Registro do ato do Primeiro de Maio Anarquista, em São Paulo.

Nessa segunda-feira, 1º de maio de 2023, as ruas do centro da cidade de São Paulo foram tomadas por um cortejo chamado pelos coletivos Biblioteca Terra Livre (BTL), Centro de Cultura Social de São Paulo (CCS), Núcleo de Estudos Libertários Carlos Aldegheri (NELCA) e Coletiva Anarco Feminista Insubmissas (CAFI), com as bandas Fanfarra Clandestina e Bloco Fluvial do Peixe Seco. Reunimos cerca de 200 pessoas.

Parando carros e cruzamentos, lembramos com alegria rebelde que esse dia tem na sua origem a revolta anarquista contra a exploração de quem trabalha. Sem pedir autorização para polícia, sem carro de som, com organização horizontal e autogestionária. Com canções e panfletagem, atravessamos quarteirões, saindo da Praça Roosevelt com destino à sede do Centro de Cultura Social, onde realizou-se uma minifeira de livros e a leitura da peça “1º de Maio” de Pietro Gori.

O 1º de Maio marca o martírio dos 8 anarquistas presos e condenados em Chicago, em 1886, além de ser uma data de união e mobilização contra o mundo do trabalho governado pelo Estado e pelo Capital. O teatro social e as leituras coletivas, somados aos atos nas ruas, são ferramentas usadas historicamente para espalhar o sentimento de solidariedade e de ingovernabilidade entre os nossos, e o CCS, que completa 90 anos em 2023, sempre foi um agregador para essas ferramentas de luta. A gente se forma, a gente se organiza, a gente luta. Nós por nós.

Agradecemos a todas as pessoas que estiveram presentes no cortejo, e também às que pararam para ver o bloco passar e às que leram os nossos folhetos. A ação direta coletiva é a única forma de enfrentar o Estado e o capital, para construir um mundo onde, cada vez mais, a vida seja livre, com pão, arte, cultura, educação e autogestão, para todes.

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agência de notícias anarquistas-ana

na noite, o vento
vindo cheiroso de ver
madressilvas.

Alaor Chaves

[Suíça] Comunicado sobre a manifestação revolucionária do Primeiro de Maio em Berna

Ontem (Primeiro de Maio ), por volta das 18h, a manifestação revolucionária anual do Dia Internacional dos Trabalhadores se formou na praça da estação em Berna. Cerca de 700 pessoas participaram e – apesar da chuva torrencial e da presença da polícia – marcharam por Berna em uma passeata barulhenta e combativa. A manifestação teve acesso negado ao centro da cidade com uma presença policial desproporcionalmente grande. A polícia impossibilitou que fôssemos às comemorações oficiais do Primeiro de Maio dos sindicatos para fazer um discurso.

No entanto, a manifestação revolucionária não pôde ser provocada e marchou pelas ruas de Berna ao redor da estação de trem e através de Länggasse por 1,5 horas. Durante a manifestação foram feitos vários discursos e distribuídos milhares de folhetos aos transeuntes. Sob o lema “Rolex para todos”, damos um forte exemplo contra o capitalismo, a exploração, as fronteiras, a crise climática, a guerra, o racismo, o patriarcado e o fascismo.

Juntos lutamos por um mundo em que haja espaço para muitos mundos. Exigimos a expropriação de corporações globais e bancos e defendemos uma redistribuição de recursos. Por uma vida boa para todos, por um Rolex para todos!

Saudações revolucionárias aos nossos companheiros revolucionários em Basel, Zurique e outros lugares que tiveram que suportar forte repressão.

Ontem não foi tudo – voltaremos, sem dúvida!

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do orvalho
nunca esqueça
o branco gosto solitário

Matsuo Bashô

[Espanha] Lançamento HQ: “Pão e ódio, os duros anos 30”

A HQ encadernada em capa rústica, com 112 páginas coloridas dentro mais capas contendo uma tira de quadrinhos autoconclusiva de nossa própria produção, ambientada em Barcelona, na década de 1930. Série aberta.

Em 24 de outubro de 1929, o mundo está em tumulto, a Bolsa de Valores de Nova Iorque mergulha em queda livre. Esse dia, que os jornais chamaram de Quinta-feira Negra, vai mudar a vida de milhões de pessoas. Antonio Ruiz, viaja pelo deprimido meio-oeste americano, como mais um garoto em busca de trabalho, numa época em que, além da depressão econômica, os agricultores veem como suas terras estão desoladas pela seca e pelas tempestades. Muitos agricultores arruinados, despejados pelos bancos, estarão procurando uma nova vida na terra prometida: a Califórnia. Ele também se envolverá nas lutas sindicais dos trabalhadores que o tornarão consciente de sua classe. As circunstâncias o obrigarão a retornar a Barcelona, onde verá como a República mudou a Espanha e a divisão e desilusão que foram criadas ao seu redor. Em Barcelona, ele retornará ao meio anarquista e a CNT, agora como militante, onde vivenciará o destino inevitável da Espanha em direção à Guerra Civil.

PAN Y ODIO, LOS DUROS AÑOS 30

ISBN: 978-84-125112-4-6

Encadernação: ROUGH VOLUME

Data de emissão: 16/03/2023

Idioma: ESPANHOL

Autores: ANTONIO RAYA ROSAS

Número de páginas: 96

Coleção: NUBES NEGRAS

Coleção No.: 02

17,10 €

https://www.universal-comics.com/brand/185/trilita-ediciones

agência de notícias anarquistas-ana

brilha o grampo
ou ela tem no cabelo
um pirilampo?

