[Grécia] Solidariedade com o povo de Cuba e nossos camaradas anarquistas

Desde o 13º Congresso da Internacional das Federações Anarquistas, realizado em Atenas (3 a 5 de abril de 2026), enviamos nosso apoio e solidariedade inabaláveis aos nossos camaradas anarquistas em Cuba, que não puderam viajar para participar dos trabalhos da IFA.
 
O embargo econômico contra Cuba está em vigor desde a década de 1960, mas nos últimos meses os EUA endureceram sua postura, impondo sanções a navios que transportam petróleo para a ilha e ameaçando aplicar tarifas contra os países que o fornecem.
 
A coerção punitiva de todo um povo a viver em condições extremas e devastadoras (sem eletricidade, essencial para o funcionamento da infraestrutura básica para a sobrevivência humana) constitui um crime contra a humanidade.
 
Nenhuma tolerância, nenhum silêncio diante do crime que os Estados Unidos estão cometendo contra o povo de Cuba e contra a guerra global que estão travando contra a humanidade — uma guerra que amanhã atingirá a todos nós, em todos os cantos da Terra.
 
Internacional das Federações Anarquistas (IFA-IAF)
3 a 5 de abril de 2026 – Atenas, Grécia
 
apo.squathost.com
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
Rastros de vento,
escuridão de brasas,
um salto suave.
 
Soares Feitosa

[Alemanha] Pelxs nossxs companheirxs que morreram em defesa da vida

PELXS NOSSXS COMPANHEIRXS QUE MORRERAM EM DEFESA DA VIDA

PELXS COMPANHEIRXS QUE DECIDIRAM TOMAR O PRÓPRIO DESTINO NAS MÃOS

PELXS COMBATENTES QUE ESTAVAM DISPOSTXS A FAZER TUDO O QUE FOSSE NECESSÁRIO

PELXS REVOLUCIONÁRIXS QUE NÃO SE CONTENTAVAM COM NADA MENOS DO QUE TUDO

E PELAS PESSOAS QUE ERAM JOVENS COMO VOCÊ E EU

POR VOCÊ, KYRIAKOS

POR VOCÊ, SARA E SANDRO

POR TODXS AQUELES QUE DERAM A VIDA PARA DEFENDER A VIDA

Em 19 de março de 2026, xs companheirxs anarquistas Sara Ardizzone e Alessandro Mercogliano foram encontradxs mortxs após o desabamento de uma casa rural em Roma. A mídia fala de uma suposta detonação de um artefato explosivo. Embora as circunstâncias exatas permaneçam pouco claras, uma coisa é certa para nós: Sara e Sandro morreram em ação, morreram combatendo.

Recebemos essas notícias pouco antes do início do julgamento de Ampelokipi contra nossas companheiras anarquistas Marianna Manoura e Dimitra Zarafeta, bem como contra xs outrxs três réus. Marianna ficou gravemente ferida na explosão de um artefato em 31 de outubro de 2024 em Atenas e desde então está detida junto com Dimitra na prisão feminina de Korydallos.

Essa mesma explosão matou nosso companheiro Kyriakos Xymitiris.

Recordamos com dor aqueles primeiros dias após a morte dele: o vazio, a dor, a raiva. A tentativa de compreender o incompreensível, de entender a definitividade de um único ato. Somente juntxs podíamos enfrentar a realidade em que vivemos.

Choramos juntxs e gritamos juntxs. Sentamo-nos juntxs em silêncio. Discutimos, fizemos planos e agimos juntxs. Decidimos considerar a defesa da memória revolucionária como nossa responsabilidade e como a consequência lógica da nossa luta comum.

Axs amigxs, axs companheirxs e às famílias de Sara e Sandro: sentimos a sua dor, compartilhamos a sua raiva e estamos ao seu lado na defesa da memória dxs nossos companheirxs caídxs. Desejamos a vocês toda a força, todo o amor e toda a ternura de que precisamos para manter viva a chama da nossa luta comum. Desejamos a vocês momentos de descanso, para chorar e sofrer juntxs. Lutamos ao seu lado por momentos de insurgência, em que deixamos que nossa raiva se torne o fogo que mantém viva a memória dxs nossxs companheirxs.

Os corações revolucionários ardem para sempre!

De Roma a Atenas a Berlim: temos razão, venceremos!

Sara Ardizzone  Sempre ao nosso lado!

Alessandro Mercogliano  Sempre ao nosso lado!

Kyriakos Xymitiris  Sempre ao nosso lado!

-R94

Fonte: https://brughiere.noblogs.org/post/2026/04/09/per-lx-nostrx-compagnx-che-sono-mortx-in-difesa-della-vita/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

O vaga-lume à noite
acende sua luz.
Pisca-pisca.

Aprendiz

Agir hoje para não obedecer amanhã: a força cotidiana da autonomia

A autonomia não é uma promessa distante, uma miragem que surgirá no horizonte depois da revolução. Ela se faz no suor do agora, no gesto cotidiano de recusar as amarras que nos sufocam. Enquanto muitos se perdem na ilusão de que a transformação social é um evento futuro — uma grande noite em que, finalmente, tomaremos o poder —, nós, anarquistas, sabemos que o amanhã é moldado pelas mãos que ousam construir hoje. A autonomia não é herança que se recebe; é conquista que se tece na desobediência de cada instante. Esperar é consentir. Agir é existir.

