[França] 14-15 de outubro de 2023 – Festival do Livro Libertário e da Edição Militante – FLLEM, em Bordeaux

Para comemorar o sexagésimo aniversário do Athénée Libertaire (Ateneu Libertário) e o vigésimo aniversário da Librairie du Muguet (Livraria do Muguet), o FLLEM – ou Festival do Livro Libertário e da Edição Militante – realizará sua primeira edição no Ateneu no fim de semana de 14 e 15 de outubro de 2023.

Uma dúzia de editoras e coletivos independentes serão convidados a apresentar seus livros, revistas e brochuras. O fim de semana inteiro será pontuado por reuniões e debates sobre temas que nos são caros. Nesta primeira edição, falaremos sobre parto, deserção, embriaguez, gentrificação e exploração no setor sem fins lucrativos.

>> O programa completo pode ser encontrado nesta página:

https://www.atheneelibertaire.net/la-fllem/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/09/03/franca-a-livraria-do-lirio-do-vale/

agência de notícias anarquistas-ana

Madrugada fria—
Um menino encolhido
sob uns jornais velhos.

Antônio Seixas

[Espanha] São adicionadas ao arquivo 129 fotografias de Julián Martín Cuesta, fotógrafo do movimento libertário durante a Transição

Hoje é um dia muito especial, pois podemos encerrar a primeira fase da entrada de 129 positivos digitais do fotógrafo Julián Martín Cuesta, que usou muitas de suas fotos para publicações libertárias como Tinta Negra, Bicicleta, Solidaridad Obrera ou CNT desde o final da década de 1970.

Gostaríamos de agradecer a Julián pela confiança que depositou na Fundação, não apenas para depositar em nossa fototeca essa importante coleção de positivos digitais ligados à história mais recente do movimento libertário, mas também para facilitar seu acesso e uso.

Essa importante contribuição para o acervo documental da FAL também coincide com o início da fase final do inventário das coleções fotográficas do Fundo Fotográfico Moderno da Fundação, trabalho que foi possível graças ao crowdfunding lançado pela FAL no final de 2021.

Gostaríamos de aproveitar esta oportunidade para agradecer a todos os nossos amigos da Fundação por seu apoio e confiança, que nos apoiaram doando diversos materiais e documentação interessante de forma recorrente. É também graças a eles e elas que nossas coleções de documentos estão crescendo.

fal.cnt.es

agência de notícias anarquistas-ana

Insetos que cantam…
Parece que as sombras se amam
nos cantos escuros.

Teruko Oda

[Alemanha] Cartaz | Cozinha para todos

A nutrição consciente vai além do seu próprio bem-estar físico. Queremos pensar sobre como os alimentos são produzidos, como organizamos a cozinha e como a partilhamos com os outros.

No mundo capitalista, estas questões são respondidas com a lógica de lucro, destruição do ambiente e exploração do trabalho feminino.

Temos que lutar contra isso e encontrar formas novas e livres de viver juntos!

É por isso que cozinhamos juntos, sem uma divisão de trabalho baseada no gênero. Procuramos utilizar alimentos sazonais, regionais e resgatados e oferecer as refeições gratuitamente.

A sociedade livre começa na cozinha!

agência de notícias anarquistas-ana

manhã de domingo —
nada tira da quietude
a voz do sabiá

José Marins

O anarquista exilado na Argentina que salvou 300 espanhóis dos nazistas

Ele convenceu a SS de que poderia organizar um grupo de trabalho com melhor desempenho, comendo melhor e trabalhando fora do campo de extermínio. Seu comando de prisioneiros quase não teve mortes em comparação com os outros. Ele é um herói desconhecido que reconstruiu sua vida como publicitário, roteirista, amante da música, livre-pensador e sempre antifascista. A surpreendente vida de César Orquin Serra.

Por Martín Appiolaza | 26/08/2023

Na Mendoza dos anos 60, César Orquín Serra era uma figura pública. Uma pessoa ligada à mídia, apaixonado por comunicação e cultura. Outro exilado espanhol do regime de Franco, ele sempre esteve em tensão com o autoritarismo. Ele podia ser encontrado na primeira fila em todos os concertos da Filarmônica, mas poucos conheciam sua história excepcional.

O prisioneiro César Orquín Serra conseguiu convencer os nazistas do campo de extermínio de Mauthausen de que era capaz de liderar um batalhão de trabalho externo mais eficiente em troca de melhor tratamento e alimentação. Enquanto milhares de pessoas morreram, quase todos os prisioneiros de seu grupo sobreviveram.

Sua história foi reconstruída e publicada por Guillem Llin Llopis e Carles Xavier Senso Vila em “César Orquín Serra: O anarquista que salvou 300 espanhóis em Mauthausen”. Trata-se de uma investigação exaustiva que fornece material documental e testemunhal inédito. Isso nos permite concluir que ele é o responsável direto por salvar a vida de mais de 300 republicanos espanhóis no campo de extermínio de Mauthausen, onde morreram de fome, doenças, assassinatos ou acidentes.

Hoje ele é reconhecido como um dos deportados mais importantes da Europa. Os testemunhos e a documentação coletados na Argentina, Alemanha, Áustria, França, Rússia e Espanha também nos permitem encerrar as controvérsias sobre seu papel de intermediário com os genocidas. Elas surgiram devido ao confronto entre anarquistas e comunistas após a queda do nazismo, mas foram rapidamente descartadas pelos testemunhos dos sobreviventes.

“Dois em cada três republicanos espanhóis pereceram no campo de concentração de Mauthausen. Mas no Kommando César, sob o comando de Orquín Serra, houve apenas de 12 a 14 mortos”, explicou o historiador Llopis, estimando que ele salvou mais de 300 pessoas com sua estratégia para obter melhores condições de vida.

O anarquista burguês

Orquín defendeu a República do levante militar apoiado por Hitler e Mussolini. A partir de 1937, ele fez parte da brigada Abraham Lincoln, composta principalmente por voluntários de língua inglesa. Ele era o único comissário político anarquista, o que provocou os primeiros confrontos com os comunistas que lideravam a brigada.

