AFA Suécia: 30 anos – Os antifascistas nunca morrem!

O que esperávamos que fosse a festa do ano realmente se tornou a festa do ano, e muito mais. A Antifascist Action é hoje um dos grupos de rua mais antigos da Suécia, e sobrevivemos a todas as organizações fascistas. Nossa receita de sucesso sempre se baseou na solidariedade e na comunidade, algo que os nazistas nunca conseguirão entender.

Obrigado a todos que vieram e apoiaram, e a todos que contribuíram de alguma forma durante esses 30 anos. Agradecimentos especiais à AFA Paris-Banlieue, AFA Copenhague, AFA Oslo, Varis verkosto Finlândia e Aurora Finlândia. Vocês são nossos companheiros para sempre. Vamos em frente por mais 30 anos.

antifa.se

agência de notícias anarquistas-ana

lua nublada
no alto da montanha
a solitária árvore

Alonso Alvarez

[Espanha] Notas sobre a Autodefesa

Por Rosa Fraile

A QUESTÃO da Autodefesa feminista não é nada novo. Vem de longe. As sufragistas inglesas já se formavam em técnicas de Jiu-Jitsu como Autodefesa para enfrentar as violências policiais. Foi Edith Margaret Garrud, mestra em artes marciais, que desde 1908 até o estouro da 1ª Guerra Mundial, organizou classes especializadas em técnicas de Autodefesa para mulheres sufragistas. Em pouco tempo eram capazes de safar-se da garra policial e escapavam.

Décadas depois, na segunda onda feminista, a associação Wen-Do Women’s Self Defence, nasce com o fim de ensinar Autodefesa às mulheres. Mas agora o objetivo era poder fazer frente às agressões machistas usando o método Wen-do. Desde então foi uma série incessante de técnicas diferentes que serviram para aportar fortaleza, empoderamento e segurança às mulheres.

Mas trata-se só de saber quebrar espinhas e braços, ser capaz de quebrar uma tábua, ou saber sair correndo? Sem discussão é necessário, mas não suficiente. Há mais em jogo. Tem que abarcar questões emocionais e psicológicas e não se limitar a atuações grupais pontuais se queremos imprimir-lhe um caráter transformador e revolucionário.

Temos que desenvolver estratégias coletivas de Autodefesa que nos facilitem estruturar um contundente contra-ataque, passando à ação coletiva para combater as agressões. Tarefa que nos incumbe tanto a homens como a mulheres, pois os depredadores, sós ou em manadas, seguem varrendo lares e ruas em busca de vítimas.

A maioria dos ataques sexuais a mulheres e menores se produzem em entornos ‘familiares-amistosos’ com enganos e autoridade patriarcal. É necessário aprender a detectar antecipadamente as agressões, e gestionar atitudes, vozes e gestos que sirvam para defender-nos. Se deve educar em sexualidade e psicoafectividade quase desde o berço a todo ser humano. É necessário aprender a não calar nem guardar silêncio.

Nesta batalha a educação é um pilar fundamental para armar o ataque ao patriarcado. A direita o sabe e atua promovendo a educação segregada por sexos, pretendendo aplicar diferenças parentais, e impondo o silêncio em questões sexuais.

É necessário passar ao ataque!

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/notas-sobre-la-Autodefesa/

Tradução > Sol de Abril

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lesma no vidro
procura uma sombra
que seja ela mesma

Alice Ruiz

Evento de Celebração dos 90 anos do Centro de Cultura Social de São Paulo!

Inauguração da exposição fotográfica “90 Anos em Imagens”, com o lançamento da Revista do CCS n. 3, edição especial de aniversário! Uma roda de conversa será realizada, com a fala de membros do CCS sobre a trajetória do Centro de Cultura Social, desde sua inauguração, em 1933, até hoje.

Quando: 23 de setembro, sábado, às 14h

Local: sede do CCS-SP, na Rua General Jardim, 253, sl. 22. Vila Buarque – SP. Próximo ao metrô República.

Evento presencial, aberto e gratuito.

Teremos intérprete de Libras.

Lembrando que nos orientamos pelos princípios anarquistas, tais como autogestão, apoio mútuo, internacionalismo, anticapacitismo, anticapitalismo e não partidarismo, não toleramos qualquer tipo de discriminação de raça, gênero ou sexualidade.

agência de notícias anarquistas-ana

Sentado e sorrindo,
que faz o menino cego
na Festa das Flores?

Izo Goldman

[Japão] A vida da anarquista-feminista revisitada 100 anos após seu assassinato

O dia 16 de setembro marcará os 100 anos do brutal assassinato de Noe Ito, anarquista, autora e crítica social japonesa das eras Meiji e Taisho, que foi alvo e morta nos massacres que se seguiram ao Grande Terremoto de Kanto.

Embora as opiniões variem em sua cidade natal, Fukuoka, sobre sua reputação e abordagem liberal em relação a questões de sexo e política, nos últimos anos as pessoas passaram a conhecê-la melhor devido a obras recém-publicadas, bem como a uma dramatização biográfica na emissora pública NHK, que detalhou uma vida que nunca foi limitada por normas moralistas.

Uma biblioteca na cidade de Fukuoka, no sudoeste do país, abriu uma exposição sobre Ito, que levantou sua voz em favor das mulheres oprimidas da época durante sua vida muitas vezes turbulenta. No ano passado, um grupo de voluntários lançou um projeto para educar as pessoas sobre ela, e um festival para celebrar sua vida está programado para 15 e 16 de setembro.

Ito nasceu em Imajuku, na província de Fukuoka, que hoje fica no bairro de Nishi, na cidade de Fukuoka, e depois foi para Tóquio para estudar. Ela se casou com um homem que sua família havia escolhido para ela em sua cidade natal, mas fugiu pouco mais de uma semana depois para viver com Jun Tsuji, seu ex-professor de inglês que ela conheceu na Ueno Girls High School em Tóquio.

