[Portugal] Crowdfunding: Por um novo Ateneu Libertário em Lisboa!

O espaço que o Centro de Cultura Libertária (CCL) ocupa e arrenda há quase 50 anos está novamente em perigo. A contínua pressão exercida pela gentrificação e pelo mercado imobiliário, que tantas pessoas e associações tem despejado e forçado a sair do centro das cidades, volta a atingir o CCL, desta vez com força definitiva: depois de anos de ameaças e processos de despejo a que resistimos, em Março de 2024 o CCL terá mesmo de deixar a sua histórica sede em Cacilhas.

Queremos um espaço novo que sirva não só o CCL como também a comunidade libertária portuguesa, um espaço protegido de novas ameaças de despejo, que nos pertença. Por isso, o coletivo do jornal centenário A Batalha e o coletivo da BOESG decidiram juntar os seus esforços ao CCL para a aquisição de um espaço conjunto que seja um novo Ateneu Libertário na zona de Lisboa. Um espaço que aloje a biblioteca, o arquivo e a livraria do CCL, e também os importantes acervos da BOESG e de A Batalha. Um espaço de difusão e proteção da cultura libertária que tenha por objetivo a recuperação e a proteção da memória, o encontro e o dinamismo das ideias anarquistas. Um espaço aberto a novos e velhos coletivos que dele queiram fazer uso.

Nos próximos meses multiplicaremos as iniciativas de angariação de fundos e apelamos à contribuição de todas as pessoas e coletivos solidários através de donativos, da realização de eventos e da divulgação da campanha. Sabemos que temos pela frente uma difícil tarefa, mas acreditamos que pela força do conjunto e pela solidariedade anarquista conseguiremos levar esta ideia a bom porto.

Dados da conta bancária para donativos:

Titular: CENTRO DE CULTURA LIBERTÁRIA

IBAN: PT50003501790000215493029

BIC: CGDIPTPL

MBWAY: 913 125 532

Liberapay: https://liberapay.com/CCL/donate

Paypal: https://www.paypal.me/cculturalibertaria

Crowdfunding: https://whydonate.com/en/fundraising/anarchistcenter

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agência de notícias anarquistas-ana

a chuva no charco
traça círculos
sem compasso

Eugénia Tabosa

[Itália] Uma caixa de solidariedade para os condenados de Brennero

O veredito da apelação no julgamento da manifestação de Brennero de 7 de maio de 2016 determinou mais de 120 anos de prisão. Se as condenações forem mantidas na Suprema Corte, cerca de 30 companheiros podem acabar atrás das grades, vários outros precisarão de uma casa onde possam cumprir prisão domiciliar e, em todos os casos, não faltarão despesas para arcar.

Coletivo foi o evento “Derrubando fronteiras” e, da forma mais coletiva possível, gostaríamos que fosse a maneira de lidar com a repressão, para que ninguém se encontre sozinho.

Por isso, decidimos criar um fundo de solidariedade.

Não apenas um número de conta para o qual as contribuições financeiras podem ser enviadas, mas também um contato para material informativo, para combinar possíveis intervenções em concertos ou outras iniciativas de solidariedade, um espaço no qual possamos nos confrontar.

Enquanto os massacres de imigrantes no mar continuam, os recintos de detenção administrativa se ampliam e o terror policial aumenta em relação àqueles que não têm os documentos certos em seus bolsos; enquanto os trabalhadores em logística e no campo se organizam e resistem contra o racismo do Estado e a exploração patronal; enquanto o rearmamento e os planos de guerra se intensificam, arrancando milhões de seres humanos de seu mundo e atacando aqueles que não se alinham; enquanto o controle tecnológico separa cada vez mais os incluídos dos excluídos, as razões pelas quais fomos em Brennero em 7 de maio só se multiplicaram. Se, acima de tudo, é na continuação da luta contra a guerra e as fronteiras que se expressa a solidariedade com os condenados por esse dia, uma caixa de apoio é uma pequena – mas necessária – peça.

As contribuições financeiras podem ser feitas para o IBAN:

IT04H3608105138216260316268

em nome de Kamilla Bezerra (especificando “solidariedade Brennero”).

Para contatos: cassasolidarietabrennero@riseup.net

Aqui estão alguns links úteis sobre os motivos, as modalidades e as consequências da manifestação de Brennero:

https://abbatterelefrontiere.blogspot.com/p/documenti.html

https://abbatterelefrontiere.blogspot.com/2016/05/7-maggio-una-giornata-di-lotta.html

https://ilrovescio.info/2021/05/16/manifestazione-al-brennero-condanne-per-166-anni/

https://ilrovescio.info/2023/02/03/dichiarazione-al-processo-dappello-per-la-manifestazione-del-brennero/

https://ilrovescio.info/2023/03/19/sentenza-dappello-del-processo-brennero

Fonte: https://ilrovescio.info/2023/09/02/una-cassa-di-solidarieta-per-i-condannati-e-del-brennero-it-de/

Tradução > Liberto

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o velho coelho
só se reproduz
no espelho

Millôr Fernandes

[São Paulo-SP] No CCS, 16/09: “O Anarquismo em Cuba” | “História social cubana a partir de uma perspectiva anarquista”

No próximo dia 16 de setembro, sábado, a Editora Entremares e o Centro de Cultura Social realizam o lançamento do livro “O Anarquismo em Cuba”, de Frank Fernández, e convidam o companheiro Cassio Brancaleone para uma conversa sobre a “História social cubana a partir de uma perspectiva anarquista”.

A ideia é resgatar a história das lutas sociais em Cuba a partir da história de seus atores e organizações.

O evento acontece no espaço do CCS, rua General Jardim, 253, sala 22, e terá início às 16h e a entrada é gratuita!

Convide as pessoas amigas e não deixe de comparecer!

Centro de Cultura Social (CCS)

Rua General Jardim, 253, Sala 22 – Próximo ao metrô República — Vila Buarque – São Paulo – SP

#anarquismo #anarquia #cuba #revolução #lançamento #livro #ccs #centrodeculturasocial

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Jardim sem rosas
Camisa aberta
Sem nenhum botão

Maria Cristina Dias Alves

[Chile] Palavras desde o cárcere de Joaquín García em solidariedade com Marcelo Villarroel.

Temos sido terrivelmente constantes em pôr sobre a mesa em cada instância política, jurídica e intracarcerária a aberração que significa manter condenações emanadas da promotoria militar sobre Marcelo Villarroel; a situação em que se encontra não aguenta uma análise bem feita, é evidente que o Poder busca qualquer resquício legal ou ilegal para perpetuar uma condenação que a todas as luzes é inviável.

Não existe nem nele, Marcelo, nem em nós, anarquistas e subversivos, nenhum tipo de mendicância ou vitimismo frente a esta situação particular ou o cárcere em geral, transitamos por esta trincheira com altos e baixos, mas nos mantemos em pé orgulhosos frente a cada ataque do inimigo e do mesmo modo utilizaremos cada ferramenta para enfrentá-los, mas sempre com consciência e tendo presente que nem tudo é válido, nossa moral, nossos códigos, são a bússola de nosso confronto.

Pela anulação das condenações da promotoria militar!

