[Bélgica] A 22ª edição da Feira do Livro Anarquista de Ghent

O mundo da autoridade está mostrando sua face mais horrenda. É um tempo da mais crua política de poder, da pilhagem desenfreada da terra, da subjugação da vida à tecnologia, à digitalização e à eficiência econômica. Somos confrontados com a expressão máxima da brutalidade estatal: militarização universal e guerra.

Em vez de recuar por medo ou derrota, ou de escolher o mal menor, abraçamos plenamente nossas ideias anarquistas e nossa ética antiautoritária. Nada de se ajoelhar diante da política e do compromisso, mas sim a busca por nossas possibilidades de luta autônoma, tendo o desejo de liberdade como bússola. Em um mundo onde a violência estatal e o autoritarismo se espalham, nosso encontro de resistência analógica e solidariedade é mais necessário do que nunca.

Na Feira do Livro Anarquista, você encontrará uma ampla e diversa variedade de livros, publicações, camisetas, pôsteres e adesivos. Vasculhe romances antigos, clássicos revolucionários e novas edições de várias distribuidoras. De obras filosóficas a propostas de luta.

A Feira do Livro é mais do que apenas um lugar para satisfazer o impulso de colecionar livros. É um espaço de troca e discussão, onde ideias, indivíduos e coletivos podem se encontrar e se reconhecer por afinidade. Dessa forma, a Feira do Livro se torna um espaço onde chamados à luta, por meio de discussões e encontros informais, encontram nova inspiração e impulso.

Bem-vinda nos dias 9 e 10 de maio de 2026 na Feira do Livro. Até lá, viva a anarquia!

Contato: abgent(A)riseup.net


A Feira do Livro funciona apenas com dinheiro em espécie, a entrada é gratuita.

abgent.noblogs.org

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

no olho da calma
o silêncio do encontro…
momento preciso

Gustavo Terra

[Espanha] CNT-AIT no Primeiro de Maio em Cádiz

A Anarcossindical de Cádiz junto às companheiras e companheiros da CNT-AIT de Huelva, Algeciras e Chiclana, participamos na manifestação que saía da rotatória de San Severiano e que percorreu os bairros obreiros de San Severiano, Guillén Moreno, Segunda Aguada, para finalizar no Cerro del Moro.

Foram entoados lemas reivindicando a Saúde pública e o direito à moradia, assim como em apoio aos companheiros Balber e Galván, que completam mais de três semanas içados pelo guindaste de Navantia San Fernando, reivindicando um posto de trabalho e em luta contra as listas negras.

Como sempre, recordamos neste dia de luta, a origem histórica do 1º de Maio onde companheiros anarquistas foram executados nos Estados Unidos por participar nas jornadas de luta pela conquista da jornada laboral de oito horas, após a greve iniciada em 1° de maio de 1886 e seu ponto alto três dias mais tarde, em 4 de maio, na Revolta de Haymarket.

A repressão que se desatou buscava impedir que as e os trabalhadores alcançassem suas reivindicações e, sobretudo, frear o avanço que as ideias anarquistas estavam experimentando no seio da classe obreira e de seu expoente organizativo: a Associação Internacional das e dos Trabalhadores.

Denunciamos neste dia reivindicativo, que o Fascismo e o Capital, são faces de uma mesma moeda, aos quais não vamos discutir, mas destruir, ao fazer-lhes frente, com as ferramentas de luta que dispomos os anarcossindicalistas e anarquistas da CNT-AIT.

Contra eles. Contra todos os Estados. Contra todas as guerras. Contra o fascismo e o Capital: o Anarcossindicalismo da CNT-AIT.

CNT-AIT de Cádiz

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Sempre perseguido
o grilo fica tranqüilo
cantando escondido.

Luiz Bacellar

Novidade editorial: “História do anarquismo na ditadura militar brasileira (1964–1985)”, de Rafael Viana da Silva

Este livro discute a presença e a atividade anarquista durante a ditadura militar brasileira (1964-1985), um período ainda pouco estudado na história do anarquismo no Brasil. A partir da análise de diferentes fontes documentais — jornais, cartas, entrevistas e outros materiais —, o autor resgata a presença e a militância política dos anarquistas nesses anos, situando-as em um contexto marcado pela modernização capitalista, pelo autoritarismo estatal e pela emergência de novos sujeitos sociais e políticos.

A obra acompanha as discussões nacionais e transnacionais do anarquismo brasileiro diante do golpe militar de 1964, bem como a inserção dos anarquistas no movimento estudantil e a repressão que atingiu dezenas deles, levando-os a uma condição generalizada de semiclandestinidade. Com a distensão política, ela analisa o processo de reorganização pública e de reinserção dos anarquistas nas atividades do movimento estudantil, do movimento comunitário e do movimento sindical, além das polêmicas que atravessaram seus jornais.

Enfim, História do anarquismo na ditadura militar brasileira (1964– 1985) constitui uma referência indispensável para todos aqueles que buscam compreender mais profundamente não apenas o regime militar brasileiro e o anarquismo em geral, mas, sobretudo, a presença e a atuação do anarquismo nesse contexto ditatorial.

SUMÁRIO:

APRESENTAÇÃO A 1ª EDIÇÃO

INTRODUÇÃO

FONTES, HISTORIOGRAFIA, TEORIA E METODOLOGIA

Debate historiográfico

Teoria e Metodologia

CAPÍTULO I

OS DILEMAS DO ANARQUISMO NO BRASIL (1959-1964)

1.1 O anarquismo nas décadas de 40 e 50 no Brasil

CAPÍTULO II

O ANARQUISMO NA DITADURA MILITAR (1964-1972)

2.1. O encontro anarquista de 1963 e o anarquismo antes do golpe militar de 1964

2.2. O golpe de 1964 e o anarquismo

2.3. O “Nosso Sítio” e as práticas anarquistas com a terra

2.4. A Liga Libertária e o Centro Internacional de Pesquisas do Anarquismo no Brasil

CAPÍTULO III

IMAGINAÇÃO, AÇÃO E REPRESSÃO (1968-1974)

