[Espanha] Revista Estudios #5

Já está disponível o novo número da revista Estudios. Trata-se de uma publicação de análise da realidade e pensamento libertário lançada pelo sindicato CNT.

É uma obra que nasce da inteligência coletiva e do esforço de muita gente. Uma importante colaboração teórica e prática para a confederação e, definitivamente, para a totalidade do sindicalismo revolucionário que ambicione transformar e incidir na realidade.

Este número constará de 3 volumes, que se podem adquirir em separado ou juntos. Cada volume responde a uma temática: Sindicalismo RevolucionárioEcologia e Planejamento Econômico.

Os exemplares em papel se vendem soltos a PVP de 10 € cada um.

fal.cnt.es

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de cesto em cesto
de lixo vasculhando —
o som das latas

Ivan Eugênio da Cunha

Primeiro de Maio de 2026 | Nenhum direito a menos! Mais por conquistar…

Pagando aluguel, energia, alimentação, água, gás e transporte não sobra pra saúde nem para doença, não sobra para lazer nem para descanso: de Norte a Sul, do litoral ao sertão, o salário acaba antes do fim do mês.
 
O empreendedorismo é a ilusão vendida como solução de hoje à falta de trabalho com CLT ou Estatutário. Nos incentivam a criar, produzir, oferecer serviços, mentindo que seremos patrões de nós mesmos. A verdade verdadeira é que os BANCOS e o ESTADO brasileiros financiam as grandes empresas nacionais e multinacionais, na indústria e agronegócio com “juros” de compadres e aos pequenos sobra sua força de trabalho e a sorte.
 
Lutamos e conquistamos, no início do século XX, no Brasil a jornada de 8 horas de trabalho. Hoje, trabalhamos mais horas, ganhamos menos e a propaganda nas redes sociais, rádios, televisão é que hoje temos mais liberdade de usar nosso tempo. Mas, como posso usar “meu” tempo se tenho de trabalhar 12 horas e não me sobra dinheiro? E se eu ficar doente? Indígena Galdino queimado vivo nas ruas de Brasília. Adolescentes classe média promovem estupro coletivo no Rio de Janeiro. Criança preta morta indo para aula em Belém. Mulher assassinada em Cuiabá pelo ex-marido. E nesse contexto lutamos firmemente pela redução da escala de trabalho 6×1.
 
Cachorro Orelha assassinado a pauladas numa praia da elite Catarinense. Chacina do Cabula executada por policiais militares. Pobreza, impunidade, ausência de educação, propaganda do ódio, superexploração do trabalhador e da trabalhadora?
 
Nossos sindicatos estão tomados por partidos políticos de direita, esquerda e fascistas. O fascista Bolsonaro e sua política negacionista hipócrita promoveu a morte de mais de 700 mil brasileiros e brasileiras. O Congresso Nacional e o governo Lula 3 mantêm a militarização da sociedade crescente com ESCOLAS MILITARIZADAS, GUARDAS MUNICIPAIS MILITARIZADAS, MILITARIZAÇÃO DE TERRITÓRIOS INDÍGENAS E QUILOMBOLAS, AUMENTO DE GASTOS MILITARES, INVESTIMENTO EM INDÚSTRIAS ARMAMENTISTA MILITAR, REDUÇÃO DOS INVESTIMENTOS EM EDUCAÇÃO E SAÚDE. O sindicato é uma ferramenta. É nossa ferramenta que foi roubada.
 
A UAF é uma associação anarquista federalista de coletivos e indivíduos que trabalha para construir e firmar no Brasil alternativas de vida, de organização social e econômica justa e igualitária fora, paralela e para além do capitalismo, entendendo, vivendo e praticando a unidade de justiça e liberdade, a unidade de pessoa e natureza pelo bem viver. Oferecemos nossa mensagem à todas trabalhadoras e trabalhadores neste Primeiro de Maio de 2026 com o propósito de juntos defendermos nossos direitos e construirmos uma vida melhor, mais digna, mais justa, com mais liberdade.
 
SAUDAÇÕES TRABALHADORA E TRABALHADOR Brasileiros!
 
União Anarquista Federalista – UAF
Filiada à Internacional de Federações Anarquistas – IFA
uafbr.noblogs.org
Contato: uaf@riseup.net
 
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Neste bosque urbano
árvore feita em concreto
– meu corpo estremece.
 
Eolo Yberê Libera

[Indonésia] Declaração de Defesa de Adit, Preso Anarquista no Caso Chaos Star

Excelentíssimo Painel de Juízes,
 
Depois de tudo o que aconteceu em relação ao ato de violência que cometi no caso do incêndio deste posto policial, adquiri muitas compreensões que preciso assumir por conta própria. Sobre como o Estado, muito antes daquilo que fiz, tem praticado atos de violência em uma escala muito maior.
 
Para ser honesto, depois que a defesa que apresentei no caso da manifestação de agosto de 2025 foi rejeitada, tudo parece sem sentido. Minha defesa no julgamento anterior já era muito longa, explicando tudo em grande detalhe. Ainda assim, minha suspeita de que a sentença já estava decidida desde o início só se fortaleceu quando a decisão foi finalmente selada pelo martelo. O Estado me condenou a dois anos de prisão, e agora o Estado exige novamente que eu receba a mesma pena. E, diante disso, tenho pouquíssimo espaço para defender a violência que cometi.
 
Tornou-se um segredo aberto que todas as formas de violência e abuso de poder por parte dos aparatos do Estado, leia-se: a polícia, produziram formas de violação dos direitos humanos. Uma das mais graves e intoleráveis é tirar a vida humana. A Comissão pelos Desaparecidos e Vítimas de Violência, KontraS, registrou 602 incidentes de violência envolvendo membros da Polícia Nacional da Indonésia entre julho de 2024 e junho de 2025. Da tragédia de Kanjuruhan, Randi e Yusuf, Afif Maulana, Gamma, Affan Kurniawan, Arianto Tawakkal, até Eko Prasetyo, o mais recente, mortos pela polícia.
 
Como alguém que condena todas as formas de brutalidade por parte das autoridades e que buscou, tanto na teoria quanto na prática, por tentativa e erro, o método da ação direta para fortalecer cada indivíduo na retomada do controle sobre a própria vida e no uso desse poder para realizar seus próprios objetivos, acabei realizando uma ação direta. Uma ação realizada individualmente, separada de ações em manifestações ou protestos envolvendo muitas pessoas. Uma ação realizada apenas de modo simbólico para responsabilizar os aparatos do Estado pela violência que cometeram.
 
Por isso, cheguei à conclusão de que o Estado só compreende a linguagem da violência. É a única linguagem que ele entende. E eu realizei a violência que cometi numa linguagem que é poética, uma que eles não entendem.
 
