[Porto Alegre-RS] Ajude o Esp(a)ço a manter suas portas abertas! 

O Esp(a)ço é um centro social anarquista fundado em 2022 na cidade de Porto Alegre, no sul do território ocupado pelo Estado brasileiro. Organizamos atividades como debates, exibições de filmes e oficinas, além de atuarmos como centro de apoio mútuo e solidariedade na cidade, por meio da Apoio Mútuo, nossa loja grátis. Também estamos começando a organizar uma biblioteca e uma cozinha no centro social.
 
Estamos realizando esta campanha para conseguir apoiadorys regulares que ajudem a cobrir nossas despesas mensais, para que possamos manter o Esp(a)ço funcionando. Então, por favor, considere tornar-se apoiadory mensal ou mesmo faça uma doação única.
 
SOBRE O ESP(A)ÇO
 
O Esp(a)ço foi inaugurado em 2022. Ainda impactados pelo isolamento da pandemia de COVID, sentimos a necessidade de um espaço onde pudéssemos nos encontrar e nos organizar. Organizamos exibições de filmes, debates, oficinas e, em 13 de maio de 2023, inauguramos o Apoio Mútuo, uma loja gratuita aberta à comunidade, onde recebemos doações e as distribuímos gratuitamente à comunidade.
 
Durante as graves enchentes de 2024 no estado do Rio Grande do Sul, realizamos campanhas para apoiar comunidades quilombolas e indígenas com suprimentos muito necessários e também fizemos uma arrecadação de fundos para apoiar três ocupações anarquistas na cidade: as ocupações queer Kaliça e Jiboia e a ocupação Território dos Mil Povos. Também pudemos apoiar a comunidade indígena Mbya Guarani durante sua recuperação de terras no extremo sul de Porto Alegre, consertando o motor de seu barco, comprando um inversor e uma bateria para seu sistema elétrico fotovoltaico, além de um smartphone e um laptop para melhorar sua comunicação.
 
No início de 2025, ladrões invadiram o centro social quatro vezes seguidas, levando até mesmo os fios de cobre de dentro das paredes. Fechamos o centro social por um tempo, mas continuamos organizando atividades em espaços públicos.
 
Durante os dias mais rigorosos do inverno de 2025, quando quatro pessoas morreram de hipotermia, estávamos todas as semanas nas ruas distribuindo roupas do estoque da loja gratuita Apoio Mútuo, em parceria com a Ação Antifascista Social, uma iniciativa que prepara e distribui refeições para pessoas em situação de rua.
 
Em janeiro de 2026, conseguimos nossa nova casa!
 
E agora, queremos fazer ainda mais. E, para isso, contamos mais uma vez com a solidariedade da comunidade.
 
POR QUE PRECISAMOS DA SUA AJUDA
 
Todos os meses temos contas a pagar: água, luz, imposto predial, taxa de condomínio, além de outras despesas, como materiais de limpeza, manutenção, alimentação e transporte. E, para isso, pedimos o apoio de qualquer pessoa que possa se comprometer a fazer doações mensais de qualquer valor.
 
Nossa estimativa das despesas mensais ESSENCIAIS, o mínimo necessário para mantermos as portas abertas, é a seguinte:
 
• Água: R$60
• Luz: R$130
• IPTU: R$55
• Condomínio: R$80
• Produtos de limpeza: R$50
 
E ainda temos outras despesas, necessárias para manter o Esp(a)ço funcionando. Um fundo de manutenção para resolver quaisquer necessidades de infraestrutura que possam surgir. Apoio com transporte e alimentação para garantir que os membros do coletivo possam estar no Esp(a)ço para abrir as portas.
 
• Manutenção: R$100
• Transporte: R$175
• Alimentação: R$200
 
Sonhamos em conseguir mais recursos além desses que listamos aqui, para podermos oferecer aos membros do coletivo uma ajuda financeira para que possam manter o Esp(a)ço aberto por mais tempo, em vez de trabalharem até a exaustão para algum capitalista.
 
Portanto, mesmo que atinjamos a meta, se você puder contribuir com mais, por favor, faça-o. Isso fortalecerá nosso coletivo, a infraestrutura anarquista local e nossas iniciativas de ajuda mútua.
 
>> Para ajudar visitehttp://espaco.noblogs.org/apoie
 
>> Vídeohttps://kolektiva.media/w/unPfyLdcLYNQEoaZAqBkd6
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/10/25/espaco-um-ponto-de-encontro-confraternizacao-aproximacao-de-pessoas-que-de-alguma-forma-se-identifiquem-com-o-anarquismo/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Some de repente
Numa viagem pelas sombras
uma borboleta
 
Carlos Roque Barbosa de Jesus

[Espanha] Manifesto do CSO Kike Mur diante da ameaça de despejo

CSO Kike Mur
 
Kike Mur¹ somos todes, e por isso, precisamos de vocês. Se tocarem em um* de nós, tocam em todes. Se despejarem nossos centros, tomamos as ruas.
 
SE KIKE MUR CAIR, ZARAGOZA SE LEVANTA
 
Mais um ano de governo reacionário, neoliberal e neofranquista.
 
Sabemos o que eles querem: capitalismo (ainda mais) selvagem, precarização do trabalho, repressão sexual e de gênero, punição da dissidência, imigrantes trabalhando bem calados, luzes e espetáculo enquanto companheires passam frio e fome na rua.
 
Sabemos o que eles temem: tecido vecinal vivo, autogestão de bairro, solidariedade, apoio mútuo, horizontalidade, nosso povo, nossa classe, nossos companheires tomando o futuro em suas mãos e construindo uma alternativa ao sistema deles.
 
CSO Kike Mur
 
O CSO Kike Mur está aberto há 15 anos, 15 anos de luta e resistência construindo vida em um lugar abandonado pelos “gestores” de nossas vidas, uma prisão que foi construída para reprimir, torturar e assassinar nossas avós e avôs por buscarem a vida, por resistirem e por imaginarem mundos diferentes.
 
Nossa maior homenagem é continuar a luta deles, construir o mundo que queremos, aqui e agora.
 
Anticapitalista, transfeminista, antiespecista, antirracista, autogestionado e antiautoritário.
 
Dentro de seus portões se tornou realidade o grito: Só o povo salva o povo durante a DANA de Valência, durante a Filomena, durante o apagão, servindo como ponto de encontro de solidariedade.
 
Realizamos coleta de roupas para pessoas vulneráveis, atividades gratuitas para e pelo bairro, ginásio popular, Boulder, aulas de costura e reforço escolar, troca de brinquedos, chocolateiras, cinema de verão, horta comunitária, biblioteca anarquista, visitas de memória histórica.
 
Um espaço aberto aos movimentos políticos: ao guarda-chuva feminista, a todos os coletivos migrantes da cidade, à resistência queer, aos artistas inconformados, à casa palestina, em definitiva, a todes que buscam agir e lutar contra este sistema genocida, sempre terão aqui seu lugar. Entre esses muros se pratica o apoio mútuo com companheires reprimidos no estado espanhol, como as 6 de ZGZ ou da Suíça, e em outras partes do mundo.
 
Por tudo isso, o CSO Kike Mur é um ataque constante à política institucional. Eles sabem que não podem nos dobrar, não vamos passar pela sua camisa de força, não podem cancelar nem censurar nossos eventos como fizeram com Zaragoza não se vende, o guarda-chuva feminista e tantos outros coletivos políticos nos últimos meses.
 
