[EUA] Juiz do Condado de Tarrant e ativistas conservadores querem que professora da TCU seja demitida por retórica anarquista

Alexandra Edwards, professora da Texas Christian University (TCU) e anarquista, está sendo alvo de críticas por parte de conservadores do Condado de Tarrant, no Texas, incluindo autoridades eleitas. Edwards, que leciona inglês, é criticada por suas postagens nas redes sociais onde discute temas como anarquismo, antirracismo, supremacia branca e nacionalismo cristão. Conservadores, incluindo o juiz do condado Tim O’Hare e o comissário Manny Ramirez, pediram a demissão de Edwards devido às suas posições contra a polícia e a favor da abolição penal.

A TCU não respondeu se está considerando demitir ou disciplinar Edwards, mas enfatizou que as opiniões dos professores são individuais e não necessariamente refletem a posição da universidade. Edwards defendeu sua liberdade acadêmica e argumentou que suas postagens estão alinhadas com seu contrato de trabalho. Especialistas mencionados no artigo afirmam que a liberdade acadêmica é essencial para o livre intercâmbio de ideias, mas também notam que, como a TCU é uma universidade privada, ela não é obrigada a seguir as mesmas proteções de liberdade de expressão que se aplicam em instituições públicas.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui: 

https://fortworthreport.org/2024/08/15/tarrant-county-judge-conservative-activists-want-tcu-professor-fired-over-anarchist-rhetoric/

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eu em demasia
não fosse
a poesia

Eder Fogaça

As eleições municipais e a reprodução da ordem burguesa.

Comunicado n° 80 da União Popular Anarquista – UNIPA, 02 de setembro de 2024

Às trabalhadoras e aos trabalhadores do Brasil

À Juventude pobre da periferia

Aos povos indígenas e camponeses

Ao povo negro das favelas e periferias

Às mulheres combatentes e aos grupos LBGTT

Aos operários, desempregados, trabalhadores informais, estudantes e professores

As eleições municipais de 2024 ocorrem no contexto da chamada polarização política entre petismo e bolsonarismo, entretanto, ao analisar as alianças eleitorais a realidade para ser bem outra, pois PT e PL estão na mesma coligação em 85 municípios.

As diferenças políticas entre “esquerda” e “extrema-direita” parecem ter pouco significado nas disputas municipais, mais do que isso, a luta contra o fascismo parece que está distante das pautas eleitorais.

Na verdade, as alianças entre bolsonaristas e petistas são apenas um dos fatores que denunciam a farsa eleitoral, o jogo de cartas marcadas criado para legitimar o poder do Estado burguês, racista e patriarcal.

Ao assumir novamente a gestão do Estado, o PT correu para atender aos anseios das classes dominantes aprovando em 2023 o novo teto de gastos, rebatizado de “novo arcabouço fiscal”. Este novo arcabouço mantém em geral as políticas do teto de gastos de Temer/MDB, de privatizações e “concessões”, mantendo a arrecadação baseada no imposto sobre o consumo que retira o dinheiro do trabalhador enquanto que os patrões, grandes empresários e latifundiários sonegam impostos e sempre aguardam um novo Refinanciamento de dívida, o REFIS, para manter “seu negócio rentável”.

O novo arcabouço fiscal mantém a gerência da burguesia financeira sobre o Estado brasileiro, que opera os “contingenciamentos”, os cortes orçamentários nas áreas sociais. Em julho o governo Lula/PT cortou 15 bilhões do orçamento público para manter o teto de gasto. Destes, 4,4 bi serão cortados da Saúde e 1,5 bilhão da educação afetando áreas sociais que impactam diretamente na vida do povo pobre.

Percebemos, portanto, que independente do governo de plantão, a gerencia do orçamento e das políticas de Estado atendem às diversas frações da burguesia brasileira e internacional.

Mas não basta apenas a manutenção das políticas regressivas ultraliberais, é necessário mostrar toda a subserviência aos interesses da ordem capitalista, racista e patriarcal.

A gestão do Estado não nos interessa!

As eleições municipais são as antecessoras das eleições presidenciais. Assim, o partido que mais crescer nas eleições municipais ganha mais “robustez” para apresentar-se como chapa majoritária na disputa do Estado burguês. É nesse coeficiente que os partidos da ordem burguesa estão interessados.

Nestas eleições o PT, PcdoB e PV estão coligados com o PL (partido de Bolsonaro) em 85 cidades do Brasil. Não é novidade a aliança do PT com partidos conservadores ou mesmo reacionários. Lembremos que o PT já se aliou ao Crivella, na época no PRB, bispo da igreja Universal do Reino de Deus e ex prefeito do Rio de Janeiro. Essas alianças só demonstram que a disputa das eleições nada tem a ver com a ideologia do partido, mas com a disputa de cargos no Estado burguês. Parte da militância dos partidos de esquerda são militantes de base, sinceros e honestos, mas instrumentalizados por suas direções que se preocupam apenas com a movimentação das peças no xadrez do parlamento.

A tarefa do povo pobre, oprimido e trabalhador não deve ser a da disputa eleitoral, da gestão do Estado burguês, mas a de construção de um poder vindo de baixo que possa pressionar, forçar o Estado e as frações burguesas a atender nossas demandas imediatas, a aquilo que chamamos de programa reivindicativo. Mas para nós, revolucionários, estas pautas reivindicativas, esta mobilização popular não pode se perder no simples atendimento destas demandas. É preciso que utilizemos estas mobilizações como instrumento de construção de um poder popular que possa alterar a correlação de forças a favor do povo! Sair da defensiva tática que nos foi imposta após 2017 e entrar em ofensiva tática!

Nossa tarefa como revolucionários é também desnudar o reformismo e suas várias expressões, incluindo ai o reformismo que se esconde por trás de lutas tão caras ao povo como as que se convencionaram chamar de “identitárias”. O direito de existir com terra e dignidade dos povos indígenas vem sendo instrumentalizado pelos reformistas. O direito de existir e se expressar da população que foge aos papeis e ao binarismo de gênero (também chamada de população LGBTTQIA+) vem sendo instrumentalizado pelo reformismo. O direito de existir da população negra vem sendo instrumentalizado pelo reformismo. Assim, o reformismo atrai sujeitos dessa luta orientando-os para a disputa do Estado como única alternativa viável, enquanto milhares destes sujeitos seguem sem direitos e sendo vítimas de inúmeras opressões e violências.

