[França] Comunicado dos companheiros e companheiras de uma pessoa gravemente ferida em Saint-Soline

Nós, companheiras e companheiros próximos a uma pessoa gravemente ferida durante os eventos este fim de semana [26/03] em Sainte-Soline, deseja falar hoje publicamente para afirmar nossas posições e denunciar a violência policial contra os militantes presentes.

Antes de tudo, sentimos que é importante afirmar nosso inabalável apoio a todos aqueles que sofrem a repressão do Estado, quem quer que sejam e onde quer que estejam.

Gostaríamos de lembrar que esta violência não é nova, ela sempre existiu.

De bairros a manifestações.

Este fim de semana, embora estejamos em um período crucial, embora todos nós sentimos o início de algo no coração deste movimento social, o Estado tentou nos enviar uma mensagem.

Neste fim de semana, o Estado tentou nos atingir em nosso corpo, em nossa carne, em nossa alma.

Neste fim de semana, ele tentou nos silenciar.

Mas sejamos claros: mesmo que tivéssemos medo, mesmo que não o façamos esquecer estes eventos, eles só conseguiram alimentar o fogo que já estava crescendo dentro de nós, e hoje somos nós que temos uma mensagem a dar-lhes:

Não nos curvaremos, mesmo que não possamos negar a existência de um certo medo, vamos continuar a lutar. Coletivamente, e juntos, continuaremos a confrontá-los para fazê-los lamentar o que fizeram com nossos entes queridos, nossos companheiros e nossas companheiras e tantas outras pessoas.

É por isso que apelamos a todos os componentes da luta atual para responder, para organizar, para multiplicar ações radicais contra este Estado que este fim de semana, e por tantos anos, tentou para nos extinguir.

Por respeito a nossos dois companheiros Serge e Mickael, atualmente em coma.

Por respeito àqueles que foram mortos pela polícia.

Por respeito àqueles que foram mutilados pela polícia.

Por respeito àqueles que sofreram violência policial.

E também por respeito a Rémi Fraisse e sua família, para quem temos um pensamento especial, pois esta história ressoa entre nós.

Chegou a hora de derrubar seu sistema! E não esqueçamos que se eles tentarem para nos assustar tanto, é porque na verdade eles têm medo de nós. Eles têm medo de quem somos. Eles têm medo do que nós representamos. Nós lhes daremos razão.

Fonte: https://lescamaradesdus.noblogs.org/post/2023/03/31/communique-des-proches-dune-personne-blessee-gravement-a-saint-soline/

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

para onde
nos atrai
o azul?

Guimarães Rosa

[Alemanha] Ativistas sabotam a mina de Garzweiler serrando poste de eletricidade

12 de março de 2023, NRW.

Segundo a imprensa, no dia 12 de março a RWE acordou com a queda de um poste de eletricidade de 80 metros de altura. O poste, infraestrutura crítica para a mina, fornece eletricidade para a operação de extração de carvão de linhito, então eles tiveram que desligar dois dos quatro circuitos de energia. Após investigação, descobriu-se que o poste havia sido sabotado, os parafusos foram afrouxados e partes da perna de metal serradas, possivelmente com meses de antecedência. O vento forte teria rasgado as pernas, tornando isso literalmente “a natureza se defendendo”!

Esta não é a primeira vez que a RWE recebe ataques a postes de eletricidade, já que a infraestrutura crítica é um alvo difícil de proteger e, ao mesmo tempo, absolutamente necessária para suas operações de mineração de carvão. Em 2016, outro poste de eletricidade foi serrado e caiu em sua mina de Inden. No mesmo ano, os cabos elétricos subterrâneos que fornecem energia para a correia transportadora de carvão na floresta de Hambacher foram incendiados, deixando um show de luzes brilhantes no buraco aberto durante a maior parte da noite.

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Se afasta a lanterna
Sumindo na escuridão —
O canto do cuco.

Shiki

[Espanha] Protestos no país vizinho

Há anos, ouço todo tipo de estupidez sobre pessoas nascidas na França. Assim, “os gabachos isto…”, “os gabachos que…” e, especialmente no campo do esporte, há aqueles que muitas vezes lambem os lábios pateticamente com prazer quando um grupo de tal ou tal ou grupo hispânico bate em outro do país vizinho. Quando ouço tal argumento, não posso deixar de torcer o rosto, amaldiçoando a coisa mais sagrada, lamentando a raça humana e lembrando mais uma vez a desejada fraternidade que cruza qualquer fronteira artificial criada pelos homo sapiens. É verdade que o chamado chauvinismo parece ter uma origem francesa, e não duvido que existam mais do que alguns gauleses que acreditam ter trazido mais luz ao mundo, algo tão repulsivo na França como, sem ir mais longe, neste país inefável, chamado Reino da Espanha, onde tantos reacionários nos fariam acreditar que a tradição imperial hispânica era muito benevolente. A verdade é que este tipo de patriotismo exacerbado (algo que, além do mais, considero um pleonasmo) me parece comum a qualquer lugar que tenha gerado aquele horror chamado Estado-nação, uma mistificação que submete o povo em um território, concentrando instituições coercivas em poucas mãos privilegiadas, e que impede a fraternidade universal. Mas voltemos ao que está acontecendo neste momento no país vizinho.

Só podemos saudar o fato de que as pessoas, mesmo fora dos partidos políticos e sindicatos, estão protestando nas cidades francesas, e com razão. Uma lei imposta pelo executivo, dirigida pelo fantoche habitual das elites financeiras, eleva a idade mínima de aposentadoria de 62 para 64 anos e, parece uma piada, aumenta o número de anos de contribuição para nada menos que 43. Há quem assinale que a aprovação desta lei surgiu por não saber que truque da Constituição francesa, que permite ao Presidente da República fazer o que quiser sem a necessidade de votar na Assembleia Nacional, onde Macron não tem sequer maioria. Bem, detalhes à parte sobre cada Carta Magna, estas são as virtudes das chamadas “democracias” em qualquer país. Seja como for, o que é certo é que esta foi a gota d’água que quebrou as costas do camelo, de modo que as manifestações surgiram espontânea e virulentamente em grande parte de um país onde uma das primeiras experiências autogeridas da história aconteceu com a chamada Comuna de Paris. A fúria do povo é agora desencadeada diariamente na forma de protestos, embora um pouco selvagens, sem qualquer permissão do Estado e com barricadas queimando nas ruas. Infelizmente, como diz o ditado clássico, os direitos são conquistados ao se derrotar o sistema.

