[Espanha] Rumo a uma economia global de guerra

O crescimento sustentado dos gastos militares globais, sua concentração em um punhado de potências, a expansão recorde da indústria armamentista e a crescente integração entre economia civil e militar mostram que o capitalismo contemporâneo avança para uma forma de economia de guerra permanente, na qual a destruição e sua preparação metódica se tornam mecanismos de reprodução do sistema.
 
A guerra, o fascismo e a luta de classes
 
A guerra e o fascismo não são um acidente provocado por líderes enlouquecidos e ideologias insolidárias e cruéis, mas o produto inevitável do curso histórico do capitalismo. A guerra é a expressão mais autêntica da natureza obsoleta, irracional e criminosa do capitalismo atual.
 
O poder político não pertence a indivíduos como Donald Trump, Vladimir Putin ou Xi Jinping, mas às gigantescas concentrações industriais e financeiras do capital, que dirigem, controlam e manipulam os diferentes aparelhos estatais.
 
A Segunda Guerra Mundial não ocorreu porque Hitler estivesse louco, mas porque o nazismo e o fascismo — assim como as democracias e a União Soviética — tentaram solucionar o desemprego em massa e a depressão econômica por meio de investimentos públicos e da indústria bélica. Quem estava enlouquecido era o sistema capitalista, mergulhado nos anos 1930 em uma fortíssima depressão, sem outra saída além de uma economia global de guerra: como hoje.
 
Hoje, essa dinâmica se expressa em uma tendência cada vez mais clara rumo a uma economia global de guerra. Os gastos militares mundiais alcançaram aproximadamente 2,8 trilhões de dólares anuais, o nível mais alto já registrado, após mais de uma década de crescimento contínuo. Esse gasto já representa cerca de 2,5% do PIB mundial, com mais da metade concentrada em poucas potências.
 
Os principais orçamentos militares ilustram essa concentração do capital armado: os Estados Unidos ultrapassam os 900 bilhões de dólares anuais, a China os 330 bilhões, a Rússia gira em torno de 190 bilhões, enquanto potências como Alemanha e Índia superam amplamente os 90–100 bilhões. Não se trata de números isolados, mas da expressão de uma reorganização estrutural da economia mundial em torno da guerra.
 
O aumento dos preços do petróleo, dentro de certos limites, beneficia diferentes burguesias nacionais: a estadunidense, transformada em uma das principais produtoras e exportadoras mundiais; a russa; e também a iraniana, que continua colocando seu petróleo no mercado mundial mesmo em condições de conflito.
 
O aumento da inflação, ligado ao encarecimento da energia, não prejudica essencialmente as grandes empresas, que repassam os custos aos preços. Em contrapartida, atinge os proletários, cujos salários reais diminuem. Desse modo, a inflação se converte em um mecanismo indireto de redistribuição favorável ao capital.
 
A guerra não responde apenas a interesses geopolíticos, mas alimenta diretamente o aparato industrial e tecnológico. As 100 maiores empresas armamentistas do mundo já geram cerca de 700 bilhões de dólares em vendas anuais, em crescimento constante. A destruição e a produção de meios de destruição tornam-se, assim, um setor-chave para a acumulação. E isso abre perspectivas para futuros planos de reconstrução do que foi destruído.
 
A Europa oferece um exemplo particularmente claro: os gastos militares cresceram em ritmo de dois dígitos, superando níveis que não eram vistos desde a Guerra Fria. As indústrias civis se reconvertem, os planos de rearmamento se multiplicam e os Estados direcionam recursos públicos ao complexo militar-industrial. A Alemanha resolve a crise de produção de sua indústria automobilística convertendo-a em indústria bélica.
 
Essa tendência confirma que a guerra não é uma anomalia, mas um componente estrutural do capitalismo em sua fase atual. A preparação permanente para a guerra, a militarização da economia e a integração entre Estado e indústria bélica configuram uma economia global de guerra, na qual produção e destruição fazem parte do mesmo ciclo de valorização do capital.
 
O aumento dos orçamentos de defesa implica sempre — e em toda parte — cortes nos orçamentos de educação, saúde, serviços sociais e aposentadorias. É o conhecido dilema entre manteiga ou canhões.
 
E essa economia, doente e criminosa, só pode conduzir à guerra; uma guerra considerada motor e fim em si mesma. Orwell já antecipava isso em seu romance 1984.
 
O entrelaçamento de interesses entre potências rivais demonstra que as contradições entre Estados não são absolutas. As burguesias competem, mas também cooperam, comerciam e se beneficiam mutuamente até mesmo em contextos de conflito. A rivalidade fundamental e última é a existente entre os capitalismos de Estado chinês e estadunidense.
 
O que importa para a burguesia internacional não é tanto quem vence, mas que a guerra exista, que destrua excedentes, reative a produção e discipline a classe trabalhadora. A guerra imperialista é, em última instância, uma guerra contra o proletariado mundial.
 
As declarações em defesa da democracia ou do anti-imperialismo encobrem essa realidade. Sob a máscara democrática, o que impera é a ditadura do capital. As liberdades são concedidas apenas na medida em que não dificultam a acumulação; em tempos de crise e guerra, são reduzidas à caricatura ou eliminadas.
 
Os partidos da esquerda liberal, ao se limitarem a administrar o capitalismo, desarmam politicamente os trabalhadores. Incapazes de oferecer uma alternativa real, deixam terreno fértil para o avanço do fascismo, que canaliza o descontentamento para saídas autoritárias e reacionárias.
 
A Segunda Guerra Mundial somou cerca de oitenta milhões de mortos e desaparecidos. Pela primeira vez na história da humanidade, HOJE está em risco a continuidade da espécie. A revolução não é uma utopia, nem uma ideia quimérica ou impossível: é uma necessidade material urgente.
 
Assim, a humanidade enfrenta uma disjuntiva histórica: não entre democracia e fascismo, mas entre guerra ou revolução. A única alternativa real é aquela entre revolução ou barbárie. Basta ligar a televisão ou o rádio para compreender que a barbárie já está aqui: em Gaza, Cisjordânia, Líbano, Irã, Ucrânia, Minneapolis…
 
Contra a guerra entre os Estados, por meio da luta de classes!
Guerra à guerra!

 
Agustín Guillamón
 
Tradução > Liberto
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/05/01/corrida-armamentista-global-dispara-com-gastos-recorde-de-us-29-trilhoes-brasil-lidera-crescimento-militar-na-america-latina/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Leve brisa
aranha na bananeira
costura uma folha.
 
Rodrigo de Almeida Siqueira

Manifestação contra a cúpula da OTAN em Helsingborg, Suécia, 21-22 de maio de 2026

Em maio de 2026, o governo sueco sediará uma reunião informal dos ministros das Relações Exteriores da OTAN na cidade de Helsingborg. Este é um convite para se juntar à resistência. Juntos, vamos impedir a realização da reunião da OTAN.

