Manifesto do Primeiro de Maio de 2026 – FACA | Nenhum direito sem luta. Nenhuma luta sem risco. Nenhum futuro sem rebeldia.

Trabalhadorx, exploradx, rebelde sem causa ou com causa: é hora de ocupar as ruas e parar a engrenagem!

A Federação Anarquista Capixaba (FACA) convoca TODXS os militantes da luta direta, os insubmissos, os cansados de pedir licença e os que sabem que a liberdade não se implora — se conquista com a ação direta e a solidariedade de classe.

Primeiro de Maio de 2026. Não será mais um dia de festa patrocinada pelos patrões e pelo Estado. Não será um feriado para descanso vigiado ou para churrasco alienado. Este Primeiro de Maio será o grito na garganta de quem produz tudo e não possui nada. Será o dia em que pararemos as fábricas, os transportes, os serviços, as universidades, as escolas e as cozinhas onde se cozinha a obediência.

A exploração não tira férias. Por que nós tiraríamos?

Enquanto o capital acumula lucros sobre nossas costas dobradas, enquanto a fome e o despejo viram rotina, enquanto a polícia mata e o judiciário absolve — nossa resposta será a desobediência organizada. Chega de migalhas. Chega de reformas que não reformam nada. Chega de esperar o “momento certo” que nunca chega.

Nossa arma é a organização de baixo para cima. Comissões de fábrica, núcleos de bairro, coletivos estudantis, grupos de apoio mútuo, ocupações de terras e moradias. Contra o sindicalismo de pelegos, contra o Estado que nos oprime, contra o patrão que nos suga até o osso — a greve geral! O boicote! A sabotagem pacífica à lógica do lucro! A autogestão!

Neste 1º de Maio, a FACA chama todxs a:

– PARAR o trabalho. Se puder, pare. Se não puder, atrase, atrapalhe, desconecte. Toda engrenagem emperrada é uma vitória.
– OCUPAR as ruas, as praças, as portas das empresas. Sem pedir autorização. Sem esperar o sinal verde de quem nunca nos deu liberdade.
– ORGANIZAR assembleias populares nos locais de luta. Decidir coletivamente os próximos passos: da paralisia à paralisação, da paralisação à ocupação, da ocupação à autogestão.
– EXIGIR nada de quem nada nos deu. Tomaremos o que é nosso: o tempo, o pão, a terra, o teto, a alegria.

Abaixo o sistema que transforma nossa força vital em mercadoria!


Abaixo o Estado, o exército, a polícia, os juízes — todos os guardiões da propriedade privada!


Viva a luta anarquista! Viva o Primeiro de Maio como dia de insurreição cotidiana!

Nenhum direito sem luta. Nenhuma luta sem risco. Nenhum futuro sem rebeldia.

Venha com sua bandeira negra e vermelha. Venha com sua máscara, com sua coragem e com seus punhos cerrados. Venha com fome de mudança radical.

1º de Maio de 2026 — em cada cidade do Espírito Santo, em cada esquina, em cada local de trabalho: a FACA estará. E você?

Organize-se agora. Faça contato com a Federação e se informe!

A insurreição é um hábito que precisamos recuperar.

Federação Anarquista Capixaba (FACA) – Nenhum deus, nenhum patrão, nenhum Estado, nenhuma fronteira.
Pela vida digna HOJE.

E-mail: fedca@riseup.net

Federação Anarquista Capixaba – FACA
Federada à União Anarquista Federalista – UAF

federacaocapixaba.noblogs.or

agência de notícias anarquistas-ana

Cai da folha
a gota d’água. Lá longe,
o oceano aguarda.

Yeda Prates Bernis

Mercado da morte, da repressão e da guerra

O Bra$il alcançou um novo patamar no setor de defesa ao registrar R$ 17 bilhões em exportações militares, o maior valor já atingido pelo país. Com um catálogo que reúne 154 empresas e 364 produtos, o governo Lula 3 tenta acelerar negócios e fortalecer a indústria de defesa, ou seja, o mercado da morte, da repressão e da guerra.

Contra uma sociedade que precisa de militarismo, repressão e guerra.

Contra a paz dos governantes.

Contra a normalidade da lógica militarista e capitalista.

Pela revolta social!

Anarquistas Antimilitaristas <

agência de notícias anarquistas-ana

dia muito frio
o vento desalinha
a plumagem do passarinho

João Angelo Salvadori

[México] Jornada Vida, Memória e Liberdade por Mumia Abu-Jamal e em homenagem a Carolina Saldaña, Kuykendall Leal Juan Francisco e Yorch Esquivel

Nesta sexta-feira, 24 de abril, comemoramos os 72 anos de vida do jornalista e ativista social afro-americano Mumia Abu-Jamal e nos unimos ao apelo por sua libertação após 44 anos de prisão injusta, preso político desde 1981 nos Estados Unidos genocidas, que tentam assassiná-lo lentamente por meio de quatro décadas de tortura sistemática, como a privação de atendimento médico, particularmente nestes últimos anos que levaram a uma forte deterioração de sua saúde, à qual ele sobreviveu graças à solidariedade de seu grupo próximo e internacional.

