[Galiza] A Feira do Livro Anarquista, uma oportunidade para “falar de cultura libertária”.

A segunda edição da Feira do Livro Anarquista, organizada pelo coletivo Refuxios da Memória e pela editora Bastiana, chega a partir desta sexta-feira até domingo na rua Boquete de San Andrés, em A Coruña.

A segunda edição da Feira do Livro Anarquista, organizada pelo coletivo Refuxios da Memória e pela editora Bastiana, chega a partir desta sexta-feira até domingo à rua Boquete de San Andrés, na Coruña, como uma oportunidade para “falar de cultura libertária”.

Daniel Palleiro, um dos organizadores e membro da Refuxios da Memória, explicou à EFE que o objetivo desta segunda edição da feira é “falar sobre livros e cultura libertária” e também servir como um “encontro cultural” para leitores e editores.

O tema principal do evento é o ecologismo libertário, um assunto “interessante”, segundo Palleiro, que nos permitirá mergulhar nas “lutas rurais contra o macroeolianismo a partir de uma perspectiva libertária”, além da questão “legal ou política”, com base nos princípios de igualdade, liberdade e apoio mútuo.

A feira começa nesta sexta-feira, 8 de setembro, com uma visita guiada ao Orzán, por aquelas ruas que, desde o final do século XIX até 1936, estiveram “intimamente ligadas ao movimento anarquista”, já que “as principais sedes dos sindicatos anarquistas, editoras e muitos jornais” estavam localizadas ali, razão pela qual Palleiro indicou que “não é coincidência” que o evento ocorra nesse espaço.

Além disso, a data coincide com o dia da constituição em A Coruña, em 1907, da Unión Campesina, “a primeira organização revolucionária agrária promovida pelo anarquismo galego” que buscava “estender as lutas do proletariado a contextos não urbanos”, lembrou.

Durante o sábado e o domingo, haverá apresentações de livros, palestras, debates e outras atividades sobre anarquismo que ocorrerão em locais como El Siglo, Ama, A Cova Céltica ou o Circo de Artesanos.

Os participantes poderão refletir e debater sobre a crise do sistema capitalista e suas consequências, bem como “analisar os processos de resistência e autodefesa que estão ocorrendo em diferentes territórios e as soluções alternativas para o cenário de colapso eco-social”, explica a organização.

Mais de 30 coletivos, em sua maioria editoras, participarão da Feira do Livro Anarquista, que contará com a presença de portugueses e italianos, e que exibirá publicações e fanzines nas bancas localizadas na rua Boquete de San Andrés.

“É uma oportunidade para conseguir livros que são difíceis de encontrar nas livrarias habituais”, disse Daniel Palleiro, que espera que este encontro sirva também para “criar uma rede e um espaço” para os anarquistas e que este “não seja um evento isolado”, mas que possam trabalhar juntos constantemente.

O Refuxios da Memória está buscando todas as pessoas “interessadas no anarquismo e na memória libertária” para que se unam e continuem criando iniciativas como essa.

Para finalizar, no domingo, 10 de setembro, será lançado o livro “Anarquia Natural. Teoria e prática do naturalismo libertário no Estado Espanhol”, coincidindo com o 98º aniversário da celebração, em 1925, do Segundo Congresso Naturista do Estado Espanhol.

“Ficamos felizes com a data e quisemos aproveitá-la”, disse ele, repetindo que este não é apenas um fim de semana “para consumir cultura”, mas também para “criar uma rede”.

Fonte: https://cadenaser.com/galicia/2023/09/07/la-feria-del-libro-anarquista-una-oportunidad-para-hablar-de-cultura-libertaria-radio-coruna/

agência de notícias anarquistas-ana

Haicai
é um poema
minimalista!

Reinaldo Cozer

[Itália] Férias inteligentes. Os encontros internacionais do anarquismo.

Um dos mais importantes encontros internacionais anarquistas dos últimos anos, os Rencontres Internationales Antiautoritaires (RIA) “Anarchy 2023”, realizou-se este verão em Saint-Imier, na Suíça, de 19 a 23 de julho. Milhares de pessoas de diferentes continentes participaram, embora uma parte significativa tenha vindo da Europa francófona e germanófona. Enquanto Federação Anarquista Italiana, tomamos parte no processo de organização desde 2020 e participamos com uma grande delegação, contribuindo ativamente através da proposta de debates, da montagem de uma exposição e da manutenção de um stand para as edições semanais Umanità Nova e Zero in Condotta na feira do livro.

Este encontro celebrou 150 anos mais um (o evento foi de fato adiado devido à pandemia) desde o congresso que teve lugar nesta pequena aldeia do Jura Bernês a 15 e 16 de setembro de 1872, e que ficou na história como o nascimento do movimento anarquista organizado. Foi então que a corrente antiautoritária do movimento operário e revolucionário definiu coletivamente, pela primeira vez, os seus princípios. Em torno da questão da tomada do poder político tinha-se desenvolvido uma profunda fratura na Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), mais conhecida como a Primeira Internacional. No Congresso realizado em Haia, de 2 a 7 de setembro de 1872, Marx aproveitou a ilegalização da seção francesa – a maior – na sequência da Comuna de Paris, para transformar as seções nacionais da Internacional em partidos com o objetivo de participar nas eleições. O Congresso de Saint-Imier foi uma consequência desta cisão, e na declaração “a destruição de todo o poder político é o primeiro dever do proletariado” está sintetizada a posição das seções antiautoritárias do Jura, italiana, espanhola, francesa e americana da AIT, que, nessa ocasião, lançaram uma experiência organizativa em continuidade com a via internacionalista que acabara de se cindir.

Não se tratou, no entanto, de um encontro comemorativo, tendo havido apenas uma conferência sobre os antecedentes históricos do Congresso de 1872. Desde o início, de fato, a tônica foi colocada na atualidade das práticas e ideias anarquistas. Esta foi uma escolha clara do comitê organizador, formado em 2020 a pedido de expoentes do movimento anarquista e libertário local, com a participação da Federação Anarquista Francófona e da Federação Anarquista Italiana.

Realizaram-se mais de 400 debates, apresentações, conferências e workshops, dezenas de projeções de filmes, bem como concertos, espetáculos de teatro, performances, exposições e uma feira do livro com mais de 100 expositores. Para além das ruas e praças, as atividades decorreram em 12 espaços diferentes espalhados pelo país de pouco mais de 5.000 habitantes. Vários coletivos de cozinha móvel montaram duas grandes cozinhas e prepararam o café da manhã, o almoço e o jantar para os participantes, tendo sido distribuídas mais de 5000 refeições só no sábado à noite.

Já em 2012, uma reunião semelhante foi realizada em Saint-Imier, com cerca de 4.000 participantes. Nessa ocasião, a participação não europeia foi certamente maior e mais representativa, especialmente da América Latina. O papel das organizações, federações, sindicatos, redes internacionais e grupos anarquistas também foi maior, enquanto desta vez grandes partes do movimento anarquista organizado não estavam formalmente presentes, deixando mais espaço para a espontaneidade e a participação individual. Provavelmente, este fato tornou a reunião de 2023 menos representativa da realidade plural do movimento anarquista organizado a nível global. É claro que em 2012 havia também um contexto diferente marcado por movimentos que, tanto nas margens do Mediterrâneo como no outro lado do Atlântico, viram a participação, embora de formas diferentes, do movimento anarquista.

