Não à guerra entre os povos, não à paz entre as classes | Comunicado de imprensa da CRIFA

A Comissão de Relações da Internacional das Federações Anarquistas (CRIFA) reuniu-se em Atenas nos dias 4 e 5 de novembro para discutir e partilhar pensamentos e práticas das nossas Federações. Atualmente, estamos particularmente ativos em atividades antimilitaristas, num período que se caracteriza pela intensificação das guerras, das quais as mais conhecidas, como os conflitos em Gaza, na Ucrânia ou no Sudão, não nos devem fazer esquecer a globalidade do problema.

A guerra nunca é uma solução, mas sim uma forma do capitalismo e do Estado reproduzirem formas de dominação, exploração, patriarcado e opressão. A guerra é a exacerbação da violência do poder e da hierarquia. Muitas pessoas falam de crimes de guerra, nós dizemos que a guerra é sempre um crime.

Todas as guerras são contra o povo e utilizam argumentos como o nacionalismo, que coloca os povos oprimidos uns contra os outros, tentando criar a ilusão de que existem interesses comuns a todas as classes de forma a minar os conflitos sociais através da propaganda de guerra.

Nós, anarquistas, opomo-nos a todas as fronteiras, estados, exércitos e ao próprio princípio da soberania territorial. Propomos as nossas ideias de solidariedade internacional, apoiando ativamente todas as vítimas das guerras e todos os que recusam as guerras independentemente de que lado estejam: objetores, desertores, sabotadores e pessoas que fogem às guerras.

Apoiamos todas as ações antimilitaristas que estejam de acordo com os nossos princípios anarquistas, bem como todo os grupos, indivíduos e coletivos que resistem à guerra fazendo trabalho social, ajudando as pessoas, promovendo lutas sociais e que, apesar da guerra, continuam a divulgar posicionamentos antiautoritários.

Além de fazerem a divulgação internacional das atividades antimilitaristas como um trabalho de contrainformação contra a propaganda de guerra através dos jornais, rádios e outros meios de comunicação, as nossas federações promovem atividades como Os “Dias Mundiais de Ação Contra Qualquer Guerra e Militarismo” de 17 a 25 de novembro de 2023 https://de.indymedia.org/node/306630; A quinzena antimilitarista do Público em Paris, de 5 a 26 de novembro de 2023 http://www.librairie-publico.info/?p=8835 e a Assembleia Antimilitarista na Itália. https://umanitanova.org/event/milano-assemblea-antimilitarista-4/ para dar apenas alguns exemplos.

Não à guerra entre os povos, não à paz entre as classes.

Comissão de Relações da Internacional das Federações Anarquistas – IFA, Atenas 5 de novembro de 2023

Fonte: https://i-f-a.org/2023/11/20/ifa-statement-from-crifa-athens-5-nov-2023/

agência de notícias anarquistas-ana

O pássaro procura
os filhotes, o ninho.
Galho caído…

Rodrigo de Almeida Siqueira

Mónica e Francisco nas ruas!

[Espanha] 20N antifascista: “As ruas são e serão sempre nossas”

Este 20 de novembro, no 48º aniversário da morte do ditador, a Coordenadora Antifascista de Zaragoza e a Plataforma Uesca Antifascista foram para as ruas. Duas mobilizações que reuniram mil pessoas e que foram marcadas pelo anúncio do governo de Aragão -PP e Vox- de revogar a Lei de Memória Democrática aragonesa.

Pisando forte contra o fascismo. Com este lema, em Zaragoza cerca de mil pessoas, de todas as idades, respondiam à convocatória antifascista pelo 20N. Uma mobilização convocada pela Coordenadora Antifascista e a campanha pela Absolvição dos 6 de Zaragoza que percorreu o centro da capital aragonesa, desde a plaza España até o bairro da Madalena. Durante todo o percurso não se deixou de entoar cânticos como “Fora fascistas de nossos bairros” ou “Aqui estão as antifascistas” e lemas contra a repressão, o patriarcado e o capitalismo. Também se mostrou a solidariedade internacionalista com a resistência palestina, que sofre desde 7 de outubro passado uma brutal ofensiva do Estado de Israel, uma autêntica limpeza étnica.

“Frente ao discurso de ódio e a normalização do fascismo”, desde a Coordenadora chamaram a “confrontá-lo e construir uma sociedade onde o que não caiba seja o medo”. “Vivemos tempos onde o fascismo volta a tomar as ruas, onde já não se ocultam porque se sentem legitimados com os pactos onde a direita, mal chamada democrática, e a extrema direita pós franquista governam em dezenas de Prefeituras e comunidades autônomas. É o caso de Zaragoza e o governo de Aragão, onde inclusive dois declarados franquistas do Vox ocupam altos cargos, sem que o ‘democrata’ Jorge Azcón os destitua porque, ainda que não o digam abertamente, o franquismo está no DNA também do Partido Popular”, denunciaram na leitura do comunicado.

“O novo auge do fascismo, que nunca desapareceu por muito que o tentaram vender desde muitas posições, se produz como resposta à crise sistêmica do capitalismo, ante a possibilidade de que os que não tem nada que perder se levantem contra um sistema opressor da classe trabalhadora. Por isso, o fascismo reorienta a frustração e a raiva das pessoas, para qualquer inimigo visível que a canalize e a afaste dos que realmente exercem o poder e assim sustentar o sistema”, advertiram para assinalar que “o sistema, através de suas leis, reprime a quem não aceita sua normatividade, a quem decide enfrentar os poderosos”. “Em nosso país há milhares de pessoas com causas judiciais abertas. Ativistas feministas, sindicalistas, artistas, militantes antifascistas e antirracistas, defensoras do direito à moradia, defensoras da autodeterminação do povo catalão, migrantes, e em nossa cidade os 6 antifascistas de Zaragoza. Por isso exigimos uma anistia justa para todas elas e a revogação da Lei Mordaça”, destacaram.

