[Espanha] “Actuar aquí y ahora. Pensando la ecología social de Murray Bookchin”

Autor: Floreal M. Romero. editora: Kaicron. Tradução: Sergio España. Páginas: 258.

Este livro foi publicado originalmente na França em 2019 na editora Éditions du Commun, que conta com uma ampla introdução à edição espanhola. Nesta o autor analisa as recentes novidades que ocorreram nos dois últimos anos, incluindo a gestão da pandemia mundial, sempre desde a perspectiva do comunalismo e da ecologia social. A introdução a esta edição espanhola serve também de conexão com aquelas lutas e alternativas gestadas no estado espanhol, especialmente no território andaluz. Seu autor, Floreal M. Romero provêm da tradição anarcossindicalista espanhola por parte de seu pai. Apoia as teses de Murray Bookchin, convertendo-se em um dos principais promotores de suas propostas políticas em ambos os países, através de encontros, publicações e artigos. Vive na Andaluzia, onde cultiva abacates e trabalha com associações para a manutenção da agricultura camponesa.

O colapso que se avizinha é o do sistema capitalista exclusivamente, que por sua própria natureza é depredador e de crescimento ilimitado, e determina o colapso dos seres humanos e seu entorno. Historicamente alienado do social e alimentado pela exploração e a mercantilização das pessoas, agora estende seu domínio sobre o planeta e todos os domínios da vida. Só nos desvinculando de uma atitude fatalista e culpada, recuperaremos o poder de atuar aqui e agora. Para isso, nada melhor do que fazer novamente uma leitura de Murray Bookchin, e compreender o alcance de todos aqueles experimentos e práticas que estão se desenvolvendo depois dele, hoje em dia e a nosso redor.

Floreal M. Romero pinta um retrato do fundador da ecologia social e do municipalismo libertário. Faz uma revisão de sua história, de sua trajetória crítica e política. Desde o estado espanhol a Rojava, passando por Chiapas, o autor propõe, a partir de exemplos concretos, formas de elaborar a convergência das lutas e das alternativas para que surja um novo imaginário como poder anônimo e coletivo. Este livro, ensaio e manifesto ao mesmo tempo, é uma análise pessoal e singular do pensamento de Bookchin que ressoa muito mais além da experiência do autor. Proporciona conselhos práticos sobre como sair do capitalismo e não se resignar ao colapso iminente.

Fonte: https://www.todoporhacer.org/ensayo-actuar-aqui-y-ahora-pensando-la-ecologia-social-de-murray-bookchin/

Tradução > Sol de Abril

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na primavera
com os galhos entrelaçados—
árvores gêmeas

Geralda Caetano Gonçalves

“O livro que estou lendo”

Domingo, 15 de outubro, às 20h00

A Revista Eletrônica convidou o escritor Carlos Augusto Addor para uma conversa sobre o seu livro “Um homem vale um homem” onde ele faz um apanhado sobre a obra de Edgar Rodrigues, memorialista do anarquismo no Brasil e em Portugal. A partir da análise da obra deste autor, composta por mais de cinquenta livros e cerca de mil e oitocentos artigos, publicados, tanto os livros como os artigos, em vários países, e produzida ao longo de um período que ultrapassa cinco décadas, Carlos Augusto procura escrever ou reescrever, uma história do anarquismo e de suas relações com o movimento operário e sindical no Brasil, num recorte cronológico bastante amplo, que se estende da Proclamação da República, em 1889 até o Golpe Civil-Militar de 1964. Vale a pena assistir.

>> Acompanhe no nosso Canal Libertário no YouTube:

https://www.youtube.com/live/WXCvlJn_NFg?si=gq7FN6CbdXhyaSge

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fim do dia
porta aberta
o sapo espia

Alice Ruiz

[São Paulo-SP] Ninguém gosta de estar doente… Mas estamos todos doentes!

“PIRIPAQUE – Uma Opereta Genérica” conta a história de um hospital onde todos estão doentes. O valor do remédio mais usado sofre um aumento repentino e uma ala de revoltosos vai ao pátio protestar contra esta medida. O aumento no preço do remédio, a revolta dos pacientes, a manipulação do jornal do hospital, a adesão de outros pacientes, a deturpação da luta original e a queda de um diretor, fazem parte de mais uma história, tantas e tantas vezes repetida de diversas formas no nosso Hospital…

Mas e a doença? Alguém aí quer acabar com a doença?

O grupo “CAVALO DO CÃO – teatro, luta livre e quebra-galho” tem como foco a pesquisa sobre o teatro de rua voltado à reflexão crítica e social, utilizando elementos da palhaçaria e da música popular.

Ficha técnica

Elenco: João Victor de Morais, Pedro Paes e Artur Mattar

Dramaturgia: Artur Mattar, Pedro Paes e João Victor de Morais

Idealização: Artur Mattar e Pedro Paes

Composição das músicas: Pedro Paes e Artur Mattar

Direção: Tamy Dias

Cenário: Pedro Paes

Figurino: Laura Alves

Agradecimentos: Engenho Teatral, Luiz Carlos Moreira, Irací Tomiatto, Miguel Novaes Neto, Caio Marinho, Micael Guimarães, Renato Mendes, Silvia Adoue, Ana Salles Paes, Lucas Vasconcelos, Cris Lima e Michelle Gabriolli.

Evento presencial e gratuito, 14 de outubro, sábado, às 15h, no Centro de Cultura Social de São Paulo (CCS-SP – Rua Gal. Jardim, 253 – sl. 22 – metrô República).

Lembrando que o CCS-SP se orienta pelos princípios anarquistas, tais como autogestão, apoio mútuo, internacionalismo, anticapacitismo, anticapitalismo e não partidarismo. Não é tolerado nenhum tipo de discriminação de raça, gênero ou sexualidade.

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Obscuramente
livros, lâminas, chaves
seguem minha sorte.

Jorge Luis Borges

[Irã] A questão da Palestina é a questão da falência do estatismo!

Nos últimos dias, testemunhamos um conflito renovado na região palestina e um ataque do grupo islâmico Hamas às terras sob o controle do governo israelense, algo sem precedentes nos últimos anos ou mesmo décadas. Esse incidente mostra, acima de tudo, que a questão palestina, que todos gostavam de considerar uma questão “morta”, ainda está viva e sem fim aparente à vista, pelo menos enquanto os governos existirem!

