[Bulgária] Tsvetana Jermanova (20 de março 1928 – 19 de fevereiro de 2024)

Na segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024, morreu a anarquista Tsvetana Jermanova, que foi a última prisioneira viva do maior campo para opositores políticos do Partido Comunista – Belene. Tsvetana Jermanova completaria 96 anos em 20 de março deste ano. A despedida da ex-prisioneira do campo do regime bolchevique aconteceu em sua aldeia natal, Leskovets, Pernik, em 23 de fevereiro de 2024, às 13h.

O grupo anarquista Анархо Съпротива ofereceu condolências à sua família e amigos.

Tsvetana Jermanova nasceu em 1928 na aldeia de Leskovets, Pernik, na família de um artesão. Ainda estudante, ficou fascinada pelas ideias anarquistas, que teve forte influência na região de Pernik. Ela se formou na Escola Secundária Pernik Maiden (1946) e depois de se formar se inscreveu em Agronomia na Universidade de Sofia, mas o regime bolchevique já havia chegado e ela não foi autorizada a continuar seus estudos apenas porque o comitê local da Frente Pátria recusou a inscrição necessária.

Em 1948 ela foi presa na grande repressão contra a Federação dos Anarquistas da Bulgária, ordenada pelo governo totalitário do Partido Comunista. Tsvetana ficou detida por mais de 20 dias nas celas do Serviço de Segurança do Estado em Pernik, e em 1949 foi enviada para o campo “Nozharevo”, na região de Silistra, e de lá foi levada para o campo feminino “Bosna”, localizado em uma aldeia de mesmo nome, na região de Tutrakan. Em dezembro de 1951, ela foi levada com um grupo de prisioneiras para a parte feminina do campo de Belene, na ilha de Shchuretsa, uma ilha vizinha à grande ilha de Persin, onde em 1949 foi construído o maior campo para opositores políticos do regime bolchevique.

Em 2011, foi publicado o seu livro Memórias dos Campos, detalhando o seu destino, bem como os regimes nos campos de mulheres de Bosna e Belene. O livro pode ser encontrado no site da FAB aqui: https://www.anarchy.bg/books/545/

Em 2017, a BNT filmou Tsvetana Jermanova na série documental Open Files, que você pode assistir aqui: https://www.youtube.com/watch?v=PrGeha5LFlQ

Sobre a diferença entre anarquistas e comunistas, ela disse: “Quando dois comunistas se reúnem, eles realizam uma eleição para nomear um secretário-geral. E quando dois anarquistas se reúnem, eles formam uma comuna.”

Fonte: https://www.facebook.com/photo/?fbid=407846845072816

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Gota de orvalho
na coroa dum lírio:
Jóia do tempo.

Érico Veríssimo

[França] Atentado contra Louise Michel

Em 22 de janeiro de 1888, na Sala de Elysée, próximo do Rond-Point, de Le Havre (Alta Normandia), após ministrar uma conferência, a destacada militante anarquista Louise Michel sofreu um atentado. Horas antes, ao meio dia, no teatro da Gaieté havia dado outra conferência.

O bretão Pierre Lucas, sob os efeitos do álcool, se aproximou e lhe disparou dois tiros na cabeça pelas costas. Uma das balas foi detida por seu gorro e a outra a feriu não mortalmente, mas permaneceu em sua cabeça durante toda sua vida, produzindo-lhe constantes cefaleias, já que a intervenção cirúrgica era demasiado perigosa.

A polícia deteve Lucas quando este estava a ponto de ser linchado por mais de 2.000 pessoas que lotavam a sala. Nos círculos anarquistas se pensou que Lucas era um agente secreto da chefatura de polícia ou da direita orleanista, que na Normandia era bastante ativa. Durante o julgamento, Michel testemunhará a favor da absolvição de seu agressor, dizendo que, o que o acusado necessitava era da medicina, e não da justiça burguesa. Pierre Lucas foi absolvido e ingressou no Hospício Geral de La Havre, onde morreu de tuberculose em 16 de janeiro de 1.890.

ALEN

Fonte: pacosalud.blogspot.com

Tradução > Sol de Abril

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Nesta fria noite
Dorme no fundo do poço
A Lua encurvada.

Mary Leiko Fukai Terada

[Porto Alegre-RS] 8M Anarquista Anticarcerário

Acreditamos que através da autonomia e de práticas autogestivas, e também da luta revolucionária, que é possível que exista uma real modificação dentro da sociedade. Não buscamos apoio de partidos políticos, não queremos palanques, não atuamos em torno de políticas públicas. Nossa ação é direta e concreta em contra do sistema, não fazemos acordos e não estamos dispostes a compactuar com a cooptação de um movimento tão potente que foi criado em torno de muita luta. Nós ocupamos os espaços porque é necessário que sejam ocupados, e nos movimentamos porque acreditamos que é possível através de nossas práticas a mudança que queremos realizar.

Por isso, sentimos a necessidade de fazer esse chamado, a ocupar a rua em frente ao Presídio Estadual Madre Pelletier, a lembrar de tantas e tantas que são encarceradas pelo Estado genocida, e a reivindicar que faltam muitas dentro da luta feminista e dentro do 8M.