Também deixaram claro que, “como sempre nos opusemos, não podemos permitir que sigam impondo o relato de que todas as ideologias devem ser toleradas. O fascismo não se discute, se combate. Porque não podemos aceitar como normal uma ideologia que se baseia no ódio ao diferente, que defende os interesses das classes dominantes perpetuando o capitalismo”. “Por isso – continuaram – denunciamos os discursos de ódio que assinalam culpados, que incitam à violência e que dizem defender uma democracia que só é legítima se governam eles, com chamados para abortá-lo ou derrubá-lo por qualquer meio. ‘O que possa fazer, que faça’ ou ‘até a última gota de sangue’. Discursos que falam de um país no qual cada vez cabemos menos gente, enfrentando-nos ao outro, e no qual se volte a normalizar o uso da violência como argumento político”. Ao grito unânime de “Não passarão” finalizaram a mobilização antifascista.

Que não pintem tudo de rosa. Fascismo nunca mais. Em Uesca 200 pessoas se concentraram na plaza Zaragoza com este lema, em uma mobilização convocada pela plataforma Uesca Antifaixista. Durante o ato foram lidos diversos comunicados, do Coletivo 28J LGTB e da CNT. “Hoje 20 de novembro, comemoramos a morte de um lutador. Tal dia como hoje morreu Buenaventura Durruti combatendo o fascismo e a reação”, começava o comunicado da plataforma convocante. “Também um 20 de novembro morreu o ditador fascista Francisco Franco em sua cama. 48 anos depois, o fascismo segue presente nas instituições, nas mais altas esferas da sociedade e nas ruas, abarrotadas dos filhos da ultradireita, com seus símbolos, saudações e cânticos criminosos. Enquanto isso, são centenas os casos de repressão contra movimentos sociais, sindicais e ecologistas”, acrescentaram.

Uesca Antifaixista denunciou que “o fascismo velho e reacionário se camufla entre o neoliberalismo mais selvagem. E vemos como em nossa cidade se manifesta mediante a deterioração do público e da precarização das condições das trabalhadoras municipais, a não cobertura de praças dos bombeiros, a biblioteca e, definitivamente, empregos públicos. Se manifesta quando se tampa a porta em uma moradia funcional enquanto se criminaliza a ocupação, se fecham centros sociais e se fomenta a especulação imobiliária. Se prefere investir em quarteis militares que em centros de saúde. Tudo isto enquanto os políticos de Uuesca aumentam seu soldo”. Frente a estes “abusos reacionários” puseram como exemplos as lutas da classe trabalhadora “da limpeza da Pirâmide, as de Litera Meet en Binefar, dos bombeiros florestais por todo Aragão, referências todos eles na defesa de seus direitos”.

“Hoje a extrema direita pretende apropriar-se da rua, mas as ruas são nossas, jamais as perdemos. A luta, as reivindicações e os avanços pertencem e pertencerão ao antifascismo”, defenderam. Também houve críticas aos meios de comunicação que “tentam branquear marchas fascistas mediante a equidistância”. “Nós gritamos que o fascismo não se discute, se combate. Esta corrente neoliberal e nacionalista busca arrasar a diversidade, negar a violência machista e criminalizar as pessoas migrantes”, continuaram para citar os casos da “Polônia, Hungria, Itália, Argentina ou Israel”.

Segundo Uesca Antifaixista, “as diversas caras do fascismo se expressam com a política do ódio, da uniformidade e do extermínio do adversário. Como o sionismo, cometendo genocídio na Palestina e outros massacres que seguem ignorados, a traição ao povo saharaui, ao Kurdistão ou as violações massivas em Tigray”. “Ali onde o ódio tente abrir caminho, aí nos encontraremos, enfrentando com solidariedade e apoio mútuo, com organização de moradores e sindical, com companheirismo e antifascismo”, frisaram para concluir afirmando: “As ruas são e serão sempre nossas”.

Fonte:https://arainfo.org/20n-antifascista-las-calles-son-y-seran-siempre-nuestras/

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

Rio seco
silêncio sob a ponte
apenas o vento.

Rodrigo de Almeida Siqueira

[EUA] Chamado Internacional para Protestos Sonoros

Chamado da Cruz Negra Anarquista (ABC) de NY por protestos sonoros nessa véspera de ano novo

Essa é uma chamada por uma barulhenta noite de forte solidariedade para aqueles aprisionados pelo Estado em uma das noites mais barulhentas do ano. Na véspera de Ano Novo junte sua gangue, coletivo, comunidade, organização, ou somente você e faça um estardalhaço e lembre aqueles dentro dos muros que eles não estão sozinhos.

Internacionalmente, protestos sonoros fora das prisões são uma maneira de recordar os que estão mantidos cativos pelos Estado e uma forma de demonstrar solidariedade para com os camaradas e nossos entes queridos aprisionados. Nos reunimos para romper a solidão e o isolamento.

Nós sabemos que as prisões não podem ser reformadas e devem ser completamente abolidas. São um mecanismo de repressão usado pelo estado para manter a ordem social enraizada em supremacia branca, patriarcado e heteronormatividade. Nos reunirmos na parte de fora destes espaços também é uma forma de demonstrar oposição ao que eles representam.

A lógica do Estado e do capital; da punição e aprisionamento, deve ser substituída por uma rejeição a opressão e a exploração. Esse chamado é um passo nessa direção.

