[Itália] Convenção da FAI: “Solidariedade com os anarquistas sudaneses”

A convenção da Federação Anarquista Italiana (FAI) em Empoli conclama as organizações federadas a se engajarem na arrecadação de fundos para os anarquistas sudaneses e anarquistas vítimas de guerra e repressão.

A situação no Sudão está se precipitando. Até o momento, todas as tentativas de mediação para interromper as hostilidades entre os dois generais, Mohamed Hamdan Dagalo “Hemetti”, líder das Forças de Apoio Rápido (RSF), os antigos Janjaweed, e o presidente de fato e chefe do exército, Abdel Fattah Abdelrahman al-Burhan, fracassaram.

Em doze meses de luta pelo poder, quase 16.000 pessoas morreram – um número certamente subestimado devido à dificuldade de coletar dados precisos em tempo real – enquanto o número de pessoas deslocadas ultrapassa 9 milhões. Os refugiados, aqueles que buscaram proteção nos países vizinhos, somam cerca de 1.500.000.

Vários atores internacionais estão ativos no cenário sudanês. Entre eles, a Itália, que, antes do conflito, fez acordos com Hemetti para controlar os fluxos migratórios, oferecendo assistência e treinamento aos homens da RSF.

O silêncio da mídia e dos ativistas em torno do Sudão está permitindo que os soldados de ambos os lados cometam genocídio impunemente. Nesse cenário, os Comitês Revolucionários, dos quais nossos companheiros anarquistas participam, estão tentando manter suas atividades, mas isso está se tornando cada vez mais difícil à medida que a violência aumenta entre os dois lados do conflito.

Em um ano de guerra civil, esses companheiros, opositores do regime anterior e dos dois senhores da guerra que disputam o país, realizaram inúmeras iniciativas de luta e solidariedade com o povo exausto pela guerra. Hoje eles estão sofrendo uma repressão muito severa. Alguns foram presos e torturados. A companheira Sarah foi estuprada e assassinada (fonte: CNT-AIT Toulouse).

Nossos companheiros no Sudão precisam urgentemente de ajuda. Como Federação, só podemos dar todo o nosso apoio e solidariedade. Para contribuir, envie o que você coletou para a conta iban IT97B3608105138200363100368 em nome de Gianmaria Valent até 15 de junho, com o motivo do pagamento “pró-anarquistas do Sudão”.

Fonte: https://umanitanova.org/27695-2

Tradução > Liberto

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neve profunda –
as pegadas do gato
cada vez maiores

Ion Codrescu

[Porto Alegre-RG] FAG: Serginho Presente!

A FAG expressa solidariedade aos familiares e amigos do Serginho, ativista social desde os anos 70 que faleceu no sábado dia 18 . A seguir compartilhamos o texto produzido em memória ao Sérgio pelo grupo Véios da Kombi.

Sérgio Augusto Hoffmeister Almeida, mais conhecido como Serginho, falecido no dia 18 de maio de 2024, foi um ativista e lutador engajado nas lutas sociais. Desde muito cedo teve de batalhar pelo seu sustento trabalhando em diversas áreas como transporte rápido de cargas leves, serviços burocráticos em escritório, recebedor de apostas no Jockey Club até virar bancário. Por conta dessa necessidade, completou o ensino médio, na época chamado de Segundo Grau, estudando no turno da noite. Lá já demonstrava sua insatisfação com a injustiça e o autoritarismo. Fato marcante na sua vida pessoal, foi a cassação e prisão do seu pai durante a ditadura militar.

Em meados dos anos 70 aproxima-se do anarquismo criando e participando de vários Grupos de Estudos sobre o tema. Também é nesse período que surge o jornal anarquista “O Inimigo do Rei” (1977-1988), no qual participa ativamente na sua edição, divulgação e distribuição em Porto Alegre e em todo o Rio Grande do Sul. Durante este período foi o responsável pelo contato e distribuição do jornal nas Bancas de Revistas no centro da capital gaúcha, incluindo o período em que estas foram ameaçadas e algumas até explodidas pela extrema direita.

Nos anos 80 atua nas lutas sindicais dos bancários e funda, junto com outros grupos no Brasil, os Núcleos pró-COB, que lutavam pela reorganização da Confederação Operária Brasileira (COB), organização de orientação anarco-sindicalista dos trabalhadores brasileiros, fundada no início do século XX e aderida a AIT (Associação Internacional dos Trabalhadores), que tinha como porta-voz o jornal “A Voz do Trabalhador”. Nesse contexto, participa da construção da Liga dos Bancários de Porto Alegre que editava o periódico “Bancário Revoltado”. Participou de vários congressos e encontros estaduais, nacionais e internacionais, como o Encontro Latino Americano da AIT, realizado em Porto Alegre no final da década de 80. Sem esquecer, por certo, das inúmeras reuniões realizadas nas escadarias da Prefeitura Municipal de Porto Alegre e no bar Trensurb, localizado no Mercado Municipal.

Foi membro fundador do Centro de Cultura Social de Porto Alegre (CCS-PoA), mais tarde renomeado Centro de Cultura Libertário, onde foram desenvolvidas várias atividades de cunho libertário e anarquista. Ecologia, somaterapia, antimilitarismo, anarcosindicalismo, cultura punk, juventude libertária, eram alguns dos temas presentes nas atividades do CCS-PoA. Apoiou de muito perto as andanças e apresentações do grupo teatral de Canoas “Deram o Godô em Nóis”, transportando seus atores e material cenográfico na sua camionete feita em fundo de quintal, apelidada carinhosamente de “anarcomóvel”. Foi também exímio fazedor de “grude” para a colagem de cartazes nas ruas.

