[Espanha] O processo eleitoral no centenário de Kafka

Não há necessidade de fazer campanha pela abstenção. A abstenção eleitoral é sua própria campanha. E para que fique registrado, nós, anarquistas, não demos um pio. Não podemos ser acusados de nada. Somos inocentes. Aproximadamente 51% de abstencionistas nas eleições europeias, com um avanço da direita e da ultradireita na União Europeia. E a esquerda está no fundo do poço, consumida por suas próprias contradições. Menciono, por exemplo, que ela enche o saco o tempo inteiro sobre unidade, e se fragmenta sempre que pode.

E eles fazem isso por causa das posições, das listas e das pequenas postagens? Aqui vai uma ideia, olha só. Não é a mesma coisa prosperar no PSOE do que em seu próprio cercadinho, mesmo que seja um pequeno. Ocorreu-me que poderia ser isso. Por outro lado, eles dizem que a União Europeia não tem valor, dando assim asas ao euroceticismo de extrema direita. E dizem que a União Europeia é cúmplice do massacre na Palestina, quando acontece que suspiram por um cargo em Bruxelas. Não sei, tudo isso me parece muito estranho. Eu poderia procurar um monte de bobagens, mas… Qual é o objetivo? As pessoas, cinquenta e poucos por cento do eleitorado, percebem por si mesmas que seu voto é, na realidade, irrelevante.

Não falta quem diga que é a abstenção a culpada pelo avanço dos extremistas… Porra, quando Hitler ganhou as eleições na Alemanha, com dezessete milhões de votos, 89% do eleitorado votou. Em outras palavras, os que não votaram foram os doentes, os inválidos, os marinheiros, os que estavam viajando e os pastores nas montanhas, e o NSDAP ganhou. O que isso prova? Que os extremistas, fascistas e reacionários não vencem porque há muita abstenção. Eles vencem porque muitas pessoas votam neles. Para evitar isso, tudo o que a esquerda eleitoral precisa fazer é fazer com que as pessoas votem nela em vez de votar no nacionalismo. Muito simples.

E quanto aos pactos antinaturais, ou o que quer que digam… Ora, a esquerda não tem problema em fazer pactos com a direita quando lhes convém. Aí você pode ver os pactos que eles fazem com o Junts, que é um partido reacionário ao extremo, de direita, eu diria bem de direita, e até mesmo a CUP está em um pacto com eles, pela matemática eleitoral.

De qualquer forma, para esclarecer mais uma vez: a esquerda promove o voto passivo, o voto acrítico, o voto apático. E promove a abstenção. Eles não querem que você vote, eles querem que você vote neles. Seu objetivo é obter uma maioria de eleitores e governar. O governo divide a sociedade em governantes e governados. Entre os governados e dominados, nós, anarquistas, somos e sempre seremos uma minoria que não quer governar, nem ser governada, nem mandar, nem obedecer. E é por isso que não votamos, já que a convocação para votar, o que ela faz é dar ao governante o aval para nos governar, para legislar por nós. Desde a Revolução Francesa de 1789, passaram-se 235 anos em que a legislação, após sucessivos experimentos eleitorais, criou o mundo moderno. Suas leis, com muitos governos de esquerda em várias épocas, foram criadas para tornar os ricos das democracias muito ricos.

Agora imagine uma pessoa pobre que quer, sei lá, uma dessas coisas mesquinhas que os pobres pedem, como um emprego ou dinheiro para a cerveja. Será que a pessoa pobre espera tranquilamente as eleições chegarem e vota em seu representante, imaginando que ele legislará a seu favor? Pense bem: o que uma caixa de supermercado, em um turno infernal, com uma raiva assustadora, que chega em casa e tem que trabalhar para três filhos e um marido, ganha com seu voto na esquerda? Nada.

Possivelmente por isso, não vota. Ou vota na direita.

Fonte: https://alasbarricadas.org/noticias/node/54774

Tradução > anarcademia

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agência de notícias anarquistas-ana

caminho de terra,
o mato à margem exala
perfumes silvestres

Zemaria Pinto

 

Protestos varrem a França contra a ameaça da extrema-direita

Cresce a preocupação com a mobilização fascista para as eleições depois de seu crescimento no parlamento europeu

Protestos contra a extrema-direita têm varrido a França, de Paris a Montpellier, após o sucesso da extrema-direita nas eleições da União Europeia e a malfadada reação do presidente Emmanuel Macron: uma eleição parlamentar rápida. Por duas noites consecutivas, centenas de milhares de pessoas saíram às ruas.

Os protestos refletem a crescente preocupação de que Macron tenha proporcionado à extrema-direita uma abertura política, semelhante aos facilitadores de centro-direita na Holanda e agora no Parlamento Europeu. O partido de extrema-direita Rassemblement National (RN) – um novo nome para o Front National – venceu a votação do Parlamento Europeu francês com 31,5%. Em seguida, Macron dissolveu a assembleia geral, declarando que confiava na “capacidade do povo francês de tomar as melhores decisões para si e para as gerações futuras”. O primeiro turno dessas eleições está programado para o dia 30 de junho e o segundo turno para o dia 7 de julho.

Paris viu mais de dez mil manifestantes queimarem barricadas e manter as ruas depois da meia-noite, enfrentando gás lacrimogêneo e granadas de atordoamento. Em Bordeaux, os manifestantes se reuniram na Place de la Victoire, protestando com grafites e fogueiras, enquanto a polícia disparava gás lacrimogêneo. Lá também, muitos continuaram a ocupar as ruas. A noite também foi marcada por ataques a bares de extrema-direita, bancos, e lojas de grife. Em Angers, o bar “Le Bazar”, conhecido como um quartel-general neonazista, foi atacado.

