[França] Lançamento: “Geopolítica do Anarquismo | Rumo a um novo momento libertário”, de Édouard Jourdain

O anarquismo, apesar da multiplicidade de teorias que o podem reivindicar, baseia-se em vários princípios que podem constituir alguns denominadores comuns: a rejeição da autoridade coercitiva que exige a livre associação ou federação de indivíduos entre si; a rejeição do capitalismo e da exploração que induz à reorganização da produção; A rejeição da alienação que leva ao desenvolvimento do pensamento crítico, o primeiro passo para romper a servidão voluntária…

Diante das crises que atualmente assolam o mundo (crise do capitalismo, da representação, do meio ambiente…), o anarquismo está se tornando uma atualidade candente. As múltiplas correntes que a alimentam estão, assim, unidas em batalhas travadas em conjunto para construir a sociedade futura. O anarquismo tem hoje uma dimensão internacional marcada por experiências e ações diversas, de diferentes escalas e modalidades, mas cujo impacto está longe de ser desprezível.

De movimentos alterglobalistas a experiências revolucionárias como Chiapas ou Rojava, passando por hackers ou pelos comuns, o anarquismo exerce uma influência política que deve ser compreendida para compreender as novas dinâmicas geopolíticas.

Especialista em pensamento libertário, história do anarquismo e, em particular, Pierre-Joseph Proudhon, Édouard Jourdain é professor pesquisador em teoria política e pós-doutorando na École Polytechnique.

Resumo

– Genealogia de um movimento global

– A subversão da globalização

– A emergência de uma cultura libertária internacional

Géopolitique de l’anarchisme | Vers un nouveau moment libertaire

Édouard Jourdain

13 de abril de 2023

EAN : 9791031805856

13 x 20,5 – brochura – 176 páginas

20,00 €

www.lecavalierbleu.com

agência de notícias anarquistas-ana

figos pretos
em farrapos nas figueiras
chuva de outono

Rogério Martins

[Suíça] Solidariedade, não deslocamento — juntos contra a gentrificação capitalista de nossas cidades!

Evento de networking, Winterthur, 26 a 29 de maio de 2023

Em maio de 2021, a administração municipal de Winterthur lançou um plano de desenvolvimento em toda a cidade chamado “Winterthur 2040”. Este plano promove Winterthur como um lugar atraente para os chamados altos salários. A maioria dos antigos locais industriais já foram transformados em lofts chiques e shoppings. Agora, o próximo passo do plano é colocado em ação, a gentrificação dos distritos acessíveis de Winterthurs.

A SKKG, a Fundação para Arte, Cultura e História (Stiftungfür Kunst, Kulturund Geschichte), possui mais de 1700 apartamentos baratos em toda Winterthur. A SKKG promove um plano de dez anos para renovar e/ou demolir todos os apartamentos, a fim de aumentar o aluguel. Muitos que vivem nas chamadas “casas Stefanini”, de propriedade do SKKG, não podem pagar um aluguel maior; eles serão deslocados. Algumas das “casas Stefanini” são ocupadas ou autogovernadas pelos habitantes. Eles também estão ameaçados pelo despejo.

Resistiremos a essa “modernização da cidade” anti-pobre e orientada para o lucro (como eles chamam) com uma perspectiva anticapitalista vinda de baixo. É por isso que convidamos você a vir a Winterthur no Pentecostes de 2023 para um evento interregional. Ao longo de três dias (26 a 29 de maio), queremos compartilhar nossas experiências com as lutas contra a gentrificação, o deslocamento, a escassez de moradia e a comercialização do espaço público. Queremos aprender, fazer networking e conectar a luta contra a exploração capitalista.

Este evento é organizado pela Housing Network Winterthur, uma coalizão formada por assentados, casas autogovernadas, grupos anticapitalistas e ativistas. Juntos, lutamos contra a “modernização da cidade” capitalista para salvar a moradia a preços acessíveis para todos.

Embarque nessa!

Queremos nos conectar com pessoas interessadas em política habitacional, habitantes afetados pela gentrificação, ativistas, inquilinos, assentados… de todas as partes da Suíça e do exterior. Queremos nos concentrar na crise habitacional, discutir-la de um ponto de vista de esquerda e anticapitalista e construir uma solidariedade interregional.

Neste evento, você conhecerá grupos e projetos, discutirá questões urgentes, comerá e beberá, planejará alguma ação direta etc. Para que isso aconteça, precisamos da sua ajuda! Quanto mais pessoas e grupos participarem da preparação do evento, mais interessante será.

Estamos aguardando sua resposta!

Se você estiver interessado, entre em contato conosco via e-mail: haeuservernetzung-winti@riseup.net

Ou junte-se a nós em nossa reunião mensal no Old Bus Depot, Tösstalstrasse 86, 8400 Winterthur, todo terceiro domingo do mês às 13h00.

Por favor, compartilhe este convite com seus amigos. Mais informações: wohnraumverteidigen.noblogs.org

Tradução > abobrinha

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sob o sol se pondo
como alfinete no lago
descansa a garça

Marcelo Santos Silvério

Origens do 1º de Maio: Passado & Presente!

Como parte da programação do mês do trabalhador, a Biblioteca Municipal Alberto Sousa, exibirá o documentário “1917: A Greve Geral” de Carlos Pronzato, e em seguida haverá uma roda de conversa sobre a origem do sindicalismo no Brasil e as lutas dos trabalhadores na atualidade com a presença de membros do NORT (Núcleo de Resistência dos Trabalhadores) & do Núcleo de Estudos Libertários Carlo Aldegheri (NELCA). Imperdível!

DATA: 20 de Maio de 2023 (Sábado), às 15 horas;

LOCAL: Biblioteca Municipal Alberto Sousa

ENDEREÇO: Praça José Bonifácio, número 58 – Centro – Santos/SP

ENTRADA GRATUITA!!!

FORTALEÇA A CULTURA LIBERTÁRIA (A)!!!

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A abelha tristonha,
fauna e flora devastadas,
produz mel amargo.

Leila Míccolis

[Portugal] Mulheres, Unir Fileiras

Autor: Júlia Cruz | Data: 20 de janeiro de 1918 | Fonte: A Greve, N.º 23 – Ano 1 (2.ª Série)

No presente momento em que as grandes nações se batem por uma luta de interesses, as classes produtoras morrem pelas ruas de fome e frio. Que situação horrorosa a da classe trabalhadora, criada por indivíduos que nenhum respeito nutrem pela existência dos que tudo produzem. Donde provém este mal? Da desorganização da classe operária, e sobretudo da má educação que existe no elemento feminino que este período tem um papel importante a desempenhar na momentosa questão da carestia da vida.