A multiplicar as ações de ataque e propaganda!

Joaquín García Chancks

CP Rancagua

Setembro 2023

Tradução > Sol de Abril

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Velha lagoa
um sapo mergulha
barulho d’água.

Matsuo Bashô

Ronald Creagh morre aos 94 anos em Montpellier, França

Ronald Creagh nasceu em 1929 e faleceu no último dia 8 de setembro. Ele foi um sociólogo e anarquista, conhecido por seus estudos sobre as comunidades utópicas norte-americanas. Ministrou aulas na disciplina Civilização Americana em Montpellier, França. Além de Laboratoires de l’Utopie (1983), que abordava as comunidades libertárias nos Estados Unidos da América nos séculos 19 e 20, Creagh também escreveu L’Affaire Sacco et Vanzetti (1984), La Déférence, l’insolence anarchiste et la démocratie (1998) e Terrorisme, entre spectacle et sacré (2001).

>> Link direto para uma resenha traduzida sobre o livro Laboratoires de l’Utopie:

https://drive.google.com/file/d/1LfR_NbBryqoVdUDmYkP5RRx20CWQZDRb/view?fbclid=IwAR1H

Biblioteca Emma Goldman

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pequenos dedos
das gotas de chuva
massageiam a terra

Carlos Seabra

[Bélgica] Como o sistema protege a polícia e a polícia protege o Estado

Na terça-feira, 12 de setembro, o Anarchive oferece uma noite de apresentação + discussão sobre o tema da repressão policial e o sistema que a protege.

Daremos assim as boas-vindas ao coletivo “Désarmons-les!” que organiza a resistência à violência policial e estatal, bem como ao antiterrorismo na França há 10 anos, desde uma perspectiva anarquista. Lutando ao lado de pessoas preocupadas principalmente com a violência racista do Estado, mas também com a repressão política, o coletivo deseja partilhar o trabalho que realiza, bem como as formas de resistência coletiva que estão a emergir.

Para quem ainda não assistiu ao filme produzido pelo coletivo: A NOS CORPS DEFENDANTS recomendamos vivamente (trailer aqui https://vimeo.com/380032242 e filme com acesso gratuito aqui https://vimeo.com/390496893).

Não hesite em trazer bebidas/comida para desfrutar.

Ansiosa para ver você lá!

Os Anarchivistes

COMO O SISTEMA PROTEGE A POLÍCIA E A POLÍCIA PROTEGE O ESTADO

Terça-feira, 12 de setembro de 2023 | 19h30 – 22h00 | Anarchive, Rua Josaphat, 101, 1030 Schaerbeek, Bruxelas

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sonho colorido
o sol dança com a lua
você comigo

Carlos Seabra

[Chile] 50 anos do golpe: “Nunca Mais” Estado e Capital

“(…) A experiência indica que os trabalhadores, ao manterem esse movimento [de tomada de fábricas], compreendem a essência reacionária do Estado burguês, ao verem na prática a atitude do governo em relação a eles. Longe de acreditar em uma transição pacífica, eles estão se dando conta de que a única maneira de colocar as coisas em ordem é acabar com esse estado-maior da burguesia que é o governo”[1].

Mais de três mil pessoas foram assassinadas, entre elas mais de mil desaparecidos. Dezenas de milhares que passaram por centros de detenção e campos de concentração, vítimas do horror da tortura, enquanto um território inteiro era devastado pelo terror uniformizado. Mulheres, homens, meninas e meninos fazem parte desses números terríveis. Por que esse nível de brutalidade e crueldade? Contra quem toda essa violência genocida foi dirigida? O que eles queriam enterrar após o golpe sangrento de 11 de setembro de 1973? Esse terrorismo de Estado era realmente novo?

Hoje, as narrativas da esquerda e da direita convergem para a necessidade de defender a democracia e atribuem mutuamente a responsabilidade pela quebra da ordem constitucional naqueles anos. Sob essa premissa, constroem seus discursos de “Nunca Mais”: se não querem que o horror volte, há margens que não podem ser ultrapassadas. Quais? A legalidade que permite e ordena a produção e o acúmulo contínuos e sempre crescentes de capital. A necessidade de defender a ordem democrática a todo custo deriva da necessidade de reprodução do capital.

Portanto, a carnificina desencadeada após o golpe não foi apenas uma manobra maquiavélica do “imperialismo ianque” (embora a interferência do governo dos EUA na estratégia do golpe e na repressão subsequente esteja totalmente comprovada), nem foi apenas a reação de uma burguesia crioula assustada contra um governo de esquerda anti-imperialista que tentou alcançar a “justiça social” por meios pacíficos. Não foram as reformas do bloco liderado por Allende que motivaram a sangrenta resposta militar, mas sim a atividade das bases de um movimento que, desde a década anterior, vinha tendendo à radicalização maciça e colocando em marcha experiências autônomas que rompiam com a estrutura legal e procuravam responder por si mesmas às demandas e necessidades de seus protagonistas, com a consciência de que a revolução social era o caminho a seguir. Diante dessas lutas, a classe capitalista local e mundial respondeu com brutalidade, afogando em sangue um processo que havia capturado o interesse do anticapitalismo em todo o mundo.

Assim, embora as lembranças da contínua repressão policial e militar não pudessem ser apagadas da memória popular, desde o “massacre da escola de Santa María de Iquique”, em 1907, até o massacre de Pampa Irigoin, em Puerto Montt, em 1969, após seu triunfo eleitoral, a coalizão reformista fez acordos de governabilidade justamente com o partido responsável pelos assassinatos na cidade do sul no ano anterior[2] e tentou seduzir as forças armadas, incentivando o mito da tradição democrática dessas forças, um mito que explodiu na sua cara na manhã de 11 de setembro, Depois que o mesmo “camarada presidente” incorporou os militares ao seu gabinete em 1972, apesar das advertências explícitas dos trabalhadores e camponeses de base, e reprimiu a atividade autônoma dos Cordones Industriales e outras experiências de ação direta (em Punta Arenas, em 4 de setembro de 1973, os militares invadiram a empresa “Lanera Austral” em busca de supostas armas, sob a cobertura da Lei de Controle de Armas promovida pelo próprio governo, que terminou com o assassinato do trabalhador Manuel Gonzalez).

O programa da UP estava em continuidade com o governo anterior de Frei, buscando modernizar o capitalismo na região, o que causou as esperadas fissuras e confrontos entre os diferentes setores da burguesia, mas também teve que lidar com a contenção da ascensão do movimento proletário que, no Chile como em todo o mundo, ameaçava a ordem dominante e se recusava a se conformar com o papel de espectador ao qual todo o espectro político queria condená-lo. Foi essa resistência à passividade, o impulso de assumir o controle de suas próprias vidas, que contagiou uma grande parte da população, que realmente assustou a classe capitalista como um todo. O capitalismo mundial teve que se reestruturar para responder à crise que havia atingido naqueles anos, e essa reorganização teve que ser imposta com sangue e fogo, especialmente quando havia a ameaça de transformar a crise em uma solução revolucionária liderada pelo próprio proletariado, que deu sua energia e criatividade para responder à atividade reacionária dos aparatos clássicos da burguesia e gerou suas próprias instâncias de coordenação e organização, superando e confrontando a burocracia dos partidos do governo instalados nos sindicatos e em outras organizações.

