[Internacional] Proposta para sabotadores da pesca

O assassinato de peixes, encobertamente chamado “pesca”, é a atividade de assassinato mais normalizada praticada por humanos comuns. Tão normalizada, que não é parte de um ponto de ataque por parte do movimento. Estes animais são perseguidos, presos e com a sanha de qualquer assassino em série, torturados até a morte em uma asfixia que será de uma longa agonia.

Usualmente os peixes são dos animais que menos consideração se tem de sua vida e existência. Não consideramos necessário explicar neste âmbito com detalhe a subjugação a que estão sujeitos os peixes, ou porque deveríamos respeitar suas existências, mas tentamos dar um panorama geral de nossa intenção.

Cremos em uma luta pela liberação animal de ação direta tanto violenta como não violenta, e inspirados na sabotagem da caça e a surpreendente eficácia que possui esta prática, decidimos convocar antiespecistas de todo o mundo a somar-se à sabotagem da pesca e assim gerar uma frente de resistência onde não há, e desta forma seguir avançando na luta contra subjugações de animais, desde todos os lados possíveis:

Fazemos um chamado a:

  • Tratar de salvar ou liberar os peixes presos e a vida marinha em geral.
  • Tratar de deter atos de pesca mediante diversas táticas.
  • Dificultar a pesca quando não é possível detê-la.
  • Atacar ou atemorizar os pescadores.
  • Gerar-lhes o maior dano possível a seus objetos de assassinato e pertences.
  • Difundir a mensagem contra a pesca.
  • O chamado é basicamente evitar que assassinem e se o fazem que não lhes seja tão fácil como é, ao mesmo tempo criando passo a passo uma frente que construa uma realidade na qual submeter animais seja perigoso para os assassinos de animais.

Não pretendemos limitar-nos a atacar somente o assassinato de peixes, mas que a pesca faça parte dos tantos objetivos que temos contra a subjugação de animais. As possibilidades de sabotagem são tão amplas como nossa vontade e criatividade, seria bonito inteirar-nos e inspirar-nos com todo tipo de ideias levadas na prática.

Adiante sabotadores da pesca!

Fonte: https://unoffensiveanimal.is/2024/04/08/anonymous-submission-for-the-sabotage-against-fishing/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

verdes vindo à face da luz
na beirada de cada folha
a queda de uma gota

Guimarães Rosa

[França] 82º Congresso da Federação Anarquista

De 18 a 20 de maio de 2024, o grupo Pierre Kropotkine sediou o 82º congresso da Federação Anarquista (Fédération Anarchiste) em Merlieux-et-Fouquerolles.

Embora o clima muitas vezes parecesse estar a serviço do grande capital, nada detém os libertários quando eles se unem e se federam.

Vários grupos de trabalho abordaram temas que foram desde o anticarcerário até a igualdade de gênero, antimilitarismo, energia nuclear e seu mundo, a ascensão do nacionalismo…

O evento também foi uma oportunidade de receber organizações amigas (Libre Pensée, USD-CGT “la Tortue Axonnaise”, CNT-AIT, Coordination anti-nucléaire, UCL) e de sediar uma reunião da IFA (Internacional das Federações Anarquistas).

Os debates foram ricos e as moções e comunicados serão publicados em breve. Obrigado a todos que ajudaram, pois a ajuda mútua e a solidariedade são nossas melhores armas para mudar este mundo, que precisa muito de mudanças.

Viva o federalismo libertário!

Fonte: https://www.kropotkine02.org/2024/05/21/82eme-congres-de-la-federation-anarchiste/

agência de notícias anarquistas-ana

Muro de parquinho —
Pequena abelha descansa
sobre a flor pintada.

Teruko Oda

[EUA] Horizontes Florescem, Fronteiras Desaparecem: Anarquismo e Literatura Iídiche

Abrangendo os dois últimos séculos, “Horizons Blossom, Borders Vanish: Anarchism and Yiddish Literature” [“Horizontes Florescem, Fronteiras Desaparecem: Anarquismo e Literatura Iídiche” em tradução livre], de Anna Elena Torres, combina pesquisa em arquivos sobre a imprensa radical e leituras atentas da poesia iídiche, oferecendo um estudo literário original do movimento anarquista judaico.

Torres examina a estética anarquista iídiche desde os poetas imigrantes proletários russos do século XIX, passando pelas vanguardas modernistas de Varsóvia, Chicago e Londres, até os compositores antifascistas contemporâneos. O livro também rastreia estratégias anarquistas judaicas para negociar a vigilância, a censura, a detenção e a deportação, revelando a conexão entre o modernismo iídiche e as lutas pela liberdade de expressão, a autonomia corporal das mulheres e a circulação transnacional da literatura de vanguarda.

Em vez de enfocar narrativas de assimilação, Torres intervém em modelos anteriores da literatura judaica ao enfocar as críticas de refugiados à fronteira. Os deportados, imigrantes e refugiados judeus se opuseram à cidadania como a principal garantia dos direitos humanos. Em vez disso, eles cultivaram imaginações apátridas, elaboradas por meio da literatura.

Junte-se ao YIVO para uma discussão com Torres sobre este novo livro, conduzida pela acadêmica Amelia Glaser. Evento copatrocinado pela Biblioteca Tamiment da NYU e a Associação da História do Trabalhismo e da Classe Trabalhadora (LAWCHA)

Compre o livro em: https://yalebooks.yale.edu/book/97803

Anna Elena Torres é professora assistente de literatura comparada na Universidade de Chicago. Torres foi coeditora de “With Freedom in Our Ears: Histories of Jewish Anarchism” (“Com a Liberdade em Nossos Ouvidos: Histórias do Anarquismo Judaico”, em tradução livre); publicado pela Editora da Universidade de Illinois em 2022.

