[Chile] Festival Antinazista de Punta Arenas

Sábado, 21 de março · A partir das 15h00

No extremo sul do mundo, onde o vento não se curva e a memória não se apaga, as ruas de Punta Arenas voltam a pulsar ao ritmo da rebeldia. Este dia 21 de março não é uma data qualquer: é um encontro com a dignidade.

As culturas punk, ska, rap de combate e reggae unem-se numa jornada que não é apenas música — é posicionamento, é comunidade organizada, é contracultura viva. Porque quando o fascismo tenta normalizar-se, a resposta não pode ser o silêncio.

A ação direta é autogestão, é apoio mútuo, é presença no espaço público, é dizer “aqui estamos” sem pedir permissão. É criar redes onde outros semeiam o medo. É erguer palcos onde outros erguem muros.

Este festival é mais do que um cartaz; é um gesto coletivo.

É a juventude a tomar a palavra.

É a cultura popular a dizer que não há espaço para o autoritarismo nem para a exclusão.

Não basta estar contra: é preciso estar presente.

Não basta indignar-se em privado: é preciso construir em comum.

Aproxima-te. Divulga. Participa.

Porque a liberdade não se delega.

Porque a memória não se negocia.

Porque a solidariedade se pratica.

Mais informações em @amenaza.anarkopunk

Saúde, Ska e Liberdade.

#ska #punk #antifa

agência de notícias anarquistas-ana

mar não tem desenho
o vento não deixa
o tamanho…

Guimarães Rosa

[Alemanha] “Não somos de esquerda nem extremistas – somos anarquistas e libertários.”

Comunicado de imprensa da iniciativa Fanny’s and Fanya’s sobre sua inclusão no relatório do estado da Renânia do Norte-Vestfália sobre extremismo de esquerda.

Há duas semanas, foi apresentado o relatório sobre a situação do extremismo de esquerda na Renânia do Norte-Vestfália.

O relatório menciona um cartaz do evento “Anarquia Verde – O que é Anarquismo Verde?” . O evento ocorreu em 2 de maio de 2025, em Bochum, e foi organizado pela iniciativa Fanny’s and Fanya’s para um centro anarquista.

O conteúdo consistia em uma análise crítica da civilização e do antropocentrismo.

O antropocentrismo coloca os humanos acima do resto do meio ambiente. É central para a ideia de querer dominar a “natureza” e, portanto, é parcialmente responsável pela destruição dos ecossistemas globais.

Essa classificação foi parcialmente correta no relatório de situação. No entanto, a classificação como de esquerda e extremista é inadequada do ponto de vista da iniciativa. Portanto, a Fanny’s and Fanya’s considera-se incorretamente incluída neste relatório de situação.

A companheira Leah Feldman explica:

“A Fanny’s and Fanya’s defendem consistentemente uma sociedade sem dominação, algo que muitos grupos de esquerda não defendem. Numerosos grupos do espectro marxista mencionados no relatório de situação almejam uma ditadura do proletariado. Vimos o que isso significa na RDA e na União Soviética. Parte disso envolve mais poder para a polícia e os serviços de inteligência, e uma expansão da vigilância estatal. Nessas aspirações, muitos grupos marxistas têm mais em comum com Herbert Reul e o restante do governo do estado da Renânia do Norte-Vestfália do que conosco.

Rejeitamos o uso do Estado como instrumento. Para nós, o Estado é o extremo. Ele serve para assegurar o domínio de uma elite baseada na opressão e exploração do restante da população.

Para manter essa ordem, sua polícia e forças armadas exercem violência massiva.

Sem o Estado e suas instituições aliadas, como o capitalismo e o colonialismo, não haveria catástrofe climática, pobreza ou guerras. Resistir a isso não é extremo, mas sim libertário. Uma ordem livre e democrática só pode existir sem um Estado.”

O nome “Fanny’s and Fanya’s” também alude ao fato de que ambas as homenageadas, Fanny Kaplan e Fanya Baron, foram assassinadas na luta contra uma ditadura marxista. Fanny Kaplan foi executada por atirar em Vladimir Lenin. O assassinato de Fanya Baron também ocorreu por ordem de Lenin.

Os princípios básicos do grupo incluem:

  • Autodeterminação e igualdade para todos os povos
  • Rejeição de todas as formas de misantropia
  • Tomada de decisão descentralizada e orientada para o consenso, envolvendo todos os afetados por uma decisão.
  • Abolição de todas as formas de dominação, incluindo o Estado, o capitalismo, o patriarcado, o colonialismo e o capacitismo.
  • Fim de todos os sistemas penais, incluindo prisões e polícia
  • Responsabilidade compartilhada em casos de abuso
  • A violência utilizada exclusivamente como meio de autodefesa contra a opressão e não para a imposição de interesses dominantes.
  • Rejeição de todo serviço militar e serviço militar obrigatório
  • O objetivo é lidar com os conflitos, sempre que possível, sem opressão ou violência.

Do ponto de vista da iniciativa, trata-se de defender uma ordem social verdadeiramente livre e equitativa. Isso contrasta com a ordem democrática baseada no Estado, que exige governo (“cracia”) e, portanto, não pode ser livre.

A designação da organização pelo Estado como um adversário político a ser combatido é, portanto, logicamente coerente. No entanto, seria factualmente correto listá-la em um relatório de situação separado sobre o anarquismo, em vez de classificá-la como extremista de esquerda.

Informações de contato

A iniciativa Fanny’s and Fanya’s está disponível para entrevistas (anônimas) à imprensa, em formato escrito, áudio ou vídeo. Entre em contato conosco pelo e-mail fannysandfanyas@riseup.net.

Atenciosamente,

A iniciativa Fanny’s and Fanya’s para um centro anarquista em Bochum

fannysandfanyas.noblogs.org

agência de notícias anarquistas-ana

Hora do recreio:
periquitos tagarelas
brigam pelas mangas.

Anibal Beça

[Alemanha] Caminhão da Bundeswehr incendiado: Solidariedade com os estudantes em greve!

Estudantes! Você está nas ruas porque não quer ser bucha de canhão.

