[Espanha] O Estado falha em sua criminalização do anarquismo

O governo terá que indenizar com 55.000 euros dois prisioneiros da “operação Ice” depois que as três principais investigações policiais por terrorismo contra grupos anarquistas em 2015 terminaram em arquivamento ou absolvição.

O governo fez do terrorismo anarquista uma de suas prioridades de policiamento há uma década. Operações com dezenas de detidos, nas quais o Ministério do Interior divulgou o desmantelamento de comandos aos quais atribuiu ataques a bancos, elaboração de explosivos e colaboração com outros grupos terroristas e que, uma década depois, não deram em nada, segundo a imprensa burguesa de hoje.

A indenização a um dos anarquistas da “operação Ice” por ter passado um ano e meio na prisão retrata injustamente como a Polícia, a Promotoria e alguns juízes da Audiência Nacional promoveram casos fracassados, enquanto o governo difundia o medo de um “terrorismo anarquista implantado” cuja existência nunca foi comprovada.

Ignacio Cosidó, chefe da Polícia Nacional, deixou claro em junho de 2014 que o Estado considerava o anarquismo radical como um problema de segurança pública. “O terrorismo anarquista criou raízes em nosso país. A luta contra essa forma de terrorismo já é uma prioridade para nosso Comissariado Geral de Inteligência”, disse ele. Alguns meses depois, foram realizadas as principais operações policiais e judiciais sob a supervisão da Audiência Nacional, o órgão responsável pela investigação de crimes terroristas.

Fonte: https://cruznegraanarquista.noblogs.org/post/2024/08/24/el-estado-fracasa-en-su-criminalizacion-del-anarquismo/

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Cravando o machado
o perfume causa espanto –
Ah, bosque de inverno.

Buson

[Cuba] “Nunca suspeitamos que 30 anos depois viveríamos outro êxodo massivo”

Uma mulher, de mais de 60 anos, me dizia adeus com a mão enquanto a balsa na qual ia se distanciava do Malecón havaneiro. Ela não me conhecia, mas eu era a única pessoa nesse trecho do litoral naquele 21 de agosto de 1994 em plena Crise dos Balseiros. Nunca soube se chegou com vida a seu destino, no entanto a imagem ficou gravada como parte do desespero que levou a milhares de cubanos a sair da Ilha em embarcações precárias, arriscando suas vidas para deixar para trás este sistema falido no econômico e repressivo no político.

Muitos pensamos que essa debandada seria também o fim do regime e nunca suspeitamos que 30 anos depois viveríamos outro êxodo massivo nesta ocasião através da selva do Darién, usando como início da rota migratória a cidade de Manágua, na Nicarágua, ou lançando mão do recurso humanitário para os Estados Unidos. Passaram três décadas desde aquela cena de uma anciã movendo sua mão frente a meu rosto e Cuba segue sendo um país em fuga e uma nação que não deixou de construir a balsa da escapada.

R.E.C.

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Na terra seca
Espera a semente
Banho do céu.

Sílvia Rocha

Apoie es anarquistes de Myanmar

Thwe Thwe Tin Saw – fugitiva anarquista, mãe solo, precisa de dinheiro para alimentos & aluguel

Ela nos diz, “Eu não gosto de nenhum governo. EU odeio a polícia, soldados, capitalismo, fascismo e racismo. Eu nunca entendi porque as pessoas sofrem discriminação. U penso que todos deveriam ser livres. É um direito humano.

O anarquismo é uma filosofia política que é contra todas as formas de autoridade e busca abolir as instituições que usam coerção e hierarquia, incluindo o estado e o capitalismo. Ês anarquistes de Myanmar querem paz e justiça: Sem Deus, Sem Mestres.

Eu gosto destas bandas de Myanmar: Rebel Riot, Kulture Shock, Death By Systems. Das internacionais, minhas favoritas são The Sex Pistols, Ramones, G.B.H

Eu participei do movimento do Food Not Bombs em Yagon e eventos pelos direitos humanos. Meu marido morreu de COVID. Bem agora, estou em Chiang Mai, Tailândia, para fugir da lei de conscrição. Eu tenho nojo do fato de que os militares seguem assassinando pessoas.

Na Tailândia, a polícia é muito cruel com refugiados birmaneses como eu – eles no extorquem. Se não gostam da gente, eles nos entregam ao exército de Myanmar.

