[Itália] Caso Cospito: sem livros e CDs musicais para o anarquista no 41 bis

Ministério recorre para bloquear autorização do tribunal de execução penal
 
ROMA, 25 DE ABRIL – O tribunal de execução penal havia autorizado a entrega de livros e CDs ao anarquista Alfredo Cospito, preso no regime 41 bis na cadeia de Sassari. Mas a própria casa de detenção, o Departamento da Administração Penitenciária (Dap) e o Ministério da Justiça recorreram ao Tribunal de Cassação para se oporem à concessão.
 
Aguardando a decisão, o detento não tem permissão para ler os livros ou ouvir os CDs solicitados. “São medidas que se conciliam mal com um Estado democrático”, afirma Flavio Rossi Albertini, advogado de Cospito, segundo o qual “se pretende aplicar o 41 bis completamente fora do perímetro normativo”.
 
Entre os livros pedidos pelo anarquista estão ‘Deus joga dados com o mundo‘, de Giuseppe Mussardo, ‘A maldição da residência Hill‘, de Shirley Jackson, e ‘Ghost story: A história fantasma‘, de Peter Straub. O CD musical é ‘Who let the dog out‘, das Lambrini Girls.
 
Enquanto isso, aguarda-se para o dia 4 de maio, data em que o Ministério deverá decidir se renova por mais dois anos o regime penitenciário duro para o detento.
 
Fonte: Ansa
 
Tradução > Liberto
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
vermelho relâmpago
irrompe do capim seco:
a cobra coral.
 
Anibal Beça

[Chile] 1º de Maio Negro Anárquico Pela Libertação Total

Contra o trabalho assalariado!

Ano após ano, diferentes afinidades anárquicas reivindicamos o 1º de Maio desde nossas próprias trincheiras, declarando guerra àqueles que buscam assimilar esta data de forma funcional ao capital, como “dia de descanso concedido pelo poder”, mas também contra aqueles que buscam se apropriar deste dia instrumentalizando-o politicamente para suas nefastas artimanhas partidárias de mãos dadas com os empresários.

Não comemoramos o 1º de Maio a partir de uma posição vitimista, muito menos do martírio passivo daqueles que colhem crédito político a partir da rançosa nostalgia. Também não queremos dialogar com o poder para mendigar “direitos trabalhistas” através de sindicatos desprezíveis, sejam quais forem seus adjetivos ou cores. E muito menos o sustentamos como uma patética desculpa para invadir uma praça com latas e garrafas de cerveja ao som de consignas vazias que se esfumam pelo ralo com a ressaca do dia seguinte. Nossa intensa antagonia é contra tudo aquilo que sustenta um mundo construído a partir da devastação e do extermínio.

Por isso, o nosso 1º de Maio não é o “dia dos trabalhadores”, porque buscamos precisamente destruir todas as dinâmicas de poder, incluindo o próprio trabalho assalariado. Nosso 1º de Maio é o primeiro dia do mês do caos, onde trazemos ao presente companheiros como Andrea Salsedo, integrante do Circolo Sociale de Galleani, assassinado por esbirros policiais em 3 de maio de 1922 em Nova York, e Mauricio Morales, o Punky Mauri, morto em combate ao tentar instalar um artefato explosivo na Escola de Gendarmaria em 22 de maio de 2009.

Assim, nos lançamos a tomar a rua e os chamados “espaços públicos” para nos reunirmos após a marcha. De cara para a desolação, sem medo do desastre!

Sexta-feira, 1º de Maio de 2026 / Praça Yungay / 14h / Santiago

• A Grande Comparsa do Povo

• Dança “Não se esqueçam de um rosto, não se esqueçam de um nome”

• Tesoura

• Loreone do Krimen

• Nido do Cuco

• Almoço Vegano arrecadando fundos para o 8º Encontro do Livro Anarquista 2026

• Confeitaria vegana em benefício da Escola Libertária do Sul

TRAGA SEU PRÓPRIO FOLHETO, FAIXA!

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Sempre do mesmo lado,

O dia todo e a noite inteira,

O vento da montanha.

Paulo Franchetti

[Espanha] Cartografia anarquista. Um passeio pela história social de Fraga

Desde o Centro de Estudos Libertários José Alberola, apresentamos esta Rota como guia cartográfico onde reconhecer os lugares nos quais se desenvolveram alguns dos acontecimentos mais relevantes da história do anarquismo em Fraga, desde princípios do passado século vinte até os anos trinta.

As ideias libertárias e o anarcossindicalismo enraizaram logo em Fraga e nas Terras Baixas do Cinca, sendo parte ativa do associacionismo obreiro e social desde então. Chegando a alcançar grande notoriedade em momentos históricos concretos: nos anos vinte, nos anos trinta, durante a guerra e a revolução de 1936, inclusive nos obscuros anos da ditadura franquista, na clandestinidade e no pós franquismo.

Agustín Orús, libertário desde sua adolescência, nascido em Fraga em 1918, contava que sua avó lhe cantava, sendo menino, o histórico hino anarquista Hijos del Pueblo. Está documentado o conflito laboral de 1906, como consequência da falta de trabalho pela paralisação das obras do Canal de Aragão e Catalunha (conhecido inicialmente como o Canal de Tamarite de Litera). Convocou-se uma greve reclamando pão e trabalho. Houve barricadas cortando o acesso à cidade na altura da ponte sobre o Cinca com enfrentamentos com a Guarda Civil, com o trágico resultado de vários mortos, entre os quais se encontram cinco obreiros e um guarda civil, e vários detidos. Nessa época se cantava uma balada que dizia: El canal de Tamarite, ni lo han hecho ni lo harán porque no quieren los ricos que los pobres coman pan.

