[Chile] Ação em solidariedade ao companheiro anarquista Francisco Solar

No âmbito do chamado de solidariedade aos presos políticos condenados há muito tempo. Em Santiago, território ocupado pelo Estado chileno, recebemos e divulgamos.

Ação em solidariedade ao companheiro anarquista Francisco Solar, condenado pelas autoridades a 86 anos de prisão, uma sentença de prisão perpétua disfarçada que busca exemplificar com o companheiro o medo que os poderosos têm das ideias e ações anarquistas, somado a um regime de constante isolamento.

Mural [foto] localizado na periferia oeste dessa cidade, Cerro Navia – Población Herminda de la Victoria.

“Vamos levar as ideias para o terreno do possível. Fim ao isolamento do companheiro Francisco Solar”.

Com amor, um gesto fraterno e cúmplice para você.

Viva a anarquia.

Fonte: Buskando La Kalle

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agência de notícias anarquistas-ana

Hora do almoço.
Pela porta, com os raios de sol,
As sombras do outono.

Chora

[Espanha] Diante das declarações de um jogador de futebol milionário

Saúde!

O mundo do futebol está cheio de surpresas, algumas das quais já mencionei, outras estão surgindo pouco a pouco. No entanto, devemos ter em mente que a primeira surpresa é que, na grande maioria das vezes, tanto para muitos de seus praticantes quanto para seus empresários e a mídia, eles se esquecem de acrescentar o substantivo negócio ou, em qualquer caso, o adjetivo comercial. Mas há mais surpresas. Algumas delas são de natureza solidária, para dar dois exemplos: vimos recentemente como o Cádiz Club de Fútbol evitou o despejo de uma senhora de 88 anos ao comprar a casa onde ela mora e fazer um contrato vitalício com ela, deixando um aluguel social acessível à mulher. Outro caso foi o de Carmen Martínez, uma vizinha de Vallekas, mas dessa vez o presidente da Agrupación Deportiva Rayo Vallecano não queria mexer no próprio bolso, mas a pressão das arquibancadas o obrigou a fazê-lo, então ele criou uma linha zero para arrecadar fundos e Carmen permaneceu em sua casa. Gestos de solidariedade, bons gestos.

Mas a maioria de seus outros gestos, se houver, é de outra natureza: transferências, danças de jogadores, empresários corruptos, malas que dançam no final das temporadas… Raramente houve declarações políticas por parte de seus jogadores, quando é muito provável que, se um jogador de elite, esses que são queridos pelos torcedores, lançasse um slogan a favor da solidariedade, do futebol de base… Enfim, qualquer frase nesse sentido seria ao menos considerada por seus torcedores, pois, sem dúvida, o futebol comercial, tendo sido sequestrado pelo capital, favoreceu a chegada de torcedores que só querem que seu time vença a qualquer custo, o que é uma faísca para um violento foro. É claro que há muitas outras torcedoras que amam seu time e amam o esporte tanto quanto ou mais.

Isso vem de uma declaração feita por um jogador de elite francês, que pediu a seus apoiadores que votassem, mas que não fossem extremistas, porque os extremos são ruins. Dessa forma, ele bota no mesmo saco o que é chamado de extrema esquerda e extrema direita. Qualquer pessoa com um mínimo de sensibilidade sociopolítica sabe que não é assim, que o que as pessoas de direita chamam de extrema esquerda se opõe ao capitalismo, o pior dos extremos, que também é defendido pela extrema direita, pelos fascistas, e também por todo o espectro do que eles chamam de centro, esquerda… Esse senhor, que nada em milhões e, portanto, odeia o que ele chama de extrema esquerda, está a anos-luz de distância do que o futebol de base poderia ser, um esporte de solidariedade no qual todas as pessoas poderiam se envolver. Aqui vale a pena lembrar o jogador de futebol francês, Rino della Negra, que, sem alarde, quando não estava jogando ou treinando, deixava a bola para pegar seu rifle e lutar com a resistência armada contra os invasores nazistas alemães. Ele acabou sendo feito prisioneiro e fuzilado em 1944. Ele lutou de um extremo, o antifascismo, contra outro extremo, o fascismo. Mbappé esqueceu o exemplo desse jogador.

Simón Peña

Fonte: https://www.portaloaca.com/opinion/ante-las-declaraciones-de-un-jugador-de-futbol-millonario/

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paciência de tartaruga
cem anos
em cada ruga

Alexandre Brito

[Grécia] Atenas: Abertura da biblioteca “Total Liberation” na okupação aberta OutsideHill, na colina Streffi, na área de Exarchia

A biblioteca aberta “Total Liberation” é um projeto experimental de solidariedade e leitura coletiva. A visão básica da biblioteca é disseminar as ideias de libertação total pelo prisma do antiespecismo, criar um polo de atração, transmissão e interseção das ideias de libertação dos animais e da terra no contexto da luta anarquista. Nesse estágio, por algum tempo, ela terá um formato móvel com alguns títulos do catálogo disponíveis por algumas horas em um ponto predeterminado em um determinado horário.

O objetivo da mobilidade é aprimorar os empreendimentos coletivos, estar presente em espaços públicos acessíveis, cada vez mais questionadores, e encontros casuais com um mundo ampliado. O objetivo da biblioteca é ter o máximo de características libertárias, sem assinaturas, sem detalhes de contato obrigatórios das pessoas que levarão os livros e sem restrições de tempo para devolução.

Cabe aos seus usuários mantê-la em funcionamento para que haja livros suficientes disponíveis de cada vez. A biblioteca também terá à disposição folhetos e revistas que não precisam necessariamente ser devolvidos. Qualquer contribuição para livros e publicações é bem-vinda, desde que relacionada aos tópicos acima.

Contato: totalliberationxr@espiv.net

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1630323/

Tradução > Contrafatual

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Céu cheio de estrelas.
Manada de capivaras
Degusta o capim.