Qualquer valor doado vai ser gasto para alimentar a mim, minhe filhe e para ágar por nossa moradia.”

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://hiperobjeto.blackblogs.org/2024/09/05/apoie-es-anarquistes-de-myanmar/

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agência de notícias anarquistas-ana

Nem sequer três dias
este mundo vê passar –
Cerejeira em flor!

Ôshima Ryôta

Voto é uma abstenção política da maioria das pessoas

O processo político no Brasil se tornou uma filtragem onde pessoas com compromissos duvidosos, de morais e éticas também questionáveis, atendendo a interesses que fogem das esferas coletivas, as quais deveriam ter alguma conexão são a maioria.

Nos impressiona o cinismo com que legislam em causa própria e que transformam os recursos públicos em um pregão de entrega constante aos interesses privados, gananciosos e ambiciosos.

Em muitas vezes, o destino de milhões é feito em acordos sigilosos por algumas pessoas lobistas (é uma pessoa ou grupo que defende os interesses de um grupo ou empresa junto ao poder público, com o objetivo de influenciar decisões políticas e se beneficiarem) e pessoas políticas muito a vontade em se beneficiarem também. 

Isso é notório e não é uma novidade.

Acontece que podemos sim fazer a diferença nessa situação e neste caso, nossa proposta é a mesma que defendemos nos meios anarquistas: 

  • Não votar ou votar nulo! Não alimentar o sistema eleitoral, porque mais do que escolher quem e quais serão as pessoas malandras, o voto é a validação do modelo político que está em vigor e o qual combatemos.
  • Uma vez feito o descrito acima, é importante assumir que a política será nosso compromisso, porque se não o fizermos, a brecha para as pessoas patifes, políticas profissionais e amantes dos partidos políticos e do Estado se aproveitarem do momento.

Isso gera um movimento político que será forte na medida que sejam criados e fortalecidos espaços de política direta em todos os lugares possíveis e impossíveis, onde a população abre mão do voto, para desempenharem elas próprias as funções dos partidos e das pessoas políticas profissionais, assumindo para si a responsabilidade que é confiscada a cada eleição.

Isso gera um processo de questionamento da estrutura vigente e sua necessidade para a satisfação das necessidades básicas da população. Saímos de esperar que um partido ou algumas pessoas políticas “bem intencionadas” nos atendam quando estiverem afim. 

Não! Só na luta somos dignas e livres!

anarkio.net

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agência de notícias anarquistas-ana

O corpo é um caminho:
ponte, e neste efêmero abraço
busco transpor o abismo.

Thiago de Mello

[Chile] Marcha pela Libertação Animal Santiago 2024

Marcha pela Libertação Animal Santiago 2024: Estendemos a convocação para participar da marcha neste sábado, 7 de setembro, às 17:00 horas, na Plaza Dignidad, convocada por grupos animalistas.

No mês mais repudiável do ano, nossa rejeição às suas festividades e tradições cheias de tortura e exploração deve ser sentida nas ruas.

Venha com seu grupo ou individualmente e manifeste-se sem líderes ou representantes. Traga seus materiais de propaganda e deixe que a ação direta sempre floresça.

A luta pela libertação animal deve ser antiespecista, até que a última jaula esteja vazia.

Setembro nos enoja, sua pátria e suas tradições também.

agência de notícias anarquistas-ana

No espaço, um brilho
qual uma folha viva:
O grilo.

Edércio Fanasca

[Galiza] Lançamento: “Un anarquista”, de Diego Ameixeiras

Sinopse

Barcelona, primavera de 1977. Miguel Duarte acaba de chegar à cidade. Tem vinte anos, trabalha como garçom no Nebraska, um bar das Ramblas onde o patrão sonha com filmes do Oeste, e vive aguardando alguma experiência que o eleve acima da sua timidez. Para isso existe Montse, uma estudante de família acomodada pela qual se sente atraído desde muito tempo. Com ela experimentará o amor, o sexo, os prazeres da vida. Mas está, sobretudo, uma cidade disposta a pisar no acelerador da história: Barcelona experimenta um renascimento do movimento anarquista que enfrenta os consensos da Transição. Duarte, personagem desconcertante para alguns, capaz de esfaquear um homem por vingança, enérgico militante antiautoritário para outros, se verá envolto nessa corrente que o arrastrará até o caso Scala. Entre a ficção e a crônica histórica, com um pé nos fatos reais e outro na pura ficção, esta novela recria os acontecimentos mais vibrantes daquela breve primavera libertária. Uma luta social que seria desbaratada, em janeiro de 1978, pelos serviços de inteligência da Polícia. Fica uma pergunta: quem era Miguel Duarte?

