[França] Paris: Feira anti-Olimpíadas no domingo, 19 de maio

Olá, você está convidado para uma feira anti-Olimpíadas!

Venha comer rosquinhas, irritar Tony Estanguet [famoso canoísta olímpico francês], praticar como apagar a chama olímpica com superpistolas de água e conhecer outras pessoas do VNR que são contra as Olimpíadas e todas as merdas que as acompanham.

Todo mundo tem um motivo para odiar as Olimpíadas. De Paris ao Rio, de Atenas a Tóquio, já há policiais demais em nossos bairros, câmeras em nossas esquinas, códigos QR e portões seguros.

Não precisamos de câmeras algorítmicas para jogar, não precisamos de estádios de concreto, não precisamos de bilhões de euros para festejar. Não precisamos de 20.000 soldados em nossas ruas nem de milhares de policiais. Também não precisamos de bandeiras, seleções nacionais ou competições. Além disso, não gostamos de nada disso! Não precisamos de um “espaço limpo XXL” para nos divertirmos, não precisamos tirar os sem-teto de Paris e não precisamos despejar as okupas (estamos pensando em nossos companheiros da Ile-St-Denis e nas okupas de Montreuil e Vitry que foram despejadas recentemente).

Precisamos de um lugar para nos reunirmos e das ruas para lutar, sair e relaxar. E precisamos de você na praça Place des fêtes no domingo, 19 de maio, às 16h, para a super feira anti-Olimpíadas!

PS: se você quiser levar comida para compartilhar, não hesite!

Fonte: https://paris-luttes.info/kermesse-anti-jo-dimanche-19-mai-18230?lang=fr

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agência de notícias anarquistas-ana

No espaço, um brilho
qual uma folha viva:
O grilo.

Edércio Fanasca

[Itália] Quem foi Emma Goldman?

Sábado, 18 de maio, na FAL, Via degli Asili 33

A partir das 18 horas, apresentação de “Vivendo la mia vita” (Vivendo minha vida)

Autobiografia da “mulher mais perigosa da América”

Emma a vermelha incendiou a segunda metade do século XIX e irrompeu no século XX. Anarquista, operária, filósofa, feminista e revolucionária, ela une o pessoal e o político, antecipa a interseccionalidade das lutas, fala sobre a abolição da prisão, o ateísmo, o antimilitarismo, a maternidade consciente e a contracepção, o amor livre, o internacionalismo.

Tudo isso sem deixar de lado o aspecto alegre da vida, porque “se eu não puder dançar, não é minha revolução!”.

18 horas

Apresentação dos dois primeiros volumes de “Vivendo la mia vita” de Emma Goldman

Estarão presentes a editora Selva Varengo e a tradutora Luisa Dell’Acqua

Edições Quaderni di Paola

A partir de 20 horas aperitivo

Federação Anarquista Livornesa – FAL

collettivoanarchico.noblogs.org

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/06/05/italia-lancamento-vivendo-minha-vida-autobiografia-integral-de-emma-goldman/

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Manhã de frio —
Apoiado num só pé
O papagaio dorme.

Paulo Franchetti

[Espanha] Homenagem da CNT Valladolid ao companheiro Fernando Carballo

Dirijo-me principalmente a vocês, jovens, porque são vocês que têm de fazer uma confederação poderosa, um movimento libertário capaz de varrer o fascismo e o capitalismo… Companheiros libertários, companheiros do universo que é a nossa pátria: não destruam suas mãos aplaudindo o orador, destruam suas mãos para destruir o fascismo internacional!” (Fernando Carballo, comício da CNT em San Sebastián de los Reyes, 1977).

Homenagem a Fernando Carballo, que teve a triste honra de ser o prisioneiro libertário que passou mais tempo na cadeia durante o regime de Franco: 26 anos desde que se recusou a manter silêncio sobre o fato de seu pai ter sido baleado pela Guarda Civil por ser membro da CNT. É o 100º aniversário de seu nascimento em Castronuño.

No dia seguinte à exibição do documentário ‘El entusiasmo’ (Luis Herrero, 2018), no sábado, 18 de maio, ao meio-dia, haverá uma discussão em nossas instalações com Gemma Soriano e, se as circunstâncias permitirem, com Luis, filho de Fernando.

A ideia é discutir mais detalhadamente como era a época de Fernando, como ela ainda influencia a nossa e, se necessário, como ela foi vivida em Valladolid. A “democracia” chegou, a polícia continua a mesma…

Na CNT, encontramos motivos convincentes para prestar homenagem a Carballo:

  • Quebrar o silêncio sobre sua memória e a do movimento do qual ele fazia parte.
  • Expressar nosso reconhecimento às pessoas próximas a ele.
  • Incentivar o debate sobre a face oculta da transição e suas ramificações atuais, e sobre como isso afetou e afeta a CNT.
  • Fortalecer os laços entre ativistas libertários de diferentes origens.
  • Levar essas questões para fora do círculo habitual.

cntvalladolid.es

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Voa andorinha
Com a leve leveza
De quem quer amar

Tatiana K. Goldman

[Chile] Memória e Kontrakultura, Punki Mauri presente!

Na madrugada de 22 de maio de 2009, o companheiro anarquista Mauricio Morales, Punki Mauri, morreu em combate quando o artefato explosivo que carregava para atacar a escola de prisioneiros no bairro Matta, em Santiago, explodiu precocemente.