Em Nantes, cerca de 4.000 manifestantes (de acordo com as contagens oficiais) marcharam em direção à delegacia de polícia, onde incendiaram barricadas. Confrontos semelhantes ocorreram em Lyon, Toulouse, Rennes. Estrasburgo, Caen, Montpellier, Nancy e outras cidades. Em Dijon, os estudantes do ensino médio saíram em passeata às 10h30 do dia 11 de junho e convocaram os estudantes de todo o país a se juntarem a eles.

Outras assembleias antifascistas foram planejadas durante esta semana, com os organizadores de uma manifestação em Paris declarando que “Macron, o incendiário” havia “estendido o tapete vermelho para os fascistas” e alertando que “nossa salvação não virá das urnas”.

~ Alisa-Ece Tohumcu

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2024/06/13/protests-sweep-france-to-face-far-right-threat/

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

as crianças
naquele pátio, e o sol
brincando de esconder

Carlos José Ribeiro

 

[França] Deixemos as urnas, vamos para as ruas!

Rejeitemos essa farsa democrática, que pretende nos fazer acreditar que o Estado é a solução para nossos problemas, quando na verdade ele é o problema a ser destruído!

Rejeitemos o nacionalismo de extrema direita e o nacionalismo de esquerda.

Vamos rejeitar essas eleições. Vamos atacá-las.

Reunião na terça-feira, 18 de junho, às 18h30, no l’impasse

Milhares de nós saímos às ruas de Toulouse na segunda-feira, 10 de junho, gritando nosso ódio “ao Estado, à polícia e aos fascistas”, parando no gás e confrontando a polícia, alguns de nós atacando símbolos do poder.

Enquanto isso, outros querem nos fazer acreditar que votar é lutar, e eles têm nos contado a mesma velha história há mais de 20 anos: vote no bloco de centro (esquerda ou direita) ou a extrema direita estará no poder. Como seus antecessores, Macron também usa essa estratégia.

Uma vez no poder, esses blocos nunca deixaram de adotar as medidas e ideias da extrema direita. Tanto é assim que, em muitas questões, Macron adotou claramente o estilo de Le Pen. Essa é, obviamente, uma estratégia eleitoral com uma ideia maluca: conquistaremos seus eleitores implementando o programa da extrema direita. É claro que o efeito é o oposto: a aplicação do programa da extrema direita legitima suas propostas, banaliza sua retórica e abre caminho para sua ascensão ao poder.

Mas não podemos nos esquecer de que essa não é uma situação nacional, mas sim global.

A situação está se endurecendo em todo o mundo: as potências estão se entrincheirando por trás de políticas autoritárias que aumentam drasticamente o nível de exploração (cortes de salários, desemprego, pensões, benefícios de saúde, aumentos de preços etc.), dilacerando o planeta, enquanto aumentam o nível de repressão aos movimentos sociais e às lutas locais. Tudo isso enquanto renegociam os termos de sua competição global por meio de guerras.

Nesse contexto, o nacionalismo, o patriotismo, a repressão das lutas sociais e da crítica radical são uma necessidade para os Estados, e a ascensão da extrema direita é uma consequência óbvia. Ele é liderado e incentivado por um número cada vez maior de burguesias nacionais em todo o mundo (EUA, Brasil, Índia, Itália, Hungria…).

Mas a proposta da Frente Popular também é uma proposta nacionalista. As soluções propostas pela esquerda são sempre soluções que envolvem o Estado, ou seja, a nação. É por isso que ela sempre nos leva a ficar dentro de nossas fronteiras, como todas as butiques políticas. É por isso que o PS está claramente indo para a guerra, enquanto o LFI se gaba da posição excepcional da França no cenário internacional como uma potência nuclear. Sem mencionar o fato de que essas diferentes tendências participam, em todo o mundo, sempre que estão no poder, da realização das políticas exigidas pelo capital. Os gregos pagaram o preço com o Syriza. Mas não devemos nos esquecer de que foi o PS que aprovou a Lei Trabalhista e a criação de prisões para estrangeiros (CRA). E com seus apelos por calma nas manifestações, nós é que fomos prejudicados.

A mesma esquerda que agora está tentando nos vender um futuro melhor e antifascista é a mesma que amanhã imporá a austeridade necessária para o esforço de guerra e defenderá os interesses do Estado francês, que ela representará.

Por outro lado, há outra perspectiva: a da autonomia e da revolução! Pois é atacando o Estado e suas estruturas, e as condições de merda que o capitalismo nos reserva, que poderemos nos opor concretamente a ele, explodindo as fronteiras e o nacionalismo que as acompanha!

Então, juntos, vamos rejeitar essa farsa democrática que tenta nos fazer acreditar que o Estado é a solução para nossos problemas, quando na verdade ele é o problema a ser destruído! Vamos rejeitar essa feira política que é uma farsa diante da situação. Rejeitemos esse mandato para nos sentirmos culpados por não votar. Agora mesmo: vamos rejeitar o nacionalismo de extrema direita e o nacionalismo de esquerda. Vamos rejeitar essas eleições. Vamos atacá-las. Vamos nos organizar contra o Estado, em todas as suas formas e em todos os seus disfarces.

É por isso que propomos nos reunir na terça-feira, 18 de junho, às 18h30, no l’impasse (l’impasse lapujade, bairro de Bonnefoy) para ver como podemos nos organizar contra esse contexto eleitoral.

Contra as eleições e as nações: revolução!

Assembleia de Ação Autônoma

https://t.me/tsunamitoulouse/

Fonte: https://www.autistici.org/tridnivalka/france-laissons-leur-les-urnes-prenons-la-rue/

agência de notícias anarquistas-ana

sob a janela
o gato prepara o salto
como sempre faz

Fred Schofield

[Espanha] Desde uma profunda raiva que se inflama

No início deste mês, recebemos um alerta muito preocupante que nos pegou de surpresa. Amadeu Casellas estava em coma na UTI. Quinze dias antes, Amadeu havia nos telefonado para dizer que estava se sentindo mal e que havia deixado a prisão para ir ao hospital, onde ficou internado até o fim de semana.