Amelia Glaser é professora de literatura russa e literatura comparada na UC San Diego. Seus interesses de pesquisa e ensino incluem literatura e cinema russos, literatura judaica transnacional, literaturas da Ucrânia, literatura de imigração para os EUA, a tradição crítica russa e teoria e prática de tradução. Atualmente, ela está escrevendo sobre poesia na Ucrânia contemporânea.

>> Assista aqui: 

https://www.youtube.com/watch?app=desktop&v=Z2A6Ft9Vcd0&feature=youtu.be

Tradução > anarcademia

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/08/20/franca-lancamento-anarquistas-e-judeus-anarquismo-antissemitismo-antissionismo-de-pierre-sommermeyer/

agência de notícias anarq1uistas-ana

Brisa de outono
Como flechas de sombras
Os pássaros voltam.

Jorge Lescano

[País Basco] Volta a Feira do Livro Anarquista à Bilbao

  • Em 25 e 26 de maio, o parque do Arenal acolherá a XVIII Feira
  • Serão organizadas apresentações de livros, palestras, oficiais… “com o objetivo de que pessoas de qualquer idade possam participar na cultura libertária“, assinalam as organizadoras.

A cultura libertária volta a tomar o parque do Arenal, em Bilbao. Celebra-se no fim de semana de 25 e 26 de maio.

Os horários de abertura ao público serão das 11h00 às 22h00 no sábado, e das 11h00 às 15h00 no domingo. As editoras e distribuidoras que participarão na Feira do Livro Anarquista são: Mujeres Libres, Piedra Papel Livros, Fundación Anselmo Lorenzo, Ateneo Lagun, DDT Banaketak, Ekintza Zuzena, Virus Editorial, Irrecuperables, Txarraska, Lura Banaketak, Pikara Magazine e Fuera de Orden, entre outras.

Durante toda a Feira, estará a exposição: “O anarquismo Basco e seus protagonistas: história geral e biografias de Casilda, Felix Padin e Isaac Puente“.

As outras atividades são as seguintes:

Sábado 25 de Maio

11h30 – “Nova Economia”: socialismo libertário a eraikitzen (1936-1939). A Fundação Anselmo Lorenzo vai publicar brevemente o Livro de Miguel G. Gómez “La CNT y la Nueva Economía. Del colectivismo a la planificación de la economía confederal (1936-1939)“. Para introduzir os temas do livro, Endika Alabort, membro do ICEA, oferecerá um colóquio a respeito, em euskera.

13h00 – Apresentação do Livro “Moldeadoras de las idea. Mujeres en la cultura impresa anarquista“. Esta exposição e catálogo surgem de um congresso realizado em Madrid em março de 2024, cujo foco esteve posto nas editoras e tradutoras anarquistas. Graças aos trabalhos das e dos investigadores que se interessam por estes temas e ao rico fundo documental da Fundação Anselmo Lorenzo, pudemos ampliar o olhar para todas os outros trabalhos que fazem a cultura impressa. As mulheres anarquistas participaram desta cultura nas primeiras páginas e nas capas dos livros, mas também nas revisões e nas imprensas, e nas ruas, distribuindo publicações ou comprando assinaturas. Em todos os lados era necessário implicar-se. Por isso se faz necessário resgatar não somente a dimensão do trabalho intelectual, esse que muitas vezes aparece assinado, mas também o trabalho invisibilizado de datilógrafas, digitadores, empacotadoras, corretoras, manutenção, tipografas, entre outras. Daí o título Modeladoras da Ideia, para incluir a todas aquelas que levaram a letra de molde às ideias da emancipação, da fraternidade e da igualdade, de quem imaginou um mundo absolutamente diferente do que conheciam. Apresentará o livro Sònia Turón, presidenta da FAL.

18h00 – “O patrocínio da mulher”. A jornalista Andrea Momoitio, ex-coordenadora de Pikara Magazine, descobriu o Patrocínio da Proteção à Mulher quando investigava sobre a história de María Isabel e sua morte no cárcere de Basauri, que desencadeou uma greve de prostitutas em Bilbao. María Isabel havia passado por esta instituição franquista, o Patrocínio, um mecanismo da ditadura para exercer um férreo controle patriarcal sobre as mulheres que desafiavam o modelo de “boa mulher”. Desde então Momoitio se obcecou com esta instituição e em 2024 coordenou um especial sobre o tema para o diário Público.

21h00 – Teatro. 43º13’44”Não é o resultado do processo de busca da autora na memória familiar e coletiva. É uma história encontrada de caminho a outro lugar, onde os mecanismos da imaginação conseguem preencher vazios que a memória não tem. São as fotos que não tivemos tempo de fazer, os barcos que não tivemos tempo de colher ou as balas que jamais tivemos tempo de tirar. Um diário de bordo em forma de performance e teatro documento. De biografia política.

