[EUA] Os anarquistas de Chicago

Ilustração de Walter Crane.

Condenados por defender a classe trabalhadora.

Engel, Georg, 50 anos, cidadão alemão e tipógrafo de profissão, foi condenado à morte por enforcamento;

Fielden, Samuel, 39, britânico, operário têxtil, prisão perpétua;

Fischer, Adolf, 30 anos, alemão, jornalista, condenado à forca;

Linng, Louis, 22 anos, alemão, carpinteiro, condenado à forca, mas suicidou-se antes da execução da sentença;

Neebey, Oscar, 36 anos, americano, agente comercial, 15 anos de trabalhos forçados;

Parsons, Albert, 39, americano, jornalista, condenado à forca;

Schwab, Michael, 33, alemão, tipógrafo, prisão perpétua; e

Spies, Auguste, 31, alemão, jornalista, condenado à morte por enforcamento.

agência de notícias anarquistas-ana

Um rastro de lua
Na rua de rastros
depois que a chuva parou.

Luiz Carlos

[Portugal] Lisboa | Manifesto antiautoritário para um 1º de Maio de luta e libertação – 2026

Em Lisboa, à semelhança do ano passado, prepara-se o 1º de Maio antiautoritário.

Manifesto:

O 1º de Maio é um dia de luto e de luta da classe trabalhadora um pouco por todo o mundo.

Em 1886, os chamados “Mártires de Chicago”, anarquistas, trabalhadores, insurgentes, foram condenados à morte por ousarem imaginar o impossível: que a vida não deveria ser inteiramente capturada pelo trabalho. Lutavam por oito horas de trabalho, oito horas de descanso e oito horas de ócio. Foram, por isso, silenciados pelo Estado, esse mesmo que protege a propriedade e pune quem a desafia. A história, porém, não se escreve com o veredicto dos tribunais, mas com a persistência dos corpos que resistem: a jornada de oito horas não foi concedida, foi arrancada aos patrões com organização, luto e luta coletiva. O que se celebra não é uma conquista pacificada, mas uma ferida aberta que ainda pulsa: memória viva de que nenhum direito nasce sem conflito e de que a luta contra a exploração e o Estado permanece internacional, contínua e inacabada.

Os Mártires de Chicago morreram pela luta dos trabalhadores e é porque anarquistas perderam as suas vozes, que hoje levantamos as nossas. Há mais de 130 anos, exigia-se o mínimo: cerca de 40 horas semanais, quando o comum eram jornadas de 80 horas que devoravam a vida. Hoje, o que se apresenta como progresso revela-se regressão: o novo pacote laboral tenta devolver-nos ao passado, com o banco de horas individual a estender o dia de trabalho em mais duas horas e a roubar-nos tempo, empurrando-nos para semanas de 50 horas. Continuamos esmagados por rotinas exaustivas, por um tempo que não nos pertence.

Por isso, voltamos às ruas no 1º de Maio. Não apenas para lembrar, mas para insistir: o nosso tempo não é mercadoria! Invocamos a memória dos Mártires porque a luta não terminou e porque conhecer a nossa história enquanto classes oprimidas é também uma forma de recusar o esquecimento e de afirmar, uma vez mais, o direito à vida para além do trabalho.

Nas últimas décadas, o 1º de Maio tem sido esvaziado e reconfigurado como uma celebração dócil do trabalho ou como um dia de descanso “concedido” pelo Estado: um feriado passivo que apaga a memória das lutas que o tornaram possível. Aquilo que nasceu como conflito foi transformado em ritual; aquilo que era insurreição tornou-se calendário. Neste processo, os sindicatos institucionais (CGTP-IN e UGT) afastaram-se da classe trabalhadora, confinando a luta à via legal e à negociação de migalhas. A chamada “concertação social” não passa de uma forma renovada da velha máxima autoritária da colaboração entre classes, um mecanismo que administra o conflito em vez de o enfrentar. A ação sindical, centrada em objetivos imediatos, abdicou de uma transformação radical das condições de vida, deixando para trás a possibilidade de libertação econômica, social, política e sexual. A isto soma-se a burocratização do sindicalismo e a sua instrumentalização como dispositivo de controle, frequentemente voltado contra movimentos autônomos de trabalhadores. O que se apresenta como representação transforma-se, muitas vezes, em contenção, num gesto que mais vigia do que liberta, mais disciplina do que organiza.

Mas a luta não se delega: constrói-se. Constrói-se nas ruas, nas ocupações, nas greves, na ação direta que recusa esperar autorização para existir. Não se pede, toma-se. É, por isso, urgente retomar as formas de luta que conquistaram direitos no passado: a ação direta, o boicote, a greve, a sabotagem. Não como memória, mas como prática viva, como recusa ativa de um sistema que insiste em roubar-nos o tempo, o corpo e a vida.

Enquanto tentam apagar o caráter combativo desta data, nós, anarquistas, reacendemos a sua chama revolucionária. Chamamos todas as pessoas insurgentes, trabalhadoras e lutadoras, coletivos, sindicatos autônomos, movimentos sociais, a ocupar as ruas, a romper o silêncio e a denunciar a exploração capitalista, estatal e todas as formas de dominação. Convocamos quem não aceita delegar a própria vida, quem se compromete com a ação direta, a autonomia e a construção de um mundo sem hierarquias.

Reivindicamos um 1º de Maio auto-organizado, à margem do reformismo e do controlo autoritário. Queremos a autonomia do nosso tempo, dos nossos corpos e das nossas vidas, porque aquilo que nos foi roubado não será devolvido, terá de ser recuperado.

Não esquecemos quem foi deixado fora daquilo a que chamaram “classe trabalhadora”. Quem nunca coube nessa definição estreita, moldada para reconhecer uns e apagar outros. Não esquecemos as vidas empurradas para a margem, silenciadas como sujeitos políticos, tornadas invisíveis por uma ideia de classe que nunca foi neutra — uma ideia construída para excluir.

A “classe trabalhadora” não surgiu como simples descrição do real: foi forjada historicamente, inscrita nas hierarquias coloniais e patriarcais que sustentam o capitalismo. Desde o início, traçou fronteiras entre o que conta e o que é descartável, entre o trabalho que produz valor e o que é negado, entre quem é reconhecido como força de transformação e quem é condenado à invisibilidade. Essas distinções nasceram da violência racial, sexual e econômica que organiza o mundo.

Durante séculos, impuseram como norma a figura do trabalhador assalariado — masculino, branco, nacional — elevando-o a sujeito político legítimo. Tudo o resto foi empurrado para fora: desvalorizado, criminalizado ou romantizado como exceção. Outras formas de trabalho, de resistência e de sobrevivência foram sistematicamente negadas, apesar de sustentarem a vida.

Repensar a luta de classes exige mais do que apelos abstratos à unidade. Exige romper com esta herança, desmantelar as fronteiras impostas e recusar uma ideia de classe fechada sobre si mesma. A classe não é um dado: é um campo de disputa. É nesse terreno que nos colocamos, ao lado de todas as existências que o capitalismo tentou disciplinar, explorar e destruir. Porque a luta não é apenas por inclusão numa categoria que sempre excluiu, mas pela sua transformação radical.

Propomos um 1º de Maio anarquista, transfeminista, antirracista e anti-imperialista. Um 1º de Maio que inclua quem é empurrado para as margens: a comunidade queer, as trabalhadoras migrantes, racializadas e precarizadas, as trabalhadoras sexuais, as pessoas presas forçadas a trabalhar em condições de escravatura. Porque a sociedade do trabalho é patriarcal, capacitista e extrativista, valoriza a produtividade acima da vida e transforma corpos em recurso.