Ele foi mantido sob medicação e, à medida que melhorava, foi-lhe prescrito um tratamento e enviado “para casa”, de modo que teve de retornar à prisão.

Amadeu estava em um regime de deixar a prisão para trabalhar e retornar nos fins de semana. Não conhecemos o relatório médico de sua admissão, mas ele explicou que percebeu que estava com dificuldade para respirar e que estava ficando sem ar. Naquele telefonema, perguntamos a ele se tinham visto algo no hospital, mas ele nos disse que não tinham visto nada no raio X pulmonar que haviam feito. Não era a primeira vez que ele tinha tido uma crise respiratória; anteriormente, há mais de um ano, enquanto estava livre, ele teve de ir ao hospital por sintomas semelhantes, sem que a causa fosse determinada.

Dessa vez, não foi o Amadeu que nos ligou. E o que nos foi dito é que parecia que ele havia sofrido uma falência de múltiplos órgãos e que, para evitar seu “colapso”, eles induziram um coma para tentar fazer com que seus órgãos recuperassem a funcionalidade.

No momento em que escrevemos este texto, Amadeu está em coma há mais de 10 dias. Na primeira semana na UTI, fomos informados de que sua situação era estável, um eufemismo médico que pouco ou nada explica. No momento, fomos informados de que parece que, pouco a pouco, ele está recuperando suas funções orgânicas e que, se continuar assim, tentarão tirá-lo do coma.

Pedimos desculpas por nosso silêncio a todas as pessoas que têm lutado pela liberdade de Amadeu. Era difícil para nós explicar o que não sabíamos.

Como amigos e companheiros de Amadeu, não temos acesso direto às informações médicas. Não recebemos explicações, nem qualquer evolução de sua condição, só sabemos o que vemos quando o visitamos na UTI ou o que sua família nos diz.

Este não é o momento para especular. Reafirmamos nossa indignação, conscientes de que a prisão não apenas deixa as pessoas doentes, mas também é um dos piores lugares para se ficar doente. Hoje, em vários lugares da península, foram convocados atos para denunciar a negligência médica nas prisões. Eventos aos quais nos unimos incondicionalmente, chamando a atenção para a atual situação da saúde, na qual a negligência médica criminosa nas prisões está se espalhando cada vez mais. Esse miserável processo de privatização torna a saúde acessível apenas àqueles que podem pagar por ela.

O sistema capitalista não apenas nos adoece no confinamento prisional e na exploração do trabalho, mas também nos aliena sem a capacidade de reagir com sua agressão sistemática. A situação de negligência médica se agrava em grupos vulneráveis (ou vulnerabilizados) e em pessoas sujeitas a múltiplas formas de exclusão; por razões de classe social, gênero, cor, ideias… Enquanto nossas vidas se tornam mais precárias, há aqueles que se valem de seus privilégios para enriquecer sem nenhum escrúpulo, despojando-nos de todos os direitos e transferindo suas responsabilidades para as classes trabalhadoras, empobrecidas e que têm cada vez mais dificuldade de ter um mínimo de expectativa de vida.

As condições de confinamento carcerário ultrapassam os muros e são impostas à chamada “sociedade livre”, estamos sendo gradativamente privados de toda a liberdade e nos apegamos ao desgastante sistema de exploração produtiva enquanto somos expulsos de nossos bairros, de nossos lares e mantidos como se estivéssemos em uma UTI, amarrados a todo tipo de tecnologia repressiva com a promessa de uma vida melhor… para eles.

Amadeu estava prestes a ser liberado da prisão novamente. Mas esse sistema não constrói a liberdade para nós, e nos move de uma forma de privação de liberdade para outra. No momento, Amadeu está sujeito a tubos e máquinas que mantêm seus sinais vitais, em coma e sem vida consciente. Amadeu está esperando que sua força o impulsione novamente.

É a vitalidade de Amadeu que o libertará dessa nova prisão. Desejamos e enviamos a ele toda a nossa força para que em breve possamos tê-lo de volta conosco nas ruas. Esperamos que sua voz não pare de denunciar esse sistema criminoso que, se não te mata, te mata.

Amadeu, você não pode ir embora agora. Ainda temos muitas tarefas pela frente para abrir os caminhos para as tão almejadas formas de vida na anarquia. Além delas, não há nada.

em 16 de junho de 2024

Fonte: https://www.llibertatamadeu.org/2024/06/17/desde-una-profunda-rabia-que-se-inflama/

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agência de notícias anarquistas-ana

Solidão.
Após a queima de fogos,
Uma estrela cadente.

Shiki

[Rússia] Mais repressão contra antifascistas

As forças policiais russas estão processando mais sete antifascistas sob o pretexto de combater o “extremismo”.

Outra perseguição aos antifascistas começou na Rússia. Em 5 de junho, as forças especiais da polícia prenderam sete pessoas associadas à iniciativa “Antifa United” durante batidas em apartamentos em Moscou e Rostov-on-Don. “Antifa United” é um grupo online que vende, entre outras coisas, seus próprios produtos. O FSB [serviço de inteligência da Rússia] chamou-o grupo de “extremista”. Os ativistas foram obrigados a renunciar aos seus advogados e não contactar ativistas dos direitos humanos e, segundo informações disponíveis, um dos detidos foi torturado com um taser.

Os antifascistas são acusados ​​de criar um grupo extremista e atacar os nazistas. Segundo a polícia, o grupo teria sido formado em 2020, afirmando ainda que os ativistas “observaram as medidas de segurança”. No entanto, conhecidos dos detidos afirmam que a polícia teve acesso às suas comunicações desde 2019.

Atualmente, são conhecidos os seguintes nomes dos processados: Bohdan Jakimenko, Roman Chizhikov (que foi colocado em prisão domiciliar em troca de depoimentos), Ostrovsky e Popov. Bohdan Jakimenko é conhecido há vários anos desde o seu primeiro caso envolvendo enfrentamentos com os nazistas.

