[EUA] Dez Pequenas Anarquistas Procurando por um Novo Mundo

Por Marius Mason

Fifth Estate # 417, Inverno de 2025

Uma análise de Dez Pequenas Anarquistas de Daniel de Roulet. Autonomedia, 2023.

A novela de Daniel de Roulet, Dez Pequenas Anarquistas, é uma trama magistral de fantasia e fato, história e histrionismo, ideologia e imaginação.

É uma mistura de pensamento feminista, prática pragmática e um diálogo aberto sobre estratégia e prioridades para o movimento anarquista.

A história é contada através de conversas dinâmicas e das vidas de dez mulheres anarquistas que se aventuram por conta própria e deixam o velho mundo para trás, em seu esforço de criar uma verdadeira comunidade anarquista numa terra estrangeira.

A história é baseada vagamente em um grupo real de mulheres operárias relojoeiras que deixam a vila suíça de Saint-Imier.

A ideia vem para as mulheres após uma visita de Mikhail Bakunin, que fala para elas sobre a Comuna de Paris de 1871 e as inspira a tentar viver uma vida diferente, longe das convenções de casa. O grupo viaja de barco para a Patagônia na ponta da América do Sul, apesar de não ter sido de propósito. Elas são levadas pelos ventos e se encontram abandonadas ali. Assim, começa a aventura.

Este pequeno –porém poderoso– livro é traduzido do francês por Joycelyn Genevieve Barque e John Galbraith Simmons. Eu estou sempre ciente de que o autor talvez tenha usado diferentes maneiras de transmitir sua mensagem, mas a tradução é de fácil entendimento e conversacional no estilo em que a narradora da história, Valentine, descreve as outras e as situações que elas encontram.

Trata-se de um dispositivo impressionante para atrair o leitor para a história, para relacionar a comunalidade dos problemas humanos (comida, abrigo, amor, cuidar de crianças) –o que conecta todos nós– e usa isso para introduzir temas e ideias que vão longe do cotidiano.

Tem um toque mágico na maneira em como a serendipidade beneficia o pequeno grupo de mulheres, incluindo a aparição do anarquista italiano Errico Malatesta em momentos oportunos.

Mas estas não são mulheres indefesas ou infelizes, que dependem dos outros para seu resgate. São um grupo comprometido de feministas e não tradicionalistas que são talentosas, engenhosas e corajosas.

Elas sofrem a ira e o assédio dos oficiais do governo e da polícia, amantes rejeitados e patronos conservadores da sociedade. Mas, apesar de tudo isso, usam sua engenhosidade e inteligência para formar um coletivo de relojoeiros que as sustenta e provém o capital necessário para reivindicar uma comunidade insular e formar um estado sem Estado.

E, hilariamente, sua comunidade frágil quase implode devido as mais bobas razões domésticas, mas são salvas dessa discussão final por uma introdução oportuna de cogumelos mágicos num jantar compartilhado.

Tendo estado em coletivos anarquistas que se desfizeram porque as pessoas não lavavam a própria louça, isto foi um ponto alto cômico do livro.

Infelizmente, as dez pequenas anarquistas foram se desfazendo, uma por uma pelas provações e dificuldades que encontraram. A última, Valentine, descreve sua questão interna com a violência política e toma sua decisão com determinação.

Eu terminei o livro me perguntando o que aconteceria depois, enquanto Valentine encara seu futuro sozinha, mas sem se curvar.

Marius Mason — um anarquista, vegano, prisioneiro trans federal, que esteve confinado desde 2008 por atos em defesa do meio ambiente — foi uma parte integral da comunidade anarquista de Detroit antes de ser condenado e esperamos poder recebê-lo de volta quando ele for solto. Solidariedade e informações sobre Marius estão disponíveis em supportmariusmason.org.

Tradução > NTLFG (Núcleo de Traduções Libertárias Ferrer y Guardia)

agência de notícias anarquistas-ana

Salpicados de sons
Silêncio em suspenso:
Grilos e estrelas.

Marcos Masao Hoshino

[Espanha] A CGT condena a aprovação da pena de morte no Estado sionista de Israel. O genocídio se legaliza.

Desde a Confederação Geral do Trabalho (CGT), manifestamos o horror que supõe a recente aprovação da pena de morte por enforcamento em Israel, uma barbárie ante a qual cabe esperar que a Comunidade Internacional reaja e não olhe para o outro lado. Por quê? Pois, porque é uma nova medida a utilizar somente sobre a comunidade palestina, quer dizer, o plano genocida de Netanyahu segue adiante.

Como se fossem poucos os crimes atrozes que o sionismo cometeu, agora assistimos a esta “justiça” de verdugos que não duvidam em adornar com espetáculos embaraçosos protagonizados pelos próprios ministros judeus, como o de responsável pela segurança no próprio Knesset (Parlamento israelense), e à vista da opinião pública mundial.

O uso do Estado como máquina de morte não é algo novo. Todos os Estados matam e justificam seus crimes com base em leis que inventam. A pena de morte, em qualquer lugar do mundo, é um exercício de máxima violência por parte do Estado. Desde nossa postura, como anarcossindicalistas, nenhum Estado tem legitimidade para decidir sobre a vida de ninguém. Estes mecanismos foram utilizados desde sempre por uma elite para manter o controle das massas. Quanto à atitude do estado teocrático de Israel e a de seus ministros, que alguém como o ministro Itamar Ben Gvir, profundamente religioso e temeroso de seu Deus, celebre com champanhe a instauração deste tipo de lei só reflete seu nível de desumanidade. O quê poderia diferenciar entre o terrorismo que dizem “combater” com o que é aceito desde o aparato estatal de controle e repressão que legalizaram?

Esta medida é mais um ataque à população palestina, posto que a ela seja dirigida a morte na forca sob o pretexto do terrorismo. É uma lei que continua fomentando o ódio e beneficiando aos que a guerra e o sofrimento enriquecem.

Desde a CGT não podemos olhar para o outro lado depois de tudo o que vimos quanto à capacidade do sionismo para assassinar e fazer desaparecer seres humanos. Aniquilaram até deixá-lo em cinzas um território que não lhes pertence. Assassinaram milhares de seres humanos indefensos, famintos e enfermos. Feriram e mutilaram a outros milhares, e deixaram marcados para toda a vida a outros tantos. Quem semeia ódio, colhe morte.

