Rap e Funk Ostentação: Falência e Espetáculo

Se analisarmos o rap e o funk ostentação, o que teremos é basicamente a propaganda mais explícita do capital.

Por Arthur Moura

O crescimento notório entre os anos 2000 e 2020 projetou o rap, tornando-o popular, ao ponto de ser incorporado pelas classes médias e até mesmo pela burguesia. Esse longo período de duas décadas precisa ser analisado com mais cuidado para que se entenda melhor esse processo. Em meu livro O Ciclo dos Rebeldes: processos de mercantilização do rap no Rio de Janeiro, busquei, de alguma forma, analisar esse processo histórico. Essa expansão não significou somente a popularização dessa expressão musical. Para além de se tornar um intenso negócio lucrativo, transformando alguns rappers em milionários, seu projeto inicial fora subtraído à categoria de mera mercadoria. O que antes propagava ideias de enfrentamento e rompimento brusco com as principais estruturas opressivas, como a polícia, a justiça burguesa, as grandes empresas e o Estado, agora reforça toda a lógica desse poder, criando mais uma voz útil na legitimação dessas mesmas estruturas. Aos poucos, os rappers passaram a bajular o poder…

Se analisarmos o rap do Rio de Janeiro e São Paulo (hoje não mais os únicos polos do rap), o que teremos é basicamente a propaganda mais explícita do capital, propagada com orgulho e veemência. Essa propaganda forma a identidade do rap, que não mais se liga às lutas, mas a uma busca desesperada pela ascensão social. Essa é a pauta principal na boca dos rappers. Não à toa, rap e funk ostentação estão se fundindo como grandes conglomerados capitalistas para aumentar suas lucratividades. Filipe Ret, MC Ryan SP, Caio Luccas e Chefin recentemente lançaram o clipe “Melhor Vibe”, que é mais do mesmo, o clichê do clichê. A propaganda principal desses artistas gira em torno de demonstrar um estilo de vida opulento, conferindo distinção com a quase totalidade da população, sobretudo seus próprios fãs, a maioria jovens negros e pobres que sonham em algum dia sair da condição de precariedade. Como o contexto social brasileiro é de intensa miséria, a propaganda em torno dessas conquistas busca imprimir a mensagem de que todos são capazes de chegar ao topo, ainda que esse processo leve muito tempo (ou a vida toda – ou que nunca chegue).

Sendo referenciais para jovens em busca de alternativa, MC´s e grupos, empresários e comunicadores, tentam dar concreticidade ao clássico valor liberal da dedicação ao trabalho, já que eles mesmos ficaram ricos, supostamente comprovando suas teses. Aqui é importante ressaltar que a música está em segundo plano, tanto é que as produções musicais são absolutamente rebaixadas. O que está em primeiro plano é a propaganda, os negócios, o estilo de vida e o espetáculo. Como afirma Debord (1997), “o espetáculo não exalta os homens e suas armas, mas as mercadorias e suas paixões.”

Adorno faz referência aos movimentos artísticos revolucionários de 1910, afirmando que eles não proporcionaram “a felicidade prometida pela aventura”. O mesmo poderíamos dizer do Maio 1968 na França? “Pelo contrário, o processo então desencadeado começou a minar as categorias em nome das quais se tinha iniciado.” E conclui: “Com efeito, a liberdade absoluta na arte, que é sempre a liberdade num domínio particular, entra em contradição com o estado perene de não-liberdade no todo.” Nesse sentido Adorno pontua que o contexto geral foi mais determinante que as pretensões artísticas. Do mesmo jeito (mal comparando…), o rap se afundou numa busca infantil pelo poder. E notem que o termo infantil aqui não é utilizado gratuitamente. Os personagens construídos em torno desses sujeitos são direcionados a crianças (ou mentalidades infantilizadas de um modo geral), pré-adolescentes e adolescentes. Basta ver o público-alvo de artistas como MC Ryan SP, MC Poze do Rodo, MC Ig, Oruam, Chefin, MC PH, Filipe Ret, Cone Crew Diretoria e diversos outros MC’s e grupos do RJ e SP. As letras são simplórias e carregadas de todo tipo de clichês, sendo de imediata assimilação, sem contar que os personagens, ao passo que buscam demonstrar segurança e solidez, são rasos e superficiais, abordando assuntos banais. MC Ryan, por exemplo, quando toma enquadro da polícia, elogia os agentes da repressão, além de filmar tudo dizendo aos fãs que a polícia está certa. Já que se tornou um milionário, seus valores buscam equiparar-se aos da classe dominante.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://passapalavra.info/2024/07/153522/

agência de notícias anarquistas-ana

Trovão ribomba
Galinhas levantam a crista
de uma única vez!

Naoto Matsushita

[Grécia] A polícia ataca uma ocupação anarquista na Universidade Aristóteles

08.07.2024

A polícia atacou uma ocupação anarquista localizada dentro do campus da Universidade Aristóteles, no norte da Grécia, na manhã de segunda (08/07).

A evacuação da autoproclamada “Cantina Autogerida da Escola Médica” aconteceu na presença de um oficial de justiça. Nenhum indivíduo estava presente no local durante a intervenção policial, e vários itens foram recolhidos.

Várias horas depois, um protesto ocorreu contra a operação.

Fonte: https://www.ekathimerini.com/news/1243455/police-raid-anarchist-squat-at-aristotle-university/

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

No perfume das flores de ameixa,
O sol de súbito surge –
Ah, o caminho da montanha!

Matsuo Bashô

[Espanha] Trabalhadoras do Madrid en Calle convocam uma greve por tempo indeterminado contra o Grupo 5

Depois de reuniões de última hora convocadas pela empresa, nas quais as funcionárias pensaram que iriam reconsiderar e mudar de ideia sobre a revogação de direitos adquiridos por décadas, eles finalmente só aceitaram o reconhecimento desses direitos para as trabalhadores da equipe do centro de trabalho antes de dezembro de 2022 (data em que o serviço SAMUR SOCIAL será separado da empresa). Desde então, os conflitos com a empresa têm sido contínuos, levando mais de um ano e meio com reuniões, especialmente na Inspetoria do Trabalho, nas quais esses direitos foram negados, reconhecidos novamente e, mais uma vez, negados.

Fomos forçadas a convocar uma greve por tempo indeterminado devido à violenta sensação de impunidade da empresa, que acredita que pode violar as leis mais essenciais sobre direitos trabalhistas e minar nossos direitos sem justificativa ou lógica. Nos sentimos enganadas e roubadas, e o pior é que não temos mais esse sentimento com essa empresa.