O 8M na cidade de Porto Alegre é um movimento antigo, que surgiu de uma necessidade de reparação por todas as mortes, sexismo, machismo, misoginia, lesbofobia e transfobia que são sustentados por um Estado patriarcal, genocida, racista e colonialista. Nós respeitamos a força que foi empenhada na construção desse espaço, e também entendemos que ele surgiu de muitas mobilizações, organizações e pessoas independentes que enxergam uma necessidade de ocupar as ruas nesse dia para reivindicar melhorias e mudanças sociais palpáveis na vida das mulheres e das pessoas trans. Contudo, há alguns anos, enxergamos uma cooptação do movimento por parte de partidos políticos e institucionalizações, muitas vezes retirando o caráter independente e revolucionário do mesmo. Há anos observamos o 8M ser palanque para futuras candidaturas políticas e com um discurso de massificação, que compromete as revoluções que almejamos e a potência revolucionária da luta feminista.

Além disso, também visualizamos recortes sociais distintos, para quem está direcionada essa luta, e para que finalidade, visto que se não nos involucramos em outros espaços e causas, esquecemos de quem está às margens.

As cárceres são um projeto cruel e um depósito de rejeitades do sistema. É um meio de punir as pessoas que tiveram práticas em contra dessas leis forjadas pela institucionalidade. Toda pessoa presa, é política, até que todos os muros caiam, não descansaremos. No Brasil, as cárceres possuem classe social e cor. Depois de sequestradas e encarceradas, passam a ser estigmatizadas e esquecidas dentro de um ciclo infinito de punição e rechaço, e muitas não conseguem se desvencilhar ou passam sua vida inteira fechada em um espaço específico e controlado. Nós nos posicionamos contra esse espaço, acreditamos em outras maneiras de fazer reparação social.

Convidamos a todas as pessoas a estar presentes conosco, no dia 8 de março de 2024 a partir das 10h em frente ao Presídio Estadual Madre Pelletier, a ocupar o espaço, a demonstrar nossa solidariedade às companheiras e companheires sequestrades pelo Estado, e a denunciar que enquanto não estamos todes livres, não podemos descansar até que essa realidade seja possível.

Convidamos também às mulheres e pessoas trans a trazer sua arte, seu manifesto, sua poesia, sua música, sua performance para manifestar seu inconformismo com o sistema patriarcal e sua solidariedade com as mulheres e pessoas trans sequestradas pelo Estado.

POR UM 8M ANARQUISTA E ANTICARCERÁRIO!

ABAIXO OS MUROS DAS PRISÕES!

NÃO ESTAMOS TODAS, FALTAM AS PRESA

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o vôo dos pombos
interrompe
o jogo das crianças

Ion Codrescu

[Espanha] Cartagena | 8 de Março sindicalista e libertário: “Juntas seguimos em frente”.

Não buscamos alcançar o Poder, não buscamos ser representadas nos Parlamentos, nem nos órgãos de Segurança do Estado, nem na presidência de uma empresa exploradora. Não buscamos dar uma nova camada de tinta à velha e enferrujada estrutura hierárquica sobre a qual nossa sociedade foi historicamente construída.

8M: Dia da Mulher Trabalhadora.

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Bananeiras
na beira da cerca.
Cachos de sol.

Tânia Diniz

[Espanha] Lançamento: “Quemar a Troncoso. Inteligencia libertaria durante la Guerra Civil Española”, de Dani Capmany Sans

Como em uma guerra invisível, os serviços secretos das forças opostas durante a Guerra Civil Espanhola travaram um combate feroz e nada sangrento nas sombras pelo controle de uma arma fundamental em qualquer conflito armado: a informação.

É exatamente nesse cenário – confuso, perigoso e sempre escorregadio – que reencontramos a figura enigmática de Manuel Escorza del Val, um militante anarquista vilipendiado por quase todos, que esteve à frente da inteligência libertária até o final do conflito.

Com este livro, que é o ponto culminante de mais de cinco anos de pesquisa em arquivos, Dani Capmany Sans nos mergulha na fascinante história, praticamente inexplorada até o momento, das redes de espionagem a serviço das organizações libertárias em ambos os lados da fronteira francesa.

Quemar a Troncoso. Inteligencia libertaria durante la Guerra Civil Española

Dani Capmany Sans

Editora: Piedra Papel Libros

ISBN: 978-84-126423-4-6

Páginas: 762

Preço: 30,00 €

piedrapapellibros.com

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Na cidade, a lua:
a jóia branca que bóia
na lama da rua.

Guilherme de Almeida

[México] Encontro Anarquista Maio Negro

Amigos!!!

Para começar bem o ano, queremos compartilhar com vocês que nos dias 18 e 19 de Maio Negro, teremos um encontro anarquista.

Teremos a participação de projetos de diferentes lugares, com exposição e venda de livros, palestras, debates, comida vegana, entre outras coisas trabalhadas desde a autogestão e do coração.

Em breve compartilharemos com vocês a programação completa para que possam reservar a data.

O local será a oficina de La Colectiva Zac, Callejón del Capulín #101 Colonia Centro, Zacatecas.

E lembre-se de que “a vitalidade da anarquia reside precisamente no fato de deixar de ser um produto digerível e ser o oposto, ou seja, uma punhalada afiada e cuidadosa no sistema”.

