Moloch de Papel e Ferro

Vossos postos fronteiriços, vossas grades erguidas,

são fantasmas de um medo que nós mesmos fundamos.

Vossas leis não são raízes, são cordas podres,

que estrangulam o caule novo que já brota no asfalto.

Vossos soldados marcham com passos de autômatos,

temendo mais a fuga do que nossa fúria.

O Estado é a sombra de um gigante decrépito,

e nós somos a luz que não mais se deixa projetar.

Cada documento de identidade é um epitáfio

para um ser selvagem que ainda lateja em nossas veias.

Queimar os arquivos não é terror, é higiene:

limpar o nome do horizonte para enfim habitá-lo.

Liberto Herrera.

agência de notícias anarquistas-ana

Ah! claro silêncio do campo,
marchetado de faiscantes
pigmentos de sons!

Yeda Prates Bernis

[EUA] Lançamento: Uma História Negra Queer dos Estados Unidos

C. Riley Snorton (Autoria); Darius Bost (Autoria)

Neste último livro da premiada série ReVisioning History de Beacon, os professores C. Riley Snorton e Darius Bost revelam a história frequentemente ignorada da comunidade negra queer nos Estados Unidos.

Argumentando que tanto o gênero quanto a expressão sexual têm sido uma parte íntima e intrincada da luta pela libertação negra, Snorton e Bost apresentam contribuições históricas de pessoas negras queer, trans e gênero-dissidentes, desde a época da escravização até os dias atuais, para destacar como a luta contra a injustiça racial sempre esteve ligada à luta pela justiça sexual e de gênero.

Entrelaçando histórias de figuras queer e trans, tais como:

– Soldado William Cathay/Cathay Williams, nascido mulher, mas alistado no Exército como homem em meados da década de 1860

– Josephine Baker, dançarina e artista internacionalmente conhecida do início do século XX, que também era abertamente bissexual

– Bayard Rustin, proeminente ativista dos direitos civis, cuja homossexualidade bem conhecida era vista como uma ameaça potencial ao movimento

– Amanda Milan, uma mulher trans negra cujo assassinato em 2000 unificou a comunidade trans não branca,

Este livro inclui uma análise aprofundada da marginalização, criminalização injusta e legislação governamental da existência queer e trans negra. Também mostra como as pessoas negras americanas têm desempenhado um papel fundamental no movimento moderno pelos direitos LGBTQ, contrariando narrativas que se concentram predominantemente nos americanos brancos.

Uma História Negra Queer dos Estados Unidos

C. Riley Snorton (Autoria); Darius Bost (Autoria)

ISBN: 978-080700855-3

Data de publicação: 20/01/2026

Páginas: 232

Tamanho: 6 x 9 polegadas (EUA)

Preço: US$ 28,95

www.beacon.org

Tradução > transanark / acervo trans-anarquista

agência de notícias anarquistas-ana

tal nuvem no céu
em tarde de vento forte:
lembranças se vão!

Tânia Diniz

[França] Morte de um fascista em Lyon: mais do que nunca, a urgência do antifascismo

Após a morte de um militante fascista em Lyon, a extrema direita e seus aliados tentam aproveitar este acontecimento para criminalizar o antifascismo. Ao mesmo tempo, a esquerda institucional se limita a condenar, de forma genérica, «todas as violências». Mais do que nunca, devemos fazer frente para afirmar a urgência de um antifascismo popular, e o imperativo de que nossa classe possa defender-se frente às violências da extrema direita.

Na noite de quinta-feira, 12 de fevereiro, Quentin Deranque, militante fascista, foi hospitalizado em estado grave. Membro do grupo neofascista Les Allobroges de Bourgoin e do serviço de ordem de Némésis, também havia passado por Action Française. Seu falecimento se confirmou 48 horas depois, poucas horas antes que a imprensa revelasse testemunhos de comerciantes e moradores que corroboravam um vídeo gravado desde uma janela que mostrava uma surra, após um enfrentamento organizado. Investigações jornalísticas sérias, que não se limitam a repetir o relato da extrema direita, estão ainda em curso e ficam muitos pontos obscuros por esclarecer. Seja como for, este falecimento não pode ser analisado politicamente fora do contexto que conduziu ao acontecimento.

Desde alguns anos, numerosas associações, organizações sindicais, partidos políticos, moradores e comerciantes de Lyon se mobilizam pelo aumento das violências cometidas pela extrema direita. Quantas agressões a pessoas racializadas? A pessoas LGBTI? A sindicalistas? A militantes associativos ou políticos? A locais? Quantas surras? Quantos ataques com armas? Quantas hospitalizações?

Desde alguns anos alertamos coletivamente sobre a implantação de grupos fascistas, com estabelecimentos conhecidos, treinando em uma sala de combate contígua ao bar La Traboule, ou em acampamentos de verão paramilitares, sobre as demasiadas numerosas manifestações de incitação ao ódio, mas também sobre a cumplicidade dos poderes públicos. Em efeito, a polícia está regularmente ausente em eventos como o de quinta-feira, enquanto que as conferências da extrema direita sempre estão protegidas por um dispositivo especialmente importante.

Enquanto as militantes de Némésis provocam agitação organizando «happennings» midiáticos, os militantes neofascistas de Lyon se preparam para matar e morrer por sua causa. Seus chefes formam combatentes radicalizados e disciplinados, para enviá-los à primeira linha a enfrentar-se aos serviços de ordem que todos os movimentos sociais de Lyon se veem obrigados a estabelecer para proteger-se.

Que neste contexto se tenha formado grupos antifascistas ao longo dos anos em Lyon para participar na autodefesa coletiva e popular é uma evidência.

