[Chile] O Sol Ácrata N°2 (exemplar 75), Abril de 2026

EDITORIAL: ALERTA, ALERTA! Escrito por Nekro

A ascensão de José Antonio Kast à presidência do Chile não é uma simples mudança de governo. Não é uma alternância eleitoral dentro da democracia. É o sinal de que o regime neoliberal chileno entra em uma nova fase de endurecimento.

O fascismo não chegou ao Chile marchando com uniformes nem levantando bandeiras nas ruas. Chegou como costuma fazer no século XXI: sentado nas instituições, falando a linguagem da segurança, da ordem e da reconstrução nacional. Isso não acontece por acidente. O fascismo aparece quando o sistema econômico perde legitimidade e as elites precisam restaurar o controle social. Esse é o Chile em que Kast chega. Não o país do otimismo neoliberal dos anos 1990 nem o “jaguar da América Latina” que durante décadas foi vendido pelas elites. Ele chega a um país fraturado e exausto por um modelo que prometeu prosperidade enquanto concentrava a riqueza. O Chile que recebe Kast é um país endividado. Um país onde milhões sobrevivem pagando créditos para estudar, viver ou adoecer. Um país onde trabalhar já não garante viver. As aposentadorias condenam à pobreza. O custo de vida aumenta enquanto os salários mal dão conta. E quando um país chega a esse ponto, a raiva explode. A Rebelião Social de 2019 foi a maior crise política do modelo neoliberal desde sua instalação durante a ditadura. Milhões de pessoas foram às ruas e questionaram a ordem econômica e política que governou o Chile durante décadas. Durante semanas, o país inteiro tremeu. O mito da estabilidade chilena desabou diante dos olhos do mundo. Mas o regime não caiu. O poder reagiu como sempre faz quando seu domínio é desafiado: primeiro com repressão, depois com uma saída institucional destinada a conter a revolta. O processo constitucional foi apresentado como transformação. Mas acabou funcionando como um mecanismo para esfriar a mobilização sem alterar as estruturas profundas do modelo.

O resultado foi uma sociedade que continua vivendo sob as mesmas condições de precariedade, mas agora com uma frustração política muito mais profunda. Esse é o país em que Kast chega ao governo: um país onde o mal-estar social persiste, mas onde o cansaço, a desconfiança e o medo começaram a ocupar o espaço que antes era ocupado pela esperança de mudança.

É nesse terreno que crescem os projetos autoritários. O fascismo não surge apenas do ódio. Surge do medo das elites de perder o controle quando o consenso que sustentava o sistema começa a se romper. Quando as instituições perdem legitimidade e a crise social se aprofunda, o poder começa a falar a linguagem da ordem, da segurança e da disciplina. Kast encarna precisamente essa resposta. Seu discurso não fala de desigualdade estrutural nem do fracasso do sistema de aposentadorias. Não fala do endividamento que domina a vida cotidiana de milhões de pessoas. Fala de segurança, de ordem e de restaurar a autoridade do Estado. Essa linguagem não é nova. É a linguagem que historicamente aparece quando o sistema precisa se defender. Suas primeiras decisões como presidente mostram claramente para onde seu governo está indo. Apenas seis dias depois de assumir o cargo, apresentou o chamado Plano de Reconstrução Nacional, um pacote econômico que promete crescimento, emprego e estabilidade. Mas por trás desse discurso aparece algo conhecido: o aprofundamento do mesmo modelo neoliberal que produziu a crise social do país. Redução de impostos para as empresas, subsídios estatais para reduzir custos trabalhistas, eliminação de regulamentações para acelerar projetos de investimento e incentivos fiscais para reativar o mercado imobiliário.

A receita é conhecida. É a mesma lógica que governou a economia chilena por mais de quarenta anos: crescimento baseado na expansão do capital privado com a promessa de que seus benefícios um dia chegarão ao resto da sociedade. O problema é que esse “um dia” nunca chegou. A desigualdade continua lá. A precariedade continua lá. O endividamento continua lá. O conflito social que estourou em 2019 continua latente sob a superfície.

O que muda agora é a forma de administrar esse conflito. Quando o consenso neoliberal deixa de ser suficiente para sustentar a estabilidade política, o sistema começa a se endurecer. A linguagem do crescimento econômico se mistura com a da ordem e da segurança. A promessa de prosperidade se combina com a expansão do controle social. É isso que estamos vendo hoje. Kast não inaugura um novo sistema político. Ele representa a fase autoritária de um modelo econômico que tenta sobreviver à sua própria crise.

Por isso, este momento exige clareza. O fascismo não entra em uma sociedade se anunciando como fascismo. Ele entra prometendo estabilidade, segurança e ordem contra o caos. Mas sua função sempre foi a mesma: proteger um sistema econômico que já não pode se sustentar apenas pelo consenso. O Chile entra agora em um novo ciclo político. Um ciclo onde o poder tentará restaurar o controle social enquanto o mal-estar que sacudiu o país há poucos anos continua sem encontrar uma saída real.

A pergunta já não é se o conflito social voltará. A pergunta é quando. E também o que faremos nós. O antifascismo não nasce nos parlamentos nem nos discursos institucionais. Nasce na sociedade organizada: nos bairros, nos territórios e nos espaços onde as pessoas voltam a se reconhecer como força coletiva.

Porque todo sistema de dominação depende, em última instância, da obediência daqueles que o sustentam.

E essa obediência nunca está garantida.

PARA LER, BAIXAR E PROPAGAR ESTE NÚMERO:

https://periodicoelsolacrata.wordpress.com/wp-content/uploads/2026/03/el-sol-acrata-nc2b02-ejemplar-75-quinta-epoca-abril-de-2026.pdf

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Um pombo no mar
traz ao bico verde ramo:
terra à vista?