Os espaços ocupados permitem a livre expressão do povo e é por isso que estaremos sempre em sua mira. As ameaças constantes por meio de seus meios de comunicação bajuladores, políticos, jurídicos e midiáticos só nos reafirmam em nossa luta e nossos princípios.
 
O CSO continua em perigo de despejo, sempre esteve. Sentimos perto o calor de todas as pessoas que de uma forma ou de outra apoiam e sustentam o espaço, desde as vizinhas de Zaragoza, de Torrero, passando por todas as boas gentes desta e de outras cidades do Estado que dão vida e sentido a este projeto, sois todos vocês que conseguiram que o CSO Kike Mur continue firme e determinado após 15 anos, e assim continuará sendo, cada dia com mais força.
 
[1] Kike Mur é uma parte da prisão de Torrero, em Zaragoza, que foi ocupada há 16 anos.
 
Fonte: https://redeslibertarias.com/2026/05/09/manifiesto-kike-mur-ante-la-amenaza-de-desalojo/
 
Tradução > Liberto
 
• Nota da tradução: Optou-se por manter a linguagem inclusiva “todes”, “companheires” etc., alinhada ao original em espanhol (“todes”, “compañeres”), para preservar o tom político e identitário do manifesto.
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/02/18/espanha-comunicado-do-cso-kike-mur-se-o-kike-mur-cair-zaragoza-se-levantara/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
ontem à noite
sonhei de corpo inteiro
— acordei com teu cheiro
 
Alonso Alvarez

O Poder É Maldito

O poder é maldito.

Que isso seja repetido

até a exaustão.

.

Tenho nojo de senhores,

ditadores e reis.

Sou avesso ao Estado,

ao controle e a servidão.

Abomino toda forma de governo.

Não importa se autocrítico ou democrático.

Desprezo qualquer defensor da pátria

ou amante da nação.

Quero que todo poder

seja desde já destituído

e proclamada a autogestão.

Que as ruas acordem em revolução

contra Deus, a Razão

e toda forma de dominação.

Carlos Pereira Júnior

agência de notícias anarquistas-ana

pétala amarela
a borboleta saltou
sem paraquedas

João Acuio

[Alemanha] Julgamento contra um companheiro anarquista em Leipzig, no dia 12 de maio

Nos dias 12 de maio e 2 de junho, ocorrerá mais um julgamento contra um companheiro anarquista envolvido na manifestação do “Dia X” no Tribunal Distrital de Leipzig. O Ministério Público o acusa de perturbação da ordem pública, agressão e resistência a agentes da lei, além de 18 acusações de agressão qualificada e destruição de equipamentos essenciais. Este não é um caso isolado; o processo faz parte de uma denúncia coletiva contra vários indivíduos – um total de 1.500 processos criminais foram iniciados naquele fim de semana, dos quais 100 pessoas já foram condenadas e outras 100 ainda aguardam julgamento.
 
Neste caso, as acusações baseiam-se em fotos publicadas online e tiradas por um fotojornalista. A polícia acredita poder identificar o companheiro com base nessas fotos, com a ajuda de um suposto “super-reconhecedor” — um termo de credibilidade duvidosa. Durante a investigação do “Dia X”, a polícia de Leipzig trabalhou frequentemente com esses autoproclamados “super-reconhecedores”. São policiais que acreditam possuir habilidades especiais de reconhecimento, mas, na realidade, suas percepções são tão subjetivas quanto as de qualquer outra pessoa. Não há evidências científicas da existência desse “superpoder”.

Consideramos esse procedimento parte de uma crescente repressão contra movimentos revolucionários e antifascistas.

A segunda fase do julgamento do Antifa-Leste está em andamento. Sete antifascistas são acusados ​​de supostamente participarem de ações militantes contra nazistas; simultaneamente, outros seis antifascistas estão sendo julgados em Düsseldorf, no chamado “Complexo de Budapeste” — pelas mesmas ações pelas quais Maja foi condenada na Hungria a oito anos de prisão em regime fechado.

Nossa resposta a esse processo é de solidariedade e cumplicidade com aqueles que lutam por um mundo livre do fascismo. Foi por isso que decidimos ir às ruas de Leipzig em 3 de junho de 2023 e expressar nossa indignação com as sentenças de prisão impostas a antifascistas. É mais do que claro: as sentenças — anos de prisão — têm um preço, e enviamos nossa mais profunda solidariedade aos nossos companheiros que foram condenados, para que saibam que não estão sozinhos. Um julgamento contra um de nós é um julgamento contra todos nós.

Três anos após esse “Dia X”, vemos o fascismo e o totalitarismo continuarem a crescer em todo o mundo; a onda reacionária está ganhando governos e popularidade na sociedade por meio de retórica xenófoba e antifeminista. Ela cativa milhões, alimentando o maior medo das pessoas: perder a prosperidade prometida pelo capitalismo.

Os estados europeus estão se preparando para a guerra investindo bilhões nas forças armadas; o serviço militar obrigatório é mais uma vez uma amarga realidade, com jovens sendo convocados para defender a Alemanha contra ameaças externas; E as políticas anti-imigração estão se tornando cada vez mais brutais.

A repressão aos manifestantes contra o genocídio na Palestina, com milhares de julgamentos de Berlim a Leipzig, ilustra o autoritarismo do Estado alemão contra todos aqueles que se opõem ao colonialismo, às guerras e às fronteiras.
 
Por todas essas razões, permanecemos convictos de que devemos ir às ruas e lutar contra todas as formas de autoridade, em solidariedade com aqueles que se recusam a ficar de braços cruzados diante da injustiça e dos ataques dos poderosos.

Acreditamos em um antifascismo antipatriarcal, onde o cuidado mútuo e a construção de um tipo diferente de relacionamento são fundamentais, onde nos desafiamos uns aos outros para tornar nossas comunidades lugares melhores.
Portanto, convidamos você para os julgamentos em Leipzig, nos dias 12 de maio e 2 de junho.
 
• Terça-feira, 12 de maio de 2026, às 10h, Sala de Reuniões 218, 2º andar, Edifício Principal, Bernhard-Göring-Straße 64, 04275 Leipzig;
• Terça-feira, 2 de junho de 2026, às 10h, Sala de Reuniões 218, 2º andar, Edifício Principal, Bernhard-Göring-Straße 64, 04275 Leipzig
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/04/05/alemanha-chamada-internacional-para-demonstracao-do-dia-x-em-leipzig/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
que flor é esta,
que perfuma assim
toda a floresta?
 
Carlos Seabra

[Grécia] Assembleia Aberta da Iniciativa de Estudantes Anarquistas de Atenas

Assembleia aberta da Iniciativa de Estudantes Anarquistas de Atenas na terça-feira, 12/05, às 18h, no Panteion (Edifício de Vidro, térreo).
 
As universidades foram, são e continuarão sendo lugares de refúgio e focos de luta.
 
Contra ações disciplinares, expulsões e privatizações.
 
Nenhuma participação das universidades gregas em pesquisas sobre a guerra.
 
RESISTÊNCIA – AUTO-ORGANIZAÇÃO – SOLIDARIEDADE
 
Romper com a reestruturação educacional por meio da luta direta e da organização anarquista.
 
SOLIDARIEDADE AO ESTUDANTE ANARQUISTA Z.M.
 