A morte de um guerreiro jamais passará despercebida por nós. Lembrar e trazer Mauri para as ruas, por meio dessa iniciativa, é também uma forma de validar uma posição de luta frontal – como a que ele escolheu em sua jornada de vida -, uma violência política insurrecional anárquica que, contra todas as probabilidades, continua a existir e a resistir nesse território.

Memoria e Kontrakultura será um novo dia de encontro, onde haverá poesia, arte circense, dança, show de fogo, música, feira antiautoritária, exposição de fotos e cartazes, informações e palavras de nossos companheiros em prisão.

15 anos após a morte em combate do companheiro Mauricio Morales…

NADA ACABOU, TUDO CONTINUA!

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/05/13/chile-mural-em-memoria-do-companheiro-mauricio-morales/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/05/09/chile-cartaz-em-memoria-do-companheiro-mauricio-morales/

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Neste outono,
Como estou ficando velho!
Pássaros nas nuvens.

Bashô

[EUA] Ajude Leonard Peltier a obter CUIDADOS MÉDICOS E LIBERDADE!

O Comitê Leonard Peltier Ad Hoc está arrecadando fundos para os esforços médicos e de libertação

Leonard completará 80 anos de idade em setembro de 2024. Ele está sofrendo com problemas médicos graves, que não estão sendo tratados pela prisão. Ele está perdendo a visão (cegueira que pode ser evitada) e tem uma série de problemas de saúde graves e dolorosos. Nosso ancião, Leonard Peltier, precisa ser transferido para um centro médico que possa e queira lhe dar assistência médica.

Acima de tudo, Leonard precisa voltar para casa para estar com sua família e comunidade fora da prisão, após 48 longos anos.

Nosso Comitê está arrecadando fundos para despesas relacionadas à contratação de especialistas médicos independentes, acomodações, viagens, materiais e outras despesas relacionadas aos cuidados médicos e aos esforços de libertação do Leonard. Tudo isso é fundamental para que ele receba cuidados médicos adequados e seja libertado da prisão.

Por favor, contribua com o que puder. Compartilhe esta campanha de arrecadação de fundos.

https://www.gofundme.com/f/help-leonard-peltier-get-medical-care-freedom

Você também pode doar via Cash App para: $PeltierOfficialComm

A audiência da liberdade condicional de Leonard Peltier está marcada para 10 de junho de 2024

Embora apreciemos muito o apoio de todos, temos algumas solicitações:

Por favor, não vá ao Coleman [presídio]. O fato de um grupo de pessoas convergir para a prisão pode fazer com que eles adiem a audiência.

Por favor, não telefonem para a prisão ou para a comissão de liberdade condicional. O excesso de ligações telefônicas pode atrapalhar o processo.

Em vez disso, sugerimos respeitosamente que se reúnam pacificamente em prédios federais ou locais sagrados para realizar vigílias antes da liberdade condicional, vigílias de oração, vigílias à luz de velas ou qualquer outra forma de apoio legal a Leonard. Por favor: nada de violência. Isso terá um reflexo negativo sobre Leonard e poderá resultar em sua prisão.

Na manhã da audiência da liberdade condicional – 10 de junho – o conselheiro espiritual de Leonard, Lenny Foster, conduzirá um dia mundial de oração com uma cerimônia ao nascer do sol. Detalhes em breve.

Além disso, ainda estamos incentivando todos a entrarem em contato com seus representantes estaduais ou com o Comitê do Judiciário sobre os bloqueios e a negação de atendimento médico. Eles podem lhe dizer: “Esse não é o meu distrito”. Entretanto, os Estados Unidos são o distrito deles; o Congresso é encarregado de supervisionar o BOP (Federal Bureau of Prisons).

https://judiciary.house.gov/contact – (202) 225-6906

A Coleman 1 continua a impor confinamentos por tempo indeterminado. Leonard é rotineiramente preso por até uma semana ou mais, o que é difícil para ele física e mentalmente. A BOP está torturando nosso pessoal até a morte sob o disfarce do confinamento.

Além disso, a Coleman 1 negou os cuidados médicos essenciais de que Leonard precisa.

Fonte: https://www.thejerichomovement.com/news/help-leonard-peltier-get-medical-care-freedom

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/09/21/eua-apoiadores-de-peltier-realizam-comicio-em-frente-a-casa-branca-instando-biden-a-conceder-clemencia/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/06/30/espanha-leonard-peltier-a-vida-indigena-importa/

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Sempre do mesmo lado,
O dia todo e a noite inteira,
O vento da montanha.

Paulo Franchetti

[Rússia] 100º aniversário do início do terror Bolchevique (2018)

Por Anônimo

Estamos em abril de 1918. No dia 12, a Cheka desencadeia um ataque feroz a 26 instalações anarquistas em Moscou, matando dezenas e prendendo 500. A situação política em que essa operação repressiva ocorre é extremamente importante.