A sorte do jovem militante fascista é para a extrema direita a oportunidade de construir a figura de um mártir e redobrar a violência. Nos dias seguintes a quinta-feira pela noite, numerosos locais pertencentes a diversas organizações sindicais e políticas de esquerda em toda França foram destroçados, em particular os de LFI, mas também os de Solidaires Rhône, assim como La Plume Noire, livraria autogestionada gestionada pela UCL em Lyon, já atacada em numerosas ocasiões. Pintaram-se suásticas na Praça da República de Paris, e cruzes celtas em toda França. As ameaças e chamados à violência física se multiplicaram contra militantes, alguns dos quais foram identificados publicamente e exibidos como troféus. O que agora espera a fachosfera é poder cometer suas fechorías com renovada intensidade enquanto se apoia no relato mentiroso do «terrorismo de extrema esquerda» para contar com o respaldo político.

Os partidos e personalidades políticas de esquerda que denunciaram «toda forma de violência física» caíram na armadilha armada pela extrema direita. Este discurso pacifista cego equipara uma violência fascista que dura mais de quinze anos em Lyon, dirigida contra tudo o que desgosta aos supremacistas brancos, com um acontecimento que alimenta uma campanha política detestável de criminalização do antifascismo. Jean Messiha pede «erradicar a escória» antifascista, a fachosfera pede novos Clément Méric, políticos de direita e extrema direita pedem classificar os grupos antifascistas como terroristas. E que faz a esquerda? Dirige seus pensamentos aos «amigos» da vítima e criminaliza o antifascismo. Alguns inclusive vão mais além até esvaziar a palavra fascista de toda substância política, convertendo-a em um simples sinônimo de «violência» que poderia atribuir-se a qualquer um, incluídos os antifascistas.

A UCL não cairá nesta demagogia cômoda, mas intranscendente. Recordamos com força uma realidade persistente: é a extrema direita a que mata e a que instaura este clima de violência, em Lyon, na França e em todo o mundo. Denunciamos com força a inversão da situação que a extrema direita está conseguindo impor ao falar de «linchamento», termo que remete às explosões racistas de massa dirigidas às pessoas negras nos Estados Unidos. Utilizá-lo para falar dos golpes recebidos por um supremacista branco é uma inversão mortífera e racista.

Sim, a extrema direita mata: afogados do Deûle, Brahim Bouraam, Clément Méric, Federico Aramburu, Mahamadou Cissé, Djamel Bendjaballah, Rochdi Lakhsassi, Hichem Miraoui assassinado de 5 balaços em Puget-sur-Argens em 2025… Acaso as pessoas assassinadas teriam que ter sido de extrema direita para suscitar uma homenagem nacional? Onde estão as condolências para as vítimas e as homenagens nacionais quando Frédéric Grochain, preso político kanak, morre em sua cela a milhares de quilômetros de seu país no passado 6 de fevereiro? Onde estão as lágrimas dos partidos e dos meios que choraram a Quentin Deranque ante o assassinato racista de Ismaël Aali, em princípios de 2026 na mesma cidade?

A UCL defende um antifascismo social e popular baseado na construção de movimentos sociais de massas, cuja força é o número, não a violência. No entanto, renunciar por princípio ao confronto é condenar-se à impossibilidade de militar no espaço público. Se renunciamos a proteger nossas manifestações, nossas reuniões públicas, nossa distribuição de folhetos, então renunciamos a intervir politicamente porque a extrema direita não renunciará a atacar-nos, e é nisso que não pode ser considerada uma ideologia política como as demais.

Assinalando a vingança pública a «os antifascistas», estes elementos da esquerda parlamentar uivam com os lobos. Colocam-se na situação de não poder defender amanhã os movimentos antifascistas ameaçados pela repressão estatal.

No entanto, mais do que nunca, necessitamos fazer bloco e manter a linha.

Frente aos fascistas, nem um passo atrás.

Union Communiste Libertaire, 17 de fevereiro de 2026.

Fonte: https://www.unioncommunistelibertaire.org/?Mort-d-un-fasciste-a-Lyon-plus-que-jamais-l-urgence-de-l-antifascisme

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Sempre perseguido
o grilo fica tranqüilo
cantando escondido.

Luiz Bacellar

[Reino Unido] Manifestação antifascista em frente à Embaixada da Hungria em Londres

14.2.2026

Ativistas antifascistas se reuniram em frente à Embaixada da Hungria em Londres em resposta à designação do governo húngaro do Antifa como organização terrorista e à condenação de ativistas antifascistas na Hungria.

Os manifestantes pediram a libertação de Maja T, Gabriele M e Anna M, que recentemente receberam penas de prisão após um julgamento simulado, e condenaram a criminalização da oposição ao fascismo.

Cobertura em vídeo:

https://www.newsflare.com/video/838833/anti-fascism-banned-in-hungary-protest-outside-the-hungarian-embassy-in-london

Fotos:

https://www.sopaimages.com/galleries/89542

https://www.sopaimages.com/galleries/89519

Tradução > Reno Moedor

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/02/11/hungria-alemanha-8-anos-de-prisao-manifestacoes-pela-libertacao-de-maja-em-berlim-e-outros-lugares/

agência de notícias anarquistas-ana

Está chovendo? Não
bichos-da-seda comendo
as folhas, tão ávidos.

Goga

[EUA] Revista Radon – Edição 12

Revista Radon

Vários autores

Editora: Revista Radon

“Vozes enchiam seus fones de ouvido enquanto conversas transcritas automaticamente passavam rapidamente pela tela. As infrações mais óbvias já estavam marcadas pelo programa proprietário da empresa. Dermot era um censor de segurança, observando qualquer novo subtexto ou código que ainda não tivesse sido detectado pelo departamento de análise. Gírias. Códigos. Hoje em dia, era possível sinalizar um silêncio significativo, se você fosse persuasivo o suficiente sobre como interpretar as lacunas entre as palavras. Dermot era bom nisso…”

A décima segunda edição da Radon Journal reúne 16 poemas e contos, juntamente com a nossa nota editorial anual. Esta edição é especial e oportuna. Um comentário especulativo sobre o mundo atual, com a dose certa de esperança e amor, que certamente fará você lamentar a liberdade e chorar pela beleza em igual medida.

