[Filipinas] Acampamento Antiautoritário, 10 e 11 de fevereiro de 2024

Em comemoração aos 20 anos de relação das coletivas irmãs Food Not Bombs Baliuag e Food Not Bombs Sapangpalay.

À medida que avançamos, a maioria dos voluntários do FNB já criou uma família, por isso foi importante reconhecer nossa própria família em nossa jornada na luta pela autonomia.

Reconhecemos a necessidade de lutar por libertação, para que nossos entes queridos sejam livres da cadeia de sistemas de crenças mercantilizadas/capitalistas que destroem nossos valores e relações humanas.

Em qualquer momento podemos nos apropriar e autogerir todos aspectos da vida social/econômica e criar propositalmente um momento, um espaço, uma plataforma, uma experiência para todos. Uma chance de ter acesso a uma socialização mais proveitosa, sem dominação, hierarquia e controle.

Propositalmente, os principais participantes do Acampamento Antiautoritário são famílias e comunidades dessas duas coletivas FNB Baliuag e FNB Sapangpalay, mas também estará aberto a outros indivíduos antiautoritários. Esperamos que esse acampamento seja informativo, divertido e íntimo.

Sugestões de atividades:

  • Compartilhamento de valores básicos
  • Conversas íntimas
  • A maternidade e seus desafios
  • Workshop/dicas práticas sobre tecnologia de alimentos
  • Exibição de filmes
  • Introdução à cooperativa
  • Discussão sobre sistemas de apoio

E muito mais…

Aceitamos doações financeiras para subsidiar nossos custos para este evento.

Obrigado!

Envie-as por meio de nosso PayPal: ganjuey@gmail.com

etnikobandidoinfoshop.wordpress.com

Tradução > meiocerto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/11/26/filipinas-food-not-bombs-19o-aniversario-de-baliuag/

agência de notícias anarquistas-ana

haicai sem kigô
é de quem bebe saquê
e pisa na fulô

Carlos Seabra

[Espanha] Calendário solidário para as companheiras gregas que estão sofrendo vários tipos de ataques das forças opressoras

Olá!

Durante os últimos anos, as companheiras gregas, que estão em uma situação de guerra social contra o Estado, estão sofrendo vários tipos de ataques das forças opressoras. Entre eles, julgamentos e denúncias por sua não-passividade diante da violência do sistema.

Como anarquistas e solidários, desde Madri, queremos dar nosso pequeno apoio aos custos judiciais. Por isso, criamos este calendário compilando fotos da luta em Atenas.

Ele tem tamanho DIN A3 e propomos um preço de 15 a 20 euros, dentro de suas possibilidades.

Se não puder pagar e quiser, escreva para nós e poderemos procurar uma alternativa. Ou, se quiser contribuir mais, escreva para nós também. Você pode repassar para pessoas e grupos afins.

Se estiver interessado, escreva para resistirmerecelapena@riseup.net

A luta continua!

agência de notícias anarquistas-ana

No deserto
acontece a aurora.
Alguém o sabe.

Jorge Luis Borges

Flecheira Libertária n° 747: ano novo normalizando o normal

Todos e todas com caras de selfie e sorrizinhos. Entra ano e sai ano. Prossegue assim. Capitalismo intocável e conservador, seja sustentável ou “selvagem”, colonial ou decolonial. Tudo deve ser igual ao superior: mulheres, negros, índios, crianças, sexos, portadores de nanismo, ou seja, tudo portador, portadore(a)s. Tudo deve ser supostamente neutro como as Forças Armadas, a ciência, a política moderna. Tudo num embelezado encontro democrático negociável entre liberais e conservadores, esquerda e direita, extrema direita e mais alguém. Isenção de tributos, benefícios e privilégios de religião, partidos políticos… Mesmo contra igrejas e suas sucursais, os matrimônios homoeróticos proliferam e renovam a família, incluindo o chamado pecado original. Permanece a matança de indígenas, com ou sem ministério no Estado, com ou sem indígena ministro. Permanece o garimpo “ilegal”. E socialismo voltou a ser sinônimo de stalinismo. E ostracismo aos anarquistas. O ano é novo e bissexto. Até aí, tudo segue normalizando o normal.

>> Para ler o Flecheira Libertária na íntegra, clique aqui:

https://www.nu-sol.org/wp-content/uploads/2024/02/flecheira747.pdf

agência de notícias anarquistas-ana

brilho matinal
na ponta dos galhos nus
brotos a surgir

Carlos Viegas

[Espanha] Jornadas de formação “Capitalismo verde ou futuro libertário”

CAPITALISMO VERDE OU FUTURO libertário

Um debate libertário sobre a mudança social necessária para preservar a vida de todos e todas.

  • É possível uma transição ecológica justa, dentro do capitalismo?
  • Trata-se somente de uma mudança de tipos de energia?
  • É possível e sustentável o consumismo atual?
  • Temos alternativas energéticas desde o mundo libertário?
  • Temos alternativas sociais e ecológicas que levem a um mundo libertário?
  • Quê modelo de produção e distribuição de mercadorias para cobrir as necessidades humanas vitais? Alimentação, Habitat, Mobilidade, Cultura e Educação, Cuidados, Saúde…
  • Como dar passos reais e práticos de maneira coletiva, desde o atual modelo insustentável a um sustentável?
  • Transições ecosociais “justas”. Decrescimento de quê e de quem. Distribuição dos trabalhos e da riqueza…
  • Todas essas perguntas e as possíveis alternativas, podem se concretizar se tu participares também.

