[Grécia] Ataque e despejo iminente de Prosfygika

Durante o verão de 2025, o governo regional da Ática — cuja capital é Atenas —, mediante um acordo programado, iniciou em segredo o planejamento para a repressão e o despejo da Comunidade Okupa de Prosfygika na Avenida Alexandras, no centro da capital.

No início de 2026, colocou em marcha uma nova fase de seu plano, utilizando artigos pagos por porta-vozes do governo para promover o plano de despejo violento da Comunidade de Prosfygika durante os próximos seis meses. Destinando para isso, como de costume, grande quantidade de dinheiro público.

É a quarta vez que tentam despejar e saquear Prosfygika na última década. Desta vez parece ser a mais grave e sua materialização parece próxima. Para isso, exploraram todos os seus recursos propagandísticos, apelando à sensibilidade social com um suposto projeto de criação de moradias sociais e abrigos para familiares de pacientes do hospital oncológico St. Savvas. O plano de despejo de nossa comunidade está financiado com 15 milhões de euros de fundos europeus do programa ESPA Regional Ática 2021-2027.

Desta vez tampouco conseguirão!

Prosfygika é uma comunidade composta por mais de 400 pessoas — gregos, refugiados e migrantes — que inclui 50 crianças, grupos sociais vulneráveis, pessoas com graves problemas de saúde mental, pacientes com câncer, pessoas idosas, etc.

Durante os 16 anos de funcionamento da assembleia, foram eliminados todos os pontos de venda e produção de drogas, incluindo drogas pesadas, que previamente haviam infestado o bairro com o beneplácito da GADA — Chefatura de Polícia de Atenas —, além disso, foram estabelecidas 22 estruturas autônomas auto-organizadas para os habitantes da comunidade e dos bairros vizinhos de Ambelokipi e Gkyzi.

Como exemplo, sirvam:

• A Casa Infantil, a Estrutura de Autoeducação e a Creche Infantil Autogestionada que funcionam diariamente com um programa educativo completo para as crianças da comunidade de Prosfygika e do bairro, em colaboração direta com escolas, associações de pais e sindicatos de docentes em Ambelokipi, Ática e em todo o país.

• A Estrutura de Saúde e a Farmácia Social que oferece atendimento aos moradores do bairro que necessitam, em colaboração com dezenas de estruturas de saúde auto-organizadas, clínicas sociais e sindicatos de trabalhadores da saúde em nível pan-helênico.

• A Estrutura de Acolhida para Pacientes e Acompanhantes do Hospital oncológico “St. Savvas”, em colaboração com a união de trabalhadores do hospital.

• A Padaria Coletiva “Berkin Elvan”, que produz pão e produtos assados diariamente para os moradores do bairro e para qualquer ateniense que o deseje.

• A Estrutura de Obras Técnicas para a manutenção dos edifícios de Prosfygika.

• A Cafeteria e Cinema Coletivo para crianças e adultos, que oferece entretenimento e contribui para o desenvolvimento cultural dos moradores do bairro e de Atenas em geral.

• O Centro Social, que abriga a biblioteca, a sala de leitura e a assembleia geral semanal de tomada de decisões da Comunidade. Ao longo dos anos, também abrigou numerosos eventos, apresentações e assembleias de caráter social, político e cultural, tanto da Comunidade como de outros grupos e coletivos sociais.

• A Estrutura de Mulheres, cujo objetivo é a coletivização e o empoderamento das mulheres e dissidências, a criação e difusão de uma cultura oposta ao sistema patriarcal e que também funciona como abrigo de emergência para mulheres e dissidências que o desejem.

• A Equipe de Solidariedade com as pessoas em situação de rua, localizada na infraestrutura da Comunidade, fornece alimentos cinco dias por semana a dezenas de pessoas no centro de Atenas.

As estruturas da Comunidade estão abertas a todo o mundo e funcionam com base na auto-organização e na solidariedade social.

Durante o último ano, a Comunidade anunciou publicamente sua decisão de realizar a renovação externa dos edifícios de Prosfygika mediante autofinanciamento e com a participação e o apoio de arquitetos, engenheiros civis e outros especialistas técnicos. O plano do governo regional é uma resposta que busca antecipar-se a esta iniciativa social.

Esta nova agressão do governo regional da Ática faz parte da estratégia central do regime de Mitsotakis para desmantelar o maior projeto social existente atualmente no tecido urbano de Atenas — e de toda a Grécia em geral —, e um dos maiores da Europa, que tem atraído a atenção e o interesse de universidades e instituições culturais e educacionais da Grécia e do estrangeiro.

Para além de seu caráter social, a Comunidade de Prosfygika tem estado na primeira linha das lutas sociais, políticas, classistas e internacionalistas. Na Comunidade também residem combatentes da Grécia, Europa e organizações revolucionárias da Turquia e Curdistão. O regime de Mitsotakis vê em Prosfygika um oponente político e por isso tenta destruí-lo para tirar, por sua vez, proveito político e econômico.

O suposto desenvolvimento do bairro é uma falácia que busca expulsar a comunidade e desmantelar os modelos sociais de autoorganização social. É evidente que se trata de outra estratagema pré-eleitoral de um governo em decadência cujo único estandarte é a doutrina da lei e da ordem.

Mentem quando afirmam que o governo regional se preocupa com a habitação social. Prosfygika já proporciona habitação social para centenas de pessoas a quem a crise empurrou para a rua e o colapso de todas as estruturas sociais as condenou à miséria e à marginalização. Seu plano de deixar sem teto mais de 400 pessoas para alojar apenas 50 com capacidade econômica é o cúmulo da hipocrisia e da desumanidade de um sistema que se preocupa exclusivamente com seu próprio benefício e o saque dos fundos públicos e europeus. É uma desculpa descarada para desmantelar as habitações sociais já existentes, enquanto 80.000 apartamentos vazios, propriedade do Município de Atenas, permanecem vazios e sem uso no centro da cidade.

Mentem quando afirmam que o governo regional se preocupa com os familiares de pacientes com câncer, a quem a Comunidade tem acolhido e cuidado durante anos; pessoas que até então dormiam em seus carros durante dias ou semanas enquanto seus entes queridos recebiam tratamentos de longo prazo. A Comunidade já oferece condições de vida saudáveis e apoio com seu próprio trabalho e recursos. O governo regional planeja deixar na rua os familiares de pacientes com câncer, enquanto estabelece relações clientelistas com pessoas necessitadas. Ao mesmo tempo, inúmeras propriedades, propriedade do Estado e da Igreja, encontram-se vazias a poucas quadras de Prosfygika.

Mentem quando afirmam que o governo regional se preocupa com os problemas sociais do bairro, quando Prosfygika é um exemplo de convivência harmoniosa entre pessoas de todo o mundo: 27 nacionalidades diferentes, com seus correspondentes idiomas, culturas e religiões habitam o bairro. Adjacente a uma unidade OKANA — Organização para o Tratamento da Dependência de Drogas — é o único lugar sem tráfico de drogas, já que foram expulsos aqueles que se aproveitam dos mais vulneráveis. O único problema de segurança pública na zona são as políticas da GADA — chefatura policial da Ática — e do Ministério do Interior, que periodicamente invadem o bairro com gás lacrimogêneo — nas imediações de dois hospitais — para desmantelar uma comunidade auto-organizada que promove um modelo diferente de igualdade social e justiça.

Mentem quando afirmam se preocupar com o uso de Prosfygika e o desenvolvimento de Ambelokipi. A reurbanização de Prosfygika provocará um aumento vertiginoso dos aluguéis e do custo de vida em toda a zona, deslocando dezenas e centenas de vizinhos que não podem suportar o aumento de preços. Esta situação afetará gradualmente todas as áreas circundantes, alterando a composição social ao deslocar os moradores atuais em favor dos mais abastados.

Conclamamos toda pessoa com consciência e empatia a se unir à Comunidade de Prosfygika contra os planos de despejo e saque deste histórico bairro de resistência, auto-organização e refúgio.

Conclamamos a se mobilizar e comunicar nossa luta em seus bairros, círculos familiares e sociais, escolas, sindicatos e locais de trabalho para proteger Prosfygika dos planos predatórios e especulativos do governo.

Um governo que não se preocupou com a vida das 57 pessoas falecidas no acidente ferroviário da Tessália. Um governo que tem convertido a Grécia no lixão da Europa. Um governo que tem desmantelado toda estrutura social e serviço público de saúde, educação, habitação e cultura. Um governo que deixou morrer tanta gente durante a COVID-19. Um governo que tem empurrado os agricultores e o campo em geral para a mendicância. Um governo que tem expulsado do país meio milhão de jovens durante a última década. Um governo que não merece confiança sobre seu plano em Prosfygika, há apenas mentiras e miséria em suas palavras.

O despejo e a repressão de Prosfygika terá consequências incalculáveis para a saúde mental e física de dezenas de crianças, idosos e pacientes da Comunidade. Muitos deles não sobreviverão ao despejo por culpa do governo e seus agentes.

O despejo e a repressão do bairro de Prosfygika também afetarão o movimento e todas as lutas em curso, já que cada espaço liberado que se perde significa um duro golpe à luta comum contra a exploração e a injustiça que sofre quase toda a sociedade.

Por nossa parte, temos a responsabilidade e o dever de defender as habitações que cuidamos desinteressadamente durante anos como se fossem nossas, mantendo vivo um monumento nacional e arquitetônico que o planejamento estatal teria derrubado para lucrar com sua reconstrução. Temos a responsabilidade e o dever de defender as pessoas de nossa Comunidade, que de outro modo acabariam dormindo na rua.

