A neutralidade suíça não existe

A Suíça, que se considera neutra para poder manter seu papel privilegiado como centro financeiro mundial, na verdade tem grande responsabilidade por muitas guerras ao redor do mundo. A indústria de armas suíça exporta armamentos para todos os lugares, até mesmo para países onde há conflitos armados. Ultimamente, ela até mesmo transferiu algumas instalações de fabricação para o exterior a fim de contornar as leis que “proibiriam” a exportação de armas para países em guerra, por exemplo, para a Ucrânia, alinhando-se totalmente com a retórica intervencionista belicista da OTAN.

O papel da Suíça como mercado financeiro e principal comerciante de commodities faz desse Estado um dos principais atores na devastação do planeta e na pilhagem dos recursos dos países do Sul Global, alimentando conflitos e forçando as pessoas a deixar seus países de origem. Não satisfeito em semear a miséria em todo o mundo, o governo do Estado suíço se orgulha de “defender” suas fronteiras contra a “ameaça” migratória, com seus militares guardando as fronteiras e soldados da defesa civil administrando centros de deportação.

As campanhas contra o alistamento obrigatório na Suíça foram pacificadas pela introdução da proteção civil e do serviço civil. Acreditamos que o antimilitarismo anarquista não deve se limitar à rejeição das forças armadas ou mesmo à deserção total de todas as obrigações que esse estado nos impõe, mas deve se transformar em ataque.

Por esse motivo, na noite de 17 para 18 de junho, em Mezzovico, Ticino, incendiamos dez veículos da proteção civil, que foram totalmente destruídos, e três veículos militares, que, infelizmente, queimaram apenas parcialmente.

Declaramos com a força de nossas ideias e ações nossa solidariedade a todos os anarquistas feitos reféns pelo Estado e aproveitamos esta oportunidade para saudar aqueles que estão nos caminhos ocultos da liberdade. Aqueles que lutam nunca estarão sozinhos.

A neutralidade suíça não existe. Onde há capitalismo, há guerra.

Morte ao Estado, vida longa à Anarquia.

Fonte: https://lanemesi.noblogs.org/post/2023/07/11/la-neutralita-svizzera-non-esiste-attacco-incendiario-contro-dieci-veicoli-della-protezione-civile-e-tre-dellesercito-mezzovico-svizzera-18-giugno-2023/

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durante o teu sonho
eu brinco com as nuvens
e tu não sabes de nada

Lisa Carducci

[Espanha] A Comunidade de Madri alugou um abrigo para jovens em Guadarrama para um encontro entre neonazistas espanhóis e alemães.

Dois grupos neonazistas compartilharam treinamento militar na Serra de Guadarrama e visitaram o Vale de Cuelgamuros, denunciou o Foro Social de la Sierra de Guadarrama.

O Refúgio Juvenil Puerto de la Morcuera, localizado no Parque Nacional da Sierra de Guadarrama (Madri), foi em junho passado o acampamento base para uma reunião entre grupos neonazistas espanhóis e alemães. Esse espaço público, de propriedade da Comunidade de Madri, serviu, entre outras coisas, como área de treinamento paramilitar, denuncia o Foro Social de la Sierra de Guadarrama.

Membros da organização NRJ, o ramo jovem do partido neonazista Der III Weg (Terceira Via), participaram desse imponente local natural. Essa formação, conforme registrado em um relatório do Centro Estadual de Educação Cívica de Brandemburgo publicado pelo [jornal] Público, nasceu de uma cisão no partido NPD. “Eles são violentos e estão dispostos a incitar outros à violência”, afirma o relatório.

Seus anfitriões, Devenir Europeo, declaram-se abertamente nacional-socialistas. Apesar disso, eles afirmam estar legalmente registrados no Registro Nacional de Associações do Ministério do Interior.

Embora já tenham tido contatos anteriores, desta vez é ainda mais surpreendente que o local escolhido dependa do Conselho de Família, Juventude e Política Social da Comunidade de Madri. Para reservar um lugar neste albergue, é necessário um depósito de 5 euros por pessoa e, conforme indicado nas Condições Gerais de Reserva, é necessário “enviar uma breve descrição, projeto ou plano de atividades a serem realizadas durante sua estadia”.

O Foro Social de la Sierra de Guadarrama emitiu um comunicado no qual, sob o título “Fora as atividades de ódio de nossa Serra”, solicita ao governo da Comunidade de Madri que “explique se sabia que se tratava de um grupo neonazista e que torne público o plano de atividades que apresentou. Eles devem explicar se foram enganados ou se estavam cientes dessas atividades, se as apoiam e se as permitirão novamente no futuro, em qualquer um dos albergues da Comunidade de Madri”.

Da mesma forma, enfatizam, seria interessante saber se o Conselho Municipal de Rascafría, o único na Comunidade de Madri governado pelo Vox, estava ciente dessa atividade e se a apoiou de alguma forma.

O Governo da Comunidade de Madri, que foi contatado pelo [jornal] La Marea, garante que a reserva foi feita por um indivíduo particular que disse que organizaria dias de convivência com o turismo e passeios às montanhas. O conselho municipal de Rascafría, com o qual La Marea também entrou em contato, não se pronunciou sobre o assunto.

Treinamento paramilitar e visita ao Vale dos Caídos

Der III Weg publicou em seu site uma análise das atividades realizadas durante sua visita à Espanha e explica que eles foram “calorosamente recebidos pelo povo espanhol”. Eles incluem várias fotos nas quais pixelaram os rostos dos participantes, como é o caso daquelas enviadas ao canal do Telegram do Devenir Europeo.

Depois de um passeio pela cidade, dizem eles, passaram a primeira tarde treinando no Parque Nacional Sierra de Guadarrama.

Os dias seguintes foram passados no Albergue da Juventude de Puerto de la Morcuera. Embora eles não informem o nome, as imagens mostram que se trata de um abrigo público. Lá eles tiveram vários debates políticos e sessões de treinamento de boxe, K1 e MMA, entre outras disciplinas de grupo.