Carlos Seabra

[França] Eure: depois de uma faixa anti-Macron, um aposentado é condenado

“Macron não te deixamos em paz”: por uma faixa afixada na frente de sua casa, um septuagenário residente perto de Broglie (Eure) foi condenado nesta quarta-feira, 3 de maio, por desacato. Essa ofensa lhe rendeu uma audiência e a obrigação de concluir um curso de cidadania.

Foi durante uma patrulha em 30 de abril na cidade de Saint-Agnan-de-Cernières que os gendarmes [polícia] descobriram a faixa, relata o semanário local L’Éveil Normand.

Cooperativo, o homem de 77 anos não foi preso, mas foi ouvido na brigada no dia seguinte. O aposentado expressou sua insatisfação com o presidente, acusando-o de não respeitar os cidadãos.

Crime contra o chefe de Estado abolido há 10 anos

“Ele não é um ativista conhecido, simplesmente um cidadão comum que queria expressar sua insatisfação com o presidente”, disse Laurent Hamon, comandante da companhia de gendarmeria Bernay.

Até 5 de agosto de 2013, um texto de lei protegia o presidente da República de insultos que pudessem ser proferidos contra ele nas redes sociais ou em praça pública. O delito de injúria ao Chefe de Estado, previsto na lei de 29 de julho de 1881 sobre a liberdade de imprensa, era então punível com multa de 45 mil euros.

Apesar da supressão desta lei, uma faixa ofensiva dirigida ao presidente pode ser considerada um insulto a “um detentor de autoridade pública”, como é o caso de Emmanuel Macron, sublinha L’Éveil Normand . Tal infração é punível com um ano de prisão e multa de 15.000 euros.

Fonte: agências de notícias

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sussurro um ruído
(farfalhar de qualquer folha
ao pé de um ouvido)

Bith

[França] Motins de 1º de Maio contra a reforma das pensões em Paris

Novos confrontos na França são uma continuação da raiva contra o governo do presidente Macron.

Por John Malamatinas

O primeiro de maio na França este ano foi dominado pelos protestos em andamento contra a reforma previdenciária. Enquanto o governo esperava que o movimento – que já dura três meses e meio – perdesse força e desaparecesse gradualmente, os sindicatos, as organizações de esquerda, anarquistas e autônomas queriam provar com sua mobilização que a resistência não foi rompida e ruma para novas fronteiras.

Segundo os organizadores, 2,3 milhões de pessoas participaram das manifestações em toda a França, 550.000 delas apenas em Paris – para um Primeiro de Maio, isso é um grande sucesso. Está perto do pico dos doze dias de ação coordenada e greve contra a reforma a partir de 7 de março, quando um total de 3,5 milhões de pessoas foram às ruas.

Mesmo o prognóstico do estado, 500.000 a 650.000 pessoas marchando na França, incluindo 80.000 a 100.000 em Paris, foi superado, com 782.000 manifestantes de acordo com o Ministério do Interior, incluindo 112.000 na capital, Paris.

As autoridades mobilizaram 12.000 policiais em 1º de maio de 2023, sendo 5.000 somente em Paris. No entanto, foi incapaz de pacificar o Primeiro de Maio.

Ativistas mascarados encabeçaram a manifestação que começou na Place de la Republique, tentando se formar em grupos de black bloc para atacar a polícia e os símbolos capitalistas. A tropa de choque interveio violentamente muitas vezes bloqueando grandes grupos de manifestantes ao longo do percurso.

As forças [policiais] motorizadas do Brav-M atacavam seus alvos sempre que podiam. A manifestação terminou na Place de la Nation, onde muitos ativistas conseguiram se reunir em blocos compactos, opondo uma resistência feroz contra a repressão e violência policial.

Anarquistas, “coletes amarelos” radicalizados (o grande movimento social que atingiu a França em 2018) e muitos outros lutaram por horas, armados com pedras e fogos de artifício. No final da noite, os chamados “manifs sauvages” (manifestações selvagens) ocorreram em torno da Place de la Opera, onde barricadas foram erguidas e latas de lixo incendiadas.

Também em Rennes, Lyon, Nantes e outras cidades, houve tumultos, incêndios e confrontos com a polícia. “Um novo patamar de violência foi ultrapassado”, lamentou a primeira-ministra Elisabeth Borne no dia seguinte aos protestos, durante perguntas ao governo no Parlamento francês.

Em Paris, o chefe da polícia, Laurent Nunez, alertou antes dos protestos sobre uma nebulosa de 3.000 a 6.000 “elementos radicais”, “que serão reforçados por militantes de toda a Europa”. O serviço de inteligência da capital temia que jovens de bairros sensíveis se juntassem às ações violentas. Mesmo antes do início da manifestação, houve 2.740 paradas e revistas pela polícia, onde verificaram identidades e revistaram as pessoas em busca de armas.

Macron usou um truque constitucional para aprovar o aumento da idade de aposentadoria de 62 para 64 anos sem votação no parlamento e sobreviveu por pouco a um voto de desconfiança. Segundo pesquisas de opinião, a grande maioria dos franceses rejeita a reforma previdenciária. Os índices de aprovação de Macron caíram perto do nível recorde visto durante o período de crise dos protestos dos “coletes amarelos”. O presidente e seu governo argumentam que a reforma é necessária para evitar que o generoso sistema previdenciário da França entre em colapso. Os sindicatos, por outro lado, acreditam que isso pode ser alcançado por outros meios, como impostos mais altos para os ricos ou mudanças profundas no sistema previdenciário.