Com outros companheiros foi inspirador e fundador do grupo e do “site” VÉIOS DA KOMBI, que difunde as ideias e princípios anarquistas, assim como o material produzido pelos grupos anarquistas e libertários, durante o período dos anos 60 aos anos 2000 e tanto, nos quais participou direta ou indiretamente.

Presença permanente nas “lives” semanais realizadas pelos “Véios da Kombi”, durante o período da pandemia, nas quais participaram vários companheiros de outras cidades, tratando de temas do momento, e contribuindo para a nossa própria sanidade. Encerramos com as palavras de um companheiro anarquista espanhol: “los anarquistas no mueren, se siembran“. Muitos frutos ainda colheremos.

Véios da Kombi – Porto Alegre – Maio 2024

cabanarquista.org

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espuma do mar
adensa o voo das
gaivotas no ar

Carlos Seabra

[Irã] Quem é/era Ebrahim Raisi, o “Açougueiro de Teerã”?

Ebrahim Raisi foi membro do notório comitê da morte iraniano responsável pela execução e pelo enterro em massa de milhares de curdos e esquerdistas presos após a Revolução Islâmica no Irã. Apelidado de “Açougueiro de Teerã” pelos iranianos por quatro décadas, Raisi foi implicado em crimes contra a humanidade e sua morte foi comemorada no Irã pela população, que a vê como justiça cármica.

Ebrahim Raisi assumiu a presidência do Irã em 2021 depois de vencer as eleições presidenciais, recebendo cerca de 62% dos votos, quando a participação eleitoral foi de 48,8%, a mais baixa de uma eleição presidencial.

Após a morte de Mahsa Amini, 22 anos, em 2022, a repressão aos grandes protestos históricos e a imposição de um código de vestimenta rigoroso para as mulheres marcaram a presidência de Raisi. Milhares de estudantes protestaram nas ruas levantando slogans que se tornaram icónicos, “Zan, Zendegi, Azadi (Mulheres, Vida, Liberdade)”, exigindo o fim das leis obrigatórias do hijab no Irã. Isto aconteceu depois de Amini ter sido presa e agredida pela “polícia da moralidade” do país por não usar o hijab, resultando na sua morte. Numa repressão brutal aos protestos anti-hijab, mais de 500 pessoas foram mortas sob a presidência de Raisi.

A saga dos crimes contra a humanidade de Ebrahim Raisi, no entanto, remonta a décadas antes dos protestos de Mahsa Amini. Raisi recebeu críticas pela sua brutalidade muito antes de ser eleito presidente, ganhando o notório apelido de “Açougueiro de Teerã”.

O “Açougueiro de Teerã” e as “Comissões da Morte” do Irã

Anteriormente, como procurador-geral adjunto de Teerã, Raisi participou numa chamada “comissão da morte” que ordenou as execuções extrajudiciais de milhares de presos políticos em 1988.

Seguindo os passos de seu pai, Seyyed Haji Rais Al-Sadati, Ebrahim Raisi estudou com o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, nas áreas de teologia e jurisprudência islâmica, e tornou-se membro do clero.

A Revolução Islâmica de 1979 marcou o início da carreira do radical islâmico Raisi. Aos 20 anos, foi nomeado procurador-geral das províncias de Karaj e Hamadan. Ele é acusado de ter desempenhado um papel importante na perseguição de opositores políticos e de minorias, especialmente dos bahá’ís, que constituem a maior minoria religiosa do Irã. Numerosos bahá’ís foram atormentados e presos, enquanto muitos foram executados sob o comando de Raisi.

Inquisições

As inquisições foram criadas em toda a República Islâmica, e lideradas por juízes, procuradores e representantes dos serviços de inteligência islâmicos. A Anistia Internacional informou que, numa questão de minutos, a Comissão da Morte tomou decisões sobre o destino de milhares de reclusos através de julgamentos arbitrários. Relatórios dizem que mais de 5.000 prisioneiros foram executados naquela época.

“Na província de Teerã, centenas de homens filiados a grupos de oposição de esquerda também foram executados. Os seus interrogatórios pareciam mais uma inquisição religiosa. Eles foram questionados: você é muçulmano? Você reza? Seu pai rezou e leu o Alcorão? Aqueles que se identificaram como não crentes e disseram que os seus pais rezavam foram condenados à morte por abandonarem o Islã. Outros foram poupados da pena de morte, mas foram obrigados a ser açoitados até concordarem em rezar”, lê-se no relatório da Anistia intitulado Segredos Encharcados de Sangue.

O relatório diz que também foram feitas perguntas semelhantes às mulheres e que as respostas “incorretas” levaram a cinco chicotadas durante cada oração realizada num dia “até que concordassem em rezar regularmente ou morreriam sob tortura”.

O ódio contra os “infiéis” tem sido tal que as forças de segurança iranianas, no início deste ano, proibiram as famílias das vítimas da execução de 1988 de visitarem os túmulos dos presos políticos.

Em junho de 2023, Hossein Mortazavi Zanjani, que era o chefe da famosa prisão de Evin, em Teerã, em 1988, disse que estava “envergonhado” com as execuções. “Estou envergonhado e… quero expressar vergonha… Eles mataram crianças, deixaram famílias tristes”, disse ele.

