[Chile] Solidariedade com os 4 antiespecistas detidos

Solidariedade com os 4 companheiros antiespecistas sequestrados pelo Estado-Policial

Durante o 4 de novembro passado à luz da lua foram presos de maneira simultânea 4 companheiros acusados do delito de incêndio, que seriam vinculados à sabotagem à empresa de carne “Susaron”. No marco desta campanha repressiva, se levantam diversas iniciativas solidárias com os companheiros.

Não os deixemos sós: SOLIDARIEDADE antiautoritária, CUMPLICIDADE INSURRETA, SEDIÇÃO CONTRA O ESTADO POLICIAL

Multipliquemos os gestos de solidariedade.

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O primeiro amor –
À lanterna se aconchegam
Um rosto e outro rosto

Tan Taigi

[Alemanha] Ataque incendiário em solidariedade com Alfredo Cospito

Na madrugada de 31 de outubro, incendiamos uma van pertencente à empresa GA-Tec. Esta empresa de tecnologia de gestão de edifícios e instalações é 100% propriedade do grupo Sodexo, que administra prisões (na Inglaterra e no Chile) e é um dos grandes beneficiados no setor penitenciário. A van foi queimada no distrito de Lichtenberg, onde vários carros foram queimados recentemente.

Não apenas para causar danos à empresa, mas por uma motivação interna não podíamos deixar de fazer tal ataque contra nossos opressores. A notícia de que o companheiro Alfredo Cospito está sendo torturado no chamado regime de justiça “41bis” pelo Estado italiano nos deixa tudo menos indiferentes. Alfredo não só vai ser amordaçado, mas sua existência está à beira da extinção. Nós nos juntamos a ele em sua campanha militante. Junto com sua greve de fome, rompemos o isolamento total. Também apelamos a todos os outros companheiros para que tomem medidas diretas agora e encurtem decisivamente o tempo de reação da luta anarquista internacional. Para tirar Alfredo Cospito do regime de extermínio e desencadear uma força revolucionária na ofensiva coordenada. Não viver na prisão ou em solitária significa uma grande responsabilidade. Na luta combinada com greves de fome, não podemos esperar até que o prisioneiro também tenha que fazer uma greve de sede (não ingerir água).

As campanhas militantes desencadeadas pelas greves de fome podem abrir uma perspectiva substancial anticapitalista. As metrópoles podem ser transformadas em selvas nas quais a infraestrutura das classes dominantes pode ser completamente destruída se seus habitantes assim o desejarem. Os exploradores das prisões, empresas de armamento, empresas contratantes de policiais, corporações de construção – suas fachadas de vidro, seus veículos e suas linhas de dados estão invadindo nossos habitats de classe em centros urbanos cada vez mais densos ou sendo usados para tentar se proteger em seus próprios santuários. Assim como a van GA-Tec/Sodexo que atacamos foi envolvida em um desenvolvimento de moradias precárias em arranha-céus, ela poderia se tornar um local comum para a logística do poder à medida que os antagonismos de classe e as campanhas militantes do meio anarquista desenvolvam um foco comum.

Solidariedade também com Juan Sorroche e Ivan, que se juntaram imediatamente à luta de Alfredo e também estão em greve de fome.

Liberdade para eles e também para Giannis Michailidis, Claudio Lavazza e Toby Shone.

Vitória para a luta mapuche!

Morte ao Estado, viva à anarquia!

Célula autônoma “Anna Maria Mantini”

Fonte: https://de.indymedia.org/node/235442

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Nem sequer um dia
Em que não se venda um sino –
Primavera em Edo.

Takarai Kikaku

Programação da XII Feira Anarquista de São Paulo

XII Feira Anarquista de São Paulo | 13 de Novembro de 2022, das 10h às 19h. | EMEF. Des. Amorim Lima | Rua. Prof. Vicente Peixoto, 50 – Butantã, São Paulo (SP)

10h: Abertura

10h15 – 11h: Coral (Cidadãos cantantes)

11h – 12h: Oficina Yoga (Yoga para todes) (interessades, favor trazer um tapetinho)

11h – 12h30: Luta antimanicomial (Cris Lopes; Gigi)

11h – 12h30: Ecologia Social e Autonomia Alimentar (Ákrata; Coletivo Morro das Panelas; Escola Comunitária)

12h – 15h: Campeonato Futebol Libertário (Rosa Negra ADF + outros times)

12h30 – 14h: Luta Anticarcerária (Frente Estadual pelo Desencarceramento de SP; Amparar)

13h – 14h30: Oficina Bombas de Sementes (Projeto Ramificando)

14h – 15h30: Ação Direta, Solidariedade e Poder Popular (Frente Anarquista da Periferia; OASL; MPL)

14h – 15h30: Luta Estudantil – Acesso e Permanência na Universidade (Cursinho Livre da Norte; REM; CAT)

15h – 16h30: Oficina de Autodefesa (Resistência Muay Thai)

15h30 – 17h: Retomada Indígena, Apoio Mútuo e Política Além do Voto (Teia dos Povos; Cuapi; Outra Campanha)

17h – 18h30: Lutas Feministas contemporâneas: Brasil e Rojava (CAFI; Rojda Dandara)

>> Confira a programação completa aqui:

https://feiranarquistasp.wordpress.com/programacao/?fbclid=IwAR3X7PmBxjrHYpvj5rTXAAWgV5VYFcPJ7vqdUtrVwHhdhxoQxQuEQ7OM684

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Vento de primavera –
O mugido da vaca
Do outro lado do aterro.

Raizan

Esmagar a extrema direita e combater o liberalismo com luta, ação direta e independência de classe!