Por tudo isso, desde nossa condição de internacionalistas e anarcossindicalistas, chamamos a toda a classe trabalhadora a mostrar sua solidariedade com esta duríssima realidade. Nossa luta é pela vida, pela liberdade dos oprimidos e a destruição de todos os patíbulos.

Contra a pena de morte e a barbárie genocida sionista!

cgt.es

Tradução > Sol de Abril

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Da minha janela
Ouço o cantar da coruja.
O sono não vem.

Adriana Aparecida Ferreira Cardoso

“A luta dos povos indígenas na Amazônia paraense e da ação direta no centro dessa luta”

O Centro de Cultura Social (CCS) convida para a conversa “A luta dos povos indígenas na Amazônia paraense e da ação direta no centro dessa luta” com o companheiro Rafael Zilio (CAB/UFOPA) que terá participação online:

No sábado dia 04 de abril de 2026, as 16hs.

O CCS fica na Rua General Jardim, 253, sala 22, Vila Buarque – Próximo ao metrô Republica, São Paulo (SP).

(solicitamos que por favor, toque interfone 22)

@centro_de_cultura_social

ccssp@ccssp.com.br

ccssp.com.br

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grama nos trilhos
composições mudas
sem estribilhos

Carlos Seabra

Saiu o primeiro número do e-zine digital semestral da Rede Comunitarista Ácrata – RECA – Yvy Marãey.

Trata-se de mais uma ação desta rede desterritorializada de anarquistas ácratas, que foi criada no ano passado como uma comunidade de experimentação prática da tática do Comunitarismo Ácrata – proposta pelo Manifesto Anarquista Ácrata (publicado de forma online no ano de 2023).

Siga nosso perfil no Instagram: @movimento_anarquista_acrata e acompanhe nossas lives pelo canal do YouTube: anarcrata)

>> Acesse o zine aqui: https://drive.google.com/file/d/1eoV8as7bdqMjEbVi80VUT8imUgp4iNA8/view

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sabor cereja –
minha boca
a tua deseja

Carlos Seabra

[Espanha] Comunicado | Nem Delito Nem Indulto: Organização E Luta

O indulto concedido às companheiras conhecidas como Las Seis de La Suiza não é um gesto de generosidade do poder. É o resultado direto da luta.

Durante anos, seis sindicalistas foram perseguidas, julgadas e encarceradas por fazer o que sempre fez o movimento obreiro: organizar-se frente à exploração e defender uma trabalhadora que denunciava assédio e violação de direitos laborais. Por isso foram condenadas a três anos e meio de prisão em um processo que pôs em questão os limites mesmos da ação sindical.

Entraram na prisão. E não o fizeram sozinhas.

Por trás havia uma organização, a CNT, que não abandonou as suas, e centenas de milhares de pessoas que encheram as ruas, mantiveram caixas de resistência, difundiram o caso e assinalaram a injustiça. Houve mobilizações, pronunciamentos sindicais, apoio social e pressão política constante durante meses, reclamando uma solução que a justiça negava.

Agradecemos o gesto do indulto parcial (as penas econômicas seguem vigorando) proposto pelo Governo, mas chega tarde. Chega depois do castigo. Chega depois de tentar converter a solidariedade em delito.

Mas que ninguém se equivoque: se hoje estão fora, não é pela benevolência do Governo, mas pela força coletiva da classe trabalhadora organizada.

Este caso demonstrou algo fundamental: que o sindicalismo que incomoda, o que assinala o patrão, o que não negocia a dignidade, segue sendo perseguido. E precisamente por isso, segue sendo necessário.

Frente aos que querem um sindicalismo dócil, institucionalizado e sem conflito, a experiência de La Suiza reafirma o contrário: o anarcossindicalismo, baseado na ação direta, no apoio mútuo e na solidariedade, não só segue vigente, mas que é mais útil do que nunca.

Porque quando tocam a uma, respondemos todas. Porque sem organização não há defesa. Porque nenhum direito se conquistou sem luta.

Hoje celebramos que nossas companheiras estejam fora.


Mas não esquecemos: nunca deveriam ter entrado.


Solidariedade, organização e luta.

cnt.es

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/07/23/espanha-o-sindicato-cnt-se-concentra-na-plaza-mayor-de-ciudad-real-em-apoio-a-las-6-de-la-suiza/

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Pássaro ligeiro
Come o pêssego maduro
Antes de mim.

Roseli Inez Jagiello

[Itália] Para recordar Sara e Sandrone

E a quem não sucumbe

que se abram as tumbas

se aprontem as bombas

se afie o punhal

é a ação o ideal.

Conheci Sara e Sandrone em diferentes momentos e anos de luta (a Sara ainda antes, quando éramos estudantes secundaristas). Os caminhos da vida nos “separaram”, mas quando necessário a gente se encontrava em manifestações, assembleias ou só para tomar uma cerveja num boteco qualquer. O que escrevem os vendidos da imprensa não me interessa. Eles deixaram um grande vazio, e nesse vazio ficará a lembrança de serem anarquistas e de lutarem de cabeça erguida pelos oprimidos contra cadeias, guerras e opressores. Encerro com uma frase de uma declaração dele no tribunal:

A responsabilidade individual é um fundamento do anarquismo. Eu não recebo ordens nem as dou: de ninguém nem a ninguém. Ajo respondendo apenas à minha consciência, que não tem parâmetros de interesse nem de vantagens e que continua sendo a única voz que posso escutar“.

Viva a Luta, Viva a Anarquia

Tradução > Liberto

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travesseiro novo
primeiras confissões
a história do amigo

Alice Ruiz

[Rússia] Novo projeto: “Solidariedade é o Caminho” em apoio aos desertores e aos que fogem da guerra

As pessoas se deslocam. Esta é uma realidade, pura e simples. É criminalizada e tornada dolorosa, e até letal, pelas fronteiras criadas pelos Estados, pelo capitalismo, pelos xenófobos e pelas guerras.