O programa reivindicativo para este período!

O programa reivindicativo depende do grau de força de cada categoria ou ramo de trabalhadores. A Organização produz a Luta, e a Luta impulsiona a Organização. Quanto mais os trabalhadores se organizam para reivindicar, mais poder os trabalhadores tem. Podemos dizer que Organização é Poder

II Conunipa

Entendemos que as eleições burguesas são um momento em que os partidos da ordem burguesa agregam e formam militantes para as suas campanhas e para seus grupos com o único fim de elevar seu coeficiente eleitoral para pleitear cargos na gestão do Estado burguês. Assim, operam contra nossa própria classe. É tarefa dos revolucionários, independente de orientação ideológica, desnudar esses pretensos parlamentares e gestores da máquina estatal.

Portanto, apresentamos como proposta a construção de comitês da Campanha Não Vote Lute! Essa campanha não se pretende apenas apresentar uma posição para as eleições, mas agregar trabalhadores rurais e urbanos, estudantes, moradores de periferias, povos originários e comunidades tradicionais em torno de uma simples plataforma de defesa de direitos, que possam mobilizar nossa classe e nos tirar desta defensiva tática imposta, “para sair deste antro estreito”.

Humildemente, nos propomos a coordenar as iniciativas da campanha Não Vote Lute em cada município onde ela surja. Entre em contato através do e-mail: unipa@protonmail.com

  1. Regularização fundiária, concessão do direito de posse para as famílias que moram em ocupações, favelas e periferias;
  2. Redução da jornada de trabalho: indexação social da jornada de trabalho. Que a jornada de trabalho de cada categoria deve ser fixada em cima da oferta real de mão de obra, de forma a abranger todos os trabalhadores do ramo.
  3. Aumento real do salário mínimo; Indexação dos salários ao IPCA.
  4. Indexação dos alugueis (valor máximo proporcional à renda dos inquilinos); Desapropriação de Imóveis abandonados para assentamento de famílias; Subsídios para a construção de habitações populares.
  5. Tarifa zero nos transportes públicos;
  6. Fim da violência doméstica; Igualdade de salários, oportunidades e direitos para negros, mulheres e povos indígenas.
  7. Fim da violência policial e das guardas municipais; Livre direito de trabalho para camelôs e ambulantes.
  8. Desapropriação de terras do latifúndio; Subsídios para os trabalhadores rurais!

uniaoanarquista.wordpress.com

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Sobre o telhado
um gato se perfila:
lua cheia!

Maria Santamarina

[Espanha] Jornadas Decrescentistas Unitárias em Xixón 6-16 setembro

Construir autonomia frente à crise global. Experiências de apoio mútuo para garantir as necessidades básicas.

Faz escassos meses e a instâncias de coletivos em defesa do território, começava a andar um espaço de colaboração entre diversos agentes sindicais e sociais entre os quais está a CNT. Partindo de um diagnóstico compartilhado e desde uma perspectiva de classe e anticapitalista, começamos a trabalhar em comum para a organização destas jornadas que agora anunciamos.

Este projeto unitário pretende ir mais além de uma chamada ao decrescimento. O decrescimento, superados todos os limites biofísicos do planeta, é o único caminho para a sobrevivência da humanidade e do planeta. A questão reside em se a classe trabalhadora está preparada para assumir sua responsabilidade na gestão das necessidades básicas humanas de um cenário pós-colapso sistêmico.

Experiências como a coletivização sindical de numerosos setores da produção em amplos territórios da república espanhola em 1936 constituem um background que a CNT deve aportar ao imaginário coletivo da classe obreira para seu empoderamento e implementação autogestionada de ferramentas que contribuam para cimentar um mundo mais justo e solidário.

De 6 a 16 de setembro, se celebrarão em Xixón e se emitirão simultaneamente por streaming, conferências de renomados/as membros de diversas disciplinas científicas. Pedro Prieto, Antonio Turiel, Gustavo Duch, Antonio Aretxabala, Carlos Taibo, Iñigo Capellán, Pedro Prieto, Alicia Valero e Marta Rivera ficarão encarregados das dissertações científicas.

O programa completo, informação adicional e o contato se encontram no blog unitário criado para a ocasião: https://apoyomutuoocolapso.noblogs.org/

Octavio Alberola nos escreve uma saudação para as jornadas na qual nos diz que “a humanidade só poderá sair do beco sem saída ecológico no qual se encontra hoje se decidir-se a praticar a eco-solidariedade e a manter as pontes entre o hoje, o ontem e o anteontem para seguir fazendo humanidade“.

cnt.es

Tradução > Sol de Abril

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Velho canário
No fraco trinado
Suave sinfonia do vento.

Liliana Aparecida Kokado

[Chile] Santiago: Até que todas as jaulas sejam abertas. Um jantar anárquico no Espaço Fénix

ATÉ ABRIRMOS TODAS AS JAULAS | Expandir as ideias para fortalecer as práticas contra a dominação.

Para afiar nossas posições anárquicas, manter nossos valores elevados, buscar coerência em ideias e ações, é essencial obter feedback, lembrar e aprender sobre experiências de conflito para alimentar o caminho que desejamos seguir, neste caso, um caminho inseparável da anarquia; a libertação animal.

Por isso, convidamos você para o dia “Até abrirmos todas as jaulas” VI jantar anárquico no Espaço Fênix!

Teremos:

– Menu vegano imperdível

– Música ao vivo

– Apresentação de livros

– Exposição de pôsteres

– Informações sobre o caso Susaron

Espalhe a palavra, participe, apoie, faça parte, estamos esperando por você!

Quinta-feira, 5 de setembro de 2024, 19h00.

Juan Martínez de Rozas 3091, estação de metrô Quinta Normal, Santiago Centro.

