[Portugal] Jornada Mundial da Juventude: os 7 pecados do capital

Os grandes e inúteis eventos, como a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), em Lisboa, são mais uma forma de vender a cidade ao grande capital, o Deus venerado pelo estado português e seus discípulos empreendedores. A notícia de que o dito evento iria receber um investimento público de 35 milhões foi recebida com críticas. Carlos Moedas, sacerdote dos unicórnios e presidente da Câmara Municipal de Lisboa, diz esperar um retorno “enorme”. Esta promessa de retorno é só mais uma das muitas mentiras dos discípulos do capital e da mão invisível, para justificar o investimento público em fantasias de lucro e especulação, que continuam a beneficiar o 1%. Aproveitando a temporada católica denunciamos os 7 pecados do capital, para os quais não há redenção possível:soberba, ou a promoção neoliberal de Lisboa no topo de rankings feitos para investidores; a avareza, ou a acumulação de prédios devolutos; inveja, ou a cobiça pelo espaço público; a ira, ou os despejos e demolições; a luxúria, ou o desejo obsceno pelo capital estrangeiro; a gula, ou o apetite de especulação; e a preguiça, ou o arrendamento enquanto atividade profissional dos gananciosos.

Chegarão os 150 confessionários no evento (feitos a partir do trabalho escravo dos presos!) para perdoar tanto pecado do capital?

A SOBERBA, que se pode caracterizar por um sentimento de arrogância e superioridade, está presente nos rankings que apontam para Lisboa como “a terceira melhor cidade do mundo com melhor qualidade de vida”, “a cidade mais feliz do mundo”, ou “a segunda cidade europeia mais barata para uma escapadinha”, tão veiculados pelos media, e servem o único propósito de atrair ainda mais especulação, turismo em massa e destruição do tecido social e comunitário das cidades. Esta propaganda neoliberal tenta esconder que Lisboa só é a cidade mais feliz do mundo para especuladores, nómadas digitais e turistas. A “Lisboa Unicorn Capital” “Oeiras Valley” “Almada Innovation District” são exemplos de city branding. Este marketing transforma as cidades em marcas que competem entre si no mundo global, em busca de turistas, investidores, celebridades.

Porém, quando Lisboa, a cidade que veste marcas como a Nova Berlim, se vê ao espelho, vê realidades que em nada condizem com o glamour do fato da moda: é a cidade com a taxa de esforço – relação entre salários e preço da habitação – mais elevada da Europa, e ocupa a sexta posição mundial neste alarmante ranking.

A AVAREZA o apego sórdido ao dinheiro para o acumular, é o que rege quem coleciona prédios devolutos, preferindo deixá-los ao abandono do que dar-lhes uma função social. A acumulação de devolutos demonstra a perversidade da financeirização da habitação: no sistema capitalista vigente, deixar um prédio vazio durante anos significa que está a “valorizar”, ou seja, a aguardar pela melhor oportunidade de negócio. Para os avarentos proprietários, habitar uma casa devoluta significa um “prejuízo”, um dano nos seus planos de acumulação desenfreada de capital. Não importa se existem pessoas que vivem na rua ou em condições degradantes, enquanto existem mais de 48 000 casas vazias em Lisboa: a santa propriedade continua a ser defendida com unhas, dentes e polícias armados. O pecado da acumulação de propriedade vazia não é só um pecado do estado ou de fundos de investimento de origens duvidosas: também a Santa Casa da Misericórdia é detentora de um vasto património de casas emparedadas à espera de serem colocadas no mercado de arrendamento privado, enquanto continua a lucrar com a pobreza.

INVEJA: A inveja é a cobiça dos privados, sempre com a bênção do estado, pelo espaço público. Incapazes de compreender a felicidade do que é partilhado e gratuito, os privados invadem as nossas ruas, passeios e (poucos) jardins com as suas esplanadas, trotinetes deixadas em cima dos passeios, feiras de rua para turistas, ou eventos como a JMJ. O património público deixado ao abandono, que poderia servir para novas creches, escolas ou centros culturais, é vendido em leilões e transformado em hotéis e condomínios de luxo. Até os transportes públicos (mas somente gratuitos para peregrinos) são oferecidos ao turismo, como acontece com o elétrico 28. Assente na lógica da comercialização da cidade-marca, feita para ricos e turistas, o espaço público acaba por ser vedado a quem não pode pagar 2 euros por um café. A privatização do espaço público acaba por acontecer de diversas formas, umas mais subtis que outras, mas com objetivos comuns: rentabilizar cada recanto da cidade e excluir os menos privilegiados.

IRA: a agressão mais intensa que o estado e o capital desferem contra o direito à habitação e à cidade é o despejo ou a demolição de casas onde moram pessoas sem outras alternativas habitacionais. A violência exercida pelo estado e a polícia no dia do despejo ou demolição e a falta de apoios subsequente gera um impacto catastrófico na saúde, vida familiar e capacidade económica das pessoas atingidas. Nos últimos meses, lutou-se contra despejos em bairros sociais de Lisboa, Porto, Aveiro e contra demolições no Talude em Loures e no 2º Torrão em Almada. Não esquecemos também os despejos da Seara, pela mão do estado e do fundo de investimento Spark Capital, ou da Casa Sílvia, em Algés, cuja proprietária era a católica Cáritas. A virtude contrária à ira dos despejos e demolições é a solidariedade, mas não há outra solução para este pecado senão o fim de todos os despejos. Entretanto, por cada despejo: 1000 ocupações!