Bastien Uitsice, secretário-geral da CNT (Confédération Nationale du Travail) Paris, um sindicato anarcossindicalista francês, disse anteriormente ao Unicorn Riot durante uma manifestação em massa em 28 de março que os sindicatos estavam se mobilizando e organizando marchas contra o projeto de reforma previdenciária: “Desde o início, as mobilizações e marchas foram formadas pelos sindicatos com o objetivo de não aprovar o projeto. Mas o projeto de lei foi aprovado à força, e esse projeto de lei aumenta a jornada de trabalho e também diminui o valor da mão de obra”.

Desde janeiro, a França está em chamas. Milhões de pessoas têm saído às ruas todas as semanas, bloqueando estações de trem e rodovias, enfrentando a polícia e atacando os símbolos do Estado e do capitalismo.

Talvez o elemento mais interessante desse movimento, em sua duração e radicalização, seja seu altíssimo nível de composição interna. Pela experiência do movimento dos Coletes Amarelos, organizado de forma autônoma, os sindicatos tiveram este momento para demonstrar sua presença contínua e determinação em não recuar diante de Macron e seus aliados. Isso permitiu que as manifestações crescessem ao longo dos meses e se tornassem talvez o maior movimento social dos últimos anos.

Como Macron insiste em práticas autoritárias, e apenas um ano se passou desde sua reeleição, começaram os debates entre os meios progressistas sobre como continuar pressionando o monólito neoliberal e buscar outro futuro. Enquanto isso, os sindicatos anunciaram um novo dia de greves e manifestações em 6 de junho.

Fonte: https://unicornriot.ninja/2023/may-day-riots-against-pension-reform-in-paris/

Tradução > Contrafatual

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Tangerina cai
e a casca ferida exala
gemidos de dor.

José N. Reis

[Espanha] La Xusticia comemora sete anos reinventando a tradição libertária do vale do Nalón

Por Andrea Núñez | 22 de abril de 2023

O herdeiro do Centro Obrero La Justicia está organizando um programa especial de eventos até 11 de maio.

Herdeiro do Centro Obrero La Justicia, que surgiu do republicanismo federal e do movimento anarquista original em La Felguera (Langreo), o Centru Social Autoxestionáu La Xusticia começou há sete anos.

As instalações do antigo centro La Justicia, fundado por volta de 1903, embora a data exata seja desconhecida, tinha espaço para aproximadamente 1.600 pessoas sentadas e uma enorme biblioteca com mais de 20.000 livros. Juntamente com a CNT, ela se tornaria a outra perna do movimento libertário no vale de Nalón.

Foi em outubro de 1937, com a entrada do exército de Franco, que as tropas regulares e a cavalaria incendiaram as instalações, queimando todos os livros e destruindo tudo, deixando-a em um estado de abandono. Anos depois, na década de 1960, eles fizeram uma troca com os dominicanos, que decidiram demolir o prédio e construir uma igreja no local. Esse seria o fim definitivo do conhecido centro de trabalhadores.

Fundada em 1910, a CNT tinha uma clara predominância em Felguera, que havia se tornado um dos principais centros de disseminação anarquista nas Astúrias. Durante todo o regime de Franco, a CNT esteve ativa sem interrupção na área, participando da maioria dos acordos firmados na época. Figuras como Higinio Carrocera, ligadas ao seu aprendizado em La Justicia, tornaram-se importantes. Nascido em Barros, operário dos laminadores da fábrica Duro Felguera e sindicalista a favor da ação direta, o chamado “herói de El Mazucu” continua a inspirar o movimento libertário até hoje. O mesmo acontece com Aquilino Moral, um trabalhador que começou a lutar em 1915 e não parou até seus últimos dias, em 1979. Suas memórias fornecem uma visão da evolução do movimento libertário nas Astúrias desde os primeiros anos da fundação da CNT. Foi nas instalações que ele mesmo dirigiu no bairro de La Pomar que as reuniões foram realizadas abertamente a partir de 1975, instalações que hoje abrigam La Xusticia.

Após seu fechamento em meados da década de 1990, houve várias tentativas de recuperar o centro em La Felguera, embora nenhuma delas tenha sido bem-sucedida. Somente em 2016 o sindicato recuperou suas atividades graças à contribuição da família de Aquilino. Carlos Tejón, ativista da CNT, explica como eles progrediram gradualmente na reconstrução das instalações que antes abrigavam a organização: “Em 2016, quando retomamos a atividade por meio do sindicato, conversamos com Manuel, neto de Aquilino, que nos cedeu gratuitamente o andar térreo (onde ficavam as instalações)”. Dessa forma, eles contribuiriam de alguma maneira para dar continuidade ao legado do avô. “Trabalhamos lá até este ano, quando conseguimos comprar o primeiro andar e o térreo, com condições muito boas, porque eles sabiam o que Aquilino queria”. Agora as instalações, em nome do sindicato, abrigam a sede da CNT e o centro social La Xusticia.

O Centru Social Autoxestionáu La Xusticia vem recuperando fortemente o espírito do La Justicia, que fundiu sindicalismo e cultura. Apesar das tentativas de destruir esse centro libertário, tentando incendiá-lo em janeiro deste ano, algo que lembra o que aconteceu há 120 anos, eles só conseguiram fortalecer seu sindicato depois de realizar, com espátula e esfregão na mão, uma reforma grande no local. “Muitas pessoas vieram ajudar, limpar, colocar a biblioteca de volta, pintar todo o local… No final, usando as habilidades dos militantes, alguns deles eletricistas, outros encanadores ou carpinteiros, em algumas semanas nós o consertamos e ele ficou quase melhor do que era”, diz Tejón.

