[São Paulo-SP] 1° de Maio das centrais sindicais pelegas e petista foi um “fia$co”

Ato milionário (com patrocínio da Petrobras e da “Lei Rouanet”) do 1° de Maio, organizado pelas centrais sindicais pelegas-domesticadas e pelo governo Lula foi um estrondoso “fia$co”, bizarro. Eles pretendiam juntar mais de 50 mil pessoas, mas não juntaram nem “meia dúzia de gatos pingados” (plateia, alguns pagos para segurar bandeiras de sindicatos).

O evento ocorreu na quarta-feira (01/05) em São Paulo, no estacionamento da Neo Química Arena, estádio do Corinthians, time do presidente Lula. O palco das “estrelas” estava cheio de pelegos, puxadores de saco e bajuladores do presidente.

O próprio Lula-hipócrita-megalomaníaco-chorão reclamou do público pequeno no ato:

“Vocês sabem que ontem eu conversei com ele sobre esse ato, e eu disse pra ele: ‘Márcio (Macedo, ministro da Secretaria-Geral da Presidência), o ato tá mal convocado. O ato tá mal convocado’. Nós não fizemos o esforço necessário para levar a quantidade de gente que era preciso levar”, afirmou Lula.

Aliás, como o “cara”, o “Deus”, o “ícone” da esquerda (!?), o “líder” mais popular da história do Brasil não mobiliza, não junta espontaneamente nem 10 mil pessoas?

Enfim, mais um capítulo gargalhante dessa novela chamada “esquerda (!?)”.

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agência de notícias anarquistas-ana

glóbulo alado
halo da lua
no olho do lago

Marcelo Steil

[Itália] Gianfranco Marelli (Joe)

Professor de Filosofia no ensino médio, jornalista, mais simplesmente, um anarquista: assim se apresentava em seus livros Gianfranco Marelli, o companheiro nascido em Milão em 1957 e que agora não está mais entre nós. Mas Gianfranco foi algo a mais, seguramente mais importante e significativo para quem como nós conviveu com ele e o teve como amigo e companheiro de estrada. E não somente pelos seus numerosos livros, artigos, introduções e posfácios em vários textos, seus comentários e intervenções em redes sociais como Carmilla e outras, seus ensaios em revistas acadêmicas, mas, sobretudo, pela qualidade humana que o distinguia. Gianfranco tinha uma “escrita nunca banal, uma competência percebida em tudo o que dizia, uma paixão pela pesquisa verificada de forma completa nos livros sobre o situacionismo, um fundo de ironia sempre presente, uma inteligência vivaz que vibrava por todo seu corpo, quase querendo romper-lhe as articulações”. Subscreve essa fotografia tirada por Salvo Vaccaro – entre os tantos atestados de estima que nestes dias o lembraram – sublinhando que esse reclamo de seu corpo que vibrava nos recorda a contínua e extenuante batalha que Joe combateu para que a liberdade de seu pensamento e de seu agir não viesse frustrada em um corpo condicionado por um acidente sanitário durante seu nascimento. Uma batalha que teve tantas fases positivas – da fatigante conquista de autonomia de movimento ao feliz encontro em 1982 com Angela, sua amada companheira de vida, até o trabalho como professor que o envolveu de afetos das e dos estudantes até os últimos dias – e outras negativas, como a última cirurgia em 2020, que o confinaram progressivamente em uma cadeira de rodas, entre as dores crescentes e cada vez menos suportáveis.

Morador de Pero, na província de Milão, Gianfranco entrou em contato com os ambientes libertários da cidade para depois aderir em 1975 à Organização Lotta Anarchica (depois Federação milanesa da FAI), quando ela ainda tinha sede na via F.lli Bozzi em conjunto com a redação nacional de Umanità Nova. Desde então e até 2001, data de sua mudança para a ilha de Ischia, Joe fez parte ativa de nosso agir político e social. Nas reuniões, nas atividades, e também nas viagens como naquela que fizemos em 1980 entre a Colômbia, Equador, Peru e Bolívia, ou naquela para Barcelona para o Segundo Encontro Intercontinental dos Zapatistas em 1997. Além de garantir uma presença assídua nos encontros e congressos, participou de todas os encargos federativos que o grupo de Milão assumiu, da redação de UN nos anos 80 e 90 ao coletivo Zero in Condotta, passando pela Comissão de Correspondência e por aquela Internacional. Na qualidade de inscrito no álbum de jornalistas desde o tempo de sua colaboração com um periódico de Pero, depois do desaparecimento, em 2004, de Sérgio Costa, garantiu, do ponto de vista legal, a publicação de Umanità Nova assumindo o encargo de diretor responsável (com ele dizendo-se irresponsável) do periódico.

Em sua mudança para Ischia continuou a sua relação conosco, mesmo que, obviamente, estabelecendo relações próximas com os companheiros da cidade – Gianfranco foi, entre outras coisas, organizador do Seminário de Estudos sobre Bakunin, em 2014, ocorrido no Museo di Villa Arbusto, em Lacco Ameno (Ischia), por ocasião do bicentenário de seu nascimento. São significativas para serem citadas, as recordações, sentimentos e sinais de afeto e de aproximação dirigidos a ele e a Angela e a repercussão que seu desaparecimento teve na ilha onde Gianfranco cumpriu um papel seguramente não secundário no debate político e cultural local. Entre outras coisas nos dá prazer assinalar que seu livro de poesias, Dança a vida, durante uma semana, esteve no primeiro lugar em vendas na Livraria Imagaenaria da ilha.