Ebrahim Raisi e um legado contínuo de violações dos direitos humanos

Em novembro de 2019, no meio de protestos generalizados contra o aumento repentino dos preços dos combustíveis, Raisi supervisionou uma repressão dos direitos humanos enquanto servia como presidente do poder judicial iraniano. O sistema judiciário de Raisi permitiu que funcionários e agentes de segurança matassem centenas de homens, mulheres e crianças enquanto torturavam e detinham secretamente milhares de outros. Tudo isso ocorreu enquanto ele estava no comando. Os relatórios dizem que quase 300 pessoas foram mortas na repressão de 2019.

Embora a morte do líder iraniano possa ter deixado um vazio na política do país, com numerosos lutos (inclusive do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva), uma quantidade significativa de pessoas também celebrou e acendeu fogos de artifício após a morte do “Açougueiro de Teerã”.

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A criança às costas
Brincando com meu cabelo –
Que calor!

Sono-jo

[Chile] 15 anos da morte em ação do companheiro Mauricio Morales

xplosivo que ele pretendia instalar na escola da Gendarmaria, aqueles que fazem da prisão e da tortura sua “profissão”. Depois de sua morte, vários espaços da Ácratas foram invadidos. O Centro Social Okupado e Biblioteca Sacco e Vanzetti, onde o companheiro morava na época, foi cercado por pessoas solidárias que, compartilhando sua dor, se propuseram a defender o espaço e a memória de Mauri. Seu funeral contou com a presença de uma multidão negra que, em um contexto de assédio e repressão, conseguiu dar a ele uma última e bela despedida.

A morte de Mauri, pela primeira vez, deu um rosto à onda de ataques explosivos e incendiários, reivindicados por grupos anarquistas, que vinham ocorrendo desde o início de 2000, dando continuidade a uma longa tradição histórica de ação antiautoritária e também, nesse território, dos grupos subversivos que lutaram contra a ditadura e não depuseram as armas na democracia. Sua morte tornou visível que essas ações não foram realizadas por um grupo de especialistas misteriosos, mas por companheiros de carne e osso como qualquer outro, no caso dele, por alguém que viveu e praticou a anarquia de muitos ângulos além da violência: habitando e construindo espaços ocupados e centros sociais, tocando em diferentes projetos musicais contraculturais, participando de um canal de bairro autogerido, em permanente solidariedade aos companheiros presos, organizando fóruns e atividades, entre outras iniciativas. No entanto, ele também foi um rosto para a repressão, que usou sua morte como a “prova” de que precisavam para atacar ferozmente determinados meios específicos, especialmente aqueles que não rejeitavam a violência política.

Para nós, reivindicar um companheiro morto em ação não é apenas lembrar sua morte, como e por que ele morreu, mas também reivindicar sua vida, suas práticas e suas ideias. Acreditamos na diversidade e na multiformidade de práticas e ideias do anarquismo, e para nós, falar de Mauricio Morales é falar dessa multiformidade, é falar que a anarquia é vivida e praticada de muitas maneiras, sem hierarquias ou especializações, mas com convicções, com a necessidade de colocar esforço e dedicação em cada um de nossos projetos.

Uma de nossas reflexões e, mais do que isso, uma de nossas propostas como projeto político anarquista para nossos companheiros de ideias e práticas, é a necessidade urgente de projeção no meio anarquista. Nesse sentido, consideramos necessário buscar estratégias para manter e multiplicar nossa ação em todas as suas formas, conseguindo assim sobreviver às diferentes ondas de repressão. Acreditamos que é importante manter uma leitura aguçada da situação atual, do nosso presente imediato, mas sem parar por aí, e sim ir além e projetar nossas ações para a destruição dessa realidade e também para a construção da realidade que queremos. Em um mundo que parece estar à beira de uma catástrofe iminente, em uma realidade local que transborda de fascismo, é importante nos perguntarmos quais são nossos objetivos de curto, médio e longo prazo para continuarmos a fazer da anarquia uma possibilidade latente, agora, mas também no futuro.

Refletir sobre a memória de nosso companheiro é algo que fazemos por afeto, porque nos parece necessário, assim como falar sobre como nosso ambiente político se desenvolveu nos últimos 15 anos. Embora seja importante valorizar sua vida acima de tudo, é essencial observar o contexto de sua morte, já que ela se situa no contexto do ataque a um bastião da besta carcerária. Em sua jornada como anarquista, a solidariedade com os companheiros em prisão e a luta contra as prisões sempre estiveram presentes, tão importantes e indispensáveis quanto a própria anarquia. Mauri desenvolveu a solidariedade antiprisional de inúmeras maneiras, desde o apoio direto aos companheiros mantidos reféns em suas necessidades básicas até a propaganda e a decisão de atacar diretamente aqueles que, como ele mesmo apontou, andavam pelas ruas sem sofrer as consequências de suas ações e que são diretamente responsáveis por sustentar a máquina prisional.

A lembrança de Mauri estará sempre enquadrada nessa luta contra as prisões, mas também naqueles corações que transbordam amor e solidariedade, que não se fecham com grades, muros ou fronteiras, e que sempre insistirão em manter viva a energia deixada por todos aqueles que partiram lutando pela liberdade, lutando pela anarquia.

Red de Lucha y Propaganda

Maio de 2024

agência de notícias anarquistas-ana

Brilha até de dia
O relógio fluorescente
– Estação chuvosa.

Keizan Kayano

[Chile] “Reiteramos que a via eleitoral fracassou e sempre fracassará”

Nesses dias em que a esquerda fantoche continua a mostrar sua pior face sem vergonha, posicionando-se ao lado da classe dominante, continuamos a nos agitar nas ruas.