A segunda revolução ocorreu há apenas meio ano. Desde então, o partido bolchevique conseguiu o controle burocrático dos sovietes por meio de quatro níveis de comitês e conselhos, cada um mais distante do que o anterior do poder e da participação da classe trabalhadora e dos camponeses. O conselho supremo, o Sovnarkom, é chefiado pelo próprio Lênin, e seu poder é legitimado por delegados eleitos por delegados eleitos por delegados. Entre essa nova classe de políticos profissionais, predominam os bolcheviques, embora eles não constituam a maioria da população do país.

Desde a imposição do controle burocrático, o novo Estado tomou uma série de decisões impopulares. Entre elas está a criação da Cheka, uma força policial secreta amplamente inspirada na Okhrana czarista e liderada por um aristocrata czarista que se tornou bolchevique: Felix Dzerzhinsky. Outra foi a supressão da Assembleia Constituinte após não ter conseguido obter a maioria nas eleições. O mais desastroso de tudo é que, em março de 1918, eles assinaram uma paz humilhante com as potências do Eixo, o Tratado de Brest-Litovsk, pagando reparações maciças e traindo várias nações historicamente oprimidas pela Rússia czarista, como os poloneses e os ucranianos. Sem nenhuma contribuição e negando totalmente o direito à autodeterminação, Lênin cede esses territórios aos imperialistas alemães.

Todos esses recursos e a cessação das hostilidades na Frente Oriental permitem que a Alemanha continue o massacre em massa da Primeira Guerra Mundial até o final do ano. A principal vítima: a classe trabalhadora e seus movimentos internacionalistas. Há outras consequências: a partir de então, os movimentos de libertação nacional na Polônia e na Ucrânia assumiram um caráter decididamente de direita. Na Ucrânia, isso levou a pogroms que resultaram na morte de milhares de judeus, e na Polônia o resultado foi um governo de extrema direita que reprimiu os movimentos dos trabalhadores. Além disso, o influxo de colonos alemães nesses territórios cria um precedente direto para o conceito nazista de lebensraum, a terra que o povo alemão supostamente precisa para sua expansão vital. É um conceito que dará frutos podres algumas décadas depois, durante a aliança historicamente importante entre Hitler e Stalin.

Mais perto de casa, o tratado de paz que Lênin assina com os imperialistas tem consequências mais diretas. Ninguém era a favor. Houve até mesmo muitos protestos dentro do partido bolchevique. Além dos partidos liberais e de direita, que querem continuar a guerra sangrenta, a proposta mais popular é a apresentada pelos SRs, anarquistas e também por muitos bolcheviques, de “nem guerra nem paz”: de acordo com essa proposta, a Rússia abandonaria a guerra imperialista, rompendo sua aliança com os Estados democráticos (França, Reino Unido). Ela transformaria o exército czarista em um exército revolucionário, organizado para realizar uma guerra de guerrilha caso o Estado alemão continuasse seus avanços, promovendo também a solidariedade internacionalista entre as bases do exército alemão, provocando motins que poderiam desencadear uma revolução na Europa Central.

A rejeição dessa proposta custou aos bolcheviques uma boa parte do apoio das classes mais baixas. Os socialistas revolucionários, até então seus aliados, abandonam o governo, acusando os bolcheviques de serem agentes alemães. Outra prova de sua acusação: após a Revolução de Fevereiro (1917), os serviços secretos alemães contrabandearam Lênin de seu exílio na Suíça para a Rússia, na esperança de que ele pudesse ajudar a desestabilizar o Estado inimigo. Especula-se amplamente que, com o Tratado de Brest-Litovsk, Lênin saldou sua dívida com os imperialistas alemães.

Em um contexto de raiva popular contra a traição e o crescente autoritarismo dos bolcheviques, as organizações anarquistas – mínimas às vésperas da Revolução de Fevereiro, mas desde então cada vez mais influentes entre as classes exploradas – realizaram uma propaganda incansável contra o novo regime. Diante do caos econômico, elas propõem o controle direto da economia pelos trabalhadores e camponeses, a ocupação das fábricas e a redistribuição da terra. Eles são a favor da troca direta de mercadorias agrícolas e produtos urbanos, organizada pelos sovietes e não pelos burocratas. Propõem a abolição dos partidos políticos e do controle burocrático dos sovietes, bem como a descentralização ou federação do sistema soviético. Eles propõem a abolição da organização aristocrática do exército em favor de um exército igualitário e revolucionário, com eleição direta de todos os oficiais. E na Ucrânia eles já organizaram esse exército, formado inteiramente por camponeses e trabalhadores, subordinado às decisões políticas dos sovietes, vinculado ao território que defendem e com maior igualdade de gênero do que qualquer outro exército no mundo ocidental. E esse exército está conseguindo o que os bolcheviques não conseguiram: derrotar os imperialistas alemães que invadiram o território oferecido por Lênin, impedir o avanço do imperialismo e espalhar a revolução.

Em outras palavras, os anarquistas têm outra visão da revolução, estão começando a colocá-la em prática e têm se mostrado capazes de defendê-la. Além disso, os anarquistas da Ucrânia começaram a se coordenar com os das principais cidades – Petrogrado e Moscou. Os anarquistas da Sibéria, que dentro de um ano estarão travando uma guerra de guerrilha eficaz contra o Exército Branco, também estão começando a se coordenar com o resto do país. É nesse momento que os bolcheviques atacam.