Rejeitamos uma educação que nos treina para obedecer e produzir, que nos molda para aceitar a exploração como destino. Queremos um 1º de Maio que recuse fronteiras e afirme o internacionalismo e a autodeterminação dos povos. Um 1º de Maio que reconheça o colapso climático não como acidente, mas como consequência direta de uma sociedade industrial, colonial e capitalista.

Almejamos uma vida de ócio e de prazer, uma vida onde o tempo livre não seja uma migalha concedida pelo capital para alimentar o consumo, nem um descanso funcional que nos prepara para voltar a ser exploradas. Queremos tempo que nos pertença, tempo vivido e não administrado.

Queremos a abolição do trabalho assalariado e o fim de todas as formas de dominação — porque enquanto o trabalho governar a vida, não haverá liberdade. Transformemos esta data num espaço de agitação, solidariedade e organização popular. Ocupa o espaço. Recupera o teu tempo.

Porque tal como os “Mártires de Chicago”, carregamos nos nossos corações desejos de libertação social, ocupamos as ruas no dia 1 de Maio, a partir das 15h, no Largo de Camões. Este será um espaço de agitação, solidariedade e organização contra o Capital e o Estado e por um 1º de Maio combativo e autônomo. A marcha terminará em festa no Largo do Intendente, um apelo à ociosidade e à reapropriação do espaço público.

Hoje como ontem, não nos resignamos!

Fonte: https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2026/04/21/lisboa-manifesto-antiautoritario-para-um-1o-de-maio-de-luta-e-libertacao-2026/

agência de notícias anarquistas-ana

Limpo o rosto na camisa –
O vento começa a trazer
As primeiras gotas de chuva

Paulo Franchetti

[Espanha] Dialogar ou Julgar

O tempo sempre atenua as paixões; neste caso, refiro-me àquelas produzidas pelas ideias e projetos de transformação. Talvez por isso, hoje em dia eu goste mais do que no passado de compartilhar, conversar, debater, refletir e meditar sobre ideias e sobre agências o mais situadas possível na realidade, na cotidianidade, nas lutas, na vida, na experiência…

Sempre que posso, gosto de praticar o exercício de dialogar, esse exercício de atenção coletiva sem roteiro nem algoritmo que o organize. Quando as conversas são em público e envolvem mais de duas pessoas, entendo que é preciso deixar espaço para que cada um intervenha ou guarde silêncio. É certo que esta afirmação tem uma leitura de gênero difícil de reverter, a saber: que os homens intervêm muito e as mulheres guardam muito silêncio.

Como assinala Amador Fernández Savater, é muito positivo acompanhar a palavra do outro com a escuta, um gesto de incentivo ou a contrapergunta. A conversa se tece e se sustenta entre todos. As palavras derivam, se entrelaçam e desfazem; nos autorizamos a rir, a poetizar, a pensar. Saímos de nós mesmas. E é que conversar, con-vertere, significa voltar-se um para o outro. Se intervém a moral, a consciência, o diálogo emperra, não circula com fluidez.

Ultimamente, meus escritos provocam reações polêmicas, por vezes iradas, e até parece que atentam contra a “consciência” de quem os reivindicou ou os lê. Sempre pensei que, diferentemente do marxismo, o anarquismo não tem santos-pensadores intocáveis (claro, homens) e, embora seja verdade que houve bakuninistas no século XIX, isso não teve continuidade como tem, ainda hoje, com os marxistas.

Os marxistas se acostumaram a debater e a se enfrentar, inclusive a se odiar, por temas doutrinários, teóricos (nos quais se inclui a defesa de seus referenciais: Marx, Engels, Lênin, Gramsci, e muitos outros, até mesmo Stálin… é preciso ter pique). Os anarquistas, por outro lado, debateram, e sim, também se odiaram, mas mais por questões organizativas e de prática de algum tipo: disputas como as que opuseram anarco-coletivistas a anarco-comunistas, anarco-sindicalistas a sindicalistas, plataformistas, conselhista, individualistas, insurrecionalistas, etc., etc.

Talvez por se preocuparem mais com a prática do que com a teoria, o âmbito anarquista sempre gostou de dialogar, conversar, debater, refletir e meditar sem que a doutrina, a ideologia, a verdade ou o julgamento moral da “consciência” o impeçam. Não digo que seja sempre assim e que não tenha havido o contrário, mas compartilho com David Graeber que grande parte da prática anarquista gira em torno de um certo princípio dialógico. Quantas voltas já demos, no âmbito anarquista, para aprender a tomar decisões pragmáticas, tentando que seja por unanimidade e procurando não recorrer à votação para não subsumir quem é minoria sob o ponto de vista da maioria?

Parece que, na realidade, o pensamento real é dialógico, não cartesiano no sentido de que se inicia com o indivíduo autoconsciente e depois fica ruminando como se comunicar com outras pessoas.

Embora tenhamos sido educados na unidade entre teoria e prática, o anarquismo quase sempre optou pela prática de forma muito mais pronunciada do que outras correntes socialistas, certamente mais do que o marxismo.

Resumindo: quando alguém quer saber a opinião de outra pessoa sobre algum tema, é porque está disposto ao diálogo, ao debate, à reflexão. Não se pergunta a opinião quando previamente se a anatemizou, alegando sua “consciência”, ou seja, julgando-a a partir da moral.

Laura Vicente

Fonte: http://pensarenelmargen.blogspot.com/2026/01/dialogar-o-enjuiciar.html

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Os meus sentimentos
como origami no arame
sempre em movimento

Urhacy Faustino

[Grécia] Pôster sobre os “acidentes” de trabalho

Neste período, como Iniciativa de trabalhadores/desempregados do sul, estamos realizando intervenções com cartazes nos nossos bairros em relação aos “acidentes” de trabalho, ou seja, aos assassinatos patronais e estatais.

Paralelamente, continuamos a distribuir o nosso comunicado sobre o assunto.

Segue o texto do cartaz:

Os “ACIDENTES” DE TRABALHO são na verdade ASSASSINATOS PATRONAIS – ESTATAIS

Não são “maus momentos”, “eventos aleatórios” nem “negligência” dos trabalhadores… É negligência consciente dos empregadores! São as vidas humanas que se perdem, as mutilações extremas e todo tipo de ferimento nos locais de trabalho, durante o horário de trabalho, no caminho para o trabalho ou no retorno dele. São também as doenças crônicas e incuráveis, bem como o estresse e a pressão psicológica que surgem com o tempo.

Os “acidentes” de trabalho devem-se claramente à falta de medidas de proteção, a condições de trabalho inadequadas, à intensificação do trabalho para metas inatingíveis, à extensão dos horários, aos altos anos de aposentadoria, mas também à insegurança e à pobreza que vivemos, levando-nos a aceitar condições de trabalho insuportáveis.

Contra o fatalismo e a indiferença, contra a ideologia do canibalismo, do sucesso individual e do consumo contínuo…

A VIDA E OS NOSSOS INTERESSES DE CLASSE ACIMA DOS LUCROS DOS PATRÕES

Acima dos orçamentos de empresas, do estado e dos municípios!

SOLIDARIEDADE FRATERNA | ORGANIZAÇÃO DE BAIXO PARA CIMA | RESISTÊNCIA COLETIVA

Por condições de trabalho seguras, aumentos nos salários, redução das horas de trabalho, contra os salários de miséria.

>> A realidade nos avisa: O capitalismo prejudica seriamente a saúde! >>

Iniciativa de trabalhadores/desempregados do sul

prwterganenotia.wordpress.com | prwterganenotia@espiv.net

agência de notícias anarquistas-ana

princípio de outono
sol pálido
no céu branco

Rogério Martins

Chamado à ação: Global May Day 2026

“Nosso grito de guerra vitorioso

Será: ‘Queremos a terra!'”