Uma aliança concluída entre dois partidos distintos volta-se sempre em proveito do partido mais retrógrado; esta aliança enfraquece necessariamente o partido mais avançado, diminuindo, deformando seu programa, destruindo sua força moral, sua confiança em si mesmo.” – Mikhail Bakunin

O Brasil conheceu no último domingo, 30 de outubro, o novo presidente da República, o qual iniciará seu mandato a partir de janeiro de 2023. Com uma vitória apertada da frente ampla representada pela chapa Lula-Alckmin, o resultado acirrou os ânimos dos apoiadores de cada um dos lados.

Inaugura-se uma nova fase e, por isso, é importante revisitar o que nos levou até aqui para entendermos nossas tarefas como anarquistas neste próximo período.

Primeiro, diferentemente do que dizem a mídia burguesa e partidos da ordem, entendemos que a agitação bolsonarista cresce na medida em que não há mobilização de classe nas ruas e locais de trabalho que faça frente a ela. A grande maioria dos partidos da esquerda, sob o guarda-chuva do PT, se coloca como defensora da ordem burguesa e atua como freio das lutas, o que canaliza para as vias institucionais toda a insatisfação das classes oprimidas com o desastroso governo Bolsonaro. Desde a vitória eleitoral da extrema direita, em 2018, ficou clara a escolha de grande parte da esquerda brasileira em apostar no desgaste contínuo do então presidente, visando às urnas do ano de 2022; desgaste que não foi gerado através da pressão nas ruas e pela construção de uma combatividade popular. Essa escolha estratégica levou à tática da costura de uma “frente amplíssima”, trazendo setores que se diziam defensores do Estado Democrático de Direito. Essa Frente cresceu e culminou na escolha de Geraldo Alckmin como vice-presidente, contando com apoio de amplos setores das classes dominantes, como Fiesp e Febraban.

Obviamente que essa escolha trouxe limites a qualquer mobilização e, sobretudo, em relação à construção de um programa que tivesse a defesa de qualquer pauta histórica da esquerda. Com essa escolha, o debate político foi jogado para a direita.

Um exemplo dessa escolha se deu na crise gerada pela pandemia da Covid-19. O negacionismo criminoso do governo de Bolsonaro e Militares, apoiado por diversos setores das classes dominantes, levou a uma insatisfação popular enorme que enfraqueceu bastante Bolsonaro. Havia ali uma força social importante, com grande potencial de crescimento para derrubar o governo nas ruas. Qual foi a escolha da esquerda hegemônica naquele contexto? Foi desmobilizar os atos e apostar na atuação da CPI da Covid, de modo que o espetáculo midiático criado desgastasse a imagem do presidente, para abrir caminho a uma vitória eleitoral em 2022.

Hoje, é possível avaliar o equívoco dessa escolha. O governo Bolsonaro foi se refazendo do desgaste, e fatos incontestáveis passaram a ser tratados como mera disputa de informação nas redes sociais e na mídia burguesa. Em nossa atuação, buscamos a construção de greves sanitárias em defesa das condições de vida das e dos trabalhadores, na tentativa de desenvolver a organização de crescentes manifestações chamando a queda de Bolsonaro e Mourão. Fazia-se necessário derrubar do poder Bolsonaro e seus militares e assim como enfraquecer a extrema direita com mobilização nas ruas – tomando as ruas de volta para os movimentos populares que buscam realmente a transformação do nosso povo. Mas, a opção pelas urnas levou a uma vitória eleitoral de Lula-Alckmin por uma margem muito estreita; com a extrema direita ainda viva e forte, logo iniciaram fechamentos de BRs por vários estados – como também o registro de mortes e outras violências durante as comemorações da vitória da frente ampla.

O que se aponta para o próximo período? Um governo Lula-Alckmin enfrentando uma crise internacional, a economia brasileira destruída, um Congresso tomado pelo Centrão e um bolsonarismo forte focado em fazer oposição e mobilizar suas bases. As contrarreformas não só não serão revogadas, como também podem avançar outras de grande interesse para o setor defensor das pautas neoliberais e de conservação dos privilégios de uma determinada classe social. E qualquer tentativa de mobilização das classes populares poderá enfrentar oposição das cúpulas dos grandes movimentos sindicais e sociais, com o argumento de que as lutas poderão fortalecer o bolsonarismo.

Por isso, acreditamos ser necessária a construção de uma alternativa revolucionária que se coloque com independência de classe, contra a conciliação e que priorize a ação direta em detrimento da disputa institucional. Trabalharemos para que o anarquismo seja uma força importante na construção desse setor e para que seja capaz de influenciá-lo com suas pautas. Seguiremos atuando nos locais de trabalho, sindicatos, moradia e estudo. É urgente a construção de uma Frente de Classes Oprimidas, para esmagar a extrema direita nas ruas, desmascarar os liberais e superar o imobilismo incentivado por grande parte da esquerda!

O fascismo não se discute, se destrói!” – Buenaventura Durruti

Organização Anarquista Socialismo Libertário – OASL

anarquismosp.org

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Sob o alpendre
o espelho copia
somente a lua.

Jorge Luis Borges

[Peruíbe-SP] No gods No masters Fest 2023 | Ferramentas Para Autonomia | 7, 8 e 9 de abril de 2023

Convidamos você para construirmos e aprimorarmos nossas ferramentas de luta!

No gods No masters Fest é um evento multicultural que ocorre na Semente Negra, um espaço político cultural situado em meio a mata atlântica, em Peruíbe/SP.

Serão três dias de diálogos, palestras, oficinas, debates, música, momentos de aprendizado, reflexão e ação.

E porque organizar este encontro?

É importante reconhecermos que a forma como estamos vivendo é excludente e opressora. Destruímos a natureza que nos dá alimento, água e ar e, além disto, destruímos também a nós mesmas insistindo em um estilo de vida que valoriza a competição em detrimento da cooperação. Esta é a forma que nos obrigam a viver no planeta, em nossa comunidade. Assim, seguimos vivendo de uma forma que não atende às demandas essenciais a qualquer ser, com alegria, amor e liberdade.