Domingo 26 de Maio

10h00-14h00 – Oficina de escrita criativa. Na oficina de escrita criativa exploraremos técnicas de desbloqueio a partir do jogo e da abordagem de obstáculos e condicionantes que ativam a escrita. Inspirando-nos nos procedimentos da OULIPO (Ouvroir de littérature potentielle) experimentaremos com a escritura tanto individual como coletiva. Prévia inscrição mediante o QR que vem no cartaz. Distribuído por Alejandra Marquerie.

cnt-sindikatua.org

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

no alto da árvore
se ouve zum-zum
é a abelha a voar

Daniela Rissi Campos, 13 anos

[Espanha] Redes Libertárias se apresenta na Biblioteca libertária Ferrer i Guardia

Na tarde de quinta-feira, 16 de maio, Jacinto Ceacero e Viki Criado apresentaram a revista libertária “Redes Libertárias” na Biblioteca libertária Ferrer y Guardia da CGT Valência.

A Biblioteca libertária Ferrer y Guardia da CGT Valência foi o lugar escolhido para fechar o ciclo de apresentações da nova revista Redes Libertárias, que com seu subtítulo “Tecendo redes de afinidade no movimento libertário” mostra quais são as intenções do coletivo de afinidade que no final de 2023 lançou o número zero desta nova publicação anarquista. Jacinto Ceacero e Viki Criado foram os encarregados de realizar esta apresentação na qual explicaram as linhas mestras da revista.

Jacinto Ceacero começou explicando a necessidade de que o movimento libertário conte com seus próprios meios da mesma forma que o fazem outras linhas de pensamento e definiu a Redes Libertárias como uma “revista de pensamento e cultura”. Conta Ceacero que pretendem difundir a ideologia anarquista “através do ensaio, da exposição propositiva da ideia do anarquismo, mas também através da cultura, da poesia, da expressão gráfica, da novela gráfica com as quais sem dúvida chegamos tanto ou mais para poder difundir nossa proposta”.

O projeto que está sendo gestado desde 2022 consiste em uma revista em papel que sairá a cada 6 meses e uma web na qual os membros do coletivo e colaboradores atualizam o conteúdo de forma periódica. Viki Criado começou sua exposição fazendo referência ao conceito de rede e as vantagens que oferece para “trabalhar e crescer de forma horizontal e não hierárquica”. Criado também realizou uma revisão das diferentes seções da publicação (Conjunturas, Cultura, Feminismos, Genealogia, Pensamento, Redes planetárias e Resenhas), e as pessoas do coletivo (Charo Arroyo, Álvaro Carvajal Castro, Jacinto Ceacero Cubillo, Diana Cordero , Viki Criado, Félix García Moriyón, Sandra Iriarte, Paco Marcellán, José Manuel F. Mora, José Luis Terrón Blanco e Laura Vicente) que se encarregarão delas.

Durante a exposição tanto Jacinto Ceacero, como Viki Criado, quiseram incidir na “independência de qualquer organização” desta revista que lhes permite desenvolver seu projeto com total liberdade. Para finalizar a apresentação se entabulou uma conversa com os participantes na Ferrer y Guardia na qual destacou a necessidade de responder aos falsos mitos sobre o caráter violento do anarquismo e a necessidade de fazer frente aos valores autoritários e intransigentes que impregnam a sociedade simulando que a única saída possível deve basear-se no apoio mútuo, na solidariedade e na ação direta bem entendida.

Fonte: https://redeslibertarias.com/2024/05/21/redes-libertarias-se-presenta-en-la-biblioteca-libertaria-ferrer-i-guardia/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

No coração da noite
gemidos & sussurros
humanizando os postes.

Simão Pessoa

[Chile] Companheiro Mauricio Morales Presente em cada ação rebelde!

Desde a 5ª região…

Convocamos todas as coletividades anarquistas a continuar saindo às ruas, como fizemos neste 22 de maio “Dia do Kaos”, onde comemoramos mais um ano da queda em combate de Mauricio Morales.

Acreditamos que qualquer ação, por menor que seja, serve como uma resposta ativa ao sistema de subjugação e miséria que o capital e todas as suas redes, como o Banco de Luksic ($hile), nos conduzem.

Companheiro Mauricio Morales Presente em cada ação rebelde!

Mônica e Francisco para as ruas!

AnarkoPikete

(Killota)

Fonte: Buskando La Kalle

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/05/21/chile-15-anos-da-morte-em-acao-do-companheiro-mauricio-morales/

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Ah, como é bonita!
Pela porta esburacada
surge a Via Láctea.

Kobayashi Issa

[São Paulo-SP] Festa de aniversário da Biblioteca Terra Livre

Se eu não puder dançar, essa não é minha Revolução“, Emma Goldman.

Esse ano a Biblioteca Terra Livre completa 15 anos de existência, e não podia faltar uma festa para confraternizar entre companheiros e companheiras, amigos e amigas e juntar todas as pessoas que lutam pela bela causa da Anarquia!

Para co-memorar (ou seja, criar memórias juntos), faremos um evento com a Ocupação Aqualtune no dia 1º de junho.

A programação será a seguinte:

13h – Almoço

15h – Roda de conversa: 15 anos de Biblioteca Terra Livre

17h – Atividade musical: Ktarse

Além das atividades programadas, haverá uma banca com livros anarquista e artesanatos produzidos pelos moradores da ocupação.

Contamos com sua presença!

Biblioteca Terra Livre

bibliotecaterralivre.noblogs.org

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Entre as antenas
E as casas todas iguais –
Quaresmeiras!

Paulo Franchetti

Irã executou 25 prisioneiros curdos em 18 dias

 Desde o início de maio de 2024, pelo menos 25 prisioneiros curdos foram executados nas prisões da República Islâmica do Irã. Isto eleva para 72 o número total de prisioneiros curdos executados desde o início de 2024, ou 31% de todas as execuções no Irã.