A decisão de greve foi apoiada por uma maioria retumbante na assembleia por toda a equipe da Madrid en Calle, incluindo as trabalhadores que fazem parte das seções sindicais CNT e Co.Bas, com 37 votos a favor de uma equipe de 44 trabalhadores.

Enquanto isso, a empresa não permite que essa seção participe ou assista a reuniões com o comitê, tendo sido ignorada em todos os momentos, a menos que seja forçada a fazê-lo por uma autoridade, e ainda não fornece um espaço para exercer nossos direitos sindicais, nem uma rolha, nem nada que o acordo de intervenção social obriga as empresas a fazer em seus artigos 37 e 38.

É por tudo isso que nossa paciência e impotência chegaram ao limite. Estamos fartas das mudanças repentinas de posição da empresa. Estamos fartas do fato de que hoje temos direitos que amanhã não sabemos se serão retirados. Que eles nos ignorem. Que mintam na nossa cara dizendo que não vão tirar nossos direitos.

Somos a seção sindical da CNT Madrid en Calle. Temos mais de 50% de nossos membros no local de trabalho. Como trabalhadoras de equipes de rua, exigimos ser ouvidas e recuperar nossos direitos. Por esse motivo, estamos convocando uma greve por tempo indeterminado em busca de

  • O cumprimento pela empresa dos acordos assinados entre a RR.TT e a RR.EE.
  • Sermos reconhecidas, por meio da seção sindical, como interlocutoras das trabalhadoras do centro (mais de 50% de afiliadas).
  • Ampliar nossos direitos em um setor altamente precário e melhorar a acessibilidade aos direitos adquiridos.
  • Reconhecimento da categoria profissional dos assistentes do EECC/PUE. Eles estão atualmente no Nível 3, pedimos que sejam reconhecidos no Nível 2.

Estamos cansadas de mostrar nossos rostos. Nos vemos nas ruas.

Madri nas ruas, Madri em luta!

Em Madri, 5 de julho de 2024

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/las-trabajadoras-de-madrid-en-calle-convocan-una-huelga-indefinida-contra-grupo-5/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

A noite chorou
a bolha em que, sobre a folha,
o sol despertou.

Guilherme de Almeida

[EUA] Anarquista resiste ao Grande Júri na Carolina do Sul

Uma anarquista e musicista da Carolina do Sul foi recentemente intimada a comparecer diante de um grande júri federal. Ela pediu que outras pessoas compartilhassem amplamente esta declaração a fim de conscientizar sobre sua provação.

“Meu nome é Cyprus Hartford. Tenho 20 anos, sou musicista, mulher trans e anarquista. Em 5 de junho de 2024, fui parada na estrada por agentes federais e recebi uma intimação para testemunhar perante um Grande Júri Federal em Charleston, Carolina do Sul, em 13 de agosto de 2024. Após consultar amigos, familiares e advogados, tomei a decisão de contestar essa intimação e, se necessário, recusar-me a prestar depoimento perante o grande júri. Não permitirei que o Estado me intimide. Não colocarei minha comunidade em risco ao fornecer ao Estado informações que não têm nada a ver com comportamento prejudicial, mas que revelam informações particulares sobre nossas crenças, atividades e associações protegidas pela primeira emenda.

Os grandes júris são um processo arcaico e secreto por meio do qual o Estado obtém acusações. Eles foram abolidos em todos os lugares em que foram implementados, exceto nos EUA e na Libéria. Como anarquista, não acredito que nenhum tribunal deva ter o poder de condenar seres humanos à prisão, mas isso é especialmente verdadeiro para os grandes júris. Os grandes júris minam os direitos das testemunhas de se protegerem contra a autoincriminação, forçando-as a depor sob ameaça de prisão federal indefinida por desacato civil ao tribunal. É isso que estarei enfrentando por me recusar a cooperar. Os grandes júris quase sempre votam a favor do indiciamento, com uma exceção. Os grandes júris quase nunca acusam policiais brancos que atiram e matam pessoas negras. Esse processo legal é essencialmente um tribunal canguru¹. Ele não tem lugar em um país supostamente livre. Eu me recuso a participar do processo de carimbar uma acusação. Diferentemente de qualquer outro processo legal nos EUA, os grandes júris federais acontecem a portas fechadas. Não há advogado de defesa, nem juiz, nem imprensa ou público. Os processos secretos são inerentemente antidemocráticos e suscetíveis a abusos com motivação política.

Embora eu não acredite que essa intimação seja justificada, não fiquei surpreso ao recebê-la devido à repressão semelhante que está ocorrendo na área de Charleston. Em março, o mesmo agente da ATF que me entregou a intimação deixou um cartão na porta da casa de minha família. Durante a primavera deste ano, várias outras pessoas da região de Charleston, Carolina do Sul, foram intimadas e prestaram depoimento. A repressão estadual e federal está aumentando em todo o país. Após anos de sucessivos movimentos de protesto em massa, o Estado está reprimindo ainda mais a dissidência. Temos as ferramentas para poder lutar contra isso no tribunal. Quando recebi essa intimação, liguei para os advogados do movimento associados à National Lawyers Guild. Eles me colocaram em contato com pessoas que já estiveram na situação em que me encontro. Garantiram-me que eu não estava sozinho. As pessoas já estiveram em minha situação e tomaram as decisões que estou tomando. O Estado procura nos isolar e nos separar uns dos outros, mas somos mais fortes quando estamos juntos.

No momento, estou tentando encontrar um advogado para me representar no tribunal. Esse é um processo um tanto caro e difícil. Um link do gofundme para me ajudar com isso, bem como com as despesas de subsistência nesse meio tempo e com o possível financiamento no caso de eu ser presa por minha recusa em cooperar, pode ser encontrado aqui: https://www.gofundme.com/f/support-cyprus-against-state-repression. Qualquer dinheiro que sobrar depois de tudo isso será destinado a outras pessoas que estejam enfrentando a repressão do Estado.

Com amor e raiva,

Cyprus Hartford

It/they/ela²”

Notas:

  1. NT: Tribunal canguru é um termo do direito para um procedimento judicial no qual o julgador é manifestamente autoritário e/ou parcial, decidido desde o início a julgar de modo favorável ou desfavorável a uma das partes, independentemente do conjunto de provas.
  2. NT: Decidi não traduzir todos os pronomes pois eles têm um significado próprio nos países de língua inglesa que não tem equivalência na língua portuguesa.