Iniciativa de Estudantes Anarquistas de Atenas
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/05/11/grecia-assumindo-a-responsabilidade-por-ataques/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Entre as antenas
E as casas todas iguais –
Quaresmeiras!
 
Paulo Franchetti

[Alemanha] Milhares de jovens saem às ruas para protestar contra o serviço militar obrigatório

Em 8 de maio de 1945, os fascistas de Hitler capitularam; a Europa jazia em ruínas. Mesmo dentro do campo conservador, os alemães juraram: “Nunca mais guerra, nunca mais fascismo!”
 
Os organizadores do movimento de greve estudantil escolheram deliberadamente um dia de grande significado histórico para a terceira greve estudantil nacional contra a ameaça iminente do serviço militar obrigatório. Segundo seus cálculos, 45 mil jovens em mais de 150 cidades voltaram às ruas na sexta-feira (08/05) para lembrar a todos para onde o mundo caminhava quando o imperialismo alemão aspirava, pela última vez, ter o “exército convencional mais poderoso da Europa”. Os estudantes exigiram a revogação da “Lei de Modernização do Serviço Militar”, o fim da reintrodução gradual do serviço militar obrigatório e a suspensão da presença da Bundeswehr (Forças Armadas Alemãs) nas escolas.
 
Em Berlim, segundo os organizadores, cerca de 9.000 jovens atenderam ao chamado para uma greve. A manifestação se reuniu no Portão de Brandemburgo e seguiu dali pelo parque Tiergarten. Ao passarem pelo Monumento aos Mortos da Guerra Soviéticos, um forte grito de “Alerta, alerta, antifascistas!” ecoou. A manifestação em Berlim foi, mais uma vez, fortemente influenciada pelos slogans da luta de classes. As numerosas bandeiras palestinas também demonstraram que muitos jovens estão bastante conscientes da conexão entre solidariedade internacional, anti-imperialismo e antimilitarismo.
 
Assim como durante a greve estudantil de 5 de março, a polícia voltou a estar presente em grande número e várias prisões foram efetuadas. Segundo informações imprensa local, diversos jovens foram detidos em conexão com vários incidentes após retrucarem a provocações de sionistas e outros fascistas.
 
Casos de repressão estatal também foram relatados em outras cidades. Por exemplo, em Essen, a polícia ameaçou apresentar queixa e exigiu a remoção de uma faixa com os dizeres “Merz, lamba suas bolas”. Em Münster, os dados pessoais de manifestantes que entoavam o mesmo slogan foram registrados. Em Wuppertal, as autoridades também ameaçaram apresentar queixas por faixas semelhantes. Em Munique, uma pessoa foi presa por carregar uma faixa com os dizeres “Merz, morra você mesmo na Frente Oriental”. A manifestação final também foi cercada por um cordão policial.
 
Diversas táticas usuais de intimidação estatal já haviam vindo à tona. Por exemplo, dois adolescentes que participavam do movimento de greve estudantil em Kiel relataram em um vídeo no Instagram que foram abordados pelo Escritório de Proteção da Constituição e pela Polícia Criminal Federal. Um deles disse que, a caminho da escola, foi parado por um homem que se dizia funcionário do serviço nacional de inteligência.
 
No entanto, esses métodos não impedem os estudantes de planejarem novas ações contra o rearme e os preparativos para a guerra. Os organizadores anunciaram que o próximo passo será uma mobilização de uma semana contra o Dia dos Veteranos, de 15 a 21 de junho. Depois disso, eles usarão as férias de verão para realizar reuniões internas dentro do movimento para organizar a próxima greve no outono.
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/11/26/alemanha-prefiro-morrer-como-uma-leoa-do-que-viver-como-um-cachorro-sobre-a-repressao-contra-a-2a-reuniao-internacional-em-hamburgo-contra-o-servico-militar-e-pela-rejeicao-de-todas-as-formas/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Apenas vós,
Árvores de tronco branco,
Me garantis que retornei.
 
Paulo Franchetti

[México] DF: Atividade anárkica contra todas as jaulas – 15/05

[Grécia] O “Kyriakos X” está navegando rumo a Gaza

Batizado em homenagem ao anarquista internacionalista Kyriakos Xymitiris, o barco “Kyriakos X” navega com a Freedom Flotilla Coalition (Coalizão da Frota da Liberdade) para romper o bloqueio genocida que o Estado sionista impôs a Gaza há décadas. Em homenagem à vida de Kyriakos, que se dedicou à luta pela justiça e pelos oprimidos, o barco também se solidariza com a resistência legítima do povo palestino, que nunca deixou de lutar para acabar com a ocupação colonialista de suas terras.
 
No dia 8 de maio, o Kyriakos X partiu do porto com outras 33 embarcações da Global Sumud Flotilla (Flotilha da Liberdade Global) e encontrou-se com outros quatro barcos da Freedom Flotilla Coalition no mar. O barco transporta 10 pessoas de cinco países diferentes, incluindo Grécia, Albânia, Reino Unido, Coreia, França e Guadalupe.
 
Historicamente, a Grécia tem desempenhado um papel de destaque no movimento das frotas desde o início. Em 23 de outubro de 2008, dois pequenos barcos de pesca transportando cerca de 44 pessoas do Movimento Free Gaza chegaram a Gaza; 10 eram cidadãos gregos. Foram os primeiros barcos a chegar à Gaza em cerca de 40 anos. Os barcos foram recebidos por dezenas de milhares de palestinos. O movimento, que mais tarde se tornou a Freedom Flotilla Coalition, prometeu então que “não pararia de navegar até que o cerco de Israel fosse quebrado”.
 
Um dos ativistas envolvidos no apoio a Kyriakos X lembra-se bem daquele dia. Como jovem palestino que vivia em Gaza na época, ele recorda como esses dois barcos lembraram ao povo palestino que não estavam sozinhos e que pessoas em todo o mundo lutavam por sua libertação.
 
Kyriakos X está agora cumprindo a promessa feita naquela época: nunca deixará de navegar até que a Palestina seja livre.
 
O movimento da frota é uma ação não violenta que navega legalmente em águas internacionais. O bloqueio imposto por Israel ao espaço aéreo, marítimo e terrestre de Gaza é ilegal – o país não tem jurisdição sobre as águas territoriais palestinas. Apesar disso, as forças de ocupação israelenses começaram a intensificar os ataques contra as frotas a partir de 2009, batendo contra os barcos para afundá-los, sequestrando, usando armas de choque e agredindo participantes, prendendo-os ilegalmente e, em 2010, assassinando 10 civis a bordo do “Mavi Marmara”. A violência de Israel contra o movimento da frota tem continuado desde então. A brutalidade e a impunidade de Israel foram ainda mais expostas durante seu recente ataque terrorista à frota Global Sumud, ocorrido perto da costa de Creta, na zona SAR grega, a 75 km do Peloponeso e a 1.240 km da Palestina. As forças militares israelenses sequestraram cerca de 175 civis, agrediram sexual e fisicamente alguns a bordo, torturaram outros, destruíram os barcos da frota e sequestraram Saif Abu Keshek e Thiago Avila, que foram detidos ilegalmente na Palestina ocupada. Advogados da Adalah relataram que eles apresentavam sinais de tortura em seus corpos.
 
Os demais ativistas da GSF foram eventualmente entregues às autoridades gregas, o que não apenas destacou o total desrespeito de Israel pelos direitos humanitários e internacional, mas também expôs até onde o governo grego está disposto a ir para facilitar e colaborar com os crimes de guerra de Israel.
 