Os lacaios da Frente Ampla e do partido “comunista” estão dormindo quentinhos em suas casas enquanto as casas dos habitantes do [bairro] 17 de Mayo estão sendo despejadas e destruídas em pleno inverno, para proteger a propriedade dos donos do país. Mais uma vez a população fica sem opção de moradia.

A social-democracia, que se aproveitou do contexto de revolta como abutres e chegou ao poder com um discurso antifascista e popular e prometendo um governo ilusório do povo, mais uma vez trai a confiança daqueles que acreditaram e votaram nela, e já eliminou toda a esperança de mudanças. Reiteramos que a via eleitoral fracassou e sempre fracassará.

Nestes dias, também nos lembramos de nossos prisioneiros e caídos na luta contra as prisões e as jaulas do capital.

Mauricio Morales, presos do Caso Susaron, presos subversivos e anarquistas presentes.

22 de maio, dia do kaos, atuar, agitar e não permitir que o esquecimento e o silêncio se imponham.

Grupo de Propaganda Revolucionaria – La Ruptura.

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Doente de viagem,
Meus sonhos vagueiam
Pelo campo seco

Bashô

[Alemanha] Manifestação de 24 de maio – Libertem Maja! Libertem Hanna! Liberdade para todos os Antifas!

Manifestação 24 de maio, 15h00 Robinienhain, JVA Hammerweg

Maja ainda está na prisão em Dresden. Mas agora está sob custódia de extradição. Isso foi ordenado pelo Tribunal de Apelação de Berlim. Isso significa que, na próxima etapa, o tribunal examinará se as condições da prisão na Hungria permitem que Maja seja extraditada para a Hungria. Maja pode pegar até 24 anos de prisão na Hungria em condições indescritíveis.

Uma das maneiras pelas quais o tribunal na Hungria examinará o caso é perguntando o que eles acham das condições da prisão – inclusive para prisioneiros homossexuais. A Hungria pode então comentar sobre isso. Isso é um absurdo! O partido autoritário e radical de direita Fidesz, liderado por Orban, está no poder na Hungria há anos e proíbe a entrada de gays, antifas e refugiados. O regime também segue uma política cultural revisionista histórica sem igual.

Mais recentemente, Hanna foi pega pela polícia em 6 de maio e arrastada para o Tribunal Federal de Justiça em Karlsruhe. Hanna agora também está sendo ameaçada de extradição para a Hungria.

Mais uma vez, a procuradora-geral federal Geilhorn e seus comparsas estão investigando os esquerdistas com o máximo rigor. Já conhecemos muito bem a atitude deles por causa dos processos da Antifa Ost: anticomunistas e profundamente reacionários!

Queremos impedir sua extradição a todo custo e pressionar as autoridades e a prisão. Maja não deve ser extraditada. Hanna não deve ser extraditada. A decisão sobre seus processos também será inovadora para todos os processos futuros!

Exigimos: Nenhuma extradição de antifascistas para a Hungria para um tribunal cheio de extremistas de direita! Saia às ruas contra a mudança para a direita e a repressão.

Queremos mostrar a Maja – como fazemos todos os meses – que estamos lá e que somos solidários do outro lado do muro e que não deixaremos Maja sozinha.

Portanto, compareça em grande número em frente à prisão na quarta-feira, das 15 às 16 horas, e faça barulho conosco!

Fonte: https://abcdd.org/2024/05/08/kundgebung-24-05-free-maja-free-hanna-freiheit-fur-alle-antifas/

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Para tricotar
Sento-me numa cadeira
De onde veja o relógio.

Toshiko Nishioka

[Irã] “A carreira de Ebrahim Raisi é pavimentada com cadáveres”

O Irã confirmou a morte do presidente Ibrahim Reisi e de sua comitiva. Comentando o “acidente”, a Federação de Anarquistas do Irã e Afeganistão afirmou que Reisi foi o responsável pelo assassinato de milhares de prisioneiros políticos e pela repressão no país.

“A carreira de Ebrahim Raisi é pavimentada com cadáveres. Ele era promotor aos 20 anos, após 1 ano no Ministério Público. Procurador em Karaj e Hamedan, procurador-adjunto de Teerã e, depois, procurador na primeira década após a revolução, na qual eliminar dissidentes, aos milhares, e espalhar o terror entre os iranianos era a prioridade do regime. Ele agiu como esperado e o seu sucesso foi rápido”, disse Roya Boroumand, cofundadora do Centro Abdorrahman Boroumand, uma fundação pelos direitos humanos no Irã.

Boroumand seguiu comentando: “Quando era procurador-geral (agosto de 2014 a março de 2016), pelo menos 1.395 foram executados. Sob sua supervisão como primeiro deputado do chefe de Justiça que aprovou sentenças de morte para supostos infratores da legislação antidrogas (2004-2014), o número de infratores da legislação antidrogas executados passou de 34 (18%) para 732 (89%)”.

A cofundadora da fundação humanitária diz que o ponto alto da carreira de Raisi antes de se tornar presidente foi “seu papel na inquisição a sangue frio que levou ao enforcamento secreto de pelo menos 4.000 presos políticos em menos de 3 meses em 1988”. “Raisi foi um dos juízes de um painel itinerante de quatro homens ou, como os sobreviventes o chamam, o Comitê da Morte”, descreve Boroumand.