Tradução > Contrafatual

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agência de notícias anarquistas-ana

No meio da noite,
A voz das pessoas que passam —
Que frio!

Yaha

[França] Protestos contra as Olimpíadas de Paris: “Uma betoneira para turistas e a especulação”

Com os jogos anunciando a exclusão urbana e um aumento na vigilância, perturbações e protestos marcam a passagem da tocha olímpica pela França

A atual emergência política na França ocorre apenas algumas semanas antes dos Jogos Olímpicos, que devem ser oferecidos como um falso símbolo de inclusão e internacionalismo. No entanto, o grafite “Zbeul Olympiques” é amplamente visto decorando a publicidade do metrô de Paris. Zbeul, que se pode traduzir como “uma baita de uma bagunça”, expressa a desconfiança dos oponentes em relação ao carnaval olímpico nacionalista e neoliberal.

Em Marselha, “100 dias de Zbeul Olympiques” estão sendo realizados em resposta à chegada da tocha olímpica à cidade. Em uma manifestação no dia 8 de maio, os manifestantes denunciaram “o advento de uma sociedade de vigilância generalizada” e a crescente exploração de “trabalhadores, especialmente voluntários e imigrantes sem documentos” por meio dos jogos olímpicos, que transformam as cidades em “uma betoneira para turistas e a especulação, ao por exemplo remover ‘indesejáveis'”.

De acordo com a Organização Comunista Libertária, a expulsão das ocupações de pessoas sem-teto em Paris continuou “em um ritmo infernal até as férias de inverno, e recomeçou assim que elas terminaram”, incluindo uma ocupação de quase 300 pessoas em Vitry e a ocupação Unibéton em Saint Denis. Algumas associações apresentaram a cifra de 4.000 pessoas sem-teto, muitas sem documentos, ameaçadas desde a primavera de 2023.

Há décadas, os jogos olímpicos têm feito com que as cidades abram caminho para um saque corporativo do espaço urbano: destruindo bairros pobres para dar lugar a uma vila olímpica, que mais tarde se torna uma área cara e exclusiva. Em vez de regeneração, as Olimpíadas trouxeram gentrificação. Em Paris, a vila dos atletas, para a qual foram destruídas 3 escolas, 19 empresas, 1 hotel e 2 residências, será convertida em escritórios, lojas, hotéis e residências de luxo, assim como o novo centro aquático olímpico próximo ao Stade de France. Parte do parque Courneuve também foi desclassificada para acomodar o grupo de mídia e dará lugar a residências de luxo em uma área onde as moradias já estão superlotadas. Desde que Paris foi designada como cidade-sede em 2017, os preços dos imóveis aumentaram 22,3%.

O aumento da vigilância estatal também é motivo de preocupação. Durante as Olimpíadas e bem depois (até março de 2025), o Estado francês imporá pela primeira vez a “vigilância algorítmica por vídeo”, ou seja, a coleta abrangente e a análise por IA de imagens de câmeras fixas e drones. Organizações de direitos humanos e sindicatos radicais temem que essa seja outra “medida excepcional” que se tornará permanente e que pode abrir caminho para a legalização do reconhecimento facial – já usado ilegalmente pela polícia nacional desde 2015.

Em St. Etienne, a “Event Sabotage Sports Association” (Associação Esportiva de Sabotagem de Eventos) convocou ações disruptivas durante a passagem da tocha olímpica na forma de “um grande passeio musical e esportivo”, incluindo “caminhadas-pinturas, danças de contato com a rua e cochilos dinâmicos”. Ativistas de solidariedade à Palestina também têm protestado contra a passagem da tocha em vários locais, incluindo Sisteron, Angers e Rennes. Os defensores do boicote pediram que Israel fosse excluído dos Jogos, da mesma forma que os atletas russos e bielorrussos só podem competir como neutros.

~ Daniel Adediran

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2024/07/03/a-concrete-mixer-for-tourists-and-speculation/

Tradução > anarcademia

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agência de notícias anarquistas-ana

Chuva de granizo —
Compartilho com os pássaros
A minha varanda

Tony Marques

 

[Espanha] Traficantes de Sueños, a luta de uma livraria rebelde para não ser expulsa de Lavapiés por um apartamento turístico.

O coletivo madrilenho lança uma campanha para comprar o local com a ajuda de seus clientes, sócios e vizinhos: “Apostamos por nos manter no centro geográfico e político como lugar de resistência”.

Por Henrique Mariño | 02/07/2024

Ruas fotocopiadas, bairros intercambiáveis, urbes similares. A gentrificação, a turistificação e a globalização estão convertendo os centros das cidades em áreas temáticas —as mesmas lojas, os mesmos bares, os mesmos apartamentos— onde começam a escassear os vizinhos e os negócios tradicionais. Traficantes de Sueños, muito mais que uma livraria, resiste em Madrid, ainda que o anúncio da venda do local que ocupam na Rua Duque de Alba pôs a seus responsáveis em alerta em dezembro passado.

Buscar outro local apesar dos aluguéis subindo? Renunciar a um propósito que transcende a venda de livros, porque também editam, distribuem e agitam? Mudar de localização e deixar atrás o triângulo de Lavapiés, Tirso de Molina e La Latina? Não a tudo: seus vinte trabalhadores e trabalhadoras decidiram comprar o estabelecimento, reformá-lo e continuar com um trabalho crítico e reflexivo que os levou a receber o Prêmio Livraria Cultural em 2015, concedido pela Confederação Espanhola de Grêmios e Associações de Livreiros (CEGAL).

“Apostamos por nos manter no centro geográfico e político como lugar de resistência”, explica Charlie Moya, membro da Traficantes de Sueños, que convocou esta sexta-feira seus amigos, vizinhos, clientes e sócios para apresentar-lhes o projeto. “Encantaria-nos que passasses a fazer parte desta alegria coletiva”, convida através de suas redes sociais, onde deixa claro que a Senda de Cuidados, a Red Interlavapiés e Traficantes de Sueños decidiram preservar este lugar de “encontro e construção coletiva”.