Dos anos vinte e trinta fica a recordação da luta anarcossindicalista e o ativismo cultural e libertário: a greve de mulheres trabalhadoras da indústria manufatureira de figos secos. A intensa atividade desenvolvida desde a Sociedade Cultural Aurora – ateneu libertário – com a compra de um solar e a construção de uma casa pela própria militância, onde se instalou a escola racionalista com José Alberola como mestre, além do Sindicato, biblioteca, grupo de teatro e de um grupo de Juventudes Libertárias, etc. 

Na insurreição anarquista de dezembro de 1933, houve participação ativa em vários povoados da comarca, sobretudo em Belver de Cinca; não em Fraga, ainda que sim padeceu a repressão, com várias detenções e fechamento do Sindicato por ordem governamental. Foram muitas as detenções de militantes anarquistas, de povoados das Terras Baixas do Cinca, que estiveram vários dias presos no cárcere de Fraga (sede do partido judicial) até seu translado à prisão de Huesca.

Especial menção merece o processo revolucionário de julho de 1936: criação do Comitê Popular Revolucionário, a coletivização da terra e a incipiente indústria. O Conselho Municipal, a criação da primeira biblioteca pública, Hospital de Sangue ou a sede do primeiro Conselho de Aragão, etc.

Incluímos na Rota os domicílios particulares onde viveram Agustín Orús e Valero Chiné, militantes libertários de Fraga com uma longa trajetória, além do domicílio onde nasceu Liberto Sarrau, histórico militante anarquista, membro do grupo Quijotes del Ideal das Juventudes Libertárias de Barcelona e muito vinculado a Fraga; também a casa onde viveu José Alberola.

Tampouco queremos deixar de mencionar a militância anarquista — com especial relevância— que residiu em Fraga ou, por diferentes circunstâncias, visitou o povoado ou a comarca. Além de José Alberola e seu filho Octavio, não podemos nos esquecer de Ramón Acín, Felipe Alaiz, Buenaventura Durruti, Ricardo Sanz, Joaquín Ascaso, Francisco Ponzán, Manuel Lozano, Joaquina Dorado, Emma Goldman e tantas e tantos outros.

Rota não segue nenhuma cronologia concreta; tentamos fazer um percurso circular para que seja mais simples o percurso. A maior parte das localizações se encontram no casco histórico da cidade, com a exceção da última localização (a número 24), que se encontra na margem direita do rio. É certo que vários dos lugares mencionados correspondem ao período de guerra e o processo revolucionário de 1936-1938.

Não é um trabalho definitivo, mas em construção permanente. Somos conscientes de quão rica é a história do anarquismo em Fraga e nas Terras Baixas do Cinca; isso nos anima a continuar investigando e recopilando dados. Em qualquer caso, a guia tenta dar continuidade ao trabalho de divulgação histórica que desde o Centro de Estudos Libertários José Alberola desenvolvemos durante anos, também com os diferentes passeios guiados, organizados junto à organização anarcossindicalista de Fraga.

Dizer que nossa pretensão não é acadêmica nem científica; em qualquer caso, sempre contrastamos o que afirmamos. A maior parte da informação da qual se nutre a Rota corresponde às colaborações pessoais de companheiros que foram testemunhas ou participaram nos acontecimentos históricos que relatamos; essa condição merece todo nosso respeito e credibilidade. 

Animamos a todo o mundo a passear pelas ruas de Fraga com outro olhar e o entendimento aberto. A história do anarquismo faz parte de todas as pessoas que ansiamos e trabalhamos para alcançar a justiça social e a liberdade plena. 

Se necessitas ampliar informação, podes entrar em contato conosco através do correio eletrônico: celalberola@gmail.com

Fraga, primavera de 2026

Centro de Estudos Libertários José Alberola

Fonte: https://centrodeestudioslibertariosjalberola.blogspot.com/2026/04/cartografia-anarquista-un-paseo-por-la.html

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Dentro da mata –
Até a queda da folha
Parece viva.

Paulo Franchetti

[Espanha] 1º de Maio de 2026: ano de revoluções e de lutas

Neste ano de 2026, celebramos dois aniversários: o 90º aniversário da publicação do primeiro número da revista “Mujeres Libres” (maio de 1936) e também o 90º aniversário do triunfo da revolução social em 18 de julho de 1936 (levante popular que deteve o golpe de estado fascista em Barcelona).

Isso significa que, na CGT, sustentamos um legado histórico do movimento anarcossindicalista que não devemos esquecer e que devemos manter vivo no presente por meio dos princípios que nos identificam, como o da ação direta. Por isso, devemos manter uma luta constante que, de fato, aplicamos diariamente em nossa ação sindical.

O 1º de Maio é uma data simbólica para a classe trabalhadora do mundo inteiro e, neste ano, na CGT queremos unir passado e presente. Lembramos dois fatos muito importantes para a classe trabalhadora e reivindicamos a continuação dessa práxis de luta constante como ferramenta firme e capaz para a resolução dos conflitos, para melhorar nossas condições de vida.

A situação de vida da classe trabalhadora não melhora, embora os porta-vozes do capitalismo (empresários, políticos e alguns agentes sociais) queiram vender o contrário: mais um ano, nossos salários perdem poder aquisitivo, e nem sequer são compensados com a recuperação do IPC. Assim como os suprimentos essenciais, a alimentação e o transporte não param de subir.