A edição 12 apresenta 9 obras fascinantes de ficção especulativa e 7 obras poéticas.

Ficção original de Jared Oliver Adams, Riley Passmore, Evan Simon-Leack, Allison Mulder, Zary Fekete, Timothy Mudie, Tyler Lee, Emma Burnett e Eleanor Lennox

Poemas originais de Lucien R. Starchild, Esiaba Okigbo, Rich Murphy, Manuela Amiouny, J.M. Vesper, Daniel Roop e Brian U. Garrison.

Você pode ler esta e todas as edições da Radon gratuitamente no site da revista: www.radonjournal.com

80 páginas

Impressão digital

Preço sugerido: £3,50

Fonte: https://seditionist.uk/distro/readables/magazines/radon-journal-issue-12/

Tradução > Reno Moedor

Conteúdo relacionado:
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/08/14/eua-entrevista-radon-e-a-nova-onda-de-ficcao-cientifica-anarquista/

agência de notícias anarquistas-ana

lua n’água
entre pétalas
alumbra o abismo

Alberto Marsicano

[Espanha] Jornadas em Defesa da Terra Contra o Estado e o Capital

Em dezembro de 2024, Terra e Liberdade convocou uma série de jornadas em Defesa da Terra Contra o Estado e o Capital. O resultado foi a formação de uma coordenação anarquista que, mais ou menos, manteve uma atividade comum. A atividade da coordenadora foi constante, desde os protestos contra o MWC e contra o extrativismo até a campanha contra o rearmamento dos Estados.

Assim que decidimos convocar novas jornadas de ação em fevereiro de 2026, concretamente no sábado, 21, e no domingo, 22, para divulgar as lutas e atividades em diferentes lugares e, não menos importante, para estabelecer relações com outros grupos e pessoas afins.

Reserva a data, te esperamos.

L’Hort de Ca la Trava

Travessera num 154

Barcelona

Conteúdo relacionado:
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/12/10/espanha-jornadas-em-defesa-da-terra-contra-o-estado-e-o-capital/

agência de notícias anarquistas-ana

Último vôo.
A despedida da luz
Nas asas do corvo.

Rubens Pilegi

Da Crueldade à Revolução: O Caso Orelha como Sintoma do Capitalismo e Chamado à Insurreição

O assassinato do cão Orelha não é um ato de crueldade isolado, um desvio patológico de alguns adolescentes ricos. É o sintoma podre e lógico de uma sociedade capitalista em estágio terminal, uma sociedade que metaboliza a violência, a dessensibilização e a dominação como seu princípio vital. O mesmo sistema que diariamente espolia trabalhadores, envenena rios, e destrói comunidades inteiras em nome do lucro, é o mesmo que gera indivíduos capazes de espancar um animal comunitário até a morte por diversão. A brutalidade não é uma anomalia; é o produto de um mundo que reduz tudo – vidas, naturezas, afetos – a mercadoria ou a obstáculo. O capitalismo é a escola primária da violência, e seus alunos mais aplicados estão apenas refletindo, em atos hediondos, a lógica de exploração e descarte que respiram.

A revolta justa e pulsante que tomou as ruas e as redes sociais após a morte de Orelha é, no entanto, habilmente canalizada pelos mesmos mecanismos estatais que sustentam o status quo. Enquanto a multidão clama por “Justiça”, o Estado oferece seu catálogo de espetáculos punitivistas: a internação de um adolescente, o endurecimento pontual de uma lei. É um teatro macabro que serve para conter a fúria social dentro dos limites seguros da legalidade burguesa. Transforma uma crítica profunda à cultura da violência em um mero ajuste processual, perpetuando a ilusão de que o sistema judicial e penal, estruturalmente classista e racista, pode algum dia produzir justiça verdadeira. Enquanto isso, a violência econômica, a violência do despejo, a violência da fome – todas muito mais letais e disseminadas – seguem sendo negócios autorizados e protegidos por lei.

Para que a revolta por Orelha não seja em vão, ela precisa romper essa camisa de força jurídica e perceber que o inimigo não são apenas os braços executores da barbárie, mas o coração que a bombeia: a propriedade privada, a mercantilização da vida, o Estado garantidor deste desastre. O cão comunitário era, em sua existência simples, uma negação viva da lógica privatista. Era um bem comum, um nó de afetos compartilhados, cuidado coletivamente sem dono ou certificado. Sua eliminação foi um ataque simbólico à possibilidade mesma do comum, àquilo que escapa ao controle do mercado e do individualismo possessivo. Defender sua memória, portanto, exige atacar o sistema que necessita erradicar tais formas de convívio livre e solidário.

A mesma frieza que permite ver um animal como um objeto para extração de diversão sádica é a que permite ver um trabalhador como um recurso humano descartável, uma floresta como um estoque de madeira, um território indígena como um empecilho ao progresso. É a psicopatia socializada do capital. Concentrar a indignação apenas no ato individual é ignorar o tumor social que o produz. A luta contra a violência animal, para ser consequente, deve ser inseparável da luta contra a violência sobre todos os corpos exploráveis. Deve ser anticapitalista, pois é o capital que cria a hierarquia de valores que justifica o domínio e a crueldade. Deve ser antiestatal, pois é o Estado que, com sua polícia e suas leis, protege a propriedade dos meios de produção que geram essa miséria material e espiritual.

Portanto, que a hashtag #JustiçaPorOrelha se transforme em um grito de guerra contra toda a ordem que fabrica Orelhas todos os dias. Que os abrigos comunitários ocupados se tornem bases de apoio mútuo não apenas para animais, mas para todos os seres precarizados. Que a energia dos protestos seja direcionada não para pressionar deputados, mas para organizar a defesa comunitária, para expropriar os recursos monopolizados por uma elite, para construir aqui e agora, nas rachaduras deste mundo moribundo, a sociedade baseada no cuidado e não na exploração, na solidariedade e não na competição, na liberdade e não na posse.