PALESTRANTES:

Luis González Reyes: “Transições no trabalho em tempos de crise ambiental”

Antonio Turiel: “O descenso energético e o futuro industrial da Europa”

Isidro López: “Crise climática, crise capitalista, crise do ecologismo político”

Carlos Taibo Arias: “Breviário de ecologia libertária”

Coral Gimeno: “Do marco estratégico de Energia e Clima à ação direta e eco radical: uma análise jurídica desde uma perspectiva de classe e revolucionária”

MESA REDONDA:

Com colaborações das pessoas participantes

DATAS: 9 e 10 de fevereiro

Sexta-feira, 9, das 10h00 às 14h00 e das 16h00 às 20h00

Sábado, 10, das 10h00 às 20h00

LUGAR SESSÃO PRESENCIAL:

Faculdade de Ciências da Documentação Universidade Complutense de Madrid

C/ de la Santísima Trinidad, 37

Metrô (LINHA 7) Canal- Alonso Cano

INSCRIÇÃO

https://docs.google.com/forms/d/13QFf8KPDibmJSF12jDB-c2_zcGBFYa-JRz1ZvR-aHvQ/edit

SESSÃO VIRTUAL:

Para quem não puder ir à Madrid, podes visualizar seu desenvolvimento pelo link  que aparece no cartaz anexo (a partir da tarde de sexta-feira, dia 9)

https://acortar.link/O9PiS3

Fonte: Secretaria de formação da CGT

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Com dignidade
nas minhas velhas roupas –
o espantalho

Stefan Theodoru

[Itália] Liberdade para Ilaria! O antifascismo não pode ser processado

A história política e humana de Ilaria Salis, que está presa há um ano nas prisões húngaras do reacionário Orban, acusada de atacar neonazistas e mantida em condições sanitárias desumanas e indecentes, merece algumas breves considerações. Apenas para limpar o campo de mal-entendidos e interpretações errôneas, gostaríamos de enfatizar que o antifascismo militante é uma prática que caracterizou a história do movimento dos trabalhadores imediatamente após o advento dos primeiros esquadristas, durante a ditadura e após o fascismo, e na qual nos reconhecemos. Portanto, não ficamos chocados se um grupo antifascista agir com determinação contra certa ralé neofascista e neonazista. Pelo contrário, nossa solidariedade incondicional se estende a eles.

Historicamente, o fascismo tem sido o braço armado do capital em oposição aos processos de emancipação dos explorados, e é nesse contexto que esses últimos se organizam para impedir a reação, para sua defesa física e espaços de viabilidade política.

Não é coincidência o fato de que são principalmente as pessoas das camadas sociais mais baixas que acabam nas prisões.

As prisões também são uma ferramenta para reprimir aqueles que lutam e se rebelam contra um sistema que atende aos interesses de uma minoria em detrimento da maioria.

Sempre fomos sensíveis às reivindicações daqueles que são forçados a permanecer na prisão e nos mobilizamos repetidamente para apoiar os prisioneiros em luta. A prisão e a detenção na prisão por um ano de uma pessoa que ainda não foi condenada é uma medida preventiva que vai contra a “salvaguarda e o respeito aos direitos humanos e às liberdades” considerados os fundamentos de um estado liberal; o fato de Ilaria ser forçada a ficar dentro de uma jaula superlotada, em condições sanitárias muito ruins, sem a possibilidade de trocar de roupa e se lavar, com o fornecimento de comida ruim e podre, etc., desafia exatamente os direitos da justiça burguesa (consulta a documentos, assistência de advogados, visita dos pais, etc.), dos quais os países ocidentais, a Itália e a Europa em primeiro lugar, se orgulham, é algo vergonhoso e indecente que deve ser denunciado e para o qual deve ser encontrada uma solução imediata com sua libertação. Com um ano de atraso, a grande imprensa e parte da classe política estão indignadas com a forma como um “cidadão italiano” é tratado nas prisões de um país europeu, enquanto a atitude é oposta se o assunto da contenda for o estado de saúde das prisões italianas e as condições em que os prisioneiros são obrigados a viver. Superlotação das celas, insalubridade e antiguidade das instalações prisionais, detenções preventivas intermináveis, programas de reintegração inconsistentes, para citar apenas alguns dos aspectos críticos do sistema prisional italiano, que registra taxas muito altas de suicídio e automutilação.

Não podemos deixar de lembrar a bárbara medida do 41 bis, um instrumento de tortura e alienação do preso que não tem igual em outros países europeus. É fácil se indignar com o que acontece fora da realidade de seu próprio país quando os problemas em casa são igualmente graves. A ideia da prisão como instrumento de reintegração social é uma tolice que deve ser superada. Contra as tentativas de criminalizar a prática antifascista, pedimos a libertação imediata de Ilaria, bem como de todos os nossos companheiros de prisão. Nenhuma legitimidade para a direita xenófoba e nacionalista, seja em molho neonazista, legalista ou neofascista, fora ou dentro dos parlamentos.

Iniciativa Libertária – Pordenone

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

O dia já tarde
festeja a alegria
nas bolhas do guaraná

Winston

[Espanha] O Movimento Anarquista se encontra na mira da repressão estatal

Egida-Defensa Colectiva Anarquista denuncia que em menos de 2 anos, ao menos 37 pessoas do movimento anarquista e antifascista de Barcelona se tornaram réus.

Nos últimos meses, a Egida-Defensa Colectiva Anarquista, através da campanha “Condenades por Lutar” se dedicou a socializar os múltiplos casos de repressão que 37 pessoas do movimento anarquista e antifascista de Barcelona tem encarado.