Eles também visitaram o Vale de Cuelgamuros. No site dessa organização nazista, eles observam que “até recentemente havia os túmulos do Führer fascista Francisco Franco e do revolucionário nacional José Antonio Primo de Rivera, ex-líder do movimento nacionalista Falange”.

Ambos, continuam eles, “foram enterrados novamente pelo governo liberal de esquerda espanhol para diminuir a atratividade desse imponente complexo de túmulos”. E acrescentam: “Já experimentamos tais práticas na Alemanha”.

A crônica da viagem termina com um texto, que também está incluído no Telegram dos neonazistas espanhóis, no qual eles afirmam que “saber que há jovens em outros países lutando por sua identidade, cultura e tradição, que estão sofrendo com os mesmos problemas da época, dá aos nossos jovens a esperança de que um dia a Europa vai acordar e fundar uma confederação de estados soberanos. Com nossos amigos espanhóis, estamos aqui juntos em uma luta defensiva contra os inimigos de nosso povo, animados pelo amor à liberdade”.

Fonte: https://www.lamarea.com/2023/07/07/la-comunidad-de-madrid-alquilo-un-refugio-juvenil-en-guadarrama-para-un-encuentro-entre-neonazis-espanoles-y-alemanes/

Tradução > Liberto

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Bem que me agasalho.
Galhos sem folhas lá fora
parecem ter frio.

Anibal Beça

[França] Temperaturas infernais e turismo de desastres

“A HUMANIDADE TORNOU-SE ESTRANHA O SUFICIENTE PARA EXPERIMENTAR COM SUCESSO SUA PRÓPRIA DESTRUIÇÃO COMO UM PRAZER ESTÉTICO DE PRIMEIRA CLASSE” – WALTER BENJAMIN

“Há fortes chances de que em julho experimentemos as temperaturas globais mais altas em 120.000 anos” acaba de declarar o professor Bill McGuire, climatologista e vulcanólogo. No entanto, provavelmente estamos experimentando o verão mais fresco do resto de nossas vidas.

  • Na Grécia, incêndios florestais causados ​​pela onda de calor e ventos fortes estão assolando a região de Atenas. Vários balneários já foram evacuados nesta terça-feira, 18 de julho.
  • O Aeroporto Internacional do Golfo Pérsico, no Irã, registrou um índice de calor de 66,7°C às 12h30 do dia 17 de julho. A combinação de temperatura do ar superior a 40°C e alta umidade, próximo ao mar mais quente do planeta, criou uma temperatura sentida além dos possíveis limites de sobrevivência do mundo animal.
  • No Kosovo, as temperaturas rondam os 40°C. Guardiões de um santuário florestal para ursos colocaram frutas e vegetais congelados nas árvores para permitir que eles se refresquem.
  • Em Sanbao, na China, o país registrou sua temperatura mais alta já registrada, chegando a 52,2°C.
  • Espanha está em alerta de onda de calor “extremo”, com calor até 44°C. O sul do país está gradualmente se transformando em um deserto e pode se tornar inabitável nas próximas décadas.
  • Na Córsega como no sul da França, passa dos 40°C. A água do Mediterrâneo pode atingir os 30°C em alguns pontos, perturbando o equilíbrio da vida neste mar que concentra uma biodiversidade marinha muito grande.
  • No Vale da Morte, na Califórnia, a temperatura ultrapassou os 56°C. Dezenas de turistas fizeram a viagem para se fotografar em frente ao termômetro em pânico, rindo. Uma experiência “emocionante” e “simpática”, dizem estes turistas da catástrofe à imprensa. No país mais poluente do mundo, cujo modo de vida insustentável contaminou o planeta, os habitantes se divertem com o caos climático.

Espera-se que os voos de avião dobrem em 10 anos, navios de cruzeiro cada vez maiores estão saindo dos estaleiros, jatos particulares e iates continuam vendo suas vendas explodirem e o ministro da Agricultura francês considera as temperaturas normais.

Walter Benjamim estava certo. A humanidade está agora suficientemente alienada para não mais se alarmar com o colapso de seu próprio ambiente, a convulsão do mundo ao seu redor. Como em “Don’t Look Up”, ela até se diverte. Como se estivesse fascinada pelo espetáculo de sua própria destruição.

Fonte: https://contre-attaque.net/2023/07/18/temperatures-denfer-et-tourisme-du-desastre/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/07/12/franca-o-dia-mais-quente-o-recorde-de-voos-de-aeronaves-comerciais/

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Não pude imaginar
Esse tigre invisível
Que vês em meu nariz

Jeanne Painchaud

[Portugal] Lançamento: “O anarquismo e a arte de governar. Portugal (1890-1930)”, de Diogo Duarte

O anarquismo foi uma das culturas políticas mais ativas na sociedade portuguesa das primeiras décadas do século XX. No seu projeto de ruptura radical com as instituições dominantes, gerou novos saberes e práticas e dialogou com os paradigmas científicos, administrativos e políticos que procuravam conhecer e governar a população. Este livro pretende contribuir para o conhecimento do anarquismo e da sua inserção na sociedade portuguesa. Para isso, foca-se nos saberes, discursos, práticas e técnicas que serviram a constituição de um sujeito anarquista na sua relação consigo e com a sociedade. No fundo, procura perceber que tipo de ator social o anarquismo procurou produzir para concretizar o seu projeto de transformação social e política, tornando possível a milhares de pessoas imaginar um mundo “sem deuses nem amos”, fundado na solidariedade, na liberdade individual e na igualdade social.

O anarquismo e a arte de governar. Portugal (1890-1930)

Autor: Diogo Duarte

Prefácio: José Neves

Edição:Outro Modo, Le Monde diplomatique – edição portuguesa

2023| Preço: 13,5€  [15€ com 10% desconto]

livrosoutromodo.com

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Por trás da cortina,
o passarinho não vê
que aguardo o seu canto.

