[Espanha] O futuro das pensões na Europa

Mesa redonda internacional em 21 de maio de 2023, às 12 horas (horário de verão da Europa Central)

Aproveitando a necessidade econômica após a pandemia, a Comunidade Europeia está exigindo uma aceleração na redução dos direitos à aposentadoria pública em seus países: França, Espanha,… E não apenas na UE, outros países como a Suíça também veem seu direito à aposentadoria pública ameaçado. Esse caminho já foi trilhado por países como a Argentina ou o Chile. A demanda do capitalismo europeu não é nova e está de acordo com o relatório do Banco Mundial de 1994. Em consonância com os interesses dos banqueiros e dos fundos de pensão privados, as sucessivas reformas estão sendo realizadas com o engano de governos, formações políticas e sindicatos colaboracionistas que lideram a classe trabalhadora em cada país.

As trabalhadoras francesas estão se mobilizando há meses para defender suas aposentadorias e nos perguntamos: por que as trabalhadoras devem permanecer mais tempo no emprego e receber menos aposentadoria, desenhando um futuro de incerteza, precariedade e miséria? O que está impulsionando essa resistência na França, ao contrário de outros países? Qual é o papel dos fundos financeiros?

A admirável determinação da classe trabalhadora francesa – pressionando sem desistir – nos mostra o caminho: Aumentar a consciência de classe e a ação direta das trabalhadoras é fundamental para avançar e não retroceder, por isso, a partir da CNT, facilitamos um espaço de debate e conhecimento internacionalista, onde teremos a participação de companheiros de sindicatos da Comunidade Europeia, como a USI (Unione Sindacale Italiana), a FAU (Freie Arbeiter-Union, da Alemanha), a SUD Santé Sociaux (Federadas em Solidariedade, França); de fora da UE, como o SUD (Suíça), e também teremos a participação especial de um sindicato não europeu, a FORA, da Argentina, um país que passou por um processo semelhante e que pode nos mostrar aonde ele está levando anos depois. Juntamente com a CNT, essa mesa redonda internacional sobre o futuro das aposentadorias na Europa será transmitida pelo canal do youtube da CNT (https://youtube.com/live/gtmzfIJwS78).

Estamos esperando por você.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/el-futuro-de-las-pensiones-en-europa/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

canta bem-te-vi
sol por todo o lado
natureza sorri

Carlos Seabra

[Reino Unido] Letterpress Revolution: The Politics of Anarchist Print Culture (Revolução tipográfica: a política da cultura impressa anarquista) [Resenha do livro]

Por Peter Good

Como um curioso vadio de uma escola de Manchester, fiquei fascinado pelas muitas revistas de bricolagem que eram uma característica dos anos 1950. Um desses anúncios sempre despertaria minha imaginação. A prensa manual Adana ‘Não é um brinquedo – uma impressora de verdade’ estava muito além do meu bolso, mas o anúncio semeou fantasias juvenis de publicação. Anos depois, ganhei algum dinheiro, então comprei o kit inicial de Adana. Uma prensa manual de mesa bem construída. Ainda está funcionando cinquenta anos depois.

Em uma mesa de cozinha em uma casa do conselho de Lancashire, comecei a aprender a imprimir lançando uma pequena revista baseada em minha abordagem anarquista da vida. Chamei-o de Anarquismo Lancastrium. Levou uma era de dedos sujos de tinta, organizando tipos, configurando e reimprimindo erros graves. Um processo de aprendizado doloroso, mas funcionou.

O kit inicial era muito escasso para impressão detalhada. Naquela época, muitas impressoras comerciais começaram a mudar para sistemas de computador e ficaram com equipamentos tipográficos redundantes. Abençoado com charme e um belo sorriso, eu batia nas portas das gráficas e perguntava se eles estavam abertos para doar qualquer tipo ou tinta. Como tal, salvei muitas coisas da caçamba de lixo e ao longo de 50 anos montei minha própria oficina.

Um homem e seis de seus companheiros do clube de conservação ajudaram na mudança de Lancashire e eu mudei o título de AL para seu nome atual: A Emenda Cunningham. A revista continuou suas origens satíricas, mas o início da Política de Identidade fez uma série de lojas radicais, até hoje, se recusarem a aceitar cópias.

Há algo inerentemente maravilhoso na impressão tipográfica. Como compositor, construo palavras à mão e estou constantemente alerta para corrigir erros. Algumas das minhas impressões e as latas de tinta datam de antes da segunda guerra. Todo o processo requer raciocínio e habilidade – uma arte totalmente diferente dos layouts feitos por computador. Tenho orgulho da economia desta habilidade. Quase tudo o que tenho foi projetado e construído para durar décadas. Não há descarte na impressão tipográfica. Consequentemente, não preciso substituir equipamentos de empresas comerciais. A economia da impressão tipográfica é tamanha que agora custa mais postar a revista do que produzi-la.

A versatilidade do ofício merece registro. Principalmente porque a tipografia se presta a uma grande variedade de materiais. Certa vez, cortei páginas de uma lista telefônica e imprimi o slogan: Não vote – governe a si mesmo. Coloquei uma pilha de papéis no telhado de um prédio de cinco andares, coloquei um pedaço de pão para segurá-lo e, quando os pombos chegaram, o vento distribuiu essa sabedoria pelo centro de Manchester e além. Certa vez, ganhei uma caixa de apoiadores de cerveja e imprimi slogans espirituosos e os coloquei cuidadosamente nas mesas dos pubs. Várias vezes usei panfletos de supermercado para imprimir avisos de que o que está em oferta é falso. Em que tempos travessos vivemos!

Agora vem um livro magnífico que examina a cultura impressa do passado e fala com impressores contemporâneos que continuam com o ofício hoje. Como nos tempos de silo de hoje, o anarquismo sempre foi uma assembléia de facções e podemos ter certeza de que cada tendência produziu seu próprio papel. Ferguson deve ser elogiado por rastrear os muitos impressores esquecidos, “os nomeados e os anônimos”, que, em muitos casos, dedicaram suas vidas ao ofício.

O livro é um contra-ataque bem-vindo ao nosso método moderno de usar dispositivos elétricos de propriedade corporativa como meio de publicação. A impressão tipográfica cruzou “a lacuna entre artesanato e arte dando um passo em direção a um mundo em que os trabalhadores não seriam alienados do processo de seu trabalho”. Muitos impressores consideravam os equipamentos com os quais trabalhavam como entidades quase vivas. Usando principalmente máquinas antigas, eles consideravam a prensa como uma companheira. Citando o impressor Jules Faye: “as impressoras são pessoas, quase, elas têm uma persona, uma personalidade, elas têm humores…”

O material anarquista sempre carrega uma vantagem. Há pessoas por aí que acham ameaçadora a noção de uma sociedade livre. Ferguson dá espaço para descrever muitas batidas de policiais e vigilantes. Freedom, que já foi uma organização mais aberta do que é hoje, foi invadida quatro vezes durante a Primeira Guerra Mundial. Máquinas foram quebradas, tipos e tintas confiscados e camaradas que vieram oferecer apoio também foram invadidos.