O Estado russo persegue os antifascistas há muitos anos e, desde o início da guerra aberta contra a Ucrânia, a tendência só se fortaleceu. Por exemplo, no verão de 2022, o FSB deteve seis anarquistas e antifascistas como parte do chamado caso Tyumen , numa tentativa de acusá-los de “participação numa organização terrorista” e “preparação de um ato terrorista”. As penas de prisão de longa duração e a tortura brutal não são exceção na Rússia. Outras pessoas são perseguidas por resistirem à invasão: por exemplo, o anarquista Ruslan Ushakov recebeu oito anos de prisão por textos anti-guerra no Telegram.

Contato com a Cruz Negra Anarquista de Moscou ajudando os perseguidos: abc-msk(at)riseup.net

agência de notícias anarquistas-ana

Em solidão,
Como minha comida —
Vento de outono.

Issa

[Espanha] Manifestação maciça em Xixón em defesa de “las 6 de la Suiza” e pela liberdade sindical

Uma maré rubro-negra inundou as ruas de Xixón com dignidade e solidariedade neste sábado (15/06), exigindo a absolvição de nossas 6 companheiras de La Suiza.

Nesses sete longos anos, aprendemos que, terminologicamente, sindicato vem da palavra syndikos. Syn significa com, contigo, comigo, com vocês, em companhia, em coletivo. E Diko vem da palavra Dikei, que significa fazer justiça.

É por isso que hoje estamos fazendo justiça em comum, a justiça que eles querem nos negar, para as 6 mulheres da Suiza e por todas elas. É por isso que estamos fazendo sindicalismo aqui hoje.

Durante esta jornada, a unidade sindical asturiana afirmou que fazer sindicalismo não é crime! Não vamos nos esquecer dos “6 de Zaragoza” presos! E diante dessa ofensiva, se toca em uma, tocam em todas.

Gostaríamos de agradecer a todos as companheiras de todos os sindicatos e regionais da CNT que, com grande esforço e emoção, se organizaram e percorreram longas distâncias para estar conosco, apoiando-nos e compartilhando este emocionante dia de luta.

VIVA A CNT!

CNT Xixón

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agência de notícias anarquistas-ana

Penso apenas
Em meu pai e minha mãe —
Tarde de outono.

Buson

Convocatória II Festival Internacional de Cinema Anarquista de Porto Alegre (RS)

Estamos recebendo envios de materiais audiovisuais de cunho anárquico em todas as suas vertentes e também materiais que de alguma forma tenham relação com a luta anarquista. Videoclipes, filmes, curta-metragens, longa-metragens.

Também recebemos inscrições para apresentações artísticas, banca de materiais e oficinas.

Nós aceitamos propostas de todas as partes do mundo.

LEMBRA QUE VAI SER NOS DIAS 20, 21 E 22 DE SETEMBRO DE 2024!

COMO ENVIO? – MATERIAIS AUDIOVISUAIS

Envie o material em uma plataforma de drive ou de uma maneira que possamos fazer o download, com uma descrição (sinopse) e um flyer de divulgação.

Se você não estará presente nos dias, pedimos um vídeo – não necessita ser de rosto – para apresentar o material no dia do evento.

BANCA DE MATERIAIS

Envie o que você vai expor, e se possui ou não mesa. Sinalize se você precisar. Comidas veganas e espaço livre de álcool.

OFICINAS

Envie uma descrição da proposta de oficina, duração, materiais e espaços necessários da organização + um flyer de divulgação.

APRESENTAÇÕES ARTÍSTICAS

Envie uma descrição da apresentação, uma foto de divulgação. 20min.

E-mail: festivaldecineanarquistapoa@tutanota.com

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agência de notícias anarquistas-ana

Alta madrugada,
sabiá boêmio entoa
um lânguido canto.

Alberto Murata

[São Paulo-SP] Ocupação em 17 de maio e a luta contra a máquina de produção da miséria

No dia 17 de maio, membros da ULCM e da CMP, por volta das 23 horas, ocuparam um terreno na Praça Donatello, no Cambuci, centro de São Paulo. Seguranças da proximidade, atentos a essa altiva movimentação popular, alertaram a polícia militar que, ao chegar, com seu “jeitinho” típico da farda, rápido impediu que novas famílias e novos militantes adentrassem ao local. Ainda assim, quase duzentas pessoas ocuparam o terreno que, no papel, pertence hoje ao INSS/SPU. E aqui vale destacar um ponto importante: o INSS é hoje uma das instituições com maior número de terrenos ociosos na cidade de São Paulo, tanto que o próprio governo federal, na criação do Programa de Democratização de Imóveis da União, assinado em 26 de fevereiro deste ano, estabeleceu um grupo de trabalho interministerial para a análise dos imóveis não operacionais da instituição. Os dados apontam que há, ainda, 3213 imóveis sob a gestão do INSS, dos quais 483 já identificados como elegíveis para programas e 471 conjuntos habitacionais a serem regularizados; outros 2730 estão em análise. Só que, diante de tais dados, a questão que fica é: quanto tempo dura essa tal “análise”?

A precariedade habitacional é uma das principais heranças impostas pela histórica desigualdade social brasileira.  Estimativa mais recente da Fundação João Pinheiro mostra que o déficit habitacional no Brasil gira em torno de seis milhões de unidades, enquanto há cerca de 11 milhões de domicílios vagos, de acordo com o Censo 2022. O Censo também apontou a existência de 16 milhões de pessoas vivendo em 10 mil favelas pelo país. Além disso, passa de cinco milhões o número de moradias irregulares, segundo o IBGE, e o Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) mostra a existência de ao menos 236 mil pessoas em situação de rua.