3.1. O Movimento Estudantil Libertário (MEL) e o Maio de 1968 brasileiro

3.2. A imaginação golpeada: a repressão ao MEL e ao CEPJO (1969-1971)

A Repressão no Rio de Janeiro

Repressão ao anarquismo no Rio Grande do Sul

Repressão ao anarquismo no Pará

Efeitos da repressão no anarquismo brasileiro

3.3. A resistência silenciosa (1973-1977)

CAPÍTULO IV

REORGANIZAÇÃO DO ANARQUISMO DURANTE A DITADURA

4.1. A reorganização do anarquismo brasileiro (1977-1978)

4.2. A ação estudantil do anarquismo nos anos 70: a Federação Livre Estudantil

4.3. Sindicalismo e anarquismo nos anos

4.4. Lutas contra as opressões: os inimigos dos inimigos do rei

4.5. As polêmicas internas: as duas “linhas” do Inimigo do Rei

CAPÍTULO V

OS BICHOS MAUS E A ABERTURA

5.1. O sindicalismo, a luta comunitária e o anarquismo na década de 80

5.2. A discussão transnacional do sindicalismo revolucionário e do anarcossindicalismo no Brasil

5.3 Problemas editoriais, vigilância e a dissolução do Inimigo do Rei

5.4. A transição pactuada e o “bicho das ruas” (1979-1983)

5.5. À guisa de conclusão: o anarquismo na abertura democrática

REFERÊNCIAS

Jornais consultados

Entrevistas

Arquivos consultados

História do anarquismo na ditadura militar brasileira (1964–1985)

Rafael Viana da Silva

Dimensões 16 × 23 cm

Páginas 230

Preço R$ 65,00

editorafaisca.net

agência de notícias anarquistas-ana

A lua, cansada,
adormeceu por instantes
no leito do rio.

Humberto del Maestro

[Itália] Primeiro de Maio anarquista em Carrara: centenas se reúnem na praça.

Carrara celebra o Primeiro de Maio como todos os anos desde 1945: com a passeata da Federação Anarquista Italiana (FAI), combinando história, memória e reivindicações.


Centenas de pessoas tomaram as ruas de Carrara para o tradicional Primeiro de Maio Anarquista, evento organizado pela Federação Anarquista Italiana (FAI), que, ininterruptamente desde 1945, transformou a cidade de mármore em uma encruzilhada do pensamento libertário. Vindo de toda a Itália, os participantes lotaram as praças e ruas do centro da cidade em uma passeata pontuada por bandeiras vermelhas e pretas e cânticos de protesto.


O dia começou com uma concentração na Piazza Fabrizio De André, que ficou lotada desde as primeiras horas. Entre os discursos que antecederam a passeata, uma voz resumiu o espírito da manifestação: “A participação direta não pode existir sem questionar o princípio da delegação; a defesa territorial não pode existir sem o controle cidadão efetivo; e a gestão de recursos não pode existir sem se opor ao sistema capitalista de produção.” Palavras que capturam uma visão consistente ao longo do tempo, fundamentada no controle popular e no anticapitalismo.


O ponto alto da celebração foi a passeata, uma jornada pelos símbolos da história anarquista e operária de Carrara. As paradas, como sempre, constituíam um ritual coletivo:


Piazza Alberica, onde também foi depositada uma coroa de flores vermelhas em homenagem a Francisco Ferrer, anarquista espanhol; Piazza delle Erbe, com uma homenagem a Belgrado Pedrini; Piazza del Duomo, onde se encontra o monumento a Giordano Bruno; Piazza Gramsci, com o monumento a Alberto Meschi, sindicalista anarquista; Piazza Sacco e Vanzetti, dedicada aos dois anarquistas italianos executados nos Estados Unidos em 1927; e Via Cucchiari, com uma homenagem ao monumento às revoltas de Carrara de 1894, próximo ao quartel Dogali.

agência de notícias anarquistas-ana

Almas gêmeas.
A minha geme e a
outra não se acalma.

Rogério Viana

[França] Para pôr fim às guerras entre Estados: insubordinação e sabotagem!

Na noite de 6 para 7 de abril, em Bourges e arredores, sabotamos a rede elétrica que abastece o “bastião da defesa terrestre nacional”, onde academias militares, a Direção Geral de Armamentos Terrestres e centros de formação técnica convivem com “o primeiro polo de concentração industrial de Defesa da Europa”: o fabricante de mísseis MBDA, o fabricante de canhões KNDS (Nexter), fornecedores de equipamentos como Roxel, Michelin, Mécachrome, Auxitrol Weston, ASB Aerospatiale, entre outros, e suas dezenas de subcontratadas.

As guerras são as certidões de nascimento dos Estados; seus arsenais e seus exércitos, sua saúde e seu cartão de visitas.

Para os Estados, a corrida pelo poder militar é uma questão de sobrevivência, na qual ataque e defesa se enfrentam, e é sempre a população que sofre. Exércitos não são produzidos para desfiles de 14 de julho [Festa Nacional Francesa], mas para vender e utilizar. Este país de merda é o segundo maior exportador de tecnologias de morte do mundo, fornecendo-as a cerca de sessenta Estados. Essa militarização conduz à obediência, à conquista, aos massacres, ao estupro, ao encarceramento e à destruição.

Guerra e Paz são falsas alternativas de uma continuidade estratégica de todos os poderes: escravizar e se apropriar de tudo o que puderem reduzir ao nível de recursos. Essa realidade brutal é diariamente encoberta por uma propaganda tão sutil quanto grosseira. Cada lado emprega os mesmos truques: “o outro é uma ameaça”, “o outro é um monstro”, “nossos valores e nossa causa são os únicos justos”, “estamos apenas respondendo a uma agressão”.

Somos daqueles que querem rasgar os mitos que fazem os oprimidos se solidarizarem com seus opressores. Da linha de frente aos bastidores, o esforço de guerra repousa sobre nossa adesão e mobilização em massa, como neste polo militar-industrial.

Aqui e em outros lugares, cada um, ativa ou passivamente, desempenha sua parte de responsabilidade naquilo que mantém a máquina de guerra em funcionamento.

No entanto, longe das hierarquias viris e de seu odor disciplinar, o que nos impede de nos lançarmos, um dia, numa luta de desgaste contra todas as guerras e suas causas, isto é, a dominação?

É sempre possível, e absolutamente necessário, se opor aos belicistas, então desertemos das fileiras e sigamos adiante!

Fonte: https://lille.indymedia.org/spip.php?article38073&lang=fr 

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

A chuva parou –
Na voz do pássaro,
Que frio!

