[Ga$to militar | Indú$tria da morte] Lula inaugura linha de produção do caça Gripen no Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta terça-feira (09/05), da inauguração da linha de produção do caça Gripen, na fábrica da Embraer, na cidade de Gavião Peixoto, interior de São Paulo. O ato é resultado do contrato da empresa sueca Saab com a Força Aérea Brasileira (FAB), que prevê a entrega de 36 caças Gripen até 2027.

O valor do contrato é de 39.882.335.471,65 Coroas Suecas. O preço em Dólar ou Real depende da cotação do dia, estando hoje, segundo o Banco Central, em 5,4 bilhões de dólares ou 30 bilhões de Reais.

O caça F-39 Gripen foi escolhido pelo programa FX-2, numa concorrência concluída na gestão de Dilma Rousseff, em 2013, destinada à substituição da frota de aeronaves de caça da Força Aérea Brasileira.

Para o ministro da Defesa, José Múcio, a parceria fortalece a indústria nacional e eleva o Brasil a patamares “cada vez mais amplos” no desenvolvimento tecnológico para defesa nacional.

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cada haikai
uma nova peça
num quebra-cabeça sem fim

George Swede

[Espanha] Por um antibelicismo de classe

A guerra supõe o fracasso do espirito humano, o sofrimento dos setores mais vulneráveis, e o negócio dos poderosos. Se queres a paz prepara a paz, não a guerra. A paz é a revolução mundial do proletariado.

Por Alfonso Aramburu Suárez, Antimilitarista e Ex-membro do MOC, SOS Balkanes e Assembleia de Não Violência de Euskadi | 04/05/2023

Nas guerras de hoje, são as mulheres e homens da classe trabalhadora, uma vez mais, os que suportam em seus corpos, em sua economia e em suas condições de vida, o maior impacto do dano causado. Porque as guerras não são entre nações, nem entre culturas, mas entre interesses, fundamentalmente de ordem econômica: a guerra não é um método de resolução de conflitos, mas uma arma de subjugação das pessoas e espolio dos povos.

Na atualidade, a guerra é inerente ao sistema neoliberal capitalista, que expolia o planeta e impõe desigualdades cada vez maiores entre os seres humanos. A economia de guerra, global e permanente, supõe – entre outras calamidades – o aumento da transferência da riqueza das maiorias às elites, como estamos vendo com os obscenos benefícios declarados das multinacionais e os menos conhecidos do complexo militar-industrial, que se converte em um dos setores mais rentáveis de uma economia capitalista caída que, como vemos, recorre à morte e à destruição para manter a alta dos lucros das elites.

Por tudo isso, neste Primeiro de Maio, a classe trabalhadora reivindicamos, além das exigências clássicas da data assinalada, também o cessar das hostilidades armadas e a não colaboração com os que estimulam, legitimam e ordenam as matanças. Reivindicamos, também, a reconversão da indústria armamentista para fins de caráter civil e ambiental.

No entanto, desde certo sindicalismo cada vez mais corporativistas – incluídos muitos dos sindicatos que ainda se proclamam de classe – segue se colocando como prioridade a manutenção do emprego acima de qualquer outra consideração.

Nos dizem desde estas forças sindicais – e também políticas –, que seria suicida para seus interesses corporativos invocar qualquer mudança que possa supor pôr em perigo os postos de trabalho, incluída a conversão da indústria militar. Há quem recorre ao velho argumento das famosas condições objetivas, que segundo dizem não se dão neste momento para reivindicar este tipo de coisas – que o pobre obreiro não entenderia…–  para acusar de utópicos a nós que as defendemos.

Na realidade, isto não é nem um pouco novidade. Uma parte do movimento obreiro sempre se alinhou com seus Estados-nação correspondentes, priorizando sua vinculação nacional a seu pertencimento de classe em situações de guerra, com os mesmos argumentos falaciosos que esgrimem agora.

Talvez não seja tão conhecida essa outra parte da classe trabalhadora organizada que se opôs firmemente ao belicismo, inclusive declarando greves nas fábricas de armas e chamando à deserção dos soldados-obreiros nas guerras interimperialistas, como a que vivemos agora mesmo, ou frente às guerras imperialistas contra os povos oprimidos.

O movimento espartaquista alemão ou os Industrial Workers of the World nos Estados Unidos, assim como o anarcossindicalismo ibérico se posicionaram claramente contra a guerra, e deixaram bem claro a origem capitalista-imperialista de guerras às quais se opuseram com todas as suas forças.

Também o feminismo anticapitalista se vinculou logo à luta contra as guerras, e o congresso de Haya contra a Primeira Guerra Mundial iniciou um caminho de feminismo antimilitarista que ainda perdura.

De maneira que quem ontem e hoje defendem, desde a esquerda, a indústria militar como fator de desenvolvimento e criação de postos de trabalho, na realidade estão comprando seus argumentos do inimigo de classe e do patriarcado, que é quem sai realmente favorecido da economia de guerra.

A guerra em primeira linha a leva majoritariamente a classe trabalhadora, com armas fabricadas pela classe trabalhadora, sob as ordens de governos eleitos, em ocasiões, pela mesma classe trabalhadora que a sofre. Nos matamos seguindo as ordens e acatando decisões políticas emitidas desde cômodos escritórios longe dos lugares de destruição.

A classe trabalhadora majoritariamente é a que compõe as massas de pessoas refugiadas expulsas de suas vidas e trabalhos, convertidas em exiladas forçadas ou em carne de canhão. Os exércitos, as armas, não garantem a paz  e a segurança, pelo contrário. Por isso nos opomos ao comércio e ao envio de armas a qualquer país, assim como aos envios de forças militares aos cenários bélicos.

Por outro lado, a respeito do incremento do gasto militar aprovado nos parlamentos e imposto pela OTAN, não podemos senão rechaçá-lo, e propor que essa grande quantidade de capital se destine a fins sociais (pensões, saúde, educação, etc.) junto ao apoio social e institucional a insubmissos e desertores de todas as guerras.

Não há nenhuma lei econômica que negue a possibilidade da conversão da indústria militar em civil, pelo menos se temos uma concepção saudável da economia como a fórmula para manter o sustento da humanidade e não como uma teologia de mercado em benefício dos poderosos.

Existem numerosos exemplos de conversão. Por exemplo, no início do século passado, se deu a exitosa conversão de parte da indústria armamentista basca em fábricas de bicicletas, como a prestigiada marca ORBEA, quando alguém se deu conta de que sua experiência em fabricar tubos para escopetas e revólveres poderia servir igualmente para fabricar bicicletas ou carrinhos para bebês.

