[Espanha] Terceira Bienal Anarquista de Madrid

Nos dias 24, 25 e 26 de abril de 2026 acontecerá a terceira Bienal Anarquista de Madrid. A temática geral do evento será “Recuperar nosso tempo. Abaixo o trabalho”. Será no CSO La Enredadera, no bairro de Tetuán.

O quê é a Bienal Anarquista de Madrid?

A Bienal Anarquista Madrilenha nasce com o objetivo de conectar teorias e práticas libertárias, sair de nossos espaços confinados e construir alternativas reais com as quais poder enriquecer-nos em nossa busca de uma radical transformação social. 

Ainda que nos encontremos em um momento de bloqueio e desmobilização, na atualidade podemos encontrar coletivos, individualidades e comunidades que exemplificam com suas lutas o ideal antiautoritário e horizontal. Estas experiências desafiam o poder estabelecido e desmontam a, cada vez mais, difundida ideia de que há que relegar as práticas anarquistas aos livros de História, como exemplos falidos e românticos de teorias utópicas e defasadas.

Neste momento atual de controle social no qual as lutas revolucionárias estão em pleno retrocesso, entendemos como uma prioridade o compartilhar e debater sobre estas experiências. Temos a intenção de que nos animem e aportem novas ferramentas com as quais sair do poço no qual parece estar afogando-se toda uma tradição de luta em nossa cidade. Ante o que entendemos como uma nova reestruturação capitalista, várias pessoas cremos necessária a criação de um espaço que colete estas experiências vivas na atualidade, que combatem a opressão racial, de gênero, classe, ambiental… e que construam, dia a dia, novas formas de entender e viver a realidade, mais justas, igualitárias e horizontais.

Por isso, nosso projeto é o de realizar umas jornadas a cada duas primaveras nas quais confluam livros, testemunhos, entrevistas, debates e toda aquela estratégia de comunicação que possa nos ajudar a avançar neste caminho.

Esperamos aportar impulso e ferramentas que contribuam para reativar as forças contestatórias em nossos bairros e fomentar uma cultura de luta que possa enfrentar os objetivos que nos propõe o presente.

>> Confira a programação da Terceira Bienal Anarquista de Madrid aqui:

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/07/03/espanha-audio-barrio-canino-vol-314-cobertura-radiofonica-da-ii-bienal-anarquista-de-madrid/

agência de notícias anarquistas-ana

Ainda mais só
Do que no ano passado –
Entardecer de outono.

Buson

[França] Jornadas Libertárias 2026

A Coole retoma as jornadas libertárias neste ano de 2026, após seis anos de ausência.

Na programação, uma palestra na quinta-feira, 9 de abril, sobre Elisée Reclus com Nicolas Eprendre, diretor do documentário “Elisée Reclus, a paixão pelo mundo” e coautor de dois livros sobre Reclus: “As 101 palavras de Reclus” e “Elisée Reclus: Um geógrafo anarquista contra o antissemitismo“. Também estarão presentes Jean-Yves Puyo e Jean-Philippe Crabé, que participaram de “As 101 palavras de Reclus“. Falaremos também da biografia de Max Nettlau, “A vida de um sábio, justo e rebelde“, biografia de referência sobre Elisée Reclus e que acaba de ser publicada pela primeira vez em francês. Após a apresentação do documentário e dos três livros, haverá um momento reservado para o debate com o público.

Na sexta-feira, 10 de abril, às 14h, a exibição do documentário “Elisée Reclus, a paixão pelo mundo” será seguida de um debate.

Os dois eventos acontecerão na Faculdade de Letras da UPPA, em Pau, na sala de aula 3.

cnt-ait-pau.fr

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Perdida na noite.
Na trilha dos vaga-lumes
busco o meu caminho.