Na época em que se casou com Tsuji, Ito entrou para a revista literária mensal “Bluestocking”, fundada pela pioneira feminista Raicho Hiratsuka, e defendeu os direitos das mulheres por meio de seu trabalho. Ela frequentemente escrevia artigos autobiográficos e fazia críticas sociais, baseando-se em suas experiências pessoais do “amor livre” que desejava.

Nomeada em 1915 como a segunda editora-chefe do Bluestocking aos 20 anos, Ito trabalhou posteriormente com o líder anarquista Sakae Osugi. Depois de se envolver romanticamente com Osugi, aos 21 anos, ela deixou Tsuji e seus dois filhos para ficar com ele.

Osugi, que já era casado, também estava envolvido romanticamente com Ichiko Kamichika, outra feminista, atraindo a condenação pública por seus relacionamentos com as três mulheres. Kamichika, em um acesso de ciúme após saber que Ito e Osugi haviam passado uma noite juntos, esfaqueou Osugi na garganta várias vezes.

A esposa de Osugi o abandonou após o incidente, mas Ito e Osugi continuaram ligados e tiveram cinco filhos enquanto viveram juntos até suas mortes, apesar de nunca terem sido legalmente casados.

O par se tornou alvo do Estado e de outros críticos por suas opiniões e comportamentos pouco ortodoxos e por seus esforços para minar o sistema político existente. Ito escreveu artigos no “Rodo Undo” (Movimento Trabalhista), um periódico que publicou com Osugi, e participou de organizações de mulheres socialistas.

Em 16 de setembro de 1923, em meio ao caos da lei marcial após o Grande Terremoto de Kanto, Ito, Osugi e seu sobrinho Munekazu, de 6 anos, nascido nos Estados Unidos, foram assassinados por um esquadrão da polícia militar conhecido como Kempeitai, liderado pelo tenente Masahiko Amakasu. Na época de sua morte, Ito tinha 28 anos e havia dado à luz sete filhos.

Um tribunal militar determinou que os Kempeitai não sancionassem os assassinatos e que Amakasu e outros haviam se tornado desonestos e estrangulado os três até a morte antes de jogar seus corpos em um poço abandonado. Os hematomas em seus corpos, especialmente nos de Ito e Osugi, indicavam que eles haviam sido severamente espancados antes de serem estrangulados.

Imediatamente após o terremoto, houve rumores de que socialistas, coreanos e outros estavam cometendo atos de insubordinação. Os massacres cometidos por militares, policiais e vigilantes, que se aproveitaram do caos, foram generalizados.

Após a reação pública, Amakasu foi levado à corte marcial e condenado a 10 anos de prisão, mas foi posto em liberdade condicional em 1926. Posteriormente, ele viajou para o nordeste da China e dizem que esteve envolvido na fundação da Manchúria sob o comando do Exército Imperial Japonês. Ele cometeu suicídio após a rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial.

Yuko Kamiya, documentarista da Biblioteca Pública da Cidade de Fukuoka, disse sobre Ito: “Havia uma forte imagem de que ela era desinibida no amor, e as pessoas ficaram divididas sobre como a viam após sua morte”.

Recentemente, entretanto, muitos livros, como o romance biográfico “Kaze yo Arashi yo”, escrito por Yuka Murayama, foram publicados, atraindo empatia e interesse pelas ideias de Ito sobre feminismo. Um drama da NHK baseado no romance de Murayama foi transmitido em 2022.

Por ocasião do centenário de sua morte, Fukuoka está realizando uma exposição especial, “Kazeyo: Noe Ito from the Perspective of Letters and Works”, até 15 de outubro. “Esperamos que as pessoas se interessem pelo pensamento de Noe e pelo ambiente em que ela nasceu e cresceu”, disse Kamiya.

Para esclarecer e divulgar as ideias de Ito sobre o empoderamento das mulheres no Japão moderno, 12 homens e mulheres voluntários entre 20 e 90 anos de idade em Fukuoka lançaram o “Projeto Centenário Noe Ito” no ano passado. Uma vez por mês, eles organizam um clube do livro, com foco na “Coleção Noe Ito”.

O festival programado para este fim de semana incluirá palestras de pesquisadores e trabalho de campo no local de nascimento de Ito e em outros locais de interesse associados a ela.

No último Índice de Diferença de Gênero do Fórum Econômico Mundial, o Japão ocupa a 125ª posição entre 146 países.

O membro do projeto Nobuyuki Ito, 69 anos, morador de Itoshima, província de Fukuoka, observou que “o muro que Noe encontrou”, como a falta de progresso nas discussões sobre sobrenomes separados para casais casados no Japão, continua intacto.

Ele disse que a abordagem de Ito, na qual ela “via os problemas pessoais como problemas sociais e tentava, sem hesitar, mudar a sociedade falando para dizer que ‘algo está errado’, pode ser aplicada à sociedade atual, que também enfrenta as mesmas dificuldades”.

Um simpósio em comemoração ao 100º aniversário da morte de Ito, Osugi e outros, chamado “Vamos trilhar o caminho do eu livre”, também será realizado em Tóquio em 24 de setembro.

“Suas ideias e ações, como a liberação das mulheres, a antidiscriminação, a paz e a guerra, estão novamente sendo questionadas hoje”, disse o organizador do simpósio.

Fonte: https://www.japantimes.co.jp/news/2023/09/11/japan/history/anarchist-murder-century/

agência de notícias anarquistas-ana

Nos bambus já escuros,
morcegos, daqui, dali,
também sem destinos.

Alexei Bueno

[Portugal] Feira Anarquista do Livro de Lisboa

Nos dias 23 e 24 de Setembro, realizaremos mais uma edição da Feira Anarquista do Livro, em Lisboa.

Este será, mais uma vez, um espaço para a reflexão sobre as diferentes formas de expressão do anarquismo no contexto atual.