PS: Se você for de um lugar fora de Zacatecas e quiser participar, mas achar que precisa de acomodação, envie-nos uma mensagem.

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Voar sempre, cansa –
por isso ela corre
em passo de dança

Eugénia Tabosa

Embraer negocia com sauditas base de produção militar no Oriente Médio

Por Jamil Chade | 04/03/2024

A Embraer quer acesso ao mercado militar saudita, um dos maiores do mundo e que, nos próximos anos, promete investir bilhões de dólares. A guerra em Gaza ainda desmontou os últimos embargos internacionais que existiam contra o regime da Arábia Saudita e, para a empresa brasileira, o país pode ser uma plataforma para a exportação de aeronaves para o Oriente Médio e Norte da África.

A Embraer confirmou que está em negociação o estabelecimento de uma linha de produção de sua aeronave de transporte KC390 em território saudita, o que seria a primeira montagem do jato fora do Brasil. Isso, porém, seria apenas uma perna do desembarque da empresa no mercado da Arábia Saudita.

O regime de Riad espera, até 2030, ter 50% de seu fornecimento de defesa e aeroespacial sendo produzido em seu próprio território. Para a Embraer a meta representa uma oportunidade de negócio e de instalação de unidade no país.

No final de 2023, a Embraer assinou três acordos de cooperação com o governo e empresas da Arábia Saudita nas áreas de aviação civil, mobilidade aérea urbana e defesa e segurança. Os pactos foram fechados durante a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nos últimos anos, o comércio entre os dois países variou entre US$ 5 bilhões e US$ 7 bilhões. O setor de defesa é uma das principais apostas para aumentar a relação de comércio e investimentos.

Caetano Spuldaro, vice-presidente para Oriente Médio da Embraer Defesa e Segurança, acredita que o setor pode ampliar a relação entre o Brasil e a Arábia Saudita. Segundo ele, a empresa brasileira tem três estratégias para os sauditas:

  • Desenvolver parcerias locais e permitir que empresas sauditas entrem nas cadeias de produção da Embraer.
  • Ampliar presença local, com escritórios de engenharia e linha de produção.
  • A negociação da venda para a Força Real Saudita e governo de Riad do jato de transporte KC390. A aquisição, segundo a Embraer, pode gerar US$ 2 bilhões de economia em 30 anos para os sauditas.

Para o empresário, o país árabe pode ser a base de uma produção e finalização de aeronaves, tanto para o fornecimento ao mercado local, como para exportar para os demais países da região.

O representante da Embraer participa da “Saudi Arabia Brasil Conference”, organizada pela Lide, do ex-governador João Doria.

Violações de direitos humanos, embargos e Israel

Apesar de denúncias de graves violações de direitos humanos, restrições a mulheres e polêmicas sobre o envolvimento na guerra no Iêmen, os sauditas não sofrem embargos por parte da comunidade internacional. Em 2018, os governos da Alemanha, Itália e França proibiram suas empresas de exportar para o mercado saudita, diante das denúncias de crimes de guerra no Iêmen. Mas, em 2023, as restrições foram suavizadas.

A Arábia Saudita, que já possui 72 Eurofighters, concordou há cinco anos com Londres em uma opção para encomendar mais 48 aeronaves desenvolvidas pelos europeus. Esses países podem vetar a exportação dos aviões para outros países, o que a Alemanha utilizou nesse caso durante anos.

Em janeiro de 2024, Berlim abandonou sua oposição ao fornecimento de jatos Eurofighter à Arábia Saudita. Annalena Baerbock, ministra das Relações Exteriores, disse que o papel de Riad em impedir ataques a Israel significava que Berlim não poderia mais justificar o bloqueio das aspirações do Reino Unido de fornecer a aeronave militar.

Robert Habeck, ministro da economia e vice-chanceler, reconheceu que a situação dos direitos humanos na Arábia Saudita “ainda não atende aos nossos padrões” e que “ainda é ambivalente”. Mas “os mísseis defensivos da Arábia Saudita também estão protegendo Israel”.

Mercado bilionário

Em 2022, a Arábia Saudita foi a quinta maior investidora no setor militar, superando Alemanha, França e Reino Unido. Dos 184 bilhões de dólares de gastos oficiais do Oriente Médio com armas, os sauditas somaram US$ 75 bilhões, um salto de 16% entre 2021 e 2022.

Os dados são da SIPRI, centro de estudos da Suécia e que serve de referência no mundo para gastos militares.

Entre os importadores, o país foi o segundo no mundo, superado apenas pela Índia. Entre 2018 e 2022, eles representaram quase 10% de todas as compras militares do mundo. 78% de todo o fornecimento veio dos EUA. Isso incluiu mais de 90 jatos e 20 mil bombas guiadas.

No caso da Embraer, a empresa já vendeu jatos no passado aos sauditas. Hoje, eles já deixaram de ser usados.

Uma das esperanças da empresa é de atender à estratégia saudita, conhecida como Visão 2030. O setor de segurança é um dos pilares do regime em Riad, na esperança de reduzir sua dependência em relação ao petróleo. Para os sauditas, uma das metas é o desenvolvimento de uma indústria local e a empresa brasileira considera que pode contribuir nessa transformação.