– James Connolly, We Only Want the Earth (1907)

Em todo o mundo, o capitalismo continua seu declínio implacável. E em todo o mundo, o autoritarismo mais uma vez levanta a cabeça. Desde repressões contra antifascistas até as guerras brutais contra camaradas em Rojava e Mianmar, bem como os recentes ataques contra a Geração Z na Indonésia, Quênia, Madagascar, Nepal e Togo. Parece que as forças reacionárias estão tentando tudo ao seu alcance para esmagar a esperança de um mundo melhor, igualitário e livre.

A revolta em Bangladesh, em julho de 2024, pode ser descrita criticamente como um momento de luta de massas em que a classe trabalhadora fez os maiores sacrifícios. No entanto, suas consequências revelam uma realidade contraditória: a ascensão de fanáticos islâmicos e a presença contínua de forças imperialistas que continuaram a reprimir e matar trabalhadores mesmo após a revolta. Esse desdobramento ressalta a necessidade de os trabalhadores permanecerem sempre críticos em relação aos desenvolvimentos autoritários e continuarem se organizando.

O autoritarismo não implica apenas violência estatal e militarismo, mas também inclui “ideologias de desigualdade”, como racismo, sexismo, transfobia, nacionalismo, classismo e chauvinismo. É um fenômeno social, cultural, político e econômico, ao qual resistimos juntos.

Observamos como a introdução dos chamados códigos trabalhistas em todo o Sul da Ásia prioriza a liberalização econômica e os investimentos em detrimento dos direitos dos trabalhadores, manifestando, assim, relações de exploração.

Observamos uma crescente militarização dos conflitos em todo o mundo. Governos em todos os lugares estão aumentando os gastos militares às custas da segurança social. Cada guerra declarada por Estados-nação e seus representantes é um ataque à classe trabalhadora. Afinal, são as pessoas da classe trabalhadora que são traumatizadas e mortas nos campos de batalha por interesses geoestratégicos, imperialistas e capitalistas. Nossos corações sofrem ao ver o sofrimento e as mortes contínuas em regiões como o Congo (RDC), Gaza, Mianmar, Rojava, Sudão, Tigray e Ucrânia.

No entanto, não somos vítimas. Nossas ideias não podem ser facilmente extintas. O Dia do Trabalhador é nossa oportunidade de aprender a nos unir mundialmente e revidar contra o império e o capital.

O Dia Internacional dos Trabalhadores é o nosso dia. É o nosso dia para lembrar à classe dominante e aos capangas que a protegem que eles estão em menor número e que sairão do palco da história, de uma forma ou de outra. É o nosso dia para nos lembrarmos de que nós, os trabalhadores do mundo, detemos o poder e herdaremos a terra. Em breve, a guerra de classes que dura séculos chegará ao fim e os trabalhadores unidos do mundo sairão vitoriosos.

Neste Dia do Trabalhador, damos ênfase especial à luta dos trabalhadores nas plantações de chá em Bangladesh. Por gerações, eles têm suportado discriminação e exploração sistêmicas. Para lutar por melhores condições e, em perspectiva, pela emancipação da exploração capitalista, os trabalhadores organizaram a 1ª Conferência Nacional do Centro Sindical dos Trabalhadores do Chá (TWTUC) em Sreemangal no ano passado. Vamos conectar nossas ações do Dia do Trabalhador exibindo símbolos comuns e destacando a luta dos trabalhadores do chá por uma vida digna!

De continente a continente, os trabalhadores enfrentam padrões semelhantes de exploração, marginalização e repressão. Nossa luta, portanto, não se limita às fronteiras nacionais — ela faz parte da luta mais ampla pela unidade internacional da classe trabalhadora e por uma vida digna para todos. Estamos convencidos de que a libertação da classe trabalhadora não pode acontecer isoladamente. A verdadeira liberdade só é possível através da unidade e da solidariedade de todos os trabalhadores oprimidos, explorados e em luta em todo o mundo.

Todos os dias serão um 1º de Maio. Através da organização de nossos locais de trabalho, da construção de conexões com nossos companheiros em todo o mundo e da desferida de golpes contra o império e o capital em todas as oportunidades.

Trabalhadores do mundo, uni-vos!

Que não haja guerra entre nações e nem paz entre classes!

#globalmayday26 – #primeirodemaioglobal26

#1world1struggle – #1mundo1luta

globalmayday.net

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O gato no cio
mia e remia
canta ao desafio

Eugénia Tabosa

[Irã] Três manifestantes curdos condenados à morte.

Três curdos detidos na prisão de Bukan foram condenados à morte no Irã. Esses três jovens participaram dos protestos “Jin, Jiyan, Azadi” (Mulher, Vida, Liberdade). 
 
Raouf Sheikh Ahmadi, de 25 anos, e Mohammad Faraji, de 24, ambos detidos na prisão de Bukan, foram condenados à morte pela 1ª Vara do Tribunal Revolucionário de Mahabad sob as acusações de moharebeh (“inimizade contra Deus”) e efsad-fil-arz (“corrupção na Terra”). Essas condenações foram baseadas, em parte, em confissões obtidas sob tortura.
 
Raouf Sheikh Ahmadi foi preso em 26 de dezembro de 2022, na casa de sua família em Bukan. Dois dias depois, foi transferido para o centro de detenção dos serviços de inteligência em Urmia (Orumiyeh), onde ficou em confinamento solitário por cinco meses e meio e foi submetido a tortura física e psicológica para obter uma confissão falsa.
 
Mohammad Faraji, um mecânico de automóveis, foi preso em 11 de janeiro de 2023, em Bukan. Ele também foi transferido para o centro de detenção do serviço de inteligência em Urmia, onde passou três meses em confinamento solitário e foi submetido às mesmas formas de tortura para obter uma confissão forçada.
 
Os dois homens foram julgados separadamente pelo Tribunal Revolucionário de Mahabad em novembro de 2025. Eles foram informados de suas sentenças de morte em 24 de fevereiro de 2026.
 
Um terceiro caso preocupante
 
Mohsen Eslamkhah, outro manifestante curdo do movimento “Mulher, Vida, Liberdade “, que era menor de idade (16 anos) na época dos supostos crimes, também foi recentemente condenado à morte pelo mesmo tribunal. Os três homens estão atualmente detidos na prisão de Bukan.
 
Fonte: https://kurdistan-au-feminin.fr/2026/04/21/iran-trois-manifestants-kurdes-condamnes-a-mort/
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/03/13/o-massacre-de-mulheres-no-ira-em-numeros/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
A serra em chuva
Sob o sol poente –
Como não agradecer?
 
Paulo Franchetti

Relato do 13º Congresso da IFA, 3 a 5 de abril de 2026, Atenas, Grécia

Um relato do 13º Congresso da Internacional de Federações Anarquistas (IFA-IAF), Atenas
 
O 13º Congresso da Internacional de Federações Anarquistas (IFA-IAF) ocorreu em Atenas no fim de semana de 3 a 5 de abril de 2026, sediado pela Αναρχική Πολιτική Οργάνωση – Ομοσπονδία Συλλογικοτήτων (Organização Política Anarquista, Federação de Coletividades, APO). Entre as outras federações participantes estavam a Federazione Anarchica Italiana (FAIt, Itália), a Fédération Anarchiste (FA, francófona), a Federazione Anarchica Siciliana (FAS, Sicília), a Federación Libertaria Argentina (FLA), a Federacija za anarhistično organiziranje (Federação para a Organização Anarquista, FAO, Eslovênia e Croácia), a Федерация на анархо-комунистите в България (FACB, Federação dos Anarcocomunistas na Bulgária), e a Anarchist Federation (AF, Grã Bretanha), com observadores convidados do Brasil (Aurora Negra e Terra Livre) e da Sérvia (Klasna Solidarnost). Membros de federações e grupos associados do México, do Brasil, do espaço tcheco-eslovaco, do espaço germanófono e do Fórum Anarquista Curdo não participaram, este último devido a preocupações com a situação no Oriente Médio. Companheires cubanes também foram convidades, mas o contato tem se tornado cada vez mais difícil durante o bloqueio econômico.
 