Ela finaliza dizendo como o falecido presidente iraniano justificou sua atuação naquele caso:

“A justificativa de Raisi: ‘Somos santos; o nosso sistema judiciário é santo e o nosso regime é santo… Há ameaças por aí que querem aniquilar esta santidade… O procurador desempenha um papel importante na identificação [das ameaças] e na garantia de que as medidas são tomadas em tempo útil”.

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A lua passa pelos pinheiros
e o olhar de súbito detêm
uma outra imóvel lua.

Hokushi

[Espanha] 23 de maio: Apresentação dos avanços na catalogação da Coleção Jesús Lizano

No dia 23 de maio, às 19h00, os companheiros do Grupo de Trabalho da Delegação da FAL em Aranjuez que estão encarregados do trabalho de catalogação do arquivo do poeta anarquista Jesús Lizano, depositado em nossa Fundação, apresentarão publicamente os resultados da primeira fase de trabalho, após a qual foi possível elaborar o primeiro inventário dessa coleção essencial para abordar a vida e a obra desse artista único.

Jesús Lizano (Barcelona, 1931 – Barcelona, 2015) é autor de uma obra comprometida com o ideal de liberdade, sempre em luta contra o poder e as estruturas – físicas e mentais – que contribuem para subjugar a liberdade pessoal. Seu arquivo pessoal, que reflete a vastidão de suas leituras e interesses, foi doado à Fundação Anselmo Lorenzo após sua morte em 2015.

Após a apresentação, estaremos distribuindo uma pequena coleção de obras do poeta de Barcelona. Esperamos vê-lo lá!

Quando? 23 de maio

Onde? Sede da FAL em Madri. Calle Peñuelas, 41, metrô Acacias ou Embajadores.

Horário? 19h00

fal.cnt.es

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depois de horas
nenhum instante
como agora

Alexandre Brito

Ga$to$ militares | Governo Lula: Centauro II, o destruidor de tanques puro-sangue de 120 mm está chegando ao Brasil para renovar o arsenal do Exército

A primeira unidade do blindado Centauro II, de uma compra realizada pelo exército brasileiro no ano passado, está prestes a ser embarcada rumo ao Brasil. No total, foram encomendadas 98 unidades do blindado caça-tanques, que estão sendo montados na Itália. Neste ano de 2024, duas unidades serão entregues: a primeira deve embarcar nas próximas semanas, enquanto a segunda, atualmente em fase de testes na Itália, deverá ser entregue no segundo semestre.

Mais de 200 unidades do Centauro II podem chegar ainda este ano no Brasil

No total, a encomenda de blindado caça-tanques do exército poderá ser ampliada para até 221 unidades. Esta primeira unidade do blindado Centauro II no Brasil não conta com alguns sistemas, mas que, posteriormente, serão instalados.

O Centauro II é um moderno blindado do tipo caça tanques com tração 8×8, estando equipado com uma torre Oto Melara de 120 MM. Sendo o primeiro veículo blindado caça-tanques com tração 8×8, esta nova versão, que é uma evolução do Centauro B1, foi totalmente redesenhada para resistir a dispositivos explosivos improvisados.

A carcaça do blindado Centauro II no Brasil é fabricada em aço balístico monocoque de alta resistência e com geometria diferenciada. O seu fundo em V e a eliminação de cavas na caixa de rodas e paralamas, ajuda na dissipação da energia de uma possível Mina Terrestre, que venha a ser detonada embaixo do veículo.

O blindado caça-tanques é equipado com um motor FPT Vector V8 Diesel de 720 cavalos de potência. Podendo atingir entre 40 e 80 km/h em terrenos de geografia acidentada, e até 110 km/h em estradas estruturadas, o blindado Centauro II no Brasil pesa 32 toneladas, tendo um alcance operacional de 800 km.

Agora, o Brasil se junta à Itália como operador do veículo, sendo que será o primeiro operador internacional do blindado caça-tanques Centauro II.

Fonte: agências de notícias

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Ah, lua de outono –
Caminhei a noite inteira
Em torno do lago.

Bashô

[Paquistão] A FSM-IWA realiza o 1º Congresso em Karachi

Em 27 de abril de 2024, a Federação de Solidariedade dos Trabalhadores, afiliada da IWA no Paquistão, realizou seu primeiro Congresso em Karachi.

Estiveram presentes 18 delegados de todo o país. Os Objetivos, Princípios e Estatutos da FSM foram reafirmados.

A FSM foi fundada como Iniciativa de Solidariedade aos Trabalhadores em maio de 2020, inicialmente por camaradas anarquistas de Peshawar, Karachi e Lahore, e rapidamente cresceu com pequenas filiais estabelecidas em outras cidades. A FSM foi admitida na IWA como afiliada do Paquistão no 28º Congresso realizado em Alcoy, na Espanha, em dezembro de 2022.

Aqui está um breve relato:

• O congresso começou com uma canção revolucionária cantada por nosso querido poeta anarquista Nadeem Sibtain.

• Gul Muhammad Mangi apresentou um relatório de desempenho de dois anos referente às atividades realizadas pela Federação de Solidariedade dos Trabalhadores (FSM) Paquistão. Ele contou aos delegados que a FSM é o membro amigo da Associação Internacional dos Trabalhadores (IWA) desde 2022, iniciou suas atividades em 2021 e realizou uma manifestação de protesto em apoio aos camponeses indianos. Ele contou que outro evento importante foi a comemoração do aniversário de morte de Bhagat Singh e Hemon Kalani no Karachi Press Club. A FSM comemorou a “Comuna de Paris” pela primeira vez em Karachi. O aniversário de morte do falecido Zubair Rahman também foi realizado no Chotta gate e no YMCA hall, em Karachi.