Zuleika dos Reis

[Chile] Concluída a transferência do prisioneiro anarquista Felipe Ríos para a Colina 1

Por La Zarzamora

Na noite de terça-feira, 31 de março, Felipe Ríos, preso anarquista condenado pelo caso 21 de maio, foi transferido do Centro Penitenciário Biobío para a Penitenciária Colina 1, na Região Metropolitana, após anos de insistência e um conflito jurídico de mais de um mês e meio com a Gendarmeria.

O Tribunal de Garantia de Concepción determinou a transferência de Felipe Ríos no dia 5 de fevereiro deste ano; no entanto, em pelo menos cinco ocasiões, a instituição penitenciária descumpriu os prazos fixados pelo Tribunal, impedindo a execução da decisão. Após repetidas diligências da equipe jurídica do companheiro, a GENCHI finalmente não conseguiu reverter a decisão do Tribunal, pelo que não teve outra opção a não ser acatá-la e concretizar a transferência na última terça-feira.

Felipe Ríos já se encontra na Colina 1; por isso, sua rede de apoio em Concepción faz um apelo para ampliar a solidariedade anticarcerária e criar redes na região metropolitana, que possam acompanhar o companheiro no que resta de sua pena. Aqui no Biobío, continuamos atentos à situação de Felipe.

Que esse passo encurte o caminho para a tua saída para a rua, Pipe!

Felipe Ríos para a rua!!!

Longa fuga aos fugitivos!

Fonte: https://lazarzamora.cl/se-concreta-traslado-de-prisionero-anarquista-felipe-rios-a-colina-1/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/02/13/chile-o-prisioneiro-anarquista-felipe-rios-sera-transladado-ao-carcere-colina-1/

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Noite de lua –
Subindo numa pedra,
Um grilo canta.

Chiyo-jo

[Espírito Santo-ES] Comunicado – Agenda de Atendimentos Jurídicos E Sindicais

A Federação Anarquista Capixaba (FACA), filiada à União Anarquista Federalista (UAF), informa as seguintes datas para atendimentos voltados a orientações jurídicas e sindicais no território dominado pelo estado do Espírito Santo:

  • 09 de abril de 2026 – Guarapari/ES
  • 17 de abril de 2026 – Ibatiba/ES
  • 24 de abril de 2026 – Pedro Canário/ES

Pessoas interessadas em participar dos atendimentos devem realizar agendamento prévio por meio do endereço eletrônico: fedca@riseup.net

A FACA reitera seu compromisso com a prestação de apoio técnico e comunitário no âmbito trabalhista e legal, de forma autônoma e solidária.

Federação Anarquista Capixaba – FACA

federacaocapixaba.noblogs.org

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Juntos,
um homem e a brisa
viram uma página

Betty Drevniok

[EUA] Encontro “Igniting Sparks” na Ecovila Emberfield

Este é um encontro gratuito que convida pessoas interessadas para a ecovila Emberfield Heart Collective, em La Plata, Missouri. É organizado por pessoas envolvidas no The People’s Project, uma organização dedicada a facilitar formas de vida e oportunidades educacionais para quem pratica habilidades de vida off-grid, jardinagem, vida rural auto suficiente (homesteading) e permacultura em comunidades intencionais.

Emberfield é uma ecovila off-grid situada em uma terra sob gestão coletiva (land trust), dentro da Permaculture Mutual Aid Network, uma rede de territórios, pessoas e comunidades intencionais da qual também faz parte The Garden, no Tennessee.

Durante o encontro, iniciaremos a construção de uma cabana comunitária, espalharemos cascalho para uma estrada, prepararemos e compartilharemos refeições, plantaremos árvores e jardins, além de diversas outras atividades de construção comunitária off-grid. Haverá pessoas com anos de experiência em vida comunitária intencional e na organização de encontros como este, que reúnem participantes por semanas para apoiar ecovilas com tarefas como cozinhar, construir, cultivar, plantar árvores, coletar lenha e outras atividades.