Un anarquista

Diego Ameixeiras

I.S.B.N. 978-84-1110-515-6

Páginas 112

€ 18,00

xerais.gal

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

No azul do céu
O sol ofusca
Nas bolhas de sabão.

Rodrigo Luiz Ferreira

[Espanha] Racistas, mais que idiotas úteis

 Artigo de opinião de Antonio Pérez Collado, Confederación General del Trabajo País Valencià y Murcia

Já havíamos tido notícias preocupantes sobre a praga racista que se espalha pela Europa na Alemanha, França, Hungria, Polônia e até mesmo na Espanha, mas as imagens que chegam do Reino Unido atualmente são de uma dureza extrema e repugnante. Hordas de brutos enlouquecidos assaltando e incendiando hotéis onde vivem refugiados estrangeiros, roubando lojas muçulmanas, parando carros para bater e esfaquear os motoristas se eles não forem brancos, atacando mesquitas e atacando comunidades de origem asiática, das Índias Ocidentais ou africana (mas que já são legalmente britânicas), é um exemplo de como os seres humanos podem ser covardes, embora em outras situações eles sejam capazes das mais generosas demonstrações de solidariedade e generosidade para com seus semelhantes.

Ninguém pode acreditar que tamanha loucura possa surgir da noite para o dia como uma resposta visceral à múltipla agressão de um adolescente – nascido em Cardiff, País de Gales – a um grupo de menores (três meninas foram mortas, cinco ficaram gravemente feridas e três tiveram ferimentos leves, além de dois adultos que também foram gravemente feridos a facadas) na cidade inglesa de Southport, perto de Liverpool.

A verdade é que há um terreno fértil que vem sendo arado há anos e que é a fonte de todos esses incidentes racistas e xenófobos. A isso se soma o papel inflamatório desempenhado por certos meios de comunicação e páginas digitais cuja única atividade é espalhar mentiras e fabricar boatos para provocar respostas violentas da parte do bando de tolos que se desinformam nessas plataformas contra a chegada de refugiados e trabalhadores estrangeiros.

Nesse caso, eles manipularam as poucas informações que havia sobre a identidade do agressor para fazer parecer que ele era um muçulmano recentemente acolhido pelas autoridades britânicas. Após o lançamento irresponsável dessa farsa, começaram os ataques a mesquitas e centros culturais da grande comunidade muçulmana na Inglaterra, exatamente como os líderes das organizações de extrema direita haviam planejado.

Mas os racistas britânicos estão muito enganados ao considerar os migrantes, a grande maioria dos quais vem de territórios que já foram colônias do Império Britânico, responsáveis pelo empobrecimento das antigas áreas industriais de seu país. Foram as políticas conservadoras dos governos do Reino Unido (começando com o de Margaret Thatcher) que impulsionaram o fechamento de minas, a privatização de serviços públicos e a realocação de grandes empresas, e não a chegada de trabalhadores estrangeiros, que vem ocorrendo naturalmente há mais de um século, conforme demonstrado pela total integração dos descendentes dessas famílias na economia, no esporte, na cultura, na música e até mesmo na política.

Ter orgulho patológico de ter nascido na Inglaterra (ou em qualquer outro lugar) e acreditar que é um ser superior por ter a pele um pouco mais clara – circunstâncias totalmente alheias à sua vontade ou inteligência – é a maior prova de simplicidade que se pode encontrar entre os hominídeos supostamente mais evoluídos.

Felizmente, os neonazistas e racistas são uma minoria; uma minoria muito perigosa, mas uma minoria. Eles não são uma anedota incômoda, mas um problema sério com o qual a sociedade precisa lidar de forma decisiva. Na Grã-Bretanha, essa resposta popular está ocorrendo: comunidades de imigrantes e vizinhos da classe trabalhadora estão protegendo centros de recepção de refugiados e expulsando agitadores racistas de suas ruas.

Enquanto as autoridades britânicas e suas forças de segurança continuam a não oferecer respostas eficazes ou agem com uma tibieza que dá margem a suspeitas de cumplicidade, as pessoas estão à frente de governos de todas as cores e estão se organizando, demonstrando que a ação direta ainda é a melhor ferramenta de luta coletiva.