Onde quer que você esteja, nos encontre na Véspera do Ano Novo nas prisões, cadeias e centros de detenção, faça barulho em solidariedade aos aprisionados para avançar a ideia de um mundo livre de dominação.

Nós fazemos esse chamado em solidariedade para com aqueles desafiando a repressão do Estado em larga escala: dos anarquistas no Chile a Atlanta, da Rússia e todos os espaços entre eles.

Nós queremos um mundo livre de muros e fronteiras.

Nós lutaremos juntos até que todos sejam livres.

Fonte: https://itsgoingdown.org/international-call-for-new-years-eve-noise-demonstrations-6/

Tradução > 1984

agência de notícias anarquistas-ana

entre velhas páginas
uma folha ainda verde
da casa antiga

Alice Ruiz

Nos 10 anos do Levante Popular de 2013, a revolta pode ir a julgamento novamente por meio da audiência, marcada para 12/12, de Fábio e Caio.

A justiça do estado do Rio de Janeiro definiu a data do júri popular de Fábio Raposo Barbosa e Caio Silva de Souza, acusados pela morte do cinegrafista Santiago Andrade em fevereiro de 2014. A sessão plenária do 3º Tribunal do Júri está prevista para as 12h, do dia 12 de dezembro de 2023. Fábio e Caio respondem por homicídio doloso qualificado e explosão. Há quase dez anos, Santiago foi atingido por um rojão na cabeça enquanto registrava  confrontos entre manifestantes e policiais sem qualquer tipo de equipamento de proteção, para a TV Bandeirantes, no Centro do Rio, perto da Central do Brasil. Apesar do que o Estado, através do punitivismo populista penal e a mídia, através do linchamento discursivo, tentam emplacar, Caio e Fábio não poderiam ser responsabilizados pela morte de Santiago Andrade. A explosão de um artefato como aquele não tem previsibilidade e, portanto, qualquer noção de intenção teria que ser descartada. Se fizéssemos dez reconstituições do incidente, obteríamos dez resultados diferentes. Além disso, não existe nenhuma prova conclusiva de que o morteiro que acertou o jornalista tenha sido disparado pelos manifestantes, já que existem relatos de testemunhas de que naquele dia, a própria polícia estava com morteiros.

A criminalização de Caio e Fábio se confunde com a própria criminalização da revolta popular, e foi a maneira que o Estado encontrou para tirar as pessoas das ruas no Rio de Janeiro. Lembrando que até aquele momento na cidade as manifestações atraíam grandes massas e contavam com grande apoio popular. Somente através da fabricação de uma acusação de assassinato, diante de um terrível e evitável acidente sofrido pelo jornalista Santiago foi possível emplacar um discurso para fazer as pessoas temerem sua própria capacidade de insurreição. Importante ressaltar que a rede Bandeirantes enviou Santiago para uma zona de conflito sem nenhum material de proteção.

Diante disso, o julgamento segue confirmado sem que a rede bandeirantes tenha liberado as imagens completas que estavam na câmera do jornalista quando este foi atingido. A emissora foi intimada a entregar essas imagens, mas entregou apenas uma parte claramente editada. Não podemos então deixar de perguntar: o que há para se esconder nesses arquivos? Por que querem que os manifestantes sejam julgados sem que essas imagens apareçam? Nossa luta neste momento é para que o julgamento seja adiado e não ocorra dia 12 de dezembro sem que a defesa tenha acesso às imagens completas, garantindo assim o amplo direito de defesa de Caio e Fábio. Mas é também pela sua absolvição e pela extinção de todos os processos fabricados, envolvendo manifestantes e lutadores das jornadas de 2013.

Sabemos que os verdadeiros assassinos seguem matando diariamente e de muitos modos na nossa sociedade. Sabemos que o caso em questão é apenas mais um para barrar a autodefesa popular e criar uma situação de pânico diante da exploração da morte e do sofrimento pela mídia, que sabemos ser sempre convenientemente seletiva, para que a revolta seja tirada de cena. Fazer isso é instrumentalizar a morte e a dor das pessoas para um fim político e de controle social. Não há qualquer respeito genuíno com o sofrimento das pessoas quando se usa vidas dessa forma. O que é, aliás, o modo geral de proceder do capitalismo: a instrumentalização dos afetos.

O caso lembra o que ocorreu na Grécia, em 2010, quando um incêndio em um banco durante um protesto levou três pessoas a óbito, e isso foi amplamente usado para jogar a opinião pública contra os protestos, esvaziar as ruas, e gerar um pânico na população, como se se rebelar pudesse gerar mais mortes do que as próprias políticas de austeridade que se pretendia barrar. Sabemos, entretanto, que isso não é verdade, que os bancos ceifam direta e indiretamente muito mais vidas do que qualquer incêndio. Que se as mortes convenientes, quando não são diretamente fabricadas, são pelo menos facilitadas e exploradas para abafar revoltas.

As inúmeras mortes diárias contra as quais nos revoltamos seguem numerosas e constantes, sendo naturalizadas e tomadas como inevitáveis.

A morte de Santiago não foi a única morte em contexto de manifestações, tivemos manifestantes jogados de uma ponte pela polícia; tivemos professoras asfixiadas com gás; e não é como se não morressem tantas pessoas diariamente pela violência policial; pela precarização da vida; pelos motivos que justamente levaram a população às ruas para protestar. Mas as mortes invisíveis, de tantas pessoas matáveis, foram contrapostas pela morte de um “cidadão de bem”, o acidente conveniente foi então usado como instrumento e moeda de troca para que a revolta se tornasse condenável. Mas quem usa pessoas como moeda, que nos usa como um meio para aumentar suas riquezas e poderes, não se importa de fato com a vida. Por isso defender Caio e Fábio hoje é defender a possibilidade da revolta, é  defender o direito a uma outra forma de vida diante do capitalismo que cada vez mais nos tira as mínimas condições de sobrevivência. Somos todys nós que não nos conformamos com essa vida sem o mínimo, que não nos calamos diante das opressões, e que lutamos por uma outra sociedade livre e igualitária, que também estamos indo a júri sem direito de defesa.

