[França] Toulouse (Haute-Garonne): fogo ao combustível

Quando vemos o planeta secando e a repressão que nos atinge, podemos pensar que tudo está perdido, que tudo é em vão.

Talvez seja. Talvez não haja grandes vitórias. Talvez já seja tarde demais. Talvez ao nos opormos à destruição dos vivos e de nossas próprias vidas acabemos sofrendo ainda mais. Talvez um dia este mundo não passe de um imenso deserto.

Talvez, muitos talvez.

Mas também há certezas. A identificação dos responsáveis pelo desastre. E acima de tudo, contra eles, o ódio. Um ódio que só deseja ganhar vida. Caso contrário, isso me devora por dentro.

Então deixei que se expressasse com uma lata de 10 litros de gasolina na noite de 30 para 31 de março em Toulouse em um estacionamento da GRDF [produtora e distribuidora francesa de gás natural].

O prazer de ver o fogo acender e devorar os carros.

No final, 12 de seus veículos viraram fumaça.

Por que eles? As indústrias do setor energético alimentam todas as outras. Como todos os outros, eles devastam a Terra. Como todos os outros, eles constroem a jaula cada vez mais sofisticada em que estamos encerrados: a civilização.

Claro que existem ações mais estratégicas a serem feitas.

Claro que também tenho medo. Existem apenas outras emoções para ouvir.

Para todas as pessoas que têm esse ódio que as corrói, existem outros caminhos.

Aos que já estão trilhando esses caminhos, ânimo.

Uma raposa no galinheiro

Fonte: https://sansnom.noblogs.org/archives/16246

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

manhã
me ilumino
de imensidão

Giuseppe Ungaretti

[Chile] 2ª Feira do Livro Anarquista de Valparaíso

Amigos, companheiros e afinidades,

Convidamos a todos a participar da segunda versão da Feira do Livro Anarquista em Valparaíso, um espaço de encontro, memória e difusão das ideias ácratas na cidade porto. Este encontro tem data para o sábado 13 de maio, desde as 11h00 no espaço recuperado Katarcis (Av. Francia, esquina Baquedano).

Esta versão do encontro traz à memória os 120 anos da Greve Portuária, que em 1903 estremeceu as ruas de Valparaíso e do território dominado pelo Estado do $hile. De igual maneira, este exercício de recordar o passado coincide com os 50 anos do Golpe de Estado de 1973, período que determina as diretrizes econômicas e éticas da sociedade que padecemos atualmente.

Escolher estes fatos de nossa história recente não é casualidade, muito menos quando nos encontramos em um momento histórico onde o Estado Policial se fortalece através do medo e a precariedade dos setores populares. Ante o anterior, postulamos e conhecemos os abundantes frutos da solidariedade,d o apoio mútuo e da organização horizontal. Esperamos que este encontro seja um espaço de diálogo, intercâmbio de ideias e convite à ação.

Viva a anarquia!

Organiza: Biblioteca Sala Luisa Toledo (@sala_luisatoledo)

agência de notícias anarquistas-ana

sonho colorido
o sol dança com a lua
você comigo

Carlos Seabra

[Espanha] Primeiro de Maio. Nos sobram os motivos

Desde sempre as pessoas com um sentido da justiça, da igualdade e da solidariedade lutamos para melhorar as condições de nossa vida e daqueles que nos sucederão.

Aí temos a primeira greve no Egito faz 2.200 anos porque os trabalhadores não receberam suas comidas. A primeira greve geral na Espanha foi em 1855. Os e as trabalhadoras do têxtil solicitaram o direito de associação ou a regulamentação de seu trabalho. O governo progressista de Espartero deu as costas aos e as trabalhadoras catalãs e enviou o exército, para massacrar o povo.

Hoje não estamos muito mais longe dessas épocas. O desemprego nos rodeia. Pergunte a amigos e familiares. É certo que conhecemos ou conheceis gente que vive na exclusão, por não poder ter um trabalho digno ou por encadear trabalhos raquíticos. Escutaremos cantos de sereias de políticos não confiáveis, que vivem às custas de teu esforço e que tentarão te enganar com promessas, que nunca cumprirão. A miséria e pobreza nos rodeiam. Os alimentos sobem 10, 20, 30 ou 40%. Não tem fim seu enriquecimento às nossas custas. O aumento da luz, dos combustíveis, da moradia, nos empobrece a toda a sociedade.

Alguma pessoa aqui reunida sabe quantos obreiros/as caíram vítimas da exploração no ano de 2022? Somente na Espanha, para vosso conhecimento e o dos exploradores, 826 companheiros/companheiras que eram filhos, irmãs, pais, avós.

Nos perguntamos: onde nos leva este capitalismo consumista desaforado? Nosso planeta pede auxílio e só vemos indiferença, quando não negação das evidências científicas. Espécies que desaparecem, terras inundadas, bosques arrasados, ondas de frio ou de calor que golpeiam os mais desfavorecidos.

O que dizer do futuro de nosso suor e dos que nos precederam: as pensões. Milhares de pensionistas estão nas ruas há anos protestando por ti, por mim, por todas as pessoas decentes. Se lhes damos as costas não seremos dignos de viver e nos arrependeremos.

A repressão sindical é uma das armas do sistema apoiada no governo, patronal, juízes e polícias. O exemplo de nossas companheiras, as seis da Suiza em Gijón nos demonstra que a união, a ação e a solidariedade é mais necessária e efetiva do que nunca. Elas põem seu corpo e sua alma, para que todas as pessoas conquistem o que o sistema lhes nega. Por elas, por nossas filhas, mães e avós, nos sobram motivos.

Temos soluções. Como sempre estivemos do lado do proletariado. Reduzamos a jornada a trinta e cinco horas. Trabalhemos menos, quatro dias por semana. Nossa saúde não tem preço. As empresas multiplicam seus lucros. Exijamos a manutenção de nossos salários.

As únicas promessas que devemos crer são as de nosso futuro em paz e solidariedade.

Enquanto não enfrentarmos os assassinatos que todos os dias sofrem nossos/as companheiros/as em seus trabalhos, não seremos capazes de descansar, porque a seguinte pessoa a morrer pode ser tu, ou um familiar teu, ou um amigo teu.

A terra necessita que a tratemos como uma mãe que nos provê de tudo o que necessitamos para viver: ar, água, alimento, tranquilidade de espírito. É preciso decrescer para protegê-la e nos protegermos

Sem defender as pensões, nosso futuro e o das pessoas que nos sucederão será miserável. Devemos exigir um incremento das mesmas, para que se iguale nossa pensão com o salário que recebíamos quando trabalhávamos. Porque 30-35-40 anos de esforço, tem que ter sua recompensa com uma vida digna para todas as pessoas idosas.