A história nos mostra que as mudanças radicais nunca foram decretadas de cima para baixo, mas brotaram das trincheiras da vida real. As fábricas recuperadas, os hortos comunitários, as escolas livres, as redes de apoio mútuo: todas essas sementes de emancipação não aguardaram a permissão de um Estado ou a data marcada por uma vanguarda. Elas surgiram quando pessoas comuns, cansadas da espera, disseram “basta” e estenderam as mãos para construir o novo sob os escombros do velho. É nesse terreno — áspero, imediato, imperfeito — que a autonomia deixa de ser ideia e se torna força viva.

Dizer que agimos “enquanto esperamos” a grande transformação é um contrassenso perigoso. É justamente o contrário: são as práticas autônomas de hoje que forjam a subjetividade rebelde de amanhã. Se nos acostumamos a delegar, a obedecer, a adiar a nossa potência, estaremos apenas reproduzindo dentro do movimento a mesma lógica de dominação que dizemos combater. A autonomia não é um ponto de chegada; é um método. Cada vez que decidimos coletivamente sobre nossas vidas, cada vez que rompemos com a lógica do consumo e da hierarquia, estamos antecipando o mundo que queremos ver. E nessa antecipação, criamos as condições materiais e subjetivas que tornam a revolução não apenas possível, mas inevitável.

Acreditar que a liberdade plena só virá depois de uma “tomada do poder” é cair na armadilha do pensamento autoritário. Para o anarquismo, os meios e os fins são indissociáveis. Se usamos meios autoritários, hierárquicos ou adiamos a liberdade para um futuro incerto, jamais chegaremos a um resultado libertário. Por isso, a construção da autonomia é uma militância de todos os dias. É no presente que forjamos a confiança mútua, a solidariedade concreta e a capacidade de autogestão. É agora que ensaiamos, erramos, aprendemos e fortalacemos os laços que farão frente ao leviatã quando ele tremer.

Não há transformação social sem sujeitos transformados, e esses sujeitos não nascem da noite para o dia. Eles são forjados na prática incessante da autonomia: na vizinha que organiza com as outras a segurança do beco contra a violência policial, no coletivo que ocupa um prédio abandonado e decide em assembleia os rumos da moradia, nos trabalhadores que retomam os meios de produção sem pedir licença ao patrão. Cada ato de recusa e criação é uma célula do novo mundo. E quanto mais células formamos, mais o corpo social adoece de liberdade, até que a estrutura do poder já não tenha onde se sustentar.

Portanto, camaradas, deixemos de lado a ansiedade pelo “grande dia” e concentremos nossa fúria criadora no que podemos fazer com as mãos, agora, neste chão que pisamos. A autonomia não é um prêmio para os que souberem esperar; é uma ferramenta para os que se recusam a esperar. Cada hora vivida em autogestão é uma hora de revolução real. Cada laço horizontal que tecemos é uma derrota para a lógica da dominação. Não construímos autonomia para a revolução: construímos autonomia como a própria revolução em movimento. O amanhã que queremos já começou — e começa agora, na coragem de quem decide ser, hoje, o agente da sua própria vida.

Liberto Herrera.

Fonte: https://libertoherrera.noblogs.org/2026/04/10/agir-hoje-para-nao-obedecer-amanha-a-forca-cotidiana-da-autonomia/

agência de notícias anarquistas-ana

dois amigos na janela
a lua
encontra o pinheiro

Ricardo Portugal

[Reino Unido] Acadêmicos anarquistas chegam a Oxford

A Rede de Estudos Anarquistas organizou três sessões na Conferência da Associação de Estudos Políticos de 2026
 
– Coordenação da ASN
 
A Rede de Estudos Anarquistas, ou Anarchist Studies Network (ASN), organizou sua plataforma mais significativa até hoje na conferência da Political Studies Association (PSA), em Oxford, no fim de março. Como um dos quarenta e oito “grupos de interesse” ativos dentro da PSA, a ASN existe “para coordenar e promover a investigação do anarquismo como práxis social e política”.
 
Para a conferência deste ano, organizamos três sessões distintas, representando perspectivas políticas diversas e argumentos práticos. Houve uma mesa-redonda sobre a relevância contemporânea do pensamento anarquista, presidida por Shane Little, com a participação de Laurence Davis, Rhiannon Firth, Jim Donaghey e Jon Bigger, do próprio Freedom. O primeiro painel contou com falas de Elke Van dermijnsbrugge sobre “Max Stirner, políticas de identidade e coexistência multiespécie“; de Rhiannon Firth, intitulada “Comam os ricos: prefigurando a recomposição ecológica e social por meio da ajuda mútua e dos movimentos cooperativos de alimentação“; e de James Willis, intitulada “Criação de mundos e misticismos ferais: resistência como Via Negativa Política“.
 
O segundo painel contou com falas de Ray Di Marco Campbell, intitulada “Anarquismo em ação: cortes comunitários, refeições e conexão“; de Matti Eskelinen, intitulada “Propriedade, não liberdade! Desatando os nós entre anarquismo e libertarianismo em relação ao propertarianismo“; e de Ivan de Oliveira sobre a “Alianza Libertaria Argentina: contexto e criação de uma organização política anarquista nos anos 1920“.
 
Embora atuar em contextos acadêmicos implique uma multiplicidade de desafios práticos e éticos, os cargos que muitos de nós ocupamos em ambientes educacionais nos oferecem espaços altamente privilegiados nos quais podemos integrar, incorporar e alinhar nossas perspectivas anarquistas às nossas práticas. Assim como a plataforma da ASN na conferência da PSA permitiu que pessoas não familiarizadas com abordagens anarquistas e afins, intrigadas por elas ou mesmo abertamente hostis a elas, participassem dos espaços que organizamos, nossa posição nessas organizações às vezes também facilita o acesso a financiamento institucional, a ambientes de ensino nos quais podemos expor estudantes a ideias radicais para além dos currículos acadêmicos convencionais de nossas respectivas áreas, e a oportunidades de envolver públicos diversos em debates críticos.
 
