punição dupla à sua sentença de 86 anos por ter feito vários ataques explosivos contra a polícia, um ex-ministro e uma empresa no bairro dos ricos.

A única maneira de pôr fim à crueldade da nefasta instituição policial é mostrar nossa solidariedade ao nosso companheiro, solidariedade ativa que rompa o silêncio dessa sociedade com todos os atos que nossas mentes possam imaginar e que estejam de acordo com nossas convicções antiautoritárias.

Que nem o silêncio nem o isolamento sepultem ainda mais o destino de um companheiro que está na luta há muitos anos e que recebe uma punição exemplar pela ousadia de atacar, cada vez com mais precisão e de frente, aqueles que detêm, de uma forma ou de outra, o poder que nos oprime.

SOLIDARIEDADE É AÇÃO.

COMPA FRANCISCO SOLAR FORA DO ISOLAMENTO.

Fonte: Buskando La Kalle

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A lua crescente
Está arqueada —
Que frio cortante!

Issa

[Espanha] A direita nos rouba os “móveis”: anarquismo e libertário

Há muito tempo tenho a sensação incômoda de que a direita está se apropriando de termos que não lhe pertencem e que a mídia, é claro!!!, está ajudando a consolidar essa apropriação.

Usaremos o excelente livro de Daniel Colson intitulado: Pequeno léxico filosófico do anarquismo. De Proudhon a Deleuze[1]. Digamos, em primeiro lugar, que o termo Movimento Libertário foi usado profusamente na Espanha durante a década de 1930 para se referir à ligação e coordenação da CNT, da FAI e das Juventudes Libertárias, enquanto o Partido Libertário foi fundado nos Estados Unidos em dezembro de 1971. Tenho certeza de que o termo “libertário” também apareceu antes da década de 1930 na Espanha e em outros países sem o conteúdo liberal e reacionário do Partido Libertário ianque.

Bem, nosso entendimento de o libertário se refere a uma força coletiva de práticas e opiniões apaixonadas pela liberdade e não tem nada a ver com o ressentimento específico usado pela direita libertariana. O pensamento libertário não tem nada a ver com a identificação do indivíduo como um ser sem qualidades singulares, um ser dependente e reduzido à pobreza mecânica e externa pressuposta e imposta pelos defensores do mercado ou por aqueles que defendem a lógica eleitoral. Pela mesma razão, não compartilha com a direita libertariana que o Estado seja reduzido à sua expressão mínima, mas ao mesmo tempo seja feroz e todo-poderoso, soberano absoluto, vigilante do rigoroso jogo impiedoso em que, como novos “robinsons”, os indivíduos se comportam com ferocidade na luta pelo lucro e pelo sucesso, sendo multidões em supermercados, estádios e eventos políticos ou religiosos.

Para o libertário, a pessoa tem um papel fundamental como tal e também agindo coletivamente, as pessoas libertárias tentam se capacitar para pensar de forma diferente daquela que querem que pensemos e tentam resistir à dominação por meio de quaisquer brechas que possam encontrar, sendo relevantes para viver de forma diferente e não mais querendo o que o capitalismo nos oferece. O Estado reduzido ao seu mínimo econômico, mas onipresente na vigilância e no controle, nunca poderá contar com o apoio do libertário. Liberdade não é consumismo, não é servidão aos mercados, não é permitir que sejamos governados por eles e por seus doces cantos de sereia. Essa posição implica, como aponta Tomás Ibáñez em seu livro: Anarquismo no fundacional. Confrontando a dominação no século XXI[2], o desenvolvimento de uma arte de não ser governado que requer uma ética de revolta que defina uma forma de estar no mundo, em que a pessoa constantemente confronta o poder e se esforça para ser ingovernável.

O fato de a ala direita mais reacionária se sentir confortável com o termo “anarcocapitalismo” é irritante e incômodo, pois a defesa de um anarquismo de livre mercado ou de propriedade privada não tem nada a ver com o termo anarquia e nem mesmo com o termo anarquismo, que, em sua maioria, rejeitou a propriedade privada e o livre mercado capitalista.

Anarquia ou an-arkhé é a negação de arkhé, que tem uma dupla face: a do poder, que foi contemplada pelo anarquismo político, e a da rejeição de qualquer princípio inicial, de qualquer causa primeira, de qualquer dependência dos seres em uma única origem (Colson). Esse significado tem suas origens na Grécia, que estabeleceu a necessidade de remeter o mundo a um primeiro princípio que possibilitasse a compreensão de sua constituição. Esse princípio estabelece uma cadeia de comando de fato, uma hierarquia sem a qual reina a desordem (an-arkhe).