Após a derrota da República, ele fez parte do êxodo de meio milhão de exilados para a França em 1939. Cinco meses após o fim da Guerra Civil Espanhola, a Segunda Guerra Mundial começou como resultado do pacto entre Hitler e Stalin e da invasão da Polônia.

Serra passou algum tempo em quatro campos de deportados espanhóis, dormindo ao ar livre, o que lhe causou problemas pulmonares que acabaram por matá-lo aos 74 anos de idade. Ele se juntou aos grupos de trabalhadores estrangeiros para defender a França contra a invasão nazista. Foi capturado em junho de 1940 pelos alemães. Naquele ano, foi deportado junto com outros espanhóis para o campo de extermínio conhecido como Mauthausen.

Ele nunca parou de ler e estudar. Alguns o viam como diferente, arrogante. Quem estudaria no inferno? Ele tinha a cultura e os modos de um burguês. Seus companheiros eram todos camponeses e trabalhadores. Ele era membro de uma das mais importantes famílias aristocráticas valencianas do século passado. Seu pai não lhe deu o sobrenome, mas cuidou de seu bem-estar e de sua educação. César foi para a universidade, algo muito raro na Espanha de 90 anos atrás. Ele se movia em círculos elevados; seus meios-irmãos eram artistas muito famosos.

Devido à sua concepção progressista do mundo, que manteve pelo resto de sua vida, ele se juntou aos anarquistas na defesa da República.

Contra o autoritarismo

Seu status de libertário não foi bem aceito pelos comunistas, que travaram uma guerra separada contra os anarquistas dentro da República. Ele nunca concordou com o autoritarismo: nem com os fascistas, nem com os comunistas (na República, no campo de batalha ou no extermínio), nem com o peronismo quando se exilou na Argentina.

“Ele questionava tudo, tudo tinha que ser questionado e, quando havia um acordo, ele pedia para ser discutido a fim de encontrar uma solução melhor. Ele sempre buscava tirar o melhor proveito de cada ideia, de cada pessoa, de cada situação. Estava sempre estudando. Era extremamente inteligente, fluente em sete idiomas”, disse sua filha Mausi Orquín ao La Vanguardia.

Uma vez no campo de extermínio de Mauthausen, na Áustria, ele aproveitou seu treinamento cultural e de língua alemã. Tornou-se tradutor e convenceu os nazistas de que, com melhores condições de vida, os prisioneiros espanhóis poderiam produzir mais. Eles o tornaram um kapo, que era responsável por manter a disciplina nos campos de concentração e dirigir o trabalho forçado. Ele foi a ponte que possibilitou a salvação de vidas por meio da mediação com aqueles que ele havia combatido e que agora o estava torturando.

Vamos colocar as coisas no contexto. Dos 9.000 deportados republicanos que passaram pelos campos de concentração nazistas, 5.258 morreram, 90% no campo de concentração de Mauthausen, trabalhando sem parar e mal alimentados, especialmente no subcampo de Gusen. A maioria deles era jovem.

Nessas circunstâncias horríveis, César conseguiu convencer os oficiais da SS com estatísticas e gráficos de que, se tratassem melhor a ele e a seus companheiros, eles seriam mais eficientes. De acordo com seus biógrafos, ele demonstrou sua grande habilidade e inteligência nesse campo.

Um campo de extermínio não é um campo de flores

De tempos em tempos, eles eram transferidos para outros subcampos de extermínio ligados a Mauthausen, com diferentes níveis de sofrimento. No pior (Ternberg), o comando de César consistia em cerca de 360 a 400 prisioneiros. Nesse ponto, as disputas com os comunistas voltaram: eles haviam organizado uma resistência clandestina no internamento que contrariava a estratégia de Orkin de conseguir comida e melhor tratamento. Ele não cedeu. Por fim, acabou renunciando ao cargo de kapo.

Esses conflitos com os comunistas continuaram depois que a guerra terminou e os exércitos aliados os libertaram. Ele foi acusado de explorar e matar outros prisioneiros. Mas seus companheiros testemunharam em sua defesa. Orquín Serra e muitos dos prisioneiros de guerra sobreviventes responderam com fatos, testemunhando as acusações. Eles declararam que ele salvou suas vidas, que interveio para moderar a violência dos alemães. Que, sob seu comando, pouquíssimos prisioneiros haviam morrido.

Ele nunca foi acusado formalmente. Por outro lado, outros kapos foram condenados ou diretamente executados.

“O aparato comunista, apesar de seu grande valor, tentou afundá-lo, humilhá-lo. Para mim, foi por razões de concepção política e metodológica. Política porque sua ideologia estava acima de qualquer filiação ideológica ou partidária. Metodológica, porque ele sempre agiu da mesma forma: tinha de beneficiar os mais fracos para evitar que morressem. Não por causa de afinidades políticas, como frequentemente, ou quase sempre, acontecia com os comunistas”, explicou Guillem Llin Llopis ao La Vanguardia.

Exílio no exílio

Ele se casou com sua noiva na Áustria. Teve sua filha Mausi em 1947. Fundou a Organização dos Republicanos Espanhóis na Áustria. Trabalhou como professor de idiomas e também na embaixada argentina. Mas o assédio e a ameaça dos comunistas continuaram. Ele se exilou em nosso país.

Eles viajaram com passaportes diplomáticos com a família do cônsul argentino em Viena. Ele era José Ramón Virasoro, de Corrientes: um capitão aposentado e ajudante de campo de Perón que, sem experiência política, criou o Partido Peronista em sua província, tentou se candidatar a governador e foi recompensado com um consulado na Europa. Mais tarde, ele seria investigado por vender passaportes e fazer contrabando.

César, sua esposa e filha se estabeleceram primeiro em Buenos Aires, onde viveram com republicanos espanhóis exilados. Depois, em Mendoza, porque era mais seguro contra as ameaças dos comunistas espanhóis (especialmente de um secretário valenciano de origem cigana, de sobrenome Martínez). Eram tempos de Guerra Fria e o comunismo internacional havia se tornado um polo de poder político.