Defendamos a nossas companheiras, as seis de La Suiza, com nossas armas favoritas: união e solidariedade

Por elas. Pelo feminismo, sobram os motivos.

VIVA A CNT E A LUTA OBREIRA!

www.cnt.es

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

brisa suave:
voejam borboletas
por todo jardim

Nete Brito

[Itália] Viva o 1º de maio

A todos os militantes, simpatizantes e a todos aqueles que sentem em seus corações, mentes e ações este dia de luta, um dia contra a barbárie do capital e a exploração, a dominação e o autoritarismo de todos os governos, estados e instituições, e contra toda guerra e fascismo, que se juntem a nós na manifestação de 1º de maio em Empoli e no comício anarquista, que continuem todos os dias no caminho libertário para criar as premissas para uma nova sociedade livre, humana, justa e fraterna. Uma Nova Humanidade no comunismo anarquista.

Levantemos nossas mãos endurecidas e sejamos um feixe frutífero de forças, queremos redimir o mundo dos tiranos da ociosidade e da dor!

agência de notícias anarquistas-ana

A lua passa pelos pinheiros
e o olhar de súbito detêm
uma outra imóvel lua.

Hokushi

[Colômbia] Encontro de afinidades e práticas anarquistas

Passou o tempo… ocorreu uma pandemia, uma greve nacional, uma jornada eleitoral e nós nada de voltarmos a nos reunir. Nos falta a reunião, nos anima a ideia de nos sentarmos a pensar horizontes coletivos, a debater sobre nossas realidades sociais e a reconhecer-nos nas lutas que cada uma leva a cabo em seus lugares de influência. Nos incomodam as fronteiras nacionais e, por esta razão, estendemos o convite a todas as anarquistas de Abya Yala e do mundo, às afinidades libertárias, às individualidades e coletivas e às pessoas de todas as idades, sendo este um espaço pensado para todos de 0 a sempre.

Este Encontro de afinidades e práticas Anarquistas, que se levará a cabo nos dias 10, 11 e 12 de junho de 2023, na cidade de Cali – Colômbia, terá diferentes temáticas que consideramos de importante discussão:

– Luta anticarcerária

– Análise de conjuntura e posição frente aos progressismos

– Liberar a vida

– Feminismos

– Ecologismos

– Resolução de conflitos

– Ética libertária dos ofícios

– Infância e Pedagogia libertária

Como este Encontro se realiza com esforços coletivos e mediando a autogestão, estendemos o convite a somar-se aos trabalhos de gestão, na elaboração dos conteúdos temáticos, na programação cultural, na logística de alimentação e higiene através deste formulário, que não é um requisito excludente, mas uma sondagem para reconhecer o alcance deste chamado e as mãos com as quais contamos.

Formulário de inscrição: bit.ly/Encontroapa

afinidadesanarquistas@protonmail.com

agência de notícias anarquistas-ana

Recolhida em si mesma
a alma do figo
é flor em za-zen.

Yeda Prates Bernis

[Espanha] Estreia o programa “Al Lío” de Rojo y Negro TV

No próximo sábado 29 de abril às 20h30 estreará no Canal Red o programa de TV Al Lío produzido por Rojo y Negro TV, apresentado por Silvia Agüero Fernández e com a colaboração de El Salto. A partir desta data o programa será emitido a cada 15 dias com a aspiração de poder fazê-lo semanalmente. Al Lío é a aposta da CGT para renovar seus conteúdos audiovisuais. Se estrutura em torno a um debate sobre um tema da atualidade no qual participam ativistas e meios de comunicação alternativos. Os objetivos da organização com este formato são dar voz a quem não a tem e tecer cumplicidades e alianças com outras organizações sociais e com meios de comunicação alternativos para conseguir que a mensagem de luta da CGT chegue mais longe e tenha o maior impacto possível.

Al Lío será o primeiro programa que se gravará nos estúdios de televisão que a CGT projetou e construiu no madrilenho bairro de Vallecas. Esta infraestrutura permite a CGT gerar seus próprios conteúdos com uma qualidade profissional e ajudar a organizações amigas a produzi-los.

A organização fez sua parte para melhorar nossa comunicação e conseguir uma maior difusão de nossa mensagem na sociedade. Mas para que este projeto tenha êxito necessitamos o apoio de toda a filiação.

Além do Canal Red o programa estará disponível no canal de Youtube de Rojo y Negro TV e se distribuirá em pequenas pílulas nas redes sociais. Os convidamos a todas e todos a ver o programa e a colaborar seguindo-nos nas redes sociais e recomendando nossos conteúdos. Vosso papel é fundamental para romper nossos limites. Podes enviar-nos propostas e ideias para novos formatos e também agradeceremos comentários, sugestões, críticas e, como não, vosso carinho.

Este programa está sendo construído com muito entusiasmo e esforço por parte de toda a equipe de Rojo y Negro TV, a quem agradecemos seu compromisso, dedicação e profissionalismo.

Deixamos aqui todas as nossas redes para que nos sigam e se comuniquem com o programa. Contamos com vocês. Só não podes, com amigas sim.

Canal YouTube Rojo y NegroTV:

https://www.youtube.com/channel/UCAdtgt5slNceh_0z2dQqpLw

Twitter: @Al_LioTV

Instagram: Al.LioTV

Tik Tok: al.liotv

Fonte: Secretaria de Comunicação do Comitê Confederal da CGT

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

chuva na praia
o céu beija o mar
– gaivota espera

Zezé Pina

[Grécia] Atenas: expropriação de supermercado por anarquistas

Extraído do panfleto de ação:

Na quarta-feira, 05/04/2023, optamos por expropriar produtos da rede AB Vassilopoulos na área de Zografou.

A facilidade do capitalismo em criar necessidades efêmeras de consumo é uma das razões pelas quais ele pode ser assimilado a qualquer condição social, o que o torna tão durável. No entanto, embora esta condição seja frequentemente encontrada em nosso cotidiano, não podemos ignorar o fato de que algumas de nossas necessidades são deixadas de lado, pois somos forçados a nos alimentar com produtos de baixa qualidade, enquanto nossos adversários de classe têm acesso a produtos melhores, o que tem um impacto direto em nossa qualidade de vida geral.

Parte dos produtos expropriados foram entregues a estruturas do movimento antagonista e também a nós mesmos. Com apenas nossas mãos e uma organização rudimentar, enchemos nossas malas com nossas necessidades que não voltam mais. Por sua vez, pedimos a difusão e reprodução imediata de tais ações em todos os lugares.