Num mundo como o descrito acima, permanecer em silêncio e não fazer nada enquanto os aparatos do Estado demonstram continuamente atos de violência, eis o problema. A questão não é se a violência em si pode ser justificada ou não, mas sim como a violência pode ser tornada maximamente eficaz para aniquilar esses “monstros brutais”.
 
Por fim, desejo apenas dizer isto: acabem logo com toda essa encenação exaustiva. Profiram a duração da sentença. E deixem-me viver com calma, em contemplação, o tempo que vocês tomaram de mim.
 
Adit
 
Fonte: https://actforfree.noblogs.org/2026/04/21/defence-statement-of-adit-anarchist-prisoner-in-chaos-star-case-indonesia/   
 
Tradução > Contrafatual
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
aquecer as mãos
requentar as noites
esquecer os dias
 
Goulart Gomes

A estratégia do governo Lula 3 para transformar o Brasil em potência exportadora de defesa (leia-se material bélico)

O Ministério da Defesa publicou, em março, uma portaria que regulamenta a participação do governo brasileiro em negociações de exportação de produtos militares no formato conhecido como G2G — do inglês government-to-government, ou governo a governo.
 
O mecanismo é amplamente adotado por grandes potências militares para comercializar equipamentos de defesa. Nos acordos G2G, ainda que empresas privadas estejam envolvidas na fabricação, as negociações são conduzidas no plano governamental, com o Estado do país vendedor atuando como garantidor da operação. É dessa forma, por exemplo, que o Brasil adquiriu os caças Gripen da fabricante sueca Saab: por meio de um contrato firmado com o governo da Suécia.
 
No Brasil, um entrave jurídico impedia que o governo representasse diretamente companhias privadas nesse tipo de transação. A solução encontrada foi usar empresas estatais como intermediárias institucionais. A portaria agora formaliza esse arranjo.
 
Pelo rito estabelecido na norma, um governo estrangeiro interessado em adquirir produtos de defesa brasileiros deve formalizar a manifestação por ofício, carta, e-mail ou outro instrumento equivalente, endereçado ao secretário de Produtos de Defesa. O comprador pode indicar qual estatal vinculada ao ministério deseja que conduza a operação ou solicitar que o próprio ministério faça essa escolha.
 
O texto da portaria deixa claro, no entanto, que a indicação de uma estatal pelo secretário não é vinculante para o governo estrangeiro e não condiciona a realização do negócio. A norma também estabelece que a participação da estatal depende de sua anuência e que essa indicação não pode ser utilizada para embasar pedidos de ressarcimento ou qualquer outro ônus ao erário.
 
Na prática, a estatal funciona como canal institucional na negociação intergovernamental, enquanto a empresa privada permanece como fabricante e fornecedora do produto final.
 
As medidas ocorrem em meio a crescimento expressivo das exportações do setor. Segundo o Ministério da Defesa, o valor autorizado de exportações de produtos militares brasileiros chegou a US$ 1,02 bilhão no primeiro trimestre de 2026, ante US$ 457 milhões no mesmo período de 2025. O país exporta atualmente para 148 nações, por meio de cerca de 93 empresas.
 
Fonte: agência de notícias 
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
dos ramos altos no rio
caem suavemente
farrapos do sol poente
 
Rogério Martins

[Espanha] Objeção Fiscal ao Gasto Militar: Desobedece a guerra, defende a vida

• A Objeção Fiscal ao Gasto Militar é uma forma de desobediência civil mediante a qual decidimos não destinar parte de nossos impostos a financiar exércitos, armas e guerras na declaração da renda (IRPF).

• Desde a CNT fazemos um chamado a realizar a Objeção fiscal

Por que fazer Objeção Fiscal?

Enquanto aumentam os conflitos e a militarização, os governos destinam milhares de milhões ao gasto militar, cortando recursos essenciais como saúde, educação ou serviços sociais. A guerra se normaliza, e a indústria armamentística faz negócio. Nós dizemos claro: nosso dinheiro não é para matar nem para preparar guerras.

Uma ferramenta de luta coletiva

A Objeção Fiscal tem mais de 40 anos de percurso em Euskal Herria e o Estado espanhol, ligada ao movimento antimilitarista e a luta contra o exército. É uma ação coletiva, pública e não violenta. E segue sendo hoje uma ferramenta útil para enfrentar o militarismo.

O que conseguimos?

• Denunciar o aumento do gasto militar

• Apontar o negócio da guerra

• Frear a militarização social

• Fortalecer uma cultura de paz e desobediência

Redirigir recursos para o que importa

O dinheiro objetado se destina a projetos que trabalham por:

• Direitos sociais e laborais

• Feminismo

• Moradia digna

• Ecologismo

• Comunicação alternativa

• Apoio a pessoas migradas

• Cooperação e solidariedade

Frente às armas, apostamos por sustentar a vida.

Contexto atual: mais gasto militar, mais desigualdade

O gasto militar do Estado alcançou cifras record (65.000 milhões em 2025), impulsionado por políticas de rearmamento e compromissos internacionais.

Isto se traduz em:

• Cortes sociais

• Aumento da desigualdade

• Reforço de um modelo baseado na violência

Ademais, instituições e empresas do entorno participam ativamente na indústria militar, lucrando com conflitos e guerras.

Faz Objeção Fiscal

A Objeção Fiscal é uma ação concreta, simples e transformadora.

Um gesto individual que soma força coletiva.

> Não confirmes teu rascunho da renda sem se informar

> Desvia uma parte de teus impostos

> Apoia projetos que constroem alternativas

Nossos impostos devem servir para garantir direitos, não para financiar guerras.

Informe-se e participe

Durante a campanha da renda:

• Podes fazer a Objeção Fiscal por tua conta

• Ou ir a escritórios e coletivos que oferecem apoio

• Existem recursos, tutoriais e assessoramento

Dá o passo. Organize-se. Desobedeça.

Mais informação em eragozpenfiskala.org

Fonte: https://cnt-sindikatua.org/es/objecion-fiscal-al-gasto-militar-desobedece-la-guerra-defiende-la-vida/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

O silêncio
está úmido
de aves

Manoel de Barros

[Espanha] 1º de maio: mostrar nossa força nas ruas é mais necessário do que nunca

Companheiros e companheiras:

É com grande entusiasmo que compartilhamos com vocês o cartaz do 1º de maio da CNT Valência, criado pelo artista Elías Taño.

O 1º de maio é um dia de luta muito importante para a classe trabalhadora, e mostrar nossa força nas ruas é mais necessário do que nunca. As consequências da guerra, do genocídio, da precariedade e das crises habitacional e climática nos sufocam. Não podemos ficar de braços cruzados.