A criatividade humana é perfeitamente capaz de levar a cabo a conversão da indústria militar se há vontade para fazê-lo. A ciência econômica e a política deveriam dedicar-se a facilitá-la e possibilitá-la em vez de pôr obstáculos e desculpas para não levá-la a cabo.

Faz tempo que deveríamos ser conscientes de que não se trata só de distribuir a riqueza e o trabalho, mas que também há que questionar para que serve esse trabalho e essa riqueza. Para a morte ou para a vida?

Se queres a paz prepara a paz, não a guerra. A paz é a revolução mundial do proletariado.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/antimilitarismo/antibelicismo-paz-clase-proletariado-patriarcado

Tradução > Sol de Abril

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casca oca
a cigarra
cantou-se toda

Matsuo Bashô

[Espanha] VI Encontro Anarquista contra o Sistema Tecno-Industrial e seu mundo

Durante os dias 26, 27 e 28 de maio será realizado o “VI Encontro Anarquista contra o Sistema Tecno-Industrial e seu mundo”, no CSO La Enredadera (Madri). Um lugar onde poderemos nos encontrar, nos conhecer, debater, difundir e afiar nossas ideias contra a organização técnica do mundo. Pretendemos que o encontro seja mais uma ferramenta de luta contra o sistema tecnocientífico-industrial, pois acreditamos que o campo de confronto deve se concentrar no campo do progresso tecnológico, já que é e será ele que traçará a dinâmica atual e futura de dominação sobre todos e cada um dos aspectos de nossas vidas: social, político, econômico e ambiental. Durante toda a conferência, haverá um espaço para distribuidores (aqueles que desejarem instalar uma banca no espaço deverão confirmar sua presença com antecedência) e cantinas 100% vegetarianas. Nos próximos dias, publicaremos o programa completo do Encontro.

Estamos caminhando para o abismo. Após dois séculos de envenenamento industrial, o planeta está agonizando, a nocividade envenenou ou aniquilou todos os seres vivos do planeta. O sistema técnico exterminou qualquer forma de vida e qualquer forma de comunidade refratária à eficiência e à otimização… devemos nos preocupar? Vamos nos tranquilizar, pois aqueles que implementaram esse sistema de terror, miséria e devastação se oferecem como nossos “salvadores”. Transformar, reiniciar este mundo é o projeto da tecnocracia, neste momento todos os seus projetos estão direcionados para o mesmo ponto: reconstruir o mundo a partir de suas fundações, esse trabalho de reconstrução do mundo será realizado por engenheiros, biólogos moleculares e tecnocratas, cujo objetivo é artificializar o mundo e tudo o que nele habita. Essa grande transformação, na qual estamos imersos atualmente, não se limitará a uma série de mudanças superficiais, mas penetrará profundamente no metabolismo da Terra e de todos os seres vivos. As tecnologias disruptivas já estão transformando a natureza e todos os seus processos, bem como o ser humano em todas as suas dimensões, e a vida será cada vez mais projetada nos laboratórios da racionalidade tecnocrática. Substituir os organismos por algoritmos, o vivo pelo mecânico, o natural pelo artificial, a intuição pelo cálculo e a espontaneidade pelo método é o projeto tecnocrático.

Nesta conferência, pretendemos fazer uma crítica a esse mundo tecno-totalitário que está sendo criado. Afiar nossas ideias e nossas ações para confrontar a racionalidade tecnocrática.

MORTE AO PROGRESSO! VIVA A ANARQUIA!

Contra toda a Nocividade

Tradução > Liberto

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dia muito frio
o vento desalinha
a plumagem do passarinho

João Angelo Salvadori

[Espanha] Comunicado da CGT contra o acordo entre a CCOO e a UGT e o Sindicato dos Empregadores

Sexta-feira, 5 de maio de 2023

A CCOO e a UGT fazem outro pacto vazio com os patrões, a ser pago pela classe trabalhadora.

A CCOO e a UGT fizeram isso novamente. Depois de mais de um ano anunciando greves, elas finalmente assinaram um pacto muito favorável aos patrões sem ativar a mobilização.

Com uma inflação anual de 6,1% em 2021 e 5,9% em 2022, a CCOO e a UGT assinaram um acordo que recomenda aos empregadores um aumento de 4% em 2023, 3% em 2024 e 3% em 2025, com a possibilidade de aumentar essas porcentagens em mais 1% se a inflação exceder os aumentos acordados.

A CCOO e a UGT vêm anunciando mobilizações há mais de um ano para forçar os empregadores a aumentar os salários, com slogans como “Salário ou conflito” e “outono quente”. Tudo isso foi uma zombaria para a classe trabalhadora.

Mais uma vez, eles assinaram um pacto vazio, com aumentos abaixo da inflação e que nem sequer obriga os empregadores a respeitar esses aumentos. Em outras palavras, a CCOO e a UGT assinaram um pacto que, na realidade, é uma declaração de intenções sem qualquer obrigação de traduzi-lo em acordos coletivos. Em cada empresa e em cada setor, os empregadores decidirão se seguirão ou não as recomendações desse pacto.

A CCOO e a UGT mais uma vez renunciam à mobilização e voltam a fazer pactos sem pressionar por greves, o que é uma garantia de derrota, entregando aos patrões um acordo que parece ter sido feito sob medida para eles.

Essa nova traição à classe trabalhadora do Estado espanhol põe fim à recuperação do poder de compra pela qual esses “sindicatos” diziam estar lutando no 1º de maio, há apenas quatro dias.

O verão e o outono quentes que eles vinham anunciando há meses se transformaram em uma primavera traiçoeira, ao chegarem a um acordo que não está vinculado ao aumento dos preços inflacionários e que, a pedido dos patrões, abole o aumento retroativo para 2022.

Esse acordo, somado às melhorias nulas que a última reforma trabalhista significou para a maioria dos trabalhadores, significa que a situação trabalhista e social está piorando contínua e sistematicamente, sem que o governo, ou aqueles que se dizem representantes dos trabalhadores, apresentem soluções reais para uma realidade cada vez mais crítica.

Diante disso, a CGT convoca toda a classe trabalhadora e o sindicalismo combativo a sair às ruas de forma contundente, denunciando esse novo ataque aos direitos dos trabalhadores e exigindo medidas urgentes para que o sustento não seja uma agonia para milhões de famílias.