Sem que o país tenha sido completamente bloqueado a qualquer momento, também houve greves nos setores de energia, no transporte ferroviário ou na coleta de lixo (que acabaram como barricadas em chamas) ou mesmo, ocasionalmente, no ensino público. Relembrando o Maio em Paris, um dos eventos que marcaram politicamente a modernidade, os estudantes também coordenaram e se mobilizaram em protestos geminados com os dos trabalhadores. É claro que o governo reagiu e a repressão está se intensificando com ações policiais selvagens, mas isto não desmoraliza e não desalenta uma população francesa unida e enérgica, que disse: “Basta! É claro que o Estado é o único legitimado a usar a força, o que é o mesmo que defender as elites políticas e econômicas. Talvez Macron tenha feito o que outros governantes fazem de forma mais sutil, contornando assembleias e parlamentos, órgãos supostamente democráticos. E a questão das pensões públicas, que eles ameaçam há muitos anos porque são vistas como insustentáveis, é apenas mais uma das muitas falácias que o sistema usa para manter a população subjugada. Portanto, com o exemplo de nossos irmãos e irmãs franceses, sim, hoje me sinto muito mais próximo deles.

Juan Cáspar

Fonte: http://acracia.org/protestas-en-el-pais-vecino/

Tradução > Liberto

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As nuvens do céu –
o céu do infinito
eu de nenhum lugar

Stefan Theodoru

Resenha: Neno Vasco por Neno Vasco: fragmentos autobiográficos de um anarquista

Que este livro possa mobilizar em você esses e outros afetos, mas que também inspire a lutar pela construção de novas relações radicalmente igualitárias e igualmente libertárias.

Por Vitor Ahagon

Confesso que quando li, pela primeira vez, o trabalho do historiador, pesquisador – e, sobretudo, amigo – Thiago Lemos, fui tomado por muitos sentimentos. Antes de tudo, fiquei orgulhoso de ter próximo a mim um amigo e companheiro talentoso, pois me impressionou como Thiago conseguiu unir rigor metodológico, sensibilidade narrativa e reflexão crítica, virtudes tão raras em tempos de produções acadêmicas que visam apenas preencher e encher o Currículo Lattes. Mas também, logo em seguida, senti uma vontade tremenda de falar sobre essa obra e da sua importância, tanto no que tange à pesquisa, quanto à militância. Apesar dos desejos, essa não foi uma tarefa fácil, acreditem, só o começo desse texto foi escrito umas quatro ou cinco vezes. Acho que senti um receio que adveio, justamente, de saber o tamanho da importância do livro de Thiago.

Envolto nessa atmosfera, enfim, comecei a refletir a respeito do que iria escrever. Usualmente, as resenhas de livros são elaborados para ressaltar o valor da obra que estão apresentando, mas logo nas primeiras páginas, o leitor percebe que a escrita ágil e arguta de Thiago Lemos já realiza tal tarefa de forma brilhante, por isso, julguei que seria mais interessante pincelar um ou dois aspectos que mais me marcaram do livro.

Evidentemente, um dos traços que mais me impressionou, e que continua me impressionando muito, é o rigor metodológico do trabalho do pesquisador. Seguindo a tradição de outros pesquisadores anarquistas, como Elisée Reclus e Piotr Kropotkin, Thiago Lemos tem o mesmo cuidado em nos apresentar os principais debates historiográficos para a construção de biografias e trajetórias individuais. Assim, mobilizando todo um arcabouço teórico-metodológico, nos apresenta Neno Vasco em sua complexidade. Sem a pretensão de abarcar todos os aspectos de sua vida enquanto um indivíduo indivisível ou monolítico, o historiador, utilizando a metáfora do mosaico, nos expõe fragmentos da vida e a trajetória militante de Vasco em sua singularidade, ao mesmo tempo em que nos revela o vínculo intrínseco com os aspectos estruturais da sociedade capitalista da aurora do século XX.

Assim como Kropotkin, ao dissertar sobre a ciência de seu tempo, Thiago entende que o conhecimento histórico sofreu uma transformação que obrigou o historiador a se debruçar sobre seu objeto de estudo a partir de uma nova perspectiva, na qual cada um dos aspectos singulares dos “infinitamente pequenos”, em tensão e diálogo com a totalidade que está integrado, nos revela a potência e as fragilidades que cada um de nós construímos em nosso percurso enquanto seres singulares.

Para analisar essa relação tensa e complexa entre singularidade e totalidade, Thiago utilizou uma variedade enorme de fontes, como cartas, jornais e outros, porém acabou privilegiando as crônicas que Neno Vasco escrevia para a imprensa operária e anarquista daqui e de lá do Atlântico. Escolha certeira, pois foi através delas que conseguiu ressaltar como Vasco foi se construindo ao longo de sua militância, quais foram as ponderações que avaliou e como enfrentou os problemas que atingiam toda classe trabalhadora.

A crônica, sendo um gênero literário que registra os acontecimentos corriqueiros do cotidiano, ganhou, nos escritos de Vasco, a dimensão do fazer-se da militância anarquista nas suas mais variadas facetas, como a educativa, a anticlerical, a sindical e muitas outras. Podemos dizer que, na medida em que produzia a crônica do cotidiano militante, construía também um diagnóstico do que é crônico no próprio capitalismo, ou seja, o que se repete de forma ininterrupta e que faz adoecer tantas pessoas, levando muitas delas ao óbito, como até mesmo ele próprio, vitimado pela tuberculose em decorrência da pobreza que lhe sugava, de forma vampiresca, a saúde.

Foi a partir dessa perspectiva, que Lemos discorreu sobre o desenraizamento da classe trabalhadora na mundialização do capitalismo e o consequente recrudescimento do nacionalismo e da xenofobia; falou sobre as questões de gênero e o patriarcado, a exploração da força de trabalho e a luta de classes; a promiscuidade entre religião e política, a violência dos opressores e a reação dos oprimidos; os significados da Guerra e da Revolução… Todos esses foram os sintomas que Vasco analisou e que Thiago conseguiu, com um olhar sensível e escrita afiada, perceber como se repetem até os dias de hoje. As suas manifestações podem ser diferentes, mas estão sempre presentes, latentes, no corpo social até o dia em que Capital e Estado deixarem de existir. Thiago, quando traz os textos de Neno Vasco, faz ecoar a forma como o anarquista buscou lidar com esses sintomas, quais foram as suas propostas para tal ou mesmo acabar com esses sofrimentos e talvez essa seja uma das lições mais importantes deste livro.

Espero que com essas singelas palavras, eu tenha conseguido transmitir para os leitores a emoção que foi ler o trabalho desse incansável pesquisador, militante e valoroso amigo. Que este livro possa mobilizar em você esses e outros afetos, mas que também inspire, assim como fez comigo, a lutar pela construção de novas relações radicalmente igualitárias e igualmente libertárias.

Notas:

[1] KROPOTKIN, Piotr. Anarquia, sua filosofia, seu ideal. Editora Imaginário, São Paulo, 2000, p. 28.

Ilustração em destaque de Julio Pomar (1926-2018).

Fonte: https://passapalavra.info/2023/03/148066/

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agência de notícias anarquistas-ana

Sobre o varal
a cerejeira prepara
o amanhecer

Eugénia Tabosa

Salário-mínimo 2023: Lula anuncia aumento para R$ 6.388,55

Alfredo Cospito, Retrospectiva sobre as condições das prisões italianas, relatório e condições de detenção do 41 bis – Reivindicação de responsabilidade 31/03

Alfredo Cospito. O inconstitucional processo de extermínio de presos – Retrospectiva sobre as condições das prisões italianas, referência histórica e condições de detenção do regime 41 bis – Reivindicação de responsabilidade 31 de março

Por Fúria e Consciência (4R)

‘O corpo é uma ferramenta poderosa para usar como megafone quando sua voz é reduzida a um sussurro

É o que nos diz a greve de fome de Alfredo.