O que desconfiamos é que essa tal “análise”, afora o fato de levar em banho-maria as mais urgentes expectativas populares, esteja refém dos mandriões da especulação imobiliária, dentro do campo de influência das liberações finais. Afinal, são essas mesmas figuras que patrocinam a perseguição e criminalização dos movimentos de luta por moradia. Contra esses slogans incisivos do capital, Raimundo Bonfim, coordenador da Central de Movimentos Populares, lembra que os atos de ocupação, no lado oposto do que propagam os mandriões, na verdade, atuam para fazer cumprir a lei: “Quem comete crime são os donos de prédios abandonados na cidade, que muitas vezes não pagam IPTU e só os utilizam para especulação imobiliária. Ocupar esses imóveis para que sirvam como moradia é fazer o que determina a lei”. E reforça: “Seja na Constituição, seja no Estatuto da Cidade, seja no Plano Diretor do município de São Paulo, a moradia é um direito, e prédios abandonados, que não cumprem a função social, estão desrespeitando a legislação”.

No caso da ocupação do dia 17 de maio, a mobilização fez com que a Comissão de Prerrogativas da OAB-SP, junto dos representantes legais dos movimentos presentes no ato, em resguardo normativo, indicasse o terreno para a coordenadoria da Unificação das Lutas de Cortiços e Moradias, quando concluído o chamamento público; haja vista que o terreno em questão já estava identificado como elegível para os programas habitacionais. Mas, lembremos: isso foi apenas um grão de areia num monte que, se vacilarmos, pode ser movediço. A luta não pode parar, já que a lógica do governo anterior, de desmonte do patrimônio público, ainda impregna muitas camadas da sociedade brasileira.

É preciso não nos acovardarmos diante da máquina de produção da miséria, inerente ao grande capital, e pensarmos também nas ocupações num sentido maior do que a luta por moradia, ou seja: para além da formação de referências nos bairros da periferia e das duras críticas com que devemos encarar o programa Minha Casa Minha Vida, por exemplo, não devemos tirar de nosso norte a questão da propriedade privada, em seu sentido mais amplo. Ora, sem ter em vista a abolição da propriedade privada dos meios de produção e a expropriação das grandes parcelas de terra, a estatização das grandes construtoras e empreiteiras e a ocupação compulsória dos imóveis residenciais vazios, não pode haver realmente solução para a situação de penúria habitacional em nossas cidades. Um programa de redistribuição da terra urbana que mantenha a produção capitalista da casa e da cidade e que mantenha existindo o mercado imobiliário tal qual se mostra por aí, nada resolverá nossa dívida histórica com o déficit habitacional. Neste exato momento, centenas de famílias correm o risco de despejo e, ainda assim, os programas do governo federal teimam em apontar seus benefícios apenas para quem pode – e não para quem precisa. Este é o ponto. Sem encararmos este problema, ombro a ombro com organizações parceiras, continuaremos reféns de propostas maquiadas pelo patronato que, em campo movediço, nunca se apieda em afundar na lama mais e mais famílias.

Diego Fernandes Moreira

Unificação das Lutas de Cortiços e Moradias

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o crisântemo amarelo
sob a luz da lanterna de mão
perde sua cor

Buson

[Espanha] Apresentação do livro: Lucia Sánchez Saornil

Na quarta-feira, dia 19, será apresentado na Vorágine, um livro sobre Lucia Sánchez Saornil. Poetisa e militante anarcossindicalista. Em abril de 1936, foi co-fundadora da revista e organização Mujeres Libres, da qual foi secretária nacional.  Foi uma organização dentro do anarcossindicalismo espanhol, que funcionou durante os anos da guerra civil. Juntamente com a Confederação Nacional do Trabalho, a Federação Ibérica de Juventudes Libertárias e a Federação Anarquista Ibérica.

A Agrupación Mujeres Libres fazia parte da CNT e da FAI. Em 1938, chegou a 147 agrupamentos e 20.000 membros.

Fonte: https://cgtcantabria.org/wp/?p=10990

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Lua cheia!
Por mais que caminhe,
O céu é de outro lugar.

Chiyo-jo

Nova presidente da Petrobras defende “passar o petróleo” na Bacia da Foz do Amazonas

Magda Chambriard, a nova presidente da Petrobras e pau mandado de Lula, é defensora há anos da exploração e produção de petróleo em águas profundas na Margem Equatorial, na Bacia da Foz do Amazonas. A chefona da petroleira, inclusive, já pediu intervenção de Lula para a Petrobras explorar petróleo naquela região ambientalmente sensível.

Em sua primeira coletiva à imprensa ela disse:

“É essencial continuar explorando petróleo”

“A gente não pode desistir da Margem Equatorial. Nesse ponto, meu foco é a Foz do Amazonas”

“Espero que a Petrobras se torne um pouco mais agressiva em termos exploratórios”

“O Brasil precisa acelerar a exploração de petróleo para repor as reservas do pré-sal”

“Para nós, é essencial repor reservas, continuar explorando petróleo no litoral brasileiro. A Margem Equatorial está nesse contexto, o litoral do Amapá e o do Rio Grande do Sul estão nesse contexto”

Se no governo Bolsonaro (direita) era ‘passar a boiada’ no meio ambiente, no de Lula (esquerda) é “passar o petróleo”.

M a l d i t o s!!!

Não à exploração de petróleo na Foz do Amazonas! Não, não, não!!!

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Uma joaninha
tenta decifrar-me as linhas
da palma da mão.

Zuleika dos Reis

[Espanha] Mensagem do Secretariado Permanente da CGT após as eleições europeias

Contra a extrema direita e a paralisia da esquerda: Anarco-sindicalismo e antifascismo nos locais de trabalho, cidades e bairros.

As eleições europeias criam uma imagem clara da deriva do continente europeu: o avanço de uma extrema direita encorajada pela lógica da guerra e pela miséria do capitalismo desenfreado é absoluto. De Portugal à Polônia, a extrema direita tem um protagonismo nunca visto desde a constituição da Comunidade Econômica Europeia. Se o imaginário de uma Europa unida em torno dos direitos humanos e das garantias sociais já foi real, o que os resultados de domingo mostram é que as forças que pressionam para banir esse paradigma estão avançando em grande velocidade e são até mesmo maioria em alguns países. Como resultado dessa deriva, os partidos de esquerda permanecem enredados em um emaranhado de contradições que os impedem de se levantar a cada golpe que recebem, não têm credibilidade para as “maiorias sociais” às quais apelam, e a social-democracia é vista como um oponente agradável aos governos conservadores que são maioria na União Europeia. Mais à esquerda, por um lado, vemos candidatos autodenominados ambientalistas que apoiam conflitos armados como o da Ucrânia ou que fazem vista grossa em casos como o do genocídio na Palestina, ou uma “esquerda popular” com presença testemunhal e abundância de cabelos brancos em seus discursos.