• William Sadiq fez uma apresentação sobre a filosofia do “Anarquismo” e falou brevemente sobre o “Primeiro de Maio”, relatando a luta anarquista em 1886 na América e dizendo que o incidente do Hay Market influenciou muito a história do movimento trabalhista.

• O veterano anarquista Mohammad Mazahir falou brevemente sobre o movimento anarquista e contou que todo o financiamento da Guerra da Independência de 1857 foi custeado pelas mulheres, que supostamente eram chamadas de “prostitutas”. Ele disse aos delegados que sem as mulheres não haverá anarquia e que está feliz em ver a participação das mulheres no congresso.

• Nuzhat Ara contou que é Ph.D. em comunismo científico pela Universidade Estadual de Balgharia, mas que abandonou o marxismo quando sentiu que ele era uma utopia e uma forma de capitalismo.

• A única mensagem para o congresso, recebida de Momin Khan Momin, um veterano anarquista, foi lida por Gul Muhammad Mangi, na qual ele demonstrou solidariedade com os Anarco-Sindicalistas e esperou que isso seja um grande passo em direção à corrente anarquista. Ele disse que é um sucesso para a causa do anarquismo e também parabenizou os participantes e todos os anarquistas afiliados à FSM.

• Naeem Shaikh, Nadeem Sibtain e outros delegados também falaram na ocasião, fizeram suas contribuições e apresentaram suas sugestões.

• Uma resolução de 12 pontos foi apresentada aos participantes/delegados do Congresso para aprovação, exigindo

1) Todos os trabalhadores/empregados devem receber pelo menos 50.000 rúpias por mês, mas, infelizmente, eles não estão recebendo nem mesmo o pagamento anunciado oficialmente, ou seja, 35.000 rúpias, o que é um ato condenável e uma ofensa criminal por parte dos capitalistas e proprietários.

2) Pessoas transgêneras devem ser tratadas como seres humanos e os mesmos direitos devem ser permitidos/concedidos a elas.

3) A conversão forçada de meninas menores de idade de outras religiões deve ser abandonada/interrompida e a libertação/recuperação segura da menina hindu Pria Kumari, de 7 anos de idade, deve ser garantida e os kinapees podem assumir a tarefa.

4) As pessoas devem ter todos os direitos básicos, incluindo saúde, educação e liberdade de expressão.

5) A lei de difamação pode ser eliminada e a resolução objetiva pode ser excluída da constituição.

6) Todas as pessoas desaparecidas podem ser libertadas sem mais delongas e a opressão estatal pode ser interrompida.

7) Os camponeses e produtores devem receber o pagamento anunciado pelo Estado, ou seja, 3900 rúpias por 40 kg de trigo, e não devem ser deixados em estado de tristeza pelo setor privado e pelos saqueadores.

8) Todas as guerras, inclusive as guerras entre Rússia e Ucrânia e entre Israel e Hamas, devem ser interrompidas para que as pessoas vivam em uma atmosfera pacífica.

9) O papel do establishment e do exército no Paquistão pode ser encerrado na formação de governantes/classe dominante. Até mesmo nós não achamos que haja muita necessidade de agências de aplicação da lei.

10) O aquecimento global, que é uma produção da classe capitalista, pode ser superado para o bem da humanidade e a provisão de um ambiente melhor pode ser declarada um direito básico de todos os seres humanos e da mãe terra.

11) Necessidades básicas iguais, incluindo saúde e educação, devem ser asseguradas em todos os lugares, incluindo cidades e vilarejos.

12) Para desenvolver a agricultura e a industrialização, todas as medidas devem ser tomadas e o controle deve ser dado aos camponeses e trabalhadores.

Por fim, foram levantadas as palavras de ordem Viva La Revolution e Viva La Commune.

pelo camarada Lewan

Fonte: https://asf-iwa.org.au/wsf-hold-1st-congress-in-karachi/

Tradução > Contrafatual

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Na tarde chuvosa,
Sozinho, despreocupado,
Um pardal molhado

Edson Kenji Iura

 

[Chile] Sobre a jornada pelo companheiro Mauricio Morales e os 81 presos assassinados no incêndio do cárcere de San Miguel

Em 8 de maio se levantou a jornada Memória Anticarcerária, em memória do companheiro anárquico Mauricio Morales e os 81 presos assassinados no incêndio do cárcere de San Miguel.

A instância se realizou do lado de fora de dita prisão, contou com música, vídeos, palavras, propaganda, feira antiautoritária e finalizou com um clássico “barrotazo”.

Esta jornada busca trazer à rua o companheiro Mauricio Morales, Punki Mauri, que morreu na madrugada de 22 de maio de 2009 quando o artefato explosivo que carregava com destino a atacar a escola de carcereiros detonou antecipadamente.

Desde sua partida física, centenas foram os gestos em sua memória (este pretende ser mais um) reivindicando-o e validando uma prática de violência política, utilizada historicamente por anárquicos afins à tendência insurrecional.

Mauri abraçou a ideia anárquica e a ação combativa e indubitavelmente uma delas foi sua posição de luta contra as prisões, pelo mesmo, esta iniciativa, o trouxe ali, por onde passeiam os carcereiros, para que mais vontades os apontem como os inimigos que são.

NADA ACABOU, TUDO CONTINUA!

ATÉ DESTRUIR O ÚLTIMO BASTIÃO DA SOCIEDADE CARCERÁRIA!