Não queremos ficar de braços cruzados. Esforçamo-nos por demonstrar solidariedade prática com as pessoas que decidiram deixar a Ucrânia porque desertaram ou simplesmente porque querem esconder-se da guerra, evitar a mobilização, a repressão ou o culto do militarismo e do nacionalismo.

Não podemos ajudar as pessoas a atravessar a fronteira estadual. No entanto, se elas conseguirem se mudar para a Romênia, podemos compartilhar nossos recursos e infraestrutura com elas.

Podemos fornecer os seguintes recursos e atividades em particular:

• Acomodação temporária gratuita na Romênia, Eslováquia, Áustria, República Tcheca, Alemanha, Grécia…

• Contribuição financeira para despesas básicas de subsistência; medicamentos, passagens, alimentação, roupas, etc.

• Podemos transportar pessoas da fronteira romena para um local seguro no interior da Romênia. Podemos buscar pessoas nas seguintes cidades:

Siret – https://en.wikipedia.org/wiki/Siret

Tarna Mare – https://en.wikipedia.org/wiki/Tarna_Mare

Izvoarele Sucevei – https://en.wikipedia.org/wiki/Izvoarele_Sucevei

Sighetu Marmației – https://ro.wikipedia.org/wiki/Sighetu_Marma%C8%9Biei

Nossas atividades são organizadas por voluntários sem remuneração financeira. Não cooperamos com autoridades estatais, polícia, exército ou guardas de fronteira. Recusamos demonstrar solidariedade com membros da burguesia, políticos ou membros de qualquer governo. Demonstramos solidariedade principalmente com pessoas da classe trabalhadora. Se precisar de nossa ajuda, entre em contato conosco.

Aqui tentaremos responder às perguntas mais frequentes sobre as nossas atividades. Se tiver outras dúvidas, entre em contato conosco.

O que devo fazer se precisar da sua ajuda?

Entre em contato conosco por e-mail e especifique que tipo de ajuda você precisa. Por exemplo, se você precisar de transporte seguro de carro a partir da fronteira romena, é uma boa ideia entrar em contato conosco alguns dias antes de cruzar a fronteira. Se você precisar comprar uma passagem de trem, podemos providenciar isso se soubermos de onde você está viajando e para onde. Se você precisar de orientação sobre o procedimento de asilo nos países da União Europeia, podemos providenciar uma consulta gratuita com alguém que tenha conhecimento nessa área. No interior da Romênia, também é possível providenciar acomodação temporária gratuita para que você possa recarregar as baterias, descansar e, mais tarde, continuar sua jornada em busca de uma vida melhor.

Você pode ajudar alguém a cruzar a fronteira?

Não oferecemos esse tipo de solidariedade, mas concordamos com ela em princípio. Existem outras pessoas e redes de solidariedade que podem ajudá-lo. Mas tome cuidado com os provocadores da polícia. Também alertamos fortemente contra a possibilidade de ser transferido mediante o pagamento de uma taxa. Isso geralmente é feito por golpistas e pessoas que não se importam com a sua segurança.

Quanto tenho que pagar?

Todas as nossas atividades são organizadas gratuitamente. Somos uma rede informal de solidariedade, não somos advogados, uma empresa ou uma instituição oficial. Somos voluntários que querem demonstrar solidariedade com pessoas que precisam de ajuda. Se quiser apoiar as nossas atividades, será bem-vindo. Aceitamos dinheiro como doação voluntária, não como pagamento por serviços.

Posso doar dinheiro para as suas atividades por transferência bancária?

As doações só podem ser feitas pessoalmente. Em primeiro lugar, não queremos que bancos e entidades comerciais lucrem com atividades solidárias. Em segundo lugar, preferimos um sistema de apoio que não deixe rastros e não revele informações confidenciais sobre doadores e membros ativos da nossa rede.

Por que não há indivíduos específicos listados em seu site que organizam suas atividades?

As redes de solidariedade não são um meio de autopromoção. Estamos aqui principalmente para ajudar os outros, não para exibir nossos nomes, rostos e egos pessoais. Alguns de nós também temos experiência com repressão, por isso sabemos que as atividades de solidariedade podem levar à perseguição, criminalização, intimidação e agressão. Vivemos em um mundo cruel, onde é legal enviar dinheiro para fins bélicos mortais, mas ajudar pessoas a escapar da guerra e da mobilização pode ser criminalizado. Devemos pensar na segurança de nossos colegas e das pessoas que ajudamos. É por isso que preferimos apresentar nosso projeto anonimamente, e é importante para nós ter um alto grau de cultura de segurança na comunicação e na auto-organização.

Por que vocês não ajudam os membros da burguesia ou do governo?

Nossa rede de solidariedade é uma forma organizada de resistência da classe trabalhadora. A burguesia, os governos, os Estados e seus exércitos são responsáveis pelas guerras e pelo sofrimento da classe trabalhadora. Eles não são nossos aliados, mas parasitas que nos exploram em tempos de “paz” e nos mobilizam em tempos de guerra para morrer e matar, para que seu sistema possa continuar a saquear nossas vidas e os ecossistemas planetários. As redes de solidariedade da classe trabalhadora são uma ferramenta para mudar a situação. Hoje, somos solidários com os trabalhadores que fogem da guerra, que amanhã poderão nos ajudar quando a guerra se aproximar de nossas casas.

Como vocês podem coordenar suas atividades em termos práticos?

Nossas atividades funcionam porque colaboramos com pessoas de diferentes regiões, como Ucrânia, Rússia, Romênia, Eslováquia, Hungria, República Tcheca, Grécia, França, etc. Todos usam seus recursos locais e os disponibilizam para o benefício da infraestrutura e de atividades específicas. Alguns têm dinheiro, outros falam várias línguas, outros oferecem um lugar seguro para dormir, outros são bons programadores de TI e outros são bons motoristas. Quando tudo isso se une, aumenta a eficácia de nossas atividades. Não precisamos de uma hierarquia ou de um carimbo das autoridades para fazer isso. Muitas atividades também podem ser organizadas sem dinheiro. Se você sabe o que quer, pode se organizar mesmo com recursos mínimos. A solidariedade é o caminho a seguir.