É sempre um bom momento para uma inauguração, portanto, em março, após o incêndio, eles reabriram o centro e agora, por ocasião do sétimo aniversário, criaram um dos maiores programas de todos os que já realizaram: “Não pensamos em fazer algo tão grande, mas, no final, todos propuseram algo e chegamos a várias atividades”, ele garante.

Guiados pelos princípios básicos que sempre moveram o povo de La Felguera, “cumprir com o trabalho, ser solidário com os trabalhadores e a emancipação por meio da cultura”, La Xusticia está realizando uma série de dias repletos de assembleias e reivindicações. Entre elas, este ano optaram por compensar os atos com uma maior presença de mulheres, algo que a assembleia considerou “importante e que tinha de ser demonstrado”. Outras questões importantes que foram tratadas e continuarão a ser tratadas até 11 de maio, o último dia do programa, são a luta do SAD; a questão bem conhecida, mas não reivindicada, da luta de Duro Felguera; apresentações de pessoas proeminentes e a exposição “Nun llores llucha”, entre outras coisas. Todas essas atividades foram realizadas na CSA La Xusticia, com exceção de uma realizada em La Llocura (Mieres). “Decidimos realizar um evento em La Llocura para reivindicar as bacias de mineração e apresentar um livro que resultou das conferências que promovemos em La Xusticia e que nós mesmos editamos por meio de uma editora relacionada”, ressalta Tejón.

A cultura, que sempre fez parte do movimento revolucionário em La Felguera, andou de mãos dadas com esse centro social, onde sempre ficou claro para eles que “a única maneira de se emancipar era por meio do conhecimento e da autoeducação. Ser educado em valores diferentes do sistema e ser capaz de pensar por si mesmo para ter habilidades de pensamento crítico que só podem ser atraídas por meio do conhecimento e da cultura”, acrescenta. É por isso que todo ano eles decidem organizar várias atividades para marcar o aniversário.

Quanto à organização do centro, enquanto o sindicato se encarrega da parte trabalhista, o centro social se encarrega do restante do processo: “há um grupo de consumidores, onde são distribuídas cestas de verduras orgânicas e encomendamos produtos em primeira mão, por exemplo, agora estamos com produtos do SAD, que é solidário com nossas companheiras; também grupos de montanha, uma grande biblioteca, etc.”, garante.

Afinal, recuperando e evoluindo a partir daquele primeiro Justicia, e como todos os centros anarquistas que abriram na Espanha naquela época, a atividade sindical estava intimamente relacionada à promoção da cultura. É por isso que esse centro libertário abraçou tudo relacionado a atividades culturais, acima de tudo, uma cultura alternativa crítica do sistema que permitiria que os trabalhadores fossem informados e treinados para poder enfrentar os abusos do sistema. Dessa forma, se há algo que caracterizou o La Justiça anterior e foi implantado na atual Xusticia, é a biblioteca que ela possui e graças à qual “La Felguera podia se orgulhar, no primeiro terço do século XX, de ser um dos lugares na Espanha com mais assinantes da imprensa confederal e anarquista”.

Localizado na Rua Valentín Ochoa, 5, esse centro social autogerido reúne “a atual geração libertária que assumiu o lugar daqueles primeiros trabalhadores que, em sua época, criaram o Centro Obrero La Justicia, reivindicando sua memória e sua luta no século XXI” sob o slogan “Si nun hai Xusticia, que nun atopen paz” (Se não há justiça, que não haja paz).

Fonte: https://www.nortes.me/2023/04/22/la-xusticia-celebra-siete-anos-reinventando-la-tradicion-libertaria-de-la-cuenca-del-nalon/?utm_campaign=twitter

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

sol e margaridas
conversa clara
na janela da sala

Alonso Alvarez

[EUA] Bash Back! Convergência Internacional 2023

Em 2008, anarquistas queer se reuniram em Chicago para planejar uma ruptura do espetáculo eleitoral e unir uma rede de equipes de jovens emergentes em várias cidades. Quinze anos depois, as propostas apresentadas então — criminalidade, autodefesa autônoma, tumultos e orgias — são mais necessárias do que nunca.

Os anos intermediários foram marcados pela intensificação — da crise, da alienação, da perda e da luta. A direita não se esconde mais atrás de eufemismos: eles querem exterminar pessoas trans e queer. A esquerda oferece apenas falsas soluções: votar, doar, assimilar. Uma década de representação, vitórias legais simbólicas, ativismo nas mídias sociais e saturação do mercado de massa nos deixou em pior situação por todas as métricas. Nossos amigos não nos salvarão das consequências de sua estratégia de visibilidade vazia. A conclusão inevitável é que devemos nos unir para nos proteger.

A história confirma o legado queer de construir conexões em um mundo que nos odeia, o legado de alegria desenfreada – o legado de revidar. Os ataques continuarão em nossas casas noturnas, florestas, horas de história e irmãos. Para aguentar, precisamos de espaços – subterrâneos, se necessário – para reencontrar uns aos outros, espaços para lembrar, construir, compartilhar e conspirar.

Neste espírito, estamos em êxtase em anunciar o retorno da convergência do Bash Back!

Quinze anos após a reunião original, Chicago sediará a convergência de 2023 de 8 a 11 de setembro. Camaradas, antigos e novos, são convidados a discutir o que ainda é vital no passado e o que é necessário no presente. De acordo com a tradição, a convergência incluirá apresentações, workshops, distros, festas e outras oportunidades para causar problemas.