No entanto, esta foi também, em parte, uma escolha precisa do comitê organizador, que desde o início preferiu abrir o encontro o mais possível à participação espontânea. Com efeito, qualquer pessoa podia propor debates e atividades através de uma plataforma online, e nenhuma apresentação foi planejada diretamente pelo comitê organizador, que apenas funcionou como filtro e infraestrutura. Não faltam limitações a esta fórmula. Nas semanas que antecederam os RIAs, foram feitas duras críticas à presença de oradores mais próximos de posições “liberais” ou “conspirativas”. Por isso, o programa foi revisto e algumas iniciativas claramente afastadas do movimento anarquista foram canceladas. O problema, no entanto, não é técnico, é político. A falta de participação de organizações capazes de trazer contributos coletivos para o debate do movimento fez-se sentir, mesmo na fragilidade da base política do próprio evento.

De qualquer forma, quem leu o programa do “Anarchy 2023” pode identificar as questões em torno das quais se desenvolve hoje a atividade do movimento anarquista, questões que são centrais na realidade atual. A guerra, o ressurgimento dos regimes autoritários e das ditaduras militares, o regresso do fascismo sob diversas formas, o clima, a atividade sindical, a exploração capitalista, as lutas feministas e queer, as políticas racistas e de encerramento de fronteiras, são abordados em debates, workshops e conferências sob diferentes perspectivas. Provavelmente as iniciativas mais interessantes foram as apresentações de realidades mais distantes do contexto europeu em que o encontro se realizou. É o caso das atividades propostas pelos grupos do Brasil, Chile, Peru, Filipinas, Irão e Turquia, que trouxeram um contributo significativo de experiências e novas perspectivas, permitindo-nos alargar o nosso olhar e tentar sair de uma visão eurocêntrica.

Enquanto Federação Anarquista Italiana, demos um contributo específico para as questões do antimilitarismo e do fascismo. Grupos federados e indivíduos também promoveram e participaram em várias apresentações e conferências. Além disso, a FAI, juntamente com a FAO da Eslovénia e da Croácia e a APO da Grécia, federações da IFA ativas ao longo das fronteiras europeias mais sangrentas, exibiram uma faixa contra a Fortaleza Europa. O seminário antimilitarista estendeu-se por três dias distintos, em três locais diferentes. Na quinta-feira, dia 20, realizou-se o primeiro encontro na sala principal, que estava quase cheia, onde apresentamos sobretudo as nossas posições sobre o conceito de antimilitarismo anarquista e as suas práticas, sobre a guerra na Europa de Leste e com exemplos de lutas em que estamos envolvidos, desde o Movimento No Base de Pisa até às greves gerais contra a guerra organizadas pelo sindicalismo de base. Nos dois dias seguintes, os encontros decorreram em locais menos oficiais, o que permitiu uma maior interação e debates com camaradas de diferentes países sobre as práticas de luta. Não faltaram momentos de contradição, com intervenções críticas que abriram o debate sobre as diferentes posições relativamente à situação na Ucrânia. No entanto, este ciclo de iniciativas teve um resultado concreto. Do encontro com indivíduos e grupos antimilitaristas de diferentes partes do mundo, foi lançada a ideia de uma iniciativa comum a realizar em novembro. No que se refere ao fascismo, tentamos dar um contributo específico para alimentar o debate a nível internacional, tentando definir as características do regime fascista histórico na Itália e as características do governo fascista que se encontra atualmente em Roma. Foi salientado como o atual governo em matéria de guerra, exploração da classe trabalhadora, autoritarismo, racismo, não faz mais do que seguir o caminho já traçado pelos governos anteriores, distinguindo-se pelo seu ataque às mulheres e às subjetividades não binárias, numa tentativa de consolidar a dominação patriarcal. Recordando o empenhamento do movimento anarquista na luta contra o fascismo durante o século passado, foi sublinhada a importância de manter uma perspectiva de transformação social radical, porque só a revolução social pode parar o fascismo. A especificidade da situação italiana suscitou grande interesse e, no final da apresentação, apesar das dificuldades de tradução, abriu-se um debate interessante e animado numa sala cheia, com perguntas e trocas de impressões sobre as respectivas experiências de luta nos diferentes países.

Para além dos muitos aspectos positivos, temos, no entanto, assistido, em algumas ocasiões, à implementação de práticas que não se coadunam com a nossa ética e à difusão de mensagens que nos parecem incompatíveis com os valores e princípios que o movimento anarquista tem vindo a promover desde há 150 anos. Se fazemos estas críticas, não é para polemizar com este ou aquele grupo, mas porque pensamos que não podemos ficar calados perante questões que o movimento anarquista internacional tem de enfrentar para crescer face aos desafios que se lhe colocam.

Referimo-nos à atitude de alguns indivíduos e grupos que tentaram usar o encontro para impor a sua própria linha política, mesmo de forma violenta, identificando algumas organizações históricas do movimento anarquista como nada menos que o “inimigo”. O primeiro caso foi o dos grupos que apoiam os chamados “combatentes antiautoritários” enquadrados no exército estatal ucraniano. Apesar de considerarmos esta opção contrária aos nossos princípios e prática antimilitarista, nunca nos opusemos à sua presença, no espírito de abertura e pluralismo que caracterizou esta edição dos RIAs. O que é grave não é o fato de estes grupos terem procurado obter a máxima visibilidade, mas sim o fato de o terem feito de uma forma incompatível com o que consideramos ser um método libertário.

Estes grupos organizaram alguns workshops e uma conferência no salão principal. Nestas reuniões, a palavra era sistematicamente recusada a todos os que tentavam exprimir críticas ou simplesmente opiniões diferentes. Nas raras ocasiões em que os que exprimiam um ponto de vista diferente do dos organizadores eram autorizados a falar, interrompiam as intervenções mais indesejáveis da “mesa”, ou seja, de uma posição de poder, com o pretexto de que estavam “fora do tema”. Aqueles que tentaram levantar a voz em protesto contra estes métodos foram insultados, deslegitimados e até ameaçados fisicamente. Os camaradas que tentaram intervir no debate de sábado à tarde foram rodeados por indivíduos que faziam parte de uma espécie de “serviço de ordem”, que não tiveram qualquer problema em arrancar os cartazes das mãos de alguns dos camaradas pacifistas que os tinham exibido. Isto parece-nos grave não só porque a censura violenta do debate é uma prática autoritária, mas também porque se trata da privatização de um espaço que foi conquistado coletivamente por aqueles que organizaram a RIA nos últimos anos. Também foi grave que expoentes destes grupos tenham repetido publicamente mentiras contra as organizações anarquistas que se manifestaram contra a guerra, chegando a acusar-nos de “sermos serviçais da propaganda de Putin”. Perante estas calúnias e falsidades só nos resta referir o documento que expressa claramente a posição da FAI, que difundimos amplamente em centenas de exemplares em Saint-Imier¹, e sublinhar que a censura, bem como a denegação e deslegitimação sistemática dos opositores são práticas autoritárias que não devem ter lugar no movimento anarquista.