É por isso que quisemos contar com um artista da Comunidade Valenciana que refletisse essa ideia e, além disso, desse visibilidade aos trabalhadores e trabalhadoras da arte que têm um compromisso, justamente, com a nossa classe.

Com este cartaz, queremos também recuperar a tradição de cartazes do 1º de maio feitos pela e para a classe trabalhadora. E esperamos que este seja o primeiro de muitos anos. É uma grande honra ter contado com o trabalho e o talento de Elías Taño para esta primeira edição!

E temos outra notícia! Vocês poderão adquirir o cartaz na XXIV Mostra do Livro Anarquista neste fim de semana (25 e 26 de abril) no estande da La Distri da CNT Valência.

Esperamos por todos e todas no próximo dia 1º de maio, às 11h30, na Praça San Agustín de Valência, na manifestação unificada!

Dêem muito amor ao cartaz!

Saúde.

CNT Valência

agência de notícias anarquistas-ana

minha casa
o sapo já sabe
entrar e sair

Alice Ruiz

[Portugal] 24 de Abril – Conversa: Os anarquistas e o 25 de Abril

Sexta, 24 de Abril

18:30 – Conversa: Os anarquistas e o 25 de Abril

seguido de jantar

Em 25 de Abril de 1974, um golpe militar derrubou uma ditadura de 48 anos, pondo fim, de um dia para o outro, a grande parte do aparelho repressivo que oprimia a sociedade portuguesa. Desobedecendo às ordens para ficar em casa, o povo saiu à rua, experimentando a recém-adquirida liberdade e iniciando movimentos de transformação social e de luta por melhores condições de vida.

Também os anarquistas, ferozmente reprimidos e impedidos de difundirem as suas ideias durante toda a ditadura, puderam finalmente sair à luz do dia. A velhos militantes, que ainda haviam conhecido e protagonizado os movimentos sociais e organizações libertárias da Primeira República e da clandestinidade sob o Estado Novo, juntaram-se novas gerações, imbuídas de um novo espírito e de novas preocupações, fazendo comícios e manifestações, editando jornais ou apoiando lutas, num contexto ideológico marcado por uma asfixiante e hegemónica ortodoxia marxista-leninista.

Neste dia 24 de Abril, juntamo-nos no CCL para analisar este período revolucionário sob uma óptica anarquista, assim como para conhecer e discutir o papel do movimento libertário naquele período revolucionário, contando para tal com a partilha das experiências de companheiros que o viveram.

Centro de Cultura Libertária

Rua Cândido dos Reis, 121, 1º Dto – Cacilhas – Almada

culturalibertaria.blogspot.com

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sol ardente
apesar do vento
de outono

Alberto Marsicano

[Irã] Alerta máximo para cinco mulheres condenadas à morte

A preocupação cresce entre a comunidade internacional e as organizações de direitos humanos em relação ao destino de cinco mulheres detidas no Irã. Entre elas estão as ativistas curdas Verisheh Moradi e Pakhshan Azizi, bem como Zahra Shahbaz Tabari, Nasimeh Eslamzehi e Bita Hemmati, todas condenadas à morte.
 
Acusações arbitrárias e com motivação política
 
Essas mulheres foram condenadas sob acusações vagas e severamente punidas pelo código penal iraniano, como moharebeh (inimizade contra Deus), rebelião armada ou efsad-fil-arz (corrupção na Terra). Esses fundamentos são sistematicamente invocados pelo sistema judiciário para suprimir vozes dissidentes e demandas baseadas em identidade, particularmente as de minorias.
 
Situação atual dos condenados
 
O caso de Pakhshan Azizi é particularmente crítico, visto que sua sentença de morte foi oficialmente confirmada. Em contrapartida, a sentença de Verisheh Moradi foi anulada e o caso encaminhado para um novo julgamento, embora sua segurança física continue ameaçada pelas precárias condições da prisão.
 
O caso de Nasimeh Eslamzehi, presa em 2023, ilustra a crueldade do sistema prisional: ela foi mantida em detenção em condições extremas, chegando a dar à luz na prisão antes de receber sua sentença. Já Zahra Shahbaz Tabari e Bita Hemmati permanecem em um limbo jurídico aguardando execução, que pode ocorrer a qualquer momento devido à falta de transparência judicial.
 
Aumento da repressão contra as mulheres
 
Observadores e ativistas de direitos humanos estão soando o alarme: o número de mulheres condenadas à morte em casos com motivação política está aumentando drasticamente. Essa tendência reflete uma clara intenção do regime de esmagar a resistência das mulheres, que lideraram os recentes movimentos de protesto, e de punir duplamente os membros da comunidade curda por seu compromisso com a justiça e a liberdade.
 
Nota: Até o momento, nenhum retrato verificado de Nasimeh Eslamzehi foi identificado em fontes públicas.
 
Fonte: https://kurdistan-au-feminin.fr/2026/04/22/iran-alerte-maximale-pour-cinq-femmes-condamnees-a-mort/
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/04/23/ira-tres-manifestantes-curdos-condenados-a-morte/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
caminhando só
ouço som de estalos
as folhas secas
 
Augusto Sagrado

[Espanha] Chernobyl na memória.

No dia 26 de abril, completam-se 40 anos do desastre nuclear de Chernobyl. Um reator dessa usina explodiu e incendiou o Edifício Vladimir Ilyich Lenin, a poucos quilômetros de Pripyat, na Ucrânia, que na época fazia parte da União Soviética. O acidente teve origem, entre outros fatores, durante uma simulação de queda de energia. As partículas radioativas liberadas na atmosfera afetaram diversas regiões da Europa.

Aproximadamente 116.000 pessoas foram evacuadas de Pripyat e áreas vizinhas para protegê-las da radiação. Em poucas horas, muitas famílias foram obrigadas a deixar suas casas praticamente sem nada além da roupa do corpo.

Para marcar este triste aniversário, uma série de palestras e debates foram organizados sob o lema “NUCLEAR: NEM CIVIL NEM MILITAR” em diversas localidades da Espanha. Em Madri, o evento acontecerá no domingo, 26 de abril, a partir das 12h, na Plaza de las Peñuelas. A CGT participará juntamente com a CNT, Ecologistas en Acción, MIA e Anticapitalistas. Nossa companheira Carmen Arnaiz, Secretária de Ação Social, também participará desses debates.

Por outro lado, o prazo continua aberto para que mais organizações e entidades se juntem e apoiem o manifesto com o qual dizemos NÃO às centrais nucleares. Pode encontrar mais informações neste link: https://cgt.es/cgt-continua-diciendo-no-a-las-centrales-nucleares/

Assessoria de Imprensa, Comitê Confederal da CGT

cgt.es

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estamos na onda
deslizando nas espumas
que n’areia quebram

Túlio Velho Barreto

[EUA] Os anarquistas de Chicago

Ilustração de Walter Crane.