No entanto, quanto tempo ele pode resistir organicamente quando chegou a um beco sem saída, com danos irreversíveis e enquanto a morte está a um gemido?

Para o Estado vingativo, o lema muda. Não há atenuantes e na greve de fome, que tem uma importância decisiva, deve terminar e calar quem se atreve a questionar a sua onipotência: ‘Quem é a causa da sua dor, que sofra por si mesmo’, diz a sussurrar.

Quem resiste deve ser punido, aniquilado, rendido, e se não for rendido, o Estado conta com a sua morte.

Vamos lá, Alfredo não recua nem um centímetro… ‘Não posso me render a essa vida’.

A esta altura, inevitavelmente vêm à mente as palavras de Maria Soledad Rosas (Sole), que se suicidou em 11 de julho de 1998: ‘A prisão é um lugar de tortura física e mental. Aqui você não tem absolutamente nada, não consegue decidir a que horas vai levantar, a que horas vai comer, com quem vai falar, com quem vai se encontrar, a que horas vai ver o sol’.

Três meses antes, em 28 de março, Edoardo Massari (Baleno) foi encontrado enforcado em sua cela na prisão de Vallette, em Turim. Sole e Baleno foram companheiros de vida e lutas.

Em 2022, 84 pessoas cometeram suicídio nas prisões italianas. Uma a cada cinco dias. É o maior número de suicídios registrado na Itália desde 2000 (ou seja, desde que esses dados foram disponibilizados), tendo a prisão de Foggia registrado o maior número de incidentes.

A situação nas prisões piora ano a ano, fato que em 2013 levou a Itália a ser condenada pela Corte Europeia de Direitos Humanos por violação do artigo 3º da Convenção Europeia, por tratamento desumano e degradante de presos.

Além disso, a população carcerária quase dobrou: em 1991, havia 31.053 presos, enquanto hoje é de 56.158, ao mesmo tempo em que as prisões podem acomodar no máximo 45.000 pessoas.

70% da população carcerária é composta por viciados em drogas, enquanto 17.882 são estrangeiros.

As sentenças de prisão perpétua mais do que quadruplicaram. De 408 em 1992, hoje são 1.859, dos quais dois terços – exatamente 1.267 – são imputados como “prisão perpétua com invalidez”: art., suspensão, trabalho externo – até que o indivíduo ‘colabore com o Estado’. Como aponta o escritor e pensador Luigi Ferrajoli, essa ‘condição’ de cooperação é contrária aos princípios da civilização, segundo os quais ninguém é obrigado a se incriminar ou a cooperar com a acusação.

Além disso, embora seja elevado o número de armazéns ‘penitenciários’ no país, seu estado de conservação é precário – 20% dos quais datam de antes de 1900 -, com condições sanitárias que não correspondem a uma vida digna básica para os presos, com celas de 10 metros quadrados onde muitas vezes até 8 pessoas são presas.

“A civilização de um país pode ser vista pelo padrão de vida de seus prisioneiros”, disse Dostoiévski. De acordo com os dados acima, a Itália é um país civilizado?

Voltando ao “caso Cospito”, a greve de Alfredo trouxe de volta à tona o artigo 41 bis, que prevê restrições e condições de vida ainda mais desumanas em comparação com outros presos.

Por exemplo, um preso em uma “prisão dura” está sozinho em uma cela, completamente isolado de todos os outros presos, sem ter acesso às áreas comuns. A única condição estipulada para o ‘ar’ (passar algum tempo durante o dia nos espaços abertos da penitenciária – novamente sem entrar em contato com ninguém -) é de no máximo duas horas, que muitas vezes nem são dadas.

Qualquer contato é proibido. Seja pessoalmente ou por correio. A restrição é a seguinte: Presencialmente, é permitido apenas uma vez por mês e somente com familiares, sem contato físico, com dupla divisória no meio e apresentar agentes penitenciários de ambos os lados, sem possibilidade física de passagem de qualquer objeto (de uma caderneta ‘verificada’ e mais nada), enquanto por telefone, pode-se fazer no máximo uma ligação de dez minutos por mês, sempre gravada, devendo a pessoa (da família) comunicar estar na delegacia para a chamada. Todas as mensagens são monitoradas o tempo todo, e o prisioneiro está sob vigilância por vídeo 24 horas. No corredor da morte, o prisioneiro não tem permissão para nenhum estímulo para passar o tempo.

Atualmente, existem 728 presos sujeitos ao 41 bis, sendo 716 homens e 12 mulheres. O presídio com o maior número de presos no status 41 bis (143) é o de L’Aquila, em Abruzzo. Lá também cumpre pena Matteo Messina Denaro, de 80 anos, que nestes dias se recusou a receber um diagnóstico e tratamento para sua doença. Na seção feminina, Nadia Lioce, membro da Brigada Vermelha, cumpre prisão perpétua pelos assassinatos de Biagi e D’Antona. Os advogados da citada mencionaram que depois de duas décadas no 41 bis e devido às restrições, durante o período de um ano, ela só conseguiu falar com uma pessoa por 15 horas.

Todas as prisões que abrigam pessoas sob o regime 41 bis estão localizadas no Norte, não há nenhuma no Sul. Destas, 242 estão ligadas à Camorra, 232 à Cosa Nostra e 195 à ‘Ndrangheta. Outros 55 presos estão ligados a outras organizações mafiosas, como Sacra Corona Unita e Stidda, enquanto apenas 4 estão por crimes de terrorismo nacional e internacional, entre eles Alfredo, que é o único anarquista preso sob o regime 41 bis.

A idade média destes reclusos é de 58 anos, sendo que 340 deles (cerca de 50% do total) têm 60 anos ou mais.

O Estatuto 41 bis é inteiramente um ‘golfo italiano’. A ordem foi introduzida com a chamada lei Gozzini em 1975, mas inicialmente pretendia ser apenas uma medida temporária para lidar com tumultos dentro das prisões. Este regulamento tinha, portanto, uma ‘finalidade preventiva’ contra situações perigosas exclusivamente dentro da prisão.

Após o massacre de Capaci em 1992, um segundo parágrafo foi adicionado ao artigo, que estendeu sua aplicação aos ‘chefes da máfia’. Portanto, foi concebido como um ‘arranjo de emergência e transição’ por três anos. No entanto, isso não aconteceu e, em 2002, a lei tornou-se definitiva e aplicável a membros de organizações ‘criminosas, terroristas e subversivas’. Seu objetivo: impedir a comunicação entre ‘dentro e fora’, para que ninguém continue gerenciando e dirigindo as organizações criminosas de dentro da prisão, ouvir a opinião do promotor que está conduzindo a investigação. No caso de Alfredo, não houve tal decisão – juridicamente fundamentada.