Também incentivamos que as pessoas tragam seus interesses criativos para compartilhar em formas de entretenimento off-grid, como música e arte, tanto ao redor da fogueira quanto durante o dia. Há também lagoas próximas para nadar e se refrescar, além de uma comunidade off-grid vizinha.

Há oportunidades para quem quiser se envolver mais conosco no futuro.

Este evento também faz parte de uma Permaculture Mutual Aid Tour, com uma caravana de pessoas viajando entre eventos específicos para ajudar no plantio de árvores e em encontros de comunidades intencionais. Estamos comprometidos com o anarquismo, a práxis anarquista, a construção comunitária, a ajuda mútua, o minimalismo, a tomada de decisão por consenso não hierárquico, a comunicação não violenta, a vida comunitária, a sustentabilidade, a autonomia e esforços conscientes para viver em paz entre nós e com a Terra.

Acesse www.peoplesproject.earth para saber mais.

Obrigado pela leitura. Esperamos te ver em breve!

Tradução > Contrafatual

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vôo dos pássaros!
fio costurando ligeiro
o céu ao mar.

Tânia Diniz

[Suíça] Claudio Grigolo, Mais uma Perda para o Movimento Libertário em Ticino

Nos últimos meses, assistimos ao falecimento de importantes companheiros — pessoas que, com sua presença, paixão e dedicação, deixaram uma marca indelével em nossas vidas e em nosso ativismo. Apenas algumas semanas após o falecimento de Gianpiero Bottinelli (Umanità Nova, 7 de dezembro de 2025), na segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, o ainda jovem Claudio Grigolo, assistente social e ativista de longa data do Círculo Anarquista Carlo Vanza em Bellinzona, nos deixou.

Amante da música, sempre dividido entre Fugazi e Tre Allegri Ragazzi Morti, ele sabia como tornar o Circle (Círculo) um lugar de convívio com sua presença, bem como um espaço de documentação, pesquisa, protesto, construção e resistência. Lembrando-se de seu compromisso juvenil com o ambientalismo em organizações ecológicas, ele acompanhou o camarada Marco Camenisch com extrema generosidade em suas lutas e durante sua prisão. Um compromisso antimilitarista indomável, que lhe custou a prisão, forjou sua solidariedade com os resistentes ao serviço militar, os objetores de consciência e os desertores. Nos últimos anos, graças em parte à sua aguçada sensibilidade profissional, ele havia assumido com dedicação a batalha contra a criação de um centro “educacional” fechado para menores. Além disso, já na década de 1990, ele era membro do Comitê da Liga Suíça pelos Direitos Humanos — Seção da Suíça Italiana, que atuava em questões prisionais e contra a repressão policial.

De vez em quando, ele também contribuía para a imprensa anarquista. Em um artigo para a primeira edição da Voce Libertaria, ele escreveu: “Parece, portanto, cada vez mais urgente unir as forças da dissidência (radicalmente opostas à burguesia e aos reformistas de todos os matizes) e desenvolver ainda mais um projeto que dê forma e voz àqueles considerados incompatíveis pelo atual sistema de superexploração, que continua a ignorar os motivos e as necessidades essenciais de uma vida digna, livre de todas as formas de opressão.”

Mas a vida nos mostra de forma dramática que a luta não é meramente política, social ou militante: é profundamente humana. É composta de laços, confiança, partilha e solidariedade, mas também de ausências que pesam sobre nós e nos lembram o quanto cada momento é precioso. Essas perdas devem nos ensinar a não dar nada como garantido. Elas nos lembram que os relacionamentos devem ser cultivados, as conexões mantidas, as ligações feitas e o respeito mútuo praticado todos os dias. Cada gesto de proximidade, por menor que seja, torna-se uma forma de honrar aqueles que já não estão mais conosco e de fortalecer aqueles que permanecem.