O capitalismo é o verdadeiro crime de maus-tratos em escala planetária. O Estado é seu cúmplice e carcereiro. A morte de Orelha é um episódio horrível dessa guerra permanente. Honrar sua vida não será conseguir uma nova pena no código penal de Santa Catarina. Será dedicar nossa fúria organizada e inteligente à tarefa imensa de demolir os alicerces desse matadouro social e, sobre seus escombros, aprender a viver de um modo onde nenhuma vida, humana ou não-humana, seja novamente tratada como coisa a ser usada, quebrada e descartada. A justiça verdadeira só virá com a revolução social.

Liberto Herrera.

agência de notícias anarquistas-ana

Flores silvestres
pequeninas e sem brilho
à espera de abelhas…

Goga

[Itália] Desertemos! Jornada de luta antimilitarista

Com os desertores russos e ucranianos por um mundo sem exércitos e fronteiras

Sábado, 21 de fevereiro

jornada de informação e luta antimilitarista

às 10h30 no Balon

Já se passaram quatro anos desde a violenta aceleração da guerra impulsionada pela invasão russa da Ucrânia. O conflito está cada vez mais duro: os mortos são centenas de milhares em ambas as frentes.

O governo italiano se posicionou nesta guerra enviando armas, chegando a posicionar 3.500 militares nas missões da OTAN no leste europeu. Em breve, será aberta uma base militar italiana na Bulgária.

A guerra na Ucrânia carrega em seu DNA um confronto interimperialista de enormes proporções, que corre o risco de desencadear um conflito muito mais amplo, entre potências que também possuem armas atômicas. Pará-la, obstruí-la, sabotá-la é uma necessidade imprescindível.

Na Ucrânia há duzentos mil desertores, na Rússia dezenas de milhares de pessoas atravessaram as fronteiras para escapar do alistamento.

Na Rússia e na Ucrânia, os antimilitaristas lutam para que as fronteiras estejam abertas para quem se opõe à guerra.

Nós assumimos como nossa a luta para romper as fronteiras e pela acolhida de objetores, insubmissos e desertores.

Nós não nos alistamos nem com a OTAN, nem com a Rússia. Rejeitamos os vergonhosos joguinhos de Trump, Putin e da UE à custa de populações exaustas pela guerra, silenciadas por regimes que reprimem duramente quem concretamente se lhes opõe.

O preço desta guerra é pago pela gente pobre. Em todo lugar. É pago por opositores, sabotadores, objetores e desertores que sofrem espancamentos, processos e prisão.

É pago por todos nós, apertados na espiral da inflação, entre salários e aposentadorias de fome e aluguéis e contas em constante aumento.

Tente imaginar quantas escolas, hospitais, transportes públicos locais poderiam ser financiados se a pesquisa e a produção fossem usadas para a vida de todos nós, para o cuidado em vez da guerra.

O decreto de rearmamento do governo Meloni prevê um bilhão de euros para tornar cada vez mais mortal o arsenal à disposição das forças armadas italianas.

A Itália está envolvida em nada menos que 43 missões militares no exterior, em boa parte na África, onde as tropas tricolores fazem guerra aos migrantes e defendem os interesses de conglomerados como a ENI [empresa italiana de energia].

Vários projetos de lei visam ao retorno gradual do serviço militar obrigatório, suspenso em 2005. É preciso carne para canhão para as guerras que colocam a Itália na linha de frente.

Escolas e universidades se tornaram terreno de conquista para o alistamento de corpos e consciências.

A indústria bélica italiana, com o conglomerado Leonardo [empresa italiana de defesa e segurança] na linha de frente, obtém lucros bilionários. A Itália vende armas para todos os países em guerra. Um negócio da morte.

É necessário inverter a lógica perversa que vê na indústria bélica o motor que tornará a Itália mais próspera. Uma economia de guerra produz apenas mais guerra.

A guerra também é interna. O governo responde à pobreza tratando as questões sociais em termos de ordem pública: os militares da operação “ruas seguras” você encontra nas periferias, nos CPRs (Centros de Permanência para Repatriação), nas estações, nas fronteiras.

Toda forma de oposição social e política é criminalizada por um conjunto de leis antigas e novas que garantem uma impunidade cada vez maior à polícia e transformam em crimes comuns as práticas de luta.

Somente uma humanidade internacional poderá lançar as bases daquele mundo de livres e iguais que pode pôr fim às guerras.

Hoje, gostariam de nos ver todos alistados. Nós desertamos. Nós não nos alistamos ao lado deste ou daquele Estado imperialista. Rejeitamos a retórica patriótica como elemento de legitimação dos Estados e de suas pretensões expansionistas. Em qualquer lugar. Não existem nacionalismos bons.

Nós estamos ao lado de quem, em cada canto da terra, deserta da guerra. Queremos um mundo sem fronteiras, exércitos, opressão, exploração e guerra.

Assembleia Antimilitarista

Reuniões todas as terças-feiras, 20h30 – Corso Palermo 46

antimilitarista.to@gmail.com

www.anarresinfo.org

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Pequena flor
Sol contido na cor
Ipê amarelo

Luciana Bortoletto

[Dinamarca] Quando o anti-imperialismo não é antiseccional

À medida que as bolhas ativistas se expandem, a resistência à toda forma de opressão deixa de ser dada como certa pelos grupos de solidariedade internacional 

Alex Cuzzalino ~

Protestos e manifestações estão tomando as ruas das cidades europeias, com a inquietação crescendo a cada dia e mais pessoas dispostas a se posicionar ou simplesmente mostrar o quanto estão cansadas do sistema em que estamos confinados. Essa crescente conscientização está expandindo nossas bolhas, e o que antes era um discurso restrito a pequenos movimentos organizados em pequenos espaços no centro do Império agora é uma conversa maior e mais ampla.