Ao focar na tipografia, Ferguson apresenta uma nova maneira de olhar para a história do anarquismo. A tipografia como forma de trabalho gera uma ambição prática ativa de construir e incorporar ideias novas e criativas. Muitos agora dependem de pequenos dispositivos elétricos que vêm com um pacote de julgamentos instantâneos de tristes guerreiros do teclado. Nem sempre é fácil ver o quão destrutivo é esse modo de trabalhar. Como método, a impressão tipográfica pode ser visivelmente vista funcionando e muitos aspectos do processo se prestam a assistência não qualificada. A história de Ferguson promove a mensagem de que o desenvolvimento radical significativo é construído a partir da cooperação face a face, corpo a corpo, mão a mão.

Revolução tipográfica: a política da cultura impressa anarquista por Kathy E. Ferguson – Duke University Press, 2023. https://dukeupress.edu/letterpress-revolution

Fonte: https://www.katesharpleylibrary.net/4mw83p

Tradução > Contrafatual

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/02/13/eua-o-papel-das-impressoras-e-prensas-no-movimento-anarquista-tem-destaque-em-novo-livro/

agência de notícias anarquistas-ana

Canto e contracanto:
o pica-pau reclamando
do som do machado.

Anibal Beça

Chamado para XI Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre 2023

Convidamos mais uma vez para construirmos coletivamente a Feira do Livro Anarquista em Porto Alegre, que se realizará na primeira quinzena de novembro de 2023. Para nos encontrarmos, para atualizar nossas práticas, olhares e estratégias, para que tudo que uma mente livre possa se perguntar encontre um espaço cheio de produções autônomas, publicações independentes, ideias acratas, debates e também para agitar solidariedade ativa com quem teve a vida usurpada pelo Estado por se opor à dominação.

As chamas da revolta que ardem pelo mundo todo mostram que muitas são as pessoas que não se submetem e tomam pra si a responsabilidade de pôr por terra esse modelo de sociedade que explora e destrói pessoas, animais, matas, rios e tudo que possa transformar em lucro. Todas essas ações de luta e resistência nos inspiram e encorajam a continuar lutando. Num mundo cada vez mais devastado, instável e precário, em que as pessoas estão cada vez mais isoladas umas das outras, os valores anarquistas de solidariedade, apoio mútuo e ação direta se mostram ainda atuais e urgentes

Um dos combustíveis para espalhar essa chama é a palavra escrita, os comunicados, revistas, livros, jornais, as ideias difundidas das mais diversas formas. Uma vez que não nutrimos nenhuma simpatia pelos meios corporativos, as vozes da dominação, escrevemos nossa própria história.

Por isso a importância de termos esse espaço/momento ativo sempre, todos os anos, com diferentes grupos e individualidades tomando pra si a responsabilidade de fazer acontecer. A Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre não é propriedade de alguém e nunca será, é de toda pessoa que se identifica com a revolta e busca a autonomia, participa das reuniões, propõe intervenções para os dias da feira, leva materiais, cola junto.

A Anarquia vive e se movimenta, o fogo da rebelião precisa ser constantemente soprado, pra todos os lados. Vamos acender  essa grande fogueira mais uma vez!

Convidamos a participar das reuniões de construção da feira nos primeiros domingos do mês nas feiras anarquistas de Porto Alegre, em frente ao Gasômetro.

Informações e contato: fla-poa2023@riseup.net

agência de notícias anarquistas-ana

Mata devastada
Vence a luta pela vida
Cachos do Ipê roxo

Kiyomi

[Grécia] Cartaz antieleitoral | Se vivemos, vivemos para pisar na cabeça dos poderosos

Não vivemos para os outros mediarem e definirem nossas vidas.

Não vivemos para pagar aluguel e trabalhar para patrões.

Não vivemos para servir a nenhum país e nos submeter a qualquer Estado.

Não vivemos para morrer esperando que dias melhores venham.

Porque se vivemos, vivemos para pisar na cabeça dos poderosos.

Vivemos coletivamente construindo relações de solidariedade e criando comunidades de resistência.

Vivemos para viver, não para sobreviver.

ABSTENÇÃO CONSCIENTE

PARTICIPAÇÃO EM LUTAS SOCIAIS E DE CLASSES

POR UMA VIDA COM DIGNIDADE

Coletivo Anarquista “A priori”

agência de notícias anarquistas-ana

estação vazia
no trem sozinho
um passarinho

Ricardo Portugal

Espaço Virtual da Federação Anarquista Capixaba – FACA

A p r e s e n t a ç ã o

Quando de sua fundação, em 11 de setembro de 2022, a Federação Anarquista Capixaba – FACA assumiu para si a responsabilidade de agrupar as individualidades anarquistas no território dominado pelo Estado do Espírito Santo, contribuindo assim com a luta e transformação anticapitalista e antiautoritária.

Dessa forma, sabemos que a comunicação, troca e divulgação de ideias é fundamental para o desenvolvimento dos indivíduos e movimentos políticos e sociais, de modo que a FACA, inaugura este espaço digital público com a intenção de expor seus posicionamentos e atividades.

Que tenhamos aqui mais uma trincheira em prol da Liberdade.

Que viva a Anarquia sempre!

Federação Anarquista Capixaba – FACA

Contato: fedca@riseup.net

Blog: https://federacaocapixaba.noblogs.org/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/02/02/militantes-criam-federacao-anarquista-capixaba/

agência de notícias anarquistas-ana

velhinha na janela
todo mundo que passa
é visita pra ela

Ricardo Silvestrin

[Espanha] “Sou otimista com as novas gerações”

Entrevista publicada no Rojo y Negro (Vermelho e Negro) nº 378, maio de 2023

Conversamos com Álex Rodrigo, codiretor de séries de sucesso internacional como La Casa de Papel, Vis a Vis ou El Embarcadero e roteirista de, entre outros, El Último Show, também músico… e afiliado à CNT.

Rojo y Negro > Olá, Álex. Aproveitando a fama que você ganhou com os muitos prêmios que recebeu por seu trabalho, gostaríamos de conversar com você para dar visibilidade às pessoas que trabalham na mídia audiovisual. Especificamente, quais são os problemas trabalhistas que você enfrenta e quais são suas reivindicações?

Alex Rodrigo < A raiz de muitos problemas é a temporalidade. Ao trabalhar em séries e filmes, você se depara com projetos que variam de 8 semanas a 6 meses, mas raramente mais. Isso leva, por exemplo, à dificuldade de criar seções sindicais. Quando você consegue organizar um grupo de pessoas, o projeto está praticamente encerrado.