A antiga terra da Palestina pertence, antes de tudo, ao povo dessa terra. As pessoas que antes tinham uma vida pacífica e feliz agora estão sendo massacradas há décadas no moedor de carne das ideologias nacionalistas e islâmicas e na tentação de formar governos judeus, árabes e islâmicos… As vidas do povo judeu, do povo árabe e de outros que vivem nessa região estão sendo jogadas como peões pelos governos e políticos corruptos dentro e fora dessa geografia, e a oportunidade de uma vida saudável e segura está sendo tirada deles.

Dos Estados Unidos ao Irã com suas interferências, do governo israelense suprimindo e usurpando a terra do povo árabe palestino a grupos islâmicos como o Hamas e a Jihad Islâmica, que têm usado pessoas inocentes como escudos humanos para sua ideologia reacionária e desumana, todos são cúmplices e responsáveis por essa situação, mesmo que pareçam ser o oposto e inimigos uns dos outros.

A Palestina é um espelho perfeito do que os anarquistas têm gritado ao longo da história: Enquanto existirem governos, não haverá paz e segurança.

O departamento de mídia da Federação da Era do Anarquismo

Fonte: https://asranarshism.com/1402/07/18/palestine-issue-statism-failure-en/

Tradução > Contrafatual

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pássaro tenor
afina a garganta
ao sol se pôr

Carlos Seabra

Comunicado da Internacional dos Resistentes à Guerra

A guerra é um crime contra a humanidade: fim imediato da violência em Israel-Palestina

Declaração Executiva da WRI (Internacional dos Resistentes à Guerra) sobre a escalada da violência em Israel-Palestina, outubro de 2023.

Enquanto a guerra em grande escala mais uma vez retorna a Israel-Palestina, recorremos à declaração fundadora da WRI de que “a guerra é um crime contra a humanidade”. Portanto, eu me comprometo a não apoiar qualquer tipo de guerra e a lutar pela eliminação de todas as suas causas”.

Às vezes, a guerra é travada com bombas e balas. Às vezes, ela é travada restringindo o acesso aos recursos que permitem que as pessoas atendam às suas necessidades básicas e que a humanidade prospere. Como antimilitaristas, podemos sempre rejeitar e condenar tanto a violência imediata, deliberada e organizada que ganha as manchetes e choca o mundo, quanto reconhecer simultaneamente que a violência ocorrida em Israel-Palestina desde o sábado, 7 de outubro, tem suas raízes em um conflito de décadas, assimétrico e persistente.

Também queremos reconhecer que, embora muitos de nós sejamos atingidos pela violência chocante e imediata, muitas vezes deixamos de agir e nos envolvemos em momentos de atos “normais”, contínuos, mas não menos prejudiciais, de violência e opressão. Isso é verdade em Israel-Palestina, mas também em Nagorno-Karabakh, Rojava, Papua Ocidental e em muitos outros lugares.

Quando a violência aumenta, podemos sentir que temos de “escolher um lado”, e haverá muitas vozes exigindo que façamos isso. No entanto, também rejeitamos essa maneira binária de ver o mundo, que nos faz pensar nos outros como inimigos a serem oprimidos ou mortos e a diferença eliminada. Por mais barulhentas que sejam essas exigências, sabemos que existem, existiram e sempre existirão pessoas e comunidades que rejeitam a falsa escolha que exige violência. Em vez disso, nós nos alinhamos com aqueles que optam por construir segurança não com armas e bombas, mas construindo confiança e cooperação de forma não violenta, apoiando aqueles que se recusam a matar mesmo quando estão sob imensa pressão para fazê-lo, e talvez até ousem imaginar um mundo mais justo e pacífico. Queremos nos comprometer novamente a ouvir e amplificar essas vozes.

Nós, como comitê executivo da War Resisters’ International, como pessoas de diferentes países e territórios, condenamos a violência e a destruição de todos os lados, sob qualquer forma, e nos solidarizamos com os objetores de consciência e com todos aqueles que acreditam em abordagens pacíficas e não violentas para a resolução de conflitos.

antimilitaristas.org

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Juntos,
um homem e a brisa
viram uma página

Betty Drevniok

[Portugal] Sobre a situação no Oriente Médio: uma análise numa perspectiva libertária

O que está a acontecer no Oriente Médio é mais uma peça do terrível conflito que dura há várias décadas, desde a ocupação israelita da antiga Palestina. Cercados, vítimas dum apartheid violento que dura há gerações, expulsos das suas terras e casas, os palestinos recusam-se a submeter às imposições israelitas e, ao longo, da história têm-no provado.

De um lado e do outro, têm-se também sucedido as maiores atrocidades, conduzindo a uma radicalização de posições. A mera ideia (conservadora) da criação de um estado palestino tem sido sempre recusada por Israel.

O ataque agora desencadeado pelo Hamas, a partir da faixa de Gaza, e a violenta resposta de Israel, integram-se neste contexto, mas os fins não podem justificar todos os meios.

O Hamas é um movimento integrista islâmico para quem todos os métodos de resistência são legítimos e a matança de civis, sem qualquer conexão com o aparelho repressivo do Estado israelita, é um deles, declarando que entre os ocupantes não há inocentes – e o massacre de mais de duas centenas de jovens que participavam num festival de música junto à fronteira é apenas um exemplo.

Mas a resposta desproporcionada de Israel, visando sobretudo a população e alvos civis na Faixa de Gaza, alvo de bombardeamentos constantes, cortando a eletricidade, a água e a entrada de bens alimentares, assume os mesmos contornos de violência indiscriminada.

Enquanto anarquistas defendemos o direito (e até o dever) dos povos subjugados e colonizados à revolta, mas não aceitamos que os meios utilizados se sobreponham aos fins que queremos alcançar: uma sociedade de iguais, sem exploração nem opressão. Daí, embora solidários com a luta do povo palestino, não podemos estar solidários com as ações e as organizações que propugnam a abolição do outro, esquecendo que apenas há uma raça humana e que as fronteiras, as religiões, as pátrias, os identitarismos nunca serviram como alavancas da liberdade.

Mais uma vez, como tantas vezes na história, a revolta dos oprimidos não pode ser sequestrada por organizações similares àquelas que se pretendem combater.

Como todos sabemos, quer o Hamas, quer o governo de Israel não são “flores que se cheirem”, por isso os apelos ao apoio a um ou a outro são apenas formas encapotadas de adiar a construção da paz.

Numa situação como esta todos os esforços devem ser feitos para que as armas se calem e que se impeça a chamada invasão terrestre anunciada por Israel, que culminará num banho de sangue da população palestina.

E, num outro plano, que todos os esforços, em termos populares e da cidadania, de um e outro lado da barricada, sejam para o estreitamento de laços e de redes de solidariedade que levem à derrota quer do Hamas, quer do Estado de Israel, agora representado pela sua ala política e militar mais radical, permitindo uma coexistência igualitária das várias comunidades presentes naquele território, para além dos estados, das fronteiras, das religiões e da origem étnica de cada uma.