Na Dinamarca, onde estou me organizando neste momento da minha vida, os movimentos de solidariedade internacionalista nunca foram muito expressivos. Atribuo isso às gerações anteriores de movimentos nos países nórdicos, que se concentravam mais no ambientalismo, e ao trabalho consolidado dos sindicatos. No entanto, o início do genocídio na Palestina em 2023 acendeu a chama e múltiplos exemplos de resistência e solidariedade internacional ocorreram em todo o país. Esses grupos cresceram exponencialmente nos últimos dois anos, incentivando outras pessoas a organizarem seus próprios grupos quando a capacidade de integrar novos membros aos já existentes se tornou escassa.

A expansão da bolha tem ocorrido rapidamente, talvez até rápido demais, pegando-nos de surpresa. Isso resultou em uma multiplicidade de grupos que, embora lutem pela mesma causa, nem sempre concordam com a base política. Isso não é, obviamente, necessariamente algo negativo, mas se torna negativo quando cria dicotomias e nossa luta deixa de ser interseccional.

Em nome do apoio à luta anti-imperialista acima de tudo, algumas partes dos movimentos de solidariedade mais recentes acabaram se aliando a regimes terroristas que vêm tirando a liberdade de seus cidadãos há séculos, esquecendo-se de que duas coisas podem ser verdadeiras ao mesmo tempo e que o inimigo do meu inimigo não é necessariamente meu amigo.

Essa tendência é extremamente visível para quem estiver disposto a observá-la: muitos dos movimentos de solidariedade mais recentes no Ocidente tendem a apontar os EUA como responsáveis por tudo de ruim no mundo, e a basear sua política na falsa ideia de que todos que agem contra os EUA estão implementando uma forma válida de resistência.

Com esse pensamento, eles confundem o princípio da solidariedade entre povos que buscam liberdade e dignidade, e uma suposta solidariedade encontrada na lealdade a facções de Estados e governos.

O imperialismo estadunidense é ruim: isso não significa que o regime de Maduro na Venezuela era bom, assim como não significa que o Estado dos Aiatolás seja o último bastião da luta contra o imperialismo. Israel historicamente se infiltrou em protestos para promover sua própria agenda imperialista e colonial: isso não transforma os protestos no Irã em uma operação do Mossad, nem valida o apoio dos movimentos de esquerda ocidentais às ditaduras.

Por que achamos tão difícil priorizar a capacidade de ação dos povos em detrimento da dos Estados?

Embora seja fácil apontar o dedo para os tankies e os trolls da internet, acredito que o que estamos testemunhando mais profundamente é uma falta de interseccionalidade nos movimentos de solidariedade. É uma perda de complexidade na conversa, provocada pela urgência do momento em que nos encontramos.

Uma das minhas primeiras causas de solidariedade foi com Rojava, a região curda do nordeste da Síria, e com a Revolução das Mulheres que lá acontecia. Na bolha ativista ocidental em que eu estava inserida, a solidariedade com o povo de Rojava e sua revolução significava solidariedade com todos os povos oprimidos, bem como com o feminismo, o anticapitalismo e a ecologia. Sem isso, as pessoas podem acabar apoiando os opressores em vez dos oprimidos, com base em uma compreensão ocidental simplificada da luta contra o imperialismo.

A falta de interseccionalidade dentro do movimento não beneficia ninguém além do Império, e nós, que estamos no centro dele, com todos os privilégios que daí derivam, temos a responsabilidade de manter a conversa matizada. Trazer de volta a complexidade à forma como falamos sobre solidariedade significa conseguir nos desvencilhar da conversa entre brancos e negros, rejeitando todas as dicotomias forçadas que nos fazem pensar “se não isso, então aquilo”.

Precisamos de uma solidariedade que não seja apenas internacional, mas também interseccional.

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2026/02/11/is-our-international-solidarity-intersectional/

Tradução > Reno Moedor

agência de notícias anarquistas-ana

pousada na lama,
a borboleta amarela,
com calor, se abana

Alaor Chaves

“Minha descoberta do anarquismo foi quase acidental”

Instituto de Estudos Libertários (IEL) entrevista o artista Bacuri | Fevereiro de 2026

Oi Bacuri! Obrigada pela entrevista! Fale um pouco de você?

Olá, agradeço pelo convite.

Bem, eu sou nascido e criado nas ruas do Capão Redondo, Zona Sul de São Paulo e, como todo jovem da periferia, por volta de 1996 tive contato muito cedo com a cena da pixação, ingressando ativamente nesse segmento até o início dos anos 2000. Depois, fiz uma breve migração para o graffiti. Entre 2005 e 2006, comecei a fazer, quase de forma experimental, meus primeiros trabalhos com a técnica do stencil, sempre realizando intervenções pelas ruas de forma não autorizada.

Após esse período, tive um hiato na vida artística devido ao meu envolvimento com outras questões ilegais. Retomei meu trabalho nas ruas a partir de 2016 de forma mais sólida, utilizando a técnica do stencil como principal método artístico — período que também converge com o início da minha formação como anarquista.

Como você conheceu o anarquismo?

É uma longa história, diferente da maioria. Até mesmo pelo círculo marginal do qual eu fazia/faço parte, o anarquismo nunca me foi apresentado por ninguém. Eu costumo dizer que minha formação política começou com o rap. Em 1994, por influência dos amigos da rua, ganhei um vinil dos Racionais MC’s (Raio X do Brasil). Isso foi determinante pra minha formação: ali eu aprendi que não se deve confiar na polícia, que o Estado não gosta de gente como a gente, etc.

Outra coisa é que o rap sempre incentivou a busca pelo conhecimento, o estudo e a leitura. Quando eu ainda vivia uma vida ilegal, um dia entrei em um sebo procurando algum livro pra ler, quando a capa de um livro me chamou a atenção. O livro era O que é isso, companheiro?, do Fernando Gabeira. Eu não fazia ideia de quem era o autor (e depois descobri que aquilo era, em parte, uma fabulação do próprio), mas fiquei fascinado com a ação de captura do embaixador americano.