É evidente que o chamado “anarcocapitalismo”, ou neoliberalismo, não rejeita o poder nem muito menos esse primeiro princípio, muito pelo contrário. Como aponta Amador Fernandez-Savater em seu livro: Capitalismo Libidinal. Antropologia neoliberal, políticas do desejo, direitização do mal-estar[3], esse capitalismo implica uma forma de organizar o mundo e a vida que faz da competição a norma universal de comportamento. O “anarcocapitalismo” governa por meio da pressão exercida sobre as pessoas pelas situações competitivas que ele cria. Essa razão é global e “faz o mundo”, atravessando todas as esferas da existência humana. É um projeto real da sociedade e uma certa fabricação do ser humano.

O anarquismo, como já dissemos, tem tradicionalmente rejeitado o poder (assunto que devemos rever no sentido do que e como entendemos o poder… isso fica para outro dia), mas deve rejeitar esses primeiros princípios para afirmar que é a prática que, a partir de si mesma, elabora sua própria justificativa e constrói seus próprios princípios, que serão tão múltiplos quanto a multiplicidade das situações vividas (Ibáñez). A anarquia é, portanto, a afirmação do múltiplo, da diversidade ilimitada dos seres e de sua capacidade de compor um mundo sem hierarquias, sem dominação, sem dependências que não sejam a livre associação de forças radicalmente livres e autônomas (Colson).

Em conclusão, não tem nada a ver com a ditadura do mercado, da competição, da propriedade privada que permeia todas as esferas da existência humana e transforma as pessoas em seres dependentes dos desejos criados pelo capital para gerar mais lucro e mais pobreza material e de pensamento.

Vamos proclamar aos quatro ventos que a anarquia “deles” e o libertarianismo “deles” são uma apropriação indébita e que a “mobília” faz parte de nossa genealogia, da qual sempre nos alimentamos com o pensamento crítico e não com a ideia de princípios inamovíveis e únicos.

Laura Vicente

[1] O livro é de 2001, traduzido em 2003 pela editora Nueva Visión, de Buenos Aires.

[2] O livro é de 2024 e foi publicado pela Gedisa.

[3] O livro é de 2024 e foi publicado pela Ned.

Fonte: https://acracia.org/la-derecha-nos-roba-los-muebles-anarquismo-y-lo-libertario/

Tradução > Liberto

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rua em que nasci
as crianças riem
o riso do velho

Ricardo Portugal

[Rússia] Apresentação sobre o movimento anarquista e anti-guerra russo no terceiro ano da guerra em pleno vapor

O grupo anarquista ANA Regensburg hospedou a minha apresentação online em 16 de maio de 2024, na qual eu discuto táticas do ativismo anti-guerra russo, e as razões pelas quais o movimento anti-guerra ainda não tem sido capaz de impactar o curso dos eventos. Casos de anarquistas reprimidos por suas atividades anti-guerra são apresentados, bem como estratégias de apoio a prisioneiros políticos, e sucessos modestos no suporte a suas lutas.

• YouTube: https://youtu.be/c5nSOdU48O8

• Spotify: https://podcasters.spotify.com/pod/show/libertarianlifecoach/

Você pode ler a reportagem sobre ataques incendiários anti-guerra na Rússia aqui:

http://https//en.zona.media/article/2022/10/13/burn-map

Tradução > anarcademia

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Grande sol poente
chupa no horizonte
estrada serpenteante

Winston

[Espanha] Iº Encontro de Anarquismo Específico

Temos o prazer de anunciar o primeiro encontro de verão de organizações específicas em território espanhol. Para esta ocasião inaugural, promovida por Embat, Batzac, FEL e Liza em torno dos meios de divulgação da corrente organizativa e revolucionária do anarquismo, a Regeneração Libertária, teremos espaços de debate e organização, formação e criação de laços entre militantes e convidados.

Este primeiro encontro insere-se no processo de construção de uma coordenação ideológica e estratégica para a intervenção política dos princípios, objetivos e meios libertários. Caminhamos para a consolidação do nosso próprio espaço político, de caráter internacionalista, antiautoritário e revolucionário.

Fonte: https://www.regeneracionlibertaria.org/2024/06/24/io-encuentro-del-anarquismo-especifista-en-el-estado-espanol/

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Sopra o vento
Segura-te borboleta!
Na pétala da flor.

Rodrigo de Almeida Siqueira

[Espanha] Áudio | Barrio Canino vol.314 – Cobertura radiofônica da II Bienal Anarquista de Madrid

Esta semana trazemos a cobertura radiofônica da II Bienal Anarquista de Madrid (BAM) que se celebrou nos dias 21, 22 e 23 de junho de 2024 no CSO La Animosa, no bairro de Hortaleza (Madrid).