Condenados por defender a classe trabalhadora.

Engel, Georg, 50 anos, cidadão alemão e tipógrafo de profissão, foi condenado à morte por enforcamento;

Fielden, Samuel, 39, britânico, operário têxtil, prisão perpétua;

Fischer, Adolf, 30 anos, alemão, jornalista, condenado à forca;

Linng, Louis, 22 anos, alemão, carpinteiro, condenado à forca, mas suicidou-se antes da execução da sentença;

Neebey, Oscar, 36 anos, americano, agente comercial, 15 anos de trabalhos forçados;

Parsons, Albert, 39, americano, jornalista, condenado à forca;

Schwab, Michael, 33, alemão, tipógrafo, prisão perpétua; e

Spies, Auguste, 31, alemão, jornalista, condenado à morte por enforcamento.

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Um rastro de lua
Na rua de rastros
depois que a chuva parou.

Luiz Carlos

[Portugal] Lisboa | Manifesto antiautoritário para um 1º de Maio de luta e libertação – 2026

Em Lisboa, à semelhança do ano passado, prepara-se o 1º de Maio antiautoritário.

Manifesto:

O 1º de Maio é um dia de luto e de luta da classe trabalhadora um pouco por todo o mundo.

Em 1886, os chamados “Mártires de Chicago”, anarquistas, trabalhadores, insurgentes, foram condenados à morte por ousarem imaginar o impossível: que a vida não deveria ser inteiramente capturada pelo trabalho. Lutavam por oito horas de trabalho, oito horas de descanso e oito horas de ócio. Foram, por isso, silenciados pelo Estado, esse mesmo que protege a propriedade e pune quem a desafia. A história, porém, não se escreve com o veredicto dos tribunais, mas com a persistência dos corpos que resistem: a jornada de oito horas não foi concedida, foi arrancada aos patrões com organização, luto e luta coletiva. O que se celebra não é uma conquista pacificada, mas uma ferida aberta que ainda pulsa: memória viva de que nenhum direito nasce sem conflito e de que a luta contra a exploração e o Estado permanece internacional, contínua e inacabada.

Os Mártires de Chicago morreram pela luta dos trabalhadores e é porque anarquistas perderam as suas vozes, que hoje levantamos as nossas. Há mais de 130 anos, exigia-se o mínimo: cerca de 40 horas semanais, quando o comum eram jornadas de 80 horas que devoravam a vida. Hoje, o que se apresenta como progresso revela-se regressão: o novo pacote laboral tenta devolver-nos ao passado, com o banco de horas individual a estender o dia de trabalho em mais duas horas e a roubar-nos tempo, empurrando-nos para semanas de 50 horas. Continuamos esmagados por rotinas exaustivas, por um tempo que não nos pertence.

Por isso, voltamos às ruas no 1º de Maio. Não apenas para lembrar, mas para insistir: o nosso tempo não é mercadoria! Invocamos a memória dos Mártires porque a luta não terminou e porque conhecer a nossa história enquanto classes oprimidas é também uma forma de recusar o esquecimento e de afirmar, uma vez mais, o direito à vida para além do trabalho.

Nas últimas décadas, o 1º de Maio tem sido esvaziado e reconfigurado como uma celebração dócil do trabalho ou como um dia de descanso “concedido” pelo Estado: um feriado passivo que apaga a memória das lutas que o tornaram possível. Aquilo que nasceu como conflito foi transformado em ritual; aquilo que era insurreição tornou-se calendário. Neste processo, os sindicatos institucionais (CGTP-IN e UGT) afastaram-se da classe trabalhadora, confinando a luta à via legal e à negociação de migalhas. A chamada “concertação social” não passa de uma forma renovada da velha máxima autoritária da colaboração entre classes, um mecanismo que administra o conflito em vez de o enfrentar. A ação sindical, centrada em objetivos imediatos, abdicou de uma transformação radical das condições de vida, deixando para trás a possibilidade de libertação econômica, social, política e sexual. A isto soma-se a burocratização do sindicalismo e a sua instrumentalização como dispositivo de controle, frequentemente voltado contra movimentos autônomos de trabalhadores. O que se apresenta como representação transforma-se, muitas vezes, em contenção, num gesto que mais vigia do que liberta, mais disciplina do que organiza.

Mas a luta não se delega: constrói-se. Constrói-se nas ruas, nas ocupações, nas greves, na ação direta que recusa esperar autorização para existir. Não se pede, toma-se. É, por isso, urgente retomar as formas de luta que conquistaram direitos no passado: a ação direta, o boicote, a greve, a sabotagem. Não como memória, mas como prática viva, como recusa ativa de um sistema que insiste em roubar-nos o tempo, o corpo e a vida.

Enquanto tentam apagar o caráter combativo desta data, nós, anarquistas, reacendemos a sua chama revolucionária. Chamamos todas as pessoas insurgentes, trabalhadoras e lutadoras, coletivos, sindicatos autônomos, movimentos sociais, a ocupar as ruas, a romper o silêncio e a denunciar a exploração capitalista, estatal e todas as formas de dominação. Convocamos quem não aceita delegar a própria vida, quem se compromete com a ação direta, a autonomia e a construção de um mundo sem hierarquias.

Reivindicamos um 1º de Maio auto-organizado, à margem do reformismo e do controlo autoritário. Queremos a autonomia do nosso tempo, dos nossos corpos e das nossas vidas, porque aquilo que nos foi roubado não será devolvido, terá de ser recuperado.

Não esquecemos quem foi deixado fora daquilo a que chamaram “classe trabalhadora”. Quem nunca coube nessa definição estreita, moldada para reconhecer uns e apagar outros. Não esquecemos as vidas empurradas para a margem, silenciadas como sujeitos políticos, tornadas invisíveis por uma ideia de classe que nunca foi neutra — uma ideia construída para excluir.

A “classe trabalhadora” não surgiu como simples descrição do real: foi forjada historicamente, inscrita nas hierarquias coloniais e patriarcais que sustentam o capitalismo. Desde o início, traçou fronteiras entre o que conta e o que é descartável, entre o trabalho que produz valor e o que é negado, entre quem é reconhecido como força de transformação e quem é condenado à invisibilidade. Essas distinções nasceram da violência racial, sexual e econômica que organiza o mundo.

Durante séculos, impuseram como norma a figura do trabalhador assalariado — masculino, branco, nacional — elevando-o a sujeito político legítimo. Tudo o resto foi empurrado para fora: desvalorizado, criminalizado ou romantizado como exceção. Outras formas de trabalho, de resistência e de sobrevivência foram sistematicamente negadas, apesar de sustentarem a vida.