Resumidamente, comecei a puxar um novelo: o que é um crime político? Quem eram essas pessoas e por que fizeram essa ação? No que elas acreditavam? Eu mal sabia que o Brasil tinha vivido uma ditadura — era tudo novo pra mim. Aí descobri o que era o comunismo. Puxando mais o novelo, descobri o que era marxismo. Li bastante literatura marxista, mas nunca me considerei marxista. Embora eu gostasse do que estava aprendendo, havia uma certa rigidez com a qual eu não me identificava.

Eu não sabia nada sobre anarquismo, principalmente porque a literatura marxista, quando não faz uma crítica superficial ao anarquismo, simplesmente o ignora. Até que um dia, também em um sebo, procurando algo para ler, outro livro me chamou a atenção pela capa: Um cadáver ao sol, da Iza Salles. Comprei sem muita pretensão, mas rapidamente devorei o livro e me identifiquei muito com a história do Antônio Bernardo Canellas. Achei incrível ele ter ido até a URSS e contrariado os dirigentes comunistas.

Aí comecei a puxar esse novelo, igual fiz com o marxismo. Olhando pra minha própria história, como alguém que sempre foi refratário à autoridade, e olhando pra história de pessoas como Bakunin, Makhno e Durruti, minha identificação foi imediata. Então minha descoberta do anarquismo foi quase acidental. Também pode-se dizer, ironicamente, que o que me levou ao anarquismo foram justamente as questões com as quais eu não me identificava no marxismo — não só na estratégia política, mas, principalmente, para um artista como eu, também no campo da estética.

>> Leia a entrevista na íntegra aqui:

https://ielibertarios.wordpress.com/2026/02/13/instituto-de-estudos-libertarios-entrevista-o-artista-bacuri/

agência de notícias anarquistas-ana

o lutador, na velhice,
conta à sua mulher o combate
que não devia ter perdido

Buson

Argentina: Protestos em massa contra reforma trabalhista de Milei

Centenas de feridos são registrados enquanto o Senado aprova restrições à greve e jornada de trabalho de 12 horas por dia

Gabriel Fonten ~

Milhares de manifestantes saíram às ruas na capital argentina, Buenos Aires, na semana passada (11 de fevereiro), para se opor às reformas trabalhistas que restringem o direito à greve e reduzem os benefícios trabalhistas.

Os protestos, apoiados pelos maiores sindicatos do país, foram repetidamente atacados pela polícia com gás lacrimogêneo, balas de borracha e canhões de água. De acordo com a federação sindical da Argentina, mais de 700 mil pessoas marcharam em Buenos Aires e 1,5 milhão participaram em todo o país em apoio aos “direitos do povo, à separação de poderes, à democracia e à constituição”.

As reformas de Milei, que já foram aprovadas pelo Senado argentino, incluem a eliminação de 30 dias de férias remuneradas, o aumento da jornada de trabalho para até 12 horas, a facilitação das demissões para os empregadores, a redução dos benefícios de desemprego e restrições ao direito de greve. Essas reformas surgem em um contexto de altas taxas de inflação e pobreza na Argentina (ambas acima de 30%), que, no entanto, representam uma melhora significativa em relação ao primeiro ano de Milei no cargo.

A repressão contra esses protestos parece ter sido particularmente generalizada e indiscriminada, com 562 pessoas supostamente atendidas por médicos de rua em um único dia devido a ferimentos. Essa repressão brutal também foi usada no ano passado contra aposentados que protestavam contra pensões inadequadas.

A iniciativa legislativa de Milei surgiu após uma vitória esmagadora nas eleições legilastivas da Argentina, onde o seu partido, “La Libertad Avanza”, obteve quase 41% dos votos a nível nacional. Estas eleições decorreram num contexto de reforço das relações entre Milei e o presidente dos EUA, Donald Trump, recentemente marcado pela promessa de Trump de um espetacular pacote de ajuda superior a 20 bilhões de dólares. Trump, que havia afirmado anteriormente que a ajuda seria “cancelada” se Milei perdesse, parabenizou Milei pela vitória, dizendo: “Ele está fazendo um trabalho maravilhoso!”.

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2026/02/16/argentina-mass-protests-against-mileis-anti-labour-laws/

Tradução > Reno Moedor

agência de notícias anarquistas-ana

As folhas caindo
Na roça em frente ao portão
Divertem o gato.

Issa

[Espanha] Lançamento: “Historia ilustrada del anarquismo”, de Elena Mistrello e David Martín Sánchez

O anarquismo não é só uma luta contra o Estado: é um movimento diverso que busca ampliar a liberdade e opor-se a qualquer forma de opressão. Este guia ilustrado percorre sua história e evolução até o presente, mostrando como segue vivo em novas formas de resistência e organização. Através de suas páginas, descobrirás que a anarquia não é caos, mas um convite a pensar e atuar em comunidade, com horizontes mais livres e solidários.

Elena Mistrello (Sesto San Giovanni, 1990) vive e trabalha entre Monza e Lissone como ilustradora, desenhista de cómics e muralista. Colaborou com diversas revistas e editoras.

David Martín Sánchez (Errenteria, 1980) é graduado em Direito e Doutor em História. Suas duas principais linhas de investigação são a história do povo cigano e o anarquismo, centrado especialmente na figura da libertária Voltairine de Cleyre. Nesta linha, escreveu tanto em revistas científicas como em meios de grande alcance como National Geographic. Também publicou com Txalaparta e Catarata.

Historia ilustrada del anarquismo

Elena Mistrello

David Martín Sánchez

Editorial: Melusina

ISBN: 9788410414020

144 págs.

15,90€

melusina.com

agência de notícias anarquistas-ana

A fábrica é de todos,
sem grades nem muros altos —
vozes no mesmo canto.

Liberto Herrera

“Certa vez um professor me disse que eu deveria ler os anarquistas.”