Paulo Franchetti

Anarquista morre em prisão russa após condenação por posição anti-guerra

Do Black Square (Instagram) | 27 de abril de 2026

Dmitry Kuznetsov (Vegano Khristolyub Bozhiy), um ativista russo anti-guerra, foi encontrado enforcado em uma cela de isolamento punitivo na Rússia em 17 de abril. Ele havia anteriormente feito greve de fome e alertado sobre o risco de ser morto sob custódia. Em fevereiro de 2025, foi condenado a três anos de prisão por declarações contra a guerra.

Kuznetsov se identificava como anarquista, vegano, pacifista, cosmopolita e cristão dissidente, além de criticar a Igreja Ortodoxa Russa. Ele se opunha abertamente à invasão da Ucrânia pela Rússia, classificando-a como fascista e referindo-se ao fascismo russo contemporâneo como “rashismo”. Chamava Putin de “Putler”, comparava o símbolo Z às insígnias da SS nazista e a propaganda russa aos métodos de Goebbels.

Antes de ser preso, foi detido após um protesto individual anti-guerra em Voronezh, segurando um cartaz com a frase “Sem Guerra”. Ele também deixou vídeos de despedida alertando que poderia ser morto na prisão.

No último mês, pelo menos cinco prisioneiros políticos teriam morrido na Rússia. As mortes sob custódia continuam sendo um problema sistêmico.

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

A pedra
nada pergunta ao rio
sobre água e tempo.

Yeda Prates Bernis

[Espanha] Crônica 1º de Maio – CNT-AIT Alacant

No 1º de Maio nos concentramos na plaza de la Pipa em uma jornada de reivindicação e fraternidade. Desde a primeira hora fomos dando forma ao espaço comum: montamos as barracas de materiais, o balcão com bebidas e petiscos, a cozinha onde se preparava a panela, a exposição de Mujeres Libres, o cenário, a equipe técnica, e penduramos nossas bandeiras e faixas por toda a praça.

Depois da comida popular, começou o microfone aberto. Leu-se o manifesto do 1º de Maio, acompanhado de discursos e reflexões libertárias que serviram para fixar ideias: a necessidade de organizar-nos, de manter a luta e a crítica no cotidiano, e de recordar os companheiros de Chicago assassinados, origem desta data.

Lançaram-se lemas de dignidade e resistência frente à precariedade e as injustiças que seguem marcando nossas vidas. Reivindicou-se que não nos conformamos com o mal menor nem com as migalhas que distribuem as instituições e os sindicatos de Estado, deixando claro que não queremos gestionar a desigualdade, mas construir uma sociedade verdadeiramente igualitária.

Desde a CNT-AIT nos reafirmamos como o único sindicato de classe que não se rebaixa ao reformismo nem à lógica institucional que termina domesticando a tantas organizações. Enquanto outros aceitam os limites do sistema e se integram em suas estruturas, nós mantemos uma posição independente, baseada na defesa real dos interesses da classe trabalhadora.

Durante a jornada se recordou figuras como Alexander Berkman, conectando essas ideias com o presente.

Os companheiros foram passando pelo microfone, com uma forte presença de reivindicação feminista, atravessando discursos, música e poesia. A música ao vivo, com grupos e cantautores, acompanhou toda a tarde sem interrupção. Inclusive as crianças do bairro se animaram a cantar.

O fechamento do microfone chegou com recitais de poesia, pondo um toque íntimo a uma grande jornada coletiva.

Uma jornada feita graças à organização de todos, onde a rua voltou a ser nossa. Porque seguiremos fazendo frente à resignação e construindo espaços de luta e encontro.

Nem Estado nem patrão: autogestão!

Viva a luta da classe obreira!

Anarquia e transformação. Viva a história da CNT-AIT de Alacant!

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

É quase noite –
As cigarras cantam
Nas folhas escuras.

Paulo Franchetti

[Porto Alegre-RS] Solidariedade Sem Fronteiras – O problema é sempre o mesmo: gentrificação e poder Okupa Kalissa + ESP(A)ÇO + Okupação Prosfygika

SOLIDARIEDADE SEM FRONTEIRAS – O problema é sempre o mesmo: gentrificação e poder
Okupa Kalissa + ESP(A)ÇO + Okupação Prosfygika
Dia 9 de Maio, abertura às 16h30. Início da atividade às 17h, no Esp(a)ço – Rua Barros Cassal, 316 – Porto Alegre
Contra o desalojo da maior e mais antiga okupação da Europa
 
O Estado grego está travando uma guerra contra os espaços auto-organizados. Há anos, vem reprimindo as comunidades de ocupantes e anarquistas em Exarchia. Agora, querem desocupar o maior prédio ocupado da Europa, o Oi Prosfygika, ou “O Prédio dos Refugiados”.
 
O Prosfygika não é apenas um prédio, mas uma alternativa viva ao Estado, ao mercado e ao isolamento social. Sua história começa na década de 1930, quando oito blocos de apartamentos na Avenida Alexandras foram construídos para abrigar refugiadys de territórios ocupados pela atual Turquia.  Durante a Segunda Guerra Mundial, Prosfygika foi um centro de resistência. A guerrilha lutou ali contra a burguesia grega e o imperialismo britânico. A história dessas batalhas pode ser lida nos buracos de bala e nas marcas de granadas marcadas nas fachadas dos prédios.
 
No final da década de 1990, havia planos para demolir os prédios e substituí-los por um shopping center. Moradores foram pressionadys com desapropriações, e muitas pessoas perderam suas casas por nada de dinheiro. Algumas pessoas se recusaram a sair e, em vez disso, tornaram-se ocupantes em seus próprios apartamentos.
 
A atual comunidade de ocupantes tomou forma em 2010, em meio à crise financeira grega. Nascida de assembleias públicas, Prosfygika tornou-se um espaço social, político e cultural, onde a vida cotidiana era administrada, não por autoridades ou proprietários, mas pela própria comunidade. Hoje, cerca de 400 pessoas vivem lá, em 228 apartamentos. Muitas moradoras são imigrantes. Algumas pessoas pagam aluguel, outras vivem como ocupantes individuais e cerca de 200 pertencem à ocupação organizada.
 
Prosfygika também abriga 22 iniciativas auto-organizadas, incluindo uma padaria, uma creche, um centro social e programas de saúde e nutrição. A comunidade oferece aulas de idiomas para adultos, acolhe coletivos culturais e artísticos, administra uma organização de mulheres e fornece alojamento para pacientes com câncer e seus familiares, em parceria com o Hospital vizinho, Agios Savvas.
 