O capitalismo e suas ferramentas de controle se aprimoraram a cada dia, fazendo com que sigamos cegas, surdas e mudas, sem tato, sem amor e principalmente sem revolta. E, sem revolta, sem uma ação direta, jamais alcançaremos a nossa autonomia, não há liberdade conquistada sem luta. A dependência do capitalismo, que muitas vezes não notamos, é essencial para a manutenção do mesmo e por isto acreditamos que toda forma de autonomia é uma forma de resistência.

E é, seguindo este pensamento que precisamos construir ferramentas para nossa autonomia, formas de nos desprendermos pouco a pouco, ou de uma vez por todas, da escravidão que vivemos.

Serão momentos baseados em princípios de liberdade, tomando decisões por consenso, usando propostas políticas como o anarquismo, o punk, o feminismo, o queer, ensinamentos ancestrais, o veganismo e a permacultura, cuidando das pessoas, da terra e dos animais.

Venha passar esses 03 dias inspiradores conosco!

Envie a sua proposta de palestra, oficina, debate, banda e qualquer outra atividade que ajude a construir estes dias de inspiração e conspiração.

Que nossos corpos sejam armas na luta por liberdade!

Ingressos limitados e somente antecipados!

Para envios de proposta, ingressos e mais informações: http://nogods-nomasters.com/fest

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A nuvem atenua
O cansaço das pessoas
Olharem a lua.

Matsuo Bashô

Atividade virtual no Centro de Cultural Social Vira-Lata Caramelo

O Centro de Cultural Social Vira-Lata Caramelo convida para um bate-papo sobre “A Constituinte e a luta social no Chile: um olhar desde o sul”, com a participação de um companheiro da região do sul do Chile. Será online, no dia 17/11 às 19h.

É NECESSÁRIO INSCRIÇÃO PRÉVIA através do link abaixo:

https://tinyurl.com/DebateChile

O Centro de Cultura Social Vira-Lata Caramelo, localizado em Santo André, é um espaço de fortalecimento das lutas sociais no ABC Paulista. Composto pela Brigada Lucas Eduardo Martins,  Jornal Cavalo Doido, Rede de Proteção e Resistência Contra o Genocídio e Quilombo Invisível em conjunto com outras organizações autônomas tem como objetivo a construção de atividades educativas, culturais e políticas, em dialogo com a comunidade local, valorizando princípios libertários de atuação popular.

Centro de Cultura Social Vira-Lata Caramelo

Rua Sumaré, 732, Vila Metalúrgica, Santo André (SP)

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No rio, a canoa
pinta em verde
o seu reflexo.

Eugénia Tabosa

Estamos à beira de um golpe? Notas sobre a luta de classes no contexto pós-eleitoral

Por Antônio “Galego” | 04/11/2022

1 – A euforia de uma parte da população pela vitória eleitoral de Lula/Alckmin (PT-PSB) no domingo durou pouco. A ressaca de segunda-feira foi acompanhada da notícia de diversos bloqueios de bolsonaristas em rodovias de vários estados do país. Ainda no domingo, algumas horas após o resultado oficial, já haviam começado os bloqueios, vindo a tona o que a propaganda Lulista tentava esconder: a derrota eleitoral de Jair Bolsonaro (PL) não é a derrota da extrema-direita conservadora, ao contrário, articulada com outros fatores importantes podem gerar seu fortalecimento. Quem reduz a política à dimensão eleitoral (ou institucional) está condenado a cometer erros e cair em frustrações.

2 – Para entender esse contexto pós-eleitoral de forma correta é importante romper com os idealismos gerados pela própria polarização eleitoral e a política do medo estimulada em ambos os lados: 1) os idealismos da base bolsonarista, que acreditam numa “ameaça comunista”, que Lula é a personificação do demônio e acreditam nas condições políticas para um golpe militar; 2) ou os idealismos dos esquerdistas, que acreditam numa grande “ameaça fascista e golpista” sem levar em conta a luta de classes e o que cada candidato representa nela. Ambos acreditam na possibilidade de um golpe de Estado e desconsideram o processo real da luta de classes. Todos esses idealismos só poderiam gerar as situações mais patéticas ao longo dessa semana.

3 – Ainda que o objetivo aqui não seja uma análise das eleições em si, é importante tomar alguns dados sobre as candidaturas e dos posicionamentos das classes dominantes. Após quase 2 anos preso e impedido de participar das eleições em 2018, Lula retornou ao cenário político nacional, articulando uma frente ampla com frações estratégicas da burguesia e com importantes partidos e políticos representantes dos ricos e do imperialismo. Só ingênuos podem acreditar que isso foi por que ele “provou sua inocência”, ou pior, acreditar que foi fruto da pressão da pífia campanha “Lula livre”.

4 – Lula retorna ao cenário político sob a tutela de setores da burguesia e do imperialismo pra fazer exatamente o que está fazendo: organizar um novo bloco no poder com mais eficiência e estabilidade para a acumulação capitalista no Brasil. Que isso desagrade parcelas da burguesia rural e comercial, setores da pequena-burguesia e das forças repressivas vinculadas ao bolsonarismo, não temos dúvida. A burguesia rural (chamada de “agronegócio”) tem sido um agente central dos bloqueios de estradas, não apenas os caminhoneiros bolsonaristas. Essas serão as principais forças sociais da oposição de direita ao futuro governo Lula/Alckmin (PT-PSB). Mas não possuem força suficiente, nem contexto, para uma ruptura com a ordem democrático burguesa nem uma criminalização absoluta de Lula e do PT, que aliás tem servido de tantas formas a seus interesses de classe (e eles sabem disso).