Anibal Beça

15 perguntas à Frente Anarquista no Irã e no Afeganistão

Respostas às perguntas de “Maciej Augustyn”, um camarada anarquista na Polônia sobre o movimento anarquista no Irã e no Afeganistão.

1 – O movimento anarquista no Irão é de nicho e fragmentado, concentrando-se sobretudo nas cidades universitárias? E qual o nível de atividade na diáspora?

O movimento anarquista no Irã é jovem. Foi apenas nos últimos anos que o anarquismo dentro do território iraniano se desenvolveu num movimento propriamente dito. Foi também apenas nos últimos anos que alguns livros anarquistas foram oficialmente traduzidos para persa e receberam permissão para publicação no Irã.

Dito isto, o movimento está mais disseminado geograficamente do que os observadores externos poderiam esperar. De acordo com pesquisas que realizamos no Twitter e no Telegram, os anarquistas estão presentes em todas as 31 províncias do Irã, desde pequenas cidades a grandes metrópoles, por todo o território do país. O movimento está em todo o lado, mesmo que nem sempre seja visível.

Devido às condições de severa repressão no país, o movimento anarquista tem operado de forma cada vez mais descentralizada. Esta descentralização não é uma fraqueza, mas sim uma estratégia de sobrevivência. Somos a única organização anarquista com aproximadamente 17 anos de atividade organizada contínua. Começamos em 15 de agosto de 2009, fora do Irã, sob o nome de “Voz do Anarquismo”. De 2011 a 2014, reorganizamo-nos sob o nome de “Rede Anarquista”. A partir de 2013, operamos o site Asranarshism. Depois de camaradas do Afeganistão terem se juntado a nós em 2015, fundimos todas as atividades no coletivo Asranarshism. Em 2018, juntamente com outras duas organizações anarquistas, uma no Irã e outra no Afeganistão, fundimos a União Anarquista do Afeganistão e Irã. Em 2020, esta passou a fazer parte da Federação da Era do Anarquismo. Em meados de abril de 2025, a Federação foi efetivamente dissolvida. Preservamos as suas páginas como um arquivo, em parte como um registro da nossa história e em parte para impedir que alguém usasse o nome enquanto as páginas permanecessem inativas. Desde 30 de abril de 2025, operamos sob o nome Frente Anarquista, com foco nas geografias do Irã, Afeganistão e região circundante.

Não temos o desejo de expandir a nossa força organizacional num sentido institucional convencional. O nosso foco está na qualidade e profundidade da nossa organização, e não no crescimento.

Sobre a diáspora: a nossa situação é oposta à da maioria das outras forças de oposição iranianas, cuja base principal está fora do país. No nosso caso, as nossas raízes e presença primária estão dentro do Irã. Fora do Irã, o número de anarquistas ainda não é grande.

>> Leia a entrevista na íntegra aqui:

https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2026/04/06/15-perguntas-a-frente-anarquista-no-irao-e-no-afeganistao/

agência de notícias anarquistas-ana

Tempo destinado
a esfregar e descorar
nódoas do passado.

Flora Figueiredo

[EUA] Marius Mason será transferido para uma casa de transição em 4 de maio

O prisioneiro político Marius Mason, conhecido por sua arte, seu ambientalismo, seu anarquismo e sua defesa das pessoas trans, entre outras coisas, está com previsão de deixar a prisão em maio de 2026 para ir a uma casa de transição em Detroit.

Neste momento, não sabemos quais restrições serão impostas, nem por quanto tempo. Reconhecemos as muitas pessoas que defenderam, apoiaram e trabalharam para tornar esse desfecho possível, e esperamos que essa transição aconteça com dignidade, segurança e cuidado para todas as pessoas envolvidas.

Compartilharemos mais detalhes assim que estiverem disponíveis. Enquanto isso, por favor, considere doar o que puder para o fundo de apoio de Marius em:

supportmariusmason.org/support

Entre em contato com freemariusmason[@]gmail.com se você tiver alguma dúvida específica.

Com a mais profunda gratidão,

A equipe de apoio a Marius Mason

Fonte: https://www.abcf.net/blog/marius-mason-to-be-released-to-halfway-house-5-4/  

Tradução > Contrafatual

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/06/06/eua-declaracao-de-marius-mason-para-11-de-junho-de-2025/

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O Estado é mito
que o vento leva—ficam
nossas mãos nuas, sós.

Liberto Herrera.

[Chile] La Zarzamora: 8 anos pela liberação total

Por La Zarzamora

Hoje 4 de abril, completamos 8 anos de contrainformação e incômodo para a dominação e seus executores.

8 anos gritamos sem parar: basta ESPECISMO, de PATRIARCADO, de CÁRCERE e de toda a construção simbólica e material que sustenta este asqueroso sistema de morte.

Entre genocídio, guerras, extrativismo, prisão e fascismo desatado, resistimos como o mato, rebrotamos das dores, das desesperanças e das frustrações, apoiadas por todos os nossos companheiros, que nos fazem seguir expandindo nossos ramos espinhosos.

Juntos chegamos aos rincões mais longínquos, sendo traduzidas e propagadas em idiomas que jamais pensamos.

Não é fácil o que fazer de Zarza, às vezes há momentos tristes, às vezes nos custa, às vezes choramos. Esta relação direta com a injustiça do sistema e do estado, vai calando profundo, porque não somos uma empresa nem um projeto, somos compas como qualquer um, vivemos e experimentamos as raivas e dores dos que acompanhamos.