Muitas das pessoas que moram em Prosfygika se inspiram no Confederalismo Democrático de Abdullah Öcalan, pela ideia de que a unidade pode ser alcançada sem sacrificar a diversidade.
 
Nesse modelo, diferentes identidades, grupos sociais e perspectivas políticas se expressam e tomam decisões por meio de conselhos, reuniões locais e assembleias. As comunidades se organizam por meio de unidades descentralizadas e autônomas, em vez de  de estados-nação centralizados. Para Prosfygika, isso não é uma teoria abstrata, mas uma realidade vivida.
 
A mensagem é clara: não é o Estado que deve “salvar” Prosfygika, pois o próprio Estado é uma das forças que buscam destruí-la.
 
Por causa disso, o Estado grego lançou múltiplos ataques contra a comunidade — em 2016, 2019, 2022 e 2024.
 
A ameaça é particularmente grave desta vez, porque em junho de 2025 o Governo Regional da Ática aprovou um contrato para uma suposta “renovação”, que na prática equivale a um despejo.
 
Como era de se esperar, isso está sendo vendido como revitalização da comunidade. “Regeneração”, neste caso, não significa proteger o bairro, mas destruí-lo. O governo pretende que a comunidade desapareça, para que seus edifícios históricos e sua localização central possam ser explorados com fins lucrativos.
 
A campanha #SaveProsfygika foi lançada para defender a comunidade ocupada de Prosfygika e sua memória coletiva. A campanha tem como objetivo ampliar o alcance social do projeto e estabelecer conexões mais amplas, tanto nacionais quanto internacionais. A comunidade não permitirá que sua história e sua função social sejam saqueadas sob o pretexto da gentrificação.
 
No dia 9 de maio vamos estar com es companheires da Okupa Prosfygika, pra nos situarmos da situação e buscar formas de visibilizar e apoiar esse movimento.
 
Vídeos históricos da Okupação serão passados, e debateremos o contexto atual, que em várias partes do mundo se dá de forma muito similar, a gentrificação, o capitalismo, o suposto desenvolvimento vem para desalojar espaços libertários e propostas alternativas ao Estado, querendo nos vender um sistema que na verdade sempre esteve e depende do colapso.
 
A solidariedade é nossa maior arma, e é necessário construir estratégias para lidar com o que está posto e o que está por vir.
 
NOSSA LINGUAGEM EM COMUM É A RESISTÊNCIA.
SOLIDARIEDADE É AÇÃO!
 
Atenção: Para garantir o conforto e segurança de todas as pessoas presentes, pedimos que se você possuir histórico ou denúncia por reproduzir comportamento abusivo ou opressivo, assédio, abuso ou outro tipo de violência, por favor, entre em contato conosco pelo nosso email ou redes sociais antes de comparecer. Não fazer isso é não se responsabilizar por suas ações e será solicitado que se retire.
 
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em vão espero
as desintegrações e os símbolos
que precedem ao sonho
 
Jorge Luis Borges

[Grécia] Greve de fome até à morte pela defesa da vida

Carta à sociedade, à minha família, aos meus amigos

Meu nome é Suzon Doppagne. Sou residente e membro da Comunidade Ocupada de Prosfygika, e hoje, 1º de maio, começo uma greve de fome até a morte, em defesa da vida.

Decidi ficar ao lado do meu camarada Aristotelis Chantzis, que hoje completa 86 dias em greve de fome.

Escolhi este dia de luta em homenagem aos mártires de Chicago em 1886 e aos 200 lutadores de Kaisariani.

O Estado grego e todas as suas instituições não responderam às nossas exigências. Eles escolheram o silêncio e deixaram Aristotelis Chatzis seguir o caminho da morte. A partir de agora, também serão responsáveis pela minha própria morte. Hoje, após 86 dias de greve de fome, ninguém pode alegar que não sabia.

A Comunidade Ocupada de Prosfygika é um exemplo vivo de que outra forma de vida é possível — em ruptura com o sistema capitalista e patriarcal dominante. Em tempos de crise global e de uma guerra mundial, a única maneira de nossas sociedades sobreviverem e criarem um paradigma diferente é através da construção do mundo da Comunidade, da auto-organização e da solidariedade. É por isso que Prosfygika está sob ataque.

Ao longo de todos esses anos, a Comunidade tem dado respostas tanto às necessidades sociais das pessoas quanto à repressão que enfrentou. Dessa forma, nossa força coletiva e nossos laços foram construídos.

Compartilho nossas palavras como estrutura feminina de Prosfygika, com a responsabilidade e o compromisso que tenho como membro dela:

“Essa camaradagem que está sendo construída, molda todo um sistema de valores e atitudes, expressos em tudo, desde como você fala com seu vizinho até como você se posiciona na rua, recusando deixar alguém para trás. Em essência, esses laços são nossa força coletiva — a ferramenta de nossa autodefesa”.

Prossigo com esta greve de fome até à morte com base na nossa decisão coletiva como Comunidade de levar esta luta até ao fim. Com respeito pela vida, e em defesa da Comunidade, de suas estruturas, de seu povo, de suas relações, da justiça e de nossa proposta social mais ampla.

Minha ingestão inclui:

Água, chá, 10–25 gramas de açúcar diariamente, 1,5 colheres de chá de sal diariamente, vitaminas B1, B6, B12, magnésio e potássio.

As exigências desta greve de fome são:

• CANCELAMENTO IMEDIATO DO CONTRATO PELA REGIÃO DA ATTICA
• TODOS OS RESIDENTES DE PROSFYGIKA DEVEM PERMANECER EM SUAS CASAS, NO LOCAL E ÁREA ONDE VIVEM E FORMARAM LAÇOS SOCIAIS, CULTURAIS E ORGÂNICOS
• GARANTIAS CONCRETAS PARA A RESTAURAÇÃO DE PROSFYGIKA PELA ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS “RESIDENTES E AMIGOS DOS PROSFYGIKA DA AVENIDA ALEXANDRAS N.P.C.C.” COM SEU PRÓPRIO FINANCIAMENTO! – NENHUM EURO DE DINHEIRO PÚBLICO PARA A “REDEVELOPMENTAÇÃO” DOS PROSFYGIKA!