Josete Maria Vichineski

[Espanha] Defender a terra não é delito: Liberdade para Héctor Llaitul, mapuche e líder da ‘Coordenadora Arauco-Malleco’ (CAM)

A Justiça chilena proferiu, em princípios de maio de 2024, uma sentença condenatória para o líder indígena da CAM, Héctor Llaitul, que estava a mais de 2 anos em prisão preventiva acusado de vários delitos contra o Estado do Chile. A condenação, de 23 anos, privará o “comandante Héctor” de sua liberdade por defender o direito à autodeterminação e auto-organização das comunidades indígenas ou originárias.

Héctor foi espionado pela polícia do Chile e foi acusado de “incitação à violência, uso de armas de fogo, usurpação violenta, furto de madeiras e atentado à autoridade”. Segundo estes informes policiais, Llaitul é a pessoa que se encarregaria de planejar, coordenar e executar ações dirigidas contra os planos do Governo consistentes em dar mais poder a empresários e em detrimento dos direitos do povo mapuche, em conflito contra o Estado por sua negação sistemática a reconhecê-los como comunidades originárias e portanto com legitimidade de organizar-se como tais em determinados territórios, assim como o uso de seus recursos naturais, o uso de sua língua ou dialetos, a defesa de sua cultura, o desenvolvimento de seus costumes, etc.

Llaitul, comuneiro mapuche, é um defensor convencido da autonomia dos territórios de seu povo, e defende a auto-organização de sua gente, por isso trabalha na reconstrução destes lugares onde sempre viveram, desde seus ancestrais até seus filhos e netos. Suas palavras, após conhecer a sentença que vai mantê-lo encarcerado durante mais de duas décadas, foram contundentes e não mostraram arrependimento, mas uma enorme dignidade e esperança ante a adversidade e a incerteza. Ele considera que, preso ou não, – vivo ou morto-, o conflito do povo mapuche continuará sendo uma realidade, precisamente porque foi criminalizado por parte do Estado, e ante a opinião pública –tanto nacional como internacional-, sua legítima luta a defender-se dos ataques do sistema colonial que impera nesta parte do planeta”.

As causas contra Héctor Llaitul

Héctor, de 56 anos, foi à Universidade de Concepción (cidade de Concepción do Chile, na zona de Biobío). Ali estudou para formar-se como trabalhador social. Foi durante estes anos quando Llaitul toma consciência e começa a militar nas fileiras do Movimento de Esquerda Revolucionário. Mais tarde fará parte do Partido Comunista do Chile, durante os anos duros da ditadura militar de Pinochet (1973-1990).

Mas a maior parte de sua atividade a realizou através da ‘Coordenadora Arauco-Malleco’ ou ‘CAM’ por suas siglas. É considerada, segundo os meios burgueses e do sistema, a primeira organização de origem mapuche que começou a utilizar a “violência” na luta por suas reivindicações. Mas de novo, aqui, haveria que se propor a reflexão sobre o que é ou não é “violência” ou “violento”. São os assassinatos de comuneiros indígenas “violência”? É “violência” o saque constante dos recursos e dos territórios de centenas de comunidades indígenas que vivem em harmonia com a natureza desde séculos? É “violência” impor leis e normas a pessoas que estão a décadas organizadas em função de seus costumes e culturas em paz com suas comunidades e as de seu redor? Acaso é “violência” expulsar centenas de pessoas indígenas de seus territórios para que determinadas multinacionais disponham dos mesmos para aumentar seus lucros enquanto acabam com a fauna e a flora destes entornos?

O debate sobre o “uso da violência” em defesa do direito à autodeterminação dos povos pode ser longo e dar para muitos artigos, mas desde nossa organização, Confederação Geral do Trabalho, talvez fosse mais correto chamá-lo “ação direta”. Porque quando te despojam de tudo, para poder viver, também o fazem do medo e, portanto a luta tem outro significado.

Desde a Secretaria de Relações Internacionais da CGT exigimos ao Estado chileno a libertação do comuneiro mapuche Héctor Llaitul, e animamos a toda à sociedade civil, assim como a todas as organizações que defendem os direitos dos povos à autodeterminação e auto-organização, a conhecer a história das comunidades indígenas assentadas nestas zonas do planeta, se unido na defesa do sentido comum e contra a ditadura do capital.

Liberdade para Héctor Llaitul e Justiça para o povo mapuche!

Secretaria de Relações Internacionais da CGT

cgt.org.es

Tradução > Sol de Abril

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Suando, o ferreiro
larga o malho quente, ao canto
rival da araponga.

Douglas Eden Brotto

Abecedário da Greve

Um glossário para compreender a greve.

Por Voz Rouca nas Federais

A de ANDES

Sindicato composto por base que em sua grande maioria ajudou a eleger Lula. Apesar do ceticismo generalizado na categoria, conseguiu deflagrar uma greve à qual aderiram 60 instituições de ensino superior, fato inédito na história das greves do setor, sendo por isso acusado de querer enfraquecer o governo. Afinal, “aumento só para policiais, senão volta Bolsonaro, né!?”. Nas disputas internas ao sindicato as correntes se debatem apresentando distintas saídas, mas sempre envoltas no enredo petista: matar o pai (“fora governo de frente ampla!”); sair de casa mas recebendo mesada (“autonomia, pero no mucho”); ou “renovar” os laços da família petista (retomar as raízes numa fantástica guinada à esquerda). Ah sim, e tem os filhos desgarrados, que sem alternativa se aglomeram em torno das tribos em voga. Como todo sindicato, tem uma certa tendência ao corporativismo, o que lhe impede fortalecer a unificação das lutas educacionais e com outros setores federais (como os da área ambiental).

B de Bolsonaro

Não é apenas o candidato derrotado nas eleições passadas e inelegível para as próximas. Bolsonaro é também “espantalho gestor” do governo atual, o qual, em nome do anti-bolsonarismo, leva adiante a mesma política fiscal do mito. A continuidade do sucateamento da educação ocorre ao mesmo tempo que a premiação da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Protagonista dos bloqueios golpistas em 2022, a categoria ficou de fora do arcabouço fiscal de Haddad, ganhando 27% de aumento salarial. De Bolsonaro a Lula, o aparato repressivo do Estado segue sendo o maior beneficiário da política orçamentária.