A LUXÚRIA ou o desejo de prazeres sensuais, é no capitalismo tudo o que seja suscetível de ser vendido. A atração sensual e sexual é direcionada para processos que têm a ver com transações comerciais, posse e desejo pelo luxo obsceno. Já dizia Paddy Cosgrave, “Lisboa é a cidade mais sexy para fundar uma companhia.” A lascívia capitalista impera nas start ups e no mercado de imobiliário de luxo, que atrai nómadas digitais e residentes não-habituais com tentadores benefícios fiscais e vistos gold.

A GULA ou Especulação Financeira

Os Fundos de Investimento devoram as nossas cidades: “85% do investimento imobiliário em Portugal é feito por fundos, com os EUA a liderarem na compra de grandes portefólios”. O mercado português oferece “cidades europeias” muito baratas ao capital internacional, uma espécie de Mc’Donald’s da Europa para este tipo de investimento guloso. As casas, prédios, ruas e bairros inteiros transformam-se em ativos financeiros, isto é, deixam de ter como função primordial servir como habitação, e passam a ter como função o lucro destes fundos,que o conseguem obter controlando a oferta, e sem nenhum investimento real que aumente o valor do bem, são capazes de transaccioná-lo aumentando o seu valor em cada transação: a especulação financeira.

Quem mora, vive, ou trabalha na cidade passa fome e é obrigado a sair, porque os seus rendimentos já não permitem sentar-se à mesa neoliberal onde é servida, com empenho do Estado, a especulação imobiliária. A gula é insaciável, e eles vão continuar a comer tudo, até não deixar nada. É preciso ficar à mesa, resistir coletivamente: nas casas, associações, coletividades, bairros e cidades às quais damos vida. A cidade é para ser habitada e vivida, não vendida!

PREGUIÇA é a falta de vontade ou de interesse em atividades que exijam algum esforço. Uma das grandes contradições do capitalismo é que, ao mesmo tempo que a classe trabalhadora é levada a acreditar que só “merece” satisfazer as suas necessidades básicas se for produtiva, por outro lado ter uma fonte de rendimento que provém simplesmente de uma propriedade é visto socialmente não só enquanto algo digno, como uma profissão. Assim, a uns basta subirem as rendas de caves bafientas para alcançarem o rendimento desejado, passando a ser “normal” para atingir esse fim explorar outros, que agora estão sujeitos a uma dupla exploração: a do seu trabalho e a do seu rendimento. Rezemos em uníssono: Casas para morar, senhorios a trabalhar!

Versículos inspiradores:

“Quem semeia a injustiça, colhe a maldade: o castigo da sua arrogância será completo” Provérbios 22:8

“É mais fácil um camelo passar pelo furo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus” Lucas 18:25 e Mateus 19:24

“O amor ao dinheiro é a raíz de todos os males” 1 Timóteo 6:10

Fonte: https://stopdespejos.wordpress.com/portfolio/jornada-mundial-da-juventude-os-7-pecados-do-capital/

agência de notícias anarquistas-ana

Sol no girassol.
Sombra desenha outra flor
no corpo dourado.

Anibal Beça

[Portugal] Artista de rua cria tapete de notas de dinheiro para criticar visita do Papa

O artista de rua português Bordalo II invadiu um espaço restrito do Parque Tejo, em Lisboa, e estendeu uma espécie de “tapete de dinheiro” no local, com reproduções de notas de 500 euros na escadaria do altar a poucos dias do começo da Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

Segundo o artista, para conseguir ter acesso ao altar-palco do Papa Francisco, Bordalo II se disfarçou de trabalhador da JMJ. Em sua rede social, ele chamou a obra de “walk of shame” (caminhada da vergonha) e criticou o uso de dinheiro público para custear o encontro católico.

“Num estado laico, num momento em que muitas pessoas lutam para manter as suas casas, o seu trabalho e a sua dignidade, decide investir-se milhões do dinheiro público para patrocinar a tour da multinacional italiana”, escreveu o artista no Instagram.

Os custos elevados da construção do palco foram motivo de polêmica no começo deste ano. Em fevereiro, o orçamento para o projeto acabou reduzido de 5,2 milhões de euros para 2,9 milhões de euros, assegurados pela Câmara Municipal de Lisboa.

A jornada acontece na capital portuguesa de 1 a 6 de agosto e contará com a presença do Papa Francisco. A estimativa de público é de 1 milhão de pessoas –o dobro da população de Lisboa.

Fonte: agências de notícias

agência de notícias anarquistas-ana

A velha mão
segue traçando versos
para o esquecimento.

Jorge Luis Borges

[São Paulo-SP] No CCS: “Veganarquismo”

Quando? Sábado, 05/08 (16h-18h) | Onde? Sede do Centro de Cultura Social (CCS) de SP (Rua Gal. Jardim, 253, sala 22, Vila Buarque – São Paulo)

A conversa será a partir da leitura do panfleto “Libertação Animal e Revolução Social”, de Brian A. Dominick, descrito como “uma perspectiva vegana sobre o anarquismo ou uma perspectiva anarquista do veganismo”. Originalmente publicado pela Critical Mess Media, em 1995. Em seguida, em 1997, foi reimpresso pela Firestarter Press e redistribuído sem direito autoral. O texto foi responsável pela popularização do termo “veganarquismo”.

A intérprete de Libras será confirmada próximo à data do evento.