Mas mesmo assim seguimos AUTOGESTIONADAS, ÁCRATAS, E ATIVAS, orgulhosos de nossa coerência, com as mãos e a consciência limpa de qualquer dinheiro sujo de ongs, fundos feministas ou qualquer invento do progrecapital.

Assim pobres, mas coerentes seguimos para outro ano de La Zarzamora, que vem com mais crescimentos e surpresas.

Contamos-lhes alguns:

– Edições La Zarzamora – Começamos a fanzinear pelo que encontrarás em feiras de contrainfo e atividades múltiplos artigos e entrevistas de La Zarza. (Na página iremos subindo para impressão).

– Tiramos um livro! Logo vem o lançamento do livro em memória da companheira Marcela Rodriguez, que surge a partir da última entrevista que Zarzamora realiza antes de sua partida física. Um trabalho conjunto em espanhol e italiano, realizado por Zarza, Loika e Julio Araya (companheiro de vida de Marcela), que logo será lançado.

– Rádio: Reativamos as cápsulas informativas todos os dias às 14h00 na rádio La Zarzamora.

– Colaboratividade e apoio mútuo: seguimos armando e concretizando ideias com mais meios livres e compas. Virão produções!

Isto é só uma pincelada, já verão!

Agradecemos-lhes o apoio e a confiança em todos estes anos. Seguimos juntos incomodando ricos e poderosos.

Coragem!!

La Zarzamora

8 anos Pela Liberação Total

lazarzamora.cl

Tradução > Sol de Abril

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silêncio
o passeio das nuvens
e mais nenhum pio

Alonso Alvarez

Pré-lançamento do livro “História do anarquismo na ditadura militar brasileira (1964–1985)” de Rafael Viana da Silva.

O livro discute a presença e a atividade anarquista durante a ditadura militar brasileira (1964-1985), a partir da análise de diferentes fontes documentais. Analisando jornais, cartas, entrevistas e outros materiais —, o autor resgata a presença e a militância política dos anarquistas nesses anos, situando-as em um contexto marcado pela modernização capitalista, pelo autoritarismo estatal e pela emergência de novos sujeitos sociais e políticos.

A obra acompanha as discussões nacionais e transnacionais do anarquismo brasileiro bem como a inserção dos anarquistas no movimento estudantil e a repressão que atingiu dezenas deles.

Com a distensão política, o livro analisa o processo de reorganização pública e de reinserção dos anarquistas nas atividades do movimento estudantil, do movimento comunitário e do movimento sindical, além das polêmicas que atravessaram seus jornais.

História do anarquismo na ditadura militar brasileira (1964– 1985) constitui uma referência indispensável para todos aqueles que buscam compreender mais profundamente não apenas o regime militar brasileiro e o anarquismo em geral, mas, sobretudo, a presença e a atuação do anarquismo nesse contexto ditatorial.

A capa do livro é de autoria do artista gráfico @1dinelli

Garanta a nova obra (R$ 65,00): editorafaisca.net

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outro assobio
escuto os passarinhos
sem dar um pio

Ricardo Silvestrin

[Itália] Declaração dos indiciados pela Operação City ante o Tribunal de Turim

Declaração lida por dois dos indiciados pela Operação City ante o Tribunal de Turim durante a audiência do dia 24/02/2026

Se estamos aqui, no banco dos acusados, é porque decidimos lutar contra o 41bis e a prisão perpétua, junto e em solidariedade com Alfredo Cospito, encarcerado sob esse regime em maio de 2022 e que iniciou uma greve de fome indefinida em outubro do mesmo ano. No final de fevereiro de 2023, o rechaço definitivo do Tribunal de Recursos à desclassificação de Alfredo do regime 41bis representou, na prática, sua condenação à morte. Como podemos permanecer indiferentes ante a morte iminente de um companheiro que se dedicou a denunciar tais abominações?

Dentro dos mecanismos de arbitrariedade e violência que formam o sistema judicial italiano, o artigo 41 bis e a prisão perpétua sem liberdade condicional são dois instrumentos de tortura. Não se trata de um simples artifício retórico, mas de uma análise substantiva do uso destes instrumentos, partindo do significado literal do termo, que —citando a Treccani— se refere a “diversas formas de coerção física aplicadas a um acusado […] com o fim de extrair-lhe uma confissão […]”. Inclusive hoje, e desde princípios da década de 1990 até a atualidade, centenas de presos se encontram reclusos sob o regime 41bis, submetidos ao isolamento diário e emocional, a um estigma social que também afeta seus seres queridos, a privação sensorial e, para muitos, a impossibilidade de serem liberados. Uma condição concebida e implementada cínica e cientificamente para aniquilar o indivíduo. Hoje, uma vez mais, é importante destacar como a valente luta do companheiro Alfredo Cospito, em greve de fome durante seis longos meses, desatou um amplo e decidido movimento de solidariedade.

Nas últimas décadas, rara vez o sistema penitenciário, seus mecanismos punitivos, a violência sistêmica que o impregna, a arbitrariedade de suas normas e as afirmações enganosas que pretendem justificar as “fossas comuns” foram analisados, criticados e rechaçados por diversos grupos sociais. A mobilização estudantil, junto com a denúncia e a participação ativa de organizações, associações e, sobretudo, milhares de pessoas, representou um aumento de conscientização excepcional e sem precedentes. Isto ocorreu não só em Turim, mas também em muitas cidades da Itália e do exterior.