Esta é a primeira vez que uma cúpula da OTAN é realizada em solo sueco, marcando a entrada oficial do país em uma organização responsável por décadas de mortes incontáveis, atos violentos contra a humanidade e guerras travadas para proteger os interesses comerciais ocidentais e as rotas de abastecimento de recursos. Durante a reunião, estarão presentes mais de 2.000 pessoas – delegados, autoridades, especialistas em segurança e jornalistas –, acompanhadas por um exército de policiais, agentes dos serviços secretos e militares protegendo os ministros da OTAN e os governantes mundiais. A escolha de Helsingborg não é aleatória: a cidade fica no estreito de Öresund, uma das vias navegáveis mais movimentadas do mundo e a entrada para o Mar Báltico. A localização estratégica da cidade liga os países nórdicos ao resto do continente europeu, tornando-a o símbolo ideal para apresentar a Suécia à Aliança do Atlântico Norte.

O momento em que a reunião ocorre também é especial. Mais uma vez na história do capitalismo, os patrões e os “líderes” políticos preparam a nós e nossas sociedades para a guerra. Esses planos de guerra baseiam-se em séculos de experiência acumulada na organização, gestão e condução de guerras. Os países da OTAN possuem vasta experiência na preparação de uma economia de guerra e na gestão dos desastres e do número de vítimas mortais decorrentes de um conflito. Pois uma guerra — seja ela militar, comercial ou de qualquer outra forma — pressupõe sociedades preparadas para participar nos combates. Os planos de guerra da OTAN e do Estado sueco nunca se concretizariam sem que as sociedades ocidentais os aceitassem e participassem deles. E é disso que se trata a reunião de Helsingborg – mais uma cúpula crucial para nos preparar e nos envolver em uma possível guerra.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) constitui uma aliança militar liderada pelos Estados Unidos, fundamental para as guerras expansionistas e ocupações que causaram a morte e o deslocamento de milhões de pessoas em todo o mundo. A estratégia expansionista da OTAN intensifica conflitos e rivalidades entre estados, ao mesmo tempo em que promove os interesses geopolíticos ocidentais às custas da paz global – seja em seu envolvimento indireto na Ucrânia, nas guerras dos EUA contra a Venezuela e o Irã, ou no genocídio na Palestina. A OTAN está focada na distribuição de interesses geopolíticos e reivindicações de poder, bem como na coordenação da exploração mundial por meio de um aparato fortemente armado, tendo armas nucleares como principal elemento ofensivo.

A cúpula da OTAN em Helsingborg não é uma reunião que represente os cidadãos dos países membros da OTAN, mas sim uma assembleia de governos burgueses, estados violentos, do complexo militar-industrial e de um bloco militar beligerante que visa a exploração global. Essa cúpula possibilitará negociações e preparativos para novos conflitos militares — levando a mais mortes, destruição e deslocamento de populações.

Em 18 de maio de 2022, o estado sueco solicitou a adesão à OTAN. Quase dois anos depois, em 7 de março de 2024, a Suécia foi aceita por todos os estados-membros e aderiu à aliança militar. A chamada neutralidade sueca de longa data e o pretensioso não alinhamento, bem como o “critério de democracia” sueco para a concessão de licenças de exportação de armas, foram todos esquecidos pelo estado sueco para que pudesse ser “protegido” pela aliança da OTAN. Um dos grandes beneficiados da adesão da Suécia à OTAN foi, naturalmente, a indústria de armamentos sueca. Essa indústria, que lucra com o sofrimento das pessoas, só vem se fortalecendo economicamente com os conflitos entre os estados e com a adesão da Suécia à OTAN, que se traduziu em um aumento do orçamento militar para 5% do PIB (uma exigência dos EUA). A ânsia do estado sueco pela adesão à OTAN trouxe um aumento no orçamento militar, levando a mais dinheiro nos cofres da indústria de armas, o que, por sua vez, significa mais armas e, em última instância, mais sofrimento humano. Pessoas estão morrendo enquanto os lucros da indústria de armas disparam.

Quando os representantes da OTAN mostrarem suas caras feias em Helsingborg, vamos enfrentá-los com nossas ações de resistência diversificadas e coloridas e com nossa ideia de solidariedade mundial. Pretendemos estar em Helsingborg para atrapalhar os planos de alguns dos opressores do planeta. A repressão não conseguirá impedir isso se formos muitos e se formos imprevisíveis.

Este é um convite aos nossos camaradas, companheiros e amigos de todo o mundo: venham a Helsingborg em maio de 2026 e juntem-se à resistência contra a OTAN! A esquerda autônoma e antiautoritária já enfrentou os governantes em muitas lutas: nossa força está no número, e enquanto formos muitos e imprevisíveis, nenhuma repressão poderá nos deter. Convidamos todos vocês a se juntarem a nós nas ruas de Helsingborg!


Acabem com a OTAN! Outro mundo é possível!

Tradução > acervo trans-anarquista

agência de notícias anarquistas-ana

terreno baldio
lixo revirado
gato vadio

Carlos Seabra

[Espanha] Lançamento: “Conciencia de clase, psicología y anarquismo”, de Ángel E. Lejarriaga

Necessitamos uma filosofia universal que estruture o pensamento crítico, o mal estar social e a revolta. Uma filosofia com a capacidade de redefinir todos os aspectos da vida social, que ofereça soluções que partam da experiência e o bem comum: o anarquismo.

Kropotkin disse que a chave da evolução humana era o apoio mútuo. Precisamente, este é o princípio básico a redescobrir em nosso sistema de crenças. Podemos despertar nossa consciência de oprimidas, mas para que a sociedade progrida é necessário que se cumpram umas condições psicológicas mínimas. Este pequeno ensaio aborda a relação entre essas condições psicológicas, a consciência coletiva e o anarquismo.

Ángel E. Lejarriaga (Madrid, 1956) é psicólogo clínico, editor da revista cultural libertária La Idea e do blog El viajero de Orión. Colabora habitualmente na imprensa libertária, como Rojo y Negro (CGT)Publicou El sueño de Iris (2001), La trompeta sin sombra (2007), El viajero de Orión (2011) e Bajo la nube negra (2023).

Conciencia de clase, psicología y anarquismo

Autor: Ángel Lejarriaga

ISBN: 979-13-990905-2-9

Páginas: 91

2026

Preço 9,00 €

piedrapapellibros.com

agência de notícias anarquistas-ana

casa quieta –
cochila o avô e
dorme a neta

Carlos Seabra

[Grécia] Intervenção no Hospital Elena | “Nenhum médico, padre, policial ou chefe decide por nós”

No domingo, 10 de maio, realizamos uma manifestação em frente ao Hospital-Maternidade Elena Venizelos, em relação à recente pesquisa que confirmou o que já vínhamos constatando há muito tempo: dezenas de hospitais no interior e nas ilhas negam às pessoas com útero o acesso ao aborto.

A recusa dos médicos em realizar abortos faz parte do ataque patriarcal do Estado e da Igreja contra nossos corpos e nossas vidas.

Durante a ação, foram distribuídos textos traduzidos para várias línguas e panfletos foram espalhados pela área ao redor do hospital.

O dia não foi escolhido por acaso. Foi simbolicamente marcado para 10 de maio, Dia das Mães, em oposição à imposição da maternidade como “papel natural” e dever social. O aborto é um direito e a autodeterminação é inegociável.

Com o slogan:

“CONTRA O ESTADO, A IGREJA E A PÁTRIA, A PALAVRA SOBRE O NOSSO CORPO É NOSSA”

Deixamos claro que nenhum médico, padre, policial ou chefe decide por nós.