São numerosos seus livros que evidenciam o profundo conhecimento da cultura radical contemporânea a partir do situacionismo:

L’amara vittoria del situazionismo (BFS, Pisa 1996) reeditado pela Mimesis (Milão 2017) e traduzido para o francês (Sulliver, Arles 1998), L’ultima Internazionale (Bollati Boringhieri, Turim 2000), Una bibita mescolata alla sete (BFS, Pisa 2015). Foi curador, além disso, do verbete “L’Internazionale situazionista” para o segundo volume de L’altronovecento. Comunismo eretico e pensiero critico (Milão 2011) e do texto de Guy Debord, Ecologia e psicogeografia (Eleuthera, Milão 2021). Antes de partir nos consignou sua última contribuição ao livro dedicado a Giorgio Cesarano, a ser lançado em breve.

Queremos saudá-lo lembrando o longo trajeto de estrada comum feito de palavras, ideias, humanidade, sonhos e esperanças, ironias, sensibilidades, originalidades, vontades e coragem, sem nunca perder de vista a ternura.

Dizer que permanecerá em nossa memória nos nossos corações, é pouco.

As suas companheiras e companheiros da Federação Anarquista e do Ateneu libertário de Milão

O coletivo editorial de Zero in Condotta

A redação une-se à dor das companheiras e companheiros de Milão lembrando-se do “diretor irresponsável”.

Fonte: https://umanitanova.org/gianfranco-marelli-joe

Tradução > Carlo Romani

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lavrando o campo:
do templo aos cumes
o canto do galo

Buson

[Ga$to$ militares] Governo Lula: Exército Brasileiro está comprando helicópteros Black Hawk usados dos EUA

O Exército Brasileiro confirmou que está no processo de aquisição de helicópteros Black Hawk para renovação da sua frota. Desde o início do ano, circulava o rumor da compra de mais helicópteros Sikorsky UH-60 para o Exército, visando substituir os mais antigos Black Hawk e também todos os helicópteros franceses HM-3 Cougar (Airbus H215M).

Em 1997, o Brasil comprou dos EUA quatro unidades do Sikorsky S-70, versão civil do Black Hawk que pode ser adaptada para uso militar. A compra foi feita para o Exército Brasileiro dar um apoio mais adequado à missão que mediava o conflito de fronteira entre o Equador e o Peru.

Desde então, a família Black Hawk se expandiu no Brasil e hoje é utilizada por todas as forças, incluindo a Força Aérea com o UH-60L Black Hawk nas missões de busca, resgate e salvamento (SAR/CSAR), e com a Marinha com o SH-60B Seahawk, para missões antissubmarino e antinavio.

Mas com os primeiros S-70A chegando próximo dos 30 anos de operação, o Exército irá substituir a aeronave, e informou ao congresso que serão 12 unidades usadas pela US Army (Exército Americano), e que hoje estão estocadas. O modelo específico não foi informado, mas espera que sejam as versões UH-60L/M.

Fonte: agências de notícias

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agência de notícias anarquistas-ana

Mesmo que só veja
o lado bom dessa vida,
tirito de frio!

Issa

[Rússia] O antifascista Oleg Smirnov está na terapia intensiva: arrecadação de fundos para ajudá-lo

Oleg Smirnov está neste momento nos cuidados intensivos em estado muito grave, escrevem os seus companheiros e companheiras. Ele esteve envolvido em inúmeras iniciativas anarquistas, antifascistas, sindicais e outras durante muitos anos em São Petersburgo.

Na noite do dia 28 de abril, Oleg foi internado no novo hospital Botkin com pneumonia. Na manhã do dia 29 de abril, em estado gravíssimo, foi transferido para a terapia intensiva. Oleg tem pneumonia total, hipercapnia crítica e está conectado a um dispositivo de ECMO (oxigenação por membrana extracorpórea) e a um ventilador.

O tratamento e a reabilitação subsequente serão muito longos e difíceis. Portanto, os amigos e companheiros de Oleg estão abrindo uma arrecadação de fundos e pedindo para divulgar esta informação.

Tinkov 5536913895877195

Sberbank 2202205027016119

Ivanova Anastasia Sergeevna

Telefone +7 (931) 270 73 79

Fonte: https://t.me/SkinheadOnlyAntifa/423

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Em morosa andança
Ao léu com meu ordenança —
Contemplação das flores.

Kitamura Kigin

[Internacional] Comunicado da AIT: Primeiro de Maio de 2024

Não mais guerra que a guerra de classes!

Luta contra o Estado e os patrões, não contra outros trabalhadores!

Por todo o mundo, a população de vários países se encontra imersa em uma guerra fratricida, matando a outros em nome de diversos conflitos, geralmente criados por aqueles que detenham o poder. Quem que tem o interesse de lutar o fazem para ganhar dinheiro ou para servir a uma ideologia ou ao ódio nacionalista que instiga as pessoas. Estes conflitos armados são distrações destinadas a desviar a atenção das verdadeiras forças de opressão.