Declaramos publicamente que não cederemos nem um centímetro de terra ao regime e suas empresas e que lutaremos com todas as nossas forças para desativar seu plano sujo, inclusive com nossas vidas. Temos o dever histórico e social de continuar na luta.

Nos certificaremos de que o enorme custo que nos empurram a assumir para proteger nosso bairro e Comunidade seja ainda maior para o governo e seus agentes.

SE CAIRMOS, CAIREMOS SOBRE SUAS CABEÇAS.

Conclamamos:

• A indivíduos, coletivos, sindicatos, associações, organizações a fazer todo o possível para frear a repressão e o despejo de Prosfygika.

• A indivíduos, coletivos, estruturas, iniciativas a se unirem ou virem morar em Prosfygika.

• A permanecermos atentos ante possíveis provocações do Estado e da polícia, que tentarão dividir e desmantelar a Comunidade e nossa luta comum.

PROSFYGIKA CONTRA MITSOTAKIS E SUAS EMPRESAS. PROSFYGIKA É RESISTÊNCIA SOCIAL, AUTO-ORGANIZAÇÃO, IGUALDADE E SOLIDARIEDADE.

NEM UM EURO DE DINHEIRO PÚBLICO PARA A REURBANIZAÇÃO DE PROSFYGIKA.

TUDO PARA A COMUNIDADE, PELO AUTOFINANCIAMENTO E A AUTO-ORGANIZAÇÃO.

TIREM AS MÃOS DE PROSFYGIKA. VENCEREMOS OU VENCEREMOS.

Convidamos para a Assembleia Aberta em Solidariedade com a Comunidade Okupa Prosfygika, para informação mais detalhada acerca da situação e o plano de defesa para o bairro e a Comunidade.

Assembleia Okupa de Prosfygika, Av. Alexandras

E-mail: sykapro_squat@riseup.net

Blog: sykaprosquat.noblogs.org

Instagram: @sykapro

Twitter: @Prosfygika

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Um rouxinol!…
E na hora do jantar
a família reunida.

Buson

A Hora é Agora: Uni-vos, Trabalhadores, pela Dignidade e pela Luta!

Chega de silêncio, chega de aceitar migalhas enquanto constroem a riqueza da nação com o suor do teu rosto! Olha ao teu redor: a precarização avança, os direitos são rasgados e a ganância patronal tenta calar a nossa voz. A imagem que você vê não é um instantâneo qualquer; é o retrato da nossa força coletiva, o símbolo de que a união é o nosso maior escudo. Enquanto estivermos divididos, seremos apenas peças descartáveis na engrenagem. Mas, juntos, somos a engrenagem que faz o mundo girar! Acorda, classe trabalhadora! O momento de reagir é este, antes que arranquem de nós o pouco que conquistamos com décadas de luta.

Não espere que a mudança caia do céu ou venha da boa vontade dos patrões. A história prova que cada direito conquistado – da jornada de 8 horas ao descanso semanal, das férias ao 13º salário – foi fruto da nossa pressão nas ruas, da nossa coragem em cruzar os braços e dizer: “Não passarão!”. A exploração só recua quando encontra pela frente a muralha da nossa organização. Seja no sindicato, na assembleia da fábrica ou na mobilização popular, o nosso lugar é na linha de frente, lutando por dignidade, por salário justo e por respeito. A passividade é o combustível da opressão; a rebeldia organizada é o motor da vitória.

Portanto, vista a camisa da luta, chame o companheiro de trabalho, o vizinho, o amigo! A batalha que se aproxima não é de um, é de todos nós. O ato que esta imagem representa precisa de você para se transformar numa avalanche que derrube os muros da injustiça. Apareça, participe, organize-se! Junte-se a nós no [local do evento] e faça valer a nossa força. Porque um trabalhador sozinho pode até ser ignorado, mas a classe trabalhadora unida é capaz de parar o mundo e construir um futuro onde a nossa dignidade não seja moeda de troca. A luta é agora e a vitória será nossa!

União Anarquista Federalista – UAF

uafbr.noblogs.org

Contato: uaf@riseup.net

Filiada à Internacional de Federações Anarquistas – IFA (https://i-f-a.org/)

agência de notícias anarquistas-ana

na boca da fornalha
labaredas
dançam Falla

Eugénia Tabosa

“Democraticamente”, sob governo Lula 3, o Itaú lucrou equivalente a R$ 128,2 milhões por dia em 2025. 

[Austrália] Uma declaração de solidariedade e recusa

Nós estamos com aqueles que foram às ruas de Sydney contra o genocídio na Palestina. Nós estamos com aqueles que recusaram a visita de um representante de um etnoestado colonialista de povoamento. Nós estamos com aqueles que não foram recebidos com diálogo, mas sim com spray de pimenta, intimidação e violência policial. Para muitos, essa repressão foi um choque. Na Austrália, a brutalidade deveria acontecer em outro lugar. Aqui, a discordância deve ser educada, fragmentada e exaustiva. O que se desenrolou não foi erro. Nem excesso. Nem fracasso. Foi o Estado reconhecendo uma recusa que não podia mais ignorar sem consequências. Foi o poder respondendo à solidariedade que já não pede permissão. O medo estava do outro lado.

Nenhum de nós é a favor da violência, mas rejeitamos a definição oficial. A pobreza é violência. A fome é violência. A precariedade é violência. O desemprego é violência. A crise habitacional é violência. As fronteiras são violência. O racismo é violência. A ocupação colonial é violência. Isso não são slogans; são as condições materiais da vida cotidiana. As pessoas não vão às ruas porque gostam de confrontos. Elas agem porque a vida foi organizada contra elas, porque a dignidade, a segurança e a possibilidade de um futuro habitável lhes foram roubadas. E agora, porque são forçadas a testemunhar um genocídio.

Não estamos sujeitos apenas à repressão em nosso próprio país, mas também ao espetáculo constante de mortes em massa em outros lugares — mortes possibilitadas por nossos governos, financiadas por nossos impostos, justificadas em nosso nome. Dizem-nos para observar. Para aceitar. Para ficar em silêncio. Para testemunhar um genocídio, ser tornado cúmplice pela inação, ser punido por recusar essa cumplicidade — isso também é violência. E quando as pessoas recusam esse papel, o que as espera? Uma força armada para a ordem e a propriedade: cassetetes, escudos, armas químicas, armas de fogo. Ferimentos não são acidentes. O medo não é um dano colateral. A prisão não é prevenção. São apenas métodos. Ninguém arrisca a própria vida levianamente. Ninguém joga a liberdade por diversão. Reagimos porque somos alvos de ações.

A obsessão com a “violência dos protestos” é uma mentira contada aos quatro ventos para esconder uma verdade mais profunda. Se a revolta envolve violência, este é o mínimo em comparação com a violência permanente do próprio sistema. Este sistema sobrevive pela força. Despejo à força. Disciplina à força. Educação à força. Fronteiras à força. Polícia à força. A crise do custo de vida não é uma tempestade — é planejada. A crise imobiliária não é um fracasso — é uma política aplicada com lei e violência. Eis a diferença: entre a violência que defende a dominação e a recusa que a interrompe. Em Nova Gales do Sul e em toda a Austrália, a máscara está caindo. Protestar é criminalizado. Os poderes da polícia se expandem. A violência estatal fica impune. A solidariedade é rotulada de extremismo. O cuidado é reformulado como ameaça. Enquanto isso, os aluguéis disparam, as hipotecas se tornam insuportáveis, os salários despencam, as pessoas são empurradas para subúrbios intermináveis, deslocamentos intermináveis, exaustão sem fim. Isto não é desordem. É controle. A polícia não está fora deste sistema. Ela é a sua linha de frente visível.

Nossa solidariedade com a Palestina é total. Mas não é um chamado para reproduzir as mesmas estruturas que criaram essa catástrofe inicialmente. Genocídio não vem do nada. Ele cresce da criação das fronteiras, da soberania, exclusão — de estados organizando a vida através de dominação. A Palestina expõe isso com uma claridade brutal: colonialismo, nacionalismo, ordem militarizada e guerra permanente. Mas isso não é isolado. É a regra em qualquer lugar onde o pertencimento é imposto pela força. Nós falamos de terras roubadas. Austrália é construída em invasão e mantida através da lei, da polícia e das prisões. Nós não falamos pelos povos indígenas. Nós não prescrevemos terras, vida, ou libertação. Essas lutas são autônomas e autodeterminadas. Nossa tarefa é a recusa: para prejudicar o sistema do qual nos beneficiamos, para enfraquecer as instituições de expropriação, para praticar solidariedade sem dominação. Estar ao lado da Palestina não é demandar uma bandeira diferente. Trata-se de rejeitar o capitalismo e a própria forma de estado — ao mesmo tempo reconhecendo que a libertação tem muitas etapas, escolhidas por aqueles que vivem seu preço. Nós afirmamos a libertação sem fronteiras, sem exércitos, sem polícia — a libertação vivida diariamente, não administrada de cima.