A moradia se tornou um luxo que levou ao surgimento de um movimento social cada vez mais forte que reivindica o direito fundamental a um lar digno e que, praticando a ação direta, interrompe despejos e, por meio da ocupação, libera novos espaços.

Continuamos assistindo a uma criminalização da pobreza e da ocupação livre do espaço público com legislações como a atual Ordenança Cínica da Conveniência (chamada pela Prefeitura de Barcelona de “Plano de ordem”).

Além disso, continuamos sofrendo a deterioração dos serviços públicos, pela falta imposta de recursos econômicos e humanos, tanto em serviços gerais quanto em áreas tão importantes como a educação ou a saúde.

A CGT deve continuar nossa luta diária nos locais de trabalho e nas ruas, defendendo a ação direta e a organização da classe trabalhadora.

A luta não pode parar e deve ser contínua.

Inundemos as ruas!

cgtbarcelona.org

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Árvore curvada
tentando catar folhinhas
caídas no chão.

Lena Jesus Ponte

[Chile] Atualização Situação Carcerária do Companheiro Lucas Hernández (Abril 2026)

Passou mais de um mês desde que o companheiro Lucas Hernández foi transladado desde o cárcere de prisão preventiva Santiago Uno, para o cárcere de cumprimento Santiago Sur (Ex-Penitenciária), e desde sua chegada a perseguição tem sido permanente.
 
Lucas se encontra faz mais de um mês habitando a Rua 4 da Ex-Penitenciária, dependência de população penal isolada e castigada, com um regime de confinamento de 24 horas, em condições de superlotação que o levam a compartilhar cela com mais de 20 pessoas, e com uma série de limitações em seu deslocamento ao interior da rua mesma devido a sua negativa a professar religião alguma em seu cotidiano atrás das grades.
 
No transcurso deste mês se realizaram uma série de audiências derivadas do recurso de amparo interposto pelos advogados defensores de Lucas. O fim do recurso era denunciar e fazer cessar as violações aos direitos do companheiro que estavam sendo perpetrados pela Gendarmeria, no entanto, ainda quando o Recurso foi acolhido pelo Tribunal ordenando tirar Lucas do isolamento, a  Gendarmeria do Chile através de seus advogados dilataram o processo não apresentando os informes exigidos pelo tribunal e sem que até o dia de hoje cumpram com o ordenado, nem deem sequer uma explicação do fundamento para manter Lucas nesta situação.
 
Nosso companheiro permanece firme, digno e inteiro apesar da tortura psicológica diária à qual tem sido submetido pelos carcereiros em vingança de seu posicionamento político refratário.
 
Fazemos o chamado urgente a todo aquele que mantenha um discurso anticarcerário a não ficar na inatividade das palavras, que se multipliquem as ações solidárias exigindo o fim do isolamento de Lucas Hernández e o cessar da perseguição por parte da Gendarmeria. 
 
Fazer das ideias uma ameaça real. 
Aldo & Lucas à rua!
 
Fonte: @kallejaalakallee
 
Tradução > Sol de Abril
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
flores na mão
saúdam uma desconhecida
no cemitério
 
Carol Lebel

[Nova Zelândia] Para o Dia do Anzac: A luta pelo anarquismo é a luta pela paz.

Do The Polar Blast – Notícias e Opiniões Anarquistas sobre a Luta de Classes em Aotearoa
 
O Dia de Anzac¹ (Anzac Day-25 de abril) sempre parece uma ocasião apropriada para reafirmar a oposição anarquista à guerra e reiterar que nunca é do interesse da classe trabalhadora apoiar a guerra.
 
A argumentação anarquista contra a guerra surge de nossa análise e oposição ao capitalismo. O capitalismo é a causa da guerra moderna. A insaciável sede de lucro gera uma busca implacável, por parte das diversas potências capitalistas, por mercados e fontes de matérias-primas. A guerra moderna é, na realidade, uma extensão dos “negócios sob o capitalismo” levada a um extremo de violência, onde as rivalidades econômicas entre os diversos setores nacionais da classe capitalista não podem mais ser resolvidas ou controladas pacificamente.
 
Apesar da narrativa de que a Primeira Guerra Mundial começou com o assassinato do arquiduque Ferdinando, sobrinho do imperador austríaco, por nacionalistas sérvios, a realidade é que ela foi o resultado de anos de interesses capitalistas conflitantes. O capitalismo britânico e francês na Nova Zelândia estava sendo desafiado pela crescente expansão da Alemanha, tanto na Europa quanto no exterior. Quando a Alemanha demonstrou, em 1911, ao enviar um navio de guerra à cidade de Agadir, sua intenção de estabelecer uma base no Marrocos, o então Ministro da Fazenda do Reino Unido, Lloyd George, reagiu imediatamente com um discurso ameaçando guerra.
 
Nesse ambiente internacional tenso, a crise que levaria a uma guerra em escala global era provavelmente inevitável. A “disputa entre Áustria e Sérvia” foi apenas a faísca que incendiou o conflito.
 
Quem prega a paz e o desarmamento sem exigir a derrubada do capitalismo ainda não demonstrou como esses objetivos podem ser alcançados, ou como o comércio e a exportação de capital podem se expandir sem que a violência seja o resultado.
 
A abolição da guerra, e da ameaça de guerra, só se concretizará com a derrubada do capitalismo e a reestruturação da sociedade com base na propriedade e produção comuns, voltadas unicamente para a satisfação das necessidades humanas. Tal sociedade uniria a raça humana, sem classes econômicas ou barreiras nacionais que nos dividam.
 