ESPAÇO FÉNIX

espaciofenix.noblogs.org | espaciofenix@riseup.net

Fonte: https://es-contrainfo.espiv.net/2024/08/30/santiago-chile-hasta-abrir-todas-las-jaulas-una-cena-anarquica-en-espacio-fenix/

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Manhã de neve.
Até mesmo os cavalos
Ficamos olhando.

Bashô

Cartum | Parasitas

[Chile] Um diálogo cúmplice. Palavras do companheiro anarquista Francisco Solar

UM DIÁLOGO CÚMPLICE. | Palavras do anarquista Francisco Solar após a semana de agitação solidária contra seu isolamento.

Ações violentas irromperam no cenário social, fazendo com que a mensagem anarquista se espalhasse e gerasse a preocupação das autoridades e dos exploradores. Eles tomam a palavra e, por meio do ato, propõem estratégias e ideias. Mostram que a luta anarquista está viva e bem e que o poder está fracassando em sua tentativa de aniquilação.

Mostram que é possível fazer das ideias uma ameaça real, tornando o discurso e a ação indistinguíveis. Eles são uma verdadeira demonstração de solidariedade revolucionária que está totalmente em sintonia com a luta dos companheiros dentro da prisão.

E as ações anárquicas de grande escala realizadas nas últimas semanas, como a queima de caminhões da Melon Cement em San Antonio pela Célula Insurreccional pelo Maipo – Nueva Subversión, são claramente parte dessa solidariedade anárquica que busca intensificar o conflito. Que entende a necessidade de um ataque permanente e reivindica com atos as ações para as quais o Poder dita sentenças exemplares. Isso faz com que o regime especial de isolamento perca muito de seu peso. Todo meu reconhecimento àqueles que resolutamente continuam e persistem na ofensiva anárquica.

Essas ações também têm a capacidade de fortalecer nossa memória revolucionária, mantendo vivos e presentes os ataques aos companheiros que nos deixaram. Elas destroem o esquecimento e tornam a memória em ações transgressoras. A ofensiva anárquica saberá manter entre nós o companheiro, o guerreiro Luciano Pitronello, que com persistência e apesar de todas as dificuldades que teve como consequência de sua opção combativa, nunca desistiu. Soube aprender com as experiências para fortalecer sua clara posição insurrecional. Ele decidiu voltar sua vida para esse caminho anárquico que, como ele mesmo demonstrou, é um caminho sem volta. Sua vida, suas práticas, ideias e experiências constituem uma verdadeira propaganda do fato e representam um incentivo para todos nós, dando-nos a força necessária para continuar.

Os ataques violentos, com a preparação e os riscos envolvidos, dialogam com a multiplicidade de ações e atividades enquadradas no mundo anárquico, qualificando uma postura de confronto.

Essa harmonia necessária entre as diversas e variadas práticas contra a autoridade fortalece cada uma delas e a postura combativa em geral. Um mural, pôsteres ou telas estabelecem uma conversa cúmplice com a destruição provocada por um dispositivo explosivo, alimentando-se mutuamente. Um comício, um fórum ou uma atividade de divulgação gera uma comunicação sediciosa com os restos de um microfone queimado. E tudo isso, ao mesmo tempo, está entrelaçado com a luta dos companheiros na prisão, rompendo com visões assistencialistas e vitimizadoras. Dando vida à solidariedade anárquica que abre caminho apesar dos obstáculos que o poder multiplica e aperfeiçoa.

E não é apenas o exercício da solidariedade que está ocorrendo, mas o que está subjacente a ele é a construção de relações que buscam se opor a qualquer forma de autoridade, experimentando aqui e agora caminhos de liberdade, fortalecendo-nos individual e coletivamente.

Um grande abraço a todos que levantaram as diversas expressões de solidariedade nesta semana de agitação contra o isolamento. Cada uma delas é uma demonstração clara do que somos e que o poder, por mais que tente, jamais conseguirá deter.

O chamado é para estender essa bela forma de praticar a solidariedade para romper com o regime de isolamento, eliminar as sentenças da justiça militar e conseguir a liberdade do companheiro Marcelo Villarroel e de todos os presos anarquistas e subversivos que lutam nas cadeias.

Com a companheira anarquista Belén Navarrete Tapia na memória que se transforma em ação insurrecional. Sua vida comprometida com a luta é mais um motivo para intensificar o enfrentamento.

Vida longa às ações anarquistas!

Presos anarquistas e subversivos às ruas!

Que se explodam as prisões!

Francisco Solar

Prisão La Gonzalina-Rancagua

Agosto de 2024

Fonte: https://es-contrainfo.espiv.net/2024/08/29/prisiones-chilenas-un-necesario-dialogo-complice-palabras-del-companero-anarquista-francisco-solar/

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/07/26/chile-semana-internacional-de-agitacao-e-solidariedade-contra-o-regime-de-isolamento-do-companheiro-francisco-solar-10-a-17-de-agosto/

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Sem guarda-chuva
E sob a chuva de inverno —
Bem, bem!

Bashô

XII Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre | 9 e 10 de Novembro de 2024

Nosso chamado à feira é uma incitação aberta às ideias e práticas de insubmissão frente a toda forma de poder e autoridade, ou seja, de opressão e exploração, assim como um estímulo à empatia com tudo que é vivo, numa busca sincera por equidade dentro de nossas diferenças. Procuramos construir um espaço para a difusão de livros, publicações e outras produções autônomas de posição anarquista, para se adubar, se encontrar, expor ideias e realizações, debater, impulsionar iniciativas e práticas anárquicas que fomentem a expansão do anarquismo de ação.

No contexto global de desastres, as imposições da máquina capitalista aprofundam a exploração de toda a vida da Terra, deixando um rastro de destruição e sofrimento. 2024 foi o ano mais quente do planeta, ardendo em febre pelas fornalhas industriais e frotas de motores, cujo ritmo insustentável não cessará mesmo que seja maquiado de verde com a anunciada “transição da matriz energética”. O capitalismo, os estados, a autoridade em si, em seu conjunto o sistema tecnológico industrial, são a própria prisão em que nos torturam e devastam o planeta. Todas reformas ou gestões pseudo-humanitárias apenas ocultam a necessidade de sua destruição.