Em termos de problemas específicos, como diretor, faço muitas horas extras que (na maioria dos casos) não são levadas em conta. Quando você pede para ensaiar com os atores ou visitar mais locações para escolher a melhor, parece um capricho extra… e tudo isso fora do horário de trabalho. Também não tenho tempo durante a semana para preparar as cenas (desenhar planos de câmera, storyboards…) e acabo fazendo isso no fim de semana.

Como roteirista, o problema é todo o trabalho que você faz antes de a série ser vendida, que vem (em muitos casos) da sua motivação para ser comprada por uma plataforma ou rede, mas não é pago. Depois de vendida, você começa a ser pago do zero, como se o trabalho anterior não valesse um centavo.

Em outras palavras, o problema que me afeta são as horas extras não pagas.

Mas não vamos esquecer que estamos falando de dois empregos (roteirista e diretor) com certos privilégios dentro do setor. Se olharmos para os assistentes, auxiliares e trabalhadores em qualquer departamento… você sente um arrepio na espinha: salários precários, mudanças de turno sem aviso prévio, coerção para não tirar licença médica, etc. E ainda há o mundo distópico e surreal dos bolsistas, que poderia ser o tema de um artigo inteiro.

Também gostaria de salientar que o mito de que “os artistas são loucos que se alimentam de sua própria motivação criativa” causou muitos danos. Parte desse mito vem de uma classe social que é minoria, mas que tem muitos alto-falantes no setor cultural: os filhos e filhas da burguesia. Pessoas que até bem perto dos 30 anos vivem treinando em escolas de cinema elitistas e produzindo trabalhos não remunerados com o objetivo de obter prestígio intelectual. Há classes em todos os lugares, mas no cinema elas são especialmente marcadas.

RyN > Considerando as diferentes profissões que compõem o mundo audiovisual, com sua casuística diversa e múltipla, estando sujeitas a contratos de trabalho e a tantos empregadores diferentes, em um ambiente atomizado e altamente competitivo no qual é difícil se unir para apresentar suas propostas, como vocês se organizam?

AR < Os companheiros da CNT Artes Cênicas conseguiram superar essa adversidade e lutar pelos direitos trabalhistas das artes cênicas, mas é um caminho longo e complicado. Há também os sindicatos, ALMA (roteiro) ou TACEE (técnicos), que conseguiram melhorias específicas em seu setor. Meu sonho é que a CNT chegue a todos os departamentos audiovisuais, para poder criar um movimento forte, transversal e revolucionário.

Também estou ciente de que a CGT tem uma forte presença entre os funcionários permanentes das empresas de televisão… E que bom!

RyN > Você acha que o desenvolvimento do Estatuto do Artista poderia resolver alguma coisa?

AR < Bem, mais uma vez, essas são medidas que não resolvem a raiz do problema… mas não quero ser catastrofista. Por exemplo, um seguro-desemprego que realmente se encaixe como uma luva na intermitência do setor, acho que seria uma medida importante para muitas pessoas. Insuficiente, mas importante.

RyN > E o que você pode nos dizer sobre o direito à propriedade intelectual de uma perspectiva anarcossindicalista?

AR < É uma questão complicada. Essencialmente, sou contra os direitos autorais. Quando tive controle total do design da produção, como na websérie Libres, registrei meus trabalhos na Creative Commons. Mas também reconheço que, em alguns casos, quem mais tira proveito da ausência de direitos são as empresas. Há muitos casos de produtoras que pegam roteiros de outras pessoas, apagam os nomes dos autores e os fazem passar por seus próprios roteiros. Nesse caso, um roteirista é protegido por direitos de propriedade intelectual (uma licença Creative Commons poderia protegê-lo, mas é mais difícil lutar no tribunal).

É por isso que acho que seria muito simplista dizer que “os anarquistas devem lutar para eliminar todos os direitos de propriedade” e depois ficar de braços cruzados, sem olhar para a realidade que afeta os trabalhadores do setor.

É claro que acho que a cultura deve ser livre, universal e gratuita. Não há debate sobre isso. É por isso que devemos distinguir entre os direitos que protegem o autor (um trabalhador, afinal de contas) e o sistema de direitos e royalties que reproduz a parte mais tóxica do conceito de propriedade capitalista.

RyN > Agora, a partir de sua profissão e do ponto de vista da comunicação política, que lições você aprende com seu trabalho? Como as organizações revolucionárias podem alcançar mais pessoas?

AR < Com meu trabalho, aprendi o poder do mainstream. Não me escondo dele: quero alcançar muitas pessoas com as histórias que conto (meus amigos me chamam, aos risos, de “El AnarcoNetflix”). E acho que, às vezes, enganamos a nós mesmos ao pensar que uma mensagem radical não tem lugar no mainstream. Linguagens como o humor e a ficção são ferramentas que abrem as portas para o conteúdo revolucionário. Você mantém intacto o “o que você conta” e quebra a cabeça para ver “como você conta”, repito, sem renunciar ao conteúdo.

O Modelo 77 conseguiu colocar uma história sobre a COPEL em todos os cinemas da Espanha. Quantos de nós já sentimos um frio na barriga ao ouvir um personagem dizer “sou da CNT” em uma sala de cinema cheia? Bem, é um filme com um orçamento de 7.500.000 euros, um daqueles que são (às vezes ofensivamente) rotulados como “comerciais”, e Alberto Rodríguez teve que financiá-lo, em parte, por meio de gigantes como Movistar e Warner Bros. Temos que aceitar que o cinema e as séries são muito caros para produzir.

E como podemos alcançar mais pessoas? Fazendo com que elas vejam que, com força coletiva, podemos mudar esse mundo de merda. Apontando as vitórias que temos. Mostrando que somos indispensáveis e também inconformistas. Mostrando que, por meio do apoio mútuo e sem estruturas hierárquicas, podemos mover montanhas, criar revoluções e conquistar um novo mundo… Aquele que carregamos em nossos corações.

RyN > Você acha que a imprensa escrita, com uma longa história no anarcossindicalismo e um papel tão importante na emancipação da classe trabalhadora, está fadada a desaparecer diante do poder da mídia audiovisual e da Internet?

AR < A imprensa de papel pode desaparecer, mas a imprensa escrita não. A leitura é um exercício insubstituível.

RyN > E, nesse sentido, a CNT fez um trabalho de comunicação muito bom nos últimos anos. O que você aprendeu com sua participação no sindicato que lhe foi útil no cinema? Quais são as chaves para alcançar os jovens?

AR < O que eu levo ao cinema? Estar envolvido em assembleias desde os 16 anos (nos últimos anos na CNT, mas antes disso em outros movimentos sociais) me deu muitas ferramentas para ser um diretor. Ouvir muito, tentar seduzir com as ideias que transmito aos meus colegas (não presumindo que eles obedecerão às ordens simplesmente por causa da hierarquia)… Eu até tento ser muito conciso em minha comunicação (como falasse de uma vez tudo o que se tem para dizer, bem estruturado e em pouco tempo). Sou um filho da cultura da assembleia, e isso moldou uma maneira de trabalhar na qual (quase sempre) me sinto à vontade.