Fonte: https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2023/10/10/sobre-a-situacao-no-medio-oriente-uma-analise-numa-perspetiva-libertaria/

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tanto ao lado da chaminé,
como ao lado da porta –
o gato gelado

Jadran Zalokar

Terceiro Seminário da Punk Scholars Network Brasil

Nos dias 1 e 2 de Dezembro a Punk Scholars Network Brasil realizará o seu terceiro seminário. Pela primeira vez o evento acontecerá no formato híbrido (presencial e virtual). Teremos conferência, mesa-redonda, apresentação de pesquisas e claro, muita música punk. Aos poucos vamos divulgando a programação em nossas redes.

Fiquem atentos(as)!

Apoio: @casadeculturabrasilandia

Arte: @rafaeleffe e @flaviograo

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Na tarde chuvosa,
Sozinho, despreocupado,
Um pardal molhado

Edson Kenji Iura

“O Mar Argentino em risco iminente”

Na quarta-feira (04/10), foram realizadas manifestações simultâneas em diferentes cidades em resposta ao início iminente da exploração sísmica na costa de Mar del Plata. Houve “Atlanticazos” em Mar del Plata, Necochea, La Plata, CABA, Bahía Blanca, Puerto Madryn, San Antonio Oeste, Río Grande, Ushuaia, Posadas, Paraná e Mendoza.

As organizações ambientais alertam sobre as consequências dessa atividade extrativista no mar da Argentina. “Durante a exploração sísmica, o mar é bombardeado acusticamente para localizar fontes de hidrocarbonetos, gás e petróleo. Estamos falando de ruídos ensurdecedores semelhantes ao lançamento de um ônibus espacial a cada 10 segundos. Devido ao bombardeio sonoro, mamíferos, répteis, invertebrados, peixes e pássaros sofrem desorientação, mudanças em seu comportamento, alterações em seus padrões de alimentação e reprodução, estresse, deficiência auditiva, ferimentos graves e até mesmo a morte”, disseram as organizações ambientais em um comunicado.

Elas também enfatizaram que essa exploração está sendo realizada em uma área prioritária para a conservação da biodiversidade, que inclui espécies em grave estado de vulnerabilidade, como a baleia franca austral e o golfinho de La Plata. “Vários estudos também concluem que há uma alta probabilidade de vazamentos. Os estudos duvidosos de impacto ambiental são objeto de reclamações. Há uma completa falta de licença social. Dezenas de estudos científicos alertam sobre o perigo dessa atividade. Apesar de tudo, o navio BGP Prospector, contratado pela Equinor, chegou no domingo, dia 01/10/2023, a Montevidéu e o trabalho de prospecção sísmica está prestes a começar. Até o momento, ainda está pendente a resolução de dois recursos extraordinários interpostos perante a Suprema Corte de Justiça da Nação há mais de um ano. A atividade petrolífera no Mar Argentino não vai nos tirar da pobreza, nem vai criar mais empregos do que efetivamente coloca em risco. A atividade petrolífera no Mar Argentino, longe de ser uma saída, representa um risco para os ecossistemas marinhos, para a qualidade de vida de milhões de pessoas e para as atividades econômicas das comunidades costeiras, como a pesca, o turismo e a gastronomia”, continuaram.

“As comunidades costeiras estão em risco e silenciadas. Todo argentino tem direito a informações que protejam os bens comuns dos quais depende sua qualidade de vida. O Estado deveria ser o garantidor. Hoje são as organizações”, concluíram.

Fonte: https://www.anred.org/2023/10/07/el-mar-argentino-en-riesgo-inminente/

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leio ao crepúsculo
um pássaro se desprende
dentre a folhagem

Odair de Moraes

Solidarize-se contra os crimes de guerra turcos na Síria

Juntos levantamo-nos contra os ataques em Rojava e no Nordeste da Síria. Unidos defenderemos o Revolução!

A todos os apoiantes da luta de libertação curda, antifascistas, socialistas, feministas, anarquistas, comunistas, ambientalistas e aqueles dedicados a um mundo melhor.

A Turquia lançou provavelmente a campanha de bombardeamento mais generalizada que o Nordeste da Síria já enfrentou até agora. Desde 5 de Outubro, a Turquia conduziu mais de 30 ataques aéreos, principalmente na região de Cizîre e Kobanê. Estes ataques aéreos tiveram como alvos veículos, aldeias e infraestruturas civis especialmente críticas, incluindo centrais petrolíferas, centrais elétricas e postos de gasolina, resultando em vítimas civis e entre as forças de segurança interna.

Grandes áreas sofreram um apagão total de energia em muitos hospitais, fábricas de pão e outras áreas críticas, instituições públicas completamente sem eletricidade. Os ataques continuaram esta manhã, quando um Hospital de combate ao Coronavírus e uma central elétrica foram atacados.

Apesar dos óbvios crimes de guerra, até agora não se ouviu qualquer reação da comunidade internacional. Estes ataques se seguiram a ameaças do Ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Hakan Fidan, dirigidas à região autoadministrada. O pretexto para estas ameaças foi uma ação de auto-sacrifício que ocorreu no dia 1º de outubro em Ancara, reivindicada pelas Forças de Defesa Popular (HPG). O Ministro dos Negócios Estrangeiros turco declarou que os atacantes vieram do Nordeste da Síria, justificando estes ataques a “todas as infraestruturas, superestrutura e instalações energéticas”, especialmente na Síria e no Iraque.

Compreender estes ataques exige evitar simplificações excessivas, como enquadrá-los como mera “vingança” para Ancara”, tal como promovido pelo Estado turco, ou normalizá-los, como alguns meios de comunicação e instituições próximas do que os estados imperiais fizeram. Em vez disso, faz sentido vê-los como parte de uma campanha militar mais ampla orquestrada pelas autoridades turcas, em busca do que parece ser a criação de um novo Império Otomano. Estes ataques não devem ser vistos desligados da guerra nas montanhas do Sul do Curdistão, da tortura nas prisões turcas ou dos ataques a jornalistas, políticos e jovens no Norte do Curdistão.

O que permanece inequívoco é a notável resistência contra este plano de ocupação e genocídio. Essa resistência inclui não só a ação recente em Ancara, mas também a firmeza das forças de guerrilha nas montanhas do Curdistão e as iniciativas democráticas empreendidas pelos povos do Sul e do Norte do Curdistão, Iraque e Armênia. Na sua essência, esta resistência é liderada pelo povo do Nordeste da Síria, que constrói estruturas democráticas em meio a condições desafiadoras de tempo de guerra.