Nenhum de nós entrou nessas instituições com ilusões sobre o que elas representam, como lucrar com estudantes pagantes, usar qualificações como barreiras de acesso aos tipos de trabalho que nossos estudantes desejam exercer, e assim por diante. Em vez disso, estamos buscando fortalecer nossas próprias redes para que, em nossos espaços dedicados, seja na PSA, em nossas próprias conferências ou em outros eventos, possamos continuar promovendo solidariedade, parcerias e colaboração dentro de uma cultura que frequentemente promove e até valoriza justamente o oposto.
 
Além de nossa próxima conferência em Manchester, organizamos um programa de atividades de dois dias para acadêmicos em início de carreira, incluindo pesquisadores, docentes e outras pessoas que atuam na academia, que ocorrerá nos dois dias imediatamente anteriores à conferência, na segunda-feira, 24 de agosto, e na terça-feira, 25 de agosto de 2026. Anarchademics, Unite! é aberto a estudantes de pós-graduação em nível de mestrado e doutorado “cuja pesquisa dialoga com o anarquismo e que estejam considerando um futuro na academia ou para além dela”. Embora estejamos particularmente interessados em apoiar colegas que enfrentam barreiras adicionais para ingressar ou se estabelecer na academia, incluindo, mas não se limitando a, ideologia, classe, raça e pertencimento étnico, religião, gênero, sexualidade, status de residência, deficiência e todo tipo de intersecção, todas as pessoas interessadas são encorajadas a enviar uma manifestação de interesse. As sessões abordarão pedagogias radicais, propostas de financiamento de pesquisa, elaboração de programas de curso, publicação acadêmica e outras questões relacionadas.
 
Para melhorar a acessibilidade das oficinas, a rede comprometeu recursos para apoiar o deslocamento das pessoas selecionadas, com até 150 libras de reembolso para ida e volta, oferecerá duas noites de hospedagem, dará suporte alimentar com bebidas e lanches durante os dois dias de atividades e cobrirá o jantar da primeira noite do programa. As pessoas interessadas devem preencher um breve formulário explicando o que esperam obter com os eventos, com espaço também para ajudar a definir os focos das atividades ao detalhar desafios específicos que tenham enfrentado até agora. Também encorajamos as candidaturas a informar quaisquer adaptações que possamos fazer para facilitar melhor sua participação nesse espaço. O formulário pode ser encontrado em nosso site, aqui; as inscrições preenchidas devem ser enviadas até segunda-feira, 20 de abril. Pretendemos informar todas as pessoas candidatas sobre o resultado em até quatro semanas após o envio.
 
anarchiststudiesnetwork.org
 
Fonte: https://freedomnews.org.uk/2026/04/10/anarchademics-descend-on-oxford/  
 
Tradução > Contrafatual
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
uma pétala caída
que torna a seu ramo
ah! é uma borboleta
 
Arakida Moritake

[Argentina] Patricia Olivier

Em 11 de abril de 1977 é assassinada em Buenos Aires a militante anarquista Patricia Silvia Olivier Testa, conhecida como Paíta. Havia nascido em 24 de dezembro de 1952 em Buenos Aires. Criou-se em Ituzaingó (Buenos Aires). Depois de realizar os estudos secundários, matriculou-se na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Buenos Aires (UBA).

Formou casal com o estudante anarquista Luis Esteban Matsuyama Goyeneche (El Chino) e ambos militaram na Resistência Estudantil pelo Socialismo (RES), grupo estudantil e sindicalista da organização libertária Línea Anarco-Comunista (LAC), organização que se dissolveu entre 1975 e 1976; parte de sua militância integrou-se na agrupação anarquista Resistência Libertária (RL).

O RL criou-se em La Plata (Buenos Aires), com vínculos com Buenos Aires e Córdoba, e da qual fizeram parte destacados anarquistas argentinos e uruguaios exilados, como Rufino Almeyda, Rita Artabe, Ether Biscayart de Tello Fernando López, Elsa Martínez, Elvi Mellino, Raúl Olivera, Hernán Ramírez Achinelli, Marcelo Tello, Pablo Tello, Rafael Tello, etc. Com Luis Matsuyama, a partir de 1975 trabalhou como desenhista técnica na empresa Techint e viviam no número 5.810 da Rua Corrientes, no bairro de Villa Crespo de Buenos Aires, lugar de reunião da militância.

Em consequência da detenção e assassinato em 8 de abril de 1977 da irmã de Luis, Norma Matsuyama (grávida), seu companheiro Eduardo Testa e Adriana Gatti Casal (grávida) no bairro de Agronomia de Buenos Aires, os três militantes do grupo Montoneros e da União de Estudantes do exército da ditadura cívico-militar pode saber seu endereço. Patricia Olivier e Luis Matsuyama foram sequestrados em 11 de abril de 1977 em seu domicílio de Buenos Aires e, após sofrer torturas na Escola de Mecânica de Armanda (ESMA), desaparecidos.

Em 27 de maio de 2017 colocou-se um azulejo comemorativo em sua recordação a poucos metros de sua residência em um ato organizado pelo grupo Barris pela Memória e Justiça de Villa Crespo.