Quais são os segredos para alcançar os jovens? Bem, não posso lhe dizer. Se eu soubesse, na CNT Huesca haveria milhares de jovens de vinte e poucos anos militando. O que eu acredito é que não existe uma juventude homogênea e que querer “alcançar os jovens” pode ser um objetivo final, mas nunca uma linha de ação. Você é a estrela. Não existe essa coisa de “juventude”. Existem muitos “jovens”, e para cada um deles teremos de pensar em uma estratégia de comunicação.

RyN > Finalmente, você poderia esboçar um roteiro para uma nova série de ficção: O movimento dos trabalhadores nos próximos anos. E, sendo o mais realista possível, como você acha que a luta de classes evoluirá nos próximos 10, 20 ou 50 anos?

AR < Bem, eu sou precisamente otimista com relação às novas gerações, com relação aos jovens que estão agora com 18-20 anos. Vivemos um ciclo muito tóxico em que os mitos da meritocracia e do empreendedorismo fizeram esforços titânicos para se implantar no imaginário coletivo da classe trabalhadora. Eles vendem mitos individualistas para nos anestesiar. Por sua vez, a nova esquerda parlamentar desmobilizou a luta social revolucionária: “Vote contra o Vox e fique quieto por quatro anos”. Mas estamos vendo que essa não é a solução e que somente a classe trabalhadora luta pela classe trabalhadora.

É por isso que eu proporia um roteiro em que os mais jovens repensassem os mitos da geração anterior e se organizassem para não esperar que eles resolvam seus problemas. Protagonistas que não mordem a isca individualista do elevador social e, em vez de almejar o que está acima, olham ao seu redor (e abaixo) para lutar coletivamente. Um protagonismo coral atravessado pela ideia de Apoio Mútuo.

RyN > Na CGT, sentimos que somos herdeiros da história da CNT e, embora agora estejamos seguindo caminhos diferentes, na CGT temos clareza de que precisamos avançar na busca de espaços comuns e temos demonstrado isso, por exemplo, em nosso apoio aos companheiros de La Suiza de Xixón. Quais você acha que poderiam ser os pontos de encontro entre nossas organizações?

AR < Bem, já estamos encontrando pontos em comum, cada vez mais nos últimos anos: mobilizações, ações conjuntas, solidariedade com os reprimidos… Sinceramente, acho que as gerações que não viveram a divisão traumática adoram apertar as mãos sempre que temos a oportunidade. Estamos separados por duas diferenças táticas e unidos por tudo o mais. Poucas organizações são tão próximas, a ponto de muitos militantes da CNT se referirem a vocês como “o sindicato irmão da CGT”.

RyN > Muito obrigado pelo seu tempo, saúde e anarquia, companheiro!

AR < Um abraço libertário, companheiros!

Foto: Tamara Arranz

Fonte: https://rojoynegro.info/articulo/soy-optimista-con-las-nuevas-generacioneslkuy/

Tradução > Liberto

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De espantalho
Para espantalho,
Voam os pardais.

Sazanami

[México] Nem Condenado, Nem Perseguido! Solidariedade Com Miguel Peralta

Declaração do preso político indígena Yaqui, Fidencio Aldama, em solidariedade ao preso político indígena Mazateca, Miguel Peralta.

Meu nome é Fidencio Aldama Pérez. Junto-me ao apelo à solidariedade com o meu companheiro Miguel Peralta. Após quase cinco anos de prisão, vivendo um processo judicial árduo e demorado, Miguel conseguiu sua liberdade depois que se provou que não havia provas para condená-lo por um crime. Devido à mesma situação, há mais de oito anos, seis companheiros permanecem presos sem sentenças, e outros quatorze estão sendo perseguidos por suposta “justiça”. Melhor dito, pela manipulação de certas pessoas, e pelo abuso de poder.

Em 4 de março de 2022, a Suprema Corte do Estado de Oaxaca revogou a liberdade de Miguel, emitindo um novo mandado de prisão buscando novamente impor uma pena de prisão de meio século, ou cinquenta anos.

Perante esta condenação e perseguição política, quero manifestar a minha solidariedade para com o meu companheiro Miguel Peralta, apelando a todos para que resistam a este caso de injustiça. O caso dele é parecido com o meu. Pela defesa de nossos territórios e autodeterminação, de nossos costumes e tradições, eles nos aprisionam injustamente. Eles fazem isso para nos intimidar. Através da intervenção de quem está no poder, e da corrupção a eles ligada, os aliados do dinheiro podem realizar seus objetivos.

Mesmo assim continuamos na luta pela autodeterminação, pelos nossos costumes e tradições. Fazemos um apelo à ação, para exigir que o tribunal atenda ao recurso interposto neste processo, para que façam os trabalhos que lhes correspondem.

Compañero Miguel Peralta, nem condenado, nem perseguido!

Fonte: https://itsgoingdown.org/neither-condemned-nor-persecuted-solidarity-with-miguel-peralta/

Tradução > Contrafatual

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/08/29/mexico-expedida-nova-ordem-de-prisao-contra-o-anarquista-miguel-peralta-betanzos/

agência de notícias anarquistas-ana

ave calada —
ninho em silêncio
na madrugada

Carlos Seabra

[País Basco] XVII edição da feira do livro anarquista de Bilbao

A Feira do Livro Anarquista retorna

No fim de semana de 20 e 21 de maio, o Paseo del Arenal (Bilbao) sediará a 17ª edição da feira.

“Além dos estandes das editoras e distribuidoras, foram programados vários eventos culturais”, destacam os organizadores.

Nos dias 20 e 21 de maio, o Arenal de Bilbao será “a capital do livro anarquista”, destaca a CNT. Com essa 17ª edição, o objetivo é continuar o trabalho de divulgação das ideias libertárias, anticapitalistas e antiautoritárias. “Em um momento em que, para a população em geral, ainda parece não haver uma alternativa social clara a esse sistema capitalista decrépito e a essa democracia representativa burguesa, queremos visualizar que um mundo pós-capitalista e libertário é possível e necessário”, enfatizam os organizadores. Por essas razões, destacam a importância de continuar a divulgar as ideias libertárias.