Nos é dito: votem. Esse é o seu poder. Isso é realismo. Mas o que é realmente oferecido? Reacionários. Conservadores. Ou um partido trabalhista administrando à mesma economia, policiamento, fronteiras, e obediência ao capital e ao império. No fundo, a maioria das pessoas já sabe que esse sistema não funciona para elas. Elas sabem através de avisos de aluguel, de extratos de hipoteca, da impossibilidade de morar perto do trabalho, das horas roubadas pelo tráfego e fadiga, no medo de serem descartadas, nas imagens de morte em massa passando interminavelmente, no isolamento manufaturado como vida normal. Elas sentem isso constantemente — e é dito que elas não tem alternativa. Eleições não rompem essa ordem; elas a ritualizam. Elas tornam a raiva compartilhada em gestos privados e retornam o poder às estruturas que criaram a crise. O problema não é a apatia. É a imaginação sob domínio. Nos tornamos impotentes não porque a mudança é impossível, mas porque a ideia de outra vida é sistematicamente apagada. E, ainda assim, tudo poderia ser diferente. Esse mundo não é inevitável, ele é imposto.

Se eleições não podem nos libertar então a questão é como viver de outra maneira. Nós expandimos a luta recusando a separação. Palestina não é um problema único. Violência policial aqui não é isolada. Fronteiras, habitações, guerra, trabalho — eles formam uma realidade singular. Nós respondemos criando o oposto: ajuda mútua, cuidado coletivo, recursos compartilhados, auto-organização. Formas de viver horizontais que contradizem o presente. Estruturas que não pedem por permissão. Que não esperam por líderes. Que permitem que as pessoas decidam, ajam, e defendam uns aos outros diretamente. Isso não é sobre substituir um governo por outro. Trata-se de abolir a própria dominação.

A luta pela Palestina é uma brecha. Uma rachadura no espetáculo. Um momento onde a recusa se torna visível. A recusa de um mundo organizado envolto em morte. Uma abertura para um mundo organizado envolto em vida. A libertação da humanidade será total ou simplesmente não será. Contra a violência de estado e capital. Pela ajuda mútua, auto-organização e libertação coletiva.

Alguns anarquistas – Em solidariedade

Tradução > Núcleo de Traduções Libertárias Ferrer y Guardia (NTLFG)

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No olhar do companheiro
que constrói sem pedir licença,
o amanhã inteiro.

Liberto Herrera

[Itália] Novidade editorial: Dicionário Anarquista para Meninos e Meninas

Um pequeno dicionário para um grande ideal

Dicionário Anarquista para Meninos e Meninas

Conceito original, ilustrações e textos de Jorge Enkis

adaptados para a edição italiana

Dedicado a meninos e meninas a partir de 9 anos, este Dicionário, com sua linguagem simples, positiva e às vezes irônica, e suas ilustrações alegres, é uma ferramenta formidável para despertar o espírito crítico em relação a si mesmo e à sociedade como um todo. Ele ensina que cada questão pode ser vista de diferentes pontos de vista e que na vida é importante valorizar as coisas belas, sem deixar de lutar contra as injustiças. Para os adultos que ainda sabem se envolver, é uma excelente oportunidade de questionar as próprias certezas, mas também é um veículo de comparação e diálogo com a geração que será chamada a cuidar do mundo. Esperando que ele o faça com liberdade, solidariedade humana, respeito ao meio ambiente e a todos os seres vivos no coração.

Dizionario anarchico per bambini e bambine

Páginas 84

€ 14,00

edizionimalamente.it

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Cinco lobos correm
em noite de lua cheia.
— Uivos na floresta —

Tânia Souza

[Itália] Pesaro: QUEBRAR O GELO! Reivindicação de sabotagem da linha férrea contra as Olimpíadas

QUEBRAR O GELO

Na madrugada do dia 7 de fevereiro, a linha férrea próxima à estação de Pesaro (PU, Marcas) foi sabotada.

Esta ação visa tornar visíveis as contradições que o “espetáculo” das Olimpíadas carrega consigo, neste caso as Olimpíadas de Inverno Milão Cortina 2026. Entre os vários parceiros oficiais desses jogos estão empresas como Leonardo, Eni, Grupo FS, que colaboram e especulam sobre guerras e devastação da terra em nome do feroz progresso capitalista.

Solidariedade combativa a todos os trabalhadores e todas as trabalhadoras que se rebelam contra a exploração dos patrões, aos povos em luta pela libertação de suas terras e a quem se levanta contra esta sociedade.

Liberdade para todos os rebeldes e todas as rebeldes enjaulados!

Deu na mídia de massa:

Fonte: https://ispiraazione.noblogs.org/?p=292

Tradução > Liberto

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Libélula voando
pára um instante e lança
sua sombra no chão

Goga

[Reino Unido] Jantando com o Diabo

Mesmo que Chomsky não soubesse nada dos crimes sexuais de Epstein, ser amigo do arquifascista Steve Bannon é imperdoável

Kell com Farshéa ~

O que havia no multimilionário Jeffrey Epstein que permitiu que um professor sênior, de cultura e formação fortíssimas, de uma das melhores universidades particulares do mundo fechasse os olhos para os rumores que circulavam sobre o seu gosto por adolescentes?

Sejamos francos, ninguém se surpreendeu quando JK Rowldemort apareceu nos arquivos, convidando Epstein para o show inspirado em Harry Potter. Nem quando tentou silenciosamente apagar os registros do iate. Ela é uma transfóbica séria que coloca a vida de crianças em risco ao financiar campanhas de ódio, e cujos livros e filmes estavam cheios de clichês racistas e antissemitas. Mas e Chomsky? O velho professor libertário e intelectual e aclamado pelo público?

Quando Norman Finkelstein foi convidado por Robert Trivers para sair com Alan Dershowitz e Epstein em 2015, ele respondeu: “Tenho a impressão de que, se Epstein colocou a sua filha aos 15 anos nessa posição, você não o descreveria publicamente como um ‘amigo’ nem pessoa íntegra idônea. Na verdade, espero que você estrangulasse tanto Epstein quanto Dershowitz rapidamente.”

Então, como é possível que os Chomskys estivessem tão isolados na sua torre de marfim a ponto de não ouvirem esses boatos quando Noam participou das soirées de casas na cidade em 2015?

Epstein já tinha cumprido pena por tráfico de menor, em 2008, mas a esposa, Valeria quer que todos acreditemos que, 7 anos depois, eles eram ingênuos, inocentes confiantes que foram enganados pelo brilhante vigarista. Toda a explicação dela depende do idealismo e da bondade de Noam; um especialista em linguística e nas maquinações do Estado americano, mas que, de alguma forma, em outros aspectos, era um inocente por fora. Então, ou Valeria também era igualmente ingênua, ou o casal simplesmente não tinha a firmeza moral de Norman Finkelstein.

O que chama atenção no seu texto é o quanto evitou mencionar a sua própria responsabilidade, ter conhecimento ou a sua cumplicidade.

Não acredito que Chomsky tenha ido a festas sexuais ou à ilha. Mas ele e Valeria foram à casa geminada de Epstein e ao Zorro Ranch (que agora está sendo exposto como mais um inferno para abuso infantil entre adolescentes). Sem esquecer que Chomsky está nos arquivos “fantasiando sobre a ilha caribenha”. Então ele e Valeria certamente eram companheiros de viagem e acompanhantes dos eventos de ricos e bem conectados de um homem excepcionalmente repugnante.

Mesmo que acreditemos em Noam e Valeria, vagando por grupos de pessoas ricas e poderosas, todos amigos do generoso Sr. Epstein, não sabiam nada sobre os crimes sexuais; nem daquele almoço de 3 horas intermediado por Epstein? Aquele pelo qual Valeria não pediu desculpas e está realmente torcendo para que não tenhamos notado?

Porque, como mostram as fotos, Chomsky, libertário repreensor do imperialismo americano e herói para muitos da esquerda e do anarquismo, fez amizade com um amigo improvável nesses encontros notórios. Entra, à direita do palco: Steve Bannon.

Ninguém esperava que Chomsky aparecesse nos arquivos, e absolutamente ninguém esperava que ele fosse um companheiro de bebida de um fascista internacional. O que os Chomsky estavam fazendo ao recebê-lo para almoçar em 10 de fevereiro de 2019? Bannon, que não só fez parte do primeiro gabinete de Trump, mas passou anos construindo vínculos entre partidos de extrema-direita e fascistas na Europa e América do Norte. Bannon de Breitbart, da supremacia branca nativista.

Eles não podem fingir que nunca ouviram falar de Bannon. Não são só fotos constrangedoras em festas. Foi um almoço de verdade de 3 horas. Com um fascista de verdade. Talvez tenha sido essa arrogância, como a de intelectuais liberais, professores estáveis, você pode conversar com pessoas do outro lado da divisão em uma trégua civilizada, por mais repugnante que seja, em nome do discurso intelectual e da curiosidade objetiva. Como um dos ‘intelectuais públicos’ do mundo, Chomsky tinha carta branca para sentar e conversar com um organizador fascista internacional. O que fez Valeria? Estava sentada à mesa? Ou lavando as mãos repetidamente no banheiro?

Tenho vontade de admitir que, enquanto tinham algum respeito por Noam Chomsky, anarquistas, anti-imperialistas e antifascistas, por décadas, citavam seus livros e pagavam suas contribuições; e estavam ele e esposa conversando num almoço com um poderoso organizador fascista. Após a Segunda Guerra Mundial, pessoas que haviam colaborado com os nazistas foram arrastadas para as ruas, as suas cabeças foram raspadas e elas foram exibidas para todos verem. Eu realmente gostaria de saber por que não deveríamos buscar a máquina de cortar cabelos agora.