Charlie Moya redunda no objetivo: “Que a militância madrilenha possa seguir tendo seu espaço”, cuja fisionomia remete a uma livraria, ainda que ele o entenda como “tudo o que passa por nosso edifício”: apresentações, debates, encontros, conferências, projeções, oficinas, cursos e um longo etcetera onde “seguir pensando juntas e construir em comum”. Também seus muros: ainda que o local custe 1,2 milhões de euros, necessitam outros 300.000 para a reforma, daí o chamado desta sexta-feira, às 19.30 horas, na Rua Duque de Alba, 13.

“A proprietária pôs à venda o local ante a obrigação de realizar umas obras cujo custo não quis assumir. Então pensamos que era o momento oportuno para continuar aqui, porque confiamos no bairro e nas vizinhas”, acrescenta o membro de um coletivo que opera como uma associação sem objetivo de lucro e que se define a si mesmo como um “projeto de economia social” e como uma “empresa política”. Sempre, segundo Charlie Moya, junto à cidadania, sobretudo nos “momentos críticos e necessários”, da eclosão do 15M ao auge do feminismo.

“Desde há mais de 25 anos abrimos nosso espaço ao debate, pelo que devemos seguir resistindo em um momento de mudança e incerteza. Também, consideramos que a compra do local suporia dar um salto”, pondera o membro da Traficantes de Sueños, que também publica ensaios, distribui livros de editoras alternativas, oferece serviços de desenho gráfico e organizam cursos através de Nociones Comunes, a quinta pata de uma iniciativa à qual haveria que somar o Espaço La Maliciosa.

Situado no bairro das Acacias —a quinze minutos caminhando, torrentera abaixo—, abriu faz dois anos em colaboração com Ecologistas em Ação e a Fundação dos Comuns, uma rede de propostas similares impulsionadas desde várias cidades do Estado que realiza trabalhos de investigação e estimula o pensamento crítico. O investimento, julga Charlie Moya, permitiria consolidar La Maliciosa como ateneu comunitário e converter a Traficantes de Sueños em uma referência não só madrilenha, mas também espanhol.

Entre outras medidas, ampliariam os fundos editoriais, um atrativo a mais para os clientes e os sócios, que apontam o projeto ao comprometer-se a um gasto mensal fixo. Muitos são vizinhos de Lavapiés e outros bairros centrais, testemunhos do assédio imobiliário ou já centrifugados pelo sistema. “Temos que permanecer neste espaço também para evitar que acabe sendo um piso turístico, um hotel ou um estabelecimento de uma grande rede”, conclui o porta voz da Traficantes de Sueños, integrada por vinte pessoas e que esta sexta-feira desvendará os passos a seguir para a compra do local.

Elas, Senda de Cuidados e a Red Interlavapiés aportarão 150.000 euros, mas necessitam outros tantos em doações para adquirir o piso, que conta com uma planta superior na qual se celebram debates e apresentações. Um quinto da quantia final, pelo que também aceitam empréstimos a 0% de interesse. Podem consultar todos os detalhes em #ConVosotrasSí: el proyecto de Duque de Alba se queda, onde facilitam a conta bancária de uma entidade que reivindica “a figura do livreiro como agitador cultural” e fomenta “o olhar crítico para a realidade e a cooperação cidadã”, segundo o jurado do XVII Prêmio Livraria Cultural.

Fonte: https://www.publico.es/culturas/traficantes-suenos-luta-libreria-rebelde-no-expulsada-lavapies-piso-turistico.html

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

No espaço, um brilho
qual uma folha viva:
O grilo.

Edércio Fanasca

[Itália] Ao lado de Juan. Por tantos e tantos motivos

Nunca esquecemos nossos companheiros, Juan livre, abaixo a POLGAI!

No próximo dia 16 de julho, às 9h30, no tribunal de Brescia, começará mais um processo contra nosso amigo e companheiro Juan Sorroche. A ação pela qual ele é acusado é um ataque explosivo ocorrido em 2015 na mesma cidade contra a POLGAI, uma estrutura que colabora com as polícias de vários países nas técnicas de controle de tumultos e contraguerrilha.

Quando os dispensadores de terror de Estado veem ser devolvida uma pequena parte de sua violência, a polícia política e o judiciário trabalham incessantemente para encontrar os responsáveis por tal afronta – ninguém ouse desafiar o monopólio burguês e estatal da violência! –, a ponto de esta ser a terceira vez que Juan é investigado pela mesma ação.

Qual é a máxima expressão do monopólio estatal da violência? A guerra. E enquanto os diversos complexos científico-militar-industriais nos arrastam para a terceira guerra mundial – do qual o genocídio em curso em Gaza é a mais brutal antecipação –, as retaguardas dessa mobilização total devem permanecer pacificadas. Por isso o aperto repressivo contra qualquer prática de luta não simbólica (pensemos no drástico aumento das penas programadas para os bloqueios de estradas, para as ações de resistência às obras das Grandes Obras ou até mesmo para a difusão de textos considerados “incitadores”). Por isso as pauladas contra os estudantes ou as represálias patronais-judiciais contra os carregadores. Por isso as requisições em caso de greve. Por isso as contínuas investigações contra companheiras e companheiros. Por isso o 41bis aplicado a Alfredo Cospito. Por isso o ataque às ideias e publicações anarquistas.

Em tempos de guerra, acabam-se as pantomimas garantistas. O Estado mostra seu rosto e seu martelo. As fronteiras entre frente externa e frente interna tornam-se cada vez mais difusas; o imigrante em luta se confunde com o antagonista, as revoltas nas periferias incitam os movimentos antimilitaristas no ventre da besta, às contestações nos campus universitários correspondem as resistências nos territórios atingidos pela fúria extrativista do capital.

Eis um exemplo dessas interconexões globais: na mesma seção especial da prisão de Terni onde Juan está há anos (e por vários meses também Zac), estão detidos militantes revolucionários cuja prisão se prolonga há quatro décadas e cuja história está diretamente ligada à luta contra a OTAN e contra o imperialismo. Desde janeiro passado, nessa seção está também preso o palestino Anan Yaeesh.

Embora a resistência conduzida por Anan nos territórios palestinos seja legítima até mesmo segundo as cartas de Direito internacional; embora todos saibam que nas prisões israelenses a tortura contra prisioneiros palestinos é praticada sistematicamente, o ministro da Justiça italiano acolheu o pedido de extradição de Anan por parte do Estado de Israel, enquanto a resistência armada contra o colonialismo sionista – hoje abertamente genocida – para os juízes italianos se torna “terrorismo”, a mesma acusação pela qual estão presos também os palestinos Ali e Mansour, a mesma acusação movida a Juan pela ação contra a POLGAI. Lembramos então que essa estrutura está ativa em Brescia desde 1974 (ano do massacre de Piazza della Loggia) e que entre as polícias com as quais colabora está também a israelense. E lembramos que na província de Brescia (Ghedi) há um ponto fundamental desse imperialismo ocidental ativamente cúmplice do massacre sem fim do povo palestino: uma base da OTAN onde estão armazenadas bombas nucleares capazes de desintegrar populações inteiras. O círculo se fecha.