Henrique Pimenta

Cartazes para a divulgação da XIII Feira Anarquista de São Paulo

Os coletivos Biblioteca Terra Livre, Centro de Cultura Social (CCS) e Nelca estão iniciando os trabalhos para a realização da XIII Feira Anarquista de São Paulo. A data já está escolhida, dia 19 de novembro de 2023 na EMEF. Des. Amorim Lima. Como forma de ampliar a divulgação e a participação das pessoas na construção da Feira, estamos convidando artistas (amadores ou profissionais) para criar um cartaz para a divulgação da XIII Feira Anarquista de São Paulo. A sugestão para os cartazes deste ano são as seguintes:

  • 125 anos do assassinato de Polinice Mattei
  • 105 anos da Insurreição Anarquista do Rio de Janeiro
  • 90 anos de fundação do Centro de Cultura Social
  • 55 anos de Maio de 1968
  • 40 anos de fundação do EZLN
  • 10 anos de Junho de 2013
  • 5 anos da morte de Ursula K. Le Guin

Mas isso é apenas uma sugestão! Não existe restrições a criação artística. Caso queira ter sua arte estampando o cartaz da XIII Feira Anarquista de São Paulo, envie seu trabalho para: feiraanarquista@gmail.com

Todos os trabalhos realizados e enviados para o email – até 5 de novembro – serão exibidos em uma exposição realizada durante a Feira.

Informações necessárias no Cartaz:

  • Impressão: 3508 x 4961 (pixels)
  • Internet: 1400 x 1400 (pixels)
  • Título: XIII Feira Anarquista de São Paulo
  • Data: 19 de Novembro de 2023
  • Horário: 10h – 19h
  • Local: EMEF. Des. Amorim Lima – R. Prof. Vicente Peixoto, 50 – Butantã, São Paulo/SP
  • Organização: Biblioteca Terra Livre | Centro de Cultura Social | Nelca

https://feiranarquistasp.wordpress.com/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/07/18/quer-participar-da-xiii-feira-anarquista-de-sao-paulo/

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Noite estrelada
O céu – brilhando – se abaixa
Silenciosamente

Eunice Arruda

[Chile] Da prisão palavras de Mónica Caballero e Francisco Solar frente ao começo do julgamento.

Dentro dos próximos dias começará a fase culminante deste longo processo judicial que nos manteve na prisão nos últimos 3 anos. O tempo que durará este julgamento oral não deveria ser muito extenso na medida que Francisco assumiu a responsabilidade das ações reivindicando politicamente cada um dos ataques. Não obstante tudo indica que a promotoria não poupará esforços e recursos para conseguir todas as agravantes possíveis fazendo desta instância o momento preciso no qual o Poder se deixará cair com toda sua brutalidade.

Estes 3 anos significaram o fortalecimento de laços de afinidade e solidariedade com diversos espaços anárquicos deste território e de outros distantes, como também ser parte da coordenação de presos anarquistas e subversivos levantando em conjunto múltiplas iniciativas de luta com uma clara perspectiva anticarcerária. Significaram definitivamente enfrentar com dignidade a vida na prisão não deixando nem um instante de ser parte ativa dentro da galáxia anárquica informal, tentando constantemente romper com o papel exclusivamente de “preso” ao qual pretende nos delimitar o Poder.

As ações que serão julgadas se inscrevem, sem dúvida, dentro da longa tradição anárquica referida para responder e vingar os golpes permanentes de repressores e poderosos. Constituem uma clara tentativa para acabar com a impunidade dos que detêm a autoridade, demonstrando que é possível, desde a informalidade, provocar transtornos ao estabelecido e fazer com que a vingança se faça presente.

Estas ações também representam uma contribuição à guerrilha urbana anarquista que se nega a desaparecer apesar dos constantes golpes repressivos.

Neste sentido, pensamos que resulta fundamental pôr a ênfase nas ações pelas quais nos tem confinados no momento de levantar iniciativas solidárias, incentivando seu fortalecimento, multiplicação e extensão.

Queremos enviar um abraço cúmplice a todos os espaços, entornos e individualidades que fazem da solidariedade uma prática permanente que permite, entre outras coisas, que continuemos participando ativamente no amplo que fazer anárquico, dando vida, desta maneira, ao desenvolvimento concreto de uma solidariedade de caráter revolucionário.

Um abraço fraternal a nossos irmãos anarquistas e subversivos presos no Cárcere de Rancagua com os quais indubitavelmente nos fortalecemos neste caminho de luta ao interior da prisão e por quem é imprescindível redobrar os esforços para conseguir sua saída à rua.

Uma saudação especial também para nossos companheiros presos anarquistas do caso gendarmeria, para os presos antiespecistas e para Tomás González.

Solidariedade e cumplicidade com os que atentam contra repressores e poderosos!

Qualificar e multiplicar os ataques contra cada expressão do domínio!

Presos anarquistas e subversivos à rua!

Viva a anarquia!

Mónica Caballero

CPF. San Miguel.

Francisco Solar
CP. La Gonzalina – Rancagua.

Território ocupado pelo estado chileno meados de julho de 2023.

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/07/13/chile-estas-com-os-poderosos-ou-com-os-que-se-rebelam/

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Até os pernilongos
Vão ficando silenciosos –
Como os anos passam…

Paulo Franchetti

[Espanha] Algumas palavras do companheiro Gabriel Pombo da Silva

Caros companheiros: por mais incrível que possa parecer, ainda não tive o desejo, nem a capacidade, nem a vontade de me sentar em frente a uma máquina para (re)-anunciar meu (re)-retorno a este mundo frenético… em todo caso, tenho a vontade de compartilhar estas breves palavras.

Seja como for, finalmente a verdade prevalece, e seus funcionários do Estado cinzento deveriam ter reconhecido que me mantiveram SEQUESTRADO por muito mais anos do que suas leis e direitos “democráticos” normalmente anunciam.