Juntamos a esta celebração a homenagem à vida da nossa querida Carolina Saldaña, a maior impulsionadora da solidariedade com MAJ, graças ao trabalho incansável de traduzir seus textos para o espanhol por cerca de 30 anos e à organização de exibições de documentários e círculos de estudo para divulgar seu caso, bem como ao vínculo que ela criou com lutas sociais como o zapatismo, Atenco, os 43 de Ayotzinapa e presos políticos no México, como os presos de Eloxochitlan em Oaxaca. Caro faleceu no último dia 1º de agosto de 2025 e queremos reconhecer sua trajetória, sua caminhada e a marca que deixou em nossas lutas e em nossos corações com seu exemplo de uma vida indomável. Compartilharemos testemunhos sobre nosso encontro com ela, teremos microfone aberto para quem quiser compartilhar alguma história ou sentimento sobre ela e teremos à venda sua coletânea de traduções “Agosto Negro”.

Faremos também uma homenagem ao nosso companheiro Yorch Esquivel, punk, anarquista e cozinheiro, que faleceu no último dia 9 de dezembro de 2025, vítima do Estado, das autoridades universitárias da UNAM e da negligência das autoridades penitenciárias em relação às suas condições de saúde, conseguindo finalmente emancipar-se do confinamento ilegal em que se encontrava desde 2023. “El Yorch”, como o conhecíamos na banda, estaria comemorando seu aniversário no dia 25 de abril; por isso, homenagearemos sua vida com música e uma intervenção mural.

Consideramos necessário também mencionar, reconhecer e homenagear o Mestre Kuykendall Leal Juan Francisco, dramaturgo, artista performático e fundador do coletivo La Otra Cultura, além de membro ativo do grupo Amigos de Mumia no México, que perdeu a vida durante a repressão daquele sombrio dia 1º de dezembro de 2012, na cerimônia de posse do vergonhoso ex-presidente Enrique Peña Nieto, na qual as forças de segurança atacaram diretamente a população, disparando bombas de gás e balas de borracha, violando os protocolos de uso dessas armas contra manifestações. A companheira, cantora e atriz Eva Palma, compartilhará canções e depoimentos sobre Kuykendall.

Esperamos por vocês na sexta-feira, 24 de abril, na Okupa Che, a partir das 14h, para compartilhar música, uma exposição de arte gráfica dedicada a MAJ, venda de livros, feirinha comunitária e bufê vegano oferecido pela cozinha autogerida da Okupa Che.

Na música:

– Cantos cerimonias / – ⁠Adrixx Migrax, danza-poesía / – Eva Palma / – ⁠José Riaza y Las Chicas del Penal / – ⁠Carimbo / – ⁠Marcos Ik / – ⁠Luna Negra / – ⁠Polyester Kat / – ⁠Van T / – ⁠Ras Levy

Intervenções:

– Exposição gráfica dedicada a MAJ / – Mural de Tania Cacomixtle dedicado a Yorch Esquivel / – Microfone aberto com depoimentos sobre Caro Saldaña / – Leitura de textos atuais sobre MAJ / – Feirinha solidária / – Buffet vegano da cantina autogerida da Okupa Che

Okupa Che

Facultad de Filosofía y Letras

CU UNAM (Insurgentes, Metro Copilco)

14-20 horas

Entrada livre

agência de notícias anarquistas-ana

Angelus. Dedos da brisa
nas teclas das folhas
adormecem os pássaros.

Yeda Prates Bernis

[EUA] Preso anarquista Malik Muhammad transferido de Oregon para a Carolina do Sul em rara transferência interestadual

Nota da administração: Malik Muhammad é uma pessoa presa oriunda da revolta de 2020 em Portland.
 
Depois de mais de uma semana sem nenhuma resposta, finalmente conseguimos localizar nosso querido amigo Malik. Não recebemos nenhuma informação do ODOC, do BOP nem de qualquer outro DOC. A única razão pela qual conseguimos encontrá-los foi porque puderam enviar uma carta. Eles ainda não conseguiram fazer uma ligação para seu advogado.
 
Malik está atualmente sob custódia na Carolina do Sul. O ODOC escolheu enviá-los para o mais longe possível de seu advogado e de sua base de apoio, para outro sistema carcerário estadual no extremo oposto do país. Trata-se de uma tentativa flagrante de isolar Malik e desarticular sua rede de apoio. Transferir uma pessoa presa de um sistema estadual para outro dessa forma é algo altamente incomum e representa uma escalada alarmante.
 
No pouco tempo em que está na Carolina do Sul, Malik já sofreu maus-tratos horríveis. O SCDC cortou seu cabelo e o forçou a ficar em uma cela superlotada, onde precisa dormir no chão. Neste momento, está detido no Kirkland Reception and Evaluation Center, uma unidade provisória, e não têm ideia de quanto tempo permanecerá ali antes de ser transferido para outro lugar. Algumas pessoas presas ficam ali por muitos e muitos meses, com acesso extremamente limitado a coisas básicas como banho e comunicação. A vida numa unidade provisória é, em muitos aspectos, tão ruim quanto ou pior que o isolamento, já que as pessoas presas não têm pertences, não têm acesso a atividades programadas e têm poucas chances de sair das celas. Sabemos, pelo relato de Casey Goonan sobre seu recente e prolongado período provisório em Mendoza, o quanto esse tempo pode cobrar um preço devastador. Não sabemos por quanto tempo Malik permanecerá no local atual, mas esperamos que não seja por muito tempo.
 