ALEN

Fonte: https://pacosalud.blogspot.com/2026/04/patricia-olivier.html

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Em câmera lenta
preguiça na imbaubeira
passa a outro galho.

Anibal Beça

[México] Comunicado sobre o companheiro Iván Torres Urbina

México em 9 de abril de 2026.

É com pesar que nos dão a notícia lamentável sobre a perda sensível do companheiro e camarada Ivan.

Devemos dizer que durante longas horas resistimos a escrever esta carta, pois esperávamos que tudo fosse um boato. No entanto, constatamos por diversas fontes sobre a lamentável perda de Ivan.

Para nós que integramos a Federação Anarquista do México, lamentamos a perda muito sensível do companheiro Ivan Artion Torres Urbina. Companheiro com quem frequentamos não só barricadas, mas sonhos e alegrias.

Dos nossos lugares enviamos abraços calorosos e fraternais para seus companheiros mais queridos e claro para todas e todos os anarquistas que sentimos o peso da sua partida.

Que a terra te seja acolhedora e te abrace forte, companheiro.

Até sempre.

Fraternalmente: Federação Anarquista do México-IFA

federacionanarquistademexico.org

agência de notícias anarquistas-ana

peixes voadores
ao golpe do ouro solar
estala em farpas o vidro do mar

José Juan Tablada

Por uma educação pública e laica: religião fora da escola

Uma educação pública e laica fundamenta-se na autonomia do ensino em relação a qualquer autoridade clerical ou doutrina teológica. Nesse modelo, a formação religiosa é entendida como atribuição das famílias e das comunidades de fé, enquanto à escola cabe garantir o acesso a conhecimentos comuns, universais e verificáveis, fundamentados na razão, na ciência e no pensamento crítico. Assim, a escola laica não é um espaço “vazio” de valores, mas um ambiente de neutralidade institucional, comprometido com a liberdade de consciência e com a proteção de alunos e professores contra qualquer forma de doutrinação.

A defesa da religião fora da escola pública apoia-se em pilares consistentes. O primeiro é a autonomia do pensamento: educar não é catequizar, mas formar sujeitos capazes de questionar, argumentar e decidir com base em evidências. Substitui-se o dogma pelo debate qualificado, abrindo espaço para o pluralismo de ideias e para o desenvolvimento intelectual.

O segundo pilar é a proteção à pluralidade. Em sociedades marcadas pela diversidade religiosa e cultural, a neutralidade do ensino público é condição para evitar que crenças majoritárias se imponham sobre minorias — ou sobre aqueles que não professam fé alguma. A escola, nesse sentido, deve ser um espaço de convivência democrática, não de privilégio confessional.

O terceiro é a ética secular. Valores como solidariedade, dignidade e respeito mútuo não dependem de fundamentos religiosos para existir; podem ser construídos a partir do diálogo racional, da empatia e da experiência humana compartilhada. A escola pública, portanto, tem plenas condições de promover uma formação ética consistente sem recorrer a referenciais teológicos.

Apesar de sua importância, esse princípio enfrenta pressões crescentes. Movimentos inspirados por correntes como a chamada “Teologia do Domínio” e a estratégia dos “Sete Montes” defendem a ocupação de esferas sociais — entre elas, a educação — por agendas religiosas específicas. Soma-se a isso a expansão do ensino religioso confessional em redes públicas e a atuação de bancadas religiosas contra debates sobre gênero e diversidade. Para setores comprometidos com a laicidade, tais iniciativas representam não apenas um retrocesso institucional, mas uma ameaça à neutralidade do Estado e aos fundamentos de uma sociedade democrática plural.

Grupo de Estudos Alerta – Anticlerical

>> Mais infos: Centro de Cultura Social (CCS), Rua General Jardim, 253, sala 22, Vila Buarque – próximo ao Metrô República, Sâo Paulo-SP.
www.facebook.com/centrodeculturasocialSP/
@centro_de_cultura_social
ccssp@ccssp.com.br
www.ccssp.com.br

agência de notícias anarquistas-ana

No calor da tarde
Uma chuva refrescante.
Nasce o arco-íris.

Thiago Augusto Rodrigues

[Chile] Primeiro de Maio Anárquico no Parque La Bandera, Santiago

Um chamado a encontrar-nos fora das jaulas de costume.

Longe do espetáculo domesticado do sindicalismo oficial e seus desfiles vazios.

Este Primeiro de Maio não se mendiga dignidade: se exerce.

O Sindicato de Ofícios Vários convoca aos que não aceitam ajoelhar-se ante o trabalho assalariado nem ante as promessas do poder. Aos que entendem que a liberdade não se delega, que a vida não se negocia, que a rebeldia não se domestica. No Parque La Bandera levantaremos, uma vez mais, esse território efêmero, mas real onde a autoridade se dissolve e a fraternidade se torna prática concreta.

Haverá música, sim, mas não como espetáculo: como grito de protesto. Oficinas e palestras, não para ilustrar passivamente, mas para acender a consciência e afiar a ação. Feira libertária, não como consumo, mas como intercâmbio vivo de ideias, afetos e ferramentas para romper com a ordem estabelecida.

Que ninguém venha a observar. Aqui se vem para participar, para incomodar, para tensionar. A conspirar contra a obediência e a ensaiar, ainda que seja por umas horas, a vida que nos foi negada.

Porque não queremos reformas: vamos para o comunismo anárquico.

Saúde e Revolução Social.

Difunde, participa, traga tua feira!