Um efeito bumerangue que certamente, ainda que inesperadamente, sacudiu os que haviam trabalhado com tanto zelo para possibilitar legalmente a aplicação do Artigo 41bis a Alfredo. Mas apesar disto, apesar dos protestos e ações de solidariedade na Itália e em todo o mundo, Alfredo segue submetido a este regime, que provavelmente será renovado na próxima primavera. Foi condenado a 23 anos, junto com Anna Beniamino, cuja condenação ascende a quase 18 anos, por massacre político, o delito mais grave segundo a lei italiana, apesar da ausência de mortos ou feridos. Diferente do ocorrido em Piazza Fontana (17 mortos), Piazza della Loggia (9 mortos e 102 feridos), a estação de trem de Bolonha (85 mortos) e os inumeráveis ataques racistas (especialmente o de Castelvolturno em 2008, que deixou 8 mortos), em nenhum destes casos se incluiu o massacre político entre as acusações.

As guerras contemporâneas, os genocídios, as investigações de DNAA (Direção Nacional Antimáfia e Antiterrorismo) contra palestinos e migrantes, as dezenas de milhares de pessoas que fogem de territórios devastados e saqueados pelo colonialismo e morrem tentando chegar à Europa, as mortes no trabalho, a cumplicidade do Estado italiano com Israel, tudo demonstra que os massacres, a devastação e o saque são planejados e perpetrados pela violência estatal.

Lutar hoje é mais necessário que nunca. Em solidariedade com Alfredo, contra o 41bis e a prisão perpétua. Liberdade para todos os povos oprimidos, que lutam e resistem.

Acusados e acusadas

Fonte: https://nocprtorino.noblogs.org/post/2026/02/26/dichiarazione-letta-durante-ludienza-dibattimentale-per-il-corteo-del-4-marzo-2023/

Tradução > Sol de Abril

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a borboleta
pousa sobre o sino do templo
adormecido

Buson

[Chile] Para aqueles que insistem em arriscar tudo. Palavras do companheiro Francisco Solar.

Para aqueles que nem a repressão nem a prisão conseguem acalmar.

Para aqueles que, sabendo que a realidade opressiva pouco ou nada mudará, mesmo assim arriscam tudo por alguns instantes de liberdade. Liberdade verdadeira desde o momento em que se decide enfrentar o poder em primeira pessoa.

Para aqueles que não se acomodam.

Para aqueles que não se contentam com a crítica que, por mais radical que seja, fica apenas nas palavras.

Para aqueles que não esperam que os riscos sejam assumidos por outros, mas que são eles mesmos que tomam as rédeas e decidem atacar.

Para aqueles que não descansam sobre os louros das ações já realizadas.

Para aqueles para quem a anarquia é fazer o que se diz.

Para aqueles que apostam e se lançam na prática da violência revolucionária.

Para aqueles que vibram com a conspiração e o ataque.

Para aqueles que, em definitiva, não se domesticam e não contemplam a passividade em suas vidas.

Para aqueles que insistem obstinadamente em arriscar tudo.

Para Sara e Alessandro, que levaram uma vida de combate e que a anarquia não os esquecerá.

Francisco Solar

Prisão La Gonzalina-Rancagua

Março de 2026

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Nuvens de mosquitos –
Sem isso, no entanto,
Mais solitário.

Issa

Feira do Livro Anarquista dos Balcãs 2026

Nos entusiasma e motiva convidar a companheiros, coletivos, editoras e iniciativas dos Balcãs e mais além de Skopie para a Feira do Livro Anarquista dos Balcãs 2026, que acontecerá de 24 à 27 de setembro. Com tenacidade e dedicação, assumimos a responsabilidade de albergar este comovente encontro de resistência, solidariedade e auto-organização. Esperamos dar-lhes as boas vindas para compartilhar quatro dias de encontros, debates, desacordos, aprendizagem, organização e luta coletiva.

Depois de quinze anos, a Feira do Livro Anarquista dos Balcãs regressa à Skopje, onde se celebrou pela última vez em 2011. Regressa a uma cidade completamente mudada, uma região transformada e um contexto global radicalmente alterado. O que permanece inalterado é a necessidade de nos encontrarmos, nos organizarmos, intercambiarmos e resistirmos juntos. O regresso da BAB à Skopje não é um gesto nostálgico, mas uma necessidade política: reconectar velhas e novas lutas, fortalecer laços regionais e internacionais e enfrentar as realidades do presente com força coletiva. Um novo movimento de anarquia está se mobilizando uma vez mais nesta cidade moldada pelas contradições, a devastação e a sobrevivência. Estão surgindo novos coletivos, grupos informais e iniciativas, reconectando com lutas passadas enquanto abrem novas frentes de resistência. Skopje está se convertendo uma vez mais em um terreno de confronto com o Estado, o capital e todas as formas de dominação.

As guerras já não são eventos excepcionais; estão se convertendo na cotidianidade do mundo. O imperialismo já não se esconde atrás de máscaras diplomáticas, mas transforma abertamente fronteiras, vidas e futuros. As novas tecnologias se desenvolvem a portas fechadas, em mãos privadas, enquanto que suas consequências afetam a todos nós: inteligência artificial, vigilância digital, controle algorítmico do trabalho, a educação, a saúde, a guerra e o entretenimento. Estamos excluídos dos dados, das decisões e das infraestruturas, mas obrigados a suportar sua carga, cada vez mais como objetivos da militarização e do controle social.

Ao mesmo tempo, uma nova onda de política reacionária está revertendo décadas de luta. Os movimentos antigênero atacam as mulheres, as pessoas queer e trans com renovada violência. Forças patriarcais, nacionalistas e religiosas estão mobilizando o medo e o ressentimento, moldando novas gerações com velhas hierarquias. A maquinaria econômica do capitalismo continua sua destruição sem fim, batendo novos recordes a cada ano em colapso ecológico, exploração, deslocamento e miséria social.