ABAIXO OS SUPERMERCADOS, RECUSA DE PAGAMENTOS, GUERRA À GUERRA DOS PATRÕES.

VIDA DE BENEFÍCIOS, SOBREVIVÊNCIA DE DOAÇÕES, CONFRONTOS, GREVES, EXPROPRIAÇÕES.

Setor de expropriação

“A crise agora”

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1624831/

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

no muro o caracol
se derrete nos rabiscos
da assinatura prateada

Dalton Trevisan

[Espanha] “Uma jornada mágica em nossa querida Fundação Anselmo Lorenzo”

Ontem (25/04) participamos de uma jornada mágica em nossa querida Fundação Anselmo Lorenzo (FAL).

Um banho de abraços entre compas iniciava o que seria uma atividade cheia de magia bibliófila.

Aprendemos muito sobre o sistema de catalogação e busca de livros da biblioteca durante a visita guiada, e ficamos babando com alguns exemplares que tinham, ou com a grande quantidade que ali são manejadas, tanto em seu arquivo como ainda por catalogar. Fomos embora com a sensação de que o trabalho que os compas fazem tem uma grande importância e, ao mesmo tempo em que é pouco reconhecido pela grande carga de trabalho que suportam.

Logo chegou a vez da homenagem biográfica de Ricardo Maestre, onde Juan Cruz nos pôs um nó na garganta e arrepiou a pele de todos com sua sensibilidade e a carga emotiva de suas palavras para com nosso histórico companheiro. Reiteramos que não existe um melhor mestre de cerimônias como Juan. Parabéns companheiro.

E para encerrar chegou à vez do recital histórico e contemporâneo com umas emotivas palavras para nossa biblioteca quando abordou Jesús Lizano. Nos trouxeste as lágrimas compas. A vez de José Forte também foi impressionante, logo voltaremos a ter notícias sobre este compa surrealista e anarquista em nossa biblioteca.

Os compas do coletivo dos poetas revolucionários marcaram o encerramento final da jornada entre poemas que nos soavam de sua participação no Rizoma Libertário, e que não nos cansamos de ouvir tantas vezes seja possível, admiráveis!

Por favor… Mais atividades assim!

Biblioteca Libertária Jesús Lizano

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/04/27/espanha-foi-muito-emocionante/

agência de notícias anarquistas-ana

relampejou
sobre as árvores
a tarde trincou

Alonso Alvarez

[Espanha] O exemplo de Mujeres Libres, em uma exposição que se pode ver em Monreal del Campo

A organização feminista e anarquista funcionou entre 1936 e 1939

A Casa de Cultura de Monreal del Campo acolhe até o próximo 7 de maio a exposição Mujeres Libres (1936-39)precursoras de um mundo novo, sobre a organização feminista que, criada no marco do anarcossindicalismo espanhol, se desenvolveu durante a guerra civil. Junto à Confederação Nacional do Trabalho, a Federação Ibérica de Juventudes Libertárias e a Federação Anarquista Ibérica, constituiu uma das organizações clássicas do movimento libertário espanhol.

A exposição Mujeres Libres trata sobre a história destas mulheres, silenciada através dos tempos. Esta mostra recupera a obra e o trabalho de um grupo de mulheres que nasce nos meses prévios a guerra civil com uma tripla finalidade, emancipar da tripla escravidão à qual se encontra submetida a mulher como produtora, como mulher e como objeto.

Nasce com uma função cultural e orientadora devido às altas taxas de analfabetismo feminino onde tentará formar a mulher e elevar sua situação social através da formação e orientação às ideias libertárias como forma de conseguir uma igualdade real através de uma transformação econômica, política e social que promulga o anarquismo.

Instrumentos

Além de organizações e instrumentos de cuidados, de ensino, de alfabetização ou de assistência, criaram-se órgãos como a revista Mujeres Libres, da qual chegaram a publicar 14 exemplares constituindo uma referência na Espanha.

O objetivo desta exposição é conhecer a história de grupos femininos como referências da luta das mulheres ao longo da história, difundir de uma maneira chamativa a história das mulheres através de uma forma educativa e cultural, favorecer a investigação sobre mulheres, fomentar a curiosidade como método para a aprendizagem e a investigação. Salvaguardar e difundir testemunhos desta parte da história e da cultura espanhola no terreno literário e artístico, transladando no tempo à população a uma época passada para avaliar os acontecimentos desde uma perspectiva da atualidade.

A exposição vem acompanhada de duas atividades complementares, as conferências Ética, anarquismo e sexualidade em Amparo Poch y Gascón, por Concha Gómez Cadenas, e Mobilização política da mulher turolense: República e Guerra civil (1931-1938), por Serafín Aldecoa Calvo. A primeira delas se celebrou durante a inauguração enquanto que a segunda se transmitiu ontem na Casa de Cultura de Monreal del Campo.

Fonte: https://www.diariodeteruel.es/cultura/el-ejemplo-de-mujeres-libres-en-una-exposicion-que-puede-verse-en-monreal-del-campo?

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Eu acordo
contando as sílabas;
o haikai ri

Manuela Miga

[França] Sainte Soline (EP Beneficente)

No sábado, 25 de março, em Sainte Soline, nosso camarada Serge foi atingido na cabeça por uma granada explosiva durante a manifestação contra as bacias hidrográficas. Apesar de seu estado de emergência absoluta, a prefeitura impediu conscientemente que os serviços de emergência interviessem a princípio e resolvessem seu transporte em uma unidade de atendimento adaptada logo depois. Ele está atualmente em terapia intensiva neurocirúrgica. Seu prognóstico vital ainda está comprometido. Outro camarada, Mickael, foi atingido na garganta por um tiro LBD e teve que passar por uma delicada cirurgia cerebral. Outros perderam um olho, um pé, uma mão, a audição, etc. Foram 200 feridos após uma hora de confronto com a polícia.

Serge, sabemos que metal não é a sua praia (para citar: “você sabe, o que eu ouço é rap e músicas da Córsega”), mas preparamos isso para quando você acordar, porque é assim que queríamos e que somos capazes de nos expressar depois que você entrou em coma há duas semanas: com raiva visceral. Camaradas, pais, parentes, pensamos em vocês, e vida longa à revolução.

Este EP é “pague o quanto quiser”, todas as doações serão feitas para os seguintes fundos de apoio:

– Kitty para os parentes de Serge e os feridos de Sainte Soline:

www.helloasso.com/associations/la-galere/collectes/solidarite-pour-les-proches-de-serge-et-de-blesses-de-ste-soline

– Kitty para Mickaël: www.leetchi.com/c/mycka-gj-41?