Por fim, indivíduos não identificados agrediram fisicamente, em várias ocasiões, a banquinha da FA francófona, sob o pretexto de que estavam expostos dois livros que alguns consideravam “islamofóbicos”, rasgando e queimando os livros em questão, agredindo camaradas individualmente e tentando organizar um protesto mais vasto contra FA enquanto tal, acusados ilusoriamente de “racismo”. Embora os debates em curso na França sobre estas questões complexas não possam ser abordados exaustivamente nestas poucas linhas, gostaríamos de sublinhar que nenhuma crítica política pode ser expressa sob formas que façam lembrar os métodos dos piores regimes autoritários contra os quais lutamos. Ao recordar o comunicado de solidariedade com a FA assinado por várias federações da IFA², não podemos deixar de sublinhar que estes ataques têm sido sistematicamente efetuados contra as organizações históricas do movimento anarquista. Além disso, nalgumas destas situações de tensão, tem havido infelizmente falta de mediação por parte dos grupos de trabalho encarregados dessa função.

Acreditamos que o encontro de Saint-Imier, assim como a Feira do Livro Anarquista dos Balcãs, realizada em Liubliana no início de julho, foi de importância crucial para o nosso movimento, uma oportunidade excecional de intercâmbio, revitalização e clarificação para continuar a nossa luta internacionalista, antimilitarista e revolucionária numa fase tão complexa. É também importante sublinhar os limites destes eventos e, sobretudo, rejeitar práticas dogmáticas e sectárias. Embora estes eventos tenham contado com a participação de apenas uma parte do movimento, é evidente que a atualidade dos temas abordados, a vivacidade do debate e a pluralidade de posições são sinais de um dinamismo difícil de encontrar noutras correntes revolucionárias. Mesmo num contexto global muito difícil, o movimento anarquista continua a ter uma influência significativa e pode desempenhar um papel central, cabe-nos a nós mostrar a contribuição crucial que pode dar como prática revolucionária para a causa das classes oprimidas e exploradas em todo o mundo.

Comissão de Relações Internacionais da FAI

27/08/2023

[1] https://www.federazioneanarchica.org/archivio/archivio_2022/20220722manifestonowar_en.html

[2] https://www.federazioneanarchica.org/archivio/archivio_2023/20230808solidarieta.html

Fonte: https://umanitanova.org/vacanze-intelligenti-gli-incontri-internazionali-dellanarchismo/

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Ao pôr do sol,
embebem-se nas árvores
bandos de pardais.

David Rodrigues

A Rússia quer que este jovem anarquista fique na prisão para sempre

O Kremlin quer que Azat Miftakhov e outros presos políticos fiquem atrás das grades para sempre, diz um jornalista russo exilado

Por Yan Shenkman | 05/09/2023

Há alguns meses, recebi uma mensagem de uma conta aleatória de mídia social na Rússia, que me pedia para assinar uma carta aberta em apoio ao prisioneiro político russo Azat Miftakhov.

Eu conhecia o homem por trás da conta, que desde então foi excluída; atualmente, ele está “bem escondido”, tentando ficar completamente fora da rede. Questionei a utilidade de uma carta, mas assinei mesmo assim. Uma pessoa que está segura não tem o direito de recusar aqueles que estão em perigo.

Quando vi a carta publicada no meio de comunicação francês Mediapart dias depois, fiquei sabendo que centenas de outras pessoas também haviam exigido a liberdade de Miftakhov: matemáticos, cientistas, jornalistas, sindicalistas de países como França, EUA e Rússia.

Conheço bem a história de Miftakhov. Em 2019, quando eu ainda estava na Rússia, estava fazendo uma reportagem sobre o caso “The Network” [Rede]: um grupo de jovens de toda a Rússia, que tinham crenças anarquistas e de esquerda, foram detidos, brutalmente torturados e depois condenados a longas penas de prisão – supostamente por planejarem derrubar o Kremlin por meio de atos terroristas. Foi um caso de grande repercussão, no qual Miftakhov acabou sendo implicado.

Esta semana, Miftakhov – um dos pelo menos 5.000 presos políticos na Rússia atualmente – deveria ter sido libertado. Mas, em 4 de setembro, imediatamente após sair dos portões da prisão, ele foi detido sob outra acusação – uma tática clássica do FSB [Serviço Federal de Segurança da Federação Russa].

Enquanto centenas de milhares de pessoas morrem na guerra da Rússia contra a Ucrânia, é difícil apoiar os prisioneiros políticos do Kremlin. Há simplesmente muita dor, sofrimento e sangue. Mas o regime de Putin foi construído para colocar pessoas atrás das grades.

O caso contra Azat Miftakhov

Miftakhov, hoje com 30 anos, é um matemático talentoso, estudante de pós-graduação na Universidade Estadual de Moscou e anarquista.

Em fevereiro de 2019, ele foi detido em Moscou sob suspeita de quebrar uma janela no escritório do partido político Rússia Unida. Os investigadores alegaram que ele estava por perto quando isso aconteceu “a fim de alertar os cúmplices sobre um possível perigo”. Miftakhov foi espancado e torturado por oficiais do FSB, que usaram uma furadeira elétrica nele.

Miftakhov, é claro, sabia o que havia acontecido com os membros da suposta “Rede”. Ele entendeu que os investigadores do FSB não estavam brincando ou tentando assustá-lo quando disseram que usariam tortura para fazê-lo confessar. Eles realmente o fariam. Em uma tentativa de evitar que fosse torturado, ele cortou os próprios pulsos.

De fato, todo o caso contra Miftakhov começou com “The Network”.

Como um advogado me disse, os investigadores russos alegavam que havia diferentes células de ativistas em diferentes cidades do país, unindo várias iniciativas de esquerda – não apenas a chamada “Rede” – em uma única causa. Mas, como rapidamente ficou evidente em minhas reportagens e nas de outros, não havia nenhuma organização terrorista na realidade. Não havia coordenação. A “Rede” dos investigadores havia sido elaborada por… investigadores. Eles não tinham provas para apoiar suas alegações, além do testemunho obtido por meio da mais brutal tortura.

Em março de 2018, o FSB tentou transformar Svyatoslav Rechkalov, outro ativista anarquista em Moscou, no “líder” da “célula de Moscou” da “Rede”. Ele também foi torturado e espancado. Falei com Rechkalov quando ele foi libertado sob fiança. Não vi nenhum sinal de tortura, mas me lembro bem de como ele tremia e falava com dificuldade. Alguns dias depois, ele fugiu para a França.

Pouco tempo depois, houve um vazamento de informações dos investigadores: eles queriam a mesma confissão de Miftakhov. Como não haviam conseguido com Rechkalov, tiveram de inventar outro “líder” da “célula de Moscou”: Miftakhov. Essa história ainda não terminou e, enquanto Miftakhov permanecer na prisão, tudo é possível.

