[Uruguai] Efemérides| 29 de abril de 1944, primeira feira do livro anarquista de Montevidéu e do mundo

As Feiras do Livro Anarquistas se popularizaram por todo o mundo nos últimos anos. Elas são uma amostra da constante e prolífica atividade cultural e ideológica do movimento, expressa tanto na publicação contínua de materiais (livros, revistas, etc.) quanto em sua divulgação e discussão nas palestras, exposições e controvérsias que nelas ocorrem.

Em Montevidéu, foram realizadas oito feiras do livro anarquista; as cinco primeiras ocorreram entre os anos de 2012 e 2016 nas instalações do Centro Social Autônomo La Solidaria, que foi desocupado em 2017. As seguintes foram realizadas no Centro Social Cordón Norte nos anos subsequentes, contando com uma importante afluência de público de diversas regiões do continente e do mundo.

Embora se considere como o início dessas iniciativas a feira realizada em Londres em 1983, encontramos em Montevidéu um antecedente anterior, quando, em 29 de abril de 1944, foi inaugurado o “Primeiro Salão do Livro Anarquista”, que, embora tenha um título diferente, segue exatamente o mesmo formato.

A atividade consistia na exposição de quase mil livros anarquistas de diversos autores e temas¹ e na realização de sessões de debate sobre “os problemas fundamentais de nossas ideias por meio de palestrantes em tribuna livre”, todos os sábados dos meses de maio e junho, às 22h30, no espaço “La Casa de los Libertarios”, localizado na esquina das ruas Yaguarón com Mercedes.

La Casa de los Libertarios havia sido fundada em outubro de 1943 e propunha, em sua declaração de princípios: “Defender o princípio da liberdade como elemento essencial para o desenvolvimento integral do homem e para uma relação social mais harmoniosa; por isso, considera o sistema de governo do homem pelo homem, assim como a atividade política que visa a isso, como propósitos que negam esse princípio. (…) Desenvolver e praticar a ação direta como tática de luta para poder construir os valores humanos indispensáveis para uma sociedade sem opressores nem oprimidos; sem explorados nem exploradores.”

Como se pode ver, a prática regenerativa e de ação direta anarquista tem sido uma constante em nossa região, impulsionando as primeiras associações operárias, associações cooperativas e as primeiras lutas revolucionárias contra o Estado e sua consolidação capitalista. São os mesmos princípios e diretrizes de ação que orientam hoje as diversas lutas autônomas que priorizam a auto-organização social e a ação direta, desprezando os becos sem saída da institucionalidade democrática, que apenas pretende oferecer pequenas concessões para garantir que os problemas estruturais não mudem.

Hoje, assim como os companheiros de La Casa de los Libertarios, apostamos em “desenvolver e praticar a ação direta como tática de luta para poder construir os valores humanos indispensáveis para uma sociedade sem opressores nem oprimidos; sem explorados nem exploradores”.

[1] Ver lista aqui: http://ateneuenciclopedicpopular.org/…/primer-salon-del

periodicoanarquia.wordpress.com

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Perto da montanha
Interrompe a caminhada
campo de margaridas

Eunice Kikue Okuma Cavenaghi

[Belém-PA] 1º de Maio de Luta e Luto

O Primeiro de Maio não é um dia de festa oficial, mas de memória e combate.

Diante da precarização, do avanço da pejotização e da exploração brutal do capital sobre os trabalhadores plataformizados, convocamos a classe para um 1º de Maio classista e de luta contra patrões e Estado.

“Trabalhar menos. Trabalhar todos. Redistribuir Tudo.”

PARTE I: ATO DE RUA (BLOCO AUTÔNOMO LIBERTÁRIO)


Iniciamos o dia com os setores mais combativos da classe trabalhadora em um
protesto de rua.

  • Local: Concentração em frente ao Ginásio Altino Pimenta (Doca de Souza Franco).
  • Horário: A partir das 08h.

PARTE II: Programação no CCLA

Após o ato de rua, as atividades continuam em nossa sede com política, cultura e solidariedade:

12:00 – Venda de Maniçoba Vegana com suco natural (disponível até as 14h).
14:00 – Audiovisual e Formação: Exibição do doc “Nosso Primeiro de Maio”,
seguido de vídeo palestra de Ricardo Antunes sobre a conjuntura do trabalho hoje, seguido de debate.
16:00 – Ação Direta e Solidariedade: Microfone aberto e distribuição de sopão
para pessoas em situação de rua.
18:00 – Show: Bruma Etérea com a participação da Cínica Radical.
19:00 – Poesia: Declamação de poesias libertárias (participação de Lis Dourado e Bzarro Zangado).
20:00 – Encerramento: Discurso final de fechamento.