Estas crises não são independentes. Formam uma paisagem interconectada de dominação. É o resultado lógico do poder estatal, da acumulação capitalista, do controle tecnológico e da hierarquia social.

Nos Balcãs, estes processos globais adquirem formas particularmente brutais e visíveis. A região segue sendo tratada como um laboratório semiperiférico de austeridade, privatização, corrupção e extração. Estão construindo represas em rios, estão vendendo bosques, estão convertendo montanhas em minas e estão reconfigurando cidades para obter lucros especulativos, enquanto comunidades inteiras ficam sem água, ar limpo nem meios de vida seguros. A destruição ecológica avança pela mão do desemprego, da migração forçada e o desmantelamento do que resta da infraestrutura social.

Ao mesmo tempo, regimes populistas novos e reciclados, projetos nacionalistas e governos autoritários consolidam seu poder mediante o medo, a militarização, a misoginia, o racismo e o revisionismo histórico. As fronteiras dos Balcãs seguem sendo zonas de detenção, rechaço e morte para as pessoas em movimento, enquanto que as populações locais sofrem a disciplina da dívida, a precariedade e a crise permanente. No entanto, em toda a região, as lutas continuam: contra as centrais hidrelétricas, o extrativismo da água e da terra, os desalojos, a violência policial, a opressão de gênero, a organização fascista, os regimes fronteiriços e a exploração laboral. Estas lutas costumam ser isoladas, e é precisamente por isso que necessitamos espaços como a Feira do Livro Anarquista dos Balcãs para conectar, coordenar e resistir juntos.

Ante esta crua realidade, nos enfrentamos com uma tarefa compartilhada: responder de forma revolucionária e radical. Repensar nossas estratégias, reconstruir nossas redes e agudizar nossas práticas de resistência. Encontrar as frestas do sistema e atuar ali, juntos.

A Feira do Livro Anarquista dos Balcãs está a mais de uma década existindo como um espaço precisamente para isto: não só para livros, mas também para encontros, debates, desacordos, aprendizagem, organização, cuidado, frustração e renovação de forças. É um encontro emotivo que se nega a estancar-se em um só lugar, refletindo as realidades de nossa região e a necessidade de uma constante recomposição das lutas.

Em 2026, a Feira do Livro Anarquista dos Balcãs acontecerá em Skopje, de 24 à 27 de setembro.

Skopje é uma cidade com uma rica história de luta, revolta, repressão e sobrevivência. Uma cidade onde as culturas se encontram e chocam, onde o espaço urbano se disputa constantemente, onde as novas gerações voltam a formar grupos de resistência em condições cada vez mais duras. Desde as lutas obreiras até a organização antifascista, desde a resistência feminista e queer até as lutas ecologistas e de moradores, Skopje não é só um lugar de crise, mas também de potencial.

Convidamos a coletivos anarquistas, editoras, infoshops, iniciativas autônomas, grupos informais e indivíduos dos Balcãs e de outros lugares a reunir-se em Skopie para compartilhar experiências, análises, ferramentas e práticas. Os convidamos a trazer seus livros, fanzines, textos, cartazes, debates, oficinas, filmes, intercâmbios de habilidades e propostas. Os convidamos a trazer suas lutas, suas dúvidas, suas perguntas e sua ira, assim como suas energias e desejos de um mundo diferente.

A Feira do Livro Anarquista dos Balcãs não é um evento para espectadores e palestrantes, mas um espaço comum que construímos juntos. É um lugar para encontrar-nos com companheiros de diferentes contextos, aprender das derrotas e vitórias dos demais, debater, discordar e apoiar-nos material e politicamente. É um espaço para fortalecer laços entre locais e internacionalistas contra as fronteiras, os Estados e o capital.

Envio de propostas para eventos: bab2026@riseup.net

A assembleia organizadora está estruturando o programa da feira (de quinta-feira, 24 à domingo 27 de setembro). Nossa principal preocupação é incluir o maior número possível de apresentações e oficinas, mas também deixar tempo suficiente para um debate profundo sobre cada tema. O programa está previsto para as jornadas completas de quinta-feira, sexta-feira e sábado, com meia jornada no domingo.

Em tempos de guerra, autoritarismo, reação patriarcal, devastação ecológica e dominação tecnológica, insistimos em nos organizarmos sem governantes nem chefes. Insistimos na solidariedade em lugar da competição, da auto-organização em lugar da representação, da ação direta em lugar da delegação.

Nos próximos meses se oferecerão mais detalhes sobre a participação, o marco político, a logística e as datas limites para as contribuições. Lhes pedimos que traduzam esta convocatória a seus idiomas, a compartilhem conosco, a publiquem em suas plataformas e a compartilhem em seus canais de comunicação.

Se agradece a difusão.

Feira do Livro Anarquista dos Balcãs 2026, Skopje 24–27 de setembro de 2026

Contra a guerra, o capital, o patriarcado e o Estado – Pela solidariedade, a resistência e a liberação.

bab2026.espivblogs.net

Tradução > Sol de Abril

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/05/21/grecia-feira-do-livro-anarquista-dos-balcas-eles-mostraram-quao-viavel-e-a-auto-organizacao/

agência de notícias anarquistas-ana

mamãe passarinho chocando,
papai trouxe a comida
festa na copa das árvores

Akemi Yamamoto Amorim

[Itália] ATENÇÃO! Os anarquistas estão entre vocês?