Em Gaza, Ucrânia, Sudão, Etiópia ou Mianmar, apesar das diferentes circunstâncias, os resultados são os mesmos. Milhares de vítimas sacrificadas sem sentido e com um grande custo social e econômico; jovens obrigados a pegar as armas. Enquanto milhares de russos com os recursos econômicos necessários fugiam do país para evitar esta guerra, o exército recrutava os mais pobres de outros grupos étnicos da Rússia, recrutando também os mais pobres e desesperados do Nepal. Enquanto milhões de estadunidenses carecem de assistência sanitária essencial e não podem permitir-se cobrir as necessidades básicas, os impostos da classe trabalhadora se destinam a financiar o genocídio em Gaza. Estes são só dois exemplos muito claros de como se obriga os trabalhadores destes países a financiar ou a participar em uma guerra que não lhes interessa.

Para a Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT) está claro que a classe obreira não tem nada que ganhar com estas guerras nem com falsas distrações nacionalistas que dividem as pessoas em benefício de outros. A AIT faz um chamado a todos os trabalhadores do mundo para que se posicionem contra estas guerras e para que, sempre que seja possível, empreendam ações antibelicistas.

Tal e como estipulam nossos estatutos… “(o anarcossindicalismo) exige o boicote e a apreensão de todas as matérias primas e produtos necessários para a guerra…” e “…o anarcossindicalismo defende a greve geral preventiva e revolucionária como meio de oposição à guerra e ao militarismo”.

No Primeiro de Maio defendemos os direitos dos trabalhadores de diversas formas, mas, neste Primeiro de Maio, não nos esquecemos dos direitos dos trabalhadores a viver sem a ameaça da guerra, sem o medo ao recrutamento, sem que se desvie dinheiro público para matar.

Secretaria Geral da AIT

cntait.org

Tradução > Sol de Abril

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entre os vinte cimos nevados
nada movia a não ser
o olho do pássaro preto

Wallace Stevens

[Espanha] 1º de Maio Dia da Classe Trabalhadora

Agora mais que nunca Anarcossindicalismo

Trabalhador, Trabalhadora, governe quem governe, com umas leis ou outras, cada dia temos que nos levantar em busca de um salário, este fato cotidiano e coletivo é o que mantêm todo o sistema no qual vivemos, não são governos, nem chefes, nem exércitos… que fazem funcionar o mundo, somos nós a classe obreira daqui e dali.E, no entanto, este sistema trata a classe trabalhadora com ou sem emprego, como meros números…

Para o capitalismo somos números, para os Estados somos peças.

  • Somos números porque nos despedem segundo lhes convenha sem importar o trabalho realizado.
  • Somos peças porque nos movem com promessas segundo seus equilíbrios políticos.
  • Somos números porque calculam como e quanto podem nos explorar.
  • Somos peças porque nos encaixam nas leis que regulam a exploração.
  • Somos números porque podemos perder salários, horas, questões pessoais, licenças, férias…
  • Somos peças porque para defender-nos das perdas, nos dizem que temos que pedir a burocratas judiciais.
  • Somos números porque se nos queixamos, nos apagam da empresa.
  • Somos peças porque sabem que nos comportaremos como indivíduos ante fatos que devem se abordar coletivamente.
  • Somos números porque quando a produtividade nos mata ou nos fere a patronal conta o lucro, enquanto que na casa do obreiro/a só fica a dor. Somos peças porque de tanto usar-nos acabamos quebrados…721 trabalhadores morto/as, 3.759 ferido/as graves, 624.911 acidentes com baixa em 2023.
  • Somos números porque as ETT tiram porcentagens de lucro de nossa necessidade de trabalhar.
  • Somos peças porque nos fazem aceitar como normal a gestão do trabalho alheio quando é um novo roubo.
  • Somos números porque nos empurram a endividar-nos ante a falta de um salário suficiente para viver.
  • Somos peças porque sempre buscaram que mantenhamos o consumo pagando créditos…

O capitalismo nos quer e necessita como simples números, calados e individuais, para que sigam ganhando os mesmos, patronal, bancos, bolsa…, enquanto perdemos as e os trabalhadores, as classes populares e inclusive o meio ambiente onde vivemos e viverão nossos filhos.

O Estado nos quer e necessita como peças, substituíveis, móveis e idênticas, para que nada mude, para que sigamos sem poder decidir o que importa, para que sigamos conformando-nos cada vez com menos, até que o normal seja trabalhar até os 80 anos, que tenhas que pagar se queres te curar ao adoecer, viver em barracões, ou que a educação seja um privilégio… cada vez mais gente está vivendo isto.

NÃO SOMOS NÚMEROS, NÃO SOMOS PEÇAS!

Gritamos forte e claro desde a CNT-AIT, hoje e sempre.

Denunciando os que ajudam a converter-nos em números e peças, a classe obreira não pode abandonar-se à burocracia sindical, os sindicatos autoproclamados representativos só buscam impulsionar o obreiro em cada centro de trabalho, em cada empresa, em cada setor, para manter suas estruturas e a paz social que lhes reclama o governo, em troca de subvenções ou outros itens econômicos, só há que olhar os manejos de muitos comitês de empresa ou o desinteresse que mostram por setores precários ou empresas com poucos trabalhadores onde nunca haverá liberados, “tudo atado e bem atado”.

Apelamos à classe Trabalhadora a dizer, BASTA. Começar a organizar-se sem intermediários e apoiando-nos uns aos outros.Lutando no dia a dia do trabalho contra o abuso, a precariedade e a exploração, JUNTAS. JUNTOS desafiando o obscuro porvir que o capitalismo nos tem preparado, até conseguir ver a emancipação no horizonte, esse futuro digno, justo e livre onde a vida não seja obediência e incerteza.