Fonte: https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2024/03/04/embraer-quer-acesso-ao-mercado-militar-saudita-5omaior-do-mundo.htm

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/04/27/industria-da-morte-com-aval-do-presidente-lula-embraer-assina-acordo-para-produzir-aviao-militar-em-portugal/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/11/28/abaixo-a-industria-da-morte/

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Tonalidade
Palidamente verde
em rosa fogo

Helena Monteiro

[EUA] Memórias de Aaron Bushnell: Segundo seus Amigos

Em 25 de fevereiro, Aaron Bushnell ateou fogo a si mesmo no portão da embaixada israelense em Washington, DC, como um ato de protesto contra o genocídio em curso dos palestinos em Gaza. Críticos hostis tentaram ignorar a ação de Aaron como consequência de uma doença mental. Pelo contrário, a escolha de Aaron foi uma ação política decorrente das suas profundas convicções anarquistas. Na coleção a seguir, compartilhamos o resumo de Aaron sobre sua política, seguido pelo depoimento de três amigos próximos de Aaron.

Como Aaron contou aos seus camaradas de um grupo de apoio mútuo em San Antonio, ele cresceu num enclave branco conservador muito cristão em Cape Cod. Ele tinha 18 anos quando Donald Trump foi eleito; ingressou na Força Aérea em 2019. Enquanto estava na Força Aérea, chegou à política anarquista por meio de um processo autoedidata.

Em fevereiro de 2023, Aaron preparou um documento com o objetivo de ajudar este grupo a se tornar mais coeso. Como nos disse outro participante do grupo: “Aaron procurou formalizar e amadurecer alguns dos nossos métodos de organização e sentiu que ter uma discussão profunda e aberta era um primeiro passo crucial para construir uma confiança a longo prazo. Ele criou uma lista de perguntas como uma forma de nosso grupo desorganizado de esquerdistas que prestam ajuda mútua iniciar uma conversa entre si.

Em suas próprias respostas a essas perguntas, Aaron afirma:

Sou anarquista, o que significa que acredito na abolição de todas as estruturas hierárquicas de poder, especialmente do capitalismo e do Estado… Vejo o trabalho que fazemos como uma luta contra a guerra de classes que a classe capitalista trava contra o resto da humanidade. Isto também informa a forma como quero me organizar, pois acredito que qualquer estrutura hierárquica de poder está fadada a reproduzir a dinâmica de classe e a opressão. Assim, quero envolver-me em formas igualitárias de organização que produzam estruturas de poder horizontais baseadas no apoio mútuo e na solidariedade, que sejam capazes de libertar os humanos…

Sou a favor da tomada de decisões baseada no consenso em detrimento do governo “democrático” ou baseada no voto.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://pt.crimethinc.com/2024/03/01/memorias-de-aaron-bushnell-segundo-seus-amigos-1

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/02/29/eua-isso-e-o-que-nossa-classe-dominante-decidiu-que-sera-normal-sobre-a-acao-de-aaron-bushnell-em-solidariedade-com-gaza/

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sobre a cerca,
os mais novos girassóis –
ninguém à vista

Rosa Clement

[Espanha] 8M 2024. Punho ao alto mulheres do mundo

 

Neste 8 de março de 2024, Dia Internacional da Mulher Trabalhadora, desde o sindicato CNT voltamos a reclamar justiça e igualdade para as mulheres, reivindicando as propostas e objetivos da organização anarquista Mujeres Libres, a quem tanto deve a classe obreira. Quase um século depois do nascimento desta organização, as mulheres seguimos tendo muito pelo que lutar.

No âmbito laboral, seguimos sendo discriminadas: diferença salarial, dificuldade de acesso ao emprego, concentração de mulheres nos setores mais precários, maior temporalidade e parcialidade nos contratos, impedimentos para promoções em nossos trabalhos ou a impossibilidade para conciliar e criar com recursos, o que faz com que a maternidade seja causa de empobrecimento da mulher… A tudo isto, se soma a violência que, pelo fato de sermos mulheres, sofremos dentro das empresas: discriminação por razão de sexo, assédio sexual no trabalho… Se calcula que ao menos um terço dos abusos sexuais que se produzem, acontecem no entorno laboral.

Além disso, a divisão sexual do trabalho provoca que as tarefas domésticas recaiam principalmente em nós. Isso, somado à vergonhosa falta de recursos dedicados à atenção a pessoas em situação de dependência, faz com que as mulheres acabemos tendo que renunciar a nosso emprego para atender a familiares, com o que isto supõe de falta de independência econômica com relação ao homem. Quando os cuidados se realizam de forma profissional, fora do âmbito familiar, a situação não melhora: cuidadoras, trabalhadoras de ajuda a domicílio, empregadas domésticas, auxiliares geriátricas… os empregos imprescindíveis para a manutenção da vida são, em uma sociedade capitalista e patriarcal, os menos valorizados e prestigiados, os pior remunerados e se realizam, em numerosas ocasiões, sem inscrição na seguridade social ou em condições que se assemelham à escravidão, como é o caso das trabalhadoras internas.