O estatuto 41 bis – que normalmente dura quatro anos – pode ser revogado em dois casos: expiração do prazo sem que seja decretada a prorrogação, ou por despacho do tribunal tutelar em caso de reclamação/recurso, quando a decisão sobre a ilegalidade da medida deve seguir.

O Tribunal Constitucional, que, entre 1993 e 2002, foi repetidamente chamado a pronunciar-se sobre a sua legalidade, até agora nunca criticou a legalidade do 41 bis. Apesar da Constituição italiana que estabelece no art. 27 par.3 que “a pena deve visar a reeducação do condenado”.

De acordo com sua constituição, punição não é vingança. Eu assumi tudo. Então eles vão apelar populistas ao público em geral: o que você quer, para restabelecer Matteo Messina Denaro? Em teoria sim, a própria constituição propõe isso, na prática isso não se aplica em nenhum dos casos. E se o grande público não consegue perceber uma sociedade completamente diferente, pelo menos deveria entender que nem todo Messina pode ser emparedado vivo, como faz o Estado vingativo que, além da ‘fiscalização’, extermina o preso. Devem ser tratados com severidade porque não há possibilidade de ‘reintegrá-los’, e quem pensa o contrário é considerado, no mínimo, ingênuo. Ou no caso de ser anarquista, ‘perigoso’ por apoiar ‘adversários políticos do Estado’.

Em 2007, os Estados Unidos se recusaram a extraditar um chefe da máfia na Itália (Gambino) justamente porque (até agora) os juízes americanos consideravam o 41 bis um ‘sistema penal’ que abole o respeito aos direitos fundamentais dos presos.

Tanto que, aliás, em 2019, Nordio definiu o 41 bis como ”isolamento mortuário e incivilizado”. No 41 bis ”você não vive, apenas mantém vivo um corpo que já não lhe pertence, porque é propriedade do Ministério da Justiça”, disse.

Com exceção de Alfredo.

Ao que tudo indica, no seu caso, as palavras voam e desaparecem, pois o mesmo ministro da “Justiça” recusou o recurso da defesa de Cospito, frisando que o “perigoso anarquista não deve ter qualquer contato com o mundo exterior” e “o Estado – neste caso – deve aplicar a pena com o máximo rigor, estabilidade e determinação”.

Encerramos com uma reivindicação de responsabilidade que aconteceu hoje, 31 de março, nas primeiras horas da manhã, envolvendo em chamas os veículos da empresa Iren (recém-criada e de suma importância neste momento na Itália para a produção e distribuição de energia elétrica e serviços tecnológicos), numa zona central de Gênova. Entre outras coisas, Iren firmou acordos com a israelense Mekorot, uma empresa de água que implementa a água do apartheid para o povo palestino.

“Os nossos pensamentos estão com Alfredo, que com a sua Luta – um verdadeiro Manifesto de Dignidade e Liberdade – deu-nos a força e a coragem para enfrentar e lutar”.

Este ataque se soma aos muitos que foram registrados nas últimas semanas, e que são nada menos que a Tempestade que ocorrerá se o Companheiro Alfredo for deixado para morrer nas mãos do Estado Assassino.

Do lado da FAI, esta é uma promessa.

agência de notícias anarquistas-ana

lavrando o campo:
do templo aos cumes
o canto do galo

Buson

[França] Comunicado à imprensa do Sindicato Nacional dos Guias de Montanha

A seguir, comunicado do Sindicato Nacional dos Guias de Montanha em relação ao tratamento canalha que está sendo reservado por parte da mídia francesa ao companheiro Serge, atingido por uma granada disparada pela polícia durante manifestação contra reservatórios de água em Sainte Soline, no dia 26 de março passado. Serge corre risco de morte.

Serge era um guia de montanha.

Quarta-feira, 29 de março de 2023

“Gostaríamos de testemunhar a vocês, nós, montanhistas profissionais, o amor de Serge por sua terra e sua profissão, mas também nossa admiração por seu humanismo e sua humildade. Reconhecido como um profissional apaixonado e cheio de entusiasmo, corajoso e humilde, empenhado no respeito pela natureza e pelo ser humano, profundamente altruísta, envolvido na partilha deste amor pelas nossas montanhas e pelas nossas terras com cada um. Estamos com ele, juntos, pela verdade e pelo respeito aos direitos humanos.”

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agência de notícias anarquistas-ana

Num atalho da montanha
Sorrindo
uma violeta

Matsuo Bashô

[Grécia] Sempre: a ocupação Mundo Nuevo vai ficar!

Ao meio-dia de 16 de março de 2023, pouco antes do fim da manifestação grevista [dia de Greve Geral na Grécia], 15 companheiros e companheiras da ocupação Mundo Nuevo retomam o prédio desocupado, no qual foram instaladas chapas duplas, alarmes e câmeras. A retomada do Mundo Nuevo foi recebida com um ataque policial imediato e violento ao mundo solidário e à segurança do prédio. Os assassinos uniformizados do Estado evacuaram o prédio novamente, prendendo os companheiros e companheiras que estavam lá dentro.

A ocupação Mundo Nuevo foi desocupada em 28 de novembro de 2022 por policiais blindados, que durante meses acamparam do lado de fora do prédio, atuando como um exército de ocupação nas proximidades da ocupação. Sua evacuação faz parte do ataque aos ocupantes. Uma meta permanente e declarada do Estado pertencente à estratégia da contrainsurgência, sobretudo a partir de dezembro de 2008, em sua tentativa de erradicar os focos da luta coletiva auto-organizada. A greve das resistências sociais e de classe mais amplas, que irrompem da base, assim como o direcionamento das ocupações, visam aterrorizar e disciplinar as camadas plebéias da sociedade, pela invasão desimpedida da brutalidade estatal e capitalista.

Portanto, mesmo agora, em um momento em que a raiva social reprimida está se manifestando em todo o país, tanto pelos assassinatos do Estado em Tempe quanto contra uma condição mais geral de extrema exploração e empobrecimento da base social, o sistema capitalista de Estado está atacando ainda mais, com termos mais estridentes, para aterrorizar os que lutam e para conter a convulsão social que inunda as ruas. As manifestações de massa e greves, as mobilizações contínuas, as ocupações de universidades, escolas de arte e teatros, a ocupação da reitoria da EKPA por estudantes e pessoas solidárias e a reocupação do Mundo Nuevo são uma expressão material de resistência e questionamento contra um sistema de poder que promove assassinatos em fronteiras, em trilhos de trem, em delegacias de polícia e bloqueios de estradas.

As ocupas são pontos de referência da luta anarquista, pontos de resistência à brutalidade estatal e capitalista. Elas são uma expressão material da luta e da visão de outra sociedade em oposição direta ao sistema de poder estatal, capitalista e patriarcal. São campos que alimentam as resistências sociais e de classe, são as estruturas onde se territorializam nossos projetos de outra sociedade, de um mundo novo que carregamos no coração e como tal devemos defender. Contra um sistema decadente que só oferece exploração, subjugação, repressão e morte.