Todas as forças democráticas e antiguerra têm um papel vital nesta resistência e devem unir-se contra estes ataques. No entanto, apenas reagir a eles é insuficiente. O que é necessário é confrontar ativamente o fascismo turco, a seus colaboradores e apoiadores onde quer que se encontrem.

Apelamos a todos os grupos, pessoas e iniciativas de solidariedade para que se tornem ativos e se oponham em conjunto aos ataques da Turquia e da cumplicidade internacional e agir de forma decisiva para pôr fim aos crimes de guerra cometidos pela Turquia.

Juntos levantamo-nos contra os ataques em Rojava e no Nordeste da Síria. Unidos defenderemos o Revolução!

#RiseUpforRojava #Esmague o fascismo turco!

#RiseUp4Rojava – Coordenação, 06.10.2023

riseup4rojava.org

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Um sol transparente
e um mar azulão
brilhando na areia quente

Winston

[EUA] Mostra de arte antifascista em San Bernardino é um enorme sucesso, apesar das ameaças dos Proud Boys

Relato sobre um evento comunitário antifascista no sul da Califórnia que incentivou os residentes locais a cobrir com tinta faixas do grupo neofascista Proud Boys.

No sábado, 30 de setembro, o artista antifascista e organizador de ajuda mútua @eyerollsandbloodlust realizou uma exposição de arte no estúdio Creative Grounds, no centro de San Bernardino. O evento foi o ápice de anos de trabalho dos antifascistas locais no combate à atividade dos Proud Boys e à propaganda fascista e transfóbica no sul da Califórnia, e a exposição em destaque foi uma coleção de faixas de autoestrada com mensagens de ódio que haviam sido penduradas pelos Proud Boys em todo o Inland Empire, na Califórnia.

Os banners, todos capturados por uma rede dedicada de resposta rápida de antifascistas e ativistas queer, foram exibidos nas paredes do beco atrás do estúdio ao lado de caixas de latas de tinta spray multicoloridas, e a comunidade foi convidada a redecorá-los. A galeria principal do estúdio Creative Grounds apresentava uma linha do tempo da atividade fascista no Inland Empire e na região que antecedeu o evento, além de uma declaração do artista. O pátio dos fundos apresentava mesas com arte antifascista, zines e livros radicais, além de deliciosa comida mexicana vegana da pop up local Marysol’s Kitchen e apresentações da banda local do Inland Empire, Porkboii, e DJs DJ Rose e DJ La Toxica.

Além de todas as exposições de arte, mesas e apresentações, havia uma equipe de segurança dedicada de antifascistas e ativistas queer no local para proteger o evento e os participantes das várias ameaças fascistas que haviam sido feitas on-line antes do evento. Trabalhando juntos com coletes cor-de-rosa bem visíveis, com rádios e equipes nos dois cantos da galeria e em todos os pontos de entrada e saída, os voluntários da segurança conseguiram impedir qualquer interferência dos Proud Boys locais e de outros tipos odiosos, que, em vez disso, usaram as mídias sociais para reclamar do evento e implorar aos amigos que chamassem a polícia para a galeria. Médicos voluntários também estavam no local e, devido à feliz falta de necessidade de seus serviços, se divertiram muito comendo tacos veganos e curtindo a música ao vivo.

Horas antes da abertura do evento, os Proud Boys locais Louie Flores e Adam Kiefer apareceram na galeria para incomodar os voluntários e exigir que entregassem as faixas. Foi-lhes dito que não. Em seguida, tentaram fazer uma estranha barganha por metade dos cartazes, mas também receberam uma negativa e foram mandados à merda. Com seu plano muito bem planejado frustrado, eles começaram a chamar a polícia e alegaram que uma faca havia sido brandida contra eles e que os banners eram propriedade roubada; (nenhuma faca estava presente, muito menos brandida, e os banners eram, na melhor das hipóteses, lixo). A polícia que atendeu ao chamado saiu sem incidentes e a organização do evento não foi mais interrompida.

Nas mídias sociais, vários fascistas locais reclamaram do evento, incluindo Adam Kiefer, que implorou para que mais pessoas chamassem a polícia para denunciar o evento por estar cercado de “esquerdistas militantes”, Sylvie Arujo, que exigiu que as pessoas denunciassem o estúdio Creative Grounds por “discriminação”, e Candy Olsen, administradora da página Awaken Redlands no Instagram, que chamou os banners cobertos de fanatismo e os logotipos dos Proud Boys de “propriedade roubada”. Algumas das publicações foram excluídas mais tarde, possivelmente porque, por meio de suas reclamações, eles estavam reivindicando tacitamente a responsabilidade pelos banners da rodovia que queriam tão desesperadamente de volta.

Mais de cem membros da comunidade compareceram para repintar os banners dos Proud Boys, incluindo famílias, crianças, idosos, artistas locais, organizadores trans e queer e todo tipo de pessoa que se possa imaginar. No final da noite, os banners estavam completamente cobertos com a nova arte, as mensagens de ódio foram substituídas por imagens amorosas e slogans de resiliência e resistência ao ódio. A alegria no espaço era radiante e estimulante.

Deve-se observar que a atividade de banners dos Proud Boys nas rodovias da região parece ter parado desde o anúncio desse evento.

Parabéns a @eyerollsandbloodlust pelo enorme sucesso de seu MFA Thesis Show! Parabéns à comunidade por sua dedicação em lutar contra o fascismo no Inland Empire.

Veja o que alguns participantes disseram sobre suas experiências ao participar dessa extravagância artística antifascista centrada na comunidade:

“Foi uma loucura ver a atividade fascista que vivemos em tempo real exposta em um só lugar e foi tão catártico cobri-la com amor e cor ao lado de tantas pessoas”

“Um dos banners que foi erguido em Chino está parecendo muito melhor no show da @eyerollsandbloodlust”

“É incrível ver a comunidade se unindo para cobrir todos aqueles banners estúpidos e odiosos dos Proud Boys”

“Parabéns a @eyerollsandbloodlust por um show incrível! Fico feliz em ver os banners dos Proud Boys sendo usados de uma forma melhor”

“Obrigado pelas telas gratuitas pissboys!”

“A noite passada foi um espetáculo incrível! Especialmente depois dos últimos dois anos ou mais em que tive medo de existir em público, só o fato de estar naquele espaço com famílias, crianças e gays de todos os tipos e não ter que me preocupar em ser visto como algum tipo de ameaça foi imensamente terapêutico”

“Verdadeiramente o evento cultural antifascista de SoCal do ano!”