A onda de fascismo que está se erguendo novamente na Europa exige uma resposta ampla e solidária de todos os povos do continente em defesa dos direitos humanos, da solidariedade com aqueles que sofrem e do intercâmbio e mistura de etnias, ideias e culturas.

Fonte: Gabinete de Comunicación de la Confederación General del Trabajo del País Valenciano y Murcia

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

Névoa da manhã
primeiro raio de sol
gotas d’água na janela

Rodrigo Siqueira

[São Paulo-SP] 1ª Jornada de Difusão Anti-militarista

No 7 de setembro, data em que militares e nacionalistas em geral vão às ruas para desfilar e demonstrar seu orgulho pela “independência” do Estado brasileiro (que desde o princípio se baseia e se mantém por meio do colonialismo, do extermínio e da exploração e destruição da terra), ocorrerá a 1ª Jornada de Difusão Anti-militarista.

Frente à apatia generalizada e o silêncio em relação aos massacres cotidianos realizados em nome da nação, estaremos nas ruas para marcar presença e difundir a perspectiva antiautoritária e anticapitalista para lembrar que não há Estado que não seja erguido sobre um sem fim de corpos, massacres, prisões e destruição da terra.

|| Atividade aberta para expositorxs/distros, tragam suas banquinhas! ||

QUANDO: Sábado, 07 de setembro, das 11h às 18h.

LOCAL: Vale do Anhangabaú (nas escadarias perto da estação São Bento)

Saúde y Anarkia!

agência de notícias anarquistas-ana

Sem guarda-chuva
E sob a chuva de inverno –
Bem, bem!

Bashô

[Chile] Falece histórica companheira anarcofeminista Maria Eva Izquierdo (1941- 2024)

Por La Zarzamora

Esta manhã (29/08) informou-se o falecimento da companheira anarcofeminista María Eva Izquierdo, na localidade de Rincón del Pinar, Uruguai. María Eva atuou nos últimos 60 anos desde o anarcofeminismo, com uma prática anarquista comunitária que a converteu em uma referência do anarcofeminismo rio-platense.

Nasceu em 1941 em Melo, Uruguai. No ano de 1969 se une à “Comunidade do Sul, um coletivo anarquista de vida comunitária criado em 1955 no Uruguai, que se baseava nos princípios cooperativistas e de autogestão. Nesta comunidade conhece Osvaldo Escribano, que se transforma em seu companheiro de vida.

Em 1974 a um ano do golpe e instauração da ditadura cívico-militar no Uruguai, se exilam em Buenos Aires. Em 1993 constrói o coletivo anarcofeminista “Mujeres Libres”, o qual funcionou na Biblioteca Popular “José Ingenieros” de Buenos Aires, Argentina.

Em 1999 com “Mujeres Libres” organizou um Encontro de Mulheres Anarquistas que se realizou em Pinar, na costa uruguaia, ao qual participaram companheiras do $hile, Bolívia, Brasil, Espanha e Suécia. Neste encontro discutiram-se diversas temáticas e incorporou-se a urgente situação da terra desde o ecofeminismo. Também se organizou uma marcha por Montevidéu em apoio às mulheres do Afeganistão.

“María Eva Izquierdo produziu vários artigos em que o eixo de sua atenção são as questões de gênero, em especial o papel subordinado da mulher e a crítica do patriarcado como estrutura histórica. Sobre esta análise publicou junto a seu grupo notas na revista “A Desalambrar” e apresentou o trabalho “feminismo y pos-feminismo” no congresso Internacional Anarquista de Barcelona de 1993″¹.

Junto a seu coletivo criou o documentário “Las Libertarias”, no qual resgata a memória de diversas companheiras cujas histórias foram invisibilizadas. Entre seu trabalho de registro e memória destaca a entrevista que realiza à escritora e professora anarquista ítalo-uruguaia, Luce Fabbri.

Durante seus últimos anos seguiu motivando o debate, habitando “El Terruño” em Rincon del Pinar, criando constantemente iniciativas de reflexão e discussão entre companheiras anarquistas e feministas de diferentes territórios, sempre preocupada com as novas projeções anarcofeministas, de nutrir-se de pensamentos, posicionamentos e questionamentos novos.

María Eva também contribuiu para o resgate de nossa memória com um arquivo que ficou disponível na Biblioteca Feminista Brujas em Abayubá e que foi organizado e inventariado por GETIC.