Secretariado Permanente do Comitê Confederal

Fonte: https://cgt.org.es/comunicado-de-cgt-contra-el-acuerdo-entre-ccoo-y-ugt-y-la-patronal/

Tradução > Liberto

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velha na fonte –
os cântaros se enchem
o sol se esconde

Carlos Seabra

[México] Encontro Internacional “O Sul Resiste”: Reflexões Essenciais para o Nosso Tempo

Cartas náuticas para tempos tempestuosos. Não há dúvida de que as palavras compartilhadas no Encontro Internacional “Capitalismo corporativo global, patriarcado planetário, autonomias em rebelião”, realizado no Caracol Jacinto Canek, em San Cristóbal de Las Casas, nos dias 6 e 7 de maio, são exatamente isso. Reflexões indispensáveis que nos ajudam a navegar nos tempos conturbados em que vivemos.

Durante dez dias, a Caravana do Sul Resiste percorreu os territórios onde os megaprojetos do Corredor Transistêmico e do Trem Maia estão sendo construídos, visitando as comunidades afetadas por eles, olhando e ouvindo atentamente para entender o que esses projetos realmente significam para as pessoas e para o país. Com esse acúmulo de dores e lutas, cerca de 1.200 pessoas se reuniram no Jacinto Canek Caracol para pensar sobre o que haviam vivido e para juntar isso às reflexões de outros pensadores. Durante dois dias, um total de 940 pessoas do Congresso Nacional Indígena, pertencentes a 38 povos indígenas; ativistas e pensadores de várias partes do país; e visitantes internacionais de El Salvador, Estados Unidos, Alemanha, Espanha, Argentina, Áustria, Catalunha, Bélgica, Porto Rico, Colômbia, Brasil, Canadá, Chipre, Bolívia, Costa Rica, Cuba, Equador, Euskal Herria, Itália, França, Finlândia, Suíça, Grécia, Honduras, Curdistão, Reino Unido, Suécia, Guatemala, Uruguai, Venezuela e Wallmapu, reuniram as muitas histórias de desapropriação e resistência em tantas geografias para formar um quadro do momento histórico em que vivemos.

Nesta primeira de duas edições do Encontro, tentamos sintetizar as análises compartilhadas no primeiro dia, nas vozes do pensador uruguaio Raúl Zibechi; da ativista colombiana Vilma Almendra, do povo Nasa da região do Cauca; das mulheres do Curdistão; da pensadora Ana Esther Ceceña; e do advogado Carlos González, do Congresso Nacional Indígena.

Também compartilhamos os áudios completos das apresentações, bem como o resumo do que a Caravana descobriu em sua jornada e, finalmente, o pronunciamento final da Caravana e do Encontro, que, embora tenha sido lido no último dia, incluímos aqui devido à sua importância.

Continue lendo e ouvindo mais na Rádio Zapatista

Fonte: https://cgt.org.es/encuentro-internacional-el-sur-resiste-reflexiones-imprescindibles-para-nuestros-tiempos/

Tradução > Liberto

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Na noite sem lua
o mar todo negro
se oferece em espuma

Eugénia Tabosa

[Itália] Que internacional? Esta internacional!

Considerações sobre a greve de fome de Alfredo Cospito contra o 41 bis, a prisão perpétua e a mobilização de solidariedade internacional (20 de outubro de 2022 – 19 de abril de 2023)

Em 19 de abril, após 182 dias, a longa greve de fome iniciada em 20 de outubro do ano passado pelo companheiro anarquista Alfredo Cospito contra o 41 bis e a prisão perpétua chegou ao fim.

Nesses seis meses, Alfredo manteve o caráter combativo e a dignidade que sempre o caracterizaram – particularmente durante sua prisão – abrindo contradições dentro dos órgãos de poder, dando força à ação revolucionária internacional e visibilidade à propaganda de ideais antiautoritários, usando seu corpo e sua própria vida para denunciar com um eco sem precedentes a máquina de aniquilação sobre a qual o sinistro aparato político do regime italiano é governado.

Para os anarquistas, a responsabilidade é sempre individual. Esse aspecto distingue historicamente o anarquismo de outras tendências da luta de classes. Uma decisão tão radical como uma greve de fome por tempo indeterminado nunca pode ser o resultado de ordens de um partido, não nasce de uma diretriz externa e não é superada pelas deliberações de um sujeito político que pesa os resultados da disputa e, em caso favorável, pede ao prisioneiro que suspenda a luta.

Desde o início, Alfredo quis dar um valor coletivo à sua iniciativa, pedindo a abolição do 41 bis e do ergastolo ostativo (prisão perpétua) para todos. A decisão do Tribunal Constitucional de 18 de abril passado estabelece que, para todos os crimes para os quais a pena fixa é o ergastolo, a partir de agora sempre será possível aplicar circunstâncias atenuantes, evitando que o acusado seja condenado à prisão perpétua. Não apenas para Alfredo Cospito e Anna Beniamino no julgamento da Scripta Manent. Não se trata da abolição da prisão perpétua, mas pelo menos a obrigação de aplicar o ergástulo, prevista até agora para determinados crimes, foi abolida. No dia seguinte, portanto, o companheiro decidiu interromper sua greve de fome.

Durante esses meses, Alfredo resistiu de forma consistente e obstinada às tentativas de assassiná-lo ou de fazê-lo desistir. Ele resistiu a inúmeras recusas expressas pelo Tribunal de Supervisão de Roma, pela Cassação, pelo Ministro da Justiça do Nordio em relação ao pedido de desclassificação do regime 41 bis; resistiu ao pedido de ergastolo do promotor público de Turim: interrompeu a greve de fome somente depois de ter conseguido algo concreto de uma de suas exigências. Alfredo deu muito de si. Provando o quão poderoso pode ser o ideal de liberdade que o impulsiona na luta, sua vida ainda está em perigo e ele pode ter que suportar danos permanentes nos longos anos de prisão que ainda o aguardam.

Respeitamos as decisões do companheiro e somos gratos a ele pela força que deu a todos nós. Nesses seis meses, o anarquismo internacional conseguiu expressar energia e radicalismo em torno dessa questão. O movimento de solidariedade, com a gama de práticas implementadas, tanto em manifestações coletivas quanto em ações individuais, tem sido uma questão de ordem pública que impôs as razões dessa luta no centro do debate. Em particular, no que diz respeito ao 41 bis, nunca antes foi dedicada tanta atenção a esse infame regime de aniquilação. Nunca o caráter sagrado da antimáfia, cuja crítica sempre foi tabu na Itália, ainda mais nos círculos de esquerda, foi tão questionada. Uma ferida aberta que, temos certeza, continuará a sangrar mesmo a longo prazo. Isso aconteceu não graças a acrobacias políticas ou comunicativas, mas à onda de iniciativas radicais que foram tomadas pouco a pouco.