Partindo da premissa de que, ontem como hoje, a palavra impressa continua a permitir o intercâmbio de ideias, que são postas em prática no mundo concreto, acreditamos que a criação destes espaços de partilha continua a ter relevância para as lutas atuais e para as que estão por vir.

Numa realidade onde vemos recrudescerem insurgências contra a especulação imobiliária e a carestia de vida, contra a destruição ambiental e as alterações climáticas, contra o racismo e o patriarcado, contra as guerras entre os povos e o crescimento do neofascismo, contra o desenvolvimento hipertecnológico e o controlo social, queremos mais uma vez expor as nossas ideias de emancipação, solidariedade e confrontação, num espaço onde ideias possam ser debatidas, afinidades possam ser geradas e laços possam ser fortalecidos.

>> Confira a programação aqui:

https://feiranarquistadolivro.coletivos.org/programa.php

agência de notícias anarquistas-ana

casa quieta –
cochila o avô e
dorme a neta

Carlos Seabra

[Grécia] 10 anos desde o assassinato do antifascista Pavlos Fyssas | Manifestação 18/09

MORTE AO FASCISMO, AO ESTADO E AO CAPITALISMO

Na madrugada de 18 de setembro de 2013, um batalhão de assalto paraestatal do Aurora Dourada realizou um ataque assassino em Keratsini e o antifascista Pavlos Fyssas caiu morto pela faca do fascista Roupakias. Em 15/06/2022, teve início o julgamento do tribunal de apelação do A.D.-organização criminosa em segundo grau. Cerca de sete anos após o início do julgamento e dois anos e meio após a decisão do primeiro julgamento, muitos dos neonazistas já foram libertados e em breve, devido às penas baixas, espera-se que ainda mais sejam libertados.

Hoje, 10 anos depois do assassinato de Pavlos Fyssas, a luta contra a repressão e as gangues assassinas fascistas/neonazistas, a luta contra o sistema de poder estatal e capitalista que diariamente desvaloriza a vida da população e que é responsável pelos crimes em Tempi, Pylos, Evros, Tessália, a batalha contra o racismo, o nacionalismo, o canibalismo e a intolerância continua. Não temos ilusões de que a luta contra o Estado e o subestado possa ser travada em instituições, parlamentos e tribunais. A luta antifascista só pode fazer parte da luta global contra o Estado e o capital e a única perspectiva realista para a sociedade é a organização e emancipação dos que vêm de baixo, para a construção de uma nova sociedade, com igualdade, liberdade, justiça.

ESMAGAR O FASCISMO E O ESTADO E O SISTEMA CAPITALISTA QUE O GERA E NUTRE

NEM FASCISMO NEM DEMOCRACIA

ORGANIZAÇÃO E LUTA PELA ANARQUIA

10 anos desde o assassinato do antifascista Pavlos Fyssas

MANIFESTAÇÃO ANTIFASCISTA

Segunda-feira, 18 de setembro, Keratsini, Pavlou Fyssa 60, 17h30.

Assembleia de Anarquistas pela Emancipação Social e de Classe

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agência de notícias anarquistas-ana

as pálpebras da noite
fecham-se
sem ruído

Rogério Martins

[Grécia] Patras: Manifestação Antiestado-Antifascista 10 anos após o assassinato de Fyssa pelos batalhões de assalto do Aurora Dourada

10 ANOS DEPOIS NÃO ESQUECEMOS – NÃO PERDOAMOS O ASSASSINATO DE P. FYSSA PELOS BATALHÕES DE ASSALTO DO AURORA DOURADA

NÃO ESQUECEMOS:

 os ataques, os pogroms, os assassinatos de imigrantes nas fronteiras de Evros, no Egeu e nos campos de concentração

 os ataques às okupações e às áreas de luta autogestionadas, aos militantes de esquerda, anarquistas e antifascistas

CONTRA O ESTADO, O CAPITAL E OS FASCISTAS

SOLIDARIEDADE AOS REFUGIADOS E IMIGRANTES

PARA ESMAGAR O SISTEMA DE POBREZA, CANIBALISMO, EXPLORAÇÃO, GUERRA, QUE MATA PESSOAS E DESTRÓI A NATUREZA

LUTA POR UM MUNDO DE IGUALDADE-SOLIDARIEDADE-LIBERDADE

MARCHA DO BAIRRO: SÁBADO 16/09, 12h. PL ELEFTHERIAS (REFUGIADOS)

MARCHA ANTIESTADO-ANTIFASCISTA: SEGUNDA-FEIRA 18/09, 18h00, PRAÇA GEORGIOU

ASSEMBLEIA ABERTA PARA O 10º ANIVERSÁRIO DO ASSASSINATO DE P. FYSSA 

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relampejou
sobre as árvores
a tarde trincou

Alonso Alvarez

[Grécia] Komotini: Marcha de Memória Antifascista. Pavlos Fyssas Presente!

Marcha de memória antifascista pelo 10º aniversário do assassinato do antifascista Pavlos Fyssas pelos batalhões de assalto neonazistas do Aurora Dourada.

Segunda, 18/09, às 18h00, na antiga Faculdade de Direito.

Ataque ao Estado assassino. 

Ser uma bala na cabeça de todo racista. 

Pavlos Fyssas Presente!

Okupação Anarquista Utopia AD

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As nuvens do céu –
o céu do infinito
eu de nenhum lugar

Stefan Theodoru

[Grécia] Cartaz | 10 anos do assassinato do antifascista Pavlos Fyssas

10 ANOS DESDE O ASSASSINATO DO ANTIFASCISTA PAULOS FYSSA

pelos batalhões de assalto paraestatais fascistas do A.D. em Keratsini

ESTADO E CAPITAL CRIAM FASCISMO

desde os constantes crimes do Estado contra a população e a natureza, os milhares de refugiados e migrantes mortos nas fronteiras terrestres e aquáticas e o seu encarceramento em massa em campos de concentração, os assassinatos a sangue frio de ciganos pelos esquadrões de assalto da polícia da república e os constantes ataques repressivos contra a luta anarquista, as ocupações e as resistências sociais e de classe ao ressurgimento de gangues fascistas/neonazistas/assassinas no espaço público e à propaganda dominante, que promove o racismo, o nacionalismo, a intolerância e o canibalismo com o objetivo de fascistizar a sociedade.