Material para o encontro: Veganarquismo – Libertação Animal e Revolução Social (Brian A. Dominick): https://bibliotecaanarquista.org/library/brian-a-dominick-veganarquismo

Centro de Cultura Social

Rua General Jardim, 253, Sala 22 – Próximo ao metrô República — Vila Buarque – São Paulo – SP

E-mail CCS: ccssp@ccssp.com.br | E-mail do Grupo de Estudos: grupodeestudos_afm@ccssp.com.br

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Na noite em silêncio
o relógio presente
marca o passado

Eugénia Tabosa

[Porto Alegre-RS] Agenda de Agosto no Esp(a)ço

Confere nossa agenda de agosto!

• 09/08 – Quarta, 19h – Laboratório de Consentimento
• 12/8 – Sábado, 17h – Roda de Conversa sobre Masculinidade
• 16/8 – Quarta, horário a definir – GASM (Grupo de Apoio em Saúde Mental)
• 25/8 – Sexta-feira, 19h – Cine, Café e Anarquia: Sem Deuses, Sem Mestres – Ep. 1 (documentário sobre a história do anarquismo)

E a Apoio Mútuo, nossa loja grátis estará aberta nos seguintes horários:

• Terça, 1 de agosto das 14h às 20h30
• Sábado, 5 de agosto das 15h às 17h
• Terça, 15 de agosto das 14h às 20h30
• Sábado, 19 de agosto das 15h às 17h
• Terça, 29 de agosto das 14h às 20h30.

Atenção: você possui histórico ou já foi alvo de denúncia por assédio, abuso ou violência e quer colar em alguma das atividades? Por favor, entre em contato conosco pelo nosso e-mail ou redes sociais antes de comparecer.  Não fazer isso é não se responsabilizar por suas ações e correr o risco de pedirmos para se retirar.

Esp(a)ço.

Rua Castro Alves, 101 – Porto Alegre (RS)

E-mail: espaco@riseup.net

agência de notícias anarquistas-ana

tão longa a jornada!
e a gente cai, de repente,
no abismo do nada

Helena Kolody

Lançamento: “Confederalismo democrático e educação”

Em nome da dominação, as formas de transmitir e construir cultura em uma sociedade são sequestradas por seus colonizadores. Com os curdos, não foi diferente. Tentando destruir sua identidade, os diversos regimes que ocupam seus territórios trataram, ao longo dos tempos, de ocultar e apagar a história e a resistência curda. Proibindo o ensino da língua, ou mesmo impedindo o acesso de mulheres nas escolas e universidades da região, o plano imperialista é desafiado pela luta de libertação curda, que alcança a autodeterminação no começo da década de 2010.

É nas brechas deste combate que uma educação libertadora floresce, e assim, temos orgulho de apresentar o livro “Confederalismo Democrático e Educação”, que traz pela primeira vez em língua portuguesa, um rico panorama deste grandioso e inspirador debate e práticas.

Aqui, compartilhamos experiências, reflexões e histórias de militantes, grupos, educadoras e educadores em Rojava sobre a construção de um sistema educativo revolucionário, baseado na convivência, na liberdade, na igualdade étnica e de gênero. Com ele, pretendemos compreender as características da Revolução Curda na educação e as possibilidades de conectar a experiência pedagógica de outros territórios em resistência com o Curdistão!

Aproveite esta oportunidade e adquira a obra por apenas R$15,00, com frete grátis para todo o país. Para as primeiras encomendas, acompanhará ainda o pôster “Educação livre para uma sociedade livre”.

Encomendas em nossa loja online, em: https://linktr.ee/tsa.editora

agência de notícias anarquistas-ana

O luar no mar.
Um peixe salta, enlevado,
banhado de prata.

Jacy Pacheco

[Espanha] A luta contra a ampliação do porto é a luta por Valência

Valência vive neste momento um dos conflitos mais importantes que estão ocorrendo na cidade. A luta contra a ampliação do Porto de Valência inclui batalhas contra diferentes ameaças ambientais, sociais, econômicas e, é claro, trabalhistas. Estamos falando de um projeto de expansão do Porto de Valência que ressurgiu em 2019, 15 anos após a primeira proposta, com modificações substanciais e com uma declaração de impacto ambiental (DIA) feita em 2007, com dados de 2005 e 2006 já obsoletos, tanto por causa das mudanças feitas no projeto quanto por causa das mudanças no contexto ambiental com uma emergência climática, reconhecida até mesmo institucionalmente, tanto pelo Estado espanhol (janeiro de 2020) quanto pelo Consell de la Generalitat Valenciana (setembro de 2019).

O projeto de ampliação do Porto de Valência envolve a construção de um novo terminal de mercadorias, promovido pela Autoridade Portuária de Valência (APV) e pela empresa de navegação MSC, e outro para navios de cruzeiro, promovido pela Balearia, a menos de 400 metros da cidade, bem como a ativação da Zona de Atividades Logísticas (ZAL) e a construção de um novo acesso norte ao Porto de Valência para suportar o aumento do tráfego de caminhões, que poderia aumentar de 3.000 por dia para mais de 7.500. A construção do dique necessário para a ampliação também significa uma mudança nas correntes e as consequências já podem ser vistas nas praias do sul da cidade (El Saler, El Perelló, El Perellonet…), mais de 12 km afetados e que foram reduzidos em mais de 70 metros devido à mudança na contribuição natural de areia que, por sua vez, é depositada em frente às praias do norte. Essa mudança na distribuição da areia pode significar que, em médio prazo, o lago Albufera será conectado ao mar, com o desastre ambiental que isso acarreta, pois o lago se tornará salino, e também economicamente, pois isso significaria o fim dos campos de arroz que estão concentrados ali.