Repensar a luta de classes exige mais do que apelos abstratos à unidade. Exige romper com esta herança, desmantelar as fronteiras impostas e recusar uma ideia de classe fechada sobre si mesma. A classe não é um dado: é um campo de disputa. É nesse terreno que nos colocamos, ao lado de todas as existências que o capitalismo tentou disciplinar, explorar e destruir. Porque a luta não é apenas por inclusão numa categoria que sempre excluiu, mas pela sua transformação radical.

Propomos um 1º de Maio anarquista, transfeminista, antirracista e anti-imperialista. Um 1º de Maio que inclua quem é empurrado para as margens: a comunidade queer, as trabalhadoras migrantes, racializadas e precarizadas, as trabalhadoras sexuais, as pessoas presas forçadas a trabalhar em condições de escravatura. Porque a sociedade do trabalho é patriarcal, capacitista e extrativista, valoriza a produtividade acima da vida e transforma corpos em recurso.

Rejeitamos uma educação que nos treina para obedecer e produzir, que nos molda para aceitar a exploração como destino. Queremos um 1º de Maio que recuse fronteiras e afirme o internacionalismo e a autodeterminação dos povos. Um 1º de Maio que reconheça o colapso climático não como acidente, mas como consequência direta de uma sociedade industrial, colonial e capitalista.

Almejamos uma vida de ócio e de prazer, uma vida onde o tempo livre não seja uma migalha concedida pelo capital para alimentar o consumo, nem um descanso funcional que nos prepara para voltar a ser exploradas. Queremos tempo que nos pertença, tempo vivido e não administrado.

Queremos a abolição do trabalho assalariado e o fim de todas as formas de dominação — porque enquanto o trabalho governar a vida, não haverá liberdade. Transformemos esta data num espaço de agitação, solidariedade e organização popular. Ocupa o espaço. Recupera o teu tempo.

Porque tal como os “Mártires de Chicago”, carregamos nos nossos corações desejos de libertação social, ocupamos as ruas no dia 1 de Maio, a partir das 15h, no Largo de Camões. Este será um espaço de agitação, solidariedade e organização contra o Capital e o Estado e por um 1º de Maio combativo e autônomo. A marcha terminará em festa no Largo do Intendente, um apelo à ociosidade e à reapropriação do espaço público.

Hoje como ontem, não nos resignamos!

Fonte: https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2026/04/21/lisboa-manifesto-antiautoritario-para-um-1o-de-maio-de-luta-e-libertacao-2026/

agência de notícias anarquistas-ana

Limpo o rosto na camisa –
O vento começa a trazer
As primeiras gotas de chuva

Paulo Franchetti

[Espanha] Dialogar ou Julgar

O tempo sempre atenua as paixões; neste caso, refiro-me àquelas produzidas pelas ideias e projetos de transformação. Talvez por isso, hoje em dia eu goste mais do que no passado de compartilhar, conversar, debater, refletir e meditar sobre ideias e sobre agências o mais situadas possível na realidade, na cotidianidade, nas lutas, na vida, na experiência…

Sempre que posso, gosto de praticar o exercício de dialogar, esse exercício de atenção coletiva sem roteiro nem algoritmo que o organize. Quando as conversas são em público e envolvem mais de duas pessoas, entendo que é preciso deixar espaço para que cada um intervenha ou guarde silêncio. É certo que esta afirmação tem uma leitura de gênero difícil de reverter, a saber: que os homens intervêm muito e as mulheres guardam muito silêncio.

Como assinala Amador Fernández Savater, é muito positivo acompanhar a palavra do outro com a escuta, um gesto de incentivo ou a contrapergunta. A conversa se tece e se sustenta entre todos. As palavras derivam, se entrelaçam e desfazem; nos autorizamos a rir, a poetizar, a pensar. Saímos de nós mesmas. E é que conversar, con-vertere, significa voltar-se um para o outro. Se intervém a moral, a consciência, o diálogo emperra, não circula com fluidez.

Ultimamente, meus escritos provocam reações polêmicas, por vezes iradas, e até parece que atentam contra a “consciência” de quem os reivindicou ou os lê. Sempre pensei que, diferentemente do marxismo, o anarquismo não tem santos-pensadores intocáveis (claro, homens) e, embora seja verdade que houve bakuninistas no século XIX, isso não teve continuidade como tem, ainda hoje, com os marxistas.

Os marxistas se acostumaram a debater e a se enfrentar, inclusive a se odiar, por temas doutrinários, teóricos (nos quais se inclui a defesa de seus referenciais: Marx, Engels, Lênin, Gramsci, e muitos outros, até mesmo Stálin… é preciso ter pique). Os anarquistas, por outro lado, debateram, e sim, também se odiaram, mas mais por questões organizativas e de prática de algum tipo: disputas como as que opuseram anarco-coletivistas a anarco-comunistas, anarco-sindicalistas a sindicalistas, plataformistas, conselhista, individualistas, insurrecionalistas, etc., etc.

Talvez por se preocuparem mais com a prática do que com a teoria, o âmbito anarquista sempre gostou de dialogar, conversar, debater, refletir e meditar sem que a doutrina, a ideologia, a verdade ou o julgamento moral da “consciência” o impeçam. Não digo que seja sempre assim e que não tenha havido o contrário, mas compartilho com David Graeber que grande parte da prática anarquista gira em torno de um certo princípio dialógico. Quantas voltas já demos, no âmbito anarquista, para aprender a tomar decisões pragmáticas, tentando que seja por unanimidade e procurando não recorrer à votação para não subsumir quem é minoria sob o ponto de vista da maioria?

Parece que, na realidade, o pensamento real é dialógico, não cartesiano no sentido de que se inicia com o indivíduo autoconsciente e depois fica ruminando como se comunicar com outras pessoas.

Embora tenhamos sido educados na unidade entre teoria e prática, o anarquismo quase sempre optou pela prática de forma muito mais pronunciada do que outras correntes socialistas, certamente mais do que o marxismo.

Resumindo: quando alguém quer saber a opinião de outra pessoa sobre algum tema, é porque está disposto ao diálogo, ao debate, à reflexão. Não se pergunta a opinião quando previamente se a anatemizou, alegando sua “consciência”, ou seja, julgando-a a partir da moral.

Laura Vicente

Fonte: http://pensarenelmargen.blogspot.com/2026/01/dialogar-o-enjuiciar.html

Tradução > Liberto

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Os meus sentimentos
como origami no arame
sempre em movimento

Urhacy Faustino

[Grécia] Pôster sobre os “acidentes” de trabalho

Neste período, como Iniciativa de trabalhadores/desempregados do sul, estamos realizando intervenções com cartazes nos nossos bairros em relação aos “acidentes” de trabalho, ou seja, aos assassinatos patronais e estatais.