Como a vida e a morte são um procedimento burocrático para aqueles que “vencem mais do que convencem”, quando a ordem de soltura chegou ao último degrau, sem mais nem menos, eles me colocaram de repente diante das portas de uma de suas prisões. Nem sequer se deram ao trabalho de informar os advogados, colegas e familiares sobre esse fato, e eu tive que ficar lá por 40 minutos intermináveis como um imbecil até que um prisioneiro me deixasse falar ao telefone…

De qualquer forma, eu não esperava que os noivos da morte se desculpassem, mas também não esperava que eles fossem tão covardes… o fato é que nos últimos meses eu perdi mais de 15 quilos de massa muscular, mas vou poupá-los dos detalhes sinistros desse último ataque que levou mais de 3 anos e meio para ser resolvido.

Minha filha e minha companheira, sem dúvida, sofreram o impacto dessa vingança vil; para elas, agora são essas semanas de reunião e cura. A todos vocês, irmãos, irmãs e companheiros internacionalistas e solidários, vai meu amor revolucionário.

Em breve, começaremos a construir e (re)construir nossos projetos e bases organizacionais para continuar nossa luta e a luta por todas as liberdades. Em meu coração e em minha mente estão sempre aqueles que morreram em ação e aqueles que continuam apodrecendo na prisão por suas ideias e compromissos militantes e revolucionários.

Continuaremos a luta em todas as frentes contra o Estado, o capital e seus mercenários.

Pela anarquia e o fim da dominação!

Gabriel

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/07/11/espanha-gabriel-pombo-nas-ruas/

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A velha ponte –
No pó ajuntado entre as tábuas,
Brota o capim.

Paulo Franchetti

Já está circulando “O AMIGO DO POVO” nº6 – Julho/Agosto/Setembro de 2023

▪️ EDITORIAL | Por um Movimento de Oposição Classista ao Governo Lula! (pág.1)

▪️ França: da greve contra a reforma da previdência à rebelião contra a polícia (pág.1)

▪️ Bolsonaro inelegível, e daí? (pág. 2)

▪️ A PL das Fake News e a via revolucionária (pág. 2)

▪️ Cruzadinha sobre o Cerrado (pág. 2)

▪️ O Novo Arcabouço Fiscal de Haddad e a vitória da Austeridade (pág. 3)

▪️ Comunidade rural de Catalão protesta contra Gigantes da Mineração! (pág. 3)

▪️ Anarquismo e a Questão do Imposto (pág. 4 e 5)

▪️ A revolta das lavadeiras de Taguatinga (pág. 5)

▪️ Algumas lições da greve dos professores do DF (pág. 6)

▪️ O dia do Cerrado e os desafios agrário-ambientais da luta dos povos (pág. 7)

▪️ Animais, mais valiosos que os trabalhadores? (pág. 7)

▪️ México: Os territórios zapatistas à beira de uma guerra civil (pág. 8)

▪️ A política de preços da Petrobrás segue a mesma no governo Lula (pág. 8)

>> Leia a edição completa aqui:

https://oamigodopovo.noblogs.org/files/2023/07/AdP_n6.pdf

Trabalhador e trabalhadora: ajude a divulgar o anarquismo revolucionário compartilhando nossas matérias, adquirindo o jornal ou ainda criando uma célula de apoio do Amigo do Povo na sua cidade. Entre no nosso canal no Telegram: https://t.me/jornaloamigodopovo

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A cigarra canta
o anúncio de sua morte –
formigas na contra-dança.

Anibal Beça

Quer participar da XIII Feira Anarquista de São Paulo?

Estão abertas as inscrições para grupos, coletivos, editoras e publicações anarquistas interessadas em participar da XIII Feira Anarquista de São Paulo (feiraanarquistasp), que ocorrerá no dia 19 de novembro de 2023, das 10h às 19h, na EMEF Des. Amorim Lima (São Paulo/SP).

>> Receberemos propostas até o dia 01 de setembro através do formulário disponível em:

https://forms.gle/yJS2cNuzYZgvd8hD6

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folia na sala
no vaso com flores
três borboletas

Alonso Alvarez

Porque não fomos ao CONUNE – Congresso da UNE?

Quando em 2003 o Governo Lula tomou assento na presidência da República, a UNE já não era mais um símbolo de combatividade tal como fora durante o período da ditadura civil-militar (1964-1989). Neste período, organizações revolucionárias dirigiam esta entidade e foram ponta de lança no combate a ditadura. Porém desde 1979 com a reconstrução da UNE, a entidade dava sinais progressivos de sua burocratização, sobretudo aceitando a política reformista de atrelar o movimento estudantil às candidaturas eleitorais estatais levada a cabo pela UJS (juventude do PCdoB), partido que desde então mantem-se quase intocável na diretoria da UNE. Mas foi com a eleição do PT ao Governo Federal que a UNE, junto a CUT, passaram a ser extensão do governo no movimento estudantil e sindical, respectivamente…

O trecho anterior faz parte de um Comunicado Nacional escrito por nós da RECC em junho de 2013, há mais de dez anos atrás. Mantém sua atualidade, porque a política governista e reformista da UNE permanece a mesma.

Dez anos se passaram e vivemos uma conjuntura semelhante, onde o Governo Lula está novamente na presidência da república e a posição da UNE é a de conciliação de classes, sendo na prática conivente com políticas neoliberais do Governo Federal que aprofundam o sucateamento da educação, como o Novo Ensino Médio e o Arcabouço Fiscal (leia mais sobre tais políticas em Comunicados Nacionais anteriores da RECC).

Vários movimentos estudantis apontam que a UNE deve ser disputada devido ao seu caráter histórico ou por se tratar da maior entidade estudantil da América Latina. Sobre o histórico da UNE, respondemos que para além do breve período de louvável enfrentamento a ditadura, principalmente durante os anos 1960 e início da década de 1970, o seu histórico é o de conciliação de classes, reformismo e governismo. Há mais de 44 anos, desde a sua restruturação em 1979, é essa a política levada a cabo pela entidade e sua direção, monopolizada pela presidência e influência de dois partidos: PCdoB (e sua juventude UJS) e PT.