Entre os casos denunciados está o de Abel que em 2021 foi condenado a 3 anos e 9 meses de prisão. Os atos pelos quais foi condenado se deram em novembro de 2018, no contexto da contra-manifestação em frente à concentração da JUSAPOL, no final da qual se deu o incidente. Na estação de metrô de Urquinaona um nazista caiu das escadas. Diante desse fato, dois companheiros são citados, acusados de empurrar o nazista. São acusados do crime de agressão com agravante de crime de ódio. O crime de ódio se justifica com a racionalização de se atentar contra as liberdades individuais já que este carregava uma bandeira da Espanha. O que não é citado nos autos policiais é que o indivíduo em questão também vestia uma camiseta de Arjuna, um grupo RAC (Rock Against Communism). O grupo anti repressão declarou que “a perseguição política se manteve durante todo o processo judicial. Causas passadas e identificações produzidas durante manifestações anarquistas foram usadas durante o julgamento para justificar a condenação, juntamente do agravante de ódio. Algumas dessas identificações não foram realizadas de forma direta, se tratavam de identificações obtidas através de gravações e outros meios. É por isso que afirmamos que estão condenando nosso companheiro por ser anarquista.”

Outros casos de repressão se deram no contexto das manifestações de 1° de maio de 2022, onde 5 pessoas foram presas, e também na de 2023, onde 12 pessoas foram presas. Nestes dias, nas manifestações convocadas por sindicatos como CGT, CNT, COS, YAK, Solidaridat Obrera… Entre outros, participou também um bloco libertário. Os acontecimentos aos quais se imputam os acusados se deram depois da manifestação, onde se deram ação direta contra bancos, escritórios de turismo e diferentes tendas de multinacionais. Se acusa a todos de manifestação ilegal, desordem pública e vandalismo.

Por sua vez, o caso de repressão seguinte se deu no mesmo maio de 2023, durante uma manifestação para defender os centros okupados El Kubo e La Ruïna, propriedade da Sareb, na praça de Bonanova de Barcelona. Um grande destacamento de Mossos d’Esquadra [polícia catalã], de 300 agentes aproximadamente, atacaram violentamente quem estava na rua Sosonèsa, para proteger os fascistas do Desokupa, que haviam vindo de várias partes do estado espanhol para tentar, sem êxito, desalojar os centros okupados. Neste evento, 12 pessoas foram presas, as quais são acusadas de atentado contra a autoridade, desordem pública e vandalismo.

Ofensiva contra a ocupa

No fim do ano passado, houve despejo nos prédios do Kubo, de la Ruina e da Kasa Estudi9, centros onde parte da militância anarquista se organizava. Durante estes despejos os Mossos D’esquadra organizaram um amplo contingente com cerca de 400 agentes e atacaram os manifestantes que eram contra o despejo. Como se não bastasse, também detiveram sete pessoas que se encontravam no interior do Kubo e da Ruina, os quais foram acusados de atentado contra as autoridades e desobediência.

Não obstante, esse não foi o único episódio de repressão que se deu em uma okupa já que no começo deste ano a Egida também denunciou que as forças repressivas haviam instalado dispositivos de vídeo vigilância em frente de uma okupa no bairro Gracia onde vivem militantes anarquistas.

Fonte: https://ppcc.lahaine.org/el-movimiento-anarquista-se-encuentra

Tradução > 1984

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agência de notícias anarquistas-ana

Chuva de verão.
Os pingos batem
Nas cabeças das carpas.

Shiki

[Grécia] Bomba explode em frente a prédio de ministério em Atenas

Uma bomba explodiu na madrugada deste sábado (03/02) em frente ao prédio do Ministério do Trabalho e Segurança Social, em Atenas, causando danos à área. Segundo a agência de notícias Reuters, não houve feridos.

Indivíduos não identificados ligaram para o jornal EFSYN à 0h49 (horário local), avisando que uma bomba explodiria em frente ao ministério dentro de 40 minutos, segundo a televisão estatal grega ERT.

Após o alerta, a polícia iniciou procedimentos de evacuação do prédio e bloqueou o trânsito. A bomba, colocada em um saco, detonou à 01h29, causando danos ao ministério e arredores. De acordo com a ERT, uma organização que afirma ser a “Organização para a Autodefesa Revolucionária” assumiu a responsabilidade pela explosão.

Fonte: agências de notícias

agência de notícias anarquistas-ana

Que coisa linda,
Agitando o leque branco,
É o meu amor.

Buson

[Peruíbe-SP] Festival Cultive Resistência!

29, 30 e 31 de março de 2024

Espaço Cultural Semente Negra – Peruíbe/SP

O Festival Cultive Resistência é um encontro multicultural, libertário, que ocorre na Semente Negra, um espaço político cultural situado em meio a mata atlântica, em Peruíbe/SP.

Serão três dias de diálogos, palestras, oficinas, debates, música, momentos de compartilhamento, aprendizado, ensinamentos, reflexão e ação.

Queremos unir aqui diversas experiências e ideias de resistência e liberdade que estão em todas as partes deste planeta. Punks, anarquistas, feministas, indígenas, moradoras de espaços ocupados, pessoas que compartilham experiências de lutas inspiradoras, que sugerem outro modo de estar e agir neste mundo.