ORGANIZANDO E LUTANDO PELA REVOLUÇÃO SOCIAL, ANARQUIA E COMUNISMO LIBERTÁRIO

Manifestação Antifascista – Antiestado – Antirepressiva

Segunda-feira, 18 de setembro

Atenas: Keratsini, Pavlou Fyssa 60, 17h30

Tessalônica: Kamara, 19h00

Organização Política Anarquista | Federação de Coletivos

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O lírio levanta
no meio da noite
seu copo de leite.

Luiz Bacellar

[Grécia] Dois dias de eventos antifascistas – Convocação à Marcha pelos dez anos desde o assassinato do antifascista Pavlos Fyssas.

No dia 18 de setembro, completar-se-ão 10 anos desde o assassinato do antifascista Pavlos Fyssas por um batalhão de assalto do Aurora Dourada em Keratsini.

10 anos depois, não esquecemos, não perdoamos, continuamos a lutar contra os descendentes dos Hitlers, os chamados cães anti-sistémicos da burguesia, os companheiros da polícia e dos paraestatais, os perpetradores dos ataques contra refugiados, mulheres imigrantes, trabalhadores, mulheres combatentes, indivíduos não heteronormativos ou transexuais e estruturas do movimento antagónico mais amplo, os assassinos do antifascista Pavlos Fyssas e do imigrante Shahjat Luqman. O antifascismo combativo deve ter uma memória revolucionária, por esta razão, como contribuição mínima, estamos a organizar um evento antifascista de dois dias com companheiros antifascistas da Itália, França e Espanha para partilhar os caminhos antifascistas das nossas lutas comuns, num período em que em todos os países ocidentais, do lado da crise capitalista estrutural, também temos o surgimento tanto do neoconservadorismo como de formações neofascistas. Ao mesmo tempo, apoiamos e participamos na Manifestação Antifascista de 18 de setembro.

14/09 às 19h00, ASOEE – Exibição de um documentário sobre o assassinato do companheiro antifascista italiano Dax em Milão em 16 de março de 2003 e uma discussão com companheiros de Milão sobre este período específico.

15/09 às 19h00, ASOEE – Evento sobre o surgimento de formações neofascistas modernas e do neoconservadorismo na Europa, com a participação de companheiros da Itália, França e Espanha.

18/09 apoiamos e participamos com um bloco antifascista-antiestatal na manifestação em Keratsini.

Antifascistas do centro e bairros de Atenas e Pireu

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esboço no céu
no mermar
da d’alva

Guimarães Rosa

Os Anarquistas na Argentina frente ao golpe de Estado no Chile. 11 de setembro de 1973.

Para a seguinte pesquisa e trabalho de arquivo decidimos investigar as diferentes posições anarquistas expressas na Argentina em torno do governo de Unidade Popular liderado por Salvador Allende, a resistência proletária, as projeções revolucionárias e o golpe de Estado de 11 de setembro de 1973. Todos os textos incluídos nesta obra foram originalmente escritos entre junho de 1971 e outubro de 1974, principalmente em Buenos Aires, juntamente com cartas enviadas do território chileno por alguns companheiros.

Esperamos que essa nova conexão com o passado seja mais uma contribuição para afiar a memória subversiva e fortalecer as ideias e ações contra o Estado e o capital. Entendendo que as fronteiras são apenas ilusões criadas para nossa divisão e para facilitar a repressão, e que os processos capitalistas atravessam, impõem e se conectam em diferentes territórios. Nossa resistência é transfronteiriça e nossa conspiração vai além das nações e de seus valores.

Pela anarquia, hoje e sempre.

>> Para ler/baixar, clique aqui:

https://expandiendolarevuelta.noblogs.org/files/2023/09/Lxs-anarquistas-frente-al-golpe-en-chile-comprimido.pdf

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Mosaico no muro.
O gato ensaiando o pulo.
Azuis borboletas.

Fanny Dupré

50 Anos do Golpe no Chile

Há 50 anos a classe dominante chilena, os partidos liberais, religiosos e conservadoras, as forças armadas chilenas, lideradas por Pinochet, deram um golpe de Estado apoiado pelo governo norte americano.

A social-democracia e sua ala legalista da Unidade Popular (allendistas do PS, Partido Comunista, Izquierda Cristiana, Partido Radical e parte do MAPU) se negaram armar o povo, acreditando no processo de avanço de reformas por dentro Estado chileno. O governo Allende baixou a lei de armas e desarmou os Cordões de Trabalho, organização de massa dos trabalhadores e trabalhadoras que estava disposta a resistir e avançar o socialismo no Chile por meio da insurreição e revolução social.

Mesmo o Movimento de Izquierda Revolucionaria (MIR) e alas do Partido Socialista de Chile (PS) e do Movimiento de Acción Popular Unitaria (MAPU) com toda sua posição correta, não conseguiram organizar forças militares para resistir as ações golpistas, ficaram dependentes das ações do Estado Chileno comandando pelas forças sociais-democratas legalistas lideradas por Salvador Allende.

O golpe foi construído dentro das Forças Armadas, sob liderança de Augusto Pinochet (Exército) e Gustavo Leigh (Aeronáutica), do empresariado Chileno liderado por Orlando Sáenz Rojas e por organizações de extrema direita como a Frente Patria Unida. Todos com apoio do Estado dos EUA, comandado por Nixon e Kissenger, e da ditadura Brasileira.