Organização: CCLA – Centro de Cultura Libertária da Amazônia

cclamazonia.noblogs.org

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palmo a palmo
dedo a dedo
inicio teu percurso

Eugénia Tabosa

[Itália] Quando as palavras voltam a assustar… A delegacia de Roma coloca fora da lei “Addio Lugano bela”

por Mario Di Vito | (il manifesto, 26 de abril de 2026)
 
Polícias de primavera. Uma citação da tradicional canção está entre as motivações da proibição de lembrar os dois anarquistas mortos no parque dos Aquedutos
 
As palavras, como se sabe, são pedras. Os versos da canção anarquista Addio Lugano Bella foram lançados há 130 anos e ainda ferem. A prova está na medida com que, em 26 de março, o chefe de polícia de Roma, Roberto Massucci, proibiu a homenagem a Sara Ardizzone e Sandro Mercogliano, mortos uma semana antes no parque dos Aquedutos pela explosão acidental de um artefato que estavam construindo.
 
A proibição de lembrá-los foi acionada porque “nas horas seguintes aos fatos ocorridos” em Roma “foram pintadas pichações claramente incitando um clima de ódio contra a ordem constituída: Paz aos oprimidos, guerra aos opressores“. Que são, justamente, versos escritos por Pietro Gori em 1894. A pichação em questão apareceu na capital há algumas semanas, do lado de fora da estação Marconi da linha B do metrô. Não estava sozinha, havia outras como “A vingança será terrível”, “Fora 41 bis” e “Todos para fora das prisões”, mas a delegacia se impressionou com a citação da canção que narra um antigo exílio de anarquistas da Suíça, depois de mais uma das tantas derrotas judiciais de sua história. O que preocupa o chefe de polícia, principalmente, é a segunda parte: falar de “guerra aos opressores”, na verdade, seria uma “clara referência às instituições”. Poderia se dizer que a sobreposição entre “opressores” e “instituições” é fruto de uma livre interpretação da polícia, mas aqui não se faz crítica literária.
 
TRATA-SE, ANTES, da proibição de ir depositar buquês de flores no local da morte de duas pessoas, numa extraordinária demonstração de que a ordem pública se tornou um valor mais forte que o luto. E isso, pensando bem, assusta mais do que as palavras e até do que as pedras: nem o pesar é concedido aos anarquistas. Uma porção de decisões judiciais, nos últimos anos, nos explicaram que fazer uma saudação romana em memória de algum camarada morto não é uma tentativa de reconstituir o extinto partido fascista – crime – porque aquele gesto deve ser entendido como ato puramente comemorativo. O mesmo raciocínio, ao que parece, não vale para os anarquistas. Tanto que, quando no domingo, 29 de março, dezenas deles aparecem mesmo assim no parque dos Aquedutos, 91 são detidos e levados à delegacia. Alguns por se recusarem a fornecer sua identidade.


Outros preventivamente, como admitido pelo último decreto de segurança, que aqui é aplicado pela primeira vez. Basta um “estado de fato”, ou seja, uma suspeita, para passar até 12 horas numa delegacia. E nem é necessária uma decisão do Ministério Público: basta comunicar o fato ao promotor de plantão. E no final nem está previsto que seja explicado seja lá o que for.
 
EXPLICA O ADVOGADO Cesare Antetomaso: “No auto que fundamenta a detenção para identificação prolongada, que no caso do meu assistido se estendeu por quase 11 horas, não há praticamente nenhuma motivação capaz de relacionar com certeza a conduta de um cidadão sem antecedentes criminais, que trazia consigo uma flor para deixar perto do local onde duas pessoas perderam a vida em circunstâncias ainda a serem esclarecidas, àquilo que é previsto pelas novas normas”.
 
De incidentes, em todo caso, naquele dia no parque dos Aquedutos não houve nenhum: os anarquistas foram colocados em ônibus e levados, sem episódios de resistência a funcionário público. Alguns dos detidos, como penalidade, receberam uma ordem de afastamento (foglio di via), mas a questão é controversa. Esta medida, na verdade, só pode ser aplicada a quem cometeu “múltiplos crimes”, mas, novamente por decisão do governo Meloni, a manifestação não autorizada deixou de ser crime. É uma infração administrativa. E não se pode aplicar medidas policiais por uma simples multa.
 
QUE RESOLVAM OS ADVOGADOS, que já começaram a apresentar recursos. Conclui novamente Antetomaso: “Sem qualquer referência à periculosidade presumida do sujeito detido, a retenção se configura como ilegítima”. Não seria grande notícia. O próprio Gori, ainda em sua despedida de Lugano, dizia: “Expulsos sem culpa, os anarquistas vão embora“.
 
Fonte: https://ilrovescio.info/2026/04/27/quando-le-parole-tornano-a-far-paura/
 
Tradução > Liberto
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/04/09/italia-91-detidos-sem-crime-o-modelo-meloni-e-a-repressao-preventiva/
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/04/02/italia-para-recordar-sara-e-sandrone/
 
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beija flor perplexo
sem encontrar umidade
nem no bebedouro…
 
Haruko

[França] Sindicato dos Trabalhadores da Terra e do Meio Ambiente (para quê?)