Vamos sempre apoiar uns aos outros, com sinceridade e coragem. Vamos aceitar as dificuldades, compartilhá-las e continuar a lutar juntos, mantendo vivos os valores, as paixões e as ideias daqueles que nos deixaram. Que a memória de seus rostos, suas palavras e suas ações seja uma força motriz para perseverar, para sermos mais atentos, mais unidos, mais humanos. Sua ausência não nos separa: ela nos chama a sermos mais fortes, juntos, em sua memória.

Petra – Circolo Anarchico Carlo Vanza (Círculo Anarquista Carlo Vanza) – Bellinzona

Fonte: https://umanitanova.org/claudio-grigolo-un-altro-lutto-nel-ticino-libertario/

Tradução > transanark / acervo trans-anarquista

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Trovão ribomba
Galinhas levantam a crista
de uma única vez!

Naoto Matsushita

[Espanha] “Este indulto não é um presente; é fruto de uma luta incansável”

As Seis de La Suiza, condenadas à prisão após um protesto trabalhista, entre as quais se encontra uma moradora de Santander, Bea, foram indultadas pelo Conselho de Ministros após meses de luta e pressão social. A seguir, transcrevemos na íntegra o comunicado que nos enviaram com seus agradecimentos, reflexões e lições aprendidas sobre tudo o que passaram.

> Graças ao apoio mútuo, não conseguiram nos derrotar. <

O Conselho de Ministros aprovou o indulto às 6 de la Suiza. Nove anos depois, este processo chega ao fim. Ainda nos custa acreditar.

Fomos indultadas, sim, mas a repressão ao sindicalismo e àqueles que se organizam continua em vigor.

Este perdão não é um presente; é fruto de uma luta incansável. Por isso, queremos agradecer:

A vocês que lotaram as ruas.

A vocês que gritaram “6 de Xixón, absolvição!” quando tentavam nos silenciar.

A quem nos abraçou sem nos pedir que fôssemos heroínas, a quem entendeu que a dignidade não precisa ser perfeita para ser legítima.

Queremos agradecer a todas as pessoas e coletivos que nos acompanharam e apoiaram durante esses anos, tanto no plano humano quanto organizativo. Sem o apoio de vocês, isso não existiria hoje.

O que nos sustentou não foi a paciência, mas a raiva transformada em organização.

O que nos salvou não foi a esperança, mas o movimento de solidariedade que se levantou ao nosso redor.

Este caso demonstrou algo que já sabíamos: quando atacam uma, todas nós respondemos.

Não deixemos que se percam os aprendizados que adquirimos nessa luta; precisamos continuar tecendo a solidariedade e precisamos fazê-lo cada vez melhor

Hoje comemoramos, mas não esquecemos aqueles que continuam sofrendo repressão. Nem que esse caso crie um mau precedente para a coletividade: ainda hoje se tenta fazer com que o sindicalismo seja considerado crime.

Graças ao apoio mútuo, não conseguiram nos derrotar.

E que ninguém duvide: também não conseguirão derrotar aquelas que vierem depois.

Conteúdo relacionado: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/04/02/espanha-comunicado-nem-delito-nem-indulto-organizacao-e-luta/

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Horizonte em chamas.
No morro das goiabeiras
Sabiás em festa.

Rosa Yuka Sato

[Grécia] Patras: Exibição de faixa no desfile de 25 de março

No âmbito da semana internacional de ações em solidariedade aos companheiros presos no “caso de Ampelokipoi”, na quarta-feira, 25 de março, hasteamos uma faixa gigante durante o desfile [Dia da Independência Grega] na cidade de Patras, no momento em que as forças de segurança passavam. Não lutamos por nenhum Estado nem por nenhuma nação. Nossa luta é social e de classe. Nem uma hora no exército.