(Lembrando todas as vítimas de Epstein e, em particular, Ava Cordero, moça trans de 16 anos que ele abusou entre 1999 e 2001 e que, depois, foi desacreditada, abusada e criticada pela mídia que o protegia).

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2026/02/12/dining-with-the-devil/

Tradução > CF Puig

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agência de notícias anarquistas-ana

Calada resiste
a flor entre o asfalto duro —
ninguém a doma

Liberto Herrera

[Espanha] Mambrú não foi à guerra: 45 anos desobedecendo

Salam aleikum.

Replicamos hoje, na íntegra, o texto de 4 de fevereiro com o qual o Coletivo Mambrú, de Zaragoza, celebra seus primeiros 45 anos desobedecendo. O celebram com o texto que segue, com o convite a um ato e com um link à primeira publicação de Mambrú.

Muitas felicidades. Parabéns e um forte abraço.

E vão quarenta… e cinco.

Este inverno, enquanto os amos do dinheiro — que não de nossas vidas, pois são só nossas —  se esforçam para empobrecer o mundo e militarizá-lo, nosso coletivo Mambrú completa 45 anos de vida desobediente e 40 da publicação antimilitarista da qual tomamos seu nome após conseguir acabar com a mili.

O antigo COA (Coletivo de Objeção e Antimilitarismo) nasceu em novembro de 1980 junto ao desaparecido CAN (Coletivo para uma Alternativa Não violenta). Ambos surgiram do primordial Grupo de Objetores de Zaragoza, que começou sua trajetória até 1973. Com o COA criamos o fanzine antimilitarista Mambrú, uma humilde revista aragonesa de contrainformação editada pela primeira vez em dezembro de 1985.

Esta publicação se converteu no órgão ‘oficial’ de um florescente Movimento de Objeção de Consciência no Estado espanhol (o MOC), cuja fundação em 1977 contou com a contribuição de integrantes de nosso grupo. Hoje, aquela velha revista é um meio de expressão digital para a aprendizagem da não violência que serve de porta voz à resistência civil de todo o planeta, uma infinidade de experiências pacíficas, muitas delas ignoradas, que os contamos com orgulho e admiração.

Se olhas atrás… a luta histórica pela objeção de consciência frente aos quartéis da ditadura franquista, a insubmissão em uma democracia que a chamam assim e não é, a auto-organização antimilitarista, tenaz, valorosa, dentro e fora de seus cárceres ate acabar com o serviço militar obrigatório e a prestação substituta, a desobediência civil sem fronteiras contra os senhores da globalização neoliberal, oficinas e mais oficinas de educação para a paz, contra a economia de guerra e a precarização social, a denúncia dos crimes e a repressão na Bósnia, Iraque, Palestina, Síria, Ucrânia, Venezuela, Irã, Mineapolis…

Uma soma interminável de guerras, invasões racistas e coloniais, ditaduras, estados policiais… Mas também uma corrida emocionante para melhorar a condição da humanidade, para oferecer ferramentas não violentas aos movimentos civis para opor-nos às injustiças e divulgar alternativas à defesa armada e a autodestruição humana e meio ambiental.

Mambrú é centenas e centenas de ações diretas coerentes, transformadoras e divertidas — Por que não mudar o mundo com alegria? — Para defender-nos dos que dizem defender-nos, ainda que na verdade só defendam, a sangue e fogo, capitais, impérios e privilégios. Ao longo de todo este tempo compartilhado nos moveu a convicção de que o caminho que seguimos é um espelho do destino; por isso, nos esforçamos para que nossos métodos sejam sempre coerentes com nossos fins, com o mundo que desejamos viver. Não queremos esperar o futuro para sermos livres, queremos que nossas formas de atuar agora sejam já um reflexo desse mundo novo que levamos em nossos corações.

Somos um punhado de gente disposta a frear a apologia da guerra, que questiona a normalização da violência e a dominação estrutural, que trata de prevenir-nos de novas e mortíferas guerras ou da repressão cotidiana superando a ideia de que a segurança requer exércitos, autoritarismo, hierarquias, rearmamento, obediência cega…

Se diz que quem controla o passado controla o futuro, e quem controla o presente controla o passado. A nossa é uma luta contra o controle do tempo vivido e por viver, também contra a indiferença e o esquecimento que perpetua as causas e agrava as consequências dos problemas aos quais nos enfrentamos. Celebramos nossa memória, refletindo sobre o ontem para imaginar, e construir, um amanhã de justiça. Somos um pequeno coletivo fazendo coisas pequenas para mudar o mundo.

Por isso, e porque cuidar da memória antimilitarista é imprescindível para cuidar uma sociedade que urge desmilitarizar, te convidamos para sexta-feira, 13 de fevereiro, a uma jornada de debate e reencontro. Esse dia, celebraremos, às 18h30 em La Pantera Rossa (San Vicente de Paúl 28), um cine fórum com «Te harán un hombre», de Mireia Prats e Joan Torrents. Um documentário que repreende a sociedade sobre a normalização da violência militarista, a impunidade do exército espanhol e a ausência de transparência institucional em uma democracia sob a sombra da ditadura franquista.

O filme conta em primeira pessoa os abusos que sofreu a juventude durante o serviço militar espanhol, um maltrato institucional que poderia repetir-se no caso de implantar-se de novo aproveitando o impulso belicista que vivemos e com o pretexto de fortalecer a segurança europeia.

Gostaríamos de ver-nos, refletir juntas, sorrirmos de novo e seguir imaginando contigo outra existência. Vens?

Fonte: https://www.politicanoviolenta.org/mambru-no-fue-a-la-guerra-45-anos-desobedeciendo/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

folhas escuras
tremem na brisa
à contra-lua

Rogério Martins

Traduções

[Uruguai] A cultura anárquica do comum

O fundo de um imaginário coletivo subversivo

Comecemos por uma obviedade: no capitalismo, os assuntos comuns geralmente não são resolvidos pelas próprias pessoas envolvidas. Embora as relações hegemônicas em nossa sociedade — aquelas que configuram os modelos sociais dominantes — sejam estruturadas com base na dominação política, elas não são, no entanto, as relações majoritárias. As relações majoritárias são aquelas que poderíamos chamar, em termos políticos amplos, de relações anarquistas, isto é, relações não mediadas pelo mando-obediência.

Em nosso cotidiano, participamos mais da criação comum de regras (explícitas ou não) do que da elaboração de leis e assumimos mais responsabilidades do que ordens. Isso não costuma ser pensado dessa forma, é claro, nem mesmo por quem nos acompanha. Para a maioria das pessoas, a afirmação aristotélica de que no mundo sempre algo manda e algo obedece parece incontestável.

Essa preeminência atribuída às relações baseadas na dominação funciona dentro de um paradigma da dominação justa que permeia quase toda a filosofia política, salvo raríssimas exceções. Segundo esse paradigma, as relações de dominação, as chefias, são inevitáveis. Não importa se para sempre, dado que “o ser humano é o lobo do ser humano”, ou apenas por um período, enquanto se conduz pelo “caminho da verdade”; a dominação política seria justa e necessária.

Essa visão, contestada repetidas vezes pelas ideias e práticas dos espaços de auto-instituição, costuma invisibilizar a multiplicidade de relações existentes. E é justamente nessa multiplicidade que podemos nos apoiar para romper seus pressupostos instituídos. Embora invisibilizada, a auto-instituição — essa série de processos por meio dos quais o comum é produzido e sustentado sem mediações hierárquicas — é parte fundamental das lutas antagonistas e do cotidiano das comunidades.

Na política, porém, não houve nem há maior medo do que do que o de baixo é capaz: a ralé, a plebe, os pobres. A ideia da necessidade de representação da vontade e de chefia encontrou sustentação, repetidas vezes, nesse medo. Mesmo para grande parte da crítica ao populismo atual, o verdadeiro problema, como se se tratasse de uma essência maligna, um monstro adormecido, reside nas classes subalternas. O “pecado” dos partidos populistas, nesse caso, seria exacerbar, liberar esse mal.

Para rejeitar toda visão elitista e paralisante, que transforma o anárquico em patrimônio de uma minoria iluminada, precisamos revisar as noções a partir das quais nos pensamos. Hoje, inclusive em nossas iniciativas, parece haver menos clareza — ou acordo — sobre o que exatamente defendemos.

Duas formas de entender o comum

A uma concepção identitária de comunidade — entendida como um conjunto estável de características compartilhadas por um grupo humano, em última instância, uma propriedade comum — opõe-se uma noção mais ampla, entendida como um modo de ser em comum. Nessa concepção mais dinâmica e relacional de comunidade, as pessoas não são meras receptoras passivas de uma propriedade, mas parte fundamental de um processo contínuo e coletivo de construção. Portanto, a comunidade não é nada exterior, nada “fora” das próprias pessoas. Tampouco é entendida como um bem de propriedade imutável que deva ser defendido.

Em vez disso, a comunidade surge por meio das relações nas quais as pessoas instituem o comum e nas quais, ao mesmo tempo, essas mesmas relações as instituem. Instituir refere-se, então, aos processos pelos quais as pessoas sustentam a vida coletiva: atribuem-lhe sentidos, protegem-na e organizam sua continuidade. Agir como se todos esses processos pertencessem de alguma forma ao Estado — isto é, identificar sociedade com Estado — é tão equivocado quanto pensar que eles estão livres da ingerência dos modos estatais.