Não é novidade que existe um mundo utópico na cabeça de muitas pessoas. Mas o que muitas destas mesmas pessoas não sabem, é que em algum lugar deste planeta, esta utopia existe e resiste. Afinal, se o capitalismo tem suas armas, nós também temos as nossas: solidariedade, apoio mútuo, música, livros, fanzines, mídias, ação direta, plantar nossa comida, consenso, relações horizontais, feminismo, queer, lutas sociais, veganismo, entre outras.

Se nos cegam os olhos para não vermos estas utopias sendo vividas é porque elas representam algum perigo e é para isto que chamamos este Festival, para sermos parte deste perigo. E se não conseguirmos ser este perigo, que este perigo nos destrua! Nos destrua para, assim como este mundo, possamos renascer como sementes que trincam concretos, como água que rompem barragens ou até mesmo como uma garrafa que voa iluminando por onde passa até incendiar seu alvo.

Envie sua proposta de atividade (palestras, oficinas, debates, bandas e qualquer outra atividade que venha colaborar para a construção destes 03 dias de inspiração e conspiração).

Conheça as ideias e princípios do Festival e, se o que você faz, tem a ver com estas ideias, envie sua proposta pelo nosso site até 15/02/2024.

Ingressos:

1º lote – Até 10/02/2024 – R$ 30,00 por dia ou R$ 70,00 para os 3 dias.

2º lote – Até 10/03/2024 – R$ 40,00 por dia ou R$ 100,00 para os 3 dias.

3º lote e portaria – R$ 50,00 por dia

>> Mais infos: cultiveresistencia.org/festival

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pobre da pulga
espetada no brinco
atrás da orelha

Marcelo Santos Silvério

 

[EUA] Três Livros Clássicos do Coletivo CrimethInc. em Português | Receitas para o Desastre, Espere Resistência, & Dias de Guerra, Noites de Amor

Nossos camaradas no Brasil fizeram novas tiragens de três de nossos livros em português: Receitas para Desastres, Espere Resistência e Dias de Guerra, Noites de Amor.

Ao longo de três décadas de atividade, os nossos livros apareceram em muitas línguas diferentes – Trabalho,, por exemplo, apareceram em alemão, espanhol, russo, servo-croata, lituano, coreano e português, a maioria dos quais estão disponíveis aqui (https://pt.crimethinc.com/books). Oferecemos material em um total de 43 idiomas diferentes neste site. Acreditamos que é crucial construir pontes entre pessoas em diferentes comunidades e diferentes partes do mundo, e fazê-lo trabalhando diretamente com falantes nativos, em vez de depender de software de tradução automática.

Além de oferecer cobertura contínua das lutas sociais no Brasil, as células CrimethInc. no Brasil já publicaram vários livros, jornais e zines em português, além de organizar turnês de palestras na América do Sul e do Norte. Agora, para começar 2024, publicam novas versões aprimoradas em português de três dos nossos livros mais conhecidos.

Eles estarão disponíveis em infoshops, baquinhas e feiras de livros em todo o Brasil nas próximas semanas. Por agora, você já pode adquiri-los online através do infoshop 1000contra (https://1000contra.com.br/categoria/crimethinc/).

Receitas Para o Desastre

Receitas Para o Desastre é um manual tático de 500 páginas para ação direta, amplamente ilustrado com diagramas técnicos e relatos em primeira mão. Mais de 30 coletivos colaboraram com décadas de conhecimento, testando, escrevendo e editando as 61 seções deste livro, que vão desde grupos de afinidade, organização coletiva e ação antifascista, até ocupação, grafite e sabotagem.

Dias de Guerra, Noites de Amor

Seu ingresso para um mundo livre. O primeiro livro que publicamos, Dias de Guerra, Noites de Amor, é o ponto de partida perfeito para quem busca uma vida de revolta apaixonada. É um manifesto visionário, um desafio a tudo o que tomamos por verdade, um experimento desenfreado e explosivo em um livro. Dividido em temas por ordem alfabética, o livro introduz debates como Anarquismo, Burguesia, Capitalismo, Domesticação, Amor, Trabalho e muitos outros.

Espere Resistência

Espere Resistêcia não é um, mas três livros, cada qual pode ser lido como uma obra independente. O primeiro livro, impresso em páginas brancas, continua a investigação da vida moderna e seus descontentamentos que começou em Dias de Guerra, Noites de Amor. Espere Resistência é um guia de campo para campos nos quais todos os guias são inúteis, uma meditação sobre a transformação individual e a resistência coletiva em épocas desastrosas, e uma obra-prima que sobe o nível das publicações radicais.

Fonte: https://pt.crimethinc.com/2024/01/23/tres-livros-classicos-do-coletivo-crimethinc-em-portugues-receitas-para-o-desastre-espere-resistecia-dias-de-guerra-noites-de-amor-1 

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greta no muro –
dois olhos ao fundo,
lá no escuro

Carlos Seabra

Você quer ajudar…

Livro anarquista supera mais de 7 mil cópias vendidas na França

Lançado em junho de 2023, o livro “Dictionnaire anarchiste des enfants” (Dicionário Infantil Anarquista) já vendeu mais de 7 mil cópias. Se as vendas continuarem nesse ritmo, será um dos livros anarquistas melhor sucedidos dos últimos tempos. Um grande feito histórico, principalmente tratando-se de um livro lançado por uma “pequena” editora anarquista, no esquema “nós por nós”.

“Aprenda e desenvolva seu pensamento crítico através de definições, comparações e metáforas sobre as ideias e valores transportados no maravilhoso mundo do anarquismo.”

Aqui está um dicionário ilustrado para mentes jovens rebeldes que descobrem este fantástico ideal fora dos trilhos.