Suzon Doppagne

Membro e residente da Comunidade Ocupada de Prosfygika, Avenida Alexandras

01/05/2026
 
Mail: prosfygika-hungerstrike@systemli.org
Instagram: @prosfygika_hungerstrike
Facebook: Prosfygika Hungerstrike
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
Livro de poesia
Caminha sobre as estrofes
Uma joaninha
 
Estela Bonini

[Espanha] Por um Primeiro de Maio operário, combativo e libertário em Burgos

O dia 1º de maio condensa uma história de greves, repressão, solidariedade e dignidade da classe trabalhadora. Seu significado permanece vivo na luta de classes, na resistência contra o capital e na rejeição das hierarquias patriarcais. Por todas essas razões, foi convocada uma manifestação libertária, que partirá da Plaza del Cid às 13h e percorrerá as ruas do centro de Burgos.

O 1º de maio nasceu como um dia de luta operária, um dia de memória e um chamado à organização de classe. Suas raízes não estão nos escritórios ou na benevolência dos governos, mas na luta daqueles que, diante de jornadas de trabalho exaustivas, salários de miséria e a brutal disciplina das fábricas, decidiram se opor ao capital; daqueles que, recusando-se a ser seus escravos assalariados, decidiram lutar por um mundo novo e pela emancipação social. Oito anarquistas pagaram por essa afronta com suas vidas.

Este ano, 2026, marca o 90º aniversário da Revolução Social de 1936, um marco na luta pela emancipação social dos trabalhadores, que demonstrou como a organização operária pode deter a reação fascista. Nestes tempos turbulentos, não devemos ignorar as inúmeras lições que ela nos ensinou; entre elas, que não podemos fazer pactos com a burguesia ou com os autoritários, pois tais pactos inevitavelmente levariam à derrota do ideal libertário e revolucionário. Como libertários e anarquistas, sabemos que a revolução deve visar o Estado e o capital desde o início.

Hoje, continuamos a viver em tempos em que a vida é esmagada pelo peso do sistema. Enquanto a riqueza se concentra nas mãos de poucos, as mulheres trabalhadoras sofrem condições cada vez mais precárias, sobrecarregadas com estresse, responsabilidades, abusos, exploração e injustiças diárias. Não somos apenas produtoras e consumidoras; somos reduzidas a números, a produção, a peças substituíveis. Ser trabalhadora não pode ser sinônimo de sacrifício, mas sim de consciência, organização e resistência. Somos a força que mantém cada fábrica, cada escritório, cada escola funcionando. Não aceitamos a precariedade como futuro, nem a exploração como norma.

Devemos apontar o sistema capitalista como a causa das crises, da inflação e da crescente desigualdade; e seus cúmplices (CCOO, UGT, CSIF, etc.) que traíram o movimento operário aos patrões e ao Estado, assinando acordos repugnantes e vergonhosos, tornando-se assim inimigos da classe trabalhadora. Enquanto os lucros se acumulam no topo, nós, que de fato produzimos a riqueza, vivemos em constante luta para sobreviver. Tudo isso é agravado pelo medo de perder o emprego e pela impossibilidade de vislumbrar um futuro digno.

Hoje, quando a precariedade muda de nome para se disfarçar de modernidade, o significado do Primeiro de Maio permanece totalmente relevante. A terceirização, o trabalho temporário, os acidentes e mortes no local de trabalho, a extensão oculta da jornada de trabalho, a disponibilidade total, o falso trabalho autônomo e a feminização e racialização dos empregos de menor remuneração mostram que a antiga questão social não desapareceu. É por isso que o Primeiro de Maio exige mais do que nostalgia. Exige organização dentro e fora do local de trabalho. Exige a reconstrução dos laços de solidariedade entre as forças de trabalho fragmentadas. Exige um sindicalismo combativo e uma perspectiva de classe feminista, capaz de reconhecer que nenhuma emancipação operária será completa se as hierarquias patriarcais permanecerem intactas.

Vale a pena enfatizar algo que o sindicalismo domesticado muitas vezes esquece: o Primeiro de Maio não foi concebido para pedir permissão, mas para testar a força. Na tradição libertária e anarcossindicalista, esta data não se refere a uma celebração vazia, mas a uma pedagogia da dignidade.

Seria vergonhoso não olhar além do nosso próprio umbigo e ignorar a realidade que nos cerca.

Num contexto global de guerra e desumanização, vemos como a apropriação forçada de recursos e territórios alheios nos remete a políticas belicistas e colonialistas, causando o deslocamento de milhões de pessoas, a destruição de infraestruturas de todos os tipos, o massacre de populações indefesas, o bombardeio de escolas, hospitais…

A guerra é uma característica indispensável e permanente do Estado e do sistema capitalista. Dependendo dos interesses da classe dominante, a guerra é travada de uma forma ou de outra. Seja dentro ou fora de nossos territórios, em formas coloniais, imperialistas e extrativistas, ou dentro de nossas fronteiras, ela agrava as condições de vida dos oprimidos para aumentar os lucros da classe dominante, precarizando ainda mais nossas vidas. O antimilitarismo anarquista deve estar presente na luta de classes, não como um elemento pacificador, mas como um catalisador para a mudança. Deve ser o ponto de partida para o confronto com o Estado militarista, os exércitos e as hierarquias, bem como com as soluções autoritárias. Porque a mudança social virá com a dissolução do poder em todas as suas formas.

Observamos como os movimentos sociais foram reduzidos a memes, as lutas e ideais revolucionários transformados em tweets, e como a artificialização da vida permeou os movimentos revolucionários e populares, transformando-os em parte do espetáculo democrático. Obcecada por curtidas, posturas e batalhas online, a luta e os ideais revolucionários foram mistificados. Está em nosso poder romper com esse ciclo, propor uma alternativa que destrua o sistema e nos conduza à vitória.

Acreditamos que devemos resgatar o potencial revolucionário da ação direta, do confronto e do radicalismo. Tantos anos de “coexistência democrática” acabaram por pacificar o movimento operário e transformá-lo em seu próprio algoz.

Basta de falsas promessas, basta de reformas e exigências por direitos respeitados, basta de implorar aos poderosos, basta de acreditar que a democracia e o sistema podem ser reformados e tornados justos. O capitalismo é nosso inimigo, e o Estado, seu braço armado; teremos que lutar por tudo, teremos que falar de revolução, nos organizar e arriscar nossos privilégios, porque quem não arrisca, não petisca.

1º de maio: classe trabalhadora, combativo e libertário!