“Estamos absolutamente convencidos de que, historicamente, o reformismo que é buscado por meio do diálogo com aqueles que traíram repetidas vezes é o caminho mais rápido para o fascismo. E nós, trabalhadores, já sabemos o que é o fascismo… Consideramos não apenas que estamos sendo conduzidos pelo caminho que nos levará ao fascismo em um tempo vertiginoso, mas que fomos privados dos meios para nos defendermos”[3].

“Nós nos organizamos, camarada, nas frentes populares. Nós nos organizamos nas frentes de trabalhadores, nos sindicatos. Também nos organizamos nos cordões de isolamento e ainda estamos dizendo, camarada, que “não é hora” e que há um poder legislativo e um judiciário. Pediram-nos que nos organizássemos, desde o início, desde a população até o nível mais alto, e até agora nos organizamos, camarada, e ainda estamos dizendo que o “camarada presidente” ainda está nos pedindo calma, que continuemos a agir dessa forma e que continuemos a nos organizar, mas para quê? … A verdade, camarada, é que o povo, os trabalhadores estão se cansando disso, porque isso é um processo e nós estamos lutando contra a burocracia e dentro de nós mesmos, dentro de nossas próprias defesas, dentro de nossos próprios sindicatos, dentro de nosso próprio poder, camarada, como é a CUT, a burocracia ainda está lá, camarada… Até quando? … e os camaradas continuam nos pedindo calma, até quando, camarada? … se isso já está indo longe demais” [4].

“Ou seja, a repressão burguesa triunfa em meio ao processo de unificação e autonomia da classe trabalhadora. Agora entendemos, no meio do caminho, o que o golpe produziu. A constante repressão da burocracia da UP contra a luta independente da classe, sua dissolução após o golpe, permite que as Forças Armadas e a burguesia continuem essa tarefa, mas sob as condições, agora, da contrarrevolução: de forma massiva, com sangue e fogo. Nem mesmo o dobro de armas teria mudado a atitude da UP. Isso não foi uma expressão de bravura ou covardia, mas de seus objetivos políticos e econômicos. Um dos poucos mártires da liderança da UP que morreu em combate, Salvador Allende, estabeleceu claramente, por meio de suas palavras e ações, o comportamento de um homem que liderou consistentemente a implementação do programa reformista: ele cai defendendo os princípios da honra, da democracia burguesa, de uma constituição, em suma, que selou legalmente a exploração secular da classe trabalhadora. Ele morre defendendo a casa dos presidentes. Mas quem poderia ter exigido que ele lutasse ao lado dos trabalhadores nos cordões industriais, se eles eram a negação do que ele defendia? Ninguém. Nem mesmo os trabalhadores exigiram isso (…) Mas aqueles que pediram à UP, por três anos, que cumprisse seu programa, sem entender a profundidade da atividade política da classe trabalhadora, também foram consistentes durante o golpe. Primeiro, exigiram que a UP lutasse e, quando ela obviamente não o fez, recuaram para proteger seu partido. Eles ainda não entendiam que no estado de consciência e organização da classe trabalhadora estava a única resposta possível ao golpe militar”[5].

No entanto, hoje em dia, o que deveria ser a principal lição histórica daquele período ainda parece indefinido: A confiança na institucionalidade, na participação no Estado, foi o cerne da derrota de nossa classe há cinquenta anos e foi novamente há quatro anos, quando, em vez de afirmar as redes que se espalharam pelos bairros depois de 18-19 de outubro, desfilaram maciçamente para as urnas e a combatividade implantada em todas as cidades e territórios da região chilena foi novamente sequestrada e pacificada por meio de formas de domesticação democrática, abrindo caminho para a contrarrevolução e semeando o mal-estar nas centenas de milhares de pessoas que se manifestaram nas ruas e praças por mais de três meses.

Não deixamos de sentir a dor desencadeada pela brutalidade do Estado. Não cessar a luta por um mundo radicalmente diferente da miséria do Capital é manter viva a memória daqueles que nos antecederam. Mas para acabar com as derrotas, precisamos examinar criticamente nosso passado e nosso presente. Um olhar sem mitos ou idolatria. Não podemos aspirar a imitar um movimento nascido em um determinado contexto histórico, mas podemos entender quais dinâmicas desenvolvidas por esse movimento provaram ser um obstáculo intransponível e tentar não reproduzi-las nas lutas atuais.

CONTRA SEU SISTEMA DE MORTE, VAMOS EM DIREÇÃO À VIDA!

[1] Entrevista com trabalhadores da fábrica ocupada COOTRALACO, Revista “Punto Final” N° 90, outubro de 1969, um ano antes da eleição de Allende.

[2] O famoso “Estatuto de Garantias Constitucionais” assinado com a Democracia Cristã-DC.

[3] “Carta dos Cordones Industriales a Salvador Allende”, 5 de setembro de 1973.

[4] Intervenção de um camarada em uma assembleia da CUT nos últimos dias da UP. Extraído do documentário “La Batalla de Chile, Parte II (El Golpe de Estado)”.

[5] Artigo “Quem somos”, no jornal “Correo Proletario” N° 2, novembro de 1975.

Fonte: https://hacialavida.noblogs.org/a-50-anos-del-golpe-nunca-mas-estado-y-capital/

Tradução > Liberto

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Não é meia-noite
e as mariposas cansadas
já dormem nas praças.

Humberto del Maestro

[Chile] Palavras de Mónica Caballero em solidariedade com Marcelo Villarroel.

Para quem decidimos não aceitar o discurso dos poderosos, sabemos que os princípios jurídicos que cimentam a legalidade do Estado não são aplicados a todo mundo da mesma forma. O papel pode aguentar muito e pode nos mostrar uma visão muito longe da realidade.

A realidade do poder nos nega que existam pessoas castigadas por serem abertamente inimigas de suas formas dominadoras, e que em prol de ser os mais implacáveis violam suas próprias leis. Não pretendo que os Poderosos atuem corretamente, mas nem por isso perderei a oportunidade de evidenciar o uso de suas sujas ferramentas contra os que enfrentam os opressores.

No dia de hoje Marcelo Villarroel completa quase 29 anos de presídio em 3 períodos não podendo por anos alcançar benefícios carcerários, tudo isso pelas condenações que tem pendente da promotoria militar. Ainda lhe restam 13 anos para cumprir na prisão para recém postular.

O poder nega o tratamento especial que tem com Marcelo, se fosse tratado como um preso comum hoje mesmo estaria na rua.

Abaixo todas as jaulas!

presos subversivos e anarquistas à rua!

Mónica Caballero Sepúlveda

Prisioneira Anarquista

Cárcere de San Miguel.

Santiago, setembro 2023.

Tradução > Sol de Abril

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Os trigais maduros…
Escassas lanças doiradas
na guerra da fome.

Evandro Moreira

[Chile] Palavras de Francisco Solar em Solidariedade com Marcelo Villarroel.

Solidariedade é ataque.