Para enfrentar esse ataque à cidade pela Autoridade Portuária, no final de 2019, associações ambientais, associações de bairro, movimentos sociais e sindicatos formaram a Comissão Ciutat-Port. Essa comissão é atualmente composta por mais de 100 organizações da cidade de Valência e mostra que a ampliação do Porto de Valência não pode “compatibilizar o crescimento econômico com o respeito ao meio ambiente”, como insistem os defensores do projeto, incluindo o ex-presidente da Generalitat, Ximo Puig. A Ciutat-Port defende “priorizar os investimentos públicos e realocar aqueles planejados para aliviar os impactos e danos causados aos bairros e ecossistemas valencianos, favorecendo setores e necessidades urgentes como agricultura local, saúde e educação pública e de qualidade, diversificação produtiva, eliminação de privilégios fiscais, privilégios administrativos e subsídios à atividade privada do porto para que, no mínimo, enfrente os custos socioambientais que gera, promovendo setores econômicos mais justos, protegendo a saúde das pessoas, a aplicação imediata de planos de controle e a redução efetiva das emissões poluentes tanto ambiental quanto acusticamente, ajustando-se aos níveis admitidos pela OMS”. Além disso, diante da falta de transparência e controle cidadão de órgãos como a Autoridade Portuária de Valência, dependente do Ministério do Transporte, Mobilidade e Agenda Urbana, a Ciutat-Port exige um “novo modelo de governança portuária que dê mais voz e voto aos territórios e aos cidadãos afetados”.

A Confederação Geral do Trabalho faz parte da Comissão Ciutat-Port desde o início porque, nas palavras de Juan Ramón Ferrandis, secretário geral da CGT em Valência e Múrcia, “essa luta também é a nossa luta, a luta pelo meio ambiente, em defesa do território e a luta por condições de trabalho decentes”. Diante da chantagem da criação de empregos usada por aqueles que apoiam a expansão do porto, a organização anarcossindicalista tem clareza de que “as consequências para o emprego e a qualidade do emprego são muito negativas, porque, uma vez que o aumento do emprego na construção da ampliação é poupado, a redução de empregos será de mais de 33% devido à automação, com um saldo desfavorável para o emprego”.

Desde Ciutat-Port optou por se opor à ampliação em duas frentes: a via legal e a mobilização nas ruas. A via legal está tendo resultados positivos, já que se conseguiu, entre outros objetivos, que a Autoridade Portuária de Valência não seja mais juiz e parte em termos da capacidade de decidir sobre a validade da DIA de 2007, “o que era uma contradição, pois ela era uma parte interessada”, explica David Adrià, membro da Comissão Jurídica da Comissão da Ciutat-Port, para quem essa declaração é “obsoleta e ultrapassada”. Além disso, a Ciutat-Port conseguiu aumentar a incerteza jurídica sobre a viabilidade do projeto ao fazer com que o TSJCV admitisse um novo recurso contra o projeto de ampliação aprovado em dezembro passado pela Autoridade Portuária. Em maio passado, também foi movida uma ação judicial contra a aprovação da construção do novo terminal de cruzeiros que havia sido concedido à Balearia, pois houve uma mudança de local que beneficia indiretamente Vicente Boluda que, em troca dos estaleiros onde o novo terminal será localizado, o porto lhe concedeu uma nova concessão de 35 anos para ocupar 4.700 metros quadrados de terra, onde construirá duas torres de escritórios de treze andares e uma área de estacionamento.

Quanto à mobilização, na sexta-feira, 16 de junho, cerca de 25.000 pessoas se juntaram à manifestação organizada pela Comissão Ciutat-Port para exigir a suspensão da expansão do porto. Essa é a segunda das mobilizações unitárias contra esse projeto, que ocorreu após 600 dias e que conseguiu reunir cerca de 10.000 manifestantes em outubro de 2021. A manifestação foi considerada um sucesso pelo comitê e ocorreu no centro da cidade com uma apresentação musical de Biano, um show da companhia de teatro La Candiense e as figuras da Jove Muixeranga, terminando na praça da prefeitura com a leitura do manifesto assinado por mais de 170 organizações e uma apresentação de Los Chikos del Maíz, Maluks e Xavi Sarrià.

Tanto a Comissão Ciutat-Port quanto a própria CGT deixam claro que a luta contra a ampliação do Porto de Valência é “a mais importante das que estão ocorrendo em Valência no momento”. Nas palavras de Juan Ramón Ferrandis, “o futuro será sustentável ou, evidentemente, não será, e isso significa otimizar os recursos”.

>> Este artigo foi publicado originalmente em Rojo y Negro nº 380, Julho-Agosto 2023, o órgão de divulgação da Confederação Geral do Trabalho.

agência de notícias anarquistas-ana

O silêncio, sim,
interrompendo o canto
dos pássaros.

María Pilar Alberdi

 

Rebel Riot: anarco-punks budistas?