KYRIAKOS XYMITIRIS PRESENTE

LIBERDADE AOS COMPANHEIROS PERSEGUIDOS PELO CASO DE AMPELOKIPOI

 APOIAMOS OS APELOS DE SOLIDARIEDADE

O ESTADO E O CAPITAL SÃO OS ÚNICOS TERRORISTAS

A n a r q u i s t a s

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/03/17/grecia-semana-internacional-de-acoes-solidarias-com-os-companheiros-presos-e-em-memoria-do-guerrilheiro-armado-kyriakos/

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No parapeito
da velha janela
a gata espreita

Eugénia Tabosa

[México] Lançamento: “La clandestinidad anarquista. De la Comuna de París a la Mano Negra (1871-1883)”, de Clara E. Lida

A clandestinidade dos movimentos revolucionários, em geral, e do anarquismo, em particular, foi apenas estudada. Este livro explora o primeiro anarquismo espanhol desde sua introdução na Espanha, em 1868, e analisa os mecanismos que idealizou para desenvolver-se à luz pública, quando as circunstâncias o permitiram, ou prosseguir em segredo, em caso de perseguição.

Nestas páginas se presta especial atenção ao decênio clandestino, ao qual recorreram os anarquistas — homens e mulheres — a partir da repressão da Comuna de Paris e sua repercussão continental, em 1871. Na Espanha, nas cidades e no campo, os militantes souberam ocultar-se em grupos pequenos, mas ativos, somar sólidos intercâmbios transnacionais e transatlânticos (inclusive com México e o Rio da Prata), e publicar diversos impressos clandestinos que consolidaram amplas redes revolucionárias. Em 1881, ante o regresso público de uma pujante Federação de Trabalhadores, desde o poder se desenhou uma vasta repressão militar e judicial, e se recorreu a inovadores manejos da opinião pública. Uma imprensa oficiosa transmutou uma associação legal em uma aterradora sociedade criminosa chamada a Mão Negra. O êxito destas manobras conduziu o primeiro anarquismo espanhol a extinguir-se e desaparecer em 1888.

Este livro é um guia imprescindível para estudar a clandestinidade anarquista e adentrar-se em um mundo de luzes e sombras de intenso otimismo revolucionário, assim como de implacáveis perseguições.

La clandestinidad anarquista. De la Comuna de París a la Mano Negra (1871-1883)

Clara E. Lida

Editorial: El Colegio de México

Número de páginas: 236

ISBN: 978-607-564-732-6

$225.00

libros.colmex.mx

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Pelo zumbir dos mosquitos
deve ser alta madrugada.
Ó esta lua demorada!

Etsujin

[Chile] Memória e luta pelos companheirxs anarquistas Sara e Alessandro!

No último dia 20 de março, chegou do outro lado do oceano uma triste notícia: dois anarquistas morreram. Elxs preparavam um golpe contra a inércia capitalista. Um golpe contra o desespero, contra o conforto da obediência, que sempre acaba sendo um caminho mais fácil do que a incerteza da rebelião.

Porque elxs poderiam ter escolhido uma vida de resignação; no entanto, naquele canto do planeta, entre as ruínas da cidade e a tensão própria de uma ação, a decisão dxs companheiros Sara e Alessandro não foi senão a condensação de toda uma história de luta que entrelaça o passado e o presente, que confronta a vida e a liberdade contra os sistemas de dominação e morte. Sara e Alessandro escolheram a luta e a anarquia; nosso compromisso é não desistir desse caminho.

29 de março, Dia do Jovem Combatente!: Desde as barricadas, reivindicamos xs companheirxs que morreram em Roma. Força, amor e solidariedade às suas famílias, amigxs e companheirxs.

Não ao 41-bis

Liberdade a todxs xs presxs anarquistas!

Sem engano, sem dúvida, sem arrependimento… Pela anarquia!

agência de notícias anarquistas-ana

Você se parece
com este galho de acácias
repleto de sóis.

Eolo Yberê Libera

[EUA] Dez Pequenas Anarquistas Procurando por um Novo Mundo

Por Marius Mason

Fifth Estate # 417, Inverno de 2025

Uma análise de Dez Pequenas Anarquistas de Daniel de Roulet. Autonomedia, 2023.