Há uma necessidade absoluta de se organizarem os trabalhadores dentro dos seus sindicatos profissionais, ás mulheres se reconhece as mesmíssimas necessidades de se organizarem para a grande luta de amanha em face da situação desgraçada em que se encontra a sociedade atual.

A mulher tem um papel importante a desempenhar, e como tal, tem-se de lhe fazer sentir de que ela não deve ser a besta de carga no lar, uma boneca de cordelinhos, que se mexe para todos os lados, que o homem entende que a deve levar.

As classes dominantes têm conservado sempre a mulher na maior ignorância para mais facilmente a poderem dominar; têm procurado mantela sempre na escravidão, e para impedir que saia da sua condição, triste rodearam-na de ridículas preocupações, menosprezaram o seu trabalho, a sua influência na sociedade; anularam-na na família e colocaram-na em segundo lugar: criaram a honra para que não queira ser escrava, a sociedade a vilipendie. Estou certa que muitas das minhas companheiras de infortúnio ao lerem isto deixarão assomar aos lábios um sorriso de desdém; parecer-lhes-á que digo um absurdo ou uma loucura; mas se se detiverem a reflexionar compreenderão que o que lhes digo não é nenhuma invenção minha, mas o reflexo do que se passa na sociedade.

A nós que nos querem senão pelo proveito que podemos dar, ora satisfazendo os caprichos dos imbecis, ora para que trabalhemos sem descanso, sem se lembrarem jamais que nós também temos um coração capaz de sentir generosos impulsos e um cérebro que pode conceber e assimilar ideias científicas e nobres.

A nós obrigam-nos brutalmente a seguir a vontade de outro… a esposa do burguês pode gozar as caricias do amor. A mulher do trabalhador apenas tem tempo para ouvir os toeses insultos que este no seu desespero lhe dirige. Terá o inefável consolo de que se seu filho é soldado e seu esposo está em greve, faça fogo sobre ele; em troca poderá, para compensar estes benefícios, morrer de fome sem maldizer os causadores da sua desgraça, porque então seria uma má patriota.

Companheiras: visto que todos são contra nós, visto que sobre nós querem desafogar as suas iras e fazer-nos alvo das suas infâmias, unamo-nos, mas duma maneira enérgica, que não de azo a que nos continuem considerando como essas débeis e incapazes. Não sejamos por mais tempo ruins e cobardes; e para nos libertar do jugo capitalista e da escravidão do homem bestializado pelo meio social existente unamo-nos todas numa só força, para assim levarmos a cabo a nossa emancipação. O momento aproxima-se da grade hecatombe burguesa, e nós mulheres preparemo-nos numa só força, para quando for preciso vira á rua protestar contra a especulação dos capitalistas, as mulheres sejam o porta-voz da sua libertação moral e material.

Fonte: https://ultimabarricada.wordpress.com/2023/04/06/mulheres-unir-fileiras/

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Branco instante
entre verde e azul:
garça ou pensamento.

Yeda Prates Bernis

[EUA] Defensores da Stop Cop City espalham o nome de policial assassino e agora enfrentam 20 anos

Três pessoas envolvidas no movimento Defend Atlanta Forest estão enfrentando acusações de intimidação criminal de um oficial do estado e contravenção por colocar panfletos em caixas de correio em um bairro no Condado de Bartow, Geórgia, cerca de 40 milhas de Atlanta. Os detidos foram mantidos em confinamento solitário por dias, disseram um advogado que trabalha no caso e um parente de um dos ativistas.

O panfleto, de acordo com o advogado, nomeou um policial que mora na área onde os ativistas foram presos e o identificou como ligado ao assassinato em janeiro de Manuel “Tortuguita” Terán durante uma operação de várias agências no acampamento de protesto em defesa da Floresta de Atlanta.

Um relatório forense do Georgia Bureau of Investigation sobre armas disparadas durante o assassinato de Tortuguita nomeou seis patrulheiros estaduais: Bryland Myers, Jerry Parrish, Jonathan Salcedo, Mark Jonathan Lamb, Ronaldo Kegel e Royce Zah. De acordo com registros públicos, um dos policiais citados mora na área onde os ativistas postaram panfletos. O relatório foi obtido pelo Atlanta Community Press Collective, um grupo de mídia abolicionista sem fins lucrativos, por meio de uma solicitação de registros abertos.

Julia Dupuis, Charley e Wednesday foram presos em um posto de gasolina fora da cidade de Cartersville na sexta-feira. De acordo com sua advogada, Lyra Foster, eles dirigiram pelo bairro e colocaram panfletos em várias caixas de correio sem sair do veículo ou abordar qualquer morador. Foster disse que Wednesday era uma passageira no carro e não estava postando panfletos.

Se forem considerados culpados, cada um deles pode pegar até 20 anos de prisão.

“Eles não estavam distribuindo panfletos, na verdade foram extremamente cuidadosos ao tentar evitar fazer qualquer coisa ilegal”, disse Foster. “Eles colocaram os panfletos nas caixas de correio, nem saíram da van para colocar os panfletos nas portas e não abriram as caixas de correio porque pensaram que isso era potencialmente ilegal”.

Todos os três detidos estão na Cadeia do Condado de Bartow; todos tiveram a fiança negada por um juiz magistrado na segunda-feira. Nenhum dos réus tem antecedentes criminais, nem há qualquer alegação de violência nas acusações atuais. “Negar a fiança deles foi extremo”, disse Foster.

De acordo com Foster e também com o irmão de Dupuis, Nicholas Kees Dupuis, os ativistas foram mantidos em confinamento solitário até terça-feira; nenhuma razão foi dada pela prisão, de acordo com o advogado.

No mês passado, um relatório oficial da autópsia revelou que Tortuguita, 26, foi baleade pelo menos 57 vezes quando a polícia invadiu o acampamento de protesto. O policiamento repressivo aumentou nos últimos meses contra o movimento para impedir que um centro de treinamento policial de US$ 90 milhões – “Cop City” – seja construído na floresta de Atlanta. Quarenta e dois participantes do movimento atualmente enfrentam acusações estaduais de terrorismo doméstico por supostamente se envolverem em pequenos danos à propriedade – cujas evidências são tão frágeis quanto a polícia citando que havia lama nos sapatos dos manifestantes.

Essas últimas prisões fazem parte de um padrão de extremo exagero e esforços para silenciar a indignação com o assassinato de Tortuguita.