É importante estar ao lado de Juan contra essa nova tentativa de enterrá-lo na prisão. Não apenas por solidariedade com um companheiro que sempre deu uma contribuição generosa às lutas. Mas também como uma oportunidade para relançar as iniciativas contra o terrorismo de Estado, contra o genocídio na Palestina, contra a guerra global, sua economia, sua logística, contra a repressão e pelo fim do 41bis. A solidariedade com Juan – e com os outros companheiros e companheiras na prisão – é para nós parte da mobilização a ser construída para o futuro processo contra Anan, Ali, Mansour.

Por uma Intifada mundial dos oprimidos e oprimidas. Para transformar a guerra dos patrões em guerra contra os patrões.

Como gritamos em Brescia durante as manifestações pelos cinquenta anos do massacre de Estado de Piazza della Loggia, “nossos companheiros nunca esquecemos, Juan livre, abaixo a POLGAI!”.

Companheiras e companheiros

Sábado, 13 de julho, a partir das 17h30 – largo T. Formentone (Piazza Rovetta), Brescia

Manifestação em solidariedade com Juan.

Terça-feira, 16 de julho, a partir das 9h00 na via Lattanzio Gambara 40

Presença solidária em frente ao tribunal de Brescia.

Fonte: https://ilrovescio.info/2024/06/08/al-fianco-di-juan-per-tanti-e-tanti-motivi/

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Tormenta hibernal —
O rosto do passante,
Inchado e dolorido.

Bashô

[Espanha] Comunicado da CNT-AIT de Madrid em Apoio às 6 de “La Suiza”

Faz umas semanas conhecíamos a ratificação do Supremo à condenação de 3,5 anos de prisão e multa de 150.000€ às 6 de La Suiza por fazer frente ao assédio sexual e exploração laboral de um hoteleiro a uma trabalhadora de dito estabelecimento.

Desde a CNT-AIT de Madrid queremos mostrar nossa solidariedade com as represaliadas e nosso mais retumbante rechaço à perseguição a que estão submetendo a estas 6 companheiras e a muitas outras que desde diferentes âmbitos de luta, como o sindical, mas também o da moradia ou o do ecologismo radical estão enfrentando penas de prisão por defender em última instância uma vida que valha a pena ser vivida.

O de La Suiza é um caso que chegou aos ouvidos de todos, mas não devemos esquecer que não é um caso isolado, ao contrário, se inscreve em uma perseguição mais ampla que pretende não só reprimir, mas também disciplinar e amedrontar aos que se propõe a dar um passo adiante na luta contra o Capital, o Estado e o Patriarcado. É um aviso a navegantes: se enfrentas o sistema podes acabar entre grades. Isto em si mesmo não é nenhuma novidade, posto que o poder sempre reprimiu a quem pretendia derrotá-lo. O que sim é novidade é que de um tempo até agora foi se estreitando a margem de ação, e o fará cada vez mais, pois o capital se acha em fase terminal e está disposto a arrasar com tudo antes de morrer.

A mensagem que nos enviam é clara: agora ir a uma manifestação antifascista pode te levar ao cárcere, como os 6 de Zaragoza. Joga suco de beterraba ao congresso pode te levar ao cárcere, como aos do Rebelión Científica. Criticar a monarquia em uma canção ou expressar tua opinião no Twitter pode te levar ao cárcere, como a Pablo Hassel. E claro, fazer um piquete denunciando a exploração laboral e o assédio sexual pode te levar ao cárcere, como as 6 de La Suiza ou a dois militantes da CNT-AIT Granada, a quem pedem 2 anos de cárcere e 30.000€ de multa em um caso que tem demasiados ecos com o das companheiras de Xixón.

Frente a isto não podemos pedir ao Estado que interceda, posto que a violência emana do próprio Estado que é quem legisla e legitima a exploração e a repressão. Nossa única opção, agora como sempre, é nos organizarmos à margem das instituições burguesas. Nossa melhor arma, agora e sempre, é a solidariedade. E nossa melhor ferramenta, agora e sempre, é a ação direta.

Porque fazer sindicalismo não é crime, e ainda que o fosse seguiríamos fazendo-o.

Liberdade às 6 de La Suiza!

Fonte: https://madrid.cntait.org/comunicado-de-cnt-ait-de-madrid-en-apoyo-a-lxs-6-de-la-suiza-I7_Irf4HXg6fECKlgU_aem_xU00-SlL0Gx8P1h3R6Eg0A

Tradução > Sol de Abril

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Na tarde sem sol
folhas secas projetando
sombras em minh’alma.

Teruko Oda

[Chile] Saída incendiária na Universidade de Playa Ancha pela terra e contra o capital

Na quinta-feira, 27 de junho, na UPLA, foram erguidas barricadas, exibidas faixas e panfletos, e foram organizados confrontos contra a presença da COP [forças policiais], no contexto de comemoração pela defesa da terra contra o extrativismo ecocida. Nessa ação direta no porto, também foi feita alusão a Felipe Ríos, que atualmente está sofrendo repressão e sequestro pelo estado policial social-democrata.

Folhetos e faixas diziam: “Felipe Ríos presente. Presxs para a rua”, “Traficantes e policiais, a mesma sujeira. Pegue sua arma, saiba que nossas balas estão apontadas para seus rostos”, “Prisioneirxs subversivxs para as ruas” e “A terra prometida não passa de uma terra subjugada. Autonomia e liberdade”.

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https://informativoanarquista.noblogs.org/post/2024/07/08/chile-salida-incendiaria-en-la-universidad-de-playa-ancha-por-la-tierra-y-contra-el-capital/

agência de notícias anarquistas-ana

Sobre o campo seco,
A voz que grita ao cavalo
Em meio à tormenta.

Kyokusui

[Tailândia] Uma birra por causa de um templo: pixo anarquista leva a 8 meses de prisão

Ano passado, um homem pixou um símbolo anarquista e o número 112 (em referência à lei de lesa-majestade) no muro do Templo do Buda de Esmeralda, parte do Grande Palácio. Ele foi condenado a oito meses ininterruptos de prisão.