Jorge Enkis, originário do Chile, é o autor, ilustrador e editor por trás da primeira edição em espanhol deste dicionário. A versão que oferecemos é uma adaptação do primeiro livro desta coleção. Algumas passagens foram traduzidas do espanhol, enquanto outras foram criadas pelo coletivo anarquista canadense Emma Goldman. Para a versão francesa, removemos os artigos destinados mais especificamente aos naturais de Nitassinan, de onde veio o coletivo anarquista Emma Goldman.

Este livro destina-se a um público de 9 anos ou mais. Para os pais, representa uma grande oportunidade de diálogo para desenvolver o pensamento crítico dos filhos. É finalmente certo que o de mais idade (ou mais idoso) entre nós, tendo conservado a nossa juventude de coração, será capaz de apreciar este livro.

Desejamos-lhe uma boa leitura!

Editores

Dictionnaire anarchiste des enfants

Jorge Enkis – Coletivo Anarquista Emma Goldman

80 páginas

Formato 14 por 17.5

Preço sugerido: EUR 8,00

Versão impressa ISBN : 978-2-35104-178-9

atelierdecreationlibertaire.com

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As nuvens do céu –
o céu do infinito
eu de nenhum lugar

Stefan Theodoru

[Espanha] E o que nos espera o feliz ano novo?

Agora que o Feliz 2023 está quase no fim, vou compilar minhas impressões sobre este ano.

1º Os Estados, eles são a praga. Não é só a Rússia e a Ucrânia que ainda estão envolvidas em uma guerra estúpida sem motivo. Milhões de hectares semeados com estilhaços e urânio empobrecido, cidades liberadas demolidas, populações fugindo, milhares e milhares de mortos, feridos gravemente, doentes mentais ou declarados doentes mentais… Um bando de caras congelando nas trincheiras, esperando que um drone exploda suas cabeças ou que um spetsnaz corte suas gargantas. E isso se repete em cerca de oitenta tipos diferentes de conflitos de guerra em todo o mundo. Bem, se for no verão, eles ainda assam de calor.

2º Se isso não for suficiente para convencer os defensores do Estado, temos o exemplo de Israel. O povo judeu, embora sem Estado, sobreviveu a perseguições inauditas e até prosperou. Quando, movidos pela loucura nacionalista, religiosa e patriótica, acharam que era uma boa ideia fundar um Estado, vejam o que Israel se tornou. Podem colocar o que quiserem aqui: crianças assassinadas, vilas devastadas, pessoas fugindo em desespero, e o que os defensores da Palestina querem fazer para evitar a perseguição do povo palestino? Nada mais e nada menos: criar outro Estado. Ótimo, alguém pode duvidar que, se dois Estados forem criados, eles logo estarão em guerra aberta e serão liderados por loucos ainda piores? Não seria hora de pensar em eliminar os Estados e refundar as nações unidas?

3º Está claro que a verdadeira esquerda é tudo menos esquerda. Aqueles que almejam o poder passam seus dias brigando e brincando para se livrar de você e eu poder entrar. Qualquer pessoa que tenha acompanhado a atividade esquerdista das últimas semanas poderá ver isso. E se eles começarem a governar um pouco, 80% do tempo eles passam planejando, 10% aprovando leis odiosas e o restante dormindo com barbitúricos. Deixe que eles me expliquem isso.

4º Morreu há poucos dias Toni Negri, o teórico marxista que dizia que o Estado-nação não era mais o fator determinante de nada e que o mundo era dominado em rede por instituições despóticas: empresas, grupos financeiros, mídia, políticos bonzinhos e, é claro, ONGs. Bem, como podemos ver, em redes ou em organizações tradicionais, os Estados continuam a travar guerras, controlar populações, aumentar ou diminuir impostos. Nessas estruturas, sociopatas, assassinos em série, personagens violentos em vários níveis, sobem e estão ficando cada vez piores.

As soluções propostas pelos esquerdistas: votar para acabar com o fascismo… Mas há cada vez mais voto e mais fascismo! Tiraram o Casado e entrou o Feijóo. Tiraram o Ciudadanos e entrou o Inominável. Tiraram Soraya, Cifuentes, Cospedal, Baños, Aguirre! e entrou Ayuso. Não tenho nada contra a democracia, mas é preciso ressaltar, sem sombra de dúvida, que o que o fascismo faz ao votar é avançar. Que ao construir Estados, tornando-os mais fortes e legítimos, os problemas se tornam cada vez maiores. Ou estou sendo impreciso?

Portanto, amigos anarquistas, quando seu ânimo estiver abalado, lembrem-se: somos os construtores de um mundo melhor, apontamos o caminho sem condescendência, damos a mão a qualquer causa justa e nos afastamos quando nos dizem que a conquista do poder é a equação a ser resolvida. O poder não é algo a ser conquistado. Ou ele é destruído ou se torna mais forte.

Fonte: https://alasbarricadas.org/noticias/node/53733

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

bambu quase quieto,
voltado para o poente,
filtra a luz da tarde.

Alaor Chaves

[Espanha] Libertário: ou como a pilhagem semântica da ultradireita está nos deixando sem palavras

No passado, a palavra libertário definia alguém como Buenaventura Durruti ou Federica Montseny. Hoje, o candidato da extrema direita argentina Javier Milei e setores do Vox se apresentam dessa forma.