C de Centrão

Entidade mitológica da política brasileira que é capaz de abocanhar parcela significativa dos recursos do fundo público. Temido por fura-greves, grevistas e militantes da educação, passou a ser o totem na greve docente que justifica os 0% de aumento para os professores e técnicos em 2024. Afinal, “o conservador centrão nunca iria aprovar isso”, portanto, pressionamos em greve, mas sem ilusões e com uma boa pitada de derrotismo.

D de Docentes [das universidades e institutos federais]

Agora em greve (à duras penas). Categoria é empurrada à paralisação pois vê naufragar suas condições de vida. Não à toa, os mais jovens na carreira pareciam povoar as assembleias Brasil afora. Um futuro sombrio os aguarda: todos sobrecarregados de trabalho – uns beirando burnout com ostracismo intelectual, outros coach instagramer e vendendo seu peixe nos mercados de pesquisa financiados pelo exclusivo interesse empresarial. Ambos os grupos se aposentarão com 70 e tantos anos sem garantia de salário integral. Governo Lula, negocia! (e tira o pé das minhas férias!)

E de Estudantes

A maioria dos estudantes universitários de hoje eram os secundaristas na pandemia, e quiçá estão entre suas maiores vítimas políticas, mais por “depressão” que por “repressão”. Muitos, alheios às práticas dos movimentos sociais juvenis das gerações passadas, têm expressado medo, estranhamento e individualismo. Uns tantos chegam a fazer pressão para garantir as aulas, constrangendo professores em greve. Entidades burocráticas e partidarizadas se solidarizam à greve, mas só em palavras. Greve com ocupação é a grande ausente. Felizmente, houve pequenas exceções aqui e acolá, como na UFSCar, UFG e UFABC, em que pequenos grupos fazem barulho e buscam resgatar o poder da revolta da juventude.

F de Fura-Greve

Figurinha carimbada em toda e qualquer greve. Só que de lá para cá mudaram de qualidade. Parafraseando o filme Eles não usam black-tie, não temos apenas “fura-greves por covardia”, mas também “fura-greves por convicção”. E qual seria a convicção? De um lado a do lulismo, que se justifica em nome do espantalho Bolsonaro (“não podemos fragilizar o governo, senão o inominável volta”); e de outro a do bolsonarismo, que propõe furar a greve em nome do ódio à esquerda, identificada no próprio Lula (“chora e faz o L”).

G de Greve

Tática de luta, um dia radical, hoje “só” institucional. Um recurso escasso visto que a maior parte dos trabalhadores estão desempregados, têm vínculos precários ou são seu próprio patrão. A greve é do funcionalismo público, devido às suas particularidades contratuais, mas também porque não atrapalha a produção de lucro. Ainda mais na educação, já que governos de esquerda e de direita não a consideram prioridade e então não veem porque atender reivindicações. Para o governo (com vasta experiência sindical no currículo) deve ter data de início e fim.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://passapalavra.info/2024/06/153199/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/04/22/greve-da-educacao-federal-o-momento-exige-radicalizacao-do-movimento-paredista/

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dia após dor
após dia, luz após
dor após lua

Claudio Daniel

[Espanha] Identificado e proposto para sanção por uma camiseta

Esta manhã (17/06), vários companheiros do Sindicato de Ofícios Vários da CNT-AIT de Murcia foram, individualmente, a uma manifestação em El Palmar em apoio aos trabalhadores do CPD López Ambit.

Nesse contexto de concentração e protesto pacífico, a polícia identificou e propôs uma sanção administrativa a um de nossos companheiros do sindicato, por usar uma camiseta com os dizeres “ACAB. Todos os policiais são (não) bonobos”.

Desde este sindicato, consideramos que o que aconteceu esta manhã foi um ataque à liberdade de expressão, mais um entre muitos que aconteceram e estão acontecendo, sob a égide da Lei da Mordaça, nem mesmo revogada pelos partidos políticos que afirmam lutar contra o fascismo. Hoje foi nosso companheiro e amanhã pode ser qualquer um de nós e qualquer um de vocês.

Além disso, queremos divulgar e visibilizar o que aconteceu, e informamos que as ferramentas de solidariedade já estão sendo implantadas entre vários coletivos e indivíduos em Murcia para ajudar e acompanhar o companheiro e se organizar contra todo esse tipo de injustiça.

Posteriormente, daremos mais informações sobre esse assunto e sobre as ações que serão realizadas, conforme solicitado por nosso companheiro.

Nesse meio tempo, gostaríamos de agradecê-los por divulgarem a notícia para dar visibilidade ao que aconteceu e por sua solidariedade com nosso companheiro.

Chama-nos a atenção o fato de que, mesmo com todos os seus capacetes, seus uniformes, suas armas, sua impunidade, sua força e seu poder, o Corpo de “Segurança” do Estado possa se sentir tão ameaçado a ponto de multar um companheiro por causa de uma mensagem escrita em uma camiseta em tom humorístico.

Juntos somos mais fortes! Nossa maior ferramenta é a solidariedade!

Companheiro, você não está sozinho!

Fonte: https://murciacntait.wordpress.com/2024/06/17/identificado-y-propuesto-para-sancion-por-una-camiseta/

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Caquinho de Lua
Sorri pra mim lá no céu
retribuo daqui

Ada Gasparini

Anarquismo e campesinato no nordeste do Brasil

No dia 20 de agosto de 2023, meu amigo Alexandre, editor da Terra sem Amos, enviou-me um recorte do jornal paulista A Plebe, do ano de 1935. Nele constava o anúncio de fundação de um grupo anarquista na cidade de Teresina, Piauí. O mesmo foi nomeado de Grupo Libertário Sacco e Vanzetti, referência aos anarquistas executados pelo Estado, na cadeira elétrica, em 23 de agosto de 1927, nos Estados Unidos da América.