Mais tarde, ativistas de direitos humanos e jornalistas conseguiram provar – definitivamente – que os jovens do caso “Rede” haviam sido torturados. A sociedade russa entrou em choque. As pessoas saíram às ruas em protesto.

No outono de 2018, Mikhail Zhlobitsky, um adolescente da cidade de Arkhangelsk, no noroeste do país, explodiu-se no saguão do prédio local do FSB em protesto contra a tortura. Isso provocou uma nova onda de repressão. Agora, qualquer pessoa que falasse on-line sobre as ações de Zhlobitsky, ou mesmo as mencionasse, poderia ser processada por “justificar o terrorismo”.

Em 2021, Miftakhov foi condenado a seis anos de prisão por seu suposto papel na quebra da janela dos escritórios do Rússia Unida. Ele deveria ter sido libertado na última segunda-feira (ele já havia cumprido sua pena porque um dia passado em detenção em procedimentos pré-julgamento é contado como um dia e meio).

Mas isso não aconteceu. Nos portões da Colônia Prisional nº 17 na região de Kirov, ele foi colocado em um carro do FSB com placas chechenas e levado embora. Agora, um novo caso foi aberto contra ele sob a acusação de “justificar o terrorismo” por ter falado sobre Mikhail Zhlobitsky enquanto estava na prisão.

Aparentemente, o FSB o quer atrás das grades para sempre. Assim como Alexey Navalny, assim como muitos outros presos políticos na Rússia atualmente.

Fonte: https://www.opendemocracy.net/en/odr/russia-azat-miftakhov-political-prisoners-anarchist/

Tradução > Contrafatual

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agência de notícias anarquistas-ana

a aurora
estende a rede de bruma
pelos vales

Rogério Martins

[Chile] Valparaíso: Jornada comemorativa “Claudia López Presente!” – 9 setembro

DESDE VALPARAÍSO-ALIMAPU, TERRITÓRIO DOMINADO PELO ESTADO $HILENO.

NEM UM MINUTO DE SILÊNCIO…TODA UMA VIDA DE COMBATE!

ESTENDEMOS O CONVITE A ESTA JORNADA COMEMORATIVA, NO DIA 9 DE SETEMBRO NA EXPLANADA FRONTIS EXCARCEL, DESDE AS 14HRS.

Este 11 de setembro de 2023 completa 50 anos do início da ditadura cívico-militar e 25 anos do assassinato de Claudia López. Companheira anarquista, estudante de dança, moradora de La Pincoya, a quem os pacos [polícia] arrebataram covardemente a vida com um disparo, no marco dos protestos e comemorações do 11 de setembro do ano de 1998.

Ambos fatos no marco da nossa história recente, nos fazem refletir sobre a importância e o imprescindível da memória como ferramenta política e parte fundamental das lutas que levamos adiante. Entendendo que o exercício da memória não se baseia na mera persistência da lembrança nem de fatos significativos, muito menos de martirizar para sempre nossos companheiros caídos. Trata-se de recolher suas vivências, experiências e práticas, para retomá-las em nosso presente e projetá-las neste contínuo histórico irrefutável, que é o confronto para esta ordem de dominação. Trata-se, sobretudo, de compreender que o exercício da memória é também carregar uma das armas mais efetivas contra a passividade nestes tempos.

Com esta atividade, fazemos o chamado a combater o esquecimento em qualquer território onde nos encontremos. Afirmamos a importância de gerar encontros de comemoração, de revitalizar a memória combativa da qual faz parte a companheira Claudia López junto com dezenas de companheiros mais, e, por último, afirmamos a ideia de seguir a luta e a organização contra a continuidade em democracia do regime de morte imposto faz já 50 anos.

CONVIDAM: COLETIVOS E INDIVIDUALIDADES ORGANIZADAS E AUTOCONVOCADAS.

VALPARAISO, SETEMBRO DE 2023.

Fonte: https://lapeste.org/2023/08/valparaiso-jornada-conmemorativa-claudia-lopez-pte-9-septiembre/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Angulosamente ternas
goticamente nuas
somos a geometria do amor.

Manuela Amaral

[Colômbia] Livraria La Valija de Fuego completa 14 anos

La Valija de Fuego: “200 livros e o medo corroendo os bolsos”, este foi o começo de nosso espaço, as coincidências com o início de um livro saltam à vista.

Hoje esta livraria – nó cultural completa 14 anos, seu sinal particular brotou do subsolo uma quarta-feira ensolarada de 2009 abrindo suas portas infinitas e plurais às 10h.

Hoje, já quase uma década e meia depois, o que parecia uma obstinação de curto fôlego, segue de pé, se nega a desfalecer. La Valija de Fuego reitera seu agradecimento para vocês queridos cúmplices.

Unicamente restaria acrescentar uma frase do indômito Rafael Barret: “Pôr pé na praia virgem, agitar o maravilhoso que dorme, sentir o sopro do desconhecido, o estremecimento de uma forma nova: eis o necessário.”

NÃO ESQUECEMOS NOSSAS RAÍZES

VIVAM OS LIVROS LIVRES

La Valija de Fuego

5 de agosto de 2023

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/05/12/colombia-furia-anarquista-do-livro-e-da-cultura/

agência de notícias anarquistas-ana

Broca no bambu
deixa furos de flauta.
O vento faz música.

Anibal Beça

Milícias, racismo e clima de medo na Grécia

Apareceu um vídeo da presença contínua de grupos de Milícias na região de Evros. Mostra um homem com óculos escuros, seu amigo e as quatro pessoas às quais obrigaram a atirar-se ao chão, uma das quais parece ter sido golpeada. Estes grupos caçam pessoas em movimento e pedem, com aparente impunidade, apoio para suas ações nas redes sociais. Incidentes documentados anteriormente registram o uso de rifles de caça.

O discurso público e político racista e anti-imigração está exacerbando o perigo que as pessoas enfrentam e permite circunstâncias que vão desde o absolutamente estranho: um grupo de 49 pessoas, incluídas crianças, se veem obrigados a dormir durante quatro dias em uma parte de escadas em Kastelorizo sem o acesso a alimentos, água ou instalações higiênicas (até o absolutamente ilegal): o sequestro, o encarceramento e o espancamento de 13 pessoas por parte de um grupo de milícias vigilantes.

A milícia levou estas pessoas à polícia e afirmou que haviam cometido uma detenção cidadã de incendiários. Os 13 já foram postos em liberdade porque não havia provas. Este clima também criou um ambiente cada vez mais mortal na Grécia para as pessoas em movimento, com uma pessoa morta e quatro feridas perto de Doriko em Evros no sábado e cinco vidas perdidas no mar frente a Samos e Lesbos na segunda-feira.