De acordo com estatísticas compiladas no Centro de Estatísticas e Documentos de Hengaw, nos últimos 18 dias, de 1 a 18 de maio, pelo menos 25 curdos foram executados em várias prisões em todo o Irã.

Incluindo estes casos recentes, o número total de prisioneiros curdos executados nas prisões iranianas desde o início de 2024 atingiu 72. Este número representa 31% dos 233 prisioneiros executados no Irã durante este período.

Dos 25 prisioneiros executados nos últimos 18 dias, 2 foram acusados ​​de atividades religiosas, 5 de homicídio premeditado e 18 de crimes relacionados com drogas. Estas pessoas foram condenadas à morte pelo sistema judicial da República Islâmica do Irã.

Nos últimos 18 dias, o maior número de execuções de prisioneiros curdos ocorreu na Prisão Central de Urmia (Prisão de Darya), totalizando 9 casos. Em seguida vem a prisão Ghezel Hesar em Karaj, com sete casos. Além disso, 2 prisioneiros curdos foram executados em cada uma das prisões de Kermanshah, Ilam e Selmas, e 1 caso em cada uma das prisões de Miandoab, Shiraz e Isfahan.

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Imenso jardim,
e sobre flores diversas
enxame de abelhas…

Analice Feitoza de Lima

[Argentina] Uns tangos de hoje em defesa do conceito de liberdade

O Quinteto Negro La Boca (QNLB) apresentará seu novo álbum Cicatrices no Club Atlético Fernández Fierro (CAFF) nesta quinta-feira, dia 23, com seu tango rebelde que encontra uma diversidade de estilos como Rock, Punk, Ska e até mesmo a música urbana atual. Em uma conversa com Pablo Bernaba, bandoneonista e compositor, e Gastón Ruiz, guitarrista da banda, falamos sobre o processo de criação do álbum (iniciado durante a pandemia), suas interpretações do tango atual e como a banda, que apresentou um álbum chamado Tangos Libertarios com letras de Osvaldo Bayer, está passando por esse momento em que a ideia de liberdade e o conceito “libertário” estão sendo profanados. Eles também antecipam um pouco do que apresentarão ao vivo nesta semana. Por Ramiro Giganti (ANRed).

Originalmente planejada para 6 de abril, a apresentação do novo trabalho do QNLB no CAFF finalmente acontecerá nesta quinta-feira. Em uma conjuntura difícil, um novo trabalho conseguiu ser lançado no ano passado, passando por adversidades, mas também saboreando momentos de reconhecimento após o esforço.

“Eu não vim a este mundo para quebrar minha alma…”

“O processo de criação do álbum começou na pandemia em 2020, naquele processo muito difícil para todos. Começamos a nos reunir aos poucos, sem pensar em um álbum ainda, começamos a montar e no meu caso, como compositor, comecei a compor. Ai Ferri Corti foi a primeira música que compus em pandemia. Foi quando pedi a Gustavo López, o “líder não registrado” do grupo que autogestiona o Salón Pueyrredón, que também é um amigo, para escrever a letra, e foi aí que surgiu a primeira composição e o primeiro corte do álbum”, diz Pablo Bernaba sobre o início da criação de Cicatrices, seu último álbum.

Ai Ferri Corti é uma frase italiana de difícil tradução, que implica um rompimento abrupto e violento com algo ou alguém. A expressão deu seu nome a um manifesto subversivo anônimo publicado originalmente em italiano em 1988 e que tinha uma tradução em espanhol intitulada “cuerpo a cuerpo”, algo como “mano a mano” na gíria crioula.

“Depois começaram os ensaios e começamos a dar forma e começou a surgir o Hino às Greves da Patagônia, que foi em 2020 e era o centenário da primeira greve, então estávamos trabalhando no concerto, que devido à pandemia não foi realizado naquele ano, mas no ano seguinte, mas depois começaram a surgir outras ideias”, acrescenta Bernaba.

“A primeira ideia foi lançá-lo com singles, que começamos a gravar em 2021, e em 2022 foram lançadas as duas primeiras faixas Ai Ferri Corti e Oda a las huelgas patagónicas. Em 2023, saiu Que te vomite dios e, quando o álbum estava prestes a ser lançado, lançamos Cicatrices“, conclui.

Em 22 de março, por ocasião de um novo aniversário do golpe de 76, a banda lançou o vídeo de Cicatrices.

Piazzolla e depois

Com 15 anos de história, o QNLB é uma das bandas de referência do que hoje se costuma chamar de Tango Siglo XXI. Seja pela rebeldia que também permeou o tango jovem em um século que Buenos Aires recebeu em chamas, seja pela diversidade de estilos que também está presente em parte do tango atual: um gênero que nasceu do encontro de diversas culturas migrantes e sua relação com o crioulo.

“O tango do século XXI é muito heterogêneo. Há muitos aspectos diferentes acontecendo. Bem, como também está acontecendo no rock, que eu vejo um pouco de fora, mas vejo que está acontecendo. Há grupos que são mais comprometidos politicamente, com mais tensão política, outros que não estão nem um pouco interessados nisso. Outros que, no tango, há muito revisionismo, então ele faz uma cover, então, por exemplo, há aqueles que estão procurando fazer algo semelhante a Darienzo, não como uma ferramenta estética. Há muitos que estão focados na milonga e nesses tipos de trabalho.  Mas também há outro tango que é mais parecido com o que propomos, embora também haja diferenças estéticas: há propostas mais atonais, outras mais clássicas, outras que cruzam com outros gêneros, como no nosso caso. Há diferentes aspectos, claro que com diferentes formações. O tango eletrônico teve um peso específico no século XXI, há alguns anos com projeção, embora depois tenha estagnado um pouco. É muito heterogêneo o desenvolvimento de toda essa etapa “pós-piazzolista”, se tivéssemos que caracterizá-la historicamente”, explica Pablo Bernaba.