No horror do campo de extermínio, a comunicação e os livros lhe permitiram sobreviver. Foi sobre esses pilares que ele reconstruiu sua vida no exílio na Argentina. Ele era responsável pela imprensa na Biblioteca Pública General San Martín, em Mendoza.

Ele era visível e conhecido. Trabalhou em estações de rádio (Libertador, Nacional e Nihuil), como radialista, roteirista e dramaturgo sob o pseudônimo de Aldagón. Foi publicitário e, mais tarde, diretor artístico da Associação Filarmônica de Mendoza. Foi professor e fundou a Escuela de Propaganda y Publicidad.

Mas não renunciou à sua condição de espanhol e antifascista. Em 1955, participou da fundação da Agrupación Republicana Española de Mendoza, que assumiu o peronismo como uma ditadura e enfrentou os comunistas pró-soviéticos.

As voltas e reviravoltas da vida

Ele continuou na atividade social como um dos fundadores, em 1956, do Centro de Pesquisa e Prevenção da Paralisia Infantil (CIPPI), responsável pela vacinação diante do surto de poliomielite e da inação do governo.

Ele também foi membro da Câmara Júnior Internacional. Quando adulto, ingressou na Maçonaria: sua voz foi decisiva para impedir que Perón fosse admitido como maçom por causa de suas convicções autoritárias.

Durante esses anos, surgiram versões, coletadas por Llin e Senso, sem provas documentais, de que ele poderia ter colaborado com os caçadores de nazistas, especialmente com Simon Wiesenthal.

A pintora Mecha Anzorena trabalhou na agência de publicidade de César Aldagón (o pseudônimo tornou-se seu sobrenome com o passar dos anos): ela lembra que nos últimos tempos estabeleceu uma relação muito próxima com os irmãos Roitman.

“Para mim, ele foi um professor. Ele foi um comissário político na Guerra Civil Espanhola quando eu era um garoto de 13 anos e morava em Mendoza. Ele era um amigo. Ele tinha um ouvido absoluto e um conhecimento imenso de obras musicais. Todos os dias tomávamos café e ele me dava aulas de arte e política”, disse Moisés Roitman, de 97 anos, ao La Vanguardia.

A amizade com Moisés e seu irmão Abraham foi estreita na última década da vida de Orquín Serra. Paradoxalmente, os Roitman eram figuras importantes no comunismo de Mendoza: “Eu era secretário de Relações Internacionais do SARCU (Instituto de Relações Culturais Argentina – URSS) e, em 1956, visitei a União Soviética. Voltei muito crítico em relação ao comunismo e ao peronismo. Eu era amigo íntimo de Benito Marianetti, que conseguiu se refugiar em minha casa. Mas nunca fui membro. Meu irmão sim: ele é um dos fundadores da Credicoop”, lembrou Moisés.

Muitos anos depois, eles eram clientes e próximos de Orquín Serra, que tinha vindo para Mendoza em parte por causa da ameaça dos comunistas espanhóis. Moisés ficou surpreso: “Eu nunca soube disso, nem ele me contou. Mas quando fui visitar Mauthausen, fomos recebidos por um ex-prisioneiro espanhol que nos contou coisas maravilhosas sobre como César havia salvado centenas de pessoas.

César morreu em 14 de fevereiro de 1988. Até aquele dia, ele morava no bairro de Laprida, em Godoy Cruz. Ele nunca quis voltar para a Espanha. A Generalitat de Valência o homenageou em outubro de 2021 por ter salvado 300 vidas.

Fonte: https://www.perfil.com/noticias/textum/el-anarquista-exiliado-en-la-argentina-que-salvo-300-espanoles-de-los-nazis.phtml

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Por falta de pilha
o relógio parou
na eternidade.

Júlio Parreira

[Reino Unido] Feira do Livro Anarquista de Londres, uma das maiores feiras anárquicas do mundo, acontece neste sábado

A Feira do Livro Anarquista de Londres será realizada em 7 de outubro de 2023, das 11h às 17h, em seis locais diferentes. Serão mais de 70 stands presentes na feira desse ano. É quase um Natal anarquista!

Temos seis locais participantes, todos na mesma região do leste de Londres.

Você pode encontrar os stands (barracas) na Richmix, com várias vertentes de livros radicais e de diferentes coletivos (…).

Em frente à Richmix fica a Common Press, a primeira livraria conscientemente interseccional de Londres, que oferecerá workshops, incluindo um organizado por um coral libertário de Glasgow (Escócia) e outro sobre a criação de redes de apoio a pessoas trans.

Em seguida, em Brick Lane, a Freedom Bookshop e a Angel Alley sediarão a feira do zine, uma oportunidade de descobrir o fantástico e maravilhoso mundo dos quadrinhos e brochuras autopublicados.

Ao lado, na galeria Whitechapel, haverá uma série de workshops e discussões, incluindo Earth First, Alarm Phone e palestras com Selma James e a Cruz Negra Anarquista da Bielorrússia.

A apenas cinco minutos dali, o London Activist Resource Centre (LARC) e o Toynbee Community Centre também realizarão workshops sobre academias autônomas, solidariedade com a Palestina e justiça alimentar.

Por fim, haverá dois “depois”:

Às 20h, no Richmix, com punk, wierdo-pop, grunge e techno. Como atração principal, a famosa banda de rave-punk Killdren.

Depois, para aqueles que quiserem continuar a noite, com um pouco de sorte, a festa continuará em um squat…

Os endereços dos vários locais participantes podem ser encontrados aqui:

https://anarchistbookfair.london/locations/

O programa de atividades está aqui:

https://anarchistbookfair.london/workshops/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/09/28/reino-unido-festival-antiuniversidade-2023/

agência de notícias anarquistas-ana

Cachorro vadio
À sombra da quaresmeira
Dorme sobre flores

Tony Marques

[Espanha] Vocês se lembram do serviço militar?