Do território ocupado de Lela Karagianni 37, expressamos nossa solidariedade aos companheiros e companheiras da ocupação Mundo Nuevo, que com persistência, coletividade, teimosia e militância enviam uma mensagem de resistência; que o inimigo armado e organizado, por mais que tente apagar as pegadas da resistência coletiva e social encontra contra ele as forças inesgotáveis dos de baixo, que não se rendem, mas lutam. Somos solidários com todas as ocupações, áreas auto-organizadas de luta e resistências sociais e de classe e, diante da brutalidade estatal e capitalista, continuamos a luta para organizar o contra-ataque social e de classe, para criar um mundo de igualdade e liberdade.

Marcha nacional em defesa da ocupação do Mundo Nuevo: sábado, 1º de abril, Kamara (Tessalônica), 12h

SOLIDARIEDADE COM A OCUPAÇÃO MUNDO NUEVO

SUSPENSÃO DE TODOS OS PROCESSOS CONTRA NOSSOS PARCEIROS PRESOS EM 16 DE MARÇO DE 2023 E 28 DE NOVEMBRO DE 2022

10 – 100 – 1000 OCUPAÇÕES CONTRA O VELHO MUNDO

NOSSO NOME É NOSSA ALMA – ANARQUIA!

NO PASSARAN!

Assembleia Aberta da Ocupação Lela Karagianni 37

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agência de notícias anarquistas-ana

em nosso universo
breve, passa, com pressa! e
graça, a borboleta

Issa

[Espanha] #HistoriaD: Um assalto, faz 100 anos

Javier Cancho narra em ‘Más de uno’ como aconteceu o assalto à sucursal do Banco de España em Gijón. Os jornais da época o intitularam como o maior assalto jamais contado.

Por Javier Cancho | 21/02/2023

Assim soava a vida faz 100 anos na rua Jovellanos de Gijón. Enquanto o assalto transcorria, ninguém percebeu o que estava acontecendo.

Portas adentro, na sede do Banco de España, cinco homens armados se apoderaram de um saco com moedas de prata; mas, como pesava demasiado se centraram nas cédulas. Tratando de evitar que levassem tanto dinheiro, o diretor da sucursal, Luis Azcárate, lutou com um dos assaltantes. Uma bala lhe atravessou a cabeça. Azcárate morreria umas horas mais tarde. Com o botim em suas mãos, fugiram em um veículo que os esperava na rua contígua.

Enquanto começou a funcionar o motor, o automóvel saiu em grande velocidade, segundo as testemunhas. Em grande velocidade, entendendo-a nas percepções que havia a 100 anos.

Fugiram em um carro de cor cinza, matrícula O-434. Durante a fuga toparam com um guarda municipal ao qual emperrou a pistola. O policial não pode dar nem um só tiro. Os assaltantes, no carro , disparando suas pistolas, tomaram a direção de Oviedo.

O diário EL COMERCIO qualificou o ocorrido como sensacional. Se escreveu que foi um assalto audaz dentro do Banco de España. A quantidade era estonteante: 565.525 pesetas. Tenham em conta que uns bons sapatos, faz 100 anos, custavam 40 pesetas, um menu no seleto Clube de Regatas não chegava a oito pesetas. Por um kilo de bonito se pagavam 3 pesetas. Em 1923, o primeiro prêmio da Loteria Nacional era de 10.000 pesetas ao décimo. O subtraído, superava – de longe – meio milhão.

Durante vários dias permaneceram ocultos em uma pensão. Mas, foram descobertos. Houve fuga entre os telhados do centro de Oviedo. E houve tiroteio, um sargento da Guarda Civil ficou ferido. Um dos assaltantes morreu, um chamado Eusebio. O resto do grupo foi detido. Eram Buenaventura Durruti, de León, apelidado Boina; também de León, Gregorio Martínez Gazán, apelidado Totó; Rafael Torres Escartín, de Huesca; Aurelio Fernández, apelidado o asturiano; e o chofer García Vivancos. Todos eram anarquistas.

Buenaventura Durruti foi um dos grandes líderes da CNT. Seu bando chamava Los Solidarios.

Doze dias depois do assalto, o capitão geral da Catalunha, Primo de Rivera, com o beneplácito do trono, deu um golpe de Estado impondo à nação o mando de um diretório militar. Houve confusão e conflito, que aproveitaram os anarquistas do assalto de Gijón para fugir à Argentina. A partir de então, Durruti forjou sua legenda como anarquista indomável durante a Segunda República e a Guerra Civil.

>> Áudio: https://www.ondacero.es/programas/mas-de-uno/audios-podcast/historiad/historiad-atraco-hace-100-anos_2023022163f4ba6eb670df00015fda44.html

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Fugiu-me da mão
no vento com folhas secas
a carta esperada.

Anibal Beça

França, Grécia, Reino Unido… Proletários de todo o mundo, queimemos o capitalismo!

Os protestos na França contra o aumento da idade da aposentadoria para 64 anos foram liderados, organizados e dirigidos pelos sindicatos franceses organizados na inter-sindical e, portanto, organizados à maneira sindical, ou seja, como bombeiros e extintores da luta de classes: através de greves um dia por semana (evitando greves indefinidas), através da recusa de assembleias de trabalhadores ou bloqueios de estradas. Os sindicatos sempre se opõem à auto-organização e generalização da luta por parte dos proletários. Esta é uma lição que uma minoria de proletários está aprendendo em sua própria carne, que hoje em dia estão desencadeando greves na França sem controle sindical. Assim, na semana passada, a raiva explodiu nas ruas das grandes cidades da França: a reforma das pensões, que obriga os trabalhadores da França a prolongar sua exploração direta, foi o detonador de toda uma raiva acumulada, que a classe trabalhadora está acumulando em todo o planeta. Paris arde, Nantes arde… O fogo não basta para apagar as chamas dos infinitos ataques e humilhações que sofremos diariamente por um sistema para o qual nada mais somos do que mercadoria e bucha de canhão. O fogo não é suficiente, precisamos de mais. Mas esse fogo antecipa o que, como proletários, ainda não podemos expressar de forma maciça e unívoca em palavras, assembleias, como uma classe. A raiva não é suficiente, precisamos de organização, precisamos recuperar nossas posições, nosso programa. Porque estes momentos inflamados pelo vírus, crise, guerra, miséria, são também momentos onde a revolução comunista aparecerá cada vez mais fortemente como a única perspectiva possível e realista.

Este é o enésimo ataque contra os trabalhadores na França, não o mais grave, certamente não o último. A burguesia, através de seu estado, quer reduzir o custo das aposentadorias aumentando a idade da aposentadoria, uma aposentadoria que para muitos trabalhadores (precários, informais, trabalhadores domésticos…) é, e sempre foi, uma quimera. Há algo de simbólico nisso, o aumento da pena para trabalhar (como o totem supremo da exploração) faz explodir a raiva, mesmo daqueles que nunca terão o “direito” de se aposentar.