“O que aconteceu é que o Tango del Siglo XXI nasceu rebelde. Estávamos vindo de uma época em que muitas coisas históricas estavam acontecendo, política, social e culturalmente também. A música rock teve muita influência no novo tango e isso tem sua parcela de rebeldia, de contestação. A juventude que tomou conta do tango também tem isso. Ele faz parte da vida. Então é daí que ele vem. Também se refere muito a uma Buenos Aires de hoje, diferente talvez daquela de cem anos atrás, e por isso engloba essa rebeldia e a inclusão que o tango é hoje e nas milongas e o código que ele maneja hoje”, acrescenta Gastón Ruiz, guitarrista da banda.

Contra o engaapichanga de hoje: a profanação da palavra “libertário”

O QNLB tem um forte cunho libertário. No sentido original da palavra. Recuperando as milongas anarquistas do passado, a banda trabalhou em estreita colaboração com o eterno Osvaldo Bayer, que assinou vários dos “tangos libertários” que a banda compôs e executa, de Severino a Las putas de San Julián. Enquanto o presidente, que se autodenomina libertário, estava na Espanha reunido com os franquistas do Vox, o QNLB se mantém firme em sua ideia de liberdade, muito diferente daquela imposta pela força há pouco tempo.

“Em relação ao libertarianismo, ainda esta semana eu estava em uma apresentação de um documentário sobre Bayer com entrevistas com ele. E ele estava justamente falando sobre a apropriação do termo “liberdade” ou “liberal”, que era o caso na época, dos setores de direita, quando liberal tinha um sentido progressista… estamos falando do final do século XIX e início do século XX. E bem, como eles se apropriaram desse termo “liberal” ou “liberdade” e bem, nesse caso corresponde à mesma coisa: a apropriação por setores mais à direita de termos que têm a ver com algo ligado à liberdade em geral, ao conceito de liberdade, mas bem, no final é um truque e o que eles buscam é a liberdade do mercado e de quem pode ter o poder econômico dessa liberdade, incluindo a liberdade de possuir escravos, na época. Mas bem, isso faz parte do mesmo sistema perverso de apropriação de valores éticos e morais, já que não podem oferecer outros, oferecem valores ancorados em uma mentira e principalmente na profanação do termo liberdade”, comenta Pablo Bernaba.

“E quanto à palavra ‘libertário’, toda vez que tocamos as músicas, esclarecemos isso. Por exemplo, em Severino, que menciona a palavra libertário: uma música que Osvaldo escreveu a letra e eu escrevi a música, a milonga, diz “Severino libertario, dinamita y corazón” (Severino libertário, dinamite e coração), e às vezes eu a esclarecia. E muitas vezes esclarecemos o libertário e a diferença, pelo menos do nosso ponto de vista. E a verdade é que isso sempre nos colocou na encruzilhada de ter que esclarecer isso”, acrescenta.

“Cada um faz o que quiser com suas palavras, mas acho que o QNLB sempre teve uma postura política muito firme, presente dentro e fora do palco. Sempre há piadas sobre o fato de ter um álbum com um nome libertário, o que hoje parece estranho. Pablo nos contou a história de que nesse ele venceu o argumento de Osvaldo de que a palavra libertário soa melhor do que anarquista… a palavra funcionou, mas o plano foi vencido por Milei, mas a postura do Quinteto é sempre muito acompanhada por suas músicas e suas ações, então isso está mais do que claro. O importante é continuar fazendo as coisas e é isso que estamos fazendo”, conclui Gastón Ruiz.

A data esperada…

“Estamos realmente ansiosos por isso. É uma data que tínhamos em abril e que acabou sendo adiada para 23 de maio. Finalmente vamos apresentar esse álbum com indicações para o Gardel. É o nosso sexto álbum. É um álbum que nos é muito querido e que exigiu muito trabalho para ser feito: muito trabalho e nesses tempos econômicos muito difíceis, e finalmente conseguimos dar à luz a ele. Vamos apresentá-lo com uma performance, com um formato elétrico, com Ernesto Zeppa na bateria, Maylen Otero no saxofone, e com citações, também haverá um set acústico, com músicas do álbum, mas também com músicas que fazem parte do nosso trabalho libertário com o Bayer, e cruzamentos com alguns grupos como o 2 minutos, que estará lá como sempre. Portanto, será um show muito poderoso e convidamos todos a virem e ouvirem Cicatrices na quinta-feira, dia 23″.

Gastón Ruiz acrescenta: “nesta quinta-feira, no CAFF, teremos um grande encontro com o Quinteto, com convidados. Com músicas novas. Estamos realmente ansiosos por isso. É um show rebelde, acho que o Quinteto Negro de La Boca é um dos grupos mais rebeldes do tango. E essa força, essa energia será experimentada ao vivo no CAFF”.

Não vamos falar sobre o que pode acontecer alguns dias depois, em uma nova cerimônia de premiação da música argentina que tem o Quinteto Negro como indicado duas vezes. Apenas para reiterar que o QNLB estará se apresentando nesta quinta-feira, 23 de maio, às 21 horas, no Club Atlético Fernández Fierro – CAFF.