Não é fruto de uma profunda análise que golpeando com contundência e com frequência, é possível dobrar a mão do Poder. Isto ficou demonstrado em múltiplas experiências de luta em diversos territórios e em diversas épocas.

Nestes momentos a situação do companheiro Marcelo Villarroel requer, sem dúvida, dessa decisão e vontade coletiva e individual para conseguir que o Poder e seu aparato jurídico se dobre. São vários os documentos, escritos e comunicados que se difundiram nos últimos tempos que expõem a situação de Marcelo e a aberração jurídica que lhe estão aplicando, onde em última instância se percebe uma clara razão de Estado para mantê-lo preso. Portanto, o que resta é atuar para conseguir a saída à rua do companheiro e assim abrir caminhos insuspeitos para a volta à rua dos presos anarquistas e subversivos.

Marcelo Villarroel à rua!!

Presos anarquistas e subversivos à rua!

Viva a anarquia!

Francisco Solar Domínguez

Cárcere La Gonzalina – Rancagua

Set 2023

Tradução > Sol de Abril

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Tarde de inverno:
Sobe do fundo dos vales
A sombra das montanhas.

Paulo Franchetti

[Chile] Palavras Anárquicas Solidárias com o companheiro Marcelo Villarroel

Como companheiros anárquicos, subversivos, e declarados inimigos do poder, é sumamente importante gestar instâncias onde se conflitua a nefasta ordem desta sociedade, que ainda permite represálias aos que combateram e combatem a herança da ditadura de Pinochet, a qual ainda hoje segue sendo tangível nesta realidade carcerária que hoje diversos companheiros estamos habitando.

O caso do companheiro Marcelo Villarroel é o vivo exemplo disso, que hoje segue sob as repugnantes condições da justiça militar.

Ainda que a sociedade busque instâncias de reconciliação jamais será viável, por que há os que cultivamos a memória e temos claro que o único caminho é a vingança, nossa história se marca com o sangue de tantas mulheres e homens que em diversos contextos de luta, repressão, desaparições, tortura e morte, marcaram um presente no cotidiano dos anos mais obscuros deste território.

A liberdade está sendo restringida por diversos aparatos e artimanhas com nosso companheiro e a necessidade de agitação é uma urgência para enfrentar e ver nosso apoio irrestrito.

Aproveito para saudar a todos os companheiros de diversos territórios que fazem da luta um cotidiano, aos diversos homens e mulheres combatentes, militantes, rebeldes que na ditadura deram a vida por combater e derrubar o poder todo meu respeito, a estes 50 anos que nada se resolveu, agitação pela anulação das condenações da justiça militar contra o companheiro Marcelo Villarroel.

Cativos em conflito à rua!

Lucas Hernández Valdés.

Preso Anarquista.

Carcel-Empresa Stgo 1. Setembro 2023.

Fonte: Buscando la Kalle

Tradução > Sol de Abril

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a casa
a lua o sol
nem sempre só

Estrela Ruiz Leminski

 

[Espanha] VI Encontro de escritos libertários (2023)

Pelo sexto ano volta o Encontro de escritos libertários com umas completas jornadas de difusão e reflexão sobre diferentes temas desde posições libertárias.

A cultura, a reflexão e a diversão se combinam nestas jornadas. Documentários, palestras e apresentações, teatro, uma mesa redonda, microfone aberto. Também, participarão editoras e haverá postos de fanzines e livros.

Na segunda-feira, 11 de setembro, começam as jornadas com a projeção de “Un guerrillero llamado Santeiro”, documentário que recupera uma parte da história da guerra e do pós guerra em El Bierzo.

Continuando com a recuperação da memória histórica, na terça-feira se representará em Sierra Pambley 1975. “Verbenas de agosto”, uma peça teatral sobre as lembranças não compartilhadas sob a ditadura.

No dia seguinte volta a tradicional mostra de vinhetas libertárias nas ruas. Previamente, uma palestra nos aproximará da figura de B. Traven, mais conhecido como Ret Marut, escritor e ator de teatro anarquista do S. XX.

Nos adentramos na quarta-feira com o projeto de Errekaleor, um bairro em Vitoria-Gasteiz autogestionado há dez anos. Em seguida será a vez das línguas das minorias, uma palestra que permitirá conhecer a situação tanto das línguas co-oficiais como não oficiais, entre elas, o asturleonés.

Na tarde de sexta-feira começa com a apresentação de um projeto artístico sobre o aborto espontâneo desde a criatividade e a reflexão. Seguidamente, acontecerá uma mesa redonda sobre o movimento LGBTIAQ+ e se dinamizará a noite com um microfone aberto de poesia.

No fim de semana haverá atividades todo o dia começando com um intercâmbio de sementes ao qual seguirá um comedor para recuperar forças. Já pela tarde se apresenta o último número da revista feminista “La madeja” e dois livros de crítica social e anarquista.

No domingo, último dia das jornadas, começa com uma rota teatralizada que percorrerá as ruas de León mostrando as greves e manifestações dos últimos 70 anos. Depois de repor forças, o Encontro concluirá com uma rifa colaborativa para apoiar a organização das jornadas.

alcuentrullibertariollion.wordpress.com

Tradução > Sol de Abril

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Bolha de sabão.
Uma explosão colorida
sem nenhum estrondo.

Maria Reginato Labruciano

[França] Justiça Negligente… Para Fascistas

ENQUANTO MANIFESTANTES DE SAINTE-SOLINE VÃO A JULGAMENTO EM NIORT, O TRIBUNAL DE PARIS RETIRA AS ACUSAÇÕES CONTRA NEONAZISTAS

Os fatos remontam ao dia 14 de dezembro, em Paris, noite do jogo França-Marrocos da Copa do Mundo de futebol masculino. Uma gangue de várias dezenas de militantes encapuzados de extrema direita foi presa em posse de sacos cheios de armas. O projeto deles? Ir e espancar, até matar, já que tinham armas brancas, torcedores marroquinos nos Campos Elísios. Eles carregam gás, cassetetes, martelos, proteções… Eles também dispunham de um “cartão de legionário e um cartão de circulação militar”, segundo o Le Monde.

38 prisões. Todos liberados. Incluindo o líder, o descendente de uma dinastia de nobres, Marc De Caqueray-Valeunier. Este líder da matilha está coberto de tatuagens nazistas, incluindo o símbolo da SS em uma perna, e comete atos de violência há anos. Esteve na linha da frente para atacar os Coletes Amarelos, depois durante um ataque a um bar antifascista parisiense ou para espancar ativistas do SOS Racisme numa reunião em Zemmour, entre outros fatos. Em 2020, ele até divulgou uma foto sua com uma Kalashnikov na mão, uniforme e símbolo da SS no colete. Foi na Arménia, onde o conflito contra o Azerbaijão é visto como uma guerra santa para a extrema direita. Ele também viajou para a Ucrânia para se juntar ao Batalhão neonazista Azov. Ele estava à frente de um grupo ultraviolento dissolvido: os Zouaves Paris.

Um centésimo desse pedigree do lado anticapitalista é enviado imediatamente para a prisão sob um regime antiterrorista. Já não contabilizamos os manifestantes que cumprem penas pesadas por simples presunções. Mas não para este neonazista. Ele é um informante da polícia? Protegido por sua condição de filho de um nobre? A justiça aprecia tanto os fascistas? Um pouco de tudo isso, sem dúvida.