O acusado de 26 anos de idade, Suttawee Soikham, pagou fiança e está apelando a decisão da corte criminal.

Originário de Khon Kaen, ele foi visto por dois policiais no dia 28 de março do ano passado pixando o símbolo anarquista e o número 112 no muro externo do templo, que faz parte do Grande Palácio no distrito Phra Nakhon, de Bangkok. O número simboliza a seção 112 do código criminal, também conhecido como a lei de lesa-majestade.

Depois do ato, ele foi imediatamente preso e levado para questionamentos à divisão 6 da Polícia Metropolitana.

Na manhã do dia 4 de julho, Suttawee, acompanhado de um advogado, chegou à corte para ouvir o veredito. Dois amigos que enfrentaram as mesmas acusações estavam presentes para oferecer apoio moral.

Suttawee foi considerado culpado de violação da Lei de Monumentos Antigos, Objetos Antigos, e Museu Nacional, bem como da Lei de Asseamento. Ele foi inicialmente condenado a um ano de prisão, mas a corte reduziu a pena em um terço para oito meses devido à sua confissão.

Ainda há casos em consideração referentes a dois fotógrafos jornalistas freelancer que estavam na cena durante o ato de vandalismo e tiraram fotos do incidente. A Polícia Real Tailandesa publicou formalmente as acusações contra eles no dia 13 de fevereiro deste ano, a despeito do fato de alegadamente não terem participado dos crimes.

O fotógrafo jornalista freelancer Nattaphon Phanphongsanon afirmou depois de sua prisão que ele e Nuttaphol Meksobhon, um repórter para um site de notícias, estavam apenas fazendo seus trabalhos e não tiveram qualquer outro envolvimento.

Contudo, policiais afirmam terem visto gravações de câmeras de segurança nas quais os dois jornalistas e o artista planejaram a pixação. Contudo, não há áudio, e assim não fica claro o que as pessoas no vídeo poderiam estar discutindo, como reportou o Bangkok Post.

Fonte: https://thethaiger.com/news/national/man-sentenced-eight-months-for-anarchist-grand-palace-vandalism

Tradução > anarcademia

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/04/04/tailandia-ativista-e-preso-por-pintar-slogans-antimonarquia-no-palacio-da-familia-real/

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Caminha a folha
morta,
pálio sobre formigas.

Yeda Prates Bernis

[Chile] Invasões devido à investigação sobre artefatos explosivos

Como Informativo Anarquista, gostaríamos de ser concisos sobre as situações que ocorreram desde a madrugada de 6 de julho, na véspera da comemoração da morte de nossa querida companheira Luisa Toledo.

Em resumo, os eventos foram os seguintes:

– Incursões à Rádio Villa Francia, ao Comedor Popular Luisa Toledo e a várias residências nos municípios de Estación Central, Macul, Santiago Centro, La Granja, Cerrillos e Maipú.

– Armas artesanais e industriais, como pistolas, revólveres, um rifle e uma submetralhadora, além de munição, foram encontradas em um local.

– Em outra casa, foram encontrados explosivos industriais para uso em mineração.

– Em outra incursão, foram encontradas uma granada caseira com pólvora negra e uma bomba de gás lacrimogêneo.

Na noite de 6 de julho, os detentos foram formalmente acusados, com exceção de um detento que está hospitalizado no momento (08/07). Um dos companheiros foi preso preventivamente, dois foram colocados em prisão domiciliar à noite, nove foram declarados ilegalmente detidos e uma companheira está aguardando recurso.

Hoje, 8 de julho. A prisão preventiva de um companheiro e a prisão domiciliar de dois companheiros foram ratificadas. Os nove companheiros cuja detenção foi declarada ilegal ainda estão suspensos até amanhã, 9 de julho. A companheira que está aguardando recurso foi colocada em prisão domiciliar com o pagamento de fiança; no entanto, o Ministério Público do Sul recorreu e amanhã, quarta-feira, 9 de julho, o Tribunal de Recursos decidirá. Além disso, o companheiro hospitalizado foi formalizado e preso preventivamente.

Essas batidas seguem uma investigação sobre a colocação de um artefato explosivo em dezembro de 2023 em uma concessionária Nissan e a colocação de uma “bomba lapa” em um carro da polícia durante os confrontos de 29 de março deste ano, no âmbito do Dia do Jovem Combatente.

Solidariedade com os detidos e presos!

Fonte: https://informativoanarquista.noblogs.org/post/2024/07/09/chile-allanamientos-por-investigacion-sobre-artefactos-explosivos/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/07/09/chile-a-seguir-de-pe-frente-aos-fatos-registrados-em-6-de-julho/

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Logo se esvaecem
Como a lua na alvorada —
Maçaricos da praia.

Chora

[Espanha] “Caso 6 de La Suiza”: repressão para o sindicalismo que luta

A ratificação pelo Tribunal Supremo da sentença da Audiência Provincial de Astúrias, pela qual se condena seis sindicalistas à pena de três anos e meio de prisão e multa de 125.000€, não só supõe um atropelo ao direito à ação sindical e às liberdades de organização, manifestação e expressão dos trabalhadores que (em teoria) a legislação espanhola protege, mas que confirma o que foi uma prática generalizada durante toda a Transição.

É certo que o caso de Las 6 de La Suiza representa possivelmente o capítulo mais extremo de perseguição e crueldade contra cidadãos que simplesmente exerceram uns direitos incluídos na Constituição Espanhola e pela Organização Mundial do Trabalho, mas injustiças parecidas vêm se registrando muitos anos depois que se revogou a legislação franquista.

Que uma trabalhadora recorra a um sindicato para reclamar que lhe paguem as horas extras que lhe deve a empresa e que lhe trate com o respeito devido, para o que a organização sindical promove ações de protesto absolutamente legais e legítimas, acaba sendo convertido pelo dono de La Suiza em um ataque pessoal e uma estratégia para provocar o fechamento da confeitaria. Surpreendentemente a suposta Justiça – ou os profissionais que a aplicam com esses critérios tão díspares – compram a teoria conspiratória do agressor e condenam a agredida e a quem solidariamente defendeu sua causa. Mas desgraçadamente não é esta a primeira sentença contra a ação sindical nem seguramente será a última.