A decisão perversa tomada pelo presidente do governo da Unità Nazionale, com Mario Draghi à frente e a então ministra Marta Cartabia, de prender um anarquista no 41 bis acabou se tornando um bumerangue. Se o objetivo declarado do 41 bis é impedir a comunicação com o mundo exterior, ele não apenas falhou, mas produziu exatamente o efeito oposto: os escritos de Alfredo nunca foram tão conhecidos, a disseminação das ideias anarquistas teve uma visibilidade sem precedentes nos tempos contemporâneos. A advertência do 41 bis não produziu a regressão que muitos de nós temíamos, pelo contrário, provocou raiva e multiplicou as iniciativas.

A linha firme do novo governo de direita não levou em conta a falta de vontade do anarquismo de aceitar compromissos com a dialética política. Nas decisões estratégicas, desde a guerra até a economia, o governo de Giorgia Meloni está em perfeita continuidade com o anterior. Também nessa questão, ele não só não conseguiu evitar cair nos mesmos erros de seus antecessores, como também, com sua retórica de “lei e ordem” típica da extrema direita, exacerbou o conflito e prolongou sua duração.

Temos que responder à reação repressiva que já está aqui – entre denúncias, buscas, medidas cautelares e medidas preventivas – defendendo a gama de práticas realizadas nos últimos meses como um patrimônio coletivo. Sentimos que cada uma das ações realizadas nesse período é nossa.

Entretanto, rejeitamos com repulsa qualquer retórica de uma “solução política” para a greve de fome de Alfredo Cospito. O companheiro não interrompeu sua greve de fome para dar a palavra à sociedade civil ou porque conseguiu abrir um debate democrático sobre o 41 bis. Quem afirma isso não leva em conta a natureza fundamentalmente antipolítica do anarquismo. A greve de fome de Alfredo está em uma lógica totalmente diferente, e nas poucas vezes em que ele pôde falar (como na audiência em Perugia, em 14 de março), ele disse muito claramente: “os únicos lampejos de luz que vejo são os gestos de rebelião de meus irmãos e irmãs revolucionários em todo o mundo”.

Tentativas de reconciliação democrática que, embora marginais, foram tentadas nos últimos meses pela escória que se reúne em torno do partido radical. A associação Resistência Radical Não-Violenta ofereceu a Alfredo a presidência ad honorem. Seu conselheiro regional na Lombardia, Michele Usuelli, foi visitar Alfredo na prisão em 1º de fevereiro para pedir-lhe que condenasse as ações violentas que estavam ocorrendo do lado de fora e que abandonasse a greve de fome em protesto contra elas. Trata-se de uma iniciativa covarde contra um prisioneiro em 41 bis, submetido à tortura da privação sensorial, que está em greve de fome há mais de três meses e, ainda por cima, tem de suportar a visita de alguém que finge ser seu amigo e tenta arrastá-lo para o caminho da dissociação.

É por isso que a mobilização dos anarquistas e as práticas de conflito expressas têm sido de grande importância. Essas ações mantiveram a porta da política fechada, colocaram-se em um terreno irrecuperável, conseguiram se comunicar, não apenas com muitos explorados, mas também com o próprio Alfredo, fazendo com que o companheiro soubesse, em um momento de grande sofrimento, que havia aqueles que ainda erguiam a bandeira do conflito, ajudando-o a resistir às provocações dos inimigos e às tentações dos falsos amigos. Devemos nos orgulhar de tudo o que foi feito.

Apesar de tudo isso, consideramos o fato de Alfredo permanecer no 41 bis como uma derrota. Ficamos com raiva ao pensar em nosso companheiro ainda nesse regime de aniquilação, talvez com problemas de saúde permanentes causados pela longa greve de fome. Se por um lado isso nos impulsiona a continuar a luta, para fazer com que o Estado continue pagando pelas contradições dessa decisão, por outro lado também representa perigos.

O principal perigo é ficar preso em uma luta sem fim no terreno específico da prisão. Sempre fomos e continuamos céticos em relação a qualquer forma de especialização antiprisional. Porque a prisão não pode ser o centro de uma luta. Porque no centro estão as razões pelas quais as pessoas acabam na prisão. Os motivos que levaram Alfredo à prisão e pelos quais ele corre o risco de prisão perpétua são mais relevantes do que nunca: a exploração, o racismo, o imperialismo, o nuclear.

Alfredo foi parar no 41 bis porque, uma vez na prisão, continuou a contribuir para o debate, comunicando seu impulso revolucionário para o exterior. Com Alfredo, nestes últimos anos, fizemos a nós mesmos uma pergunta: Qual internacional?  Se quisermos evitar o caminho que está nos levando, ao mesmo tempo, à Terceira Guerra Mundial e à catástrofe climática, chegou a hora de responder a essa pergunta com urgência. O movimento que se desenvolveu nesses seis meses certamente nos dá uma indicação. Esta é a nossa internacional.

Anarquistas em Foligno

3 de maio de 2023

Fonte: https://alasbarricadas.org/noticias/node/52137

Tradução > Liberto

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Recanto úmido.
A pedra
e seu delicado capote verde.

Yeda Prates Bernis

[EUA] Lançamento: “Queer Tolstoy | Uma psicobiografia”, de Javier Sethness Castro

Queer Tolstoy é uma obra multidimensional que combina psicanálise, história política, estudos LGBTQ+, sexologia, ética e teologia para explorar a vida e a arte do Conde Lev Nikolaevich Tolstoy.

Usando uma estrutura psicobiográfica, Sethness Castro revela dimensões profundamente estranhas nas experiências de vida e na arte de Tolstoy. Contribuindo habilmente para a análise progressiva e radical de gênero e sexualidade, este livro examina como a dissidência erótica de Tolstoy influenciou sua política anarquista, seus ideais antimilitaristas e sua volumosa produção literária. Sethness Castro analisa a influência de Buda, Sócrates, Jesus, Cervantes, Rousseau, Kant, Herzen, Proudhon, Chernyshevsky e sua mãe Marya Volkonskaya nos escritos do artista. Além disso, ele detalha a emblemática ligação que Tolstoy faz entre o desejo LGBTQ+ e a autodeterminação moral e erótica de resistência ao despotismo czarista – especialmente em Guerra e Paz.

Este livro é uma leitura vital para pessoas interessadas na intersecção entre literatura, psicanálise, estudos queer e história russa.