A Espanha merece ser analisada. Embora os dois maiores partidos estejam tentando levar os louros (PP) ou salvar os móveis (PSOE), a verdade é que a abstenção tem sido a opção majoritária para grande parte dos cidadãos. Isso não significa, infelizmente, que esse espaço abstencionista seja um trunfo no processo de deslegitimação do regime; pelo contrário, também aqui, eleitoralmente, a extrema direita capitaliza o descontentamento com seus próprios interesses: a manipulação como norma, o racismo e o machismo como bandeira e a exploração da classe trabalhadora como hábito. Esse quadro resulta de um processo gradual de desintegração de um espaço político que surgiu há dez anos, ocupando as primeiras páginas, os programas de entrevistas e as manchetes. A esquerda da esquerda que se autodenominou herdeira do 15M, esfaqueando sistematicamente algumas das concepções que surgiram naquele movimento de cidadãos, acabou piorando o que queria consertar. Suas lutas fratricidas, seus egos permanentes e a exposição pública de suas misérias arruinaram o crédito que antes tinham com uma parte da cidadania. A queda de sua popularidade não vai impedir sua vontade de se autodestruir diante das câmeras; pelo contrário, diante do espelho de seus últimos fãs, eles ainda são os mais bonitos. Enquanto isso, o navio que eles colocaram para flutuar está afundando aos olhos do mundo inteiro e o “rupturismo” agora é monopolizado por fanáticos conspiradores e um partido de ultradireita com nome de dicionário.

Nesse cenário, a leitura dos eventos não deve ser prejudicada pelo pessimismo. O sindicalismo combativo está crescendo, a filiação à CGT está aumentando a cada dia, assim como outras organizações anarco-sindicalistas. Também estamos em um momento de confluência nas lutas que vai além dos locais de trabalho, mas também nas ruas das cidades e dos bairros. Nunca antes houve um nível de organização social como o que está sendo assumido agora pelas lutas pelo direito à moradia, pela diversidade sexual, pelo feminismo, contra o racismo institucional ou contra as mudanças climáticas e a destruição de territórios. Os tempos em que andávamos de costas uns para os outros acabaram, agora, à esquerda, há um novo e empolgante espaço de encontro que se conectou com o melhor daquele 15M que encheu as praças. E esse magma de diversidades é claramente antifascista, em uma perspectiva mais ampla do que nunca, porque, além da memória, tem um olho no futuro. A partir do Secretariado Permanente da Confederação Geral do Trabalho (CGT), incentivamos toda a classe trabalhadora dos povos do Estado espanhol a se unir à onda de mudança real, de contestação real, do fim do capitalismo e da exploração. A luta não está nos partidos políticos, mas em um sindicalismo social, de classe, autônomo, internacionalista e militante, onde possamos construir coletivamente, a partir de agora, o mundo que queremos.

Neste lado da barricada, a partir do anarco-sindicalismo e do antifascismo, nos encontraremos todes unides na luta até a vitória final.

10 de junho de 2024.

cgt.org.es

Tradução > anarcademia

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agência de notícias anarquistas-ana

Caneta gira
ao reflexo do sol
gira gira girassol

Lucas Eduardo

Eles são diferentes, mas… são dois idiotas!

[Croácia] Feira do Livro Anarquista de Zagreb

Chamada aberta

Amigos e companheiros,

Queremos convidá-los para a Feira do Livro Anarquista de Zagreb (ZASK), que será realizada de 13 a 15 de setembro de 2024 em 2 locais: no dia 13 de setembro na Postaja, para o dia zero anarcha-queer e nos dias 14 e 15 de setembro no Centar mladih Ribnjak. Assim como outras feiras deste tipo, ela servirá como plataforma de conhecimento, networking, distribuição de materiais e trocas de experiências na luta conjunta. Além de visitar a feira, convidamos você a participar da programação da forma que quiser. Publicaremos informações adicionais sobre as possibilidades de participação em breve.

Forneceremos a todos os participantes da feira uma refeição vegana (Food Not Bombs Zagreb) e tentaremos fornecer alojamento. A acomodação será organizada nas ocupações de Zagreb, acomodações privadas de companheiros de Zagreb e serão recomendadas opções de acomodação alternativas, como hostels. A feira é organizada horizontalmente de acordo com princípios libertários e, portanto, financiada com base em doações e eventos solidários.

Para qualquer informação, dúvida ou sugestão, você pode nos contatar em anarchistfair@riseup.net

zagrebask.org

Tradução > meiocerto

agência de notícias anarquistas-ana

Entardecer
Sob o velho telhado
Retornam pardais.

Hidemasa Mekaru

[Espanha] Setenta dias na Rússia (Ángel Pestaña, 1920)

Apresentamos aqui os escritos de Ángel Pestaña, um militante da CNT, sobre sua viagem à União Soviética para participar do 2º Congresso da Terceira Internacional (1920).

O primeiro livro, intitulado “Setenta días en Rússia. Lo que yo vi” (Setenta dias na Rússia. O que eu vi), relata os eventos dessa viagem à Rússia e sua participação no Congresso.