Para que a conferência transcorresse sem problemas, o Congresso foi realizado em um único local, a ocupação Lelas Karagianni 37 (LK37), um impressionante prédio residencial de longa duração, a ocupação mais antiga da Grécia. O almoço e o jantar foram fornecidos por companheires da ocupação, e parte da hospedagem também foi disponibilizada para visitantes. Equipamentos de tradução foram alugados para fornecer tradução simultânea ao vivo, embora o idioma principal tenha sido o inglês. A LK37 também foi o local de uma reunião pública, “A posição dos anarquistas diante dos conflitos militares e da ameaça de generalização da guerra”, no sábado à noite, organizada pela APO.
 
O Congresso da IFA acontece a cada três ou quatro anos, com reuniões intermediárias de delegades, chamadas CRIFA, usadas para conectar as federações e planejar agendas e atividades, além de desenvolver documentos para discussão e construção de consenso. A tomada de decisão ocorre de baixo para cima, de modo que as federações primeiro propõem itens para a pauta e depois elaboram seus textos e posições sobre esses temas para apresentação no congresso. O congresso foi estruturado com sessões plenárias com todas as federações presentes, por exemplo sobre perspectivas anarquistas a respeito de insurreições em várias partes do mundo, como o levante no Irã e situações em áreas do Mediterrâneo, Madagascar, Indonésia e Nepal. Além disso, as federações participantes coorganizaram uma série de oficinas sobre os seguintes temas: Sudão, extrema direita, lutas na educação, meio ambiente, patriarcado e violência de gênero, e o mundo digital, incluindo materiais online e cibersegurança. Alguns aspectos administrativos da IFA também foram discutidos.
 
A primeira plenária, “Contra o totalitarismo moderno do Estado, do capitalismo e da guerra”, compartilhou perspectivas sobre antimilitarismo. Os temas incluíram oposição a bases aéreas ou aeronaves da OTAN, na Itália, na Sicília e em Creta, e à expansão da OTAN no Leste Europeu, a reintrodução do serviço militar obrigatório na Croácia e na França, a repressão estatal à solidariedade com a Palestina, como o uso da lei antiterrorismo contra o Palestine Action no Reino Unido, e o aumento dos gastos militares, incluindo investimentos de uso duplo, como expansões de aeroportos, portos e sistemas ferroviários, onde trabalhadores poderiam intervir.
 
Embora nem sempre seja possível chegar a consenso, o congresso fez avanços significativos em várias questões. Em especial, as federações italiana e grega haviam produzido posições detalhadas sobre lutas de gênero, com documentos aprovados por suas federações, trazendo reflexões sobre violência de gênero sistêmica, no caso da APO, e transfeminismo, no caso da FAIt. Por exemplo, a FAI Itália afirmou: “O enraizamento e a expansão dos movimentos transfeministas e queer tornam-se cada vez mais indispensáveis diante da intensificação da opressão patriarcal na fase atual, em que, em várias partes do mundo, seu vínculo com a opressão religiosa é cada vez mais forte. Na Itália, o governo Meloni produziu atos legislativos específicos de caráter patriarcal e familista para apoiar a taxa de natalidade dentro da família tradicional. O familismo e a defesa da família tradicional, sexista e hierárquica, contudo, não são patrimônio apenas da direita reacionária, porque também há um familismo na tradição da esquerda.” A FAIt também relacionou o aumento da militarização à ascensão de uma cultura machista.
 
A APO concentrou-se na violência patriarcal: “Num período em que o totalitarismo moderno é mobilizado para suprimir os povos que se revoltam e vozes nacionalistas e fascistas se multiplicam, as mulheres, em todas as partes do planeta, e especialmente as das camadas plebeias da classe trabalhadora, enfrentam, para além do risco de morte, deslocamento, fome e doença, a ameaça cotidiana da violência de gênero, da tortura sexual e das execuções, como instrumentos de conquista e subjugação.” A APO destacou ataques ao direito ao aborto nos Estados Unidos, e o uso sistemático da violência de gênero como arma de guerra no Sudão e na Palestina, mas também, de forma semelhante ao que ocorre na Itália, a retomada nacionalista da “natureza feminina” para afirmar um papel da maternidade no interesse nacional.
 
A oficina “Ascensão da extrema direita e resposta antifascista” foi apresentada pela AF e pela FA. A AF utilizou o contexto da ascensão do Reform UK para discutir aspectos culturais das ideologias e atividades da extrema direita. Houve grande interesse no uso de leis de ordem pública na Grã Bretanha para limitar protestos. Embora prisões preventivas com base em acusações de conspiração não sejam novidade no Reino Unido, isso parece mais difícil de justificar por parte do Estado em países que viveram ditaduras ou onde o antifascismo é inclusive mencionado na constituição. Na Itália e na Grécia, as raízes das ditaduras fascistas seguem profundas. Mas, culturalmente, temas fascistas como “Deus, Pátria e Família” estão retornando, e agora anarquistas e seus espaços locais estão sendo especificamente visados pela polícia sob a liderança de extrema direita de Meloni na Itália. Embora o auge do Aurora Dourada na Grécia tenha ficado no passado, em parte devido à repressão estatal após o assassinato de um cantor antifascista, os vínculos de seus membros com uma extrema direita de “rosto brando”, mais palatável à mídia, não desapareceram.
 
Embora em alguns países seja possível recorrer à história, no Brasil, na Bulgária e na Sérvia a ameaça de violência neonazista nas ruas ainda hoje é muito séria, porque esses grupos operam e se reúnem ou promovem eventos abertamente, além de atacar diretamente e por vezes assassinar anarquistas nas ruas. Em resposta, anarquistas encontraram formas criativas de combatê-los, como incentivar aulas massivas de autodefesa nos bairros, por exemplo em comunidades de favelas no Brasil.
 
A oficina sobre educação foi uma oportunidade importante para compreender as mudanças na Grécia, onde modelos de parceria privada estão sendo impostos ao ensino médio, e professoras e professores que resistem à privatização e ao uso crescente de avaliação intensiva de alunes em todas as faixas etárias estão sendo perseguidos. Há também uma ameaça crescente à organização anarquista nas universidades. Por isso, a necessidade de sindicatos de base fortes é vital. Num aspecto mais encorajador, o Congresso ouviu sobre uma escola secundária livre, a Escula Libre de Constitucion (ELC), em Buenos Aires, Argentina, voltada ao uso de métodos anarquistas de educação com jovens de 16 a 18 anos, e também sobre o Laboratório de Educação Anarquista (LEA), em São Paulo, Brasil, no Centro de Cultura Social (CCS). A iniciativa do LEA, realizada pela Biblioteca Terra Livre, busca estudar, produzir e experimentar práticas pedagógicas para crianças, incluindo seu uso em feiras de livros anarquistas para possibilitar uma participação significativa das crianças nesses eventos.
 