Organizar os trabalhadores agrícolas

Quando se ouve falar de agricultura, é sempre pela perspectiva dos patrões, daqueles “pobres agricultores franceses”. Nós não somos patrões; a maioria de nós não possui terras. E, no entanto, trabalhamos em terras que não pertencem a ninguém. Queremos organizar a nossa solidariedade e lutar por melhores condições de vida. Junte-se a nós se for empregado, trabalhador sazonal ou agricultor independente. Se estiver aposentado ou desempregado, mas tiver experiência neste setor, será muito bem-vindo!

Para gerir as nossas próprias dificuldades

Em nosso sindicato, não temos um líder e não queremos um. Também nos recusamos a receber um salário pelo trabalho que fazemos. Acreditamos na autogestão, o que significa que todos os membros devem participar da vida do sindicato da melhor maneira possível. Isso também significa que cada voto conta e que todas as decisões importantes são tomadas na Assembleia Geral, para a qual todos os membros são convidados.

Para fazer a revolução

Melhorar nossas vidas dentro do capitalismo é necessário, mas não suficiente. Nosso objetivo é abertamente revolucionário: queremos acabar com a propriedade privada dos meios de produção, com o patriarcado e com o colonialismo. Acreditamos que, para fazer a Revolução, devemos retomar o controle da economia: das máquinas, da terra e assim por diante. E devemos produzir para o bem comum, e não para o lucro.

STTE 42

E-mail:

stte42@cnt-f.org (Loire)

ftte@cnt-f.org (França)

Site:

cnt42.cnt-f.org (Loire)

cnt-f.org (França)

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Insetos que cantam…
Parece que as sombras se amam
nos cantos escuros.

Teruko Oda

[Itália] Mestre: às ruas contra o 41bis

Sábado, 2 de maio, às 17h, na Piazzetta Coin, em Mestre (Veneza), para continuar a protestar contra a tortura de Estado e suas prisões de guerra. Ao lado de Alfredo, com Sara e Sandro em nossos corações.
 
Até o próximo dia 4 de maio, o ministro da Justiça decidirá sobre a renovação da “prisão severa” para Alfredo Cospito, anarquista detido há quatro anos sob o regime do 41bis.
 
O 41bis é, para todos os efeitos, uma “pena de morte em vida”. Uma arma de guerra que o Estado reserva para seus inimigos internos. Uma tortura legal da qual se sai morto ou como colaborador.
 
Vamos às ruas, mais uma vez.
Em solidariedade a Alfredo e sua luta.
Contra o 41bis. Contra toda prisão.
 
Companheiras e companheiros do Vêneto
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/04/13/italia-roma-fora-alfredo-do-41bis-18-de-abril/
 
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Chuva cinzenta:
hoje é um dia feliz
mesmo com o Fuji invisível
 
Matsuo Bashô

[Espanha] 1º de Maio 2026: Contra a militarização e o imperialismo | CNT-AIT

Desde a CNT AIT entendemos que em momentos de agressões imperialistas e ameaças genocidas devemos posicionar-nos mais do que nunca contra o imperialismo, o fascismo, a guerra, o militarismo e o autoritarismo, que pretendem conduzir-nos ao abismo.

Quando a ameaça nuclear e a guerra se convertem em linguagem cotidiana, Estado e Capitalismo cruzaram uma linha que a qualquer pessoa, não com critérios morais, mas simplesmente com instinto de sobrevivência, deveria levar a atuar contra este sistema suicida no qual vivemos. Quando o fascismo já está nos governos dos países mais poderosos, e estendendo-se imparável em todo o mundo, não temos a opção de ficarmos quietos.

Os estados neocoloniais do ocidente estão superando de longe o conceito de “crime de guerra” (como se a guerra não fosse um crime em si mesma) e se adentram sem pudor nem vergonha no genocídio e no extermínio de populações inteiras.

Desde as declarações e jornais nos apresentam esta absurda escalada bélica como fruto do governo de um desequilibrado nos EUA, mas nós não somos tão inocentes; sabemos que por trás de Trump há grandes poderes econômicos e políticos com interesses muito concretos; não é a estabilidade mental de uma pessoa o que deve preocupar-nos, mas a própria arquitetura do poder internacional. Nós não temos a memória tão frágil, e não esquecemos os governos europeus aumentando seus gastos militares, chamando ao rearmamento e pensando em reinstaurar a militarização da população através do serviço militar.

A guerra é a maneira clássica em que os estados mais poderosos despojaram os mais fracos de seus recursos e riquezas. Às vezes de maneira encoberta, financiando grupos armados às escondidas, como no Congo, ou Sudão e sumindo regiões inteiras em guerras intermináveis. Às vezes de forma explícita, como estamos vendo no Oriente Médio e na Ucrânia. Isto não é uma anomalia, é a base mesma sobre a qual se construíram os estados e o capitalismo; um sistema para o qual a guerra é parte da estrutura de sua política exterior e econômica e o fascismo sua ferramenta de emergência para quando as coisas vão mal.