Regionalmente, o ano foi marcado pela revolta das águas contra os ataques da sociedade tecno-industrial e a pronta resposta, ombro à ombro, das pessoas mais atingidas. Baixando as águas da enchente, a campanha eleitoral dos políticos inunda as cidades com suas promessas vazias e cooptação de lutas reduzindo a política ao voto.

O adormecimento das pessoas, assim como a escancarada participação dos falsos críticos na máquina de dominação, fica explícitas na inexistência de uma crítica ao evento da manutenção do capitalismo global: o G20 no Brasil. A deserção da luta e seu sepultamento em urnas nos demonstra a urgência de ações independentes, anárquicas e que não procurem falsos aliados onde somente tem política partidária eleitoreira, submissa.

Com a proposta de romper com a normalidade que nos sufoca e nos afoga, a Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre pretende focar nas práticas inimigas da dominação, insuflando possibilidades de uma vida sem amos na terra nem amos nos céus. O anarquismo, e todos podem reconhecer isso, não pretende dominar, nem governar, nem dialogar com as forças opressoras, se colocando de forma intransigente contra o sistema imposto.

Nas últimas duas décadas, as feiras do livro anarquista se expandiram como ferramenta de luta e difusão de ideias, demonstrando sua vitalidade como espaço de agitação anti-autoritária ao redor do mundo e, nesse sentido, ergueremos mais uma vez esta barricada, desde o sul do continente, com o vigor da ação direta, da autonomia e da solidariedade vibrante em nossas vidas e movimentos.

Paralelamente, há já uma década, os eventos de tatuagens solidárias como o Solidariedade à Flor da Pele, tem marcado uma forma de autogerir a solidariedade anti-carcerária. Assim como nas últimas Feiras do Livro Anarquista, levamos adiante essa iniciativa mais uma vez, porque acreditamos que marcar nossas peles como um ato de convicção anárquica e prática solidária deixa em nossos corpos muito mais do que desenhos ou letras.

Chamamos assim os indivíduos e coletividades, a participar com propostas de atividades, apresentações, exposições, debates, lançamento de livros e publicações anarquistas, assim como expor com bancas tanto literatura anti-autoritária como produções autônomas, e música combativa, mas sobretudo a se aproximar para nos tornar indomáveis e não ser cúmplices da opressão, inequidade, devastação.

XII Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre.

Agosto inverno de 2024.

Blog: feiradolivroanarquistapo.noblogs.org

E-mail: fla-poa2024@riseup.net

Insta: @flapoa

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Imenso jardim,
e sobre flores diversas
enxame de abelhas…

Analice Feitoza de Lima

Incidentes repressivos ou violadores de direitos humanos em centros penitenciários cubanos

Este informe expõe as principais conclusões obtidas durante os primeiros 16 meses (1 de março de 2023 – 30 de junho de 2024) de monitoramento de incidentes repressivos e violadores de direitos humanos ocorridos no interior de centros penitenciários cubanos. Para isso, tomaram-se como base as atualizações mensais sobre condições nas prisões e pessoas privadas de liberdade com situações delicadas de saúde, publicadas pelo Centro de Documentação de Prisões Cubanas (CDPC).

O Capítulo 1 apresenta cifras gerais sobre incidentes repressivos ou violadores de direitos humanos ocorridos em centros penitenciários cubanos, incluindo eventos de perseguição e repressão, denúncias sobre estado de saúde e falta de atenção médica, falecimentos de pessoas reclusas, quantidade preliminar de prisões e centros de detenção cubanos, quantidade de reclusos identificados como vítimas de violações de direitos humanos, quantidade de funcionários identificados como infratores e principais vulnerabilidades em reclusos cubanos vítimas de violações de direitos humanos.

O Capítulo 2 descrimina os diferentes tipos de eventos repressivos e violadores de direitos humanos identificados pelo CDPC em prisões cubanas. Para sua melhor compreensão, este capítulo se divide em subcapítulos dedicados a sistematizar os principais tipos de eventos de repressão e perseguição documentados nas prisões cubanas, assim como as principais denúncias relacionadas com a alimentação e a saúde dos reclusos da Ilha.

Para finalizar, o Capítulo 3 apresenta algumas recomendações à comunidade internacional relacionadas com os deveres do Estado cubano para com a vida nas prisões.

Tanto a análise dos incidentes repressivos ou violadores de direitos humanos ocorridos nas prisões cubanas como as recomendações à comunidade internacional respondem ao disposto em textos normativos ou disposições legais de caráter nacional ― como o Regulamento do Sistema Penitenciário ― e internacional, estes últimos provenientes em sua maioria de agências da ONU.

>> Acesse o informe aqui:

https://docubprisiones.org/incidentes-represivos-centros-penitenciarios-cubanos/

Tradução > Sol de Abril

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poeirão
se levanta no caminho
secam meus olhos

Marcos Amorim

Exército gasta R$ 841 mil em espadas com acabamento em ouro para Generais

O Exército Brasileiro vai desembolsar R$ 841,7 mil para adquirir espadas com acabamento em ouro, destinadas a generais recém-promovidos durante as cerimônias de ascensão de patente. O valor corresponde a 90 espadas, cada uma custando R$ 9,3 mil, mas a quantidade pode dobrar para 180 unidades, dependendo da adesão de outras instituições à licitação aberta no dia 29 de agosto. A licitação prevê a entrega de 45 espadas em 2024 e outras 45 em 2025.

A empresa contratada deve fornecer um certificado de qualidade para o acabamento em ouro, que poderá ser verificado por microanálise de raio-x ou análise de composição química. As espadas são réplicas do sabre usado pelo general Duque de Caxias, patrono do Exército Brasileiro, e simbolizam o compromisso e a tradição dos oficiais no mais alto círculo hierárquico da Força Terrestre.

Cada espada será fabricada em aço inoxidável AISI de 5,5 mm, com acabamento no estilo damasco, medindo 1 metro de comprimento. A lâmina será forjada, tratada termicamente, polida manualmente, com acabamento espelhado e gravada por um processo físico-químico. Os floreios são em alto e baixo relevo dourados, com tratamento de superfície em níquel dourado por processo eletroquímico.