A sessão de oficina sobre “Saque da natureza” foi introduzida pela APO, com foco nos problemas políticos, culturais e sociais em torno da crise climática e do saque da natureza e das comunidades locais pelo Estado e pelo capital. A sessão incluiu discussão sobre oposições populares à extração de recursos, ao capitalismo “verde” e ao controle sobre a natureza e as comunidades locais. Também se discutiram o aumento da urbanização, da comercialização e da gentrificação. Foram estabelecidas fortes ligações com o antimilitarismo no que se refere aos protestos contra o desenvolvimento de infraestrutura. Também foram destacados os problemas do investimento de 1 trilhão de dólares da Agenda 2030 da ONU para mudança climática.
 
Ao final do fim de semana, o 13º Congresso da IFA produziu uma declaração conjunta, “Contra a Ditadura Global do Estado e do Capitalismo, contra a Guerra e o Fascismo”, centrada no antimilitarismo e vinculada à sessão plenária. Também produziu uma declaração de solidariedade aos anarquistas cubanos. Ambas serão ratificadas pelas federações da IFA antes da publicação. Houve grande aplauso quando a Klasna Solidarnost, da Sérvia, anunciou sua intenção de solicitar ingresso na IFA como grupo associado, um status usado para grupos que pretendem crescer até se tornar uma federação. Foi proposto um local para o próximo congresso, enquanto a FA concordou em assumir o papel de Secretaria após o bom trabalho da FAO nos últimos anos. Também foi aprovado um plano para realizar outra reunião no Mediterrâneo, bem como uma futura edição da revista da IFA sobre perspectivas antimilitaristas, na qual as federações membros da IFA apresentarão artigos. Após a oficina informativa sobre o Sudão, conduzida pela FAS e pela FA no Congresso, foi apresentado um novo cartaz de solidariedade, destacando as lutas anarquistas sudanesas. Depois do fim de semana, realizou-se em Atenas uma reunião de solidariedade a migrantes sudaneses, o que deu a quem permaneceu mais tempo a oportunidade de aprender mais sobre a situação. Companheires da IFA também foram convidades pela FAO para a próxima Feira do Livro Anarquista dos Bálcãs, em Skopie, Macedônia, em setembro. O congresso foi encerrado com uma ruidosa homenagem ao companheiro da FA Jean Marc Raynaud, fundador da Libertarian Editions e da escola anarquista “Bonne Aventure”, que morreu no fim de março.
 
Fonte: https://i-f-a.org/2026/04/14/report-from-the-13th-ifa-congress-3-5-april-2026-athens-greece/
 
Tradução > Contrafatual
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/03/30/internacionalistas-sempre-xiii-congresso-internacional-das-federacoes-anarquistas/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Já anoiteceu
Rompe-se o silêncio
A coruja pia.
 
Ana Roseli Valenga Bonete

[Espanha] Zaragoza: 1º de Maio: Contra as guerras do Capital, luta operária

Aproxima-se mais um 1º de Maio, uma data de luta e memória para a classe trabalhadora em todo o mundo. Mais um ano, continuamos enfrentando as constantes agressões do Capital: guerras que atendem a interesses econômicos, precariedade laboral que se torna crônica e um acesso cada vez mais limitado a serviços e condições básicas que garantam uma vida digna.

Um Capital cada vez mais voraz e imperialista, que não apenas explora nosso trabalho, mas pretende colonizar todas as esferas de nossas vidas.

Mais um aperto de parafuso na mesma realidade de sempre.

Não é apenas a moradia.

Não é apenas a guerra.

Não são apenas os salários.

Não é apenas o fato de que, em Aragão, dez pessoas perderam a vida em seus locais de trabalho.

O problema é o capitalismo.

Um sistema que incentiva o fascismo, coloca os lucros acima da vida, que precariza, que expulsa e que mata.

Frente suas agressões, só há um caminho: organização e luta.

Manifestação

Sexta-feira, 1º de maio, 12h.

Sairemos em bloco mais um ano ao lado da CNT, ISTA, IA, CUT e SOA, com o seguinte percurso: Paraninfo, Paseo Pamplona, César Augusto, Coso Alto, terminando na Praça da Espanha.

Após a manifestação, vermute e comida em nossa sede.

cgtaragonlarioja.org

agência de notícias anarquistas-ana

nas ramagens embaciadas
o sol
abre frestas

Rogério Martins

[Itália] Comunicado sobre a repressão ao dissenso no Irã, sobre os casos de Soheil Arabi e Afshin Heyratian

Há algum tempo, as autoridades do regime iraniano prenderam Soheil Arabi, anarcossindicalista e ativista político, e Afshin Heyratian, artista teatral, ativista anarquista e colaborador de uma ONG dedicada à proteção de crianças.
 
Isso é o que foi divulgado pelo canal Telegram “AnarchistFront”, uma das poucas realidades que tenta dar notícias sobre a grave situação no país, saindo do jogo das dinâmicas de poder EUA-IRÃ-ISRAEL-HAMAS e das notícias tendenciosas que não dão a devida visibilidade ao dissenso interno. Somos os primeiros e as primeiras a nos opor às guerras da OTAN, à propaganda bélica ocidental e ao rearmamento da Europa, mas isso não significa que regimes autoritários, totalitários, teocráticos ou aspirantes a tal fora do chamado “ocidente” representem qualquer alternativa para quem aspira construir o mundo das livres e iguais.
 
Como era previsível, o regime iraniano utiliza o conflito atual para silenciar todas aquelas vozes internas de protesto, acusando as pessoas “indesejadas” de colaborar com o inimigo ou de serem uma ameaça à segurança. Além da prisão, o regime confiscou os bens de Soheil Arabi e Afshin Heyratian: essa também é uma ação (ou reação) que o poder realiza para colocar os opositores de joelhos, destruindo assim cada pequeno recurso que possa representar uma esperança futura para o indivíduo.
 
Infelizmente, esses são apenas dois entre as centenas de prisões de companheiros e companheiras.
 
O esquema é sempre o mesmo: usar a desculpa do colaboracionismo com Israel para silenciar o dissenso. O regime chega até a “resgatar” protestos antigos e associá-los ao inimigo. Aqui fica claro o verdadeiro rosto do poder, que encontra no conflito em curso uma oportunidade para se fortalecer e eliminar todos aqueles que são considerados incômodos ou que simplesmente são contra a guerra e o expressam abertamente. Graças a essa desculpa, nem mesmo um “aparente julgamento justo” é mais necessário: basta invocar a emergência, e a reação dos súditos do poder não tardará a chegar.
 
Expressamos solidariedade aos companheiros, assim como a todos e todas aqueles atingidos pela repressão dos vários governos reacionários. É aqui que o anarquismo internacionalista pode dar uma resposta ao verdadeiro problema: bandeiras, governos e fundamentalismos religiosos nunca estão do lado dos oprimidos. Para o poder, estes últimos só servem para alimentar os recursos bélicos, tornando-se carne de canhão. Eles devem ser devotos, fiéis à religião, mas acima de tudo servir em silêncio. Travar a máquina é complexo, mas possível, quando todos e todas entenderem que o Estado, em todas as suas formas, com seus exércitos e suas guerras, nunca é a solução.
 
FAI – Federação Anarquista Reggiana
 
Fonte: https://federazioneanarchicareggiana.noblogs.org/comunicato-sulla-repressione-del-dissenso-in-iran-sul-caso-soheil-arabi-e-afshin-heyratian/
 
Tradução > Liberto
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/11/13/ira-viva-a-liberdade-e-em-solidariedade-com-os-camaradas-alem-das-fronteiras/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
sobre a cerca,
os mais novos girassóis –
ninguém à vista
 
Rosa Clement

[Espanha] Oficina de introdução ao decrescimento e à autossuficiência. Madri, 25 e 26 de abril de 2026

Essas oficinas têm como objetivo conscientizar sobre a necessidade de mudar nossa forma de habitar e compartilhar o planeta, além de nos dotar de algumas ferramentas teóricas e práticas para realizar essa mudança.