No sábado, 20 de maio, a feira começará às 12 horas, com oito estandes de distribuidores e editoras. Juan Cruz López apresentará o livro Edades de Tercera. Historia de una vieja desigualdade (Idades de Terceira, História de uma velha desigualdade), Premi Descontrol de ensayo 2021. O livro é uma obra que, entre outros objetivos, visa fundamentar as contribuições da gerontologia crítica no campo da literatura militante. No entanto, “estamos falando de uma obra repleta de referências, que começa com uma análise histórica da construção social da velhice, continua desvendando os debates relacionados à tese do chamado envelhecimento populacional e termina com uma análise sociológica das diferentes formas de etarismo presentes em nossas sociedades, incluindo a violência sofrida pelos idosos”, aponta a organização. De qualquer forma, a abordagem do autor visa afirmar a necessidade de conectar a luta contra o envelhecimento com outras lutas que aspiram a colocar a vida no centro dos interesses públicos.

Às 18h00, será exibido o documentário El entusiasmo, com a participação de seu diretor, Luis E. Herrero. O documentário investiga os movimentos libertários e contraculturais que convergiram na CNT durante os anos mais efervescentes da Transição. Em apenas dois anos, a histórica organização de trabalhadores passou da clandestinidade para a organização de eventos de massa, em uma evolução meteórica que culminou no início de 1978 com um caso obscuro de infiltração policial, o chamado Caso Scala.

E para fechar o dia, às 20h00 haverá um show de Jo Solana, que surgiu em 2015 após 30 anos de carreira musical como Juanito Piquete, com canções que resgatam momentos mais íntimos. A feira será encerrada às 21h00 no sábado.

No domingo, dia 21 de maio, o horário de funcionamento será das 11:00 às 15h00. Para encerrar os eventos culturais, haverá uma palestra das Trabajadoras No Domesticadas, que às 12h00 falará sobre as trabalhadoras domésticas e de cuidados no País Basco e seus horizontes de luta.

www.cnt-sindikatua.org

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Jasmineiro em flor.
Ciranda o luar na varanda.
Cheiro de calor.

Guilherme de Almeida

[Porto Alegre-RS] Quem Tem Medo de Junho de 2013?

As Jornadas de Junho de 2013 foram a maior revolta popular do século 21 no chamado Bra$il, até o momento. Esse momento de intensa luta tem sido alvo de criminalização e apagamento, mesmo por setores da esquerda. Para recuperar a narrativa que valoriza o caldeirão de lutas populares que abalou o país, o Esp(a)ço recebe o pessoal da Kasa Invisível para um bate-papo sobre o assunto.

A atividade  acontece na sexta-feira, dia 19 de maio, às 19h. Aqui no Esp(a)ço. Rua Castro Alves, 101, em Porto Alegre. Chega junto!

agência de notícias anarquistas-ana

Ao cair da tarde
apenas uma cigarra –
Companheiras mortas.

Francisco Handa

Reveses do sindicalismo combativo

O sindicalismo é fruto da organização das pessoas trabalhadoras em busca de melhores condições de vida em todos os seus aspectos. 

À medida que a luta desigual entre as pessoas trabalhadoras e os grupos de poder que controlam os meios de produção se acentuam, os grupos poderosos atacam sistematicamente as organizações sindicais, desmontando e fechando todas que ofereciam algum tipo de ameaça às estruturas de roubo e opressão. 

Centenas de milhares de pessoas sindicalistas foram perseguidas, presas e assassinadas em todo o mundo. O Brasil não está fora desse contexto, e aqui houve um desmonte do movimento sindical, primeiro com as perseguições, prisões e extradições de milhares de pessoas trabalhadoras, uma vez que muitas delas vinham de fora, com experiência organizacional de seus países de origem. Com ascensão da ditadura varguista, sob influência do fascismo italiano, é iniciado um particionamento do movimento sindical buscando o enfraquecimento do sindicalismo combativo e o substituindo por um sindicalismo corporativo e de resultado limitado a cada corporação ou categoria, perdendo a capacidade amplificada da força coletiva que envolvia todos os ramos de pessoas trabalhadoras.

Além de corporativizar os ramos de trabalho, só poderia existir um sindicato para cada profissão ou grupo profissional em regiões delimitadas, tornando o sindicato uma miscelânea de correntes diferentes e divergentes dentro de si, tornando o palco de lutas intestinas que enfraqueciam as próprias pessoas trabalhadoras e sua organização.

Outro grave revés ao sindicalismo combativo, revolucionário, foi a perda de sua capacidade de pautar e de interagir diretamente nas diversas profissões e em seus ambientes de trabalho. O sindicalismo ficou quase que limitado às questões econômicas das pessoas trabalhadoras. Foram criadas outras instâncias de fiscalização, os conselhos de classe das mais diversas profissões. Em conjunto a isso, dentro dos espaços de trabalho urbanos e rurais, a organização da segurança do trabalho também foi removida das atribuições sindicais e entregue a órgãos controlados pelas patronais e Estado, fiel servo dos grupos poderosos.

O Estado tornou-se uma figura chave nesse processo de controle do sindicalismo. De perseguidor, torturador e assassino das pessoas trabalhadoras sindicalistas e sindicalizadas, através das leis varguistas de controle do meio de trabalho, se torna o agente regularizador, legalizador e moderador das relações de trabalho, quase sempre atendendo aos interesses dos grupos de poder.

Neste processo de tornar os sindicatos em extensão de controle e adestramento das pessoas trabalhadoras, transformaram a greve em uma arma de festim, quase sempre ilegalizada nas mãos dos juízes trabalhistas. Dentro do acervo de possibilidades de ação, a greve sempre foi uma das armas mais fortes dos movimentos das pessoas trabalhadoras.

Agora vivemos uma transformação enorme nas relações de trabalho, com a robotização e avanços tecnológicos surpreendentes, unidos a uma amplificação dos conceitos liberais nos meios de trabalho, o que significa um desmonte e desregulamentação das leis trabalhistas, principalmente daquelas que protegiam de forma minimizada, as pessoas trabalhadoras e evitavam que de fato se tornassem escravizadas em pleno século XXI. 

Esse processo de precarização só tende a piorar, pois as organizações sindicais cooptadas a muito tempo, mantendo uma elite profissionalizada de sindicalistas, há muito se separam das aflições e desesperos da grande maioria das pessoas trabalhadoras. Estamos abandonadas à mercê dos grupos poderosos.

Retomar a organização coletiva das pessoas trabalhadoras é nossa resposta ainda possível. Na luta somos dignas e livres! 

Fonte: https://anarkio.net/index.php/reveses-do-sindicalismo-combativo/

agência de notícias anarquistas-ana

Na casa do avô
Havia tantos pernilongos
Em noites como esta!

Paulo Franchetti

[Argentina] Dos anarquistas fundadores até os sócios detidos-desaparecidos na democracia | Club Libertad: o sonho anarquista dos anos 1900

Pioneiro no país e primeiro em Salta, hoje o Club Atlético Libertad tem 122 anos de existência. Fundado em 1901 por um grupo de anarquistas em uma cidade quase como uma vila, a história do clube sempre esteve próxima aos movimentos políticos e sociais, e é possível traçar um paralelo entre a história da região e a do próprio clube.