Começa a dizer BASTA, une-te à CNT-AIT

Fonte: https://blog.cntgijon.org/1o-de-mayo-dia-de-la-clase-trabajadora/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

meio dia
dormem ao sol
menino e melancias

Alice Ruiz

[Argentina] O que são os festivais de cinema anarquista?

03, 04 e 05 de maio | 6ª edição do Festival Internacional de Cinema Anarquista | Buenos Aires

O Festival Internacional de Cinema Anarquista não é uma competição típica em que os filmes participantes concorrem a um prêmio.

Nesses festivais, mostramos o que está sendo feito em formato audiovisual sobre temas anarquistas e afins, bem como apresentamos o trabalho cinematográfico de companheiros que usam esse meio não apenas para promover ideias antiautoritárias, mas também o utilizam como uma arma para expor a violência do sistema de dominação e manipulação por meio da mídia.

Para nós é importante tornar conhecida A Ideia e outras realidades do anarquismo (atual), relembrar passagens ou fatos históricos do movimento anarquista que através de aspectos informativos, teóricos, artísticos e combativos é um meio acessível às pessoas, gerando um ponto de encontro que pode servir de reflexão e inspiração para subverter o cotidiano.

O mais difícil é decidir o que é o cinema anarquista. Pode ser uma forma autogestionária ou contracultural de produção de filmes, ou pode ser um assunto específico sobre eventos que podem ser compreendidos sob esse rótulo.

Entretanto, a própria palavra anarquista é tão ampla que poderia abranger uma grande variedade de maneiras de entender o mundo. Não se pretende excluir nenhuma delas em um evento com essas características, aberto, plural e entendido como uma forma de promoção cultural libertária.

Nos últimos anos, vários festivais desse tipo foram realizados no Canadá, na Espanha, na Austrália e em outros lugares, mas principalmente nos Estados Unidos. Esses festivais são organizados por cineastas independentes, documentaristas, artistas e ativistas que se reúnem em seu próprio espaço.

De fato, muitas vezes se esquece para que servem os festivais: para exibir filmes e conversar com aqueles que os fazem.

Um festival de cinema anarquista surge diretamente do ativismo cultural e do ativismo político. É um espaço horizontal onde não há diferença entre espectador e criador, e onde as conversas e os debates ocorrem em pé de igualdade. Os próprios autores também são ativistas; e parte do público também pode estar fazendo outros tipos de criação (editando livros, fanzines, revistas, outros documentários ou filmes, peças de teatro…). Normalmente, nesse tipo de festival, prevalece o gênero documentário, pois são obras destinadas à conscientização, a nos contar histórias de outras sociedades ou de outras épocas. No entanto, não podemos nos esquecer da criação pela criação. A capacidade criativa inata da humanidade. É por isso que, neste festival, compartilharemos experiências e promoveremos a mídia comprometida e criativa. E também nos divertiremos.

Não somos obcecados por multidões, nem temos interesse em fazer deste festival um novo local de negócios ou em promover o espetáculo pelo espetáculo. Estamos interessados em tornar conhecidas realidades diferentes das que conhecemos e, acima de tudo, em promover um espaço de cumplicidade entre pessoas diferentes.

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agência de notícias anarquistas-ana

Canto da cigarra.
O vento espalha
Suave despedida.

Raimundo Gadelha

[México] Felicitações na passagem do aniversário do compa Yorch

Atrás das grades, hoje (24/04), nosso querido amigo Yorch está recebendo um novo sol. Detrás desses muros resiste a vida dura, que vigia cada passo e inclusive cada pensamento.

Nem ontem, nem hoje, nem amanhã teria que estar enjaulado, longe de seus próximos, de seus espaços, de seu gato.

Querido Yorch te abraçamos e abraçamos aos que te acompanham todos os dias. Elas e eles que não desistem, que junto contigo enfrentam o carcereiro, que te levam tua comida, que te visitam para diminuir o peso e o nefasto que é o confinamento. Que ocupam sua imaginação para nomear-te, que articulam reuniões, desenham, fazem barulho.

Yorch que nossa presença te chegue com raiva indômita até que voltes a ter tua liberdade.

Transpassemos essas cercas que te limitam com a solidariedade! Não estamos todos, nos falta Yorch! Abaixo os muros de todo tipo de prisões! Yorch à rua!

Libres Ya

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Até do tô-dango
os bolinhos se encolhem –
Vento de outono.

Morikawa Kyoriku

[Irã] Mãe de Jîna Amini se manifesta contra a sentença de morte imposta ao rapper curdo Tumac Salihi

A sentença de morte imposta no Irã ao rapper Tumac Salihi em 24 de abril provocou reações e protestos em todo o mundo. Salihi foi preso pelo regime iraniano durante o levante “Jin, Jiyan Azadi”. Entre os que condenam a pena de morte está Müjgan Eftekhari, mãe de Jîna Amini, a jovem curda morta sob custódia policial em Teerã.

Em uma publicação nas mídias sociais, Eftekhari escreveu: “Querida Jîna, recebi notícias que me devastaram novamente. Não deixe que a mãe de Tumaj sofra como eu sofri”.