O site dos camaradas do S. (contém traduções): lescamaradesdus.noblogs.org

No Youtube: youtu.be/6Nua34aJKM0

No bandcamp:

https://non-serviam.bandcamp.com/album/non-serviam-biollante-sainte-soline-benefit-split-ep

Tradução > Contrafatual

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/04/21/franca-chamada-a-acao-somos-todos-camaradas-de-serge/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/04/14/franca-tem-mais-um-dia-de-intensos-protestos-contra-reforma-do-sistema-de-aposentadorias/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/04/05/franca-comunicado-de-imprensa-n2-dos-pais-de-serge/

agência de notícias anarquistas-ana

Como que levada
pela brisa, a borboleta
vai de ramo em ramo.

Matsuo Bashô

[Espanha] FEINDEF. Uma feira de armas em tempos de guerra

Mais uma vez, este ano, os senhores da guerra vêm a Madri para expor suas mercadorias de morte, a fim de fazer negócios com o comércio de armas e, assim, aumentar os lucros de suas respectivas empresas. O Desarma Madri continua a ser uma voz crítica contra os negócios que alimentam as guerras que provocam destruição, dor e morte, geralmente longe de casa, mas que nos alarmam quando se aproximam, como agora com a guerra na Ucrânia. Com o slogan “A guerra começa aqui, vamos pará-la aqui“, esta palestra-colóquio no Teatro del barrio, em Madri, no dia 25 de abril, abre um debate muito necessário sobre a contribuição da Espanha para os conflitos, com feiras de armas como esta e com uma militarização da economia que nos torna um dos 10 principais países produtores e exportadores de armas do mundo. Em suma, somos cúmplices de um negócio criminoso, do qual apenas alguns lucram e que causa enorme miséria e destruição.

De 17 a 19 de maio, a IFEMA, em Madri, sediará a terceira edição da Feira Internacional de Defesa e Segurança da Espanha (FEINDEF), que acontece a cada dois anos, de acordo com seus organizadores, com mais de 400 empresas que já reservaram os 40.000 metros quadrados de espaço de exposição, 25 países participantes e mais de 100 delegações internacionais. A primeira coisa surpreendente é o nome: Feira Internacional de Defesa e Segurança. Por que não chamar as coisas pelo seu próprio nome: “Feira Internacional de Armas de Guerra”? Esse certamente seria um título mais realista, claro e descritivo. Antes de afirmar que as armas são para a defesa, devemos nos perguntar: defesa contra o quê? Defesa contra quem? Acreditar que uma feira de armas nos deixará mais seguros requer uma fé cega no militarismo. O que é evidente e historicamente comprovado é que as armas matam, que são muito eficazes nos processos de dominação, subjugação, pilhagem e controle dos povos, mas incapazes de defender os Direitos Humanos, uma vida melhor para a maioria, um mundo mais habitável e hospitaleiro ou a Segurança Humana para todos: acesso à saúde, educação, cultura, moradia, serviços sociais, alimentos, água, ar saudável… tudo o que nos dá segurança e nos permite uma vida digna. Longe disso, o investimento em armamentos e gastos militares é um desperdício de recursos que ameaça a vida digna e a segurança das pessoas e do planeta. Quando a emergência climática ameaça a sobrevivência de milhões de pessoas, espécies e espaços em todo o planeta, os gastos militares são um desperdício intolerável, um abuso do poder do militarismo, das políticas e dos políticos que o implementam. Temos a infelicidade de ter o governo mais militarista da democracia, com um aumento espetacular nos gastos militares que continuam a crescer a cada conselho de ministros. Estima-se que os gastos militares na Espanha em 2023 não cairão abaixo de 48,8 bilhões de euros, disfarçados em partidas de outros ministérios e organismos.

Incentivamos todas as pessoas que querem colocar a vida no centro, que defendem os direitos humanos e da terra, que trabalham pela segurança humana das pessoas mais vulneráveis, a participar desse evento, a mostrar sua oposição à feira de armas, à militarização da economia, das mentes, das fronteiras e dos territórios, a se opor às guerras e àqueles que as promovem, financiam, torcem por elas e lucram com elas.

Fonte: https://alternativasnoviolentas.org/2023/04/21/feindef-una-feria-de-armas-en-tiempos-de-guerra/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

com um traço
a desenhista faz
o vôo do pássaro

Eliakin Rufino

[EUA] 11 de junho: Dia Internacional de Solidariedade com Marius Mason e todos os prisioneiros anarquistas de longa data

Contra o esquecimento, contra o desespero: um chamado para o 11 de junho

Mais um ano se passa e outro 11 de junho está chegando. Mais uma vez, estamos vendo tudo o que se desenrolou na luta anarquista durante este período, tanto triunfos quanto dificuldades, fora dos muros da prisão e dentro. Estamos apreciando a beleza de lutar e a força que pode ser fomentada quando nos recusamos a sucumbir tanto ao esquecimento quanto ao desespero.

Contra o esquecimento: nos recusamos a deixar que o estado desapareça com rebeldes, apague suas palavras doces ou duras de nossas discussões, ou remova ou ofusque suas contribuições para nossas lutas compartilhadas. Em vez disso, nos lembramos deles. Suas ações, palavras, risos, potencial e humanidade. Podemos agir como um canal para o outro através das paredes da prisão e entre as gerações. Eles podem continuar envolvidos à medida que nossas lutas mudam, e podemos mantê-los conectados ao mundo exterior e também o exterior conectado a eles.

Contra o desespero: contra o poder do Estado, pode parecer que nada pode ser feito. O desespero é um espaço muito particular para habitar. Desespero não é desesperança, pois desesperança pode ser uma avaliação justa das circunstâncias. Pode-se ver e reconhecer a desesperança com o coração cheio e o espírito forte. Mas o desespero, o desespero destrói a coragem. O que é o desespero, senão ter conhecimento do sofrimento sem agir contra ele. Nós nos recusamos a chafurdar no reino do desespero indefinidamente. Nós nos recusamos a deixar que o desespero destrua nossa coragem.

Em vez disso, oferecemos esperança uns aos outros. Não uma esperança ingênua ou equivocada que oferece soluções falsas. Mas, em vez disso, uma crença apaixonada em nossas capacidades como indivíduos, e capacidades conjuntas, para continuar. Podemos aprender com pessoas, como prisioneiros, que enfrentam todo o poder do Estado isoladamente e mantêm seus princípios, seu humor, sua coragem e sua determinação. Agiremos não apenas com base no que é possível ou “estratégico”, mas no que sabemos ter valor e significado, tanto por cuidado e amor um pelo outro quanto por nós mesmos, nossa própria vitalidade e espírito. Camaradas presos costumam ser um exemplo incrível de perseverança diante da desesperança. De sair do outro lado para a atividade feroz de nada a perder e nada pior a ser temido.