Partimos de um fato. Sim, os anarquistas estão entre vocês:

trabalham ao seu lado nas escolas, nas fábricas, nos hospitais e também nas famílias… não encontram trabalho como vocês, e quando encontram, sofrem a mesma precariedade que vocês. Talvez sejam feios, às vezes sujos, mas maus… esse adjetivo deixamos para quem tenta sempre falar em nosso lugar.

Nós somos anarquistas, a polícia nos conhece assim como a cidade onde vivemos nos conhece, e ela sabe muito bem que não temos nada a esconder, enquanto nós não podemos dizer o mesmo deles.

No entanto, a política nacional, acompanhada de perto pelos jornais, tem insistido em nos colocar na roda, os anarquistas. À esquerda, têm pena de nós por nossa suposta intransigência idealista (alguns de nós votaram “Não” no referendo, sabiam?), jogam em cima de nós suas próprias contradições institucionais – que querem prisões, mas sem exageros. Querem exército, mas europeu. Como se ir à guerra com a bandeira azul ou tricolor mudasse alguma coisa para nós, futuros soldados recrutas. Querem o capitalismo, mas bondoso… como se trabalhar oito horas por dia com um sorriso no rosto nos devolvesse o dia perdido apenas para fazer o mundo correr em direção às guerras e ao aquecimento global.

E o que dizer da direita? Atribuem-nos o mérito de ter sedes pra todo lugar, de estar infiltrados melhor do que as forças de segurança e de conseguir colocar cidades inteiras sob cerco. Desde o século XIX nos descrevem assim… precisa comentar?

Parece que muitos falam de nós e por nós; então vamos falar um pouco dos outros também: vamos falar da direção que a sua democracia está tomando, na Itália e no exterior, de suas prisões superlotadas, de seus CPTs [Centros de Permanência Temporária] e de seus decretos de segurança.

Vamos falar da medida policial que proíbe preventivamente um ato em Roma por causa daqueles dois mortos em circunstâncias a serem apuradas – medida que, ao que parece, circulou nas redes sociais, mas para a qual ninguém ainda tinha pedido autorização na delegacia. Como emitir uma ordem de indeferimento se ninguém tinha solicitado nada ainda?

Vamos falar daqueles jornalistas que, para justificar toda essa retórica, atribuem a prontidão das forças de segurança como consequência direta do relatório anual dos serviços secretos, sendo que esse documento, apresentado como todos os anos no parlamento, trata das verdadeiras ameaças da última moda: guerras híbridas e cenários bélicos.

Vamos falar da Liga [Lega], que, na ânsia de chamar a atenção e dar seu palpite, tira da cartola uma proposta de lei absurda que quer criar a chamada “rede antifa”, anarquista e terrorista, quando na Itália simplesmente não existe nenhuma rede desse tipo, nem mesmo depois de anos de batidas policiais, processos judiciais e tentativas de fabricá-la em mesa de escritório para ter um inimigo interno.

Vamos falar da Salis. Porque todo mundo achou conveniente falar dela como se fosse uma anarquista, uma daquela perigosa e misteriosa rede “antifa”, que, como eurodeputada da AVS [Aliança Verdes e Esquerda] e como cidadã, queria participar da manifestação “No Kings” em Roma e se viu com a polícia na porta do quarto de hotel onde estava hospedada, detida por uma hora sem receber nenhum auto. Um pedido de um país estrangeiro, dizem. Mas o auto tem que ser lavrado, com ou sem justificativa de casos internacionais… sabiam?

Nós, no fundo, não somos muito diferentes de vocês. Somos anarquistas e orgulhosos de sê-lo porque queremos uma vida melhor, mas para todos, um mundo sem exploração, fronteiras e guerras. Infelizmente, ainda não vemos ideias e soluções melhores, e as de vocês não parecem estar funcionando.

FAI – Federação Anarquista Italiana

Seção “M. Bakunin” – Jesi

Seção “F. Ferrer” – Chiaravalle

Grupo Anarquista “Kronstadt” (sem endereço fixo) – Ancona

Fonte: https://cslfabbrijesi.noblogs.org/archives/2539  

Tradução > Liberto

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Ainda cantando
Os insetos são levados
Sobre o tronco que flutua.

Issa

O Núcleo de Pesquisas Marques da Costa lança mais um número do seu boletim informativo

O Núcleo de Pesquisas Marques da Costa, coletivo que tem como objetivo divulgar a história do anarquismo no Brasil, e principalmente no Rio de Janeiro, lança o número 43 do seu boletim informativo EMECÊ. Publicado desde 2005, o EMECÊ Leva as iniciais (MC) do operário anarquista português José Marques da Costa, editor da Secção Trabalhista do jornal A Pátria nos anos de 1923 e 1924 e militante com longa trajetória de lutas em Portugal, Brasil e na Espanha.

Em seu número atual, o EMECÊ resgata a atuação da anarquista Elvira Boni em uma faceta pouco conhecida: a militância comunitária. Elvira Boni (1899-1990) foi uma destacada militante operária do Rio de Janeiro no primeiro terço do século XX. Trabalhando desde os 12 anos em oficinas de costura, organizou a União das Costureiras em 1919 e teve atuação destacada no III Congresso Operário Brasileiro, onde presidiu a mesa diretora dos trabalhos. Também construiu uma importante atuação dentro do movimento anarquista do Rio de Janeiro, participando e promovendo diversas atividades políticas e de cultura libertária. Mais tarde, em 1938, Boni se mudou para o bairro de Santa Teresa, região central do Rio de Janeiro e, em 1949, iniciou sua militância comunitária ao fundar a Associação de Senhoras de Santa Teresa (ASST).