Depois que o veredicto foi anunciado, Emir Reyisiyan, um dos advogados de Tumac Salihi, disse que o Tribunal da República Islâmica de Isfahan condenou o músico à morte na noite da última quarta-feira, confirmando a notícia.

Reyisiyan disse que as alegações apresentadas como base para a sentença de morte estão longe da verdade e que eles recorrerão da condenação.

O Estado do Irã executou um total de 834 pessoas em 2023, sendo 22 delas mulheres. Uma visão geral dos relatórios de direitos humanos do Irã entre 2010 e 2023 mostra que pelo menos 154 pessoas foram executadas por filiação a grupos políticos e grupos políticos armados proibidos. Dessas, 76 (49%) eram curdos, 45 (29%) eram balúchis e 24 (16%) eram árabes, a maioria deles muçulmanos sunitas.

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Brilho da lua se move para oeste
a sombra das flores
caminha para leste.

Buson

[Porto Alegre-RS] 1° de Maio Anarquista

1° DE MAIO ANARQUISTA PARA HONRAR AS QUE LUTARAM ONTEM E ACENDER A CHAMA DAS LUTAS DE HOJE

Na Redenção – POA

Rua José Bonifácio, 14 horas

Neste dia 1° nos encontraremos na redenção para fazer memória das trabalhadoras que lutaram pra que a vida não se resumisse às horas de trabalho e conversar sobre os inimigos que até hoje arrancam o pouco que conquistamos enquanto classe, sobre os novos nomes para a mesma exploração e lógica do lucro de poucos em cima da vida de muitas.

NÃO NOS CURVAMOS, DEMANDAMOS O IMPOSSÍVEL.

Nos vemos lá!

FAG/CAB – Ateneu Libertário – A Batalha da Várzea

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Trovão ribomba
Galinhas levantam a crista
de uma única vez!

Naoto Matsushita

[França] O trabalho aliena e mata, vamos nos emancipar e construir a anarquia!

Para o dia 1º de Maio de 2024 em Metz, vamos formar um bloco vermelho e preto determinado, festivo e cheio de reivindicações!

Após a manifestação, compareça ao festival Chiffon Rouge em Woippy, organizado pela CGT de Moselle, onde teremos nossa livraria social e você poderá comprar adesivos, pôsteres, botons, livros etc.

Para o Primeiro de Maio de 2024, o Grupo Metz da FA (Federação Anarquista francófona) reafirma sua solidariedade e seu compromisso com o movimento social. Vamos formar blocos libertários, vamos multiplicar as iniciativas de solidariedade, vamos organizar ações, vamos dar vida à autogestão em todos os lugares!

Não estamos nos iludindo quanto à real importância do momento. Mas acreditamos que temos que estar lá hoje, para não deixar essa data para os reformistas de todos os tipos, porque o 1º de Maio é profundamente anarquista:

No século XIX, a revolução industrial e o desenvolvimento do capitalismo deram origem à classe trabalhadora, que nunca parou de lutar para conquistar direitos e garantir sua dignidade. Em 1886, nos Estados Unidos, os sindicatos de trabalhadores convocaram uma passeata para exigir uma jornada de trabalho de 8 horas. Em 1º de Maio de 1886, 340.000 trabalhadores marcharam por todo o país. A polícia, sob o comando de uma elite capitalista, mafiosa e corrupta, dispersou violentamente os manifestantes, matando dois e ferindo muitos outros.

No século XIX, a revolução industrial e o desenvolvimento do capitalismo deram origem à classe trabalhadora, que nunca parou de lutar para conquistar direitos e garantir sua dignidade. Em 1886, nos Estados Unidos, os sindicatos de trabalhadores convocaram uma passeata para exigir uma jornada de trabalho de 8 horas. Em 1º de Maio de 1886, 340.000 trabalhadores marcharam por todo o país. A polícia, sob o comando de uma elite capitalista, mafiosa e corrupta, dispersou violentamente os manifestantes, matando dois e ferindo muitos outros.

Os muros estavam cobertos de apelos à revolta. Em 4 de maio, o movimento continuou na Haymarket Square, em Chicago, um foco de protestos anarquistas. No final da manifestação, uma bomba explodiu no meio da polícia, matando vários policiais.

Várias dezenas de ativistas anarquistas foram presos e oito deles foram condenados à morte. Posteriormente, foi confirmado que o chefe de polícia de Chicago havia organizado e provavelmente até ordenado o atentado a bomba em 4 de maio para justificar a repressão e o massacre e tentar sufocar o movimento.

Esse trágico evento despertou a ira dos trabalhadores de todo o mundo. Assim, o dia 1º de Maio tornou-se o Dia Internacional de Luta dos trabalhadores, das classes trabalhadoras e de todos aqueles que estão lutando.

Está mais do que na hora de o medo e o derrotismo mudarem de lado!

Hoje, sabemos que é todo um sistema que precisa ser derrubado, porque enquanto o capitalismo governar, auxiliado pelos Estados e pelos policiais que os protegem, estaremos condenados a lutar para ficar com as migalhas. É imperativo que construamos um equilíbrio de poder mais amplo e poderoso, por meio de todos os tipos de ação que julgarmos necessários.

Em face do desprezo e da violência das grandes empresas, em face dos ataques antissociais e racistas do Estado, precisamos recuperar nossas vidas. Isso significa nos organizarmos localmente para dar vida, aqui e agora, a alternativas concretas, como cooperativas de alimentos e cantinas autogeridas, centros de acolhimento, fundos de solidariedade internacional e muitas outras iniciativas, a serem consolidadas ou construídas com aqueles que lutam contra a opressão.