A repressão estatal se manifestou imediatamente, com a DIA, viaturas e a polícia de segurança vigiando a intervenção durante toda a sua duração. Os mecanismos do Estado parecem sempre encontrar tempo e forças para vigiar aqueles que optam por lutar, mas nunca para aqueles que são assassinados pela violência patriarcal.

A repressão não nos aterroriza; pelo contrário, nos enche ainda mais de raiva.

NÃO NASCEMOS, NÃO LUTAMOS POR NENHUMA PÁTRIA – DEUS – SENHOR

ACESSO GRATUITO AO ABORTO PARA TODAS AS PESSOAS COM ÚTERO

Casa para o Empoderamento e a Emancipação

Coletivo Feminista de Base

agência de notícias anarquistas-ana

Chuva de outono
Folhas secas de momiji
Entopem a calha

Chico Pascoal

[Espanha] Preparando-se para o pior: possível extradição para a Itália do companheiro Gabriel Pombo Da Silva

Recordamos que, em dezembro de 2025, nosso companheiro foi preso em cumprimento a um mandado de detenção internacional (MDI) expedido pela Itália. Sua detenção durou cinco horas, até que o juiz Pedraz lhe concedeu liberdade provisória, sob a condição de comparecimento em juízo e proibição de viajar. Este MDI decorre de uma das muitas operações repressivas da Itália: a “Operação Scripta Manent”, de 2016, que resultou na condenação de Gabriel a dois anos de prisão em 2022 por incitação ao crime. No final de novembro do ano passado, o tribunal de Turim anunciou que não aceitaria as medidas alternativas à prisão solicitadas pelo advogado devido à “falta de autocrítica em relação aos seus próprios valores” (uma metáfora bastante apropriada para enfatizar sua falta de remorso), abrindo caminho para a execução da pena. Foi por isso que o MDI foi expedido: o juiz Pedraz considerou este delito um crime de opinião e, portanto, não ordenou a prisão, solicitando, porém, certos documentos de ambas as partes.
 
Há alguns dias, chegou uma ordem judicial, assinada pelo mesmo juiz, que, embora concordando parcialmente com uma das partes e parcialmente com a outra, facilita a possível extradição de Gabriel para a Itália, caso certos requisitos sejam cumpridos.
 
Por ora, não nos interessa comentar os detalhes jurídicos, embora seja interessante observar como os Estados utilizam suas “verdades” labirínticas para justificar caças às bruxas. Trata-se de uma decisão extremamente contraditória, repleta de mentiras, na qual os italianos brincaram com a psicologia da propaganda, extrapolando palavras e conceitos da condenação de Gabriel para justificar seu pedido.
 
Esta decisão encerra a fase de investigação, não é definitiva e o advogado está recorrendo; embora não haja fundamentos legais para que Gabriel cumpra sua pena em prisões italianas, não é difícil interpretar esta decisão como mais uma das muitas manobras que o Estado italiano vem utilizando há anos para continuar colecionando seus troféus de guerra.
 
Dentro de algumas semanas, o promotor e o advogado apresentarão seus argumentos em uma audiência no Tribunal Nacional.
 
Sempre soubemos que as razões legais não prevalecerão, mas sim a vingança política e pessoal. Combatentes dignos devem ser punidos de forma exemplar. Por isso, não há surpresa, e estamos nos preparando para o pior, mais fortes do que nunca.
 
Mais informações em breve.
 
Gabriel e Elisa
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/12/02/espanha-repressao-situacao-repressiva-italiana-de-gabriel-pombo-da-silva/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
alta madrugada,
vaga-lumes no jardim
brincam de ciranda
 
Zemaria Pinto

[Itália] Volontré – Canções de amor e liberdade

Sábado, 16 de maio

21h30 – show de lançamento do disco

A partir das 20h – aperitivo

No jardim da Biblioteca do Círculo “E. Malatesta” na FAL, na Via degli Asili, 33

Temos o prazer de sediar o lançamento de Canzoni d’amore e libertà (Canções de amor e liberdade), o novo disco dos Volontré, que será lançado em maio de 2026.

As canções falam sobre atualidade, conflito, poder, privilégio e violência normalizada.

São canções de protesto sem slogans: imediatas, cortantes, como anotações feitas enquanto algo acontece.

As letras não explicam, expõem.

As faixas impactam e passam, deixando vestígios mesmo depois do silêncio.

Amor e liberdade não são aqui conceitos abstratos, mas palavras políticas.

Canções de amor e liberdade não busca pacificações: toma posição, aceita a imperfeição do som como parte do discurso e escolhe a síntese como forma de honestidade.

Porque contar o que acontece, hoje, ainda é um gesto de amor.

E talvez, justamente por isso, um gesto de liberdade.

Círculo Cultural “E. Malatesta”

coletivoanarquico.noblogs.org

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Surpresa da tarde
no meu vestido de festa
Uma joaninha!

Lúcia Helena Carneiro Nascimento

Arquivo Lucy Parsons lança edição brasileira de A Greve Geral, de Ralph Chaplin

O Arquivo Lucy Parsons apresenta a edição brasileira de A Greve Geral, de Ralph Chaplin, clássico do sindicalismo revolucionário publicado originalmente em 1933.

A obra, ligada à tradição dos Trabalhadores Industriais do Mundo (IWW), discute a greve geral como instrumento estratégico da organização da classe trabalhadora no ponto de produção, abordando temas como sindicalismo industrial, ação direta, solidariedade de classe e democracia industrial.

Traduzida e publicada em Fortaleza, a edição busca contribuir para a circulação de materiais históricos ligados às experiências de organização autônoma dos trabalhadores e trabalhadoras.

Lançamentos presenciais

Fortaleza — Ceará

No dia 08 de maio, o livro foi lançado durante a Feira Literária e Artística promovida pela Revista Pindaíba, realizada na Praça Rosa da Fonseca / João Gentil, no bairro Benfica, em Fortaleza.

A banquinha do Arquivo Lucy Parsons contou com apoio de militantes da Organização Popular Terra Liberta e do Sindicato Geral Autônomo da Educação do Ceará (SIGAE-CE), fortalecendo a circulação local da obra e o diálogo entre iniciativas de memória, formação e organização popular.

Rio de Janeiro — RJ

No dia 09 de maio, o livro esteve presente em lançamento na Feira Autônoma do Rio Popular Ameríndia (FARPA), organizada na Ocupação Gilberto Domingos, do Movimento Unificado dos Camelôs (MUCA).

A banquinha da Associação dos Trabalhadores de Base do Rio de Janeiro (ATB-RJ) recebeu e divulgou a obra junto a exemplares de editoras e grupos como Intermezzo, Ácrata e Instituto de Estudos Libertários (IEL), ampliando a circulação da edição em espaços de organização de base.

Adquira um exemplar

Valor: R$ 15 (frete incluso para todo o Brasil)

Os pedidos podem ser realizados pela lojinha virtual do Arquivo Lucy Parsons.

Novas atividades!