Por Facundo Sinatra Soukoyan| 23/03/2023

Nas ruas poeirentas de uma cidade de Salta, com uma aparência de vila, apenas um punhado de habitantes, desenvolvimento incipiente e as primeiras tentativas de construir uma ideia de Nação que lentamente permearia o território argentino, um clube atlético estava sendo concebido no norte do país.

Seriam os anarquistas, mais uma vez, que assumiriam a liderança na ideia de fomentar agrupamentos sociais por trás dos ideais do socialismo libertário, reunindo trabalhadores de todos os ramos e camaradas de ideias, a fim de gerar um movimento coletivo que lhes permitisse fomentar um espírito esportivo e discussões políticas. Sob este impulso, nasceu o Club Atlético Libertad.

Vermelho e preto seriam as cores escolhidas como insígnia, numa clara manifestação política que se referia, segundo as versões mais difundidas, ao preto como representação da anarquia e ao vermelho como expressão do sindicalismo e da tradição socialista. Muitos clubes pelo país foram fundados sob esta combinação, como um claro sinal da ideologia que moveu a maioria das classes trabalhadoras naqueles anos.

Expandindo a situação na cidade, o historiador de Salta especializado em esporte, Fernando Cáseres, diz: “em Salta por volta de 1901 a luz elétrica tinha acabado de chegar, lembremos que em 1896 chegou a primeira bicicleta e em 1905 o primeiro automóvel. Era um vilarejo, era muito pequeno. Entre 1902 e 1903, a água começou a ser instalada”.

Cáseres salienta que os poucos coletivos sociais existentes estavam ligados a grupos de poder dominantes, ou a grupos étnicos, como ele mesmo os caracteriza, “havia o Club 20 de Febrero, fundado em 1858, pertencente à elite; havia a Sociedad Italiana, a Sociedad Española e o Centro Argentino. Todos eles tinham um selo específico, não havia organização dos setores de trabalho”.

O historiador de Salta sublinha: “Salta, como todo o país, foi influenciada pela imigração, e com esta influência vieram os ideais políticos trazidos da Europa com a pregação do sindicalismo, do socialismo e do anarquismo… e foi assim que nesta Salta, quase uma aldeia, foi fundado um clube anarquista”.

12 de março de 1901

Antes do Boca, River e a grande maioria dos clubes mais populares da Argentina de hoje, o Club Atlético Libertad iniciou sua atividade social e esportiva quase sozinho na realidade do norte da Argentina.

“O clube foi construído na área do atual Paseo Güemes, que naqueles anos era o limite da cidade, onde havia apenas uma ou duas casas antigas e ranchos com animais de granja (…) Naqueles anos havia um grupo de jovens que jogavam futebol e decidiram fundar um clube para se encontrar e se organizar, não apenas para o esporte, mas com um objetivo político, ideológico e de reivindicação social, de extração anarquista. Em resumo, uma associação de luta para conseguir melhorias reais (…), era formada por pessoas humildes e trabalhadoras de diferentes ramos, artesãos e trabalhadores. O clube nasceu na serraria dos irmãos Durán (…), os fundadores tinham uma orientação política libertária. Eles eram conhecidos como vizinhos calmos, solidários e respeitosos que nunca baixaram as bandeiras das exigências sociais”, diz Miguel Ángel, um veterano dirigente do clube em um testemunho extraído do livro “La historia contada por sus protagonistas”, dos historiadores Miriam Corbacho e Raquel Adet.

No mesmo texto, destaca-se o testemunho em primeira pessoa de Felipe Eduardo: “Lembro-me de Riera, Cardozo, a galega Lara e os irmãos Durán. O Club Libertad tem suas origens nessas pessoas”. Eles eram homens de pensamento (…) Eu conheci e falei com os anarquistas do Libertad. Por exemplo, eles fizeram trabalhos de construção, começaram a reunir alguns pedreiros, ensinaram-lhes a manusear a colher, a pintar, a ladrilhar, e com isso melhoraram e avançaram no ofício. Todos os pedreiros e pintores em Salta eram do Libertad”.

Um fato marcante e peculiar é que este clube foi fundado um ano antes do tradicional Club de Gimnasia y Tiro. O historiador Cáseres comenta sobre o assunto: “Estes trabalhadores se encontraram e Manuel Anzoátegui e Victorino de la Vega, que mais tarde se tornariam figuras de destaque no desenvolvimento do Club Atlético Salteño, mais tarde rebatizado Gimnasia y Tiro, também participaram das reuniões. Mas esta situação é notada pelos anarquistas, e temendo que eles pudessem “assumi-los”, porque Manuel Anzoátegui era um homem que pertencia ao poder econômico da oligarquia, não está muito claro se eles foram expulsos ou se foram embora, o que é certo é que eles não puderam participar e no ano seguinte fundaram o que conhecemos hoje como Gimnasia y Tiro”.

Tempos esportivos dourados

Além de sua marcada gênese social, o Libertad começará a formar uma parte fundamental da vida esportiva de Salta, um clube que combinaria ideais políticos com conquistas atléticas sustentadas, “o Libertad, juntamente com a Juventud Antoniana, foram os que na década de 30 e 40 tiveram maior destaque nos torneios locais”, diz Cáseres, e acrescenta: “o Libertad ganhou um campeonato em 1936 e outro em 1941. Estamos falando de um poder claro”. Além disso, em 1947, o clube mudou-se para sua sede na Rua Deán Funes, 535, em uma área central”, uma situação que lhe permitiria impulsionar ainda mais o ramo social.

Quanto aos altos e baixos políticos, que sempre tiveram Libertad como protagonista, o historiador de Salta assinala que a década de 1940 foi uma época em que a figura de Juan Cornejo Linares, deputado e proprietário de um dos jornais peronistas da época, ganhou destaque no clube. E esta situação é possivelmente uma das razões pelas quais jovens figuras foram formadas na Libertad que, no futuro, marcariam um horizonte na política local e nacional.

Um deles será Miguel Ragone, que será um jogador e mais tarde um dirigente. Sua filha Clotilde disse: “Meu pai foi presidente do Club Libertad nos anos 50 e 60. Naquela época eles estavam na Rua Deán Funes e como o clube já era muito central, eles o venderam e o levaram para onde ele está agora. Esse era o trabalho dele. A localização privilegiada, em termos de localização e terreno, a que se refere a filha do ex-governador de Salta, é a que permanece até hoje na Rua Talavera 50, uma área muito próxima ao terminal de ônibus.

Os desaparecidos do Libertad

No início dos anos 70, a sociedade argentina estava lutando para transformar os projetos políticos, e Salta não era exceção à regra. O ex-jogador e dirigente do Libertad, Miguel Ragone, ganhou o cargo de governador em 1973, à luz da chamada Primavera Camporista.