As lutas locais e essas alternativas respondem a necessidades imediatas. Elas estão o mais próximo possível das realidades cotidianas da vida das pessoas, oferecendo uma saída para o marasmo e um vislumbre do futuro.

Portanto, chega de seu “valor trabalhista”, o 1º de Maio não é um dia para celebrar o trabalho, como o regime de Vichy estabeleceu em 1941! O 1º de Maio continua sendo o símbolo da liberação social por meio da ação direta, que pode ser alcançada por meio de uma greve geral, expropriação e autogestão.

Queremos criar uma sociedade livre, sem classes ou fronteiras, onde todos possam se definir e se movimentar como quiserem, sem controles ou discriminação.

Portanto, junte-se a nós no dia 1º de Maio nas ruas, nos locais de luta, nas iniciativas…!

Viva o 1º de Maio e viva o anarquismo!

Fonte: https://manif-est.info/Le-travail-aliene-et-tue-emancipons-nous-et-construisons-l-anarchie-2848.html

agência de notícias anarquistas-ana

Mamonas estalam.
Os cachos da acácia
Parecem imóveis.

Paulo Franchetti

[Espanha] Dia Internacional da Sabotagem

Hoje, 30 de abril, queremos resgatar da história anarquista esta data marcada como o Dia Internacional da Sabotagem.

Este dia, véspera do 1º de Maio, parece ter origem na década de 80 do século passado. Especificamente, começou em 1982 na Holanda: após a abdicação do trono da rainha Juliana e em consequência da indignação com o que era considerado um desperdício de dinheiro público, houve um apelo popular à sabotagem, que se materializou em ataques às instituições bancárias e a outros interesses capitalistas.

No ano seguinte as ações de sabotagem repetiram-se, mas desta vez espalharam-se por mais cidades europeias, tornando-se uma iniciativa internacional. Destaca-se a cidade de Londres, onde esteve ligada às mobilizações “Stop the City” da época, descritas como “O Carnaval contra a guerra, a opressão e a destruição”. Na Espanha, a introdução deste dia deve ser reconhecida pelos grupos autônomos de Euskal Herria [País Basco] que chegaram ao ponto de organizar caravanas de carros em apoio às mobilizações em outras partes da Europa.

Reivindicado principalmente pelo anarquismo internacionalista e apoiado por outros grupos autônomos, grupos de afinidade e até alguns grupos marxistas revolucionários, o Dia Internacional da Sabotagem é uma data que ganhou visibilidade à medida que o 1º de Maio foi deturpado e pacificado. Se organizar em torno de um dia para praticar e difundir a sabotagem e dificultar o funcionamento da máquina capitalista foi uma tática para aquecer os ânimos e tornar visível o conflito social, que teve os seus ecos até ao século XXI.

Num contexto de crescente crise econômica e de organização incipiente das classes populares, talvez precisemos recuperar a memória deste dia e, sobretudo, a sua essência de ação direta ofensiva e contra o Capitalismo!

Fonte: https://heuranegra.net/dia-internacional-del-sabotatge/

agência de notícias anarquistas-ana

as pálpebras do gato
ao ritmo das gotas
do candelabro

Valentin Busuioc

[Espanha] Primeiro de Maio de 2024. Não permitiremos que acabem com tudo. Vamos construir juntas um mundo melhor

A Confederação Nacional do Trabalho (CNT) convoca a Manifestação de 1º de maio em Ciudad Real às 12h. da Plaza de las Terreras à Plaza del Pilar.

Neste 1º de maio desde CNT, dizemos basta. Não podemos permitir que destruam nosso mundo, nossa dignidade e nosso futuro.

A ameaça tem muitas caras: a ameaça de um sistema capitalista que nos explora, espreme nossos recursos naturais e degrada o meio ambiente. A de uma classe política corrupta e elitista que destrói o público, ignora nossas necessidades e nos arrasta para genocídios e guerras. E também uma sociedade que discrimina, marginaliza e exclui os mais vulneráveis.

Nosso sindicato está crescendo a cada dia. Embora tenham tentado nos silenciar centenas de vezes, estamos cada vez mais presentes nas lutas, nas greves, nos locais de trabalho. A bandeira vermelha e preta da Confederação tremula onde quer que haja um conflito trabalhista, onde quer que um de nós exija o que é justo. Desde Xixón até Granada, de Compostela a Valência.

Nossas lutas e reivindicações são agora mais vigentes do que nunca, por condições de trabalho decentes, salários justos e direitos sindicais. Por uma sociedade baseada na igualdade, solidariedade e apoio mútuo. Por um mundo em que valha a pena viver.

É por isso que construímos um sindicalismo de ação direta, trabalhamos dia a dia para nos organizarmos em nossos locais de trabalho, desde as assembleias, sem líderes ou dirigentes, onde todos nós temos o mesmo valor e nossas opiniões são levadas em conta, onde somos ouvidos, onde aprendemos a ouvir. Onde colocamos em prática o mundo que queremos e lutamos para mudar o que não gostamos.