O segundo livro, intitulado “Setenta días en Rússia. Lo que yo pienso” (Setenta dias na Rússia. O que eu penso), serve para analisar o que ele viu na viagem e para fazer uma primeira crítica ao sistema estabelecido na Rússia pelos bolcheviques. Embora essa crítica tenha envelhecido um pouco, já que Pestaña ainda tinha esperanças de que a revolução pudesse superar os impedimentos bolcheviques e transformar a Rússia em uma sociedade igualitária, ela não deixa de ser um grande sucesso ao desvendar e denunciar a grande decepção e sufocamento a que o proletariado russo foi submetido pelo Partido Comunista naquela época.

Este e-book é completado com o relatório que Pestaña fez ao Comitê Nacional da CNT da Espanha sobre sua estadia na URSS e, finalmente, com uma análise da Terceira Internacional, que complementa a anterior.

>> Faça o download dos livros aqui:

https://www.solidaridadobrera.org/ateneo_nacho/libros/%C3%81ngel%20Pesta%C3%B1a%20-%20Setenta%20d%C3%ADas%20en%20Rusia.pdf

Fonte: https://solidaridadobrera.org/ateneo_nacho/biblioteca.html

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

na rua deserta
brincadeira de roda
vento se sujando de terra

Alonso Alvarez

[Reino Unido] Conferência Anual dos Trabalhadores Industriais do Mundo (IWW) 2024

A Conferência Anual da IWW 2024 reuniu Companheiros Trabalhadores (FWs) em um fim de semana repleto de educação, organização e discussão em Bristol. A conferência deste ano teve um sabor muito internacional. Companheiros de trabalho de toda a Grã-Bretanha e Irlanda se juntaram a Wobs da Áustria, Polônia, Chipre, Alemanha e Austrália.

A conferência ouviu apresentações de palestrantes da Turquia, dos EUA e do Curdistão e de trabalhadores migrantes do Reino Unido. Ouvimos, por exemplo, sobre os esforços de organização dos trabalhadores domésticos na Turquia, as tentativas de descolonização da ONG internacional Medicins Sans Frontieres e a organização dos trabalhadores migrantes em Glasgow.

Um dos destaques, pelo menos para este Wob, foi ouvir sobre as lutas em andamento para criar a Associação Pan-Africana de Trabalhadores (PAWA) no Reino Unido. Foi animador saber que eles estão se organizando para conquistar vitórias para os trabalhadores migrantes da África que trabalham no setor de cuidados. Os delegados da Conferência votaram a favor do apoio a essas lutas contínuas da PAWA, modificando o livro de regras da WISE-RA para permitir a representação das Associações constituídas no Comitê Executivo de Delegados (DEC) e comprometendo-se a continuar apoiando a PAWA como uma Associação da IWW.

A ação dos trabalhadores contra a mudança climática foi outro tema da conferência. Com palestras sobre o trabalho pioneiro de Wobbly Judi Bari e Earth First! e sobre a estratégia da Earth Strike UK. Houve sessões sobre vários outros tópicos, desde Repensar nossa afiliação à ICL-CIT até Organização de Áreas e Espaços Seguros LGBTQIA+.

E, é claro, houve muitas oportunidades para socializar!

Fonte: https://www.onebigunion.ie/post/industrial-workers-of-the-world-iww-annual-conference-2024

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

uma faúlha
ao sabor do vento?
um vaga-lume

Rogério Martins

[México] Por dentro da Enclave Rabia Caracol — Um Centro Comunitário e Café Anarquista em Tijuana

No coração do centro de Tijuana, a menos de um quilômetro da Porta de Entrada de San Ysidro e a poucos quarteirões das áreas de vida noturna e turismo mais populares da cidade, migrantes descansam nas escadas de um café enquanto transeuntes se apoiam no balcão, saboreando o que pode ser o melhor e mais barato expresso da cidade.

O café, chamado Enclave Rabia Caracol, é administrado por um coletivo e organizado em torno de valores anarquistas — um compromisso com relações não hierárquicas, autonomia, ajuda mútua e autodeterminação.

A Enclave “foi fundada com princípios anarquistas”, disse Betania, uma voluntária de longa data e amiga do projeto. E tem “tentado rejeitar qualquer tipo de autoridade ou hierarquia. Eles têm tentado manter seus princípios anarquistas e se defender como um espaço anarquista”.

Em um determinado dia, o edifício de cinco andares (incluindo porão e salas no telhado) abriga uma variedade de projetos e dezenas de pessoas passam por suas portas abertas. “Temos um café, temos uma cozinha comunitária onde preparamos as refeições gratuitas. Temos uma oficina comunitária de bicicletas no porão e temos espaço para eventos, shows… teatro”, explicou Nat, uma organizadora de longa data e membro do coletivo da Enclave. “Tentamos disponibilizar o espaço para a comunidade usar como quiser”.

Devido às políticas agressivas de militarização da fronteira dos EUA, Tijuana se tornou um ponto de chegada para migrantes que atravessam o México e procuram entrar nos EUA; muitos dos quais ficam presos em Tijuana e precisam desesperadamente de ajuda. Desde sua criação (embora de uma forma ligeiramente diferente) no outono de 2015, a Enclave tem oferecido apoio a migrantes e outras pessoas que vivem nas ruas de Tijuana.

“As pessoas que vêm pelos nossos serviços gratuitos são principalmente pessoas que foram deportadas dos Estados Unidos”, explicou Nat, “que compõem uma grande parte da população sem-teto em Tijuana. Também alguns migrantes que estão presos em Tijuana devido às políticas de ‘Permanecer no México’. Essas são a maioria das pessoas necessitadas que vêm aqui para usar o banheiro, usar a internet, beber água, comer”.

Mas a Enclave não é apenas um centro de recursos para migrantes e outras pessoas necessitadas — também é um espaço para criatividade, experimentação e troca de ideias políticas radicais. Hospeda shows de drag, grupos de leitura, palestras, exibições de filmes e workshops sobre tópicos fora do mainstream político. Em tais eventos, aqueles que vêm ao espaço principalmente por recursos muitas vezes ficam para interagir com aqueles que vêm pela política ou para desfrutar do espaço seguro.