Em Moscou, onde os anarquistas se tornaram fortes, a Cheka inicia sua operação. Em um único dia, 12 de abril, eles invadiram 26 prédios anarquistas, assassinaram dezenas e prenderam 500. Para justificar sua agressão, eles usaram a linguagem da burguesia. Eles acusam os anarquistas de serem “bandidos” e “criminosos” por terem desapropriado casas burguesas, embora elas estivessem sendo usadas de forma revolucionária como centros sociais e moradias coletivas. Os bolcheviques demonstram sua tendência a buscar alianças com as classes privilegiadas: no dia das invasões, os ricos proprietários de terras se unem à Cheka para retomar suas propriedades e maltratar os revolucionários presos.

A operação se espalha rapidamente para Petrogrado com mais invasões e prisões. A Cheka começa a realizar execuções sem julgamento. Nessa primeira operação anti-anarquista, um total de 800 revolucionários são assassinados.

Por volta dessa época, apenas meio ano após a Revolução de Outubro, os bolcheviques organizam o sistema Gulag, que acabará devorando milhões de vidas, a grande maioria de camponeses e trabalhadores.

Juntamente com o Tratado de Brest-Litovsk, a operação de abril é o evento que revela a natureza contrarrevolucionária do partido bolchevique, aqueles que acabarão sendo os carniceiros, os executores da revolução. Seu autoritarismo ficou evidente em junho, quando começaram a reabilitação e o recrutamento sistemáticos de oficiais czaristas, transformando o Exército Vermelho em uma instituição elitista e imperialista. Essa tendência de buscar a cumplicidade das classes dominantes se materializou em nível mundial alguns anos depois, quando Lenin concluiu acordos econômicos com as principais potências capitalistas.

O próprio Lênin reconhecerá o papel contrarrevolucionário de seu partido durante os dias sombrios da Rebelião de Kronstadt, quando Trotsky e Tukachevsky suprimiram essa revolta revolucionária contra a ditadura bolchevique. De acordo com Victor Serge, Lênin disse: “Este é o Thermidor. Mas não permitiremos que sejamos guilhotinados”. Thermidor é uma referência ao triunfo da reação na Revolução Francesa, marcado pela prisão e execução de Robespierre e outros jacobinos (que foram a principal referência para os bolcheviques e uma inspiração para sua estratégia de golpe, que rompe com a doutrina marxista).

Lênin não mediu palavras ao afirmar que os bolcheviques teriam de constituir a contrarrevolução. Eles estavam preparados para cometer qualquer atrocidade contra os camponeses e trabalhadores. Sua prioridade número um era agarrar-se ao poder, custasse o que custasse. Esse autoritarismo contrarrevolucionário era visível na burocratização dos sovietes, óbvio no tratado com as potências imperialistas e inegável na repressão sangrenta de seus aliados na Revolução de Outubro, os anarquistas.

Leia mais sobre a contrarrevolução bolchevique:

https://crimethinc.com/2017/11/07/one-hundred-years-after-the-bolshevik-counterrevolution-a-timeline-charting-the-destruction-of-popular-movements.

https://theanarchistlibrary.org/library/anonymous-april-2018-one-hundred-year-anniversary-of-the-beginning-of-bolshevik-terror

Fonte: https://libertamen.wordpress.com/2024/05/03/abril-de-2018-centenario-del-inicio-del-terror-bolchevique-2018-anonimo/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Vejo o tempo
que passa.
Cabelos grisalhos.

Aprendiz

[São Paulo-SP] Grupo de Estudos Lucy Parsons | Modelo híbrido

Ao longo dos dias, recebemos mensagens de pessoas demonstrando interesse em participar do Grupo de Estudos Lucy Parsons mas que não poderiam estar presencialmente.

Nesse sentido, pensamos que poderíamos testar um novo modelo de encontro que ainda não experimentamos, o modelo híbrido.

Os encontros continuarão acontecendo na Biblioteca Terra Livre, mas estaremos conectados numa sala de reunião on-line. Para poder participar e receber o link, mande-nos um e-mail para bibliotecaterralivre@gmail.com

agência de notícias anarquistas-ana

A sensação de tocar com os dedos
O que não tem realidade –
Uma pequena borboleta.

Buson

[São Paulo-SP] Ciclo de debates: espaços anarquistas | 18 de maio: Ativismo ABC

A Biblioteca Terra Livre comemora, em 2024, seus 15 anos de existência. Será um ano de muitas iniciativas comemorativas e formativas.

Muitas pessoas antes de nós se associaram para criar e manter espaços de organização, luta e sociabilidade numa perspectiva libertária. Projetos em que de certa forma participamos ou que nos influenciou na construção de um acervo, um coletivo e uma sede que pudesse ser a materialização de um novo modo de relação social e política baseado na autogestão e na ação direta.

Para celebrar e relembrar todas essas iniciativas bem como refletir sobre suas práticas, conquistas e desafios, realizaremos o CICLO DE DEBATES: ESPACOS ANARQUISTAS. Ocorrerá no Centro de Cultura Social, o espaço libertário mais duradouro do Brasil, fundado há mais 90 anos.

Os primeiros encontros contarão a história de três espaços emblemáticos dos anos 2000/2010 através da exibição de documentários seguidos de conversa com alguns de seus membros.