O capítulo 2 deste livro está disponível gratuitamente em formato PDF como Open Access na página individual do produto em www.taylorfrancis.com. Ele foi disponibilizado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International.

Queer Tolstoy | A Psychobiography
Javier Setness Castro
ISBN 9781032342559
272 páginas 12 ilustrações em preto e branco
Publicado em 16 de fevereiro de 2023 por Routledge
$ 33,71
www.routledge.com

Tradução > Contrafatual

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um longo suspiro –
o luar brilha sobre
seios intumescidos

Suezan Aikins

[Espanha] Maciça manifestação do Primeiro de Maio pelos sindicatos de classe

Por CNT de Valladolid

O encontro da CNT e da CGT, juntamente com as organizações que apoiaram essa convocação, consolida-se como um ponto de referência de luta no Primeiro de Maio. Sob o slogan “Nem a guerra nem a pandemia justificam a miséria”, uma manifestação ruidosa e combativa exigiu condições de vida decentes para todas as pessoas.

A manifestação foi apoiada pelas organizações: Parados en Movimiento, COESPE, Casa Feminista, Coordinadora Antifascista de Valladolid, o Sindicato de Vivienda, Juventudes Comunistas e Manada Queer. A marcha começou na Plaza de la Libertad e atravessou o centro da cidade para terminar no bairro de Rondilla. Ao longo do percurso, os manifestantes tomaram a palavra para exigir a absolvição das 6 de Xixón, condenadas por sindicalismo, expuseram a situação precária que vivem a maioria dos aposentados e denunciaram o alto número de mortes e acidentes de trabalho.

Durante a marcha, não cessaram os gritos contra os banqueiros e os planos do capital, em apoio à classe trabalhadora, aos migrantes, às pessoas trans e contra qualquer discriminação.

No final da marcha, foi lido o comunicado das organizações convocantes, enfatizando que a piora das condições de trabalho, a perda do poder aquisitivo, o aumento dos acidentes de trabalho, a dificuldade de acesso à moradia, a piora dos serviços públicos, a falta de liberdades etc… não é uma situação temporária. Essa é a luta de classes, na qual as elites impõem seus planos e as políticas antitrabalhadores apoiadas por sindicatos vendidos, que tornam tudo possível.

Diante disso, nossas organizações estão se levantando cada vez com mais força e, como muitas outras, estamos fartos da facilidade com que estamos perdendo o terreno que foi conquistado com tanto esforço por aqueles que vieram antes de nós. Os mártires de Chicago a quem prestamos homenagem hoje mostram como foi difícil a batalha para termos as condições de vida que temos hoje. É por isso que a CNT e a CGT trabalharão juntas para que as classes privilegiadas não atinjam seus objetivos e, ao contrário, possamos propor um modelo de vida em que a exploração seja coisa do passado.

Após os atos políticos, os companheiros da CGT organizaram uma paellada popular, onde não faltaram barracas de propaganda e uma atmosfera agradável no Parque Ribera de Castilla.

>> Mais fotos: https://www.cntvalladolid.es/masiva-manifestacion-por-el-1o-de-mayo-de-los-sindicatos-de-clase/

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Num banco de praça
a sombra de um velho assombra
o vento que passa.

Luciano Maia

[Espanha] Memória | Assim os comunistas assassinaram 12 anarquistas em Barcelona

Por Manuel Aguilera Povedano

O juiz Josep Vidal recebeu um caso complicado em 10 de maio de 1937. Haviam aparecido vários cadáveres não identificados em um vinhedo nas imediações de Barcelona e ele, com apenas 30 anos, era o eleito para investigá-lo. Naquela mesma tarde chegou a Cerdanyola com três agentes e o médico forense. Não ia ser nada fácil. Anotou em sua caderneta que havia “doze cadáveres, com as caras muito sujas, e começando a se decompor, apresentando, aparentemente, sinais externos de violência”.

A coisa estava feia. Em plena guerra contra o fascismo, comunistas e anarquistas acabavam de se enfrentar nas ruas de Barcelona nos chamados Feitos de Maio e agora, quando parecia que a situação se acalmasse, aparecia isto. Os corpos estavam de boca para cima e ao longo do caminho e vários apresentavam tiros na cabeça feitos a pouca distância. Estava claro que haviam sido executados em outro lugar e abandonados ali. Se não, algum vizinho teria escutado disparos. “Aqui há marcas de pneus. Parecem de caminhonete”. Era a primeira pista. Se via claramente como um veículo havia manobrado para dar a volta. Não havia nada mais importante. Só um pacote de cigarros e um pedaço de corda manchados de sangue.

A grande incógnita era saber quem eram. Não havia nenhum documentos nos bolsos nem nada identificativo. Os camponeses da região não tinham nem ideia. Tampouco os cinquenta curiosos que observavam a cena com cara de espanto. Em Barcelona havia nesse momento um caos de denúncias de desaparecidos porque comunistas e anarquistas estavam ainda liberando os prisioneiros. Durante os combates houve 218 mortos, mas isto era outra coisa. Estes não tinham caído em um combate de rua, tinham sido selvagemente torturados e executados. “Como são da CNT vão nos foder bem”, comentou um dos agentes. Outro se aproximou de um dos cadáveres e mostrou aos demais o bordado da camisa: “CNT”. “Vão nos foder bem”, murmurou o juiz.

O juiz ordenou fotografar os cadáveres e transladá-los ao depósito judicial de Barcelona. Cedo ou tarde alguém viria reclamá-los e poderiam identificá-los. Assim seria com todos menos com dois. Mesmo 83 anos depois, ainda não se sabe seus nomes.

Em 12 de maio Solidaridad Obrera publicou que em Cerdanyola “uma misteriosa ambulância da saúde abandonou os cadáveres, barbaramente massacrados, de 12 militantes das Juventudes Libertárias”. A autopsia determinou que haviam sido “golpeados, maltratados ou torturados antes de seus fuzilamentos”. A instrução do caso estava pondo o jovem juiz em um terrível compromisso. Os assassinos pareciam estar bastante claros e tinham muito poder. PSUC e PCE mandavam mais que nunca nos governos catalão e central. Os testemunhos iam esclarecendo uma história que poderia derrubar a retaguarda republicana.