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

No meio da grama,

Surge uma luz repentina.

Vaga-lume acorda.

Renata Paccola

[Itália] Roma: Fora Alfredo do 41bis [18 de abril]

Essas prisões são prisões de guerra. Fora Alfredo do 41bis!
 
A vida de Alfredo Cospito passa novamente pelas mãos do Ministro da Justiça, portanto do governo, pois nos primeiros dias de maio expiram os primeiros 4 anos em regime de 41bis. A partir desse momento, o prazo terá renovação a cada 2 anos. A história de Alfredo hoje é conhecida por amplos setores da sociedade que tomaram consciência da violência do 41bis graças à greve de fome de mais de 180 dias, que Alfredo realizou entre 2022 e 2023, e à forte mobilização nacional e internacional em sua solidariedade. Atualmente, as condições de detenção de Alfredo pioraram: ele não pode receber nenhum tipo de livro (mesmo aqueles sem conteúdo político), a censura nas cartas aumentou e ele não consegue nem mesmo farinha para fazer pão. Esse endurecimento adicional é uma clara represália após a sentença contra o Subsecretário da Justiça, Delmastro, condenado por revelação de segredos de Estado. O Subsecretário da Justiça havia transmitido a Donzelli, responsável do partido governista, documentos do DAP sobre conversas que Alfredo teve com outros detentos de sua seção durante a hora do ar livre.
 
A solidariedade com Alfredo nunca foi apenas uma luta por Alfredo. Como já foi dito várias vezes, um anarquista no 41bis hoje é um aviso para todos, pois essa extensão adicional desse regime prisional constitui uma das pontas mais avançadas da atual fase reacionária. O endurecimento contra ele, de fato, tem como principal explicação a vontade de encerrar a partida com qualquer forma de dissenso, desde as radicais até as permitidas.
 
O estado permanente de preparação para a guerra, no qual estamos imersos há quatro anos, é o resultado de uma adequação da agenda e da propaganda do Estado. Autoritarismo, cortes nos gastos públicos, militarização da sociedade, guerra aos pobres, patriarcado, leis racistas, detenção administrativa (CPR), mas, acima de tudo, a ferrenha celebração de tudo isso, representam a estrutura econômica e cultural à qual estão acostumando a população. Os pobres são indivíduos excedentes a serem confinados fora do convívio social. As pessoas dissidentes são inimigas a serem combatidas, o conflito social é terrorismo. O imperativo é lei e ordem, ou prisão.
 
E é por isso que é apropriado considerar as prisões como verdadeiras prisões de guerra e as pessoas detidas como verdadeiras prisioneiras de uma guerra que, embora ainda não tenha feito explodir bombas neste canto do mundo, impõe a necessidade preventiva de cerrar fileiras para desencorajar e desincentivar não apenas o conflito social, mas toda forma de oposição.
Essas prisões são prisões para Anan, condenado a 5 anos e 6 meses por ser palestino que participou da resistência contra a ocupação israelense; são prisões para Tarek Dridi, condenado por crime de resistência dentro da manifestação de 5 de outubro de 2024; são prisões para Ahmad Salem, em regime de Alta Segurança apenas por ter assistido a vídeos que qualquer um pode encontrar na web, mas considerados pelos investigadores como provas de preparação para o uso de explosivos para a prática de atos com finalidade terrorista.
 
Por Alfredo, pela abolição do 41bis, por todas as pessoas prisioneiras, pela deserção de toda guerra, pelo desmantelamento do aparato militar e da ideologia militarista e patriarcal, por todas as pessoas atingidas pela repressão por terem agido em solidariedade com a Palestina.

Fazemos um apelo àqueles que, há três anos, tomaram uma posição, àquela parte da sociedade que nestes anos foi às ruas pela Palestina e que, diante das injustiças, não costuma se calar.
 
No dia 18 de abril estaremos nas ruas de Roma por Alfredo.
 
Essas prisões são prisões de guerra
Fora Alfredo do 41bis
Liberdade para todos e todas
 
Fonte: https://brughiere.noblogs.org/post/2026/03/30/roma-fuori-alfredo-dal-41-bis-18-aprile/
 
Tradução > Liberto
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
Sobre o telhado
flores de castanheiro
ignoradas.
 
Matsuo Bashô

[EUA] Anunciando o Banco de Dados de Infiltrados

O Projeto No Trace lançou uma nova ferramenta: o Banco de Dados de Infiltrados, um banco de dados de casos de infiltrados de longo prazo empregados pelas autoridades no século XXI, atualmente com referência a 74 casos de 12 países. O objetivo do banco de dados é ajudar anarquistas e outros rebeldes a entender melhor como os infiltrados operam. Para cada caso, fornecemos uma breve descrição, fontes para aprender mais, bem como o nome e fotos do infiltrado, se disponíveis.
 
Manteremos o banco de dados no futuro. Se você souber de algum caso que esteja faltando e que atenda aos nossos critérios de inclusão, sinta-se à vontade para nos informar.
 
Para obter mais informações sobre infiltrados e como se defender contra eles, recomendamos nosso banco de dados de recursos.
 
Tradução > Reno Moedor
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
Lágrimas salgadas –
o mar permanece nos olhos
desde o princípio
 
Casimiro de Brito

[Colômbia] Nunca Policiais. Todos Os Porquinhos São Bonitos.

Nunca Tombos. All Cerditos Are Bonitos. 

Antes de compará-los, alguns dados:

Os porcos são tão inteligentes como os cães; aprendem truques, se reconhecem no espelho e recordam lugares por meses.