CNT-CGT-Biblioteca Anarquista La Maldita

diariodevurgos.com

agência de notícias anarquistas-ana

No céu azulado
Borboletas a dançar
Campos enfeitados

Kellen Crovador

Imaginando a Anarquia

Amo a autonomia,

o autogoverno e a liberdade.

Pois sei que a vida

só é plena onde há anarquia,

onde existe ordem sem autoridade.

Por isso, aposto em um novo tipo de sociedade,

onde cada um sabe o limite do outro,

a necessidade de todos,

através da própria singularidade.

Imagino outros mundos,

outros modos de vida,

sem deuses, senhores e estados,

Sem violência, controle e castigos.

Carlos Pereira Júnior

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Andando sozinho
De repente uma companhia –
Borboleta azul

Clóvis Moreira Santos

[Austrália] Por que os líderes sindicais nos traem?

Em novembro de 1992, o estado de Victoria estava em choque. Um novo primeiro-ministro, Jeff Kennett, acabara de ser eleito e estava promovendo uma série de medidas drásticas. Centenas de escolas estavam sendo fechadas, hospitais, dezenas de milhares de funcionários públicos demitidos e acordos coletivos que protegiam os direitos dos trabalhadores simplesmente cancelados.

Mas então, algo incrível aconteceu. Uma greve geral de 24 horas foi convocada em todo o estado, e os trabalhadores responderam com uma fúria sem precedentes. Quase um milhão de pessoas abandonaram seus postos de trabalho. Tudo, de fábricas à coleta de lixo, de aeroportos a prédios de escritórios, foi paralisado. Dezenas de milhares foram às ruas, mesmo em pequenos centros regionais. 150 mil pessoas se manifestaram em Melbourne. Em frente ao parlamento estadual, que era guardado por fileiras de policiais, um jornalista do jornal The Age ouviu um grevista comentar: “Poderíamos tomar tudo em dez minutos, se quiséssemos”.

Governos e empregadores em todo o país ficaram atônitos. A batalha havia começado e parecia que os trabalhadores tinham uma chance real de vencer.

E então tudo acabou. Os líderes do Victorian Trades Hall e dos principais sindicatos, assustados com o espectro de uma guerra de classes generalizada que haviam desencadeado, suspenderam as greves e ofereceram ao governo uma “trégua de Natal”. As paralisações intermitentes em diversos setores foram sendo encerradas. Quando outra greve estadual foi organizada tardiamente, quase cinco meses depois, o ímpeto já havia se perdido e quase todas as políticas de Kennett haviam sido implementadas.

O que aconteceu? Por que a liderança dos sindicatos de Victoria, aparentemente no auge do seu poder, desistiu da luta e abandonou os trabalhadores à própria sorte? Mais importante ainda, por que os líderes sindicais parecem fazer isso repetidamente?

Entendendo os sindicatos

Para chegar ao fundo da questão, precisamos entender os líderes sindicais como uma camada social. Na Austrália, os diretores sindicais ganham entre 250 mil e 500 mil dólares por ano, o que os coloca entre os mais bem pagos do país. Eles presidem organizações com receitas anuais na casa das centenas de milhões de dólares e centenas de funcionários. Desfrutam de considerável influência política, negociam com algumas das maiores empresas da Austrália e muitos seguem para carreiras políticas e corporativas lucrativas.

Em outras palavras, os líderes sindicais assalariados têm todos os motivos para preservar seu sindicato como instituição e sua posição dentro dele.

Isso exige um delicado equilíbrio. Para gerar qualquer receita e forçar empregadores e governos a negociarem com eles, os sindicatos precisam de membros. Portanto, os dirigentes sindicais devem liderar campanhas por melhores salários e condições de trabalho, angariar membros, desenvolver ativistas e delegados no local de trabalho e garantir que os trabalhadores obtenham resultados. Caso contrário, não terão membros, não terão receita e não terão como obrigar os empregadores a negociarem com eles.

Mas há outro lado da moeda. Os dirigentes sindicais também precisam de patrões que explorem os trabalhadores. Caso contrário, não teriam luta para liderar nem membros em potencial para se inscreverem. Precisam de empresas lucrativas e bem-sucedidas, e precisam do capitalismo. Quando líderes sindicais como Sharon Burrows dizem coisas como: “A ideia de que os sindicatos de alguma forma queiram prejudicar as empresas é francamente absurda”, não é porque foram influenciados por ideologia de direita. É porque estão dizendo a verdade.

Os líderes sindicais jamais podem se dar ao luxo de se render completamente e trair os trabalhadores. Se seus membros estiverem insatisfeitos ou ameaçando deixar o sindicato, ou se os empregadores se recusarem a negociar, eles provavelmente organizarão greves e paralisações simplesmente para manter sua posição. Eles ainda precisam lutar. Mas lutarão apenas dentro de limites estreitos. Sempre evitarão ameaçar de fato os patrões ou sua relação com eles, e sempre evitarão ameaçar de fato o capitalismo. Os líderes sindicais, em última análise, dependem da nossa exploração como trabalhadores e simplesmente querem negociar os termos dessa exploração.

A tarefa para os trabalhadores

O que isso significa para nós é claro. Devemos nos filiar a sindicatos. Eles oferecem uma certa proteção legal e ainda são a principal fonte de organização dos trabalhadores. E devemos apoiar os dirigentes sindicais sempre que agirem em nosso benefício, porque eles jamais poderão ignorar completamente seus membros.

Mas precisamos estar preparados para agir de forma independente caso tentem nos conter e minar as coisas. Precisamos ter certeza de que somos os únicos capazes de organizar nossos locais de trabalho e conhecer nossos próprios interesses. Precisamos assumir a tarefa de organizar nossos colegas de trabalho, construir e conduzir nossas próprias assembleias gerais e desenvolver estruturas de democracia operária de base que não possam ser minadas por forças externas. Há enormes vantagens legais e organizacionais em se organizar dentro dos sindicatos, mas também existem limites muito reais. Precisamos entender claramente quais são esses limites e estar preparados para lidar com eles.

Inúmeras vezes, os trabalhadores demonstraram que são capazes disso — desde exemplos de pequena escala, como a greve organizada pelos funcionários do centro jurídico comunitário de Melbourne em prol da Palestina em 2025, até a greve geral nacional de milhões de trabalhadores em 1969, que desafiou a burocracia sindical. Os líderes sindicais podem nos levar até certo ponto, mas os únicos que podem nos levar até o fim, a um mundo sem exploração, são os próprios trabalhadores.