Rebel Riot, em primeiro lugar, é uma incrível banda anarco-punk de Myanmar. Mas eles não apenas incorporam temas budistas em sua música e ativismo, mas também não hesitam em criticar as maneiras pelas quais os principais líderes e instituições budistas do país têm apoiado a opressão de minorias étnicas, religiosas, sexuais e de gênero e têm apoiado os militares no golpe do ano passado e na repressão à resistência civil. Seu álbum (e música de mesmo nome) “Fuck Religious Rules/Wars” [1] traz críticas pesadas, riffs e batidas contra as instituições religiosas conservadoras da Birmânia, e inclui outros sucessos como “Fuck Fascist Monks“.

Eles recentemente lançaram um cover épico da famosa canção partigiana antifascista Bella Ciao, com letras adicionais que atacam o regime militar e apoiam o movimento revolucionário contra eles. Rebel Riot e a cena punk em Myanmar parecem ser vetores muito eficazes do anarquismo no país, já que blocos de manifestantes em roupas punk e agitando bandeiras anarquistas podem ser vistos em muitas fotos de marchas e tumultos do ano passado. Definitivamente uma banda que vale a pena ouvir tanto pela mensagem quanto pela música. Faríamos bem em outros países reimaginar nossos próprios Budas como anarcopunks e agitadores rebeldes.

Recomendo vivamente o documentário sobre Rebel Riot e a cena punk em Myanmar, “My Buddha is Punk” [2], bem como a sua canção com o mesmo nome [3].

[1] https://therebelriot.bandcamp.com/album/fuck-religious-rules-wars

[2] https://vimeo.com/ondemand/mybuddhaispunk

[3] https://therebelriot.bandcamp.com/track/my-buddha-is-punk

Fonte: https://noselvesnomasters.com/2022/01/04/rebel-riot-buddhist-anarcho-punks/?fbclid=IwAR36PQUeJbFICj79ZJrP-eUcSaA7cMmiPpJoRh_f5cP7jqr-J_vJmrfwpbA

Tradução > Contrafatual

Conteúdos relacionados:

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/11/27/video-fnb-relata-sobre-a-guerra-civil-em-mianmar/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/12/23/mianmar-lancamento-do-videoclipe-bella-ciao-das-bandas-rebel-riot-e-cacerolazo/

agência de notícias anarquistas-ana

Traçando os baralhos
confundo na noite o mundo
de alhos com bugalhos.

Luciano Maia

França: o segundo maior vendedor de armas do mundo

BOMBARDEIE MAIS PARA GANHAR MAIS

Isso é um recorde e uma desgraça global. A França é hoje o segundo maior exportador de armas do mundo.

Nosso país está no pódio dos mercadores da morte depois de anos, em terceiro lugar, entre a Rússia e a Grã-Bretanha. Em 2022, aproveitando o aumento das tensões militares globais, a França se torna a segunda no setor de guerra.

Com 27 bilhões de euros em vendas, este é um recorde absoluto. Esta quantia faraónica deve-se, em particular, à venda de 80 aviões de guerra à monarquia religiosa dos Emirados Árabes Unidos. Este país do Golfo é um dos principais produtores de petróleo do mundo. Seu líder, Mohammed Bin Zayed Al-Nahyane, prende jornalistas independentes e transformou o Estado em um Regime policial, com ampla vigilância cibernética e vigilância das cidades por câmeras. Ele foi convidado no verão passado para o Palácio do Eliseu por Macron, que lhe ofereceu a importação de diesel, bem como uma lei para reviver o carvão. Imaginamos que em troca foi negociada a venda de alguns caças Rafales.

27 bilhões de euros em vendas de armas em um ano é 60% a mais que o recorde anterior, 16,9 bilhões de euros em 2015. Este valor também é mais que o dobro de 2021, que foi de 11,7 bilhões de euros.

As exportações de armas da França já haviam dado um salto em 2018. Os principais países receptores naquele ano: Catar, Bélgica e Arábia Saudita. A França também vende armas para o Iêmen, onde o regime está massacrando a população civil, causando uma das maiores crises humanitárias do planeta.

Desde a década de 1950, a França sempre foi um dos cinco maiores vendedores de armas do mundo. Os Ministros das Forças Armadas tornaram-se os VRPs dos grandes traficantes de armas. Eles viajam o mundo de avião para elogiar os méritos das bombas francesas e se mostram na mídia quando voltam de alguma ditadura com grandes cheques nas mãos.

Sébastien Lecornu também está satisfeito com as vendas de “mísseis, fragatas, submarinos, artilharia, helicópteros, radares, satélites de observação”… Para o maior benefício dos fabricantes de armas: Dassault, Thalès EADS ou anteriormente Lagardère. Onde alguns investem seus lucros comprando mídias.

Esta orgia de vendas de armas ocorre em um cenário de guerra crescente, imperialismo agressivo e militarização. Na terça-feira, 27 de junho, Macron anunciou a construção de um novo hospital militar em Marselha para “preparar a França para uma possível guerra de alta intensidade […] para poder acomodar mais soldados que seriam acometidos por ferimentos muito graves”. Uma maneira perturbadora de preparar mentes. Em janeiro, o governo liberou 413 bilhões de euros para o exército. Ao mesmo tempo, é lançado o Serviço Nacional Universal, um grande programa que custa bilhões de euros, para envolver os alunos do ensino médio na ideologia militarista e nacionalista desde tenra idade. Sempre mais dinheiro para a guerra, sempre menos para as necessidades vitais da população.

Os pobres nada têm a ganhar com os conflitos militares dos poderosos e tudo a esperar da paz mundial entre os povos, da abolição dos Estados e das desigualdades sociais.