Em relação a ser a maior entidade estudantil da América Latina e um local para disputar as massas estudantis, respondemos que o local onde as massas estudantis estão é nas instituições de ensino, em colégios, universidades, cursinhos, etc. A disputa pela consciência e a construção de poder estudantil se dará através do trabalho de base nesses locais e não disputando cargos.

Para além da crítica, nós da RECC nos propomos como uma solução, uma alternativa. Estamos há mais de dez anos tornando essa proposta de solução em realidade, construindo um movimento estudantil nacional que seja de fato comprometido com a luta pelos direitos dos estudantes pobres. Isso independente do governo burguês da vez, lutando sempre de maneira classista e combativa lado a lado com os estudantes.

Construa o movimento estudantil classista e combativo!
Organize-se e lute com a RECC!

recc.lutafob.org

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Entre as ruas, eu,
e em mim, eu em outras ruas,
sob a mesma noite.

Alexei Bueno

[Chile] Santiago: Transmissão ao vivo desde o julgamento oral de Mónica Caballero e Francisco Solar, 18 de julho

Depois de uma longa espera, neste 18 de julho começa o julgamento pela defesa da liberdade de nossos irmãos Mónica e Francisco.

Desde a mídia de massa de desinformação, está surgindo um ataque de insultos e elogios ao poder e seus amos.

De nossa trincheira de rádio, defenderemos nossos irmãos e acompanharemos a luta de Mónica e Francisco nas ruas e nas ondas do rádio.

Sabemos como o poder e seus lacaios trabalham, convidamos você a ouvir a transmissão ao vivo do primeiro dia do julgamento oral dos companheiros nesta terça-feira, 18 de julho, desde o centro de injustiça em Santiago, Chile.

Ouça em qualquer uma das estações de rádio:

www.radiotropiezo.org

https://radio.latina.red/ultimafrecuencia

https://radio.latina.red/lazarzamora.mp3

radio.latina.red/radiokurruf.mp3

https://www.youtube.com/@NegrasTormentasRadioA

www.myradiostream.com/Garraxi

Morte ao Estado e vida longa à Anarquia.

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Manhã de neve.
Até mesmo os cavalos
Ficamos olhando.

Bashô

[México-EUA] A avó dos anarquistas

PorMiguel Sánchez de Armas

Ao meio dia da quarta-feira 4 de outubro de 1911, uma anciã baixinha de resplandecente cabeleira branca e traje vitoriano, bochechas rosadas e olhar luminoso, saiu do Palácio Nacional no Zócalo e empreendeu um passeio pelas ruas da Cidade dos Palácios antes de regressar a seu hotel.

Era irlandesa residente na Pensilvânia e viúva de um mineiro. Se chamava Mary Jones. Teve uma entrevista no Salão Amarelo do Palácio Nacional e essa mesma tarde redigiu uma mensagem para seus companheiros de luta em Chicago:

“Só umas linhas para informar-lhes que acabo de regressar do Palácio onde tive uma longa audiência com o presidente Francisco León de La Barra. […] Me garantiu proteção e o direito de organizar os mineiros do México. Esta é a primeira vez que se concede a alguém esse privilégio na história da nação mexicana. […] Também passei uma hora com o presidente eleito Francisco I. Madero e me concedeu a proteção e ajuda do governo que pedi. Sou a primeira pessoa à qual se permitiu levar o estandarte da liberdade industrial aos peões que tanto tem sofrido nesta nação.”

Esta aparentemente frágil avozinha era na realidade uma dirigente social mais aguerrida do que seriam anos depois Josef Stalin, mais radical do que tinha sido Mijaíl Bakunin e mais endurecida que León Trotsky.

Havia saltado ao cenário da luta obreira quando perdeu sua oficina de costura no grande incêndio de Chicago de outubro de 1871 e em vez de chorar ou rezar se lançou a uma campanha para organizar a classe obreira. Em 1867 seu marido e seus quatro filhos morreram de febre amarela.

Esteve na primeira linha dos distúrbios laborais em Pittsburgh em 1877 e nas manifestações de Haymarket, Chicago, em 1886. Nos campos de carvão de antracita da Pensilvânia, marchou com as esposas dos mineiros que derrotaram os seguranças “com vassoura e esfregões”. Testemunhou o “massacre de Ludlow” e na “grande greve do aço” de 1919 se destacou por seus discursos de apoio aos trabalhadores siderúrgicos.

Em princípios da década de 1900, os empresários conservadores dos Estados Unidos se benziam quando aparecia em cena e a satanizavam como “a mulher mais perigosa” desse país. Asseguravam que lhe bastava mover um dedo “para que vinte mil trabalhadores até esse momento pacíficos e contentes” deixassem o trabalho.

Em 1903, organizou os menores que trabalhavam em moinhos e minas em uma “Cruzada dos meninos”, marcha que começou em Kensington, Filadelfia, e terminou na porta da casa do presidente Teddy Roosevelt em Oyster Bay, Nova York. Roosevelt se negou a falar com ela, mas o incidente pôs o tema do trabalho infantil na agenda pública e em 1906 a Suprema Corte de Justiça regulamentou a participação infantil em trabalhos perigosos.

Hoje a recordamos como Mother Jones e é uma lenda entre a classe obreira dos Estados Unidos. Não é tão conhecido que quando esta avó organizava os obreiros no sudoeste dos Estados Unidos, se constatou das atrozes condições de seus irmãos mexicanos nas empresas ianques protegidas pelo porfiriato. Essa situação permitia que os donos das minas recrutassem seguranças no México para romper greves em seu país.

“Arrecadou grandes somas de dinheiro para ajudar os dirigentes do Partido Liberal Mexicano após sua detenção em 1909”, nos recorda o grande historiador Friedrich Katz. E viajou ao México, onde pode falar com os mineiros e propagar a mensagem de que não deviam ser os seguranças dos patrões nos Estados Unidos.

Em 1913, cruzou de novo a fronteira e foi ver Pancho Villa, que lhe proporcionou um intérprete e lhe permitiu dirigir-se aos mineiros de Chihuahua com a mesma mensagem. Um dado hoje esquecido ainda que estejamos em plena comemoração do centenário do assassinato do Centauro do Norte.