Por Darío Adanti | 07/10/2023

Até recentemente, a palavra libertário era sinônimo do movimento anarquista: revolucionários de esquerda em uma luta obstinada contra o capitalismo. Hoje, ela é frequentemente ouvida como um rótulo para a extrema direita ultraliberal capitalista.

No passado, a palavra libertário definia alguém como Buenaventura Durruti ou Federica Montseny. Hoje, o candidato da extrema direita argentina Javier Milei e setores da Vox se definem como tal.

Mas como essa palavra deixou de representar uma coisa ontem para representar o oposto hoje?

É sempre bom começar com o dicionário, então vamos lá.

Tem a palavra o dicionário

De acordo com o dicionário da Real Academia Espanhola, libertário é “na ideologia anarquista, aquele que defende a liberdade absoluta e a supressão de todo governo e de toda lei”. E, de acordo com o dicionário da Academia Francesa, libertário é aquele “que considera ideal uma sociedade em que não haveria lei nem poder constituído e em que nenhuma restrição seria imposta à liberdade individual. Os anarquistas afirmam ter essa doutrina”.

Em inglês, entretanto, de acordo com o dicionário Merriam-Webster, libertário é “um defensor da doutrina do livre arbítrio, defendendo os princípios da liberdade individual de pensamento e ação. Um membro de um partido político que defende os princípios libertários”.

Vemos que, embora em nosso dicionário e no de nossos vizinhos a palavra ainda esteja associada ao anarquismo, em inglês ela não é mencionada e faz alusão a membros de um partido político libertário. E, veja bem, em vez de liberdade, ela fala de livre arbítrio.

Nessas nuances, podemos traçar a polissemia que permite que a palavra libertário nomeie dois antagonistas: os proletários anticapitalistas e a burguesia capitalista. E isso tem sua história. Aqui vamos nós.

Um passeio pelo passado

Aqui eu resumo um punhado de séculos de história. Após batalhas e várias lutas, os reinos europeus foram anexados e cresceram, o que os forçou a obter cada vez mais recursos. Eles aumentaram as rotas comerciais existentes e abriram novas, conquistando terras e povos distantes. Assim, chegamos aos impérios e ao absolutismo monárquico. De repente, alguns franceses muito inteligentes inventaram o Iluminismo: eles envergonharam a monarquia e criaram ideias como os direitos do homem, a igualdade, a fraternidade e a liberdade. Esse foi o nascimento da ideia maluca de que era possível ser livre em vez de ser súdito de um soberano preguiçoso. Esse é o nascimento do liberalismo.

Os monarcas europeus proibiram suas colônias no Novo Mundo de comercializar livremente com outros reinos e impuseram preços e impostos a elas. As pessoas se revoltaram e organizaram revoluções. Primeiro nos Estados Unidos, depois na França e, mais tarde, nas colônias espanholas na América. Eles derrubaram governos, criaram novos países e se organizaram em novos sistemas políticos, como a democracia. Mas eram democracias parciais desfrutadas por poucos. Essas revoluções marcaram a irrupção da burguesia na esfera do poder, até então nas mãos da oligarquia.

Mas, então, James Watts teve a ideia de aperfeiçoar a máquina a vapor de Newcomen, e o inferno começou: a revolução industrial eclodiu e, com ela, nasceram as classes sociais que conhecemos hoje. Foi aí que surgiu a palavra libertário.

O proletariado está chegando

A revolução industrial decolou como um incêndio e os países ocidentais se industrializaram ao máximo. Esse também é o início da crise climática que está chegando. Alguns filhos da burguesia investiram em maquinário e se tornaram capitalistas. A produção em massa começou e, graças às ferrovias, o mercado se expandiu a uma velocidade vertiginosa. Mas todas essas máquinas precisavam de mão de obra e de pessoas para extrair o carvão das minas. Eles trabalhavam do amanhecer ao anoitecer e por dois centavos. Agora, o proprietário de terras que explorava os camponeses estava acompanhado do capitalista que explorava os trabalhadores.

Foi então que o francês Saint-Simon deu mais uma reviravolta no que seus iluminados predecessores haviam escrito e apresentou a ideia maluca de que a classe trabalhadora deveria ter seus direitos e necessidades reconhecidos. Como conseguir isso? Esse foi o nascimento das ideias de esquerda e, com elas, do anarquismo.

A pequena palavra em questão

Naquela época, os benefícios do liberalismo eram privilégio exclusivo da elite, que também detinha o poder político. Saint-Simon e seus seguidores argumentavam que o papel do Estado deveria ser alterado: de braço armado do poder econômico para reprimir as demandas dos trabalhadores, ele deveria passar a garantir a distribuição justa de recursos e benefícios.

Em meados do século XIX, outro francês, Pierre Joseph Proudhon, apareceu e foi um pouco mais longe: ele achava que a melhor maneira de descentralizar o poder político era atomizar o Estado em um federalismo que garantisse a participação dos cidadãos. Ele foi o pai do anarquismo.

Lei da vida: o velho Proudhon era um fraco para as novas gerações. E foi outro anarquista francês, Joseph Déjacque, que se definiu como libertário, em oposição a Proudhon, a quem chamou de liberal. E a pequena palavra floresceu naquele ecossistema cultural convulsivo em que muitos tentaram pensar em novas formas de organização social mais justa. Mas os Estados, fantoches das elites econômicas, reprimiram os movimentos de trabalhadores que nasceram dessas ideias. Longe de desaparecer, a palavra libertário se consolidou.