Fonte: https://ancomfed.org/2026/04/why-union-leaders-sell-us-out/

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No campo florido
A borboleta encantada
Descobre segredos

Daniel Pereira da Silva Pisati

[Espanha] 1º Maio 2026 – Contra o ódio e a pobreza, que seja justa a revolução

Hoje, 1º de maio, voltamos às ruas porque o ar que respiramos está carregado de ameaças. Nosso lema é claro e não admite meias tintas: Contra o ódio e a pobreza: que seja justa a revolução!

Não são palavras vazias. É o grito de quem vê como, enquanto nós dobramos as costas, o mundo se rompe pelas costuras do ódio e da cobiça.

A extrema direita avança com uma mão no algoritmo e outra na fratura social. Sua estratégia é clara: dividir-nos para que não possamos apontá-los.

Nos querem hipnotizados com o ruído das redes sociais, consumindo ódio em doses de 15 segundos e perdendo o tempo em batalhas culturais inventadas. É a anestesia digital: enquanto estamos ocupados odiando o vizinho ou discutindo o último boato viral, eles executam sua agenda real.

Utilizam o entretenimento e a tensão como uma cortina de fumaça para que não olhemos onde dói: nos cortes, na precariedade e na perda de direitos. Não são salvadores, são especialistas em distrações. É hora de levantar a vista do celular e voltar a assinalar os verdadeiros responsáveis.

Nos dizem que a economia vai bem, mas a realidade entra pela porta de nossas casas cada vez que chega o dia 1º do mês. O preço do aluguel nos está tornando cada vez mais pobres. Já não trabalhamos para viver, trabalhamos para pagar o direito a teto a um rentista ou a um fundo abutre. É uma transferência de riqueza massiva: do bolso da trabalhadora que madruga ao bolso do especulador que acumula. Não pode haver justiça se 70% ou mais de nosso salário vai para um aluguel abusivo. Não paramos de ver como desalojam nossas vizinhas, e é o povo o que paralisa cada desalojo. Cada um deles é uma lição para todas.

A organização do povo consegue frear a desesperança. Nos ensina que quando nos unimos, os que parecem invencíveis retrocedem. Esse é o caminho: converter a raiva em apoio mútuo e a impotência em vitória coletiva.

Lema: se tocam a uma, nos tocam a todas. Se tocam a uma, respondemos todas.

E logo estão os de cima, arriscando com nossas vidas. Estados Unidos com Israel, as ameaças ao Irã… se creem os donos do mundo. Enquanto eles jogam os soldadinhos, nós pagamos o pato.

Nos têm atadas a seus combustíveis fósseis, ao petróleo e ao gás, esses que contamos os centavos para poder pagar, para que eles sigam enchendo os bolsos e controlando tudo. Já está bem! Estamos fartas de que nossa fatura dependa de se um senhor da guerra resolva apertar um botão. Exigimos que deixem de queimar nosso futuro. Que se deixem de petróleo e de histórias e que invistam de uma vez em energias renováveis, que o sol e o vento são de todas e não de suas empresas de armamento. Queremos energia limpa para que baixe a fatura e para que deixem de ter desculpas para ir à guerra.

Nem vossas guerras, nem vosso petróleo, queremos ar limpo e não vosso monopólio.

bancamadrid.fesibac.org

Tradução > Sol de Abril

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Olhando bem
O cafezal, na verdade,
São laranjeirinhas…

Paulo Franchetti

[Itália] Caso Cospito: Artigo 41bis renovado. 

O Ministério da Justiça renovou por mais dois anos o regime 41bis – o regime carcerário severo, ou seja, tortura estatal – para o anarquista Alfredo Cospito, detido na prisão de Cagliari e sujeito ao regime 41bis desde 2022. Há poucos dias, Cospito teve seu acesso a livros e CDs negado na prisão.
 
A sentença era esperada para 4 de maio, mas já foi comunicada hoje (30/04) ao advogado de defesa Flavio Rossi Albertini. Cospito cumpre pena de 23 anos. A defesa pode recorrer da decisão do Ministério Público ao Tribunal de Supervisão de Roma. Albertini visitará seu cliente nos próximos dias. 
 
Militante de longa data, Cospito cumpriu pena primeiro na prisão de Bancali, em Sassari, depois na prisão de Opera, em Milão, antes de retornar à prisão da Sardenha em junho de 2023. Após mais de 10 anos de encarceramento, ele iniciou uma greve de fome de seis meses em outubro de 2022 para protestar contra a aplicação do Artigo 41bis ao seu caso. 
 
O termo 41bis refere-se a um regime especial de detenção regido pelo Artigo 41bis, parágrafo 2, da Lei Penitenciária (Lei nº 354, de 26 de julho de 1975). É particularmente severo e, portanto, frequentemente denominado “prisão rígida”. O Artigo 41bis, parágrafo 2, estabelece que “o regime especial de detenção inclui as restrições necessárias para satisfazer as necessidades de ordem e segurança e para impedir vínculos com as organizações às quais o indivíduo pertence”.  
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/04/29/italia-mestre-as-ruas-contra-o-41bis/
 
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uma faúlha
ao sabor do vento?
um vaga-lume
 
Rogério Martins

Corrida armamentista global dispara com gastos recorde de US$ 2,9 trilhões; Brasil lidera crescimento militar na América Latina

A corrida armamentista global atingiu um novo patamar em 2025, consolidando um cenário de crescente tensão geopolítica e transformação estratégica entre as principais potências mundiais. Os gastos militares globais alcançaram o recorde de US$ 2,9 trilhões, o equivalente a 2,5% do PIB mundial, marcando o maior nível proporcional desde 2009 e o 11º ano consecutivo de crescimento.

A informação foi divulgada pelo Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI) e repercutida pela Veja, conforme dados publicados no relatório anual Tendências nos Gastos Militares Mundiais, referência global no monitoramento de defesa e armamentos.

Esse avanço reflete, sobretudo, o impacto direto da Guerra na Ucrânia, além das crescentes tensões no Indo-Pacífico e da busca europeia por maior autonomia militar em relação aos Estados Unidos. Nesse sentido, o cenário internacional se mostra cada vez mais instável — e caro.

Europa lidera disparada e redefine estratégia de defesa

A Europa foi o epicentro da expansão militar em 2025. Os gastos no continente cresceram 14%, atingindo US$ 864 bilhões, o maior aumento regional registrado no período e o crescimento mais acelerado entre membros da OTAN desde 1953.