Fonte: Fonte: https://itsgoingdown.org/antifascist-art-show-in-san-bernardino-is-a-huge-success-despite-proud-boy-threats/

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Arrastar espantalhos pelo chão
é o que a tempestade
faz primeiro.

Kyoroku

Não à intervenção imperialista no Haiti

Comunicado da Secretaria Internacional da FOB, 08 de outubro de 2023

Essa semana o governo Lula contribuiu mais uma vez para silenciar o povo através da máquina de guerra do Estado burguês. Na segunda-feira, dia 2 de outubro, após o Brasil assumir a presidência do Conselho de Segurança da ONU, foi aprovada a nova intervenção militar internacional no Haiti, promovida pela agenda política do governo Lula, numa reeditando da MINUSTAH (Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti, 2004-2017).

A MINUSTAH foi liderada por Lula no seu primeiro governo, atendendo, de um lado, aos interesses imperialistas estadunidenses, e, de outro lado, sendo parte da política subimperialista do programa petista. Porém, seus resultados foram as incontáveis mortes, estupros, entre eles centenas de crianças, violações institucionalizadas de direitos humanos, propagação de uma epidemia de cólera, abuso psicológico racista e torturas por parte das tropas enviadas pela ONU.

As tropas imperialistas da ONU contaram com quase 40 mil soldados das Forças Armadas brasileiras. Apesar da devastação promovida pelas operações, nunca houve um reconhecimento oficial por parte dos governos Lula, Dilma e Temer, dos graves crimes cometidos, e não só isso, como a impunidade total dos militares genocidas.

Agora, o projeto da nova intervenção aprovado será liderado pelo Quênia, quem teoricamente enviará mil militares, porém o treinamento da polícia genocida haitiana será comandado e executado por militares brasileiros, que como sabemos, tem um excelente treinamento em exterminar e violentar a população preta de forma institucionalizada e massiva.

“O genocídio é o Haiti! O genocídio é aqui!”

O genocídio promovido pelas tropas imperialistas lideradas pelos militares brasileiros não demorou para ter grandes repercussões. O governo Lula designou em 2004 o General Augusto Heleno, conhecido pela sua defesa da Ditadura de 1964 e que iria se notabilizar como um dos principais defensores do governo Bolsonaro como Ministro do Gabinete de Segurança Institucional.

O General Heleno foi o responsável pela Operação Punho de Ferro, em julho de 2005, no bairro Cité Soleil, localizado na capital haitiana, Porto Príncipe. Sob o comando do General Heleno, as tropas imperialistas dispararam mias de 20 mil tiros de fuzil contra uma população civil desarmada, mais de 70 pessoas foram executadas, entre as vítimas estavam incluindo mulheres e crianças. A operação foi denunciada pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e, somente em setembro de 2005, depois de muita pressão internacional, o governo Lula resolveu afastá-lo.

Mesmo com esse histórico de violência genocida no Haiti, o governo Lula convocou, no final de 2007, tropas militares que haviam retornado da intervenção imperialista para fazer a segurança do Projeto Cimento Social, do então senador Marcelo Crivella, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, no Morro da Providência, localizado no Centro do Rio de Janeiro, região da Pequena África, uma das primeiras favelas da cidade. Em junho de 2008, esses militares prenderam três jovens da Providência e os entregaram para uma facção rival do morro vizinho, Morro da Coroa, que os executaram.

As operações militares brasileiras no Haiti, foram essenciais para aplicar em larga escala o que já se estava fazendo no Brasil, porém serviram de grande experiência para que esses mesmos militares voltassem e se comprometessem em aplicar essa violência de Estado no Brasil.

A MINUSTAH serviu imensamente para apresentar o Brasil como uma potência militar internacional e legitimar sua estratégia política através da Internacionalização do seu projeto de Estado: o racismo sistematizado e organizado em políticas de violência, repressão e extermínio do povo preto. Depois da missão, o número de milícias e gangues aumentaram muito junto com a dor e a revolta, produzindo tenebrosos.

O colonialismo e o imperialismo contra o povo haitiano

O atual presidente do Haiti, Ariel Henry, pediu ajuda aos EUA e a ONU para contornar a complicada situação política do país, mas ele mesmo não foi legitimamente eleito e é um dos principais suspeitos do assassinato do antigo presidente, que ocorreu 48 horas depois de ter sido proclamado primeiro ministro. Depois de um tempo desde o pedido inicial de ajuda, bastou o apoio do governo brasileiro para que pudesse ser aprovado.

O Governo Lula sabe a importância de contribuir para a manutenção do poder das grandes potências. Desde 2004, ele tem grande interesse em promover reformas no Conselho para que o Brasil pudesse fazer parte dos países fixos, que na prática, é quem tem poder de veto, que são 5 (EUA, França, Inglaterra, China e Rússia). Ao contrário da Guerra na Ucrânia os 5 + os 10 países rotatórios parecem ser quase unânimes no uso da violência militar para reprimir o povo haitiano.

Desde a revolução haitiana em 1791, sua população é alvo de grandes esforços racistas, colonialistas e imperialistas para silenciá-los, impossibilitando a organização popular combativa e interferindo na política nacional com representantes aliados dos exploradores internacionais. O Haiti foi o primeiro país latino a se tornar independente, o primeiro a abolir a escravidão e o único a conquistar a independência através da organização revolucionária massiva de pessoas escravizadas.

Em 1915, o governo americano invadiu o país com o mesmo pretexto de promoção de paz e de quitação de uma dívida externa produzida pelas ditaduras, o que levou 19 anos de intensa exploração, até sua retirada em 1934. Nesse período, 40% da arrecadação interna era direcionada diretamente aos EUA, quem controlava as fronteiras e portos de todo o país, além dos bancos. Fora isso, a execução de obras públicas com objetivos bélicos e exploratórios foram, em sua maioria, feitas por haitianos escravizados pelos estadunidenses nesse tempo. Além da segregação racial, abuso psicológico, institucionalização do racismo e a eleição de representantes de governo vinculados aos militares estadunidenses. Esse contexto levou a um período intenso de revoltas que se prolongaram no país. Em 35 anos o Haiti teve 20 governos e estes depois de uma dinastia ditatorial.

A situação política do Haiti é consequência do esforço inicial organizado das potências mundiais de exterminar os ideais combativos fruto da Revolução.

O Governo Lula não está e nunca estará a serviço do povo, porque é a função do Estado nos silenciar para que ele possa existir. Mas para silenciar um povo é necessário nos desorganizar, impor guerra a nós e garantir paz entre os senhores, por isso a autodefesa popular e a organização revolucionária é a nossa única saída.

agência de notícias anarquistas-ana

Nas bodas de prata
retornando à terra natal –
flor de laranjeira!