A recente escalada no tratamento dado a Malik ocorre num momento em que o Estado intensificou dramaticamente a repressão contra antifascistas. Faz apenas algumas semanas que o veredito do primeiro caso judicial de Prairieland mostrou que o Estado usará tortura, intimidação e mentiras descaradas para impor sua vontade quando se trata de reprimir o antifascismo e avançar sua agenda de “pânico antifa”. A remoção de Malik para a Carolina do Sul é mais um exemplo de o Estado persegui-los por sua identidade e por sua política antifascista.
 
Malik recebe apenas dois envelopes por mês e, no momento, não tem outro acesso a meios de comunicação, mas você ainda pode escrever para demonstrar seu apoio. Por favor, escreva:
 
Malik F Muhammed #400523
Kirkland Reception and Evaluation Center A1-50
4344 Broad River Road
Columbia, SC 29210 – EUA
 
Tradução > Contrafatual
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/03/20/eua-amar-e-resistir/
 
Agência de notícias anarquistas-ana
 
cai, riscando um leve
traço dourado no azul
uma flor de ipê!
 
Hidekazu Masuda

[Campinas-SP] Foucault, a História e as heterotopias libertárias: a autogestão na Revolução Espanhola

23 de abril de 2026 | das 10h às 18h, no IFCH da UNICAMP | Auditório Fausto Castilho

10:00 às 12:00 – Roda de conversa: Foucault, a História e a Revolução Espanhola

Coord: Varlei Couto e Gabriela Trevisan

Aldo Ambrózio: “Maurício Tragtenberg e a ideia de autogestão”

Thiago Lemos: “O Romancero de Mujeres Libres, de Lucía Sánchez Saornil”

Edson Passetti

14:00 às 18:00 – Roda de conversa: a autogestão na Revolução Espanhola

Coord: Carol Ramkrapes e Margareth Rago

Gustavo Vieira: “O Cinema na Revolução Espanhola”

Antônio Rago: “Autogestão na Revolução Espanhola”

José Alves de Freitas Neto: “A História e a crítica do presente”

Márcio Alves da Fonseca

Realização:

Centro de Estudos Foucaultianos, Gênero e História das Subjetividades (IFCH-UNICAMP)

Nu-Sol (Núcleo de Sociabilidade Libertária)

Grupo de Pesquisa Michel Foucault (PUC-SP/CNPq)

Núcleo de Estudos de História: Trabalho, Ideologia e Poder (NEHTIPO/PUC-SP)

agência de notícias anarquistas-ana

Choveu há pouco –
O sol baixa das nuvens
Finas cortinas de névoa.

Paulo Franchetti

[EUA] Por que nossa bandeira é preta?

Howard J. Ehrlich escreve em Reinventing Anarchy: 

“Por que nossa bandeira é preta? O preto é um tom de negação. A bandeira preta é a negação de todas as bandeiras. Trata-se da negação da nacionalidade que coloca a raça humana contra si mesma e nega a unidade de toda a humanidade. O preto é um estado de raiva e indignação para todos os crimes hediondos contra os seres humanos, crimes perpetrados em nome da aliança a um ou outro estado. Trata-se da raiva e da indignação aos insultos a inteligência humana, insultos implícitos nas pretensões, hipocrisias, e artimanhas baratas de governos… O preto também é a cor do luto; a bandeira preta que anula a nação é a mesma que lamenta por suas vítimas, incontáveis milhões assassinados em guerras, externas e internas, para a glória maior e a estabilidade de algum tipo de estado sangrento. Lamenta por aqueles cujo trabalho é roubado (taxado) para pagar o abate e a opressão de outros seres humanos.

Lamenta não somente pela morte carnal, mas também pela paralisação do espírito perante sistemas autoritários e hierárquicos. Lamenta os milhões de neurônios apagados sem nunca terem tido a chance de iluminar o mundo. É a cor do luto inconsolável.

Mas preto também é bonito. É a cor da determinação, da resolução, da força, uma cor pela qual todas as outras são clarificadas e definidas. Preto é o entorno misterioso da germinação, da fertilidade, a área de reprodução de nova vida que sempre evolui, se renova, atualiza, e reproduz a si mesma na escuridão. A semente escondida na terra, a jornada estranha do esperma, o crescimento secreto do embrião no útero. Tudo isso a escuridão da cor preta envolve e protege.

Então o preto é negação, é raiva, é indignação, é lamentação, é beleza, é esperança, é o acolhimento e a proteção de novas formas de vida e relacionamento humanos nesta terra. A bandeira preta significa todas essas coisas. Temos orgulho de carregá-la, lamentamos precisar fazer isso, e aguardamos ansiosamente pelo dia em que tal símbolo não seja mais necessário.”

Tradução > Núcleo de Traduções Libertárias Ferrer y Guardia (NTLFG)

agência de notícias anarquistas-ana

Sabiá quieto.
O silêncio da tarde
Pousa na antena.