A missão da frota não é simbólica. Trata-se de uma ação civil, direta e não violenta, de povo para povo, para enfrentar um sistema de apartheid, dominação, colonização e opressão que governos de todo o mundo têm permitido, do qual têm lucrado e que têm protegido há décadas.
 
Kyriakos X convoca as pessoas em terra a se mobilizarem – a luta pela libertação palestina está em todos os lugares onde empresas, instituições, mídia e governos cúmplices alimentam o genocídio de Israel com total impunidade. Israel e seus aliados devem ser responsabilizados por seus crimes contra o povo palestino. 

 
Kyriakos X convoca as pessoas de consciência a se concentrarem em desmantelar a maquinaria e a cadeia de abastecimento de armas que possibilita o genocídio de Israel: em portos, fábricas, escritórios corporativos e instituições governamentais. Eles convocam as pessoas do mundo a interromper o fluxo de armas para forçar os governos a reconhecerem sua cumplicidade. Este é um momento que exige uma escalada.
 
Enquanto a Freedom Flotilla Coalition e a Global Sumud Flotilla continuam navegando, cerca de 10.000 palestinos estão detidos em prisões israelenses, a maioria sem acusação ou julgamento. Muitos são torturados, sofrem agressões sexuais (inclusive por cães) e são assassinados. Centenas deles são crianças. Enquanto isso, a violência dos colonos e soldados israelenses em toda a Cisjordânia continua a se intensificar – crianças palestinas estão sendo alvejadas em escolas, suas casas são roubadas e suas colheitas ou gado são destruídos.
 
Ao mesmo tempo, a ilegal “Linha Amarela” de Israel está se expandindo em Gaza, e seu genocídio e bombardeio contra os palestinos presos lá dentro continuam. O genocídio de Israel no Líbano continua, e suas inúmeras violações dos chamados cessar-fogo são ignoradas pelos líderes mundiais. O mundo permanece em silêncio.
 
Os participantes do Kyriakos X não são heróis, são pessoas comuns que rejeitam o silêncio e a cumplicidade – decidiram usar seus corpos e privilégios para se colocar ao lado dos oprimidos, recusando-se a viver em um mundo onde o genocídio é normalizado e tolerado.


Ninguém é livre até que a Palestina seja livre.
 
Fonte: https://omniatv.com/853504826/to-kyriakos-x-pleei-se-allileggyi-pros-tin-katechomeni-gaza/
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/04/28/grecia-a-identidade-do-anarquista-kyriakos-xymitiris-e-descrita-por-sua-mae-atraves-de-seu-depoimento-no-3o-dia-do-julgamento-do-caso-ampelokipi/
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/10/06/navegando-por-gaza/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
lua nublada
no alto da montanha
a solitária árvore
 
Alonso Alvarez

[Espanha] Lançamento: “Ocho días de julio. 1936. La situación revolucionaria en Barcelona”, de Agustín Guillamón

Este livro oferece uma reconstrução vibrante e rigorosa da batalha de Barcelona, ocorrida nos dias 19 e 20 de julho de 1936, destacando o papel decisivo dos comitês de defesa da CNT e dos sindicatos na derrota do golpe militar. A partir do relato dos fatos, a análise se concentra na questão fundamental da revolução: o poder. São examinadas as respostas dos comitês da CNT, dos comitês de bairro e das organizações antifascistas, bem como as oportunidades perdidas que facilitaram o avanço da contrarrevolução.

Ocho días de julio define com clareza a diferença entre situação revolucionária e revolução proletária, e expõe onze teses classistas que sintetizam uma teoria ácrata da revolução. Textos inéditos de Juan García Oliver reforçam uma conclusão categórica, na linha de Los Amigos de Durruti: sem destruir o Estado e sem poder operário organizado, a revolução fracassa.

Ocho días de julio. 1936. La situación revolucionaria en Barcelona

Autor: Agustín Guillamón

ISBN: 979-13-87791-04-9

Formato: 14x21cm

Páginas: 213

Preço: 18,00€

descontrol.cat

agência de notícias anarquistas-ana

um tufo de algodão
flutuando na água
uma nuvem

Rogério Martins

[Irã] Manifesto do Primeiro de Maio

Publicamos o comunicado sobre o Primeiro de Maio divulgado em seus canais pela Frente Anarquista, uma rede de anarquistas originários do Irã e do Afeganistão, atuantes em seus países ou na diáspora.

Frente Anarquista

O Primeiro de Maio não é apenas uma comemoração histórica, mas o despertar de uma tradição viva de luta de classes, solidariedade internacional, repensamento da natureza do trabalho e busca da libertação da autoridade e do domínio do capitalismo, bem como de toda forma de Estado e parlamento. Para os trabalhadores, esta data é uma oportunidade para refletir sobre as formas de organização, o poder coletivo e horizontes alternativos para além da “ordem existente”.

O Primeiro de Maio é mais do que uma simples data simbólica; é uma ocasião para refletir sobre a vida cotidiana de milhões de trabalhadores que vivem sob a pressão da inflação, da precarização do trabalho e das restrições à liberdade de organização. A questão não diz respeito apenas a “aumentos salariais”, mas a pergunta central é: quem decide sobre o trabalho, a produção e a vida?

O mundo atual é caracterizado por múltiplas crises crônicas, incluindo a falta de liberdade, igualdade e justiça, a instabilidade trabalhista, a degradação ambiental, a guerra, o autoritarismo e o domínio crescente.

O capitalismo contemporâneo, baseado na financeirização, na fragmentação do trabalho e nas cadeias globais de suprimento, consolidou novas formas de exploração. O “trabalho” tornou-se cada vez mais fragmentado, precário e instável, enquanto o controle e a vigilância sobre os trabalhadores se intensificaram.

Nessas condições, os sindicatos burocráticos, juntamente com as instituições hierárquicas e representativas, frequentemente não conseguem responder às reais necessidades e interesses da classe trabalhadora. Muitas dessas instituições foram integradas às estruturas do capitalismo de Estado ou se contentam com negociações limitadas à ordem estabelecida.

O anarquismo sustenta que a libertação dos trabalhadores do jugo do capitalismo não se realiza por meio da representação parlamentar, mas sim através da auto-organização horizontal e da democracia direta. Conselhos, assembleias gerais e sindicatos independentes só podem se tornar forças reais quando emergem de baixo para cima, são responsáveis por suas próprias ações e livres de toda forma de hierarquia e burocracia.

Nas últimas décadas, a globalização do capital, juntamente com a privatização, a desregulamentação e a flexibilização do mercado de trabalho, levou a uma crescente insegurança trabalhista e ao enfraquecimento das organizações de trabalhadores. O trabalho precário, baseado em plataformas e informal, tornou-se a norma, e as divisões de classe se acentuaram em muitos países. Esses processos não são “desvios”, mas o funcionamento natural do sistema, no qual o lucro tem prioridade sobre o bem-estar geral.

Ao contrário das perspectivas reformistas que veem o Estado como uma força reguladora e protetora para os trabalhadores, o anarquismo considera o Estado uma instituição que, em última análise, mantém a ordem capitalista, mesmo quando se expressa em termos de bem-estar social. As leis trabalhistas, os salários mínimos e os seguros podem ser uma ajuda no curto prazo, mas frequentemente operam dentro de estruturas que reproduzem a própria desigualdade.