5 – Aqui chegamos a um ponto central: quem libertou Lula, quem o elegeu e, aliás, quem liberou as rodovias, acabando com a pressão bolsonarista, foi a ação vinda de cima, de disputas e conchavos no interior das frações das classes dominantes. Desde os governos petistas (2002-2016), e em especial desde 2016, a estratégia do reformismo degenerado (Lulismo) é o aprofundamento consciente da desorganização da classe trabalhadora, destruindo a já pequena capacidade de intervenção das massas populares com independência de classe no cenário político e social. O reconhecimento público e imediato da vitória de Lula por parte da mídia burguesa (com a Rede Globo na vanguarda), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), do presidente dos EUA Joe Biden, dos presidentes de outras potências mundiais e regionais, do próprio Alto-Comando do Exército, de importantes políticos da base bolsonarista, recebendo não só o reconhecimento como o perdão de setores da elite evangélica (como o bispo Edir Macedo da Igreja Universal), isolou politicamente qualquer ameaça real de “golpismo” ou “fascismo” por parte de Bolsonaro.

6 – Diante desse contexto os fechamentos de estradas tiveram vida curta, chegaram em seu ápice na quarta-feira com mais de 250 pontos de bloqueios parciais ou totais do trânsito, em mais de 20 estados do país. A repressão policial não tardou a chegar, ainda que a Polícia Rodoviária Federal tenha sido acusada pelo ministro Alexandre de Moraes de fazer corpo mole e inclusive colaborar com os “baderneiros”. Já na terça-feira (01/11), pelo menos 16 estados e o DF anunciaram o uso da Polícia Militar para desbloquear as rodovias. Os primeiros foram os governadores Rodrigo Garcia (PSDB-SP), Claudio Castro (PL-RJ), Romeu Zema (Novo-MG), Ranolfo Vieira Júnior (PSDB-RS), Ratinho Jr. (PSD-PR) e Paulo Câmara (PSB-PE), seguidos pelos governadores de Goiás, Maranhão, DF, Mato Grosso, e outros. No final da tarde de quinta-feira, a PRF informou que apenas 2 bloqueios totais e 30 parciais ainda continuam ativos. Além disso, no feriado de quarta-feira foram realizados manifestação em frente aos quartéis pedindo “intervenção federal” e criticando o resultado das eleições. As principais ocorreram em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Porto Alegre, reunindo, no entanto, um número muito inferior do que atos bolsonaristas anteriores.

7 – O resultado concreto dos bloqueios de estradas, das choradeiras e missas na porta dos quartéis, está muito longe de uma “ameaça golpista”. Nenhum dos salvadores eleitos pelos manifestantes: o presidente, os generais, EUA, Deus, nenhum quis colaborar. As declarações públicas de Jair Bolsonaro (PL) para desocuparem as rodovias e respeitarem a Constituição, os gestos do governo encaminhando a transição não deixaram dúvida sobre mais um “morde e assopra” da política bolsonarista, muito inteligente aliás. O uso de táticas de ação direta para fazer “lobby parlamentar” não é uma novidade criada pela direita, a esquerda reformista já faz isso há décadas, utilizando greves, manifestações, bloqueios de ruas, para garantir negociatas e conchavos no governo. Nos últimos anos nem isso a esquerda tem feito.

8 – O objetivo era não cair sem luta, e essa tática teve pelo menos dois resultados concretos. O primeiro é garantir, mesmo com a derrota eleitoral, a posição de Bolsonaro como líder de uma “nova direita”, com algum cargo importante no PL, privilégios pessoais, etc. O segundo foi impedir uma debandada maior da base bolsonarista, agrupando-a pra “lutar” por algo, tencionando com os outros poderes da República, dando o clima do que pode ser a oposição de direita ao governo em 2023. Ainda assim a tendência é uma parte dos políticos bolsonaristas virarem a casaca, já que a ideologia conta pouco pra esses “fascistas” de ocasião e que a Frente Ampla do Lulismo é “amplíssima”, aberta à sindicalistas e à extrema-direita.

9 – Sem um risco iminente de uma ditadura militar ou de um regime fascista, por que tantos holofotes pra esses fatos? Primeiramente, para todos os partidos e frações de classes que se reuniram na Frente Ampla interessa alimentar o medo do bolsonarismo para gerar a coesão e justificação de suas políticas. Segundo, uma oposição de extrema-direita é muito melhor para o Capital e o Imperialismo do que uma oposição de esquerda como ocorreu entre 2004-2010 com a criação da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) na luta contra as reformas neoliberais do PT. Assim, ao passo que coloca panos quentes nas contradições internas, tenciona a Frente Ampla à direita. Infelizmente, a primeira semana pós-eleições desenhou um cenário político horrendo que pode começar em 2023: a extrema direita dominando as ruas com métodos de ação direta, a esquerda pedindo ordem e repressão aos “baderneiros”, e a classe trabalhadora absolutamente desorganizada e sem uma política própria que represente seus interesses imediatos e históricos.

10 – Enquanto os factoides de “fascismo x antifascismo” distraem nas redes sociais, a política muito real e notória de aprofundamento do autoritarismo e da exploração capitalista no Brasil se anuncia nos planos e articulações políticas do futuro governo Lula/Alckmin (PT-PSB). Os trabalhadores e revolucionários sérios precisam se preparar para a luta que virá com uma análise e uma linha corretas, sem nenhuma ilusão com o reformismo ou com o lulismo, sem agir como idiotas úteis de seus interesses. A democracia burguesa sob a qual vivemos nunca deixou de matar, explorar, cercear os direitos, torturar e encarcerar as massas populares no campo ou na cidade. É esse sistema que o Lulismo saiu vitorioso para ser um gestor eficiente e estável. Bolsonarismo e Lulismo são duas faces da dominação capitalista e imperialista no Brasil, um fortalecendo o outro, como demonstrou essa e a última eleição.