“As pessoas que vêm aos shows e que organizam eventos são, eu diria, principalmente punks e feministas e pessoas da comunidade LGBT que também encontraram aqui um espaço seguro onde sabem que serão respeitadas, não importa o que aconteça”, disse Nat.

A Enclave fornece seus serviços sem o apoio de governos ou grandes fundações. Sobrevive principalmente de doações e arrecadações de fundos organizadas pelo mesmo pequeno grupo de pessoas que trabalham todos os dias para manter as portas abertas. “É um projeto que tem muitas despesas”, explicou Nat, principalmente o aluguel. “Porque pagamos aluguel, não é uma ocupação”.

A Enclave fornece comida e água potável gratuitas para aqueles que passam ao longo da semana. Água potável, em Tijuana, é comprada em galões de 5 litros e contribui para os custos gerais de administração de um centro de recursos.

“Também, nossa conta de eletricidade tem sido altíssima nos últimos meses”, disse Nat. “Nenhum dos nossos projetos realmente gera muita receita, então dependemos de doações e trabalho voluntário para mantê-lo funcionando”. A Enclave surgiu do Food Not Bombs, uma rede internacional de projetos comprometidos em servir comida gratuita a quem quiser, em algum momento entre 2015 e 2017. No outono de 2015, o Food Not Bombs Tijuana, ou Comida No Bombas, como é chamado lá, começou a alugar um pequeno espaço comercial diretamente ao norte da localização atual da Enclave no centro de Tijuana. O espaço era pequeno, mas hospedava eventos, palestras e grupos de leitura, além de servir como um ponto de distribuição de alimentos gratuitos. Ainda não se chamava Enclave, mas o projeto existia ali em forma embrionária.

No final de 2016, o grupo de pessoas organizadas em torno do Food Not Bombs migrou para o edifício maior que a Enclave ocupa atualmente. Após alguma confusão inicial e, claro, conflito, a Enclave emergiu decididamente no início de 2017.

Em 2017 e 2018, a Enclave foi moldada e remodelada pela pressão da onda de caravanas de migrantes que atingiram Tijuana. Chris, um dos fundadores da Enclave, explicou que o espaço hospedou conferências de imprensa e forneceu outros pequenos apoios às primeiras caravanas de cerca de 50 pessoas muito antes da prática de migração coletiva se tornar um grande assunto noticiário nos EUA.

Essas primeiras caravanas eram mais como peregrinações, explicou Chris, chamadas de Via Crucis, onde grupos de migrantes e aqueles engajados em movimentos espirituais por justiça social viajavam juntos em um gesto amplamente simbólico de oposição às políticas opressivas de fronteira. Em 2018, essas caravanas cresceram para milhares e a Enclave se tornou um importante centro de hospitalidade, particularmente para o contingente queer e transgênero das caravanas. “Primeiro, houve um grupo de 500 que veio, e essa foi a primeira ‘grande’ caravana de 2018”, explicou Chris. “Eles tiveram dificuldades para se apresentar [para asilo], então montaram um acampamento no Chapparal, que é o porto de entrada mais próximo da Enclave. Então nos organizamos com eles para montar um acampamento improvisado bem na fronteira”.

Esse acampamento durou uma semana antes que todos os solicitantes de asilo na caravana fossem processados pela Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA ou se mudassem para outros lugares em Tijuana.

“Essa foi a primeira grande necessidade comunitária em que a Enclave foi super instrumental, mas também muitas outras organizações apareceram e começaram a se conectar naquela época”, disse Chris.

A partir daí, as caravanas continuaram a crescer e os esforços da Enclave para apoiá-las também. “A caravana seguinte, acredito, foi de 5.000 pessoas”, explicou Chris, “então isso foi muito diferente. E o que precedeu essa caravana foi um contingente LGBT, que era de 80-90 pessoas”.

A Enclave hospedou o contingente LGBT por vários dias ou uma semana antes do grupo se mudar para outro abrigo. Essa foi a primeira experiência da Enclave oferecendo abrigo para um grande grupo de pessoas em séria necessidade, e foi uma experiência de aprendizado. “Foi difícil, eu acho, para todos”, disse Chris. “Muitas pessoas com muitas necessidades diferentes que não conseguimos atender”.

Depois disso, ONGs maiores intervieram e começaram a apoiar migrantes LGBT em Tijuana, enquanto grupos comunitários menores, incluindo grupos organizados por e para migrantes, continuaram a lutar para aliviar a enorme quantidade de sofrimento criada pela política de fronteira dos EUA.

As caravanas atuaram como um catalisador para organizações radicais e comunitárias emergirem em Tijuana, muitas das quais começaram na Enclave antes de crescerem e se mudarem para seus próprios espaços. “O que saiu da Enclave, eu acho, acima de tudo são as outras coisas que surgiram”, disse Chris. “Cada coletivo ou organização que começou porque as pessoas estavam se reunindo lá e depois se mudaram para fazer coisas diferentes no mundo. É realmente inspirador para mim”.

Quase dez anos desde sua criação inicial em um pequeno espaço de beco no centro de Tijuana, a Enclave continua a hospedar eventos, servir comida para os necessitados e incubar projetos e ideias radicais. Em uma fronteira tornada perigosa e violenta pela política dos EUA, oferece um refúgio da violência cotidiana da vida, bem como uma visão de um mundo livre de fronteiras.

“Tem sido importante para nós criar este espaço seguro”, disse Nat. “Tem sido difícil fazer isso. Queremos apenas ter, dado que o resto da sociedade é tão violento para nós de diferentes maneiras, realmente queremos que este seja um espaço seguro onde qualquer um possa vir e fazer uma pausa, não apenas do sol e da fome, mas também da violência com a qual vivemos todos os dias”.

Fonte: https://unicornriot.ninja/2024/inside-enclave-rabia-caracol-an-anarchist-community-center-and-cafe-in-tijuana-mexico/

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

É muito silêncio
enquanto as flores não crescem
e os poetas dormem.

Eolo Yberê Libera