Os outros perfis são do mesmo tipo, de alta burguesia: um deles está na escola de negócios e ganha quase 20 mil euros por ano, outro é agente imobiliário no bairro mais caro da França, um terceiro quer ser prefeito… Tudo para agradar a justiça de classe.

A polícia parece ter preparado o terreno para a defesa dos nazistas: uma bolsa pertencente a um dos réus teria cassetetes, mas esta bolsa foi “perdida” durante o procedimento. Além disso, 31 indivíduos detidos já tinham se beneficiado de licenças ou de alternativas à acusação.

Assim, o julgamento deste grupo racista parecia precipitar-se para a libertação. Aconteceria nesta sexta-feira, 8 de setembro. No entanto, não houve sequer um julgamento… eles simplesmente não foram julgados. Sete homens compareceram ao tribunal em Paris. Três militantes de Rouen e quatro do GUD, um grupo neonazista. Antes mesmo de debater os fatos, os juízes simplesmente cancelaram todo o procedimento por “irregularidades”. Pronto, sem debate. O tribunal considera que a detenção dos arguidos num bar “não se enquadrava no âmbito de atuação atribuído à polícia” naquela noite. Eles estão, portanto, todos livres e nunca serão julgados.

Os próprios sete nazistas ficaram surpresos. Segundo o Le Monde  eles “se abraçaram e se parabenizaram”. “Não acreditei”, alegra-se um deles.

O jornalista da Street Press Christophe-C Garnier escreve: “é a primeira vez na minha vida que vejo isto, as nulidades levantadas pelos advogados de defesa são aceitas pelo tribunal” e acrescenta: “a sala é relativamente segura, se eu posso dizer isso”.

Na verdade, centenas de pessoas detidas após a morte de Nahel foram colocadas atrás das grades por terem catado um objeto numa loja ou por estarem no local errado, apesar de procedimentos inexistentes e sem a menor investigação ou prova tangível.

E esta decisão surge num momento em que ambientalistas são julgados em Niort, numa cidade completamente isolada pela polícia, acusados de terem convocado uma manifestação em Sainte-Soline.

Em agosto, também foi libertado outro comando de neonazistas que tinha cometido violência com armas em Angers após a morte de Nahel, apesar das provas contundentes. Os agressores foram filmados por várias testemunhas. Mas o juiz considerou que agiram “em estado de necessidade”. A necessidade de ir e atingir os manifestantes de esquerda e os jovens das periferias que passavam perto deles, sem dúvida…

A JUSTIÇA JÁ NEM SEQUER FINGE DAR A ILUSÃO DE JUSTIÇA

Fonte: https://contre-attaque.net/2023/09/08/justice-laxiste-pour-les-fascistes/

agência de notícias anarquistas-ana

a noite esporeia
suas negras ancas
cravando-se estrelas

Federico Garcia Lorca

[Galiza] A Feira do Livro Anarquista, uma oportunidade para “falar de cultura libertária”.

A segunda edição da Feira do Livro Anarquista, organizada pelo coletivo Refuxios da Memória e pela editora Bastiana, chega a partir desta sexta-feira até domingo na rua Boquete de San Andrés, em A Coruña.

A segunda edição da Feira do Livro Anarquista, organizada pelo coletivo Refuxios da Memória e pela editora Bastiana, chega a partir desta sexta-feira até domingo à rua Boquete de San Andrés, na Coruña, como uma oportunidade para “falar de cultura libertária”.

Daniel Palleiro, um dos organizadores e membro da Refuxios da Memória, explicou à EFE que o objetivo desta segunda edição da feira é “falar sobre livros e cultura libertária” e também servir como um “encontro cultural” para leitores e editores.

O tema principal do evento é o ecologismo libertário, um assunto “interessante”, segundo Palleiro, que nos permitirá mergulhar nas “lutas rurais contra o macroeolianismo a partir de uma perspectiva libertária”, além da questão “legal ou política”, com base nos princípios de igualdade, liberdade e apoio mútuo.

A feira começa nesta sexta-feira, 8 de setembro, com uma visita guiada ao Orzán, por aquelas ruas que, desde o final do século XIX até 1936, estiveram “intimamente ligadas ao movimento anarquista”, já que “as principais sedes dos sindicatos anarquistas, editoras e muitos jornais” estavam localizadas ali, razão pela qual Palleiro indicou que “não é coincidência” que o evento ocorra nesse espaço.

Além disso, a data coincide com o dia da constituição em A Coruña, em 1907, da Unión Campesina, “a primeira organização revolucionária agrária promovida pelo anarquismo galego” que buscava “estender as lutas do proletariado a contextos não urbanos”, lembrou.

Durante o sábado e o domingo, haverá apresentações de livros, palestras, debates e outras atividades sobre anarquismo que ocorrerão em locais como El Siglo, Ama, A Cova Céltica ou o Circo de Artesanos.

Os participantes poderão refletir e debater sobre a crise do sistema capitalista e suas consequências, bem como “analisar os processos de resistência e autodefesa que estão ocorrendo em diferentes territórios e as soluções alternativas para o cenário de colapso eco-social”, explica a organização.

Mais de 30 coletivos, em sua maioria editoras, participarão da Feira do Livro Anarquista, que contará com a presença de portugueses e italianos, e que exibirá publicações e fanzines nas bancas localizadas na rua Boquete de San Andrés.

“É uma oportunidade para conseguir livros que são difíceis de encontrar nas livrarias habituais”, disse Daniel Palleiro, que espera que este encontro sirva também para “criar uma rede e um espaço” para os anarquistas e que este “não seja um evento isolado”, mas que possam trabalhar juntos constantemente.

O Refuxios da Memória está buscando todas as pessoas “interessadas no anarquismo e na memória libertária” para que se unam e continuem criando iniciativas como essa.

Para finalizar, no domingo, 10 de setembro, será lançado o livro “Anarquia Natural. Teoria e prática do naturalismo libertário no Estado Espanhol”, coincidindo com o 98º aniversário da celebração, em 1925, do Segundo Congresso Naturista do Estado Espanhol.

“Ficamos felizes com a data e quisemos aproveitá-la”, disse ele, repetindo que este não é apenas um fim de semana “para consumir cultura”, mas também para “criar uma rede”.

Fonte: https://cadenaser.com/galicia/2023/09/07/la-feria-del-libro-anarquista-una-oportunidad-para-hablar-de-cultura-libertaria-radio-coruna/

agência de notícias anarquistas-ana

Haicai
é um poema
minimalista!

Reinaldo Cozer

[Itália] Férias inteligentes. Os encontros internacionais do anarquismo.

Um dos mais importantes encontros internacionais anarquistas dos últimos anos, os Rencontres Internationales Antiautoritaires (RIA) “Anarchy 2023”, realizou-se este verão em Saint-Imier, na Suíça, de 19 a 23 de julho. Milhares de pessoas de diferentes continentes participaram, embora uma parte significativa tenha vindo da Europa francófona e germanófona. Enquanto Federação Anarquista Italiana, tomamos parte no processo de organização desde 2020 e participamos com uma grande delegação, contribuindo ativamente através da proposta de debates, da montagem de uma exposição e da manutenção de um stand para as edições semanais Umanità Nova e Zero in Condotta na feira do livro.