As forças sociais democratas acreditaram na legalidade burguesa para se manter no poder. Desarmaram o povo deixando-o à mercê da força repressora do Estado. Com isso permitiram o golpe. A ação final individual de Allende no palácio La Moneda não contava com o principal: o povo em armas para combater a classe dominante, evitar golpe e fazer a guerra civil, a insurreição popular e a revolução social.

lutafob.org

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o fogo partiu saciado
a floresta de luto
soluça

Eugénia Tabosa

Chamado internacional de solidariedade anarquista | Apoie anarquistas sudaneses no exílio

O exílio nunca é uma decisão fácil. Nunca é uma escolha. Sem recursos, pode se tornar um verdadeiro tormento. Solidariedade é a chave para superar estes tempos difíceis.

Nós entramos em contato com um grupo de anarquistas sudaneses em fevereiro de 2022, que estavam em meio a uma agitação revolucionária que vinha chacoalhando o país desde 2018. Apesar das barreiras linguísticas, aprendemos com eles como entender melhor esta revolução e os comitês de resistência que estão no seu cerne. Esse grupo, formado em sua maioria por estudantes jovens, foi inclusive imitado por um grupo anarquista no norte do país.

Como muitos países durante a Primavera Árabe de 2011, o Sudão mergulhou em uma guerra civil em abril deste ano. General Hemetti, comandante da milícia “Forças de Suporte Rápido”, formou uma rebelião contra o exercito nacional sudanês. As forças progressistas e revolucionárias do país se recusaram, de forma unânime, a apoiar um lado contra o outro e se encontraram entre essas duas facções militarizadas reacionárias. Cerca de 5000 pessoas morreram nesse conflito desnecessário. Dois milhões e meio de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas, das quais 500.000 fugiram do país. Saques e estupros estão aumentando e fazem parte do arsenal de armas de guerra utilizadas contra civis.

Nossas companheiras anarquistas ainda estão no Sudão e esperam conseguir dar continuidade às suas atividades de agitação clandestina. Nós garantimos apoio financeiro antes da guerra e também no início dela, mas a situação se tornou insustentável e não nos permite mais qualquer atividade política ou social. Alguns dos membros do grupo decidiram deixar o país o mais rápido possível depois de sua casa ter sido devastada pelo RSF. Outros decidiram ficar por enquanto e nós estamos tentando ajudar eles também.

Junto das companheiras que estão nessa parte no mundo, estamos trabalhando para garantir a todas as melhores condições possíveis de sobrevivência nesse contexto. Para aqueles que pretendem ficar, precisamos garantir as necessidades básicas e também a reserva financeira pro caso de uma fuga de emergência. Para aqueles em exílio agora, precisamos tirá-los do país, evitando tanto quanto for possível os perigos desse tipo de jornada só de ida e permitir que sigam militando junto das pessoas sudanesas exiladas e da classe explorada do país em que estão. Contudo, a região está extremamente instável (guerras civis, golpes de estado e outros regimes autoritários) e e no momento não é possível sair do país.

Pra fazer isso precisamos de dinheiro e o fundo de solidariedade das nossas organizações não é suficiente. Abaixo estão as despesas estimadas (em dólares estadounidenses):

vistos: $400

viagem: $800 (instável)

primeiro aluguel em outro país: $200

comida pra um mês em outro país: $300

custos pro tempo de espera no sudão: $1000

mínimo: $2700

Esse custo provisório é instável em um contexto econômico e de segurança que muda muito rápido. Cobre apenas os custos mínimos para um mês, mas a situação é tal que nossos companheiros não vão dar conta das suas necessidades em apenas um mês, provavelmente vamos precisar de muito mais dinheiro. Qualquer quantia doada vai ser usada para garantir as necessidades diárias dos companheiros até que consigam se manter.

As doações estão sendo recebidas pelos nossos companheiros da Suíça, que já tem uma estrutura para solidariedade internacional.

Não esqueça de mencionar “Solidarity Sudan” ao fazer a sua doação.

Envie sua doação para:

Association pour la Promotion de la Solidarité Internationale (APSI)

Place Chauderon 5

1003 Lausanne

Switzerland

IBAN: CH84 0900 0000 1469 7613 8

SWIFT/BIC: POFICHBEXXX

Nome do Banco: PostFinance SA; Mingerstrasse 20; 3030 Bern; Switzerland

cabanarquista.org

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longe noite escura
uma viola
amor murmura

Eugénia Tabosa

[Alemanha] Frankfurt am Main: Teslas incendiados

Na semana passada, o IAA [Salão Internacional do Automóvel] foi realizado em Munique. Mais uma vez, nessa feira de verão, todos os fabricantes puderam exibir seus carros novos e brilhantes e parabenizar-se por seus próprios sucessos econômicos, em suas salas de conferência, limusines e salões de exposição com ar-condicionado.

Ao mesmo tempo, esse verão ainda está queimando. Em Rhodes. Em Portugal. Na ilha de Maui [Havaí].

Ao mesmo tempo, as casas de muitas pessoas estão inundadas. Na Eslovênia e na Áustria.

A vida de muitas pessoas foi arruinada. Esses desastres mortais têm muitas causas. O IAA é uma pequena razão. Nós dizemos “desligue o sistema de destruição!

É por isso que, ontem à noite (12/09), incendiamos carros Tesla novos em Frankfurt am Main. Como uma saudação aos protestos em Munique. Como um dos muitos ataques à nefasta indústria automobilística.

A Tesla é um de nossos maiores inimigos. Essa empresa representa como nenhuma outra a ideologia do capitalismo verde e a busca pela destruição global e colonial. Os motores elétricos são continuamente apresentados como uma alternativa limpa. Isso é uma mentira cínica. Como outras empresas, a Tesla explora recursos naturais de todo o mundo. As matérias-primas necessárias para as baterias dos carros elétricos, como o lítio e o cobalto, são extraídas na América Latina e na África em condições repugnantes. Os combustíveis fósseis são usados no transporte e na produção, apesar da bela pintura verde.