Amantes da limpeza: Ainda que as pessoas acreditem no contrário, são animais limpos. Separam onde dormem, comem e fazem suas necessidades se têm espaço.

Sociais e faladores: Se comunicam com mais de 20 sons diferentes e criam laços muito fortes com seu grupo.

Aprendem rápido: Podem correr até 17 km/h e até jogar vídeo jogos simples!

Cuidam de sua pele: Se revolvem no barro para refrescar-se e proteger-se do sol, como se fosse protetor solar natural.

De grande coração: Se afeiçoam com humanos e outros animais, e inclusive sonham quando dormem.

Conclusão, os porcos são demasiado bonitos, sociais e inteligentes para merecer semelhante comparação.

Xilografia por @fungitivo_jaimes.

La Candelaria, Bogotá

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

do orvalho
nunca esqueça
o branco gosto solitário

Matsuo Bashô

[Espanha] O apoio mútuo como ato revolucionário diante da sociedade do “viver rápido e sentir pouco”

Em um mundo cada vez mais hostil, sob um sistema que nos insensibiliza, nos separa, nos incentiva a competir e que prioriza o benefício individual sobre o coletivo. Um sistema que perpetua e fomenta a desigualdade social e que, de certa forma, nos iguala. Nos iguala a uma parte da sociedade como classe. A nós, como classe trabalhadora.

O apoio mútuo como ferramenta transformadora


O apoio mútuo se apresenta como uma ferramenta que representa tudo o contrário. Representa a solidariedade, a colaboração e a cooperação na qual o benefício é sempre coletivo. Na qual se oferece e se recebe apoio. Em definitivo, uma ferramenta de defesa comum que nos permite transitar pela vida de forma mais amável e humana.

Criação de espaços seguros


Criando espaços seguros onde poder ser, sentir e dar voz às nossas aventuras e desventuras cotidianas, “aqui escutamos, não julgamos e geralmente contribuímos”, procurando criar um oásis de calma e paz, onde cada integrante do grupo se sinta acolhido pelos demais.

Alcateia, horizontalidade e cuidado coletivo


Uma alcateia de lobas organizadas de maneira horizontal e assemblear, sempre cuidando todos de todos e não deixando ninguém para trás. Parafraseando uma canção que ainda perdura entre pessoas idosas e jovens, e que este ano completa 50 anos:

“Bidean anaia erortzen bazaik Lepoan hartu ta segi aurrera!”
(Se um irmão cair no caminho, carregue-o nas costas e siga em frente!)

Conclusão


Em definitivo… Se o apoio mútuo é um pequeno ato revolucionário, caminhemos juntes rumo à revolução!

Fonte: https://irunea.cnt.es/gam/apoyo-mutuo-acto-revolucionario/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

bambu quase quieto,
voltado para o poente,
filtra a luz da tarde

Alaor Chaves

Entre o bloqueio e o capitalismo de Estado: crise social, transição intra-oligárquica e protestos na Cuba contemporânea

Entrevista especial com Eleuterio Ascaso, militante anarquista cubano e integrante do Taller Libertario Alfredo López, concedida a Cassio Brancaleone no dia 13/03/2026 para o Instituto de Estudos Libertários (IEL)
 
Pergunta > Como você analisa a intensificação do cerco e das sanções da administração de Donald Trump, especialmente em seu segundo mandato, sobre a economia cubana, no marco do embargo que os Estados Unidos mantêm há mais de seis décadas? Que efeitos estruturais esta política incide na reprodução social e nas condições de vida da maioria da população?
 