As pessoas continuam fazendo a viagem porque não tem mais remédio que fazê-lo. No entanto, a situação significa que suas vidas seguem em perigo inclusive quando chegam a Grécia. As famílias se escondem no bosque da polícia apesar de suas graves condições médicas por medo a serem rechaçadas e golpeadas. Para as pessoas solidárias é difícil rastrear seu destino, já que com muita frequência lhes tiram seus telefones e seus pertences, e a comunicação pode interromper-se repentinamente. Este é o caso de 13 das 43 pessoas que chegaram às ilhas este fim de semana. Recentemente se soube que outro grupo de 13 pessoas se encontrava em Evros, incluída uma mulher com um braço quebrado, mas agora não se pode contatar com eles, enquanto que o número de mortos pelo incêndio na mesma região aumentou de 18 para 20.

Algumas pessoas nunca são encontradas; se o são, muitos corpos nunca são identificados. É demasiado fácil para uma pessoa desaparecer na Grécia e ser enterrada sem nome, longe do que alguma vez foi seu lar e sem o conhecimento de sua família. Este é o verdadeiro rosto da Europa e a realidade da Grécia.

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2023/09/01/militias-racism-and-a-climate-of-fear-in-greece/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Sopra o vento
Pássaros correndo
Atrás de sementes

Rodrigo de Almeida Siqueira

Comunicado da FOB ao 29º Grito dos Excluídos – 2023 | O governo dos de cima não mata a fome e a sede dos de baixo

A fome e a sede que o povo sente não é culpa do destino, mas o resultado de uma trágica história de Colonização. São mais de 500 anos de invasão por colonizadores brancos. São mais de 500 anos da morte de mundos, onde povos e suas culturas, os animais e os ecossistemas são mortos para levar adiante um verdadeiro projeto de morte-pelo-lucro. São séculos de escravização das populações negras e indígenas pra manter os privilégios de uma pequena elite colonial.

Mesmo com muita luta, a exploração se arrasta pelo tempo pois entre os debaixo há aqueles que são cúmplices com a exploração dos de cima. Alguns têm a ilusão de que os de cima podem nos trazer a libertação. Se não enterrarmos de vez essa ilusão, vamos continuar enterrando irmãos até o fim dos tempos.

É interesse do explorador que se iluda o explorado, esta é a função do Governo Lula. Como se pode combater a fome se aliando ao latifúndio, representado por Simone Tebet e outros? Além de manter a maior parte do financiamento da agricultura para o agronegócio em comparação com a agricultura familiar. Como pode se pode garantir saúde e educação pública de qualidade com um corte de quase 800 milhões nessas áreas? Como se pode combater o fascismo se aliando com o PL, partido do genocida?

Independência pra quem? Às margens do Ipiranga, aos gritos da falsa independência, ainda reinava a escravidão do povo negro e indígena. Podemos não ser mais governados por Lisboa, mas continuamos submetidos à mesma elite colonial branca de Brasília e à mesma ditadura do mercado global, que continua lucrando com a fome e o sangue dos nossos e com a morte das nossas florestas.

As chacinas recentes na Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo testemunham pela mesma política da morte que nunca acabou: PT, PL e Republicanos, as elites no poder administram a mesma violência extrema contra a população preta e periférica. No Ceará, é desumana a política do Secretário de Administração Penitenciária Mauro Albuquerque: Tortura sistemática em quebrar dedos, castigos em posições cruéis e muito mais.

Também vemos que as comunidades tradicionais têm seus territórios violados e a natureza que os cerca destruída para levar adiante grandes empreendimentos de exploração internacional com a cumplicidade de Governos Estaduais e Nacional. No Ceará, as eólicas no mar são o novo projeto de morte empreendido por empresários e governos em conluio contra as comunidades pesqueiras. Ao invés de combaterem a fome, estão alimentando a fome, pois sem pescadores não tem peixe na mesa.

Assim, o governo de hoje não é oposto ao passado. Ambos são cúmplices do mesmo projeto de morte e exploração. Independente das cores das gravatas, a mesma elite ainda está no poder. Muitos ainda temem criticar o governo atual por medo do passado, enganados por narrativas falaciosas sobre 2013, que os assombra como um fantasma. Mas não devemos rebaixar nosso horizonte. Queremos o pão inteiro, não um pedaço. Queremos tudo. É por aceitarmos a liberdade fatiada em pedaços que nos tornamos reféns de falsos messias.

Organização! Não há outro caminho para o povo! É preciso se organizar sem as amarras de velhas ilusões. Confiar na força do poder popular para dobrar até o mais duro aço. Que o grito dos excluídos seja um grito de guerra contra todos aqueles que roubam nosso pão, nossa terra, nossa água e a vida das pessoas que amamos.

CHEGA DE CORTES NA ÁREA SOCIAL! 

CONTRA O NOVO ARCABOUÇO FISCAL!

CONTRA O MARCO TEMPORAL!

DESPEJO ZERO CONTRA O POVO EM LUTA!

FORA EÓLICAS DO MAR DES PESCADORES!

BASTA DE TORTURAS!

FIM DA POLÍCIA!

ABOLIÇÃO DAS PRISÕES!

lutafob.org

agência de notícias anarquistas-ana

longa conversa
um grilo termina
o outro começa

Ricardo Silvestrin

[Chile] “A democracia ainda está sendo construída com morte e tortura”: campanha de propaganda para o 50º aniversário do golpe de Estado

Não há uma história única, o golpe de Estado da burguesia chilena não só derrubou um governo que tentava fazer mudanças a partir do próprio poder, mas também massacrou a organização popular, de bairro e da juventude, ou seja, os setores mais conscientes e combativos da época. Os partidos dos empresários com o apoio dos EUA criaram todas as condições para um golpe de Estado, porque começaram a mexer timidamente em seus bolsos e em alguns de seus privilégios.

Eles deram um golpe de 17 anos com tortura e morte para impor um sistema baseado na exploração, que só os beneficia, um sistema injusto que só ajuda os ricos e seus políticos. A democracia fortalece e aprofunda o modelo que a ditadura deixou enraizado, a tal ponto que hoje tentar distinguir entre democracia neoliberal e ditadura é tão infrutífero para aqueles de nós que sofreram repressão e fome quanto tentar distinguir entre 50 e 500 anos de colonialismo.

Durante esses 17 anos, todas as aspirações de autonomia do proletariado continuaram a ser golpeadas. Queriam interromper um processo de transformação social que vinha crescendo fortemente, perseguiram rádios, publicações, sindicatos, coordenadoras, centros culturais, todo espaço que pudesse significar mudança social. Mataram, prenderam, torturaram.

Cada governo da democracia reforçou todas as medidas desmobilizadoras e despolitizadoras dos setores populares, com leis autoritárias, com programas de lixo, com matinês tendenciosas, com precariedade, com opressão e, agora, com a narcocultura que desarticula os territórios da abya yala.

Toda a miséria de hoje, o negócio que fazem com as nossas necessidades mais vitais, é consequência do golpe, da ditadura e do que agora é democracia, porque o poder ainda está nas mãos dos mesmos grupos econômicos, da mesma polícia terrorista, do mesmo exército e dos mesmos pactos de silêncio que garantem que o negócio dos ricos continue gozando de boa saúde.