Este encontro celebrou 150 anos mais um (o evento foi de fato adiado devido à pandemia) desde o congresso que teve lugar nesta pequena aldeia do Jura Bernês a 15 e 16 de setembro de 1872, e que ficou na história como o nascimento do movimento anarquista organizado. Foi então que a corrente antiautoritária do movimento operário e revolucionário definiu coletivamente, pela primeira vez, os seus princípios. Em torno da questão da tomada do poder político tinha-se desenvolvido uma profunda fratura na Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), mais conhecida como a Primeira Internacional. No Congresso realizado em Haia, de 2 a 7 de setembro de 1872, Marx aproveitou a ilegalização da seção francesa – a maior – na sequência da Comuna de Paris, para transformar as seções nacionais da Internacional em partidos com o objetivo de participar nas eleições. O Congresso de Saint-Imier foi uma consequência desta cisão, e na declaração “a destruição de todo o poder político é o primeiro dever do proletariado” está sintetizada a posição das seções antiautoritárias do Jura, italiana, espanhola, francesa e americana da AIT, que, nessa ocasião, lançaram uma experiência organizativa em continuidade com a via internacionalista que acabara de se cindir.

Não se tratou, no entanto, de um encontro comemorativo, tendo havido apenas uma conferência sobre os antecedentes históricos do Congresso de 1872. Desde o início, de fato, a tônica foi colocada na atualidade das práticas e ideias anarquistas. Esta foi uma escolha clara do comitê organizador, formado em 2020 a pedido de expoentes do movimento anarquista e libertário local, com a participação da Federação Anarquista Francófona e da Federação Anarquista Italiana.

Realizaram-se mais de 400 debates, apresentações, conferências e workshops, dezenas de projeções de filmes, bem como concertos, espetáculos de teatro, performances, exposições e uma feira do livro com mais de 100 expositores. Para além das ruas e praças, as atividades decorreram em 12 espaços diferentes espalhados pelo país de pouco mais de 5.000 habitantes. Vários coletivos de cozinha móvel montaram duas grandes cozinhas e prepararam o café da manhã, o almoço e o jantar para os participantes, tendo sido distribuídas mais de 5000 refeições só no sábado à noite.

Já em 2012, uma reunião semelhante foi realizada em Saint-Imier, com cerca de 4.000 participantes. Nessa ocasião, a participação não europeia foi certamente maior e mais representativa, especialmente da América Latina. O papel das organizações, federações, sindicatos, redes internacionais e grupos anarquistas também foi maior, enquanto desta vez grandes partes do movimento anarquista organizado não estavam formalmente presentes, deixando mais espaço para a espontaneidade e a participação individual. Provavelmente, este fato tornou a reunião de 2023 menos representativa da realidade plural do movimento anarquista organizado a nível global. É claro que em 2012 havia também um contexto diferente marcado por movimentos que, tanto nas margens do Mediterrâneo como no outro lado do Atlântico, viram a participação, embora de formas diferentes, do movimento anarquista.

No entanto, esta foi também, em parte, uma escolha precisa do comitê organizador, que desde o início preferiu abrir o encontro o mais possível à participação espontânea. Com efeito, qualquer pessoa podia propor debates e atividades através de uma plataforma online, e nenhuma apresentação foi planejada diretamente pelo comitê organizador, que apenas funcionou como filtro e infraestrutura. Não faltam limitações a esta fórmula. Nas semanas que antecederam os RIAs, foram feitas duras críticas à presença de oradores mais próximos de posições “liberais” ou “conspirativas”. Por isso, o programa foi revisto e algumas iniciativas claramente afastadas do movimento anarquista foram canceladas. O problema, no entanto, não é técnico, é político. A falta de participação de organizações capazes de trazer contributos coletivos para o debate do movimento fez-se sentir, mesmo na fragilidade da base política do próprio evento.

De qualquer forma, quem leu o programa do “Anarchy 2023” pode identificar as questões em torno das quais se desenvolve hoje a atividade do movimento anarquista, questões que são centrais na realidade atual. A guerra, o ressurgimento dos regimes autoritários e das ditaduras militares, o regresso do fascismo sob diversas formas, o clima, a atividade sindical, a exploração capitalista, as lutas feministas e queer, as políticas racistas e de encerramento de fronteiras, são abordados em debates, workshops e conferências sob diferentes perspectivas. Provavelmente as iniciativas mais interessantes foram as apresentações de realidades mais distantes do contexto europeu em que o encontro se realizou. É o caso das atividades propostas pelos grupos do Brasil, Chile, Peru, Filipinas, Irão e Turquia, que trouxeram um contributo significativo de experiências e novas perspectivas, permitindo-nos alargar o nosso olhar e tentar sair de uma visão eurocêntrica.

Enquanto Federação Anarquista Italiana, demos um contributo específico para as questões do antimilitarismo e do fascismo. Grupos federados e indivíduos também promoveram e participaram em várias apresentações e conferências. Além disso, a FAI, juntamente com a FAO da Eslovénia e da Croácia e a APO da Grécia, federações da IFA ativas ao longo das fronteiras europeias mais sangrentas, exibiram uma faixa contra a Fortaleza Europa. O seminário antimilitarista estendeu-se por três dias distintos, em três locais diferentes. Na quinta-feira, dia 20, realizou-se o primeiro encontro na sala principal, que estava quase cheia, onde apresentamos sobretudo as nossas posições sobre o conceito de antimilitarismo anarquista e as suas práticas, sobre a guerra na Europa de Leste e com exemplos de lutas em que estamos envolvidos, desde o Movimento No Base de Pisa até às greves gerais contra a guerra organizadas pelo sindicalismo de base. Nos dois dias seguintes, os encontros decorreram em locais menos oficiais, o que permitiu uma maior interação e debates com camaradas de diferentes países sobre as práticas de luta. Não faltaram momentos de contradição, com intervenções críticas que abriram o debate sobre as diferentes posições relativamente à situação na Ucrânia. No entanto, este ciclo de iniciativas teve um resultado concreto. Do encontro com indivíduos e grupos antimilitaristas de diferentes partes do mundo, foi lançada a ideia de uma iniciativa comum a realizar em novembro. No que se refere ao fascismo, tentamos dar um contributo específico para alimentar o debate a nível internacional, tentando definir as características do regime fascista histórico na Itália e as características do governo fascista que se encontra atualmente em Roma. Foi salientado como o atual governo em matéria de guerra, exploração da classe trabalhadora, autoritarismo, racismo, não faz mais do que seguir o caminho já traçado pelos governos anteriores, distinguindo-se pelo seu ataque às mulheres e às subjetividades não binárias, numa tentativa de consolidar a dominação patriarcal. Recordando o empenhamento do movimento anarquista na luta contra o fascismo durante o século passado, foi sublinhada a importância de manter uma perspectiva de transformação social radical, porque só a revolução social pode parar o fascismo. A especificidade da situação italiana suscitou grande interesse e, no final da apresentação, apesar das dificuldades de tradução, abriu-se um debate interessante e animado numa sala cheia, com perguntas e trocas de impressões sobre as respectivas experiências de luta nos diferentes países.