Vivemos em uma sociedade que chama terroristas e violentos os que queimam uma caixa ou assaltam fábricas de armas, ou a quem defende seu trabalho em uma greve, ou apoiam a seu vizinho em um desalojo. Resulta curioso ver como a margem de tolerância se amplia até o grotesco quando o líder da principal potência ocidental e seus sócios chamam abertamente ao extermínio de populações inteiras. Este duplo padrão não é casual, faz parte de uma ordem internacional construída para proteger os que concentram poder econômico, militar e midiático. Uma ordem na qual as normas existem, mas sua aplicação depende de quem não as cumpre.

NEM GUERRA ENTRE POVOS, NEM PAZ ENTRE CLASSES

POR UM MUNDO SEM FRONTEIRAS, SEM ESTADOS E SEM EXÉRCITOS

CNT-AIT Madrid – PZ Tirso de Molino 5, 2 izq. y 6 dcha.  madrid.cntait.org

Tradução > Sol de Abril

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Folhas do ciclame
o vento pra lá e pra cá –
um coração pulsa.

Anibal Beça

[França] Palavras gentis para os policiais na universidade de Reims

O campus da URCA em Croix-Rouge foi coberto de pichações contra a polícia, nas paredes da biblioteca, em instalações militares e em outros prédios.

Um verdadeiro festival de grafites antipoliciais: o campus da URCA (Université de Reims Champagne-Ardenne) em Croix-Rouge foi alvo de uma série de mensagens antipoliciais descobertas na segunda-feira, 27 de abril de 2026: “morte aos policiais”, “foda-se a BAC”, “a polícia é fascista” e outras expressões, incluindo a infame “ACAB” (“Todos os policiais são bastardos”). O muro da biblioteca Robert de Sorbon estava coberto com essas palavras escolhidas a dedo, dirigidas às forças da lei, mas elas também foram encontradas em vários outros prédios […]

Fonte: https://attaque.noblogs.org/post/2026/04/27/reims-des-mots-doux-pour-les-flics-a-la-fac/

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no funeral
flores
que ele jamais lhe deu

Ruby Spriggs

[Argentina] 1º de Maio | Nem com o Estado • Nem com a burocracia • Organização livre

Neste 1º de Maio, voltamos às ruas para comemorar este dia de luta e protesto internacional!

Como há 140 anos, nós, trabalhadores e trabalhadoras, saímos às ruas para protestar contra nossas condições de vida e de trabalho. Assim como os Mártires de Chicago, nós, trabalhadores e trabalhadoras, protestamos contra a exploração capitalista.

Como todos os anos, a Federación Obrera Regional Argentina realizará, às 16h, na Praça Once (Buenos Aires), nossa manifestação pelo 1º de Maio.

Oficios Varios Capital Fora

fora.com.ar

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Arrastar espantalhos pelo chão
é o que a tempestade
faz primeiro.

Kyoroku

[Holanda] 2 de maio: Piquenique Revolucionário de Rotterdam


A revolução começa ao meio-dia! Algo especial está acontecendo em Rotterdam! As pessoas sentem a necessidade de reivindicar o espaço público e se reconectar umas com as outras. Por isso, convidamos você para este piquenique revolucionário. E traga seus vizinhos, seus amigos e sua família. Assim, poderemos redescobrir o que é criar conexões verdadeiras, compartilhar nossos desafios e unir forças!“, diz o convite.

O Piquenique Revolucionário de Rotterdam acontecerá no dia 2 de maio, às 12h! Com microfone aberto, um jantar comunitário (vegano), jogos, zines e atividades para crianças. Queremos nos reconectar para construir uma comunidade mais forte! Nos encontraremos no Het Park, no lado nordeste, perto dos banheiros. Não se esqueça de trazer algo divertido, como comida, uma cadeira ou um jogo!

Este piquenique se tornará uma série de eventos que acontecerão todo primeiro sábado do mês, cada vez em um parque diferente de Rotterdam. Esperamos ver você lá, junto com muitos outros!

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bate o vento frio
meu violão desanima
sobe o som do rio.

Leticia Kamada

[Rússia] Já estão abertas as pré-vendas do livro de Alejandro de Acosta, “Moralia. 3½ ensaios sobre o niilismo”

O livro de Alejandro de Acosta, “Moralia. 3½ ensaios sobre o niilismo”, já foi enviado para impressão. A editora “Egalité” abriu as pré-vendas.

Alejandro de Acosta é um pensador contemporâneo que atua na intersecção entre a teoria anarquista, a filosofia do niilismo e a poética do cotidiano. Seus textos combinam rigor intelectual com um estilo experimental, além de darem destaque às formas marginais e não discursivas de resistência. Além de seus próprios ensaios, ele é conhecido pelas traduções de obras fundamentais sobre o anarquismo e a teoria crítica, que criam um espaço único de diálogo entre as tradições.

Os textos incluídos no livro “Moralia. 3½ ensaios sobre o niilismo” diagnosticam o fim da política e exortam a ir além do pensamento partidário e institucional, rumo ao deserto das tempestades e furacões sociais, onde não há mais qualquer fundamento para revoluções e ativismo. À luz das múltiplas catástrofes, o niilismo perde seu significado diagnóstico, como reação ao declínio da civilização, e se torna uma poderosa teoria da ação social, que convida a confiar na imaginação, na força dos desejos e em formas de interação não sujeitas a estruturas institucionais.