Não pararemos até alcançarmos um mundo em que todas as pessoas sejam donas de seu destino, onde a riqueza seja distribuída igualmente e em que a natureza seja respeitada. Chegou a hora de mostrar que somos mais, que estávamos aqui antes deles e que somos capazes de construir tudo o que eles destroem todos os dias.

ciudadreal.cnt.es

agência de notícias anarquistas-ana

vento nas cortinas
fico atenta
ao que a manhã ensina

Camila Jabur

[Espanha] Frente à derrota. Organização revolucionária.

Encontramo-nos e rápido nos reconhecemos. Em nosso olhar tristeza e frustração pela incerteza que se mesclava com uma esperança irredutível. Encontramo-nos, após gloriosas derrotas e alguma tenebrosa vitória, e rápido nos reconhecemos. Chegamos órfãos e desarmados, atolados em uma espessa nostalgia. O gosto ruim na boca compartilhado nos uniu até converter-se em um lema: “Contra a derrota. Contra todo derrotismo”. Mas isso não era suficiente.

Combater a derrota começou por nos unir. Com os bolsos cheios de pedras, insignes derrotas e alguma terrível vitória, que não poderiam seguir sendo lastro, mas projéteis, tem que ser a munição de nossos combates seguintes contra a ordem estabelecida, contra a derrota. Buscamos nos contemplar plenamente, acompanhados de nossos medos comuns, e na cumplicidade da ação e das ideias. Unir-nos foi o primeiro passo, logo tratou-se de construir em torno à experiência das lutas passadas.

Unir-nos para combater a desagregação e o desarme de uma classe trabalhadora mais numerosa, precarizada, diversa e feminizada que em nenhum outro período da história. Unir-nos para unir o que querem separado. Unir-nos para reconhecer-nos, para acender a chispa que nos permita conhecer o que nos rodeia. Unidas sem negar as diferenças, sem pretender a uniformidade. Detectando os privilégios, toda forma de domínio, para combater a exploração.

Unidas e organizadas. Rearmados contra desvios e saídas falsas. Fazendo nossa a responsabilidade de vencer as indiferenças com solidariedade, apoio mútuo, consciência e ação direta. Auto-organizadas para tomar a rédea de nossas vidas e nosso futuro antes que se arruíne sob os interesses de uns quantos e muitos cúmplices. Este sistema criminoso não se pode reformar, só cabe destruí-lo. Quem diga o contrário se equivoca e nos leva à derrota.

Organizadas para não engolir mentiras que nos animam a lutar entre nós. Nossa classe transpassa suas fronteiras. A guerra sempre deve ser contra os de cima e nunca entre nós. Alertados de que pretendem que assumamos seus interesses como próprios, como nossos, quando seus interesses jamais serão os nossos. Lutar entre nós é uma derrota. Fazer a guerra a suas guerras é o começo para alcançar a vitória.

Sua ganância é infinita, voraz, é insustentável. Nossos corpos, nosso mundo, nossas mentes, não podem sustentá-lo sem quebrar. Unidas e organizadas, armadas de experiência e focadas na superação de sua avareza. Sem permitir que estendam suas garras sobre outros povos, em outras latitudes. Com solidariedade internacionalista e de classe. Contra toda campanha imperialista que quer nos calar e nos apaziguar sangrando mais além de nossos muros.

Muros levantados para tentar frear o desespero que eles mesmos geram. Muros com farpas, câmeras e guardas que rasgam uma pele e uma carne que também é a nossa. Arames farpados, valas e fronteiras. Mecanismos para conter a luta. Juízes, policiais, burocratas e líderes carismáticos. Mecanismo para desviar a força que gera nossa união, nossa organização e nosso propósito emancipador.

Fomos, somos e seremos combativos, estaremos na retaguarda ou na linha de frente, com serenidade e entusiasmo quando se necessite, mas só alcançaremos esse objetivo unidas e organizadas. Jamais renunciaremos a essa vitória, porque será a conquista mais bela da Humanidade.

Assinado por:

Embat – Batzac – FEL – Liza – Regeneración

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

sinto um agudo frio:
no embarcadouro ainda resta
um filete de lua

Buson

[Espanha] Este 1º de Maio saiamos à rua!

No 1º de Maio de 1.886, Chicago saiu à rua reivindicando uma jornada laboral de 8 horas que permitisse às obreiras e obreiros fazer em seu dia algo mais que produzir, podendo descansar, atender a suas famílias ou formar-se.

Passaram mais de 100 anos e seguimos tendo condições precárias, jornadas laborais que tornam incompatíveis conciliar família, lazer ou cuidados, e salários de miséria que não nos permitem acesso aos mesmos produtos que a classe trabalhadora produziu, nem sequer aos mais básicos como comida, moradia, saúde ou educação.

Seguimos sendo as trabalhadoras e trabalhadores que pomos o sofrimento, traduzido em acidentes laborais, na deterioração da saúde mental ou sepultados sob as ruínas da Palestina.

“As guerras imperialistas, são parte do mesmo sistema que nos oprime.”

Porque as guerras imperialistas são parte do mesmo sistema que nos oprime, desde Chicago à Gaza, passando por qualquer lugar, aonde o suor de nossa cara vai parar no bolso do empresário.

Eles obtêm os lucros e nós as vítimas.

Aquele 1º de Maio de 1.886, a população de Chicago e de outras partes do mundo, saiu à rua porque sabia que só a organização obreira poderia alcançar melhores condições. E conseguiram.

Não podemos esquecer que no importante, nada mudou: a luta segue sendo o único caminho.