Солидарность это путь // Солідарність це шлях [Solidariedade é o caminho]: https://solidarityactivities.noblogs.org/

Tradução > Reno Moedor

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tantos outonos
em uma paisagem
chuva nos pinheiros

Alice Ruiz

[Itália] Ao lado de quem luta | Sara e Sandrone

Nos solidarizamos com a dor de companheiros, companheiras, amigos e familiares pela perda de Sara e Sandrone. Que sua determinação extrema sirva de exemplo para todos que lutam por uma sociedade sem injustiças e opressão, contra a barbárie do imperialismo e do colonialismo.

Aos que se indignam com as ações diretas e aos que agitam o fantasma do terrorismo, respondemos que terrorista é o Estado, que passa fome, oprime e explora. Terroristas são aqueles que massacram e destroem populações inteiras e forçam os sobreviventes ao êxodo. As imagens do Líbano, de Gaza e de Teerã nos lembram disso todos os dias.

Toda forma concreta de resistência ao extermínio imperialista, ao capitalismo e à ocupação colonial é uma lufada de oxigênio e esperança, representa a brasa nunca apagada sob as cinzas e as ruínas, uma luz, uma esperança, um grito para afirmar que NEM todos somos cúmplices!

Ao lado de quem luta

Sempre adiante

Anarquistas, comunistas e independentistas

(Kasteddu – Cagliari)

Tradução > Liberto

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manhã de vento
na caixa do correio
apenas uma folha seca

João Angelo Salvadori

[Chile] OUÇA: Entrevista com Mónica Caballero

Por La Zarzamora

No contexto da semana de agitação em solidariedade à prisioneira anarquista Mónica Caballero, a Rádio La Zarzamora, em colaboração com alguns indivíduos selvagens afins, conseguiu realizar uma entrevista na qual a companheira nos atualiza tanto sobre sua realidade carcerária quanto sobre suas reflexões e posições políticas.

Esta entrevista fez parte da cadeia de transmissões realizada pelas rádios livres e anarquistas de diferentes latitudes, transmitida no dia 28 de março de 2026 durante a semana de agitação e antes de uma nova comemoração do Dia da Juventude Combatente.

Ouça, baixe ou compartilhe no link a seguir:

https://archive.org/details/bloquelazarzamora-entrevista-a-monica-c-mas-bloque-2026


Fonte: https://lazarzamora.cl/escucha-entrevista-a-monica-caballero/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/03/24/chile-cadeia-de-radios-em-solidariedade-a-companheira-anarquista-monica-caballero/

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vento apressado
por que não senta aqui
do meu lado

Alexandre Brito

Entre chantagens e canhões

Diante do recente impasse entre Donald Trump e a OTAN, o que se descortina não é um conflito entre “isolacionismo” e “aliança”, mas a nudez do sistema de Estados operando em sua lógica mais primária: a disputa por hegemonia pelo uso da força, a militarização de rotas comerciais como extensão natural da política imperial e a total instrumentalização de vidas humanas em nome de interesses geopolíticos. Para uma perspectiva anarquista e antiguerra, cada elemento desse contexto — desde o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã até a ameaça de Washington de abandonar o tratado do Atlântico Norte — não passa de mais um ato do mesmo espetáculo em que o Estado se revela como a principal fonte de violência organizada, e a “segurança” invocada por ambos os lados é, na prática, a segurança dos mercados e das cadeias de comando, nunca a das populações que pagarão o preço com seus corpos e territórios.

O Estreito de Ormuz, hoje bloqueado pelo Irã, é o ponto onde se materializa a disputa entre duas facções estatais pelo controle do fluxo energético global. A exigência de Trump para que a OTAN envie navios de guerra a fim de “garantir a livre navegação” nada tem a ver com princípios de liberdade; trata-se de impor, por meio de canhões e mísseis, a circulação ininterrupta do petróleo que alimenta a máquina de guerra e o capitalismo ocidental. Quando o ministro da defesa alemão, Boris Pistorius, declara que “essa guerra não é nossa, nós não a queremos”, não está ecoando qualquer sentimento pacifista — está apenas demarcando o limite tático de sua própria burguesia nacional, disposta a lucrar com a instabilidade sem necessariamente assumir os custos diretos de um confronto no Golfo. A recusa europeia não é uma vitória contra a guerra; é um cálculo de riscos dentro da mesma lógica imperialista que, décadas atrás, levou Alemanha e outros países da OTAN a participar de bombardeios na Iugoslávia, no Afeganistão e no Iraque.

A ameaça de Trump de retirar os Estados Unidos da OTAN, por sua vez, escancara o que sempre esteve por trás das alianças militares: não há compromisso com valores comuns, há apenas conveniência estratégica. O presidente norte-americano considera a aliança uma “via de mão única” porque, em sua visão, os europeus não estariam arcando com a parte que lhes cabe no serviço de manutenção da ordem imperial global. Mas a chantagem da saída não representa um movimento antiguerra; ao contrário, revela que Washington quer a liberdade de agir unilateralmente, sem ter que negociar com sócios menores que agora ousam dizer “não”. É a política de gangues em sua forma mais explícita: ou se alinham à ofensiva contra o Irã, ou os EUA retiram sua “proteção” — como se a presença de 84 mil militares e dezenas de bases em solo europeu fosse um favor altruísta, e não a infraestrutura que permite projetar poder sobre o Oriente Médio, a África e a Ásia Central.

O emaranhado jurídico que envolveria uma eventual retirada formal dos EUA ilustra perfeitamente como o Estado, mesmo em suas disputas internas de competência entre Congresso e Presidência, não possui freios substantivos que o impeçam de continuar sua trajetória bélica. A seção 1250A da Lei de Autorização de Defesa Nacional de 2024 proíbe o presidente de abandonar a OTAN sem aprovação de dois terços do Senado — uma amarra legal que, para os anarquistas, apenas formaliza a divisão de tarefas entre as facções da classe dominante. Enquanto isso, um parecer do Departamento de Justiça de 2020 sustenta que o presidente tem autoridade exclusiva para rescindir tratados, e a Suprema Corte tem consistentemente ampliado os poderes executivos. Trump já retirou os EUA de cinco tratados internacionais, como o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF), sempre com a certeza de que a máquina estatal não se autolimita. Mesmo que o Artigo 13 do tratado da OTAN preveja um ano de espera após a notificação, o que se desenharia seria uma batalha judicial onde o desfecho importa menos do que o fato incontornável: o Estado encontra sempre um meio legal ou extralegal para fazer valer sua vontade armada.