Resposta < Olha, antes de tudo, é preciso dizer que esta situação de bloqueio internacional por parte do governo dos Estados Unidos da América — supostamente contra o regime daqui, a República de Cuba — tem, como bem diz a pergunta, mais de seis décadas.
Agora, é absolutamente verdade que, neste momento, depois que Trump declarou que Cuba é supostamente uma “ameaça extraordinária” para a segurança dos Estados Unidos (colocando entre aspas, que é como deve ser), as coisas aqui em Cuba pioraram muitíssimo. Ou seja, não significa de forma alguma que antes estivessem bem. Antes estava mal, mas agora está pior. Não há combustível para o transporte mais elementar, tanto dentro de Havana quanto fora, em outras províncias.
Agora mesmo, nas redes sociais, está viralizando o vídeo de um brother lá de Aguacate, município de Madruga, província de Mayabeque, que montou um polaquito (um Fiat Polski, um Fiat polaco) com um conversor de carvão a gás; algo que era muito utilizado na Alemanha nazista durante a guerra, entre 39 e 45. Bom, eu interpreto que basicamente o que ele faz é converter o carvão em CO, monóxido de carbono, um gás altamente venenoso, e com isso alimenta o motor do polaquito. A situação é pesada.
Há outras questões também de importância crucial, como, por exemplo, o fato de uma pessoa poder ter dinheiro no cartão bancário, mas não ser possível convertê-lo em espécie, e muita gente recebe em dinheiro vivo. Porque, entre outras coisas, esses sistemas bancários não funcionam quando há apagão, e os apagões aqui são diários. Nem funcionam quando falta luz no local onde estão os servidores do sistema bancário, que não coincide necessariamente com o lugar onde o banco está. Ou seja, nada feito; é preciso “navegar”, inventar (dar um jeito), ver como se converte esse dinheiro eletrônico do cartão em um dinheiro que se possa consumir. Nessa questão da transferência, nem todos os negócios podem comprar via transferência, porque o Estado também exige que paguem em dinheiro vivo dentro da venda por atacado.
Eu devo ressaltar algo muito importante: o bloqueio norte-americano é um fato de classe. Isso é uma questão de classe! As pessoas que dirigem a megacorporação cubana GAESA e outras personalidades da alta burocracia não sentem o bloqueio. O bloqueio norte-americano ataca as pessoas de abajo; ataca trabalhadoras, trabalhadores, aposentados, cuidadores e cuidadoras — ataca a nós. Somos nós quem mais sofremos por essas medidas de “ameaça extraordinária” ditadas pelo governo de Donald Trump e pelas medidas de bloqueio que já existiam antes.
Isto é questão de classe. Em Cuba existe uma oligarquia. Essa oligarquia governa. Essa oligarquia vive bem, não vive como vive o povo. Essa oligarquia se desloca em carros norte-americanos de última geração. E é aliada da nova burguesia que está surgindo em Cuba — uma burguesia privada, privatista, que também dirige esses mesmos carros. Eles ganham dinheiro através do processo de “compradoria”; é uma burguesia compradora, fundamentalmente de importação. Ganham seu dinheiro, constroem suas casas luxuosas em todos os lugares de Cuba, mas é uma classe social que não tem nada a ver com o precariado.
O precariado é a maioria do povo cubano. O precariado muitas vezes é obrigado a trabalhar até 16 horas, sobretudo as mulheres, sem qualquer garantia de direitos para essa burguesia que anda por aí em carros norte-americanos e motos de última geração. Quando uma dessas mulheres, das que trabalham 16 horas para essa burguesia, fica grávida, não há direito trabalhista que a proteja. Ela tem ou que abortar ou sair do trabalho. Assim funciona a realidade jurídica da Cuba “realmente existente”. Acredito ter sido suficientemente claro sobre esse caráter classista do embargo/bloqueio norte-americano.
Quando eu digo que não existem marcos legais para proteger quem trabalha, obviamente não é totalmente assim. Obviamente existe legislação trabalhista, há um novo Código de Trabalho que foi aprovado há pouco tempo. Mas a questão principal está nos procedimentos. Ou seja, a lei adjetiva (o direito processual), como se diz no Direito, não é algo que funcione bem em Cuba.
Basicamente, em quase todos os ramos do ordenamento jurídico — talvez apenas no Direito Penal e em algumas coisas do Direito Civil — as leis adjetivas funcionam. Mas, por exemplo, no Direito Trabalhista é complicado ganhar uma disputa contra o empregador, especialmente quando o empregador está empoderado em termos de classe; eu me referia basicamente a isso. Não é que não existam leis, como uma “desregulação” que esses pseudo-libertários inventaram, ou como a que existe na Bielorrússia, onde você tem que assinar o contrato todo ano porque não existe contrato de trabalho permanente.
Teoricamente, em Cuba, sobretudo no âmbito estatal, quem trabalha pode reivindicar alguns direitos, mas no mundo da iniciativa privada, especialmente nos pequenos negócios, isso não é assim. E aqui entra a questão do precariado, que é muito importante. O precariado em Cuba é uma classe social que surgiu nos anos 90, quando desapareceu a ajuda e o apoio da União Soviética e do CAME (ou COMECON).
Basicamente, os salários continuaram no mesmo nível de antes, mas os mantimentos desapareceram. O que se comprava pela libreta (caderneta de abastecimento) começou a ser em quantidade e variedade muito menores. Agora já quase não se vende nada pela libreta. Tenhamos em conta que, nos anos 80, a libreta era algo que garantia um nível mínimo de bem-estar: vinha proteína, carne, produtos enlatados, frutas, etc. Tudo isso desapareceu em grande parte nos anos 90.
Os salários não aumentaram. E isso significa que as pessoas tiveram que começar a “resolver”, como se diz em Cuba, por outras vias — basicamente através da economia informal — as suas necessidades. Por isso eu falo de precariado. Eu sei que a precarização existe no mundo todo, está ocorrendo em praticamente todos os países, não é? Mas o grande ponto disso em Cuba é que o salário normal de um trabalhador ou trabalhadora do Estado geralmente está abaixo da linha da pobreza.
De fato, esse dado sobre a linha da pobreza foi informação confidencial durante muito tempo. Agora já existem estimativas de diferentes economistas e, bem, o salário estatal (e o setor estatal ainda é o que mais emprega força de trabalho hoje) está geralmente abaixo da linha da pobreza, salvo algumas exceções.
O salário na economia privada pode até estar acima, mas aí a precarização entra por outro lado, por onde eu já comentava: a vulneração dos direitos. Ou seja, nos negócios privados, o trabalhador não tem o que o Estado garante no setor público. Geralmente não há férias (ou são muito poucas), nem licença-maternidade ou paternidade. Também não há auxílio-doença quando alguém adoece. Todas essas coisas no setor privado estão muito vulnerabilizadas. É muito fácil demitir um trabalhador, e o trabalhador sabe que não pode espernear, porque assim se expõe ainda mais.
Além disso, todo o tema dos sindicatos em Cuba está muito precarizado também. Não quero dizer que não existam. No setor público, a maior parte da força de trabalho é sindicalizada, mas no privado não. Além disso, no setor privado inventaram um “modelinho cômico” de sindicato vertical, como costumava ser no fascismo, em que o patrão e os empregados pertencem à mesma seção sindical. Obviamente isso não funciona quando existe, porque muitas vezes nem isso existe.
Eu só queria pontuar isso porque, para falar do bloqueio como uma questão de classe, é indispensável entender o que é o precariado em Cuba.
 