No Irã, os trabalhadores enfrentam uma combinação de crises estruturais e repressão política: inflação crônica, salários abaixo da linha da pobreza, privatizações dirigidas, trabalho precário e severas restrições à organização livre e independente. Qualquer tentativa de formar sindicatos ou organizar greves esbarra nas forças de segurança e no poder judiciário, além de uma repressão dura e brutal.

Apesar disso, nos últimos anos emergiram várias formas de resistência operária, como greves entre operários industriais, protestos de motoristas, enfermeiros, professores e aposentados. Além disso, formaram-se redes de solidariedade e ajuda mútua entre trabalhadores, mulheres, comunidades étnicas, grupos ambientalistas, estudantes, pessoas LGBTQ+ e outros. Esses movimentos, embora fragmentados e sob pressão, demonstram que possibilidades de auto-organização e autogestão estão gradualmente surgindo nas fissuras da atual ordem opressiva.

Nessa tradição, as greves, especialmente as gerais, não são apenas instrumentos de reivindicação, mas exercícios de autogestão social. Através da luta, os trabalhadores aprendem a organizar coletivamente a produção e a reprodução da vida – uma capacidade que pode lançar as bases para uma nova ordem social libertária.

Experiências dispersas de conselhos operários, cooperativas autogeridas e iniciativas de ajuda mútua local em todo o mundo, incluindo o Irã, demonstram que existem oportunidades reais de organização horizontal mesmo em condições difíceis.

A proliferação de contratos de trabalho temporário e de empresas terceirizadas colocou os trabalhadores em uma situação em que, de fato, carecem de segurança no emprego e de poder de barganha. Em setores como petroquímico, construção de estradas e serviços municipais, os trabalhadores terceirizados enfrentam atrasos no pagamento de salários, jornadas exaustivas e ausência total de proteções. Isso não é um defeito, mas sim um instrumento de controle e enfraquecimento da organização.

Exemplos como o complexo açucareiro de Haft Tappeh, no Irã, e algumas unidades industrializadas privatizadas mostram que a privatização, na prática, leva a cortes salariais, atrasos nos pagamentos e redução da produção. Em resposta, os trabalhadores organizaram protestos, greves e até propuseram ideias de “gestão por conselhos” para retomar o controle de uma gestão ineficiente e interessada apenas no lucro.

Encontramo-nos agora, sob muitos aspectos, em um momento histórico delicado, mas a luta de classes entre trabalhadores e capitalistas nunca parou. Nessa perspectiva, comemorar o Primeiro de Maio adquire significado se vinculado a uma ampla ação coletiva por meio da realização de assembleias gerais, da apresentação de reivindicações comuns, da criação de fundos de apoio mútuo e do fortalecimento de redes horizontais.

Nesse contexto, a abordagem anarcossindicalista, em vez de confiar no Estado, no parlamento, nos partidos políticos ou nas elites, enfatiza a auto-organização:

•              conselhos de local de trabalho e comunitários como unidades decisórias horizontais;

•              controle dos trabalhadores sobre a produção em vez do controle burocrático ou estatal-privado;

•              redes cooperativas de ajuda mútua para reduzir a dependência do mercado e do Estado;

•              greves e ação direta como meio de pressão a partir da base.

O objetivo não é apenas “reformar” as condições de trabalho, mas transformar as relações sociais relativas à produção e ao poder. A libertação dos trabalhadores não ocorre por meio das promessas do Estado e do Parlamento, mas sim através da auto-organização horizontal (sem qualquer hierarquia) e da reapropriação do controle sobre suas próprias vidas.

O Primeiro de Maio no Irã nos lembra ainda que os trabalhadores não enfrentam apenas uma crise de meios de subsistência, mas também limitações na definição de suas próprias condições de trabalho. Ao mesmo tempo, das greves, redes informais e práticas de solidariedade, podemos ver sinais da possibilidade de organização horizontal e autogestão. Permanece, porém, a pergunta principal: como essas experiências podem ser transformadas de reações temporárias e limitadas em estruturas amplas e sustentáveis para a gestão coletiva do trabalho e da vida?

Vida longa à solidariedade mundial dos trabalhadores!
Vida longa ao anarquismo!
Não ao Mula! Não ao Xá! Não à guerra!
Mulher-Vida-Liberdade!

Maio de 2026

Tradução > Liberto

Fonte: https://umanitanova.org/iran-manifesto-del-primo-maggio/

agência de notícias anarquistas-ana

Nas águas do mar
Águas-vivas flutuam
Tranqüilamente…

Miranda

Libertários Negros: Os Irmãos Fettermann

Por Carlos Ferreira de Araújo Junior
 
Os irmãos Waldomiro, Cristiano e Djalma Fettermann nasceram no Rio Grande do Sul, no final do século 19. Os três eram filhos de um sapateiro alemão e uma negra brasileira filha de escravizados. Apesar da origem humilde, os irmãos conviveram desde a infância com os idiomas alemão e o português.
 
Os três foram ativos militantes libertários da capital gaúcha nas duas primeiras décadas do século 20. Os irmãos Fettermann eram operários que também se dedicaram ao jornalismo e a educação. Eles se tornaram anarquistas ainda no século 19. A primeira influência dos irmãos foi o anarquista Proudhon. Sobre Waldomiro Fettermann existem poucas informações. Sabe-se que foi professor ou funcionário na Escola Moderna de Porto Alegre na década de 1910.
 
Sobre Cristiano Fettermann sabe-se que ele foi professor e tradutor de grego e de latim. Era o mais velho dos seus irmãos. Após a morte do pai, Cristiano passou a sustentar os irmãos com o dinheiro que ganhava das traduções que fazia. Foi professor e fundador da Escola Eliseu Reclus, em 1906, na capital gaúcha. Na escola dava aulas de francês, alemão e português. Na década de 1910, colaborou com textos anticlericais para o jornal O Exemplo (1911). Se formou em Direito em idade avançada, três anos antes de morrer.
 
Sobre Djalma Fettermann há um pouco mais de informações. Consta que nasceu em Porto Alegre, em 17 de junho de 1873 e morreu no Rio de Janeiro em 15 de julho de 1973. Foi operário ourives e metalúrgico. Bastante culto, dominava os idiomas francês, alemão, latim, espanhol e o grego. Casou-se com Dulcina Martins. Assim como o seu irmão Cristiano, Djalma Fettermann foi um dos fundadores da Escola Eliseu Reclus em 1906, onde também foi professor de francês, alemão e português entre 1909 e 1912. Fez parte do Grupo Libertário Solidariedade e foi dirigente da União Operária Internacional entre 1911 e 1912.
 
Djalma Fettermann foi escolhido como o representante da União Metalúrgica no Quarto Congresso Operário Brasileiro realizado no Rio de Janeiro, em 1912. Em 1915, ele foi um dos fundadores e professores da Escola Moderna, localizada na antiga Colônia Africana, bairro da capital gaúcha onde havia duas grandes comunidades étnicas: negros e judeus.  A escola chegou a ter cerca de 400 alunos matriculados.  No ano seguinte, fundou com outros libertários gaúchos, a Sociedade Pró-Ensino Racionalista, onde também foi um dos dirigentes.
 