No entanto, o golpe que seria desencadeado em 24 de março de 1976, teria o território do norte da Argentina como um campo de testes algum tempo antes. Salta sofreu em primeira mão o circuito repressivo organizado em 1975, quando foi lançada a Operação Independência na província vizinha de Tucumán. Mas mesmo antes disso, com a queda do governo Ragone em novembro de 1974, a repressão já havia sido desencadeada.

Dos presos, assassinados e/ou desaparecidos na província, pelo menos três estavam diretamente ligados ao clube fundado pelos anarquistas em 1901. Eles estão: Miguel Ragone, Rubén Yáñez Velarde e Santiago Arredes, todos os três assassinados ou desaparecidos antes do golpe de Estado de 24 de março de 1976.

Quanto a Miguel Ragone, após ser afastado de seu cargo de governador em novembro de 1974, e retomando sua profissão como médico, foi sequestrado em 11 de março de 1976, paradoxalmente, um dia antes do aniversário do clube que ele amava.

Por sua vez, o comerciante Santiago Arredes foi morto na mesma operação de sequestro que Ragone, quando ele estava deixando a loja que possuía. Arredes, que tinha vindo em defesa de Ragone diante da brutal operação de sequestro, foi morto na rua. Na época, Santiago Arredes era um dirigente do Club Libertad.

Rubén Yáñez Velarde, funcionário do Agua y Energía e militante do Sindicato de Luz y Fuerza, era um destacado esportista que combinava seu trabalho político com o atletismo, uma situação que o levou a jogar em diferentes clubes. Um deles era o Libertad. Yáñez foi sequestrado em 8 de novembro de 1975 e seus restos mortais foram encontrados em 2012, após árduo trabalho da equipe de antropologia forense.

Estes três apoiadores, dirigentes e esportistas do Club Atlético Libertad foram presos, desapareceram e/ou assassinados antes do golpe de Estado, mas quando o plano sistemático de eliminação de pessoas já estava sendo aplicado, três homens que, como aqueles pioneiros anarquistas que forjaram organização no norte da Argentina, sonhavam, em suas diferentes etapas e facetas históricas, com um mundo mais justo, mais livre e mais igualitário, onde o esporte e a organização comunitária seriam uma parte fundamental da mudança social.

Ao longo dos anos, o Clube vacilou em meio a uma gestão irregular e fantasmas que atacam ciclicamente a venda dos terrenos que foram ficando em local privilegiado na capital.

Hoje, um movimento social está encarregado de colocar em funcionamento suas instalações, uma característica que, com suas diferentes formas e formas de entender as construções políticas, poderia ser pensada como um legado organizacional, uma constante que atravessou o Club Libertad ao longo dos 122 anos de sua existência.

Será tarefa das gerações atuais e futuras assegurar que todo o patrimônio histórico, social e cultural que esta camiseta contém permaneça vivo e latente. Talvez transformando, mudando, reformulando, mas sempre, como marcado por sua história, imbuído de um compromisso que transcende as fronteiras individuais e contém projetos coletivos, com o objetivo de pensar e ser uma cadeia de transmissão de um novo mundo, um mundo onde muitos mundos se encaixam.

Fonte: https://www.pagina12.com.ar/530893-club-libertad-el-sueno-anarquista-del-1900

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

olhando para trás
meu traseiro cobria-se
de cerejeiras em flor

Allen Ginsberg

[Espanha] Lançamento: “O caso Scala. E outras legendas do anarcossindicalismo na transição”, de Héctor González

Já temos disponível o segundo livro da coleção “Libre Pensamiento”, coeditado entre Catarata e CGT.  Trata-se de “El caso Scala. Y otras leyendas del anarcosindicalismo en la transición”, escrito por Héctor González, historiador, sindicalista da CSI asturiana e membro do conselho de redação da revista.

O caso Scala. E outras legendas do anarco sindicalismo na transição

O livro estuda o papel da memória coletiva no desenvolvimento da CNT e da CGT desde a transição até nossos dias e em seguida analisa de forma crítica três mitos do anarcossindicalismo mais recente: o papel da CNT na transição, a montagem policial conhecida como o caso Scala e o papel dos infiltrados policiais no movimento libertário.

Todos estes temas são de atualidade e muito relevantes para refletir sobre a ação sindical e social da CGT.

Héctor González é um dos seis sindicalistas da CNT condenados a três anos e meio de cárcere pelo caso da confeitaria La Suiza. Como as outras suas companheiras, estão aguardando uma última decisão judicial iminente que muito possivelmente suponha sua entrada na prisão.

>> Aqui podes ver o vídeo de Rojo y Negro TV sobre este caso de perseguição ao sindicalismo de classe:

https://www.youtube.com/watch?v=Gv59iyuoPD8

Fonte: CGT Comunicação

agência de notícias anarquistas-ana

vento muda
ares de chuva
tua chegada

Camila Jabur

[Chile] Nova data para o julgamento oral contra xs companheirxs Mónica e Francisco

Acusadxs de enviar pacotes explosivos contra o ex-Ministro do Interior Rodrigo Hinzpeter e a 58º Delegacia, bem como pelo atentado explosivo do edifício Tanica, xs companheirxs Mónica Caballero e Francisco Solar estão prestes a enfrentar o julgamento por essas ações.

Embora o julgamento tenha sido originalmente marcado para 19 de maio de 2023, a pedido da defesa, ele foi remarcado para 18 de julho de 2023.

Cumplicidade com aqueles que atacam os poderosos e repressores!

Solidariedade com Mónica e Francisco!

Fonte: https://publicacionrefractario.wordpress.com/2023/05/11/nueva-fecha-para-el-juicio-oral-contra-lxs-companerxs-monica-y-francisco/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/04/10/chile-palavras-de-monica-caballero-e-francisco-solar-sobre-o-julgamento-que-se-aproxima/

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Todos dormem.
Eu nado na noite que
entra pela janela.

Robert Melançon

[Rio de Janeiro-RJ] Teatro: “Eleitor, Escuta!” | “Um Homem sem importância”

Olá amigues!

Estou em cartaz, caminhando para as duas últimas apresentações, nos dias 17 e 24 de maio. Ficarei feliz em contar com a sua presença!

2 SOLOS DOCUMENTAIS é composto pelos solos “Eleitor, Escuta!”, com criação e atuação de João Raphael Alves e direção de Bruno Peixoto; e “Um Homem sem importância”, criação e atuação de Bruno Peixoto.

ELEITOR, ESCUTA! parte do panfleto anarquista do ativista libertário e pedagogo Sébastien Faure. Neste documento de 1919, Faure problematiza a história das sociedades e dos limites da democracia representativa.

UM HOMEM SEM IMPORTÂNCIA é uma carta póstuma de Leo Lama para seu pai Plínio Marcos. Um acerto de contas pessoal, artístico e geracional que brinda esta figura ímpar do teatro brasileiro.