Atualizações

Nos últimos nove anos, desde que se assumiu para amigos, familiares e apoiadores como um homem trans, Marius Mason defendeu a si mesmo dentro do Bureau of Prisons para mudar seu nome legal, obter acesso a hormônios e ser transferido para um instalação masculina, abrindo caminho para que outros façam o mesmo. Ele iniciou o Dia de Ação e Solidariedade com Prisioneiros Trans. Em sua mensagem no início deste ano, ele diz: “Estamos mais perto desse objetivo do que nunca, como prisioneiros trans. Este ano, o Conselho Executivo Transgênero voltou a se reunir para tomar decisões sobre a transição no Federal Bureau of Prisons. Vários prisioneiros, homens e mulheres trans, foram informados de que atenderam aos requisitos para transição médica e foram aprovados para cirurgias de afirmação de gênero. Eu era um desses poucos afortunados.” Vemos como essas vitórias são precárias quando estão à mercê de nossos inimigos. Mais do que tudo, queremos que ele saia. Este ano, nos consolamos amargamente ao reconhecer que a maior parte da sentença de Marius está atrás dele; ele tem 8 dos 22 anos restantes.

Eric King, que sofreu abusos horríveis na prisão federal, está finalmente saindo este ano. Depois de ser absolvido no ano passado da acusação de agredir um policial, ele foi devolvido a um supermax, onde seu acesso a telefone e comunicação, tempo fora de sua cela e até mesmo visitas legais são extremamente restritos. Ele e sua equipe recentemente entraram com uma ação contra a prisão. Como seu fundo de libertação está recebendo um apoio significativo, Eric e sua família continuam sendo arrastados pelo BOP, disputando a hora e o local de sua libertação.

Michael Kimble tem se dedicado a construir o poder coletivo no Alabama DOC, apoiando outros prisioneiros queer, participando da resistência coletiva e compartilhando a história radical com outras pessoas, enquanto se recupera de vários ferimentos com cuidados médicos precários. Ele conheceu alguém especial lá dentro e se casou no ano passado.

Alfredo Cospito continuou a lutar contra o Estado da prisão. Desde sua sentença inicial por ferir um executivo da indústria nuclear, e uma sentença adicional de prisão perpétua por ações anteriores, ele continua a ser perseguido por seu anarquismo impenitente. O último julgamento contra ele e outros camaradas começou em março deste ano, muitos meses depois de sua greve de fome contra as condições a que está submetido. O Estado italiano tentou enterrá-lo nas masmorras 41 bis tiranicamente isoladas no ano passado, e ele iniciou a greve contra esta “não-vida” em outubro passado. Sua saúde está se deteriorando rapidamente e não temos certeza de que ele sobreviverá por muito mais tempo, mas ele continua sendo um iconoclasta impenitente inspirando inúmeras ações ao redor do mundo.

Anna Beniamino, querida companheira de Alfredo e co-réu durante o julgamento de Scripta Manent, também participou de uma greve de fome em solidariedade a ele de seu local de prisão, mas depois se retirou para recentralizar a luta de Alfredo.

Dan Baker, chegando ao final de sua sentença de 3 anos e meio, tem enfrentado uma onda de assédio e abuso. Seus livros e itens pessoais foram confiscados, e sua comunicação por e-mail e telefone severamente restringida, incluindo sua capacidade de se comunicar com seu advogado, já que os funcionários da prisão estão fazendo todo o possível para punir Dan por suas crenças. Dan sofreu agressão física, a negação de serviços de saúde, incluindo a restrição de seu acesso a medicamentos para asma e tratamento para um tumor, tudo como retaliação que visa comprometer sua data de soltura e suas opções de moradia após a soltura.

Legados de Resistência e Resiliência

A história do 11 de junho está profundamente ligada às ações empreendidas em defesa da terra. Começando com ex-prisioneiros do Green Scare, continua com Marius, que ainda tem 8 anos restantes de sua sentença. Apesar da severa criminalização dos movimentos de libertação e defesa da terra, esses movimentos e atividades não podem ser reprimidos. Muitas lutas não estão apenas em andamento, mas se expandindo e ganhando força. Os povos indígenas continuam lutando para proteger suas terras dos colonizadores e da extração nos EUA, Canadá, Chile, França e México, só para citar alguns. Nos últimos dois anos, o movimento Stop Cop City em Atlanta está demonstrando como mesmo a ameaça (e no caso de Marius, a realidade) de décadas de prisão ainda não consegue nos assustar e nos deixar passivos. Mais e mais pessoas estão agora enfrentando a possibilidade de acusações de terrorismo e a ameaça de serem presas por décadas.

Marius é um grande exemplo de alguém que já enfrentou esse nível de repressão antes e o fez com dignidade, força e cuidado. A continuidade de seu apoio ao longo dos últimos 15 anos é uma demonstração prática de como pode ser o apoio a prisioneiros de longo prazo. Espera-se que a recusa de seu abandono por apoiadores possa dar alguma força aos defensores da floresta e rebeldes enquanto eles enfrentam as ameaças do Estado. Outros casos do Green Scare conseguiram evitar prolongamentos ou condenações a sentenças longas, apesar do pânico moral criado pelo Estado. Independentemente das penas permanecerem, podemos tentar construir um legado de conexão e suporte para aqueles que atuam.

Enquanto o Estado continua atacando mulheres, pessoas queer e trans; elaborando novas leis para policiar nossa saúde e bem-estar, seja na eliminação de nosso acesso ao aborto ou na regulamentação de nosso acesso a hormônios que salvam vidas, cirurgias e cuidados de afirmação de gênero, somos lembrados de que qualquer coisa que o estado nos concede pode ser facilmente removido, e que nossas lutas estão profundamente interligadas e sempre devem permanecer assim.