“Desde que a polícia estadual matou Tortuguita, sua principal prioridade tem sido manter a situação em silêncio. Agora que o público está chamando a atenção para isso, a polícia está dobrando os esforços”, disse Marlon Kautz, um organizador do Atlanta Solidarity Fund, que fornece fundos de fiança e apoio jurídico aos manifestantes em Atlanta. “É exatamente a mesma estratégia que eles usaram antes contra os manifestantes do Stop Cop City: acenar com acusações extremas, jogar ativistas na prisão sem fiança e esperar que o problema desapareça.”

Nicholas Dupuis disse que sua família soube da prisão de sua irmã de 24 anos ao receber uma ligação do controle de animais em Cartersville, explicando que eles estavam com o cachorro dela, pois ela havia sido presa. Embora Julia Dupuis, uma escritora freelancer e ativista antirracista, esteja morando principalmente em Massachusetts, ela passou vários meses em Atlanta como parte do movimento Stop Cop City.

No mês passado, o Atlanta Community Press Collective divulgou os nomes dos seis policiais identificados pelo Georgia Bureau of Investigation como tendo conexão com o assassinato de Tortuguita e publicou um link para o relatório GBI. A porta-voz da GBI, Nelly Miles, disse que a agência não divulgou os nomes dos policiais e citou uma isenção sob a lei estadual de registros públicos usada para censurar documentos. Os nomes não foram censurados na versão do relatório obtido pelo Atlanta Community Press Collective, que disse ter obtido o documento do Dekalb County Medical Examiner’s Office.

Tradução > Contrafatual

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/01/30/eua-tortuguita-descanse-em-poder/

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Tarde de sol,
o armador da rede
range devagar.

Luiz Bacellar

[Colômbia] Fúria Anarquista do Livro e da Cultura

13-21 de maio: Bogotá

A Fúria Anarquista é um espaço de encontro e difusão da cultura libertária, auto-organizado como uma interzona: uma colaboração entre diferentes grupos e indivíduos, que torna possível a construção da feira. A Fúria Anarquista de Bogotá é um eco de outras Fúrias que aconteceram em cidades latino-americanas e das Feiras de Livros Anarquistas que aconteceram na última década em Bogotá e Medelim.

Nesta versão, A Fúria Anarquista conta com cerca de 40 eventos culturais e artísticos, incluindo palestras, oficinas, concertos, lançamentos de livros, performances, teatro, encontros de poesia, exposições de arte, entre outros, com início no dia 10 de abril.

A semana principal da Fúria será de 13 a 21 de maio e os eventos acontecerão em vários locais que apoiam a feira: La Redada – Miscelânea cultural, Teatro Acto Latino, Casa de Educación Codema, Rojinegro Distribuidora Libertaria, Librería La Valija de Fuego, Librería Prosa del Mundo, La Corriente, La Hoguera, Teatro La Libélula Dorada, Parque Entre Nubes e Bosque Okupa.

Nos dias 18, 19 e 20 de maio, haverá uma feira de livros, da qual participarão cerca de trinta editoras. Esse será um espaço para o encontro com diferentes tipos de textos, em uma ampla variedade de pensamentos ácratas.

Este ano, coletivos, pessoas e projetos se juntam A Fúria vindos de Bogotá, Pereira, Cali, Popayán, Chile, México, Peru, Argentina, Cuba, Itália, Venezuela, Áustria e Espanha.

Nos encontramos no A Fúria!

Siga A Fúria em: https://www.instagram.com/lafuriaanarquista/

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minha sombra
com pernas mais longas
não me afasta

André Duhaime

[Espanha] O pragmático e rebelde abstencionismo

As pessoas ao meu redor, mais ou menos carinhosas, tão francas quanto bem-intencionadas, me reprovam por minhas constantes críticas, bem temperadas com sarcasmo saudável, da esquerda parlamentar com intenções supostamente transformadoras. Já prevejo que a coluna lúcida de hoje não vai ser, por qualquer trecho da imaginação, algo como uma retração, nem mesmo um passo atrás em meu niilismo ácrata! Retórica e brincadeira à parte, e sem qualquer condescendência, uma parte de mim, insondável se você quiser, entende estas pessoas que continuam teimosamente confiando na chamada democracia representativa para tentar mudar as coisas, mesmo que apenas um pouco. Na verdade, até eu, em um certo dia de eleição, fui tentado a colocar uma cédula de voto nas urnas, não tanto porque confiei em um político profissional, mas simplesmente para ver como era. Na vida você tem que tentar coisas diferentes! Em todo caso, que todos assumam a responsabilidade por seus próprios motivos, mas o que me farta ao ponto de me cansar são as razões dadas para me repreender quando exerço a abstenção, aquela chamada abstenção ativa, de uma forma nobre e perspicaz. O tipo minoritário de ser humano que normalmente me critica é aquele que considera, simplesmente, que você tem que votar como uma participação política no sistema em que vivemos, o único verdadeiro, e que, se você não o faz, não pode protestar ou fazer exigências.

Não há muito terreno intelectual para esta reflexão e, sem entrar em muita profundidade, pode-se dizer que é o contrário; se você exerceu seu direito de voto, você delegou seu poder de ação política e é difícil para você exigir qualquer coisa. No entanto, reconheço que há alguma retórica nesta argumentação, uma vez que requer mais considerações, mas certamente não é a simplicidade comum de “se você não votar, você não pode protestar”. As críticas generalizadas a este sistema “democrático” incluem a falta de cultura política entre a grande maioria das pessoas, a preguiça intelectual para ler o programa de cada força política (para que não tenham sequer que disfarçar o não cumprimento), a personalização do partido no topo da lista (para que o voto seja dirigido ao carisma do político em questão, algo abertamente aterrador) e, em geral, o circo midiático no qual cada opção eleitoral compete no mercado como apenas mais um produto (é o mercado, meus amigos!). Toda esta argumentação poderia ser mais do que suficiente para mandar o sistema político em que vivemos para o inferno, o que, deve ser explicado, não significa renunciar a toda ação política (dizer “não”, para começar, me parece ser uma ação política mais do que saudável); mas deixemos as críticas genéricas e vamos, como ele disse, aos detalhes da dica de uma possível transformação social através das urnas.