Muitas vezes o proletariado se move com uma clarividência que ainda não é capaz de expressar racionalmente, por um impulso, pela mesma necessidade que se materializa na fúria. Não foi o primeiro ataque e não será o último, não está na França, não é para os trabalhadores franceses, está em todo o mundo, é para todos os proletários.

Nunca deixamos de lutar, mesmo quando as condições não eram favoráveis, nunca deixamos de lutar como uma classe explorada, muitas vezes não temos outra escolha. E ainda assim, viemos de uma longa contrarrevolução histórica desde 100 anos atrás. Estamos vivendo, nos últimos anos, uma situação anfíbia, um tempo de dobradiças, em que nossa classe está lutando em defesa de suas necessidades humanas. Lutas que expressam uma tendência à polarização social resultante de um mundo, o do capital, que está exausto e só pode atacar nossas condições de vida como proletários: lutas no Chile, Cazaquistão, Sri Lanka, Irã… para recordar algumas das mais recentes. A estas devemos acrescentar a vaga de greves de gatos selvagens no Reino Unido nos últimos 9 meses, as mobilizações juvenis na Grécia¹. De diferentes maneiras, todas elas expressam a rejeição das imposições do mundo das mercadorias, um mundo que se reafirma em cada ataque às nossas condições de vida e reafirma a nossa necessidade de lutar contra a sua miséria.

As condições históricas e internacionais no momento são terríveis: ainda sob a longa sombra de Covid, a guerra imperialista na Ucrânia, o descalabro capitalista e sua eterna crise histórica, o aumento brutal dos preços, juntamente com uma série de medidas que minam ainda mais as condições de vida dos mais pobres, estão agravando o descalabro capitalista e sua eterna crise histórica. A isto se somam problemas que nunca foram resolvidos (problemas lucrativos), como a migração de centenas de milhares de trabalhadores que fogem da miséria e da guerra e que se deparam com muros e bastões, e mais miséria se os superarem.

E é nesta terrível condição, nesta situação internacional, que encontramos a esperança. Estamos vivendo um momento histórico em que uma faísca pode começar a acender o mundo, porque todas estas revoltas e lutas podem vir a se olhar nos olhos, como parte do mesmo projeto, da mesma necessidade humana de prevalecer sobre a miséria e a guerra.

Nem na França, nem no Reino Unido, nem na Grécia é uma revolução que se expressa hoje, longe disso. São movimentos, aliás, onde a presença política e sindical da esquerda do capital é muito forte. Eles expressam uma resposta a uma agressão constante, uma resposta necessária às medidas do capital que nos rouba as nossas vidas. Expressando uma contradição básica: o capital só pode sobreviver às nossas custas, e nós só podemos viver destruindo o capital.

As respostas imediatas contra a austeridade e as medidas de crise são automáticas e necessárias, através de lutas imediatas podemos nos formar, unir, ganhar consciência e confiança e, sim, podemos deter certas medidas, mas devemos saber que qualquer vitória parcial está apenas atrasando o inevitável: a imposição dos interesses do capital sobre as necessidades humanas. Para acabar com toda essa brutalidade, devemos ir mais longe, devemos questionar todo o sistema.

Nas recentes manifestações na Grécia em protesto contra o acidente ferroviário que matou mais de cinquenta proletários, os manifestantes gritaram: “vocês são assassinos, vocês são hipócritas, o sistema que vocês organizaram tira nossas vidas”, e com razão, eles estavam profundamente conscientes de que este sistema está organizado para tirar nossas vidas e a única salvação é acabar com ele.

O proletariado tem um longo caminho a percorrer para redescobrir seu programa histórico, sua capacidade revolucionária, um caminho que começou quando o primeiro ser humano se levantou contra o poder e a exploração. Mas é um caminho que hoje o capitalismo está pavimentando para nós, criando as condições que tornam nossa luta inevitável, o que não significa que nos facilita, significa que não pode fazer de outra forma, seu desenvolvimento brutal nos obriga a lutar.

E nesse caminho encontramos todo tipo de policiais que tentarão nos deter, nos espancar, nos convencer do que é melhor para nós, nos reorientar. Polícias uniformizados, polícias sindicais, polícias políticas de qualquer cor, polícias psicológicas, polícias democratas… todos eles determinados a fazer seu trabalho, a salvar o traseiro de um sistema que está tomando água (fecal).

Contra todos esses policiais, devemos pegar de volta nossas armas, aquelas que forjamos através da luta histórica:

  • O internacionalismo proletário, em qualquer parte do mundo, quando lutamos, lutamos como uma classe, superando qualquer divisão nacional que só beneficia nossos executores.
  • Autonomia do proletariado. A liderança da luta pertence aos próprios proletários, fora e contra qualquer organização que tente nos incriminar. Lutamos de forma independente, por nós mesmos.
  • Auto-organização, criando nossa própria organização e espaços de luta, debate e reflexão. Nossos órgãos de poder de massa como uma classe e nossa organização de vanguarda que reúne as minorias revolucionárias.
  • Unidade além de qualquer separação imposta pelas categorias do capital: independentemente de idade, trabalho, estar desempregado, estudante ou aposentado, homem ou mulher, jovem ou idoso… somos uma e a mesma classe expressando a mesma necessidade: superar o mundo da exploração, estabelecer uma sociedade verdadeiramente humana.
  • A extensão da luta para além dos setores de trabalho, bairros, povoados, vilas, cidades, nações. A extensão da luta sob o slogan de que todas as lutas são parte da mesma luta e todas são necessárias para continuar lutando, para vencer. Solidariedade não é uma palavra bonita, é uma arma carregada.

Com intensidades diferentes e ainda um longo caminho a percorrer, mas já a França, Reino Unido, Grécia… estão queimando e nós saudamos estes incêndios, não pelo que queimam, mas porque historicamente são uma centelha entre milhares, que mais cedo ou mais tarde ultrapassarão seus limites e incendiarão o mundo com esperança e revolução.

Pelo comunismo

[1] Aproveitamos esta oportunidade para saudar os “encapuzados” de Exarchia que partiram a cara de Varoufakis, o penúltimo coxo esquerdista da burguesia, e encorajamos que estes exemplos se espalhem.

Fonte: https://barbaria.net/2023/03/21/francia-grecia-reino-unido-proletarios-de-todo-el-mundo-quememos-el-capitalismo/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Um rastro de lua
Na rua de rastros
depois que a chuva parou.

Luiz Carlos

[México] “La Complicidad del Silencio” – boletim kontrainformativo antikarcerário #1 // março 2023

Enquanto o incessante jogo de controle e poder do Estado prossegue, com suas perseguições, repressão e montagens de qualquer um que o confronte; enquanto a lógica das prisões, dia após dia mais superlotadas, se expande para todas as áreas de nossas vidas em uma sociedade essencialmente prisional; enquanto os cidadãos policiais tentam salvar seus cadáveres vivos jogando nas prisões aqueles que têm a audácia de viver e agir… Seguimos em guerra! Em cada território, em cada canto desconhecido do mundo, em cada barricada e em cada noite sem lua. Na cumplicidade do silêncio, caminhamos nas sombras com nossos e nossas afins de todas as geografias, em revolta, vingança e amor pela liberdade.