Se você estiver interessado em participar, especialmente se você gostaria de propor programação ou apresentação, por favor envie uma introdução para bashback2023@riseup.net.

Todas as propostas devem ser entregues até 20 de junho.

https://bashback.info/

Tradução > abobrinha

agência de notícias anarquistas-ana

Velha lagoa
um sapo mergulha
barulho d’água.

Matsuo Bashô

[Argentina] Lançamento: “O que é música anarquista?”

Esta não é uma lista de músicos e canções que de alguma forma se qualificam como “anarquistas”, mas uma busca para pensar sobre a relação entre a cultura e, especificamente, a música com o anarquismo e o meio anarquista.

Ao indagar sobre as diferentes formas de produção, distribuição e conteúdo estético e político, “O que é música anarquista?” consegue iniciar um debate para repensar o lugar da contracultura, do Do it Yourself e da recuperação capitalista de diferentes formas radicais de arte e comunicação.

Ao fazer uma distinção necessária entre “contracultura” e “culturas de resistência ou oposição”, acreditamos que os argumentos apresentados aqui são mais do que transcendentais para questionar nossas maneiras de nos relacionarmos com a música, a anarquia e as possibilidades de entender a relação arte-revolução.

Qué es la música anarquista

1ª edição.

Janeiro de 2023.

116 páginas.

$1.200,00

expandiendolarevuelta.empretienda.com.ar

agência de notícias anarquistas-ana

tocar sobre teu corpo
ao silêncio das estrelas
um acorde de guitarra

Lisa Carducci

Apoie a mídia revolucionária lutando na Rússia

“Ação Autônoma” é uma organização anarquista fundada em 2002. Nosso objetivo é lançar as bases para uma nova cultura construída com auto-organização e livre de todas as formas de opressão. Atualmente estamos trabalhando para reconstruir o movimento antiautoritário e anarquista na Rússia após um período de estagnação.

Devido à repressão sem precedentes, à realocação de parte da equipe e à nossa consistente postura anti-guerra, a atividade pública da Ação Autônoma não é possível na Rússia no momento.

É por isso que estamos focando no trabalho de mídia: desenvolvendo uma página na web, um canal no Telegram, um boletim semanal na Internet e um podcast semanal. Além disso, preparamos livros para publicação e produzimos materiais de propaganda.

“Ação Autônoma” divulga ações e iniciativas anarquistas na Rússia, protesto social e anti-guerra. Para continuar o que já estamos fazendo e melhorar nosso trabalho, precisamos muito da sua ajuda.

Você pode nos apoiar diretamente via PayPal adm@avtonom.org ou carteiras criptográficas:

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avtonom.org

Tradução > Contrafatual

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As flores na árvore
Esperam de branco
O fruto

Eugénia Tabosa

[Espanha] Carlos Taibo apresenta seu livro “Ecofascismo. Una introducción” na sede da CNT Oviedo

Carlos Taibo apresenta pela primeira vez em Astúrias seu livro “Ecofascismo. Una introducción”, em 9 de maio de 2023 às 20h na Sede do Sindicato CNT.

O ecofascismo é uma aposta em virtude da qual algumas das classes dirigentes do globo lançaram mão da tarefa de preservar para uma minoria recursos visivelmente escassos. E a de dar margem, na versão mais suave, e exterminar, na mais dura, o que se entende que seriam populações excedentes em um planeta que teria rompido visivelmente seus limites. Nessa perspectiva, o ecofascismo não seria um projeto negacionista vinculado com circuitos marginais da extrema direita, mas que surgiria, ao contrário, no seio dos principais poderes políticos e econômicos. O ecofascismo lançaria suas raízes, de outra forma, em muitas das manifestações do colonialismo e do imperialismo de sempre. Em mais de um sentido o ecofascismo seria, enfim, uma forma de colapso.

Carlos (1956) foi professor de Ciência Política e da Administração na Universidade Autônoma de Madrid até 2018. Tem sido um dos mais firmes defensores da teoria do decrescimento em nosso país, assim como uma das vozes mais reconhecidas no movimento anarquista e libertário. Publicou mais de 30 livros sobre política, geopolítica ou movimentos sociais.

Fonte: https://oviedo.cnt.es/index.php/2023/05/01/carlos-taibo-presenta-su-livro-ecofascismo-una-introduccion-20h-9-5-sede-cnt-oviedo/

Tradução > Sol de Abril

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Quase escondida
entre a casca e o tronco
teia de aranha.

Rodrigo de Almeida Siqueira

[Grécia] Vamos acabar com o mundo do poder

Mais uma vez, as eleições se aproximam. Líderes partidários, jornalistas, televangelistas, estão convocando para participarmos das eleições. Eles estão nos chamando para votar pelo fortalecimento da democracia, pelo aumento de salários, por mais policiais, pela punição do sistema político, etc. A variedade de argumentos é enorme, mas o comum é que a liderança de qualquer partido, mesmo que vença as eleições, tomará todas as decisões pela vida dos “de baixo” e controlará o Estado.

Cada governo e cada Estado historicamente tem usado táticas e estratégias diferentes, mas acabam com o mesmo objetivo, fortalecer os patrões e a exploração, o racismo, o nacionalismo e o patriarcado, segundo a doutrina de “dividir para conquistar”, com o objetivo de haver a divisão entre os oprimidos. Nos últimos 10 anos na Grécia, governos de direita, de esquerda, de centro, governos de coalizão partidária, governos de “salvação nacional” prometeram um mundo melhor. Mas nada mudou profundamente, porque o Estado garante a continuidade e a manutenção de todas as formas de poder. Isso é feito por uma série de mecanismos ideológicos e repressivos como a polícia, as prisões, os tribunais, os militares, a igreja, a mídia, a escola, a família, etc.