Como eu disse, esta crítica a minha atitude lúcida e honesta de abstenção é exercida apenas por uma minoria; para eles, o voto parece mais uma obrigação cívica e não parece importar a quem ele é feito, então temos que incluir aqui forças políticas que têm pouco ou nada a ver com democracia. Entretanto, os opositores mais veementes da abstenção tendem a ser pessoas de esquerda (o que quer que seja hoje em dia) que esperam uma nova opção transformadora, esta de verdade, ou pelo menos consideram que a direita iníqua (ou ultra-direita, que neste país inefável são coisas muito semelhantes) deve ser detida. Estes progressistas, e uso o termo sem a menor intenção pejorativa, tendem a ser particularmente obstinados e até mesmo nos demonizam e lançam acusações quando a ala direita vence nas urnas. Pouco importa que as taxas de abstenção permaneçam estáveis, neste país indescritível, onde tudo está empatado de forma limpa, e que mesmo quando desce, a “esquerda” não ganha necessariamente. Talvez isso devesse nos convidar a fazer perguntas sobre o sistema em que vivemos. Resta ver, em todo caso, que se a não participação nas urnas subisse significativamente, isso traria mudanças sociais; isso também porque nunca fui a favor de convencer ninguém, muito menos de fazer campanha por isso, como se isso nos trouxesse a mais alta expressão de ordem na forma de anarquia (uma ideia clássica anarquista que, por sinal, sempre vi como algo oximorônico). Se alguém quer votar, porque quer impedir outros que considera pior, ou porque seu próprio povo conseguiu aumentar o salário mínimo, ou porque não sei que leis trarão justiça, bem, tudo bem. Mas, por favor, que outros nos deixem em paz em nosso pragmático e rebelde abstencionismo. E, é claro, vamos usar nossa imaginação, não é a única maneira de não apoiar este mundo político que também não nos agrada.

Juan Cáspar

Fonte: http://acracia.org/el-pragmatico-y-rebelde-abstencionismo/

Tradução > Liberto

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sinto um agudo frio:
no embarcadouro ainda resta
um filete de lua

Buson

[Grécia] Cartaz | Greve eleitoral

As sucessivas crises sistêmicas e os “estados de emergência” impostos que as acompanham como forma de as gerir e de fazer avançar a reestruturação estatal-capitalista assentam no nosso permanente empobrecimento. O Estado e o capital, para manter seu domínio e lucratividade, vão desde a desvalorização de nossas vidas até a desvalorização total, como ficou evidente após o recente assassinato em Tempe.

Todas as partes estão tentando explorar a situação a seu favor. Apresentam o processo eleitoral como a única opção de sobrevivência e melhoria do nosso padrão de vida. Convidam-nos a escolher dentro de um quadro pré-determinado que estabelecem e que só lhes convém e à perpetuação do regime a que servem. Os nossos pretensos “salvadores” visam suprimir e/ou assimilar toda a resistência, canalizar a raiva social para vias eleitorais inofensivas de delegação e integração que conduzam, em última instância, ao reforço do sistema de dominação.

Recusamo-nos a confiar as decisões relativas às nossas vidas a qualquer especialista político ou tecnocrata.

Criemos no aqui e agora grupos, coletivos, comunidades de luta com base em relações fortes de liberdade, igualdade e solidariedade, em todos os campos de nossa vida cotidiana.

Enfrentemos todos os administradores do sistema de exploração e opressão, pela libertação individual e social.

Abstenção ativa

Luta pela destruição do Estado, do capital

E qualquer relação de autoridade

Coordenação de coletivos anarquistas contra as eleições

>> Nota: As eleições legislativas na Grécia acontecerão em 21 de maio.

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/05/04/grecia-vamos-acabar-com-o-mundo-do-poder/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/04/19/grecia-cartaz-antieleitoral-atenas-tessalonica/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/04/05/grecia-abstencao-nas-eleicoes-revolucao-social-e-a-unica-solucao/

agência de notícias anarquistas-ana

Tens frio nos meus braços
Queres que eu aqueça
O vento

Jeanne Painchaud

[Espanha] Apoie a distribuição de cultura anarquista

No ano 2.000 um grupo de pessoas filiadas à CNT Cornellà começamos a dar forma a uma loja e distribuidora de material anarquista dentro do sindicato; que chamaríamos “El Grillo libertário” em reconhecimento ao ateneu libertário que compartilhava espaço então com o sindicato.

Nestes 20 anos o projeto foi crescendo e consolidando-se. Nos consideramos o braço cultural da CNT de Cornellà e comarca, sendo nossos 2 objetivos principais a difusão da cultura crítica e a autogestão da CNT.

Atualmente o projeto tem como pilares:

  • Loja física: Aberta cada tarde de segunda à sexta-feira na calle Florida nº 40 de Cornellà.
  • Distribuidora: Deixamos em depósito nosso material a iniciativas e coletivos afins, ajudando a autogestão através da cultura crítica.
  • Editoria: Graças a pessoas criativas que contatam conosco, publicamos obra inédita, assim como reedição de clássicos.
  • Loja virtual: Desde a rede fazemos chegar nosso material a toda a península e mais além. Contatando e tecendo rede com pessoas e coletivos de todo o planeta.
  • Solidariedade: Desde 2006 o benefício econômico que geramos o destinamos à causas solidárias como apoio a pessoas presas, lutas obreiras e autogestão da CNT de Cornellà. Publicamos em nossa web todos os donativos.

Queremos avançar o projeto e dotá-lo de uma web que melhore a atual. Que seja acessível a todos, de fácil gestão e manutenção.

Desgraçadamente nós não dispomos dos conhecimentos necessários, por isso decidimos pedir suporte a profissionais da área (cooperativa Jamgo e Explotación web) que nos acolheram e assessoraram.

Sabemos que a nova web nos permitirá seguir distribuindo cultura crítica, editando livros e permitindo dar suporte econômico às múltiplas causas do entorno libertário. Ao mesmo tempo, alcançar nosso objetivo em coletividade dá um sentido profundo ao projeto, fortalecendo assim nossos laços.

Em 9 de maio iniciamos uma campanha de co-financiamento através do GOTEO, lhes pedimos que façamos de novo realidade que A SOLIDARIEDADE É nossa MELHOR ARMA.

>> Clique aqui para apoiar:

https://goteo.org/project/encarem-juntes-una-nova-etapa-el-grillo-libertário

>> Pode nos encontrar em:

https://www.instagram.com/elgrillolibertário/?hl=es

www.elgrillolibertário.org

elgrillolibertário@nodo50.org

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

no outono nos separamos
como as duas conchas
de uma ostra

Matsuo Bashô

[Itália] O atentado contra Mussolini de Gino Lucetti

[…] O anarquista Gino Lucetti, com sua visão individualista, é uma figura destacada do antifascismo de Avenza, e não só daí.

Muitos dos que o conheceram o recordam sempre pensativo, com um livro debaixo do braço, passeando na beira do rio. De origem obreira, foi praticamente autodidata e sobre a base dessa educação participou nas lutas sociais dos anos vinte, enfrentando os fascistas em numerosas ocasiões.