A pequena palavra assume o controle

A proibição de jornais anarquistas na França, no final do século XIX, levou ao uso da palavra libertário na imprensa anarquista como uma forma de burlar a censura. Jornais, revistas, livros e ateneus surgiram com a pequena palavra em questão como sinônimo de anarquista.

A palavra se espalhou para o resto da Europa. E com a imigração em massa de trabalhadores europeus para o novo mundo, as ideias anarquistas e a palavra libertário chegaram à América do Sul. No início do século XX, os sindicatos anarquistas eram os que tinham o maior número de membros e os que mais lutavam contra o establishment. Eles também eram os mais combatidos pelas forças de repressão do Estado.

Enquanto isso, no mundo anglo-saxão, libertário já estava associado a outra esfera diametralmente oposta: a religião. Vamos dar uma olhada nisso.

A palavra libertário no mundo anglo-saxão

No final do século XIX, na Grã-Bretanha, no contexto do debate filosófico dentro do protestantismo, a palavra libertário tornou-se moda entre aqueles que defendiam o livre-arbítrio dado por Deus a seus filhos, em oposição àqueles que argumentavam que as ações humanas eram determinadas pela vontade divina. Por isso, o dicionário inglês fala de livre-arbítrio e não de liberdade.

Naquela época, o britânico Herbert Spencer havia adotado o darwinismo e, tirando-o do contexto, levou-o para o campo econômico e social, apontando o Estado como o culpado por impedir o potencial individual de comercializar e prosperar. Surgiu também a Escola Austríaca, adepta tanto do livre mercado quanto do individualismo. Entretanto, para aumentar a confusão, a própria palavra liberal estava prestes a assumir um significado específico do outro lado do oceano.

A propriedade da palavra “liberal”

No século XX, nos Estados Unidos, o presidente Roosevelt implementou o New Deal para tirar seu país da Grande Depressão. Agora o Estado estava encarregado das relações trabalhistas e assumiu a liderança da produção, criando empregos e garantindo condições decentes para os trabalhadores que, tendo mais tempo e dinheiro, tornaram-se consumidores que, por sua vez, aumentaram a demanda interna, impulsionando a produção. Uma ideia que também era defendida pelo britânico John Mainard Keynes. Roosevelt começou a usar a palavra liberal para identificar o Partido Democrata, e ela se tornou sinônimo das políticas progressistas que ele implementou para tirar o país da crise.

O surgimento desse novo papel do Estado como guardião da economia e mediador entre as classes conseguiu duas coisas: irritou as elites que estavam perdendo lucros para o proletariado e, ao mesmo tempo, reduziu a combatividade dos movimentos dos trabalhadores, mantendo-os longe da tentação de uma revolução social. Uma tentação muito real: havia pouco mais de uma década desde o triunfo da revolução na Rússia.

Por outro lado, o movimento anarquista estava prestes a sofrer um grande revés em todo o mundo. O que aconteceu?

A queda do anarquismo

A Guerra Civil Espanhola passou, o que deixou uma lição amarga para o movimento anarquista: mesmo com a solidariedade do proletariado internacional, o fascismo e sua poderosa máquina de repressão se mostraram invencíveis. Aqueles que não morreram na frente de batalha acabaram em campos de concentração nazistas ou reprimidos por Mussolini e Franco. A mesma coisa aconteceu na América Latina e na União Soviética de Stalin.

Nos Estados Unidos, quando o padrão de vida dos trabalhadores foi elevado, poucos queriam arriscar suas vidas por uma utopia de poder comprar um carro e uma máquina de lavar em prestações. O mesmo aconteceu na Argentina quando o primeiro governo de Perón implementou as ideias keynesianas, elevando o padrão de vida das massas trabalhadoras.

Na década de 1960, a Revolução Cubana despertou, mais uma vez, a ideia de revolução. Mas agora o anarquismo era minoria, e a ideia do Estado como o único capaz de articular mudanças sistêmicas era o que estava em alta.

Na década de 1970, a economia mundial entrou em crise e a direita liberal daria um novo salto. O neoliberalismo estava chegando.

Adeus ao monstro

Após uma redistribuição sem precedentes da riqueza em favor dos trabalhadores, graças ao estado de bem-estar social, a economia começou a despencar por vários motivos. Na Universidade de Chicago, surgiu uma nova tendência econômica, influenciada por Spencer e pela escola austríaca. Os chicagoenses, contrários a Keynes, pregavam a liberalização total do mercado: o neoliberalismo que Thatcher e Reagan propagariam.

Mas as potências industriais precisavam de matérias-primas baratas. A imposição dessa nova receita aos países latino-americanos tinha um obstáculo difícil de superar: os novos movimentos revolucionários nascidos na esteira da revolução cubana. Os golpes de Estado na América Latina foram orquestrados pelos Estados Unidos. A repressão continental do chamado Plano Condor, responsável pelo genocídio perpetrado por Pinochet, Videla e outros golpistas, pôs fim a qualquer possível resistência ao novo modelo neoliberal.

Pouco tempo depois, a União Soviética finalmente entrou em colapso e, com a queda do Muro de Berlim, o espectro do comunismo desapareceu.

Os habitantes de Chicago aplaudiram com suas orelhas.

Os dias atuais

Sem a ameaça do monstro soviético, por que continuar a perder dinheiro para as maiorias sociais? Não é mais o espectro da revolução que se interpõe entre eles e sua ambição, agora é o Estado de bem-estar social.

A ala direita tem se apegado à liberdade de mercado do liberalismo, desprezando outras liberdades e associando a palavra liberdade apenas à primeira. Eles tendem a se esquecer de que o próprio Adam Smith impôs um limite à mão invisível do mercado: que os recursos planetários estavam em risco.