O que os economistas querem dizer quando falam de liberdade é a liberdade de fazer negócios, de ganhar dinheiro. O que os políticos querem dizer quando falam de liberdade é a liberdade de votar em um partido ou em outro. Essas liberdades são as condições e os pré-requisitos da verdadeira escravidão. O que é liberdade: liberdade é o pleno desenvolvimento da autonomia e da criatividade humanas, sem interferência ou tutela fora de sua vontade. E se há aqueles que realmente aceitam hierarquias, interferências e tutelas, é um direito deles, o que eles não têm o direito de fazer é impô-las àqueles que as rejeitam. Mas se essa premissa fosse cumprida, a sociedade seria de fato livre. Uma vez que o que caracteriza a hierarquia é sua natureza expansiva e onipresente, abrangendo tudo o que é humano, toda a natureza… Portanto, ela não deixa nenhuma decisão para os indivíduos, não há nada nem ninguém que possa escapar dela. A hierarquia não pode aceitar bolsões de liberdade sem renunciar a si mesma, sem testemunhar sua decomposição. Ela é totalitária, por mais democrática que se apresente. Não existe algo fora dela.

De acordo com um clichê amplamente difundido e favorável aos interesses da autoridade, a liberdade de um indivíduo termina quando começa a de outro. Isso, na realidade, transforma o indivíduo em um policial voluntário de seus semelhantes. A liberdade é, portanto, entendida em um sentido fechado e unívoco – uma contradição conceitual. Ela é concebida como se todos tivessem sua própria parcela solipsista de liberdade, como propriedade privada.

Por outro lado, Bakunin afirmava que quanto mais livres fossem as pessoas ao seu redor, mais livre ele seria, e vice-versa. A liberdade é uma relação social recíproca, que se expande ou se contrai dependendo de quem está conosco. Quanto mais livre for a sociedade, o todo, mais livre será o indivíduo, a parte.

Lembro-me da última grande ofensiva antiautoritária com raízes sociais, em grande parte liderada pelo mundo libertário: a insubordinação ao serviço militar obrigatório. O PSOE [partido socialista espanhol] tentou dividir o movimento criando o Benefício Social Substituto para objetores de consciência. Teve algum sucesso com essa isenção do exército especialmente projetada para pessoas que não queriam ir para o exército nem pegar uma sentença de prisão por isso. Os líderes socialistas apresentaram um argumento para combater a insubordinação. Segundo eles, os jovens que se recusassem a prestar o serviço militar seriam antipáticos aos que prestassem o serviço militar. A resposta é clara: nada imposto ou obrigatório pode ser solidariedade, porque a solidariedade surge na, para e da liberdade. Infelizmente, já estamos acostumados com a degradação e a prostituição das palavras pela autoridade política, e solidariedade foi um dos primeiros termos a ser desvalorizado; até mesmo o sindicato do [partido de extrema direita] VOX se chama Solidariedade, subtraindo seu nome do sindicato anarco Solidaridad Obrera, que tentou impedir esse abuso entrando com uma queixa em um tribunal de Madri, uma queixa que foi, oh surpresa, rejeitada. O que as palavras liberdade ou solidariedade significam na boca dos autoritários? Exatamente o contrário: imposição, autoritarismo, hierarquia, obrigação, intolerância – tolerância, outro conceito que a política e a mídia degeneraram. Devemos lutar para restaurar o verdadeiro significado de alguns termos.

O que aconteceu com o serviço militar, tão perversamente defendido por um governo de esquerda? Foi Aznar quem o descriminalizou. Mas não elogie a direita: além de neutralizar um movimento subversivo que questionava não apenas o serviço militar obrigatório, mas também a própria existência do exército, foram as exigências da OTAN de modernização e reestruturação do exército, por meio de sua profissionalização, que forçaram a direita a abolir o serviço militar obrigatório, como os grupos antiguerra já haviam analisado e denunciado em sua época. O triunfo da insubordinação foi, portanto, agridoce. Após a derrota do movimento anti-OTAN e sua derrota em um referendo no qual o PSOE perdeu toda a credibilidade que lhe restava como ponto de referência para a esquerda, após o movimento insubmisso e com operações cosméticas como a criação da Unidade de Emergência Militar, o exército espanhol, antes insultado e sempre associado ao que havia de mais reacionário no país, é hoje uma das instituições mais valorizadas pelo povo. Devemos gritar mais uma vez em alto e bom som que a única razão para a existência de exércitos é matar pessoas. A última grande façanha de guerra do exército espanhol é um exemplo disso: durante a Guerra Civil, ele massacrou o próprio povo que havia jurado defender.

Aciago Bill

Fonte: https://acracia.org/os-acordais-de-la-mili/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Sax tenor.
O ouvido gosta,
o coração sente dor.

Rogério Viana

[Itália] Lançamento | “A resistência em 100 canções”, de Alessio Lega

As cem canções fundamentais da Resistência – Bella ciao, Fischia il vento, Dalle belle città – para entender o evento essencial de nossa história. Um divisor de águas ético, político e cultural, a resistência continua sendo um ponto de referência para todo movimento italiano progressista, democrático e revolucionário. As canções nascidas nos vinte meses de guerra guerrilheira são um testemunho direto das ações, dos homens e dos dias que deram vida a outra Itália. Essas canções são um tratado de história oral, páginas arrancadas do diário da luta.

Canções irônicas e combativas que misturam o riso e a celebração com a memória dos companheiros mortos. A elas se somam as canções que, pouco a pouco, desde 25 de abril de 1945, colocam na memória os destinos pessoais e o heroísmo coletivo.

Canção por canção, Alessio Lega reconstrói a conexão com os fatos históricos e narra os personagens cotidianos e incríveis que derrotaram o fascismo e a guerra e nos deram liberdade e paz.

Contém também uma seleção de fotos e partituras originais.

La resistenza in 100 canti

Alessio Lega

294 pp.

ISBN: 9788857586816

€ 17,10

www.mimesisedizioni.it

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2014/08/26/italia-alessio-lega-explosao-anarquica-em-poesias-cantadas/

agência de notícias anarquistas-ana

Árvore sem folhas.
Sombras de nanquim
no cimento branco.