Desde as terras do sul, com sua recordação e voz na memória, La Zarzamora se despede. Agradecidas Eva por resgatar e ser parte da história das mulheres anarquistas de Abya Yala.

Fogo ao patriarcado, ao especismo, ao estado e ao capital!!

María Eva Presente!!

[1] Libertarias en América del Sur. Cristina Guzzo.

Fonte: https://lazarzamora.cl/?p=12939

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

Da minha janela
Ouço o cantar da coruja.
O sono não vem.

Adriana Aparecida Ferreira Cardoso

[Chile] Santiago: Cartaz em solidariedade as companheiras Milán Miranda e Mónica Caballero

Liberdade para os prisioneiros da guerra social-antissocial sequestrados nas prisões do estado policial no Chile e no mundo.

Solidariedade com xs presxs no âmbito da investigação pela colocação de um dispositivo explosivo em um carro em Villa Francia, xs presos nas incursões de 6 de julho de 2024 e xs presos anarquistas condenados com condenações longas.

Milán Miranda

Mônica Caballero

Às ruas!

Fogo às prisões

Liberdade para xs prisioneirxs!

– Semana de solidariedade com os presos anarquistas de longa duração.

Fonte: https://es-contrainfo.espiv.net/2024/08/30/santiago-chile-afiche-en-solidaridad-con-las-companeras-milan-miranda-y-monica-caballero/

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agência de notícias anarquistas-ana

Velha lagoa
um sapo mergulha
barulho d’água.

Matsuo Bashô

[Reino Unido] Caminhada histórica anarquista em Fitzrovia, Londres: Sábado, 7 de setembro

Um passeio alucinante pela Fitzrovia anarquista. Visite todos os pontos quentes da Fitzrovia anarquista.

Veja onde Frank Kitz, um dos principais líderes da Liga Socialista, se reuniu com outros e bebeu uma ou duas cervejas no processo. Visite os locais da Escola Livre de Louise Michel, o clube anarquista alemão Autonomie Club, a escola anarquista Ferrer de Lilyan Evelyn, os points do célebre anarquista italiano Errico Malatesta, o refeitório criado por refugiados da Comuna de Paris. Dê uma olhada no prédio que abrigou o famoso (ou talvez infame) Malatesta Club da década de 1950. Veja onde o artista e simpatizante anarquista Augustus John bebia. Veja a mercearia de Albert Richard, herói da Comuna de Paris, que vendia apenas feijão vermelho e rejeitava o feijão branco reacionário. Demore-se na banca de jornal dirigida por Armand Lapie (foto), palco de disputas doutrinárias. Faça uma pausa no local onde o colorido anarquista Xo d’Axa tocava seu realejo. Tudo isso e muito mais. Passeio guiado pelo anarquista veterano Nick Heath. Encontro na bilheteria da Great Portland Street às 11 horas.

Doação sugerida: 5.00. Os fundos arrecadados vão para o Anarchist Communist Group.

Fonte: https://www.anarchistcommunism.org/2024/08/30/anarchist-fitzrovia-history-walk-saturday-september-7th/

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

Névoa Matinal.
No passeio dos pássaros
Jogo de esconde-esconde

Sérgio Sanches

[Espanha] Farta de conselhos de empresa, farta de eleições sindicais?

Na CNT, estamos comprometidos com as seções sindicais, um modelo sindical capaz de lutar nos novos cenários trabalhistas, com base na horizontalidade, flexibilidade, autonomia, unidade e ação direta.

HORIZONTALIDADE

As seções sindicais da CNT, diferentemente dos conselhos de empresa, têm mecanismos de controle e revogabilidade para impedir que os delegados sindicais tomem decisões contrárias aos interesses da força de trabalho. Nossas delegadas não têm privilégios sobre o restante da classe trabalhadora e nossa força se baseia no estabelecimento e na participação dos membros da seção. Se ninguém trabalha para você, ninguém pode decidir por você!

FLEXIBILIDADE

A CNT oferece um modelo organizacional flexível que nos permite organizar em setores onde as eleições sindicais e o sindicalismo burocrático baseado na representação unitária não chegam, um modelo sindical acessível às camadas mais precárias da classe trabalhadora e capaz de se adaptar a novos cenários de trabalho.