Quando foi presa e levada ante um tribunal militar sob acusação de conspiração para cometer assassinatos, Villa mandou uma carta ao presidente Woodrow Wilson, que sentia admiração pelo guerrilheiro, oferecendo-lhe trocar o fazendeiro Luis Terrazas por Mother Jones.

O jornal socialista Appeal to Reason publicou a carta onde Villa se compromete a deixar Terrazas  em liberdade se o presidente dos Estados Unidos “mostrasse a mesma consideração humanitária com um de seus próprios cidadãos, uma mulher de mais de oitenta anos que foi ilegalmente privada de sua liberdade […] Tomo a liberdade de recordar-lhe que […] Mother Jones viajou como organizadora da Western Federation of Miners através do México, com a plena proteção do presidente Madero […] Faria o senhor o mesmo por Mother Jones?”

Mother Jones seguiu sendo organizadora da United Mine Workers até a década de 1920 e esteve envolvida em assuntos sindicais quase até sua morte em 1930.

Durante sua vida foi conhecida entre os obreiros como “O anjo dos mineiros”, incansável apesar dos eventos trágicos que a oprimiram. Sua feroz determinação se expressou em uma famosa declaração: “Reza pelos mortos e luta como o demônio pelos vivos”.

Quando foi denunciada no Senado em Washington, DC, como a “avó de todos os agitadores”, respondeu com a alegria que foi seu selo ao longo de sua vida: “Espero viver o suficiente para converter-me na bisavó de todos os agitadores”.

Aos noventa anos, escreveu sua autobiografia, onde sua poderosa voz percorre o sofrimento das famílias mineiras de sua pátria:

A história do carvão é sempre a mesma. É uma história negra. Por um instante mais de luz, os homens devem lutar como feras. Pelo privilégio de ver a cor dos olhos de seus filhos à luz do sol, os pais devem lutar como bestas na selva. Que a vida possa ter algo de decência, algo de beleza – um quadro, um vestido novo, um pedaço de renda barata ondeando na janela – para isso, os homens que trabalham no fundo das minas devem lutar e perder, lutar e ganhar.

Em Pasta de Conchos, em Sabinas, em Múzquiz e nos cortes abertos de Coahuila, em Nukay e nos poços de Guerrero, o espirito de Mother Jones vaga entre soluços.

10 de julho de 2023

@juegodeojos

www.sanchezdearmas.mx

Fonte: https://www.losangelespress.org/arteleaks/la-avó-de-los-anarquistas-20230710-5831.html?utm_source=desktop&utm_medium=twitter&utm_campaign=compatir

Tradução > Sol de Abril

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caem as mangas
no pátio do sonho
talvez em outros

Jorge B. Rodríguez

[Chile] Liberação/Assimilação: 54 anos após a Revolta de Stonewall

Liberação/Assimilação é um trabalho de pesquisa, arquivo e tradução dedicado a fortalecer as vozes da liberação sexual que negam todas as tentativas de assimilação. Para essa tarefa, decidimos reunir, através do tempo e da distância, dois grupos que representavam e promoviam projetos revolucionários e antiautoritários no meio sexual militante. A Frente de Liberação Homossexual (F.L.H.) (1971-1976) em Buenos Aires. E a Mary Nardini Gang (2007-202?), nos Estados Unidos.

Dessa forma, transcrevemos, reeditamos e traduzimos alguns textos inéditos ou pouco conhecidos nos círculos radicalizados.

A publicação é composta de 4 textos.

1) Mitologia Queer (Mary Nardini)

2) Homossexualidade: as vozes clandestinas (F.L.H.)

3) Sexo e Revolução (F.L.H.)

4) Rumo à insurreição mais queer (Mary Nardini).

Tentativa de colocar em diálogo e tensão perspectivas insurrecionais e revolucionárias, tanto contra estruturas tradicionais de esquerda e anarquistas quanto contra projetos de assimilação partidária, acadêmica e comercial da sexualidade e do gênero.

>> Para baixar a publicação, clique aqui:

https://lapeste.org/wp-content/uploads/2023/06/Liberacion-Asimilacion-Lectura-web.pdf

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2016/05/30/espanha-lancamento-adeus-chueca-memorias-do-gaypitalismo-a-criacao-da-marca-gay-de-shangay-lily/

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Acabou-se a festa.
Resta, no silêncio,
o rumor da floresta.

Ledo Ivo

[País Vasco] 19J: Homenagem na Huella

  • Na quarta-feira, a CNT realizará em Artxanda (Bilbao) sua homenagem anual à Revolução Social.
  • O evento terá início às 19h, em frente à escultura da Huella.

Há 87 anos, começava a Revolução Social de 1936. “A classe trabalhadora organizada enfrentou o golpe fascista, sem esperar a ação do governo”, aponta a organização. E, sem esperar, a classe trabalhadora pôs mãos à obra, coletivizando os meios de produção, organizando milícias para varrer o fascismo.

Com esta humilde homenagem, que acontecerá na quarta-feira, 19 de julho, às 19h, em La Huella (Artxanda, Bilbao), “pretendemos recordar aquelas mulheres e homens que deram tudo contra o fascismo e pela revolução”, diz a CNT. “Não queremos que seja um mero ato de memória”, citou a organização anarcossindicalista; “o nosso objetivo é recuperar o exemplo que nos legaram: a organização da economia pelos trabalhadores; a organização de classe para enfrentar o fascismo; a auto-organização política e social fora do Estado”, destaca a CNT.

“Nossa emancipação como classe trabalhadora deve ser obra de nós mesmos; e não há partido político ou Estado que nos tire da crise ecossocial e sistêmica: por isso convocamos a comparecer a esta homenagem”, conclui a organização anarcossindicalista.

Fonte: https://www.cnt-sindikatua.org/es/noticias/19j-homenaje-en-la-huella

agência de notícias anarquistas-ana

Venha senhor trovão
Só não vá virar o vinho,
Nem deitar o pão ao chão.