Lá, no CAFF, na lateral do bar, na parede, o rosto sorridente de Pugliese dizendo “putes” estará olhando de lado para o palco. Não há muito mais a acrescentar: Pugliese e ANRed estão fazendo sua parte para garantir que o sucesso acompanhe a banda nessa apresentação e nas próximas… o resto serão apenas questões burocráticas.

Os integrantes do QNLB são: Brisa Videla (vocal) / Guillermo Borghi (piano) / Pablo Bernaba (bandoneón e coro) / Gastón Ruiz (guitarra) / Oscar Pittana (baixo).

Fonte: https://www.anred.org/2024/05/20/unos-tangos-de-hoy-en-defensa-del-concepto-libertad/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=unos-tangos-de-hoy-en-defensa-del-concepto-libertad

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agência de notícias anarquistas-ana

Bailando ao vento
margaridas nos contemplam
e se tornam haicais.

Franciela Silva

A guerra, como sempre, é a saúde do Estado!

Uma organização chamada IISS (Instituto Internacional de Estudos Estratégicos) compila e anualmente publica os dados referentes aos gastos militares dos diversos Estados pelo mundo.

Dessa forma, segundo informado amplamente pela imprensa burguesa, os gastos mundiais em defesa, em 2023, alcançaram cifras de US$ 2,2 trilhões, um aumento de aproximadamente 9% em relação ao ano anterior.

Na formulação do ranking de países, ordenando os gastos militares de 2023 por US$ bi temos aqui os 15 primeiros:

1- EUA (905,5)

2- China (219,5)

3- Rússia (108,5)

4 – Índia (73,6)

5 – Reino Unido (73,5)

6- Arábia Saudita (69,1)

7- Alemanha (63,7)

8- França (60)

9- Japão (49)

10- Coreia do Sul (43,8)

11- Austrália (34,4)

12- Itália (32,7)

13- Ucrânia (31,1)

14- Brasil (24,2)

15- Canadá (24,2)

Percebe-se, sem grandes surpresas, que EUA, China e Rússia (envolta na guerra de invasão contra a Ucrânia), ocupam as primeiras posições neste rol da vergonha.

Fato que merece registro é o Brasil, de Lula, ocupando a 14ª colocação, com um valor de 24,2 bilhões de dólares americanos – ou mais de 121 bilhões de reais, na cotação atual – onde grande parte de seu orçamento é gasto com despesas de pessoal, ou seja, para o pagamento dos militares ativos, inativos e pensionistas.

Não esqueçamos ainda que o blindado caça-tanques Centauro II, conforme notícias recentes, chegará ao Brasil nos próximos meses. A aquisição ultrapassou os 5 bilhões de reais e uma nova compra, segundo o governo, pode ser viabilizada para breve.

Ou seja, enquanto cifras astronômicas são empregadas na guerra ou na preparação para ela, a massa explorada e miserável neste país tenta sobreviver com as migalhas de uma existência indigna.

Sem qualquer surpresa para nós anarquistas, isto demonstra que a sanguinolenta estrutura estatal, hoje ocupada pelo Partido do Trabalhadores, Lula e toda a composição de poder que os mantém, apenas servem aos objetivos do Capital e, consequentemente, das classes dominantes, ao passo que advogam abertamente pela violência, guerra e morte, não havendo, portanto, qualquer tipo de coincidência entre os interesses destes e dos oprimidos e oprimidas.

Combater o Estado, os Partidos Políticos, o Capitalismo e a Guerra, de outro lado, são os caminhos para nossa libertação e para que a paz seja uma realidade e não apenas um discurso empregado convenientemente!

A GUERRA É A SAÚDE DO ESTADO!

PAZ ENTRE NÓS, GUERRA AOS SENHORES!

DESTRUAMOS O CAPITALISMO E O ESTADO!

PELA ANARQUIA!

Maio de 2024.

Federação Anarquista Capixaba (FACA)

federacaocapixaba.noblogs.org

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agência de notícias anarquistas-ana

Vamo-nos, vejamos
a neve caindo
de fadiga.

Matsuo Bashô

[Espanha] Novo projeto: “El Cocedero”, apresentação em 24 de maio

“EL COCEDERO”… apresentação de uma variedade de cardápios muito enriquecedores, venha para o bufê livre e coma bem para crescer saudável e forte. Somente a polícia acredita que os livros mordem e que o conhecimento é maligno e subversivo.

Contra a cultura que oprime, a cultura que liberta

Um grupo de pessoas está lançando um novo projeto. No dia 24 de maio, às 19 horas, em Tirso de Molina 5, 6º andar à direita, gostaríamos de apresentar…

“El COCEDERO”, onde cozinharemos ideias e atividades que alimentam nosso cérebro e ativam as lutas…

Em nosso caldeirão, vamos cozinhar cultura da forma mais livre possível. Voos para Marte ou museus, exibição de documentários e filmes, apresentação de livros, debates e palestras…

Contato para ajuda e participação: elcocedero@riseup.net

Saúde e Anarquia

sovmadrid.org

agência de notícias anarquistas-ana

quantos pirilampos
posso contar esta noite?
caminho enluarado

José Marins

[São Paulo-SP] 1ª Feira Cultural Anarquista Kaos Social no Bloco do Beco: Um Dia Inteiro de Expressão e Resistência

O Bloco do Beco, uma associação cultural localizada no coração do Jardim Ibirapuera, zona sul de São Paulo, será o palco da 1ª Feira Kaos Social no dia 01/06/24. Este evento é uma iniciativa da Kaos Punks e tem o objetivo de unir punks, anarquistas, artistas, rappers e a comunidade por ideais comuns e pela experiência compartilhada de marginalização. A feira é aberta a todos que desejam vivenciar as diversas facetas da expressão anarquista.