Sempre que uma guerra é travada, quaisquer que sejam as falsas razões que nos apresentem, e qualquer que seja o lado declarado vencedor, um lado sempre sai perdendo, e esse lado somos nós, os trabalhadores do mundo.
 
Como trabalhadores, precisamos perceber que nosso inimigo não é o trabalhador em outros países; em vez disso, é a classe capitalista em nosso próprio país, e essa é uma divisão muito mais importante do que aquela que separa as nações.
 
A luta pelo anarquismo é indissociável da luta contra a guerra. A única maneira de combater o militarismo é combater o capitalismo e o Estado.
 
A luta pelo anarquismo é a luta pela paz.
 
[1] O Dia de Anzac (data militarista) comemora o desembarque do Corpo de Exército Australiano e Neozelandês (Anzac) em Galípoli, na Turquia, durante a Primeira Guerra Mundial, em 1915. Este evento, também celebrado na Austrália, homenageia todos os neozelandeses que serviram ao seu país em guerras e conflitos. O Dia de Anzac é um feriado nacional. É um dia de folga para a população em geral, e as escolas e a maioria das empresas estão fechadas. Muitos neozelandeses participam de desfiles, cerimônias da alvorada ou cerimônias comemorativas.
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
Vultos
Ciscos cegos
No olho da rua.
 
André Vallias

Primeiro de Maio, nenhum segundo a mais, nenhum centavo a menos!

Por Expressões Anarquistas – Fenikso Nigra

Chega mais um primeiro de maio, data que carrega memória de greve, confronto e invenção coletiva. Não é feriado neutro nem palco para discurso oficial. É marco de conflito aberto entre quem vive do próprio esforço e quem extrai valor desse esforço. Diante do avanço da chamada flexibilização, retomar o sentido desse dia exige ir além da celebração simbólica. Exige organizar recusa concreta: nenhum centavo a menos, nenhum segundo a mais.

A flexibilização aparece como promessa de autonomia, mas opera como disciplina difusa. Horário “livre” vira disponibilidade total. Contrato “por demanda” vira renda incerta. A responsabilidade pelos riscos migra para quem trabalha, enquanto o controle permanece concentrado em plataformas, métricas e contratos opacos — frequentemente com respaldo legal e institucional que legitima essa transferência de risco. O resultado é uma forma de exploração que dissolve limites: o tempo de descanso se mistura ao tempo produtivo, o custo de produção é empurrado para quem trabalha, e a renda passa a oscilar conforme regras que ninguém controla.

Nesse cenário, a luta não pode depender de mediação vertical ou de negociação que aceite a lógica imposta. A tarefa é construir poder direto, com base na cooperação e na igualdade de decisão. Em vez de delegar, assumir. Em vez de esperar, agir. Isso implica formas de organização capazes de atravessar a fragmentação: assembleias abertas, coordenação por mandato revogável, rotatividade de tarefas, partilha de informação sem barreiras. Não há chefia permanente nem especialização que concentre poder; há aprendizagem contínua e distribuição de responsabilidades.

A fragmentação é o principal instrumento de dominação atual. Pessoas isoladas, tarefas quebradas em micro-unidades, vínculos que começam e terminam no aplicativo. Para enfrentar isso, é preciso reconstruir laços onde o sistema tenta impedir encontros. Pontos de apoio locais, grupos de comunicação direta, mapeamento coletivo de condições de trabalho e remuneração. Quando se compartilham dados sobre tarifas, tempos, bloqueios e punições, o véu da arbitrariedade se rompe. O que parecia problema individual revela padrão. E padrão permite ação coordenada.

Recusar o trabalho flexibilizado não é abandonar toda atividade, mas negar as condições impostas. Significa estabelecer limites comuns: não aceitar corridas abaixo de certo valor, não realizar tarefas fora do escopo sem pagamento adicional, não estender jornada sem compensação. Significa também criar redes de apoio para quem sofre retaliação: fundos solidários, defesa coletiva, visibilidade para abusos. Cada recusa isolada é vulnerável; a recusa coletiva cria força.

Há ainda um aspecto menos visível, porém decisivo: a crítica das ideias que naturalizam a exploração. A narrativa de que “empreender é liberdade” ou “se esforçar mais resolve” precisa ser confrontada com a experiência concreta. Espaços de troca são também espaços de pensamento, onde diferentes hipóteses podem ser testadas sem autoridade central que dite o caminho. Não existe método único garantido; existe experimentação prática, correção de rota, combinação de estratégias conforme o contexto. A diversidade de táticas não é fraqueza, mas condição de adaptação.

Importa lembrar que a recusa não aponta para um retorno idealizado ao passado. O objetivo não é restaurar formas antigas de contrato, mas afirmar um princípio: a vida não deve ser subordinada ao lucro. O tempo é finito, o corpo tem limites, o desgaste acumula. Quando o trabalho invade tudo, resta pouco para viver. Por isso, a defesa do “nenhum segundo a mais” não é detalhe contábil; é proteção da própria existência.

No Primeiro de Maio, a memória das lutas serve como ferramenta, não como vitrine. Greves que interromperam a produção, boicotes que expuseram abusos, redes que sustentaram quem enfrentou retaliação: tudo isso aponta para a mesma direção. A organização eficaz nasce de baixo, sem tutela, e se mantém viva pela participação direta. Onde há centralização, cresce a distância entre decisão e realidade; onde há horizontalidade, aumenta a capacidade de resposta.