Volume: 124 páginas

Preço: 950 rublos (Rússia), 35 lari (Geórgia), 13 dólares (resto do mundo)

O envio dos livros terá início a partir de 4 de maio.

Gostaria de fazer uma resenha do livro para um canal ou revista? Escreva para a “Egalité” e conte-nos um pouco sobre você, e a editora enviará uma cópia digital.

Para fazer o pedido do livro, escreva para o bot (https://t.me/egalite_book_bot) de atendimento do canal do Telegram “Egalité”.

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Voar sempre, cansa –
por isso ela corre
em passo de dança

Eugénia Tabosa

[Grécia] A identidade do anarquista Kyriakos Xymitiris é descrita por sua mãe através de seu depoimento no 3º dia do julgamento do caso Ampelokipi

 
“Nosso filho Kyriakos sempre foi voltado para o bem. Ele se importava e valorizava todas as pessoas, sem hierarquia, e o que lhe interessava era ser, não parecer. Ele se preocupava em ajudar, cuidar de tudo, apoiar, ouvir, doar. Ele celebrava a vida todos os dias, com pequenos e grandes atos difíceis. Porque era isso que fazíamos em nossa família.
 
Conosco, ele aprendeu a compartilhar, a doar e, a partir de suas próprias falhas, aprendeu que nossa família faz parte de um todo: somos parte da sociedade – que geralmente sofre. Ele aprendeu que estamos JUNTOS. Lutamos sempre por justiça e igualdade e contribuímos de todas as formas.
 
Em nossa vida de combate, seu pai cuidava dos doentes – ele era médico no Serviço Nacional de Saúde – e eu, sua mãe, recebia os estudantes e os ajudava a se orientar no vasto mundo em que vivemos hoje; eu era professora em escolas públicas.
 
Ao longo de sua infância, mensagens chegavam de todos os lados indicando que ele estava se tornando uma pessoa afetuosa e de espírito brilhante. Ele foi aprovado nos exames acadêmicos e ingressou na PA.PEI (Public Association of Pearson Institute) para cursar Ciência da Computação, trabalhando simultaneamente, o que lhe permitiu ter condições de frequentar uma faculdade particular e também estudar Sociologia. Posteriormente, foi aceito na Universidade Livre de Berlim, para onde se mudou para estudar. Formou-se com honras, trabalhando ao mesmo tempo para não sobrecarregar as finanças da família.
 
Mas ele olhou ao redor, para o que estava acontecendo no mundo. Viu e sentiu que as pessoas sofriam com a ansiedade do dia a dia, com as dificuldades econômicas, com a exploração dos poderosos, com o racismo, com a guerra às portas, todos esses flagelos que, infelizmente, não estão ausentes das sociedades humanas. E por tudo isso ele se posicionou.
 
Ele escolheu lutar. Apoiou pessoas com problemas de saúde, problemas de moradia, imigrantes em sua adaptação. Participou de coletivos, de passeatas contra o racismo, contra a lei do mais forte. Para Kyriakos, não existia “nós” e “os outros”, existia JUNTOS. Porque ele sempre gostou de aprender, de ler, de expandir seus horizontes, de “ligar os pontos” e, por meio da discussão, chegar a novas conclusões, mas sem se tornar intransigente e dono da verdade.
 
Mas agora ele não está mais conosco. Sua perda é insuportável para mim e para o pai dele. Os dias passam, mas os momentos vêm e vão. Lutamos diariamente. Nossas vidas se dividiram em ANTES, na quinta-feira, 31/10/2024, às 14h40, e DEPOIS, na quinta-feira, 31/10/2024, às 14h40.
 
O que guardo agora em meu coração é sua amada companheira, sua alma gêmea, Marianna. Porque esses dois são muito parecidos. Assim como Kyriakos, Marianna são almas raras, têm um olhar sensível, são sábios, amorosos e honestos, e estão sempre presentes onde quer que sejam necessários. Com dignidade e consistência.
 
Não vim aqui para julgar o filho. Vim aqui para lhes dar a sua imagem e para sentirem a sua presença. Afinal, ele assumiu as suas responsabilidades da melhor forma. Esta luz que também nos chega, a nós, seus pais, como um raio que tenta preencher a fenda do tempo. São os seus amigos e amigas, os seus companheiros e companheiras, uma palavra que tem sido mencionada com tanta suspeita. Crianças que poderiam viver uma vida fácil e despreocupada, mas que, em vez disso, escolheram lutar, reivindicar, sentir a dor dos outros como se fosse sua, e que se mantêm lado a lado em solidariedade. Tal como o nosso filho. Sinto-me feliz por sentir que o meu filho viveu e vive plenamente entre eles. E assim a sua ausência torna-se uma presença.”
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/11/15/poster-em-memoria-de-kyriakos-e-em-solidariedade-com-marianna-dimitra-e-os-outros-perseguidos-ou-acusados/
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/11/06/grecia-atenas-aqueles-que-caem-no-calor-da-batalha-nunca-morrem/
 
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Em cima da folha
Joaninha descansa
Que colorido!
 