Para além dos muitos aspectos positivos, temos, no entanto, assistido, em algumas ocasiões, à implementação de práticas que não se coadunam com a nossa ética e à difusão de mensagens que nos parecem incompatíveis com os valores e princípios que o movimento anarquista tem vindo a promover desde há 150 anos. Se fazemos estas críticas, não é para polemizar com este ou aquele grupo, mas porque pensamos que não podemos ficar calados perante questões que o movimento anarquista internacional tem de enfrentar para crescer face aos desafios que se lhe colocam.

Referimo-nos à atitude de alguns indivíduos e grupos que tentaram usar o encontro para impor a sua própria linha política, mesmo de forma violenta, identificando algumas organizações históricas do movimento anarquista como nada menos que o “inimigo”. O primeiro caso foi o dos grupos que apoiam os chamados “combatentes antiautoritários” enquadrados no exército estatal ucraniano. Apesar de considerarmos esta opção contrária aos nossos princípios e prática antimilitarista, nunca nos opusemos à sua presença, no espírito de abertura e pluralismo que caracterizou esta edição dos RIAs. O que é grave não é o fato de estes grupos terem procurado obter a máxima visibilidade, mas sim o fato de o terem feito de uma forma incompatível com o que consideramos ser um método libertário.

Estes grupos organizaram alguns workshops e uma conferência no salão principal. Nestas reuniões, a palavra era sistematicamente recusada a todos os que tentavam exprimir críticas ou simplesmente opiniões diferentes. Nas raras ocasiões em que os que exprimiam um ponto de vista diferente do dos organizadores eram autorizados a falar, interrompiam as intervenções mais indesejáveis da “mesa”, ou seja, de uma posição de poder, com o pretexto de que estavam “fora do tema”. Aqueles que tentaram levantar a voz em protesto contra estes métodos foram insultados, deslegitimados e até ameaçados fisicamente. Os camaradas que tentaram intervir no debate de sábado à tarde foram rodeados por indivíduos que faziam parte de uma espécie de “serviço de ordem”, que não tiveram qualquer problema em arrancar os cartazes das mãos de alguns dos camaradas pacifistas que os tinham exibido. Isto parece-nos grave não só porque a censura violenta do debate é uma prática autoritária, mas também porque se trata da privatização de um espaço que foi conquistado coletivamente por aqueles que organizaram a RIA nos últimos anos. Também foi grave que expoentes destes grupos tenham repetido publicamente mentiras contra as organizações anarquistas que se manifestaram contra a guerra, chegando a acusar-nos de “sermos serviçais da propaganda de Putin”. Perante estas calúnias e falsidades só nos resta referir o documento que expressa claramente a posição da FAI, que difundimos amplamente em centenas de exemplares em Saint-Imier¹, e sublinhar que a censura, bem como a denegação e deslegitimação sistemática dos opositores são práticas autoritárias que não devem ter lugar no movimento anarquista.

Por fim, indivíduos não identificados agrediram fisicamente, em várias ocasiões, a banquinha da FA francófona, sob o pretexto de que estavam expostos dois livros que alguns consideravam “islamofóbicos”, rasgando e queimando os livros em questão, agredindo camaradas individualmente e tentando organizar um protesto mais vasto contra FA enquanto tal, acusados ilusoriamente de “racismo”. Embora os debates em curso na França sobre estas questões complexas não possam ser abordados exaustivamente nestas poucas linhas, gostaríamos de sublinhar que nenhuma crítica política pode ser expressa sob formas que façam lembrar os métodos dos piores regimes autoritários contra os quais lutamos. Ao recordar o comunicado de solidariedade com a FA assinado por várias federações da IFA², não podemos deixar de sublinhar que estes ataques têm sido sistematicamente efetuados contra as organizações históricas do movimento anarquista. Além disso, nalgumas destas situações de tensão, tem havido infelizmente falta de mediação por parte dos grupos de trabalho encarregados dessa função.

Acreditamos que o encontro de Saint-Imier, assim como a Feira do Livro Anarquista dos Balcãs, realizada em Liubliana no início de julho, foi de importância crucial para o nosso movimento, uma oportunidade excecional de intercâmbio, revitalização e clarificação para continuar a nossa luta internacionalista, antimilitarista e revolucionária numa fase tão complexa. É também importante sublinhar os limites destes eventos e, sobretudo, rejeitar práticas dogmáticas e sectárias. Embora estes eventos tenham contado com a participação de apenas uma parte do movimento, é evidente que a atualidade dos temas abordados, a vivacidade do debate e a pluralidade de posições são sinais de um dinamismo difícil de encontrar noutras correntes revolucionárias. Mesmo num contexto global muito difícil, o movimento anarquista continua a ter uma influência significativa e pode desempenhar um papel central, cabe-nos a nós mostrar a contribuição crucial que pode dar como prática revolucionária para a causa das classes oprimidas e exploradas em todo o mundo.

Comissão de Relações Internacionais da FAI

27/08/2023

[1] https://www.federazioneanarchica.org/archivio/archivio_2022/20220722manifestonowar_en.html

[2] https://www.federazioneanarchica.org/archivio/archivio_2023/20230808solidarieta.html

Fonte: https://umanitanova.org/vacanze-intelligenti-gli-incontri-internazionali-dellanarchismo/

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Ao pôr do sol,
embebem-se nas árvores
bandos de pardais.

David Rodrigues

A Rússia quer que este jovem anarquista fique na prisão para sempre

O Kremlin quer que Azat Miftakhov e outros presos políticos fiquem atrás das grades para sempre, diz um jornalista russo exilado

Por Yan Shenkman | 05/09/2023

Há alguns meses, recebi uma mensagem de uma conta aleatória de mídia social na Rússia, que me pedia para assinar uma carta aberta em apoio ao prisioneiro político russo Azat Miftakhov.

Eu conhecia o homem por trás da conta, que desde então foi excluída; atualmente, ele está “bem escondido”, tentando ficar completamente fora da rede. Questionei a utilidade de uma carta, mas assinei mesmo assim. Uma pessoa que está segura não tem o direito de recusar aqueles que estão em perigo.

Quando vi a carta publicada no meio de comunicação francês Mediapart dias depois, fiquei sabendo que centenas de outras pessoas também haviam exigido a liberdade de Miftakhov: matemáticos, cientistas, jornalistas, sindicalistas de países como França, EUA e Rússia.

Conheço bem a história de Miftakhov. Em 2019, quando eu ainda estava na Rússia, estava fazendo uma reportagem sobre o caso “The Network” [Rede]: um grupo de jovens de toda a Rússia, que tinham crenças anarquistas e de esquerda, foram detidos, brutalmente torturados e depois condenados a longas penas de prisão – supostamente por planejarem derrubar o Kremlin por meio de atos terroristas. Foi um caso de grande repercussão, no qual Miftakhov acabou sendo implicado.