Danita Cotrim

[Espanha] Basta de Camarney e todos os miseráveis negócios da experimentação animal

Este macaco que só queria viver, “provavelmente”, está sendo (ou já foi) torturado e assassinado em algum “experimento”. Este macaco, “provavelmente”, foi capturado nas selvas de Mauricio e separado de sua mãe antes de ser enviado a milhares de quilômetros e enjaulado no maior centro de distribuição e experimentação de primatas da Europa; Camarney SL, em Tarragona.

O inimaginável sofrimento deste macaco, certamente só serviu para o lucro das mesmas empresas que se beneficiam deste contínuo massacre e para confirmar, uma vez mais, a inutilidade da experimentação animal.

No próximo domingo desde as 13h30, estaremos em frente à Camarney pedindo seu fechamento. Se não podes ir, por favor, escreva à @gencat  e ao @ajcamarles para que deixem de ser cúmplices deste atroz negócio.

>> Mais infos: https://abolicion-viviseccion.org/camarney/

#NoEsCiencia #AboliciónVivisección #StopCamarney

agência de notícias anarquistas-ana

Ao pôr do sol,
embebem-se nas árvores
bandos de pardais.

David Rodrigues

 

 

[País Vasco] Homenagem a Aquilino Ancin Indart em Tafalla

No próximo sábado, 7 de outubro, a CNT Iruña, juntamente com a associação Altaffaylla, prestará homenagem a Aquilino Ancin Indart em Tafalla.

Aquilino Ancin Indart, Tafalla, 1886-1936, foi um trabalhador agrícola pobre e culto, anarquista e vegetariano. Em 1916, foi investigado por dar aulas gratuitas de leitura e redação para jovens analfabetos. Em 1931, ele foi a força motriz do Sindicato Único de Obreros y Campesinos de Tafalla, afiliado à CNT. Ele foi preso por sua militância anarcossindicalista e sua casa foi revistada em várias ocasiões. Em 21 de outubro, ele foi baleado na Tejería de Monreal com 64 outros companheiros.

Quando prestamos homenagem a militantes como Aquilino, mantemos viva a memória de toda uma geração de revolucionários libertários que acenderam uma chama que ainda continua a nos iluminar nesses tempos cada vez mais sombrios. Eles queriam nos enterrar, mas não sabiam que éramos semente.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/homenaje-en-tafalla-a-aquilino-ancin-indart/

agência de notícias anarquistas-ana

No entardecer
O azul celeste
Manchado é pelo arranha-céu

Dalva Sanae Baba

Instituto Vladimir Herzog lança Acervo da Imprensa de Resistência

O Instituto Vladimir Herzog lançou um acervo digital de raros jornais alternativos e clandestinos publicados durante a ditadura militar (1964 – 1985). Tratam-se de 10 mil páginas de periódicos de todas as regiões do Brasil. Um dos jornais publicados é o “Inimigo do Rei”, editado em Salvador entre as décadas de 1970 e 1980. Leia mais em https://acervo.memoriasdaditadura.org.br

O Inimigo do Rei – 15 (Educação, anarquismo, homossexualidade e Revolução Russa são os destaques da edição.)

Periódico mensal editado em Salvador, circulou no final dos anos 1970 e início dos anos 1980. Com críticas à ditadura no Brasil, mas também ao totalitarismo de esquerda, se coloca como um veículo anarquista, de defesa da liberdade sexual e da ação direta. Nas edições presentes na coleção, traz denúncias de eletrochoques contra homossexuais, abre espaço aos movimentos negro e de mulheres, mostra iniciativa de teatro com meninos de rua, discute a marginalização da maconha e de seus usuários, cobre a manifestação em defesa do aborto e mostra a violência policial contra gays, prostitutas e travestis no centro de São Paulo.

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/10/18/o-inimigo-do-rei/

agência de notícias anarquistas-ana

Dentro da mata –
Até a queda da folha
Parece viva.

Paulo Franchetti

[Itália] Solidariedade ao círculo anarquista Berneri

A assembleia do “Vag61 – Spazio libero autogestito” expressa sua proximidade e solidariedade aos companheiros e companheiras do círculo anarquista Camillo Berneri pela intimidação sofrida no fim de semana, quando desconhecidos atearam fogo, sob a varanda externa, a um móvel e aos jornais afixados no mural de avisos. Embora com consequências limitadas, um ato inaceitável de intimidação. Totalmente desnecessário, porém: temos a certeza e a convicção de que o círculo continuará suas atividades e estará na luta com a determinação e a generosidade de sempre.

Vag61 – Spazio libero autogestito

vag61.noblogs.org

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/10/05/italia-respondendo-ao-ato-de-intimidacao-do-ultimo-fim-de-semana/

agência de notícias anarquistas-ana

Os trigais maduros…
Escassas lanças doiradas
na guerra da fome.

Evandro Moreira

[Espanha] Ação Social | Rumo à “tomada do montão”. Crônica do Mercado sem Dinheiro em Albacete.

O Parque da União em Albacete fez jus ao seu nome no último fim de semana, “o mercado sem dinheiro, uma prática de economia anarquista”, mais do que cumpriu suas expectativas. Organizado pela CNT-AIT e finalmente participado por um bom grupo de vizinhos de Albacete e do próprio bairro de San Pedro-Mortero, onde as mulheres foram as que tomaram a iniciativa, demonstrando mais uma vez que a concepção de justiça e solidariedade na economia da vida está mais claramente em sua consciência.

A ideia original desse mercado sem dinheiro era buscar formas de troca de bens e mercadorias sem introduzir o reagente monetário nas transações, os produtos foram fornecidos pelos participantes a partir das diferentes formas de excedente que o capitalismo consegue nos impor diariamente, e assim foi reunido um bom número de roupas, calçados, brinquedos, livros, joias, até mesmo móveis e bicicletas, a premissa era praticar a troca por escambo, não equivalente ao escambo individual, embora também houvesse a opção da prática de “tirar a sorte” com uma barraca específica para esse fim.