Os shows de drag tornaram-se o mais recente campo de confronto violento, pois “ousamos” nos reunir. Os transfóbicos continuam a ocupar espaço em palestras universitárias, na televisão e andando na rua. As clínicas de aborto estão enfrentando mais oposição após a revogação de Roe vs. Wade. Mas mesmo que uma oposição poderosa e mais visível surja, também surge nossa capacidade de agir. Os espaços queer estão se recusando a cancelar eventos e, em vez disso, praticando e realizando visões de autodefesa proativa. Ações clandestinas na América do Norte têm como alvo falsas clínicas de aborto, bem como igrejas que espalham retórica pró-vida e homofóbica. “Jane’s Revenge”, um aceno para a rede clandestina de provedores de aborto em Chicago nos anos 70, é um lembrete de que não precisamos ficar de braços cruzados e assistir enquanto os recursos que salvam vidas e nossa humanidade são despojados. Por mais aterrorizantes que sejam esses tempos, é importante lembrar que não precisamos ceder.

O que parece um retrocesso também pode ser visto de outra forma: como a queda da fachada do projeto violento que é o Estado, continuando a se revelar. Os legados de grupos informais como Bash Back e, é claro, de pessoas queer (como Michael Kimble, preso por se defender de um homofóbico racista violento) nos lembram que transfobia e queerfobia estão construídos na própria estrutura do Estado, e que legados de autonomia, autodefesa e sobrevivência fora dos recursos existentes serão sempre vitais. Podemos parar de agitar os punhos para o poder, esperando que ele atenda às nossas demandas. O poder nunca cede às exigências. O que podemos fazer é continuar a nos tornar adeptos das ferramentas para nos proteger; seja aprimorando nossa capacidade de lutar e manter o terreno, desenvolver habilidades em saúde fora da infraestrutura do Estado e aprofundar outros meios para permanecer anônimos, aptos e o mais livres possível, além de exercer nossa capacidade de ação.

Apesar do terror da prisão, Michael Kimble continua a defender para sua própria libertação, encontrou o amor e uma rede de queers dentro das paredes da prisão. Jennifer Rose tem um histórico de se defender contra as administrações prisionais, participando da resistência coletiva e escrevendo e contribuindo para a defesa queer. Marius lutou dentro da prisão pelo acesso a recursos de afirmação de gênero, incluindo uma transferência para uma instalação masculina. Devemos comemorar seus triunfos suados, lembrando também que a maioria dos prisioneiros trans não tem acesso a essas coisas. Vale a pena comemorar as vitórias e também é importante lembrar que as mudanças em nossa sociedade também chegam aos prisioneiros. Mudanças no mundo “livre” que limitam nosso acesso a hormônios que salvam vidas, espaços queer, mudanças de nome e coisas do tipo certamente afetarão os prisioneiros de forma mais severa.

À medida que o Estado continua a invadir nossa autonomia e as políticas violentas permanecem comuns, devemos aceitar a realidade de que tudo o que temos para nos proteger somos nós mesmas. O Estado, sua polícia e prisões sempre imporão limites de raça, gênero e classe. Entendemos que a violência contra pessoas queer ainda é uma realidade cotidiana para muitas, ainda mais quando se cruza com racismo, xenofobia e pobreza; e como anarquistas, nunca estamos interessados em liberdade para alguns; é sobre liberdade para todos nós. Sempre haverá riscos, e a infeliz realidade deste mundo é que viver abertamente como nós mesmos pode trazer policiamento, prisão ou morte. Mas podemos aprender com os legados de queers resilientes e corajosas, encarceradas e livres, de não recuar ou viver com medo ou desespero. Sejamos fortes, ferozes e indispostas a abandonar uns aos outros.

As pessoas têm se levantado contra a polícia desde que a polícia existe. Nos Estados Unidos e em todo o mundo, a intensidade da atividade antipolicial enfraquece. Novamente com movimentos e ações contra a violência do Estado, contra a polícia e contra as mortes de pessoas pretas pela polícia, vemos o fracasso das ameaças e prisões do Estado em nos pacificar. A próxima rodada de luta começa quando os prisioneiros da última rodada são libertados. Eric King está terminando sua sentença de 10 anos por ações tomadas em solidariedade ao levante de Ferguson em 2014. Josh Williams, condenado à sentença mais longa dos protestos de Ferguson, também está chegando ao fim de sua sentença. Nos últimos dois anos, vimos a condenação dos prisioneiros do levante de George Floyd. Malik Muhammad, condenado a uma das sentenças mais longas de 2020, está há alguns anos em uma sentença de quase 10 anos. Em todo o mundo vemos militantes na França, Chile, Haiti e em outros lugares enfrentando a polícia. Na Rússia, vemos anarquistas atacando não apenas a polícia, mas a infraestrutura militar. Ondas de multidões e indivíduos continuam a decidir que, apesar dos riscos, vale a pena enfrentar a polícia.

Espalhando Brasas

Muitos de nós sabemos como é mergulhar no desespero. Quando as perdas se somam, e avançar parece insuperável. Mas parte integrante do espírito anarquista é enfrentar esse desespero de frente, com a determinação de superá-lo e continuar lutando. Os presos anarquistas são um excelente exemplo desse espírito: eles enfrentaram o Estado de frente, enfrentaram as incertezas do julgamento do crime e da pressão do Estado e permaneceram corajosos diante da repressão, bem como da desumanização e violência cotidianas que ocorrem dentro das prisões . Seus casos podem nos ensinar sobre táticas, abordagens, e o caso contra eles pode iluminar o arsenal de ferramentas utilizadas pelo Estado. Prisioneiros rebeldes nos mostram o que significa viver com coragem, resiliência e determinação.

O terreno da luta parece totalmente diferente do que era há dez anos, e estamos constantemente nos adaptando a um contexto em mudança. Mas nossas lutas permanecem interligadas. Às vezes, o impacto das coisas parece sem sentido; intangível. Mas a realidade é que a luta pela liberdade está em constante desenvolvimento e ainda não foi escrita. Ações anônimas de todo o mundo nos lembram, aqui e agora, que não estamos sozinhos em nossa raiva contra esse sistema e que é possível superar o medo, a ansiedade e o desespero para continuar lutando. Rebeldes, conhecidos e desconhecidos, ilustram que é realmente possível agir pela nossa liberdade, aqui e agora.

Duas ferramentas do sistema prisional são o isolamento e o tempo. O isolamento que desgasta o espírito daqueles que estão trancados e o tempo que passa enquanto nós do lado de fora podem nos distrair com tudo o que chama nossa atenção. Mas podemos nos recusar a permitir que essas abordagens tenham o sucesso que buscam. Podemos lembrar aos presos que eles não são esquecidos, que suas contribuições fazem parte de uma luta contínua contra a dominação e em busca da liberdade total. As apostas são realmente altas e querer evitar as atrocidades da prisão é muito compreensível. Mas quando continuamos a incluir os presos anarquistas como parte importante de nossa luta, prestamos homenagem às suas contribuições e mostramos que não estamos recuando, apesar dos riscos.