O que mais me tomou a atenção, em tal anúncio, assinado por alguém chamado de J. Neves, foi o projeto do grupo em realizar o que eles chamaram de “excursões” ao interior do Estado, “especialmente às regiões camponesas”, onde levariam a “doutrina anarquista”. Isso porque um enfoque doutrinário direcionado ao campesinato foi raro nos agrupamentos anarquistas existentes no Brasil durante o século XX.

Nesse sentido, esse recorte enviado a mim provocou uma dupla surpresa. A primeira, que existiu um agrupamento anarquista em Teresina durante a Era Vargas. A segunda surpresa foi que a sua intervenção estava orientada para o segmento social do campesinato piauiense, o que me fez pensar que esses camaradas buscavam uma ação condizente com o contexto socioeconômico em que se encontravam. Não passou despercebido para mim que isso, de alguma maneira, contornava o urbanocentrismo de grupos anarquistas das regiões sul e sudeste do Brasil.

Posso ainda evocar uma terceira surpresa, a da vocação internacionalista desse agrupamento piauiense, intitulando-se com os nomes de dois mártires da classe trabalhadora mundial.

Voltando ao anúncio, é mencionada uma sede provisória para o grupo libertário, contudo, sem número e localizada na rua Campos Sales, que, atualmente, é uma das avenidas da cidade de Teresina.

Uma imensa curiosidade instalou-se em mim após o contato com esse recorte de jornal, de 89 anos. Quem foram esses camaradas? A essa altura, todos mortos. Quais os seus nomes, profissões, onde residiam? Que ações almejavam realizar entre o campesinato piauiense? Quanto tempo durou o grupo? Que cidades chegaram a visitar? Se é que iniciaram as suas “excursões”. Que concepção política possuíam a respeito do campesinato? Perguntas essas as quais a atual disponibilidade de documentos não permite responder objetivamente, apenas imaginar.

Raphael Cruz

Professor de sociologia, militante do Comitê Sindicalista Revolucionário do Piauí. Escreve no Ciências do Social: um blog de sociologia e anarquia

https://cienciasdosocial.blogspot.com/

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A serra silencia
só se ouve agora
o grito do pardal

Rosalva

[Espanha] CNT apresenta um ciclo cultural libertário

Começa nesta quarta-feira (19/06), em sua sede na Plaza Obispo Acosta, com a apresentação de ‘No tengan miedo a la libertad’, livro que pretende desmistificar mitos que envenenam as ideias anarquistas.

Com a apresentação do livro ‘No tengan miedo a la libertad’, a CNT Aranda inicia nesta quarta-feira uma série de atividades programadas para este mês e o início do próximo em sua sede na Plaza Obispo Acosta, em Santa Catalina.

Hoje, às oito horas da noite, estará presente Javier Sánchez, autor dessa publicação, que define as ideias anarquistas e pretende demonstrar os aspectos que o autor considera serem a base do ideal, para que o leitor possa perceber que não deve ter medo da liberdade, e também que a anarquia é a única força criativa e nela reside a base de toda evolução e progresso.

O próximo evento será no domingo, 30 de junho, ao meio-dia e meia, com uma palestra do historiador arandino Ramiro Cabañes, que falará sobre o que é a história, como ela é construída e os clichês que a cercam. No final, haverá um vermute e um aperitivo.

E no dia 3 de julho, às oito da tarde, este local acolhe a apresentação do livro ‘Las sin amo. Escritoras silenciadas y olvidadas de los años treinta’. Por Antonio Orihuela. O poeta e ensaísta de Moguer apresenta esta publicação que compila as vozes de escritoras anarquistas esquecidas a partir da análise de seus romances na ‘La Revista Blanca’.

>> Foto em destaque: Imagem de arquivo da última manifestação da CNT no dia 1º de Maio no bairro Santa Catalina, onde fica sua sede / CNT Aranda

Fonte: https://cadenaser.com/castillayleon/2024/06/19/cnt-presenta-un-ciclo-cultural-libertario-radio-aranda/

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morro alto
sobre o som do mar
o som do grilo

Ricardo Portugal

Flecheira Libertária n. 766 | “Incineram jacarés, macacos, aves, roedores e…”

 os empoeirados

Neste ano, houve aumento exponencial nos focos de queimada no pantanal, de modo que os indicadores se aproximam daqueles registrados em 2020. Não se trata, contudo, de traçar comparações com base nas estatísticas produzidas pelos institutos de pesquisa atrelados ao Estado, como o fazem, constantemente, os que governam. Comparações entre mandatos governamentais servem apenas aos que não concebem uma vida livre do pastor, da tutela, da beneficência e da filantropia. É urgente escancarar que os focos de queimada, de desmatamento, de contaminação dos rios etc. são desdobramentos dos costumes hierárquicos, incluindo as maneiras pelas quais as pessoas produzem, trocam e governam-se uns aos outros. Incineram jacarés, macacos, aves, roedores e outras vidas que habitam e transitam pelo planeta, mesmo nos marcos do chamado capitalismo sustentável. Afinal, sustentável ou não, é capitalismo, é socialismo e fim de papo. O resto é conversa para burocrata de plantão empoeirado em gabinetes de ONGs, secretarias governamentais ou departamentos de ESG (Environmental, Social and Governance) de mineradoras e afins….

devastações

Muitos, devotos da velhaca ideia de projeto de desenvolvimento nacional e de mais impostos de beneficência, sublinham ser necessário taxar mais a mineração ou a exploração intensiva de poços de petróleo em algum lugar do mar. De acordo com as figuras, essas seriam medidas por meio das quais seria possível destinar recursos para serviços e atividades econômicas que geram maior bem-estar para a população. Primeiro: imposto, assim como a propriedade, não deixa de ser roubo! Segundo: mineração, exploração de petróleo e afins, para além de enriquecer proprietário – de negócio sustentável ou não -, burocrata, diretor de empresa etc., são “eficazes” máquinas voltadas à produção de mortes. A reforma não deixa de ser uma forma de devastação. Ao contrário, como pensava um certo tipógrafo anarquista, não há nada mais salutar do que a demolição.