Reserve as datas, sempre um sábado às 16h:

18 de maio: Ativismo ABC

15 de junho: Casa Mafalda

No segundo semestre daremos continuidade ao Ciclo, pois há muita memória e luta na experiência de espaços como o próprio Centro de Cultura Social, o Instituto de Cultura e Ação Libertária, o Espaço Ay Carmela!, a Casa do M.A.R., o Espaço Germinal, a Comuna Goulai Pole, o Centro de Cultura Social Vila Dalva, a Biblioteca Carlo Aldegheri e muitos outros locais de luta e resistência anarquista que deixaram suas marcas nas lutas sociais em seus territórios de atuação.

Centro de Cultura Social (CCS)

Rua General Jardim, 253, Sala 22 – Próximo ao metrô República — Vila Buarque – São Paulo – SP

agência de notícias anarquistas-ana

nuvens insultam o céu,
aves urgentes riscam o espaço;
pingos começam a molhar.

Alaor Chaves

[Espanha] O A na bola: pequeno dossiê para desfazer dúvidas sobre sua origem

Por Tomás Ibáñez

Podemos explorar e pesquisar exaustivamente todos os arquivos, voltar no tempo o máximo possível e viajar por todos os continentes que, mesmo assim, a realidade permanece teimosa: antes de abril de 1964, nenhum A dentro de um círculo simbolizava a anarquia e o anarquismo.

Nenhum pôster, nenhuma inscrição na parede, nenhum vestígio. Mas não há mistério nessa ausência. É tão simples quanto o fato de que tal símbolo anarquista não poderia ter existido antes de ser concebido, o que ocorreu precisamente em abril de 1964.

O fato de a origem do símbolo estar bem documentada não impediu que inúmeras especulações (algumas mais fantasiosas do que outras) circulassem, mesmo dentro dos círculos anarquistas, e que fossem registradas em várias histórias libertárias que tratam do assunto. No entanto, o que estamos tratando aqui é da história de um símbolo, não de um desenho em particular, uma vez que representações da letra A rodeada por um círculo certamente existiram ao longo dos séculos, porém sem qualquer ligação com o anarquismo.

No momento da publicação deste dossiê (abril de 2024), sessenta anos se passaram desde que o “A na bola” foi apresentado publicamente como uma proposta de símbolo do anarquismo. Os documentos que atestam sua origem permanecerão vivos por muito tempo, mas a possibilidade de que seus criadores ainda possam dar seu testemunho sobre isso durante suas vidas logo desaparecerá. É por isso que não quis esperar mais tempo para compilar e divulgar este dossiê, embora Marianne Enckell e Amedeo Bertolo já tenham relatado os aspectos essenciais em um artigo de 2002 que é aqui reproduzido.

A importância de identificar a origem do A dentro de um círculo não está tanto em esclarecer exatamente onde e por quem ele foi concebido, mas em delimitar seu significado, pois isso explica sua extraordinária difusão. Tampouco se busca estabelecer uma autoria indevida, pois, embora seja verdade que o A anarquista tenha sido criado e apresentado em abril de 1964, ele só se tornou um símbolo pela ação de milhares de anarquistas em todo o mundo que o adotaram e o colocaram em diversos suportes: muros, bandeiras, faixas, publicações e até tatuagens. Assim, o A na bola provavelmente se tornou o símbolo político mais difundido no mundo, evocando direta e inequivocamente o anarquismo.

>> Para baixar o dossiê, clique aqui:

https://contradominacion.wordpress.com/wp-content/uploads/2024/04/dosier-espanol-a.pdf

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

brisa suave:
voejam borboletas
por todo jardim

Nete Brito

[Itália] Para a ENI, a culpa da crise climática é sua

Imaginem um mundo no qual as companhias petrolíferas erguem-se como paladinas da ecologia, prontas a ensinar o verdadeiro significado da responsabilidade ambiental. Poderia parecer uma fábula, mas, de algum modo, nestes últimos anos as maiores multinacionais do óleo e do gás fizeram se tornar realidade esta absurda perspectiva. Vamos contar como, dando um passo atrás, de exatamente vinte anos.

Em 2004, nos conta o jornalista Mark Kaufman em Mashabale, a multinacional britânica BP – ativa no setor do óleo e gás – promoveu um instrumento de comunicação que teve (infelizmente) um extraordinário sucesso naquela época. A empresa, explica Kaufman em sua investigação, apresentou naquele ano “o seu ‘calculador das ´pegadas de carbono’, de forma que se pudesse avaliar como a vida cotidiana normal – ir ao trabalho, comprar alimentos e viajar – fosse responsável por grande parte do aquecimento do planeta”.

Depois de ter implementado por décadas aquilo que a organização Union of Concerned Scientists chamou de “o protocolo da desinformação”, algumas grandes companhias dos combustíveis fósseis no início do milênio decidiram pôr em prática essa estratégia, definida pelo jornalista Stefano Vergine e pelo docente universitário Marco Grasso, em seu livro “Todas as mentiras das petrolíferas”, como um verdadeiro “eximir-se de responsabilidades”.

Esta tática, explicam os dois autores, “consiste em enquadrar as questões das mudanças climáticas como um tema de responsabilidade individual, ditado pelas escolhas de consumo dos indivíduos […]. Essa jogada é feita para impedir o entendimento de que a crise climática é um problema estrutural em grande medida guiado pela indústria petrolífera e pelo seu obstinado negacionismo, da desinformação e da pressão política. Desse modo, as companhias petrolíferas conseguiram esconder as suas responsabilidades pelas mudanças climáticas e apresentarem-se como aqueles que, simplesmente, atendem uma demanda existente”.