Uma semana antes, em 4 de maio de 1937, as seis da tarde, cinco jovens anarquistas se reuniram no bairro de Sant Andreu. Levavam alguns fuzis e queriam somar-se à luta contra o PSUC e ERC que havia começado no dia anterior. O mais jovem, Joan, de 20 anos, dirigia. O maior, Jose, de 33, ia a seu lado. Atrás se sentaram Francisco, César e Juan Antonio. “Por onde vamos? Está tudo cheio de barricadas”, perguntou um. Transitar por Barcelona era um suicídio. Uma rua era anarquista e outra comunista. “Vamos à Casa CNT-FAI, não? Melhor evitar o centro. Eles controlam o Paseo de Gracia”.

O destino era a Vía Laietana assim que preferiram dar uma volta pelo Parc da Ciutadella. Ignoravam que ali haviam se instalados milicianos da Coluna Carlos Marx e todos os acessos eram uma armadilha. Quando iam pela rua Pujades ouviram uns disparos e uma barricada lhes impediu a passagem. Em seguida se viram rodeados por “uns indivíduos que usavam boina com uma estrela vermelha”. “Cinco golpistas!”, gritou um dos comunistas. “Levem-nos ao quartel e que confessem”.

Ali, em umas celas do Quartel Carlos Marx, estiveram golpeando-os de um em um. Nas horas seguintes chegaram mais cenetistas detidos nas imediações. Agustín, ferroviário; Santos, curtidor com quatro filhos; e Carles, um tenente da Coluna Durruti que estava de licença. Logo chegou Joaquín, de apenas 18 anos, militante ativo das Juventudes Libertárias de Gracia. O dia acrescentou mais dois detidos, de 18 e 55 anos. O jovem levava as siglas “CNT” bordadas na camisa. No total, eram onze nas celas.

Em Sant Andreu se inquietavam porque não sabiam nada de seus companheiros. No dia seguinte, quatro anarquistas saíram em sua busca. Realizaram o mesmo trajeto que eles até que em Poble Nou uns vizinhos lhes avisaram de que seguir em carro era um suicídio. Decidiram continuar a pé, com o fuzil bem preparado, mas não evitaram a emboscada. Houve um tiroteio e um caiu ferido de morte: Toni, de 20 anos. Outro ficou detido: Lluís, de 19.

Os 12 detidos do Quartel Carlos Marx sofreram maltratos durante três dias. Golpearam-nos com culatras de fuzil, lhes cortaram com facas… Até que chegou a paz em 7 de maio. Os carcereiros tiveram que decidir: liberá-los e arriscar-se a uma denúncia por tortura ou desfazer-se deles. Os fuzilaram nesse mesmo dia e levaram os corpos a Cerdanyola.

A mãe do mais jovem, Joaquín, estava movendo céus e terra buscando seu filho. As pistas a levaram até o Quartel e ali se apresentou. Lhe responderam que se equivocava, que seu filho não estava ali. E era verdade. Seu corpo jazia já em Cerdanyola. Também o buscava seu irmão maior, Alfredo, que era um conhecido dirigente das Juventudes Libertárias. Como podia dar muitos problemas, também o assassinaram e seu cadáver ainda não apareceu.

O juiz Josep Vidal desistiu de avançar na investigação. Não se atreveu a mandar a polícia ao quartel comunista. Sem provas conclusivas, a Audiência encerrou o caso mas a CNT não estava disposta a esquecer. Empreendeu sua própria investigação secreta e identificou os supostos assassinos. Existe um informe manuscrito no Arquivo de Salamanca* com o nome dos culpados, seu cargo e seu domicílio. Não se sabe se sofreram represálias. A CNT preparou também um plano de vingança pelos Fatos de Maio, mas essa é outra história.

Estes são os 12 mártires de Sant Andreu:

  1. Joan Calduch Novella. 20 anos. Natural de Arenys de Mar. Solteiro. Vivia em San Andrés, rua Bartrina 31, bajos.
  2. José Villena Alberola. 33 anos. Vivia com seus pais e irmão na rua Estevanes 14, principal primera, do bairro de A Sagrera de Barcelona.
  3. Francisco Viviana Martínez. 27 anos. Natural de Valência. Casado com Montserrat Uch Moré e com dois filhos: Josefa e Francisco.
  4. César Fernández Pacheco. 25 anos. Natural de Barcelona. Solteiro. Vivia com sua irmã e cunhado na rua Montepellier, 32 bajos.
  5. Juan Antonio Romero Martínez. 24 anos. Natural de Águilas (Murcia). Solteiro.
  6. Agustín Lasheras Cosials. 25 anos. Natural de O Vendrell. Solteiro. Ferroviário. “Desconhecido número 6”.
  7. Santos Carré Poblet. 30 anos. Casado. Quatro filhos. Curtidor. Vivia em Passatge Serrahima, 4, 2º (Poble Sec).
  8. Carles Alzamora Bernad. 27 anos. Natural de Cuba. Solteiro. Ferroviário. Tenente da Coluna Durruti. “Desconhecido número 1”.
  9. Joaquín Martínez Hungría. 18 anos. Dependente em uma loja. Militante das Juventudes Libertárias de Gràcia. “Desconhecido número 4”.
  10. Lluís Carreras Orquín. 19 anos. Natural de Barcelona. Solteiro. Sargento de Milícias.
  11. Desconhecido. 18 anos. “Desconhecido número 3”. Levava o bordado da CNT.
  12. Desconhecido. 55 anos. “Desconhecido número 2”.

Como dissemos, outros dois implicados no relato foram assassinados: Antoni Torres Marín (20 anos) e Alfredo Martínez Hungría (uns 24 anos).

Agradeço a Agustín Guillamón que me facilitou o informe judicial que publicou em seus livros La represión contra la CNT y los revolucionarios (2015) e Insurrección (2017). Agradeço também a Jordi Bigues suas investigações a respeito. Publicou suas conclusões neste artigo¹ de 2018.

*”Os indivíduos que executaram os 12 companheiros de Sardañola e seus prêmios”. Centro Documental da Memória Histórica. Salamanca. PS Barcelona. Caixa 178 nº 49.

[1] https://directa.cat/dotze-joves-llibertaris-assassinats-per-lestalinisme/

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Este caminho!
sem ninguém nele,
escuridão de outono.

Matsuo Bashô

[São Paulo-SP] Teatro no CCS: “Os Rastros das Marias”

O Centro de Cultura Social (CCS) recebe presencialmente, no sábado, dia 13 de maio, às 16h, o espetáculo teatral “Os Rastros das Marias” (@osrastrosdasmarias). A obra é um solo que celebra o heroísmo de mulheres negras brasileiras que não aceitaram o destino que diziam ser o seu: a servidão. Tereza de Benguela, Maria Firmina dos Reis, Clementina de Jesus, Luiza Mahin, Carolina Maria de Jesus e muitas outras deixaram, para a Maria do nosso espetáculo, rastros preciosos. Com humor, poesia e ternura, o espetáculo contribui para a afirmação da identidade da mulher negra brasileira, valorizando sua luta e sua história.