Localização:

Bloco do Beco

Rua Salgueiro do Campo, 383

Jardim Ibirapuera, São Paulo – SP

Programação do Evento:

  • 14h00 – Abertura da feira com uma exposição que apresenta as obras de artistas autônomos e suburbanos, destacando a arte marginal em suas várias formas.
  • 15h00 às 15h20 – Exibição de um documentário que desafia o espectador a refletir sobre temas pertinentes ao anarquismo.
  • 15h30 às 16h00 – Uma roda de conversa proporcionará um espaço para trocas de ideias e experiências, fortalecendo os laços entre os presentes.
  • 17h00 – Aliados JSL trazem sua música que ecoa com mensagens de luta e companheirismo.
  • 18h30 – Mijo de Gato promete uma atuação enérgica, com letras que questionam e provocam.
  • 20h00 – Guerrilha Republik apresentará seu hip-hop consciente, com ritmos que inspiram a reflexão e a ação.
  • 21h00 – Distravaätrava fechará o evento com seu hardcore inconfundível
  • 22h00 – Encerramento da feira, mas o espírito de resistência e expressão continuará a reverberar.

Este evento não é apenas uma mostra de talentos, mas uma afirmação da identidade e da solidariedade.

Convidamos todos a se juntarem a nós para um dia que promete ser memorável.

Para mais informações, entre em contato com qualquer integrante da Kaos Punks pelas redes sociais.

agência de notícias anarquistas-ana

Sobre os meus pés
Caem reluzentes
As últimas faíscas do sol.

Leandro Feitosa Andrade

[República Tcheca] Manifestação contra as guerras capitalistas e a paz capitalista

O coletivo que organiza a Semana de Ação de Maio em Praga apela a uma manifestação contra a guerra na sexta-feira, 24 de Maio de 2024, às 17h00, na Praça Palacký.

A guerra é um fenômeno que não é apenas teórico, mas tem também um impacto muito real na vida de todos. Na ordem social atual, não existe uma linha divisória entre a vida em guerra e a vida em paz. Estamos todos em guerra. Apenas as formas como a realidade da guerra nos afetam diferem. Alguns vivem na retaguarda, em cidades bombardeadas, outros são enviados para a frente para servirem de carne para canhão, e outros ainda são obrigados a vender a sua força de trabalho, que mantém as rodas da economia de guerra a girar. Todos nós somos também alvo de propaganda de guerra destinada a encorajar-nos a participar numa ou noutra forma de guerra. Por último, somos todos doutrinados com o pretenso dever de nos sacrificarmos na guerra para o bem do país, da nação, do povo, da economia, da democracia, da religião…

Quer vivamos em Kharkov, em Praga, em Telavive, em Madrid, em Gaza, em Moscou, em Budapeste, em Zagreb, em Roma, em Berlim ou em qualquer outra parte do mundo, nenhum de nós vive fora do contexto da guerra. É, portanto, a partir desta posição que nos devemos opor à guerra. Temos de agir como uma força coletiva internacional que sente o impacto da guerra, mas que também tem os meios para a travar.

Mas não queremos reunir-nos para fazer exigências aos políticos, aos seus partidos e às suas instituições. Sabemos muito bem que todos eles são parte do problema e que nenhuma solução pode vir deles.

Não queremos tentar aproximar-nos das fracções “progressistas” ou democráticas da burguesia, porque sabemos que são os capitalistas que começam as guerras e são eles que lucram com elas.

Não queremos apelar a um melhor apetrechamento do exército deste ou daquele Estado, em nome do apoio ao “mal menor”, porque a história ensinou-nos que os conflitos se atenuam subvertendo a máquina de guerra e não alimentando-a.

Não queremos apelar à paz no capitalismo, porque sabemos que a paz capitalista é apenas uma preparação para outras guerras, ainda mais destrutivas do que as anteriores.

Queremos reunir-nos para que as vozes dos mais afetados pela guerra possam ser ouvidas. Queremos que o encontro físico sirva como um fórum e uma ferramenta organizacional para fortalecer a comunidade confrontada não só com as guerras, mas também com as suas causas: o capitalismo, os seus estados e as suas ideologias. Queremos ajudar a organizar a resistência contra elas.

As guerras são um fenómeno mundial ao qual respondemos com uma mobilização internacional. Não nos limitamos a nenhuma região ou língua, pelo que a manifestação contará com vozes em tcheco, inglês, alemão, russo, ucraniano e possivelmente noutras línguas, que poderemos utilizar para articular as nossas posições e defender uma ação coletiva contra a guerra.

  • Sexta-feira, 24 de Maio de 2024
  • Praga – Palackého náměstí (perto da estação de metrô Karlovo náměstí)

actionweek.noblogs.org

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Silêncio:
cigarras escutam
o canto das rochas

Matsuo Bashô

[Espanha] As “Mujeres Libres” se instalam na Ca Revolta

Organizada pela Fundação Anselmo Lorenzo e pela CNT, a exposição ficará em cartaz na Ca Revolta de 21 de maio a 2 de junho, com entrada franca.

Recuperar a história das Mujeres Libres como “precursoras de um novo mundo”. Esse é o objetivo da exposição que chega a Valência com o mesmo nome pela mão da CNT; uma exposição que inclui painéis informativos, fotografias, arquivos de som e material audiovisual para que os cidadãos descubram essa organização feminista.