Durante um enfrentamento, mais violento do que o habitual, no popular “Café Napoleón” foi ferido de bala no pescoço após uma troca de disparos com um fascista (um tal Perfetti) que recebeu um tiro na orelha. Caiu perto de Montignoso, ao não encontrar um médico disposto a extrair-lhe a bala. Ao cabo de uns dias foi embarcado clandestinamente para a França, onde finalmente recebeu tratamento.

Ali planejou o atentado contra Mussolini que o faria famoso, apesar de estar sem dinheiro (uma companheira sua, Lina Squassoni, que vivia em Aubagne, perto de Marselha, lhe emprestou dinheiro para a viagem), regressou a Roma para atentar contra o Duce em 11 de setembro de 1926.

Quando o famoso carro Lancia que transportava Benito Mussolini se aproximou, Lucetti lançou uma granada que estourou contra o pára-brisas. Mas não explodiu, ricocheteou no estribo e só explodiu estando a uns metros, na calçada.

Na confusão que seguiu, Lucetti se refugiou no portal número 13 de Via Nomentana, mas os guarda costas do Duce não tardaram em alcançá-lo para golpeá-lo com chutes e socos. Levava uma segunda bomba, um revólver com seis balas envenenadas com ácido muriático, e um punhal.

Na delegacia, foi submetido a um feroz interrogatório, disse chamar-se Ermete Giovanni, de Castelnuovo Garfagnana. Graças a esta história falsa, confundiu o regime, cujas investigações se centraram unicamente em descobrir os cabeças da conspiração da qual supostamente fazia parte, em Garfagnana e em nenhum outro lugar! Bloquearam estradas e detiveram dezenas de pessoas: quando Lucetti deu por fim seus verdadeiros dados, toda a investigação caiu no ridículo.

Ao final do processo, em 1927, foi condenado a 30 anos de prisão. Outras duas pessoas, consideradas seus cúmplices, Leandro Sorio e Stefano Vatteroni, foram condenados a 20 anos, e 19 anos 9 meses respectivamente.

Lucetti foi recluso na prisão de Santo Stefano, onde passou quase 17 anos antes de ser transladado a Ischia, onde morreu em 15 de setembro de 1943, segundo algumas fontes em um bombardeio da aviação estadunidense. Outros afirmam (e entre eles Mauro Cacurna que recuperou seu cadáver e obteve informação no lugar) que os projéteis que o mataram haviam sido disparados pelos alemães que seguiam ocupando Procida, nas proximidades.

Há que recordar que faz alguns anos o L’Unita [periódico leninista] publicou um artigo no qual se afirmava, baseando-se no testemunho de um dos presos que o acompanharam, que Gino Lucetti se tornara comunista em seus últimos anos. Mas os anarquistas de Carrara o negam rotundamente e se apoiam no testemunho do irmão de Lucetti e de sua prometida, que o visitaram até o final.

Até aqui a história geral, extraída de diversos textos e provas. Ainda que em base a declarações feitas a quem isto escreve por Ugo Mazzuchelli de Carrara, sustentadas por sua vez em testemunhos de Stefano Vatteroni, se podem acrescentar detalhes interessantes.

Digamos em primeiro lugar que o plano do assassinato foi urdido no ambiente dos círculos antifascistas de italianos exilados no sul da França… não unicamente anarquistas, mas também membros dos grupos “Giustizia e Liberta” do Partido de Ação e outros, de diversas tendências mas todos convencidos da necessidade de eliminar fisicamente o líder fascista.

Isto contribui para dar ao plano urdido por Lucetti conotações diferentes de outras ações anarquistas, como o atentado de Gaetano Bresci contra a vida do rei Umberto; neste caso, o impulso de matar Mussolini foi a expressão de uma convergência de opiniões entre outras agrupações políticas de representação popular sobre o que naquele momento se percebia comumente como uma necessidade: assim, o método também difere em alguns aspectos do espírito individualista com o qual haviam levado a cabo outros assassinatos anarquistas anteriormente.

De fato, ainda que no exílio, Lucetti nunca perdeu o contato com seus camaradas de Carrara e regressou duas vezes para realizar reuniões clandestinas com eles. Outra reunião, na qual se decidiu o assassinato, se celebrou em Livorno, obviamente com o máximo segredo, a bordo de um barco em alto mar. Mazzuchelli escoltou Lucetti até Gênova antes de que este regressasse à França para combinar os detalhes com os companheiros exilados. Ali se organizou o melhor que pôde e ao chegar a Roma recorreu ao apoio do camarada Stefano Vatteroni, que trabalhava na capital como funileiro.

De fato, o papel de Vatteroni na organização do atentado foi crucial; na realidade, Vatteroni, aproveitando sua amizade com o secretário da biblioteca de Mussolini, um antigo colega seu, proporcionou todos os detalhes essenciais, até a rota que seguiria o carro do Duce em 11 de setembro. Errico Malatesta, informado do plano, lhe deu sua aprovação.

Vatteroni fez consideráveis sacrifícios, sem dizê-lo a ninguém devido a sua típica modéstia, e chegou a vender um terreno de sua mãe em Avenza para financiar o que estava se organizando.

Também se ocupou da questão do apoio logístico e chegou a um acordo com o anarquista de Reggio Leandro Sorio, garçom de uma pousada na qual o proprietário também era colaborador do grupo, até o ponto de que inclusive se ofereceu para dar o dinheiro para tirá-los do país após o atentado. Vatteroni, no entanto, declinou da oferta, porque os organizadores haviam acordado entre eles que todos deviam deixar-se deter para serem julgados… prova extrema da solidariedade e determinação dos anarquistas. Se supõe que Gino Bibbi, outro anarquista de Arenza cuja casa foi destroçada e sua moto incendiada por fascistas, também fazia parte da organização.

Após a sentença ao finalizar o julgamento, Vatteroni cumpriu os três primeiros anos de sua condenação em completo isolamento e a única companhia que tinha era a de um pardal que visitava sua cela.

Deste testemunho surge o retrato de um lutador pela liberdade menosprezado pelos historiadores oficiais e ao qual os anarquistas de Carrara quiseram honrar junto aos grandes anarquistas da região… Lucetti, Meschi e o milanês Giuseppe Pinelli. Nele seus camaradas vem alguém que empreendeu a luta pela liberdade e a verdade, como se desprende dos versos de Edgar Lee Masters colocados em seu monumento.

Pietro de Piero

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

sob o último sol,
ave beija a face do lago;
o espelho trêmulo se arrepia.