Instituto de Estudos Libertários (IEL) entrevista Sofia Fernandes | Fevereiro de 2026

Oi Sofia! Obrigada pela entrevista! Fale um pouco de você.

Me chamo Sofia Fernandes, nasci, cresci e moro em Brasília, mas já morei em Outro Preto, Porto Alegre, Buenos Aires e Paraty.

Sou arte-educadora, estou beirando os 60, já participei de vários grupos ao longo da minha vida. Confesso que ainda fico feliz quando me envolvo em coletivos com os quais me identifico, sejam eles de viés político, filosófico, artístico ou tudo junto e misturado.

Como você conheceu o anarquismo?

Eu tinha uns 17 anos e estava cursando História na Universidade de Ouro Preto. Lá me envolvi com o movimento estudantil que era totalmente dominado pelos marxistas. Nas reuniões do DCE vi de perto a prática dos “camaradas” e me decepcionei muito com essa galera… Me incomodava o machismo, a arrogância, as manobras, as manipulações e sobretudo o autoritarismo na tomada de decisões.

Certa vez um professor me disse que eu deveria ler os anarquistas. Putz, que alívio eu senti quando folheei as primeiras páginas do livro do Woodcock!  Acho que essa seleção de textos, inclusive, era a única publicação disponível antes do Plínio começar a lançar todos aqueles livros sobre anarquismo.

De volta a Brasília, esbarrei com uns gatos pingados na rua distribuindo panfletos de voto nulo. Me aproximei, me apresentei e logo fui convidada a participar das reuniões do Coletivação. 

Aí sim eu me senti numa turma boa! Os encontros eram descontraídos, estávamos todos confortáveis no mesmo degrau, falava quem queria falar, sem supremacia, ouvíamos uns aos outros, e as decisões eram tomadas pelo grupo.

>> Para ler a entrevista na íntegra, clique aqui:

https://ielibertarios.wordpress.com/2026/02/09/instituto-de-estudos-libertarios-entrevista-sofia-fernandes/

agência de notícias anarquistas-ana

Uma chuva leve.
João-de-barro feliz
Quer barro fresquinho.

Eric Felipe Fabri

Antiteísmo Revolucionário; ou, uma Introdução à Filosofia Anarco-Satânica

Tradução de Antiteísmo Revolucionário; ou, uma Introdução à Filosofia Anarco-Satânica (Incluindo uma história incompleta do simbolismo Satânico no pensamento anarquista)

Texto de Church of Satan Anarchist [Igreja de Satã Anarquista]. Tradução por Cello Pfeil, do inglês para o português, em dezembro de 2025.

Embora não seja explicitamente sobre anarquismo queer/cuír/trans, esse texto toca em pontos fundamentais sobre a demonização de pessoas trans e o papel de anarquistas e satanistas não “contra” essa demonização, mas contra a construção negativa da figura de Satã. Nesse texto, há referências históricas importantes sobre os processos de demonização e monstrificação das dissidências sexuais e de gênero.

Ressalta-se que o satanismo não é tido como uma religião, mas sim como uma forma radical de ateísmo (ver o título, “Antiteísmo revolucionário”), e que são feitas críticas ao satanismo moderno.

>> Para baixar o texto, clique aqui:
https://transanarquismo.noblogs.org/files/2026/02/trad-antiteismo-pfeil.pdf

agência de notícias anarquistas-ana

Com este calor
sapo não vem nadar
— medo de virar rã

Rogério Viana

[EUA] Prisioneiro anarquista Casey Brezik libertado

Após 15 anos na prisão, o prisioneiro político anarquista Casey Brezik voltou para casa!

Ele está se adaptando bem e animado com a vida, mas precisa de ajuda para recomeçar. As despesas de subsistência e as necessidades básicas podem ser difíceis de satisfazer sem um emprego, conexões e experiência nesta realidade capitalista em fase terminal e impulsionada pela tecnologia. Qualquer contribuição ajudará a aliviar o trabalho e a ansiedade que qualquer pessoa enfrentaria após quase duas décadas num sistema prisional altamente controlado e hiperviolento.

Faça sua doação em $caseybrezik no Cashapp.

Casey é um anarquista da região de Kansas City que foi acusado de cortar a garganta do reitor do Metropolitan Community College-Penn Valley. Isso ocorreu quando o governador do Missouri, Jay Nixon, estava programado para dar uma palestra na faculdade. Em fevereiro de 2011, o estado declarou-o incapaz de ser julgado, o que significa que ele foi forçado a permanecer internado em uma instituição psiquiátrica até junho de 2013. Ele foi condenado a 12 anos por cada uma das três acusações – agressão e duas acusações de ação criminosa armada – e a sete anos por uma segunda acusação de agressão.

Relato de Casey sobre o que aconteceu:

Para quem puder ajudar, também é possível fazer doações via Venmo: @Casey-Brezik

Fonte: https://abolitionmedia.noblogs.org/27428/  

Tradução > Reno Moedor

agência de notícias anarquistas-ana

Um mundo de orvalho,
E em cada gota de orvalho
Um mundo de lutas.

Issa

Psicoterrorismo como arma estatal

Por Reno Moedor | Fevereiro de 2026

De grupos bolsonaristas de whatsapp de pessoas comuns influenciadas pela didática do extermínio do seu diferente, até o crime organizado, o uso do psicoterror ou do “psyops” pra outros, já vem sendo utilizada de muito tempo atrás. Hoje a mudança é que os hackers “red team e blue team” estão passando para o lado da perseguição estatal para fins ideológicos e se vangloriando disso abertamente. Uns comemoram o suicídio de um alvo com festas e churrascos em clubes da Aeronáutica, outros se vangloriam junto à mão de obra terceirizada do crime organizado da perseguição contínua do alvo até que este enlouqueça, e outros são chamados para palestrar em centros de psyops na escola superior de guerra do país. 