Todos estes condicionantes que sofre a mulher no âmbito laboral fazem com que exista uma diferença também nas pensões. Naqueles casos nos quais, após muitos obstáculos, chegamos a acessar a uma pensão contributiva ou uma incapacidade permanente, esta é inferior à dos trabalhadores homens. Em outros muitos casos, a mulher se verá condenada, em caso de velhice ou enfermidade, a tratar de sobreviver com pensões não contributivas de miséria ou com a decepção da renda mínima vital.

Quando, desde a luta sindical, nos levantamos contra as injustiças que sofremos por sermos trabalhadoras, nos encontramos com a repressão e a criminalização. Queremos recordar uma vez mais as 6 da Suiza, em Xixón, que enfrentam penas que chegam aos 3 anos e meio de prisão e a multas de mais de 150.000 euros por fazer sindicalismo.

Fora do âmbito laboral, as mulheres sofremos toda classe de violências a longo do mundo. Segundo a ONU, 137 mulheres são assassinadas ao dia por seus maridos ou ex-maridos. No estado espanhol, no ano passado cometeram 101 feminicídios, 10 no que já passamos de 2024, mais da metade destes assassinatos os realizaram maridos ou ex-maridos da vítima. No que respeita à violência sexual, as estatísticas nos dizem que está aumentando, tanto para as mulheres adultas como para as meninas, e que se dá fora e dentro do âmbito familiar. Na Espanha, se registrou durante o ano de 2023 uma violação a cada duas horas e aumentaram os casos de violações coletivas. Dentro das formas de violência sexual, o proxenetismo é uma das mais brutais e, também, na qual os agressores (puteiros e proxenetas) gozam da maior impunidade. Calcula-se que mais de 100.000 mulheres estão sendo exploradas sexualmente nestes momentos no estado espanhol. A CNT considera que a prostituição em nenhum caso pode considerar-se um trabalho, mas que é uma forma de violência que, como sociedade, devemos erradicar, sem penalizar nem perseguir, em nenhum caso, a mulher em prostituição, que tem direito a justiça e reparação.

O feminismo obreiro rompe fronteiras. Nos posicionamos, sem meias tintas, com as mulheres de Gaza, que estão sofrendo um genocídio por parte do estado de Israel e seus aliados, ante a infame passividade da imensa maioria da comunidade internacional, incluído o governo espanhol. Desde a CNT, continuaremos apoiando o povo palestino, pondo-nos a seu lado nesta luta desigual. Da mesma forma, desde a CNT seguiremos defendendo a revogação da Lei de Estrangeria, uma lei criminosa com terríveis consequências para os que chegam ao Estado Espanhol e, especialmente, para as mulheres e seus filhos e filhas.

Dentro do sindicato, fica ainda caminho por percorrer. Nossos companheiros tem a responsabilidade de evitar que se reproduzam dentro da CNT as dinâmicas patriarcais que sofremos fora. Nos organizamos, junto a eles, para que a CNT seja uma ferramenta útil e emancipatória para a Mulher Trabalhadora.

Neste 8 de março, desde a CNT, saudamos às mulheres de todo o mundo, oprimidas por nascer, exigindo ser nomeadas, lutando fora e dentro da organização contra um sistema criminoso: não deixeis que o medo e o desânimo os paralisem. Não pares, porque, em vossas mãos e em vossa mente, está a vitória das que nos precederam e das que virão.

VIVA A LUTA DA MULHER TRABALHADORA

VIVA O 8 DE MARÇO

cnt.es

Tradução > Sol de Abril

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No entardecer
O azul celeste
Manchado é pelo arranha-céu

Dalva Sanae Baba

[Itália] Haiku sem haicai

Juan Sorroche, o inspirador deste apelo, é um companheiro anarquista que participa há mais de vinte anos na luta contra o Estado e o capitalismo, sendo encarcerado por isso. Em 2016, tornou-se foragido para escapar a várias penas de prisão (cerca de 6 anos) ligadas principalmente à luta contra o TAV  [trem de alta velocidade] em Valsusa. Preso em maio de 2019, foi condenado a mais dois anos e meio por posse de documentos falsos. Ao ser detido, Juan descobriu que era acusado de um ataque às instalações da Lega [partido italiano de extrema direita] ocorrido no ano anterior em Treviso, em um momento em que o racismo estatal atacava ferozmente, fechando portos aos barcos de migrantes neste Mediterrâneo que havia se tornado um verdadeiro túmulo a céu aberto, realizando varreduras, rondas, detenções administrativas e expulsões. Em primeira instância, foi condenado a 28 anos de prisão, pena reduzida para 14 anos e 10 meses em segunda instância e atualmente aguarda decisão da Suprema Corte de Apelação. Ele está sendo mantido na prisão de Terni sob o regime de alta segurança AS2. O nosso amigo e companheiro consegue, independentemente do local onde se encontra, desenvolver a criatividade que se expressa através de colagem e do Haiku. Às vezes ele mergulha na meditação, nos estudos, escreve inúmeras cartas e corre durante sua caminhada de uma hora para manter a forma. Não é preciso dizer que temos um vínculo especial com ele, construído com base no amor e na estima de uma pessoa que, vendo o sofrimento ao seu redor, não se afasta, mas age para tentar mudar as coisas, assumindo riscos.