Um expediente narrativo muito sutil, que, entretanto, recentemente sofreu uma evolução ainda mais culpabilizante (e portanto auto-absolvidora, do ponto de vista das agendas fósseis) em relação aos cidadãos e cidadãs. Nos últimos meses, de fato, são nomináveis pelo menos três diferentes exemplos de grandes empresas do óleo % gás – Exxon, Shell e ENI – que, para defender-se, tentam descarregar praticamente toda a culpa da crise climática sobre quem compra os seus produtos, ou seja, o consumidor final.

Particularmente, a Shell e a ENI estão utilizando esta tese nos tribunais para rebater as acusações que, respectivamente nos Países Baixos e na Itália, estão sendo movidas contra elas pelas organizações ambientalistas e por cidadãos e cidadãs que decidiram denunciá-las pelo impacto causado no clima do planeta, para que sejam obrigadas através de uma sentença judicial a rever seus planos industriais para respeitar o Acordo sobre o clima de Paris.

Um exemplo? Eis o que escreve a ENI em suas memórias de defesa apresentadas no âmbito da causa processada por Greenpeace ItaliaReCommon e doze cidadãos e cidadãs: “A atividade produtiva da ENI, assim como aquela de todas as outras companhias petrolíferas, responde às exigências das demandas de energia. A atividade que gera o principal impacto emissor é, portanto, aquele da coletividade que compra e utiliza os produtos energéticos para os mais diversos usos”.

Pecado que os fatos desmentem ainda uma vez esta narrativa absurda das gigantes fósseis. Como explica um recentíssimo artigo do The Guardian, a diferença entre o que é sustentado pelas três companhias de óleo & gás precedentes, 80% das emissões globais dispersas na atmosfera desde 2016 até hoje, portanto da assinatura do protocolo de Paris em diante, é produzido por 57 empresas, ativas nos setores da produção de cimento e da exploração do carvão, gás ou petróleo. Entre esse grupo restrito de empresas, estão ExxonMobil, Shell e ENI. A companhia italiana, em particular, está entre as primeiras dez companhias privadas (no 9º lugar) entre as que emitiram mais gases que produzem alteração climática de 2016 até o presente, a 33ª em nível global entre aquelas mais impactantes, desde sempre, sobre o clima no planeta.

Quando estas empresas ficam embaixo das lentes de aumento da sociedade civil, contra-atacam acusando os consumidores e consumadoras de serem os verdadeiros culpados do caos climático que estamos vivendo. Vocês leram direito: devemos ser nós a carregar em nossas costas o peso da crise climática enquanto elas nos observam de longe com ar de heroica superioridade, obtida graças a décadas de emissões devastadoras para o planeta.

Além do dano causado pela piada, enfim: enquanto continuam a livrar bilhões sobre a nossa pele, estas empresas procuram nos fazer sentir culpados pelos desastres ambientais que elas mesmas causaram. Chegou a hora de dizer basta e fazer com que as multinacionais como ENI paguem pelos danos que inferiram ao nosso planeta e às nossas vidas. Também para essa Justa Causa, decidimos levar a companhia italiana mais poluidora no planeta ao tribunal

Fonte: https://www.recommon.org/per-eni-la-colpa-della-crisi-climatica-e-tua/

Tradução > Carlo Romani

agência de notícias anarquistas-ana

Entardecer
Sob o velho telhado
Retornam pardais.

Hidemasa Mekaru

Capitalismo verde? Não, obrigadx!

[EUA] AnarSec – Guias Técnicos Para Anarquistas.

Em todos esses anos, nunca vimos um recurso tecnológico mais promissor para ativistas do que o AnarSec. Isto é o que as pessoas por trás do projeto têm a dizer:

AnarSec é um novo recurso projetado para ajudar anarquistas a navegar no terreno hostil da tecnologia – guias defensivos para segurança digital e anonimato, bem como guias ofensivos para hackers. Todos os guias estão disponíveis em formato de livreto para impressão e serão mantidos atualizados.

Como anarquistas, devemos nos defender contra a polícia e agências de inteligência que realizam vigilância digital com fins de incriminação e mapeamento de redes. Com a série defensiva, nosso objetivo é obscurecer a visibilidade do Estado em nossas vidas e projetos. Nossas recomendações destinam-se a todos os anarquistas e são acompanhadas de guias para colocar os conselhos em prática.

Com a próxima série ofensiva, esperamos contribuir para a prática de hackear o Estado e o capital. Leitores sagazes podem notar que a arte apresentada em nossa página inicial e em nossos livretos foi retirada de comunicados, detalhando como anarquistas roubaram um banco (Phineas Fisher) e destruíram servidores policiais (AntiSec) usando apenas um teclado.”

Você pode encontrar todos os guias e recursos fantásticos em seu site:

www.anarsec.guide

Continuaremos publicando as séries Tech&Sec 101, quando encontrarmos tempo para escrevê-las, mas aconselhamos a todos que se preocupam com sua existência à longo prazo no movimento, a ficarem de olho nesse site e aprenderem com ele.