Alaor Chaves

[Espanha] Meia centena de livrarias declaram guerra à guerra

A campanha ‘Mais livros: é a guerra!’, apoiada por livrarias e editoras, propõe desmilitarizar o pensamento e defende o direito “à crítica, à dissidência e a uma informação rigorosa, veraz e independente”.

Meia centena de livrarias, editoras e agentes do mundo do livro lançaram a campanha “Mais livros: é a guerra!” com a qual se posicionam frente à escalada bélica desatada após a invasão da Ucrânia por parte da Rússia no final de fevereiro de 2022.

Os projetos aderidos à campanha explicam que seu propósito é transformar sua “dor e impotência” em ação, para dessa maneira “ser parte responsável de uma mudança cultural que contribua para a eliminação das causas que provocam as guerras e a erradicação da violência, e sua mercantilização, como forma de relação entre as pessoas e os povos”.

A campanha desenvolverá ações em forma de atividades, mesas redondas, palestras, conferências, itinerários de livros contra a cultura da guerra e pela eliminação de todos os conflitos armados. “Nos comprometemos a compartilhar atividades e difundir todos aqueles livros que possam ajudar a desmilitarizar nosso pensamento para animar-nos a desertar da barbárie”, se lê no manifesto, que também aponta à responsabilidade cultural destas livrarias em um momento como o presente: “Abrir linhas de fuga para desaprender a guerra e defender o direito à crítica, à dissidência e a uma informação rigorosa, veraz e independente”.

Em seu manifesto, “Mais livros: é a guerra!” propõe três demandas concretas: apoiar a deserção e a objeção de consciência na Ucrânia, Rússia e Bielorrússia; a paralisação do envio de armamento à Ucrânia e que o gasto militar espanhol designado ao conflito Ucraniano se dirija às organizações independentes que trabalham sobre o terreno, atendendo vítimas desta e outras guerras; e, por último, a potencialização de políticas europeias de negociação, conciliação e convivência entre as populações enfrentadas, assim como a reconstrução da Ucrânia se leve a cabo com o orçamento militar europeu, sem custo para a sociedade Ucraniana nem negócio para as multinacionais ocidentais.

“Não queremos — resume o comunicado das livrarias — mal viver entre suas trincheiras, nem apoiar o patriotismo nacional ou o supremacismo imperialista de um ou outro bando. Não seremos cúmplices de sua carnificina e sua devastação. Nos negamos a qualquer forma de colaboração com esta injustiça e nos declaramos livrarias, editoras e bibliotecas insubmissas à guerra e à militarização social”.

Para as livrarias e editoras signatárias, o discurso de mandar armas à Ucrânia e de ganhar a guerra “por meio de uma vitória impossível, desprezando medidas de diálogo e negociação e aos que as defendem, prioriza o enriquecimento criminoso de uma minoria e joga com o destino e a sobrevivência da população Ucraniana”.

Mais livros: é a guerra! conta com a imagem gráfica desenvolvida pela artista Emma Gascó e a página web livroscontralaguerra.org.

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

sol poente
numa ruela
menino corre das sombras

Rod Willmot

[EUA] O preso político anarquista Dan Baker precisa de apoio!

Chamada da Cruz Negra Anarquista de Nova York (NYC-ABC) para apoiar o prisioneiro anarquista e antifascista Daniel Baker.

Daniel Baker é um ativista antifascista que foi preso em 15 de janeiro de 2021 por postagens nas redes sociais que pediam defesa contra possíveis ataques de extrema direita após os distúrbios de 6 de janeiro. Daniel estava enfrentando até 10 anos por duas acusações de transmissão de comunicação no comércio interestadual contendo ameaças de sequestro ou agressão. Em 12 de outubro de 2021, ele foi condenado a 44 meses de prisão e 3 anos de liberdade condicional.

Recentemente, Dan passou por um momento excepcionalmente difícil e iniciou uma greve de fome em março para protestar contra suas condições. Ele está atualmente no SHU, foi atacado por um fanático de direita, seu direito de transferência oportuna para uma casa de recuperação está sendo negado e o contato com seu advogado foi limitado. Aqui¹ está um pedido de cartas para que o BOP saiba que Dan tem pessoas do lado de fora e que queremos que ele seja tratado com humanidade e liberado logo.

Por favor, verifique a lista de livros de Dan aqui² para enviar-lhe algo para ler.

Apoiar presos políticos como Dan é vital, especialmente em momentos como este. Nas palavras do próprio Dan:

“…por favor, não se assuste com o número de camaradas na prisão. Em vez disso, reserve 5 minutos todos os dias para escrever para um prisioneiro político diferente e responda quando ele responder. Seus esforços para iluminar nossa situação como prisioneiros políticos é tudo o que impede que os policiais nos matem impunemente.”

NYC-ABC está pedindo que você se junte a nós escrevendo ao preso político Daniel Baker. Envie-lhe livros. Preste atenção na campanha dele. Envie-lhe um pouco de amor e mostre seu apoio a um camarada!

Daniel Baker nº 25765-509

FCI Memphis

Caixa Postal 34550

Memphis, TN 38184

EUA

[1] https://actionnetwork.org/letters/dan-baker-needs-our-help/

[2] https://www.amazon.com/hz/wishlist/ls/XVSE0XEP9TJM/ref=nav_wishlist_lists_1

Fonte: https://itsgoingdown.org/anarchist-political-prisoner-dan-baker-needs-support/

Tradução > Contrafatual

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/04/07/eua-greve-de-fome-dia-1-por-dan-baker/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/12/20/eua-um-anarquista-condenado-fala-a-verdade-sobre-a-injustica-por-dan-baker/

agência de notícias anarquistas-ana

De que árvore florida
chega? Não sei.
Mas é seu perfume…

Matsuo Bashô

[Joinville-SC] De 2013 pra cá: as Jornadas de Junho e a memória das ruas

No dia Primeiro de Maio de 2023, aconteceu em Joinville (SC) o IX Sarau 1º de Maio, realizado pelo Coletivo Anarquista Bandeira Negra (CAB). A seguir, leia a carta de abertura do evento.

Carta de Abertura do IX Sarau 1º de Maio (2023)

Compas de luta, sintam-se convidados ao 9° Sarau de Primeiro de Maio, dia de luta da classe trabalhadora em todo o mundo.