O decrescimento no consumo e, na medida do possível, a autossuficiência alimentar e energética, bem como a autogestão, são passos importantes para essa transformação ecossocial, necessária e urgente, para atenuar o colapso capitalista.

Na ARREA, temos conhecimentos teóricos, bem como a experiência e o espaço para divulgar e propagar essas ideias empolgantes e revolucionárias.

As oficinas são dirigidas a todos os tipos de público, já que daremos uma introdução sobre vários assuntos que serão úteis para as pessoas que queiram se iniciar de forma vivencial, ou simplesmente tenham interesse em conhecer, uma ruralidade consciente, racional e integrada ao ecossistema que a rodeia.

Falaremos de ecologismos, de Gaia, de economia ecológica, de decrescimento, de autossuficiência, e de agroecologia e autogestão. Trata-se, em definitiva, de nos prepararmos para construir outros presentes, transformar o futuro e torná-lo vivível.

Horário das aulas e atividades.

SÁBADO

10h00 – 10h45 Teoria. Ambientalismo: nem tudo que é verde é campo. As múltiplas formas de compreender o ambientalismo. Ambientalismo popular, ecofeminismo, primitivismo, desenvolvimento sustentável, anarcoecologia, ecoeficiência, ecossocialismo…

11h00 – 11h45 Teoria. Gaia, uma nova visão de mundo. Discutiremos a teoria orgânica de Gaia e sua importância na transformação que precisamos.

11h45 – 12h45 Visita guiada à floresta. Com explicações sobre interações simbióticas.

13h00 – 13h45 Teoria. Economia Ecológica 1. Colapso, mudanças climáticas, demografia.

Comida vegana ou vegetariana feita com ingredientes da horta.

16h00 – 16h45 Teoria. Economia Ecológica 2. Entropia no processo econômico, energia, materiais, economia circular.

17h00 – 17h45 Teoria. Decrescimento, menos é mais. Como decrescer, reduzir, reciclar, reconceitualizar, redistribuir…

17h45 Visita guiada à fazenda. Veremos exemplos de autossuficiência energética e alimentar.

DOMINGO

10h00 – 10h30 Teoria. Agroecologia.

10h30 – 12h30 Trabalho prático na horta. Realizaremos algumas tarefas leves e simples, dependendo da estação do ano.

Durante a oficina, forneceremos um pequeno dossiê contendo textos sobre os temas abordados, bem como uma bibliografia de alguns autores recomendados.

anarcoecologismo.wordpress.com

agência de notícias anarquistas-ana

Flores no jardim.
Uma abelha pousa aqui
e depois se vai.

Sérgio Francisco Pichorim

O império empresarial bilionário da elite secreta de Cuba

Enquanto Cuba enfrenta a escassez e os apagões, um conglomerado empresarial vinculado às Forças Armadas do país administra secretamente bilhões de dólares.
 
A Gaesa (Grupo de Administración Empresarial S. A.) não tem website, nem endereço de correio eletrônico institucional conhecido, nem canais oficiais de contato. Ela não publica balanços, nem aparece no orçamento estatal.
 
A Assembleia Nacional do Poder Popular e a Controladoria Geral da República de Cuba não podem auditar suas contas — mesmo com a empresa embolsando praticamente cada dólar recebido pelos negócios mais rentáveis do regime cubano: turismo, remessas financeiras, comércio exterior e missões médicas no estrangeiro.
 
A holding pertence às Forças Armadas Revolucionárias de Cuba (FAR), mas também não está sob seu controle.
 
Em 2024, ela possuía bens no valor de pelo menos US$ 17,9 bilhões (cerca de R$ 89,4 bilhões), incluindo mais de US$ 14,4 bilhões (cerca de R$ 71,9 bilhões) em contas bancárias, segundo documentos vazados para o jornal americano Miami Herald.
 
A BBC não conseguiu verificar estes dados de forma independente.
 
Esta fortuna é maior que as reservas internacionais de países como o Equador, o Paraguai ou a República Dominicana. Ela ilustra a magnitude do império econômico representado pela Gaesa.
 
Tudo isso contrasta com a situação econômica de Cuba, um país praticamente falido, com queda acumulada de 15% do PIB nos últimos cinco anos e insolvente frente aos seus diversos credores internacionais.
 
Quase nove a cada 10 cubanos vivem em condições de extrema pobreza ou “sobrevivência”, segundo estimou em 2025 o Observatório Cubano dos Direitos Humanos. E, neste ano, a crise no país se intensificou com apagões de várias horas por dia e com a escassez ainda maior de alimentoscombustíveis e medicamentos.
 
Nos últimos meses, o governo do presidente americano Donald Trump intensificou as sanções contra a ilha, com um bloqueio de facto do fornecimento de petróleo, que agravou os problemas de energia e abastecimento.
 
O contraste entre um Estado em bancarrota e a existência de uma entidade obscura que suga as principais fontes de receita sob o guarda-chuva militar levanta questões importantes que tentaremos responder a seguir.
 
Como opera a Gaesa? Quem está por trás dela? Onde ela guarda e investe o dinheiro?
 
Até que ponto esta economia paralela é responsável pela miséria que assola Cuba?
 
A BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC) tentou entrar em contato com o governo cubano por diversas vias, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.
 
>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:
 
https://www.bbc.com/portuguese/articles/ce9mmvv2mrpo
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/04/16/franca-cuba-a-libertacao-de-alexander-diaz-rodriguez/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
nuvens insultam o céu,
aves urgentes riscam o espaço;
pingos começam a molhar.
 
Alaor Chaves

[Espanha] 1 de Maio. É hora de voltar à rua.

É hora de voltar à rua.

De parar de olhar para o lado, de sobreviver em silêncio enquanto nos arrancam a única coisa que nos pertence: a nossa vida. Não amanhã. Não quando for mais fácil. Agora.

Normalizamos a violência, a precariedade, o medo e o cansaço. Estamos há tempo demais cedendo, aguentando e nos adaptando a condições e situações que eram impensáveis.

E enquanto isso, também nos acostumam a ver a guerra de longe, como se não tivesse nada a ver conosco.

A aceitar os bombardeios, os massacres, os genocídios, como se fossem parte inevitável do mundo.

Como se umas vidas valessem menos que outras.

Continuamos esperando e acreditando que aqueles que enriquecem às custas do nosso trabalho e se escondem atrás de um discurso vazio virão nos resgatar. Que o esforço que fazemos dia após dia terá sua recompensa. Que tudo chega. Mas nunca será assim.

E ainda nos dizem que sorriam, que é preciso ser positivo.

Enchemos a boca para dizer que somos maioria, mas continuamos sem nos reconhecer.

Pois bem, é hora de fazer isso. Olhemo-nos e reconheçamo-nos como o que somos: essa força coletiva que sustenta o mundo. A classe trabalhadora.

Façamos com que a injustiça volte a dar vergonha, que a exploração deixe de ser rotina.

Façamos barulho, um barulho que realmente incomode. Ataquemo-los onde mais lhes dói: seus privilégios.

Não se trata apenas de resistir e continuar de cabeça baixa.

Voltemos àquele lugar de onde realmente se conseguiu mudar as coisas: a rua.

Tudo foi, é e será organização, solidariedade e luta.