O desafio imediato é transformar indignação difusa em prática coordenada. Começa com conversas francas entre quem divide o mesmo ramo, segue com acordos mínimos de ação comum e se fortalece com estruturas que garantam continuidade. Exemplos concretos ajudam a iniciar: criação de grupos locais de mensagem entre quem atua na mesma área; definição coletiva de um valor mínimo aceitável por tarefa; construção de calendários de paralisação parcial para testar adesão; registro sistemático de abusos para divulgação pública; formação de caixas solidárias para sustentar quem sofre bloqueio. Pequenos passos, quando articulados, produzem deslocamentos reais.

Nenhum centavo a menos. Nenhum segundo cedido. Nenhuma confiança em promessas que mascaram controle. A recusa do trabalho flexibilizado é afirmação de dignidade e de autonomia coletiva. É construção paciente de um poder que não pede licença e não se submete a hierarquia. Neste Primeiro de Maio, a escolha é clara: aceitar a dispersão ou tecer, com as próprias mãos, a força comum. Na luta somos pessoas dignas e livres!

anarkio.net

agência de notícias anarquistas-ana

Salpicados de sons
Silêncio em suspenso:
Grilos e estrelas.

Marcos Masao Hoshino

[Grécia] Julgamento de Ampelokipi: Marianna M. e Dimitra Z. condenadas a 19 e 8 anos de prisão, respectivamente

O julgamento de Ampelokipi em Atenas chegou ao fim. Após uma explosão em 31 de outubro de 2024 que matou o companheiro anarquista Kyriakos Xymitiris e feriu gravemente a companheira anarquista Marianna M., o Estado grego colocou-a e outros quatro camaradas em prisão preventiva pelos últimos 1,5 anos e na sexta-feira (24/04) proferiu a sentença esperada para os camaradas, 19 anos de prisão para Marianna e 8 para Dimitra. Dimitris, Nikos Romanos e A.K. foram absolvidos e libertados, o que significa que perderam 18 meses de suas vidas devido à construção do Estado de uma organização terrorista.
 
As companheiras anarquistas Marianna e Dimitra foram condenadas por organização terrorista no âmbito do artigo 187a, fabricação distinta de dispositivos explosivos, posse distinta de explosivos e armas para fornecimento a uma organização, posse e fabricação de explosivos em grande quantidade, explosão com dolo eventual e danos.
 
Kyriakos Xyimitiris sempre presente! 
Liberdade para Marianna e Dimitra! 
Nenhum companheiro, companheira nas mãos do Estado! 
Nossa paixão pela liberdade é mais forte do que qualquer prisão! 
Estado e Capital os únicos terroristas!
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
sussurro sem som
onde a gente se lembra
do que nunca soube
 
Guimarães Rosa

[Itália] Atualizações da “Operação City”

Decisão de primeira instância sobre a “Operação City”, primeira seção, e atualizações sobre a segunda seção.
 
O julgamento em primeira instância de uma das duas “partes” da “Operação City”, referente à manifestação de 4 de março de 2023 em solidariedade a Alfredo Cospito, que estava em greve de fome há meses contra o Artigo 41 bis e a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional, foi concluído em 16 de abril de 2026. Naquele dia, milhares de camaradas em solidariedade marcharam pelo centro de Turim, demonstrando sua indignação e deixando para trás apenas uma fração da violência perpetrada em todo o mundo por diversos governos e seus braços armados. As acusações de conspiração para cometer vandalismo e saques, que já haviam sido rejeitadas pelos réus, também foram retiradas pelos tribunais, sendo rebaixadas para conspiração para cometer danos agravados e conspiração para cometer agressão a um funcionário público. Todos os réus foram condenados a penas que variam de 18 meses a 5 anos e meio de prisão, além de multas substanciais à Prefeitura Municipal de Turim (33.000 euros), a diversas empresas (aproximadamente 13.000 euros) e às custas judiciais do processo civil (16.000 euros) para 16 dos acusados. Como sublinharam os advogados de defesa, a maioria dos acusados não foi condenada por ações ou acontecimentos específicos, mas sim por “cumplicidade moral” ou “facilitação da conduta de terceiros”.
 
Entretanto, o julgamento de outros camaradas acusados ​​de envolvimento no mesmo dia de protesto também está em andamento. Trata-se de um processo separado para agilizar a chamada primeira fase.
 
Em 10 de março, durante a audiência preliminar, o juiz de instrução rejeitou as acusações contra os suspeitos, que tinham sido detidos antes do início da marcha e acusados ​​de delitos menores (artigo 115.º do Código Penal), apesar do pedido do Ministério Público para a sua libertação condicional. Os camaradas acusados ​​de cumplicidade em atos de vandalismo, resistência agravada e posse de objetos ofensivos foram levados a julgamento, tendo sido marcada uma audiência para 11 de novembro de 2026: um total de 29 acusações.
 
Lembremos que Alfredo Cospito ainda está sujeito ao regime de tortura do Artigo 41 bis e que este provavelmente será renovado nos próximos dias. Esse período de luta ao lado de Alfredo conseguiu trazer a tortura estatal e a “justiça” vingativa dos tribunais e políticos para o centro do debate público, evidenciando suas contradições. Mas a luta contra o Artigo 41 bis continua.
 
Em todo caso, sem arrependimentos.
 