UNIDADE

Uma classe trabalhadora unida é uma classe trabalhadora forte. Nas seções sindicais da CNT, diferentemente dos conselhos de empresa, todos os trabalhadores de um local de trabalho e até mesmo de um grupo de empresas podem se associar, sem fazer distinção entre trabalhadores permanentes, temporários ou subcontratados. Vamos acabar com o que nos divide, vamos apostar no que nos une!

AUTONOMIA

Por um sindicalismo política e economicamente independente! A CNT não recebe subsídios do Estado e seus princípios anarco-sindicalistas são a melhor garantia de sua independência em relação a partidos políticos, administrações e interesses alheios aos da classe trabalhadora.

AÇÃO DIRETA

Diante de uma legislação trabalhista que perpetua a classe trabalhadora na precariedade e na miséria, o anarcossindicalismo considera que a principal ferramenta à nossa disposição para defender nossos interesses é desenvolver formas coletivas de luta que nos permitam superá-la. A emancipação da classe trabalhadora será obra da própria classe trabalhadora.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/harta-de-los-comites-de-empresa-harto-de-las-elecciones-sindicales/

Tradução > Liberto

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Na terra seca
Formigas em festa
Carregam uma semente.

Setsuko Geni Oyakawa

[Alemanha] Jornada solidária com os presos anarquistas em Berlim

Durante o dia de ontem, domingo, 1º de setembro, em Berlim, se realizou uma segunda jornada no âmbito da Semana Internacional de Solidariedade com os Presos Anarquistas.

Apresentou-se novamente a compilação “Solidariedade revolucionária, experiências e reflexões” a qual conta com textos de diferentes companheiros  de diversos territórios e gerações sobre sua opinião e experiência com a solidariedade.

No dia de ontem, entre os convidados esteve Thomas Meyer Falk compartilhando sua experiência, que foi liberado da prisão no ano passado em agosto, depois de 27 anos atrás das grades, 11 deles em completo isolamento, pelo roubo de um banco com tomada de reféns (a condenação mais alta para um preso político na história moderna da Alemanha).

Por outro lado um companheiro do entorno solidário de Francisco Solar, desde o Chile foi parte do evento via online, comentando a situação do companheiro Francisco, o contexto de sua detenção, motivações, mas também projeções de sua luta dentro da prisão, e se falou da situação de isolamento atual do companheiro. Outro ponto importante é como o entorno solidário busca romper o isolamento próprio do cárcere para o companheiro e como projetam a solidariedade a longo prazo entendendo a longa condenação que enfrenta Francisco. Além de como a repressão e a condenação social também golpeia os entornos próximo que se solidarizam com os que reivindicam seus ataques contra o poder.

Fonte: Buskando La Kalle

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

Nuvem de mosquitos –
As flores da jujubeira+
se espalham à volta.

Katô Kyôtai

Flecheira Libertária 777 | “Em diferentes cantos do planeta, o fogo ácrata vibra.”

não foi só na frança

Ações diretas contra trens de alta velocidade, antenas e cabos de transmissão de internet 4 e 5G, também foram praticadas na Alemanha, ao longo de julho e início de agosto. “Feliz coincidência?”, provocaram xs incendiárixs em Berlim. Em agosto, mais ações diretas foram levadas adiante contra os que se arrogam superiores, donos da terra e dos demais viventes. Em Midlands, Reino Unido, anarquistas libertaram jovens perus, confinados para serem mortos e servidos nas cristãs (ou não) ceias de Natal. “Que se foda qualquer um que objetifique, explore e lucre a partir desse negócio sanguinário que faz de vidas, produtos”. Na Cidade do México, incógnitas da Coordinadora Informal de Mujeres Anarquistas contra la Depredación Civilizatoria lançaram uma bomba contra a Torre del Bienestar, prédio da Secretaria do Bem-Estar. “Não queremos a depredação civilizatória, queremos ser selvagens, unirmo-nos à natureza. Somos a natureza se defendendo. Preferimos lutar, lutar até o seu fim ou o nosso. Não tememos vocês”. Em diferentes cantos do planeta, o fogo ácrata vibra.

juventude nada transviada 1

Foi-se o tempo em que pessoas inteligentes, que diziam “genial” a vários intelectuais, constataram, ainda que tardiamente no Brasil, o macabro e sanguinário autoritarismo do socialismo soviético. Procuraram assimilar as escancaradas de Kruschev contra o massacre de Stalin desde o final dos anos 1920, com a confissão por autocrítica massacrando intelectuais revolucionários bolchevistas e parecidos, incluindo Trotsky e os anarquistas. Com a matança de fome e bala de mais de 30 milhões de camponeses, além dos campos de concentração, incluindo os gulags… Com o pacto Ribbentrop-Molotov de não agressão com o nazismo. Enfim, a juventude planetária dos anos 1950 até o final do século passado transgrediu o PC e seus líderes condutores da revolução pastoral.