Em um mundo que precisa cada vez mais de prisões e barreiras para encerrar todas as formas de vida, gostaríamos de parar de dividir nossos caminhos de luta pela libertação: integrando a transformação íntima, existencial e individual com a destruição de todas as formas de exploração, opressão ou privilégio.

Na verdade, esses são dois lados da mesma moeda: queremos observar os limites em nossos relacionamentos, os medos que vêm do ego, a incapacidade de direcionar nossa raiva para destruir dentro e fora de nós as correntes impostas pelas culturas dominantes do presente e do passado.

Não queremos reproduzir os antigos papéis autoritários ou as antigas dicotomias senhor-escravo; queremos desmantelar todas as estruturas coercitivas, tanto materiais quanto culturais: capitalismo, racismo, sexismo, binarismo de gênero, patriarcado e antropocentrismo.

As palavras podem se tornar pontes para mentes e corações, chaves para acessar celas de prisão e romper as grades. As ideias são impossíveis de serem bloqueadas e difíceis de serem trancadas!

Gostaríamos de criar um diálogo em verso envolvendo qualquer pessoa alérgica a diversas formas de autoridade, tanto dentro como fora dos muros das estruturas prisionais.

Convidamos você a participar dessa colheita de palavras, finalmente liberadas, sílabas incendiárias, haicais sem haicais e versos soltos!

Liberadas da lógica da métrica e liberadas em direção ao infinito, liberadas da propriedade e da mercantilização. Os escritos coletados, publicados em autoprodução em papel, serão lidos durante iniciativas autogeridas e disseminados não apenas entre todos os interessados e “livres”, embora trancados entre quatro paredes, em prisões, em instituições psiquiátricas e centros de detenção para migrantes, mas também para todos aqueles que estão detidos em escolas, fábricas, bairros e no campo, mas que continuam a se sentir livres e não têm ilusões sobre o futuro dessa sociedade ecocida.

Este é um chamado para não pararmos de sonhar, imaginar e criar infinitos mundos novos!

Envie seu trabalho para: EX LATTERIA Stradone S.Agostino 39r, 16123 Genova ou para o e-mail: versiscatenati[at]canaglie.net

Fonte: https://brughiere.noblogs.org/post/2024/01/18/haiku-senza-haiku-e-versi-scatenati/

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tinta no pincel
fantasia com asas
pardal no papel

Carlos Seabra

[Rússia] Uma coleção de músicas foi lançada em apoio aos envolvidos no “Caso Tyumen”

Coletânea de música em apoio a prisioneiros. Em 2022, punks e antifascistas da Sibéria e dos Urais foram torturados pela polícia para fabricar um caso. Eles estão sendo acusados de terrorismo, mas não fizeram uso de qualquer tipo de violência. As confissões foram conseguidas através de tortura com choques elétricos, estrangulamento com sacola, surra e ameaças de estupro com uma vassoura. Antifascistas enfrentam enormes sentenças de prisão.

3 das 6 vítimas antifascistas são músicos. Na coletânea Community Black Square, foram reunidas músicas apresentando seus projetos.

– D. Chertykov – guitarrista da Rocker Balboa

– D.Aydyn – guitarrista da Siberian Brigade e Rasputin,

– K.Brik (ele está cooperando com a investigação e o grupo de apoio não está o ajudando) – criador do m6th.

Essa coletânea existe para ajudar financeiramente e compartilhar informações sobre a situação. Doações pelo bandcamp serão transferidas para ajudar a iniciativa do “Tyumen Case”. Você também pode transferir dinheiro para eles diretamente. Mais detalhes no material em russo(https://avtonom.org/news/vyshel-muzykalnyy-sbornik-v-podderzhku-figurantov-tyumenskogo-dela).

Fonte: https://avtonom.org/en/news/music-antifascist-prisoners-tortured-police-tyumen-case

Tradução > 1984

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pérolas de orvalho!
olho e vejo em cada gota
a minha casa-espelho

Issa

As enchentes do Rio de Janeiro nas crônicas de Lima Barreto: tragédias climáticas e sociais de ontem e de hoje

Por Patrícia Acs

Em sua breve vida, de 1881 a 1922, Lima Barreto acompanhou atentamente as mudanças, os acontecimentos e os jogos de poder que marcaram a sua época. Não só acompanhava, mas escrevia sobre. Cultivando o que nomeava de “literatura militante”, o escritor escreveu um número bastante significativo de crônicas que abordavam os problemas da cidade do Rio de Janeiro. Sempre com uma perspectiva crítica, temperada com a ironia que perpassa quase toda a sua escrita.

Nas primeiras décadas do século XX, o Rio Janeiro passava por reformas e modificações em vários aspectos. Conhecido como “bota-abaixo”, o conjunto de reformas de Pereira Passos, que seguia a linha geral da política do então presidente Rodrigues Alves, objetivava trazer a “modernização” para a cidade do Rio, capital do Brasil naquele período, para acomodá-la ao modelo das “grandes” capitais ocidentais – principalmente, Paris. Os decretos do “bota-abaixo” também previam medidas no âmbito moral, uma padronização do que era julgado “civilizado”, para controlar o comportamento das pessoas nos espaços públicos. Decretadas de cima para baixo, as reformas não passavam por debate com o povo nem consideravam as condições de vida da população mais pobre. Pelo contrário, foram orientadas por diversos interesses das elites e ideias “higienistas” que projetavam o embranquecimento da população e das cidades brasileiras.