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este papel de parede
ou ele se vai
ou eu me vou

Oscar Wilde

O regime iraniano executou 10 mulheres em menos de 5 meses

Esta manhã (18/05), a prisioneira turca Parvin Mousavi foi executada na prisão de Urmia. Ela é a 10ª mulher a ser executada no Irã desde o início de 2024, quando um prisioneiro é executado a cada 5 horas.

O número de mulheres executadas em prisões iranianas desde o início do ano (menos de cinco meses) chegou a 10 com as execuções de Parvin Mousavi e Fatemeh Abdullahi, uma prisioneira de Neishabur, na província de Khorasan-e-Razavi.

De acordo com um relatório recebido pela ONG curda Hengaw, uma mulher de 27 anos chamada Fatemeh Abdullahi foi executada na manhã de sábado (11/05) na prisão central de Neyshabur.

De acordo com uma fonte, Fatemeh Abdullahi foi presa há três anos pelo assassinato de seu marido e condenada à morte pelo judiciário da República Islâmica do Irã.

De acordo com as estatísticas registradas pela Hengaw, pelo menos 10 mulheres foram executadas.

#StopExecutionsInIran #JinJiyanAzadi #womenlifefreedom #femmevieliberté

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Cuspindo fagulhas
O trem rumo à claridade
Da queimada ao longe.

Rokô Hatayama

Comunicado de falecimento

É com pesar que informamos o falecimento de Sérgio Augusto Hoffmeister Almeida, nosso querido e valoroso Serginho, no dia 18 de maio de 2024.

Serginho foi um marco no ativismo social, desde os anos 70, sempre defendendo com muita força os princípios libertários e com um olhar atento na emancipação do povo trabalhador.

Nesse momento, expressamos nossa solidariedade aos familiares e amigos.

www.veiosdakombi.com.br

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Anoitece no mar-
Os gritos dos patos selvagens,
Vagamente brancos.

Bashô

[EUA] Marco Pogo, uma lenda na cena musical de Madison, desdenha do mundo convencional

Por Samara Kalk Derby | 15/04/2024

Aos 68 anos, Marco Kunin, amplamente conhecido como “Marco Pogo” por sua dança no estilo pogo em shows de rock, nunca teve um celular, computador, endereço de e-mail, TV ou carro.

Ele tem um telefone fixo, mas não tem secretária eletrônica. Nunca usou a Internet e, nos últimos anos, isso tornou mais difícil para ele saber quando suas bandas favoritas estão tocando.

Além de amar a música e a dança, suas outras paixões são filmes, livros, caminhadas e doar a quantidade máxima de sangue para a Cruz Vermelha sempre que permitido, algo que ele faz desde que completou 18 anos.

Kunin disse que seu nome de nascimento, Mark Kunin, é apenas um nome legal que ele associa à família. “Apenas uma nota de rodapé.”

Ele disse que se autodenominou Marco Pogo por volta de 1979 por causa de sua paixão pela lendária banda Spooner, de Madison.

“E eu gosto dele”, disse Kunin sobre seu outro nome. “Pogo tem algumas conotações extras. Sabe, John Wayne Gacy (o assassino em série) era o Palhaço Pogo, e temos a história em quadrinhos ‘Pogo’, de Walt Kelly (distribuída em jornais americanos de 1948 a 1975). E eu não me identifico com nenhum desses outros Pogos”.

Mais recentemente ele tomou conhecimento do músico, médico e político austríaco Dominik Wlazny, de 37 anos, que começou a usar o nome artístico Marco Pogo. Wlazny é o fundador e líder do Partido Austríaco da Cerveja, um pequeno partido político satírico, e foi candidato a presidente da Áustria nas eleições de 2022.

Kunin disse que, quando está fazendo seu trabalho na frente do palco, ele se sente um pouco invisível e em seu próprio mundo. “Mas descobri que as outras pessoas têm uma relação positiva ou negativa comigo, e que eu também estou no mundo delas.”

A cena musical é compartilhada, disse ele, embora o motivo original pelo qual ele começou a dançar rapidamente tenha sido para que pudesse se aproximar do palco e “meio que desaparecer na música”.

Desde o fim da banda local The Hussy, Kunin disse que dança com mais frequência ao som de uma das bandas subsequentes de Bobby Hussy, Wristwatch.

Em 1969, Kunin ficou em 10º lugar no Concurso Nacional de Ortografia, e ressalta que foi o mesmo ano em que Brad Williams, de Wisconsin, competiu.

Kunin mudou-se de Charlottesville, Virgínia, para Madison em 1970, aos 14 anos, quando seu pai, um professor de medicina especializado em doenças infecciosas, aceitou um emprego na UW-Madison. Kunin cursou o segundo e o terceiro ano na Memorial High School e foi admitido na UW-Madison aos 16 anos.

Seu pai, Calvin Kunin, 94 anos, foi contratado pela UW para ser presidente do departamento de medicina da Universidade Estadual de Ohio, mas o jovem Kunin permaneceu em Madison muito tempo depois que todos os outros membros da família se mudaram.

Kunin disse que é conhecido por não falar sobre seu histórico profissional. “Nunca quis vender meu cérebro para alguém que o usasse para obter lucro. Sou muito contra o capitalismo. Sou um anarquista. Sou contra o governo.”

Ele mora em um apartamento na Bassett Street, no centro da cidade, e se locomove apenas a pé.

Por que o nome Pogo?