Teruko Oda

[Grécia] Despejo da okupação Evangelismos (Creta). Policiais jogam uma pessoa do telhado.

A ocupação Evangelismos em Heraklion (Creta) era uma clínica abandonada desde 1985, quando foi ocupada em 2002. Vinte e um anos de ocupação fizeram de Evangelismos um local emblemático do movimento anarquista na Grécia. Até a noite de 30 de setembro para 1º de outubro de 2023, quando foi despejada em meio à campanha eleitoral municipal e às negociações interacadêmicas. Portanto, foi por razões estratégicas que o companheiro anarquista Y.S. optou por fazer sua declaração na qualidade de estudante de doutorado.

Declaração de Y.S., que testemunhou a queda de um companheiro do telhado e também foi preso durante o despejo da okupação Evangelismos em Heraklion

“Sou uma das onze pessoas presas durante a operação policial na okupação Evangelismos na madrugada de sábado, 30/09. A queda de A., um jovem estudante de pós-graduação, aconteceu diante de meus olhos. Naquele momento, um policial armado da EKAM (unidade especial da polícia) estava pressionando minhas costas com o joelho, impedindo-me de respirar, embora eu já estivesse algemado. Os policiais das forças especiais já haviam espancado o jovem e o arrastado pelos cabelos antes de algemá-lo. As pessoas nas varandas vizinhas começaram a protestar e, naquele momento, A. se viu na beira do telhado plano do prédio e, em questão de segundos, no ar.

Ao mesmo tempo, embora eu estivesse algemado e de bruços no chão, um policial me deu um chute na cabeça e gritou no meu ouvido: “Cale a boca, porque você também vai acabar no necrotério”. Esse evento aterrorizante, a queda de um homem de uma altura de doze metros enquanto ele estava algemado, não causou sua morte por mero acaso.

A. está atualmente no hospital PAGNI com as pernas quebradas e a coluna vertebral fraturada e rachada. Por pura sorte, ele está vivo e não está paralisado. No entanto, seu calvário continuou, pois ele teve a infelicidade de cair nas mãos de um médico do hospital que tentou abafar o caso e o mandou de volta para a delegacia de polícia. Lá, por cerca de dez horas, ele permaneceu imobilizado em uma cadeira de rodas, e a vice-diretora do departamento alegou que estava coberta pelo relatório de alta hospitalar e que sua única obrigação era dar a ele paracetamol.

Somente após fortes protestos, treze horas depois, os motoristas da ambulância o levaram para o hospital PAGNI, onde ele foi internado. Após outros exames, a extensão total de seus ferimentos ficou conhecida.

Eu também gostaria de destacar algo assustador. O presidente da Universidade de Creta, Sr. Kontakis (que iniciou a evacuação da okupação), visitou ontem A., que tem vários ferimentos, para informá-lo de que ele será seu próprio médico responsável e que ele não faz discriminação entre seus pacientes.

Dizem que o Dr. Mengele tem um belo sorriso. Não é possível que a pessoa responsável pela experiência de quase morte do paciente seja ao mesmo tempo seu médico, contra a vontade do paciente, em uma posição de poder, especialmente porque o caso provavelmente será levado ao tribunal. É imperativo que a associação médica, as associações de estudantes e outros órgãos universitários se manifestem.

No interesse da divulgação completa, houve também uma postagem no site cretalive sobre o evento, que foi rapidamente excluída quando eles perceberam a estupidez do que haviam feito. Devo acrescentar que, no primeiro incidente no hospital relacionado à alta precipitada, houve uma intervenção inicial da Federação dos Sindicatos dos Médicos dos Hospitais Gregos, que estava tentando descobrir o que havia acontecido. Talvez essas organizações também devessem investigar o comportamento do Sr. Kontakis.

Gostaria de informá-lo que eu e as outras dez pessoas presas fomos libertados por ordem verbal do promotor público. Outro estudante de doutorado foi preso comigo, mas ele não pode se ocupar do caso por enquanto. Acredito que haja um motivo para isso. As acusações completas serão anunciadas no final desta semana, após nossos interrogatórios.

Para concluir este texto, gostaria de acrescentar que ontem, durante a operação policial contra as instalações do clube esportivo autogerido Tiganiti, fui parado enquanto caminhava pela rua pela polícia de Heraklion, que me disse: “Eles sabem quem eu sou”. Para minha grande surpresa, na delegacia de polícia encontrei dois outros estudantes de doutorado que também haviam sido presos. Há muitas perguntas a serem feitas.

Nós somos a universidade, não a UPIU (Unidade de Proteção às Instituições Universitárias) [a polícia universitária], não os protegidos do governo que ocupam cargos na universidade. A responsabilidade pelo que aconteceu e pelo que acontecerá é inteiramente do Presidente Kontakis e do Conselho Universitário, que aprovaram por unanimidade a operação policial contra a okupação em 20/07/23.

A Associação de Pesquisadores e Funcionários de Pesquisa de Heraklion (ACCERH), em coordenação com outras associações e organizações estudantis, deve tomar uma posição clara sobre esses eventos, porque o fascismo vem primeiro para os outros e depois para nós.”

Y. S.

Membro da ACCERH. Estudante de doutorado no Departamento de Engenharia Elétrica e Ciência da Computação da Universidade Grega do Mediterrâneo. Membro do Laboratório de Informática Biomédica do Instituto de Tecnologia e Pesquisa.

Fonte: https://rebellyon.info/Evacuation-du-squat-Evangelismos-Crete-25243

agência de notícias anarquistas-ana

Ao perder as flores
Com o templo se confunde
A cerejeira.

Buson

[Rússia] Não à guerra na Palestina

Quando um conflito armado coloca dois ou mais Estados um contra o outro, é tentador ficar do lado daquele que parece defender direitos como a autodeterminação, o direito à liberdade de movimento, o direito de viver na terra natal, o direito de fazer parte da sociedade e não viver em um apartheid.

A Primeira Guerra Mundial já colocava uma grande questão para o movimento trabalhista e para o socialismo em geral: quem deveríamos apoiar, defender as Potências Centrais ou os Aliados, ou insistir no antimilitarismo e no internacionalismo que inspiraram a fundação da Primeira Internacional em 1864?

Naquela época, a socialdemocracia optou por apoiar os interesses militares dos Estados da Aliança, acreditando que eles defenderiam os princípios da “democracia” contra a ameaça de vitória dos impérios austro-húngaro, alemão, otomano e búlgaro. Eles estavam confundindo socialismo com democracia.