Tudo isso está sempre ligado à opressão das comunidades indígenas, cuja resistência deveria ser um sinal para agirmos.

A Tesla aceita tudo isso para produzir carros que podem se espremer nos centros das cidades. Que mostram, todos os dias, que há riqueza lá fora. Mas não para todos. De acordo com a lógica dessa empresa, apenas algumas pessoas podem ter esses carros. Quem dirige ou pode dirigir esses carros é uma questão de classe.

Como forma de resistência, desta vez atacamos um estacionamento onde os carros da Tesla estão estacionados para venda. Os carros da Tesla de propriedade de pessoas físicas e fábricas também são atacados com frequência, como em Berlin-Grünheide. Todos esses são fatores importantes para prejudicar a empresa. Também do ponto de vista econômico, mas, acima de tudo, do ponto de vista político. Para mostrar que não concordamos com as mentiras verdes, o roubo de matérias-primas ou as cidades e estradas que pertencem apenas aos ricos. Acreditamos que a escória poluidora deve pagar caro!

A Tesla é uma das várias empresas de propriedade de Elon Musk. Suas fantasias patriarcais são aparentemente inesgotáveis. Ele é uma daquelas pessoas que querem dominar a internet, o espaço, as novas tecnologias e a inteligência artificial, como se suas fantasias de poder não tivessem limites.

A Space X, por exemplo, é uma empresa que quer obter os meios, foguetes e naves espaciais, para tornar o espaço um destino de férias para os mais ricos dos ricos, além de promover a ideia de um dia viver em Marte. A apropriação e a subjugação de territórios ao capitalismo continuam, agora em Marte. Uma distopia em si.

A empresa de neurotecnologia Neuralink pretende conectar cérebros humanos a máquinas. Por isso, eles estão fazendo experimentos com animais para descobrir como ler suas mentes. Em longo prazo, isso deve ser usado supostamente para curar doenças.

Mas, assim como a SpaceX e a Tesla, a Neuralink também aspira a uma perspectiva de longo prazo na qual as pessoas têm valores diferentes. Na qual algumas pessoas têm o direito a uma vida melhor, em meio à catástrofe ecológica que já está ocorrendo. A incorporação de determinadas ideias e pensamentos no desenvolvimento da IA [inteligência artificial] dá origem a uma tecnologia profundamente racista.

Alguns podem alegar que seus carros elétricos não são responsáveis pela destruição do ecossistema global, pela exploração e pelo deslocamento de outras pessoas. Alguns se dão o direito de não ver seu privilégio, baseado na destruição colonial e ecológica. Precisamos destruir essas ideias patriarcais e coloniais do futuro. Elas são inimigas de um mundo ecológico e de um modo de vida baseado na solidariedade.

Saudações a todos aqueles que estão fugindo ou na prisão!

Desligue – o sistema de destruição!

Fonte: https://de.indymedia.org/node/302963

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agência de notícias anarquistas-ana

mostro o passaporte
minha sombra espera
depois da fronteira

George Swede

[Argentina] América Scarfó foi a paixão clandestina do anarquista Severino Di Giovanni e agora seu neto conta a história

Ele havia chegado à Argentina escapando do fascismo. A conheceu quando ela tinha 16 anos. Ele foi fuzilado. Ela nunca o esqueceu. Agora Ariel Wainer fala desse amor em “América”.

Por Diego Rojas | 25/07/2023

Como contar uma história de amor trágico na Argentina de fins da década de vinte do século passado que ao mesmo tempo se converteu em um arquétipo do amor passional? Porque assim pode ser definido o romance entre Severino de Giovanni e América Scarfó. Uma história que condensa paixão, política, violência, anarquia e clandestinidade nas primeiras décadas do século XX em Buenos Aires.

É uma história que Osvaldo Bayer já contou em sua grande biografia do militante anarquista Di Giovanni – subtitulada “El idealista de la violencia” – e que também foi ficcionalizada nos anos 90 como novela por María Luisa Magagnoli em “Un café muy dulce”, editada por Alfaguara. Esta obra contava com a aprovação e prólogo de uma anciã Scarfó que não esquecia seu passado de amour fou, como demandavam os surrealistas.

Luis Puenzo havia tentado levar o romance ao cinema a partir da biografia escrita por Bayer mas o projeto teve a oposição tanto do escritor como de América, talvez porque em busca de um filme mais edulcorado se permitia distanciar-se demasiado dos fatos da realidade e suplantar, segundo censurava América em uma carta aberta publicada na Página 12, o conceito do anarquismo por “os tiros e o sexo”. Hoje América, um novo livro sobre Scarfó escrito por Ariel Wainer e publicado por Marea Editorial aporta alguns novos dados à história e se centra no que aconteceu antes e que aconteceu depois desse episódio apaixonado na vida de Scarfó. Wainer é neto de América Scarfó, que faleceu em 2006, aos 93 anos.

O romance foi assim. Severino Di Giovanni havia chegado à Argentina escapando da repressão dos camisas negras do Duce Benito Mussolini, que expressavam a ascensão do fascismo na Itália e sua ordem armada. Grupos paramilitares atacavam os movimentos de luta dos setores laboriosos e dos referidos obreiros e da esquerda, na qual se inclui o anarquismo, cuja influência continuava orbitando nas classes populares. Em 1925, Di Giovanni se radicou definitivamente em Buenos Aires junto a sua esposa Teresa e uma filha (teriam três filhos no total).

Esse mesmo ano, um ato no Teatro Colón em homenagem ao rei Víctor Manuel de Saboya foi interrompido por gritos e panfletos que caiam desde as plateias mais altas denunciando o fascismo. Entre o grupo de agitadores se encontrava Severino Di Giovanni, que essa noite foi preso e qualificado pela polícia como “temível agitador anarquista”. Era seu debut.