A “greve escolar contra o recrutamento obrigatório” mobiliza milhares.

Em solidariedade à sua greve, incendiamos um caminhão de transporte “Elefant” da Bundeswehr (forças armadas unificadas da Alemanha), numa oficina de Lüneburg, na noite de 5 de março de 2026.

Ninguém nos protegerá dos supostos perigos, nenhum político, mas nem a expansão da Bundeswehr ou do rearmamento. Estudantes como você são acusados por alguns de serem egoístas e de precisarem defender a “pátria”. Isso é um absurdo – a guerra sempre beneficia os ricos e poderosos, não importa o Estado, não beneficia aqueles fardados e enviados à linha de frente. Isso, em primeiro lugar, ajuda a nossa aliança uns com os outros e, por exemplo, a atacar.

Se você não é estudante e está se perguntando o que pode fazer contra toda essa merda, existem muitas opções:

Se trabalha em empresa ou atividade que tenha cooperação com a indústria de armamentos e com militares, publique essas informações, atrase os processos e prejudique a produção, se recuse a trabalhar. Seja uma empresa de tecnologia, fábrica, universidade ou escola, a guerra é preparada e manejada em inúmeros lugares.

Vamos sabotar a guerra juntos!

Imprensa: https://www.ndr.de/nachrichten/niedersachsen/lueneburg-lkw-der-bundeswehr-ausgebrannt-staatsschutz-ermittelt,bundeswehr-1010.html

Fonte: https://barrikade.info/article/7400

Tradução > CF Puig

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/03/05/alemanha-berlim-protesto-anarquista-contra-o-recrutamento-militar-obrigatorio-no-dia-da-greve-estudantil/

agência de notícias anarquistas-ana

Sabiá quieto.
O silêncio da tarde
Pousa na antena.

Camila Jabur

[Grécia] Semana Internacional de Ações Solidárias com os companheiros presos e em memória do guerrilheiro armado Kyriakos

Caros companheiros e companheiras, na sequência do nosso último e-mail relativo à Semana Internacional de Ação Solidárias com os companheiros presos no caso Ampelokipoi e em memória do combatente armado Kiriakos Ximitiris, escrevemos para vocês para informar sobre o início do julgamento na quarta-feira, 1° de abril, às 9h, no Tribunal de Apelação de Atenas, Grécia.

Portanto, ficou decidido que a Semana Internacional de Ações Solidárias ocorrerá de 24 a 31 de março. Em Atenas, haverá uma manifestação no centro da cidade, na Praça Syntagma, na sexta-feira, 27 de março, às 19h.

Apelamos à sua resposta através de manifestações/ações de solidariedade nas suas cidades, para que nos unamos no sentido de dar visibilidade ao caso e expressar a nossa solidariedade inegociável com os companheiros presos – tendo em conta a iminente batalha jurídica e política que enfrentam – na luta pela sua libertação e na defesa da memória do nosso companheiro Kiriakos Ximitiris.

Semana Internacional de Ações 24-31 de março | Manifestação de solidariedade no Tribunal de Apelação de Atenas 1° de abril, 9h (início do julgamento)   https://athens.indymedia.org/post/1640139/

Saudações companheiros e companheiras,

Assembleia de Solidariedade com combatentes presos, fugitivos e processados

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/03/16/grecia-solidariedade-internacional-pelo-caso-ampelokipoi/

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e um vaga-lume
lanterneiro que riscou
um psiu de luz

Guimarães Rosa

[Indonésia] O camarada anarquista Dena foi transferido para a prisão de Kebon Waru antes do julgamento.

O camarada anarquista e rapper detido, Dena (Maditya Dena), também conhecido como Apip ou Scoobydoomz , foi transferido da sede da polícia paramilitar de Java Ocidental para a prisão de Kebon Waru, em Bandung. A transferência ocorreu após a apresentação de acusações formais contra ele. Dena é acusado da destruição do Banco Hana, em Bandung, juntamente com o camarada Adit, que também é acusado no mesmo caso e aguarda julgamento. Dena sofre de problemas de saúde relacionados como o seu estado de soropositivo e, na prisão, é difícil obter os medicamentos necessários, que são caros. Dena estava sendo mantido isolado dos demais camaradas do Chaos Star . Espera-se que Dena e Adit enfrentem penas de dois anos ou menos pela destruição de propriedade; no entanto, Adit também enfrenta 25 anos de prisão pelo atentado a bomba contra um posto policial, em um julgamento paralelo, referente a uma ação ocorrida em 2024.

Fogo nas prisões! Fogo no estado!

Envie uma mensagem de solidariedade ao camarada Dena, em inglês ou indonésio:

Maditya Dena
JI. Jacarta No.42-44,
Kebonwaru, Kec. Batununggal,
Kota Bandung, Jawa Barat
Indonésia

Palang Hitam/ABC

>> Videoclipes: 

https://youtu.be/fSLda-qk-Io 
https://youtu.be/gQXqj3j-sPk 
https://youtu.be/A07PnT7WkFg 

Fonte: https://darknights.noblogs.org/post/2026/03/12/anarchist-comrade-dena-in-prison-transfer-to-kebon-waru-prison-before-trial-indonesia/ 

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/02/20/indonesia-atualizacoes-sobre-os-julgamentos-de-presos-politicos-anarquistas-em-bandung/

agência de notícias anarquistas-ana

No pé de goiaba,
moleques em algazarra,
roubando sem culpa.

Reneu do Amaral Berni

[Grécia] Na Trilha da Luta: Lambros Fountas presente!

Em 10 de março, há 16 anos, Lambros Fountas, membro da organização Luta Revolucionária, foi morto a tiros pela polícia. O assassinato do camarada anarquista ocorreu durante uma ação preparatória da organização em Dafni, em meio a um confronto armado com as forças policiais.

O movimento anarquista, desde os seus primórdios, defendeu e continua a defender a memória e o conteúdo da ação do combatente armado Lambros Fountas através de marchas, eventos e ações. A própria organização da qual ele era membro realizou um atentado ao Banco da Grécia em 2014, dedicando-o ao seu camarada caído, assumindo a responsabilidade sob a assinatura “Comando Lambros Fountas”, prestando assim homenagem ao revolucionário.