O Arquivo Lucy Parsons também convida grupos de pesquisa, espaços de estudo, organizações de luta, sindicatos, coletivos e demais iniciativas interessadas a articularem conosco diálogos, debates, grupos de leitura e atividades formativas (presenciais ou virtuais) em torno da obra, do sindicalismo revolucionário e da memória das lutas da classe trabalhadora.

arquivolucyparsons.org

agência de notícias anarquistas-ana

Alta madrugada,
sabiá boêmio entoa
um lânguido canto.

Alberto Murata

Cândido Costa: Preto, Ateu e Anarquista!

Por Carlos Ferreira de Araujo Junior

Cândido Costa foi um anarquista negro que atuou no Rio de Janeiro nas primeiras duas décadas do século 20. Não foi possível encontrar nem a data de nascimento nem a do seu óbito. Seguramente, João Cândido Costa nasceu no final do século 19. Operário alfaiate e carpinteiro, Costa também foi um brilhante orador operário, sendo bastante requisitado nas reuniões operárias, comícios e festas operárias do Rio de Janeiro. Cândido Costa representou o perfil da maioria dos proletários cariocas na Primeira República: negro, pobre, operário.

Cândido Costa emocionava as plateias operárias com seus discursos, cheios de gestos, às vezes exagerados, às vezes comedidos. Bastante conhecido na imprensa operária, também foi notícia na grande imprensa da época: “O sr. Candido Costa é um orador querido pela multidão. Com palavra naturalmente fácil, ele consegue, pela sua sinceridade, empolgar as massas populares.[1]”  Os oradores operários instigavam os operários a participarem das reuniões, assembleias e greves. Quase sempre os oradores e palestrantes atuavam como “tradutores” de conceitos anarquistas de forma didática e prática. Os oradores usavam a linguagem do operariado do povo. Cândido Costa discursou várias vezes usando como tribunas improvisadas tamboretes, árvores ou os braços dos companheiros.

O anarquista negro participou do Primeiro Congresso Operário Brasileiro em abril de 1906, no Rio de Janeiro. O Congresso reuniu centenas de operários de todas as partes do país e mostrou a força do anarquismo. Neste encontro, Costa representou a Liga dos Artistas Alfaiates do Rio de Janeiro, onde se pronunciou contra a influência dos políticos nas associações operárias [2].

Na década de 1910, as “agitadas palestras” ocorreram com frequência nas reuniões operárias da Federação Operária do Rio de Janeiro, no Centro Cosmopolita e na Liga Anticlerical. Cândido Costa também discursou nos eventos em homenagem a Ferrer, nos protestos contra a carestia, nas festas do 1º de Maio, etc.  Em outubro de 1911, Cândido participou de uma cerimônia em homenagem a Francisco Ferrer, pedagogo anarquista assassinado na Espanha. Durante o evento, Costa criticou um exaltado patriota xenofóbico da plateia com as seguintes palavras:

entre socialistas e anarquistas a palavra estrangeiro não tem significação; que estrangeiros são os politiqueiros e parasitas que aqui vivem do suor alheiro; que aqueles que mourejam e produzem, padecem e morrem com os bolsos vazios, mal podendo sustentar a prole, não são estrangeiros [3].

Em janeiro de 1912, Cândido Costa foi brutalmente espancado pela polícia em frente a Federação Operária do Rio de Janeiro. Os jornais anarquistas criticaram duramente a truculência da polícia:

Cândido Costa chegou a perder os sentidos devido a um pontapé que levou no ventre. Antes, como contou a quem escreve estas linhas, tinha pensado em atirar-se da janela do 2º andar à rua para assim livrar-se, mesmo pela morte, à sanha de tais feras [4].

Em 1913 o anarquista participou do Segundo Congresso Operário Brasileiro também no Rio de Janeiro. Cândido Costa se posicionou contra as associações beneficentes e mutualistas [5]. Em fevereiro de 1913, Cândido Costa participou do Comício Contra a Carestia de Vida em Catumbi. A tribuna foi improvisada e os palestrantes discursaram sobre caixões de madeira. Um conluio entre autoridades e contraventores do jogo do bicho ameaçaram impedir o discurso de Costa, mas diante da reação da plateia, as autoridades recuaram. O próprio Cândido Costa tentou acalmar a multidão [6]. 

Cândido Costa se posicionou contra a expulsão de estrangeiros do país.

vede, cidadãos, este contraste: enquanto o governo forja essa lei de exceção, para expulsar os trabalhadores estrangeiros que se revoltam contra as misérias que sofrem ao lado dos trabalhadores brasileiros, os argentários de todas as nacionalidades e todas as raças aí estão, enriquecendo fartamente à sombra dos poderes públicos e a custa do suor de nós todos, nacionais ou não, que produzimos tudo, num trabalho árduo e insuportavelmente mal retribuído [7]. 

Cândido Costa foi um ferrenho militante anticlerical. Durante um comício realizado pelo Centro Católico no Largo do São Francisco, Rio de Janeiro, Costa proferiu várias críticas a instituição católica.  Esta atitude causou grande indignação entre os operários católicos que gritavam indignados “fora!” e “Cai no mangue!”. Objetos foram lançados contra Cândido Costa, um jornal da época narrou o ocorrido assim:

Um popular da cor preta galgou as escadas da Escola e dirigiu a palavra ao povo. O seu discurso foi violentíssimo, atacando o Partido Católico, que não era mais do que um “Partido de Cavações!”. Uma gritaria ensurdecedora se fez ouvir, tendo muitos indivíduos avançado em atitude agressiva para o orador, que comprimido pelo povo, tombou pela escada baixo. Houve bofetadas, pontapés, o diabo, tendo o orador retomado a palavra, protegido por um policial que apareceu no momento. (…) Cândido Costa, que é o nome do orador em questão, é carpinteiro e anarquista entusiasta. Terminado o seu discurso que anarquizou o comício, foi o orador carregado pelos seus correligionários até a esquina da rua dos Andradas de onde se dirigiram pela mesma até a Confederação Operária Brasileira. Ali falou de uma das janelas do edifício o anarquista Cândido Costa, dispersando-se em seguida os populares [8].

Ainda em 1915, representando o Comitê Popular de Agitação Contra a Guerra e pela Paz Mundial, Cândido Costa palestrou no dia do 1º de Maio. Na ocasião, o operário também defendeu a ação direta como tática de luta legítima do operariado [9].

Em julho de 1917, 30 mil operários entraram em greve no Rio de Janeiro. O Centro Cosmopolita organizou um comício em frente ao Teatro Municipal da cidade e convidou o libertário Cândido Costa para proferir uma palestra para os trabalhadores. Enquanto ele discursava, uma procissão de Santa Cecília passou em frente ao teatro marchando ao som de uma banda marcial. Os organizadores do evento pediram que Costa interrompesse o discurso por uns minutos. Mas o anarquista não cedeu:

O operário Candido Costa, que é ateu, insurgiu-se contra os pedidos, usando frases inconvenientes. O procedimento do orador deu causa a veementes protestos por parte de muitos operários; e teria, por certo, funestos resultados, se não fosse a rápida interrupção do comissário Júlio Rodrigues, que conseguiu, só a cabo de alguns momentos, apaziguar os ânimos [10].

Em 1917, durante uma palestra operária, Cândido Costa enalteceu as revoltas dos escravizados nas províncias de São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco, ocorridas no século passado [11]. 