De forma natural, a “tomada do montão” foi finalmente a prática generalizada, ou seja, o que se impôs em todo o mercado foi que os bens e as mercadorias fossem cedidos ao “monte” do indivíduo para o coletivo, para que quem precisasse ou gostasse deles pudesse tomá-los, “DE CADA UM DE ACORDO COM SUAS CAPACIDADES, A CADA UM DE ACORDO COM SUAS NECESSIDADES” foi a prática econômica fundamental.

Assim, nesse ensaio econômico, rompeu-se com a necessidade imposta e antinatural da individualização da economia, da competição como força motriz, a fonte das desigualdades e da falta de liberdade.

Com a dinâmica do compartilhamento como bandeira, o mercado cresceu e as interações começaram a surgir. As crianças primeiro olhavam os brinquedos de longe, surpresas, e depois se aproximavam e faziam perguntas junto com os pais, quando eu dizia que podiam simplesmente levar o que quisessem, todas ficavam surpresas, e assim o faziam, quando eu explicava a dinâmica para elas, muitas voltavam depois com mais e variadas coisas, outras pessoas, conhecendo o evento e como ele funcionava pela propaganda exibida, se aproximavam preparadas. O “monte” crescia e diminuía ao mesmo tempo, as pessoas renovavam o guarda-roupa ou a biblioteca, as roupas de criança que logo ficavam pequenas demais eram usadas por outras ainda pequenas, as peças se encaixavam em todas as necessidades ou gostos sem nenhum outro benefício além de ajudar e ser ajudado. De uma certa incredulidade com essa pequena “abolição” do dinheiro no início, passamos à aceitação total e a pedidos para que esse mercado fosse feito mais vezes, porque quando a economia é simples e horizontal e busca apenas cobrir as necessidades de todos, sua prática é entendida e assumida como algo lógico e necessário.

A segregação por classes dentro da própria classe trabalhadora que o capitalismo impõe também estava presente, migrantes sazonais que sobrevivem no bairro passavam periodicamente, apesar de nos abordarem para informá-los do que estávamos fazendo, muitos desconfiavam e não se aproximavam, parece que não entendiam que em um mundo onde tudo funciona com dinheiro, você poderia simplesmente levar as coisas, e eles não eram os únicos… – tanta cultura para quebrar – mesmo assim, alguns grupos passavam. Mochilas, sapatos e agasalhos eram essenciais, dando-nos uma diretriz para os próximos Mercados Sem Dinheiro. Eles vieram do Mali, moravam em Albacete, mas tinham que ir todos os dias a Múrcia ou Almeria para colher os legumes que o Mercadona ou o Carrefour vendem cada vez mais caro sem que eles vejam sua renda aumentar, isso é capitalismo, isso é o que o dinheiro faz…

Com a sensação de ter começado a quebrar a cultura monetária em nosso meio e de ter ajudado a apoiar aqueles que precisavam de algo mais do que objetos, terminamos esta iniciativa com as perspectivas de repetição. O preceito que a militância da CNT-AIT de Albacete leva consigo é a prática dos valores anarquistas da solidariedade, apoio mútuo, humanismo e cooperação horizontal, valores que jamais poderão ser encontrados na economia capitalista, pois ela se baseia no oposto, na competitividade, no egoísmo, no roubo, no autoritarismo e na hierarquia, portanto, para nosso próprio presente e futuro, devemos acabar com o capitalismo.

Queremos encerrar esta crônica recomendando a todos xs nossxs camaradas da CNT-AIT que iniciem iniciativas desse tipo em seus sindicatos, que busquem seus caminhos para “assumir o controle do monte” no presente.

DE CADA UM DE ACORDO COM SUAS CAPACIDADES, A CADA UM DE ACORDO COM SUAS NECESSIDADES.

Fonte: https://cntaitalbacete.es/2023/09/accion-social-hacia-la-toma-del-monton-cronica-del-mercado-sin-dinero-en-albacete/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

notícias do sol –
os pássaros da manhã
cantam na varanda

Zemaria Pinto

[Canadá] 17º Festival Internacional de Teatro Anarquista de Montreal

Maio de 2024, busca peças

Prazo de inscrição: 14 de novembro de 2023

O Montreal International Anarchist Theatre Festival (MIATF), o único festival do mundo dedicado ao teatro anarquista, está procurando peças, monólogos, dança-teatro, shows de marionetes, mímica, etc., em inglês, francês e outros idiomas, sobre o tema anarquismo ou qualquer assunto relacionado ao anarquismo, ou seja, contra todas as formas de opressão, incluindo o Estado, o capitalismo, a guerra, o patriarcado, etc.

Também consideraremos trabalhos que explorem a justiça ecológica, social e econômica, o racismo, o feminismo, a pobreza, a opressão de classe e de gênero a partir de uma perspectiva anarquista. Serão bem-vindos trabalhos de escritores anarquistas e não anarquistas.

Formulário de inscrição e mais detalhes:

www.anarchistetheatrefestival.com

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/05/23/canada-16o-festival-internacional-de-teatro-anarquista-de-montreal/

agência de notícias anarquistas-ana

Escurece rápido.
Insistente, a corruíra
cisca no quintal.

Jorge Fonseca Jr.

[Argentina] Mar del Plata: realizam um escrache contra o Colóquio IDEA que acontece no Hotel Sheraton

Nos dias 4, 5 e 6 de outubro, em Mar del Plata, será realizado o Colóquio do Instituto para o Desenvolvimento Empresarial da Argentina (IDEA), como todos os anos, no Hotel Sheraton. Trata-se de um evento empresarial que foi convocado sob o lema “Argentinos, vamos recuperar nossas esperanças”, inspirado no espírito da Copa do Mundo. As organizações sociais e políticas decidiram fazer um escrache porque o evento está ocorrendo ao mesmo tempo da chegada a Mar del Plata do navio BGP Prospector da empresa Equinor, que realizará a exploração de petróleo a 300 km da costa.