>> Para ler o Flecheira Libertária na íntegra, clique aqui:

https://www.nu-sol.org/wp-content/uploads/2024/06/flecheira766.pdf

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um raio de sol
transluz — balança a cortina…
borboleta amarela!

Douglas Eden Brotto

[Grécia] Anarquistas expropriam supermercado | “O único consumo ético é a expropriação”

No dia 06 de junho, anarquistas expropriaram vários produtos de um supermercado “ΑΒ που βρίσκεται” em Kaisariani, Atenas. Alpha Beta Vassilopoulos S.A., ou simplesmente AB, é uma rede de supermercados da multinacional holandesa de varejo alimentar Ahold Delhaize Group. Em um comunicado publicado na internet, eles dizem (trecho):

Perante o sequestro das nossas vidas, recusamo-nos a permanecer inativos. Não nos contentamos com a busca sem objetivo pela sobrevivência, não estamos sintonizados com o impasse da resignação, somos hostis ao capitalismo. Atingimos os lucros das multinacionais que estabelecem e mantêm esta sociedade do espetáculo que tanto detestamos. Ao mesmo tempo, na sociedade que permanece alheia e abaixa a cabeça à tirania dos patrões, curvando-se sob o peso da privação, opomo-nos à coletivização das nossas necessidades, à auto-organização, à ação direta e ao ataque. Tempo para expropriar as nossas vidas roubadas“.

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Minha voz
Torna-se vento —
Coleta de cogumelos.

Shiki

[Espanha] Manifestação: Amor à anarquia e ódio à repressão

Desde quinta-feira, 30 de maio de 2024, outro companheiro anarquista está detido em prisões do Estado. Abel estava aguardando a resposta da Suprema Corte sobre o recurso contra uma sentença de 3 anos e 9 meses de prisão por agressão e agravante de crime de ódio. A origem de seu caso remonta a 2018, quando, após uma manifestação antifascista contra a JUSAPOL, um nazista vestindo a camiseta do Arjuna, um grupo musical do RAC (Rock Against Communism), caiu das escadas do metrô Urquinaona. Desde então, ele vem enfrentando uma pesada sentença de prisão e teve de pagar uma indenização de mais de 10.000 euros.

Durante todo esse processo, que durou mais de 5 anos, o Grupo de Apoio apontou os culpados do que agora é a sentença final. Por um lado, a associação de extrema direita da Polícia Nacional e da Guarda Civil, chamada JUSAPOL, organizadora do evento que, em outubro de 2018, procurou premiar as forças de segurança por terem reprimido [um protesto] em 1º de outubro. Por outro lado, destacamos os Mossos d’Esquadra [polícia catalã], o Ministério Público e o Juiz, encarregados de orquestrar este caso, utilizando com a máxima contundência todas as ferramentas à sua disposição. Destacamos, entre as utilizadas, a perseguição política contra o companheiro pelo fato de ser identificado nos arquivos da polícia como anarquista, motivo que, de acordo com o aparato judicial, a agressão e o crime de ódio contra um fascista. Finalmente, destacamos o papel que a Prosegur (a empresa de segurança privada do metrô) desempenhou no julgamento, ampliando a história que levou à condenação do companheiro.

As prisões do território ocupado pelo Estado espanhol contam mais uma vez com outro prisioneiro anarquista, outro prisioneiro por lutar, outro prisioneiro que é adicionado à longa lista daqueles que estão cumprindo uma sentença por não ceder ao poder. Tudo isso no mesmo dia em que a Lei de Anistia foi votada no Congresso: uma lavagem de roupa para tornar invisível o verdadeiro caráter repressivo do Estado. Mas a tristeza que sentimos não nos fará recuar, porque sabemos melhor do que ninguém que a luta não para, não importa de que lado do muro o sistema o coloque.

Atualmente, Abel se encontra sequestrado no C.P. Brians 2 (Sant Esteve Sesrovires) e estamos trabalhando para suprir suas necessidades mais imediatas e cuidar dele e de seu entorno. Por esse motivo, de 20 a 23 de junho, sairemos novamente às ruas em diferentes partes da Espanha e pedimos solidariedade em mais localidades de forma ativa com nosso companheiro e com o restante dos presos. Porque temos motivos mais do que suficientes, porque a única linguagem que o poder entende é a linguagem do conflito.

De hoje até o fim, em cada grito e cada faísca, em cada ato e cada ação, AMOR À ANARQUIA E ÓDIO À REPRESSÃO.

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é preciso pouco
andar na senda da noite
basta um vagalume

Ricardo Akira Kokado

Chamado urgente de solidariedade aos anarquistas mexicanos

Miguel Peralta Betanzos & Jorge “Yorch” Esquivel Muñoz

O que está acontecendo com Yorch?

Yorch é um preso político que enfrenta acusações criminais forjadas como parte de um ataque contra o Espaço Autônomo de Trabalho Autogestivo “Okupache” na Cidade do México. Preso no Reclusorio Oriente desde dezembro de 2022, seu processo judicial tem sido marcado por irregularidades e tentativas constantes de atrasar o processo para mantê-lo na prisão pelo maior tempo possível.

Apesar de todas as evidências apresentadas durante o julgamento, tanto por sua defesa quanto pelo Ministério Público, provando sua inocência, em 3 de junho – um dia após as eleições mexicanas – o juiz condenou Yorch a 7 anos e 6 meses de prisão. Sua defesa legal entrou com um recurso, mas isso prolongará ainda mais o processo.

O que está acontecendo com Miguel?

Após um conflito sociopolítico na comunidade de Eloxochitlán de Flores Magón, Oaxaca, em 2014, Miguel foi preso em abril de 2015 por acusações forjadas e passou mais de quatro anos na prisão. Em outubro de 2019, ele foi absolvido de todas as acusações e liberado. Mais de dois anos depois, em 4 de março de 2022, a Terceira Câmara Criminal de Oaxaca revogou sua libertação, condenando-o novamente a 50 anos de prisão e liberando um mandado de prisão contra ele. Após um recurso dessa sentença, o tribunal de Oaxaca decidiu que seu julgamento deveria retornar à fase de confronto, um atraso de mais de sete anos. Em janeiro de 2024, a Suprema Corte de Justiça da Nação admitiu um recurso contra essa sentença, e 19 de junho é a data prevista para a resolução sobre a libertação de Miguel.