11 – Cabe um comentário final sobre alguns desbloqueios espontâneos, e sobre uma suposta necessidade de resistência “radical” ao fascismo. Foram feitos alguns desbloqueios por civis por vários motivos, no geral muito pragmáticos (conflitos comuns que ocorrem em bloqueios feitos pela esquerda também, quem já fechou uma rua sabe), em poucos casos alguma torcida ou populares desbloquearam em nome da “democracia”, no geral esses desbloqueios foram mais simbólicos, para o júbilo da esquerda nas redes sociais. Em relação a última questão já ficou claro que se baseia em uma interpretação errada da conjuntura, muitos grupos de extrema-esquerda e anarquistas tem caído nesse erro nos últimos anos, de “radicalizar” as proposições e análises dos reformistas (sobre fascismo, golpe, defesa da democracia, menos pior, fora Bolsonaro, etc.), atuando na prática à reboque da linha dos reformistas com um radicalismo verbal inócuo e sem bases concretas.

12 – O que precisamos para o próximo período é retomar coletivamente um trabalho teórico e político de fato independente, revolucionário e classista, que interprete corretamente a luta de classes e a conjuntura, retirando as lições de cada momento e cada luta, definindo as linhas prioritárias de atuação. Devemos aplicar um método materialista de mobilização do proletariado, impulsionando e apoiando a ação direta pelas reivindicações concretas das massas (greves, bloqueios e protestos por terra, trabalho, saúde, transporte, etc.). Dessa forma iremos contribuir humildemente, mas de maneira firme e consciente, para a imensa tarefa de reorganização das massas trabalhadoras em nosso país.

Nem democracia burguesa, nem ditadura militar: organizar a luta pelos direitos e pela libertação do povo!

Pela reorganização e uma via autônoma da classe trabalhadora!

Ir ao povo! Reconstruir o Socialismo Revolucionário no Brasil!

Fonte: https://oamigodopovo.noblogs.org/post/2022/11/04/estamos-a-beira-de-um-golpe

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Na noite sem lua
o mar todo negro
se oferece em espuma

 

Eugénia Tabosa

[Espanha] Entrevista com a Rádio Tirso Libertaria (CNT-AIT Madrid)

Tivemos a oportunidade de entrevistar um membro da Rádio Tirso Libertaria em Madri, onde ele explica suas perspectivas sobre a mídia e sua relação com a revolução, entre outras coisas. Esperamos que sirva para divulgar o trabalho desses camaradas e ajudar a problematizar o papel dos meios de comunicação autônomos e incentivar o surgimento de mais alternativas aos meios de comunicação de massa.

Primeiro, um pouco de sua história: vocês poderiam se apresentar brevemente?

Eu sou Mario Cortés, secretário de Propaganda e Cultura da Federação Local em Madri da CNT-AIT. Sou membro da equipe da Rádio Tirso Libertaria e produzimos o programa “VIVE Y LUCHA”. Esta rádio é um projeto antigo do sindicato e um pequeno grupo de militantes com nosso trabalho o levou adiante. O grupo é composto por: Óscar, responsável pelos aspectos técnicos; Alberto e David são os técnicos de informática; Aitor, Natalia, Xabier, Sonia, Gloria e eu somos os produtores do programa, embora o resto da equipe e outros membros do nosso sindicato também participem dos programas. Também entrevistamos pessoas de fora de nossa organização, por exemplo, o jornalista JESÚS Cintora.

De onde veio a ideia para esta produção de rádio? Por que ou para que online?

A ideia veio de uma companheira, Cris, que me encorajou a procurar pessoas para criar o grupo de trabalho de rádio. Após alguns meses, este grupo de trabalho fez um curso de rádio, e depois de procurar o material necessário para elaborar os programas, em março começamos a transmitir a Rádio Tirso Libertaria. Com muito entusiasmo, mas também com muitos erros, pois nunca ninguém tinha feito um rádio antes.

O programa é transmitido online em formato podcast porque esta é a maneira que nós, mídia alternativa, temos de chegar às pessoas. De uma forma livre e independente. Utilizamos redes sociais para transmitir nossos programas.

Agora convidamos você a enfatizar as ideias por trás deste projeto de rádio, seus fundamentos e princípios políticos, etc: Entendendo o rádio como um meio de comunicação (de massa), qual é a sua visão a respeito deles?

Nosso projeto de rádio é levar nossa mensagem libertária à sociedade, criar uma consciência de luta dos trabalhadores e tentar despertar pessoas anestesiadas em suas poltronas. Somos anarquistas, queremos uma sociedade diferente da que temos, e para isso fazemos deste programa VIVE Y LUCHA. Na verdade, explicamos que nós, a partir de nossas organizações, lutamos contra o capitalismo selvagem e o consumismo excessivo que está levando esta sociedade ao desastre. Promovemos nossos grupos de consumo alternativo, promovemos pessoas a virem trabalhar em nossos jardins, queremos que todos os trabalhadores adiram a sindicatos horizontais como o nosso. Acreditamos nas assembleias, no federalismo, em uma sociedade comunitária e igualitária. E com nossas ações, realizamos nossa ideologia e mostramos que é possível torná-la real. Vivemos nossa realidade alternativa ao poder estabelecido e mostramos que não se trata de uma utopia.

O rádio é o meio de comunicação mais antigo que existe, e ainda é relevante hoje em dia. Nosso formato on-line é nossa forma alternativa de chegar às pessoas, com um discurso único e independente. Como somos autossuficientes e financiados exclusivamente pelas quotas dos membros, temos total liberdade para escolher os tópicos a serem cobertos. Nosso discurso é revolucionário e diferente de qualquer outra estação de rádio, e é por isso que acreditamos que somos aceitos.