A cidade de Mar del Plata está sediando a partir de hoje o Colóquio do Instituto para o Desenvolvimento Empresarial da Argentina (IDEA), com a presença do presidente Alberto Fernández e da candidata presidencial da Juntos por el Cambio (JXC), Patricia Bullrich. O colóquio é considerado uma das reuniões de negócios mais importantes do país, pois geralmente conta com a presença dos principais líderes empresariais.

Organizações sociais e políticas decidiram realizar um escrache em frente ao conhecido hotel onde o evento está sendo realizado, uma vez que o navio BGP Prospector, pertencente à empresa Equinor, chegará ao litoral de Mar del Plata para iniciar a exploração de petróleo. Nesse contexto, uma declaração emitida pela organização diz: “Em um contexto em que os candidatos de todos os partidos mentem para o povo e a vida obscena que levam vem à tona, se enriquecendo por meio da corrupção junto com empresários que fazem negócios com o Estado, decidimos denunciá-los. Neste dia 2 de outubro, nas primeiras horas da manhã, realizamos uma ação em frente ao Hotel Sheraton para que eles saibam que não vamos ficar calados enquanto eles se reúnem para continuar dividindo tudo, deixando o povo faminto, contaminando e saqueando nosso território”, expressaram as organizações em um comunicado.

O Sheraton é o local escolhido para a reunião de empresários e políticos nacionais e internacionais que apoiam a exploração de petróleo offshore no mar, entre outros projetos extrativistas. Dentro da programação, um dos eixos é denominado “Setores de Alto Impacto” com a presença de CEOs da mineração, petróleo e agronegócio. Entre eles estão o CEO da Tecpetrol, o presidente da empresa de mineração Exar, o gerente geral da IBM Argentina e o CEO da Adecoagro.

“Aqui eles estão entregando nosso mar. Como parte de seus planos, o navio BGP Prospector invadirá nossas costas nos próximos dias e tentará iniciar a exploração de petróleo usando um método que terá um alto impacto na biodiversidade de toda a região. Diante dessa situação, em que aqueles que estão roubando o país se reúnem impunemente, decidimos não deixar passar essa situação e apontá-los como verdadeiros inimigos do povo”, concluíram.

Fonte: https://www.anred.org/2023/10/04/mar-del-plata-realizan-un-escrache-al-coloquio-idea-que-se-realiza-en-el-sheraton-hotel

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/10/03/argentina-novo-atlanticazo-por-um-mar-livre-de-petroliferas-o-mar-nao-se-vende-se-defende/

agência de notícias anarquistas-ana

Brilho da lua se move para oeste
a sombra das flores
caminha para leste.

Buson

[EUA] Relatório da Feira do Livro Anarquista de Tacoma, WA

Relatório da recente feira de livros anarquistas na chamada Tacoma, Washington.

A primeira Feira do Livro Anarquista de Tacoma em mais de uma década foi um grande sucesso. Um mês de cartazes em Tacoma e divulgação na mídia social e em grupos de sinalização encheu o novo espaço social radical de Tacoma com uma multidão ansiosa na noite de sexta-feira, 22 de setembro. Novas amizades foram forjadas e velhos relacionamentos reacendidos, enquanto se jogavam pilhas de literatura anarquista e se tomava uma variedade de sopas gratuitas.

Os participantes da Feira do Livro examinaram uma dúzia de mesas de lugares tão distantes quanto Bellingham e Eugene. Havia rostos conhecidos de zine fests e feiras de livros regionais, como a Detritus Books e a CrimethInc., além de artistas, zinemakers e grupos radicais locais de Tacoma. O evento durou três horas e, embora a vibração tenha sido certamente mais discreta do que a da feira de Seattle do mês passado, houve uma participação sólida até os últimos minutos. Vários expositores expressaram que apreciaram o equilíbrio entre um fluxo consistente de pessoas e a descontração suficiente para facilitar conversas significativas e a construção de relacionamentos com aqueles que passavam por suas mesas.

A Feira do Livro foi realizada no novíssimo Hilltop Solidarity Center. Esse espaço foi inaugurado em agosto por iniciativa de alguns radicais locais, na esperança de oferecer um lar para projetos locais interessantes. O espaço interno relativamente pequeno do centro conta com uma cozinha e é complementado por uma grande área externa com um pátio aberto e uma área de recreação para crianças. O pessoal do Centro gentilmente organizou a Feira do Livro gratuitamente, pedindo apenas um pouco de apoio para a arrecadação de fundos no dia da feira para ajudar a cobrir os custos contínuos do espaço. O Solidarity Center precisa de um pouco de amor para tornar seu projeto sustentável a longo prazo; se você for um morador de Tacoma que deseja organizar eventos ou apenas um anarquista privilegiado o suficiente para ter um pouco de dinheiro para gastar, entre em contato! O Centro espera criar um Patreon para cobrir os custos recorrentes e também aceita doações únicas por meio do Paypal e do Ko-Fi.

Um pequeno número de crianças aproveitou muito a área de recreação ao ar livre, que é um destaque do Solidarity Center, acompanhadas por pessoas que gentilmente ajudaram a cuidar das crianças. Os participantes e os voluntários conversaram várias vezes sobre como coisas como creches para eventos grandes e pequenos permitem maior acessibilidade e participação. Alguns pais presentes fizeram arranjos para deixar seus filhos em outro lugar, mas agora sabem que podem trazê-los para eventos futuros no espaço.

Um recurso comum nas Feiras do Livro Anarquista que não estava presente eram as oficinas e apresentações. As limitações de espaço foram certamente um fator, mas seria bom descobrir a logística que permitiria a realização de oficinas em futuras Feiras do Livro de Tacoma. No entanto, houve alguns compartilhamentos de habilidades improvisados, como as adoráveis aulas de lockpicking na mesa da Fugitive Distro.