Classificação: 12 anos

Duração: 55 minutos

Atuação: Maria Baú

Direção e Dramaturgia: Gabriela Rabelo

Direção Musical e Composição: Renato Gama

Cenário e figurino: Luís Carlos Rossi

Fotografia: João Caldas

Desenho de luz: Adriana Dham

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Engoli migalhas
jogadas ao vento,
deixadas pelas gaivotas.

Rogério Viana

[Grécia] Manifestação antifascista-antiestado em Heraklion, Ilha de Creta

Na tarde de sábado, 06/05, a concentração-manifestação antifascista-antiestado ocorreu em Heraklion [quinta maior cidade da Grécia, com uma população de mais de 120 mil habitantes]. A defesa da manifestação esteve na praça de Heraklion desde as 17h45, onde se realizou uma concentração de 2 horas. Durante o ato, foram distribuídos folhetos para transeuntes e moradores da região e pendurada uma faixa.

Cerca de 50 fascistas escolheram se reunir em um monumento que homenageia um dos seus semelhantes na Avenida Heraklion (a uma grande distância da concentração antifascista) para “guardá-lo”, sem pensar em se aproximar da praça.

Por volta das 20h00 a manifestação antifascista teve início e seguiu o seu percurso previsto, com a participação de aproximadamente 300 companheiros e companheiras. Quando o corpo da manifestação saiu para a Avenida Heraklion, foi fortemente cercada por esquadrões da MAT [o batalhão de choque da polícia], a fim de impedir qualquer possível encontro com os fascistas. A marcha terminou na estação de Heraklion sem nenhum problema e as pessoas partiram com segurança.

NEM EM HERAKLION, NEM EM NENHUM LUGAR, ESMAGUE OS FASCISTAS EM TODOS OS BAIRROS

Anarquistas

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o pouso silente
da borboleta de seda
celebra a manhã

Zemaria Pinto

Lançamento: “O anarquismo em Cuba”, de Frank Fernández

Frank Fernández nos oferece um estudo sistemático da sociedade e do anarquismo cubano e de sua originalidade, se trata de um livro único porque não tem outra preocupação além de oferecer uma análise histórica, sem compromissos. Nesta obra, o autor estuda um século e meio de uma história densa e profunda, mal conhecida e analisada de modo ainda pior, ressaltando a dimensão fundamental do anarquismo nessa evolução. O livro tem a virtude e a honestidade, atitude pouco frequente, de não ocultar as falhas nem os erros que podem ter sido cometidos, o que contribui para realçar sua tarefa e sua independência crítica. (Francisco Olaya Morales)

***

A pesquisa para este trabalho foi feita com a erudição e o cuidado documental que caracteriza os trabalhos de Frank Fernández. Incitado pela necessidade de explicar o que aconteceu e considerando o profundo compromisso com seu país de origem, o autor se negou a aceitar as ideias prontas e recomenda deixar que os  atos abram o caminho para a pesquisa. Apesar da atitude negativa que a crítica marxista teve com outras obras de Fernández, ele não tem a intenção de fazer um panfleto panegírico do anarquismo. Ele compreende que cada setor social “tem o direito de expor o que se conhece como sua verdade histórica”, mas insiste que isso “deve estar baseado em dados evidentes e bem interpretados”. Por isso, ele estudou uma enorme quantidade de materiais de primeira mão, leu documentos, revistas, jornais, memórias, explorou bibliotecas e  arquivos. Por isso, o texto está apoiado em um aparato crítico detalhado e em uma forte base bibliográfica tomada de fontes primárias e difíceis de acessar. Acrescente-se a isso a própria  experiência de várias décadas de acontecimentos vividos por ele e o contato pessoal com companheiros, companheiras e grupos do exílio. Assim ele chega a uma síntese perfeita em suas conclusões, em que não apenas se elucida um capítulo pouco conhecido da história, mas também muitos outros conceitos mais amplos que revelam as discussões ideológicas sobre Cuba. É preciso agradecer Fernández por sua dedicação em busca de uma nitidez expositiva que nos coloca ao alcance essa sabedoria, porque assim, neste livro, se expressa um corpo de conhecimentos e conquistas que são patrimônio de um povo. (Lily Litvak)

O anarquismo em Cuba

Autor Frank Fernández

Prefácio Lily Litvak

Prólogo Francisco Olaya Morales

Dimensões 14 × 21 cm

Páginas 184

Preço R$ 40,00

editorafaisca.net

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nos dias de outono
as folhas largam no ar
um cheiro de sono

Cristina Saba

[Porto Alegre-RS] Construção de Espaços de Apoio Mútuo e Solidariedade – Inauguração da Loja Grátis

Esp(a)ço e Kasa Invisível apresentam: construção de Espaços de Apoio Mútuo e Solidariedade.

Inauguração da Apoio Mútuo, a loja grátis do Esp(a)ço.

Para a inauguração da Apoio Mútuo, sua loja grátis, o Esp(a)ço recebe ys companheirys da Kasa Invisível, ocupação histórica de Belo Horizonte, para um bate papo sobre ocupações urbanas, apoio mútuo e ação direta e intercâmbios entre espaços autônomos e radicais

Será feita uma breve apresentação da Kasa Invisível e sua trajetória de uma década de ocupação em Belo Horizonte, suas ações culturais, de apoio mútuo e luta anticapitalista. Seguida de um convite para o debate e a construção de redes de apoio mútuo entre ocupações e centro sociais radicais.

Dia 13 de maio, 17h, no Esp(a)ço.

Rua Castro Alves, 101 – Porto Alegre (RS).

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Sobre o telhado
um gato se perfila:
lua cheia!

Maria Santamarina

[República Tcheca] Primeiro de Maio Anarquista de Praga: Pelo crescimento zero e o direito à preguiça

As comemorações do Primeiro de Maio organizadas pela Federação Anarquista voltaram às ruas de Praga. Várias centenas de manifestantes se reuniram na Ilha Strelec, que chegaram a se definir contra o “gasto exacerbado pelo governo de direita, a crise climática em curso, a guerra do ditador do Kremlin contra a Ucrânia, o fascismo de uma parte da sociedade ou o ódio aos imigrantes e pessoas LGBTQ+”, como afirma o comunicado de imprensa da Federação Anarquista. Embora, especialmente nos anos noventa, o primeiro de maio anarquista tenha sido associado a confrontos relativamente grandes com partidários da extrema direita, este ano não houve conflitos semelhantes.