Na II Bienal Anarquista de Madrid participaram mais de 20 editoras e houve palestras, oficinas, mesas redondas, espaço e tempo para reencontrar-nos e também uma cobertura radiofônica que pretende reunir ao menos uma pequena parte de tudo o que aconteceu no CSO La Animosa de Hortaleza durante os dias em que se celebrou esta Bienal.

Nesta transmissão entrevistamos a Karol, da organização da Bienal Anarquista de Madrid e com a qual repassamos o programa de atividades que aconteceu durante os 3 dias. Também entrevistamos Juan, de Hortaleza Punks, com o qual falamos da transformação urbana de Hortaleza e das muitas coisas que acontecem na periferia de Madrid em geral e em Hortaleza em particular, da relação tensa com o vereador ultraliberal David Pérez, a própria existência do CSO La Animosa onde se realiza esta edição da Bienal e a organização do Luis Aragofest, entre outros temas.

Também passa pelos microfones desta cobertura Javi, da editora Irrecuperables, que após uns poucos anos publicando textos sobre ensaio, psicologia crítica e antipsiquiatria, situacionismo e memória das lutas sociais seguem funcionando e crescendo. E também falamos com María, da editora e Biblioteca Social Hermanos Quero, de Granada.

Nesta cobertura contamos também com a participação de Deyanira Schurjin, que nos fala de seu projeto Sombras Tomo I: “Armadas de la Pluma y la Palabra” que resgata a luta internacionalista proletária protagonizada por mulheres. Sombras é um projeto militante que pretende dar conta e jogar luz às lutas das mulheres e outras identidades não normativas omitidas pelo feminismo hegemônico. O relato oficial das ondas do feminismo baseia seus postulados e perspectivas no pensamento ilustrado, negando assim outras formas de ocupar o mundo, de opor-se e resistir às ordens estabelecidas que existiram e existem.

E para terminar falamos com os palestrantes em uma das atividades mais esperadas e concorridas desta Bienal Anarquista, a mesa redonda sobre “Anarquismos e autodeterminação”. Nos acompanham nos microfones, Mike, de Embat desde Catalunya, Dani, de Refuxios da Memoria desde Galiza e Juantxo Estebaranz de Euskal Herria. Falamos com eles sobre a “questão nacional”, para que nos contem de primeira mão quais são os debates que se deram historicamente sobre esta questão nestes três territórios, e quais são as propostas e estratégias que estão se realizando nos dias de hoje como pessoas com convicções libertárias.

>> Programa completo para baixar e escuta online:

https://www.agorasolradio.org/podcast/barriocanino/vol-314-cobertura-radiofonica-de-la-ii-bienal-anarquista-de-madrid/

Tradução > Sol de Abril

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Quietude –
O barulho do pássaro
Pisando as folhas secas.

Ryushi

[São Paulo-SP] 06 de julho – “Banheiros, transgeneridade e anarquismo”

GRUPO DE ESTUDOS DE ANARQUISMOS, FEMINISMOS E MASCULINIDADES (GEAFM)

Sobre o tema:

A transgeneridade é avessa à normatização, trazendo para a pauta anarquista a necessidade de praticar a emancipação como um movimento coletivo que só existe no combate à cisnormatividade. Nesse sentido, é preciso pensar a violência simbólica do binarismo de gênero como algo que estrutura a própria arquitetura dos espaços públicos.

Os banheiros, ao demarcarem um tipo de fronteira cisgenerificada não só nas figuras “femininas/masculinas” que estampam em suas entradas, mas também ao moldarem um comportamento de vigilância em relação à pessoa que frequenta, se tornam ambientes excludentes em sua naturalização de violências cistemáticas.

O Grupo de Estudos de Anarquismos, Feminismos e Masculinidades (GEAFM) traz, no mês de julho, o tema “Banheiros, transgeneridade e anarquismo”, e sugerimos a leitura do manifesto “LIXO E GÊNERO. MIJAR/CAGAR. MASCULINO/FEMININO”, de Paul Preciado, contra as sutis e efetivas “tecnologias de gênero” que reiteram códigos binários de masculinidade e feminilidade a partir da captura das necessidades mais básicas de uma pessoa. Como leitura complementar, indicamos “Pela emancipação dos corpos trans: transgeneridade e anarquismo”, de Cello Pfeil.