Se aceitarmos que deve haver um governante e governados, o mundo podre de hoje será perpetuado e as decisões serão tomadas por alguns especialistas políticos. Por meio da delegação, você dá aos soberanos um cheque em branco para definir todos os aspectos de nossas vidas. Seguindo a lógica da delegação, ao invés de sair na rua para lutar, sugerem que votemos em algum salvador que nos prometa umas migalhas a mais. Vejamos como (supostamente) nos acomodaremos esquecendo que enquanto o Estado, o poder e a exploração continuarem existindo, bilhões de oprimidos vivem e morrem, na pobreza absoluta, numa tortura diária. Um cotidiano que é captado da forma mais chocante nos campos de concentração de migrantes na Grécia, nas prisões do Irã, nas favelas do Brasil, nos bazares infantis na Tailândia, nos guetos de Paris e nas minas de carvão da África do Sul.

Um argumento frequente é que o mundo não muda, então devemos olhar de forma realista para como vamos sobreviver no presente. Infelizmente, esse argumento muitas vezes pega e as possibilidades de assimilação por meio de eleições são uma arma muito poderosa do regime democrático. A participação nas eleições com a lógica do voto no “mal menor” foi a principal causa de derrota, tanto imediata quanto a longo prazo, de muitas lutas e movimentos. Marca a retirada do caminho de setores significativos dos lutadores, o abandono de qualquer perspectiva libertadora, pela delegação e busca de soluções de governança dentro do sistema.

As armadilhas da democracia podem ser superadas. A erosão das consciências dos oprimidos pelos mecanismos ideológicos do Estado é reversível e a super arma do Estado pode ser derrotada. O caminho que leva a uma sociedade libertária é difícil, mas permanece aberto. Quando os oprimidos e explorados deste mundo acreditarem em seus poderes, tudo será possível.

Lutemos sem líderes e seguidores. Com fé em nossa própria força contra todas as formas de poder e exploração. Vamos estender nossas lutas desde a sabotagem da guerra e dos militares, até o conflito com a polícia e a violência cotidiana do patriarcado e do racismo. Da oposição à tortura do encarceramento nas celas da democracia, à pilhagem da natureza e dos animais não humanos. O confronto com pequenos e grandes patrões, promovendo a solidariedade nas lutas que ocorrem em todo o planeta. Com o objetivo de unir as lutas individuais na perspectiva da ruptura global com o existente: a revolução social e de classes. Para abrir caminho para a anarquia. Uma sociedade livre e igualitária que se espalha por todo o planeta.

“Nós, anarquistas, não queremos libertar as pessoas, queremos que as pessoas libertem a si mesmas” – Malatesta

Nem o fascismo nem a democracia, anti-Estado lutando pela anarquia

Coletivo Anarquista Acte

acte@riseup.net/acte.espivblogs.net

agência de notícias anarquistas-na

dia de sol –
até o canto do passarinho
tem cor

Jandira Mingarelli

[Itália] Reivindicação de ataque incendiário contra dois carros da Polícia Ferroviária

RIMINI, ATAQUE INCENDIÁRIO CONTRA DUAS VIATURAS DA POLÍCIA FERROVIÁRIA

Por volta das 5h00 do dia 20/04/2023, pequenos dispositivos incendiários foram colocados em dois carros da polícia ferroviária estacionados na estação de Rimini.

Este ataque pretende reiterar que a ação direta sem mediação contra o Estado e o capital é possível e necessária.

Optou-se por atacar com fogo a Polícia Ferroviária, miserável apêndice da Polícia Estadual, incumbida da famigerada tarefa de zelar pela segurança no âmbito ferroviário. Seu papel como guardiões das chamadas fronteiras do Estado era mais um motivo para visitá-los bem à sua porta. De fato, o constante monitoramento que a polícia ferroviária faz de “supostos” indocumentados é um sério obstáculo para quem quer circular livremente.

Saudações calorosas e de cumplicidade aos que atearam fogo a uma van da polícia em La Paz, Bolívia, como se afirmou na denúncia do ataque “que todos os esforços da luta anarquista vivam!”

Esta ação é solidária com Mónica e Francisco, que em breve serão julgados por vários ataques explosivos em Santiago, Chile. Ao camarada Alfredo Cospito, que recentemente interrompeu uma greve de fome de 6 meses contra o 41 bis e prisão hostil. Vamos camaradas, a luta continua.

A Anna, Juan, Aldo, Lucas, Ivan, Zac e a todos os prisioneiros anarquistas e revolucionários encarcerados em prisões ao redor do mundo.

Um pensamento em solidariedade a Nadia Desdemona Lioce, Roberto Morandi e Marco Mezzasalma, 17 anos submetidos ao regime 41 bis.

Pela libertação total do existente.

Morte ao estado,

para A Anarquia

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

No perfume das flores de ameixa,
O sol de súbito surge –
Ah, o caminho da montanha!

Matsuo Bashô

[Chile] Novidade musical: “Cancionero revolucionario & La Lira Libertaria: A Efraín Plaza Olmedo”

Apresentamos o projeto recopilatório: “Cancionero Revolucionario”, um resgate histórico-musical de antigas canções anarquistas da região chilena, entre 1910 e 1925.