O EMECÊ é lançado tanto virtualmente como fisicamente, sendo distribuído gratuitamente em diversos eventos e disponível na Biblioteca Social Fábio Luz.  Para ler o EMECÊ, acesse:

https://marquesdacosta.wordpress.com/wp-content/uploads/2026/03/emece_43_2026.pdf

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Recolhida em si mesma
a alma do figo
é flor em za-zen.

Yeda Prates Bernis

[Porto Alegre-RS] Abril de 2026 no Esp(A)ço

Estamos retomando o pique e puxando novas atividades no Esp(A)ço. Já temos algumas atividades planejadas para abril. Confere o nosso calendário.

No sábado dia 11, às 17h30, vamos exibir o vídeo Redes de Dominação Social da Antimídia, seguido de uma roda de conversa e uma oficina de alternativas às redes sociais corporativas. Traga lanches veganos para compartilhar.

No domingo 12 de abril abriremos as portas às 16h30 para que às 17h comece a nossa reunião aberta, onde estaremos recebendo pessoas interessadas em se aproximar do coletivo ou que queiram propor alguma atividade no Esp(a)ço. Quer conhecer mais do Esp(a)ço? Gostaria de se juntar ao coletivo? Quer propor alguma atividade? É só chegar.

No domingo, 19 de Abril vai rolar o Hardcore Contra o Fascismo em Porto Alegre, local ainda a ser divulgado. Vão ser 8 bandas, exposições culturais, oficinas, palestras e feira independente, onde estaremos com a Apoio Mútuo, nossa loja grátis, assim como com nossa banca com zines, cartazes e adesivos.

Atenção: Para garantir o conforto e segurança de todas as pessoas presentes, pedimos que se você possuir histórico ou denúncia por reproduzir comportamento abusivo ou opressivo, assédio, abuso ou outro tipo de violência, por favor, entre em contato conosco pelo nosso email ou redes sociais antes de comparecer. Não fazer isso é não se responsabilizar por suas ações e será solicitado que se retire.

espaco.noblogs.org

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do orvalho
nunca esqueça
o branco gosto solitário

Matsuo Bashô

Apresentação da Rádio Tempestade ao Mundo

Somos o broto, produto das tempestades.

Convidamos vocês a ouvir nossa coletiva radial: RÁDIO TEMPESTADE, rádio livre e antiautoritária que emerge do território usurpado pelo estado uruguaio.

Há quase um ano estamos no ar e novos programas vêm se juntando, alguns nossos, outros retransmitidos, mas todos são contribuições para a construção de um mundo novo.

Temos programas onde divulgamos saberes, conselhos sobre o uso medicinal das plantas, literatura, poesia, radio teatro, música, lutas sociais, notícias.

Mas quem somos?

Somos uma coletiva radial livre e antiautoritária que decide se apropriar dos meios livres que temos ao nosso alcance para lançar um projeto radial onde apostamos na contra-informação, aquela que não sai nos meios de comunicação hegemônicos.

Divulgamos a luta social neste e em todos os territórios, amplificando experiências de lutas e compartilhando práticas, conselhos e saberes que nos sirvam na hora de colocar em prática o mundo novo que carregamos em nossos corações.

Somos uma rádio livre porque decidimos NÃO utilizar sistemas, aplicativos e programas privativos que só servem para legitimar e sustentar o controle e a dominação de nossas vidas. Entendendo o contexto atual com as tecnologias digitais, impostas em nossas vidas, escolhemos as mais honestas, as que não visam o lucro, nem controlar nossa existência… mas que foram criadas como uma ferramenta para a comunicação, a informação e a conexão entre comunidades afins que resistem ao monopólio dos grandes meios corporativos.

Temos um olhar antipatriarcal, não queremos que exista supremacia nem privilégios de uns sobre os outros, nem heteronormas que limitem nossa liberdade, nem deuses inventados para nos oprimir.

Funcionamos de maneira:

Horizontal: não existem hierarquias, nem líderes. As decisões são tomadas de forma coletiva.

• Autônoma: não respondemos a nenhum partido, nem empresa. Temos um olhar próprio sobre a realidade que nos cerca e o mundo que queremos. Divulgamos e criamos material que contribua para a resistência e para a construção de um mundo livre.

Autogestionada: não somos financiados por nenhuma empresa, nem pelo estado.

Tudo o que construímos é com base no esforço coletivo e o que arrecadamos, seja por meio de rifas, eventos, contribuições voluntárias, é 100% voltado para o funcionamento da rádio.

Para nos ouvir, vocês podem fazê-lo: às quintas e sextas-feiras das 18h às 23h (Uruguai) e aos sábados e domingos das 10h às 12h (Uruguai) através de: https://radiotempestad.ddns.net

Vocês podem nos encontrar no mastodon: @radio_tempestad.

Comunique-se conosco pelo nosso e-mail: radiotempestad@riseup.net

Fique sabendo das nossas novidades pelo telegram: @radiotempestad

Tradução > Liberto

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Ventos exibidos,
que cantam fortes, uivantes,
também desafinam…

Leila Míccolis

[Espanha] Terceira Bienal Anarquista de Madrid

Nos dias 24, 25 e 26 de abril de 2026 acontecerá a terceira Bienal Anarquista de Madrid. A temática geral do evento será “Recuperar nosso tempo. Abaixo o trabalho”. Será no CSO La Enredadera, no bairro de Tetuán.

O quê é a Bienal Anarquista de Madrid?

A Bienal Anarquista Madrilenha nasce com o objetivo de conectar teorias e práticas libertárias, sair de nossos espaços confinados e construir alternativas reais com as quais poder enriquecer-nos em nossa busca de uma radical transformação social. 