Talvez você não saiba que a definição de pogo é a dança do punk rock, algo que vem de Sid Vicious (e dos Sex Pistols) nos anos 70. E o pogo envolve saltos e gestos com o punho erguido, que nunca deve ser confundido com a saudação de Hitler. Meus amigos me conhecem quando não me veem na pista de dança – é assim que eu os cumprimento. (Kunin demonstra o cumprimento jogando o punho para o alto).

Quando te encontrei recentemente, chamei você de iconoclasta, e você não tinha certeza se essa era uma descrição precisa.

Eu pensei sobre isso. E as duas palavras que me vieram imediatamente à mente foram inconformista e anarquista. Eu me sustento, mas nunca tive nada de valor especial. Quando estava na faculdade, comprei um aparelho de som, mas o que uso em casa é um boombox para minhas músicas. Sim, fitas cassete e CDs.

Você disse que começou a faculdade aos 16 anos. Você se formou na UW-Madison?

Eu tinha o status de veterano aos 18 anos e não achava isso uma prioridade de vida ou, sabe, agradável. Não gostava de provar às pessoas que eu era inteligente.

Diga-me como você existe no mundo moderno.

Sou um cara de rádio, jornal e livros. Se você quiser, pode colocar WORT (FM 89,9) entre parênteses… Desprezo o mundo comercial e não quero participar dele… Gosto que a vida seja simples e honesta. E gosto de comunicação direta. Até mesmo o telefone é uma distorção e não consigo nem imaginar me comunicar com as pessoas por meio de algum tipo de escrita codificada… Para mim, escrever por carta é ótimo. É bom ouvir as pessoas que estão longe pelo telefone, mas acho que tudo isso é desonesto e nos torna dependentes de coisas que não são realmente reais… Eu não viajo muito. Nunca viajei de avião quando adulto. A última vez que viajei de avião, eu tinha 17 anos e estava em uma viagem com meu pai. Nunca comprei uma passagem de avião em minha vida. Simplesmente não sou voltado para máquinas. Gosto de filmes, mas não gosto de efeitos especiais. Gosto de violões, de guitarras.

Seu comprometimento com doação de sangue é impressionante.

Na minha próxima doação terei doado mais de 170 litros de sangue.

O que levou você a fazer isso?

Porque eu sabia que era necessário e era fácil no começo, e agora eu doo porque é difícil. Um fator é a recuperação com minha dieta vegana.

Por que foi fácil no início?

Porque era uma contribuição que eu podia fazer com todo o meu ser e que não envolvia dinheiro.

Por que você é vegano?

Sou vegetariano porque os animais são maltratados e não merecem seu destino.

Você pode falar sobre sua opinião a respeito do pacifismo?

Os avanços tecnológicos são essencialmente avanços militares. A coisa mais importante em minha vida é o pacifismo, o vegetarianismo, que eu equiparo ao veganismo, mas chamo de vegetarianismo porque, para mim, os verdadeiros vegetarianos são veganos, ponto final. Não quero que a palavra vegetariano seja separada de meu veganismo, embora eu seja mais rigoroso. Não vou nem comer em um restaurante que tenha carne no cardápio. Portanto, minhas maiores crenças são o pacifismo e o antimilitarismo.

Fonte: https://madison.com/life-entertainment/local/music/marco-pogo-music-dancing-books-giving-blood-no-cell-phone/article_838237ce-edd4-11ee-b83c-ebe1496d84e3.html

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

florescente espinheiro
tão parecido aos caminhos
onde eu nasci!

Buson

[Alemanha] Posters para os anarquistas acusados de conspiração em Berlim

Nos últimos dias, um poster pode ser encontrado nas ruas de Hamburgo, enviando saudações militantes e solidárias aos anarquistas que se encontram acusados de “conspiração para cometer um crime” em Berlim…

Uma conspiração para cometer um crime chamado liberdade!

Diante da miséria global do capitalismo, é fácil se tornar impotente e se sentir sozinho:

Guerra pela geopolítica; destruição do planeta; exploração sistemática de muitos para o enriquecimento de poucos; incitação, ataques e assassinatos racistas; feminicídios e outras violências baseadas em gênero; assassinos armados e uniformizados nas ruas e nas fronteiras militarizadas…

Uma sociedade que é mais frequentemente perturbada por aqueles que resistem a essa merda do que por aqueles que a causam.

Mas há rebeldes que passam seus dias e noites lutando para criar interrupções e, com elas, momentos de autodeterminação e dignidade.

Eles são sabotadores da subversão do status quo.

Porque não há nada pior do que ficar mudo e inativo. E quando, não raro, nos desesperamos e nos sentimos sozinhos em nossas lutas, lembramos dos laços invisíveis de solidariedade, das portas que se abrem para nós dia e noite, das pessoas em cujas ideias e ações nos encontramos, independentemente de já as termos conhecido.

Onde quer que você esteja, não espere, pois já marcamos nosso encontro.

Em 16 de fevereiro de 2023, dois companheiros foram presos em um túnel ferroviário em Berlim porque a polícia suspeitava que eles estavam tentando realizar um ataque incendiário à infraestrutura ferroviária. Depois de alguns dias sob custódia policial, eles foram liberados sob condições de denúncia, que ainda estão em vigor hoje. Agora eles serão julgados por “conspiração para cometer um crime”. Vamos mostrar a eles que não estão sozinhos.

Porque nós temos um acordo.

Solidariedade e cumplicidade!

Liberdade para todos!

Anarquistas

Fonte: https://de.indymedia.org/node/360314

agência de notícias anarquistas-ana

Ah, lua de outono —
Andando em volta do lago
Passei toda a noite.

Bashô

Campanha de combate às drogas