Agora cabe a nós assumir a responsabilidade pelo que queremos e por nossa parte na história. Não acreditamos em partidos políticos ou nos líderes messiânicos das plataformas, queremos mudar tudo. É preciso rever a história, repensar nossas lutas, fortalecer projetos antiautoritários, viver a anarquia. O conflito não termina enquanto não acabarmos com o mundo dos privilegiados, com a sociedade carcerária, com a tranquilidade dos violadores dos direitos humanos, com os salários de fome, a saúde precária, as aposentadorias miseráveis, a crise habitacional e outras condições sufocantes dessa realidade. Podemos viver melhor, vamos viver melhor, porque não vamos esperar para reivindicar nossas aspirações. A articulação é hoje, a hora da revolta é agora.

Rede de luta e propaganda

Fonte: https://lapeste.org/2023/09/con-muerte-y-tortura-se-sigue-contruyendo-la-democracia-campana-de-propaganda-por-los-50-anos-del-golpe-de-estado/

agência de notícias anarquistas-ana

árvore seca
a lua é a mosca
em sua teia

Aclyse de Mattos

[Itália] Outro massacre de trabalhadores: 5 trabalhadores mortos, atropelados por um trator em Brandizzo

Publicamos essa posição clara sobre mais um massacre de trabalhadores, emitida por um comitê cuja coerência e combatividade conhecemos (e cujo fundador, o falecido Michele Michelino, queremos lembrar). Acrescentamos apenas duas coisas de nossa parte. A primeira é que os cortes no pessoal de segurança e manutenção, a corrida para o fundo do poço nos contratos e o aumento nos ritmos de trabalho também são um produto do sistema TAV [trem de alta velocidade], ao qual não por acaso é alocada mais da metade dos 24,77 bilhões de euros destinados pelo PNRR à “mobilidade sustentável”. A segunda é que, à greve nacional convocada pelos sindicatos de base – que a Comissão de Garantia de Greve pede que seja reduzida para quatro horas no final do turno, conforme anunciado pela CGIL, CISL e UIL… – devemos acrescentar iniciativas para denunciar as responsabilidades da RFI e bloquear o tráfego ferroviário em todos os lugares: que tudo pare!

Outro massacre de trabalhadores: cinco trabalhadores mortos, atropelados por um trator em Brandizzo

Eles estavam trabalhando na área de Cuneo para substituir uma seção de trilhos quando, por volta da meia-noite, foram atropelados por um trator, que bateu neles. Cinco morreram e outros dois ficaram gravemente feridos.

Kevin Laganà, de 22 anos, Giuseppe Aversa, de 49 anos, Giuseppe Servillo, de 43 anos, Michael Zanera, de 34 anos, e Giuseppe Lombardo, de 53 anos, nunca mais voltarão para casa.

Agora, lágrimas de crocodilo serão derramadas e, por alguns dias, cinco trabalhadores terão direito a alguns artigos nas primeiras páginas dos jornais. Depois, o silêncio voltará.

Não se preocupe, o massacre será atribuído aos maquinistas: sempre que há um acidente na ferrovia, fatal ou não – e isso acontece todos os dias, mesmo que apenas os mortos apareçam nas notícias, como os ferroviários vêm denunciando há anos e anos – a culpa é atribuída aos trabalhadores. Nunca à Ferrovie dello Stato (Ferrovia do Estado).

Afinal, 14 anos após o massacre de Viareggio, os parentes ainda estão esperando a decisão final da Corte de Cassação.

Falta de segurança, falta de coordenação nas obras, redução e exploração de pessoal, divisão de contratos para o licitante mais baixo porque os orçamentos da FFSS devem estar no azul e gerar lucros. Essa é a “modernidade”, a realidade do capitalismo. Vamos à lua, temos Inteligência Artificial, mas os trabalhadores, aqueles que realmente fazem as coisas, continuam morrendo.

Os patrões fazem seu trabalho, os políticos e os sindicatos vendidos fazem conversa fiada, os tribunais protegem o único direito realmente reconhecido neste país: a obtenção de lucros.

A esta altura, estamos sem palavras, mas uma coisa é certa: se não quisermos mais ser bucha de canhão, não devemos trabalhar em condições de morte. Somente os trabalhadores, organizados, podem quebrar essa corrente de sangue, ninguém mais o fará.

Comitê para a defesa da saúde no local de trabalho e no território

Sesto S. Giovanni, 31.8.2023

Fonte: https://ilrovescio.info/2023/09/01/unaltra-strage-operaia-uccisi-5-lavoratori-travolti-da-una-motrice-a-brandizzo/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

No espelho d’água
oculta sua face, tímida,
a lua nublada.

Douglas Eden Brotto

[França] Bure: Solidariedade com as ocupações despejadas em Atenas e Montreuil (Paris)

Do acampamento auto-organizado de reuniões e lutas em Bure, no nordeste da França, enviamos um pequeno sinal de solidariedade aos nossos companheiros das ocupações [recentemente] despejadas em Atenas e Paris.

Aqui em Bure, uma luta local está ocorrendo há 30 anos contra os planos do Estado francês e da empresa Andra de instalar uma unidade de enterro de resíduos nucleares [cemitério de lixo nuclear]. No contexto dessa luta, foi organizado um acampamento de 10 dias para indivíduos e grupos de todo o mundo que lutam contra a pilhagem da natureza e constroem estruturas coletivas/auto-organizadas no campo. Mais informações sobre essa luta e o acampamento aqui: https://bureburebure.info/https://lpr-camp.org/

Do campo à metrópole, lutamos pelo acesso à terra contra os planos dos estados e do capital, criamos e defendemos espaços de luta e construímos nossas vidas coletivamente.

SOLIDARIEDADE COM NOSSAS OCUPAÇÕES

RAIVA E VINGANÇA PARA ZIZANIA, ANO KATO, ASP, LA BAUDRIÈRE, KALIARDA

ABAIXO O ESTADO POLICIAL, O AMANHÃ COMEÇA COM UM PÉ DE CABRA

agência de notícias anarquistas-ana

Gatinha meiga
ao passar da mão
seu corpo se ajeita

Eugénia Tabosa

[Porto Alegre-RS] Programação de Setembro no Esp(a)ço

Aqui está nossa programação do Esp(a)ço para setembro:

  • 13/9, quarta, às 18h30 – Encontro de Masculinidades com exibição do documentário “O Silêncio dos Homens” – Dando continuidade ao primeiro encontro sobre masculinidades, o EspⒶço convida a todes para assistir o documentário o Silêncio dos Homens. Em seguida, teremos uma roda de conversa para discutir questões levantadas durante a exibição.
  • 19/9, terça, às 18h45 – Além da Polícia – com exibição do vídeo “O Que É Justiça?” do coletivo subMedia. Mais um encontro do grupo de estudos e práticas para um mundo sem polícia e sem prisões.
  • 20/9, quarta, das 14h às 19h – Brechó Grátis Saindo do Armário – Um evento da loja grátis em homenagem a comunidade trans, um local seguro para escolher e experimentar roupas que afirmem seu gênero. Do mesmo modo teremos uma “não-caixa” em que se tem a oportunidade de fazer uma doação monetária diretamente para a comunidade trans.
  • 30/9, sábado, às 17h – Cine, Café & Anarquia – mais uma edição do Cine, Café & Anarquia com exibição de um filme ainda a decidir, comidinhas veganas colaborativas e muito bate-papo e confraternização.
  • Práticas e Experimentações a partir das categorias da cultura Ballroom – 08, 15, 22 e 29 de setembro das 19h às 22h – A proposta é realizar quatro encontros entre as pessoas da House of Kaliça e convidades, para criar um laboratório prático e teórico sobre as categorias que compõem o cenário dos bailes da cultura ballroom.