Agite, ligue, escreva um e-mail, espalhe a notícia!

  • Organize e agite em solidariedade a Miguel Peralta e Jorge Emilio Esquivel Muñoz para exigir sua liberdade imediata e absoluta.
  • Entre em contato com a embaixada ou o consulado mexicano mais próximo (veja o texto sugerido).
  • Divulgue informações sobre os casos deles com seus amigos, familiares, comunidades e coletivos.
  • Faça gráficos, pinturas, estênceis, etc. para dar visibilidade aos casos de Miguel e Yorch.

Exemplo de texto para embaixadas/consulados:

Mi nombre es ___________ y llamo/escribo para expresar mi profunda preocupación por la represión estatal que se está llevando a cabo contra Miguel Peralta Betanzos y Jorge Emilio Esquivel Muñoz. Tanto Jorge como Miguel se han enfrentado a años de persecución y encarcelamiento por su trabajo organizativo comunitario y autónomo. Jorge fue condenado recientemente a 7.5 años de prisión por cargos fabricados sin la más mínima prueba. Miguel está actualmente a la espera de una sentencia de la Suprema Corte de Justicia de la Nación, que se dictará el 19 de junio. Como representantes del gobierno mexicano, les exigimos que hagan todo lo que esté en sus manos para conseguir la libertad inmediata y absoluta de Miguel y Jorge.

Embaixada do México no Brasil

Direção:

SES Av. das Nações, Qd. 805, Lt 18

Asa Sul – Brasília, DF

E-mail:

EmbajadaMexBra@sre.gob.mx

Fonte: https://itsgoingdown.org/urgent-call-for-solidarity-with-mexican-anarchists/

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agência de notícias anarquistas-ana

Era verde ou azul?
Sumiu num piscar de olhos
veloz colibri.

Teruko Oda

[Espanha] Uma manifestação cheia exige a libertação dos seis de Zaragoza após dois meses de prisão

A plataforma Libertad 6 de Zaragoza, organizadora da manifestação, fala de “presos políticos” porque o único fato comprovado é a participação deles em uma manifestação contra a extrema-direita. Ela também aponta o Governo de coalizão como responsável da permanência em prisão. Mais de 1.500 pessoas atenderam ao chamado e marcharam pelo centro da capital aragonesa.

No dia (14/06) em que se completaram dois meses desde que as quatro pessoas condenadas pela Suprema Corte no caso “Os 6 de Zaragoza” foram para a prisão, a plataforma Libertad 6 de Zaragoza realizou uma manifestação nas ruas de Zaragoza para exigir a libertação imediata dos presos. A manifestação, que começou às 19 horas na Plaza de España e seguiu ao longo do Coso até a Plaza de la Madalena, contou com a participação de mais de 1.500 pessoas que constantemente entoavam slogans pelo indulto dos réus e contra a Lei da Mordaça.

Até o momento, a plataforma não recebeu nenhuma informação sobre o status do processo de indulto, que eles solicitaram formalmente em 2 de abril ao Ministério do Interior, acompanhado de mais de 10.000 assinaturas de apoio de organizações e indivíduos. É por essa razão que eles apontam o Governo de coalizão espanhol como responsável por cada dia de prisão dos acusados, pois está em suas mãos a medida do indulto e a liberdade dos jovens zaragozanos.

No final da manifestação, no bairro de La Madalena – onde a Semana Cultural foi iniciada com o slogan “Ame o bairro, odeie o fascismo” – as famílias dos seis de Zaragoza leram suas cartas da prisão, nas quais expressaram sua gratidão pelas muitas expressões de solidariedade recebidas e os incentivaram a continuar divulgando o caso e a pressionar de todas os âmbitos para conseguir sua libertação da prisão o mais rápido possível. Além disso, a plataforma lembrou que a arrecadação de fundos econômicos para fazer frente aos altos valores de multas e custas judiciais, que já arrecadou mais de 63.000 euros, ainda está ativa. Eles acrescentaram a importância de “continuar a mobilização porque ela dá frutos, como demonstrado pela paralisação das admissões nas prisões em outros casos de repressão”, bem como a necessidade de revogar a Lei da Mordaça e realizar uma reforma não punitiva do código penal.

Também foi lida uma mensagem da CNT Xixón, que está no meio dos procedimentos judiciais no caso da confeitaria “La Suiza”, na qual as sindicalistas estão sendo julgadas por fazerem seu trabalho. Outra mensagem foi do grupo de apoio dos 14 “Encausados de Pego”, que na quinta-feira anunciou publicamente que, após meses de mobilização popular, chegou a um acordo para que eles não tenham que cumprir penas de prisão, apesar dos altos números que foram inicialmente mencionados. Em seguida, houve uma intervenção de Antonio, pai de Adri, de Barcelona, que foi acusado em outro caso de repressão. Por fim, os representantes da campanha “Saúde e Liberdade” leram um comunicado com uma visão abolicionista e antipunitivista das prisões, no qual indicavam que “não devemos nos esquecer da saúde dos presos e, por isso, exigimos, entre outras coisas, a transferência das responsabilidades de saúde das prisões do Ministério do Interior para o Serviço de Saúde de Aragão”.

A sentença imposta aos quatro jovens presos da seis de Zaragoza é de quatro anos e nove meses de prisão por terem se manifestado em janeiro de 2019 em frente a um comício do Vox [partido de extrema-direita]. Uma sentença, sem mais provas do que o testemunho contraditório da polícia durante o processo judicial, que vem depois de cinco anos de processos judiciais que culminaram com a condenação da Suprema Corte e que gerou milhares de expressões de solidariedade na forma de assinaturas em apoio ao indulto, contribuições financeiras, mensagens em redes sociais e participação em manifestações e comícios em todo o estado.