O paradigma político identitário, assim, reproduz uma visão bastante limitada dos processos e do papel das pessoas na criação do comum. Embora, no processo de instituição conjunta do real, o novo não surja do nada, mas do previamente instituído, tampouco é jamais a reprodução exata do que já existe. Cada pessoa, ao se relacionar com o e com as demais, recria o mundo, sempre o modificando. O novo emerge inevitavelmente, ainda que transformar de raiz o que foi historicamente instituído não seja algo fácil.

O comum nunca é algo estático, alheio ou superior às pessoas que o compõem, como pretende a visão identitária. O comum é uma copresença, um estar-juntos, um compartilhar que se torna responsabilidade ética diante das outras pessoas. Parece óbvio, mas o fato de as pessoas viverem juntas significa que estão implicadas umas nas outras, e não apenas lado a lado. Essa visão distorcida de como o real é instituído incide na reprodução da ordem atual ao gerar uma ideia que nos desvincula do processo.

Alteridade e coimplicação

No paradigma identitário, além disso, a alteridade — toda relação com o outro — é tomada como um processo negativo. A relação não é produtiva, mas sempre uma relação de contenção. Ao papel passivo na construção do comum atribuído às pessoas soma-se a interpretação da interação social como um conflito contínuo entre indivíduos negociando sua sobrevivência.

Essa ontologia individualista, majoritariamente associada à ideia liberal — sujeitos independentes ou, no máximo, relações intersubjetivas — não consegue descrever adequadamente as relações entre as pessoas. Mesmo quando se afirma que da negação do outro possa surgir algo posteriormente positivo, a visão dos limites é sempre negativa. Isso levou à interpretação equivocada de que o anarquismo seria apenas uma reação especular ao poder político instituído. Esse erro explica, ao menos em parte, um falso antagonismo e um reducionismo entre a capacidade destituinte e instituinte dos movimentos antagonistas e antiautoritários.

No entanto, é possível conceber a alteridade a partir de outro ponto de vista, que suponha uma experiência diferente do limite. Não estamos obrigados a sobreviver aos outros; nossa singularidade, nós mesmos, emergimos de uma vasta série de relações — não apenas de negação — que estabelecemos com eles. Ao contrário do que dizem aqueles que incitam o medo do outro, as demais pessoas são a própria condição de possibilidade de todos os nossos desenvolvimentos possíveis, bons e maus. Quem nos cerca é parte do que somos e, na alteridade, ampliamos ou diminuímos nossas próprias potências.

A relação entre os sujeitos e o meio, portanto, é de coimplicação e cofuncionamento, não de separação ou mera negação. O comum é o que surge nessa relação. Pensar a comunidade e suas relações a partir da diferença e da alteridade desafia certa pretensão autoritária de uniformidade e homogeneidade das comunidades.

Uma figuração anárquica do comum

Ao abandonar a ideia de uma alteridade sempre negativa e de sujeitos substanciais, podemos enfrentar o desafio de pensar o comum como condição mesma dos desenvolvimentos coletivos antiautoritários, ali onde a diferença se torna produtiva. O comum é o terreno de conflito e a condição de possibilidade da criação anárquica: a auto-instituição. A singularidade e a vitalidade desse tipo de criação residem em práticas que prescindem tanto de qualquer chefia externa ou interna quanto de qualquer forma de representação ou passividade.

A cultura do comum deve enfatizar o caráter contingente, relacional e transformador do estar-juntos. A contingência própria do que é vivo reforça a proposta. Na prática, a auto-instituição, por sua vez, supõe a rejeição da representação e de qualquer vínculo com princípios abstratos universais colocados acima das pessoas. Portanto, embora propostas de todo tipo sejam importantíssimas, não há espaço para modelos de pretensão universalista que busquem substituir os envolvidos ou abarcar toda a complexidade social.

Uma figuração anárquica da cultura do comum pode irromper no imaginário coletivo como a afirmação e o máximo possível de ampliação das potências coletivas.

Instituir a diferença

Não é preciso se preocupar com o comum, no sentido de que ele simplesmente já existe; mas sim com as possibilidades que se abrem ao pensá-lo de maneira diferente. Por que insistir em uma ideia de alteridade que não reconhece as infinitas possibilidades da interação? Por que apegar-se a um elitismo que reduz a anarquia ao excepcional?

O antagonismo entre construção e destruição é falso. O anarquismo não pode ser reduzido à simples negação ou reação especular da ordem instituída que, embora o condicione, não pode determiná-lo. Na prática, a negação, como destruição parcial ou total do mundo instituído, é indissociável da instituição, ao mesmo tempo, de outros mundos. Mesmo na perspectiva insurrecional, não há fim do capitalismo sem mais “instituições anarquistas”, ou seja, sem generalizar esse sustentar a vida coletiva em chave antiautoritária. Portanto, rejeitar a necessidade da projeção anárquica equivale já a fracassar.

Ao mesmo tempo, o anarquismo tampouco pode ser reduzido a uma construção paródica em que, de algum modo, se vive um ideal futuro. As práticas anárquicas afirmam e ampliam potências comuns, transformações e conflitos no presente. A projeção dos movimentos, o impulso projetual das capacidades do de baixo, não supõe criar modelos únicos nem combater monstros com monstros. A criação auto-instituinte é sempre provisória, aberta e mutável. É o terreno de combate do possível.

O que defendemos não pertence ao futuro, não é abstrato, nem está fora ou acima de nós. Não há anarquismo sem sujar as mãos; a luta por generalizar a auto-instituição do comum não garante resultados, mas justamente por isso torna tudo possível.

Regino Martinez

Fonte: https://redeslibertarias.com/2026/01/21/la-cultura-anarquica-de-lo-comun/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Árvore amiga
enfeita meus cabelos
com flores amarelas

Rosalva

[México] Fúria do Livro e da Gráfica Anarquista, 6 e 7 de março

Sexta-feira, 6 de março, e sábado, 7 de março, na loja de chocolates solidária Las 400 voces. A partir das 11h. Cidade do México.

Em meio à turbulência atual, estamos conspirando para criar este belo encontro!

Um pretexto para nos vermos, conversarmos e celebrarmos juntos estes 13 anos de existência como projeto editorial!

Pela libertação total — animal, humana e da Terra!

Liberdade para Sheveck!

Deseja apresentar uma publicação, projeto, palestra ou oficina?

Escreva para nós em editorialmareanegra@proton.me

agência de notícias anarquistas-ana

Laranjais em flor.
Ah! que perfume tenuíssimo…
Esperei por ti…

Fanny Dupré

O Colapso Que Nos Convoca

O edifício podre do capitalismo global entra em convulsão terminal. Suas fundações, erguidas sobre exploração e ecocídio, rangem até à exaustão. Este não é um acidente de percurso, mas o desfecho lógico de um sistema que consome vidas e planetas com a mesma frieza. Diante desse iminente colapso civilizacional, a pergunta crucial não é como salvar as ruínas, mas como garantir que, na queda, esmaguemos de vez o altar do Capital, do Estado e de toda hierarquia. E a resposta, clara e urgente, é a da ação anarquista: que os explorados e oprimidos sejam, sem qualquer mediação ou piedade, os atores conscientes da derrocada deste mundo doente.

Os arautos do poder, em pânico, já oferecem suas soluções envenenadas: mais Estado, mais controle, mais “capitalismo verde” para gerir a escassez que eles próprios criaram. Querem nos convencer a confiar novamente nos carcereiros, agora como supostos bombeiros. É uma fraude histórica. O Estado, longe de ser um antídoto, é o braço armado e o gestor burocrático da catástrofe. Sua lógica é a da soberania sobre pessoas e territórios, da triagem social em meio ao caos, da perpetuação de uma elite em bunkers mentais e materiais. Confiar nele para nos guiar no colapso é como entregar o rebanho ao lobo para que o proteja.

Portanto, a única força histórica capaz de não apenas sobreviver ao colapso, mas de forjar no seu fogo algo radicalmente novo, somos nós: a multidão dos sem-poder, dos precarizados, dos racializados, dos esmagados pela máquina. Não temos interesse em preservar este mundo, pois ele nunca nos pertenceu. Nosso poder reside exatamente no que o sistema nos negou: a desvinculação afetiva de suas instituições moribundas e a capacidade criativa de quem sempre teve que reinventar a vida nas frestas. O colapso não é o fim da nossa história; é a demolição necessária do palco onde sempre fomos coadjuvantes.

A hora não é de petições, nem de esperar por salvadores políticos. É a hora da ação direta, da organização horizontal e da solidariedade agressiva. Cada greve selvagem que paralisa os fluxos do capital, cada centro social ocupado que vira base de apoio mútuo, cada infraestrutura comunitária que ignora o Estado e o mercado, são laboratórios do futuro e golpes diretos no presente caduco. É na prática concreta das assembleias populares, das redes de abastecimento autogeridas, da defesa comunitária, que se forja a consciência e o poder de que precisamos. É assim que se desmonta um mundo: criando, aqui e agora, os embriões do que virá.

Rejeitamos com todo vigor qualquer pacto faustiano que nos ofereça migalhas de “estabilidade” em troca do desarme de nossa rebeldia. A esquerda autoritária, com sua nostalgia de Estados fortes e vanguardas iluminadas, é um beco sem saída. Ela só reproduz, com nova roupagem, a mesma lógica de comando e obediência que nos levou ao abismo. Nosso caminho é outro: não a tomada do poder, mas a sua dissolução. Não a gestão da crise, mas a explosão criativa a partir dos seus escombros.