LIBERDADE PARA CAIO E FÁBIO!

NÃO PODE HAVER JÚRI SEM ACESSO ÀS IMAGENS!

DIREITO À REVOLTA!

VIVA A ANARQUIA!

agência de notícias anarquistas-ana

Juntos,
um homem e a brisa
viram uma página

Betty Drevniok

Relato da XIII Feira Anarquista de SP | “Ano que vem tem mais! Viva a anarquia!”

A XIII Feira Anarquista de SP aconteceu no último domingo, dia 19 de novembro. Essa foi a segunda edição realizada dentro da EMEF Des. Amorim Lima. O dia contou com atividades para todas as idades, dentre elas: prática de yoga, exposições, lançamentos de livros, exibição de documentários, apresentações teatrais, contações de história, rodas de conversas, oficinas criativas e 40 coletivos expositores.

Depois de uma sequência de dias extremamente quentes, fazendo jus ao inferno que o capitalismo cria para a nossa existência, nem podemos reclamar da forte chuva que veio logo no início do evento. Ainda assim, recebemos um grande público, e não, não sabemos quantas pessoas foram, pois quem faz contagem é a polícia (e provavelmente diriam que houve uns 300 indivíduos presentes, mas a gente sabe que foi no mínimo 10 vezes isso). Esse evento anual tem como objetivo ser um momento de encontros, criação de teias, fortalecimento de vínculos já existentes e impulsionamento para que os coletivos expositores possam ter condições de continuar a exercer sua militância. Esperamos que assim tenha sido, de alguma forma, para cada pessoa que passou pela Feira Anarquista no dia.

Os coletivos organizadores querem agradecer a todo mundo que contribuiu para que chegássemos a esse dia tão aguardado, para que ele transcorresse com tranquilidade e organização e para que, ao final, a escola fosse entregue de volta àqueles e àquelas que trabalham ou estudam nela, assim como a recebemos: limpa e em ordem – talvez, para quem acredita em energias, com o acréscimo do espírito da rebeldia, da solidariedade e do apoio mútuo.

Ano que vem tem mais! Viva a anarquia!

Organizadores: Biblioteca Terra Livre | Centro de Cultura Social de SP | Núcleo de Estudos Libertários Carlo Aldegheri

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Por trás da cortina,
o passarinho não vê
que aguardo o seu canto.

Henrique Pimenta

Ministério da Defesa do governo Lula compra foguetes Skyfire 70 para o Exército

O Centro de Obtenções do Exército Brasileiro assinou, em 18 de outubro de 2023, contrato milionário com a Avibras (Divisão Aérea e Naval) para aquisição de um lote de foguetes Skyfire 70, dotados de cabeça de guerra anti-pessoal. Além de serem usados pela Aviação do Exército Brasileiro, os foguetes e lançadores SKYFIRE-70 também são exportados para diversos países da África e Ásia, sendo inclusive, provados em combate.

ARMAS NÃO MATAM A FOME!!!

Não aos gastos militares!

Contra a indústria da morte!

Contra todos os exércitos!

> antimilitaristas anarquistas <

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foi ao toalete
e cortou os sonhos,
a gilete

Leila Míccolis

[Colômbia] 1º Encontro Internacional de Saberes e Pedagogias Anarquistas

Tecer e intercambiar

Realizamos a difusão deste formulário para a inscrição de oficinas, debates, intervenção artística ou qualquer tipo de mostra gráfica. Esperamos o breve intercâmbio de saberes e reflexões que possamos brindar desde as coletividades e individualidades.

Queremos reconhecer e reconhecer-nos desde novos tecidos possíveis para o impulso de reflexões que nos levem a entender a sociedade desde outros olhares, um espaço no qual convergimos diferentes individualidades desde a autogestão, abrindo espaços para o intercâmbio de saberes anarquistas desde diferentes temáticas.

No formulário pode encontrar algumas seções dirigidas para a participação no espaço desde alguma conferência, oficina, comitê, espaços gráficos ou empreendimentos de autogestão, entre outros.

Universidade Pedagógica Nacional – 25 e 26 de novembro

Link inscrição: https://cryptpad.fr/form/#/2/form/view/QwS3J-85mknX2jHIrlv5CkYTGcm-NXRalLP+r2TxwWc/

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Anoitece
Atrás da colina
O sol adormece

RôBrusch

[México] Carta do perseguido político Miguel Peralta 101 anos após o assassinato de Ricardo Flores Magón

E aí, compas? Cumprimento-os com muito carinho e, antes de mais nada, gostaria de pedir uma salva de palmas para Angelita Velasco, Genaro Vargas e Alberto Cabanzo… companheiros que já partiram deste mundo e que fizeram parte desta luta.

101 anos após o assassinato de Ricardo Flores Magón, a semente da rebeldia que ele plantou continua dando frutos, fornecendo conhecimentos, ideias, anedotas e estratégias de resistência. Apesar das constantes prisões e perseguições políticas que sofreu, inclusive fora do México, ele sempre se manteve firme com uma posição ideológica muito clara, que é necessário recordar.

A reivindicação de Ricardo implica a existência de um vínculo com a comunidade, um senso de pertencimento que os poderosos jamais poderão apagar.