Tudo sobre a campanha pela liberdade dos seis de Zaragoza. Mais informações sobre a plataforma e o caso em libertad6dezaragoza.info.

Fonte: https://arainfo.org/una-gran-manifestacion-exige-la-puesta-en-libertad-de-los-6-de-zaragoza-tras-cumplirse-dos-meses-en-prision/

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agência de notícias anarquistas-ana

chuva fina
tarde esfria
todo o lago se arrepia

Alonso Alvarez

[Espanha] O processo eleitoral no centenário de Kafka

Não há necessidade de fazer campanha pela abstenção. A abstenção eleitoral é sua própria campanha. E para que fique registrado, nós, anarquistas, não demos um pio. Não podemos ser acusados de nada. Somos inocentes. Aproximadamente 51% de abstencionistas nas eleições europeias, com um avanço da direita e da ultradireita na União Europeia. E a esquerda está no fundo do poço, consumida por suas próprias contradições. Menciono, por exemplo, que ela enche o saco o tempo inteiro sobre unidade, e se fragmenta sempre que pode.

E eles fazem isso por causa das posições, das listas e das pequenas postagens? Aqui vai uma ideia, olha só. Não é a mesma coisa prosperar no PSOE do que em seu próprio cercadinho, mesmo que seja um pequeno. Ocorreu-me que poderia ser isso. Por outro lado, eles dizem que a União Europeia não tem valor, dando assim asas ao euroceticismo de extrema direita. E dizem que a União Europeia é cúmplice do massacre na Palestina, quando acontece que suspiram por um cargo em Bruxelas. Não sei, tudo isso me parece muito estranho. Eu poderia procurar um monte de bobagens, mas… Qual é o objetivo? As pessoas, cinquenta e poucos por cento do eleitorado, percebem por si mesmas que seu voto é, na realidade, irrelevante.

Não falta quem diga que é a abstenção a culpada pelo avanço dos extremistas… Porra, quando Hitler ganhou as eleições na Alemanha, com dezessete milhões de votos, 89% do eleitorado votou. Em outras palavras, os que não votaram foram os doentes, os inválidos, os marinheiros, os que estavam viajando e os pastores nas montanhas, e o NSDAP ganhou. O que isso prova? Que os extremistas, fascistas e reacionários não vencem porque há muita abstenção. Eles vencem porque muitas pessoas votam neles. Para evitar isso, tudo o que a esquerda eleitoral precisa fazer é fazer com que as pessoas votem nela em vez de votar no nacionalismo. Muito simples.

E quanto aos pactos antinaturais, ou o que quer que digam… Ora, a esquerda não tem problema em fazer pactos com a direita quando lhes convém. Aí você pode ver os pactos que eles fazem com o Junts, que é um partido reacionário ao extremo, de direita, eu diria bem de direita, e até mesmo a CUP está em um pacto com eles, pela matemática eleitoral.

De qualquer forma, para esclarecer mais uma vez: a esquerda promove o voto passivo, o voto acrítico, o voto apático. E promove a abstenção. Eles não querem que você vote, eles querem que você vote neles. Seu objetivo é obter uma maioria de eleitores e governar. O governo divide a sociedade em governantes e governados. Entre os governados e dominados, nós, anarquistas, somos e sempre seremos uma minoria que não quer governar, nem ser governada, nem mandar, nem obedecer. E é por isso que não votamos, já que a convocação para votar, o que ela faz é dar ao governante o aval para nos governar, para legislar por nós. Desde a Revolução Francesa de 1789, passaram-se 235 anos em que a legislação, após sucessivos experimentos eleitorais, criou o mundo moderno. Suas leis, com muitos governos de esquerda em várias épocas, foram criadas para tornar os ricos das democracias muito ricos.

Agora imagine uma pessoa pobre que quer, sei lá, uma dessas coisas mesquinhas que os pobres pedem, como um emprego ou dinheiro para a cerveja. Será que a pessoa pobre espera tranquilamente as eleições chegarem e vota em seu representante, imaginando que ele legislará a seu favor? Pense bem: o que uma caixa de supermercado, em um turno infernal, com uma raiva assustadora, que chega em casa e tem que trabalhar para três filhos e um marido, ganha com seu voto na esquerda? Nada.

Possivelmente por isso, não vota. Ou vota na direita.

Fonte: https://alasbarricadas.org/noticias/node/54774

Tradução > anarcademia

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agência de notícias anarquistas-ana

caminho de terra,
o mato à margem exala
perfumes silvestres

Zemaria Pinto

 

Protestos varrem a França contra a ameaça da extrema-direita

Cresce a preocupação com a mobilização fascista para as eleições depois de seu crescimento no parlamento europeu

Protestos contra a extrema-direita têm varrido a França, de Paris a Montpellier, após o sucesso da extrema-direita nas eleições da União Europeia e a malfadada reação do presidente Emmanuel Macron: uma eleição parlamentar rápida. Por duas noites consecutivas, centenas de milhares de pessoas saíram às ruas.

Os protestos refletem a crescente preocupação de que Macron tenha proporcionado à extrema-direita uma abertura política, semelhante aos facilitadores de centro-direita na Holanda e agora no Parlamento Europeu. O partido de extrema-direita Rassemblement National (RN) – um novo nome para o Front National – venceu a votação do Parlamento Europeu francês com 31,5%. Em seguida, Macron dissolveu a assembleia geral, declarando que confiava na “capacidade do povo francês de tomar as melhores decisões para si e para as gerações futuras”. O primeiro turno dessas eleições está programado para o dia 30 de junho e o segundo turno para o dia 7 de julho.

Paris viu mais de dez mil manifestantes queimarem barricadas e manter as ruas depois da meia-noite, enfrentando gás lacrimogêneo e granadas de atordoamento. Em Bordeaux, os manifestantes se reuniram na Place de la Victoire, protestando com grafites e fogueiras, enquanto a polícia disparava gás lacrimogêneo. Lá também, muitos continuaram a ocupar as ruas. A noite também foi marcada por ataques a bares de extrema-direita, bancos, e lojas de grife. Em Angers, o bar “Le Bazar”, conhecido como um quartel-general neonazista, foi atacado.