A novela de Daniel de Roulet, Dez Pequenas Anarquistas, é uma trama magistral de fantasia e fato, história e histrionismo, ideologia e imaginação.

É uma mistura de pensamento feminista, prática pragmática e um diálogo aberto sobre estratégia e prioridades para o movimento anarquista.

A história é contada através de conversas dinâmicas e das vidas de dez mulheres anarquistas que se aventuram por conta própria e deixam o velho mundo para trás, em seu esforço de criar uma verdadeira comunidade anarquista numa terra estrangeira.

A história é baseada vagamente em um grupo real de mulheres operárias relojoeiras que deixam a vila suíça de Saint-Imier.

A ideia vem para as mulheres após uma visita de Mikhail Bakunin, que fala para elas sobre a Comuna de Paris de 1871 e as inspira a tentar viver uma vida diferente, longe das convenções de casa. O grupo viaja de barco para a Patagônia na ponta da América do Sul, apesar de não ter sido de propósito. Elas são levadas pelos ventos e se encontram abandonadas ali. Assim, começa a aventura.

Este pequeno –porém poderoso– livro é traduzido do francês por Joycelyn Genevieve Barque e John Galbraith Simmons. Eu estou sempre ciente de que o autor talvez tenha usado diferentes maneiras de transmitir sua mensagem, mas a tradução é de fácil entendimento e conversacional no estilo em que a narradora da história, Valentine, descreve as outras e as situações que elas encontram.

Trata-se de um dispositivo impressionante para atrair o leitor para a história, para relacionar a comunalidade dos problemas humanos (comida, abrigo, amor, cuidar de crianças) –o que conecta todos nós– e usa isso para introduzir temas e ideias que vão longe do cotidiano.

Tem um toque mágico na maneira em como a serendipidade beneficia o pequeno grupo de mulheres, incluindo a aparição do anarquista italiano Errico Malatesta em momentos oportunos.

Mas estas não são mulheres indefesas ou infelizes, que dependem dos outros para seu resgate. São um grupo comprometido de feministas e não tradicionalistas que são talentosas, engenhosas e corajosas.

Elas sofrem a ira e o assédio dos oficiais do governo e da polícia, amantes rejeitados e patronos conservadores da sociedade. Mas, apesar de tudo isso, usam sua engenhosidade e inteligência para formar um coletivo de relojoeiros que as sustenta e provém o capital necessário para reivindicar uma comunidade insular e formar um estado sem Estado.

E, hilariamente, sua comunidade frágil quase implode devido as mais bobas razões domésticas, mas são salvas dessa discussão final por uma introdução oportuna de cogumelos mágicos num jantar compartilhado.

Tendo estado em coletivos anarquistas que se desfizeram porque as pessoas não lavavam a própria louça, isto foi um ponto alto cômico do livro.

Infelizmente, as dez pequenas anarquistas foram se desfazendo, uma por uma pelas provações e dificuldades que encontraram. A última, Valentine, descreve sua questão interna com a violência política e toma sua decisão com determinação.

Eu terminei o livro me perguntando o que aconteceria depois, enquanto Valentine encara seu futuro sozinha, mas sem se curvar.

Marius Mason — um anarquista, vegano, prisioneiro trans federal, que esteve confinado desde 2008 por atos em defesa do meio ambiente — foi uma parte integral da comunidade anarquista de Detroit antes de ser condenado e esperamos poder recebê-lo de volta quando ele for solto. Solidariedade e informações sobre Marius estão disponíveis em supportmariusmason.org.

Tradução > NTLFG (Núcleo de Traduções Libertárias Ferrer y Guardia)

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Salpicados de sons
Silêncio em suspenso:
Grilos e estrelas.

Marcos Masao Hoshino

[Espanha] A CGT condena a aprovação da pena de morte no Estado sionista de Israel. O genocídio se legaliza.