Leituras indicadas para o encontro: www.tinyurl.com/GE0724

Quando? Sábado, 06/07/24 (16h-18h)

Onde? Sede do Centro de Cultura Social de SP (Rua Gal. Jardim, 253, sl. 22, Vila Buarque – São Paulo)

Infelizmente, não teremos intérprete de Libras.

agência de notícias anarquistas-ana

O tico-tico
Pensando ser abelha
Pousa nas flores.

Joice Cristina Souza

[EUA] Vandalismo em resposta à proposta de um “Distrito de Melhoria de Negócios” – em Asheville, Carolina do Note

Tudo ficará na mesma enquanto os bairros de chefes e juízes permanecerem santuários livres dos descontentamentos da sociedade de classes que eles mantêm: um santuário que estamos comprometidos a quebrar.” – FAI 2014

Em 6 e 16 de junho, dois burocratas estatistas, Eva-Michelle Spicer (proprietária da loja de joias Spicer Green) e Larry Crosby (gerente do Foundry Hotel), tiveram suas casas visitadas e seus veículos desativados. Essa ação foi realizada em resposta à afiliação dos indivíduos acima com a proposta e a defesa de um “distrito de melhoria de negócios” no que chamamos hoje de Asheville, na Carolina do Norte. A proposta desse distrito de melhoria de negócios busca posicionar os ricos proprietários de imóveis em posições absolutas de poder para ajudar o Estado e o capital a apertar seu controle social, “limpando” as ruas de “comportamentos antissociais” e “qualquer coisa considerada fora do comum” por meio de maior vigilância e segurança privada. Ao segregar os indivíduos desviantes, colocando-os fora de vista e longe da interação com clientes, vemos isso como um claro meio de facilitar o fluxo ascendente de capital e promover a gentrificação.

A oposição é possível, o Estado e a capital não são onipotentes. Os indivíduos que buscam implementar o distrito de melhoria de negócios têm nomes e endereços, juntamente com seus colegas estatais no governo local. Esses adversários não são teóricos, nem simbólicos, mas materiais. Nós atacamos para explorar suas vulnerabilidades. Atacamos para espalhar rachaduras no espetáculo da paz social, firmemente comprometidos em ampliar e exasperar a polarização entre os antagonismos de classe. Atacamos… “porque somos a favor do ataque destrutivo imediato contra estruturas, indivíduos e organizações do capital e do Estado“. – Alfredo Bonanno

Aqueles que dormem também mantêm a ordem mundial.

O único jeito de dissipar o medo e a tirania são transferi-los para o quintal dos inimigos.” – Membros aprisionados da CCF FAI/IRF.

– Alguns anarquistas

Fonte: https://scenes.noblogs.org/post/2024/06/23/vandalism-in-response-to-proposed-business-improvement-district-asheville-nc/

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

Mais fria que a neve,
Sobre os meus cabelos brancos,
A lua de inverno.

Jôsô

[Espanha] Solidariedade com as 6 de La Suiza

Comunicado da CNT-AIT de Alcalá de Henares referente à confirmação do Tribunal Supremo da condenação das 6 de La Suiza de Xixón:

Ante o rechaço por parte do Tribunal Supremo do recurso apresentado pelas seis de La Suiza e a confirmação de sua condenação, a CNT-AIT de Alcalá de Henares quer manifestar sua oposição frontal a estes fatos e sua solidariedade com as pessoas reprimidas. Consideramos estes fatos um precedente gravíssimo que tem como objetivo castigar um modelo sindical fundamentado na denúncia pública e na ação direta, quer dizer, na luta da classe trabalhadora por si mesma sem intermediários políticos nem judiciais. Um modelo que compartilhamos e no qual como anarcossindicalistas nos reafirmamos.

Não vamos deixar nossas vidas laborais nas mãos de entes jurídicos nem políticos que, amparados em uma falsa neutralidade, nos reduzam à passividade e nos condenem à infantilização mais aberrante. Buscamos nossa emancipação como classe através da criação de nossas próprias instituições independentes da Patronal e do Estado, com quem inevitavelmente confrontaremos ao ser nossos interesses diametralmente antagônicos.

Prova mais que clara disso é esta condenação que põe em questão liberdades que se acreditavam consolidadas desde a derrubada da ditadura: o Estado, por meio de seu judiciário de extrema direita, perverte sua própria doutrina para enviar a mensagem de que a partir de agora as linhas vermelhas se estreitam. É uma renegociação à diminuição de nossos direitos elementares que se inscreve em uma dinâmica de mais de uma década de retrocesso em todos os âmbitos de nossa vida; redução do bem estar, corte dos serviços públicos, das condições laborais, do direito ao protesto, liberdade de expressão, etc.