Qual seria o conteúdo principal deste rádio?

Nosso conteúdo é diversificado: atualidades, filosofia, poesia, música, ideologia anarquista, consultas… Sempre de um ponto de vista libertário. Fazemos uma crítica global do sistema estabelecido. Denunciamos, por exemplo, a verdade sequestrada, a armadilha da repressão, do poder, do medo como arma de domínio, como o anarquismo é criminalizado e quem controla a mídia. Também entrevistamos ativistas da Cañada Real, dos movimentos por moradia, para a defesa da saúde, pesquisadores, jornalistas… O conteúdo é diversificado e, sobretudo, social. Misturamos a denúncia social com a ideologia e entrevistas.

Sua proposta está relacionada com a revolução social? De que forma?

É claro que estamos relacionados com a revolução social. Na verdade, é nosso principal objetivo. Acreditamos que para alcançar uma revolução é necessário criar uma consciência coletiva de luta. E isto só pode ser alcançado através da difusão, através da denúncia social. Trazendo a realidade à luz e espalhando-a. Os meios de comunicação de massa mentem e manipulam diariamente, eles acalmam e enganam a população, distraem suas consciências com milhares e milhares de notícias supérfluas, banais e irreais. Por exemplo, há os chamados “influenciadores” que são um insulto à inteligência e, no entanto, têm milhares e milhares de seguidores para serem idiotas na frente de uma câmera.

Com nosso programa, e com muitas outras mídias alternativas como a sua, estamos tecendo uma rede alternativa de comunicação, que é a chave para alcançar a mudança social.

Quais são os próximos projetos para a Rádio Tirso Libertaria, e em relação à seção anterior, quais são seus planos para o futuro?

Nossos projetos de curto prazo devem continuar a crescer usando os meios à nossa disposição: redes sociais, publicação de nosso programa em mídia alternativa, boca a boca… Estamos conscientes de que é muito difícil, que é um empreendimento muito complicado, pois temos toda a publicidade negativa sobre o anarquismo ao longo da história. Somos um perigo para os poderes estabelecidos porque buscamos uma vida diferente. E os poderes estão cientes disso. Mas acreditamos fortemente no que fazemos, colocamos nossa vida e nossa ilusão nela. Estamos semeando uma semente na mente da população que germinará mais cedo que tarde. As situações atuais de pobreza das mulheres trabalhadoras, de desigualdade, de ESCRAVIDÃO da classe trabalhadora, dos abusos da minoria dominante no poder, como políticos de todas as cores riem do povo, como enriquecem às nossas custas; tudo isso está se acumulando e chegará o dia em que explodirá. Porque somente através de uma revolução será possível mudar o regime estabelecido. O dia em que as pessoas deixarem de acreditar nos políticos e se organizarem, esse dia, a mudança começará. E nós estaremos lá para realizá-la.

Finalmente, há mais alguma coisa que você gostaria de acrescentar ou dizer?

Outra sociedade é possível. Queremos despertar a classe trabalhadora. Queremos despertar a sociedade através da apresentação de nosso projeto libertário. A cada dia mais e mais pessoas nos escutam, embora seja verdade que ainda é uma grande minoria da população total, mas pouco a pouco estamos crescendo. Esperamos que eles continuem a se juntar a nós em várias organizações em nossa luta comum pela liberdade. Queremos lutar para pôr fim ao consumismo desenfreado, queremos pôr fim à destruição do planeta, queremos alcançar uma verdadeira igualdade entre mulheres e homens, queremos uma sociedade de assembleias onde as pessoas se envolvam e lutem por seu futuro de forma organizada.

Muito obrigado pela oportunidade de transmitir nossa rádio.

Abraço.

Mario Cortés.

Muito obrigado, saúde e anarquia!

Link para a rádio: https://radiotirsolibertaria.cntmadrid.org/

Fonte: https://lapeste.org/2022/10/entrevista-a-radio-tirso-libertaria-cnt-ait-madrid/

Tradução > Liberto

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raios!
alguém rasgou
o terno azul da tarde

Alonso Alvarez

[Espanha] Lançamento: “Melé en las gradas. Reflexiones para la recuperación del deporte obrero”, de Alberto Luque

Conhecer a história de dois esportes, como o rúgbi e o futebol, que têm uma origem comum, mas que se desenvolveram de maneiras muito diferentes, nos permite refletir sobre os modelos esportivos que competiram muito ao longo dos anos para se tornarem hegemônicos. Por um lado, um esporte que é influenciado pelos valores do capitalismo de mercado e, por outro, um esporte de caráter popular, indissociavelmente ligado às lutas sociais da classe trabalhadora.

Alberto Luque(Can Vidalet – Esplugues de Llobregat, 1985) começou a trabalhar na indústria gráfica aos 17 anos de idade e é membro da CNT desde então. Ele jogou futebol durante toda sua infância e juventude. Aos 20 anos, ele descobriu o rúgbi e, desde então, tem sido ligado a este esporte como torcedor, jogador e, pode-se dizer, propagandista. As caminhadas sempre foram o terceiro esporte em sua lista. De fato, em 2012 ele fundou a UGEL (Unió de Grups Excursionistes Llibertaris). Quando não está lesionado, ele gosta de escalar montanhas com seus companheiros e companheiras.

Melé en las gradas. Reflexiones para la recuperación del deporte obrero

Alberto Luque

Libros del Borde, nº 18

Cubierta: Rústica mate.

Alzado: Fresado.

Medidas: 175 mm x 116 mm

Páginas: 96

Precio: 8€

2022

ISBN: 978-84-123840-8-6

https://piedrapapellibros.com/

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Vento de primavera:
Sobre uma antena, um pardal
Trina e defeca

Edson Kenji Iura

[Porto Alegre-RS] Calendário de Novembro do Espaço

Sábado, 12/11 às 17h. Corpo y Território – roda de conversa sobre transfeminismo e anarquismo.