Além dos problemas atuais, as pessoas reunidas também se manifestaram contra o atual sistema capitalista, que, segundo eles, “sufoca as pessoas na armadilha de empregos estúpidos, aluguéis altos e o sentido da vida dissolvido pelo consumismo”. As palavras-chave da manifestação foram liberdade, igualdade e solidariedade. Um comunicado de imprensa da Federação Anarquista declarou: “Queremos um mundo onde possamos nos desenvolver livremente, independentemente de origem, cor ou gênero e onde não seja necessário se curvar a um gerente, policial ou funcionário do partido.”

Os anarquistas também relembraram o significado original do Dia do Trabalho. Ele comemorou a greve geral em Chicago, que começou em 1º de maio de 1886 e culminou alguns dias depois no chamado Massacre de Haymarket, durante o qual várias pessoas morreram e dezenas ficaram feridas. Mais de cem anos se passaram desde a introdução da semana de trabalho de oito horas, mas ainda estamos esperando a próxima grande mudança, de acordo com os reunidos. Depois de discursos, um piquenique e uma reunião amigável, os anarquistas fizeram um desfile por Praga em direção à Ilha Štvanice, onde o evento culminou em frente ao clube de música Bike Jesus. As bandas hardcore e punk Ahoj, Thalidomide e Bratislava’s Rozpor tocaram para os presentes.

>> Mais fotos: https://a2larm.cz/2023/05/fotoreport-proti-pitome-praci-vysokym-najmum-a-konzumu-do-prahy-se-vratil-anarchisticky-prvni-maj/

Tradução > Contrafatual

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nuvem que passa,
o sol dorme um pouco –
a sombra descansa

Carlos Seabra

[Espanha] Reportagem da concentração: Valência pela Paz, não às guerras, de 24 de abril de 2023

Na segunda-feira passada, dia festivo em Valência, às 19:15 horas, umas oitenta pessoas se concentraram na plaza de la Virgen, convocadas pela Assembléia Popular Valência contra as Guerras. O objetivo da concentração era, segundo dizem as convocantes, manter viva a denúncia da escalada belicista, e do crescente militarismo da Europa, cada vez mais subordinada aos interesses estadunidenses. Também exigir o cessar imediato de todas as ações militares e o início de uma negociação entre a  Rússia e a Ucrânia para deter a guerra.

A Assembléia Popular Valência contra as Guerras agrupa vinte e uma organizações e coletivos da cidade: associações de moradores, sindicatos, grupos feministas, ecologistas, de solidariedade com os países do Sul e as pessoas migrantes, pacifistas e antimilitaristas. Se constituiu em maio de 2022 para condenar a invasão russa da Ucrânia e estruturar um movimento contra as guerras na cidade de Valência.

As organizações convocantes denunciaram a agressão do governo russo ao ordenar a invasão da Ucrânia, mas também as responsabilidades das potências ocidentais e da OTAN, que estão a anos alimentado políticas expansionistas e de confronto com a Rússia. Também que a União Européia está se convertendo em um ator chave da escalada bélica, enviando mais armas ao exército Ucraniano e aumentado os orçamentos militares de seus países membros, ao mesmo tempo em que descarta a via da negociação e não dá o impulso necessário a medidas eficazes para enfrentar a emergência climática e as crescentes desigualdades sociais, que afetam a toda a humanidade.

Se dá a circunstância que também ontem, o SIPRI (Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo) publicou seu informe anual, no qual fica patente que o gasto militar da Europa em 2022 alcançou seu mais alto nível desde a Guerra Fria. Os países europeus aumentaram seus orçamentos militares em 13% em media, comparado a 2021, o maior incremento interanual nos últimos trinta anos.

As pessoas concentradas também denunciaram que, enquanto os bancos, o complexo militar industrial, os multimilionários e as grandes corporações obtêm lucros extraordinários com a guerra, as populações empobrecidas do Sul Global sofrem crises alimentares, o espólio de suas matérias primas, os desastres das guerras e a gestão criminosa do controle de suas fronteiras por parte dos países europeus. Esta última converteu o Mediterrâneo e as cercas de Ceuta e Melila em infames cemitérios.

Recordaram, também, que esta guerra se soma a mais de trinta conflitos armados que sofre o mundo atualmente e manifestaram que se negam a aceitar que os conflitos sejam abordados mediante o recurso às bombas, à violência e às matanças. Reivindicaram o lema: “A guerra é um crime contra a humanidade”.

Acabaram o ato com um minuto de silêncio pelas vítimas de todas as guerras, seguido de um chamado a todas as organizações cidadãs, sindicatos, movimentos sociais e as  pessoas comuns, para estruturar um movimento internacionalista pela paz, que detenha a espiral bélica.

Entre as ações imediatas da Assembléia, contemplam o apoio aos desertores da guerra na Rússia, Ucrânia e Bielorrússia e a promoção da campanha de objeção fiscal aos gastos militares no Estado Espanhol.

Concentrações como a de ontem se repetirão em Valência, no dia 24 de cada mês, enquanto não cessar a guerra na Ucrânia.

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

verdes vindo à face da luz
na beirada de cada folha
a queda de uma gota

Guimarães Rosa

[Vitória-ES] 1º de Maio Autônomo, Combativo e Anarquista: um relato

Depois de muitos anos, o centro da cidade de Vitória, território dominado pelo estado do Espírito Santo, novamente viu tremular a bandeira preta e vermelha da anarquia.

Logo cedo, a partir das nove da manhã, os membros da Federação Anarquista Capixaba – FACA, bem como de diversos movimentos sociais e culturais, começaram a se agrupar para realização do ato do 1º de Maio. Uma estrutura com som fora providenciada, mesa gratuita com café da manhã (e mais tarde, almoço), exposição de livros, distribuição de panfletos, zines e jornais também marcaram o dia.

As quase seiscentas pessoas que compareceram ao ato, de norte a sul do estado, que também não deixou de ser um contraponto ao outro convocado pelas tradicionais centrais sindicais, respiraram, conspiraram e sonharam um mundo melhor, no qual o Capital e o Estado não mais ditam os rumos de nossa existência.

Que muitas outras jornadas de luta e protesto venham!

Pela anarquia, sempre!

Federação Anarquista Capixaba – FACA.

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/04/28/vitoria-es-1o-maio-dia-de-luto-dia-de-luta/

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Mesmo o velho eucalipto
Parece feliz –
Névoa da manhã.

Paulo Franchetti