Após a criação do Estado israelense no Mandato Britânico da Palestina e as duras consequências que isso teve para a população autóctone, tudo nos leva a pensar que é correto apoiar os interesses palestinos. Mas o que são interesses palestinos?

O direito à vida, o direito de viver na terra natal, o direito à liberdade de movimento, o direito de participar da sociedade, a igualdade de oportunidades?

Não são esses os interesses de todo ser humano, independentemente de sua origem, religião ou idioma?

Novamente nos deparamos com o mesmo dilema dos socialistas no início do século XX: devemos defender um dos Estados em guerra acreditando que a vitória de um deles garantirá todos os direitos que mencionamos?

A resposta agora, como em qualquer guerra entre Estados, é e sempre será: NÃO. Apoiar um Estado para garantir os direitos humanos nunca é, e nunca foi, uma boa ideia. Os Estados não são, e nunca serão, uma garantia de paz e de direitos fundamentais para as pessoas. Muito pelo contrário.

Tanto o Estado de Israel quanto a Autoridade Nacional Palestina afirmam defender os interesses de seus povos. Mas, na realidade, eles defendem apenas os interesses de suas respectivas elites e os de seus aliados internacionais. Tanto os sionistas e ultranacionalistas do Partido Likud quanto os ultranacionalistas e islamistas do Hamas usam a guerra como uma ferramenta para consolidar seu poder diante de uma população intoxicada pelo ódio ao inimigo eterno. Pois qualquer Estado precisa defender seu povo contra um inimigo interno ou externo. O conflito entre judeus e árabes é a melhor garantia para a sobrevivência de ambas as estruturas de poder**.

É por isso que apelamos às pessoas que vivem e sofrem o conflito em sua carne, aos judeus e árabes cujo sangue já foi derramado por muitos anos:

  • Não importa sua origem, seu idioma ou sua religião: unam-se contra a tirania dos Estados que os usam e os colocam intencionalmente uns contra os outros.
  • Libertem-se do domínio de suas mentes por meio do fanatismo religioso e do nacionalismo.
  • Lutem juntos por seus direitos fundamentais como seres humanos e como trabalhadores contra as elites econômicas que querem dividi-los.

Exigimos que o Estado de Israel e o Partido Likud:

  • Interrompam imediatamente todos os ataques contra a população civil da Faixa de Gaza.
  • Renunciem a seus planos de expulsar a população árabe de Jerusalém Oriental.
  • Parem com a perseguição da população árabe em todo o seu território.

Exigimos da Autoridade Nacional Palestina e do Hamas:

  • Que parem todos os ataques à população civil de Israel.

E lembramos a todos aqueles que se sentem tentados a justificar os ataques do Hamas contra civis israelenses por causa de sua simpatia pela causa palestina que a crueldade dos Estados não é medida pelo número de vítimas civis causadas por seus exércitos. Uma única vítima inocente em Israel causada por um ataque dos islamitas do Hamas é tão ultrajante quanto uma vítima inocente em Gaza causada por um bombardeio do exército israelense. Nesta guerra, aquele que enterra mais civis não é o mais correto.

Abaixo a tirania dos Estados e das elites econômicas. Contra a guerra entre os povos pelos interesses políticos dos privilegiados. Abaixo a guerra entre irmãos e irmãs pelos interesses geopolíticos das potências capitalistas internacionais.

Porque só há uma guerra que vale a pena lutar: A GUERRA DE CLASSES!

Fonte: https://www.iwa-ait.org/node/954

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Nem tudo são flores
nos meses de primavera.
Voam marimbondos…

Leila Míccolis

Considerações libertárias acerca do conflito Israel-Palestina

Uma constante na história humana foi oprimidos dando a volta por cima e se tornando novos opressores.

 Por Antonio de Odilon Brito

Este pequeno artigo começou como uma resposta a um comentário num grupo de WhatsApp onde os integrantes são majoritariamente pessoas de esquerda, a propósito da discussão acerca do recente conflito que começou entre o Estado de Israel e o Hamas. No meu comentário original (que por sinal não cheguei a publicar no grupo, mas virou isto que vocês leem) eu respondia a uma pessoa que defendia a destruição do Estado de Israel.

Olha, eu também não acho que a resposta é dizimar o estado de Israel não. Pelo simples fato de em Israel existir uma classe trabalhadora que é a mesma classe trabalhadora em todos os lugares do planeta (o que muda é a língua, alguns costumes, religião — ou falta dela — etc). Uma eventual destruição do estado de Israel significa uma destruição dessa mesma classe trabalhadora. Na minha opinião a única solução para o Oriente Médio (Israel incluso) é a união dos trabalhadores palestinos, israelenses, turcos, sírios, jordanianos etc etc. Contra os capitalistas palestinos, israelenses, turcos, sírios, jordanianos etc, em prol de um projeto de autogestão (algo mais ou menos parecido com o que até um dia desses havia em Rojava, no norte da Síria — digo “havia” pois não sei como a coisa está hoje em dia), com igualdade e liberdade e livre desse câncer chamado nacionalismo, que na minha opinião só faz dividir a humanidade em grupinhos hostis uns aos outros.

Agora, no caso de Israel e Palestina, o que temos, infelizmente, é um governo extremamente racista de extrema-direita do lado de Israel (com aquela figura assombrosa chamada Benjamin Netanyahu no poder) que quer aniquilar a população árabe palestina, e do lado palestino a organização que governa uma boa parte da população palestina é o Hamas, um grupo também de extrema-direita racista antissemita, que não esconde que quer “afogar todos os judeus no mar mediterrâneo”. Aliás, um dos motivos pelos quais eu pessoalmente odeio o Hamas é que esses caras, com a ideologia reacionária deles, continuam queimando o filme de toda a religião muçulmana. E aí, aqui do lado de cá do globo a maioria das pessoas continua achando que o Islã é violência, misoginia, e toda essa coisa, o que não é verdade, pois essa é a interpretação do Alcorão de uma parte dos muçulmanos, mas não de todos. Aliás, eu mesmo conheço diversos muçulmanos que são pessoas de esquerda ou no mínimo progressistas, e eu pessoalmente acho que do ponto de vista das artes visuais e da música o Islã é uma religião muito bonita. Ou seja, me entristece muito quando eu vejo as pessoas comuns associando essa religião com grupos bárbaros como o ISIS, pois eu sei que existem outras interpretações que nada têm a ver com isso, e que inclusive defendem a igualdade entre mulheres e homens, dentre outras coisas muito positivas.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://passapalavra.info/2023/10/150238/

agência de notícias anarquistas-ana

abelha na flor
a brisa nas árvores
eu com teu sabor

Carlos Seabra

[Portugal] Dez mulheres com bandeiras negras estreiam em Faro peça inspirada na anarquista Louise Michel

Estreou ontem (7/10), com uma única representação, em Faro, a performance “Louise Michel”, uma criação da dupla Ana Borralho e João Galante desenvolvida em conjunto com os alunos finalistas de Licenciatura de Teatro da Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa.