Atento a tudo, Lima Barreto questionava os reais interesses e jogos de poder por trás das reformas. Sobretudo, apontava como as reformas ignoravam a população e produziam modificações artificiais nas cidades, enquanto transformações concretas e estruturais, que poderiam trazer melhorias de vida para o povo, não ocorriam. O escritor promovia um debate público a partir de suas crônicas. Nessa toada, publicou, no dia 19 de janeiro de 1915, no jornal “Correio da Noite”, a crônica “As enchentes”.

Logo de início, apresenta o problema: “As chuvaradas de verão, quase todos os anos, causam, no nosso Rio de Janeiro, inundações desastrosas”. Em seguida, localiza as consequências: “Além da suspensão total do tráfego, com uma prejudicial interrupção das comunicações entre os vários pontos da cidade, essas inundações causam desastres pessoais lamentáveis, muitas perdas de haveres e destruição de imóveis”. Além disso, indica a falha: “De há muito que a nossa engenharia municipal se devia ter compenetrado do dever de evitar tais acidentes urbanos”.

Com base ideológica socialista e anarquista, como apontam seus textos e as biografias sobre o autor, o escritor não para apenas na denúncia. O cronista identifica a responsabilidade do Estado sobre o problema das enchentes, contrapondo uma demanda real às artificialidades observadas, muitas vezes, nas reformas. Com ironia, ataca: “O prefeito Pereira Passos, que tanto se interessou pelo embelezamento da cidade, descurou completamente de solucionar esse defeito do nosso Rio”. Assim como em outras crônicas, em “As enchentes”, observamos uma concepção social subjacente à crítica barretiana quanto aos problemas urbanos. Por essa concepção, as cidades são estruturadas social e politicamente, a partir dos sistemas de poder. Por isso, os problemas gerados pelas enchentes, como outras demandas urbanas, não são deixados de lado somente por incompetência ou falta de atenção dos governos. Eles são agravados, consequentemente, por projetos políticos que orientam o que deve e não deve ser prioridade, o que se quer e o que não se quer para a cidade. Projetos que atendem e se guiam pela lógica do capital e do Estado.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://patosaesquerda.com.br/as-enchentes-do-rio-de-janeiro-nas-cronicas-de-lima-barreto-tragedias-climaticas-e-sociais-de-ontem-e-de-hoje/

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Dia grisalho
brotos brotam brutos
na ponta do galho

Danita Cotrim

Cineasta precisa de apoio financeiro para finalizar documentário sobre a “Colônia Cecília”

 “Colônia Cecília. Um sonho anarquista, direção Carlos Pronzato

A p r e s e n t a ç ã o

A Colônia Cecília foi uma comuna experimental baseada em premissas anarquistas. A colônia foi fundada em 1890, no município de Palmeira, no estado do Paraná, por um grupo de libertários mobilizados pelo escritor e agrônomo italiano Giovanni Rossi. A Colônia permaneceu até 1894.

O documentário teve a sua pré produção em 2023 e foi gravado entre janeiro e fevereiro de 2024. A estreia prevista será em abril, mês comemorativo da chegada ao Paraná desses imigrantes anarquistas.

A obra audiovisual possibilitará atividades formativas junto às comunidades, movimentos populares, sociais, sindicais e estudantis.

Dados bancários para envio da contribuição:

PIX: carlospronzato@gmail.com

ou

BB

Agência: 0346 – 8

CC: 222.567 – 0

Contatos para envio de comprovante: (21) 9 79957981

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Pra que respirar?
posso ouvi-la, fremindo,
maciez de noite.

Soares Feitosa

[EUA] Lançamento | “Sem Rendição Espiritual: Anarquia Indígena em Defesa do Sagrado”, de Klee Benally

Sem Rendição Espiritual: Anarquia Indígena em Defesa do Sagrado (No Spiritual Surrender: Indigenous Anarchy in Defense of the Sacred) é uma análise anticolonial incisiva enraizada na experiência de linha de frente. Klee Benally (Diné) agita incansavelmente contra a política colonial em direção à autonomia indígena e à libertação total de Nahasdzáán (Mãe Terra).

Disponível agora pela Detritus Books detritusbooks.com

406 páginas | $20 Não Ficção | Paperback Disponível em livrarias selecionadas.

Sobre o autor: Klee Benally é um anarquista Diné (Navajo) e propagandista agitador indisciplinado. Originalmente de Black Mesa. Klee atualmente reside na ocupação em Flagstaff, Arizona. kleebenally.comindigenousaction.org

>> Trailer do livro:

https://www.youtube.com/watch?v=m6wWXP7_KmY&t=16s

Tradução > fernanda k.