No entanto, a retirada formal talvez nem seja necessária. O que Trump e seus estrategistas já ensaiam é o esvaziamento da aliança por dentro — uma estratégia que remete ao precedente francês de 1966, quando o governo de Charles de Gaulle retirou a França da estrutura militar integrada da OTAN, mantendo-se formalmente no tratado, mas causando um caos logístico que levou anos para ser contornado. A repetição desse cenário implicaria a retirada unilateral de tropas, a desobediência ao Artigo 5º (o coração da “defesa coletiva”) e o fechamento ou redução de bases que funcionam como verdadeiros nós arteriais do poder militar estadunidense. Apenas na Alemanha, a base de Ramstein abriga mais de 16 mil militares, civis e contratados, sendo o principal centro de comando aéreo da OTAN fora dos EUA. Na Ilha Terceira, nos Açores, a base das Lajes continua sendo um ponto de reabastecimento estratégico no meio do Atlântico, essencial para qualquer deslocamento de aeronaves entre a América e a Eurásia. Na Itália e no Reino Unido, outras bases garantem o suporte para caças, transporte aéreo e reabastecimento em voo.

A retirada ou o enfraquecimento desse dispositivo não representaria, sob nenhum aspecto, um desarmamento. Tratar-se-ia apenas de uma reconfiguração que, como mostrou a experiência francesa, gera imensos transtornos logísticos, mas nunca dissolve a capacidade de intervenção. A dependência americana das bases europeias é tanta que, sem elas, a ponte aérea transatlântica entraria em colapso: aeronaves como o F-15E, com raio de combate de cerca de 1.300 km, simplesmente não teriam como operar no Oriente Médio e na Ásia Central sem escalas e reabastecimento em solo europeu. Tanques aéreos, cadeias logísticas de munições, equipamentos pesados e até o sistema de evacuação médica — cujo centro nervoso está em Ramstein — ficariam seriamente comprometidos. O fato de os próprios planejadores militares americanos reconhecerem esses prejuízos demonstra o quanto a “segurança nacional” dos EUA é, na verdade, uma estrutura de ocupação global que exige a submissão de territórios alheios para se sustentar.

Sob a ótica anarquista, contudo, o mais revelador nessa crise é o modo como o debate público reduz toda a questão a um cálculo de eficiência militar ou a uma disputa entre “globalistas” e “isolacionistas”, quando a verdadeira questão deveria ser: por que ainda toleramos que um punhado de Estados decida, com navios de guerra e bombardeiros, quem pode ou não navegar por um estreito, quem pode ou não extrair petróleo, quem pode ou não existir? O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã é um ato de coerção estatal; a ameaça de enviar uma frota da OTAN é outro. Nenhum dos dois lados representa a vontade popular, nenhum dos dois defende a livre circulação de pessoas, nenhum dos dois coloca a inviolabilidade da vida acima das cotas de exportação de hidrocarbonetos. O que está em jogo é a continuidade de um sistema no qual o acesso a recursos é garantido pela capacidade de infligir morte, e no qual a geopolítica é simplesmente a continuação da guerra por outros meios — ou, como já se disse, a guerra é a continuação da política por outros meios.

Por fim, a história nos mostra que nenhuma aliança militar se dissolve sem deixar rastros de destruição, e nenhum Estado abdica de sua violência fundante. A saída dos EUA da OTAN, mesmo que viesse a ocorrer, não significaria o fim das intervenções americanas; apenas deslocaria os eixos de intervenção, provavelmente reforçando o caráter unilateral e ainda mais desregulado da política externa. E a permanência, com ou sem Trump, significará a manutenção de uma estrutura que já matou centenas de milhares de pessoas no Oriente Médio, nos Bálcãs, no norte da África, sempre sob o pretexto de “defender” valores que, na prática, se resumem à subordinação econômica e militar. Para quem se coloca do lado das populações que sofrem com bloqueios, bombardeios e ocupações, a única posição coerente é a recusa absoluta a essa lógica: não à OTAN, não ao unilateralismo estadunidense, não ao militarismo iraniano, mas à própria existência de alianças bélicas e Estados armados. A crise no Estreito de Ormuz é apenas mais um sintoma de que, enquanto existirem Estados, existirão conflitos armados; e enquanto existirem tratados como o da OTAN, existirão estruturas institucionalizadas para perpetuar a guerra, seja em nome da “livre navegação”, da “defesa coletiva” ou de qualquer outra fórmula que tente maquiar o poder de matar em massa como um interesse legítimo.

Liberto Herrera.

Fonte: https://libertoherrera.noblogs.org/2026/03/31/entre-chantagens-e-canhoes/

agência de notícias anarquistas-ana

olhos de gato
luz dos faróis na noite
pulo no mato

Carlos Seabra

[Itália] Uma ideia de liberdade. Para Sara e Sandro

por Biblioteca Anarchica Disordine | 26/03/2026

Que o gesto de Sara e Sandro tenha sido a afirmação decisiva do “aqui e agora”, isso só podemos imaginar. Como anarquistas e companheiras/os, sentimos uma forte necessidade de estar ao lado deles e defendê-los de qualquer pessoa que se permita difamá-los. E não temos dúvida de que a violência revolucionária faz parte do anarquismo e de uma ideia antiautoritária que arrancaria pela raiz toda forma de opressão e hierarquia. Uma ideia que se expressa por muitos métodos variados e que, quando decide usar a violência, nunca ataca a esmo, mas dirige seu ataque contra a opressão e contra quem e o que constitui uma de suas engrenagens.

É inútil que os lacaios do poder, os investigadores ou qualquer outra pessoa fiquem vomitando hipóteses destinadas apenas a denegrir e especular sobre as/os companheiras/os que perderam a vida. O que queremos reafirmar é a defesa de uma ideia de liberdade, parte necessária de quem leva até o fim a teoria e a prática de seus ideais, de quem sente intensamente essa tensão cotidiana que o impele a agir, que o atormenta constantemente onde reinam a injustiça e a opressão.