tiranos e negócios

Em 1991, a URSS foi dissolvida. Foi-se, para o beleléu, o então chamado “paraíso socialista”. A China, décadas antes, já havia se decidido pelas suas políticas de incentivo aos investimentos capitalistas. A figura do timoneiro cuja liderança produziu incontáveis mortes e um único livro “revolucionário”, já não era reivindicada a todo instante. Seja na própria China ou nos partidos comunistas que, em outros momentos, alinharam-se ao país asiático, às diretrizes soviéticas ou à antiga Albânia socialista. Décadas se passaram e, agora, aparecem jovens cujas cabeças estão voltadas para um passado teórico, idealizado e à caça de monetizações em seus canais nas plataformas digitais. São empreendedores que, impregnados de uma verborragia empoeirada, batem continência ao “Generalíssimo” soviético cujas empreitadas também resultaram em incontáveis mortes, inclusive por fome, não só na Ucrânia, mas pelos territórios da república socialista soviética e mais tarde por suas colônias. Em tempos da racionalidade neoliberal, a apologia aos tiranos do passado também é fonte de negócios, sejam literários, políticos, lives ou quaisquer outras práticas comerciais capitalistas.

>> Leia o Flecheira Libertária 777 na íntegra aqui:

https://www.nu-sol.org/wp-content/uploads/2024/09/flecheira777.pdf

agência de notícias anarquistas-ana

Em meio ao capim
de onde sopra o vendaval,
lua desta noite.

Miura Chora

O projeto de “higienização à maneira de Tarcísio” para o centro de São Paulo

Qual o futuro do bairro Campos Elíseos?

Esta é a pergunta que moradores e trabalhadores se fazem desde que o Governo do Estado de São Paulo anunciou que pretende transferir a sede administrativa do governo para o bairro de Campos Elíseos, na região central da capital.

Para tal transferência, o atual governador Tarcísio de Freitas planeja gastar um valor estimado em R$ 4 bilhões e desapropriar cerca de cinco quadras que ficam ao redor do Parque Princesa Isabel. Com isso, o Terminal de Ônibus Princesa Isabel e o Museu das Favelas, que hoje ocupa o Palácio dos Campos Elíseos, serão desativados. Além disso, para a construção de 12 prédios públicos, 230 imóveis vão ser postos abaixo, incluindo aí dezenas de moradias, sobrados históricos e unidades comerciais.

Por esta razão, centenas de pessoas, de diferentes movimentos sociais, estiveram na rua no dia 10 de julho para exigirem consulta pública aos moradores do local e para garantirem que o projeto não continue sinalizando um escandaloso descarte dos mais pobres.

Decididas a portas fechadas, com base em estudos contratados pelo próprio governo, as diretrizes do Projeto do Centro Administrativo do Governo do Estado de São Paulo, lançado em concurso pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), tomam apenas a premissa de que essas quadras vão ser inteiramente demolidas, desconsiderando de pronto as mais de 870 famílias que hoje residem na área em questão.

Em entrevista ao G1, o governador Tarcísio disse que o objetivo da tarefa é trazer a população de classe média ao centro, dando claras pistas do processo de gentrificação do plano e o consequente escamoteamento de outras formas de habitar a região.

Em nota técnica publicada no mês de abril, assinada pelo Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade (LabCidade) da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), entre outras entidades, apontou-se que o projeto não respeita as áreas de Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis) 3, descritas no Plano Diretor Estratégico de São Paulo. Essas áreas devem ser destinadas à população que já mora no local e se alinharem a ritos de democracia participativa com a construção de Conselhos Participativos.

Ora, somente o anúncio desses empreendimentos já gera um impacto no custo da moradia no entorno e isso é trazido pelo governo sem nenhuma avaliação de impacto social. Praticamente em todas as situações, o plano foi pensado a partir de uma lógica do capital imobiliário e da expulsão dos mais pobres desse território, gerando um consequente receio nas ocupações de moradias do centro e nos movimentos populares que lutam e atuam na região por anos.