Ainda que nos encontremos em um momento de bloqueio e desmobilização, na atualidade podemos encontrar coletivos, individualidades e comunidades que exemplificam com suas lutas o ideal antiautoritário e horizontal. Estas experiências desafiam o poder estabelecido e desmontam a, cada vez mais, difundida ideia de que há que relegar as práticas anarquistas aos livros de História, como exemplos falidos e românticos de teorias utópicas e defasadas.

Neste momento atual de controle social no qual as lutas revolucionárias estão em pleno retrocesso, entendemos como uma prioridade o compartilhar e debater sobre estas experiências. Temos a intenção de que nos animem e aportem novas ferramentas com as quais sair do poço no qual parece estar afogando-se toda uma tradição de luta em nossa cidade. Ante o que entendemos como uma nova reestruturação capitalista, várias pessoas cremos necessária a criação de um espaço que colete estas experiências vivas na atualidade, que combatem a opressão racial, de gênero, classe, ambiental… e que construam, dia a dia, novas formas de entender e viver a realidade, mais justas, igualitárias e horizontais.

Por isso, nosso projeto é o de realizar umas jornadas a cada duas primaveras nas quais confluam livros, testemunhos, entrevistas, debates e toda aquela estratégia de comunicação que possa nos ajudar a avançar neste caminho.

Esperamos aportar impulso e ferramentas que contribuam para reativar as forças contestatórias em nossos bairros e fomentar uma cultura de luta que possa enfrentar os objetivos que nos propõe o presente.

>> Confira a programação da Terceira Bienal Anarquista de Madrid aqui:

Tradução > Sol de Abril

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Ainda mais só
Do que no ano passado –
Entardecer de outono.

Buson

[França] Jornadas Libertárias 2026

A Coole retoma as jornadas libertárias neste ano de 2026, após seis anos de ausência.

Na programação, uma palestra na quinta-feira, 9 de abril, sobre Elisée Reclus com Nicolas Eprendre, diretor do documentário “Elisée Reclus, a paixão pelo mundo” e coautor de dois livros sobre Reclus: “As 101 palavras de Reclus” e “Elisée Reclus: Um geógrafo anarquista contra o antissemitismo“. Também estarão presentes Jean-Yves Puyo e Jean-Philippe Crabé, que participaram de “As 101 palavras de Reclus“. Falaremos também da biografia de Max Nettlau, “A vida de um sábio, justo e rebelde“, biografia de referência sobre Elisée Reclus e que acaba de ser publicada pela primeira vez em francês. Após a apresentação do documentário e dos três livros, haverá um momento reservado para o debate com o público.

Na sexta-feira, 10 de abril, às 14h, a exibição do documentário “Elisée Reclus, a paixão pelo mundo” será seguida de um debate.

Os dois eventos acontecerão na Faculdade de Letras da UPPA, em Pau, na sala de aula 3.

cnt-ait-pau.fr

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Perdida na noite.
Na trilha dos vaga-lumes
busco o meu caminho.

Zuleika dos Reis

[Chile] Concluída a transferência do prisioneiro anarquista Felipe Ríos para a Colina 1

Por La Zarzamora

Na noite de terça-feira, 31 de março, Felipe Ríos, preso anarquista condenado pelo caso 21 de maio, foi transferido do Centro Penitenciário Biobío para a Penitenciária Colina 1, na Região Metropolitana, após anos de insistência e um conflito jurídico de mais de um mês e meio com a Gendarmeria.

O Tribunal de Garantia de Concepción determinou a transferência de Felipe Ríos no dia 5 de fevereiro deste ano; no entanto, em pelo menos cinco ocasiões, a instituição penitenciária descumpriu os prazos fixados pelo Tribunal, impedindo a execução da decisão. Após repetidas diligências da equipe jurídica do companheiro, a GENCHI finalmente não conseguiu reverter a decisão do Tribunal, pelo que não teve outra opção a não ser acatá-la e concretizar a transferência na última terça-feira.

Felipe Ríos já se encontra na Colina 1; por isso, sua rede de apoio em Concepción faz um apelo para ampliar a solidariedade anticarcerária e criar redes na região metropolitana, que possam acompanhar o companheiro no que resta de sua pena. Aqui no Biobío, continuamos atentos à situação de Felipe.

Que esse passo encurte o caminho para a tua saída para a rua, Pipe!

Felipe Ríos para a rua!!!

Longa fuga aos fugitivos!

Fonte: https://lazarzamora.cl/se-concreta-traslado-de-prisionero-anarquista-felipe-rios-a-colina-1/

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Noite de lua –
Subindo numa pedra,
Um grilo canta.

Chiyo-jo

[Espírito Santo-ES] Comunicado – Agenda de Atendimentos Jurídicos E Sindicais

A Federação Anarquista Capixaba (FACA), filiada à União Anarquista Federalista (UAF), informa as seguintes datas para atendimentos voltados a orientações jurídicas e sindicais no território dominado pelo estado do Espírito Santo:

  • 09 de abril de 2026 – Guarapari/ES
  • 17 de abril de 2026 – Ibatiba/ES
  • 24 de abril de 2026 – Pedro Canário/ES

Pessoas interessadas em participar dos atendimentos devem realizar agendamento prévio por meio do endereço eletrônico: fedca@riseup.net

A FACA reitera seu compromisso com a prestação de apoio técnico e comunitário no âmbito trabalhista e legal, de forma autônoma e solidária.

Federação Anarquista Capixaba – FACA

federacaocapixaba.noblogs.org

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Juntos,
um homem e a brisa
viram uma página

Betty Drevniok