Não há heróis nem heroínas; há companheiras/os revolucionárias/os que escolhem exatamente de que lado estão e aceitam o risco, jogando um jogo com o futuro. É por isso que, no gesto de Sara e Sandro, vemos a generosidade e a ternura de quem ama profundamente.

O que têm a ensinar, além de selvageria e covardia, aqueles que exterminam populações inteiras ou colocam bombas em trens ou praças, afogam milhares de pessoas no mar ou trancam e torturam indivíduos dentro das prisões? Estamos convencidas/os de que demolir vale a pena se isso servir para eliminar o abuso, e é por isso que o Estado teme uma bomba unida a uma ideia: porque ela poderia conseguir fazer explodir os alicerces da iniquidade e da opressão, tornar visível, mostrar a hipocrisia de um sistema em funcionamento baseado na violência cotidiana, da qual ele quer manter o monopólio e impedir que alguém erga a cabeça. Prisões, trabalho, devastação da natureza: estamos realmente tão cegas/os a ponto de não ver a brutalidade que domina? Um gesto de ataque pode realmente constituir um escândalo, quando os Estados não têm escrúpulos em alistar e armar jovens e enviá-los para matar e morrer?

Sara e Sandro estavam e estão em nossos corações, duas/dois companheiras/os de luta, e é isso que permanecerão sendo. Sua urgência continuará a ser um diálogo com o futuro: o de uma ideia contra o poder.

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Um canto alegre
No quintal do vovô
É o João-de-barro.

Pedro Henrique Valenga Bonete

Governo italiano aplica “prisão preventiva” a 91 anarquistas para impedir uma homenagem a dois militantes mortos.

Um total de 91 anarquistas foram presos no último domingo (29/03) em Roma, quando se dirigiam para participar de uma cerimônia em memória de Alessandro Mercogliano e Sara Ardizzone, os dois ativistas anarquistas mortos em 19 de março, enquanto fabricavam uma bomba em uma casa de campo no Parco degli Acquedotti. A manifestação havia sido declarada “ilegal” pelas autoridades italianas, que mobilizaram um grande contingente de policiais e forças especiais no Parque Modesto di Veglia, onde cerca de 60 pessoas conseguiram depositar uma coroa de flores antes de serem identificadas. Os detidos foram levados à delegacia com autorização do Ministério Público para identificação e possível encaminhamento para deportação. A polícia justificou a proibição alegando que a reunião era “contrária aos valores da convivência civil e democrática” e que “glorificava condutas como plantar uma bomba”.

A primeira-ministra Giorgia Meloni usou as prisões para defender suas políticas linha-dura. Em uma mensagem nas redes sociais, ela afirmou que “a detenção preventiva de 91 indivíduos do movimento anarquista, considerados perigosos e que chegaram a Roma para uma manifestação não autorizada em memória dos dois anarquistas mortos, confirma a necessidade” do Decreto de Segurança promulgado por seu governo. Meloni rejeitou as críticas de que a lei criminaliza o protesto social, limita o direito de manifestação e concede poderes excessivos à polícia. “Ela não serve para limitar a liberdade de expressão, como alegam certos grupos de esquerda. Pelo contrário, serve para garantir que as manifestações ocorram de forma pacífica e não violenta”, argumentou. Os dois falecidos, Mercogliano (53 anos, natural de Nola) e Ardizzone (36 anos, de Roma), eram ligados à Federação Anarquista Informal-Frente Revolucionária Internacional (FAI-FRI), a mesma organização à qual pertence o anarquista Alfredo Cospito, condenado a 23 anos de prisão por um ato.

O incidente ocorreu apenas duas semanas após a morte dos dois ativistas, cuja identificação foi dificultada pelos ferimentos em seus corpos e só foi possível graças às suas tatuagens. Ardizzone havia sido absolvida no ano passado em Perugia, na investigação “Sibilla”, enquanto Mercogliano já havia sido condenado no mega-julgamento de 2019 contra anarquistas. O governo Meloni então usou a tragédia para impedir o relaxamento das condições restritivas do Artigo 41 bis que Cospito enfrenta e para alimentar o medo contra a manifestação nacional “Sem Reis”, realizada em 28 de março em Roma.

Agora, com essas 91 prisões “preventivas”, o governo consolida sua agenda que criminaliza a memória de ativistas políticos falecidos e a dissidência sob o pretexto de “ordem pública”. Enquanto a esquerda institucional italiana ignora a situação, os movimentos sociais denunciam a “democracia” de Meloni, argumentando que ela se baseia na prisão de pessoas antes que elas possam exercer seus direitos fundamentais. O direito de protestar, mais uma vez, é o primeiro a ser suprimido.

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agência de notícias anarquistas-ana

velho haicai
séculos depois
o mesmo frescor

Alexandre Brito

[Alemanha] Quem soltou os cachorros? Atualização: repressão a anarquistas em Munique

A promotora, Eva Firoozi, podia ter sido autora de romances. Uma daquelas autoras best-seller que, por causa do politicamente correto e da falta de humor, estragam o prazer da leitura, mas teria causado menos danos, pelo menos. Essa adição à equipe dos sonhos da Procuradoria Geral de Munique (General-SA), Reinhard Röttle, e o líder e fundador do partido ZET, Georg Freutsmiedl não foi à toa.

A nova chefe do ZET, Gabriele Tilmann, também não incluiu a defensora da justiça social só para preencher a cota de mulheres no cargo. Não, em Munique, como em toda a Baviera, “não há espaço para anarquistas, sem-teto em ocupações ilegais etc.”, segundo o sempre bem-humorado Franz Joseph Strauß. Se esses anarquistas não saírem da cidade por conta própria, precisamos de funcionários criativos como Eva Firoozi. Claro, para nosso grande pesar, nós anarquistas. Não por levar Eva Firoozi a sério, sequer por ter medo dela. Só estamos cansados de ler as suas acusações absurdamente mal escrita. Cheias de furos no roteiro; a lógica da história não bate, e os personagens são bidimensionais. Você não precisa ser estudante de literatura para perceber isso.