Também gostaria de aproveitar esta oportunidade para enviar um grande abraço aos meus tios Jaime Betanzos e Herminio Monfil, que conseguiram romper esses muros, e estou muito feliz por saber que eles estão caminhando com seu povo em nossa cidade.

À distância estou com vocês, acredito que o distanciamento do território físico do qual fui forçado implicou um certo desenraizamento que me obrigou a me afastar de coisas que eu queria fazer na comunidade, deixar de reproduzir essas práticas comunitárias às vezes me faz perder o sono, mas também há um vínculo que tenho muito enraizado, porque meu umbigo ainda está lá.

O exílio da comunidade não significa necessariamente se afastar daquilo em que você acredita, de quem você é e do que você quer. Na perseguição, há também a angústia, o medo, você anda, corre, tropeça na noite, mas se levanta e continua avançando com passos mais cautelosos, cuidando da segurança de seus companheiros cúmplices.

Espero que todos os companheiros presos sejam libertados em breve, que os perseguidos voltem para casa e que as famílias sejam unidas novamente.

Saudações à bandida de mídias livres, ou como quer que se chamem, que estão por aí dando tudo de si, e também ao companheiro Luis Olvera Maldonado e à dona Fili, que, a propósito, tenho alguns trabalhos pendentes, eu os abraço.

Abaixo os muros das prisões.

Liberdade para Alfredo Bolaños, Fernando Gavito, Francisco Duran, Marcelino Miramon e Paul Reyes.

Liberdade para Jaime e Herminio.

Liberdade para Jorge Esquivel.

Liberdade para Karla e Magda.

Liberdade para Alfredo Cospito, Mónica e Francisco.

Liberdade para os presos políticos.

Miguel Peralta

Fonte: http://www.anticarcelaria.org/2023/11/21/carta-del-perseguido-politico-miguel-peralta-101-anos-ricardo-flores-magon

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/06/13/mexico-miguel-peralta-nao-desista-compa-resista-nos-aqui-fora-pensamos-em-voce/

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Dentro da mata –
Até a queda da folha
Parece viva.

Paulo Franchetti

“A liberdade, a crítica e a criatividade anarquista é o que mais me chama atenção.”

Instituto de Estudos Libertários (IEL) entrevista Nilciana Alves Martins

Quem é Nilciana Alves Martins?

Essa é uma pergunta realmente difícil, afinal estamos sempre em um processo de construção fruto de múltiplos atravessamentos, e por isso, atribuir adjetivos a si mesmo é desafiador e incerto, visto nosso caráter transitório. Tentando focar no que fica, ao invés do que muda, diria que sou uma pessoa comum. Profissionalmente, tenho me dedicado à História e à educação popular. Sou doutoranda vinculada ao Laboratório de História Política e Social (Lahps|Ufjf). Desde 2018, me aproximei do universo dos periódicos acadêmicos contribuindo em diferentes funções dentro das equipes editoriais. Hoje em dia, atuo como vice-editora chefe da Revista Faces de Clio e assistente editorial da Locus, ambas ligadas à referida universidade.

Quando e como conheceu o anarquismo?

Após vasculhar minha memória na tentativa de responder essa questão, lembrei que ainda na juventude me deparei com símbolos anarquistas, seja através do grunge e do punk ou dos (A) espalhados pelos muros da cidade. Em 2014, comecei a faculdade de História e pelos corredores encontrei alguns “gatos pingados” anarquistas, isso me possibilitou um maior contato com o socialismo libertário. A partir daí, busquei me aproximar da literatura anarquista, encontrando ali contribuições que me atravessam até hoje.

Você tem preferência por alguma corrente histórica do anarquismo?

Creio que não! Pelo menos, não no sentido que geralmente isso tem. Não me vejo dentro de uma corrente específica, mas apenas como alguém disposta a ser tributária do que lhe parece potente. Vejo o anarquismo como uma construção coletiva, como algo “vivo”, uma soma de diferentes empenhos individuais e coletivos ancorados em princípios inegociáveis. De acordo com minhas possibilidades, busco entender os princípios e as múltiplas performances anarquistas espalhadas pelo tempo. A liberdade, a crítica e a criatividade anarquista é o que mais me chama atenção. Daí a dificuldade em me encaixar dentro de uma corrente específica, apesar de achar super possível e válida tal ação. Ainda assim, se eu tivesse que listar nomes da ancestralidade anarquista que me influenciaram diria: David Graeber, Emma Goldman, Francisco Ferrer, Maria Lacerda de Moura, Mikhail Bakunin, Peter Kropotkin entre vários outros nomes.

>> Para ler a entrevista na íntegra, clique aqui:

https://ielibertarios.wordpress.com/2023/11/21/instituto-de-estudos-libertarios-entrevista-nilciana-alves-martins  

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Mato molhado
cobra rasteja
passou de repente

Docá

[Itália] Tanta gente, sem Estado, sem fronteiras

Há décadas, o Estado israelense pratica um apartheid feroz contra as populações palestinas e bombardeia ciclicamente a Faixa de Gaza com massacres indescritíveis de civis indefesos, destruição e desastres ambientais. Esse bombardeio, que vem ocorrendo há um mês e meio com incrível violência, está tornando inabitável uma área habitada por 2,2 milhões de seres humanos. Gaza está reduzida a um grande campo de extermínio para crianças (quase metade dos habitantes) e adultos: sem água, sem luz, sem comida e sem cuidados. Os mortos não podem mais ser contados. Quando se fala em genocídio, não é exagero!