Que o medo, portanto, seja combustível, não paralisia. O sistema se alimenta do nosso temor do caos, vendendo segurança em troca de liberdade. Mas o verdadeiro caos é a ordem atual, que diariamente destrói ecossistemas e condena gerações. Nossa ousadia deve ser proporcional à monstruosidade que enfrentamos. “Não há nada a perder, exceto nossas próprias correntes”. E há um mundo a ganhar: um mundo sem senhores, sem fronteiras, sem a máquina de moer corpos e sonhos; um mundo onde a liberdade individual seja indissociável da comunidade livre, onde a necessidade de destruir ande de mãos dadas com a paixão de construir.

O colapso iminente não é um apocalipse, é um parto. Doloroso, caótico, mas carregado de uma possibilidade imensa. Cabe a nós, anarquistas e rebeldes de todas as bandeiras, ser a parteira desta nova era. Não com discursos, mas com mãos que desmontam o velho e erguem o novo. Não com líderes, mas com a força coletiva dos que ousam governar a si mesmos. Que a derrocada do mundo doente seja a nossa obra mais ousada, e o caos que se avizinha, a tela em branco onde, enfim, pintaremos a liberdade.

Liberto Herrera.

agência de notícias anarquistas-ana

Entardece,
Gaivotas riscam o céu
Flores brancas nascem na mata

Betty Mangucci

[México] Jorge Esquivel… O “Yorch”!

Um companheiro punk, anarquista, cozinheiro e artesão, membro ativo da Okupa Che ao longo de muitos anos, presente também em coletivos e no apoio a outros movimentos e movidas anticarcerárias.

Um companheiro que por duas vezes esteve encarcerado por uma mesma montagem com acusações fabricadas e provas plantadas, como parte de um golpe repressivo orquestrado pela UNAM e pelo Estado contra a Okupa Che.

Um companheiro que após três anos de prisão perdeu a vida, por responsabilidade da mesma UNAM, do Estado e de seu sistema carcerário.

YORCH NÃO MORREU, O ESTADO O MATOU!

Em 2016, enquanto saía da UNAM depois de um evento anticarcerário na Okupa Che (Cidade Universitária, na Cidade do México), Jorge Esquivel é sequestrado pelo Estado. Colocam-no numa camionete sem placas, com rumo desconhecido. Plantaram-lhe uma mochila cheia de drogas e o torturaram. Passaram-se horas até que fosse apresentado ao MP, com uma acusação fabricada de narcotráfico na modalidade de venda.

Yorch é levado ao presídio de Miahuatlán, Oaxaca, e posteriormente transferido para um presídio de segurança máxima em Hermosillo, Sonora, a centenas de quilômetros de seus companheiros e sua rede de apoio, com a clara estratégia de desmobilizar os compas que exigiam sua liberdade. Mas a solidariedade não reconhece fronteiras, e ainda com as distâncias, os companheiros puderam agir. Depois de 20 dias, em março de 2016, Yorch sai sob fiança. As provas fabricadas contra ele são insuficientes, e a acusação é reclassificada para posse simples de entorpecentes. Quatro testemunhas declararam que Yorch sequer carregava uma mochila no momento de sua detenção, e as provas forenses demonstraram que não havia nenhuma impressão digital sua nem na mochila nem nas embalagens das drogas apresentadas. Este fato se desenvolve em meio a toda uma onda repressiva contra o movimento anarquista nesses anos; a Okupa Che e seus ocupantes foram hostilizados durante um longo período de tempo — coisa que até hoje não cessa —, chegando ao grau de policiais à paisana dispararem contra alguns indivíduos nos arredores da okupa, ferindo 2 deles, assim como ataques paramilitares e perseguição constante. As tentativas de despejo, a espionagem e as notícias sensacionalistas ou notas marrom da imprensa iam armando pouco a pouco a montagem, preparando o terreno para uma arremetida contundente contra a okupa. Yorch saiu em liberdade, mas a montagem continuou sendo armada. As ameaças constantes e informes jornalísticos não cessaram; a imprensa sensacionalista inclusive chegou a divulgar que ele estava morto e o acusou de participar do crime organizado.

Passam-se os anos, é 2022. O governo de turno é do MORENA, os discursos do poder mudam nas palavras, mas as estratégias repressivas seguem, junto à crescente militarização de todo o território e à expansão do controle tecnológico.

Na noite de 8 de dezembro, Yorch é seguido por três pessoas, e uma vez fora da UNAM, mais de uma dúzia de agentes à paisana o separam de sua bicicleta e o imobilizam para colocá-lo à força num carro cinza sem distintivos e com os vidros escurecidos.

Por muitas horas se desconheceu seu paradeiro, até que se soube que estava detido no Reclusório Oriente por ordem de reprise de mandado. O juiz determinou que se considerasse o processo com as acusações originais, sem direito a fiança.

Como sempre, o processo judicial é repleto de muitas irregularidades, com frequentes cancelamentos de audiências e atrasos de todo tipo. O juiz notifica que seria necessário repetir uma parte da etapa de apresentação de provas, atrasando o processo uma vez mais. Assim como antes, não havia nenhuma evidência que sustentasse as acusações fabricadas contra ele, mas o objetivo do poder era mantê-lo ali a todo custo pelo máximo de tempo possível.

Durante seu encarceramento, Yorch tentou manter-se forte e ativo, apesar das múltiplas formas de castigo e punição do isolamento do Estado. Sua comunicação com o exterior seguiu constante por cartas, enquanto também seguiam as visitas, atividades solidárias, os atos, divulgação de seu caso, apoio econômico e material.

Em junho de 2024, Yorch é condenado a 7 anos e 6 meses de prisão, apesar de que as provas apresentadas demonstraram sua inocência, deixando claro uma vez mais o caráter político do processo e as intenções do Estado em mais uma arremetida contra os anarquistas. Após apelação, o Segundo Tribunal Colegiado de Apelação Penal reduziu a pena para 5 anos e 100 dias de multa.

Em 9 de dezembro, um dia depois de se completarem dois anos de sua detenção, Yorch é transferido sem aviso, sem que fosse informado a ninguém seu paradeiro, estado físico, e tampouco os motivos da transferência. Por meio de uma ligação, Yorch confirma ter sido transferido do Reclusório Oriente para o Reclusório Sul, sem que o deixassem levar nenhuma de seus pertences.

O ASSASSINATO DE UM ANARCOPUNK…

Desde 2019 sofria de problemas de saúde após uma apendicite não tratada a tempo. Na prisão, com as muitas negligências, a negativa do poder em lhe dar a atenção médica necessária, as transferências e os mesmos efeitos da cadeia na saúde dos presos, piora-se cada vez mais seu já frágil estado de saúde. No final de 2025, nosso companheiro entra em estado grave. Após muita pressão é transferido, passando semanas vagando de um hospital a outro, sem que ninguém informasse claramente sobre seu nível de gravidade. Será somente no último hospital, minutos antes de que fosse entubado por falhas neurológicas que não lhe permitiam mais respirar por si só, que seus próximos foram informados, mas já era tarde demais.

EM 9 DE DEZEMBRO, TRÊS ANOS DEPOIS DE SUA PRISÃO, nosso companheiro perdeu a vida.

Morreu de cadeia, assim como tantos outros anarquistas ao longo de nossa história ácrata que ousaram lutar pela liberdade e puseram as ideias em ação para fazer cair o poder e toda autoridade. Um lento assassinato do qual responsabilizamos a UNAM, o Estado e seu sistema carcerário.

ASSASSINOS!

Sua morte não se esquece, não se perdoa. Ao YORCH, e a tantos outros companheiros, os recordamos e mantemos viva a memória negra em nossas mentes, corações e em nosso agir anárquico. Mantemo-los vivos nas ruas, no fogo, no silêncio e na escuridão da noite, assim como segue vivo nosso ódio ao poder e nosso amor pela liberdade. Sua morte não se esquece, é um ataque a mais do Estado contra todos os que lutam pela liberdade. E como resposta, só pode haver vingança e confrontação!

Longe de uma visão moralista e cidadã que apoia um compa somente enquanto haja uma suposta inocência declarada, é importante recordar que inocente x culpado são conceitos do mesmo Estado que dizemos combater, baseados em suas próprias leis e juízos morais. Nosso agir e nossas propostas vão em direção ao conflito e à libertação total, à destruição do próprio Estado e de toda forma de poder, e nossa luta não cabe em suas definições. Nem inocentes, nem culpados, inimigos do Estado! E a solidariedade anárquica segue adiante para além destes conceitos.

2026, A REPRESSÃO SEGUE… A REVOLTA TAMBÉM!

A Copa do Mundo no México se aproxima, o contexto político e repressivo se agudiza. Muito aconteceu nestes tempos em nível local, somando-se aos inúmeros conflitos de escala internacional. No mês seguinte à morte de Yorch na cadeia, outro companheiro anarquista e vegano, Arturo Lugo, o “Sheveck”, foi encarcerado num presídio de segurança máxima no Estado do México, por acusações de danos ao patrimônio com agravante de formação de quadrilha. Preso por sua participação em movidas estudantis da FES Acatlán contra o abuso sexual em 2020. Uma vez mais, a UNAM é protagonista do processo repressivo, e seguirá adiante contra outros estudantes.

Não é pura coincidência que estejam novamente em cima dos anarquistas em tão pouco tempo, isto é parte direta das estratégias repressivas do poder a todo tipo de dissidência, que já vinham desde tempos sendo pouco a pouco anunciadas de muitas formas e por muitos meios, e que volta a se intensificar com o atual contexto político.