Fonte: https://brughiere.noblogs.org/post/2026/04/21/aggiornamenti-operazione-city/
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
a cigarra… ouvi:
nada revela em seu canto
que ela vai morrer
 
Matsuo Bashô

Anarquismo no Brasil: redes, lutas e trajetórias entre São Paulo, Santos e o mundo

No dia 3 de maio de 2026, domingo, às 17 horas, na Cinemateca de Santos, na rua Min. Xavier de Toledo, número 42, no Campo Grande, haverá um evento onde será exibido o clássico documentário ‘Libertários‘, de Lauro Escorel, (São Paulo, 1976, Duração: 29 minutos), e em seguida, serão apresentados os seguintes novos estudos, sobre a história do anarquismo e do sindicalismo no Brasil:

• “Paz Entre Nós, Guerra Aos Senhores: Anarquistas Em São Paulo Diante da Primeira Guerra Mundial” de Kauan Willian;

• “A Formação Do Anarquismo Em São Paulo: Transnacionalismo, Atos Públicos e Redes Submersas” de Clayton Godoy;

• “Companheiras — Mulheres Anarquistas Em São Paulo (1889 — 1930)” de Samanta Colhado Mendes;

• “Anarquismo e Sindicalismo Em Santos – Volume 1” de Marcolino Jeremias.

O público presente aproveitará a ocasião para conhecer esses novos estudos realizados, por pesquisadores sérios e competentes, sobre o surgimento do anarquismo e do sindicalismo revolucionário no estado de São Paulo e suas conexões com outras regiões.

agência de notícias anarquistas-ana

Só o Ipê vê, pasmo,
o tremor suado — orgasmo —,
borboleta treme e passa.

Alckmar Luiz dos Santos

[Itália] Trieste: Liberemos o 25 de Abril

O aniversário da libertação do nazifascismo é uma data sempre carregada de patriotismos, nacionalismos, mitologias antiquadas, musealizações da memória e instrumentalizações. É uma ocasião para os fascistas no governo limparem a própria cara, e para políticos de todas as facções jogarem o macabro jogo da pacificação e da conciliação nacional.

No entanto, é uma data que enfrentamos. Porque é também um momento em que surge a vontade de afirmar ainda mais o nosso antifascismo, de contestar as hipocrisias e de deixar registrado tudo aquilo que pensamos, dizemos e buscamos fazer todos os dias. Porque o antifascismo precisa ser praticado todos os dias.

Convidamos todes os antifascistas a trazer sua própria leitura, voz e testemunho no sábado, 25 de abril, na Piazza della Borsa, a partir das 10h.

Grupo Anarquista Germinal

agência de notícias anarquistas-ana

A rã de Bashô
sai num pulo do haicai
dele para o meu.

Otoniel

[Grécia] Encontro internacional de operadores de rádio com transmissões ao vivo

Transmissão ao vivo de um encontro internacional de estações de rádios anarquistas e antiautoritárias.

No domingo, 26 de abril, a partir das 13h, você poderá ouvir transmissões ao vivo com diversos temas do encontro internacional da Rede de Rádios Anarquistas e Antiautoritárias, que acontece há quase 10 anos em Atenas. Você pode conhecer e entrar em contato com o conteúdo dos projetos de rádios anarquistas e antiautoritárias do mundo todo através dos seguintes links:

1431am.org:8001/1431ogg

c32.radioboss.fm:18563/stream

radioreb.radioca.st/stream

As transmissões abordarão uma ampla gama de tópicos sob a perspectiva dos movimentos anarquistas e antiautoritários:

Julgamentos políticos em curso, imigração, questões de saúde mental, manifestações de solidariedade a camaradas presos, questões ecológicas, histórias positivas da vida de anarquistas, discussões sobre outros temas da atualidade, anúncios sobre próximas manifestações/conferências/reuniões/feiras de livros, música faça-você-mesmo e muito mais!

Os projetos de rádios participantes vêm de várias partes da Europa. A programação será em inglês.

Sintonize e convide seus amigos para fazerem o mesmo!

Projetos e transmissões de rádios participantes:

• Pária (Grécia – Atenas)

• Acidente (Grécia – Chania)

• 1431 AM (Grécia – Tessalônica)

• 105 fm (Grécia – Mitilene)

• A-Radio Berlin (Alemanha)

• FrequenzA (Alemanha)

• A-Radio Viena (Áustria)

• Črna Luknja (Eslovênia)

• Kilavo Seme (Eslovênia)

• Alerata! (Bulgária)

www.1431am.org

agência de notícias anarquistas-ana

À beira do lago
aliso o brilho da lua
com as mãos molhadas

Eunice Arruda

Foda-se! | Contra toda autoridade!!!

[Itália] Primeiro de Maio Internacional

Já se passaram mais de cem anos desde que Errico Malatesta lamentava, nestas páginas, que as manifestações do Primeiro de Maio já não despertavam mais os entusiasmos de tantos anos atrás.

O Primeiro de Maio continua, no entanto, sendo uma grande jornada internacional.

Até mesmo suas danças, suas festas, seus concertos têm um caráter intrinsecamente revolucionário, porque são o resultado da deserção do alistamento a serviço da competitividade e da produtividade capitalista.

Deserção deve ser a palavra de ordem deste Primeiro de Maio. Deserção da produção e do transporte de armas, deserção de todo governo e de suas guerras. Portanto, solidariedade aos desertores e luta ao militarismo: esses são os temas para uma atualização do caráter internacionalista do Primeiro de Maio.

No artigo publicado no [jornal] Umanità Nova em 1920, Malatesta recolhia as críticas que uma parte mais “intransigente” do movimento anarquista já fazia nos primeiros anos do século passado à “degeneração” do Primeiro de Maio. Contra essas críticas, também Pietro Gori se insurgira em seu tempo.