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mamãe passarinho chocando,
papai trouxe a comida
festa na copa das árvores

Akemi Yamamoto Amorim

[Espanha] Salvador, 50 anos com você, 50 anos sem esquecimento! Uma lembrança libertária do companheiro Salvador Puig Antich

Em 2 de março de 1974, a ditadura franquista agonizava e morria matando, assassinando o libertário Salvador Puig Antich, na prisão Modelo de Barcelona, com um garrote vil. Salvador, um jovem ativista anarquista e antifranquista do Movimento Ibérico de Libertação (MIL), foi preso em 15 de setembro de 1973 em uma ação repressiva e, após um julgamento militar farsesco, foi assassinado. Em 2 de março, em outro centro de repressão geral, a prisão de Tarragona, o companheiro alemão Heinz Ches (George M. Welzel) foi assassinado, com a intenção de desviar a pressão e a mobilização internacional geradas contra o regime fascista de Franco e seus capangas, pelo julgamento de Puig Antich e sua sentença de morte.

O contexto histórico e a luta pelas Liberdades coletivas vinham ocorrendo há muito tempo, desde o golpe de Estado de 1936, realizado pelos fascistas e seus aliados nos poderes constituídos, a luta não havia cessado.

Foram quase 40 anos de luta permanente, entre a Liberdade contra a opressão. E o Movimento Libertário, como outros grupos militantes, estava na barricada social, nas ruas. Recentemente, em 20 de dezembro de 1973, o almirante Carrero Blanco, segundo no comando do genocida Franco, havia sido eliminado. Mobilizações de estudantes e trabalhadores estavam ocorrendo, assim como os assassinatos franquistas e a repressão contínua do Tribunal de Orden Público (TOP). Mas nada podia deter o desejo do povo de derrubar um regime autoritário e repressivo que só nos havia trazido morte, miséria e dor.

Salvador nasceu em 30 de maio de 1948, em Barcelona, em uma família de classe trabalhadora com seis irmãos. Sua mãe, Inma Antich, e seu pai, Joaquín Puig, sofreram exílio, com Joaquín passando por Argeles-sur-Mer, um julgamento sumário em seu retorno à Espanha, uma sentença de morte e um perdão. Todo esse processo familiar despertou sua consciência e o levou à militância ativa, assim como o maio de 1968 na França, a morte do estudante Enrique Ruano em 1969 na DGS e a situação geral de repressão contínua.

Apelidado de “el Metge”, ele evoluiu para a ideologia anarquista, juntando-se ao MIL, o braço armado. Participou da revista “CIA” [Conspiração Anarquista Internacional] e da editora “Mayo 37”.

Seguiram-se ações para “socializar” o dinheiro dos bancos e apoiar greves e comitês pró-presos, juntamente com Jean Marc Rouillan, Josep Lluis Pons e Jordi Sole, sendo preso em 1973.

Esse foi o início de seu suplício, tortura e assassinato. 50 anos se passaram e a memória de seu compromisso e de sua luta libertária permanece e cresce.

Salvador, a Luta Continua, não te esquecemos, irmão!!!

cgt.org.es

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haicai é vício
no ábaco dos dedos
versos paridos

Sandra Santos

[Espanha] Este é o mural de Puig Antich para o 50º aniversário de seu assassinato

O artista Rock Black Block fez um mural em Vallcarca em homenagem ao ativista no 50º aniversário de sua execução em La Model.

O assassinato de Salvador Puig Antich é um dos episódios negros mais recentes na história política de Barcelona e da Espanha. O ativista anarquista e anticapitalista que lutou contra o franquismo foi assassinado pelo regime na prisão La Model, em Barcelona, por garrote vil, e sua morte em 2 de março de 1974, a última execução da prisão, tornou-se um símbolo da luta antifascista e dos horrores da ditadura de Franco.

Já se passaram 50 anos desde esse assassinato, e as homenagens a um ativista que se tornou um ícone estão proliferando pela cidade. Agora será um pouco mais, graças ao mural que surgiu em Vallcarca, assinado pelo artista Rock Black Block, onde uma parede da praça Uri Caballero, na confluência da Carrer Farigola e Carrer Cambrils, está coberta com o rosto de Puig Antich.

Embora o trabalho seja inaugurado no domingo, dia 3, como parte da comemoração do assassinato, o mural está quase pronto. Quando estiver pronto, explica Rock Black Block, “ele incluirá a data de nascimento de Puig Antich, a data de sua execução e duas frases. Uma será “Diga a eles que continuem lutando”, aparentemente a última frase do ativista antes de sua morte, e a outra “para dizer quem o matou: ‘Foi o Estado que o assassinou'”.

O artista também explica que “essa intervenção não foi uma incumbência profissional, mas mais um dos atos de homenagem a Puig Antich, ao MIL e à sua luta, que são realizados pelo movimento autônomo, anarquista e anticapitalista”. “O mural foi realizado em Vallkarka porque, além dos episódios do MIL na área, é um bairro que está lutando contra a lógica neoliberal da marca Barcelona. Um bairro cheio de pessoas que, como Puig Antich pediu, “continuam lutando”.

O artista também agradeceu em seu post no Instagram “a todas as pessoas que dedicaram seu tempo (muito mais horas do que eu investi na pintura do mural) para realizar as atividades da Comissão Salvador Puig Antich, para manter vivo o DNA anarquista da Rosa de Foc” de Barcelona.

Fonte: https://barcelonasecreta.com/mural-salvador-puig-antich/

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A frágil libélula
repousando no capim —
Bailado do vento.

Fagner Roberto Sitta da Silva