Permitir que as táticas de divisão da prisão não tenham sucesso é uma contribuição pequena, mas vital, para enfraquecer sua totalidade. Quando mostramos que estar preso não fará com que alguém seja esquecido, demonstramos que o horror e a alienação que alimentam a prisão não precisam se enraizar. Para cada covarde que vendeu seus amigos, amantes, camaradas e valores pelas mesquinhas ofertas de segurança ou conforto, há corações fortes que se recusam a abandonar seus compromissos diante da repressão. Vamos celebrar suas contribuições, seu coração e espírito e suas vidas enquanto nos recusamos a deixar nossa paixão pela liberdade ser obliterada.

Estamos aqui porque nos recusamos a ser vítimas do desespero. Tampouco permitiremos que nossos amigos, companheiros, camaradas ou irmãos desapareçam no esquecimento. Nós os alcançamos como podemos: com cartas e visitas, com dinheiro, gritando seus nomes nas ruas e escrevendo-os nas paredes – enquanto os presos continuam com suas contribuições do outro lado. Nenhuma luta pode ocorrer sem que sejamos lembrados daqueles que lutaram e foram trancados – nem daqueles que morreram.

Acima de tudo, carregamos todos eles em nossos corações enquanto avançamos cuidadosamente pela escuridão, continuando nossa luta coletiva. Assim os mantemos por perto – ninguém será esquecido e nada nesta sociedade será perdoado. Essas linhas intrincadas que unem os meios de dominação estão ao nosso alcance, e continuamos os esforços para cortar cada uma delas.

Não nos baseamos em slogans vazios, deixando a anarquia morrer como um sopro raso exalado de nossas bocas mornas. Agindo de acordo com nossos desejos, revigoramos o sangue vital de nossa luta repetidamente. Assim, continuamos a cuspir fogo nas maquinações da civilização e em todos aqueles que tentam policiar nossa revolta. Cada vez mais isolados, com brasas espalhadas iluminando o caminho para sua base incerta, vamos desmoronar os cadáveres pálidos sustentados como edifícios dominantes acima de nós.

Alfredo nos lembra que não há como perder quando escolhemos como viver, e pode muito bem vencer a morte ao ser semeado de volta à terra.

Nas ruínas do velho mundo nos reuniremos como enxames pacientes, encontrando aqueles que uma vez foram tirados de nós orgulhosamente ao nosso lado e começaremos a olhar para o amanhã.

Nota: Todo ano, 11 de junho serve como um dia para lembrarmos nossos camaradas anarquistas presos a mais tempo por meio de palavras, ações e apoio material contínuo.

https://june11.noblogs.org/2023-call/

Tradução > Contrafatual

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/05/17/internacional-11-de-junho-de-2022-chamado-em-solidariedade-aos-presos-anarquistas-de-penas-longas/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/06/04/eua-dia-internacional-de-solidariedade-com-xs-presxs-anarquistas-de-condenacao-longa-11-de-junho/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/06/16/eua-declaracao-de-11-de-junho-de-2020-da-advogada-de-marius-mason/

agência de notícias anarquistas-ana

pássaros cantando
no escuro
chuvoso amanhecer

Jack Kerouac

[Espanha] 1º de Maio. “Toca nos organizarmos, voltar às ruas, às redes de solidariedade e confiança”

Manifestação desde Puente de Vallecas, Madrid

Todas sabemos que o 1º de Maio é festivo. “O dia do trabalho”, nos dizem. Nós não estamos de acordo, vamos ver o que significa este dia na realidade:

A coisa vem há quase 140 anos e tem que ver com a jornada laboral de 8 horas, e com a solidariedade.

No Século XIX e XX as trabalhadoras se organizavam para melhorar suas condições de vida, não se limitavam a pedir que se cumprisse a lei, pediam o que consideravam justo: poder desfrutar de uma vida que não fosse miséria e trabalho. Uma das reivindicações mais difundidas exigia a jornada laboral de 8 horas, assim o 1º de Maio de 1886, nos EUA, se convocou uma greve que pretendia forçar governos e patrões a estabelecer definitivamente e para todas a jornada de 8 horas.

Chicago era um dos lugares onde as condições laborais eram piores e foi onde os enfrentamentos foram mais duros, as jornadas de protesto se prolongaram e houve muitas mortes. Encarceraram centenas de pessoas trabalhadoras e, em um julgamento mais que duvidoso, a repressão se abateu contra 8 trabalhadores anarquistas, dos quais cinco foram executados mais de um ano depois. Mas antes, e como resultado da greve, muitas patronais se viram forçadas a aceitar a jornada de 8 horas, o êxito não foi total, mas foi um grande avanço, a notícia correu por todo o mundo e também a indignação ante a cruel repressão; o fogo pegou e o 1º de Maio se converteu no dia de luta obreira.

Assim que não, o 1º de Maio não é a festa do trabalho nem das trabalhadoras, é o dia da luta obreira. É o dia em que recordamos aos que lutaram por uma sociedade mais justa, o dia em que recordamos que todas as melhoras nas condições de vida das trabalhadoras se conseguiram lutando e custaram muitas vidas.

Não podemos, nem queremos, esquecer que até as reivindicações mais óbvias, como acabar com o trabalho infantil, tiveram que ser arrancadas ao capitalismo a base de greves e mobilizações.

Não podemos ignorar que muitas dessas reivindicações seguem sem ter sido conseguidas: muitas de nós temos que passar muito das 8 horas laborais para poder viver, as meninas seguem sendo exploradas cruelmente em muitas partes do mundo, sindicalistas e ativistas sociais e ambientais seguem sendo assassinadas.

Não podemos deixar de sentir vergonha vendo como perdemos nossa capacidade de luta e permanecemos quase impassíveis ante os mais que evidentes retrocessos em nossas condições de vida: salários estancados, jornadas laborais cada vez com mais pressão, saúde e pensões em vias de desaparecimento… e nós, entretanto, vendo séries e pensando que os políticos ou os juízes o resolverão.

Vergonha infinita vendo como a solidariedade desapareceu de nossas sociedades, impassíveis ante a morte de milhares de pessoas nas fronteiras, ou nas guerras impulsionadas pela depredação capitalista. Impassíveis ante a evidente destruição do meio ambiente do qual depende a existência de todas.

As coisas vão mal e vão piorar. Urge sacudir-nos o pó da grande mentira da classe média. Urge deixar de confiar nos parlamentos e leis que, no melhor dos casos, melhoram um pouco os problemas das pessoas pobres, enquanto usam todos os recursos quando se trata dos das pessoas ricas e suas empresas; se resgata antes a bancos que a pessoas.