E a Apoio Mútuo, nossa loja grátis estará aberta nos seguintes horários:

  • Terças 12 e 26 de setembro, das 14h às 20h30
  • Sábados, 2, 16 e 30 de setembro das 15h às 17h.

espaco.noblogs.org

O Esp(a)ço fica na Rua Castro Alves, 101, em Porto Alegre.

agência de notícias anarquistas-ana

por uma só fresta
entra toda a vida
que o sol empresta

Alice Ruiz

[México] Colocação de uma faixa em Oaxaca pela Semana de Solidariedade com os Presos Anarquistas

Hoje, 30 de agosto, colocamos uma faixa sobre a estrada em Oaxaca em Solidariedade com todos os Presos anarquistas e perseguidos pelo Estado.

Queremos chamar a atenção e enviar um abraço forte para nosso companheiro Miguel Peralta da comunidade de Eloxochitlán de Flores Magón, que continua vivendo a repressão do aparato caciquil-partidista. Miguel Peralta foi liberado em outubro de 2019 após cumprir mais de quatro anos na prisão, mas sua liberdade foi revogada em março de 2022 e se ditou uma ordem de repreensão contra ele. Atualmente é um perseguido político.

Também queremos mencionar os oito companheiros de Eloxochitlán de Flores Magón que permanecem na prisão, alguns dos quais estão há quase nove anos sequestrados pelo Estado sem condenação nem sentença. Os companheiros indígenas mazatecos de Eloxochitlán estão encarcerados por organizar-se e lutar por sua autonomia e autodeterminação, algo no qual cremos os anarquistas e que por essa razão mostramos nossa Solidariedade e apoio.

Esperamos que este humilde gesto faça eco no território oaxaqueño ao chamado a uma semana de Solidariedade internacional com os Presos anarquistas, assegurando aos encerrados e perseguidos que estamos pensando em todos vocês, e que não estão esquecidos.

Muito amor e respeito aos encarcerados por defender a terra, por lutar contra o fascismo, o racismo e o ódio, por resistir à repressão e a violência do Estado, por organizar a autodefesa comunitária, por lutar pela autonomia e a liberação.

Liberdade aos Presos anarquistas!

Liberdade a todos os Presos!

Autonomia para os povos indígenas!

Solidariedade com Miguel Peralta!

– Alguns anarquistas nos vales de Oaxaca

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/06/13/mexico-miguel-peralta-nao-desista-compa-resista-nos-aqui-fora-pensamos-em-voce/

agência de notícias anarquistas-ana

Trégua de vidro:
o canto da cigarra
perfura rochas.

Matsuo Bashô

[EUA] Polícia de Asheville usa nova unidade de drones para vigiar a grande inauguração da livraria anarquista

Editorial da Firestorm Bookstore and Co-op na chamada Asheville, Carolina do Norte, sobre a vigilância policial da grande reabertura do espaço.

A inauguração de nossa livraria no domingo (27/08) teve convidados inesperados. Durante toda a tarde, um drone da polícia pairou visivelmente sobre a Haywood Road, diretamente em frente à nossa loja. Ocasionalmente, ele voava de volta para a subestação da APD nas proximidades, apenas para ser substituído alguns minutos depois. Enquanto distribuíamos picolés caseiros para comemorar nosso grande dia, alguns membros da comunidade ficaram alarmados. As pessoas queriam saber se o drone era nosso. Uma vizinha que chegava com a família perguntou se ela e seus filhos estavam sendo filmados.

Parecia que nossa loja e as centenas de pessoas que a visitavam estavam sendo vigiadas. Enquanto o quadricóptero estava no céu e nos olhava assustadoramente, carros de polícia passavam lentamente. Às vezes, os motoristas pareciam estar filmando com seus celulares. Um policial gritava de forma ininteligível para as pessoas sentadas em nosso pátio. Não se tratava de uma operação secreta – os policiais de Asheville queriam ter certeza de que nossos clientes sabiam que estavam sendo observados.

Vale a pena falar sobre esse bizarro abuso de poder, não porque seja excepcional, mas porque está se tornando cada vez mais normal. Vivemos em uma cidade em que os recursos de vigilância da polícia ultrapassaram em muito as restrições, e as autoridades eleitas, ostensivamente encarregadas da supervisão, estão ansiosas para apaziguar um público que é duro com o crime. Essa é uma história de Asheville, mas também é uma história nacional, com cidades em todos os Estados Unidos sendo remodeladas por uma reação conservadora à Revolta de George Floyd e seu apelo para que se faça um acerto de contas com as raízes supremacistas brancas do policiamento.

Faz apenas três meses que o Departamento de Polícia de Asheville anunciou o lançamento de uma nova Unidade de Drones. Em conversa com o Mountain Xpress, um capitão da APD garantiu à comunidade que a tecnologia não seria usada para “vigilância do público desconhecido”. Mas é exatamente isso que está acontecendo e, em uma carta recente ao editor, David Pudlo destacou vários casos de drones da APD utilizados para monitorar manifestações políticas pacíficas e reuniões públicas.

Não se trata apenas de drones. Em janeiro, o Conselho Municipal de Asheville aprovou um acordo que deu à APD acesso a uma enorme rede de câmeras de vigilância em tempo real. Dessas 1.800 câmeras, a maioria está localizada em escolas e moradias públicas do condado, dois locais onde o direito à privacidade há muito tempo está subordinado ao poder da polícia. Outras são de propriedade de empresas do centro da cidade e inevitavelmente apoiarão a criminalização adicional de pessoas sem moradia e marginalizadas.

Os membros da nossa comunidade devem poder desfrutar de suas casas, frequentar a escola, caminhar por uma rua pública ou folhear livros em uma livraria LGBTQ sem estarem sujeitos à vigilância arbitrária do Estado.

A presença de drones em nossa inauguração foi tão evidente que, no final da tarde, já havia se tornado motivo de discussão on-line. Algumas pessoas no Reddit especularam que a vigilância poderia estar ligada a uma investigação sobre vandalismo de propriedade da polícia. Essa não é uma suposição ruim, considerando uma declaração recente do chefe de polícia David Zack, que afirmou que seria “tolice” não investigar uma livraria que tem opiniões antipoliciais conhecidas. Bem, achamos que é tolice lançar publicamente suspeitas sobre uma livraria sem provas, com base apenas nas opiniões políticas de sua equipe. Um comportamento policial como esse não nos impedirá de promover a visão abolicionista de um mundo sem polícia, mas corroerá ainda mais a confiança do público em uma instituição fundamentalmente indigna de confiança. Assediar fregueses de livrarias não é uma tática de investigação criminal – é uma forma vergonhosa de intimidação por parte de um órgão governamental que tem muito financiamento, muito poder político e muito tempo disponível.