Há que recordar também o caso de Miguel Peralta, companheiro anarquista que desde há anos sofre perseguição por uma montagem repressiva motivada por sua participação nas lutas pela autonomia de sua comunidade, Eloxochitlán de Flores Magón (Oaxaca), e que atualmente segue numa longa batalha jurídica enfrentando uma possível condenação de 50 anos de prisão por acusações fabricadas. E para além dos anarquistas em específico, a repressão do poder segue atingindo outros tantos grupos, comunidades e individualidades em luta.

Isto tampouco se limita ao território mexicano, os processos repressivos e leis cada vez mais pesadas em todo o mundo contra o que chegam a tipificar como terrorismo, vão a todo vapor em muitos territórios, levando à cadeia por décadas os companheiros anarquistas que ousam agir e atacar — como é o caso de nossos compas Alfredo Cospito na Itália, Mónica Caballero e Francisco Solar no Chile, para nomear alguns dos tantos companheiros atualmente atrás das grades em diversas latitudes. Se por um lado os grupos cidadanistas e de direitos humanos seguem uma e outra vez gritando contra a criminalização e pelo “direito à protesta”, vociferando que “lutar não é crime”, já é mais que hora de abandonar estes discursos, e compreender de uma vez que onde há luta e confronto, onde há insubmissão, ação direta e uma crítica ativa ao poder e a toda forma de autoridade e domínio, sempre haverá repressão. A luta pela liberdade que vai para além dos direitos estabelecidos e aceitos pelo Estado, ou das “formas” de protesto consideradas legítimas desde sua ótica cidadã, sempre será de um modo ou de outro criminalizada, seja com montagens, com leis cada vez mais duras, perseguição e mais anos de cadeia, ou outras estratégias repressivas e legais que vão mudando a cada momento.

As leis, as cadeias, a polícia e seu estado de direito serão sempre seus instrumentos de repressão, adaptados a suas finalidades políticas. Para o Estado, LUTAR SEMPRE SERÁ UM CRIME se a luta em questão não estiver dentro de seus limites de negociação previamente impostos. Não esperemos aceitação nem permissão. Tampouco roguemos pela posta em prática de palavras mortas escritas numa constituição ou num código legal. Nossa liberdade não se negocia, não se pede, não se dá com base na legalidade do Estado.

Se lutar é um crime, a luta é o crime que jamais deixaremos de cometer! Abandonemos o cidadanismo e partamos para o confronto!

YORCH VIVE! LIBERDADE A MIGUEL! LIBERDADE A SHEVECK!

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

A noite caminha.
No negrume, o vaga-lume
acende a bundinha.

Flora Figueiredo

[EUA] Pantera Anarquista (Anarchist Panther – pré-lançamento) | Antologia de Ashanti O. Alston (The Selected Writings of Ashanti O. Alston)

Ashanti Omowali Alston (autor); William C. Anderson (com); kai lumumba barrow (Prefácio)

Primeira antologia de um pensador celebrado do anarquismo preto

Um dos legados duradouros da Era dos Panteras Pretas foi a virada que alguns revolucionários fizeram para a política que questiona liderança hierárquica, o patriarcado e o papel do Estado nas transformações sociais. Essa prática definiu uma forma distinta de anarquismo enraizada na experiência preta. Ashanti Omawali Alston ajudou a nutrir e definir essa virada através das suas vivências com o Partido Panteras Pretas e o Exército de Liberação Preta (Black Liberation Army), além das atividades de movimento social desde o final dos anos 1960 até hoje. Pantera Anarquista (Anarchist Panther) reúne, por primeira vez, o seu pensamento que influenciou gerações de radicais por todo o mundo.

Esses ensaios, entrevistas e falas traçam as ideias e influências de Alston, incluindo psicologia, apoio a presos políticos, feminismo e o legado do Partido Panteras Pretas, a rebelião zapatista e o anarquismo preto. Editado junto com William C. Anderson e prefaciado por kai lumumba barrow, Pantera Anarquista (Anarchist Panther) traz a luz a linda expressão do movimento “todo o poder ao povo!” (“all power to the people!“)

Ashanti Omowali Alston é escritor, palestrante, pai, ativista originalmente de Nova Jersey. Foi membro do Partido Panteras Pretas e do Exército de Liberação Preta. Alston traz inspiração e orientação para jovens ativistas, ajudando a desenvolver a política de anarquismo preto e a apoiar presos políticos.

William C. Anderson é escritor e ativista originalmente de Birmingham, Alabama. O seu trabalho aparece em publicações como o GuardianMTVTruthoutBritish Journal of Photography e em Pitchfork, entre outras. É autor de The Nation on No Map (A nação sem mapa) e é coautor de As Black as Resistance (Tão preto quanto a resistência). Os seus escritos foram incluídos nas antologias Who Do You Serve, Who Do You Protect? (A quem você serve, quem você protege?) No Selves to Defend (Ninguém a defender).

Por mais de 40 anos, kai lumumba barrow trabalhou em diversas organizações em campanhas e projetos para parar a expansão de cadeias, confrontar a violência policial, libertar presos políticos e experiências com modelos abolicionistas para a lógica carcerária redutora. barrow é interessada na prática da imaginação radical, experiências com abolição e o vernáculo estético. As suas pinturas expansivas, colagens multimídia, instalações ambientais e imagens incorporadas em esculturas com objetos encontrados, bem como materiais, locais e ideias que desenvolvem a teoria Queer e feminista preta.

Os elogios à obra Anarchist Panther:

Em Anarchist Panther, Alston explora as camadas de uma vida revolucionária com franqueza e um compromisso com a interseccionalidade, o antisexismo e o horizontalismo que inspirarão muitos que virão. Esta é uma série de textos que parecem uma homenagem ao nosso passado radical negro e um manifesto para o nosso futuro. Prince Shakur, autor de When They Tell You To Be Good

“Como se respondesse diretamente ao fascismo crescente do nosso momento atual, Ashanti Alston nos desafia a reconhecer e expandir as práticas revolucionárias que já prevalecem nas nossas comunidades. Bem fundamentado, acessível e autocrítico, Anarchist Panther exige que aprendamos com as lutas do passado para reforçar o nosso comprometimento. Uma contribuição inestimável para o cânone dos Panteras Petras.” Orisanmi Burton, autor de Tip of the Spear: Black Radicalism, Prison Repression, e Long Attica Revolt.

“Conheça o seu professor, um profissional excepcionalmente dotado de percepções radicais e compromissos amorosos. Anarchist Panther, de Ashanti Alston, é um livro único sobre rebeliões educacionais, analíticas, políticas e radicais por amor às nossas vidas e liberdades. Ao longo de décadas, esse veterano dos Panteras Pretas trabalhou e lutou pelas liberdades. Ashanti nos presenteou com um dom inestimável: um livro que guarda as memórias, análises e batimentos cardíacos da luta que combate à pobreza, ao fascismo, ao racismo, ao sexismo e à violência contra Queer e Trans. Anarchist Panther incorpora ressurreições expansivas da coalizão arco-íris de Fred Hampton. Todos os que se atrevam a lutar pela libertação precisam ler e refletir sobre este texto único.” Joy James, editora de Confronting Counterinsurgency: Cop Cities and Democracy’s Terrors e autora de New Bones Abolition e Contextualizing Angela Davis.

“Ninguém fica igual depois de interagir com Ashanti e aceitar o seu abraço caloroso. Desde que o conheci, há quase 30 anos, passei a conhecer o pensador político, organizador, catalisador criativo, brincalhão, colega pai, camarada de princípios e filósofo radical com os pés no chão que eletriza as páginas de Anarchist Panther. Ao longo desses capítulos, assim como na vida, Ashanti inicia gestos recíprocos de militância libertária ponderada que absorvem a experimentação e o “fracasso” como arquivos vivos de outro mundo; um mundo que já está ao nosso redor, ativando a insurgência contra esta civilização como porta de entrada para um ser coletivo próspero e autônomo. Este livro é uma revelação sem fim, um convite para comungar com as proliferações vibrantes do anarquismo preto, ao mesmo tempo em que estimula a conexão com tradições interseccionais, divergentes e convergentes de sobrevivência, contra a guerra e libertação.” Dylan Rodríguez, professor emérito da Universidade da Califórnia e autor de Counterinsurgency Machine (no prelo).

A oportuna coleção de Alston oferece à esquerda preta uma análise firme de tudo o que mantém os nossos movimentos presos à doutrina antirrevolucionária, que fala fluentemente uma linguagem que se move contra as forças da predação antipretos e além dos limites da petrificação política. Tea Troutman, editora-chefe da revista Scalawag

Anarchist Panther (Preorder) | The Selected Writings of Ashanti O. Alston

Editora: AK Press

Formato: Livro

Edição: pb

Páginas: 328

Lançamento: 4 de agosto, 2026

ISBN-13: 9781849356022

$18.00

akpress.org

Tradução > CF Puig

agência de notícias anarquistas-ana

Entre as antenas
E as casas todas iguais –
Quaresmeiras!

Paulo Franchetti

Café com Anarquia #1 | “Sacudamos o tédio. Anarquia, ciência, corpo”, de Camillo Berneri

Coluna esporádica com comentários de livros sobre anarquismo, movimentos sociais autônomos, políticas radicais e, por que não, literatura.

Por Maikon Jean Duarte | 01/02/2026

A elaboração de uma capa e a escolha editorial do título de um livro são trabalhos fundamentais para despertar a curiosidade da pessoa leitora. A produção editorial que inaugura esta coluna é um caso de acerto de mão cheia.