Lambros Fountas, como membro da organização revolucionária armada Luta Revolucionária, optou por agir através do contra-ataque proletário armado num momento em que a base social era afetada por medidas de austeridade. Medidas impostas pela elite local e internacional para evitar a falência do sistema bancário europeu. E enquanto políticos e gestores públicos apresentam os memorandos e contratos como “meios de salvação”, nós os vivenciamos como cortes salariais e de pensões, como um presente empobrecido e um futuro incerto.

A organização Luta Revolucionária lutou contra essa condição, visando os economicamente poderosos e combatendo vigorosamente as medidas dos memorandos. Optou por criar condições de instabilidade política, dificultando a erosão da base social, deixando um grande legado no movimento revolucionário internacional e nacional. Com ações contra “organizações” predatórias – Banco da Grécia, Banco da Cidade, etc. –, a bolsa de valores e os assassinos fardados da MAT [polícia militar], defendeu a revolução social armada, escrevendo novos capítulos no livro da história revolucionária.

E talvez o camarada Lambros Fountas e eu nunca tenhamos nos encontrado, nunca lutado lado a lado. Mas o fio condutor da memória revolucionária une exatamente isso: combatentes, movimentos e lutas que, embora tenham se desenvolvido em diferentes cantos do planeta e em diferentes espaços e tempos, compartilharam uma angústia e uma visão de libertação em comum. Assim, a preservação da memória revolucionária está longe de ser um processo neutro. É um espinho no esquecimento e uma fenda na história dos governantes. É por isso que assegurá-la faz parte da nossa própria luta, parte do presente e do futuro. É por isso que, embora o passado tenha sido manchado de sangue, nossos mortos conseguiram preencher o tinteiro da história revolucionária. E mesmo que não tenhamos caminhado ao lado deles, caminhamos junto a eles. E mesmo que não tenhamos escolhido o mesmo caminho, olhamos para os mesmos céus. Porque compartilhamos os mesmos sonhos e esperanças, experimentamos os mesmos medos e fúrias. Assim, a luta deles, a maneira como agiram e como caíram, é uma luta convidativa, um ponto de partida e uma ocasião para novos ciclos de resistência. E enquanto mantivermos viva a memória revolucionária, manteremos viva também a nossa história. Uma história construída sobre os sorrisos e olhares de camaradagem do nosso povo, dos nossos amigos e dos nossos parceiros. Como o nosso camarada Kyriakos Xymitiris, que caiu em combate há quase um ano e meio, em 31/10/2024, vítima da explosão em Ampelokipi. Um camarada que vislumbrava um mundo de igualdade e liberdade. Um mundo justo, construído sobre as ruínas do antigo.

Portanto, por Lambros Fountas, Kyriakos Ximitiris e todos os outros combatentes que se viam como parte da história revolucionária e se entregaram à luta, chegou a nossa vez de fazer de suas mortes uma causa de guerra. De honrar nossa história e nossas responsabilidades e de encarar suas mortes como uma motivação para continuar a luta.

LAMBROS FOUNTAS IMORTAL

KYRIAKOS XYMITIRIS PRESENTE

LIBERTAÇÃO IMEDIATA DO CAMARADA NIKOS MAZIOTIS

ACABEM IMEDIATAMENTE COM O SEQUESTRO FINANCEIRO DA CAMARADA POLA ROUPA

Mariana Manoura

Dimitra Zarafeta

Prisão feminina de Korydallos.

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1640123/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/03/30/grecia-em-homenagem-ao-companheiro-lambros-fountas/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/03/15/grecia-a-luta-pela-revolucao-social-continua-viva-o-refratario-lambros-foundas-e-imortal/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/03/10/grecia-agrinio-lambros-fountas-presente/

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nuvem que passa,
o sol dorme um pouco –
a sombra descansa

Carlos Seabra

[França] Tenda militante para festa e protesto

‘Chapiteau’ é um projeto anarco-radical-feminista com preços (quase) flexíveis, do tipo “pague o quanto quiser”.

L’équipe du chapitoto ~

Em 2025, entre Castres e Toulouse, uma pequena equipe nossa se animou a lançar este projeto, maior do que nós: a tenda de protesto. Na realidade, alugar tendas ao longo da rodovia A69 sempre foi incrivelmente caro (chega a mais de 3.000 euros por tenda), e dependíamos muito de empresas profissionais que não estavam dispostas a arriscar os seus equipamentos em uma única instalação, além de estarmos bem cansados das configurações ditadas pelas autoridades.

Também achamos que, dado todo o suporte logístico que recebemos (dezenas de banheiros, barracas de comida incríveis, tendas, mesas e bancos, sistema de som…) e o ótimo clima no grupo, seria ótimo tentar.

No final do Turbo Teuf (festival local), tínhamos uma boa grana. Graças à criatividade, a autoindicações, a subsídios de organizações envolvidas no projeto A69 e às generosas caixas de doações e do bar, lotados com o sucesso e a boa presença no evento, a equipe precisou decidir sobre os lucros.

Havia três opções principais que pareciam consistentes com as doações recebidas: adiar o evento para outra festa, e correr o risco de precisar decidir dentro de um grupo pequeno e mais velho; contribuir ao fundo antirrepublicano, onde é impossível saber quanto será necessário; ou gastar o dinheiro em itens relacionados à militância do evento e que animaria mais pessoas. O resultado dos debates intermináveis foi que parte do dinheiro permaneceria intacto, porque nunca se sabe, e o restante poderia ser gasto em equipamentos, incluindo a tenda!

Algumas pessoas procuraram uma tenda, depois um grupo se reuniu, e fizemos algumas instalações. Nossa utopia é um grupo aberto, rotativo e inclusivo, uma cobertura compartilhada com amigos etc. Só que, até agora, são principalmente pessoas que já se conhecem bem. Como a quantidade enorme de segurança e o tempo que levamos para aprender a organizar o pessoal corretamente com um grupo já bem estabelecido é um pouco avassalador, achamos que a inclusão acontece mais por interações pessoais ou organizando eventos.