Se a procuradora geral Firoozi fosse só má escritora, poderíamos simplesmente ter ignorado os livros dela na livraria. Como promotora, porém, de alguma forma conseguiu nos forçar a ler as suas criações (nunca mais que 31 páginas) como leitura para dormir. A procuradora geral decidiu: acusou Manuel de incêndio criminoso de veículo ferroviário, seis betoneiras, uma carregadora de rodas, uma esteira com silo e tentativa de incêndio criminoso de um moinho de vento. Além disso, é acusado de diversos furtos e de associação com o “Hetzblatt gegen den Windpark” [jornal militante contra o parque eólico]. Nathalie também foi acusada, mas só de furto. Eva Firoozi promete que, se a sua moção para recorrer da decisão do tribunal distrital de não reabrir o caso “Zündlumpen” for bem-sucedida, combinará este caso com o caso maior. Ou era o contrário? Quem se importa.

Sim, mais uma vez, muita conversa sem parar e muita bobagem. Já ouvimos isso: Manuel é “membro da cena anarquista de extrema-esquerda” e “rejeita qualquer forma de governo estatal” etc. Aparentemente, também é primitivista. Por quê? Baseado no fato de que “vivia em um acampamento na floresta, construído por ele mesmo”. De qualquer forma, a maior parte da trama já é conhecida e pode ser encontrada no texto “Rebelião em tempos de vigilância policial total” e em outros textos sobre repressão em Munique. Seria perda de tempo repetir isso aqui.

Por que só acusar Manuel de incêndio criminoso, e não Nathalie? Por que só nesses três casos e não os seis de antes? A culpa é dos cães. Especificamente, os chamados cachorros diferenciadores de cheiro. É aqui que a coisa fica realmente estranha.

Como muitas das técnicas de investigação dos policiais alemães, o uso de cães que diferenciam o cheiro tem um histórico de fedor. Não, desta vez não estamos falando dos KZ [campos de concentração]. Cães diferenciadores de cheiro foram amplamente usados pela Stasi para procurar membros da oposição. Coletavam uma amostra à força em interrogatório, aplicando um tampão na região genital e guardando em um pote de conserva. Ou então, invadiam casas e colocavam um pano de algodão nas roupas. Espera aí, o KHK Wolf e o MEK não fizeram isso na cabana do Manuel e da Nathalie na floresta? Eles costumavam chamar isso de pseudociência no BRD. Pelo menos até a queda do muro. Especialmente nos últimos anos, sempre havia algum pseudocientista com o companheiro canino de nome estranho que afirmava que o cão podia farejar algo, para o qual não havia outras evidências. Agora, afirmam que o odor corporal de Manuel está em alguma “evidência”.

O arquivo da investigação diz que a equipe de vigilância e o já mencionado KHK Wolf da K92, que assumiu essa missão da Stasi, enfiaram algum tipo de lenço em sapatos, roupas etc., que atribuíram de forma relativamente aleatória a Nathalie ou a Manuel, encontrados na nossa casa.

Depois, mostraram a alguns cães que “indicaram” que o cheiro combinava com o cheiro das “evidências”. Isso já sabíamos. Novas amostras comparativas de cheiro foram obtidas no dia da prisão de Nathalie e Manuel, quando um chamado tratador de cães esfregou bruscamente um pedaço de pano no corpo dela, que o policial Florian Obermeier chamou de “sabonete corporal grátis”. Agora, fica estranho. Na acusação, Eva Firoozi escreve que, em 03 de março de 2025 os cães do “laboratório” da unidade de cães de serviço da Mittelfranken estabeleceram “uma conexão entre o cheiro nas evidências e o cheiro nos acusados.” Mas, então, precisaram admitir que: “a gravação em vídeo do cheiro diferenciando os cães em ação não pode mais ser encontrada.” Esse é o caso de Manuel. Para começar, os super farejadores nem conseguiram estabelecer conexão com Nathalie. Podemos facilmente imaginar o quanto a General-SA Firoozi deve ter ficado furiosa quando a KOK Jochen Meyer, que normalmente não é tímida, humilde, mas objetivamente, confessou a ela que os vídeos “se perderam no correio”. Felizmente, esse processo duvidoso é facilmente repetido. Os resultados podem divergir um pouco nos detalhes, mas para Eva Firoozi isso já é motivo suficiente para entrar com um processo contra Manuel.

A atitude anarquista dos dois (sim, os anarquistas de fato rejeitam o Estado, Sra. Firoozi) é estabelecida e enriquecida usando fragmentos de conversa tirados de contexto, obtidos ao longo de meses de espionar a cabana de Nathalie e Manuel, assim como citações de rascunhos de textos, emails etc. As leituras das longas listas de evidências chegam a dar sono.

Em 12 de janeiro último, a acusação foi apresentada ao juiz Dr. Blaschke da terceira divisão criminal do primeiro tribunal distrital de Munique.

Nesse tribunal se decidirá se o caso será incluído ou não no caso principal. Esse mesmo juiz anteriormente considerou a escuta telefônica de alojamentos sem mandado não ilegal porque, “segundo o princípio legal ex injuria ius non oritur”, o ocupante da casa “não tem direito ao artigo 13 da constituição” e recomendou utilmente que aqueles que não desejam ser vigiados ilegalmente “entrem com uma liminar clara contra todas as agências estaduais”. Deve ser muito divertido para esse juiz analisar todas as fitas de vigilância em áudio que transformaram a vida de Nathalie e Manuel em um assunto público e voyeurista do Estado. Aqueles que escolheram a jurisprudência conquistaram esse privilégio.

De qualquer forma, vamos deixar o legalismo aos juristas, preferimos manter o nosso anarquismo.

Fonte: https://actforfree.noblogs.org/2026/03/24/who-let-the-dogs-out-update-on-repression-against-anarchists-in-munich/

Tradução > CF Puig

Conteúdo relacionado:

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na boca da fornalha
labaredas
dançam Falla

Eugénia Tabosa

[Reino Unido] O Livro 3 já saiu!

Contemplai minhas obras, ó poderosos, e desesperai!

É isso mesmo, o Livro 3 do Projeto de Livros sobre Anarquismo e Punk já está aqui. São 522 páginas, com outra boa leva de capítulos vindos de diversos cantos do Planeta Punk.

Ele já está disponível para compra na Active Distribution por apenas £10: https://www.activedistributionshop.org/product/punk-anarchy-in-action/

 e, em breve, deve chegar também à sua livraria radical local.