Camila Jabur

[Grécia] Pôster | A guerra está em toda parte, o nosso inimigo está aqui…

A GUERRA ESTÁ EM TODA PARTE

Na Palestina, no Irã, na Síria, no Líbano, na Ucrânia, na América Latina, na África Subsaariana

O NOSSO INIMIGO ESTÁ AQUI…

No Estado grego e em suas alianças, em sua participação ativa e apoio aos conflitos bélicos, nas instalações militares gregas e aliadas, na indústria bélica, no nacionalismo, no racismo e no patriarcado, no famoso desenvolvimento nacional, nas expulsões, nos assassinatos por parte dos patrões, nas balas disparadas à toa pelos policiais, na NORMALIDADE DISTÓPICA que nos impõem.

…ou seja, em tudo o que odiamos desde crianças: o Estado e os patrões

conflito com o totalitarismo moderno

pela libertação social

Espaço Anarquista Ypokentro

ypokentro@espiv.net

ypokentro.espivblogs.net

Arachovis 42, Exarchia

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Em uma flor,
A joaninha pousa
Colorindo o jardim

Vanessa Kaori V. Uechi

Pânico anarquista e o Estado grego

Por Neil Middleton

A expansão contínua e a implementação cada vez mais absurda das leis antiterroristas são uma realidade compartilhada em muitos países. Chegamos a um ponto em que qualquer pessoa que proteste ou faça campanha por um mundo melhor sabe que leis antiterroristas podem ser acionadas a qualquer momento. A questão de como responder a isso, então, é mais urgente do que nunca.

Aqui veremos como o movimento anarquista respondeu durante um dos momentos-chave de tensão da Europa do século XXI: a década em que a Grécia esteve no centro da crise capitalista. Durante os anos da crise, dezenas de anarquistas e antiautoritários foram acusados e, muitas vezes, condenados sob leis antiterroristas. Embora isso não pudesse ser combatido diretamente, o movimento na Grécia conseguiu devolver essa repressão ao Estado ao se mobilizar em torno dos prisioneiros. Devido às ações do movimento, uma tentativa do Estado de afirmar controle acabou por enfraquecê-lo e aumentar as tensões.

As leis antiterroristas chegaram relativamente tarde à Grécia, com um artigo específico sendo adicionado ao código penal apenas em 2001. Tratava-se do que se tornaria o infame Artigo 187A, que definia terrorismo como uma circunstância agravante de qualquer crime que potencialmente minasse a ordem pública. A definição, do ponto de vista do Estado, é convenientemente vaga, criando a possibilidade de que qualquer ação considerada ameaçadora ao Estado, ou mesmo a qualquer organização internacional, possa ser enquadrada com penalidades adicionais e maiores poderes policiais.

O potencial de abuso dessa vagueza foi amplamente demonstrado. Não apenas o alvo principal, os grupos guerrilheiros anarquistas, foi afetado, como a ameaça pairou também sobre ativistas ambientais que faziam campanha contra a mineração de ouro em Skouries, e sobre membros do coletivo anarquista Rouvikonas por causa de uma postagem em rede social. O que aumenta ainda mais a utilidade do antiterrorismo para o Estado são as atividades potencialmente cobertas pelo Artigo 187A. Longe de abranger apenas atos especialmente violentos, tanto crimes graves quanto delitos menores podem ser considerados atos de terrorismo. O incitamento a tais atos também é abrangido, assim como o fornecimento de qualquer apoio a pessoas supostamente integrantes de um grupo terrorista, com outras leis sobre “financiamento do terrorismo” sendo introduzidas durante a crise. Casos envolvendo anarquistas frequentemente giravam em torno da questão de saber se era possível rotular indivíduos como dirigentes de uma organização terrorista, o que acrescentaria penalidades extras.

O antiterrorismo também traz poderes policiais adicionais e cobertura midiática ampliada. A polícia tem permissão para usar testemunhas anônimas e frequentemente o fez em casos contra anarquistas. A prisão preventiva para suspeitos de terrorismo foi elevada até e além do limite legal de 18 meses, prática muitas vezes justificada pelo surgimento oportuno de acusações adicionais quando um período de detenção se aproximava do seu limite. À medida que os casos contra anarquistas se acumulavam ao longo da década, muitos passaram a se ver envolvidos simultaneamente em múltiplos processos com acusações sobrepostas. Era até possível acusar alguém por ações que teriam ocorrido fora da prisão enquanto essa pessoa já estava encarcerada. Pessoas foram condenadas com base em provas extremamente frágeis. Tasos Theofilou foi preso injustamente por anos com base em DNA falho, enquanto Irianna foi condenada devido a DNA contestado e ao seu relacionamento com um anarquista que já havia sido julgado, mas declarado inocente.

Quando a crise política começou na Grécia, após a revolta de dezembro de 2008, houve um aumento das ações de grupos guerrilheiros anarquistas e antiautoritários, que atacavam infraestrutura financeira, polícia e instituições estatais. A resposta do Estado foi uma campanha jurídica que começou com as primeiras prisões em 2009 e, em alguns casos, continua até hoje. Em seu auge, em meados e no final da década de 2010, dezenas de guerrilheiros suspeitos ou autodeclarados foram julgados e presos. A ambição do Estado não era apenas atingir aqueles que haviam pegado em armas contra ele, ou que se acreditava terem feito isso, mas atingir o máximo possível do espaço anarquista e antiautoritário. A vagueza dos artigos antiterroristas permitiu visar familiares, conhecidos e camaradas de supostos guerrilheiros.