Para iniciar, a tenda precisa estar alinhada com a nossa visão, ser boa para a logística, e ter pessoas suficientes para ajudar no dia.

Politicamente falando, a tenda militante é um projeto anarco-radical-feminista, anticapitalista, e tudo mais. Queremos que seja uma ferramenta para lutas sociais. Por isso, estamos ansiosos para discutir com os organizadores do evento ao qual vamos (dependendo da disponibilidade de todos) para ver se está alinhado com os nossos valores, especialmente nossas posições antiautoritárias, feministas e antirracistas.

Logisticamente, manter uma tenda exige acesso de veículos, uma área plana onde possamos montar os grandes pinos da barraca, e um espaço plano de 31×35 metros. Para os custos, cobrimos seguro, suprimentos e despesas diversas com 500 euros por saída, além de despesas de viagem de 40 centavos por quilômetro a partir de Toulouse. Depois disso, é o ‘pague o que você quiser’, por exemplo, para ajudar quando recebemos multas de estacionamento, pagar por espaço de armazenamento se não encontrarmos algo de graça (ajuda!), para comprar equipamentos elétricos e iluminação, ou ajudar ainda àqueles que precisam tirar a licença de trailer.

Em relação às reservas, nunca é tarde para nos contatar; é uma ótima vantagem poder confirmar sua participação três dias antes do evento, caso esteja com pouco tempo. No entanto, o melhor é entrar em contato conosco o quanto antes. Confirmaremos em uma reunião do grupo, com base na disponibilidade, em restrições logísticas ou na facilidade de planejamento, além do alinhamento político geral do evento.

Entre em contato conosco pelo Signal em @chapitoto.03 ou por e-mail em chapitoto@systemli.org se tiver alguma dúvida ou solicitação. Para o verão de 2026, temos uma série inicial de validações agendada para o início de março.

Acabisous,

A equipe Chapitoto

Fonte: https://valleesenlutte.org/spip.php?article1029

Tradução > CF Puig

agência de notícias anarquistas-ana

amanhece
sol atrás do prédio
vestindo-se de luz

Alonso Alvarez

Nem com os Mísseis de Washington, Nem com os Fuzis de Teerã: A Guerra é a Mesma Morte para o Povo

As guerras são a saúde do Estado. Esta máxima, cunhada há mais de um século pelo sociólogo Randolph Bourne, permanece mais atual do que nunca. Em fevereiro de 2026, os Estados Unidos e Israel desencadearam mais um ataque militar contra o Irã. Enquanto os mísseis teleguiados cruzam as fronteiras e as bombas inteligentes são lançadas com precisão cirúrgica sobre alvos “estratégicos”, o que vemos é a engrenagem mais fundamental do poder estatal sendo lubrificada com sangue.

A máquina de guerra não é um desvio na trajetória dos Estados; ela é o seu motor principal. Para os Estados Unidos, o complexo industrial-militar é uma fatia crucial da economia: contratos bilionários com a Lockheed Martin, a Raytheon, a General Dynamics. As ações sobem, os acionistas lucram, os generais ganham promoções e os políticos recebem financiamentos de campanha. A guerra no Irã não é um acidente de percurso, é um negócio. É a garantia de que o Pentágono continuará a consumir mais recursos do que qualquer programa social. Enquanto isso, jovens americanos são enviados para morrer ou matar em nome da “segurança nacional”, quando na verdade estão servindo aos lucros de uma elite que nunca verá um campo de batalha.

Mas não nos enganemos: o Estado iraniano, alvo dos bombardeios, é tão vil quanto seus agressores. O mesmo regime que agora vê seu território ser violado por potências estrangeiras é o mesmo que, em janeiro de 2026, assassinou a sangue frio pelo menos 250 mulheres nos protestos internos. É o mesmo que, em 2025, executou 55 mulheres, prendeu arbitrariamente outras 182 e condenou 80 ativistas a penas de prisão, açoites e morte. É o regime que registrou, no mínimo, 207 feminicídios no mesmo período, muitos deles disfarçados de “crimes de honra”. As mulheres curdas, em particular, sofrem uma dupla opressão: 24 delas foram mortas nas manifestações de janeiro, e outras 30 foram vítimas de feminicídio apenas nas províncias curdas em 2025.

O ataque dos EUA e de Israel não é uma missão de libertação. Não se enganem com o discurso humanitário que tenta justificar a intervenção. Os mesmos Estados que bombardeiam Teerã são os que armam e financiam ditaduras na região, os que fecham os olhos para os massacres quando convém. A “preocupação” com as mulheres iranianas é uma cortina de fumaça para esconder interesses geopolíticos: petróleo, gás, corredores estratégicos, hegemonia regional. Enquanto isso, as verdadeiras vítimas — as mulheres, os curdos, os bahá’ís, os ativistas — continuam sendo esmagadas entre o martelo do Estado teocrático iraniano e a bigorna do imperialismo ocidental.

A guerra fortalece os Estados de ambos os lados. Em Teerã, o ataque estrangeiro serve para unificar a população em torno do regime, silenciar as vozes dissidentes e justificar uma repressão ainda mais brutal. Em Washington, a guerra desvia a atenção dos problemas internos, infla o orçamento militar e reforça o controle social sob o manto do patriotismo. Os Estados se alimentam mutuamente, como predadores que competem pela mesma presa: a população.

Nós, anarquistas, não temos pátria, nem exército, nem bandeira. Não torcemos por um Estado contra o outro. Nos opomos a todos os Estados, a todas as fronteiras, a todos os exércitos. Denunciamos a hipocrisia dos que falam em direitos humanos enquanto vendem armas. Denunciamos a tirania dos aiatolás e a tirania dos generais do Pentágono. Ambas se sustentam pela violência, pela hierarquia e pela exploração.

A verdadeira solidariedade não está em escolher lados na guerra entre Estados, como alegremente a Esquerda faz, mas em apoiar as lutas autônomas das pessoas comuns contra toda forma de dominação. As mulheres do Irã que enfrentaram os fuzis da Guarda Revolucionária em janeiro merecem nosso apoio incondicional — não os mísseis que agora caem sobre suas cabeças em nome de uma “libertação” que nunca chegará.