É neste espírito que o primeiro número de La Complicidad del Silencio (A Cumplicidade do Silêncio), um boletim de kontrainformação contra a prisão, que é o esforço de individualidades com os mesmos pensamentos desde o território dominado pelo Estado mexicano – onde a autoridade atual mostra publicamente uma falsa face de tolerância sob seu discurso de transformação.

Neste primeiro número, foi importante analisar as mudanças políticas nesta realidade que nos toca e nos tocou viver, seu reflexo na repressão e perseguição do espectro anarquista nos últimos seis anos, assim como a situação atual dos compas Yorch e Miguel Peralta, ambos atualmente submetidos as velhas montagens do Estado. Além disso, não poderíamos deixar de falar da greve de fome do companheiro Alfredo Cospito, que desde sua consequência anárquica e sua luta contra as prisões, continua a lutar até seu último suspiro, tendo seu corpo como uma barricada. Também estão presentes as resenhas de materiais antiprisão e em benefício dos companheiros e companheiras na prisão que foram publicados recentemente, a mesa de apoio aos prisioneiros anarquistas que está sendo montada todos os sábados no Espacio Anarcopunk atrás do Chopo, e mais, em 14 páginas cheias de colagens, ódio, rebeldia e sentimento punx.

Sua difusão é feita por uma cooperação mínima de 20 pesos (auxílio), e gratuita para os prisioneiros e prisioneiras.

Fogo às prisões e vingança contra o poder!

Que a revolta se agite, que a anarquia se manifeste!

Contato via konspiracion@riseup.net ou através da página Konspiracion Iconoclasta no facebook.

agência de notícias anarquistas-ana

sol poente
numa ruela
menino corre das sombras

Rod Willmot

“Nem escrava, nem odalisca, nem cortesã!” | “Nem escrava, nem mulata, nem mucama!”

GRUPO DE ESTUDOS DE ANARQUISMOS, FEMINISMOS E MASCULINIDADES

Um diálogo entre Lélia Gonzalez e Maria Lacerda de Moura: “Nem escrava, nem odalisca, nem cortesã!” | “Nem escrava, nem mulata, nem mucama!”

A partir de uma fala de Andréa Nascimento, do Coletivo de Pesquisas Decoloniais e Libertárias (http://instagram.com/CPDEL.UFRJ), propomos um diálogo entre o anarcofeminismo, com Maria Lacerda de Moura e seu texto “Feminismo? Caridade?” e o feminismo negro brasileiro, com o ensaio “Mulher Negra: Um Retrato”, de Lélia González.

Como Participar?

Quando? Sábado, 01/04 (16h-18h) – abrimos às 15h30

Onde? Sede do Centro de Cultura Social de SP (Rua Gal. Jardim, 253, sl. 22, Vila Buarque – São Paulo) | Teremos intérprete de Libras.

Orientações de Convivência:

Tanto a filosofia quanto a prática do grupo estão orientadas pelos princípios do anarquismo, ou seja, autogestão, autonomia, cooperação, solidariedade, liberdade, igualdade, responsabilidade, internacionalismo, anticapacitismo, anticapitalismo e não partidarismo.

Tendo isso em consideração, pedimos gentilmente que siga as seguintes orientações para um melhor aproveitamento do encontro:

  • Atente-se ao foco do assunto em pauta, procure não desviar tanto do recorte proposto para o encontro.
  • Solicitamos o cuidado de não empregar termos e expressões capacitistas.
  • Busque falar de modo sucinto e objetivo, para que haja tempo de todas as pessoas que queiram se expressar tenham a oportunidade.
  • Levante a mão quando quiser falar, as facilitadoras do encontro irão buscar organizar as falas buscando equilibrar o tempo de fala entre todas as pessoas participantes.
  • Se quiser e puder, traga algo para um lanche coletivo, de preferência vegano ou vegetariano. Faremos café! :)

Evento aberto, gratuito, não necessita de inscrição, basta comparecer. Sugerimos acessar o material indicado abaixo para embasar a conversa.

Material

Vídeo:

  • REFLEXÕES SOBRE CORPOS NEGROS, FEMININOS E LGBTQIA+ SOB A PERSPECTIVA DECOLONIAL E LIBERTÁRIA.
  • Fala de Andréa Nascimento do Coletivo de Pesquisas Decoloniais e Libertárias CPDEL-UFRJ
  • Minutos 30:14 – 53:37

Textos:

  • Feminismo? Caridade? (Maria Lacerda de Moura)
  • Mulher negra: Um retrato (Lélia Gonzales)

Histórico

O Grupo de Estudos sobre Anarquismos, Feminismos e Masculinidades é uma iniciativa do Centro de Cultura Social de São Paulo.

O Centro de Cultura Social de São Paulo foi fundado em 14 de janeiro de 1933 como remanescente das entidades culturais criadas pelo movimento anarco-sindicalista e libertário nas primeiras décadas do século XX e tem por finalidade estimular, apoiar e promover nos meios populares, o estudo dos problemas sociais, bem como pretende desenvolver o espírito de solidariedade, se opondo a todas as formas de opressão e de exploração que prejudicam as liberdades individuais e coletivas.

Objetivos

O Grupo tem o objetivo de estudar, refletir e debater textos sobre mulheres anarquistas ao longo da história e suas relações com a luta pela igualdade de gênero e libertação humana de toda forma de opressão.

A proposta do Grupo é dar visibilidade, principalmente, para as mulheres anarquistas, que foram esquecidas, tanto pela História oficial quanto pelos movimentos de esquerda. Dessa forma, pretendemos dar voz e vida a essas mulheres guerreiras, muito a frente de seu tempo, assim como a um movimento filosófico-político-econômico-social que sofreu dos dois lados da trincheira e sofreu um apagamento propositado para tentarem ocultar a ideia e a história revolucionária da humanidade.

Tanto a filosofia, quanto a prática do grupo estão orientadas pelos princípios do anarquismo, ou seja, autogestão, autonomia, cooperação, solidariedade, liberdade, igualdade, responsabilidade, anticapitalismo e não partidarismo.

Metodologia

Os encontros são abertos e contínuos. Então, pode participar de um ou de todos os encontros, mas não há obrigação, até porque não é um programa fechado, mas uma proposta flexível e em permanente construção cooperativa e autogestionária, que preza pela autonomia e participação das pessoas, incentivando, preservando e fortalecendo a liberdade e a igualdade.

As atividades do Grupo são divulgadas pela página do Instagram, Facebook e site do Centro de Cultura Social de São Paulo, bem como para as pessoas participantes, possuímos um grupo de Whatsapp para a divulgação de informações das atividades e outros assuntos relacionados.

Os textos são definidos pelas pessoas organizadoras, juntamente e/ou acolhendo sugestões de textos das demais pessoas participantes. Os textos selecionados estão sempre disponíveis online, os links são compartilhados via convite e divulgação nas redes sociais a fim de que seja efetiva a leitura, anotações e reflexões pessoais antes do próximo encontro.