Longe de um artigo científico, isso é apenas um breve relato do que tenho visto e vivido nos últimos três anos como alvo destes grupos. 

Conhecido pelos irmãos comunistas e anarquistas perseguidos na ditadura, através de treinos pelas forças especiais do braço armado do país, trago aqui um breve relato para tentar divulgar cada vez mais, que estes grupos nunca deixaram de operar, agora estando muito mais organizados financeiramente e juridicamente, no STJ são os chamados grupos C4 de vendas de sentença, incluindo capatazes da polícia civil e policiais militares da ativa, executores do exército, e capangas do entorno de Brasília (316 norte) residentes no Goiás, no Pará, e trabalhadores cooptados pela ideia do poder do monitoramento ilegal, sejam elas: porteiros, vigilantes de patrimônio privado, vigilantes de hospitais e escolas, vendedores, auxiliares de limpeza, etc. 

A detecção

O ataque deles se expande quando você vê seu celular sendo uma espécie de “beacon”, para mapear seus amigos. Após os conhecidos IOCs psicológicos, são aqueles em que você ouve alguma informação privada sua sendo falada por pessoas que não são de seu convívio, você precisa validar a detecção do IOC técnico. Pois se eles têm acesso à essas informações, tem sempre algum meio, se não for por p2 geralmente é seu celular!

Graças a uma ferramenta (Avilla Forensics) de um desses poucos policiais éticos que existem por aí, foi possível identificar alguns indicadores de comprometimento e notar a invasão de um suposto aplicativo espião no meu Android, onde verifiquei que o invasor salvava as imagens e prints através do seu computador, ou seja, quando se salva imagens pelo Whastapp Web, a pasta destino é a Private, sendo apenas possível verificar este conteúdo da pasta, após o downgrade do aplicativo para ultrapassar as barreiras criptográficas atuais, seguindo o passo a passo de forense no youtube qualquer um consegue fazer isso, que é dado junto do app que é open source, inclusive por lá foi possível ver grupos de amigos do ZAP que não fazia parte, ou seja que eu não estava dentro do grupo, sendo monitorados sem nenhum escopo, sua mãe e famílias também, através do programa IPED que já vem junto desse mesmo app, mas vou logo dizendo que foi trabalho de formiguinha pois você tem que ir foto por foto, verificando se são suas aquelas ou se foram colocadas lá por quem te investiga…

Finalidades do psyops

A ideia do psyops é sempre uma, manter o alvo com medo, medo de sair, medo de viver, até que encurralado, pois no mercado que vai, na escola que vai deixar o filho, na academia, na vida do dia a dia normal, vai ter um agente observando-o. E a finalidade é sempre a mesma, a do autocídio ou de tentar enlouquecer o escolhido pelo grupo. No RJ, no MS, no RN, esses grupos se multiplicam, mas no DF é bem diferente, aqui é oculto. Camaradas que trabalham em cargos públicos também relatam essas perseguições por governistas, pois parece que o governo Lula resolveu deixar alguns bolsonaristas em cargo de comando, o que é uma maluquice completa.

No emprego, onde existia certa paz, se torna outro ambiente de guerra pois exposta suas ações, indivíduos pensam que podem seguir um assédio moral ininterrupto e continuam mesmo após serem processados.

A última opção que consegui foi trabalhando online pois lá eles não conseguem interferir. A Telus International, programa conhecido por ex detentos, tem ótimos programas para brasileiros e pagam em dólar, é o que tem me mantido até então.

A nossa realidade é muito diferente da dos partidários. Pois eles insistem em dizer que a ação direta é uma coisa negativa, dando brechas para todo tipo de brutalidade contra nossos coletivos ao redor do mundo. Por isso somos alvo mais frequente desses grupos de extermínio. Lembrem-se que eles são extremamente covardes e aterrorizam quem for, até de fora do escopo investigativo de uma possível persecução penal legal.

Da maturidade das consequências de nossas ações

Nossa maturidade deve ser no nível do filme “A battle after another”,nele, mesmo 30 anos depois, um coronel insiste em perseguir dois ativistas, claramente anarquistas que lutam contra todo tipo de opressão, ali mesmo após todo esse tempo, os kompas ligam para uma central que dá um local para eles ficarem sem correrem maiores riscos, através de códigos de segurança, onde tem comida, paz para relaxar um pouco, um emprego, armas…

Das defesas do psicoterrorismo

Mas por incrível que pareça ainda temos o direito à personalidade, que está intimamente ligada à LGPD. Alguns juristas consideram esses direitos como sendo compatíveis ao princípio do direito à privacidade. Ou seja, colha provas para no momento certo você ainda faturar uma grana em cima dos capitalistas safados através de um processo de danos morais, contra à honra e outras coisas mais.

Percebi também que mesmo a polícia civil não fazendo nada, um boletim de ocorrência assusta esses “Tonhão”, terceirizados. Não assusta os canalhas moradores servidores públicos perseguidores, mas os terceirizados ficam mais assustados quando fazemos denúncia de perseguição e stalking. Portanto, use também dessa arma. 

A nossa percepção magika também contribui para uma detecção de contra inteligência, a mediunidade ajuda em certos casos se você souber ouvir o silêncio, mas não desesperar também para não sair de casa na hora errada e dar de frente com quem o persegue. Tudo tem que ser no tempo exato, sem culpa, sem desespero, mas também com legitima defesa, fios ligados em grades de porta, maçanetas, grades de janela, segurança física e jurídica sempre à postos para enfrentar qual perigo for, treinamentos de lutas marciais também são sempre bem vindas.

Tudo se torna ferramenta no sentido absoluto da materialidade e espiritualidade, pedir proteção aos nossos guias e à nossa ancestralidade, pode se tornar um diferencial em meio a esses brutalizados. 

No mais continue viva, você não está sozinha. Saúde e anarquia.

agência de notícias anarquistas-ana

Lento dia:
um faisão
repousando sobre a ponte.

Buson