O livro foi lançado pela Editora Entremares em dezembro de 2025, com organização e tradução de Inaê Diana Ashokasundari Shravya, projeto gráfico e diagramação de Adriano Skoda, e prefácio de Alexandre Samis e Giovanni Stiffoni.

Sacudamos o tédio. Anarquia, ciência, corpo, de Camillo Berneri, conta com capa adaptada a partir de Trellis, de William Morris (1834–1896). É fácil ser capturado pelo excelente trabalho editorial da capa, que utiliza palavras nada usuais no vocabulário militante.

Camillo Berneri (1897–1937), nascido em Lodi, Itália, foi anarquista e professor. Teve uma vida curta, mas profundamente marcada pela causa da liberdade, no combate ao fascismo em seu país de origem e na Espanha. Sem fugir aos debates de sua época entre companheiros e companheiras de ideologia, como Errico Malatesta (1853–1932) e Federica Montseny (1905–1994), Berneri dialogou também com contemporâneos para além do anarquismo. Os próprios prefaciadores identificam em sua trajetória uma formação intelectual pouco típica no anarquismo daquele período, o que lhe permitiu incorporar diferentes elementos das ciências aos debates, análises e formulações anarquistas no combate ao capitalismo, às ditaduras bolcheviques e ao fascismo. Berneri acabou assassinado pela burocracia vermelha.

O trabalho de Inaê é bastante acertado ao organizar e traduzir Berneri, um companheiro anarquista que até hoje circulava majoritariamente por meio de edições em formato de cartilha, como as da Editora Combate, da FAG, Federação Anarquista Gaúcha. Ao reunir dezesseis textos divididos em três partes (anarquia, ciência e corpo), a organizadora e tradutora possibilita uma aproximação mais consistente às contribuições de Camillo. Inaê também organiza notas de rodapé: algumas pontuais e necessárias; outras suscitam questionamentos, como até que ponto dialogam efetivamente com a vida e a obra do próprio Berneri — caso do artigo de um professor da PUC e da necessidade de relacionar Michel Foucault com o anarquismo. É do jogo. Afinal, justamente por o anarquismo não ser uma ciência, mas uma ideologia política revolucionária, sua tradição esteve aberta a diferentes campos do conhecimento. Um detalhe pequeno diante do trabalho realizado.

Minha intenção é comentar, de modo breve, um ou dois textos de cada parte.

Anarquia

O exercício da análise de conjuntura e da escrita é difícil de caminhar juntas. Berneri realizou bem ambas as tarefas. É um escritor de mão cheia. Cria ótima frase, com ideias e argumentos potentes.

Na abertura da antologia, o artigo intitulado “Sacudamos o tédio duma espera covarde, indigna de nós”, publicado originalmente em 1929, é um chamado ao conjunto da militância anarquista para o combate ao fascismo. O primeiro parágrafo já dá o tom:

De vez em quando, um relâmpago fende esta noite, longa noite de torpor resignado para a multidão fascista, eterna noite de acossada impotência para as minorias combativas que vivem toda a tragédia da derrota e, contudo, bebem das fontes da fé, esperando se redimir dos erros e dos defeitos do passado com um espírito de sacrifício mais íntegro e disposto e com maior cautela.

Com coragem, inteligência e coordenação, Berneri convoca a mobilizar e a fazer o que está ao alcance de quem somos, para estarmos presentes nos momentos mais perigosos da nossa classe. A leitura provoca um questionamento direto sobre a necessidade de entrega da militância anarquista: organizar a própria vida em função do projeto de transformação social, em nível de dedicação total, independentemente das consequências. Ler em janeiro de 2026 é pesado. O contraste é duro quando encontramos um anarquismo tratado como futebol de quarta-feira, às 20 horas: se chove, faz calor, faz frio ou o dia de trabalho foi pesado não acontece — como se não vivêssemos sob o capitalismo —, a tarefa militante simplesmente não acontece.

No artigo “Por um programa de ação comunalista”, escrito em 1926 e publicado em 1937, Berneri traça um retrato da sociedade de classes e dos diferentes setores do trabalho, além de analisar seus comportamentos políticos. Ele pensa e propõe caminhos para o anarquismo fazer política revolucionária, diz o que é política e nós chama para meter a mão nela:

A política é cálculo e criação de forças que realizem uma aproximação da realidade ao sistema ideal, mediante fórmulas de agitação, de polarização e de sistematização, aptas para serem agitadoras, polarizadoras e sistematizadoras num determinado momento social e político.

A partir dessa e de outras considerações, como a história e a formação social da península Itálica, Camillo recorre a Proudhon, Bakunin e Pisacane (nome até então desconhecido por mim) como fontes para a constituição de um comunalismo autonomista, sindical e federalista para a revolução por aquelas bandas.

Nesse sentido, Berneri não tira propostas da cartola, como fazem abordagens ahistóricas e apolíticas. Afirma a política como cálculo e a necessidade concreta de criar forças para fazer acontecer. Está longe de ler o anarquismo como um caderno de regras preso ao passado. Pelo contrário: o anarquismo aparece como base sólida de seus elementos constitutivos, inserido no mundo real e voltado à revolução social.

Ciência

A partir de sua formação, Berneri mantém viva a tradição anarquista de dialogar com diferentes campos das ciências, algo perceptível nas partes dedicadas à ciência e ao corpo.

A edição teve o cuidado de incluir artigos sobre educação, uma decisão acertada, o que possibilita a circulação da obra em espaços diversos, tanto militantes quanto acadêmicos.

A liberdade aparece como uma preocupação central de Berneri. Exemplo disso é sua leitura e apresentação das possíveis contribuições pedagógicas de Jan Lighthart (1859–1916), compreendendo a educação como um ato de formação para a liberdade. Quando inicia um debate com Malatesta sobre o direito absoluto da escolha individual, o que estudar e qual área seguir, temos outro acerto editorial: a inclusão da resposta de Malatesta. Não tenho problemas com spoiler, mas, neste caso, não vou reproduzir os trechos, especialmente para você, compa, ir atrás da obra.

Corpo

A frase a seguir aponta um horizonte libertário:

A escola e a fábrica ou a oficina podem se unir quando o estudo deixar de ser uma questão de renda, de dinheiro.

É a partir desse eixo que Camillo aborda a questão do trabalho.

Berneri analisa o mundo do trabalho em diferentes tempos históricos e a divisão entre trabalho manual e intelectual. A sociedade futura precisa repensar o presente e o futuro da compreensão do trabalho e a falsa dicotomia que o atravessa.

Além disso, debate o que fazer com o trabalho não útil, tema recorrente na imprensa anarquista da península Itálica nas duas primeiras décadas do século passado. Segundo Berneri, ao tratar desse assunto, buscava-se apropriar dos dados econômicos para compreender quanto se produzia, quanto se arrecadava e quantos empregos eram gerados, inclusive para dialogar com os sindicatos do setor, nos quais a militância anarquista teria um papel central.

Fechar

Até onde sei, esta é a primeira antologia de Berneri em português brasileiro, lançada 98 anos após seu assassinato. Por mais Berneri por aqui.

[Mais artigo de Berneri, aqui.]

Fonte: https://vivonacidade.substack.com/p/cafe-com-anarquia-1?

agência de notícias anarquistas-ana

Só o Ipê vê, pasmo,
o tremor suado — orgasmo —,
borboleta treme e passa.

Alckmar Luiz dos Santos

[Espanha] Em funcionamento o blog do Centro de Estudos Libertários José Alberola.

Camaradas, Amigos:

Desde o Centro de Estudos Libertários José Alberola, colocamos em funcionamento um blog de caráter informativo e de estudo, a partir de uma perspectiva libertária, sem delimitação de siglas, dogmas ou doutrinas.

Convidamos você a fazer parte de nossa comunidade e a compartilhar a informação com quem considerar adequado.

O blog ainda está em construção, mas adiantamos as duas primeiras publicações.

Uma breve apresentação

O Centro de Estudos Libertários José Alberola é uma associação de caráter libertário surgida da vontade de vários camaradas anarcossindicalistas de Fraga e simpatizantes, no ano de 1998. A motivação principal foi dar a conhecer a vida e a personalidade do mestre racionalista José Alberola, e também resgatar do esquecimento a história das lutas sociais, do movimento anarquista e seus protagonistas; priorizando o acontecido nas Terras Baixas do Cinca, mas também o ocorrido em outras partes da Península Ibérica e do mundo. Sem nos esquecermos das ideias anarquistas, procurando que estejam presentes em cada um de nossos atos como pessoas, individual e coletivamente como associação.

Não vamos enumerar todas as atividades desenvolvidas durante estes quase trinta anos de trajetória, pois são muitas e variadas: desde artigos de imprensa, comunicados, conferências, jornadas culturais e de memória histórica, passeios libertários, etc. Pensamos que não é demais recordar(-nos) também no que temos trabalhado durante todo este tempo; sempre com um compromisso desinteressado e muito entusiasmo. Hoje, colocamos em funcionamento este blog com o mesmo espírito, fazendo nossas as lições do poeta: caminhante, não há caminho, faz-se o caminho ao andar.

Desde as Terras Baixas do Cinca

Janeiro de 2026

Centre d’Estudis Llibertaris José Alberola

celjosealberola@gmail.com

centrodeestudioslibertariosjalberola.blogspot.com

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

como fede no verão
a bosta fresca
pisada no chão

Olívia Iceberg