A cruzeta, que conecta a lâmina ao cabo, é feita de latão 70/30 por fundição, com acabamento espelhado e dourado por processo eletrolítico. O punho das espadas é de resina termoplástica na cor marfim, com 106,3 mm de comprimento, polido manualmente, com acabamento brilhante e decorado com fios trançados dourados.

Além das espadas, os generais recebem uma bainha feita à mão, em couro bovino ou aço inox, com 848 mm de comprimento, lixada e laqueada com tinta preta brilhante. O conjunto é acompanhado de um estojo especial de madeira, medindo 1.050 mm de comprimento, 219 mm de largura e 82 mm de altura, com suporte em madeira para a espada e a bainha. A tampa do estojo é forrada com tecido de tergal verde e amarelo, e o berço é revestido com veludo azul marinho, adornado com cordão verde e amarelo.

Segundo o edital, o número de oficiais generais promovidos pode variar devido a diversos fatores avaliados pelo Alto Comando do Exército. A compra das espadas foi planejada para ser flexível, a fim de evitar escassez, grandes estoques ou custos adicionais com novas aquisições.

Fonte: agências de notícias

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Oco
é um espaço
cercado de coco

Cláudio Fontalan

[Espanha] Cortes de verão do Governo

Em meados de agosto, foi conhecida a notícia da eliminação da nulidade automática de algumas causas de demissão, como consequência da aprovação da Lei Orgânica 2/2024, de representação igualitária de homens e mulheres. Essa lei, conhecida como “Lei da Paridade”, que entrou em vigor em 22 de agosto, modifica alguns artigos do Estatuto dos Trabalhadores, inclusive o que regulamenta a nulidade objetiva da demissão objetiva e disciplinar.

Essa modificação levou à eliminação da seção correspondente à demissão em caso de licença por hospitalização ou cirurgia de familiares (37.3.ET) e das medidas de conciliação no 34.8 (teletrabalho e adaptação do horário de trabalho).

O governo garante que essa redução de direitos é um erro involuntário e que será retificada o mais rápido possível, embora, no momento, não forneça uma data. Essa modificação não significa que agora seja legal demitir um trabalhador por aproveitar essas medidas, mas torna mais difícil a defesa após a demissão, pois a demissão nula automática desaparece e agora é preciso argumentar que a demissão é uma violação de direitos, perdendo essa proteção direta e ficando a critério do juiz.

Esse erro em uma área tão delicada e maltratada como a conciliação, que é principalmente para as mulheres, foi acompanhado, desta vez não “por engano”, pela assinatura de um acordo do governo com a CCOO, a UGT e as associações de empregadores para poder encaminhar as licenças médicas comuns de origem traumática para as seguradoras mútuas dos empregadores, uma medida privatizante que terá um impacto direto na saúde dos trabalhadores e que, no mesmo documento, se soma a outras medidas no sentido de facilitar a “compatibilidade” do emprego e das pensões, um eufemismo que, na prática, significa continuar atrasando a idade de aposentadoria.

Da CNT continuaremos vigilantes e firmes para reverter esses cortes que afetam diretamente a saúde e a qualidade de vida dos trabalhadores e que contaram, mais uma vez, com a conivência e o silêncio da UGT e da CCOO.

Contra os cortes nos direitos trabalhistas

Organize-se na CNT!!!

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/recortes-veraniegos-del-gobierno/

Tradução > Liberto

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Na casuarina
aves, só um trinado.
O gato espia.

José Roberto Magatti

[Grécia] Sobre o despejo da ocupação Libertatia

A polícia atacou novamente a ocupação Libertatia em Tessalônica em 28 de agosto. O espaço foi esvaziado e 11 companheiros foram presos, juntamente com duas pessoas que estavam na manifestação de solidariedade que, nesse meio tempo, havia se reunido do lado de fora do espaço.

Várias vezes a polícia e os fascistas tentaram em vão, durante anos, eliminar essa experiência de luta e autogestão. A resistência dos companheiros e companheiras e a resposta solidária, também internacional, sempre repeliram esses ataques, até o ponto de reconstruir o prédio incendiado pelos fascistas, graças a uma campanha internacional.

Abaixo está o comunicado da ocupação Libertatia.

Sobre o despejo da ocupação Libertatia

Ao meio-dia de 28 de agosto, as forças policiais invadiram a ocupação Libertatia, prendendo 11 companheiros e levando outros dois sob custódia. Os companheiros foram acusados de desobediência e trabalho ilegal em um prédio histórico protegido. Após o despejo, a polícia fechou as entradas da ocupação e a força policial permaneceu do lado de fora do prédio, vigiando. Em 29 de agosto, todos os companheiros foram liberados enquanto se aguarda o agendamento do julgamento contra eles.

Enquanto migrantes são mortos nas fronteiras, enquanto áreas de floresta sem limites são queimadas, enquanto o empobrecimento econômico e social das bases da sociedade é acelerado, poucos dias antes da abertura da Exposição Internacional de Tessalônica, que marcará o início de um novo ciclo de brutalidade estatal e capitalista, o Estado escolhe atacar e despejar a Libertatia, que está ocupada há 16 anos.

Essa é a quarta invasão consecutiva da ocupação Libertatia, após o incêndio provocado pelos fascistas em 21/01/2018. Um total de 27 pessoas foram presas durante esse período. Nenhuma prisão foi feita contra os fascistas que incendiaram o prédio. O Estado, com uma barragem repressiva, tentou eliminar espaços de movimento e estruturas de luta que resistem a esse sistema decadente e falido.

De Creta a Tessalônica e em toda a Grécia, as ocupações estão lutando e resistindo. Elas não desistirão. Nós, como Libertatia, lutamos arduamente por muitos anos para reconstruir as ocupações e mantê-las abertas e acessíveis à sociedade e às pessoas em luta. As ocupações são os espaços que prefiguram o mundo em que queremos viver, um mundo de liberdade, igualdade e solidariedade. Se eles acham que vamos nos render, estão muito enganados. Eles vão nos enfrentar.

TIREM AS MÃOS DAS OCUPAÇÕES E DAS ESTRUTURAS DE LUTA!