A PRIVACIDADE É UM DIREITO HUMANO!

Tradução > meiocerto

agência de notícias anarquistas-ana

Nuvem, ergue a pálpebra!
Quero ver o olho de cego
com que sondas a noite.

Alexei Bueno

[Espanha] A Primavera Libertária retorna repleta de críticas sociais

Palestras, apresentações, uma exposição e performances serão realizadas nos dias 17 e 18 de maio no CSO Kike Mur, localizado no bairro de Torrero, em Zaragoza, organizadas pela Acción Libertaria.

Mais de um ano se passou e a Primavera Libertária está florescendo novamente. Assim começa o comunicado enviado pela Acción Libertaria para anunciar uma nova edição desses dias dedicados ao anarquismo.

O evento será realizado nos dias 17 e 18 de maio com uma série de palestras, apresentações e performances culturais “cheias de crítica social”.

A jornada começa no dia 17 de maio, às 18 horas, com uma exposição sobre a experiência histórica do Conselho de Aragão e, às 20 horas, com a apresentação da revista Germinal por Alfredo González.

No sábado, dia 18, às 12h30, o livro “Un círculo y una A, anarquismo para jóvenes” será apresentado pela editora “La neurosis o las barricadas”. Às 16h00, os Torrerianos se apresentarão. Às 18 horas, a palestra “Da publicação à revolução. Mujeres Libres”, com a historiadora Laura Vicente. A Primavera Libertária será encerrada com um recital de rap de “Zorro Negro”.

Todas as atividades serão realizadas no CSO Kiker Mur, com entrada pela Plaza de la Memoria, no bairro de Torrero, em Zaragoza.

Fonte: https://arainfo.org/vuelve-la-primavera-libertaria-cargada-de-critica-social/

agência de notícias anarquistas-ana

Tens frio nos meus braços
Queres que eu aqueça
O vento

Jeanne Painchaud

[Portugal] Ajuda-nos a comprar o nosso Centro Social Anarquista em Lisboa

Olá!

Com o processo de compra da Disgraça em andamento – dos quais já arrecadámos 6.555€ em crowdfunding, 4.000€ no Smash the Estate Fest no mês passado, bem como alguns empréstimos de companheires – permitimo-nos alguma nostalgia e decidimos relembrar os primeiros passos do centro social.

Tudo começou no 11 de Setembro de 2015. No topo de umas das colinas de Lisboa, abriram-se as portas da Disgraça. Das paredes brancas e insípidas, das salas vazias e de eco enfezado, e da multitude das vontades que convergiram para aquele lugar, desabrochou este projeto irrequieto. Paredes caíram, paredes subiram, paredes rabiscaram-se. E como se de uma nascente de insubordinação se tratasse, vinda das profundezas do subsolo da cidade, materializámos, sala por sala, o potencial comunitário de cada uma. Movides por sonhos, vontades e necessidades comuns, construiu-se uma cantina e sala de convívio, uma biblioteca, uma sala de concertos D.I.Y., uma oficina onde impera o caos, uma sala de ensaios e uma de serigrafia, um ginásio (o lugar mais arrumado da casa), a loja livre Desumana, e, da memória de uma montra vazia, fez-se uma acolhedora livraria anarquista – a Tortuga.

Porém, o trabalho de arrecadação de fundos, construção de afinidades e exercício do imaginário coletivo começou alguns meses antes, em momentos e espaços espalhados pela zona metropolitana da cidade, onde váries companheires se reuniram, muites pela primeira vez, motivades pela seguinte chamada:

“Estamos aborrecidos.

Fartos da cíclica e entediante procura por um espaço de expressão livre. Livre das expectativas de gestores de espaços “coolturais” presos a métodos enraizados no medo da dissonância e distorção humana. Livre das pressões económicas dos profissionais da cultura. Livre daqueles para os quais a criatividade gratuita ou a baixo preço não parece uma boa premissa e que querem a todo o custo taxá-la, regularizá-la, limitá-la e obter lucro a partir dela. Vai sempre existir uma licença em falta, uma lei inventada, uma queixa falsa ou qualquer outra coisa com vista a impedir e complicar algo tão simples como 3 acordes.

Não queremos ser castrados nem esterilizados.

Queremos motivar e ser motivados.

Queremos abrir um espaço que seja um laboratório de expressão individual, onde qualquer um possa realizar os seus projectos e ideias de maneira espontânea e incondicionada. Um espaço que estimule o espírito DIY e de autoprodução.

Queremos espaço para a música percorrer um caminho mais curto entre os executantes e o público.

Queremos providenciar ferramentas para a emancipação individual e colectiva através de espaço para o corpo, a mente e habilidades, assim como para a canalização da frustração e da raiva.

Não nos vamos deixar subjugar por quem claramente não quer que certas ideias sejam difundidas, que certos eventos sejam realizados, ou que certas verdades sejam berradas.

Por isso criámos um colectivo para auto-gestionar um espaço arrendado no centro de Lixoboa. Uma sala de espetáculos, um estúdio, uma infoshop, um espaço para actividades físicas, serigrafia, workshops vários e tudo o que a imaginação e as oportunidades nos permitirem. Um lugar para construir, destruir e reconstruir.