A partir de janeiro de 1918, Candido passa a fazer palestras em assembleias e eventos como representante do Partido Socialista [12]. Neste mesmo mês, participa de uma palestra em homenagem a Lênin [13].

A partir da década de 1920, as notícias sobre Cândido Costa vão se tornando mais escassas. Em 1928, o periódico A Esquerda anunciou um Festival em Solidariedade a João Cândido Costa, que se encontrava bastante enfermo. O evento foi patrocinado pela União dos Alfaiates do Rio de Janeiro.  A programação contava com uma conferência do professor Castro Rebello; uma peça teatral intitulada O Vizinho de Cima encenada pelo grupo teatral Germinal; e por fim, um concerto de um jazz band [14].

Não foram encontrados detalhes sobre o que aconteceu com Cândido Costa a partir deste fato. A notícia é encerrada com o lema “um por todos e todos por um!”, dos Três Mosqueteiros, obra do escritor francês negro, Alexandre Dumas.

REFERÊNCIAS

KARLLOS, Jr. Brasil Negro Insurgente: socialistas e libertários negros e pardos na Primeira República. Ed. Monstro dos Mares. 2025.

RODRIGUES, Edgar. Companheiros. Vol.01.

PERIÓDICOS

A ÉPOCA. data: 10/08/1913 P.4. N.284.

GAZETA DE NOTÍCIAS. Data: 19/04/1906.P.2.N.107.

A LANTERNA. 21/10/1911.P.2.N.109

A LANTERNA. 27/01/1912.P.2N.123.

CORREIO DA MANHÃ.12/09/1913.P.7.n.5339.

A ÉPOCA. 10/03/1913.P.2N.223

A ÉPOCA.10/08/1913.P.4. N.284.

A ÉPOCA. 15/01/1915.P.4.N.874.

A ÉPOCA. 04/06/1915.P.5. N.1014.

A ÉPOCA. 23/07/1917.P.1N.1837.

A LANTERNA. 15/10/1917. P.2.N.260.

A RAZÃO.17/01/1918.P.5N.395

A RAZÃO 25/01/1918.P.4N.403.

A ESQUERDA. 07/07/1928.P.4N.316.

[1] A ÉPOCA. data: 10/08/1913 P.4. N.284.

[2] GAZETA DE NOTÍCIAS. Data: 19/04/1906.P.2.N.107.

[3] A LANTERNA. 21/10/1911.P.2.N.109

[4] A LANTERNA. 27/01/1912.P.2N.123.

[5] CORREIO DA MANHÃ.12/09/1913.P.7.n.5339.

[6] A ÉPOCA. 10/03/1913.P.2N.223

[7] A ÉPOCA.10/08/1913.P.4. N.284.

[8] A ÉPOCA. 15/01/1915.P.4.N.874.

[9] A ÉPOCA. 04/06/1915.P.5. N.1014.

[10] A ÉPOCA. 23/07/1917.P.1N.1837.

[11] A LANTERNA. 15/10/1917. P.2.N.260.

[12] A RAZÃO.17/01/1918.P.5N.395

[13] A RAZÃO 25/01/1918.P.4N.403.

[14] A ESQUERDA. 07/07/1928.P.4N.316.

Biografia do autor.

CARLOS FERREIRA DE ARAUJO JUNIOR – Historiador formado pela UEPB. Publicou dois livros: Renego – Grito Punk (2021), sobre o punk na Paraíba, e Brasil Negro Insurgente (2025), sobre libertários e socialistas negros no Brasil. Desde 2012, possui um canal acervo punk no youtube: ÔKO DO MUNDO! O autor também escreveu os seguintes cordéis e zines libertários/decoloniais: OBREIROS DA BORBOREMA, BRADO BRUTO, EXU MOLOTOV, PLUMA NEGRA, ZINE AUTÔNOMO TEMPORÁRIO (ZAT).

agência de notícias anarquistas-ana

Fim do dia
O velho e a árvore
Trocam silêncios

Camila Jabur

[Porto Alegre-RS] Ajude o Esp(a)ço a manter suas portas abertas! 

O Esp(a)ço é um centro social anarquista fundado em 2022 na cidade de Porto Alegre, no sul do território ocupado pelo Estado brasileiro. Organizamos atividades como debates, exibições de filmes e oficinas, além de atuarmos como centro de apoio mútuo e solidariedade na cidade, por meio da Apoio Mútuo, nossa loja grátis. Também estamos começando a organizar uma biblioteca e uma cozinha no centro social.
 
Estamos realizando esta campanha para conseguir apoiadorys regulares que ajudem a cobrir nossas despesas mensais, para que possamos manter o Esp(a)ço funcionando. Então, por favor, considere tornar-se apoiadory mensal ou mesmo faça uma doação única.
 
SOBRE O ESP(A)ÇO
 
O Esp(a)ço foi inaugurado em 2022. Ainda impactados pelo isolamento da pandemia de COVID, sentimos a necessidade de um espaço onde pudéssemos nos encontrar e nos organizar. Organizamos exibições de filmes, debates, oficinas e, em 13 de maio de 2023, inauguramos o Apoio Mútuo, uma loja gratuita aberta à comunidade, onde recebemos doações e as distribuímos gratuitamente à comunidade.
 
Durante as graves enchentes de 2024 no estado do Rio Grande do Sul, realizamos campanhas para apoiar comunidades quilombolas e indígenas com suprimentos muito necessários e também fizemos uma arrecadação de fundos para apoiar três ocupações anarquistas na cidade: as ocupações queer Kaliça e Jiboia e a ocupação Território dos Mil Povos. Também pudemos apoiar a comunidade indígena Mbya Guarani durante sua recuperação de terras no extremo sul de Porto Alegre, consertando o motor de seu barco, comprando um inversor e uma bateria para seu sistema elétrico fotovoltaico, além de um smartphone e um laptop para melhorar sua comunicação.
 
No início de 2025, ladrões invadiram o centro social quatro vezes seguidas, levando até mesmo os fios de cobre de dentro das paredes. Fechamos o centro social por um tempo, mas continuamos organizando atividades em espaços públicos.
 
Durante os dias mais rigorosos do inverno de 2025, quando quatro pessoas morreram de hipotermia, estávamos todas as semanas nas ruas distribuindo roupas do estoque da loja gratuita Apoio Mútuo, em parceria com a Ação Antifascista Social, uma iniciativa que prepara e distribui refeições para pessoas em situação de rua.
 
Em janeiro de 2026, conseguimos nossa nova casa!
 
E agora, queremos fazer ainda mais. E, para isso, contamos mais uma vez com a solidariedade da comunidade.
 
POR QUE PRECISAMOS DA SUA AJUDA
 
Todos os meses temos contas a pagar: água, luz, imposto predial, taxa de condomínio, além de outras despesas, como materiais de limpeza, manutenção, alimentação e transporte. E, para isso, pedimos o apoio de qualquer pessoa que possa se comprometer a fazer doações mensais de qualquer valor.
 