Esta semana, Miftakhov – um dos pelo menos 5.000 presos políticos na Rússia atualmente – deveria ter sido libertado. Mas, em 4 de setembro, imediatamente após sair dos portões da prisão, ele foi detido sob outra acusação – uma tática clássica do FSB [Serviço Federal de Segurança da Federação Russa].

Enquanto centenas de milhares de pessoas morrem na guerra da Rússia contra a Ucrânia, é difícil apoiar os prisioneiros políticos do Kremlin. Há simplesmente muita dor, sofrimento e sangue. Mas o regime de Putin foi construído para colocar pessoas atrás das grades.

O caso contra Azat Miftakhov

Miftakhov, hoje com 30 anos, é um matemático talentoso, estudante de pós-graduação na Universidade Estadual de Moscou e anarquista.

Em fevereiro de 2019, ele foi detido em Moscou sob suspeita de quebrar uma janela no escritório do partido político Rússia Unida. Os investigadores alegaram que ele estava por perto quando isso aconteceu “a fim de alertar os cúmplices sobre um possível perigo”. Miftakhov foi espancado e torturado por oficiais do FSB, que usaram uma furadeira elétrica nele.

Miftakhov, é claro, sabia o que havia acontecido com os membros da suposta “Rede”. Ele entendeu que os investigadores do FSB não estavam brincando ou tentando assustá-lo quando disseram que usariam tortura para fazê-lo confessar. Eles realmente o fariam. Em uma tentativa de evitar que fosse torturado, ele cortou os próprios pulsos.

De fato, todo o caso contra Miftakhov começou com “The Network”.

Como um advogado me disse, os investigadores russos alegavam que havia diferentes células de ativistas em diferentes cidades do país, unindo várias iniciativas de esquerda – não apenas a chamada “Rede” – em uma única causa. Mas, como rapidamente ficou evidente em minhas reportagens e nas de outros, não havia nenhuma organização terrorista na realidade. Não havia coordenação. A “Rede” dos investigadores havia sido elaborada por… investigadores. Eles não tinham provas para apoiar suas alegações, além do testemunho obtido por meio da mais brutal tortura.

Em março de 2018, o FSB tentou transformar Svyatoslav Rechkalov, outro ativista anarquista em Moscou, no “líder” da “célula de Moscou” da “Rede”. Ele também foi torturado e espancado. Falei com Rechkalov quando ele foi libertado sob fiança. Não vi nenhum sinal de tortura, mas me lembro bem de como ele tremia e falava com dificuldade. Alguns dias depois, ele fugiu para a França.

Pouco tempo depois, houve um vazamento de informações dos investigadores: eles queriam a mesma confissão de Miftakhov. Como não haviam conseguido com Rechkalov, tiveram de inventar outro “líder” da “célula de Moscou”: Miftakhov. Essa história ainda não terminou e, enquanto Miftakhov permanecer na prisão, tudo é possível.

Mais tarde, ativistas de direitos humanos e jornalistas conseguiram provar – definitivamente – que os jovens do caso “Rede” haviam sido torturados. A sociedade russa entrou em choque. As pessoas saíram às ruas em protesto.

No outono de 2018, Mikhail Zhlobitsky, um adolescente da cidade de Arkhangelsk, no noroeste do país, explodiu-se no saguão do prédio local do FSB em protesto contra a tortura. Isso provocou uma nova onda de repressão. Agora, qualquer pessoa que falasse on-line sobre as ações de Zhlobitsky, ou mesmo as mencionasse, poderia ser processada por “justificar o terrorismo”.

Em 2021, Miftakhov foi condenado a seis anos de prisão por seu suposto papel na quebra da janela dos escritórios do Rússia Unida. Ele deveria ter sido libertado na última segunda-feira (ele já havia cumprido sua pena porque um dia passado em detenção em procedimentos pré-julgamento é contado como um dia e meio).

Mas isso não aconteceu. Nos portões da Colônia Prisional nº 17 na região de Kirov, ele foi colocado em um carro do FSB com placas chechenas e levado embora. Agora, um novo caso foi aberto contra ele sob a acusação de “justificar o terrorismo” por ter falado sobre Mikhail Zhlobitsky enquanto estava na prisão.

Aparentemente, o FSB o quer atrás das grades para sempre. Assim como Alexey Navalny, assim como muitos outros presos políticos na Rússia atualmente.

Fonte: https://www.opendemocracy.net/en/odr/russia-azat-miftakhov-political-prisoners-anarchist/

Tradução > Contrafatual

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/09/01/franca-comunicado-da-secretaria-de-relacoes-internacionais-da-fa-libertem-nosso-companheiro-azat-miftakhov/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/12/27/russia-carta-aberta-referente-ao-prisioneiro-anarquista-azat-miftakhov/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/01/26/russia-tribunal-de-moscou-sentenciou-o-estudante-azat-miftakhov-a-seis-anos-de-prisao/

agência de notícias anarquistas-ana

a aurora
estende a rede de bruma
pelos vales

Rogério Martins

[Chile] Valparaíso: Jornada comemorativa “Claudia López Presente!” – 9 setembro

DESDE VALPARAÍSO-ALIMAPU, TERRITÓRIO DOMINADO PELO ESTADO $HILENO.

NEM UM MINUTO DE SILÊNCIO…TODA UMA VIDA DE COMBATE!

ESTENDEMOS O CONVITE A ESTA JORNADA COMEMORATIVA, NO DIA 9 DE SETEMBRO NA EXPLANADA FRONTIS EXCARCEL, DESDE AS 14HRS.

Este 11 de setembro de 2023 completa 50 anos do início da ditadura cívico-militar e 25 anos do assassinato de Claudia López. Companheira anarquista, estudante de dança, moradora de La Pincoya, a quem os pacos [polícia] arrebataram covardemente a vida com um disparo, no marco dos protestos e comemorações do 11 de setembro do ano de 1998.

Ambos fatos no marco da nossa história recente, nos fazem refletir sobre a importância e o imprescindível da memória como ferramenta política e parte fundamental das lutas que levamos adiante. Entendendo que o exercício da memória não se baseia na mera persistência da lembrança nem de fatos significativos, muito menos de martirizar para sempre nossos companheiros caídos. Trata-se de recolher suas vivências, experiências e práticas, para retomá-las em nosso presente e projetá-las neste contínuo histórico irrefutável, que é o confronto para esta ordem de dominação. Trata-se, sobretudo, de compreender que o exercício da memória é também carregar uma das armas mais efetivas contra a passividade nestes tempos.

Com esta atividade, fazemos o chamado a combater o esquecimento em qualquer território onde nos encontremos. Afirmamos a importância de gerar encontros de comemoração, de revitalizar a memória combativa da qual faz parte a companheira Claudia López junto com dezenas de companheiros mais, e, por último, afirmamos a ideia de seguir a luta e a organização contra a continuidade em democracia do regime de morte imposto faz já 50 anos.

CONVIDAM: COLETIVOS E INDIVIDUALIDADES ORGANIZADAS E AUTOCONVOCADAS.

VALPARAISO, SETEMBRO DE 2023.

Fonte: https://lapeste.org/2023/08/valparaiso-jornada-conmemorativa-claudia-lopez-pte-9-septiembre/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Angulosamente ternas
goticamente nuas
somos a geometria do amor.

Manuela Amaral