Andréa Cristina Franczak

[Itália] 1º de Maio de 2026 no Circolo Culturale Anarchico “G. Fiaschi”

PRIMEIRO DE MAIO DE 2026
no Circolo Culturale Anarchico “G. Fiaschi”
via Ulivi 8/B, Carrara

O Primeiro de Maio há tempo perdeu o caráter de ruptura dos tempos passados, revestindo-se da ritualidade das manifestações de testemunho próprias destes tempos modernos. O mesmo poderia ser dito de vários outros nossos momentos tradicionais de luta. No entanto, a atual realidade social — entre incessantes massacres no trabalho e um crescente clima belicista no qual a habituação ao horror está ao alcance de qualquer um — necessita hoje, como ontem, do desencadeamento daquelas más paixões de que falava Bakunin. Pois somente a força propulsora e libertadora de uma ideia e de uma prática revolucionária coerente pode dar trabalho aos senhores da guerra e da exploração.

A liberdade é uma qualidade que se experimenta colocando-se em risco, escreveu um companheiro anarquista que por toda a vida uniu pensamento e ação. Uma observação verdadeira como uma razão de viver, uma constatação que vale mais que mil palavras. Sabe bem disso Alfredo Cospito, recluso no 41 bis por ter continuado a se expressar sem receios nem compromissos, e para quem em maio expirarão os primeiros quatro anos de aplicação daquele regime de tortura branca. Sabiam bem disso Alessandro Mercogliano e Sara Ardizzone, companheiros anarquistas que todos conhecíamos, tragicamente mortos em ação no mês de março em Roma. Sandro e Sara nunca fizeram mistério de suas convicções anarquistas. A despeito das alucinações dos vendidos da pena, não tinham uma “vida dupla”. E sua tenacidade se entrelaçava a uma doçura e uma modéstia imensuráveis.

Os senhores da nova inquisição, os produtores de morte que obtêm lucros da guerra, os massacreiros de hoje e de ontem — responsáveis por todos os massacres de Estado, de matriz neofascista e em conluio com a OTAN — certamente não estão em condições de dar lições de moral aos anarquistas. As forças repressivas gostariam de impor o silêncio sobre a vida e as escolhas destes nossos companheiros anarquistas. Eis por que neste ano, por ocasião do Primeiro de Maio, pretendemos lembrar Sandro e Sara, companheiros extraordinários que gostaríamos de ter conosco neste dia, e, ao lembrá-los, defenderemos a coerência e a integridade revolucionária que tiveram até o fim.

Nos encontramos na sexta-feira, 1º de maio, às 12h30, no Circolo Culturale Anarchico “G. Fiaschi” para um almoço em buffet. Durante todo o dia, o espaço estará aberto com distribuição de livros e publicações anarquistas e libertárias.

Site: circoloculturaleanarchicofiaschi.noblogs.org
E-mail: circolofiaschi@canaglie.org

Tradução > Liberto

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Cresce a erva do tempo, devagar,
brota do chão
e me devora.

Thiago de Mello

[Espanha] 1º de maio: Corre companheira! O velho mundo fica atrás de nós.

Hoje não marchamos por nostalgia nem por ritual. Marchamos porque o presente arde e o futuro querem nos arrebatar. Marchamos porque o trabalho segue sendo exploração, porque a obediência se nos impõem como virtude, e porque a dignidade ainda se negocia em mercados que nunca elegemos.

O velho mundo — da hierarquia, da submissão e do medo — se quebra sob nossos passos. Não o empurramos por capricho, mas por necessidade. Cada jornada laboral precária, cada direito cortado, cada vida subordinada ao lucro de uns poucos confirma que não há reforma suficiente dentro deste sistema.

Não há futuro sem desobediência.

Desobedecer é recordar que não nascemos para obedecer a ordens injustas. É negar-se a aceitar que a vida se reduza a sobreviver. É organizar-nos sem amos, construir sem permissões, resistir sem medo. A desobediência não é caos: é a semente de uma ordem nova, nascida desde baixo, horizontal, solidária e livre.

Frente aos que nos querem isoladas, escolhemos a comunidade. Frente aos que nos querem dóceis, escolhemos a ação direta. Frente aos que nos querem cansadas, escolhemos a luta compartilhada.

Paz. Trabalho. Revolução.

Falar de paz hoje não é ingenuidade: é uma urgência. Vivemos em um mundo atravessado por guerras abertas e conflitos permanentes, onde milhões de pessoas são deslocadas, exploradas ou sacrificadas em nome de interesses que nunca são os seus. As decisões que conduzem à guerra se tomam longe dos que a sofrem, em escritórios onde a vida humana se reduz a cifras, recursos ou fronteiras.

Nos dizem que a guerra é inevitável, que é parte da ordem do mundo, que devemos escolher lado e aceitar suas regras. Mas a guerra que nos impõem não é a nossa. Não lutamos por bandeiras nem por mercados, nem pelos lucros de elites políticas ou econômicas que jamais pisam no front.