Obreiro gráfico, também imprimiria sua própria publicação, Cúlmine, com a qual interviria nos debates do movimento anarquista (o setor mais conservador, em La Protesta; o mais combativo, em La Antorcha). Na revista La Antorcha escrevia Paulino Scarfó, que vivia junto à família paterna em uma casa de Floresta. Sua irmã menor era América, de 16 anos.

Com o tempo, o matrimônio de Severino e Teresa se converteria em uma formalidade. De qualquer modo, ante a necessidade de mudar-se, o fizeram juntos à casa do fundo dos Scarfó.

Ante a constatação de que a antiga companheira de Di Giovanni já não era tal, a chispa do romance entre Severino, de 25 anos, e América se acendeu. E foi fogo.

Assim o demonstram as cartas que lhe enviava Severino, nas quais lhe escrevia assim: “Tenho febre em todo o corpo. O contato contigo me inundou de todas as doçuras. Jamais como nestes longuíssimos dias tenho bebido aos goles os elixires da vida“.

Entretanto havia estouros às vezes de caráter mundial, como os protestos ante as condenações a morte nos Estados Unidos dos anarquistas Sacco e Vanzetti. O grupo de Di Giovanni, ao qual já se havia integrado Paulino Scarfó, pôs umas bombas na frente da embaixada norteamericana.

Di Giovanni era o inimigo público número um: a ameaça anarquista. Quando o militar Félix Uriburu derrubou Hipólito Yrigoyen, um de seus objetivos principais foi apanha-lo.

Enquanto, o amor de Severino e América era vivido na clandestinidade.

Aos 16 anos, Scarfó havia escrito uma carta a Emile Armand, o diretor da revista L’en Dehors, a mais lida dentro do anarquismo individualista. Ali expunha seus planos a respeito de seu amor com Di Giovanni, claro que sem expor seus nomes verdadeiros:

Meu caso, camarada, pertence à ordem amorosa. Sou uma jovem estudante que crê na vida nova. Creio que, graças a nossa livre ação, individual ou coletiva, poderemos chegar a um futuro de amor, de fraternidade e de igualdade. Desejo para todos o que desejo para mim: a liberdade de atuar, de amar, de pensar. Quer dizer, desejo a anarquia para toda a humanidade. Creio que para alcançá-la devemos fazer a revolução social. Mas também sou da opinião de que para chegar a essa revolução é necessário liberar-se de toda classe de preconceitos, convencionalismos, falsidades morais e códigos absurdos. E, em espera de que estoure a grande revolução, devemos cumprir essa obra em todas as ações de nossa existência. Para que essa revolução chegue, por outra parte, não há que contentar-se com esperar, mas que se faz necessária nossa ação cotidiana. Ali onde seja possível, devemos interpretar o ponto de vista anarquista e, consequentemente, humano.

No amor, por exemplo, não aguardaremos a revolução. E nos uniremos livremente, desprezando os preconceitos, as barreiras, as inumeráveis mentiras que nos opõem como obstáculos“.

O frenesi das atividades de financiamento (assaltos e roubos) e de propaganda armada de Di Giovanni crescia em ritmo e frequência. A polícia estava atras dele.

Finalmente foi detido. Logo Paulino, irmão de América. Ambos foram torturados. Julgados sumariamente, foram condenados ao paredão. Concederam à América ver seu amado. Assim descreveu como o encontrou. “Quando eu o vi Severino tinha as marcas claras da corda de estrangular; nos pulsos, sangue coagulado, as gengivas sangradas, o rosto com contusões. Com as pinças de madeira lhes haviam esmagado e tirado da língua e as haviam queimado com cigarros acesos. Durante o interrogatório lhes introduziram cigarros acesos nas cavidades nasais e nos ouvidos, lhes haviam retorcido os testículos, lhes fizeram incisões nas unhas, os golpearam. Tudo isto sob a direção do doutor Viñas, diretor da prisão“.

Puderam despedir-se. Brevemente.

Logo, Severino a um tempo e Paulino a outro foram fuzilados. “Viva a anarquia”, foram as últimas palavras dos dois homens.

Para América Scarfó começou o que seria sua segunda longa vida sem Severino. Uma vida que duraria muitas décadas, mas sem que o rastro daquela paixão fosse esquecido.

Infobae conversou com Ariel Wainer, neto de Scarfó e autor de América.

– Que aportes considera que faz seu livro à história de amor de sua avó e sobre sua avó mesma?

– Conto no livro a vida de América da qual se conhecem os dois anos de relação com Severino. Incluo a história prévia mais pormenorizada, inclusive a de seus pais e seus avós, e especialmente toda a história posterior aos fuzilamentos de Severino e de seu irmão Paulino. O livro de Bayer, que é uma grande obra e a fonte mais importante na qual todos bebem, não se escreveu mais além do momento dos fuzilamentos. Faz uma breve referência que se casou, teve filhos e fundou uma editora e aí terminou, digamos.

Como sou seu neto, tive a possibilidade de conhecê-la, mas mais que pelo conhecimento porque ela não falou comigo de sua história, mas pelas conversas com minha mãe, as conversas com uma amiga dela, materiais, gravações e outros documentos que me permitiram reconstruir sua história posterior aos fuzilamentos. Ela viveu 93 anos, ou seja, que são um montão de anos. Fundou a editorial America Lee junto a meu avô Domingo, antes havia sido secretária de Salvadora Onrubia, a companheira de Natalio Botana e por isso conheceu a redação do diário Crítica e pode relacionar-se com jornalistas e conhecer quem fora o defensor de Severino, que teve que se exilar no Paraguai por ter pedido que lhe comutasse a pena capital.

– América não contava sua história?