As razões de tais críticas eram múltiplas: ao arrependimento pela perda do caráter revolucionário somava-se, para alguns, a recusa da preparação de um compromisso acordado em nível internacional. Os movimentos são espontâneos, dizia-se, e não podem ser convocados sob comando, em prazos estabelecidos em mesa de negociação; outros ainda expressavam desprezo pela participação das massas, que diluíam o caráter revolucionário das minorias e dos indivíduos. Sobre tudo, porém, pairava um dos principais obstáculos à ação do movimento anarquista: a convicção de que até mesmo o Primeiro de Maio não era suficientemente revolucionário para os anarquistas.

Errico Malatesta retoma essas críticas para invertê-las: não é o caráter das massas que atenua o caráter revolucionário do Primeiro de Maio, mas o insuficiente envolvimento do movimento anarquista. Cabe aos anarquistas — sustenta Malatesta — caracterizar de maneira revolucionária a data do Primeiro de Maio e enriquecê-la de conteúdos, sem se deixar condicionar pelo processo de esvaziamento. O que diria o bom Errico, hoje em que o Primeiro de Maio é inclusive feriado nacional? Até a Igreja, preocupada com a adesão das classes exploradas à data, pensou em meter o dedo, dedicando o primeiro dia de maio a São José Operário.

Ainda assim, até hoje, o Primeiro de Maio, com seu pulsar de passeios campestres, cantos, danças, festas e concertos, alonga sua sombra ameaçadora sobre as classes privilegiadas e sobre os governos, que fazem de tudo para anulá-lo e esvaziá-lo de conteúdo.

E o Primeiro de Maio continua sendo um grande compromisso internacional. A ideia de uma afirmação de vontade por parte das classes exploradas e das forças revolucionárias de todos os países em um dia determinado e não casual; o gesto com que, no mesmo dia, em todo o mundo, as forças do trabalho abandonassem sua ocupação, desertassem os postos de trabalho. Tudo isso representa ainda hoje uma ameaça para quem quer nos manter acorrentados ao mirabolante da competitividade e da produtividade capitalista. A celebração das conquistas do movimento operário, mesmo por meio das festas, além dos comícios, é o testemunho da tomada de consciência da divisão da sociedade em classes, e da solidariedade do proletariado para além das fronteiras traçadas no papel.

Aliás, não se deve subestimar o caráter revolucionário da festa.

Os governos delineiam um futuro de escassez e catástrofes, em que a guerra volta a ser o instrumento para resolver controvérsias internacionais. Um futuro sombrio, feito de subjugação ao carro do capital, sob as fórmulas da participação e da solidariedade nacional. A produção moderna é impensável sem a disciplina de quem exerce a capacidade laboral. Todas as energias devem ser destinadas ao aumento da produtividade, disciplinando e reprimindo os instintos vitais e regulamentando o consumo de comidas e guloseimas e de toda substância que possa prejudicar o exercício da força de trabalho. Ao mesmo tempo, o corpo e a mente de quem exerce a força de trabalho tornam-se o campo em que se experimentam técnicas de disciplinamento e a administração de substâncias capazes de aumentar o desempenho laboral e tornar a pessoa mais disciplinada em relação à hierarquia empresarial.

Eis então que até mesmo uma festa, que interrompe esse mecanismo de submissão à produção a qualquer custo, assume um caráter subversivo, e o próprio passeio campestre, que tira as pessoas do concreto dos bairros-dormitório por um dia, acaba sendo mais eficaz do que um comício para delinear exemplarmente o caráter da sociedade que queremos construir.

Cabe ao movimento anarquista insinuar nesses momentos de libertação do jugo da exploração capitalista os elementos de intransigência revolucionária que caracterizaram o Primeiro de Maio desde o início.

Recordar as origens do Primeiro de Maio significa recordar os Mártires de Chicago. August Spies, Albert Parsons, Adolph Fischer, George Engel foram enforcados por terem organizado, justamente em 1º de maio de 1886, uma greve pela aplicação da lei das oito horas. Louis Lingg suicidou-se na prisão no dia anterior ao enforcamento.

Recordar o Primeiro de Maio significa recordar a solidariedade universal, cosmopolita, acima de todas as pátrias, de toda pessoa oprimida pelo trabalho e animada pela vontade de se emancipar.

O Primeiro de Maio nos dá o exemplo de grandes jornadas de luta, construídas sobre a base da unidade entre as forças que se reportam ao movimento operário. O movimento anarquista sozinho não teria sido capaz de dar vida a essa experiência. Devemos, portanto, ser capazes de construir relações com as outras componentes, permanecendo sempre nós mesmos. Justamente a história do Primeiro de Maio demonstra que, graças ao empenho de parte do movimento anarquista, conseguiu-se definir esta data. Outra parte do movimento, em nome de um mal-entendido purismo, preferiu não participar dos momentos decisórios. Se todo o movimento anarquista tivesse seguido esse caminho, os chefões social-democratas teriam tido a estrada aberta para transformar o Primeiro de Maio numa simples ocasião de propaganda de seus intentos eleitoreiros a ser realizada no primeiro domingo de maio. Como queriam fazer e como, em vez disso, não foi feito.