Alguns eventos de lançamento estão sendo organizados, incluindo na livraria A Centre, em Belfast, no sábado, 11 de abril. Mais detalhes em breve!

Um enorme agradecimento a todas as pessoas que contribuíram para este volume e para toda a série de três livros. Com este livro final, agora publicamos 1.612 páginas, 58 capítulos, algo como um zilhão de palavras. Há algumas ideias para publicações futuras, mas, por enquanto, vamos deixar a poeira baixar depois de 6 anos de trabalho árduo. (Aliás, o Livro 1, Smash the System!, já está esgotado há um ou dois anos. Se você gostaria de vê-lo reimpresso, avise Jon Active: jonactivedistribution@gmail.com)

Fonte: https://anarchismandpunk.noblogs.org/post/2026/03/25/book-3-is-out-now/

Tradução > Contrafatual

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/04/23/reino-unido-o-projeto-do-livro-anarquismo-e-punk/

agência de notícias anarquistas-ana

Um só pirilampo
ofusca o pisca-pisca
das luzes do campo.

Sérgio M. Serra

Desobediência Civil

Rebelar-se exige coragem,

uma imensa dose

de generosidade e boa vontade.

Mas, acima de tudo,

pressupõe a ousadia

de colocar-se em risco,

de desafiar toda autoridade

e verdade estabelecida,

até que a própria existência

se torne um intenso exercício de desobediência.

Rebelar-se é fazer de si mesmo um outro,

Um caos e uma máquina de guerra,

afirmar contra o Estado

a potência da multidão

e a liberdade que nasce da ação direta.

Carlos Pereira Júnior

agência de notícias anarquistas-ana

Procurando pouso
Na rua movimentada,
Borboleta aflita

Edson Kenji Iura

[Grécia] Ações em solidariedade à Prosfygika

54 dias de greve de fome até a morte.

Convocação para ações em solidariedade à Prosfygika. No próximo dia 5 de abril, em defesa da Comunidade Okupa de Prosfygika.

Em junho de 2025, o governo regional da Ática (que inclui a cidade de Atenas) aprovou um contrato programático para a suposta “renovação” e o despejo da Comunidade Okupa de Prosfygika, onde residem mais de 400 pessoas.

No dia 5 de fevereiro, nosso companheiro Aristotelis Chantzis iniciou uma greve de fome até a morte em defesa da comunidade, em defesa da vida. Em breve, nas próximas semanas, um segundo companheiro dará continuidade e também iniciará uma greve de fome. Várias semanas de ações em Atenas e internacionalmente já ocorreram. A abertura da comunidade à sociedade em geral na Grécia, mas também internacionalmente, e a construção de uma autodefesa social, incluem, além de outras ações, trabalhos de construção, como obras técnicas na renovação dos apartamentos, da casa de acolhimento para pacientes com câncer e familiares do hospital de Aggio Savas, que fica ao lado da comunidade, e do museu da Guerra Civil, para citar alguns exemplos. Centenas de internacionalistas, pessoas solidárias e membros da sociedade local atenderam ao chamado para vir apoiar a comunidade nos trabalhos em prol de sua defesa.

No dia 14 de março, milhares de pessoas saíram às ruas de Atenas para se manifestar e uniram suas vozes em solidariedade à Prosfygika, enquanto na Polônia, Sérvia, Bélgica, França, Alemanha, Itália, Espanha e Colômbia, ações de solidariedade foram realizadas da mesma forma.

Apesar de grande parte do movimento e da sociedade em geral ter se mobilizado, o Estado da Grécia e o governo regional da Ática ainda não se posicionaram, e não cancelaram o plano que continua em andamento e que coloca em risco a vida do nosso companheiro Aristotelis Chantzis, juntamente com as vidas de tantos membros da comunidade que enfrentariam condições extremas de vida ou morte caso perdessem o apoio auto-organizado pela Comunidade e suas 22 estruturas sociais autônomas.

Convocamos todas as pessoas em defesa da vida a iniciar ou participar de ações solidárias daqui em diante para promover e divulgar o chamado a ações pan-helênicas e internacionais no próximo dia 5 de abril, em solidariedade à Comunidade Okupa de Prosfygika.

Fazemos um apelo para:

1.    Participação em greve de fome em cadeia de 1 a 3 dias a partir de agora.

2.    Mobilização em solidariedade à grande manifestação que ocorrerá no dia 5 de abril em Atenas e internacionalmente.

3.    Imprensa e meios de comunicação: venham a Atenas para estarem nesse dia com nossos companheiros.

4.    Apoio às redes de solidariedade já existentes ou criação de novas redes com qualquer pessoa que tenha a iniciativa de contribuir com a campanha #SaveProsfygika

5.    Apoiando ou compartilhando a campanha de financiamento em: https://www.firefund.net/saveprosfygika

6.    Assinar o texto com as reivindicações da Comunidade e da greve de fome:

Fazemos um apelo a todos os companheiros para que apoiem na medida do possível, seja nas ações propostas ou em iniciativas próprias. Estamos cientes de que cada contexto político local e nacional impõe desafios distintos, e confiamos na capacidade de vocês de agir e reagir de acordo com isso.

Entrem em contato conosco para construirmos juntos formas de resistência contra o Estado grego e o governo regional da Ática.

O ataque contra a Comunidade Okupa de Prosfygika não é uma luta isolada. A Comunidade resiste como um dos poucos projetos de luta social que restam e que constrói, com isso, uma proposta contra os regimes que, globalmente, se inclinam para a extrema direita, sociedades militaristas e mentalidades coloniais. Pedimos a todos os companheiros que demonstram solidariedade que se conectem com a luta também em seu próprio contexto geográfico e político.

Este é o 5º ataque massivo que o Estado grego impõe contra a comunidade nas últimas décadas. Apesar de o ataque parecer ser o mais grave dos anteriores, desta vez também não terão sucesso.

Tirem as mãos de Prosfygika!

Vamos vencer, ou vamos vencer!

Fonte: https://redeslibertarias.com/2026/03/31/acciones-en-solidaridad-con-prosfygika/

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Cabelos alvos:
Registros do tempo.
Sol poente.

Maria de Lourdes da Silva Pereira