O single que abre a coletânea é dedicado ao companheiro Efraín Plaza Olmedo, a 98 anos de ser encontrado sem vida com um tiro nas temporas. A versão por parte do oficialismo da época foi o suicídio, mas o movimento tinha claro que era uma mentira.

Dedicada também a Macarena Valdés e Alejandro Castro, companheiros caídos sob a mesma prática, estendida lamentavelmente por toda América Latina para os lutadores sociais e ambientalistas.

Atentos que o “Cancionero Revolucionario” seguirá lançando bombas musicais para aportar à memória anárquica destas terras.

Já disponível nas principais plataformas digitais: https://onerpm.link/256933497764

Voz e recopilação: La Lira Libertaria

Cordas e acordeom: @nn.nicolai

Guitarrón mexicano: @e.r.bo

Trompeta: @carlo.trp

Gravado, Mixado e masterizado por: Esqueje Discos

Arte gráfica: Memoria y Revuelta

Distribuição digital: Sello Dale Aborigen

agência de notícias anarquistas-ana

Salpicados de sons
Silêncio em suspenso:
Grilos e estrelas.

Marcos Masao Hoshino

[Espanha] Encontro de editoras libertárias em Burgos

A partir de quinta-feira, 4 maio às 20h00 até o sábado, 6 maio às 20h00 na Biblioteca La Maldita

A Biblioteca La Maldita de Burgos organizará umas jornadas para refletir sobre a cultura anarquista e sua relação com o mundo do livro. Entre as diferentes atividades programadas se encontra uma mesa redonda que contará com Descontrol Ed., Piedra Papel Libros e La Neurosis o Las Barricadas Ed. para compartilhar sua experiência no mundo da edição libertária e seus arredores. Dita mesa redonda terá lugar no sábado 6 de maio às 18h. Os recordamos que La Maldita está na Calle Pablo Casals 17 (no burgalês bairro de Gamonal). Para conhecer mais detalhes sobre ditas jornadas, é só dar uma olhada no cartaz em destaque.

Biblioteca La Maldita (C. Pablo Casals 17- Bairro de Gamonal)

agência de notícias anarquistas-ana

Ah! claro silêncio do campo,
marchetado de faiscantes
pigmentos de sons!

Yeda Prates Bernis

[São Paulo-SP] “Quebrando o Cistema: discutindo a cisnormatividade por uma ótica anarquista”

Quando? Sábado, 06/05 (16h-18h) – abrimos às 15h30 | Onde? Sede do Centro de Cultura Social de SP (Rua Gal. Jardim, 253, sl. 22, Vila Buarque – São Paulo) | Teremos intérprete de Libras.

Orientações de Convivência

Tanto a filosofia quanto a prática do grupo estão orientadas pelos princípios do anarquismo, ou seja, autogestão, autonomia, cooperação, solidariedade, liberdade, igualdade, responsabilidade, internacionalismo, anticapacitismo, anticapitalismo e não partidarismo.

Tendo isso em consideração, pedimos gentilmente que siga as seguintes orientações para um melhor aproveitamento do encontro:

  • Atente-se ao foco do assunto em pauta, procure não desviar tanto do recorte proposto para o encontro.
  • Solicitamos o cuidado de não empregar termos e expressões capacitistas.
  • Busque falar de modo sucinto e objetivo, para que haja tempo de todas as pessoas que queiram se expressar tenham a oportunidade.
  • Levante a mão quando quiser falar, as facilitadoras do encontro irão buscar organizar as falas buscando equilibrar o tempo de fala entre todas as pessoas participantes.
  • Se quiser e puder, traga algo para um lanche coletivo, de preferência vegano ou vegetariano. Faremos café!

Evento aberto, gratuito, não necessita de inscrição, basta comparecer. Sugerimos acessar o material indicado abaixo para embasar a conversa.

Material (Textos):

  • Pensando a cisgeneridade como crítica decolonial, de Viviane Vergueiro
  • A história racista do binarismo de sexo, de Alok Vaid-Menon

agência de notícias anarquistas-ana

entre os vinte cimos nevados
nada movia a não ser
o olho do pássaro preto

Wallace Stevens

[Espanha] A CIA espionou os anarquistas e comunistas espanhóis durante o franquismo

Os serviços secretos dos EUA realizaram um monitoramento detalhado das reuniões e ações dos membros da CNT e do PCE. As tarefas de controle se estenderam pelo menos até os primeiros anos da Transição e também foram direcionadas contra a CCOO.

Por Danilo Albin | 29/04/2023

A longa noite franquista estava sob os olhos da CIA. Enquanto a ditadura torturava e fuzilava militantes políticos, os serviços de inteligência dos EUA colocavam seu radar nas atividades do sindicato CNT e do Partido Comunista, dentro e fora da Espanha.

Como o [jornal] Público pôde verificar por meio de vários documentos da CIA parcialmente desclassificados, a CIA produziu vários relatórios sobre as reuniões e conversas realizadas por grupos anarquistas e comunistas, todos eles proscritos e perseguidos até a morte pela ditadura.

Os relatórios compilados por este jornal têm, em vários casos, trechos ocultos, o que torna impossível conhecer seu conteúdo integral. Esse é o caso, inclusive, de documentos que datam da década de 1940.

Em um desses relatórios, elaborado em fevereiro de 1947, a CIA revela que havia monitorado uma conversa entre líderes exilados do POUM e membros da liderança da CNT. A agência de inteligência alegou que o sindicato havia empreendido a “reorganização” de “ações terroristas”.