LIBERTATIA CONTINUARÁ SENDO UMA OCUPAÇÃO!

ARQUIVAMENTO IMEDIATO DE TODAS AS ACUSAÇÕES CONTRA NOSSOS COMPANHEIROS!

Ocupação Libertatia

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Os meus sentimentos
como origami no arame
sempre em movimento

Urhacy Faustino

Queimadas: a loucura do Capital incendeia o Brasil

É sabido que o Brasil, com sua vasta biodiversidade, é um dos países mais ricos em recursos naturais do mundo. No entanto, nas últimas décadas, tem sido palco de uma destruição ambiental alarmante, com destaque para as queimadas/incêndios que devastam florestas, principalmente na Amazônia e no Cerrado. Estas queimadas não são eventos isolados, mas sim reflexos de uma lógica capitalista e mercantilista que vê a natureza como uma mercadoria a ser explorada e que nestes meses de agosto e setembro de 2024 estão enfumaçando um país de proporções continentais.

As queimadas no Brasil são frequentemente justificadas como uma prática agrícola, necessária para a expansão das fronteiras do agronegócio e para o “desenvolvimento” econômico. No entanto, essa prática é impulsionada por uma lógica capitalista que prioriza o lucro acima de qualquer outra consideração. A expansão agropecuária, a exploração de recursos naturais e a conversão de florestas em áreas de pastagem ou cultivo são impulsionadas pela demanda global por commodities, como soja e carne bovina, produtos que têm um papel central na economia brasileira e mundial.

Por consequência, a natureza é reduzida a um recurso a ser explorado, um item que pode ser transformado em lucro. Essa visão é ecocida porque ignora o valor intrínseco do meio ambiente e as complexas interações ecológicas que sustentam a vida na Terra. A destruição das florestas e a perda de biodiversidade são vistas como “externalidades” do processo econômico, custos que não são contabilizados nas contas das empresas, mas que têm consequências devastadoras para o planeta e para as gerações futuras.

Sem embargo, o Meio Ambiente não é uma Mercadoria. O conceito de mercadoria no capitalismo refere-se a qualquer bem ou serviço que pode ser vendido ou trocado no mercado. Florestas, rios, e a biodiversidade em geral não são simplesmente recursos para serem explorados; eles são parte de um sistema ecológico interdependente no qual a própria humanidade está inserida.

Ao tratar o meio ambiente como uma mercadoria, o capitalismo desconsidera os valores não econômicos da natureza. As florestas, por exemplo, não apenas capturam carbono e ajudam a regular o clima global, mas também fornecem habitat para milhares de espécies, muitas das quais ainda desconhecidas pela ciência. Elas também têm valor cultural e espiritual para muitas comunidades indígenas e locais, que veem a natureza como sagrada e essencial para a sua identidade e modo de vida.

Essa visão mercantilista é particularmente evidente nas políticas públicas dos governos, que incentivam a exploração dos recursos naturais sem considerar os impactos ambientais. O desmatamento, muitas vezes ilegal, é frequentemente promovido por uma combinação de interesses econômicos e políticos, com pouca ou nenhuma consideração pelo meio ambiente ou pelas populações que dependem dele.

Assim, não é absurdo afirmar que a insanidade capitalista é uma ameaça à Terra e à Humanidade, pois o capitalismo é, por natureza, uma força destrutiva quando também aplicado ao meio ambiente. A busca incessante por lucro e crescimento econômico leva à superexploração dos recursos naturais e à degradação ambiental. As queimadas no Brasil são apenas um sintoma de um problema maior: a absoluta incompatibilidade entre o modelo capitalista de desenvolvimento e a sustentabilidade ambiental.

O modelo econômico atual baseia-se na ideia de que os recursos naturais são infinitos ou substituíveis. No entanto, esta premissa é fundamentalmente mentirosa e falha. A Terra tem limites biológicos e físicos, e a destruição dos ecossistemas tem consequências graves, não apenas para as espécies que habitam esses ambientes, mas também para a humanidade como um todo. A perda de biodiversidade, as mudanças climáticas e a poluição são apenas algumas das crises ambientais que ameaçam a estabilidade do planeta e a sobrevivência da espécie humana.

A destruição das florestas e outros ecossistemas naturais está diretamente ligada às mudanças climáticas, que já estão causando eventos climáticos extremos, como secas, enchentes e ondas de calor, que afetam milhões de pessoas em todo o mundo. Lado outro, a perda de biodiversidade aumenta o risco de pandemias, pois a destruição dos habitats naturais força os animais a se aproximarem dos seres humanos, facilitando a transmissão de doenças zoonóticas.

Diante do cenário atual, é imperativo que combatamos, mais do que nunca, o modelo socioeconômico vigente, reconfigurando também a nossa relação com a natureza. Isso exige uma ruptura com a lógica capitalista que vê a natureza como um simples recurso a ser explorado e, em vez disso, adotar uma visão que reconheça o valor intrínseco do meio ambiente, seu limite ecológico, e a necessidade de preservá-lo.

As queimadas que ocorrem no Brasil são, portanto, apenas mais um sintoma da loucura capitalista e mercantilista que está destruindo o planeta…

Destruir o capitalismo e o estado. Desenvolver uma relação harmoniosa e viável com o Meio Ambiente: somente assim poderemos garantir um futuro sustentável para as próximas gerações e evitar a extinção da própria humanidade, seja pelo fogo ou qualquer outro tipo de ameaça!

Liberto Herrera.

agência de notícias anarquistas-ana

O vento fustiga
a folhagem da varanda –
Joaninha cai… não cai!

Mahelen Madureira

II Feira Anarquista de Recife

A Feira Anarquista de Recife é um evento anual organizado de forma autônoma e colaborativa que busca disseminar, visibilizar e aprofundar a cultura libertária em suas diversas expressões.

Realizando um encontro aberto de rua ocupando o espaço público enquanto um local de potência e pertencimento à cidade, onde acontecem as atividades e manifestações artísticas propostas pela feira.