Não havia disposição para contestar as leis antiterroristas no parlamento. Partidos de esquerda chegaram a questionar governos de direita sobre o tratamento dado aos prisioneiros e a levantar questões sobre os abusos de poder mais evidentes, mas não havia esperança de nada além disso. Embora os governos socialistas dos anos 1980 tenham revogado leis antiterroristas anteriores em meio a um alto grau de simpatia pública por grupos guerrilheiros marxistas, desde então as atitudes parlamentares mudaram. Anarquistas e antiautoritários incluíam a revogação dessas leis em listas de reivindicações, mas poucos esperavam algum avanço.

O que anarquistas e antiautoritários conseguiram fazer foi devolver ao Estado parte da pressão exercida por ele, ao se mobilizarem em torno dos prisioneiros. Na Grécia, isso tomou a forma de apoio nas ruas às campanhas de greve de fome dos prisioneiros. A greve de fome é uma tática frequente na Grécia, e o movimento do lado de fora a apoiava por meio de uma série crescente de protestos, motins e ações diretas. Em alguns momentos, essas campanhas atingiram picos significativos, com as maiores campanhas do período da crise ocorrendo no verão de 2013, em novembro/dezembro de 2014 e na primavera de 2015. Cada uma dessas campanhas ganhou uma importância que ultrapassou o movimento anarquista, pois desempenhou um papel no período de agitação social.

A campanha do verão de 2013 em apoio a Kostas Sakkas, cuja prisão preventiva estava sendo estendida para além do limite máximo de 18 meses, contribuiu para uma onda de protestos. O governo da época tentava vender a narrativa de um suposto sucesso, segundo a qual a crise estaria chegando ao fim mais cedo. Outra onda de protestos antiausteridade e de solidariedade a Sakkas arruinou essa narrativa.

A campanha do fim de 2014, em solidariedade a Nikos Romanos e à sua reivindicação do direito à saída para fins educacionais, pôs fim a um período de estagnação nas ruas e brevemente reenergizou o movimento num momento em que o governo estava em lento colapso.

A campanha da primavera de 2015 tinha motivações diversas. Para alguns, foi uma resposta à prisão e à possível acusação de familiares de guerrilheiros presos. Para um grupo de prisioneiros, foi uma tentativa de capitalizar o impulso do outono anterior e motivar o movimento externo a se mobilizar contra as negociações do novo governo, liderado pela esquerda, em favor de mais austeridade. Dos três exemplos, os de 2013 e 2014 atingiram seus objetivos e ameaçaram gerar uma agitação social mais ampla. A campanha de 2015 foi apenas parcialmente bem-sucedida e, infelizmente, expôs divisões dentro do movimento, pois houve queda no nível de participação.

Os anarquistas nunca conseguiram contestar diretamente as leis antiterroristas, mas foram capazes de reagir contra aspectos de sua implementação e de transformar um método de controle social em uma possível centelha de agitação. Em momentos em que os movimentos sociais têm dificuldade de responder, o Estado sempre buscará ampliar o alcance do seu controle, sendo o antiterrorismo a espada. No entanto, quando é possível montar uma resposta forte e sustentada, essa espada pode se tornar de dois gumes.

Everything Continues: A History of the Crisis in Greece 2008-2018 deve ser lançado em breve.

Imagem: estudantes anarquistas marcham em Atenas em 6 de dezembro de 2013, para marcar o assassinato de Alexis Grigoropoulos pela polícia.

Este artigo apareceu pela primeira vez na edição de inverno de 2025/26 da Freedom Journal.

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2026/03/22/anarchist-panic-and-the-greek-state

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Na casuarina
aves, só um trinado.
O gato espia.

José Roberto Magatti

[Espanha] Lançamento: “Anarquismo y cambio social. Insurreccionalismo, sindicalismo, educacionismo-realizador”, de Gaetano Manfredonia

A obra busca contribuir ao debate sobre o anarquismo e sua memória. Não é tanto história das ideias ou história política ‘clássica’, mas sobretudo, das práticas das e dos anarquistas. Destaca assim a pluralidade e heterogeneidade de um anarquismo cuja riqueza se viu muitas vezes relegada a alguma de suas manifestações. O autor nos propõe três tipos ideais e uma reinterpretação da história que pode dotar-nos de um marco analítico mais complexo. Não é pois uma história do anarquismo fechada sobre si mesma – nas quais aparece o resto de socialismos só como contraponto -, mas uma sequência não unívoca nem fechada para repensar a história também do socialismo e do movimento obreiro europeu, desde os últimos dias da Revolução Francesa até princípios do S.XX.

Anarquismo y cambio social. Insurreccionalismo, sindicalismo, educacionismo-realizador

Gaetano Manfredonia

Editorial: Sueños de sabotaje

ISBN: 9788412441758

432 págs.

Precio 19,00 €

Año: 2026

viruseditorial.net

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Longa chuvarada…
Nos matos e nas lagoas,
um canto de vida.