Esse movimento não ocorre por acaso. Por um lado, a continuidade da guerra no Leste Europeu exige reforço constante de capacidade militar. Por outro, há uma pressão crescente dos Estados Unidos para que aliados europeus assumam maior responsabilidade dentro da aliança.

Entre os países com maiores aumentos proporcionais estão:

• Bélgica: +59%

• Espanha: +50%

• Noruega: +49%

• Dinamarca: +46%

• Alemanha: +24%

• Polônia: +23%

• Canadá: +23%

A Alemanha, em especial, alcançou um marco histórico ao se tornar o quarto maior investidor militar do mundo, consolidando uma mudança significativa em sua política de defesa no pós-Segunda Guerra Mundial. Já a Espanha ultrapassou, pela primeira vez em décadas, o patamar de 2% do PIB em defesa, alinhando-se às metas da OTAN.

Guerra na Ucrânia impulsiona gastos extremos

A Ucrânia segue no centro da dinâmica global de defesa. Em 2025, o país destinou cerca de 40% do seu PIB para gastos militares — a maior proporção do mundo.

Com isso, Kiev passou a deter o 7º maior orçamento militar global, totalizando US$ 84,1 bilhões.

Já a Rússia ampliou seus gastos em 5,9%, direcionando 7,5% do PIB para suas Forças Armadas. Segundo o SIPRI, tanto Rússia quanto Ucrânia atingiram níveis históricos de comprometimento orçamentário com defesa — tendência que deve persistir caso o conflito se prolongue.

Ásia acelera modernização e rivalidade militar

Na região da Ásia-Oceania, os gastos cresceram 8,1%, somando US$ 681 bilhões — o maior aumento desde 2009.

A China, principal potência militar regional, ampliou seus investimentos em 7,4%, marcando o 31º ano consecutivo de crescimento e reforçando seu plano de modernização total das Forças Armadas até 2035.

Esse avanço, por sua vez, desencadeou uma reação em cadeia entre países vizinhos:

• Japão: +9,7% (US$ 62,2 bilhões; 1,4% do PIB — maior nível desde 1958)

• Taiwan: +14,2% (maior salto desde 1988)

• Austrália e Filipinas: aumentos significativos diante de incertezas sobre o apoio militar dos EUA

Portanto, a região se consolida como um dos principais focos de tensão estratégica global.

Oriente Médio, Índia e África mantêm expansão estratégica

No Oriente Médio, a Arábia Saudita liderou os gastos com US$ 83,2 bilhões, mantendo sua posição dominante na região.

Já Israel registrou queda de 4,9% após o cessar-fogo em Gaza em outubro de 2025, embora os níveis ainda permaneçam elevados.

O Irã apresentou números oficiais menores, mas especialistas indicam que inflação e receitas paralelas podem ocultar um crescimento real mais significativo.

Na Ásia Meridional, a Índia aumentou seus gastos em 8,9%, consolidando-se como a quinta maior potência militar do mundo.

Já na África, os investimentos cresceram 8,5%, com destaque para a Argélia, que lidera em proporção do PIB destinada à defesa.

Brasil lidera crescimento militar na América do Sul

Na América do Sul, os gastos militares aumentaram 3,4%, alcançando US$ 56,3 bilhões.

O Brasil manteve sua posição como principal potência militar regional, com despesas de US$ 23,9 bilhões, um crescimento de 13%, ocupando a 21ª posição no ranking global.

Além disso, a Guiana registrou aumento expressivo em seus investimentos, impulsionada por tensões territoriais com a Venezuela na região de Essequibo.

Tendência global aponta para expansão contínua até 2026

O cenário indica que a escalada armamentista está longe de desacelerar. A combinação de fatores — como a guerra prolongada no Leste Europeu, a rivalidade entre Estados Unidos e China, instabilidades no Oriente Médio e novas prioridades estratégicas — sugere que os gastos militares continuarão crescendo ao longo de 2026 e além.

Portanto, mais do que números recordes, o que se observa é uma transformação estrutural no equilíbrio de poder global — com impactos diretos na segurança internacional, na economia e nas decisões políticas de diversas nações.

Fonte: agências de notícias

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O circo partiu –
instalou-se na cidade
o vento de outono.

Mayuzumi Madoka

[Alemanha] Palestra: Da militarização ao serviço militar – Lições de resistência da sociedade civil israelense

Atualmente, o rumo da política alemã é claro: reintrodução do serviço militar obrigatório, gastos ilimitados com armamentos e discursos sobre “prontidão para a guerra”. Mas a resistência também está crescendo.

Em sua palestra “Da Militarização ao Serviço Militar – Lições de Resistência da Sociedade Civil Israelense”, Or, objetora de consciência e ativista da organização israelense New Profile, relata o que podemos aprender com aqueles que se opõem à militarização, ao recrutamento obrigatório e à guerra.

A New Profile é uma organização feminista e antimilitarista, membro da War Resisters International (WRI). Or é uma judia árabe, israelense e ativista pró-Palestina que luta há 20 anos pelos direitos humanos e dos animais, contra a ocupação e por uma paz justa.

Em seguida, a IDK e a FAU convidam você para uma cozinha comunitária (KüFa) e uma reunião aberta para discutir possibilidades de resistência contra a militarização.

A IDK (Internacional de Objetores de Consciência), assim como a New Profile, é uma seção da War Resisters International e apoia e aconselha objetores de consciência. Como um sindicato de base, queremos discutir com a IDK como a resistência ao serviço militar pode se manifestar, qual o papel do movimento sindical nesse processo e como podemos nos libertar coletivamente.

O quê: Palestra – “Da Militarização ao Serviço Militar: Lições de Resistência da Sociedade Civil Israelense”

Convidada: Or, uma ativista do grupo “New Profile”

Onde: KuZe (Sala de Teatro), Hermann-Elflein-Str. 10, 14467 Potsdam

Quando: 3 de maio de 2026, 14h

Idioma: Inglês

Em seguida: Cozinha comunitária e reunião aberta.

Organizadores: IDK e FAU.

Local: Café Madia, Lindenstraße 47, 14467 Potsdam.

Data: 3 de maio de 2026, 16h30.

berlin.fau.org

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Canta o bem-te-vi
no galho da goiabeira:
mesma saudação!

Ronaldo Bomfim