Mujeres Libres foi um grupo de mulheres que nasceu dentro do movimento libertário em 1936 com o objetivo de unir as mulheres da classe trabalhadora para lutar por sua emancipação. Organizada pela Fundação Anselmo Lorenzo e pela CNT, essa exposição itinerante tem como objetivo evitar que os esforços das mais de 20.000 mulheres que fizeram parte do grupo caiam no esquecimento e garantir que sua luta seja reconhecida como merece.

Especificamente, as Mujeres Libres surgiram meses antes da Guerra Civil para pôr fim ao que consideravam uma “tripla escravidão”, pois eram submetidas como “produtoras, mulheres e objetos”. Elas escolheram a cultura como ferramenta de transformação e, por isso, organizaram muitas atividades, como cursos de alfabetização e encontros literários, além de promoverem a formação profissional e a educação sexual.

A exposição “Mujeres Libres (1936-1939): precursoras de um novo mundo” oferece uma visão sobre seus primórdios, suas ações e suas demandas com o objetivo de alcançar a igualdade real por meio das mudanças econômicas, políticas e sociais promulgadas pelo anarquismo. Além disso, com a eclosão da guerra, elas também concentraram seus esforços na promoção da participação ativa das mulheres na luta contra o fascismo.

Fonte: https://valenciaplaza.com/las-mujeres-libres-se-instalan-en-ca-revolta

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No campo queimado
ainda uma leve fumaça
Tronco resistindo

Eunice Arruda

Avançar na greve com combatividade e disposição para a luta!

Desde o dia 11 de março, os trabalhadores Técnicos Administrativos em Educação (TAEs) das universidades e institutos federais estão em greve por melhores salários, condições de trabalho e contra o sucateamento das universidades e institutos federais.

Os TAEs são a maior parte dos servidores federais e representam quase 20% da força de trabalho, somando cerca de 200 mil trabalhadores entre ativos e aposentados, porém recebem os piores salários.

GREVE DA EDUCAÇÃO PARA AVANÇAR NAS DEMANDAS E BARRAR A PRECARIZAÇÃO!

Se somando aos trabalhadores técnicos, professores e estudantes de dezenas de universidades e institutos federais também aderiram à greve no mês de abril. Assim, unificando e fortalecendo a luta da educação.

Radicalizar para mudar

Mesmo diante de uma greve inédita, que já afeta ao menos 47 instituições federais de ensino em todas as regiões do país, o governo Lula (PT) ainda se nega a pagar melhores salários e aumentar a verba pública para o ensino federal. Até o momento, só apresentou propostas rebaixadas e inaceitáveis.

Com o avançar da greve e a enrolação do governo petista, que em nenhum momento se compromete em revogar as políticas de destruição da Educação Pública que herdou de Temer e Bolsonaro, uma das exigências do movimento grevista, se faz necessária a radicalização da luta. Cabe ao povo organizar assembleias, protestos, ocupações, piquetes e aumentar a pressão.

O descaso do governo federal só mostra que será preciso muito mais para que o movimento grevista alcance a vitória. Sem radicalização, sem sindicatos combativos, trabalhadores e movimentos estudantis fortes, a greve corre o risco de acabar sem conquistas relevantes. Se não gritar, o governo não escuta!

A greve de 1917 como exemplo

A greve dos operários em 1917, com forte influência anarquista, foi fundamental para a conquista de direitos trabalhistas básicos, como a jornada de 8 horas, proibição do trabalho infantil, descanso semanal remunerado, licença-maternidade, aposentadoria e férias remuneradas.

À época, milhares de operários grevistas paralisaram os locais de trabalho, fizeram assembleias populares e foram para cima dos patrões com piquetes e ações diretas, como o roubo de farinha das fábricas que enriqueciam às custas do sangue e suor da classe trabalhadora e de seus filhos.

Dezenas deles morreram em embates sangrentos, outros tantos foram duramente perseguidos, mas radicalizando a luta e enfrentando o braço armado e a repressão do Estado, conquistaram direitos históricos.

Que a história escrita em 1917 sirva de inspiração aos trabalhadores e estudantes que estão em greve hoje. Não há conquista sem enfrentamento, não há vitória sem luta!

cabanarquista.org

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A chuva passou.
A noite um instante volta
A ser fim-de-tarde.

Paulo Franchetti

[Ucrânia] Em Odessa, a extrema direita tentou atrapalhar a apresentação da revista sindical estudantil, mas os anarquistas barraram

19 de maio em Odessa na biblioteca que leva seu nome. Grushevsky fez uma apresentação da revista sindical estudantil “Ação Direta”. O evento contou com a presença de cerca de 40 pessoas – estudantes secundaristas, universitários, além de participantes das iniciativas anarquistas “Ecoplataforma” e “Coletivos Solidários”.

Membros de extrema direita das organizações “Ordem” e “USGD” mascarados invadiram a sala, empurraram um funcionário da biblioteca, e tentaram roubar e queimar um livro e espalharam spray de gás na frente de um ativista do “Coletivos Solidários” e dois fachas lutaram contra os caras da “Ecoplataforma” que estavam em reabilitação após serem feridos. No entanto, depois que tiros de festim foram disparados para o ar por um dos anarquistas, trastes da extrema direita se assustaram e fugiram.

O anarquista que disparou para o ar foi detido durante a noite, mas posteriormente libertado sem consequências.

>> Vídeo curto aqui: https://t.me/ecoplatform/2516?single

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Folhas do ciclame
ao vento pra lá e pra cá –
um coração pulsa.

Anibal Beça