Nossa estimativa das despesas mensais ESSENCIAIS, o mínimo necessário para mantermos as portas abertas, é a seguinte:
 
• Água: R$60
• Luz: R$130
• IPTU: R$55
• Condomínio: R$80
• Produtos de limpeza: R$50
 
E ainda temos outras despesas, necessárias para manter o Esp(a)ço funcionando. Um fundo de manutenção para resolver quaisquer necessidades de infraestrutura que possam surgir. Apoio com transporte e alimentação para garantir que os membros do coletivo possam estar no Esp(a)ço para abrir as portas.
 
• Manutenção: R$100
• Transporte: R$175
• Alimentação: R$200
 
Sonhamos em conseguir mais recursos além desses que listamos aqui, para podermos oferecer aos membros do coletivo uma ajuda financeira para que possam manter o Esp(a)ço aberto por mais tempo, em vez de trabalharem até a exaustão para algum capitalista.
 
Portanto, mesmo que atinjamos a meta, se você puder contribuir com mais, por favor, faça-o. Isso fortalecerá nosso coletivo, a infraestrutura anarquista local e nossas iniciativas de ajuda mútua.
 
>> Para ajudar visitehttp://espaco.noblogs.org/apoie
 
>> Vídeohttps://kolektiva.media/w/unPfyLdcLYNQEoaZAqBkd6
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/10/25/espaco-um-ponto-de-encontro-confraternizacao-aproximacao-de-pessoas-que-de-alguma-forma-se-identifiquem-com-o-anarquismo/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Some de repente
Numa viagem pelas sombras
uma borboleta
 
Carlos Roque Barbosa de Jesus

[Espanha] Manifesto do CSO Kike Mur diante da ameaça de despejo

CSO Kike Mur
 
Kike Mur¹ somos todes, e por isso, precisamos de vocês. Se tocarem em um* de nós, tocam em todes. Se despejarem nossos centros, tomamos as ruas.
 
SE KIKE MUR CAIR, ZARAGOZA SE LEVANTA
 
Mais um ano de governo reacionário, neoliberal e neofranquista.
 
Sabemos o que eles querem: capitalismo (ainda mais) selvagem, precarização do trabalho, repressão sexual e de gênero, punição da dissidência, imigrantes trabalhando bem calados, luzes e espetáculo enquanto companheires passam frio e fome na rua.
 
Sabemos o que eles temem: tecido vecinal vivo, autogestão de bairro, solidariedade, apoio mútuo, horizontalidade, nosso povo, nossa classe, nossos companheires tomando o futuro em suas mãos e construindo uma alternativa ao sistema deles.
 
CSO Kike Mur
 
O CSO Kike Mur está aberto há 15 anos, 15 anos de luta e resistência construindo vida em um lugar abandonado pelos “gestores” de nossas vidas, uma prisão que foi construída para reprimir, torturar e assassinar nossas avós e avôs por buscarem a vida, por resistirem e por imaginarem mundos diferentes.
 
Nossa maior homenagem é continuar a luta deles, construir o mundo que queremos, aqui e agora.
 
Anticapitalista, transfeminista, antiespecista, antirracista, autogestionado e antiautoritário.
 
Dentro de seus portões se tornou realidade o grito: Só o povo salva o povo durante a DANA de Valência, durante a Filomena, durante o apagão, servindo como ponto de encontro de solidariedade.
 
Realizamos coleta de roupas para pessoas vulneráveis, atividades gratuitas para e pelo bairro, ginásio popular, Boulder, aulas de costura e reforço escolar, troca de brinquedos, chocolateiras, cinema de verão, horta comunitária, biblioteca anarquista, visitas de memória histórica.
 
Um espaço aberto aos movimentos políticos: ao guarda-chuva feminista, a todos os coletivos migrantes da cidade, à resistência queer, aos artistas inconformados, à casa palestina, em definitiva, a todes que buscam agir e lutar contra este sistema genocida, sempre terão aqui seu lugar. Entre esses muros se pratica o apoio mútuo com companheires reprimidos no estado espanhol, como as 6 de ZGZ ou da Suíça, e em outras partes do mundo.
 
Por tudo isso, o CSO Kike Mur é um ataque constante à política institucional. Eles sabem que não podem nos dobrar, não vamos passar pela sua camisa de força, não podem cancelar nem censurar nossos eventos como fizeram com Zaragoza não se vende, o guarda-chuva feminista e tantos outros coletivos políticos nos últimos meses.
 
Os espaços ocupados permitem a livre expressão do povo e é por isso que estaremos sempre em sua mira. As ameaças constantes por meio de seus meios de comunicação bajuladores, políticos, jurídicos e midiáticos só nos reafirmam em nossa luta e nossos princípios.
 
O CSO continua em perigo de despejo, sempre esteve. Sentimos perto o calor de todas as pessoas que de uma forma ou de outra apoiam e sustentam o espaço, desde as vizinhas de Zaragoza, de Torrero, passando por todas as boas gentes desta e de outras cidades do Estado que dão vida e sentido a este projeto, sois todos vocês que conseguiram que o CSO Kike Mur continue firme e determinado após 15 anos, e assim continuará sendo, cada dia com mais força.
 
[1] Kike Mur é uma parte da prisão de Torrero, em Zaragoza, que foi ocupada há 16 anos.
 
Fonte: https://redeslibertarias.com/2026/05/09/manifiesto-kike-mur-ante-la-amenaza-de-desalojo/
 
Tradução > Liberto
 
• Nota da tradução: Optou-se por manter a linguagem inclusiva “todes”, “companheires” etc., alinhada ao original em espanhol (“todes”, “compañeres”), para preservar o tom político e identitário do manifesto.
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/02/18/espanha-comunicado-do-cso-kike-mur-se-o-kike-mur-cair-zaragoza-se-levantara/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
ontem à noite
sonhei de corpo inteiro
— acordei com teu cheiro
 
Alonso Alvarez

O Poder É Maldito

O poder é maldito.

Que isso seja repetido

até a exaustão.

.

Tenho nojo de senhores,

ditadores e reis.

Sou avesso ao Estado,

ao controle e a servidão.

Abomino toda forma de governo.

Não importa se autocrítico ou democrático.

Desprezo qualquer defensor da pátria

ou amante da nação.

Quero que todo poder

seja desde já destituído

e proclamada a autogestão.

Que as ruas acordem em revolução

contra Deus, a Razão

e toda forma de dominação.

Carlos Pereira Júnior

agência de notícias anarquistas-ana

pétala amarela
a borboleta saltou
sem paraquedas

João Acuio

[Alemanha] Julgamento contra um companheiro anarquista em Leipzig, no dia 12 de maio

Nos dias 12 de maio e 2 de junho, ocorrerá mais um julgamento contra um companheiro anarquista envolvido na manifestação do “Dia X” no Tribunal Distrital de Leipzig. O Ministério Público o acusa de perturbação da ordem pública, agressão e resistência a agentes da lei, além de 18 acusações de agressão qualificada e destruição de equipamentos essenciais. Este não é um caso isolado; o processo faz parte de uma denúncia coletiva contra vários indivíduos – um total de 1.500 processos criminais foram iniciados naquele fim de semana, dos quais 100 pessoas já foram condenadas e outras 100 ainda aguardam julgamento.
 