Analucía

Rap Combativo | Novo som do Ktarse: “Triunfo da Estupidez”

Eu tô muito pessimista, eu acho que o neoliberalismo, o individualismo e o hedonismo que ele traz é uma ideologia triunfante, inclusive, entre nós. Aquela ideia do fique rico ou morra tentando, lá, eu acho que aquilo foi a triunfante, né, a do 50 cent.

 – Foi a melhor ideia?

Não! Eu diria que vingou.

 – Vingou?

É, isso tá no coração e nas almas das pessoas, tem um individualismo babaca em que todo mundo se acha, entendeu! Todo mundo acha que o indivíduo sozinho tá fazendo alguma diferença. Ninguém quer investir na construção de uma estratégia coletiva de luta, e sem ela a gente não se emancipa. E sozinho qualquer um derruba a gente, desautorizar uma pessoa preta é a coisa mais fácil que existe.

 – Desautorizar uma pessoa preta?

Desautorizar, desmoralizar, né! Destruir a reputação e cancelar é a coisa mais simples e fácil que existe. A gente só tem chances, se a gente, se a gente desenvolver estratégia coletiva, e mesmo assim é difícil, mas eu insisto; o neoliberalismo é a ideologia triunfante entre nós. Inclusive, ela não pode ser mais perversa sobre ninguém do que sobre nós.

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Rapero incendiário, inflamando nas rimas / O ataque sonoro, anti-imperialista / Foda-se o rap colonizado pelos burgueses / Viva o rap combatente e insurgente 

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Imperialismo cultural, dominação através da arte / Rap colonizado pelo American way of life / Rap cristalizado pelo blim, blim / Dizem que o capitalismo não é tão ruim

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Rap mercadoria, sexista, machista / Bode expiatório da direita fascista / Prostituindo o rap para aumentar o cachê / Como o mercado fez com a imagem de Chê

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Foda-se o rap pop, confronto não evitarei / Cago e vomito no rap de vocês / Rap mainstream, divertimento pra burguês / Essa é a dominação da ditadura da estupidez

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Capitalismo justo, maquiavélica mentira / Pois sua natureza é criminosa genocida / Mais nocivo do que a polícia e a pobreza / É proliferação do rap de direita 

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Meus versos subversivos é anticapitalista / Meu rap é inspiração para quem vive a rebeldia / Foda-se o rap pop, viva o rap insurgente / Combatente, contundente, antiburgueses

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A guerra pela libertação nunca cessará / Enquanto o oprimido não se libertar / Faço rap insurgente porque é fundamental / O rap de combate contra o imperialismo cultural

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Rapero incendiário, inflamando nas rimas / O ataque sonoro, anti-imperialista / Foda-se o rap colonizado pelos burgueses / Viva o rap combatente e insurgente 

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Não sonho em ser Tupac e Notorious B.I.G / Me inspiro em Dead Prez e Imortal Tecnique / Meu desejo é ver a estátua da liberdade destruída / Foda-se o sonho americano e os imperialistas

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Por trás de toda riqueza tem corpos pilhados / O rap holofotes pra nós é mó atraso / O capitalismo em colapso, em ruínas / E o rap exaltando valores que nos escraviza 

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Antes o rap lutava contra o servilismo / Agora o rap rima bajulação ao capitalismo / Antes o rap rimava contra o algoz / Agora o rap rima diversão pra playboys 

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Exaltando os símbolos de vitória do capitalismo / Na realidade estamos fudidos / Perdidos na estupidez mantendo a aparência / O rap holofotes é a expressão da decadência 

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Cantando um mundo que não nos pertence / Foda-se o rap holofotes, o rap game / Enquanto na real se fodem para sobreviver / Na aparência ostentam na essência pagam carne 

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Tirando Selfies dos símbolos do consumismo / O número de curtidas massageia o narcisismo / A falsa abundância, a falsa ilusão dos malotes / Mentiras ofuscadas pelo rap holofote

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Rapero incendiário, inflamando nas rimas / O ataque sonoro, anti-imperialista / Foda-se o rap colonizado pelos burgueses / Viva o rap combatente e insurgente 

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O rap se tornou descartável na balada / Mais uma engrenagem da servidão voluntária / Musica de protesto, ódio, fúria / Foi docilizado e adestrado pela indústria  

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Um produto a mais nas prateleiras / O rap entrou na dança macabra do sistema / Com rimas forçadas, frases vazias / O rap foi colonizado com maestria  

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Dominado pela busca da monetização / Rimando submissão, servidão ao cifrão / Mc`s sem escrúpulos em batalhas competitivas / Reforçando o machismo, racismo, gordofobia 

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Onde há poder, há tirania intensa / E o rap alucinado pelo poder do sistema / Oprimidos sonhando em ser opressores / Vitimas algozes no espetáculo dos horrores

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Assim caminha o rap na sociedade do desespero / Subserviente ao topa tudo por dinheiro / Obediente o rap prossegue inofensivo / Servindo de entretenimento aos boys de condomínio 

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Hits para a casa grande se manter confortável / O rap domesticado segue hipnotizados

Na dança macabra da servidão sistêmica / Quanto vale sua arte? Sua consciência? 

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Essa ideologia de que, hã, individualista de que eu sou o a gente, eu sozinho sou o a gente da transformação, eu sozinho estou fazendo a diferença, eu sabe, a minha mobilidade social e individual – representa a todos!

 – Tipo a frase a favela venceu, você acha que é uma frase neoliberal?

Não, quando você fala da favela, você está falando de uma coletividade, eu não sei quem disse essa frase o que ela significa, mas o que eu sei é que dentro da favela tem gente que está lutando junto. O que a gente viu, uma das maiores demonstração que a gente teve durante a pandemia da covid foi a capacidade de organização coletiva que as comunidades de favela deram, aquilo é um paradigma pra gente seguir, aquilo é um paradigma!