Fonte: https://contre-attaque.net/2023/07/26/la-france-deuxieme-plus-gros-vendeur-darmes-mondial/

agência de notícias anarquistas-ana

Nuvem vaidosa
Pra se despedir do sol
Se vestiu de rosa.

Setsuko Geni Oyakawa

[Espanha] Lançamento: “La cárcel no castiga el delito. Castiga la pobreza y la rebeldía”, de Pastora González Vieites

Resenha do livro da mãe de Xosé Tarrío.

Pastora nos leva nestas páginas ao inferno da prisão, aos esgotos do Estado pela mão de seu filho Xosé Tarrío, 14 anos preso, 12 anos nos módulos do FIES, a prisão dentro da prisão, o inferno dentro do inferno. Testemunho comovente de uma mãe ingovernável e sua luta incansável para tirar seu filho das garras da prisão.

Aqui ela narra todas as humilhações que seu filho teve de sofrer na carne por ser pobre e se rebelar contra a injustiça, juntamente com tudo o que ela teve de ver, ouvir e suportar de todas as aberrações cometidas contra Tarrío.

Uma guerra desigual que não diminuiu sua energia para manter sua dignidade intacta.

“A prisão foi feita apenas para os pobres. Tudo o que atrapalha a sociedade e toda pessoa rebelde vai parar lá, mas você nunca verá uma pessoa rica lá, talvez por um mês ou dois, e não nas condições em que nossos familiares estão. Não me diga que existe justiça, porque não existe justiça para as pessoas pobres”.

“Não podemos fechar os olhos para toda essa brutalidade. Onde quer que haja injustiça, devemos estar lá para gritar, não devemos ter medo. Temos que seguir lutando”.

Se você é uma pessoa de bom coração, o que Pastora nos diz aqui não o deixará indiferente.

La cárcel no castiga el delito. Castiga la pobreza y la rebeldía.

Pastora González Vieites

Brochura, 64 páginas. 12 cm x 17 cm. 4€.

ISBN: 978-84-09-43878-5

Para obter mais informações sobre o livro ou para adquirir um exemplar:

https://editorialimperdible.com/2023/06/14/nueva-edicion-hazte-con-una-copia-del-libro-la-carcel-no-castiga-el-delito-castiga-la-pobreza-y-la-rebeldia-pastora-gonzalez-vieites/

agência de notícias anarquistas-ana

Só o Ipê vê, pasmo,
o tremor suado — orgasmo —,
borboleta treme e passa.

Alckmar Luiz dos Santos

[Chile] Solidariedade internacionalista | Presos revolucionários que resistem

  • Jalil Muntaqim já se encontra na rua depois de 5 décadas na prisão [dos EUA]. Representa talvez uma das resistências mais potentes que um ser pode realizar acompanhado de ideias e convicções de luta.

Nos diferentes cárceres do planeta resistem companheiros de diversas tendências revolucionárias que combatem contra o poder capitalista e as classes dominantes, assumindo posições de luta contra o existente que os levaram a purgar anos de prisão nas mais duras condições de castigo e isolamento.

A maldade do poder se manifesta no cotidiano através de regimes jurídico penitenciários altamente ilegais usados sem consideração alguma para tentar esmagar a resistência e luta que cada companheiro encarcerado leva como parte das expressões que combatem pela emancipação humana e pela liberação total através dos anos e territórios rebeldes.

O chamado constante é para a cumplicidade insurreta, para a solidariedade combativa, ao internacionalismo revolucionário, para juntos avançar na luta contra o Estado, o cárcere e o capital, até destruir o último bastião da sociedade carcerária!

Fonte: Buskando la Kalle

agência de notícias anarquistas-ana

tu conheces pelo coração
a gramática do meu corpo
e seu dicionário

Lisa Carducci

 

[Alemanha] Ataque em Berlim para protestar contra o Trem Maia do presidente mexicano AMLO

Pessoas não identificadas quebraram vidraças e incendiaram dois carros no escritório da companhia ferroviária alemã Deutsche Bahn.

Segundo as autoridades, vários desconhecidos quebraram vidraças de um escritório da Deutsche Bahn localizado em Berlin-Mitte na noite desta quarta (26/07) para quinta-feira (27/07). Além disso, dois carros foram incendiados no estacionamento da empresa, na Caroline-Michaelis-Strasse.

As autoridades suspeitam que tenha sido um ato político, já que desconhecidos picharam as palavras “Pare o Trem Maia” na vidraça de um prédio. No planejamento do Trem Maia, participa uma empresa subsidiária da empresa ferroviária alemã Deutsche Bahn.

Denúncia contra o megaprojeto

Ontem, o Tribunal Internacional dos Direitos da Natureza determinou que o Trem Maia, obra emblemática do Governo de Andrés Manuel López Obrador (conhecido pelas iniciais AMLO), no México, viola os direitos da natureza e da comunidade maia, apontando crimes de ecocídio e etnocídio.

“O veredicto do Tribunal destaca a violação dos direitos da natureza e dos direitos bioculturais do povo maia, que foram e continuam sendo guardiões de seu território, cenotes, cavernas, selvas, biodiversidade e cultivos tradicionais. É considerado um crime de ecocídio e etnocídio, e o Tribunal responsabiliza o Estado mexicano”, diz o relatório.

O megaprojeto do presidente AMLO, que será inaugurado em dezembro de 2023, foi cercado de polêmicas ao longo de sua construção devido a denúncias de destruição da biodiversidade do sul do México, cheio de pântanos, cenotes, rios subterrâneos e selva, e patrimônio cultural que ainda é preservado na região.