Ouvimos vários comentários de pessoas empolgadas com a realização de eventos anarquistas em Tacoma e “não apenas em Seattle” nas mesas, nas redes sociais e em conversas pelo espaço. A maior feira de livros de Seattle foi realizada há apenas um mês e fica a 30-60 minutos de carro, dependendo do trânsito. Mas, embora a feira de Tacoma possa ter sido menor, ela ainda trouxe muitos rostos novos que não teriam ou não poderiam ter feito essa viagem. Ela também ofereceu espaço para que as pessoas da Gritty City se encontrassem mais facilmente do que no caos lotado do evento de Seattle.

Gostaríamos de fazer um apelo para que as distribuições de zines anarquistas e as editoras de livros das cidades maiores trabalhem proativamente para facilitar esses tipos de eventos em cidades menores. Cultive amizades fora dos núcleos metropolitanos de sua região e ofereça-se para viajar e ajudar a divulgar outros projetos. Saia um pouco do seu caminho e faça uma viagem para se encontrar pessoalmente quando souber de shows legais, projetos de ajuda mútua ou novos espaços em outras cidades. Essa feira de Tacoma surgiu quando uma distro de Seattle ouviu falar do novo Solidarity Center e se ofereceu para fazer alguns trabalhos de logística e convidar distros com uma pequena ajuda de alguns amigos locais de Tacoma. Após o sucesso do evento, os anarquistas locais de Tacoma estavam discutindo como poderiam se unir para organizar mais Feiras do Livro e outros eventos no futuro.

Para os organizadores de cidades menores, não tenha medo de entrar em contato e convidar os criadores de zines e livros para uma visita. Os tipos de pessoas que distribuem arte e literatura anarquista geralmente ficam entusiasmados ao receber um convite para viajar; a pior resposta que você provavelmente receberá a um e-mail ou mensagem instantânea é que eles já têm um compromisso naquele dia. Leve o seu show punk local para o próximo nível apresentando uma feira de mini-zines ou informe à distribuição queer insurrecional da cidade grande mais próxima que você adoraria apoiá-la com uma mesa em seu festival do orgulho. As possibilidades são infinitas, e muitas pessoas ficam extremamente empolgadas ao se depararem com zines e livros anarquistas em cidades onde não há uma infoshop ou livraria anarquista facilmente acessível.

Pela contínua proliferação regional da anarquia!

Fonte: https://itsgoingdown.org/reportback-from-the-tacoma-wa-anarchist-bookfair/

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

lua alta
céu claro
o som da folha caindo

Alexandre Brito

[Rússia] Apresentação de um site em memória do anarquista Dmitry Petrov

Hoje, 9 de setembro de 2023, Dmitry Petrov teria completado 34 anos de idade. No site em sua memória, leshy.info, você pode ler e ouvir a biografia de Dima, suas entrevistas e palestras, seus artigos e artigos sobre ele. Há links para livros que ele traduziu ou editou e para projetos dos quais participou. O site do memorial é composto por seções em russo, inglês e ucraniano.

Dmitri Petrov era anarquista, estudante de ciências históricas e antropólogo. Trabalhou no Instituto da África da Academia Russa de Ciências. Em Moscou, lutou contra a política de planejamento urbano das autoridades (despejo de dormitórios e corte de parques florestais). Ajudou uma editora de livros independentes.

Coautor de Hevale, um projeto de mídia sobre democracia direta e economia cooperativa no Oriente Médio. Editou “Flowers of the Desert: 10 Years of the Revolution in Rojava” e “Life without a State: The Revolution in Kurdistan“. Traduziu o estudo “Kurdistan. Real Democracy under War and Siege” (Democracia real sob guerra e cerco). Coordenou a tradução e a publicação das memórias da revolucionária curda Sakineh Jansiz. Visitou a região duas vezes como pesquisador e membro de unidades de autodefesa curdas.

Devido à perseguição política e à iminência de uma sentença de prisão, ele deixou a Rússia em 2019 e se mudou para a Ucrânia, onde já esteve antes, inclusive como participante da revolução Maidan em 2013-2014.

Em fevereiro de 2022, com o início da invasão russa em grande escala na Ucrânia, ele se juntou à autodefesa de Kiev. Ele morreu em abril de 2023 em uma seção da linha de frente perto de Bakhmut como resultado de um bombardeio russo.

Após sua morte, ficou conhecido que Petrov esteve no início do anarquismo rebelde, foi um dos fundadores da Organização de Combate dos Anarco-Comunistas (sabotagem contra a guerra) e do Comitê de Resistência (esquerdistas no fronte).

Para comemorar o 150º aniversário da Internacional Antiautoritária, um encontro anarquista internacional foi realizado nas montanhas Jura, na Suíça, durante cinco dias. Vários eventos foram dedicados a Dmitry Petrov: um filme foi exibido, uma noite memorial foi organizada e outra árvore foi plantada na montanha Mont Soleil em memória dos lutadores internacionais de Rozhava.

Ações de lembrança foram realizadas em Berlim, Berna, Varsóvia, St. Imier, Tbilisi e Batum. Em setembro de 2023, no aniversário de Petrov, o documentário Moscow Mutiny sobre os anarquistas russos da década de 2010 está programado para ser exibido em vários países. Mais informações: petrovfilm@proton.me e instagram.com/petrov.film.

A Active Distribution Publishing publicou o memorial em inglês “Dmitrii Petrov. A Life in Combat (Uma vida em combate). Uma biografia de um lutador anarquista russo com uma seleção dos textos mais importantes de Dmitrii.

Para seu próximo aniversário, os amigos estão preparando lembranças dele, juntamente com as publicações de Dmitry (etnográficas, jornalísticas e ativistas). Você pode enviar suas lembranças de Petrov para in_memory_of_ecolog@riseup.net e t.me/in_memory_of_ecolog.

Fonte: https://avtonom.org/en/news/created-website-memory-anarchist-dmitry-petrov

Tradução > Contrafatual

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/05/02/russia-nosso-camarada-dmitry-petrov-morreu-lutando-pela-liberdade-na-ucrania/

agência de notícias anarquistas-ana

Bem que me agasalho.
Galhos sem folhas lá fora
parecem ter frio.

Anibal Beça