Toca nos organizarmos, voltar às ruas, às redes de solidariedade e confiança, perder o receio entre pobres e menos pobres e recuperar o ódio aos ricos e seus esbirros. Há, em suma, que recordar e pôr em prática que A luta É O ÚNICO CAMINHO.

Fonte: https://cntmadrid.org/1-de-Maio-manifestacion-desde-puente-de-vallecas/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

gota no vidro
um rosto na janela
olhar perdido

Carlos Seabra

[Rússia] Angariação de fundos para o músico punk-rock Yaroslav Vilchevski, acusado de justificar o terrorismo

Em 4 de janeiro de 2023, Yaroslav Vilchevski, de 32 anos, foi preso por postar em seu canal de Telegram sobre o anarquista Mikhail Zhobitski. A Radio Liberty o chamou de anarquista, mas ele mesmo está se identificando como ativista dos direitos dos animais e músico. A Radio Liberty citou alguns de seus comentários e também criticou a mobilização em massa quando foi anunciada na Rússia.

Vilchevski organizou diversos festivais de música, como o “Rock pela proteção dos animais”, publicou o zine “Punk revival”, e também esteve envolvido nas ações do Food Not Bombs. No outono de 2022, ele administrava um grupo na rede social Vkontakte (semelhante ao Facebook) e, devido a postagens lá, foi preso.

A Cruz Negra Anarquista de Moscou está levantando fundos para um advogado de Yaroslav. Você pode apoiar o esforço de arrecadação de fundos doando para a conta Paypal abc-msk@riseup.net.

IMPORTANTE! Por favor, adicione uma observação de que a doação é para Vilchevski, porque, caso contrário, não é possível separar as doações para diferentes arrecadadores de fundos.

Cartão do Banco Russo (Sber): 2202 2009 2194 4946 (Marina Borisovna G.)

Atualmente, Yaroslav está detido em Vladivostok na prisão número 1 sob prisão preventiva e ficaria muito feliz em receber cartas:

Yaroslav Borisovich Vilchevski 1990 gr

SIZO-1, Partizanski pr. 28b.

Vladivostok, Primorski Kray 690106 Russo.

Caso seu país tenha interrompido o serviço de correio com a Rússia, basta escrever através do nosso endereço de e-mail abc-msk@riseup.net

Continue apoiando prisioneiros na Rússia

Você pode encontrar os endereços de contato de todos os prisioneiros na Rússia apoiados por nós aqui (https://wiki.avtonom.org/en/index.php/Category:Currently_imprisoned_in_Russia) e instruções sobre como doar aqui (https://wiki.avtonom.org/en/index.php/Donate). Se você quiser fazer uma doação para um prisioneiro ou caso específico, entre em contato conosco com antecedência para garantir que os apoiadores do prisioneiro ou caso estejam coletando doações no momento.

Fonte: https://avtonom.org/en/news/fundraising-punk-rock-musician-yaroslav-vilchevski-accused-justification-terrorism

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Cascavel enrodilhada
Desmente a paz promtida
Nos gorgeios da alvorada.

Lubell

[Espanha] 1º de Maio Interseccional 2023 em Madri

A assembleia do 1º de Maio Interseccional é uma aliança de coletivos antirracistas, transfeministas, dissidentes de sexo gênero, movimentos sociais de base e sindicatos combativos. Convocamos pelo terceiro ano consecutivo uma manifestação à margem dos partidos políticos, de sindicatos burocráticos e outras organizações complacentes com o sistema capitalista.

Sob o lema Sustentar. Tecer. Somar o 1º de Maio Interseccional reivindica a luta diária dos movimentos sociais em vários eixos:

  • O que luta por uma saúde pública, universal e aberta a todos na qual se respeite a diversidade de identidades, corpos e desejos, a autonomia e a dignidade em todos os momentos da vida, exigindo também uma saúde mental humanizada e comunitária, sem protocolos que conduzam à tortura. Hoje mais do que nunca a saúde mental deve ser uma prioridade.
  • O que exige uma Lei contra o racismo que combata eficazmente o racismo estrutural e institucional, a regularização imediata e sem condições de todas as pessoas em situação irregular no Estado espanhol, a revogação da Lei de Estrangeiros e a acolhida de toda a população refugiada sem importar sua procedência ou sua cor de pele. O fechamento dos CIEs.
  • O que não se cala ante a precarização e o empobrecimento da classe trabalhadora, sobretudo daquela migrante e racializada, e reclama a integração na Seguridade Social das trabalhadoras do lar e dos cuidados.
  • O que exige que as trabalhadoras sexuais devem ter os mesmos direitos laborais que as outras trabalhadoras.

Entre as organizações convocantes estão os sindicatos CNT e CGT, o Sindicato de Ambulantes, a Comissão 8M, a assembleia Antirracista de Madri, o Sindicato de Inquilinas, Território Doméstico, Sindicato de trabalhadoras sexuais OUTRAS, o Bloco Bollero de Madri, entre outros.

A manifestação, sairá da Plaza Maior às 11h30, para chegar à Las Vistillas, onde a partir das 14h30h se desenvolverá um evento político festivo.

Manifesto completo disponível na web: 1deMaiointerseccional.wordpress.com

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Uma borboleta
Na minha pequena rua
Uma floricultura

Suemi Arai

[Espanha] “Foi muito emocionante!”

Ontem (25/04), quisemos celebrar o Dia do Livro com uma visita guiada à nossa biblioteca. Além de mostrar algumas das joias da coleção, mostramos como trabalhamos o acervo e a função do espaço de trabalho da biblioteca no centro documental da Fundação.

Também lembramos o companheiro Ricardo Mestre, bibliotecário e editor anarquista, fundador da editora Minerva e da Biblioteca Social Reconstruir, na Cidade do México; um exemplo de militância e generosidade que continua a inspirar muitos companheiros e companheiras até hoje.

Em seguida, tivemos um recital de poesia em que também lemos poemas de Lucía Sánchez Saornil, Antonio José Forte e Jesús Lizano. Junto com eles, a Acción Poética Revolucionaria, Vanessa Basurto, Belén García Nieto e Raúl Castañeda.

Obrigado a todos vocês! Foi muito emocionante!

Fundação Anselmo Lorenzo de Estudos Libertários (FAL)

fal.cnt.es

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/04/17/espanha-a-fal-lhes-mostra-o-avanco-conseguido-gracas-a-vosso-apoio-durante-o-crowdfunding/

agência de notícias anarquistas-ana

O vaga-lume à noite
acende sua luz.
Pisca-pisca.

Aprendiz