Em anos recentes vivemos processos contra moradores e trabalhadores da Bahía de Cádiz por sua participação ou apoio a uma greve do Metal que, evidentemente, não contava com a benção dos sindicatos oficiais. Inclusive o filme Los Lunes al Sol, de León de Aranoa, se baseia em uma história de um desses conflitos que se fecham a toda pressa, deixando os afetados mais conscientizados aos pés dos aparatos repressivos e judiciais.

Muitas sentenças tem já arquivadas os tribunais do social onde um sindicalista dos que se comprometem a fundo em cumprir seu papel histórico é vítima de uma demissão procedente porque a Justiça aceita a acusação da empresa de que esse trabalhador incômodo “acumula várias ausências e atrasos no posto de trabalho”, ou seja, “diminuiu injustificadamente a produtividade” pelo que vai pra rua sem indenização. Frequentes também são os casos de demissões por montar uma seção sindical ou concorrer às eleições sindicais sob umas siglas que não agradam ao empresário; claro que para justificar a sanção máxima se costuma alegar outras razões: o chefe pode ser muito bruto, mas sempre tem seu advogado.

Pelo contrário, se a representação sindical é ostentada por algum dos sindicatos mais propensos ao pacto que à luta, as coisas se desenvolvem de maneira muito mais harmoniosa. Habitual, ainda que pouco conhecido, é o bom número de liberações e a elevada quantia das subvenções – para fomentar o diálogo social, ou qualquer outro pretexto – que costumam cair aos assinantes de pactos e reformas. Tampouco é um segredo – ainda que não haja jornalista que se atreva a indagar- que em muitas grandes empresas estes sindicalistas dizem muito na hora de atribuir cursos e promoções entre os trabalhadores de suas equipes. A estas alturas ninguém deve escandalizar-se se recordamos que em alguma multinacional se oferece o contrato de trabalho ao mesmo tempo em que a ficha de filiação ao sindicato da casa.

Uma pena que o sindicalismo, que escreveu páginas gloriosas e ao qual devemos tantas conquistas sociais, tenha acabado na caricatura vergonhosa que vemos em nossos dias. Mas esta realidade também pode ser um estímulo para que a classe trabalhadora supere o estado de passividade e derrotismo e recupere sua capacidade de autorganização e luta. O caso de La Suiza e outros exemplos nos dizem que outro sindicalismo é possível e necessário.

Antonio Pérez Collado

CGT-PVyM

Fonte: Gabinete de Comunicação da Confederação Geral do Trabalho do País Valenciano e Murcia

Tradução > Sol de Abril

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Dança da mulher molhada
Ao vento o galho
Orvalho nas pétalas.

Silvia Mera

Flecheira Libertária N° 769

cadáveres

Os progressistas e alguns liberais, além das mídias das empresas de comunicação, continuam com suas manchetes relativas ao crescimento da extrema direita na França e em outros Estados da Europa. Reiteram a “importância” da estratégia adotada pela esquerda e por parte da direita francesa em “isolar” os reacionários por meio da caricata Frente Ampla. Nada muito diferente do que foi visto em outros países ao redor do planeta, entre eles o Brasil. Modera-se em prol de uma gestão classificada como eficiente, equilibrada, que seja estável para a União Europeia, a democracia e os negócios capitalistas. Enquanto os Estados e a propriedade produzem as mazelas de sempre, os progressistas e muitos dos seus sócios liberais selam, como “bons” negociantes, acordos para preservar a ordem da qual necessitam para governar, mais do que para sobreviver. Isso é a política, seja com a nomenclatura de Frente Popular, Nova Frente Popular ou quaisquer outros cadáveres que tentem reviver.

os negociantes da ordem

Sobre os progressistas: na Europa e em outros lugares do planeta, o funcionamento de seus partidos, de suas organizações de caridade e em “defesa dos imigrantes”, de seus think tanks, do comércio e das boutiques levados adiante pelos seus ativistas, herdeiros dos anteriores movimentos sociais, de suas portas giratórias etc. está atrelada à preservação dessa ordem que tanto desejam, instituem e necessitam. Frente aos reacionários, eles, incluindo os stalinistas revestidos de democratas, respondem com mais negócios, alianças, composições. É isso o que chamam de combate ao fascismo. São, por fim, os “bons” negociantes que a ordem também necessita, e que vez ou outra também contempla os e as fascistas.

propriedade

O atual pretendente a “pai dos pobres”, em seu terceiro governo, anunciou um novo Plano Safra, beneficiando os grandes proprietários e a chamada agricultura familiar. Gabou-se de que se trata do maior plano da história, envolvendo mais de 400 bilhões de reais. Não é novidade que um presidente que outrora foi operário e sindicalista conta com a confiança e parceria dos chamados movimentos de lutas sociais, os (as) assanhados(as) ativistas pode ser um bom negócio para os que fazem grandes e melhores negócios para si mesmos. Afinal, perguntam-se, “por que não inserir os que ‘lutam’ numa cadeia de produção e torná-los fonte de recursos?”. Ao gerar crédito para os empreendedores solidários, alguém precisará comprar máquinas, equipamentos, insumos – seja bioinsumos ou agrotóxicos –, fertilizantes etc. Agora só falta criar mais proprietários para os setores mencionados, tarefa com a qual o pretendente “pai dos pobres” e, também, consolidado “tio dos ricos” já se comprometeu. Segundo ele e seu rebanho, patrão nacional é melhor que patrão internacional. A ordem necessita de um “bom” negociador da propriedade. Pouco importa a bandeira, a racionalidade neoliberal promove o casamento monogâmico entre capital e capital humano.

mais negociantes da ordem

Uns falam: “queremos menos juiz e mais juízas”. Outros(as) complementam: “exigimos mais carcereiras”. Alguns, ora ou outra, saem às ruas com os seguintes slogans: “a punição deve ser igual para todos”. Muitos ativistas, por sua vez, reivindicam: “nós também queremos ser proprietários”, “todos têm direito a ser proprietário”. Em determinados ciclos, outros ou outras pronunciam: “queremos menos patrão e mais patroa”. Enfim, são mais algumas reivindicações dos negociantes de plantão da ordem…

Fonte: https://www.nu-sol.org/wp-content/uploads/2024/07/flecheira769.pdf

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A flor
Sussurra ao vento
Sem aroma.