CNT-AIT Astúrias

cntasturias.org

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

As nuvens do céu –
o céu do infinito
eu de nenhum lugar

Stefan Theodoru

[Espanha] As caixas de fotos que sobreviveram à Guerra Civil: o olhar militante de duas mulheres na frente de Aragão

• Um livro de Almudena Rubio reconstrói a viagem de um arquivo fotográfico que escapou do franquismo e resgata a vida, o compromisso político e a obra de duas fotógrafas centroeuropeias no Alto Aragão

Por Miguel Barluenga | 25 de março de 2026

Há histórias que não são enterradas sob a terra, mas dentro de caixas. Caixas lacradas às pressas, transportadas em alta velocidade entre fronteiras, carregadas em caminhões que fugiam do avanço da guerra, esquecidas depois por décadas em depósitos silenciosos. Caixas que contêm imagens, mas também decisões, trajetórias e uma forma de olhar o mundo. Caixas que, quando abertas, não só devolvem fotografias, mas também vidas interrompidas. Dessa viagem improvável e do que ficou dentro nasce ‘As Caixas de Amsterdã. Margaret Michaelis e Kati Horna na Guerra Civil’, o livro da historiadora Almudena Rubio que reconstrói tanto o itinerário de um arquivo quanto o de duas mulheres que fizeram da câmera uma forma de compromisso.

Rubio não se limita a organizar imagens: ela tenta restaurar um sentido. Ela deixa claro ao explicar que, no caso dessas duas fotógrafas, “vida e obra nos dois casos é algo inseparável, andam juntas e, além disso, nos dois casos muito marcadas por esse compromisso político com os anarquistas”. Essa afirmação atravessa o livro, apresentado na semana passada na Diputación Provincial de Huesca, como uma coluna vertebral, porque a autora não quer apenas mostrar o que fotografaram, mas a partir de onde o fizeram. E esse ponto de partida remonta a uma Europa que já estava se desintegrando antes da guerra espanhola.

Margaret Michaelis (1902-1985) e Kati Horna (1912-2000) nasceram em famílias judias de classe média no coração da Europa Central, na Áustria e na Hungria respectivamente, e cresceram num contexto onde a modernidade artística convivia com a radicalização política. Suas trajetórias, como destaca Rubio, têm paralelos surpreendentes: “São duas fotógrafas de raiz centro-europeia, vão ter trajetórias similares”. Ambas se formaram em fotografia, ambas passaram por Berlim no início dos anos 1930, ambas se ligaram de uma forma ou de outra a círculos anarquistas e ambas acabaram na Espanha durante a Guerra Civil trabalhando para os escritórios de propaganda da CNT. No entanto, seus caminhos não são idênticos, e é justamente em suas nuances que o livro encontra uma de suas maiores riquezas.

Michaelis se formou em Viena durante anos, numa aprendizagem prolongada que se traduziu numa sólida base técnica e numa sensibilidade marcada pela vanguarda. Depois mudou-se para Berlim, onde abriu seu próprio estúdio, e mais tarde fez o mesmo em Barcelona e na Austrália, já no exílio. Há em sua biografia uma capacidade constante de recomeçar que Rubio destaca com admiração: ela é “capaz de se reerguer e começar de novo” em contextos completamente distintos, mudando de idioma, de ambiente e de clientela sem nunca abandonar a fotografia. Essa experiência vital se percebe em suas imagens, em seus enquadramentos arriscados, na busca de ângulos pouco convencionais, nessa inquietude que a leva a se posicionar em diferentes alturas para captar a cena.

Horna, por sua vez, formou-se em Budapeste em contato com círculos operários onde a fotografia é concebida como ferramenta crítica. Rubio lembra que, desde muito jovem, ela frequentava ambientes onde a imagem é entendida como denúncia social, e que essa influência seria decisiva: “Ela entendia a fotografia como uma ferramenta de crítica social e isso vai influenciar naquele momento Kati Horna”. Mais tarde, sua passagem por Berlim intensificou sua politização, e em Paris ela entrou em contato com as correntes surrealistas, embora mais tarde tenha se distanciado delas. Sua linguagem visual, como aponta Rubio, será mais complexa, mais carregada de camadas simbólicas, menos direta que a de Michaelis, mas nem por isso menos comprometida.

Não são observadoras neutras

Ambas convergiram para a Espanha em momentos distintos, mas sob um mesmo horizonte. Michaelis chegou a Barcelona em 1933, fugindo do nazismo, e quando a guerra estourou já estava instalada, conhecia a cidade e havia tecido uma rede de contatos nos meios anarquistas. Horna, ao contrário, chegou em janeiro de 1937, em pleno conflito, sem conhecer o idioma nem o ambiente. Essa diferença também marca suas experiências, mas não altera o essencial: nenhuma das duas é uma observadora neutra. Rubio sublinha com contundência: “Não são fotógrafas que chegam lá e vão tirar fotografias sem se posicionar, elas se posicionam”. A câmera, em suas mãos, é uma ferramenta política.

Esse olhar se desdobrou na frente de Aragão e na retaguarda de Huesca, em lugares como Albalate de Cinca, Banastás, Vicién, Igriés ou Grañén. Mas o que suas imagens mostram não é apenas a guerra em sua dimensão mais evidente, mas também suas margens: a vida cotidiana alterada, os espaços transformados, os corpos que resistem longe da frente. Nesse sentido, o arquivo que Rubio estuda oferece uma perspectiva diferente daquela que tem dominado o imaginário visual da Guerra Civil, mais centrado na épica do combate. Aqui há menos heroísmo e mais humanidade, menos gesto grandiloquente e mais detalhe.

Essa diferença não é pequena. A autora insiste que este conjunto de imagens “completa e enriquece esse legado fotográfico da guerra conhecido até agora”, justamente porque introduz um olhar que havia ficado disperso. Diante dos nomes já canonizados como Robert Capa, Gerda Taro ou David Seymour, as fotografias de Michaelis e Horna haviam permanecido fragmentadas em distintos arquivos, sem uma leitura conjunta que as situasse em seu contexto político e geográfico. A descoberta das chamadas “Caixas de Amsterdã” permite, pela primeira vez, reconstruir essa narrativa.

Mas o livro não se limita a analisar as imagens: ele também segue o rastro físico dessas caixas. E aí a pesquisa adquire um tom quase narrativo, porque o arquivo tem sua própria história, tão acidentada quanto a das pessoas que o produziram. Rubio lembra que ao iniciar seu trabalho tudo eram perguntas: “Foi uma surpresa atrás da outra… por que este arquivo está aqui?”. A resposta implica atravessar a Europa.

Em janeiro de 1939, diante da iminente derrota republicana, o arquivo dos escritórios de propaganda da CNT-FAI foi embalado e evacuado de Barcelona. As caixas viajaram até a fronteira francesa num caminhão conduzido pelo anarquista Simón Radowitzky, acompanhado de mulheres e crianças refugiadas. De lá, passaram para Paris, depois para a Inglaterra para evitar cair em mãos nazistas e finalmente para Amsterdã, no Instituto Internacional de História Social. O percurso é tão incerto quanto decisivo, porque em cada etapa o arquivo poderia ter se perdido. Rubio resume como “uma viagem e um problema atrás do outro que vai se resolvendo”, uma cadeia de contingências que, no entanto, acaba preservando o material.

Durante décadas, essas caixas permaneceram fechadas. Um acordo impedia abri-las até que a situação na Espanha mudasse, o que atrasou seu estudo até depois da morte de Franco. Quando finalmente foram organizadas nos anos 1980, o arquivo revelou milhares de negativos, placas de vidro e fotografias. No entanto, a tarefa de identificá-los, contextualizá-los e atribuí-los ficou pendente. É aí que entra o trabalho paciente de Rubio, que durante mais de dez anos vem reconstruindo peças dispersas.