Fora com a guerra dos Estados! Abaixo o patriarcado e o capitalismo que a alimentam! Que as armas se calem e que as ruas voltem a ser das pessoas, não dos exércitos.

Sem deuses, sem senhores, sem pátrias, sem fronteiras. Pela autonomia e pela vida.

Fonte: https://libertoherrera.noblogs.org/2026/03/13/nem-com-os-misseis-de-washington-nem-com-os-fuzis-de-teera-a-guerra-e-a-mesma-morte-para-o-povo/

agência de notícias anarquistas-ana

Vassoura encostada —
Um grande ipê amarelo
derrama-se em flores.

Reneu do Amaral Berni

[França] Léo Malet: a fascinação pelo ilegalismo

O escritor de romances policiais parisiense, que morreu há 30 anos, foi, a vida inteira, anarquista, e continua popular até hoje.

Maurice Schuhmann ~

O escritor francês anarquista e surrealista de romances policiais, Léo Malet, faleceu em 3 de março de 1996 sentado à frente da televisão. Nascido em Montpellier em 1909, envolveu-se no movimento anarquista desde cedo e escreveu para jornais como Le Libertaire e L’En-Dehors. Sua associação com este último não é surpreendente, assim como o editor, o antigo tolstoyano Emile Armand, Malet não se distanciou dos ilegalistas da época, mas simpatizou com eles, seja com Jules Bonnot e sua gangue, cuja história, mais tarde, incorporou ao romance La Vie est dégueulasse, ou com Marius Alexandre Jacob.

Mais tarde, colaborou com os surrealistas, notadamente, André Breton, assim como com trotskistas. O anarquismo, no entanto, permaneceu como presença constante na sua obra.

A partir de 1943, publicou romances policiais, entre outras obras, sob vários pseudônimos – por exemplo, JohnnyMetal. Em sua autobiografia La Vache Enragée, ele citou como uma de suas principais fontes de inspiração o cavalheiro ladrão Arsène Lupin, criado por Maurice Leblanc. Mais conhecido pelas histórias centradas no detetive particular Nestor Burma, que se caracterizam sobretudo por sua cor local parisiense distinta e pela paródia da ficção policial americana popular da época.

Inspirado por Os Mistérios de Paris, o romance moralizante do meio do século XIX escrito pelo socialista Eugène Sue, criou o ciclo Os Novos Mistérios de Paris. Cada romance da série se passa em um distrito diferente de Paris. Experiências autobiográficas, incluindo o envolvimento no movimento anarquista, surgem repetidamente nessas obras. A bem-sucedida série de livros foi adaptada várias vezes para o cinema, para quadrinhos, notadamente pelo artista anarquista Jacques Tardi, e produzida como reportagens para rádio. Ele recebeu diversos prêmios prestigiados de escrita policial e as suas obras continuam sendo reeditadas até hoje.

Além disso, escreveu a chamada “trilogia negra” de crítica social, que inclui o já mencionado romance sobre Bonnot. São histórias sobre azarões e marginais da sociedade francesa. Do ponto de vista atual, porém, também há motivos para críticas, especialmente sobre representações às vezes estereotipadas nos romances que beiram clichês racistas, especialmente em relação a personagens de origem árabe.

A autobiografia, que mencionamos, La Vache Enragée, vale muito a leitura, e dá uma visão abrangente do anarquismo contemporâneo e da sociedade francesa.

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2026/03/03/leo-malet-a-fascination-with-illegalism/

Tradução > CF Puig

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/06/15/landmark-publica-edicao-bilingue-de-arsene-lupin-um-ladrao-refinado-e-anarquista/

Agência de notícias anarquistas-ana

Escurece rápido.

Insistente, a corruíra

cisca no quintal.

Jorge Fonseca Jr.

[Espanha] 17 de março: greve geral

Nossa luta não se resume ao salário. Não queremos apenas vender mais cara a nossa força de trabalho; queremos questionar o modelo que nos obriga a vendê-la para sobreviver. Por isso, defendemos uma jornada de trabalho de 30 horas semanais sem redução salarial, como forma de repartir o trabalho, redistribuir a riqueza e recuperar tempo de vida. Defendemos também uma aposentadoria digna após 30 anos de contribuição, porque prolongar indefinidamente a vida laboral é um roubo de tempo e saúde.

Reivindicamos um Salário Mínimo Interprofissional (SMI) verdadeiramente universal que inclua aqueles que hoje ficam de fora: trabalhadoras do lar, pessoas migrantes, setores informais e precarizados. Exigimos soluções reais para o problema da moradia, a paralisação dos despejos e o fortalecimento de um parque público efetivo. E defendemos, sem ambiguidades, os serviços públicos contra as privatizações e cortes que transformam direitos básicos em negócio.

A CNT participará das mobilizações do dia 17 de março porque a greve é uma ferramenta legítima de confronto contra o patronato e o Estado. Vamos para fortalecer a organização operária, não para delegar nossa força nem para aceitar limites impostos de cima. Por isso, apostaremos na coordenação com outras forças e organizações que defendam os interesses coletivos da classe trabalhadora, de forma horizontal e distante dos interesses institucionais. A emancipação da classe trabalhadora será obra da própria classe trabalhadora.

SALÁRIO MÍNIMO INTERPROFISSIONAL UNIVERSAL E DIGNO!

REDUÇÃO REAL DA JORNADA DE TRABALHO SEM REDUÇÃO SALARIAL!

REVOGAÇÃO DAS REFORMAS TRABALHISTAS!

FIM DA PRECARIEDADE, DA TEMPORARIEDADE E DOS ABUSOS PATRONAIS!

CONDIÇÕES DE TRABALHO E DE VIDA DIGNAS!

Fonte: https://irunea.cnt.es/sindical/17-de-marzo-huelga-general/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Laranjais em flor.
Ah! que perfume tenuíssimo…
Esperei por ti…

Fanny Dupré

[Reino Unido] Concerto beneficente solidário em 21 de março para a Cruz Negra Anarquista Indonésia Palang Hitam (sul de Londres)

Concerto beneficente solidário para a Cruz Negra Anarquista Indonésia Palang Hitam, para ajudar com assistência jurídica após a insurreição de agosto de 2025.