Maria Helena Camargo

[Porto Alegre-RS] Reconstruir

Enquanto as pautas dos políticos são absurdos escancarados temos que lidar com os constantes colapsos de uma ordem social que insiste em se manter de pé, ignorando os claros sinais de sua falência, onde seus rastros de destruição explodem sempre nxs que tem menos recursos. O capital faz a gestão destas crises, tirando seu lucro para o 1% mais rico e se enraizando, criando estruturas onde seja cada vez mais difícil de se desvencilhar, mas que na realidade constrói e nos entrega uma vida cheia de vazios. Buscando varrer seus problemas para o esgoto, que já transborda e atinge cada vez mais gente, tomando de assalto a pacificada realidade social…

Observando e vivendo os últimos momentos nessa região, chamamos para trocar uma ideia.

Abandonar o estado e a sociedade capitalista não é nada fácil, mas aos poucos praticamos e plantamos alternativas.

Cola na Kasa, fortaleça as alternativas reais, respira, propaga e pratica a liberdade!

okupaviuvanegra.noblogs.org

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A Brisa Que Sopra
É O Melhor Refresco
Neste Dia Quente

Leonardo Natal

Papo reto do Cacique Seattle para o presidente Lula…

|| “Ganhar dinheiro com esse petróleo” – Lula ||

“Quando o último rio secar, a última árvore for cortada e o último peixe pescado, eles vão entender que dinheiro não se come”.

Carta do Cacique Seattle ao presidente do Brasil, em 2024

|| Contra a exploração de petróleo na Foz do Amazonas ||

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/06/18/nova-presidente-da-petrobras-defende-passar-o-petroleo-na-bacia-da-foz-do-amazonas/

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Todos adormeceram
Só o canto da cigarra
Permanece na noite

Maria Renata F. Antunes

Mudanças Climáticas: Capitalismo e Caos

Apesar de ainda haverem inúmeros negacionistas acerca do tema, as mudanças climáticas são uma das questões mais urgentes e debatidas do nosso tempo. Elas referem-se a longas alterações nos padrões climáticos e de temperatura da Terra, frequentemente atribuídas às atividades humanas. A ciência tem mostrado consistentemente que o aquecimento global, uma faceta crucial das mudanças climáticas, está sendo exacerbado pela emissão de gases de efeito estufa, como dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4). Todavia, o que não se diz é como o capitalismo figura como um elemento significativo dessas mudanças.

Antes de mais nada, esclarecemos que as alterações de longo prazo nos padrões climáticos globais e regionais comumente são chamadas de mudanças climáticas. Embora mudanças no clima tenham ocorrido naturalmente ao longo da história da Terra, nos últimos séculos, a influência humana tornou-se a principal força motriz. O aumento na concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, principalmente devido à queima de combustíveis fósseis, desmatamento e atividades industriais, tem levado a um aquecimento global rápido e sem precedentes.

Dessa forma, a principal causa das mudanças climáticas é a emissão de gases de efeito estufa, que retêm calor na atmosfera da Terra. As atividades humanas, especialmente desde a Revolução Industrial, aumentaram drasticamente a concentração desses gases. A queima de carvão, petróleo e gás natural para geração de energia, transporte e indústrias libera grandes quantidades de CO2. Além disso, o desmatamento reduz a capacidade da Terra de absorver CO2, exacerbando o problema.

É nesse contexto que o capitalismo, com seu foco no crescimento econômico incessante e no consumo desenfreado, tem desempenhado um papel central no caos denominado crise climática. Este sistema econômico, desigual, violento e opressor, incentiva a extração e o uso intensivo de recursos naturais sem considerar os limites ecológicos do planeta. A busca incessante por lucro leva à exploração descontrolada de combustíveis fósseis e à destruição de florestas, resultando em emissões massivas de gases de efeito estufa.

As empresas e indústrias, impulsionadas pelo capitalismo, priorizam unicamente o lucro sobre a sustentabilidade ambiental. A obsolescência programada, por exemplo, um fenômeno em que produtos são projetados para ter uma vida útil curta para aumentar o consumo, elucida como o capitalismo promove o desperdício e a degradação ambiental. Além disso, a desigualdade econômica, uma característica inerente ao sistema capitalista de produção, significa que os países e comunidades mais vulneráveis sofrem desproporcionalmente com os impactos das mudanças climáticas.

Para mitigar as mudanças climáticas (se é que isso ainda é possível), especialistas afirmam ser crucial reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa. Isso pode ser alcançado através de várias medidas, como a transição para energias renováveis (substituir combustíveis fósseis por fontes de energia limpa, como solar, eólica e hidroelétrica), o reflorestamento e conservação (proteger e restaurar florestas, que são importantes sumidouros de carbono), a eficiência energética (melhorar a eficiência dos sistemas de energia e promover o uso de tecnologias de baixo carbono) e a economia circular (adotar práticas de economia circular, onde os produtos são projetados para serem reutilizados, reciclados e mantidos em uso por mais tempo).

No entanto, se as mudanças climáticas continuarem a se agravar, o planeta enfrentará consequências ainda mais catastróficas, como o aumento do nível do mar, eventos climáticos extremos, perda de biodiversidade e crises cada vez mais constantes de segurança alimentar e hídrica.

Para nós, eis o ponto em que o anarquismo mostra sua relevância e viabilidade, ao propor uma sociedade sem hierarquias opressivas, onde as decisões são tomadas coletivamente e os recursos são geridos de forma racional e sustentável. O anarquismo deixa claro que não basta a implantação de um capitalismo verde, ecofascista e supostamente sustentável. O capitalismo em si é o problema e, portanto, não fará parte da solução.

De outro lado, as práticas anarquistas, como o antiestatismo, o horizontalismo, a autogestão, a economia solidária e o apoio mútuo, oferecem um modelo alternativo ao capitalismo, que valoriza o bem-estar humano e ambiental. Assim sendo, a implementação prática de princípios anarquistas pode promover uma sociedade mais justa e ecológica, onde o foco está no bem comum e na sustentabilidade. Coletivos e cooperativas podem substituir empresas capitalistas, priorizando práticas agrícolas regenerativas, produção local e uso consciente de recursos.

O desafio é continuar a luta pela transformação social com foco na transição para um modelo econômico mais justo e sustentável, como o proposto pelo anarquismo, mitigando e revertendo os impactos climáticos e construindo um futuro mais equilibrado para todos os habitantes do planeta – enquanto ainda temos um planeta para isso.

Liberto Herrera.

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O menino cego
Fecha os olhos e sorri
Sonhando com flores…

Izo Goldman