Humberto del Maestro

[Grécia] Comunicado de imprensa da equipe médica que monitora o grevista de fome Aristóteles Hatzis, 15/04

Do Grupo de Médicos Solidários e da Estrutura de Saúde da Comunidade Ocupada de Prosfygika:
 
COMUNICADO DE IMPRENSA (15/04/2026) DA EQUIPE MÉDICA QUE ACOMPANHA O ESTADO DE SAÚDE DO GREVISTA DE FOME ARISTÓTELES HATZIS, EM GREVE DE FOME DESDE 05 DE FEVEREIRO DE 2026.
 
Aristóteles Hatzis, que está no 70º dia de greve de fome, apresenta baixo nível de ureia sérica, hiperuricemia e hipoglicemia sintomática em exames de sangue, achados compatíveis com inanição. Clinicamente, observa-se dormência nas extremidades e reflexos tendinosos lentos, decorrentes de desnutrição e atrofia muscular. Em 03/04/2026, ele foi transferido para o pronto-socorro do hospital “G. Gennimatas” após um episódio de desmaio.
 
Desde as primeiras semanas da greve de fome, ele vem apresentando episódios cada vez mais graves de hipotensão ortostática, mal-estar com fadiga e taquicardia ao se levantar, enquanto alterações eletrocardiográficas persistentes que predispõem a arritmias fatais são observadas diariamente.
 
Ele já está no 70º dia de greve de fome e está extremamente magro, pesando 47,9 quilos e tendo perdido um total de 26,3% do seu peso corporal original.
 
O grevista de fome corre, a cada 24 horas que passam, um risco cardiovascular e metabólico cada vez maior, com complicações iminentes e perigosas para sua vida.
 
Suas reivindicações expressam as demandas coletivas da Comunidade.
 
1) O cancelamento imediato do contrato pela região da Ática
2) Que todos os moradores de Prosfygika permaneçam em suas casas, no local e na área onde vivem e estabeleceram laços sociais, culturais e orgânicos
3) Garantias concretas para a restauração de Prosfygika pela sociedade civil sem fins lucrativos “Katoikoi kai Filoi Prosfygikon L. Alexandras”, com autofinanciamento! – Nada de fundos públicos para a “requalificação” de Prosfygika!
 
O grevista de fome afirma que não pretende interromper o jejum, apesar dos riscos para sua saúde, até que suas reivindicações sejam atendidas.
 
Após 70 dias de greve de fome e considerando a deterioração constante e crescente de seu estado de saúde, a responsabilidade por qualquer complicação ou mesmo óbito recai sobre as partes envolvidas no contrato, com predominância da Região da Ática.
 
O encobrimento da greve de fome pela maioria dos meios de comunicação, bem como o silêncio criminoso do governo, das forças políticas parlamentares e dos órgãos competentes, são cúmplices em levar o grevista à morte.
 
Como profissionais de saúde, convocamos todos a se mobilizarem imediatamente e resistirem até que as reivindicações da greve de fome sejam atendidas.
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/04/16/grecia-apoie-e-participe-da-defesa-da-comunidade-ocupada-de-prosfygika-em-atenas-e-da-restauracao-auto-organizada-do-bairro/
 
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Quase escondida
entre a casca e o tronco
teia de aranha.
 
Rodrigo de Almeida Siqueira

[Espanha] 14ª Feira do Livro Anarquista de Valência

A Feira do Livro Anarquista de Valência constitui um espaço de encontro que oferece a oportunidade de fortalecer velhas amizades e estabelecer novos contatos, fazer uma retrospectiva das lutas e dos movimentos sociais, debater novas estratégias para derrubar o capitalismo e o patriarcado e, em última análise, preparar a futura revolução. É também uma das faces públicas do anarquismo em Valência e arredores. Qualquer pessoa que não esteja familiarizada com as ideias anarquistas ou que tenha interesse em aprofundar o tema pode se aproximar, folhear os livros nas barracas, ouvir e participar das palestras, shows, oficinas e debates ou simplesmente conversar com as pessoas ao seu redor.
 
14ª Feira do Livro Anarquista de Valência
20 a 26 de abril de 2026
El Punt, Espai de Lliure Aprenentatge (c/Josep Esteve, 46)
Valência, Espanha
 
>> Confira a programação aqui:
 
https://mostrallibreanarquista.wordpress.com/programacio-mostra-2026/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
ontem à noite
sonhei de corpo inteiro
— acordei com teu cheiro
 
Alonso Alvarez

[Rio de Janeiro-RJ] 1º de Maio: Inauguração da base da ATB na Maré

No próximo 1º de Maio, às 16h, convidamos todas e todos para a inauguração da base da ATB na Maré — um momento de encontro, construção coletiva e fortalecimento das lutas dos trabalhadores e trabalhadoras.
 
A ATB (Associação de Trabalhadores de Base) abre as portas da sua nova base no Espaço Caetés, Praça Caetés 11, no Morro do Timbau (Maré/RJ), reafirmando o compromisso com a organização popular, a solidariedade de classe e a transformação social.
 
1º de Maio é dia de luta!
 
E nada melhor do que marcar essa data com a construção de mais um ponto de resistência e articulação no território.
 
Local: Espaço Caetés 11 – Morro do Timbau, Maré
Data: 1º de Maio
Horário: 16h
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/05/20/buscamos-nos-organizar-a-partir-de-nossas-tradicoes-populares-antiautoritarias/
 
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quem consegue dormir
com a lua de outono
rondando a janela?
 