Foto: Goh Rhy Yan via Unsplash

Fonte: https://itsgoingdown.org/asheville-police-drone-surveil-grand-opening/

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Aqui e ali,
Sobre os campos florescem
As quaresmeiras.

Paulo Franchetti

Um século do assalto do grupo de Durruti ao Banco de Espanha

Completa um século do maior assalto a um banco perpetrado em Gijón. Cem anos do assalto ao Banco de Espanha, pela mão do anarquista Buenaventura Durruti e cinco companheiros, que tiraram a vida do diretor da entidade, Luis Azcárate Álvarez, e levaram o maior botim da história: 565.525 pesetas, o equivalente nos dias de hoje a aproximadamente um milhão de euros.

Era 1º de setembro de 1923 e passavam poucos minutos das nove da manhã. No Banco de Espanha – situado no edifício que atualmente alberga a Biblioteca Jovellanos – a rotina se impunha quando o verão ia dando seus últimos passos. Os assaltantes irromperam em grupo, armados e ameaçando os empregados e também os clientes: “Mãos pra cima!”, gritaram os pistoleiros. Se apoderaram inicialmente de uma bolsa de moedas e exigiram um saco de cédulas. Tinham claro que queriam um roubo grande.

Justo nesse momento, e ao escutar o alvoroço, sob as escadas o diretor da sucursal, e em uma tentativa de defender sua praça encarou os ladrões. Recebeu um tiro que lhe atravessou a cara, desde a orelha esquerda até o pescoço. Morreu três dias depois, deixando esposa, filhos e a cidade comovida.

Intitulava [o jornal] EL COMERCIO no dia seguinte: “Seis pistoleiros penetram na sucursal do Banco de Espanha e se apoderam de 565.525 pesetas, fugindo em automóvel”. Porque o grupo subiu em um carro Joffere, de cor cinza, matrícula O-434, que os esperava na rua Begoña para empreender uma frenética fuga até a rua Covadonga para abandonar a cidade pela estrada para Oviedo.

Horas depois, já pela tarde, era localizado o carro em que haviam fugido na Venta de Puga, em Pruvia. Chegaram até o proprietário e conseguiram identificar a quem, ao que parece, haviam alugado o veículo: o grupo de Durruti, ‘Los Solidarios’. A investigação da Guarda Civil permitiu localizar os ladrões em uma pensão na rua Covadonga de Oviedo. A intervenção para detê-los teve lugar em 7 de setembro. Ao ver-se descobertos, os ladrões trataram de fugir e se produziu um tiroteio com os guardas. Um dos assaltantes morreu e um agente ficou ferido. O resto dos assaltantes foram detidos. Apenas pisaram no cárcere, pelos acontecimentos que já se gestavam no país e que acabaram por materializar-se em 13 de setembro no golpe de Estado do capitão geral da Catalunha, Miguel Primo de Rivera. A imposição do mando militar provocou inseguranças legais e os pistoleiros do Banco de Espanha conseguiram sair do penal ovetense e fugir para a  Argentina e Chile. Do dinheiro nunca se soube.

De banco a biblioteca

Com os anos, Buenaventura Durruti se converteu em um dos mais destacados líderes do anarquismo durante a Segunda República e a Guerra Civil. Morreu em Madrid durante a contenda, em novembro de 1936. Seu nome passou à história por encabeçar o movimento anarquista e cenetista e também por cometer o assalto do século em Astúrias, que nos dias de hoje, sem já sobreviventes dos fatos, segue sendo um dos capítulos de maior relevância da crônica negra de Gijón. Paradóxicamente, a Biblioteca Jovellanos mostra em suas estantes biografias e livros históricos de quem faz um século semeou o pânico nesse mesmo lugar.

Fonte: https://www.elcomercio.es/gijon/século-assalto-grupo-durruti-banco-espana-20230827015122-nt.html#vca=fixed-btn&vso=rrss&vmc=tw&vli=gijon&ref=

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

peixes voadores
ao golpe do ouro solar
estala em farpas o vidro do mar

José Juan Tablada

50 anos após o golpe no $hile, 11 de setembro, Setembro Negro

SÓ O MEL DA VINGANÇA

DEVOLVE AQUELES QUE DESAPARECERAM 

11 DE SETEMBRO NA RUA!

50 anos depois da ofensiva burguesa que consolidou a atual fase do capital e da sua gestão democrática; DESATAR A OFENSIVA ANÁRQUICA até chegar a um ponto sem volta. Praticar a ilegalidade e expropriar os meios e armas necessários para qualificar a insurreição permanente. Transformar a solidariedade em ataque e que ela se multiplique sem líderes e em todas as direções!

PELA DESTRUIÇÃO DO DOMÍNIO

EM TODAS AS SUAS EXPRESSÕES.

NÃO ESQUECEMOS NENHUM NOME,

NÃO ESQUECEMOS NENHUM ROSTO.

agência de notícias anarquistas-ana

Chove mansinho.
Na borda do precipício
uma moça cega.

Manuela Miga

[Espanha] Seção sindical formada na Seção Sindical DXC Technology Spain Astúrias

Os companheiros da CNT de La Felguera formaram a seção sindical DXC Technology Spain Asturias.

A DXC Technology trabalha para ajudar empresas globais a gerenciar seus sistemas e operações de missão crítica, otimizando arquiteturas de dados e garantindo a segurança e escala através de nuvens públicas, privadas e híbridas na Espanha, que é líder no mercado de TI, com mais de 6.600 funcionários em 11 centros que atendem a quase 200 clientes de todos os setores, tanto no setor público quanto no privado.

Após a perda de 15,1% do poder de compra desde 2020, o equivalente a 55 dias de salário por ano, a CCOO e a UGT assinam um acordo com aumentos bem abaixo da inflação, os companheiros da CNT decidem formar a Seção para reverter a situação e melhorar as condições de trabalho da equipe.

A Seção Sindical pede o apoio a todas as mobilizações e a organização em assembleias autônomas fora das estruturas verticais dos comitês.

Deve-se observar que, nas eleições sindicais realizadas há menos de um mês, o comparecimento foi de apenas 26%, portanto, temos certeza de que alguns candidatos eleitos obtiveram menos votos do que os membros da nossa seção, o que deslegitima o comitê a tomar qualquer decisão em nome dos funcionários.

Somente a luta nos devolverá o que eles estão roubando de nós.

Assembleias para decidir

Ação direta para vencer

Saúde e anarcossindicalismo!

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/constituida-la-seccion-sindical-en-seccion-sindical-dxc-technology-spain-asturias/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Nuvem, ergue a pálpebra!
Quero ver o olho de cego
com que sondas a noite.

Alexei Bueno