O Coletivo Anarquista Bandeira Negra (CABN), integrante da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), celebra com toda a companheirada mais um ano de nosso sarau. Agradecemos à Associação dos Moradores e Amigos do Bairro Itinga (Amorabi), que mais uma vez nos acolhe, e também à comunidade do bairro Itinga, território de luta com quem aprendemos por toda sua história de organização de base. São nove anos de construção do sarau com muito amor e rebeldia, em que nos reunimos para relembrar a história das lutas de nossa classe, festejar a vida de nossa gente que segue de pé e compartilhar nossa arte – ou como dizem nossas companheiras zapatistas: CompArte!

Gente trabalhadora reunida, compartilhando caminhos e sonhos, incomoda e assusta o patrão. Cada direito que temos foi arrancado pela força das ruas, das greves, do apoio mútuo entre a companheirada e da nossa organização enquanto classe, com o compromisso de quem deu a vida pela luta do povo. 1º de Maio marca o assassinato cometido pelos patrões e pelo Estado contra os mártires de Chicago: Albert Parsons, Louis Lingg, Adolph Fischer, George Engel, August Spies, Michael Schwab, Samuel Fielden e Oscar Neebe. Rememoramos também nesse dia todas as pessoas assassinadas, torturadas, presas e perseguidas por sua peleia em busca de uma vida digna, na cidade, no campo e na floresta.

Por isso, o 1º de Maio, como já cantamos antes nesse palco, “não é dia do trabalho. Dia 1º de Maio é dia de quem trabalha”. Marcando essa data de nosso calendário rebelde, queremos hoje rememorar também mais um marco de nossa história: as manifestações que tomaram as ruas em 2013, as Jornadas de Junho.

As lutas de 2013 iniciaram contra os aumentos da passagem de ônibus em várias cidades do país, ainda em janeiro. Quando recebemos cenas da brutalidade policial contra manifestantes em São Paulo, no início de junho, foi que as manifestações do Movimento Passe Livre (MPL), aliado às frentes populares de luta pelo transporte, se multiplicaram e reuniram centenas de milhares de pessoas nas ruas, com destaque para os dias 13 e 20 de junho. Houveram atos conectando a rebeldia contra a tarifa e a polícia em Joinville, Florianópolis, Porto Alegre, São Paulo, Brasília, Porto Velho, Maceió e centenas de outras cidades. É provável que 20 de junho tenha sido o dia em que mais gente saiu às ruas em um ato na história do Brasil. Por trás de tudo, havia o contraste entre demandas sociais urgentes do povo trabalhador e o dinheiro público utilizado para a realização dos megaeventos esportivos por parte do Partido dos Trabalhadores (PT), então à frente do Executivo nacional.

Após uma tentativa fracassada da mídia em criminalizar e deslegitimar os atos, houve um esforço coordenado e eficiente em disputar o sentido das ruas. Logo, as bandeiras contra a tarifa disputavam espaço com pautas genéricas contra a corrupção e a hostilidade a qualquer partido ou organização de esquerda. Na maioria das cidades, o bloco de esquerda se viu minoritário no final daquela disputa. Ainda assim, houve ganhos concretos da mobilização. Foi possível reduzir o valor da tarifa de ônibus em mais de 100 cidades ao mesmo tempo, conquista que teve impacto até nas estatísticas de inflação nacional de 2013.

Do ponto de vista político, também tiveram marcos importantes. As Jornadas de Junho inspiram uma geração de novos militantes a se organizar, incluindo parte de nossa organização atualmente. Dezenas de ocupações por moradia surgiram espontaneamente entre 2013 e 2014, se vinculando posteriormente ao Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e dando ao movimento a expressão e força que possui até hoje. As lutas contra as remoções dos megaeventos e as ocupações de escolas de 2015 e 2016, marco de combatividade do movimento estudantil, também tiveram influência decisiva desta luta.

Não podemos nos esquecer de Rafael Braga. Preso em 2013 por portar um Pinho Sol durante um ato, ele não era militante, apenas catava materiais recicláveis no Rio de Janeiro no momento da manifestação. Por ser negro e pobre, foi levado à prisão, incriminado falsamente pela polícia militar e depois adoecido pelo sistema carcerário. A campanha pela liberdade de Rafael Braga foi um grito motivado por 2013 contra as injustiças do sistema carcerário.

De 2013 pra cá, foram 10 anos em que continuamos enfrentando as investidas neoliberais; o capital agroexportador que engole nossas florestas e ameaça os povos que vivem nela; um período no qual presenciamos o avanço da extrema-direita, com quatro anos de um governo genocida e fascista. Vimos uma Copa do Mundo e uma Olimpíadas no Brasil projetadas sobre a expulsão forçada de milhares de pessoas pobres. Durante esses 10 anos, também testemunhamos o fortalecimento da ideia de que nossa única saída enquanto povo oprimido está na via eleitoral, na esperança de ser feliz depositada nas urnas. Há quem culpe 2013 por essa década, tentando jogar no colo do povo a culpa pelos golpes dados pela elite. Puxar o freio de mão da luta popular e responsabilizá-la por quaisquer resposta da direita, dos patrões ou do setor conservador presente entre o povo, é acreditar que recuando podemos vencer essa guerra, talvez sem incomodar tanto aqueles que nos exploram. Por tudo isso, é necessário afirmar: não conseguiremos construir um mundo novo sem destruir tudo o que nos oprime!

Como anarquistas, entendemos o Estado como nosso inimigo, como um instrumento de uma minoria que possui o monopólio da violência por meio das polícias para sustentar a riqueza de uma elite econômica. Não há perspectiva de construção de um Estado popular. Por isso, em 2013, não tivemos receio de apontar as contradições do governo do PT e nem de combater nas ruas suas medidas impopulares. Vale destacar que a direita neoliberal ou grupos fascistas não se fortaleceram através dos atos de 2013. Foram, na verdade, resultado de uma tentativa fracassada de lidar com as feridas escravocratas e da guerra de classes através de um pacto de conciliação.

Para garantir governabilidade, vimos anos de um governo federal progressista se curvando às demandas dos ricos, latifundiários e especuladores, culminando no golpe parlamentar sofrido em 2016 pela presidenta Dilma Rousseff (PT). Além disso, o esforço do Partido dos Trabalhadores para domesticar os instrumentos de classe e torná-los máquinas de campanha fez com que os sindicatos e movimentos sociais construídos pelo povo não tivessem mais força ou disposição para a luta popular, dando espaço para a direita na disputa ideológica.

Aqueles que hoje querem domesticar as ruas, tentam representar as Jornadas de Junho como um ato de grupelhos da direita ou uma armação da CIA. Esses grupelhos pró fascistas, que nem existiam em 2013, teriam lutado para baixar o preço da tarifa e ocupado a Assembleia Legislativa? Teriam enfrentado e feito correr o caveirão da polícia racista, como aconteceu no Rio de Janeiro? Uma análise honesta sobre 2013 não deveria nos fazer temer as ruas, mas reafirmar nossos caminhos fora da democracia burguesa, na autonomia de nossa gente e em sua auto-organização.