Paralelamente, continuamos a distribuir o nosso comunicado sobre o assunto.

Segue o texto do cartaz:

Os “ACIDENTES” DE TRABALHO são na verdade ASSASSINATOS PATRONAIS – ESTATAIS

Não são “maus momentos”, “eventos aleatórios” nem “negligência” dos trabalhadores… É negligência consciente dos empregadores! São as vidas humanas que se perdem, as mutilações extremas e todo tipo de ferimento nos locais de trabalho, durante o horário de trabalho, no caminho para o trabalho ou no retorno dele. São também as doenças crônicas e incuráveis, bem como o estresse e a pressão psicológica que surgem com o tempo.

Os “acidentes” de trabalho devem-se claramente à falta de medidas de proteção, a condições de trabalho inadequadas, à intensificação do trabalho para metas inatingíveis, à extensão dos horários, aos altos anos de aposentadoria, mas também à insegurança e à pobreza que vivemos, levando-nos a aceitar condições de trabalho insuportáveis.

Contra o fatalismo e a indiferença, contra a ideologia do canibalismo, do sucesso individual e do consumo contínuo…

A VIDA E OS NOSSOS INTERESSES DE CLASSE ACIMA DOS LUCROS DOS PATRÕES

Acima dos orçamentos de empresas, do estado e dos municípios!

SOLIDARIEDADE FRATERNA | ORGANIZAÇÃO DE BAIXO PARA CIMA | RESISTÊNCIA COLETIVA

Por condições de trabalho seguras, aumentos nos salários, redução das horas de trabalho, contra os salários de miséria.

>> A realidade nos avisa: O capitalismo prejudica seriamente a saúde! >>

Iniciativa de trabalhadores/desempregados do sul

prwterganenotia.wordpress.com | prwterganenotia@espiv.net

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princípio de outono
sol pálido
no céu branco

Rogério Martins

Chamado à ação: Global May Day 2026

“Nosso grito de guerra vitorioso

Será: ‘Queremos a terra!'”

– James Connolly, We Only Want the Earth (1907)

Em todo o mundo, o capitalismo continua seu declínio implacável. E em todo o mundo, o autoritarismo mais uma vez levanta a cabeça. Desde repressões contra antifascistas até as guerras brutais contra camaradas em Rojava e Mianmar, bem como os recentes ataques contra a Geração Z na Indonésia, Quênia, Madagascar, Nepal e Togo. Parece que as forças reacionárias estão tentando tudo ao seu alcance para esmagar a esperança de um mundo melhor, igualitário e livre.

A revolta em Bangladesh, em julho de 2024, pode ser descrita criticamente como um momento de luta de massas em que a classe trabalhadora fez os maiores sacrifícios. No entanto, suas consequências revelam uma realidade contraditória: a ascensão de fanáticos islâmicos e a presença contínua de forças imperialistas que continuaram a reprimir e matar trabalhadores mesmo após a revolta. Esse desdobramento ressalta a necessidade de os trabalhadores permanecerem sempre críticos em relação aos desenvolvimentos autoritários e continuarem se organizando.

O autoritarismo não implica apenas violência estatal e militarismo, mas também inclui “ideologias de desigualdade”, como racismo, sexismo, transfobia, nacionalismo, classismo e chauvinismo. É um fenômeno social, cultural, político e econômico, ao qual resistimos juntos.

Observamos como a introdução dos chamados códigos trabalhistas em todo o Sul da Ásia prioriza a liberalização econômica e os investimentos em detrimento dos direitos dos trabalhadores, manifestando, assim, relações de exploração.

Observamos uma crescente militarização dos conflitos em todo o mundo. Governos em todos os lugares estão aumentando os gastos militares às custas da segurança social. Cada guerra declarada por Estados-nação e seus representantes é um ataque à classe trabalhadora. Afinal, são as pessoas da classe trabalhadora que são traumatizadas e mortas nos campos de batalha por interesses geoestratégicos, imperialistas e capitalistas. Nossos corações sofrem ao ver o sofrimento e as mortes contínuas em regiões como o Congo (RDC), Gaza, Mianmar, Rojava, Sudão, Tigray e Ucrânia.

No entanto, não somos vítimas. Nossas ideias não podem ser facilmente extintas. O Dia do Trabalhador é nossa oportunidade de aprender a nos unir mundialmente e revidar contra o império e o capital.

O Dia Internacional dos Trabalhadores é o nosso dia. É o nosso dia para lembrar à classe dominante e aos capangas que a protegem que eles estão em menor número e que sairão do palco da história, de uma forma ou de outra. É o nosso dia para nos lembrarmos de que nós, os trabalhadores do mundo, detemos o poder e herdaremos a terra. Em breve, a guerra de classes que dura séculos chegará ao fim e os trabalhadores unidos do mundo sairão vitoriosos.

Neste Dia do Trabalhador, damos ênfase especial à luta dos trabalhadores nas plantações de chá em Bangladesh. Por gerações, eles têm suportado discriminação e exploração sistêmicas. Para lutar por melhores condições e, em perspectiva, pela emancipação da exploração capitalista, os trabalhadores organizaram a 1ª Conferência Nacional do Centro Sindical dos Trabalhadores do Chá (TWTUC) em Sreemangal no ano passado. Vamos conectar nossas ações do Dia do Trabalhador exibindo símbolos comuns e destacando a luta dos trabalhadores do chá por uma vida digna!

De continente a continente, os trabalhadores enfrentam padrões semelhantes de exploração, marginalização e repressão. Nossa luta, portanto, não se limita às fronteiras nacionais — ela faz parte da luta mais ampla pela unidade internacional da classe trabalhadora e por uma vida digna para todos. Estamos convencidos de que a libertação da classe trabalhadora não pode acontecer isoladamente. A verdadeira liberdade só é possível através da unidade e da solidariedade de todos os trabalhadores oprimidos, explorados e em luta em todo o mundo.

Todos os dias serão um 1º de Maio. Através da organização de nossos locais de trabalho, da construção de conexões com nossos companheiros em todo o mundo e da desferida de golpes contra o império e o capital em todas as oportunidades.

Trabalhadores do mundo, uni-vos!

Que não haja guerra entre nações e nem paz entre classes!

#globalmayday26 – #primeirodemaioglobal26

#1world1struggle – #1mundo1luta

globalmayday.net

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O gato no cio
mia e remia
canta ao desafio

Eugénia Tabosa

[Irã] Três manifestantes curdos condenados à morte.