A obra inclui 1.554 quilômetros de trilhos para um trem turístico, bem como para carga local e passageiros nos estados do sudeste do México: Chiapas, Campeche, Tabasco, Yucatán e Quintana Roo.

Fonte: Deutsche Welle

agência de notícias anarquistas-ana

Sobre a folha seca
as formigas atravessam
uma poça d’água

Eunice Arruda

[Chile] Áudio | Informativo julgamento Mónica e Francisco – Semana 1

por Radios Libres Anarquistas

INFORMATIVO SEMANAL SOBRE O JULGAMENTO CONTRA OS COMPANHEIROS ANARQUISTAS MÓNICA CABALLERO E FRANCISCO SOLAR (PRIMEIRA SEMANA DE JULGAMENTO)

Compartilhamos um resumo da primeira semana do julgamento oral contra nossos companheiros anarquistas Mónica e Francisco, com as declarações reivindicativas de Francisco Solar e as apreciações de seu advogado Nicolas Toro.

Material de transmissão livre para rádios e mídias livres.

Mónica e Francisco para a rua!

Presos anarquistas e subversivos para a rua já!!!

>> Escute aqui:

https://archive.org/details/informativo-juicio-monica-y-fco-semana-1

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/07/18/chile-da-prisao-palavras-de-monica-caballero-e-francisco-solar-frente-ao-comeco-do-julgamento/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/07/17/chile-santiago-transmissao-ao-vivo-desde-o-julgamento-oral-de-monica-caballero-e-francisco-solar-18-de-julho/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/07/13/chile-estas-com-os-poderosos-ou-com-os-que-se-rebelam/

agência de notícias anarquistas-ana

As cebolinhas
Lavadas e tão brancas —
Que frio!

Bashô

[França] Vídeo | Brest: quando a polícia despeja o L’Avenir

27 DE JULHO EM BREST: A POLÍCIA DESPEJA O L’AVENIR (FUTURO). ESTA FRASE POR SI SÓ PODERIA RESUMIR ESSE PERÍODO.

O futuro, o que é? “Um espaço comum e não comercial, que se constrói pelos habitantes, para os habitantes”. Um lugar nascido da luta de associações e indivíduos que investiram e renovaram este espaço localizado no centro da cidade de Brest desde 2010.

Ameaçado por projetos imobiliários, L’Avenir resiste há anos às autoridades para criar um lugar de solidariedade e encontros. Construções realizadas em autogestão, em 2018 e 2019, o local faz a ligação entre movimentos e pessoas de diversas origens.

Com Macron, todos os lugares que escapam das garras do lucro e do poder estão fadados à destruição. É em pleno verão que se desencadeia assim uma operação policial para expulsar e destruir o Futuro. Desde as 6h desta quinta-feira, dezenas de pessoas defendem o local, acendendo uma grande barricada.

As forças da ordem dispararam gás e tomaram posse do local com retroescavadeiras, para demolir imediatamente algumas construções. No final da manhã, as ruas estavam vazias. Brest perde um lugar importante.

Durante o despejo, uma fileira de gendarmes [policiais] tombou como pinos, tropeçando em uma corrente pendurada entre dois postes.

Com suas máscaras de gás, as forças da ordem não enxergam bem. Portanto, recomendamos fortemente que você não coloque correntes ou cordas em seu caminho! Isso pode fazer com que eles caiam durante uma investida ou até mesmo impedi-los de prender ou mutilar alguém. Isso seria irresponsável e antirrepublicano.

>> Veja o vídeo aqui:

https://contre-attaque.net/2023/07/27/brest-quand-la-police-expulse-lavenir/

agência de notícias anarquistas-ana

As folhas secas
caem com a ventania
sobre o riacho

Antonio Malta Mitori

[Argentina] Festejamos nossos 88 anos de luta e solidariedade!

Queridos amigos e amigas:

É com grande alegria que nos juntamos para celebrar o 88º aniversário da Biblioteca Popular José Ingenieros! Este evento tão especial nos brinda a oportunidade de honrar o legado de um local que tem sido um farol de solidariedade, liberdade e resistência durante décadas.

Fizemos um lanche de camaradagem nas instalações da biblioteca. Foi um momento de encontro entre os amantes da literatura, da história e das ideias emancipadoras, assim como uma oportunidade para fortalecer a comunidade que se formou em torno desta querida biblioteca.

Durante o lanche, desfrutamos de um riquíssimo ensopado preparado com carinho e dedicação por um grupo de voluntários comprometidos com os ideais da biblioteca. Também houve espaço para compartilhar histórias, reflexões, debates e experiências relacionadas com a biblioteca e sua relevância em nossas vidas.

A Biblioteca Popular José Ingenieros tem sido um farol de resistência, solidariedade e luta em nossa comunidade. Ao longo de sua rica história, brindou um espaço para o debate, a exploração de ideias e a difusão do conhecimento livre de ataduras. Em um mundo que muitas vezes busca silenciar vozes críticas, a biblioteca se manteve firme em sua missão de promover a liberdade de pensamento e a emancipação individual e coletiva.

Este aniversário é uma ocasião para celebrar as conquistas da biblioteca e, ao mesmo tempo, reafirmar nosso compromisso com a defesa dos valores que representa, o Anarquismo Revolucionário. É uma oportunidade para nos unirmos como comunidade, fortalecer os laços e renovar nosso entusiasmo por construir um mundo mais justo e equitativo.