O encontro conta com a presença de expositores de materiais anarquistas, coletivos, empreendimentos autônomos, artistas independentes, ação solidária, rodas de diálogo, música e apresentações artísticas, compreendendo que o anarquismo é expressado por meio dessas diversas linguagens.

O evento, que é gratuito e aberto ao público, tem a intenção de agregar e unificar a todos que constroem a cena libertária em Recife e aos que têm interesse em se conectar com outros, trocar ideias e expandir suas reflexões em torno do anarquismo.

Buscando também, acolher e apoiar a participação ativa de pessoas que pertencem a recortes sociais referentes a etnia, classe, dissidências sexuais e de gênero, mulheridades entre outras questões, entendendo a importância dessas vozes e vivências para representatividade e formação de pensamento.

>> Mais infos:

feiraanarquistarecife@gmail.com

https://www.instagram.com/feiraanarquistarecife/

agência de notícias anarquistas-ana

nadam no vento
como carpas douradas
folhas de bambu

Akatonbo

[Grécia] Solidariedade | Contra o regime de isolamento do anarquista Francisco Solar

No âmbito da semana internacional de agitação e solidariedade contra o regime de isolamento do companheiro anarquista Francisco Solar, de 10 a 17 de agosto, realizamos a colagem de cartazes nas ruas centrais de Comotini, uma cidade do nordeste da Grécia.

Recorde-se que o companheiro é acusado de enviar pacotes explosivos à 54ª divisão dos Carabineros (Polícia Federal do Chile) e contra o ex-ministro do Interior, Rodrigo Hinzpeter, em julho de 2019, ação que empreendeu como “Guerrilha Cumplicidade/Facção de Vingança”. É também acusado do duplo ataque ao edifício Tánica em 27 de fevereiro de 2020, ação que também realizou como “Relações Armadas com a Rebelião”.

Da Grécia ao Chile, a solidariedade é a nossa arma!

Anarquistas

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/07/26/chile-semana-internacional-de-agitacao-e-solidariedade-contra-o-regime-de-isolamento-do-companheiro-francisco-solar-10-a-17-de-agosto/

agência de notícias anarquistas-ana

Sem guarda-chuva
E sob a chuva de inverno —
Bem, bem!

Bashô

Confiram a programação do Esp(a)ço para Setembro de 2024!

No Domingo, 1º de Setembro às 17h, temos o Cinedebate Anticarcerário organizado pela galera do Festival Internacional de Cinema Anarquista de Porto Alegre. É uma atividade com o intuito de levantar fundos para a edição de 2024 do festival e irão ser exibidos os filmes: CONPILADO ANTICARCELARIO (2023-2024) (Chile, 2024), Declaração de Francisco Solar (Chile, 2023), GRIN – Guarda Rural Indígena (Brasil, 2016), Contra a criminalização da Revolta: pelo fim do processo contra Caio e Fábio (Brasil, 2023)

Na sexta-feira 13 de Setembro, às 19h, será a primeira edição de O Capitalismo É Um Horror!. Onde vamos assistir o filme clássico Eles Vivem (They Live, 1988) de John Carpenter, comer pipoca e bate-papo.

No Sábado 28 de Setembro, às 18h30, vamos assistir juntys “Como Explodir um Oleoduto” (How To Blow Up a Pipeline, 2023), comer petiscos e trocar ideias. Chega junto!

E a Apoio Mútuo, a loja grátis do Esp(a)ço, abre toda terça-feira, das 17h30 às 20h30.

O Esp(a)ço fica na Rua Castro Alves, 101, no Bom Fim, em Porto Alegre (RS).

Atenção: você possui histórico ou denúncia por cometer assédio, abuso ou violência e quer colar em alguma das atividades? Por favor, entre em contato conosco pelo nosso email ou redes sociais antes de comparecer. Não fazer isso é não se responsabilizar por suas ações e será solicitado que se retire.

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Bigorna dorme.
Susto do ferreiro!
Voz da araponga.

Ângela Annunciato

[Chile] Santiago: Em memória de uma guerreira anarquista. Palavras de despedida para Belén Navarrete

Nota: Texto lido durante o funeral da companheira anarquista Belén Navarrete Tapia.

EM MEMÓRIA DE UMA GUERREIRA ANARQUISTA

É quarta-feira, 21 de agosto, e recebi a terrível notícia de sua partida física, você havia deixado este avião, havia muitas dúvidas sobre como tudo havia acontecido, mas a única certeza era que você havia partido.

Sinto a imensa responsabilidade auto-assumida de trazer você para a rua hoje, é uma honra. Faço isso com muito amor, carinho, respeito, cumplicidade e convicção anárquica. Você não era uma pessoa “normal” nem acomodada, portanto, a história do combate que você travou com suas ideias claras deve ser multiplicada com o mesmo ímpeto que fazemos por outros irmãos e irmãs.

Posso falar de perto sobre você por causa do cruzamento de nossas vidas. Sei que você fez parte daqueles belos momentos de violência estudantil de rua que vinham acontecendo desde 2011, mas por outro lado você já estava afiando sua posição anárquica, que você orgulhosamente disse que lhe veio através do veganismo na escola, quando você era muito jovem e viu como os animais eram usados como mercadoria, estuprados, explorados, assassinados, e sua escolha de vida foi parar de consumi-los. Isso abriu sua mente, sua consciência política, que inevitavelmente a levou ao caminho negro da anarquia.

A partir daí, você se vinculou a organizações anarquistas, participou de iniciativas sociais, bibliotecas, oficinas com crianças, com a seriedade que te caracterizava você contribuiu para a realização de atividades, além de participar da sempre necessária propaganda, colando nas ruas, levando material impresso e, claro, estando em manifestações públicas, lotando a estudantada como nas manifestações históricas mais combativas; 1º de maio, 11 de setembro, entre outras.

Foi nessa época que nos cruzamos e já em 2012 começamos a compartilhar momentos de atividade política, bem como momentos de dispersão; o punk certamente sempre foi um bom lugar para se divertir e rir, para passar bons momentos. Devido aos problemas da vida, nosso vínculo se fortaleceu em termos emocionais, íntimos, ao mesmo tempo em que as diferenças políticas com a organização da qual participávamos se tornaram evidentes, portanto, nos afastamos, deixando para trás o aprendizado, a jornada e as experiências de vida, além de vermos cair os rostos de personagens nefastos. Aprendizado, no fim das contas. De qualquer forma, desse nicho saiu um bom número de companheiros e amigos, que agora vejo nesses momentos de profunda dor.