Três curdos detidos na prisão de Bukan foram condenados à morte no Irã. Esses três jovens participaram dos protestos “Jin, Jiyan, Azadi” (Mulher, Vida, Liberdade). 
 
Raouf Sheikh Ahmadi, de 25 anos, e Mohammad Faraji, de 24, ambos detidos na prisão de Bukan, foram condenados à morte pela 1ª Vara do Tribunal Revolucionário de Mahabad sob as acusações de moharebeh (“inimizade contra Deus”) e efsad-fil-arz (“corrupção na Terra”). Essas condenações foram baseadas, em parte, em confissões obtidas sob tortura.
 
Raouf Sheikh Ahmadi foi preso em 26 de dezembro de 2022, na casa de sua família em Bukan. Dois dias depois, foi transferido para o centro de detenção dos serviços de inteligência em Urmia (Orumiyeh), onde ficou em confinamento solitário por cinco meses e meio e foi submetido a tortura física e psicológica para obter uma confissão falsa.
 
Mohammad Faraji, um mecânico de automóveis, foi preso em 11 de janeiro de 2023, em Bukan. Ele também foi transferido para o centro de detenção do serviço de inteligência em Urmia, onde passou três meses em confinamento solitário e foi submetido às mesmas formas de tortura para obter uma confissão forçada.
 
Os dois homens foram julgados separadamente pelo Tribunal Revolucionário de Mahabad em novembro de 2025. Eles foram informados de suas sentenças de morte em 24 de fevereiro de 2026.
 
Um terceiro caso preocupante
 
Mohsen Eslamkhah, outro manifestante curdo do movimento “Mulher, Vida, Liberdade “, que era menor de idade (16 anos) na época dos supostos crimes, também foi recentemente condenado à morte pelo mesmo tribunal. Os três homens estão atualmente detidos na prisão de Bukan.
 
Fonte: https://kurdistan-au-feminin.fr/2026/04/21/iran-trois-manifestants-kurdes-condamnes-a-mort/
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/03/13/o-massacre-de-mulheres-no-ira-em-numeros/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
A serra em chuva
Sob o sol poente –
Como não agradecer?
 
Paulo Franchetti

Relato do 13º Congresso da IFA, 3 a 5 de abril de 2026, Atenas, Grécia

Um relato do 13º Congresso da Internacional de Federações Anarquistas (IFA-IAF), Atenas
 
O 13º Congresso da Internacional de Federações Anarquistas (IFA-IAF) ocorreu em Atenas no fim de semana de 3 a 5 de abril de 2026, sediado pela Αναρχική Πολιτική Οργάνωση – Ομοσπονδία Συλλογικοτήτων (Organização Política Anarquista, Federação de Coletividades, APO). Entre as outras federações participantes estavam a Federazione Anarchica Italiana (FAIt, Itália), a Fédération Anarchiste (FA, francófona), a Federazione Anarchica Siciliana (FAS, Sicília), a Federación Libertaria Argentina (FLA), a Federacija za anarhistično organiziranje (Federação para a Organização Anarquista, FAO, Eslovênia e Croácia), a Федерация на анархо-комунистите в България (FACB, Federação dos Anarcocomunistas na Bulgária), e a Anarchist Federation (AF, Grã Bretanha), com observadores convidados do Brasil (Aurora Negra e Terra Livre) e da Sérvia (Klasna Solidarnost). Membros de federações e grupos associados do México, do Brasil, do espaço tcheco-eslovaco, do espaço germanófono e do Fórum Anarquista Curdo não participaram, este último devido a preocupações com a situação no Oriente Médio. Companheires cubanes também foram convidades, mas o contato tem se tornado cada vez mais difícil durante o bloqueio econômico.
 
Para que a conferência transcorresse sem problemas, o Congresso foi realizado em um único local, a ocupação Lelas Karagianni 37 (LK37), um impressionante prédio residencial de longa duração, a ocupação mais antiga da Grécia. O almoço e o jantar foram fornecidos por companheires da ocupação, e parte da hospedagem também foi disponibilizada para visitantes. Equipamentos de tradução foram alugados para fornecer tradução simultânea ao vivo, embora o idioma principal tenha sido o inglês. A LK37 também foi o local de uma reunião pública, “A posição dos anarquistas diante dos conflitos militares e da ameaça de generalização da guerra”, no sábado à noite, organizada pela APO.
 
O Congresso da IFA acontece a cada três ou quatro anos, com reuniões intermediárias de delegades, chamadas CRIFA, usadas para conectar as federações e planejar agendas e atividades, além de desenvolver documentos para discussão e construção de consenso. A tomada de decisão ocorre de baixo para cima, de modo que as federações primeiro propõem itens para a pauta e depois elaboram seus textos e posições sobre esses temas para apresentação no congresso. O congresso foi estruturado com sessões plenárias com todas as federações presentes, por exemplo sobre perspectivas anarquistas a respeito de insurreições em várias partes do mundo, como o levante no Irã e situações em áreas do Mediterrâneo, Madagascar, Indonésia e Nepal. Além disso, as federações participantes coorganizaram uma série de oficinas sobre os seguintes temas: Sudão, extrema direita, lutas na educação, meio ambiente, patriarcado e violência de gênero, e o mundo digital, incluindo materiais online e cibersegurança. Alguns aspectos administrativos da IFA também foram discutidos.
 
A primeira plenária, “Contra o totalitarismo moderno do Estado, do capitalismo e da guerra”, compartilhou perspectivas sobre antimilitarismo. Os temas incluíram oposição a bases aéreas ou aeronaves da OTAN, na Itália, na Sicília e em Creta, e à expansão da OTAN no Leste Europeu, a reintrodução do serviço militar obrigatório na Croácia e na França, a repressão estatal à solidariedade com a Palestina, como o uso da lei antiterrorismo contra o Palestine Action no Reino Unido, e o aumento dos gastos militares, incluindo investimentos de uso duplo, como expansões de aeroportos, portos e sistemas ferroviários, onde trabalhadores poderiam intervir.
 
Embora nem sempre seja possível chegar a consenso, o congresso fez avanços significativos em várias questões. Em especial, as federações italiana e grega haviam produzido posições detalhadas sobre lutas de gênero, com documentos aprovados por suas federações, trazendo reflexões sobre violência de gênero sistêmica, no caso da APO, e transfeminismo, no caso da FAIt. Por exemplo, a FAI Itália afirmou: “O enraizamento e a expansão dos movimentos transfeministas e queer tornam-se cada vez mais indispensáveis diante da intensificação da opressão patriarcal na fase atual, em que, em várias partes do mundo, seu vínculo com a opressão religiosa é cada vez mais forte. Na Itália, o governo Meloni produziu atos legislativos específicos de caráter patriarcal e familista para apoiar a taxa de natalidade dentro da família tradicional. O familismo e a defesa da família tradicional, sexista e hierárquica, contudo, não são patrimônio apenas da direita reacionária, porque também há um familismo na tradição da esquerda.” A FAIt também relacionou o aumento da militarização à ascensão de uma cultura machista.
 