>> Para ler a entrevista na íntegra, clique aqui:
 
https://ielibertarios.wordpress.com/2026/03/18/entre-o-bloqueio-e-o-capitalismo-de-estado-crise-social-transicao-intra-oligarquica-e-protestos-na-cuba-contemporanea/
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/07/25/chamado-a-solidariedade-com-o-centro-social-e-biblioteca-libertaria-abra-de-cuba/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Por aqui passou
uma traça esfomeada:
livro de receitas.
 
Francisco Handa

Eleições 2026 | Não voto, NÃO!

[Alemanha] Antifa na ofensiva: Rumo ao Primeiro de Maio revolucionário! Para o bloco Antifa!

Antifa está unida

Como movimento antifascista, somos criminalizados e sujeitos à repressão. Julgamentos contra antifascistas estão em andamento em Düsseldorf, Stuttgart-Stammheim e Dresden. Os réus são acusados ​​de atacar fascistas ou sabotar empresas de armamento. Além disso, Maja foi sequestrada ilegalmente e levada para Budapeste, onde foi condenada a oito anos de prisão em um julgamento espetacular. O antifascismo não pode ser proibido nem punido com prisão. É um pilar político fundamental para um mundo sem opressão, exploração e dominação.

Antifa significa Palestina Livre

O antifascismo não respeita fronteiras. Somos internacionalistas e nos solidarizamos com nossos camaradas em todo o mundo – em Rojava, Irã, Sudão, Palestina e em todos os lugares. Sem uma posição internacionalista, anticolonial e antigenicida clara, não pode haver um movimento antifascista consistente.

Antifa luta contra a perseguição política

Na Alemanha, pessoas que demonstram solidariedade à Palestina e protestam contra o genocídio em Gaza estão sendo atacadas e criminalizadas pelo Estado. Algumas perderam seus empregos, outras foram desacreditadas, condenadas ou gravemente feridas pela polícia. Ativistas do movimento curdo também estão sendo condenados sob o pretexto de pertencerem a uma organização terrorista. A repressão afeta principalmente migrantes e trabalhadores. Politicamente, o Estado quer nos esmagar, nos isolar e nos silenciar. Estamos unidos contra essa repressão.

Antifa é feminismo

A opressão patriarcal continua sendo uma realidade diária – nas escolas, nas famílias e nos locais de trabalho. Os feminicídios são apenas a ponta do iceberg da violência alimentada por discursos de ódio antifeministas e transfóbicos. O patriarcado tem muitas faces: baixos salários, pobreza na velhice e possessividade são apenas algumas delas. Não pode haver concessões na luta contra a violência patriarcal e o comportamento antifeminista – nem mesmo dentro de nossas próprias estruturas.

Antifa significa solidariedade

Em Berlim, pode-se ter a impressão de que os antifascistas são maioria. Mas mesmo fora do centro da cidade, a situação é diferente. A solidariedade precisa ser praticada. Nossos camaradas precisam de apoio local para seu importante trabalho. Juntos, devemos resistir ao fascismo.

Antifa significa faça você mesmo

Enquanto a ideologia de direita se normaliza, as supostas “barreiras” são inúteis na luta contra o [partido] AfD e o pântano circundante de “Nova Direita” e fascistas nacionalistas. Pelo contrário: a CDU não é muito diferente do AfD. No governo, Merz garante que nossa classe continue empobrecida, que a vigilância seja ampliada, que refugiados sejam submetidos a represálias racistas e que os direitos arduamente conquistados pela FLINTA e pelas pessoas LGBTQIA+ sejam cerceados.

Ombro a ombro contra os fascistas nas ruas e no parlamento.

Contra os ataques à nossa classe. Em defesa dos antifascistas presos e de todos os presos políticos do mundo.

Por uma vida boa para todos.

Junte-se ao bloco antifascista no dia 1º de maio! Vamos à ofensiva!

Somos todos Antifa – nas ruas, no subsolo ou na prisão.

Fonte: https://kontrapolis.info/17745/

agência de notícias anarquistas-ana

lavrando o campo
a nuvem imóvel
se foi

Buson

[Espanha] Cerveja Subversiva | Cooperativismo, Autogestão e Solidariedade

Cerveses Subversiva é uma cooperativa de cerveja artesanal formada por movimentos sociais libertários.
 
O que queremos?
 
Dê mais significado à nossa autogestão e solidariedade. Queremos expulsar as cervejarias capitalistas das nossas geladeiras, estabelecimentos e de todos os espaços que não querem contribuir para multinacionais ou PMEs cuja prioridade é o dinheiro e não as pessoas ou o meio ambiente.
 
Como fazemos isso?
 
Organizando-nos em uma assembleia horizontal e tecendo uma rede por todo o território. Sem chefes ou conselhos administrativos nos dizendo o que fazer e quando, de forma cooperativa.
 
O que devemos fazer?
 
Cerveja artesanal. É uma cerveja não pasteurizada, feita com diferentes variedades de aveia maltada (malte de grão), trigo, lúpulo, levedura e água; seguindo um processo de produção tradicional.
 
Quais são os nossos princípios?
 
Cooperativismo, solidariedade, autonomia, consumo local, ambientalismo, soberania alimentar e tecnológica.
 
>> Mais infos: subversiva.coop
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
Sobre os meus pés
Caem reluzentes
As últimas faíscas do sol.
 
Leandro Feitosa Andrade