Quarta, 23/11, 19h. Terra e Liberdade. 100 anos do assassinato de Ricardo Flores Magón. Vigência da luta contra toda forma de opressão.

Quarta, 30/11, 19h. Além da Polícia. Grupo de estudos sobre práticas para um mundo sem polícia e sem prisões.

O Espaço fica na rua Castro Alves, 101, em Porto Alegre.

Visite: espaco.noblogs.org

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O espantalho –
na minha infância
primeiro amigo

Stefan Theodoru

Lançamento: “Todos”, de Danilo Heitor

A versão escrita de “Todos”, minha noveleta de ficção baseada no Carandiru, foi lançada pela Editora Escambau e já está disponível!

Ela conta com 6 histórias a mais em relação ao podcast e um posfácio que é uma porrada, escrito pelo André “Godinho”, historiador do coletivo História da Disputa: Disputa da História e da banda Barbárie.

Toda a arrecadação para além dos custos será destinada à Rede de Proteção e Resistência Contra o Genocídio, articulação que atua nas quebradas da Grande São Paulo combatendo o genocídio estatal, e para o Espaço Memória Carandiru, dedicado à contar a história do que aconteceu na Casa de Detenção e gerenciado por sobreviventes do massacre.

No site da Escambau, o livro está com desconto, e você pode baixar tanto as versões para .mobi e .epub quanto a versão .pdf: https://escambau.org/produto/todos/

Na Amazon, a versão para Kindle (o livro está de graça se você tiver o Kindle Unlimited): https://www.amazon.com.br/dp/B0BLGPJRLB/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/10/26/podcasts-ja-estao-no-ar-os-tres-episodios-finais-de-todos/

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Madrugada fria.
A lua no fim da rua
vê nascer o dia.

Ronaldo Bomfim

Mais evidências do ovo da serpente…

Por Caralampio Trillas | 02/11/2022

As atuais manifestações contra os resultados das eleições servem também de evidência de que a luta contra o fascismo não se faz nas urnas. As urnas expressam, se tanto, o fotograma de um momento. Elas são a aferição matemática de uma batalha travada nas mídias, com amplo lastro no poder econômico.

O fascismo não foi derrotado. Ele está muito vivo e caminha abertamente nas periferias sem constrangimentos ou pudores. Ele é, aliás, parte constitutiva das instituições que se alicerçam no discurso da democracia representativa burguesa.

A nova fase da luta social não pode continuar prisioneira da lógica institucional, aquela que manteve cativa muitas das energias do campo revolucionário. O próximo período precisa reafirmar o método popular e autônomo. Precisa caminhar para a emancipação de tudo aquilo que interfere no seu pleno desenvolvimento. E para tal terá que inevitavelmente romper com a tutela institucional.

Se alguém ainda dúvida da “natureza” das instituições, basta observar como tratam as mais que hostis performances do fascismo.

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O vento cortante
Assim chega ao seu destino –
Barulho do mar.

Ikenishi Gonsui

 

Live | Eleições 2022 no Brasil | O crescimento e união de conservadores e fascistas

Com a eleição de 2022, apesar da vitória do Partido dos Trabalhadores (PT) capitaneando uma frente democrática ampla que uniu direita, centro e esquerda. Após os resultados um nocaute de empresas e blackout de caminhoneiros fechou as rodovias do país exigindo intervenção militar acusando ROUBO no processo eleitoral. Rapidamente, nas capitais bolsonaristas correram para frente de quartéis exigindo intervenção e ditadura militar sob o governo de Bolsonaro.

Neste domingo (06/11) às 15h contaremos com várixs pesquisadorxs e pensadorxs investigando e analisando a questão crescimento e união de conservadores e fascistas no Brasil. E o que virá a partir de agora.

Liga Anarquista do Rio de Janeiro.

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é meu conforto:
da vida só me tiram
morto

Millôr Fernandes

 

[País Vasco] Lançamento: “De la Primera Internacional a Askatasuna. Nueva historia del anarquismo vasco (1870-1980)”, de Juantxo Estebaranz

Se alguém pensa que o anarquismo basco foi um breve episódio no marco da guerra de 36, se surpreenderá com a constante e notável presença e atividade das propostas libertárias em Euskal Herria desde o nascimento do movimento obreiro em nossas terras e durante mais de um século. “De la Primera Internacional a Askatasuna” descreve este movimento década a década, mostrando seus acontecimentos mais relevantes e suas chaves internas em seu correspondente contexto histórico. Mediante textos breves e acessíveis, acompanhados de uma valiosa mostra documental, esta “nueva historia del anarquismo vasco” deixa patente a importância do ativismo desenvolvido pelo anarquismo basco, mas também a relevância das organizações libertárias bascas e suas figuras mais representativas nos debates estratégicos que marcariam o devir do próprio movimento libertário.

De la Primera Internacional a Askatasuna

Nueva historia del anarquismo vasco (1870-1980)

Juantxo Estebaranz

ISBN 978-84-19319-19-7

Páginas 210

22,00 €

www.txalaparta.eus

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Oh cruel vendaval!
Um bando de pequenos pardais
agarra-se à relva.

Buson

[Grécia] Solidariedade com todos aqueles que lutam contra a guerra na Rússia e na Ucrânia

Nas primeiras horas da quinta-feira, 24/2, o estado russo lançou um ataque em larga escala ao estado ucraniano. Uma guerra sangrenta está se desenvolvendo com milhares de mortes, estupros, assassinatos de civis e destruição do mundo natural.