A APO concentrou-se na violência patriarcal: “Num período em que o totalitarismo moderno é mobilizado para suprimir os povos que se revoltam e vozes nacionalistas e fascistas se multiplicam, as mulheres, em todas as partes do planeta, e especialmente as das camadas plebeias da classe trabalhadora, enfrentam, para além do risco de morte, deslocamento, fome e doença, a ameaça cotidiana da violência de gênero, da tortura sexual e das execuções, como instrumentos de conquista e subjugação.” A APO destacou ataques ao direito ao aborto nos Estados Unidos, e o uso sistemático da violência de gênero como arma de guerra no Sudão e na Palestina, mas também, de forma semelhante ao que ocorre na Itália, a retomada nacionalista da “natureza feminina” para afirmar um papel da maternidade no interesse nacional.
 
A oficina “Ascensão da extrema direita e resposta antifascista” foi apresentada pela AF e pela FA. A AF utilizou o contexto da ascensão do Reform UK para discutir aspectos culturais das ideologias e atividades da extrema direita. Houve grande interesse no uso de leis de ordem pública na Grã Bretanha para limitar protestos. Embora prisões preventivas com base em acusações de conspiração não sejam novidade no Reino Unido, isso parece mais difícil de justificar por parte do Estado em países que viveram ditaduras ou onde o antifascismo é inclusive mencionado na constituição. Na Itália e na Grécia, as raízes das ditaduras fascistas seguem profundas. Mas, culturalmente, temas fascistas como “Deus, Pátria e Família” estão retornando, e agora anarquistas e seus espaços locais estão sendo especificamente visados pela polícia sob a liderança de extrema direita de Meloni na Itália. Embora o auge do Aurora Dourada na Grécia tenha ficado no passado, em parte devido à repressão estatal após o assassinato de um cantor antifascista, os vínculos de seus membros com uma extrema direita de “rosto brando”, mais palatável à mídia, não desapareceram.
 
Embora em alguns países seja possível recorrer à história, no Brasil, na Bulgária e na Sérvia a ameaça de violência neonazista nas ruas ainda hoje é muito séria, porque esses grupos operam e se reúnem ou promovem eventos abertamente, além de atacar diretamente e por vezes assassinar anarquistas nas ruas. Em resposta, anarquistas encontraram formas criativas de combatê-los, como incentivar aulas massivas de autodefesa nos bairros, por exemplo em comunidades de favelas no Brasil.
 
A oficina sobre educação foi uma oportunidade importante para compreender as mudanças na Grécia, onde modelos de parceria privada estão sendo impostos ao ensino médio, e professoras e professores que resistem à privatização e ao uso crescente de avaliação intensiva de alunes em todas as faixas etárias estão sendo perseguidos. Há também uma ameaça crescente à organização anarquista nas universidades. Por isso, a necessidade de sindicatos de base fortes é vital. Num aspecto mais encorajador, o Congresso ouviu sobre uma escola secundária livre, a Escula Libre de Constitucion (ELC), em Buenos Aires, Argentina, voltada ao uso de métodos anarquistas de educação com jovens de 16 a 18 anos, e também sobre o Laboratório de Educação Anarquista (LEA), em São Paulo, Brasil, no Centro de Cultura Social (CCS). A iniciativa do LEA, realizada pela Biblioteca Terra Livre, busca estudar, produzir e experimentar práticas pedagógicas para crianças, incluindo seu uso em feiras de livros anarquistas para possibilitar uma participação significativa das crianças nesses eventos.
 
A sessão de oficina sobre “Saque da natureza” foi introduzida pela APO, com foco nos problemas políticos, culturais e sociais em torno da crise climática e do saque da natureza e das comunidades locais pelo Estado e pelo capital. A sessão incluiu discussão sobre oposições populares à extração de recursos, ao capitalismo “verde” e ao controle sobre a natureza e as comunidades locais. Também se discutiram o aumento da urbanização, da comercialização e da gentrificação. Foram estabelecidas fortes ligações com o antimilitarismo no que se refere aos protestos contra o desenvolvimento de infraestrutura. Também foram destacados os problemas do investimento de 1 trilhão de dólares da Agenda 2030 da ONU para mudança climática.
 
Ao final do fim de semana, o 13º Congresso da IFA produziu uma declaração conjunta, “Contra a Ditadura Global do Estado e do Capitalismo, contra a Guerra e o Fascismo”, centrada no antimilitarismo e vinculada à sessão plenária. Também produziu uma declaração de solidariedade aos anarquistas cubanos. Ambas serão ratificadas pelas federações da IFA antes da publicação. Houve grande aplauso quando a Klasna Solidarnost, da Sérvia, anunciou sua intenção de solicitar ingresso na IFA como grupo associado, um status usado para grupos que pretendem crescer até se tornar uma federação. Foi proposto um local para o próximo congresso, enquanto a FA concordou em assumir o papel de Secretaria após o bom trabalho da FAO nos últimos anos. Também foi aprovado um plano para realizar outra reunião no Mediterrâneo, bem como uma futura edição da revista da IFA sobre perspectivas antimilitaristas, na qual as federações membros da IFA apresentarão artigos. Após a oficina informativa sobre o Sudão, conduzida pela FAS e pela FA no Congresso, foi apresentado um novo cartaz de solidariedade, destacando as lutas anarquistas sudanesas. Depois do fim de semana, realizou-se em Atenas uma reunião de solidariedade a migrantes sudaneses, o que deu a quem permaneceu mais tempo a oportunidade de aprender mais sobre a situação. Companheires da IFA também foram convidades pela FAO para a próxima Feira do Livro Anarquista dos Bálcãs, em Skopie, Macedônia, em setembro. O congresso foi encerrado com uma ruidosa homenagem ao companheiro da FA Jean Marc Raynaud, fundador da Libertarian Editions e da escola anarquista “Bonne Aventure”, que morreu no fim de março.
 
Fonte: https://i-f-a.org/2026/04/14/report-from-the-13th-ifa-congress-3-5-april-2026-athens-greece/
 
Tradução > Contrafatual
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/03/30/internacionalistas-sempre-xiii-congresso-internacional-das-federacoes-anarquistas/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Já anoiteceu
Rompe-se o silêncio
A coruja pia.
 
Ana Roseli Valenga Bonete