Maria Marta Nardi

[Porto Alegre-RS] 21/04 – Não foi descobrimento! – A invasão portuguesa e a resistência indígena ao colonialismo

Dia 22 de abril de 1500 invasores portugueses chegaram nestas terras e deram início a um projeto de genocídio dos povos indígenas, de exploração predatória e de saque de tudo que considerassem ter algum valor. Esse projeto continua até hoje sob o nome de Brasil.

526 anos depois do início dessa invasão, convidamos a todys a celebrar aquelas pessoas que até hoje resistem e combatem esse projeto colonial. Terça, dia 21 de abril, vamos receber no Esp(a)ço Iracema Gah Té para uma conversa, liderança da Retomada Multiétnica Gah Ré que vem dando exemplo na resistência contra os avanços do capital imobiliário sobre o Morro Santana. Após, teremos apresentação musical de Murillo Munìí. Teremos também exibição de vídeos.

As portas do Esp(a)ço abrem às 15h. A atividade começa às 16h.

O Esp(a)ço fica na Rua Barros Cassal, 316, no Centro de Porto Alegre.

Atenção: Para garantir o conforto e segurança de todas as pessoas presentes, pedimos que se você possuir histórico ou denúncia por reproduzir comportamento abusivo ou opressivo, assédio, abuso ou outro tipo de violência, por favor, entre em contato conosco pelo nosso email ou redes sociais antes de comparecer. Não fazer isso é não se responsabilizar por suas ações e será solicitado que se retire.

agência de notícias anarquistas-ana

Na velha roseira,
entre as folhas e os espinhos,
uma aranha tece.

Humberto del Maestro

[País Basco] Uma marcha ciclista reivindica a conversão da indústria bélica em civil,

Uma marcha ciclista que partiu de Bilbao, impulsionada por coletivos antimilitaristas, ecologistas e internacionalistas, censurou neste sábado (11/04) os gastos militares e reivindicou a conversão da indústria armamentista em civil.

A conversão da indústria bélica em civil é o que reivindicou neste sábado uma marcha ciclista convocada pela coordenadora antimilitarista Kakitzat, que partiu do Palácio Foral da Diputação de Bizkaia e seguiu até as empresas ITP Aero, em Barakaldo, e SENER, em Getxo, ponto final do percurso.

Os organizadores denunciaram que “o Governo Basco aprovou este ano subsidiar com milhões de euros as empresas de armas bascas”, que “mantêm relações com as principais indústrias militares de Israel: Rafael, Elbit, Israel Aerospace Industries (IAI) na fabricação conjunta de diversos programas de armas, especialmente aeronáuticos e de mísseis”.

Segundo indicaram, o setor da indústria militar na CAV (Comunidade Autônoma Basca) é composto por 206 empresas e gera um faturamento anual de 6 bilhões de euros, situando-se como a terceira comunidade autônoma do Estado em produção, atrás de Madri e Andaluzia.

Durante a marcha, os participantes se concentraram em frente à ITP Aero, empresa que fabrica componentes para o avião de transporte militar Airbus A400M e para o caça europeu Eurofighter, e que registrou um faturamento de 1,882 bilhão de euros com um aumento de lucro de 28%, segundo denunciaram os convocantes.

O percurso concluiu em frente à SENER, que, conforme criticaram, é “a segunda empresa do Estado espanhol no setor de ‘mísseis’, a sexta no setor ‘aeroespacial’ militar e a décima segunda no segmento de armamento”.

Por fim, reivindicaram a conversão da indústria militar em civil e deram como exemplo o caso da Orbea, “a empresa que antigamente se dedicava à fabricação de pistolas, revólveres e todo tipo de armas curtas que ceifaram vidas” e que “atualmente fabrica bicicletas, promovendo um estilo de vida saudável e amigável ao meio ambiente”.

Fonte: https://www.naiz.eus/es/info/noticia/20260411/una-marcha-ciclista-reclama-la-conversion-de-la-industria-armamentistica-en-civil

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

as vozes da chuva
emudecem
as cigarras

Paladino

[Grécia] Apoie e participe da defesa da Comunidade Ocupada de Prosfygika em Atenas e da restauração auto-organizada do bairro

 

No coração de Atenas, a Comunidade Ocupada de Prosfygika acolheu, abrigou, alimentou e apoiou milhares de pessoas nos últimos 15 anos. É um dos maiores bairros auto-organizados e libertados da Europa.
 
A Comunidade está se tornando mais forte, mas a repressão também. Atualmente, Prosfygika está sob ameaça de ataque e despejo. Na última década, esta é a quinta vez que o Estado e a região tentam despejar e saquear Prosfygika. Desta vez, a ameaça parece ser a mais séria e está prestes a ser executada imediatamente.
 
Ao longo do último ano, a comunidade já anunciou publicamente que dará continuidade à restauração e renovação dos edifícios históricos, financiadas e organizadas de forma autônoma. Este projeto está sendo realizado com a participação e o apoio de arquitetos, engenheiros civis e outros especialistas técnicos.
 
Cada fachada restaurada, cada janela reparada e cada varanda contribuem para a defesa e o futuro de toda a comunidade e, portanto, também para o modo de vida comunitário que ela oferece.
 