Este ciclo, de caráter internacional, mas que adquire no Estado Espanhol sua própria e velha idiossincrasia tem como objetivo assegurar a acumulação da riqueza nas mãos dos privilegiados ante as previsíveis contrações do mercado. Para nos impor esta degradação se segue um padrão simples: a extrema direita o reclama, a direita tradicional o legisla ou o sentencia e a esquerda do Capital não o reverte. Tudo isso sufragado e auspiciado por destacados círculos empresariais e midiáticos. Por isso por mais que alguns políticos mudem hoje sua roupagem não devemos deixar de recordar sua cumplicidade neste e em todos os casos repressivos que se acumulam.

A solidariedade ante a repressão é inquestionável. Nossa melhor arma, agora e sempre, a solidariedade. Liberdade para as 6 de La Suiza.

Fonte: https://alcala.cntait.org/solidaridad-con-las-6-de-la-suiza/

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/06/25/espanha-a-suprema-corte-rejeita-o-recurso-da-cnt-e-condena-as-seis-sindicalistas-de-la-suiza-a-prisao/

agência de notícias anarquistas-ana

luar na relva
vento insone
tira o sono das flores

Alonso Alvarez

 

[Espanha] “A única coisa que fizemos foi defender os direitos da classe trabalhadora”

Uma concentração na Plaza Mayor em Xixón dá apoio às sindicalistas condenadas a três anos e meio de prisão.

Por Diego Díaz Alonso | 28 de junho de 2024

Cabeça erguida. As seis sindicalistas de La Suiza não demonstraram nenhum remorso por sua campanha contra os proprietários da extinta confeitaria gijonesa, mas sim orgulho pelos fatos pelos quais foram condenadas a três anos e meio de prisão. “A única coisa que fizemos foi defender os direitos da classe trabalhadora”, proclamou Héctor González, um dos condenados, que, diante de uma Plaza Mayor lotada em Xixón, reafirmou que “trata-se de condições de trabalho e liberdades” e desafiou os presentes a imaginar um mundo sem sindicatos, organizações que ele definiu como “a última trincheira” para defender as condições de vida da maioria social.

Luara Chao, outra das condenadas, agradeceu àqueles que estão apoiando o coletivo diariamente em uma luta por liberdades básicas que já dura sete anos: “A única coisa que fizemos foi o sindicalismo”. “É uma injeção de energia ver tanta gente aqui”, ressaltou Chao em relação a uma mobilização que reuniu um grande público, com forte presença de jovens, e que contou com o apoio de representantes de todos os partidos progressistas e sindicatos de classe, além de figuras do mundo da cultura, como Nacho Vegas e Rodrigo Cuevas.

“Esse caso visa reprimir qualquer tipo de movimento social”, advertiu Álvaro del Río, secretário regional da CNT asturiana-leonesa, em relação a uma sentença que poderia abrir um precedente para a prisão de ambientalistas ou feministas, disse ele.

Graças à mediação das conselheiras do IU e do Podemos, Noelia Ordieres e Olaya Suárez, três das mulheres condenadas puderam exibir a faixa do caso na sacada da prefeitura de Xixón.

Enquanto aguardam novas mobilizações, as mulheres condenadas estão confiantes na batalha travada por sua equipe jurídica para evitar sua prisão. Uma coleta de dinheiro encerrou a manifestação, na qual os gritos de “Viva a luta da classe trabalhadora!” e “Vocês não estão sozinhas!” foram entoados por toda a praça.

Fonte: https://www.nortes.me/2024/06/28/lo-unico-que-hicimos-fue-defender-los-derechos-de-la-clase-trabajadora/?utm_campaign=twitter#google_vignette

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/06/25/espanha-a-suprema-corte-rejeita-o-recurso-da-cnt-e-condena-as-seis-sindicalistas-de-la-suiza-a-prisao/

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Longa chuvarada…
Nos matos e nas lagoas,
um canto de vida.

Humberto del Maestro

Confira a programação completa da IV Feira do Livro Anarquista de Belo Horizonte!

P r o g r a m a ç ã o

09:00 Abertura

10:00 Clima e Crise

11:30 Biblioteca Anarquista Maria Lacerda de Moura

13:00 Almoço Comum

14:00 Palestina Livre

15:30 Educação e Luta

16:00 Oficina: Encadernação e Zine

17:00 Teia dos Povos: Maxacali

19:00 Ocupações Urbanas

21:00 Festa na Kasa Invisível

Dia 06 de julho das 09:00 às 21:00 no Espaço Comum Luiz Estrada – Rua Manaus, 348 – São Lucas, Belo Horizonte – MG

feiraanarquistabh.noblogs.org

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Saci Pererê
fuma seu cachimbo
à sombra do ipê

Carlos Seabra