Sair dessa organização não nos impediu e, no mesmo dia em que saímos dela, criamos nosso próprio coletivo anárquico, era 2013, e ele tinha uma clara tendência a defender a violência política e a solidariedade antiprisional, que eram nossas posições defendidas há muito tempo.

Dezenas de iniciativas com o coletivo me vêm à mente, você agitava constantemente nas ruas, fazia propaganda, criava boletins, levantava atividades de solidariedade aos companheiros presos, realizava tarefas e se vinculava à realidade prisional, escrevia artigos, textos, reflexões – com a caneta que a caracterizava -, estudava na universidade, era muito “cabeçuda”, inteligente, muitos sabem disso e vão destacar esse seu aspecto. Você combinava estudos e atividade política, mas sua prioridade sempre foi disseminar a anarquia da maneira que achava correta.

Além de ser ativa em iniciativas, coordenações, redes etc., a rua sempre foi o terreno para colocar em prática as ideias que você vociferava, você já fazia isso como já descrevi, mas depois foi além, armada de coragem, bravura, superando as barreiras do medo que poderiam existir, você se tornou parte da luta de rua, mas daquela que quebra monotonias, que irrompe na rua, no ritmo dos cidadãos sem aviso prévio e, de diferentes universidades, você praticou essa violência antipolicial incendiária, abrindo caminho, às vezes sendo a única mulher nos grupos que participavam de atos de violência política.

Mas você queria ir além, a luta de rua nas manifestações de massa, nas universidades, nas cidades para datas importantes, faziam parte de uma ponta da luta anárquica, necessária, tinha que ser praticada, mas também era necessário elevar o conflito contra o mundo da autoridade, assim você entendia e decididamente com a mente fria que a caracterizava, empreendeu golpes certeiros através do que se chama a nova guerrilha urbana anarquista, prática histórica utilizada por grupos de ação para desafiar a ordem estabelecida. Você levou suas ideias revolucionárias para os fatos, para a prática, de forma rudimentar, sem especialistas, sem líderes, sem chefes, sem líderes, de forma autônoma, digna, com decisão, coragem, bravura, convicção guerreira, pronta para enfrentar a prisão se necessário, até mesmo a morte, em qualquer um desses cenários você ficou firme e deu tudo de si.

Depois veio a revolta, ano de 2019, e você estava onde tinha que estar, contribuindo na rua, na luta de rua no centro da cidade e no bairro onde você morava – como em outros também – em barricadas noturnas, e dividindo com os vizinhos para alimentar o combate na comuna, foi isso que a motivou, você tinha que viver aquilo, experimentar aqueles meses e deu tudo de si, quando até a morte estava à espreita ou a mutilação poderia cair pela maldita mão da polícia, você continuou, protegendo pessoas próximas também.

A morte vem sussurrando desde que soubemos da partida física, em 11 de agosto passado, do guerreiro Luciano Pitronello, de quem você foi companheira de ideias e práticas, com quem realizou atividades públicas e ilegais. Nos encontramos no funeral dele e vi seu rosto de tristeza, você não conseguia acreditar no trágico evento que havia acontecido, como a vida de um camarada foi tirada daquela maneira, nos animamos, eu lhe disse que agora também é nossa responsabilidade levar a memória e as ações dele para todos os lugares. Você sorriu para mim afirmativamente, mas agora tudo mudou e sou eu quem está escrevendo estas cartas para você.

Você me deixou o compromisso de escrever suas memórias, mais de uma vez conversamos sobre as possibilidades da morte, até mesmo sobre o que haveria depois, se é que haveria um depois. Você era ateia, não acreditava em deuses ou mestres, mas acreditava na energia daqueles que estavam partindo, na essência de cada pessoa que, de alguma forma, permanecia conosco.

Não tenho palavras para descrever a profunda dor que sinto em meu peito, como as lágrimas e a amargura brotam, lembro-me de você com imenso carinho e amor guerreiro, compartilhamos longos anos de vida e de luta. Em minha mente estão gravados fatos memoráveis que foram humildes contribuições para o conflito anárquico do qual você fez parte neste território, a intimidade subversiva entre companheiros, dias e noites de conspirações, concretizações e sonhos de ver queimar este mundo autoritário e sua polícia bastarda.

Para mim resta muito, você me deixou muito, lindas lembranças de ter compartilhado a vida com uma guerreira, longos anos, com intensidades que pouquíssimas pessoas podem conhecer e até chegar a entender. Guardarei com prazer em minha mente e em meu coração episódios que ficaram tatuados em minha pele, episódios repletos de profundo amor, carinho, fraternidade, irmandade, sabor, solidariedade irrestrita, cumplicidade, diferenças, raivas e desavenças também, mas a vida é assim, com suas múltiplas jornadas.

Eu te levarei comigo, você caminhará comigo na trilha do conflito anárquico, você já faz parte desse universo de companheiros que partiram, sua história percorrerá lugares, você estará em panfletos, publicações e atividades, em cada bala, barricada e rugido seu nome ressoará, você continuará sendo perigosa para o inimigo, isso dependerá de nós, daqueles que te conheceram em vida e daqueles que começarão a conhecê-la a partir do dia de sua morte.

De minha parte, só me restam palavras de gratidão por ter tido a sorte de conhecê-la.

Força para a companheirada que chora sua partida nas ruas e na prisão, para seus amigos e familiares.

Bon voyage, companheira e guerreira.

NADA ACABOU, TUDO CONTINUA!

BELÉN NAVARRETE PRESENTE!

24 de Agosto 2024
Santiago, Chile

Fonte: https://es-contrainfo.espiv.net/2024/08/25/santiago-chile-a-la-memoria-de-una-guerrera-anarquista-palabras-en-despedida-de-belen-navarrete/

Tradução > anarcademia

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Escalo a colina
cheio de melancolia –
Ah, roseira-brava.

Buson