Para que esta ideia se torne realidade, planeámos uma série de eventos benefit que contribuirão para a primeira renda e despesas iniciais inerentes à abertura do espaço.

Até lá se não antes.

Disgraça.

15/03/2015″

Para acabar, aqui vai uma data de materiais que podem usar para nos ajudar a divulgar o crowdfunding:

Fanzine em 6 línguas diferentes:

https://cloud.coletivos.org/s/s2Nwr3WyfB4dj94

Poster em várias línguas e formatos:

https://cloud.coletivos.org/s/PoX4WkAFiBNdgwr

Slides quadrados (instagram, etc)

https://cloud.coletivos.org/s/REzyQkrpZREbaKQ

>> Apoie aqui (crowdfunding):

https://www.gofundme.com/f/disgraca

agência de notícias anarquistas-ana

Horizonte rubro
Ave branca atravessando
O branco do luar.

Zuleika dos Reis

[Espanha] Para que serve a polícia

“A polícia não evita o crime. Esse é um dos segredos mais bem guardados da vida moderna. Os especialistas sabem disso, a polícia sabe disso, mas o público não sabe. No entanto, a polícia afirma ser a melhor defesa da sociedade contra o crime e argumenta repetidamente que, se receber mais recursos, especialmente mais pessoal, poderá proteger as comunidades contra o crime. Isso é um mito”.

Tomamos o livro de Paul Roche “Qué hace la policía” (O que a polícia faz) como uma desculpa para falar sobre o papel e a natureza da polícia. Para isso, contamos com Pablo Lópiz e Daniel Jimenez, autores do prefácio.

Vamos nos aprofundar no conceito de razão policial, em que a polícia gasta seu tempo e seus recursos, qual é seu papel na construção do Estado e do capitalismo, etc.

As forças de segurança nunca evitaram o crime, mas esse é um dos segredos mais bem guardados desde suas origens. Nessa névoa, o mito de uma instituição policial eficaz e necessária é o ponto de partida das narrativas das classes dominantes quando abordam as questões de ordem social e liberdade. Quanto ao passado mais recente, o modelo de aumento linear do tamanho e dos poderes das forças policiais estourou na década de 1990, experimentando um crescimento exponencial: o poder da polícia se espalha como uma praga e a proliferação de seus excessos reflete uma verdadeira institucionalização do catálogo da violência legal.

>> Áudio da entrevista aqui: https://go.ivoox.com/rf/119223869

Fonte: https://culturayanarquismo.blogspot.com/2024/04/para-que-sirve-la-policia.html

agência de notícias anarquistas-ana

Durante o pôr-do-sol
Vejo andorinhas voando
Juntas, sempre em bando.

Renata da Rocha Gonçalves

[Espanha] Campanha contra o alto custo de vida

Durante as últimas semanas, a partir do Núcleo Confederal da CNT-AIT da Sierra de Madrid, demos visibilidade à situação sufocante em que vivemos em relação ao custo de vida.

Como destacamos no texto com o qual iniciamos a campanha (mais informações: https://sierra.cntmadrid.org/contra-carestia-vida/), “na Sierra, passamos por dificuldades como o pagamento de aluguéis ou a compra de uma casa, a falta de instalações de saúde, como o fechamento de pronto-socorros rurais ou a falta de pessoal pediátrico, as más condições de transporte na rede de ônibus, o luxo de viajar de carro devido ao alto preço do combustível. O mesmo luxo que está se tornando poder comprar alimentos de qualidade ou manter nossas casas em uma temperatura aceitável”.

E, mais uma vez, as pessoas e as famílias da classe trabalhadora estão arcando com o ônus. Enquanto tentam nos distrair com seu circo político e parlamentar, o Estado e o capitalismo estão nos conduzindo a um mundo cada vez mais inabitável, com a ameaça de guerra pairando sobre nossas cabeças. Uma guerra que nunca terminou de fato e que agora chegou a extremos terríveis como os da Palestina. Um mundo que está se precipitando em direção a uma crise climática e ecológica sem retorno e no qual a precariedade, a exploração e a miséria estão se espalhando para o benefício de poucos. Um mundo, no entanto, diante do qual não podemos mais ficar paralisados, porque nossas vidas estão em jogo.

Como dissemos no início deste texto, durante as últimas semanas estivemos em Villalba, Soto del Real, Guadalix de la Sierra, Miraflores de la Sierra e Bustarviejo colocando cartazes e propaganda para essa pequena campanha “Contra o alto custo de vida” e do próprio sindicato. Além disso, na terça-feira, 16 de abril, montamos uma mesa de informações em Guadalix de la Sierra, ao lado de um supermercado local. Conseguimos falar com vários vizinhos e recebemos a visita habitual da polícia (sem nenhum incidente relevante).

Na CNT-AIT da Sierra de Madrid, continuaremos a apontar os culpados por nossas misérias e a nos organizar para lutar por uma vida digna e plena, pois se não fizermos isso nós mesmos, ninguém mais o fará.

>> Mais fotos: https://sierra.cntmadrid.org/difusion-contra-carestia-vida/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/09/30/espanha-contra-o-aumento-do-custo-de-vida-autogestao-e-acao-direta/

agência de notícias anarquistas-ana

Muita brisa à noite.
Dos jasmineiros da rua,
perfumes e flores.

Humberto del Maestro