A paz que defendemos não é a paz do silêncio, nem a paz dos cemitérios, nem a paz imposta pela força. É uma paz construída desde baixo, desde a justiça social, desde a igualdade real e o fim de toda dominação. Porque não pode haver paz enquanto exista exploração, enquanto a riqueza de uns dependa da miséria de outros, enquanto a vida esteja subordinada ao poder e o lucro.

Rechaçamos um mundo onde a violência é negócio e a guerra uma indústria. Rechaçamos que nossas vidas sejam instrumentalizadas para sustentar sistemas que necessitam do conflito para perpetuar-se.

Nossa paz nasce do apoio mútuo, da solidariedade entre povos, da desobediência aos que nos empurram ao enfrentamento. É a paz dos que se negam a matar e a morrer por interesses alheios. É a paz que se constrói organizando-nos, resistindo e criando alternativas.

Porque lutar pela paz hoje é também lutar contra as causas que tornam a guerra possível. E essa luta — coletiva, consciente, insubmissa — é já uma forma de revolução.

Hoje, como ontem, o anarcossindicalismo não pede permissão: constrói alternativas. Desde os sindicatos de base, as redes de apoio mútuo, as greves, as ocupações, as cooperativas, as ruas. Ali onde haja exploração, haverá resistência. Ali onde haja obediência, haverá rebeldia.

Que tremam os que sustentam este mundo velho.

Que se escutem nossas vozes em cada trabalho, em cada bairro, em cada rincão.

Porque não esperamos o futuro: o estamos criando.

Viva o Primeiro de Maio!

Viva a luta da classe trabalhadora!

Pela anarquia e o apoio mútuo!

cnt.es

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Cachorro vadio
À sombra da quaresmeira
Dorme sobre flores

Tony Marques

[Alemanha] Berlim: Até 1º de Maio – rumo ao bloco de luta de classes da manifestação sindical!

May Day, May Day! Os ataques atuais às principais conquistas do movimento operário ameaçam nossas já precárias condições de trabalho e de vida. Portanto, nós, da FAU Berlim, convocamos todos a irem às ruas no dia 1º de maio – juntos, em um bloco de luta de classes! Porque aqueles que semeiam ataques ao direito de greve colhem a luta de classes. Aqueles que questionam a jornada de 8 horas não devem se surpreender com a resistência coletiva. E aqueles que reclamam da suposta preguiça dos trabalhadores precisam ser trazidos de volta à realidade.
 
Espera-se que todos trabalhemos mais, de preferência na indústria bélica ou até mesmo nas forças armadas. E até mesmo o auxílio-doença está sendo questionado tanto pelo setor empresarial quanto pela política institucional. Nós afirmamos: o problema não são os dias de licença médica dos trabalhadores sobrecarregados, mas sim o próprio sistema que nos adoece – ele precisa ser mudado.
 
Em tempos de rearmamento maciço e vagas reivindicações por mais trabalho circulando na mídia e nos parlamentos, a solidariedade e uma postura militante são mais importantes do que nunca. Somente uma luta de classes de baixo para cima, que transcenda as fronteiras nacionais, pode ajudar. Através do nosso trabalho, que mantém o capitalismo funcionando, possuímos meios eficazes de pressão social: organização e greves! No local de trabalho, no recebimento de benefícios sociais, em nossas casas, em nossos lares, nas escolas e universidades, nas ruas e em todas as esferas da vida, podemos nos fortalecer mutuamente e reivindicar nossos interesses.
 
Vamos nos unir e lutar pelos direitos dos trabalhadores à nossa maneira. Convidamos você a se juntar a nós em apoio ao bloco de luta de classes da manifestação da DGB [maior confederação sindical da Alemanha]. Às ruas por um movimento operário forte – em 1º de maio e todos os dias!
 
#globalmayday2026 #1world1struggle
 
O quê: Manifestação do bloco de luta de classes da DGB
Quando: 1º de maio de 2026, 11h
Onde: Strausberger Platz (U5)
A partir das 13h, o AG Lokal convida você para o tradicional churrasco de 1º de maio no FAU-Lokal (Grüntaler Str. 24). Venha em peso!

 
Até 1º de maio – rumo ao bloco de luta de classes da manifestação sindical!
 
berlin.fau.org
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/04/23/chamado-a-acao-global-may-day-2026/
 
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amanhece, sol
beija-flor demora no ar
e desaparece.
 
Leticia Kamada

[Grécia] Relato do evento antiguerra de dois dias na Universidade Técnica Nacional de Atenas (UTNA)

RELATO DO EVENTO ANTIGUERRA DE DOIS DIAS NA UNIVERSIDADE TÉCNICA NACIONAL DE ATENAS, EM 23 E 24 DE ABRIL DE 2026

Dia 1: Apresentação da edição ampliada da brochura “Uma história crítica da pesquisa militar, através de fundamentos antimilitaristas”

O evento teve uma excelente participação, evidenciando que a pesquisa universitária sobre a guerra não se restringe às quatro paredes de nossos laboratórios e escolas. As universidades são um elemento fundamental da aliança greco-israelense, um pilar essencial do complexo militar-industrial. Ao mesmo tempo, porém, demonstramos que elas também podem ser um polo e um espaço de resistência e de florescimento do movimento internacionalista antiguerra.