21 de março, The Birds Nest, 32 Deptford Church Street, SE8 4RZ

Início às 20h, doação sugerida de 5 libras.

Este texto é o verso do panfleto do concerto beneficente de solidariedade:

A Indonésia é um arquipélago de exploração cancerosa, da qual o Reino Unido é cúmplice, com um valor de 2,86 bilhões de dólares. A British Petroleum vem devastando a paisagem da Papua Ocidental há 20 anos, pagando ao exército local para assassinar e torturar a resistência indígena, a fim de obter “gás natural”. A mercadoria que o Reino Unido importa em maiores quantidades da Indonésia é o níquel. As minas de níquel devastaram as florestas de Sulawesi, provocando o envenenamento em massa das fontes de água através do seu processamento químico.

Este metal é particularmente necessário para as baterias elétricas que o Reino Unido consome para a proliferação de veículos elétricos, como parte de sua transição “verde” totalitária. Os centros urbanos da Indonésia estão repletos de gigantescas favelas de material humano “excedente”, excluído da economia mundial. A luta desesperada pela sobrevivência sob este regime cria condições ideais para o recrutamento para a escravidão moderna das fábricas exploradoras que fabricam e exportam tênis Nike.

As elites que governam o Estado na Indonésia recompensam-se com corrupção extravagante pelo seu papel diligente como executores das exigências deste mercado global. Este ano, a máfia parlamentar votou a favor de um aumento salarial significativo, o que desencadeou protestos em massa em todo o país. Em agosto de 2025, um veículo blindado que perseguia um desses protestos atropelou mortalmente um motorista de motocicleta que fazia entregas. Já chega!

O arquipélago explodiu em tumultos violentos, queimando e destruindo todos os símbolos visíveis do poder em seu caminho, espalhando-se por toda parte, de forma incontrolável. Assim como no Nepal, Madagascar, Marrocos, Irã e muitos outros lugares, os despossuídos despertaram em alegre conspiração contra os regimes que os aprisionavam.

Desde então, a vingança repressiva na Indonésia tem sido implacável. Os “anarquistas” foram designados pelos juízes e pelos estúdios de televisão como os inimigos do momento. Eles foram claramente destacados não apenas por sua presença apaixonada e intransigente entre seus irmãos e irmãs explorados na revolta, mas também pela continuidade de sua luta revolucionária antipolítica, que abrangeu desde a resistência auto-organizada contra a apropriação de terras até ataques noturnos à bancos e postos policiais durante anos – ações que enriqueceram a imaginação da revolta no território.

Estão ocorrendo prisões em massa, a tortura é generalizada, muitos companheiros estão na prisão, muitos foram levados à clandestinidade. Para o Estado, todo o movimento anarquista deve pagar o preço pelo despertar da dignidade ferida que abalou os alicerces da normalidade daquele arquipélago saqueado.

A luta continua. A Cruz Negra Anarquista da Indonésia, Palang Hitam, apelou aos camaradas internacionais para que apoiem neste momento sombrio de terror estatal. Consideramos necessário responder e também divulgar, tanto quanto possível, a natureza e a qualidade da luta pela liberdade, que não se extinguiu e para a qual só podemos contribuir expandindo a luta contra todas as formas de poder, onde quer que estejamos.

Divulgação: alguns anarquistas do sul de Londres

Fonte: https://darknights.noblogs.org/post/2026/02/25/solidarity-benefit-gig-21-march-for-the-indonesian-anarchist-black-cross-palang-hitam-south-london-uk/

Tradução > Reno Moedor

agência de notícias anarquistas-ana

Tens frio nos meus braços
Queres que eu aqueça
O vento

Jeanne Painchaud

[Grécia] Solidariedade internacional pelo “caso Ampelokipoi”

Camaradas,

Estamos enviando este e-mail para informá-los sobre os desdobramentos recentes relativos ao julgamento dos companheiros presos no caso Ampelokipoi e também para compartilhar nossas ideias sobre a organização de dias internacionais de ações de solidariedade.

Nas próximas semanas, está previsto o início do julgamento, quase um ano e meio após a explosão na rua Arkadias, em 31/10/24, que teve como trágica consequência a perda do nosso querido camarada Kyriakos Xymitiris, bem como a prisão das camaradas Marianna e Dimitra, dos camaradas Dimitris e Nikos, e A.K. Acreditamos que a mobilização do movimento em torno do seu apoio político e moral, bem como da sua defesa durante este período, é de importância crucial.

À medida que nos aproximamos da data do início do julgamento, gostaríamos de compartilhar nossa ideia de convocar uma Semana Internacional de Ações Solidárias com os companheiros presos e em memória do guerrilheiro armado Kyriakos, na semana imediatamente anterior à primeira audiência no tribunal. Como ainda não sabemos as datas exatas, o objetivo deste e-mail é fornecer uma atualização inicial para que grupos e indivíduos, tanto locais quanto internacionais, possam começar a discutir e se preparar em torno da questão e garantir um certo nível de preparação. Entraremos em contato novamente assim que confirmarmos as datas e detalhes adicionais.

Por fim, enquanto assembleia, há algum tempo organizamos ações no âmbito de uma campanha sobre o caso, cujo eixo principal é “Quem está colocando nossas vidas em risco? Certamente não aqueles que lutam”. Compartilhamos isso para que vocês fiquem informados e, caso tenham interesse, possam agregar esse conteúdo a futuras ações de solidariedade.

Gostaríamos muito de saber sua opinião também.