2 SOLOS DOCUMENTAIS

Só mais 2 apresentações, 17 e 24 de maio

19h, Teatro Dulcina, Cinelândia

“OCUPAÇÃO O TEATRO COMO DOCUMENTO”

2 Solos Documentais faz parte da ocupação O TEATRO COMO DOCUMENTO, realizada pela En La Barca – Jornadas Teatrais.

A Ocupação também conta com a apresentação do espetáculo “A Casa e o Mundo Lá Fora: Cartas de Paulo Freire para Nathaercinha”, com apenas mais 2 apresentações, dias 18 e 25 de maio, às 19h, no Teatro Dulcina. Compareça!

Ingressos: http://www.sympla.com.br/4criador

Foto: Marcelo Valle

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dia muito frio
o vento desalinha
a plumagem do passarinho

João Angelo Salvadori

Apoio Mútuo e Solidariedade: Bases Essenciais do Anarquismo!

Em entrevista realizada no ano de 1991, Carlo Aldegheri com sua didática peculiar, explicava porque a solidariedade e o apoio mútuo são princípios basilares do anarquismo: “Em São Paulo, uma metrópole com mais de dez milhões de habitantes, não se vê nenhuma iniciativa concreta dos anarquistas. Desistir das lutas? Não desisto não, não deixarei nunca o anarquismo! Não sou dos que falam, falam e não fazem nada. Semana passada mesmo eu mandei uma contribuição ao Centro de Cultura Social, para o Jaime Cubero.

Agora o Centro de Cultura Social está sem dinheiro para pagar seus aluguéis. Se as pessoas que o frequentam contribuíssem com um mínimo de seus rendimentos isto não ocorreria. Se ao invés de ficarem entulhando de badulaques eletrônicos as suas casas, sobraria algum para a causa social. É verdade que muitos companheiros ganham pouco, mas há outros que podem dar alguma coisa, e não dão nada. Ficam no terreno maravilhoso das ideias e de concreto nada, nada“.

Maiores informações no livro “Carlo e Anita Aldegheri: Vidas Dedicadas ao Anarquismo“, formato 14 x 21 cm, 115 páginas. Preço 40 reais, já incluindo as despesas postais. Após efetuar o pagamento, nos informar para qual endereço (com CEP) o livro deve ser enviado.

Pagamento pelo pix: nelca@riseup.net

# A venda desses livros ajuda na manutenção do espaço da Biblioteca Carlo Aldegheri no Guarujá (SP). Colabore adquirindo os livros e/ou compartilhando essa postagem!

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Encontro fugaz.
Neblina abraça o velho
lampião de gás.

Rogério Viana

[Dinamarca] Violência de gangues pode acabar com o comércio aberto de maconha na comuna anarquista de Christiania

Criminosos organizados tomaram conta do mercado ‘Pusher Street’ na capital dinamarquesa e estão disputando o domínio

Por Daniel Boffey Chief| 09/05/2023

A história de 40 anos do comércio aberto de cannabis na “Pusher Street”, no coração do bairro anarquista de Christiania, em Copenhague, pode acabar. A prefeita da cidade disse que estava disposta a fechá-lo devido aos temores da comuna sobre o aumento da violência das gangues.

Christiania é uma comuna autoproclamada autônoma na capital dinamarquesa que foi autorizada a funcionar efetivamente como um “experimento social” desde a década de 1970, apesar das ameaças periódicas de “limpeza” por parte dos governos nacionais.

Em seu centro está a Pusher Street, onde barracas operadas por moradores locais vendem maconha abertamente. Mas a violência cada vez pior no distrito da “luz verde”, à medida que gangues do crime organizado se mudaram e disputam o domínio, gera preocupações crescentes com a segurança dos moradores.

A prefeita de Copenhague, Sophie Hæstorp Andersen, já alertou em entrevista ao jornal Ekstra Bladet que a violência precisa acabar e se ofereceu para fechar o comércio de drogas da Pusher Street se as 1.000 pessoas que vivem na comuna de Christiania concordarem.

Andersen disse: “A violência e o crime em torno da Pusher Street atingiram um nível com o qual não podemos nem queremos lidar.”

“Em Copenhague, acredito que devemos ter espaço para Christiania. É um lugar diferente e alternativo. É criativo. Mas essa violência dura e organizada deve ser eliminada do futuro de Christiania.”

“É por isso que minha mensagem também é que, se os moradores deixarem, claro, estamos prontos para fechar a Pusher Street e substituí-la por outra coisa. Então nós, no município de Copenhague, estamos prontos para apoiar a elaboração de um plano para descobrir o que deve acontecer com a rua.”

Há mais de meio século, ocupantes derrubaram as barricadas da base militar de Bådsmandsstraede, na ilha de Amager, para formar uma comuna no centro de Copenhague. Em 1973, o governo social-democrata concedeu a Christiania o status temporário oficial de “experimento social”, permitindo-lhe autonomia informal.

Uma votação majoritária no parlamento em 1989 estabeleceu a Lei de Christiania, legalizando a ocupação e a prática de residentes que contribuem para os custos de funcionamento comunitário do serviço postal, coleta de lixo e creches de Christiania. A polícia de Copenhague não é bem-vinda e uma forma de justiça local é aplicada.

Os moradores se descrevem como “anarquistas com regras”, mas a porta-voz da comuna, Hulda Mader, falou nos últimos dias sobre receber ameaças de morte depois de tentar intervir em confrontos entre gangues de drogas. Houve uma onda recente de esfaqueamentos e, em outubro, um homem de 22 anos foi morto a tiros.

“Houve vários episódios violentos recentemente”, disse Mader. “Essas não são pessoas que conhecemos. Suspeitamos que sejam gangues. Temos medo de que a situação se transforme em uma guerra de gangues em Christiania.”

“Quando nós, moradores, tentamos deter as cobras do haxixe, fomos ameaçados de morte. Já é suficiente. Nós nos isentamos de responsabilidade pelo que acontece na Pusher Street.”

“Não é algo que nós, como indivíduos, possamos nos opor. Agora houve repetidos episódios de violência e simplesmente pensamos que se tornou muito perigoso para nós”.

Andersen disse que um fórum para discussão sobre um novo plano local foi estabelecido entre a fundação Fristaden Christiania, que administra a área, e o município e a polícia de Copenhague.

Ela disse: “Esta é uma proposta que estou fazendo em parte porque estou conversando com moradores que querem o fim da Pusher Street e da violência crua que vemos nas gangues. E em parte porque a violência atingiu um nível em que não podemos nem queremos nos encontrar enquanto cidade”.

Fonte: https://www.theguardian.com/world/2023/may/09/gang-violence-could-end-open-cannabis-trade-in-anarchist-commune-christiania

Tradução > Contrafatual

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agência de notícias anarquistas-ana

espiral de sol –
luz nas frestas da
escada em caracol

Carlos Seabra