– Espontaneamente não falava de sua história anterior a conhecer meu avô. Não era uma história que circulasse na família. Tampouco minha mãe falava espontaneamente dessa parte da história. Houve muito silêncio, mas não somente no caso de minha avó, mas de seus irmãos. Faz pouco pelo livro tive contato com parentes que eu não conhecia e o irmão maior de América teve um exílio interno na cidade de Pergamino porque o despediram do trabalho por ter o sobrenome. Ele tinha proibido seus filhos, que se inteiraram bastante tardiamente desta história, falar dela porque lhe havia gerado um problema sério.

América (Fragmento)

Quem era Severino di Giovanni quando conheceu América?

Que percurso já tinha feito o trem de alta velocidade ao qual subiu minha avó quando se enamorou dele?

Di Giovanni nasceu em Villamagna, um pequeno povoado da província de Chieti, na região dos Abruzos, uma zona de montanhas à leste de Roma.

A vida com seus pais foi breve porque eles morreram jovens.

Na adolescência trabalhou como professor e aprendeu o ofício de tipógrafo. É provável que tenha tido seu primeiro contato com as ideias anarquistas através de seus companheiros do grêmio gráfico.

Sua prima, Teresa Masciulli, quatro anos maior, o visitava com regularidade. Em uma ocasião, uma tormenta lhe impediu de regressar a sua casa. O que ocorreu essa noite entre eles foi motivo de casamento.

Na Itália o ambiente foi se tumultuando. A crise econômica deixava muitos na miséria. Os que sonhavam com uma mudança, como Severino, a passavam mal. A Squadra d’Azione, o movimento paramilitar do fascismo, perseguia socialistas e anarquistas. A chegada de Mussolini ao poder terminou de empurrar Severino ao exílio.

Com Teresa viajaram ao Brasil e se instalaram em Santa Ana, no estado de São Paulo. Ali nasceu Laura, a primeira filha do matrimônio. Em pouco tempo regressaram à Itália e finalmente, em 1923, viajaram à Argentina, onde vivia um irmão de Teresa.

No começo, Severino se dedicou ao cultivo de flores que vendia no Mercado de Abastecimento. Um tempo depois, em uma pequena gráfica, conseguiu trabalho em seu ofício. Na realidade, o que mais lhe era urgente não era assegurar o sustento de sua família, mas poder retomar a luta contra o fascismo, ainda que fosse à distância.

Quem é Ariel Wainer

♦ Nasceu em 1966 em Buenos Aires.

♦ É doutor em Psicologia e psicanalista.

♦ É docente de graduação e pós-graduação em diferentes universidades (UBA, UCES, UAI).

♦ É um dos membros fundadores do Grupo Psicoanalítico David Maldavsky e de Giro Salud Mental.

♦ Publicou trabalhos em revistas especializadas e o livro Yo soy así. Teoría y clínica de las caracteropatías (2021).

♦ Sua mãe, Paulina Vanda Landolfi, foi a filha maior de América Scarfó.

Fonte: https://www.infobae.com/leamos/2023/07/26/america-scarfo-fue-la-pasion-clandestina-del-anarquista-severino-di-giovanni-y-ahora-su-nieto-cuenta-la-historia/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

os fantasmas de cogumelos
viraram tinta:
pés nus no frio

Rod Willmot

[Indonésia] Ajude os prisioneiros antiautoritários a publicar seus escritos!

Nós, Serikat Tahanan, somos uma associação de prisioneiros antiautoritários. Nós nos organizamos principalmente dentro, mas também fora, de onze prisões diferentes em toda a Indonésia, entrando em contato com outros ativistas antiautoritários condenados para defender e educar o público sobre as condições das prisões na Indonésia. Essa iniciativa, conduzida pelos atuais condenados, foi iniciada como uma forma simples de solidariedade entre nós – para alimentar a esperança – para que não nos sintamos excluídos ou saiamos da prisão como seres humanos mais prejudicados. Ao nos organizarmos na Serikat Tahanan, somos constantemente lembrados do motivo pelo qual começamos nossa luta. Nossa agenda de longo prazo é a abolição da prisão.

Temos escrito, ou pelo menos aprendido a escrever, nossas próprias experiências e pensamentos dentro da prisão. Queremos publicar esses escritos, mas, é claro, não temos dinheiro. O sistema prisional corrupto da Indonésia fornece rações alimentares inadequadas e força os prisioneiros a pagarem por elas. Durante todo esse tempo, temos vivido da solidariedade dos companheiros fora da prisão, pois é quase impossível trabalharmos. A falta de fundos e as condições da prisão repletas de subornos pioram nossas vidas e dificultam nosso projeto de redação. Usaremos os lucros das vendas do livro para executar o programa que foi determinado e executado pelos próprios prisioneiros. O livro que publicaremos consistirá em cerca de uma dúzia de textos escritos por prisioneiros e ex-prisioneiros condenados por incêndio criminoso, destruição de propriedade, incitação a motins e uso de drogas. Esse trabalho conterá críticas sociais à estrutura da Indonésia, reflexões de ação, sobrevivência na prisão e uma grande quantidade de lições úteis para o público e para os atores do movimento social. Também destinaremos uma parte dos livros publicados gratuitamente para coletivos e bibliotecas.

Portanto, pedimos aos ativistas antiautoritários internacionais, anarquistas, antifascistas e à rede abolicionista que se solidarizem com nossos esforços para publicar nossos escritos. Orçamos cerca de 5,5 milhões IDR (327 euros) para o custo de comunicação entre as prisões, ferramentas de escrita furtivas, edição, impressão e distribuição dos livros. Ajude-nos a publicar nossos escritos no sistema prisional corrupto da Indonésia e a apoiar as campanhas dos prisioneiros!

Essa arrecadação de fundos é apoiada pela Indonesian Anarchist Publishing Network (JPA) e pelo Abolitionist Collective (Japão). Esses escritos também serão traduzidos para o inglês e o japonês.

Aqui está o link da campanha de arrecadação de fundos: https://www.firefund.net/serikattahananwritings

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

manhã de sol
sombra do pardal no poste
primeira visita do dia

Alonso Alvarez