Desde a Confederação Geral do Trabalho (CGT), manifestamos o horror que supõe a recente aprovação da pena de morte por enforcamento em Israel, uma barbárie ante a qual cabe esperar que a Comunidade Internacional reaja e não olhe para o outro lado. Por quê? Pois, porque é uma nova medida a utilizar somente sobre a comunidade palestina, quer dizer, o plano genocida de Netanyahu segue adiante.

Como se fossem poucos os crimes atrozes que o sionismo cometeu, agora assistimos a esta “justiça” de verdugos que não duvidam em adornar com espetáculos embaraçosos protagonizados pelos próprios ministros judeus, como o de responsável pela segurança no próprio Knesset (Parlamento israelense), e à vista da opinião pública mundial.

O uso do Estado como máquina de morte não é algo novo. Todos os Estados matam e justificam seus crimes com base em leis que inventam. A pena de morte, em qualquer lugar do mundo, é um exercício de máxima violência por parte do Estado. Desde nossa postura, como anarcossindicalistas, nenhum Estado tem legitimidade para decidir sobre a vida de ninguém. Estes mecanismos foram utilizados desde sempre por uma elite para manter o controle das massas. Quanto à atitude do estado teocrático de Israel e a de seus ministros, que alguém como o ministro Itamar Ben Gvir, profundamente religioso e temeroso de seu Deus, celebre com champanhe a instauração deste tipo de lei só reflete seu nível de desumanidade. O quê poderia diferenciar entre o terrorismo que dizem “combater” com o que é aceito desde o aparato estatal de controle e repressão que legalizaram?

Esta medida é mais um ataque à população palestina, posto que a ela seja dirigida a morte na forca sob o pretexto do terrorismo. É uma lei que continua fomentando o ódio e beneficiando aos que a guerra e o sofrimento enriquecem.

Desde a CGT não podemos olhar para o outro lado depois de tudo o que vimos quanto à capacidade do sionismo para assassinar e fazer desaparecer seres humanos. Aniquilaram até deixá-lo em cinzas um território que não lhes pertence. Assassinaram milhares de seres humanos indefensos, famintos e enfermos. Feriram e mutilaram a outros milhares, e deixaram marcados para toda a vida a outros tantos. Quem semeia ódio, colhe morte.

Por tudo isso, desde nossa condição de internacionalistas e anarcossindicalistas, chamamos a toda a classe trabalhadora a mostrar sua solidariedade com esta duríssima realidade. Nossa luta é pela vida, pela liberdade dos oprimidos e a destruição de todos os patíbulos.

Contra a pena de morte e a barbárie genocida sionista!

cgt.es

Tradução > Sol de Abril

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Da minha janela
Ouço o cantar da coruja.
O sono não vem.

Adriana Aparecida Ferreira Cardoso

“A luta dos povos indígenas na Amazônia paraense e da ação direta no centro dessa luta”

O Centro de Cultura Social (CCS) convida para a conversa “A luta dos povos indígenas na Amazônia paraense e da ação direta no centro dessa luta” com o companheiro Rafael Zilio (CAB/UFOPA) que terá participação online:

No sábado dia 04 de abril de 2026, as 16hs.

O CCS fica na Rua General Jardim, 253, sala 22, Vila Buarque – Próximo ao metrô Republica, São Paulo (SP).

(solicitamos que por favor, toque interfone 22)

@centro_de_cultura_social

ccssp@ccssp.com.br

ccssp.com.br

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grama nos trilhos
composições mudas
sem estribilhos

Carlos Seabra

Saiu o primeiro número do e-zine digital semestral da Rede Comunitarista Ácrata – RECA – Yvy Marãey.

Trata-se de mais uma ação desta rede desterritorializada de anarquistas ácratas, que foi criada no ano passado como uma comunidade de experimentação prática da tática do Comunitarismo Ácrata – proposta pelo Manifesto Anarquista Ácrata (publicado de forma online no ano de 2023).