No Estado russo, contra os apelos à unidade nacional, massacres transnacionais e recrutamento militar, uma guerra contra a guerra está se desenrolando. Manifestações em massa, recusas de recrutamento militar, ataques armados a militares, incêndio criminoso de escritórios de recrutamento estão sendo desenvolvidos. Ações que também ocorrem são sabotagem em linhas ferroviárias que transportam equipamentos militares e em fábricas que produzem material bélico. Um dos movimentos antimilitaristas mais esperançosos das últimas décadas está em andamento.

O Estado russo está tentando em vão reprimir esse movimento, prendendo e realizando julgamentos expressos que prenderam muitas pessoas que se opunham a essas coisas, com sentenças duras. A Cruz Negra Anarquista de Moscou faz um apelo internacional à solidariedade aos presos e em completo isolamento. Respondemos a este chamado e enviamos força e solidariedade aos companheiros e companheiras nas prisões da Rússia.

No Estado ucraniano, onde os autoritários comentam que “o país está na defesa” e por isso conduzem suas repressões, a luta contra a guerra é mais limitada, mas existente. Aqueles que se recusam a se juntar ao exército estão enfrentando uma repressão extrema do Estado e de grupos paraestatais fascistas.

Todas essas negações e lutas apontam, que a propaganda dos governantes, muitas vezes, não cola. E isso é ainda mais importante se considerarmos que essa propaganda é particularmente poderosa e extensa nesta guerra em particular.

As forças da OTAN e da UE (com um importante papel do Estado grego) apresentam-se como “as defensoras da democracia e dos direitos humanos” em oposição ao “autoritarismo da Rússia”. Esta retórica clássica usada em muitas guerras é o exemplo mais recente do ciclo de intervenções no Oriente Médio que resultou em milhões de mortos.

Por outro lado, o Estado russo está reaquecendo essa retórica (da era da URSS) em defesa contra o Ocidente intrusivo, tentando encontrar aliados e apoio.

Cada lado da guerra na Ucrânia está tentando vencer a corrida militar e política pela dominação mundial. Não esquecemos que a guerra é “a extensão da política por outros meios”. O conflito armado é consequência de vários outros conflitos que já aconteceram antes (propaganda econômica, política, nacionalista). É por isso que não há lado na guerra que começou na Ucrânia (e qualquer guerra interestado) para defender, e não reconhecemos nenhum Estado que se autodenomine vítima que devemos apoiar. Não há nada que una os exploradores e opressores, qualquer que seja sua etnia, com os explorados e oprimidos para lutar com eles. Ao contrário, tudo nos separa, a posição de classe, a capacidade e o modo de sobrevivência.

É por isso que lutamos em tempos de “paz” e guerra, contra todo Estado e toda forma de opressão e exploração, sem nenhuma submissão à unidade nacional. Estamos entrando em negações do recrutamento militar, entrando em conflito com os militares e a indústria de guerra. Estamos sabotando a preparação para a guerra e a guerra nacional. Recusamo-nos a matar uns aos outros pelos interesses do capital e pela glória do país. Continuamos as lutas sociais e de classes, contra o militarismo, a destruição da natureza, o patriarcado, até a libertação total.

Nosso objetivo é continuar a luta pela revolução social e de classe e para isso vale a pena dar todas as nossas forças. Para abrir caminho para a anarquia. Uma sociedade livre de pessoas iguais a ser espalhada por todo o planeta.

Na Grécia, Rússia, Ucrânia o inimigo é o Estado, o capital e o patriarcado.

Αναρχική συλλογικότητα Acte (Coletivo Anarquista Acte)

acte [at] riseup [ponto] net / acte.blackblogs.org

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1621409/

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Cerejeira silvestre –
Sobre o regato se move
Uma roda d’água.

Kawai Chigetsu

[Espanha-Itália] Morreu Claudio Venza

Em 27 de outubro faleceu Claudio Venza, professor de história contemporânea e anarquista na Universidade de Trieste (Itália), autor de vários livros com a Fundação Anselmo Lorenzo e codiretor da revista España Contemporánea. Claudio era, também, historiador, militante do Grupo Germinal de Trieste e da Federação Anarquista Italiana (FAI).

Desde 1986 promoveu e organizou, em colaboração com a professora Erminia Macola, o Congreso Internacional Cultura e società nella Spagna degli anni Trenta, e durante os anos 1989 e 1990 desempenhou na Universidade Autônoma de Barcelona um curso semestral, em língua castelhana para os alunos dos últimos anos, sobre a história da Itália contemporânea. Da mesma forma realizou um seminário para os doutorados dedicado à história do anarquismo italiano.

Claudio nunca perdeu oportunidade de aproximar-se da Espanha quando seu tempo e saúde o permitiram e foi o promotor de um PIC Erasmus com várias universidades espanholas. Nos últimos anos participou em vários grupos nacionais de investigação: Guerre civili in età contemporanea, coordenado por Claudio Pavone da Universidade de Pisa, e Le guerre civili di Spagna, coordenado por Gigliola Mariani Sacerdoti da Universidade de Florença.

Ao longo de sua vida participou em numerosos congressos científicos e encontros sobre a história da Espanha contemporânea na França, Itália e Espanha, e foi colaborador de várias revistas de história contemporânea tanto na Itália como na Espanha. Com a Fundação Anselmo Lorenzo, a qual sempre tratou com carinho, publicou o volume I de Antología documental del anarquismo español, junto a Francisco Madrid e Umberto Tommasini, o ferreiro anarquista.

Com a morte de Claudio vai-se um militante exemplar e um historiador fundamental do movimento libertário italiano e espanhol. Desde a FAL nos unimos a amigos, companheiros e família na dor por sua perda. Que a terra te seja leve.

fal.cnt.es

Tradução > Sol de Abril

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o rio ondulando
a figueira frondosa
no espelho da água.

Alaor Chaves