O professor Djalma também foi adepto da ação direta e da sabotagem. Na Greve de 1917, em Porto Alegre, juntamente com Zenão de Almeida e outros libertários, Djalma enfrentou a brigada policial e as ações dos fura-greves. Com o auxílio de sua cunhada, Espertirina Martins, Djalma Fettermann foi um dos responsáveis pela fabricação e lançamento de bombas contra as brigadas policiais durante os conflitos nas vias da capital em 1917. Foi redator do jornal A Luta.
 
Anos depois Djalma Fettermann mudou-se para o Rio de Janeiro onde trabalhou na Empresa de Correios e Telégrafos. Na década de 1930, foi integrante da Aliança Nacional Libertadora (ALN). Morreu em 1973, no Rio de Janeiro, fiel aos princípios do anarquismo.
 
REFERÊNCIAS
 
MARÇAL, João Batista. Os anarquistas no Rio Grande do Sul. Ed. Unidade Editorial. 1995. Porto Alegre-RS.
KARLLOS, Jr. Brasil Negro Insurgente: socialistas e libertários negros e pardos na Primeira República. Ed. Monstro dos Mares. 2025.
 
Biografia do autor.
 
CARLOS FERREIRA DE ARAUJO JUNIOR – Historiador formado pela UEPB. Publicou dois livros: Renego – Grito Punk (2021), sobre o punk na Paraíba, e Brasil Negro Insurgente (2025), sobre libertários e socialistas negros no Brasil. Desde 2012, possui um canal acervo punk no youtube: ÔKO DO MUNDO! O autor também escreveu os seguintes cordéis e zines libertários/decoloniais: OBREIROS DA BORBOREMA, BRADO BRUTO, EXU MOLOTOV, PLUMA NEGRA, ZINE AUTÔNOMO TEMPORÁRIO (ZAT).
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/09/29/eua-a-verdadeira-historia-dos-anarquistas-negros/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
é só um instante:
o beija-flor no ar, sugando
flor de laranjeira
 
Otávio Coral

Antimundial México 2026

Enquanto o governo e as grandes empresas promovem a Copa do Mundo como uma “festa”, nas ruas cresce a indignação e a mobilização. Nos últimos meses, surgiram marchas, protestos, colagem de cartazes, shows e ações antimundial em diferentes partes do México, denunciando o que está por trás do espetáculo: gentrificação, deslocamento de comunidades, militarização, turismo predatório, exploração laboral e milhões gastos em estádios, enquanto pessoas continuam desaparecendo e a violência aumenta.
 
De bairros populares a coletivos estudantis, punks, anarquistas e organizações sociais, cada vez mais gente clama que o futebol não pode encobrir a realidade do país. Não queremos uma Copa manchada de sangue nem cidades transformadas em vitrines para empresários e políticos.
 
Nem FIFA, nem governo, nem empresários.
A rua não se vende.
MÉXICO 2026 = NEGÓCIO E REPRESSÃO
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
O besouro rola
na bola de esterco
o tempo futuro.
 
Luiz Bacellar

[Grécia] Assumindo a responsabilidade por ataques

Nesta época marcada por uma resignação social generalizada e por uma resistência cada vez menor às vontades dominantes, vemos as estruturas políticas [anarquistas-antiautoritárias] encolherem-se continuamente e novos projetos repressivos tornarem nossa vida insuportável. As universidades não constituem exceção à situação acima descrita. Nos últimos anos, os espaços acadêmicos tornaram-se objeto de experimentação do regime e de gentrificação, sempre com o consentimento das autoridades reitorais. Na FEP, após o desalojo de espaços ocupados e a expulsão dos ocupantes, vemos a presidente do I.N.E.D.I.V.I.M., Anna Rokofyllou, a exibir-se ao lado das novas instalações modernizadas e das catracas de segurança, lembrando-nos de que não há terreno que não seja tocado pelos lucros e pelos investimentos. Nos espaços da Faculdade de Engenharia e da Faculdade de Direito, onde antes existiam espaços políticos de criação, florescimento de ideias, organização e resistência, agora predominam salas assépticas e paredes brancas, obras dirigidas aos poderosos e aos que possuem, não aos de baixo. Criações hostis aos nossos olhos. Por fim, assistimos com horror à expansão do embelezamento capitalista também na ASOEE, com quiosques publicitários e máquinas de venda automática para a “conveniência” diária dos estudantes. Nenhuma cantina será aberta no subsolo da ASOEE.

Da nossa parte, não podemos, de forma alguma, contentar-nos em observar silenciosamente à distância os acontecimentos acima mencionados. O nosso pensamento político e a nossa vontade, baseados na resistência, na coerência e na organização, culminam sempre na ação. Para nós, teoria e ação não são coisas separadas; decidimos, portanto, em 27 de abril, atacar com pedras pesadas, spray e tinta em duas máquinas de venda automática dentro da ASOEE como um mínimo gesto de reação e obstrução à mania capitalista e estatal que cada vez mais nos cerca. Mesmo essa ação constitui uma mensagem de que cada ação, por menor e insignificante que pareça, contribui para a propagação de uma sabotagem incessante contra os símbolos e as estruturas do capital.

Por fim, não passaram despercebidas as declarações de repulsa de organizações de esquerda em relação aos incidentes de violência de “minorias antissociais”. Não há muito a dizer sobre o conteúdo dessas organizações. A única coisa que temos a declarar é que, entre nós e os contadores de votos profissionais, interpõe-se um oceano inteiro de divergências e antagonismos.

A n a r q u i s t a s

agência de notícias anarquistas-ana

De uma casa branca
No meio da encosta da montanha
Sobe um fio de fumaça.

Paulo Franchetti

Iniciada a pré-venda de novo livro sobre a luta do EZLN!

É com felicidade que nós, da Editora Terra sem Amos, lançamos a obra “A luta anticapitalista no século XXI: apontamentos em torno da experiência zapatista”, escrita pelo sociólogo mexicano Raúl Romero, dedicada à análise da trajetória política e organizativa do zapatismo em Chiapas, no México.


O livro investiga as contribuições do EZLN para os debates contemporâneos sobre anticapitalismo, autonomia, internacionalismo e defesa dos territórios indígenas. A partir de documentos, reflexões políticas e experiências organizativas construídas ao longo de três décadas, Romero apresenta o zapatismo como uma referência central das lutas sociais do século XXI.


A obra aborda temas como trabalho coletivo, autogestão, organização comunitária, crise ambiental e crítica ao modelo capitalista de desenvolvimento. Também destaca a importância dos povos originários na construção de alternativas políticas diante das desigualdades sociais e das crises globais atuais.


Com linguagem acessível e análise histórica detalhada, o livro se dirige a leitores interessados em movimentos sociais, pensamento crítico, autonomias e experiências latino-americanas de resistência e organização popular, especialmente de populações indígenas.


A obra, com 40 páginas, tem o valor de R$17,00 e frete grátis para todo o país. Durante a pré-venda, todas as encomendas receberão gratuitamente o pôster “Lento, pero avanzo”.


Encomende agora, clicando aqui: tiny.cc/lutazapatista

agência de notícias anarquistas-ana

Virada do morro:
Ipê e seu grito amarelo
perpendicular.

Eolo Yberê Libera

“Democraticamente”, Itaú Unibanco continua faturando alto sob governo Lula 3

O Itaú Unibanco (ITUB4) registrou um lucro líquido recorrente de R$ 12,3 bilhões no 1º trimestre de 2026 (1T26), representando uma alta de 10,4% em comparação ao mesmo período de 2025.
 