Por isso, nosso companheiro Aristotelis Chantzis decidiu, em 5 de fevereiro de 2026, iniciar uma greve de fome até a morte em defesa da vida. Suas reivindicações são:
 
1) O cancelamento imediato do contrato pela região da Ática
2) Que todos os moradores de Prosfygika permaneçam em suas casas, no local e na área onde vivem e estabeleceram laços sociais, culturais e orgânicos
3) Garantias concretas para a restauração de Prosfygika pela sociedade civil sem fins lucrativos “Katoikoi kai Filoi Prosfygikon L. Alexandras”, com autofinanciamento! – Nada de fundos públicos para a “requalificação” de Prosfygika!
 
No dia 1º de maio, outro camarada iniciará sua greve de fome até a morte.
 
Convocamos todos os internacionalistas e defensores da vida a apoiar e participar da defesa da comunidade, seja vindo a Atenas, participando de nossa campanha internacionalista #saveprosfygika ou por meio de outras formas de ação.
 
Pedimos a todos que nos ajudem com este apelo por doações para colocar em prática o plano de autodefesa social!
 
Nossa resposta à repressão é a criação
Ou venceremos, ou venceremos
 
>> Para apoiar financeiramente a Comunidade Ocupada de Prosfygika, clique aqui:
 
https://www.firefund.net/saveprosfygika
 
Conteúdos relacionados:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/04/01/grecia-acoes-em-solidariedade-a-prosfygika/
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/03/13/grecia-atenas-solidariedade-com-a-comunidade-de-refugiados-ocupada/
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/02/20/grecia-greve-de-fome-ate-a-morte-em-defesa-da-vida/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Limpo o rosto na camisa –
O vento começa a trazer
As primeiras gotas de chuva
 
Paulo Franchetti

[Espanha] 1º de Maio anarcossindicalista frente à extrema direita e as guerras do capitalismo.

Este 1º de maio de 2026 completam 90 anos da Revolução Social de 1936. Referência da luta da classe obreira antifascista e libertária, que construiu uma realidade de transformação social e de liberdade. Ainda hoje nos serve de exemplo na luta diária contra o capitalismo.

Em um contexto global de guerra e desumanização, que caminha pela mão do crescimento do fascismo da extrema direita internacional, vemos como a apropriação pela força dos recursos e territórios alheios nos retrocedam às políticas belicistas de princípios do Século XX. Estando hoje mais próximo do que nunca de uma nova “guerra mundial” e um desastre nuclear. As elites econômicas e o governo dos EUA retrocedem aos tempos da doutrina Monroe, ameaçando a todo o continente americano. E, junto com o Estado sionista de Israel, rompem as escassas normas do Direito internacional, provocam deslocamento de milhões de pessoas, destroem infraestruturas de todo tipo, massacram populações indefesas, bombardeiam escolas, hospitais… Provocando um Genocídio na Palestina e estendendo a morte e a destruição no Líbano, Irã e todo Oriente Médio.

Não esquecemos os povos do Curdistão, Ucrânia, Sudão, o Saara e tantos outros lugares que sofrem guerras e extermínio por estados belicistas. Uma pequena elite capitalista tomou o controle da população mundial, mediante a manipulação, o engano, a ameaça e a violência. Violando os direitos humanos e sociais da classe trabalhadora e da população em geral. Atacando a coletivos por motivos ideológicos: ecologistas, pessoas migrantes, racializadas, feministas, trans ou qualquer pessoa diferente.

Desde a Confederação Geral do Trabalho, como organização combativa e anarcossindicalista, impulsionamos a unidade de classe e o encontro do antifascismo e do antimilitarismo. Sem esta unidade de ação não poderemos fazer frente a este capitalismo selvagem que nos ameaça e divide.

A CGT é a organização que mais lutas e greves promove em todo o Estado. Combatemos a perda do poder salarial pela subida dos preços, a precariedade no emprego, a sinistralidade no trabalho, a diferença salarial das mulheres, a privatização de todos os serviços públicos, a destruição do meio ambiente e os gastos militares.

  • Defendemos a redução da jornada laboral a 30 horas.
  • Defendemos umas pensões públicas dignas e sem diferença salarial. Denunciamos sua privatização.
  • Defendemos o direito a uma moradia digna para todas as pessoas.
  • Defendemos o direito de regularização de pessoas migrantes, uma das populações mais discriminadas junto a outros grupos racializados.
  • A CGT não esquece este 1º de maio o aumento da violência de gênero sofrida pelas mulheres e seus descendentes. Exigimos o fim desta praga e da sociedade patriarcal.
  • A CGT aposta pela luta em nossos centros de trabalho e nas ruas. Só mediante a organização e o apoio mútuo conseguiremos varrer as desigualdades que nos impõe o capitalismo e o patriarcado.

FRENTE A EXTREMA DIREITA: ORGANIZAÇÃO E LUTA
FRENTE AO IMPERIALISMO: UNIDADE DA CLASSE OBREIRA E ANARCOSSINDICALISMO

Secretariado Permanente Comitê Confederal CGT

cgt.es

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deu no jornal:
economia vai bem
o povo vai mal

Carlos Seabra