Não há saída para o povo fora da luta popular. É o que nos ensina o 1º de Maio, assim como é o legado de 2013. Existem críticas e aprendizados a serem feitos neste balanço de 10 anos, mas eles não têm nada a ver com abandonar as ruas e atos autônomos. Em 2013, identificamos que não tínhamos força para enfrentar ao mesmo tempo a violência do Estado, a disputa ideológica da ação coordenada das mídias empresariais e a enrolação dos políticos profissionais. E por quê? Porque não havia organização popular suficiente.

Cada coração que bate por um mundo livre precisa ser, também, uma mão e um ombro dentro de um movimento social, de um sindicato ou de outro organismo de luta de nossa classe. Cada ato de rua deve servir também para trazer mais pessoas para nossos movimentos. Nossa vitória não será por acidente. Ela precisa ser construída com estratégia coletiva e trabalho cotidiano, desde hoje, desde baixo e à esquerda.

Que mais uma década de sonhos, peleia e organização se inicie. Que sejamos fortes para seguir tomando as ruas, lutando pela vida e por nossos territórios. Venceremos, companheiros e companheiras. Que o sarau de hoje possa festar nossos corações rebeldes. CompArte!

Viva a classe trabalhadora. Viva a luta de rua. Viva o anarquismo. Viva o 1º de Maio!

www.cabn.libertar.org

agência de notícias anarquistas-ana

lerdamente,
a água empurra a água
e o rio flui

Alaor Chaves

Livro “Amor Libre”

O livro “Amor Libre: discursos anarquistas sobre la unión libre y la libertad de los cuerpos” já está disponível em nossa livraria.

Publicado pela editorial Eleuterio (eleuterio.noblogs.org) em março de 2023, este terceiro volume da série Libertarias reúne 18 mulheres libertárias, pioneiras em evidenciar a opressão da mulher e estabelecer debates em torno do amor, maternidade, contracepção, desejo sexual feminino, monogamia, entre outros temas. Elas colocam em debate a dimensão pessoal e afetiva, denunciando a subordinação entre os sexos e afirmando que a emancipação humana só seria alcançada com a emancipação completa da mulher. Por isso, propunham relações afetivas e sexuais que tivessem como principal premissa a afinidade e a liberdade dos sujeitos.

Para saber mais acesse: https://livrariaterralivre.minhalojanouol.com.br/amor-libre/p

São poucos exemplares disponíveis!

Outros títulos de editoras parceiras: https://livrariaterralivre.minhalojanouol.com.br/editoras-parceiras/c

agência de notícias anarquistas-ana

lerdamente,
a água empurra a água
e o rio flui

Alaor Chaves

[EUA] A xenófoba “Title 42” termina, e a reforma da imigração de Biden não apareceu ainda

Relatório da Ação Indígena sobre o trabalho de ajuda mútua ao longo da chamada fronteira EUA/México, já que a “Title 42” está prestes a terminar.

A Ação Indígena recentemente apoiou @abolition.yumacounty (no Instagram) na fronteira “EUA-México”. São uma equipe de mulheres radicais e pessoas queer que fornecem suprimentos essenciais para indígenas e outras requerentes de asilo que são mantidas presas com nada além do que elas carregaram por milhares de quilômetros. Eles também oferecem suporte confidencial à liberação da gravidez. Por favor, apoie e seja voluntário se estiver na área de “Yuma”. Venmo: @ycabolition, Cash App: @YumaCountyAbolition

Com a “Title 42” terminando em 11 de maio (uma política xenófoba que deu ao governo o poder de expulsar rapidamente qualquer imigrante, sem dar a eles a chance de defender a travessia legal, inclusive para pedir asilo), Biden não fez nenhuma tentativa de reforma da imigração como ele prometeu durante a campanha, “só posso imaginar como é ver alguém da sua família ser deportado. Para mim, é tudo sobre família. Começo meio e fim. Isso não vai acontecer no meu governo. A ideia de que você não pode nem pedir asilo em solo americano. Quando isso aconteceu? Trump. Está errado.”

A mudança dessas políticas está ao alcance de Biden e, no entanto, ELE NÃO o fez. Ele teve 2 anos para se preparar para o final da “Title 42” e introduzir novas políticas que, segundo ele, “oferecem esperança e um porto seguro aos refugiados”.

O que estamos vendo agora na fronteira é hediondo. Abrigos e centros de detenção quase lotados. Centenas de pessoas são expulsas todos os dias. No mês passado, um incêndio em um centro de detenção matou 40 pessoas.

Em 2022, mais de 890 migrantes morreram ao atravessar a fronteira, e essas são as mortes registradas. Para pintar um quadro ainda mais amplo, desde 2021, houve 13.480 relatos de assassinato, tortura, sequestro, estupro e outros ataques violentos contra migrantes e solicitantes de asilo bloqueados ou expulsos para o México sob a “Title 42”.

Agora é a hora de enfrentar a xenofobia. Sejamos livres para vagar e livres para nos enfurecer onde quisermos!

Fonte: https://itsgoingdown.org/xenophobia-title-42-ends-bidens-immigration-reform-nowhere-to-be-found/

Tradução > Contrafatual

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/04/07/mexico-consideramos-isto-como-um-crime-de-estado/

agência de notícias anarquistas-ana

No parapeito
da velha janela
a gata espreita

Eugénia Tabosa

[França] Lançamento: “Uma breve história do anarquismo”, de Marianne Enckell

Os anarquistas gostam de contar lendas a si mesmos, inventar ancestrais e heróis. Mas a história do anarquismo é, acima de tudo, uma história muito real de homens e mulheres em luta, ávidos por conhecimento e mudança social, cultura e ideal. É também uma história de erros e fracassos, confrontos e avanços, e uma vontade nunca derrotada.”

Nesta caminhada na anarquia, Marianne Enckell, historiadora e facilitadora do Centro Internacional de Pesquisa sobre o Anarquismo em Lausanne, nos leva aos vestígios desse movimento desde suas origens até os dias atuais, abordando em particular seu aspecto internacional e sua dimensão cultural.

Une petite histoire de l’anarchisme

Marianne Enckell

ISBN : 9791092457605

128 p. – 11 x 17 cm –

10,00€

Nada Éditions

https://www.nada-editions.fr

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espuma do mar
adensa o voo das
gaivotas no ar

Carlos Seabra