Isso é apoiado tanto pela Europa quanto pelos EUA, que buscam moderar a impetuosidade do Estado israelense apenas para “conter” o massacre dentro dos limites funcionais de seus próprios interesses. Enquanto os planos de Netanyahu preveem o êxodo dos habitantes de Gaza para o deserto do Sinai, os de Biden preveem a transformação de Gaza em uma “reserva palestina” com ocupação militar “internacional”, ou seja, controlada pelos próprios EUA. E, embora marginal, o papel do governo italiano não pode ser ignorado: depois que o vice-ministro Cirielli propôs o bloqueio – agora mesmo! – à ajuda humanitária a Gaza, a Marinha italiana enviou dois de seus navios para a frente da costa de Gaza em apoio ao destacamento de navios de guerra da Marinha dos EUA que já estava lá em apoio a Israel. Afinal de contas, os governos italianos, de direita e de esquerda, sempre colaboraram militarmente com o Estado de Israel.

Não consideramos a ação militar do Hamas em 7 de outubro, que massacrou centenas de civis inocentes, israelenses ou não, como “resistência”. Consideramos o Hamas (e suas formações religiosas aliadas, como a Jihad Islâmica) pelo que ele é: uma força reacionária e feudal, que em seu estatuto descreveu as revoluções francesa e russa como conspirações judaicas. Uma força que tem o apoio de alguns dos Estados mais reacionários do mundo: da petro-monarquia do Qatar ao Irã dos aiatolás que torturam mulheres sem véu, à Turquia de Erdogan que massacra o povo curdo e tenta sufocar a experiência revolucionária de Rojava. Por outro lado, o governo de Netanyahu usa o bicho-papão do Hamas para alimentar uma espiral tão perversa quanto destrutiva, funcional aos seus planos de colonização e limpeza étnica nos territórios palestinos.

Apoiamos o povo palestino, por sua autodeterminação, com uma visão internacionalista, libertária e federalista, contra todos os muros, arames farpados e fronteiras entre povos e entre seres humanos!

Apoiamos todas as formas de luta popular palestina direta, tendo como exemplo, entre outras, a luta que, há mais de uma década, tem visto vilarejos na Cisjordânia se mobilizarem diariamente com centenas de jovens rebeldes israelenses ao seu lado!

Apoiamos e consideramos muito importante a dissidência que se manifesta em Israel e estamos muito atentos ao que está acontecendo na sociedade israelense. Apoiamos e valorizamos os bloqueios de mercadorias israelenses por estivadores em Gênova, Barcelona, Sydney e Bélgica. Valorizamos as mobilizações pró-palestinas dos judeus nos EUA. Somos ativos na ampliação mais ampla possível da área de solidariedade com o povo palestino.

A proposta de um novo Estado palestino (mais do que pequeno em tamanho e em manchas de leopardo separadas umas das outras), embora pareça um passo à frente na libertação de um povo oprimido e explorado, é na realidade uma nova jaula que fortalecerá os sentimentos nacionalistas, fazendo com que as pessoas percam a consciência dos interesses de classe e da importância da luta social contra governantes e exploradores de todos os tipos. Não há libertação econômica e social do proletariado fora de sua auto-organização baseada na classe; sua cristalização em comunidades nacionais interclasses é o ponto crucial de qualquer projeto de revolução social.

Mas, para tornar essa abordagem crível, é necessário mobilizar-se para pôr fim a essa guerra, aos ataques à população civil israelense e palestina, à situação intolerável em que se encontram trabalhadores, mulheres, homens e crianças em Gaza e na Cisjordânia, para que as armas parem, o regime de ocupação militar israelense cesse, o regime de apartheid de opressão e marginalização da população árabe termine e, ao mesmo tempo, derrotar as regurgitações antijudaicas que estão sempre adormecidas e nunca terminadas.

Acreditamos em uma solução federalista de baixo para cima, fora e contra as fronteiras do Estado, pode quebrar a cadeia infernal de guerra, ódio étnico e religioso, imperialismo e vinganças intermináveis.

Grupo Anarquista Germinal

17/11/2023

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Sol de primavera —
O despertar das flores
É quase um sussurro.

Paulo Ciriaco

[Argentina] Feira do Livro Anarquista de Buenos Aires

Companheiros e companheiras!

Nos dias 2 e 3 de dezembro estaremos realizando a Feira do Livro Anarquista de Buenos Aires na Plaza China Cuellar (Almafuerte 300, CABA), novamente como um espaço de encontro, de debate, de difusão e crítica, desde uma parte do movimento anárquico e para todos os interessados em conhecer e aprofundar o ideário e as práticas ácratas.

Em um ano atravessado pelo espetáculo eleitoral e sua reivindicação democrática buscamos que a feira do livro seja um espaço de tensão fraterna, para compartilhar experiências, leituras e projetos, para afiançar perspectivas e também para sermos permeáveis às diversas possibilidades da guerra social.

Se o ano passado nos perguntávamos pelo livro como ferramenta e seu caráter utilitário, neste poderíamos pensar a literatura anárquica desde a prática, quando os livros e fanzines se potencializam e enlaçam, quando a edição busca fazer parte e entrelaçar-se com as diversas arestas da luta contra o Estado/Capital, quando se rejeita as estantes da academia para ser compartilhada entre afinidades rebeldes, quando busca incomodar, aprofundar, desafiar, quando a anarquia se torna parte de nossas vidas e não um objeto de intercâmbio linguístico.

Por esta razão estendemos o convite aos grupos, editoras e individualidades que queiram participar da feira e apresentar os diversos materiais de leitura e gráfica que estiveram compondo durante o último tempo, para compartilhar experiências de luta, e diferentes perspectivas e debates que nos atravessam, tanto dentro como fora dos limites impostos pelas fronteiras argentinas.