Neste caso, as acusações baseiam-se em fotos publicadas online e tiradas por um fotojornalista. A polícia acredita poder identificar o companheiro com base nessas fotos, com a ajuda de um suposto “super-reconhecedor” — um termo de credibilidade duvidosa. Durante a investigação do “Dia X”, a polícia de Leipzig trabalhou frequentemente com esses autoproclamados “super-reconhecedores”. São policiais que acreditam possuir habilidades especiais de reconhecimento, mas, na realidade, suas percepções são tão subjetivas quanto as de qualquer outra pessoa. Não há evidências científicas da existência desse “superpoder”.

Consideramos esse procedimento parte de uma crescente repressão contra movimentos revolucionários e antifascistas.

A segunda fase do julgamento do Antifa-Leste está em andamento. Sete antifascistas são acusados ​​de supostamente participarem de ações militantes contra nazistas; simultaneamente, outros seis antifascistas estão sendo julgados em Düsseldorf, no chamado “Complexo de Budapeste” — pelas mesmas ações pelas quais Maja foi condenada na Hungria a oito anos de prisão em regime fechado.

Nossa resposta a esse processo é de solidariedade e cumplicidade com aqueles que lutam por um mundo livre do fascismo. Foi por isso que decidimos ir às ruas de Leipzig em 3 de junho de 2023 e expressar nossa indignação com as sentenças de prisão impostas a antifascistas. É mais do que claro: as sentenças — anos de prisão — têm um preço, e enviamos nossa mais profunda solidariedade aos nossos companheiros que foram condenados, para que saibam que não estão sozinhos. Um julgamento contra um de nós é um julgamento contra todos nós.

Três anos após esse “Dia X”, vemos o fascismo e o totalitarismo continuarem a crescer em todo o mundo; a onda reacionária está ganhando governos e popularidade na sociedade por meio de retórica xenófoba e antifeminista. Ela cativa milhões, alimentando o maior medo das pessoas: perder a prosperidade prometida pelo capitalismo.

Os estados europeus estão se preparando para a guerra investindo bilhões nas forças armadas; o serviço militar obrigatório é mais uma vez uma amarga realidade, com jovens sendo convocados para defender a Alemanha contra ameaças externas; E as políticas anti-imigração estão se tornando cada vez mais brutais.

A repressão aos manifestantes contra o genocídio na Palestina, com milhares de julgamentos de Berlim a Leipzig, ilustra o autoritarismo do Estado alemão contra todos aqueles que se opõem ao colonialismo, às guerras e às fronteiras.
 
Por todas essas razões, permanecemos convictos de que devemos ir às ruas e lutar contra todas as formas de autoridade, em solidariedade com aqueles que se recusam a ficar de braços cruzados diante da injustiça e dos ataques dos poderosos.

Acreditamos em um antifascismo antipatriarcal, onde o cuidado mútuo e a construção de um tipo diferente de relacionamento são fundamentais, onde nos desafiamos uns aos outros para tornar nossas comunidades lugares melhores.
Portanto, convidamos você para os julgamentos em Leipzig, nos dias 12 de maio e 2 de junho.
 
• Terça-feira, 12 de maio de 2026, às 10h, Sala de Reuniões 218, 2º andar, Edifício Principal, Bernhard-Göring-Straße 64, 04275 Leipzig;
• Terça-feira, 2 de junho de 2026, às 10h, Sala de Reuniões 218, 2º andar, Edifício Principal, Bernhard-Göring-Straße 64, 04275 Leipzig
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/04/05/alemanha-chamada-internacional-para-demonstracao-do-dia-x-em-leipzig/
 
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que flor é esta,
que perfuma assim
toda a floresta?
 
Carlos Seabra

[Grécia] Assembleia Aberta da Iniciativa de Estudantes Anarquistas de Atenas

Assembleia aberta da Iniciativa de Estudantes Anarquistas de Atenas na terça-feira, 12/05, às 18h, no Panteion (Edifício de Vidro, térreo).
 
As universidades foram, são e continuarão sendo lugares de refúgio e focos de luta.
 
Contra ações disciplinares, expulsões e privatizações.
 
Nenhuma participação das universidades gregas em pesquisas sobre a guerra.
 
RESISTÊNCIA – AUTO-ORGANIZAÇÃO – SOLIDARIEDADE
 
Romper com a reestruturação educacional por meio da luta direta e da organização anarquista.
 
SOLIDARIEDADE AO ESTUDANTE ANARQUISTA Z.M.
 
Iniciativa de Estudantes Anarquistas de Atenas
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/05/11/grecia-assumindo-a-responsabilidade-por-ataques/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Entre as antenas
E as casas todas iguais –
Quaresmeiras!
 
Paulo Franchetti

[Alemanha] Milhares de jovens saem às ruas para protestar contra o serviço militar obrigatório

Em 8 de maio de 1945, os fascistas de Hitler capitularam; a Europa jazia em ruínas. Mesmo dentro do campo conservador, os alemães juraram: “Nunca mais guerra, nunca mais fascismo!”
 
Os organizadores do movimento de greve estudantil escolheram deliberadamente um dia de grande significado histórico para a terceira greve estudantil nacional contra a ameaça iminente do serviço militar obrigatório. Segundo seus cálculos, 45 mil jovens em mais de 150 cidades voltaram às ruas na sexta-feira (08/05) para lembrar a todos para onde o mundo caminhava quando o imperialismo alemão aspirava, pela última vez, ter o “exército convencional mais poderoso da Europa”. Os estudantes exigiram a revogação da “Lei de Modernização do Serviço Militar”, o fim da reintrodução gradual do serviço militar obrigatório e a suspensão da presença da Bundeswehr (Forças Armadas Alemãs) nas escolas.
 
Em Berlim, segundo os organizadores, cerca de 9.000 jovens atenderam ao chamado para uma greve. A manifestação se reuniu no Portão de Brandemburgo e seguiu dali pelo parque Tiergarten. Ao passarem pelo Monumento aos Mortos da Guerra Soviéticos, um forte grito de “Alerta, alerta, antifascistas!” ecoou. A manifestação em Berlim foi, mais uma vez, fortemente influenciada pelos slogans da luta de classes. As numerosas bandeiras palestinas também demonstraram que muitos jovens estão bastante conscientes da conexão entre solidariedade internacional, anti-imperialismo e antimilitarismo.
 
Assim como durante a greve estudantil de 5 de março, a polícia voltou a estar presente em grande número e várias prisões foram efetuadas. Segundo informações imprensa local, diversos jovens foram detidos em conexão com vários incidentes após retrucarem a provocações de sionistas e outros fascistas.
 
Casos de repressão estatal também foram relatados em outras cidades. Por exemplo, em Essen, a polícia ameaçou apresentar queixa e exigiu a remoção de uma faixa com os dizeres “Merz, lamba suas bolas”. Em Münster, os dados pessoais de manifestantes que entoavam o mesmo slogan foram registrados. Em Wuppertal, as autoridades também ameaçaram apresentar queixas por faixas semelhantes. Em Munique, uma pessoa foi presa por carregar uma faixa com os dizeres “Merz, morra você mesmo na Frente Oriental”. A manifestação final também foi cercada por um cordão policial.
 