Em solidariedade,

Assembleia de Solidariedade com combatentes presos, fugitivos e processados

E-mail de contato: synelallil@riseup.net

Tradução > acervo trans-anarquista

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/11/07/ataques-e-memoriais-para-kyriakos-xymitiris/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/10/30/grecia-tres-dias-de-memoria-e-luta-pelo-companheiro-kyriakos-xymitiris-e-pela-causa-de-ampelokipoi/

agência de notícias anarquistas-ana

no filme mudo
uma ave que eu cria extinta
está cantando

LeRoy Gorman

[Itália] A guerra nunca é a solução. Solidariedade internacionalista. Deserção

O recente ataque de 28 de fevereiro conduzido pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã não é um ato isolado, nem um acidente da história. É a enésima manifestação bem planejada de uma lógica imperial que disfarça a agressão como defesa, a supremacia como segurança, a guerra como necessidade moral, o imperialismo capitalista como democracia. Nós sabemos, toda potência, quando ataca, invoca a prevenção; toda bomba é bem embalada por uma linguagem técnica, cirúrgica, inevitável e até mesmo por palavras de paz. Mas já sabemos quem pagará o preço de tal violência, as vítimas continuam sendo sempre as mesmas: crianças, trabalhadores, pobres, jovens mandados para morrer, famílias que perdem casa e futuro, os povos oprimidos. E sabemos também que a desordem que se seguirá a esta agressão favorecerá novas guerras e novos fundamentalismos.

Os regimes podem ser combatidos e derrubados apenas pelos seus próprios povos e é certo que também os movimentos populares que combateram o regime iraniano nestes anos serão atropelados pela arrogância imperialista americana. Que fique claro, não existem guerras humanitárias, nem bombardeios libertadores. As guerras são escolhas políticas, não fenômenos naturais. Existe uma estrutura global de dominação que se alimenta do medo, do nacionalismo e da submissão voluntária. Os governos falam de ameaças existenciais, mas a única ameaça permanente para os povos é justamente o contínuo e histórico entrelaçamento criado pelos Estados, entre poder militar, interesses econômicos, máfias e propaganda midiática.

A verdadeira segurança nasce da justiça social, da cooperação entre os povos, do fim da pilhagem econômica que alimenta os conflitos. A verdadeira prevenção é desmantelar as estruturas estatais que produzem a guerra: bases militares, complexos industriais bélicos, alianças fundadas na ameaça permanente e todas as leis estatais repressivas que atingem toda forma de dissenso.

Às guerras é preciso responder com a deserção. Desertar, significa hoje, antes de tudo, desertar da propaganda. Recusar o ódio étnico e religioso. Recusar a retórica da guerra inevitável, recusar o medo da liberdade verdadeira. Significa apoiar a objeção de consciência, proteger quem se opõe aos imperialismos, construir redes de solidariedade internacional a partir da base. Significa opor-se à militarização das nossas sociedades e dos nossos territórios, de Birgi até o Muos e Sigonella, defender espaços de autonomia, mutualismo, organização direta.

Criticamos sem ambiguidade toda forma de imperialismo, de qualquer bandeira e Estado que provenha. Denunciamos a hipocrisia de quem fala de direito internacional enquanto o pisoteia. E lembramos que nenhum povo é nosso inimigo.

Se há uma chama para acender, é a da solidariedade entre oprimidos.

Se há uma deserção a realizar, é a da obediência cega.

Se há uma revolução a preparar, é aquela que torna a guerra impossível porque torna impossível o domínio sobre nossas vidas.

Que as consciências despertem. Que o medo se transforme em raiva. Que o poder saiba que não pode mais contar com a nossa passividade e com o nosso medo de ser livres.

Contra todo Estado. Contra todo regime.

Contra a guerra imperialista, Deserção, Solidariedade Internacional.

Só uma sociedade de livres e iguais varrerá todo imperialismo.

Federação Anarquista Siciliana

02.03.2026

Fonte: https://umanitanova.org/la-guerra-non-e-mai-la-soluzione-solidarieta-internazionalista-diserzione/   

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

ave calada –
ninho em silêncio
na madrugada

Carlos Seabra

O massacre de mulheres no Irã em números

Nos protestos de janeiro de 2026, pelo menos 250 mulheres foram mortas em todo o país, inclusive nas regiões curdas (Rojhilat ou Curdistão Oriental). Além disso, em 2025, 55 mulheres foram executadas, 182 mulheres presas e outras 80 foram condenadas à prisão, açoites ou morte. Além desses números, foram registrados 207 casos de feminicídio em todo o país no mesmo período.

Relatório Hengaw 2026: O custo trágico para as mulheres no Irã

Por ocasião do dia 8 de março de 2026, a organização de direitos humanos Hengaw publicou um alarmante relatório estatístico. O relatório documenta repressão estatal sem precedentes e persistência crítica da violência de gênero em todo o Irã.

O início de 2026 foi banhado em sangue

Os protestos de janeiro de 2026 foram violentamente reprimidos. A Hengaw relata que pelo menos 250 mulheres foram mortas a tiros, incluindo 25 adolescentes. Até o momento, já foram formalmente verificadas as identidades de 204 vítimas. As províncias mais afetadas são a de Teerã (61 mortas) e de Isfahan (29 mortas). Entre os alvos identificados estão muitas alunas, professoras e profissionais de saúde.

2025: Ano recorde de execuções

O ano de 2025 marcou um recorde sombrio com a execução de 55 mulheres em prisões iranianas, o maior número nos últimos 25 anos.

  1. Opacidade judicial: Somente 7% das execuções foram anunciadas pela mídia estatal, e muitas ocorreram em segredo.
  2. Minorias alvo: Entre as condenadas, se destacam as mulheres de minorias étnicas (curdas, turcas, lores e gilaks).

Judicialização da militância e do feminicídio

O sistema judiciário continua sendo usado como ferramenta de pressão política. Em 2025, 80 ativistas foram condenadas à prisão (totalizando mais de 354 anos), e condenadas a açoites, bem como a pena de morte (como para Nasimeh Eslamzehi e Zahra Shahbaztabari). Ao mesmo tempo, foram registradas 182 prisões arbitrárias, afetando as mulheres bahá’ís e curdas principalmente.

Por fim, a violência doméstica e social continua endêmica, com 207 feminicídios registrados em 2025. O relatório destaca que 14,5% desses assassinatos estão ligados a crimes de “honra“, como são chamados, com frequência cometidos por parentes próximos (maridos, pais, irmãos) em um contexto legislativo que se empenha em proteger as vítimas.