Feira do livro Anarquista 2023.

Contacto: feriadellibroabsas@riseup.net

Mais infos: instagram.com/feriadellibroanarquistabsas

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

À sombra, num banco,
folha cai suave
sobre meu cabelo branco

Winston

[Espanha] O Kubo e La Ruina Não Morrerão

Em 30 de novembro às 6 da manhã vão tentar desalojar O Kubo e La Ruina, mas estaremos esperando, preparados para tudo. Uma vez mais a Sareb (Sociedad de Gestión de Activos procedentes de la Reestructuración Bancaria, S.A.) e o Estado tentarão tirar-nos de nossa casa. A última vez se saíram mal, desta vez sairão pior, que assumam o custo. Já escrevemos o suficiente sobre quem são e a que se dedicam, pelo que nos limitaremos a explicar como estamos enfrentando-os.

Queiramos ou não, nos vemos envolvidos em uma guerra aberta contra esse sistema de dominação que nos explora e destrói nosso mundo. Por isso aceitamos o desafio e abraçamos o conflito. Convertemos nosso lar em campo de batalha e nos posicionamos como inimigo do Estado, do capital e da sociedade que o sustenta.

agência de notícias anarquistas-ana

A neve está derretendo –
A aldeia
Está cheia de crianças!

Issa

[Chile] Construindo desde a antagonia

Ciclo de debates em torno a leis repressivas que fortalecem o Estado Policial

Fazemos o convite a todos que queiram participar destes debates informativos sobre a lei de gatilho fácil (lei Nain Retamal). Gerando a instância para debater, refletir e aprofundar sobre esta lei e suas implicações, mas, desde um posicionamento antagônico, questionando o fomento deste tipo de leis repressivas, que só buscam seguir fortalecendo o Estado e a violência que este exerce.

A atividade se realizará esta quinta-feira, 23 de novembro, desde as 18h30, no Espaço Fenix (Juan Martinez de Rosas 3091, próximo do metrô Quinta Normal). Haverá comida vegana à venda, e infusões. Também teremos propaganda em serigrafia, música ao vivo, feira anárquica (traz a tua, não comida) e a projeção de material audiovisual.

Nenhuma lei nos dobrará

Nenhuma jaula nos deterá

Saúde e (A)narquia

agência de notícias anarquistas-ana

Logo após a chuva,
a festa dos bem-te-vis—
revoada de insetos.

Reneu do A. Berni

A luta contra a aberração racista

Dealbar foi um jornal anarquista publicado em São Paulo entre 1965 e 1969.

“Todo o mundo seguiu com singular simpatia a grande campanha contra a segregação racial realizada nos Estados Unidos, onde as demonstrações e marchas , de milhares de manifestantes negros e brancos alcançaram vastas projeções. A decisão do governo de Washington de proteger a marcha sobre Alabama evitou a ação violenta dos elementos racistas. Porém, a seita cavernícola da Ku Klux Klan não deixou de consumar um assassinato e vários atentados. Esta organização tem uma larga história de crimes e tem contestado, com sua conhecida linguagem provocativa, altaneira e ultrapatriótica, ao anúncio de que será combatida com a máxima energia. Porém alguns objetivos e matizes da cruzada encabeçada por Luther King são pela reivindicação de uma integral igualdade de direitos para todos os homens e mulheres, sem distinção de raça, credo ou cor.

Quando se fala da luta contra a aberração racista, vem-nos à memória a situação imperante na África do Sul, onde vigoram monstruosas regras de “apartheid” em um país “civilizado’ governado pelos herdeiros dos bóeres. Nada têm conseguido as reiteradas manifestações de repúdio e os protestos contra semelhante vergonha. A infâmia continua castigando a população negra, que representa uma grande maioria, pela “raça” privilegiada dos brancos. Por outra parte, a morbonazi deixou herança em muitos países.

Não repetiremos o que já foi dito tantas vazes sobre a natureza psicótica dos que são possuídos pela obsessão racista. No nosso tempo dos voos espaciais, a xenofobia, a discriminação e segregação segundo a cor da pele, são anacronismos bárbaros que não podemos, que não devemos tolerar. Em qualquer lugar e com qualquer denominação que se manifestem, constituem um fator de perturbação da convivência, e afetam direitos essenciais do ser humano.

Diante de um fenómeno que envergonha a todos os que pensam e sentem como indivíduos normais, só cabe uma atitude — a repulsa.”

A.L.

Fonte: Biblioteca Emma Goldman

agência de notícias anarquistas-ana

sementes de algodão
agora são de vento
as minhas mãos

Nenpuku Sato

[Grécia] Campanha de apoio financeiro à – pelo momento – okupa desalojada de Evangelismos

Às primeiras horas da madrugada de sábado 30/09 houve uma operação para desalojar a ocupação de Evangelismos em Heraklion (ilha de Creta). Em um ambiente de um bairro custodiado por policiais de todo tipo, a ocupação foi invadida, na qual foram detidos 10 companheiros, um dos quais, inclusive algemado, foi jogado do telhado do edifício para o vazio. Os companheiros foram transladados à GADI (Delegacia Geral de Heraklion), onde foram indiciados como acusados, enquanto que o companheiro ferido estava isolado sem receber, em um primeiro momento, a atenção médica necessária. O expediente judicial segue em mãos do promotor, portanto as acusações que conhecemos são as anunciadas aos detidos no momento da detenção: danos domésticos, fraude elétrica, desobediência civil, porte ilegal de armas. Fora do edifício houve reações espontâneas e enfrentamentos que resultaram com a detenção de mais uma pessoa, enquanto que as ações de resistência e solidariedade continuam e aumentam, dentro e fora da cidade de Heraklion.