Diversas táticas usuais de intimidação estatal já haviam vindo à tona. Por exemplo, dois adolescentes que participavam do movimento de greve estudantil em Kiel relataram em um vídeo no Instagram que foram abordados pelo Escritório de Proteção da Constituição e pela Polícia Criminal Federal. Um deles disse que, a caminho da escola, foi parado por um homem que se dizia funcionário do serviço nacional de inteligência.
 
No entanto, esses métodos não impedem os estudantes de planejarem novas ações contra o rearme e os preparativos para a guerra. Os organizadores anunciaram que o próximo passo será uma mobilização de uma semana contra o Dia dos Veteranos, de 15 a 21 de junho. Depois disso, eles usarão as férias de verão para realizar reuniões internas dentro do movimento para organizar a próxima greve no outono.
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/11/26/alemanha-prefiro-morrer-como-uma-leoa-do-que-viver-como-um-cachorro-sobre-a-repressao-contra-a-2a-reuniao-internacional-em-hamburgo-contra-o-servico-militar-e-pela-rejeicao-de-todas-as-formas/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Apenas vós,
Árvores de tronco branco,
Me garantis que retornei.
 
Paulo Franchetti

[México] DF: Atividade anárkica contra todas as jaulas – 15/05

[Grécia] O “Kyriakos X” está navegando rumo a Gaza

Batizado em homenagem ao anarquista internacionalista Kyriakos Xymitiris, o barco “Kyriakos X” navega com a Freedom Flotilla Coalition (Coalizão da Frota da Liberdade) para romper o bloqueio genocida que o Estado sionista impôs a Gaza há décadas. Em homenagem à vida de Kyriakos, que se dedicou à luta pela justiça e pelos oprimidos, o barco também se solidariza com a resistência legítima do povo palestino, que nunca deixou de lutar para acabar com a ocupação colonialista de suas terras.
 
No dia 8 de maio, o Kyriakos X partiu do porto com outras 33 embarcações da Global Sumud Flotilla (Flotilha da Liberdade Global) e encontrou-se com outros quatro barcos da Freedom Flotilla Coalition no mar. O barco transporta 10 pessoas de cinco países diferentes, incluindo Grécia, Albânia, Reino Unido, Coreia, França e Guadalupe.
 
Historicamente, a Grécia tem desempenhado um papel de destaque no movimento das frotas desde o início. Em 23 de outubro de 2008, dois pequenos barcos de pesca transportando cerca de 44 pessoas do Movimento Free Gaza chegaram a Gaza; 10 eram cidadãos gregos. Foram os primeiros barcos a chegar à Gaza em cerca de 40 anos. Os barcos foram recebidos por dezenas de milhares de palestinos. O movimento, que mais tarde se tornou a Freedom Flotilla Coalition, prometeu então que “não pararia de navegar até que o cerco de Israel fosse quebrado”.
 
Um dos ativistas envolvidos no apoio a Kyriakos X lembra-se bem daquele dia. Como jovem palestino que vivia em Gaza na época, ele recorda como esses dois barcos lembraram ao povo palestino que não estavam sozinhos e que pessoas em todo o mundo lutavam por sua libertação.
 
Kyriakos X está agora cumprindo a promessa feita naquela época: nunca deixará de navegar até que a Palestina seja livre.
 
O movimento da frota é uma ação não violenta que navega legalmente em águas internacionais. O bloqueio imposto por Israel ao espaço aéreo, marítimo e terrestre de Gaza é ilegal – o país não tem jurisdição sobre as águas territoriais palestinas. Apesar disso, as forças de ocupação israelenses começaram a intensificar os ataques contra as frotas a partir de 2009, batendo contra os barcos para afundá-los, sequestrando, usando armas de choque e agredindo participantes, prendendo-os ilegalmente e, em 2010, assassinando 10 civis a bordo do “Mavi Marmara”. A violência de Israel contra o movimento da frota tem continuado desde então. A brutalidade e a impunidade de Israel foram ainda mais expostas durante seu recente ataque terrorista à frota Global Sumud, ocorrido perto da costa de Creta, na zona SAR grega, a 75 km do Peloponeso e a 1.240 km da Palestina. As forças militares israelenses sequestraram cerca de 175 civis, agrediram sexual e fisicamente alguns a bordo, torturaram outros, destruíram os barcos da frota e sequestraram Saif Abu Keshek e Thiago Avila, que foram detidos ilegalmente na Palestina ocupada. Advogados da Adalah relataram que eles apresentavam sinais de tortura em seus corpos.
 
Os demais ativistas da GSF foram eventualmente entregues às autoridades gregas, o que não apenas destacou o total desrespeito de Israel pelos direitos humanitários e internacional, mas também expôs até onde o governo grego está disposto a ir para facilitar e colaborar com os crimes de guerra de Israel.
 
A missão da frota não é simbólica. Trata-se de uma ação civil, direta e não violenta, de povo para povo, para enfrentar um sistema de apartheid, dominação, colonização e opressão que governos de todo o mundo têm permitido, do qual têm lucrado e que têm protegido há décadas.
 
Kyriakos X convoca as pessoas em terra a se mobilizarem – a luta pela libertação palestina está em todos os lugares onde empresas, instituições, mídia e governos cúmplices alimentam o genocídio de Israel com total impunidade. Israel e seus aliados devem ser responsabilizados por seus crimes contra o povo palestino. 

 
Kyriakos X convoca as pessoas de consciência a se concentrarem em desmantelar a maquinaria e a cadeia de abastecimento de armas que possibilita o genocídio de Israel: em portos, fábricas, escritórios corporativos e instituições governamentais. Eles convocam as pessoas do mundo a interromper o fluxo de armas para forçar os governos a reconhecerem sua cumplicidade. Este é um momento que exige uma escalada.
 
Enquanto a Freedom Flotilla Coalition e a Global Sumud Flotilla continuam navegando, cerca de 10.000 palestinos estão detidos em prisões israelenses, a maioria sem acusação ou julgamento. Muitos são torturados, sofrem agressões sexuais (inclusive por cães) e são assassinados. Centenas deles são crianças. Enquanto isso, a violência dos colonos e soldados israelenses em toda a Cisjordânia continua a se intensificar – crianças palestinas estão sendo alvejadas em escolas, suas casas são roubadas e suas colheitas ou gado são destruídos.
 
Ao mesmo tempo, a ilegal “Linha Amarela” de Israel está se expandindo em Gaza, e seu genocídio e bombardeio contra os palestinos presos lá dentro continuam. O genocídio de Israel no Líbano continua, e suas inúmeras violações dos chamados cessar-fogo são ignoradas pelos líderes mundiais. O mundo permanece em silêncio.
 
Os participantes do Kyriakos X não são heróis, são pessoas comuns que rejeitam o silêncio e a cumplicidade – decidiram usar seus corpos e privilégios para se colocar ao lado dos oprimidos, recusando-se a viver em um mundo onde o genocídio é normalizado e tolerado.


Ninguém é livre até que a Palestina seja livre.
 
Fonte: https://omniatv.com/853504826/to-kyriakos-x-pleei-se-allileggyi-pros-tin-katechomeni-gaza/
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/10/06/navegando-por-gaza/
 
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lua nublada
no alto da montanha
a solitária árvore
 
Alonso Alvarez