Em Nantes, cerca de 4.000 manifestantes (de acordo com as contagens oficiais) marcharam em direção à delegacia de polícia, onde incendiaram barricadas. Confrontos semelhantes ocorreram em Lyon, Toulouse, Rennes. Estrasburgo, Caen, Montpellier, Nancy e outras cidades. Em Dijon, os estudantes do ensino médio saíram em passeata às 10h30 do dia 11 de junho e convocaram os estudantes de todo o país a se juntarem a eles.

Outras assembleias antifascistas foram planejadas durante esta semana, com os organizadores de uma manifestação em Paris declarando que “Macron, o incendiário” havia “estendido o tapete vermelho para os fascistas” e alertando que “nossa salvação não virá das urnas”.

~ Alisa-Ece Tohumcu

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2024/06/13/protests-sweep-france-to-face-far-right-threat/

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

as crianças
naquele pátio, e o sol
brincando de esconder

Carlos José Ribeiro

 

[França] Deixemos as urnas, vamos para as ruas!

Rejeitemos essa farsa democrática, que pretende nos fazer acreditar que o Estado é a solução para nossos problemas, quando na verdade ele é o problema a ser destruído!

Rejeitemos o nacionalismo de extrema direita e o nacionalismo de esquerda.

Vamos rejeitar essas eleições. Vamos atacá-las.

Reunião na terça-feira, 18 de junho, às 18h30, no l’impasse

Milhares de nós saímos às ruas de Toulouse na segunda-feira, 10 de junho, gritando nosso ódio “ao Estado, à polícia e aos fascistas”, parando no gás e confrontando a polícia, alguns de nós atacando símbolos do poder.

Enquanto isso, outros querem nos fazer acreditar que votar é lutar, e eles têm nos contado a mesma velha história há mais de 20 anos: vote no bloco de centro (esquerda ou direita) ou a extrema direita estará no poder. Como seus antecessores, Macron também usa essa estratégia.

Uma vez no poder, esses blocos nunca deixaram de adotar as medidas e ideias da extrema direita. Tanto é assim que, em muitas questões, Macron adotou claramente o estilo de Le Pen. Essa é, obviamente, uma estratégia eleitoral com uma ideia maluca: conquistaremos seus eleitores implementando o programa da extrema direita. É claro que o efeito é o oposto: a aplicação do programa da extrema direita legitima suas propostas, banaliza sua retórica e abre caminho para sua ascensão ao poder.

Mas não podemos nos esquecer de que essa não é uma situação nacional, mas sim global.

A situação está se endurecendo em todo o mundo: as potências estão se entrincheirando por trás de políticas autoritárias que aumentam drasticamente o nível de exploração (cortes de salários, desemprego, pensões, benefícios de saúde, aumentos de preços etc.), dilacerando o planeta, enquanto aumentam o nível de repressão aos movimentos sociais e às lutas locais. Tudo isso enquanto renegociam os termos de sua competição global por meio de guerras.

Nesse contexto, o nacionalismo, o patriotismo, a repressão das lutas sociais e da crítica radical são uma necessidade para os Estados, e a ascensão da extrema direita é uma consequência óbvia. Ele é liderado e incentivado por um número cada vez maior de burguesias nacionais em todo o mundo (EUA, Brasil, Índia, Itália, Hungria…).

Mas a proposta da Frente Popular também é uma proposta nacionalista. As soluções propostas pela esquerda são sempre soluções que envolvem o Estado, ou seja, a nação. É por isso que ela sempre nos leva a ficar dentro de nossas fronteiras, como todas as butiques políticas. É por isso que o PS está claramente indo para a guerra, enquanto o LFI se gaba da posição excepcional da França no cenário internacional como uma potência nuclear. Sem mencionar o fato de que essas diferentes tendências participam, em todo o mundo, sempre que estão no poder, da realização das políticas exigidas pelo capital. Os gregos pagaram o preço com o Syriza. Mas não devemos nos esquecer de que foi o PS que aprovou a Lei Trabalhista e a criação de prisões para estrangeiros (CRA). E com seus apelos por calma nas manifestações, nós é que fomos prejudicados.

A mesma esquerda que agora está tentando nos vender um futuro melhor e antifascista é a mesma que amanhã imporá a austeridade necessária para o esforço de guerra e defenderá os interesses do Estado francês, que ela representará.

Por outro lado, há outra perspectiva: a da autonomia e da revolução! Pois é atacando o Estado e suas estruturas, e as condições de merda que o capitalismo nos reserva, que poderemos nos opor concretamente a ele, explodindo as fronteiras e o nacionalismo que as acompanha!

Então, juntos, vamos rejeitar essa farsa democrática que tenta nos fazer acreditar que o Estado é a solução para nossos problemas, quando na verdade ele é o problema a ser destruído! Vamos rejeitar essa feira política que é uma farsa diante da situação. Rejeitemos esse mandato para nos sentirmos culpados por não votar. Agora mesmo: vamos rejeitar o nacionalismo de extrema direita e o nacionalismo de esquerda. Vamos rejeitar essas eleições. Vamos atacá-las. Vamos nos organizar contra o Estado, em todas as suas formas e em todos os seus disfarces.

É por isso que propomos nos reunir na terça-feira, 18 de junho, às 18h30, no l’impasse (l’impasse lapujade, bairro de Bonnefoy) para ver como podemos nos organizar contra esse contexto eleitoral.

Contra as eleições e as nações: revolução!

Assembleia de Ação Autônoma

https://t.me/tsunamitoulouse/

Fonte: https://www.autistici.org/tridnivalka/france-laissons-leur-les-urnes-prenons-la-rue/

agência de notícias anarquistas-ana

sob a janela
o gato prepara o salto
como sempre faz

Fred Schofield