Agradecemos contar com a grata presença durante o Lanche de Camaradagem com tantos compas. Sua participação é um testemunho de apoio à Biblioteca Popular José Ingenieros e a sua missão de difundir ideias emancipadoras e fomentar o pensamento crítico.

Viva a Biblioteca Popular José Ingenieros!!

Com carinho e camaradagem, Comissão Administradora da BPJI

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

neve profunda –
as pegadas do gato
cada vez maiores

Ion Codrescu

[Chile] Santiago: Contra a prisão política e a repressão, vá às ruas e se organize!

A repressão é uma ferramenta utilizada permanentemente pelo Estado e por todos os governos. O governo de turno [Boric] vem abrindo cada vez mais espaços para a intensificação da repressão na continuidade de uma ação sistêmica de contra-insurgência.

Um exemplo disso é a manutenção do estado de sítio no Wallmapu para punir, prender e subjugar o povo mapuche. Tampouco cessou a ação do Estado nas ruas, contra estudantes e cidadãos.

Hoje, nesse sentido, não é surpreendente, embora nos chame a atenção para a organização, a apresentação de leis aprovadas pelo congresso para deixar as forças da lei e da ordem em total impunidade. A escalada repressiva nas ruas e nos territórios e por meio da aprovação de leis não é aleatória: a punição é necessária para que o amo e o patrão imponham a normalidade, a ordem e a subordinação ao sistema capitalista. Porque a liberdade é o crime que eles perseguem.

Contra a prisão política e a repressão, vá às ruas e se organize!

NOS VEMOS NO DIA 28!

Fonte: Buskando la Calle

agência de notícias anarquistas-ana

tênue tecido alaranjado
passando em fundo preto
da noite à luz

Guimarães Rosa

[França] Como manter a calma quando a polícia nos provoca em pleno luto

Gritos do coração de um habitante de um bairro de classe trabalhadora

Ser insultado ou ofendido, espancado ou humilhado, levar um tiro na cabeça ou ser sufocado… Esse é o destino dos jovens em nossos bairros. Nós, pais, irmãos e irmãs mais velhos, que hoje somos solicitados a fazer apelos à calma, tentamos denunciar tudo isso há dezoito anos, após a morte de Zied e Bouna, que morreram perseguidos pela polícia. O que sentimos em nossos corpos foram todas as humilhações que machucaram nossos estômagos, as constantes verificações que sempre terminam mal… e todas as vidas ceifadas.

Nossa raiva voltou a se manifestar da mesma forma: carros incendiados, saques… Era olho por olho, uma vingança que nem sequer fazia jus à nossa dor. Diante do desprezo de uma sociedade que nos tratava como párias, como imprestáveis, essa era a maneira de nos fazer sentir. Desde cedo, estamos acostumados a sofrer abusos da polícia, do sistema judiciário, da máfia e da cegueira voluntária dos políticos. Mas como podemos manter a calma quando um de nós morre em total indiferença, quando as provas desaparecem de nossos arquivos e a polícia ainda nos lamenta durante nossas marchas brancas¹?

Tudo isso foi denunciado incessantemente por associações e famílias indignadas, mas nada! Não, nada contra os verdadeiros carrascos! Medalhas entregues aos policiais como se fossem doces, promoções, congratulações… em suma, uma licença para matar. Quando você vê isso na televisão, como pode não ficar com raiva, como pode não se sentir preso? Toda a França saiu às ruas para protestar contra a reforma da previdência, mas recebeu uma indiferença desdenhosa do governo. Agora que a situação está explodindo, está claro que é somente quando há escândalo que as pessoas falam sobre os bairros da classe trabalhadora e o que acontece neles; mas o preço a pagar é a presença constante da RAID², da GIGN³ e dos carros blindados.

Por que saquear lojas? A RSA [revenu de solidarité active – renda cidadã francesa] foi criada para nos manter calmos por causa da ameaça de poder tirá-la se oferecermos a menor resistência… mas ela é consumido pela inflação! Então, nós nos ajudamos! Essas crianças veem suas mães ou pais trabalhando como mulas, limpando a sujeira da burguesia que cospe na cara delas! Eles os contratam por 1.300 euros por mês para um trabalho que não gostariam de fazer por nada no mundo, e têm de ser gratos….

Hoje são nossos filhos que sofrem tudo isso e lutam nas ruas: como assim? Por que, anos depois, o mesmo padrão sempre se repete? Essas são as verdadeiras perguntas que precisam ser respondidas! E não com repressão, como sempre!

Você pedirá a eles que parem, que deem a outra face?

Eles culpam os pais, dizem que a culpa é deles; ameaçam e, mais uma vez, usam a chantagem e o medo; mas não se esqueça de que já estávamos lá em 2005.

Tudo isso desperta uma dor enterrada.

Notas:

[1] Marche blanche (marcha branca): manifestação em memória das vítimas de violência policial, geralmente lançada pela família.

[2] RAID: unidade policial treinada para intervir em situações de “crime organizado, banditismo, terrorismo e sequestro”.

[3] GIGN: grupos de intervenção “antiterrorista” sob a autoridade da Gendarmeria nacional.

Fonte: https://ilrovescio.info/2023/07/20/come-restare-calmi-quando-la-polizia-ci-provoca-in-pieno-lutto-grida-dal-cuore-di-una-abitante-di-un-quartiere-popolare/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

folhas escuras
tremem na brisa
à contra-lua

Rogério Martins