Com uma classe trabalhadora identificada como classe média e em que a figura do trabalhador é substituída pela do consumidor, a direita não hesita em usar a palavra libertário como um rótulo para a ideia de abolir o Estado como um limite à expansão capitalista. Dessa forma, ela consegue disfarçar seu conservadorismo reacionário como rebelião revolucionária. É a mesma perversão de Donald Trump, que se diz anti-establishment quando é um empresário milionário do establishment.

Uma perversão completa que a extrema direita internacional está importando.

Uma perversão

Guillermo Fernández Vázquez, em seu livro Qué hacer con la extrema derecha en Europa: el caso del Frente Nacional (Madri, Lengua de Trapo, 2019), chama essa pilhagem de palavras pela extrema direita de “aquisição semântica”, graças à qual Marine Le Pen conseguiu se distanciar da liderança de seu pai e expandir a base e os votos de seu partido usando termos como “mulher”, “trabalhadores” ou “povo”, típicos do progressismo.

Não é coincidência que Javier Milei negue os desaparecidos da ditadura argentina e reivindique a figura de Carlos Menem: o primeiro foi encarregado de varrer a resistência à implementação do neoliberalismo na América do Sul e o segundo foi encarregado de implementar a agenda neoliberal de privatização dos serviços públicos e entrega dos recursos do país às multinacionais.

Talvez seja bom não entrar no arcabouço semântico dessa ultradireita reacionária disfarçada de nova e alternativa e continuar reivindicando a palavra libertário como parte da tradição dos trabalhadores, em memória daqueles que literalmente deram suas vidas para que hoje tenhamos os direitos que essa mesma ultradireita quer nos tirar, demolindo o único dique que temos para conter sua depredação: o Estado de Bem-Estar Social.

E ainda mais em tempos em que a sobrevivência de nossa espécie no planeta exige uma mudança drástica no paradigma de produção e consumo e uma redistribuição de recursos que acabe com a desigualdade. Ou, em outras palavras, acabar com o neoliberalismo e seu afã predatório defendido por aqueles que hoje se disfarçam como uma nova alternativa sob a palavra libertário.

Fonte: https://www.eldiario.es/cultura/libertario-saqueo-semantico-ultraderecha-dejando-palabras_1_10579283.html

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Quase escondida
entre a casca e o tronco
teia de aranha.

Rodrigo de Almeida Siqueira

[EUA] Grafite em memória de Tortuguita

Em meados de janeiro de 2024, alguns anarquistas pintaram um mural em memória de Tortuguita. Roubamos a tinta de uma grande loja e grafitamos o mural na lateral de um vagão de trem.

Tortuguita valorizava mais a vida da Floresta Weelaunee do que a morte de uma instalação de treinamento de concreto para a polícia. Além disso, Tortuguita tinha o compromisso de agir de acordo com esse valor contra os ditames e decretos do Estado e do Capital. Por isso, Tortuguita foi executade por agentes armados dos chamados Estados Unidos da América. Não nos esqueceremos.

Dedicamos nossa ação a Tortuguita e a todas as pessoas que valorizam mais a floresta do que a polícia, que se arriscam e agem contra o Estado, às pessoas próximas que perdemos, às que ainda estão aqui e às que ainda vamos encontrar.

Reivindicamos essa ação de forma anônima. Ocultamos os dados que identificam o vagão de trem específico que foi pichado e destruímos os metadados da foto que tiramos. Transferimos nosso relatório para a rede usando uma combinação de tails/tor. É sempre um bom dia para atacar o Estado. É sempre o momento de lembrar de nossos amigos.

Viva Tortuguita!

Tradução > Contrafatual

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/01/31/eua-filadelfia-vigilia-e-caminhada-por-tortuguita/

agência de notícias anarquistas-ana

Minha mão vazia
Esperando a sua
Encontro que cria.

Gabriela Marcondes

[Hungria] Libertem todos os antifascistas: convocação de solidariedade de 29 de janeiro a 13 de fevereiro de 2024

O julgamento de Ilarla, Tobias e um terceiro camarada, presos em Budapeste em 11 de fevereiro de 2023 e acusados de atacar nazistas, terá início em 29 de janeiro. Ilarla e Tobias estão presos em Budapeste há 11 meses e enfrentam sentenças pesadas.

Em 13 de fevereiro, será realizada uma audiência para decidir sobre a extradição de Gabriele, que foi preso por causa de um mandado de prisão europeu em novembro de 2023, em Milão, e acusado dos mesmos ataques a nazistas.

Na Alemanha, Maja, que tinha um mandado de prisão europeu pendente por essas acusações, foi presa. Eles estão atualmente na prisão em Dresden em confinamento solitário.

Vários companheiros também são procurados pela polícia e ainda não foram presos.

Não deixaremos sozinhos os companheiros que estão sendo julgados, detidos e procurados.

É POR ISSO QUE ESTAMOS LANÇANDO DUAS SEMANAS DE MOBILIZAÇÃO DE SOLIDARIEDADE

PEDIMOS A TODOS QUE EXPRESSEM SUA SOLIDARIEDADE DE QUALQUER FORMA

Libertem todos os ANTIFAS

Comitê de Solidariedade Antifa de Budapeste

www.basc.news

Tradução > Contrafatual

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agência de notícias anarquista-ana

arco-íris no céu.
está sorrindo o menino
que há pouco chorou

Helena Kolody

Lula “combate” às mudanças climáticas…