Dia 2: Marcha contra a pesquisa de guerra da UTNA

A marcha contou com a presença de mais de 100 pessoas: estudantes, funcionários, pesquisadores e membros do movimento de solidariedade da UTNA. Percorreu a maioria das faculdades da UTNA, com foco em laboratórios e programas envolvidos na guerra, enquanto um protesto também ocorreu em frente à Reitoria, onde foi destacada a cumplicidade do reitor Hadjigeorgiou no genocídio do povo palestino. Deu-se especial ênfase à Faculdade de Engenharia Civil, envolvida no programa de guerra SWIFT, e ao laboratório I-Sense da ΗΜΜΥ (Faculdade de Engenharia Eletricista e de Computação), que vem realizando pesquisas sobre a guerra há algum tempo e agora participa do programa Cassata. Houve também uma intervenção na ΗΜΜΥ em solidariedade ao estudante anarquista Z.M., condenado por pichar slogans de solidariedade ao povo palestino nas paredes da faculdade, contra a colaboração da UTNA com a empresa bélica Intracom-Defense, que tem interesses israelenses.

Agradecemos a todos os coletivos e indivíduos que apoiaram o evento antiguerra de dois dias. Este evento de dois dias é apenas o começo. Não toleraremos que a UTNA realize pesquisas sobre Israel, a OTAN, fronteiras e o exército.

BLOQUEIO À PESQUISA DE GUERRA

Grupo Autônomo de Eletricistas

Iniciativa Autônoma de Engenheiros Mecânicos

Grupo Libertário da SEMFE

Research Critique

>> Mais fotoshttps://athens.indymedia.org/post/1640874/

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A chuva tardia
deixou perfumes de terra
nas ruas molhadas.

Humberto del Maestro

[Alemanha] A feira de armas fede.

Na Feira de Hannover, indivíduos desconhecidos espalharam um líquido de odor forte em um dos pavilhões. Uma carta reivindicando a autoria do ato veio à tona, leia a seguir.

Hanôver, 21 de abril de 2026

Esta semana acontece a feira Hannover Messe, com foco em inteligência artificial na produção, automação e robótica, e um pavilhão dedicado a empresas de defesa. Diversas empresas de drones, fornecedores e empresas de TI estão reunidas sob o tema “Tecnologia de Produção para a Defesa”.

Assistimos ao discurso de Boris Pistorius (Ministro da Defesa) na segunda-feira e presenciamos o odor insuportável. Temos quase certeza de que ele não conseguiu terminar seu discurso como planejado. É provável que os discursos subsequentes no palco principal do Hall 25 também tenham sido afetados.

De alguma forma, o Ministro da Guerra parece atrair um odor repugnante – seu escritório eleitoral foi recentemente alvo de ataque com ácido butírico.

Entre as empresas listadas na feira está a Siemens, que também está envolvida na exploração global e na destruição ambiental. Diversas estruturas do Instituto Fraunhofer, que atuam há muito tempo no setor de armamentos, não estão listadas na categoria de defesa.

Grandes empresas de tecnologia como Amazon e Microsoft também estão presentes. Nos últimos anos, elas têm praticado não apenas o fascismo, mas também a militarização.

De modo geral, os temas abordados aqui são os que atualmente fascinam o mundo dos negócios e da política: rearme e IA, destruição ambiental e IA, automação e IA… Achamos o slogan publicitário “IA impulsionada por pessoas” particularmente revelador. Será que isso se refere aos milhões de trabalhadores explorados que usam cliques para trabalhar?

Não precisamos nem de rearme nem de “soluções” tecnológicas sem fundamento. Todas essas empresas não fazem parte da solução, mas sim do problema: roubam e desperdiçam recursos, promovem crescimento desenfreado, competição sem fim, etc.

No domingo anterior à feira, Friedrich Merz se reuniu com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva para acertar uma parceria entre os dois países, da qual a Alemanha espera obter elementos de terras raras.

Boris Pistorius foi interrompido com ácido butírico durante seu discurso de abertura. Como Ministro da Defesa, com escritório na cidade e responsável pela feira de armas DSEI, que acontecerá em março [2027] em Hanôver, ele era simplesmente um alvo particularmente fácil.

Contra o mito da defesa, contra a sua guerra

Fonte: https://switchoff.noblogs.org/post/2026/04/21/ruestungsmesse-stinkt/

Nota da ANA:

O Brasil foi o país parceiro oficial dessa feira, com um grande pavilhão, promovendo exportações, tecnologia, produtos de defesa (leia-se material bélico), parcerias… Lula 3 participou da abertura da Hannover Messe 2026. Compra militares: Lá, Governo Lula 3 encomendou quatro fragatas da classe Tamandaré do estaleiro germânico Thyssenkrupp por valores bilionários.

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Noite outonal!
Minha avó contando histórias
Na varanda. Agora

Eunice Arruda