Desde o dia do desalojo, o edifício começou a ser imediatamente vedado com chapas e cimento em portas e janelas, sem sequer as necessárias autorizações das autoridades competentes, sem ter em conta que o edifício foi declarado monumento histórico. A Universidade de Creta (o “proprietário legal” do edifício) calculou as obras de vedação em 37.200 euros (o montante máximo fixado por lei para as dotações diretas). Ao mesmo tempo, foram produzidos importantes danos com o objetivo de fazer com que o edifício não seja viável nem funcional. Ademais, apesar das queixas das organizações de bem estar animal sobre os animais presos em seu interior, foi vedado completamente, deixando nossos dois gatos, Chico e Stajti (Ceniza), sem acesso a comida e água, condenando-os à morte com a clara responsabilidade do Reitorado.

O desalojo de Evangelismos não vem do nada, mas se soma à realidade distópica na qual estamos submersos. O Estado e o capital gregos são responsáveis de inumeráveis mortes (muito próximos para nós em Creta, os recentes assassinatos de Kostas Manioudakis pelo TAE – Departamento de Operações Policiais – da cidade de Souda (Chania) e de Antonis Karyotis por ANEK, empresa marítima), mas também de catástrofes naturais, que se converteram em “normalidade”, e tratam de amordaçar qualquer voz que  resista a seu domínio. enquanto o custo de vida segue aumentando e nossos direitos laborais são violados, enquanto as mulheres imigrantes se afogam no mar Egeo e os presos são condenados à morte nos cárceres, enquanto se celebram dezenas de leilões de primeiras moradias e somos impulsionados fora de nossos bairros para sermos substituídos por turistas, intensificam a repressão tanto nas ocupações como em cada tentativa de organizar-se e lutar contra eles, nas ruas, nas escolas, nos locais de trabalho.

As ocupações, então, são frestas nesta normalidade e armam nossos desejos de respiros de liberdade neste mundo asfixiante. E isto porque – contra a individualização e a apatia que se cultivam as ocupações mantem viva a memória das lutas do passado e fazem parte fundamental das lutas de hoje. Ao mesmo tempo, em uma sociedade com milhares de casas vazias e pessoas sem lar, satisfazem nossa necessidade comum de uma vida digna, desafiam na prática o conceito de propriedade e dão exemplo de vida coletiva. A questão para nós nunca foi se são “legais” ou “ilegais”, mas que são justas e necessárias.

Faz 21 anos nos encontramos com um edifício em ruínas, abandonado durante décadas, que era um foco de contaminação. Sem a ajuda de nenhum organismo institucional ou privado, mas de maneira anti-hierárquica e auto-organizada, conseguimos tornar sustentável e funcional um edifício em ruinas. Um espaço aberto à sociedade, mas também aos excluídos dela, com estruturas de moradia, cinema, livraria e biblioteca, ginásio… Nos últimos anos realizamos três trabalhos de manutenção e restauração do edifício, com a atenção e o cuidado correspondentes a sua historicidade, com o esforço pessoal e os recursos de companheiros, e contribuições de solidariedade da Grécia e do estrangeiro. O trabalho mais recente se realizou no verão de 2023 e estava finalizado nos dias do desalojo

Ao longo de todos estes anos na ocupa de Evangelismos encontraram teto grupos e coletivos, realizaram-se dezenas de assembleias, se desenvolveram estruturas solidárias, se levaram a cabo diversos eventos políticos, culturais e sociais. A ocupa de Evangelismos era e segue sendo as relações, o companheirismo, a solidariedade, o movimento social, todos nós. Um espaço político histórico, que é um ponto culminante para os movimentos sociais, mas também para a mesmíssima cidade de Heraklion, por sua participação nas lutas sociais e de classes, sua ação antifascista e seu apoio prático aos ativistas perseguidos e aos presos políticos.

Incapazes de permanecer inativo frente à repressão e lutando pelas conquistas das lutas de todos estes anos, mas também pelas que virão, iniciamos a luta para defender a ocupação. Dia após dia com manifestações, intervenções, colagem de cartazes, distribuição de textos, ações solidárias, apoiando outras lutas da cidade.

Além do apoio político e a solidariedade, hoje também enfrentamos as questões práticas e por este motivo necessitamos seu apoio financeiro para:

1) cobrir os gastos judiciais dos detidos durante o desalojo, assim como dos que já foram detidos ou serão detidos durante as ações de solidariedade.

2) substituir as infraestruturas do movimento que ou foram destruídas ou foram saqueadas pelos policiais/milicos.

3) liquidar os gastos de materiais e trabalhos de restauração do verão, processo que havia se iniciado para este período, mas que foi interrompido pela invasão, enquanto que também foi destruído o equipamento para os eventos previstos de apoio econômico.

4) preparar-nos logisticamente para reparar os danos causados pela polícia e as autoridades da reitoria vedando o edifício.

O custo financeiro de todos os temas anteriormente expostos excede o objetivo desta Campanha, que é a quantidade que cremos que necessitamos de imediato para cobrir as necessidades que existem.

Agradecemos desde o fundo de nossos corações a todas as pessoas que nos apoiaram todo este tempo, e esperamos voltar a casa para devolver toda esta força e solidariedade ao movimento, como temos feito durante os últimos 21 anos.

Nada terminou – ocupação PARA SEMPRE EM EVANGELISMOS!

evagelismos.squat.gr

>> Apoie aqui: https://www.firefund.net/evagelismos

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

dos ramos altos no rio
caem suavemente
farrapos do sol poente

Rogério Martins