“Desertai, falanges de escravos”, exorta o hino do Primeiro de Maio de Pietro Gori. A deserção do trabalho é um elemento central do Primeiro de Maio. Hoje, a deserção assume um significado mais geral, diante da progressiva transformação da economia em economia de guerra. E ao lado da mais geral deserção do trabalho, deve-se reivindicar a deserção da produção e do tráfico de armas, que alimenta guerras em todas as partes do mundo. Não se trata apenas de uma escolha individual para acalmar a nossa consciência. A deserção é o primeiro passo para construir um movimento de massa para incidir sobre a produção e a distribuição, para que as produções de morte sejam transformadas em produção de bens e serviços destinados a aliviar a miséria da maioria da humanidade.

Sobretudo, deserção de todas as guerras. Para aqueles que dizem que há um agressor e um agredido, repetimos que todos os governos, todos os capitalistas é que agridem. Devemos desertar de todas as guerras, devemos apoiar os desertores, abrindo as fronteiras e organizando todas as formas possíveis de apoio.

A isso nos convoca o Primeiro de Maio de 2026.

Abaixo o militarismo! A marcha para a guerra só pode ser detida pela ação de baixo para cima.

Viva o Primeiro de Maio! Viva a unidade internacional da classe operária! Viva a anarquia!

Tiziano Antonelli

Fonte: https://umanitanova.org/primo-maggio-internazionale/   

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

morro alto
sobre o som do mar
o som do grilo

Ricardo Portugal

[Espanha] Revista Estudios #5

Já está disponível o novo número da revista Estudios. Trata-se de uma publicação de análise da realidade e pensamento libertário lançada pelo sindicato CNT.

É uma obra que nasce da inteligência coletiva e do esforço de muita gente. Uma importante colaboração teórica e prática para a confederação e, definitivamente, para a totalidade do sindicalismo revolucionário que ambicione transformar e incidir na realidade.

Este número constará de 3 volumes, que se podem adquirir em separado ou juntos. Cada volume responde a uma temática: Sindicalismo RevolucionárioEcologia e Planejamento Econômico.

Os exemplares em papel se vendem soltos a PVP de 10 € cada um.

fal.cnt.es

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de cesto em cesto
de lixo vasculhando —
o som das latas

Ivan Eugênio da Cunha

Primeiro de Maio de 2026 | Nenhum direito a menos! Mais por conquistar…

Pagando aluguel, energia, alimentação, água, gás e transporte não sobra pra saúde nem para doença, não sobra para lazer nem para descanso: de Norte a Sul, do litoral ao sertão, o salário acaba antes do fim do mês.
 
O empreendedorismo é a ilusão vendida como solução de hoje à falta de trabalho com CLT ou Estatutário. Nos incentivam a criar, produzir, oferecer serviços, mentindo que seremos patrões de nós mesmos. A verdade verdadeira é que os BANCOS e o ESTADO brasileiros financiam as grandes empresas nacionais e multinacionais, na indústria e agronegócio com “juros” de compadres e aos pequenos sobra sua força de trabalho e a sorte.
 
Lutamos e conquistamos, no início do século XX, no Brasil a jornada de 8 horas de trabalho. Hoje, trabalhamos mais horas, ganhamos menos e a propaganda nas redes sociais, rádios, televisão é que hoje temos mais liberdade de usar nosso tempo. Mas, como posso usar “meu” tempo se tenho de trabalhar 12 horas e não me sobra dinheiro? E se eu ficar doente? Indígena Galdino queimado vivo nas ruas de Brasília. Adolescentes classe média promovem estupro coletivo no Rio de Janeiro. Criança preta morta indo para aula em Belém. Mulher assassinada em Cuiabá pelo ex-marido. E nesse contexto lutamos firmemente pela redução da escala de trabalho 6×1.
 
Cachorro Orelha assassinado a pauladas numa praia da elite Catarinense. Chacina do Cabula executada por policiais militares. Pobreza, impunidade, ausência de educação, propaganda do ódio, superexploração do trabalhador e da trabalhadora?
 
Nossos sindicatos estão tomados por partidos políticos de direita, esquerda e fascistas. O fascista Bolsonaro e sua política negacionista hipócrita promoveu a morte de mais de 700 mil brasileiros e brasileiras. O Congresso Nacional e o governo Lula 3 mantêm a militarização da sociedade crescente com ESCOLAS MILITARIZADAS, GUARDAS MUNICIPAIS MILITARIZADAS, MILITARIZAÇÃO DE TERRITÓRIOS INDÍGENAS E QUILOMBOLAS, AUMENTO DE GASTOS MILITARES, INVESTIMENTO EM INDÚSTRIAS ARMAMENTISTA MILITAR, REDUÇÃO DOS INVESTIMENTOS EM EDUCAÇÃO E SAÚDE. O sindicato é uma ferramenta. É nossa ferramenta que foi roubada.
 
A UAF é uma associação anarquista federalista de coletivos e indivíduos que trabalha para construir e firmar no Brasil alternativas de vida, de organização social e econômica justa e igualitária fora, paralela e para além do capitalismo, entendendo, vivendo e praticando a unidade de justiça e liberdade, a unidade de pessoa e natureza pelo bem viver. Oferecemos nossa mensagem à todas trabalhadoras e trabalhadores neste Primeiro de Maio de 2026 com o propósito de juntos defendermos nossos direitos e construirmos uma vida melhor, mais digna, mais justa, com mais liberdade.
 
SAUDAÇÕES TRABALHADORA E TRABALHADOR Brasileiros!
 
União Anarquista Federalista – UAF
Filiada à Internacional de Federações Anarquistas – IFA
uafbr.noblogs.org
Contato: uaf@riseup.net
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
Neste bosque urbano
árvore feita em concreto
– meu corpo estremece.
 
Eolo Yberê Libera