Esse processo não foi linear. A autora reconhece que nem sempre conseguiu identificar cada imagem, mas mesmo assim conseguiu traçar percursos, estabelecer conexões, devolver autorias. “Tentei ir registrando por onde estiveram”, explica, consciente de que esse mapa, embora incompleto, é essencial para entender a dimensão de seu trabalho. Porque não se trata apenas de saber o que fotografaram, mas de seguir seus passos em meio à guerra.

Ao fazê-lo, o livro também recupera a dimensão pessoal dessas duas mulheres. Rubio insiste que foram “mulheres com uma clara vontade de independência, de autonomia”, algo que no contexto dos anos 1930 não era comum. Elas escolheram uma profissão, sustentaram economicamente suas vidas, deslocaram-se pela Europa e tomaram decisões pessoais que desafiavam as normas sociais. Michaelis abriu estúdios em três países distintos; Horna sobreviveu em Paris graças às suas reportagens. Ambas romperam relacionamentos, iniciaram outros, viveram sem se ajustar aos modelos tradicionais.

“Viveram suas vidas com paixão e coragem”

Essa componente biográfica não é acessória, mas central. Faz parte da mesma lógica que une vida e obra. Rubio sintetiza ao afirmar que “viveram suas vidas com paixão e com coragem”, uma coragem que se manifesta tanto em suas decisões pessoais quanto em seu trabalho em contextos de risco. Horna chega a Barcelona com pouco mais de vinte anos para fotografar uma guerra; Michaelis documenta o conflito a partir de uma posição comprometida. Nenhuma das duas se limita a observar.

Esse engajamento é, justamente, um dos pontos que o livro reivindica contra leituras exclusivamente estéticas. Rubio adverte que reduzir essas imagens a seu valor formal implica despojá-las de seu sentido histórico: “Afogar essa leitura mais histórica, mais política de suas obras sob a estética de suas fotografias é não ser justo com elas”. Não se trata de negar sua qualidade artística, mas de integrá-la numa compreensão mais ampla. Como ocorre com figuras como Capa, entender sua obra implica conhecer seu posicionamento.

Nesse cruzamento entre estética e política, o arquivo de Amsterdã adquire um valor singular. Não é apenas um conjunto de imagens, mas um testemunho coletivo no qual convivem diferentes fotógrafos e diferentes olhares. Junto a Michaelis e Horna aparecem nomes como Antoni Campañà, Badosa ou Agustí Centelles, configurando um mosaico que amplia a narrativa visual da guerra. Mas mesmo nessa diversidade, o livro mantém o foco em suas duas protagonistas, devolvendo-lhes uma centralidade que havia ficado diluída.

Talvez por isso o texto tenha também algo de narrativa de busca. O primeiro capítulo, escrito em primeira pessoa, narra o próprio processo de pesquisa, com suas dúvidas e descobertas. Essa escolha não é casual: introduz o leitor na descoberta progressiva do arquivo, na sensação de estar abrindo caixas que ficaram tempo demais fechadas. E nesse gesto há algo mais que um trabalho acadêmico: há uma vontade de resgate.

Fonte: https://www.eldiario.es/aragon/cultura/cajas-fotos-sobrevivieron-guerra-civil-mirada-militante-mujeres-frente-aragon_1_13089362.html

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Nesse fim de mundo
Um girassol solitário —
A quem marca as horas?

Neide Rocha Portugal

[Irlanda] O Rebel County realizou sua primeira Feira do Livro Radical

Nosso agradecimento a todos que ajudaram a criar e dar vida à primeira Feira do Livro Radical de Cork, realizada no fim de semana (18 de abril). “Parabéns a todos os que participaram da organização. Este evento é um avanço importante para a política radical em Cork e esperamos que ele cresça e se torne ainda melhor.”

Os Trabalhadores Industriais do Mundo (Industrial Workers of the World-IWW) ficaram muito satisfeitos por se juntarem a muitos outros na primeira Feira Radical do Livro de Cork. Um porta-voz da filial da IWW na Irlanda disse que “Tivemos uma ótima resposta em nosso estande e distribuímos muitas informações sobre o sindicato e a política do Sindicalismo Solidário.

“As palestras realizadas como parte da feira do livro de hoje foram muito boas ao longo do dia. É claro que as muitas interações que tivemos alimentaram as diferentes conversas.

“Parabéns a todos aqueles que participaram na organização de tudo isto. É realmente necessário na cidade. Este evento é um desenvolvimento importante para a política radical em Cork e esperamos que se torne cada vez maior e melhor. Corcaigh Abú!”

>> Mais fotoshttps://www.onebigunion.ie/post/rebel-county-held-its-first-radical-bookfair

agência de notícias anarquistas-ana

Quando a chuva pára
Por uma fresta nas nuvens
Surge a lua cheia.

Paulo Franchetti

[México] “No existe dique capaz de contener al océano furioso. Potencia, alegría y anarquismo”, de Alf Bojórquez

O livro é uma crítica ao heroísmo, uma defesa da alegria e da potência imanente, uma história pessoal que atravessa diversas cidades, épocas e ideias radicais. Defende uma forma de vida coletiva. Este ensaio conta a história de como conheci o anarquismo em minha adolescência, mesclado com o punk e o skate. Revisa o machismo e o racismo que desde o começo obstaculizaram o movimento anarquista nos debates, relatos e experiências que seus pensadores clássicos tiveram para depois tecer como todos esses fantasmas viajaram à América e dão forma ao ativismo de nossos dias.

Este não é um livro acadêmico, é um ensaio pessoal sobre a extrema esquerda com um estilo ameno, ágil, que fala de formas de vida. É uma autobiografia desde e para o político que passa por muitas outras coisas que podem atrair a vários tipos de leitores. É um ensaio sobre a adolescência, a necessidade de pertencimento, o proletariado, os povos, as subculturas urbanas. Por isso está escrito em um tom poético e pessoal.

Para baixar, clique aqui: https://dn721607.ca.archive.org/0/items/no-existe-dique-digital/No%20existe%20dique_digital.pdf  

Formato em papel: https://traficantes.net/libros/no-existe-dique-capaz-de-contener-al-oc%C3%A9ano-furioso

agência de notícias anarquistas-ana

árvore seca
a lua é a mosca
em sua teia

Aclyse de Mattos

[São Paulo-SP] 25/04 no CCS: Fé ou estratégia? A religião nas eleições

Em um cenário onde a influência religiosa avança cada vez mais sobre as instituições do Estado e a vida privada, torna-se urgente fortalecer espaços de reflexão, diálogo e ação em defesa da liberdade de consciência. A ALERTA – Aliança pela Laicidade e Emancipação Racional do Pensamento atua justamente nesse campo: defendendo a Laicidade do Estado e o direito de cada indivíduo viver de acordo com suas próprias convicções, sem imposições religiosas.
 
Se você valoriza a autonomia, o pensamento crítico e a separação entre religião e Estado, este convite é para você
 
Data: 25 de abril de 2026
Horário: 15h
Local: Centro de Cultura Social de São Paulo
Rua General Jardim, 253 – Sala 22 (interfone)
 
Programação:
 
• Discussão de textos (link abaixo)
• Troca de ideias e propostas para próximos encontros
• Espaço aberto para participação e construção coletiva
• Café colaborativo
 
Entrada gratuita | Sem inscrição | Aberto a todas as pessoas interessadas
 
Acesse os textos e saiba mais: linktr.ee/alertalaico
@alertalaico
https://www.facebook.com/alertalaico
@centro_de_cultura_social
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/04/14/por-uma-educacao-publica-e-laica-religiao-fora-da-escola/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Laranjais em flor.
Ah! que perfume tenuíssimo…
Esperei por ti…
 
Fanny Dupré