 – Inclusive o movimento tem usado essa frase, tanto o rap como o funk e até outros movimentos acabaram pegando essa coisa da frase, a favela venceu! O artista que é emergente, egresso da favela ele faz sucesso posta uma foto com carrão, e a frase vem embaixo a favela venceu! É neoliberalismo isso ou não?

É e eu acho que é o do mais babaca possível!

>> Escute o som aqui: https://youtu.be/vX3PYrtsBKY

agência de notícias anarquistas-ana

chegado para ver as flores,
sobre elas dormirei
sem sentir o tempo

Buson

[Espanha] “Viva Zapata!”, cinema e anarquismo

No livro “Cine y anarquiso – La Utopia anarquista em imágenes“, é mencionado Viva Zapata!, o filme dirigido por Elian Kazan em 1952, como um produto curioso. Ao que parece, o filme foi muito criticado por certa parte da esquerda na época de sua estreia e menciona-se inclusive que foi considerada uma distorção reacionária. Entretanto, foi aplaudida por anarquistas como o inglês Albert Metzer que a entendia como uma descrição muito apropriada e realista do anarquismo romântico de Emiliano Zapata.

Talvez essa polêmica estivesse fundamentada em, como sabemos, o fato de que o diretor Elia Kazan foi um delator durante o marcatismo denunciando outros colegas de profissão de esquerda, mas acreditamos que é preciso deixar um pouco de lado essa questão e também o anticomunismo próprio do momento, ainda que Viva Zapata! possa também ser visto como uma conveniente crítica ao socialismo burocratizado.

É preciso dizer que os anarquistas, como deveria ser sabido, foram os primeiros críticos de uma perspectiva de esquerda a práxis marxista-leninista, ou seja, o socialismo autoritário (ainda que, para o caso que tratamos, a revolução mexicana preceda cronologicamente a russa). Por outro lado, nem Kazan, nem o roteirista John Steinbeck eram anarquistas, mas pode-se ver o filme assim como uma grande crítica ao poder e um tributo, não sabemos se de modo consciente, a revolução campesina e indígena promovida por Zapata de inegável postura anarquista.

A ação do filme se passa no sul do México entre 1909 e 1919 e nos narra a história do líder campesino Emiliano Zapata, de origem humilde e inicialmente analfabeto, já que o que desejava era uma vida justa e de paz para todos como ele. Assim, Zapata reclama as terras ocupadas pelos latifundiários, e frente ao fracasso da via pacífica, converte-se em um líder da insurgência contra o despótico presidente Porfirio Diaz, liderando a tomada de terras e a libertação de muitos povos, Zapata fará uma aliança como o opositor Francisco Madero, quer virá a ser prefeito uma vez que Diaz seja derrotado, uma mera mudança de poder sem pretensão de mudança social; Madero será assassinado em 1913 pelo general Victoriano Huertas, que se proclamará presidente.

Na continuação da guerra, Huertas acaba exilado e sobe ao poder Venustiano Carranza, que será oposição a revolucionários como Pancho Villa e o próprio Emiliano Zapata. Frente a toda esta conquista de poder, o filme mitifica a figura de Zapata como um revolucionário honesto e sincero, que não quer ocupar nenhum cargo e combate de maneira nobre pela revolução social e campesina; ainda assim, ele verá como o poder transforma as pessoas e implicitamente leva a corrupção moral.

Viva Zapata! começa como um repulsivo governador recebendo a um grupo de humildes campesinos, supostamente, para atender a suas reivindicações; é claro que o governante os responderá de maneira evasiva, mas há um jovem que insiste em que a autoridade deve oferecer soluções. Diante dessa insistência, o mandatário acaba se irritando e pergunta seu nome para encontrá-lo em uma lista e marcá-lo com tinta preta: obviamente estamos falando de Zapata.

Esta cena tem um paralelismo inegável com outra do final do filme, na qual Emiliano Zapata ocupou o lugar do poderoso, e os campesinos o procuram para fazerem reivindicações; Zapata promete agir frente o fato de que seu irmão Eufemio está claramente abusando de sua posição de poder. Mas desta vez há outro jovem que questiona as promessas de Zapata e este, desacostumado que o questionem, pergunta seu nome para marcá-lo em uma lista.

Entretanto, a lembrança do que ele viveu quando era um jovem rebelde o detém, então monta em seu cavalo e abandona o poder para continuar sua verdadeira luta, como de fato aconteceu até sua morte. Há quem considere que esta sequência seja moralista, do meu ponto de vista é extremamente efetiva e difícil de não se emocionar.

É também preciso dizer que Elia Kazan já havia feito grandes filmes, como Um Bonde Chamado Desejo, baseada na obra de Tennessee Williams, e A lei do silêncio; certamente, esta última vista por alguns como tentativas do próprio Kazan de se justificar, já que o protagonista é levado a se tornar um delator, mas em circunstancias muito diferentes das do vil marcatismo onde se perseguia a pessoas por suas ideias políticas de esquerda.

De sua parte, o roteirista John Steinbeck é outro homem de prestígio, seus romances permanecem na memória como As Vinhas da Ira, que John Ford transformou em um grande filme; dizem que John Steinbeck estava muito interessado na figura de Zapata muitos anos desde antes de escrever este filme, acumulou muitas informações e é por isso que uma primeira versão do roteiro foi considerada acadêmica de mais.

Viva Zapata! têm muitas virtudes, e recomendo muito que assistam, especialmente as gerações mais jovens, que talvez não a conheçam. Talvez não seja o melhor jeito de conhecer o processo revolucionário no México, mas estamos falando de uma obra de ficção, ainda que com legítimas intenções morais e políticas. Grandes interpretações, um roteiro magnífico, uma estupenda fotografia em preto e branco e também uma soberba trilha sonora de Alex North com canções populares mexicanas como “Valentina”, “La Adelita” e “Las mañanitas”.

Capi Vidal

Fonte: http://acracia.org/viva-zapata-cine-y-anarquismo/

Tradução > 1984

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flor amarela,
no vaso, vê o mundo
pela janela

Carlos Seabra