Durante 75 minutos, ao som do piano, o palco foi ocupado por 10 mulheres, nuas, desfraldando bandeiras negras, numa evocação de Louise Michel e da Comuna de Paris, enquanto eram passados excertos do texto do autor argentino Diego Garcia “Deviam ter ficado em casa, seus anormais”, em que se questiona, através de palavras cruas, o fato de muitas pessoas não pensarem pelas suas próprias cabeças, mas pelas cabeças dos outros, fazendo-os desviar do seu próprio caminho.

Apesar de, por vezes, se sentir dificuldade de ligação entre o evoluir dos corpos no palco e o texto reproduzido na tela de fundo, noutros momentos essa relação torna-se mais patente, fazendo sobressair – e sublinhando – temas como a opressão, o feminismo, a autenticidade, a resistência ou a liberdade.

Para os criadores desta performance, que resultou num espetáculo agradável mas, ao mesmo tempo, desafiador e perturbador, ao nível do texto e do enquadramento sonoro e visual, pretendeu-se também realçar “o papel feminino na formação de movimentos políticos e sociais, desafiando a sua representação tradicional na esfera pública”.

No final, já sem música – que tinha estado presente em todo o espetáculo – as 10 mulheres entoaram a letra da canção dos Radiohead “Exit music (for a film)”, tema incluído no álbum OK Computer, que sublinha a necessidade de “acordarmos do sono” em que sobrevivemos para construirmos a nossa própria vida em liberdade.

Wake from your sleep / The drying of your tears / Today, we escape, we escape / Pack and get dressed / Before your father hears us / Before all hell breaks loose / Breathe, keep breathing / Don’t lose your nerve / Breathe, keep breathing / I can’t do this alone / Sing us a song / A song to keep us warm / There’s such a chill, such a chill / And you can laugh / A spineless laugh / We hope your rules and wisdom choke you /Now we are one in everlasting peace / We hope that you choke, that you choke / We hope that you choke, that you choke / We hope that you choke, that you choque

“Louise Michel” voltará a estar em cena, durante o mês de fevereiro [de 2024], em Lisboa, na Culturgest.

Fonte: https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2023/10/08/louise-michel-ontem-em-faro-no-teatro-das-figuras/

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Na noite em silêncio
o relógio presente
marca o passado

Eugénia Tabosa

Lucrar com pobre preso é marca do governo Lula (PT) desde sempre!

Comunicado Nacional da FOB

Com apoio milionário do Governo Lula, o novo presídio em Erechim (RS) será construído, mantido e operado por uma empresa privada. A concessão ocorreu nesta sexta, 6 de outubro, e é um marco para a privatização dos presídios brasileiros. Para o Governo Lula (PT) já é uma marca carimbada com sangue de seu governo.

Encarceramento em Massa

O Governo Lula conseguiu dobrar a população carcerária em seus dois primeiros mandatos, de 2003 a 2010. Foram de aproximadamente 250 mil presos para 500 mil presos. Grande parte deste aumento é por presos provisórios que sequer foram julgados.

A Lei Antidrogas (n.º 11.343) sancionada em 2006, foi uma das medidas responsáveis por este grande aumento até hoje. Em 2021, foi calculado que 1 a cada 3 presos brasileiros estavam na cadeia por causa desta lei.

Esta lei não ajudou em nada o povo trabalhador a lidar com os problemas que as drogas trazem. De lá para cá só aumentou as dependências, as violências e o encarceramento. Enquanto quem realmente lucra com tudo isto está tomando champanhe.

Isto tudo intensifica a crise do sistema penitenciário brasileiro usada como justificativa para a privatização. Os frutos da privatização podem ser vistos em diversos episódios violentos vindos da superlotação e precarização, como em 2017 no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) em Manaus.

2023: Novo mandato, velhas práticas.

O Vice-Presidente, Geraldo Alckmin, que já tem sangue nas mãos por Massacres como o de Pinheirinhos em 2012, assinou o Decreto n° 11.498, de 25 de abril de 2023, que favorece a privatização do sistema prisional brasileiro.

Por este decreto, os investidores privados que quiserem financiar as construções de presídios privados no Brasil terão benefícios na diminuição do imposto de renda. Além disso, governo federal terá de:

  • Pagar as dívidas das empresas privadas que assumirem a gestão de presídios públicos.
  • Garantir empréstimos bancários para as empresas privadas que investirem em presídios públicos.

Caso de Erechim

No dia 6 de outubro ocorreu o leilão da concessão para construção, manutenção e operação do futuro presídio privado do município de Erechim, Rio Grande do Sul. A empresa Soluções Serviços Terceirizados recebera 233 reais por cada vaga ocupada ou disponibilizada para um preso. Ou seja, quanto mais preso mais dinheiro no bolso da empresa. Isto em um contrato de 30 anos.

Completando a sinfonia infernal, o Governo Federal (PT) em parceria com o Governador Eduardo Leite (PSDB) promove um investimento de 150 milhões para este presídio privado.

Questão de Classe

Não podemos esquecer jamais que o sistema prisional brasileiro é seletivo e não promove justiça. A maioria dos presos são jovens negros e pobres que sequer foram julgados ou possuem crimes de menor potencial ofensivo.

Os que realmente mantêm a miséria e a dor do povo são os grandes empresários e governantes que sempre arrumam um jeito de lucrar bilhões enquanto os pobres se matam por migalhas.

Quer saber o que há dentro de cada governante? Olhe para as prisões. Pois lá a crueldade vive solta e é muitas vezes aplaudida. Infelizmente, o trabalhador que aplaude poderá ser vítima seguinte desta máquina de moer gente. Enquanto quem constrói e administra a máquina nunca será afetado por ela, nem conseguirá imaginar a dor de uma mãe, uma vó, que sofre a pena do lado de fora.

A FOB repudia a cumplicidade do Governo Lula e do Partido dos Trabalhadores com o projeto de privatização dos presídios.

Lutamos por um mundo sem celas, sem cárcere, sem prisões.

Partilhando toda riqueza e poder que se tem.

Este é nosso dever enquanto sindicalistas revolucionários.

lutafob.org

agência de notícias anarquistas-ana

fecho um livro
vou à janela
a noite é enorme

Carol Lebel