Siga nosso perfil no Instagram: @movimento_anarquista_acrata e acompanhe nossas lives pelo canal do YouTube: anarcrata)

>> Acesse o zine aqui: https://drive.google.com/file/d/1eoV8as7bdqMjEbVi80VUT8imUgp4iNA8/view

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sabor cereja –
minha boca
a tua deseja

Carlos Seabra

[Espanha] Comunicado | Nem Delito Nem Indulto: Organização E Luta

O indulto concedido às companheiras conhecidas como Las Seis de La Suiza não é um gesto de generosidade do poder. É o resultado direto da luta.

Durante anos, seis sindicalistas foram perseguidas, julgadas e encarceradas por fazer o que sempre fez o movimento obreiro: organizar-se frente à exploração e defender uma trabalhadora que denunciava assédio e violação de direitos laborais. Por isso foram condenadas a três anos e meio de prisão em um processo que pôs em questão os limites mesmos da ação sindical.

Entraram na prisão. E não o fizeram sozinhas.

Por trás havia uma organização, a CNT, que não abandonou as suas, e centenas de milhares de pessoas que encheram as ruas, mantiveram caixas de resistência, difundiram o caso e assinalaram a injustiça. Houve mobilizações, pronunciamentos sindicais, apoio social e pressão política constante durante meses, reclamando uma solução que a justiça negava.

Agradecemos o gesto do indulto parcial (as penas econômicas seguem vigorando) proposto pelo Governo, mas chega tarde. Chega depois do castigo. Chega depois de tentar converter a solidariedade em delito.

Mas que ninguém se equivoque: se hoje estão fora, não é pela benevolência do Governo, mas pela força coletiva da classe trabalhadora organizada.

Este caso demonstrou algo fundamental: que o sindicalismo que incomoda, o que assinala o patrão, o que não negocia a dignidade, segue sendo perseguido. E precisamente por isso, segue sendo necessário.

Frente aos que querem um sindicalismo dócil, institucionalizado e sem conflito, a experiência de La Suiza reafirma o contrário: o anarcossindicalismo, baseado na ação direta, no apoio mútuo e na solidariedade, não só segue vigente, mas que é mais útil do que nunca.

Porque quando tocam a uma, respondemos todas. Porque sem organização não há defesa. Porque nenhum direito se conquistou sem luta.

Hoje celebramos que nossas companheiras estejam fora.


Mas não esquecemos: nunca deveriam ter entrado.


Solidariedade, organização e luta.

cnt.es

Tradução > Sol de Abril

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/07/23/espanha-o-sindicato-cnt-se-concentra-na-plaza-mayor-de-ciudad-real-em-apoio-a-las-6-de-la-suiza/

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Pássaro ligeiro
Come o pêssego maduro
Antes de mim.

Roseli Inez Jagiello

[Itália] Para recordar Sara e Sandrone

E a quem não sucumbe

que se abram as tumbas

se aprontem as bombas

se afie o punhal

é a ação o ideal.

Conheci Sara e Sandrone em diferentes momentos e anos de luta (a Sara ainda antes, quando éramos estudantes secundaristas). Os caminhos da vida nos “separaram”, mas quando necessário a gente se encontrava em manifestações, assembleias ou só para tomar uma cerveja num boteco qualquer. O que escrevem os vendidos da imprensa não me interessa. Eles deixaram um grande vazio, e nesse vazio ficará a lembrança de serem anarquistas e de lutarem de cabeça erguida pelos oprimidos contra cadeias, guerras e opressores. Encerro com uma frase de uma declaração dele no tribunal:

A responsabilidade individual é um fundamento do anarquismo. Eu não recebo ordens nem as dou: de ninguém nem a ninguém. Ajo respondendo apenas à minha consciência, que não tem parâmetros de interesse nem de vantagens e que continua sendo a única voz que posso escutar“.

Viva a Luta, Viva a Anarquia

Tradução > Liberto

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travesseiro novo
primeiras confissões
a história do amigo

Alice Ruiz