Foco no Curdistão

No Curdistão, a repressão é dupla: pelo menos 24 mulheres curdas foram mortas nas manifestações de janeiro (incluindo 3 menores) e outras 50 foram presas. Em 2025, 30 casos de feminicídio também foram documentados nas províncias curdas, atestando a insegurança política e civil persistente.

Fonte: https://kurdistan-au-feminin.fr/2026/03/09/iran-le-massacre-des-femmes-en-chiffres/

Tradução > CF Puig

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/06/28/nobel-da-paz-denuncia-tortura-branca-contra-mulheres-confinadas-em-prisoes-do-ira/

agência de notícias anarquistas-ana

velho haicai
séculos depois
o mesmo frescor

Alexandre Brito

[Grécia] Atenas: Solidariedade com a comunidade de refugiados ocupada

Num período em que os Estados admitem abertamente que nada mais têm a prometer às sociedades senão guerra, pobreza, morte e repressão, vislumbramos imediatamente o cenário que os nossos líderes políticos e econômicos nos estão a preparar: guerra no estrangeiro e a perpetuação do estado de emergência em território nacional. Um período em que, simultaneamente, os bens sociais públicos são desvalorizados e privatizados, os assassinatos em campos de trabalho forçado aumentam, a exploração laboral se intensifica e as políticas criminosas anti-imigração conduzem a massacres nas fronteiras terrestres e marítimas. Neste contexto, os Estados protegem-se contra os “inimigos internos”, ou seja, contra aqueles que não aceitam esta realidade como uma condição legal e que lutam contra ela.

A comunidade de refugiados ocupada tem sido alvo de repressão estatal por meio de um novo contrato anunciado, que inclui os edifícios da comunidade entre os disponíveis para exploração e reforma. Informações divulgadas pela mídia estatal falam de uma evacuação imediata dos prédios ocupados. As ocupações — como pontos de referência mais visíveis da luta auto-organizada, trampolins do contra-ataque social e de classe e pontos de territorialização dos projetos de resistência militante, solidariedade de classe e auto-organização social — sinalizam um conflito permanente com o mundo da individualização, da propriedade privada e da subordinação. Assim, elas são alvos permanentes da repressão estatal, que aplica de forma constante e metódica a política preventiva de contrainsurgência do Estado.

O ataque às ocupações e aos espaços de luta auto-organizados é parte integrante do ataque à resistência social e de classe como um todo: desde os repetidos ataques às manifestações nos centros urbanos e as prisões em massa de ativistas, até o acampamento de forças repressivas em praças, parques e colinas, a agora constante invasão do asilo social das universidades e as conspirações estatais que estão sendo armadas contra os ativistas pelos centros de poder.

Por nossa parte, a partir do território ocupado há 37 anos, em Lela Karagianni 37, não podemos deixar de nos solidarizar com os moradores e membros da Comunidade de Refugiados Ocupada. Manifestamos nossa solidariedade à sua luta para defender seus lares e estruturas auto-organizadas contra a barbárie do capitalismo de Estado e apoiamos a greve de fome de Aristóteles Hatzis, exigindo o atendimento de todas as suas reivindicações. Diante da agressão estatal, não nos rendemos, lutamos. Com a solidariedade e a auto-organização como nossas armas, continuaremos a resistir à opressão e à injustiça, sabendo que nossas lutas não têm nada a temer. Seguimos com a mesma intensidade e vontade a organizar o contra-ataque social na perspectiva da Revolução Social, pela criação de um mundo de igualdade e liberdade.

SOLIDARIEDADE COM A COMUNIDADE DE REFUGIADOS OCUPADA E A GREVE DE FOME DE ARISTOTELIS HADZHI

10 – 100 – MILHARES DE OCUPAÇÕES, CONTRA UM MUNDO DE PODRIDÃO ORGANIZADA

Manifestação: 14/03, 13h00, Universidade Técnica, Portão Patission

Assembleia aberta da Ocupação Lela Karagianni 37

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agência de notícias anarquistas-ana

Chuva cai lá fora
No batuque das goteiras.
Eu durmo tranqüilo.

Natacha Lemes Batistão

[Alemanha] Vídeo: Free Maja nas ruas de Bremen

LIBERDADE PARA TODOS OS ANTIFAS!!!

Em 2023, houve uma marcha nazista na Hungria em homenagem à Waffen-SS. Nesse contexto, fascistas foram espancados.

Isso foi seguido por uma onda incrível de repressão contra antifascistas em toda a Europa. O regime de extrema-direita na Hungria emitiu mandados de prisão internacionais contra antifascistas, ocorreram caçadas humanas públicas e muitos antifascistas se esconderam.

Alguns antifascistas foram detidos pela polícia; uma dessas pessoas é Maja.

Maja foi extraditada para a Hungria em uma operação clandestina. Foi um sequestro pelas autoridades; Maja jamais deveria ter sido extraditada. Foi ilegal, inclusive segundo o Tribunal Constitucional Federal.

Maja está em confinamento solitário há dois anos, sob condições desumanas.

Revistas íntimas, violência, comida mofada…

Desde o início, não se podia esperar um julgamento justo. Muito pelo contrário! Foi um julgamento espetáculo.

Maja foi trazida com as mãos e os pés acorrentados, com uma coleira na cintura e tratada como terrorista.

Exatamente um mês atrás, em 4 de fevereiro de 2026, Maja foi condenada a oito anos de prisão em Budapeste.

É por isso que estamos nas ruas hoje (04/03), sem aviso prévio e da maneira que achamos melhor. Como resposta ao veredicto e para mostrar que estamos pensando em Maja.

Que se fodam os policiais e as autoridades alemãs e húngaras!

Não descansaremos enquanto não tivermos Maja de volta!

Liberdade para todos os presos políticos!!! Nazistas levam um soco na cara!!! Vocês os chamam de terroristas, nós os chamamos de amigos!!!

>> Link para o vídeo: 

https://sendvid.com/s5pw01tj

Fonte: https://de.indymedia.org/node/715444

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agência de notícias anarquistas-ana

Chapéu
divide a cabeça
do céu

Cláudio Fontalan