>> No primeiro trimestre de 2026, a holding Itaú Unibanco contava com 81.659 empregados no país, com fechamento de 4.620 postos de trabalho em doze meses e de 1.034 postos no trimestre.
 
>> O Itaú Unibanco também fechou 360 agências físicas no Brasil, em doze meses, enquanto o número clientes cresceu 1,678 milhão, totalizando 100,9 milhões ao final de março de 2026.
 
>> O Itaú Unibanco é um dos maiores financiadores de combustíveis fósseis na Amazônia. Ou seja, financia projetos que impactam diretamente a Amazônia, desestabilizando o clima ou prejudicando as terras e os meios de subsistência dos Povos Indígenas.
 
ABAIXO O ESTADO E O CAPITAL!
FOGO NOS BANCOS!!!
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
selva de pedra
condor solitário
vôo triste
 
Manu Hawk

[Itália] Primeiro de maio anarquista em Carrara

É uma grande emoção para mim estar aqui falando em nome da FAI. Quero começar lembrando um companheiro que nos deixou recentemente, Claudio Strambi: um anarquista militante na Federação Anarquista Italiana, ativo no sindicato com um empenho que o via sempre na linha de frente segundo o espírito da nossa organização, nunca hegemônico ou autorreferencial, sempre animado por uma profunda humanidade. Ele sempre se confrontava de forma aberta, empenhava-se na construção de caminhos unitários, fora de lógicas minoritárias e ao mesmo tempo sem perder a bússola da perspectiva anarquista, enfrentando muitas vezes a repressão do Estado. Quem tem companheiros não morre. E é nosso dever pensar nele aqui, em Carrara, levando adiante essa mesma prática de liberdade que era a sua vida.
 
Foi justamente em Carrara, em setembro de 1945, que anarquistas de toda a Itália se reuniram e deram vida à FAI, herdeira da União Anarquista Italiana de 1919-20 e das experiências da guerra da Espanha, do confinamento, do antifascismo, da resistência armada.
 
Oitenta anos depois, em outubro de 2025, voltamos a Carrara para um congresso no Teatro Animosi, em memória de Italino Rossi. Conversamos com estudiosas, estudiosos e militantes sobre antimilitarismo, anarcofeminismo, ecologia, interseccionalidade, lutas territoriais e autogestão.
 
Oitenta anos de luta por um mundo de livres e iguais, sempre presentes nas praças, nos bairros, nos espaços sociais, nas nossas sedes, que são patrimônio comum, mas também e sobretudo nas lutas, desde as ambientais até as contra os polígonos de tiro, nas greves, nos atos de protesto. Porque o nosso anarquismo tem raízes sólidas e antigas, mas se enriquece continuamente, alimentado pela vontade de construir uma sociedade nova, e de fazê-lo mantendo coerência entre meios e fins.
 
A resignação não nos pertence. Estamos convencidas de que as coisas podem ser diferentes e, portanto, devemos agir de acordo, construindo espaços políticos não estatais, multiplicando as experiências de autogestão e aquelas redes sociais que saibam travar a máquina da opressão e da exploração, para construir uma nova sociedade.
 
Devemos antes de tudo encarar de frente uma guerra que é sempre cotidiana: aquela que o capital conduz contra quem trabalha. Hoje o mundo do trabalho se tornou um campo de exploração cada vez mais brutal, onde a precariedade é uma estratégia sistemática de dominação.
 
Como manda a tradição, perto do 1º de maio o governo também acorda e volta a falar de desonerações fiscais para contratações ou de salário justo. Anuncia medidas ridículas que supostamente beneficiariam os trabalhadores, e ao mesmo tempo, por exemplo, engessa a logística e suas greves nas malhas dos serviços públicos essenciais, atingindo um dos setores mais combativos. Sabemos bem que leis e regulamentos servem apenas para administrar a pobreza e a exploração, não para aboli-las. Somente a luta de classe pode devolver dignidade à classe trabalhadora, somente a organização de baixo para cima dos explorados e das exploradas, somente a ação direta pode levar à reconquista dos direitos perdidos e à conquista de novos. Não queremos esmolas do Estado, mas um salário e uma vida dignos. Porque a pobreza não se governa: se combate.
 
Enquanto isso, enquanto nos falam de crescimento, recuperação, competitividade, nos canteiros de obras, nos armazéns, nas fábricas, nos campos e nas estradas, continua-se morrendo. As mortes no trabalho não são fatalidades, não são tragédias infelizes: são o produto direto de um sistema que economiza na segurança, acelera os ritmos de trabalho, externaliza os riscos e considera os corpos sacrificáveis.
 
As lutas de Meschi nos lembram que a dignidade do trabalho não se mendiga, se arranca com organização e conflito. Contra a precariedade, contra o salário de miséria, contra a normalização da morte no trabalho, a resposta da FAI continua a mesma: solidariedade, organização, anarcossindicalismo, greve, conflito, ação direta.
 
Um discurso à parte merece o trabalho nas fábricas de armas. Precisamos convencer os trabalhadores e trabalhadoras do setor a exigir uma conversão para uso civil dessas fábricas, e a não aceitar que sua empresa em crise se converta, como está acontecendo frequentemente, para a produção bélica. Nós não queremos as fábricas de armas. É preciso recusar-se a produzir morte para ganhar a vida.
 
Também o setor da escola hoje coloca questões muito importantes para intervirmos. Muitas vezes vemos tanques de guerra nos jardins das escolas primárias. No ensino médio, a formação escola-trabalho (antiga alternância) leva estudantes para dentro de bases militares, estaleiros de guerra, fábricas de armas. As universidades firmam convênios com a Fundação Leonardo Med-Or e com as indústrias bélicas.
 
A uma escola assim concebida, nós respondemos com Francisco Ferrer y Guardia, que fundou em 1901 em Barcelona a Escola Moderna, uma experiência educativa autogerida para uma vida independente e livre das crianças: não engrenagens obedientes de um sistema podre, mas livres pensadoras e pensadores, contra toda convenção e preconceito.
 
A militarização da escola e da sociedade não nasce do nada. Tem uma genealogia de violência estatal que devemos ter sempre presente. Este ano se completa o vigésimo quinto aniversário de Gênova. Era julho de 2001 e realizou-se o G8 das oito nações mais ricas do mundo. Mais de 200.000 pessoas, entre elas anarquistas, foram às ruas para dizer não àquela ordem mundial. A resposta foi a que conhecemos: Carlo Giuliani, o massacre da escola Diaz; e depois Bolzaneto, o quartel das torturas. Aquela violência não foi uma exceção. Era o modelo. E esse mesmo modelo se replica, se aprimora, se legaliza. E eis-nos hoje. O Decreto de Segurança, aprovado em caráter definitivo, representa a tentativa mais orgânica de criminalizar o conflito social que este país viu em décadas. Podemos dizer que o governo festejou as leis especiais de 1926 normalizando-as, cem anos depois, justamente no dia anterior ao 25 de abril, e essa afronta clama por vingança.
 
Os decretos de segurança certamente não protegem quem vive no perigo cotidiano, quem é explorado, quem está sem documentos, muito menos o detento esquecido em uma seção de alta segurança. Protegem o poder de quem o desafia. Por isso os decretos de segurança transformam o dissenso em ameaça, a manifestação em crime potencial, a identidade política em periculosidade presumida.
 