Centro de Cultura Social

Rua General Jardim, 253, Sala 22 – Próximo ao metrô República — Vila Buarque – São Paulo – SP | E-mail CCS: ccssp@ccssp.com.br | E-mail do Grupo de Estudos: grupodeestudos_afm@ccssp.com.br | Site: www.ccssp.com.br | Facebook: www.facebook.com/centrodeculturasocialSP | Instagram: @centro_de_cultura_social

agência de notícias anarquistas-ana

Os trigais maduros…
Escassas lanças doiradas
na guerra da fome.

Evandro Moreira

[França] Ativista é detida em casa por “insultar” Emmanuel Macron nas redes sociais

Quando Valérie abriu a porta de seu apartamento na sexta-feira, 24 de março, por volta das 10h, ela não esperava se deparar com três policiais. “Perguntei-lhes se era uma piada; é a primeira vez que sou presa”, diz ela. Ela então foi levada sob custódia.

Por volta das 18 horas, Valérie foi apresentada ao promotor do tribunal de Saint-Omer. Ela será julgada no dia 20 de junho por desacato a um funcionário público (chamou Macron de “lixo” nas redes sociais).

Valérie assume partilhar “muitos vídeos de violência policial ou violência política, costumo dizer o que penso”. Segundo esta figura dos Coletes Amarelos no Audomarois, “estamos num período em que a intimidação é forte e é feita sobre os militantes”, em referência à mobilização contra a reforma das pensões.

Sua luta permanente é “essa reforma previdenciária totalmente injusta. Eu luto por justiça social. Sou ativista há cerca de vinte anos e se for preciso, serei por muito mais”.

Fonte: agências de notícias

agência de notícias anarquistas-ana

estação vazia
no trem sozinho
um passarinho

Ricardo Portugal

[França] Comunicado dos pais de Serge

Nosso filho Serge está atualmente hospitalizado com um “prognóstico vital”, após o dano causado por uma granada GM2L, durante a manifestação de 25 de março de 2023 organizada em Sainte-Soline (79) contra os projetos da bacia de irrigação.

Apresentamos uma queixa por tentativa de assassinato, obstrução deliberada à chegada de serviços de emergência e por violação do sigilo profissional no contexto de uma investigação policial, e uso indevido de informações contidas em um arquivo.

Seguindo os vários artigos que apareceram na imprensa, muitos dos quais são imprecisos ou enganosos, gostaríamos de fazer saber que:

– Sim, Serge está na lista “S” – como milhares de ativistas na França de hoje.

– Sim, Serge tem tido problemas judiciais – como a maioria das pessoas que lutam contra a ordem estabelecida.

– Sim, Serge participou de muitas manifestações anticapitalistas – como milhões de jovens em todo o mundo que pensam que uma boa revolução não seria demais, e como os milhões de trabalhadores que atualmente lutam contra a reforma previdenciária na França.

Consideramos que estes não são atos criminosos que manchariam nosso filho, muito pelo contrário, só mostram sua honra.

Os pais de Serge

Quarta-feira, 29 de março de 2023

Conteúdos relacionados:

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/03/27/franca-confrontos-violentos-com-a-policia-em-manifestacao-ambientalista-em-sainte-soline/

agência de notícias anarquistas-ana

e um vaga-lume
lanterneiro que riscou
um psiu de luz

Guimarães Rosa

[Austrália] Sydney: Feira de livros e zines Wildcat

Feira de livros e zines Wildcat

Sydney, Austrália

Sábado, 1° de abril de 2023

10h-16h

Câmara Municipal de São Pedro

39 Unwins Bridge Rd., Sydenham

Gadigal Land

A Wildcat Radical Zine Fair é um espaço para organizadores comunitários, artistas e ativistas se reunirem, trocarem ideias, aprenderem sobre o trabalho uns dos outros e construírem relacionamentos.

Convidamos todos os grupos comunitários, projetos e indivíduos que trabalham pela justiça social e ambiental a se candidatarem a uma mesa.

Esperamos que este seja o primeiro de muitos eventos que reúnem aqueles de nós que estão construindo um novo mundo nas carcaças do velho.

Se você deseja se inscrever para uma mesa, acesse nosso site: https://www.wildcatfair.org

Este evento é organizado por membros dos Trabalhadores Industriais do Mundo, Food Not Bombs, Jura Books e Black Flag Sydney.

Hospedado pelo Sydney Anarchist Bookfair

Wildcat Radical Book and Zine Fair é um evento antifascista, anticapitalista, antiautoritário e anticolonial. Todas as formas de preconceito, incluindo misoginia, racismo, homofobia, transfobia, capacitismo e classismo não serão toleradas. Todos os participantes que violarem esses valores serão convidados a sair. Se você se sentir inseguro, sinta-se à vontade para abordar um organizador.

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Azul e verde e cinza –
Olhando bem, o céu
É de todas as cores!

Paulo Franchetti

[Suíça] Solidariedade com a luta pela aposentadoria na França

Há semanas, há combates na França. A razão para isso é o governo. O Presidente Macron está tentando levar adiante sua malfadada reforma previdenciária contra todas as probabilidades. Agora, mais uma vez, a classe assalariada deve trabalhar mais tempo até que lhes seja permitido tirar sua merecida aposentadoria. Isto é um absurdo. Enquanto os jovens não conseguem encontrar trabalho, os velhos devem trabalhar por mais tempo. Isto nos soa familiar: A mesma discussão vem ocorrendo na Suíça há anos, às vezes liderada pelos social-democratas, às vezes pela burguesia de direita.

Greve, resistência e militância

Mas na França, a classe assalariada está reagindo com raiva e com mobilizações, greves, resistência e militância. Garis e motoristas de caminhões de lixo e trabalhadores de refinarias, professores ou trabalhadores do aeroporto: todos eles se opõem resolutamente aos planos da classe dominante. Nossa solidariedade pertence a eles, aos que lutam e aos grevistas. Por esta razão, nos reunimos diante do Consulado Geral da França em Zurique em 25 de março de 2023 para uma ação de solidariedade.

Aqui também: Em 1° de maio e 14 de junho de 2023

As lutas na França também deveriam ser uma inspiração para nós aqui: Mobilizações importantes estão surgindo nos próximos meses. O Dia 1° de Maio como um dia internacional de luta de classes e o 14 de junho feminista estão ao virar da esquina. A França ensina que os ataques vindos de cima precisam da determinada luta de classes vinda de baixo como resposta. Mobilizemo-nos também aqui, na Suíça, contra o Estado e o capital e contra todas as suas imposições. Solidariedade revolucionária com as lutas na França!

Revolutionärer Aufbau – Revolutionäre Jugend Zürich (RJZ) – Organisierte Autonomie (OA) – Industrial Workers of the World (IWW)

Fonte: https://barrikade.info/article/5781

agência de notícias anarquistas-ana

Um cão sonolento
esticou as patas
e soltou um vento

Eugénia Tabosa