Nessa linha de “higienização à maneira de Tarcísio”, uma espécie de futura gourmetização para o centro de São Paulo é colocado na proa do projeto, ignorando de saída as proteções das Zeis 3 e colocando inevitavelmente em xeque no esquema aspectos de raça e de classe. De acordo com a pesquisadora do LabCidade, Débora Ungaretti, “o governador Tarcísio fala de fixar pessoas, de trazer a classe média. Então, na verdade, não trata só de um projeto de trazer coisas para o centro, mas também de tirar coisas que estão lá e o que são essas ‘coisas’: são pessoas e formas de morar que não são aceitas e que são colocadas como indesejadas: pensões, cortiços, regiões onde tem população em situação de rua.”

A pesquisadora ainda nos lembra que esses projetos de expansão imobiliária para classes altas não são de hoje e já tiveram algumas projeções tanto no programa Nova Luz, de 2005, quanto na Operação Sufoco, de 2012. Tais projeções fazem parte de um conjunto de iniciativas de “revitalização” do centro que tem “sido implantada de forma fragmentada”, com “desconstituição dos tecidos morfológicos, arquitetônicos, sociais e comunitários existentes”. De acordo com a nota técnica do LabCidade: “Trata-se de iniciativas e projetos públicos que partem do pressuposto de que aquele território está vazio ou inabitado, que projetos podem chegar para ‘revitalizar’ uma área, como se não houvesse pessoas que há décadas vivem e constroem esse território, que não são ouvidas e respeitadas.”

Não se trata aqui de virarmos as costas para obras de revitalização e melhoramento das estruturas locais, mas, sim, de não aceitarmos que os planos traçados tenham na mira a repulsão dos moradores de baixa renda, considerando que muitos destes moradores estão ligados diretamente à história da construção de determinadas zonas da cidade. Ora, o processo de valorização dessas áreas, ao longo dos anos, implicou sempre em exclusão espacial e social, marcado pelo aumento substancial do custo de vida e pela consequente repulsão de uma parcela da população em direção especialmente às zonas periféricas. Neste caso, estamos falando, sim, de gentrificação. Ou melhor, de uma espécie de “limpeza classista”, onde o processo cai justinho aos interesses não apenas do governador, mas de toda uma gangue empresarial que apadrinha seu governo, interessados todos em camuflar o problema da pobreza na cidade e descartar para longe os indícios de vivacidade da população menos afortunada, não dando palco, por exemplo, aos que seriam mais afetados na proposta em questão.

Diego Fernandes Moreira

ULCM (Unificação das Lutas de Cortiços e Moradias)

agência de notícias anarquistas-ana

serra nevada,
cumes tocam o céu –
nuvem furada

Carlos Seabra

[Espanha] Livraria Anarquista La Rosa De Foc

Durante as revoltas populares da Semana Trágica do verão de 1909, a cidade de Barcelona recebeu de Antonio Loredo, redator do diário La Protesta, o apelido de Rosa de Fuego. Poucas livrarias existem cuja vinculação simbólica e real com as lutas anarquistas seja tão direta como a de La Rosa de Foc.

A livraria foi aberta no ano 2000, depois que a CNT (Confederação Nacional do Trabalho) se transferiu da Rua Hospital para a Rua Joaquim Costa por causa da demolição de moradias realizada ao redor do que agora é a Rambla del Raval.

O critério da seleção de títulos que se pode encontrar na livraria foi acordado em assembleia por filiados e militantes do sindicato: temas de caráter social, história do anarcossindicalismo, feminismo, movimentos sociais e revolucionários, memória histórica e análise sociopolítica, para citar alguns.

Há também seções de cinema, poesia, textos sobre religião e clássicos literários. Em suas próprias palavras, ficavam excluídas as novelas de consumo e os livros de distração social. O fundo é formado por livros novos e de segunda mão, assim como volumes fora de catálogo de marcas editoriais já inativas, distribuem também livros e material da CNT-Catalunha, e editam alguns títulos de temática afim.

A livraria conta também com um espaço onde se fazem apresentações de livros e conferências. Em alguma ocasião este espaço serviu como lugar no qual se trancaram imigrantes para protestar pela ilegalidade de sua situação.

La Rosa de Foc

C/ de Joaquín Costa, 34, Ciutat Vella, Barcelona.

agência de notícias anarquistas-ana

Velho canário
No fraco trinado
Suave sinfonia do vento.

Liliana Aparecida Kokado