Seus informantes na Espanha também disseram que os “esquadrões” da organização anarcossindicalista haviam assumido o controle dos “grupos guerrilheiros nas áreas da Galícia, Astúrias e Catalunha”, e até mesmo afirmaram que ela havia “colocado especialistas em sabotagem em várias fábricas”.

Algumas semanas antes, outro relatório já havia alertado Washington de que “o proletariado espanhol pertence às duas grandes organizações sindicais: a CNT, de tendência anarquista, e a UGT, de tendência socialista”.

“Atos de violência”

No entanto, o Partido Comunista também estava entre suas grandes obsessões quando se tratava de realizar ações de acompanhamento no país. “Os comunistas e simpatizantes do comunismo estão preparados para realizar atos de violência na Espanha, embora não tenham ilusões quanto aos resultados de tais ações. Eles acreditam que movimentos grevistas, explosões e sabotagem confirmarão a existência de elementos comunistas ativos na Espanha”, declarou um agente da CIA em um documento enviado aos EUA em 23 de janeiro de 1947.

Nesse e em outros relatórios, a agência de inteligência dos EUA descreveu a estrutura do PCE em detalhes: nesses documentos, os agentes deram os nomes daqueles que realizaram várias atividades nos órgãos clandestinos do partido.

Paraquedas com armas comunistas

Em janeiro de 1949, a CIA foi ainda mais longe e afirmou que os líderes do Partido Comunista estavam supostamente preparando uma “primavera” cheia de ações, embora “a dificuldade de obter armamentos” fosse sua “principal preocupação”. “Eles têm um grande depósito de armamentos na Itália e têm estudado possíveis maneiras de lançar esses suprimentos na Espanha”, disse ele em outro parágrafo.

Em outro documento datado de 18 de junho de 1949, que também tem vários parágrafos censurados, os agentes da CIA na Espanha e na França detalharam as atividades realizadas pelas “facções” da CNT tanto em Toulouse quanto nesse lado da fronteira. Ele até mesmo forneceu números sobre o número de militantes da CNT e da Federação Ibérica da Juventude Libertária em ambos os países na época: cerca de 15.000 na França e outros 30.000 na Espanha.

A espionagem americana contra a resistência antifranquista não cessou. Em julho de 1951, informantes da agência dos EUA afirmaram que, embora “o exército espanhol e as forças de segurança tenham sido capazes de lidar com a atividade de guerrilha comunista até agora, os grupos comunistas existentes poderiam, em caso de guerra, aumentar com cerca de 100.000 simpatizantes e alguns dos membros mais fervorosos das organizações sindicais clandestinas”.

“Com o grupo mais eficientemente organizado e os grupos guerrilheiros mais bem disciplinados da Espanha, o PCE poderia fornecer quadros prontos para uma expansão imediata das atividades de sabotagem”, argumentou a agência.

Espionagem sobre La Pasionaria

Em outubro de 1959, a CIA produziu um documento ultrassecreto que revelava o conteúdo de uma reunião em Moscou entre a líder comunista espanhola Dolores Ibarruri, La Pasionaria, e um representante do Partido Comunista dos EUA.

“Dada a natureza extremamente sensível de algumas das fontes de informação, solicita-se que o conteúdo desta comunicação seja tratado com o máximo de segurança e que seu uso seja restrito ao estritamente necessário”, dizia uma nota que acompanhava o relatório, endereçada a Allen W. Dulles, então diretor da CIA.

De acordo com o documento, Ibarruri declarou naquela reunião na capital russa que “as circunstâncias e condições atuais na Espanha são tais que, quando o PCE faz uma proposta, as pessoas ouvem e acreditam nos comunistas porque os comunistas são conhecidos como um partido de luta. Por outro lado, se o Partido Socialista tentasse fazer propostas semelhantes, as pessoas as rejeitariam porque desconfiariam dos motivos dos socialistas”.

Preocupação com o CCOO

O rígido controle sobre as atividades dos comunistas espanhóis continuou pelo menos até os primeiros anos da Transição, já sob governos democráticos em Madri. Isso é demonstrado por um relatório produzido em dezembro de 1953 pelo Escritório de Análise Europeia da CIA sobre “o papel comunista no sindicalismo no sul da Europa”.

Os autores do documento observaram que “os sindicatos na Espanha sob Franco” eram caracterizados como organizações “patrocinadas” pela ditadura. Nesse sentido, eles destacam que, “ao permitir que apenas grupos oficialmente aprovados participassem de sindicatos”, o regime de Franco “buscou controlar o trabalho e destruir a capacidade dos comunistas e de outros oponentes de influenciar as políticas trabalhistas”.

O relatório prossegue observando que “as organizações comunistas formaram clandestinamente Comisiones Obreras (CCOO) dentro dos sindicatos para servir como centros de treinamento e recrutamento”. “A reputação adquirida pelos comunistas como apoiadores das reivindicações dos trabalhadores lhes foi muito útil após o estabelecimento de sindicatos livres em 1977”, acrescenta o documento.

De acordo com seus dados, a CIA afirmou, na época, que os “pró-soviéticos” constituíam “minorias” tanto no PCE quanto no CCOO, mas eram “proporcionalmente mais fortes” no centro sindical. Esse documento, que descreve as atividades do sindicato, contém vários parágrafos censurados.

Fonte: https://www.publico.es/politica/cia-espio-anarquistas-comunistas-espanoles-franquismo.html

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Neblina? ou vidraça
que o quente alento da gente,
que olha a rua, embaça?

Guilherme de Almeida