Por isso, este 1º de Maio saiamos à rua. Não fiques em casa e reivindica teus direitos junto à CNT.

No 1º de Maio, os esperamos na Plaza del Altozano às 12 h!

sevilla.cnt.es

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

a estação amua
fumo de castanhas
à esquina da rua

Rogério Martins

[Espanha] 1º de maio: Prepare-se para a ação!

Todo 1º de maio é um encontro para a classe trabalhadora lembrar que não estamos satisfeitos com migalhas, que queremos desfrutar do mundo que podemos construir e não sermos expulsos dele em troca de salários de miséria. Este ano não chegaremos desanimados, por piores que sejam as perspectivas! É verdade que as coisas estão ruins, mas não daremos à direita e aos patrões o prazer de ficarmos desanimados e resignados.

Neste 1º de maio, na Espanha, estamos chegando com o ruído de fundo do “governo mais progressista da história”, que nos fala de seus sucessos enquanto nossos bolsos estão vazios, a guerra está batendo em nossas portas e milhares de trabalhadoras estão morrendo no mar tentando chegar ao litoral do país, emparedadas pela polícia de fronteiras e insultadas pelos discursos xenófobos que inundam as redes sociais.

É o governo progressista do Estado espanhol, cuja reforma trabalhista trouxe alguns aspectos positivos, como a eliminação da farsa que era o contrato de trabalho e serviço, mas que mantém o poder dos donos das empresas em aspectos como a não recuperação dos salários de tramitação na demissão sem justa causa, o instrumento de assédio e destruição de direitos que representam as modificações substanciais das condições de trabalho, as indenizações irrisórias, bem como a manutenção da terrível impunidade de que desfrutam diante do descumprimento das leis.

Nada mais se poderia esperar de uma reforma que é apresentada como um triunfo quando foi negociada sob a chantagem da União Europeia em troca da distribuição de fundos cujo único objetivo é tapar bocas. No final das contas, é a reforma que mantém a mesma precariedade, mas modifica as definições para que ela não se reflita nas estatísticas.

Em termos de outros direitos, o panorama não é melhor: a inflação está fora de controle, e a única coisa que o governo faz é subsidiar as empresas que estão nos roubando, desperdiçando recursos públicos para o lucro privado; obter um subsídio é uma corrida de obstáculos cheia de armadilhas; fala-se muito contra a privatização da assistência médica, mas as leis que a favorecem permanecem inalteradas.

E em tudo isso, a inflação atinge mais as trabalhadoras, já que a maioria dos empregos de meio período é ocupada por mulheres. Além disso, as mulheres são responsáveis por mais de 80% das famílias com crianças e um adulto. As aposentadorias das mulheres são um terço menores do que as dos homens. As mulheres ocupam a maioria dos empregos de baixa remuneração e menos protegidos, sendo as mulheres migrantes as mais vulneráveis à exploração e ao abuso. Uma alta porcentagem, 80%, de mulheres trans também é excluída do mercado de trabalho. Apesar dos esforços, persistem inúmeras discriminações e disparidades no emprego e na diferença salarial. A violência baseada no gênero, os encargos sociais e familiares e a feminização da pobreza são manifestações da injustiça que impede o desenvolvimento pessoal e profissional das mulheres.

Não podemos esperar outra coisa da farsa democrática, na qual parece que temos de nos alegrar por termos evitados governos estaduais com Vox [partido de ultradireita]; governos de um estado em que, por exemplo, as trabalhadoras migrantes na colheita do morango não podem votar, mas os empregadores que as exploram e deixam suas horas extras não pagas sob ameaça podem votar.

Diante disso, trabalhadoras e trabalhadores, há uma alternativa. O que o desfile de leis nos rouba, nós podemos obter como trabalhadoras e trabalhadores organizados:

  • Como estão conseguindo na educação em Madri, onde um processo assembleario conduzido pela CNT, CGT e STEM deixou os sindicatos burocráticos como a CCOO e a UGT de fora.
  • Como os trabalhadores da limpeza de Soldelim, que, com as ferramentas da greve, da ação direta e da caixa de resistência, conseguiram se libertar de uma empresa que estava roubando seus salários.
  • Como a CGT Renault está fazendo diante do desmantelamento sistemático da carga de trabalho e dos empregos que a empresa está realizando na fábrica de carrocerias. A CGT não deixará de convocar greves e atos para divulgar o que a Renault realmente é: uma trituradora de pessoas.
  • Como os trabalhadores da Sevilha Control, que conseguiram derrotar um empresário do setor aeronáutico por meio de estratégia e disciplina.
  • Como as trabalhadoras do setor de saúde de emergência, que após cinco meses de greve conseguiram um aumento salarial de 15% e uma redução anual de 212 horas na jornada de trabalho.

Trabalhadora, trabalhador, não espere que alguém revogue a reforma trabalhista, revogue-a unindo-se aos seus companheiros! Trabalhadora, trabalhador, não espere que os abusos acabem, ponha fim a eles com sua ação no local de trabalho! Teremos o futuro porque nós somos o futuro! Organize-se e lute!

Fonte: https://valladolorentodaspartes.blogspot.com/2024/04/1-de-mayo-ponte-las-pilas.html

agência de notícias anarquistas-ana

Voar sempre, cansa –
por isso ela corre
em passo de dança

Eugénia Tabosa