Nós rimos quando Donald Trump organizou uma cúpula internacional anti-Antifa, mas não devemos rir, pois está em curso um projeto perigoso.
 
Na Europa, a mesma lógica já está ativa. Na Hungria, o antifascismo é considerado uma ameaça à segurança nacional. Na Alemanha, constroem-se investigações por “associação subversiva”: o “Budapest Komplex” é apenas um exemplo. Na Itália, prepara-se o terreno com propostas de lei para equiparar o antifascismo ao terrorismo.
 
É assim que funciona a repressão moderna: não proíbe de imediato. Primeiro deslegitima. Depois isola. Depois atinge. Lembremo-nos sempre e denunciemos, quando lemos ou ouvimos falar de excessos das forças da desordem, de agentes violentos isolados, de delegados zelosos. Se existem agentes violentos e delegados zelosos, é porque o Estado permite e quer. Este decreto é a resposta do Estado a um movimento difuso em nível social que não se resigna. Mas devemos sempre ter presente que não somos nós que devemos ter medo, é o Estado que tem medo, não apenas das nossas ações ou das nossas palavras, mas do nosso pensamento, das nossas intenções, daquilo que poderíamos fazer, da nossa resistência e do nosso indomável antifascismo. Nós não pararemos. A nossa resposta é sempre a mesma: organização e solidariedade dos oprimidos e das oprimidas. Podem bloquear nossos corpos por doze horas ou mais, mas não podem parar o nosso ideal.
 
Lembro-me das palavras de Emma Goldman: “Se você é tão generoso com a liberdade a ponto de levá-la para a Alemanha, além-mar, por que não a mantém aqui mesmo, neste país?”
 
A pergunta era dirigida a Wilson, mas serviria agora também para Meloni. A Itália não é um país livre e também não é um país em paz, como demonstram os 104 milhões de euros que se gastam em armamento e soldados. Como se pode definir pacífico um país que tem 39 missões militares no exterior? Os soldados italianos estão em toda parte: nos Bálcãs, na Ucrânia (missões Eumam e Nsatu), no Líbano (missões Unifil e Mibil), no Iraque (missão Prima Parthica), no Mar Vermelho (Operação Aspides) e em outros países ainda. Em 2025, foram registrados cerca de 59 conflitos armados ativos no mundo: o maior número desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
 
Basta falar só de Israel e Palestina. As pessoas morrem também no Sudão, no Sahel, em Mianmar, e não só. Para nós, não existem povos de primeira e de segunda categoria, todos são importantes. Existem 59 teatros de morte onde os pobres pagam a conta de interesses que não são os seus.
 
Toda guerra tem seus mandantes. Toda bomba tem sua fábrica. Toda fábrica tem seus acionistas. E todo acionista tem seu governo que o protege.
 
Mas cada bomba, cada drone que destrói uma casa é também uma casa não construída em outro lugar; cada bomba e cada drone que destrói um hospital é um hospital não construído em outra cidade. Em suma, a presença de cada arma e de cada soldado marca a falta de coisas úteis à comunidade.
 
Gritamos bem alto o nosso não a todas as guerras imperialistas e do capital, guerras que, historicamente, nunca fizeram a fortuna nem das revoluções nem dos revolucionários e das revolucionárias. Somente o povo que se organiza de baixo para cima pode fazer nascer uma revolução.
 
A verdadeira segurança nasce da justiça social, da cooperação entre os povos, do fim da pilhagem econômica que alimenta os conflitos. A nossa resposta é sempre a mesma: o internacionalismo para levar “a paz entre os oprimidos e a guerra aos opressores”. E essa frase não precisa ser escrita nos muros porque a gravamos na nossa pele. Porque o anarquismo não tem fronteiras, não tem pátria para defender.
 
Desde 1872, na Internacional Antiautoritária de Saint-Imier, construímos solidariedade além das fronteiras. Em 1936, fomos lutar na Espanha contra o fascismo. Éramos homens e mulheres que, nas colunas da revolução e nas coletividades, não defenderam uma pátria, mas uma possibilidade concreta de vida livre, sem patrões e sem generais. De Barcelona a Aragão, nos ensinaram que a liberdade se constrói com as mãos, com as assembleias, com a revolução social.
 
Nos anos 2000, construímos solidariedade com anarquistas israelenses e palestinos que juntos lutavam contra o muro do apartheid. Hoje, estamos aqui, com as companheiras e os companheiros de todas as latitudes que resistem. Às guerras é preciso responder com a deserção, o boicote e o derrotismo revolucionário. Desertar significa não apenas ajudar os desertores, mas desmascarar a propaganda, ajudar os ferroviários e os estivadores em suas ações de boicote. Significa recusar a narrativa do Estado que transforma agressão em defesa, supremacia em segurança, guerra em necessidade moral. Não existem guerras humanitárias. Não existem bombardeios libertadores. Existem apenas mulheres, homens, pessoas, crianças que morrem; e quem lucra com a sua morte. Nós lutamos para que não sejam mais as pessoas a cair, mas os muros; para que não sejam os povos a ser apagados, mas as fronteiras.
 
Estamos com quem, em qualquer lugar, está na prisão por tentar combater e mudar o sistema, por combater e recusar a guerra. Com quem traz areia, não óleo, para o motor do militarismo.
 
Somos desertores de toda guerra, partisans contra todo Estado.
 
Somos internacionalistas por uma verdadeira fraternidade e irmandade entre os povos, e é justamente o nosso internacionalismo que nos levou em abril a Atenas para o congresso da IFA, para compartilhar experiências, reflexões e ações com companheiras e companheiros de várias geografias.
 
Oitenta anos atrás, em Carrara, nossos companheiros e nossas companheiras conseguiram construir uma organização anarquista a partir do caos da guerra, das cinzas do fascismo, da dureza da repressão. Chamaram-na Federação Anarquista Italiana e a fizeram nascer com a mesma determinação com que Malatesta, Berneri e Meschi mantiveram o fogo aceso nas décadas anteriores.
 
Hoje, o mundo é mais complexo, as guerras são mais numerosas, a repressão mais sofisticada. O decreto de segurança quer criminalizar toda forma de resistência. A militarização da escola quer formar súditos e não seres livres. As guerras querem nos convencer de que não existe alternativa à violência. Nós respondemos com as palavras de Ferrer: queremos ser capazes de evoluir sem cessar, capazes de destruir e de renovar.
 
Nós não somos pacifistas, mas lutamos dia após dia pelo triunfo da paz, pela justiça social, pela fraternidade e irmandade de todos e todas. Pela convivência pacífica entre humanos e não humanos.
 
Devemos ser, como disse Parsons, “infiéis e traidores às infâmias da moderna sociedade capitalista”.
 
O cortejo que começará agora não é folclore, não é uma manifestação sem propósito, mas é um momento importante de reflexão para termos bem presente de onde viemos, onde estamos e para onde e como queremos ir.
 
A nossa resposta é antiga e nova ao mesmo tempo: nem Estado nem guerra, nem patrões nem servos, nem escola quartel nem trabalho escravo. Liberdade, igualdade, apoio mútuo. Viva o comunismo libertário, Viva a anarquia e bom primeiro de maio.
 
Cristina Tonsig
 
Fonte: https://umanitanova.org/primo-maggio-anarchico-a-carrara/
 
Tradução > Liberto
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
eu em demasia
não fosse
a poesia
 
Eder Fogaça