Os porcos são tão inteligentes como os cães; aprendem truques, se reconhecem no espelho e recordam lugares por meses.
Amantes da limpeza: Ainda que as pessoas acreditem no contrário, são animais limpos. Separam onde dormem, comem e fazem suas necessidades se têm espaço.
Sociais e faladores: Se comunicam com mais de 20 sons diferentes e criam laços muito fortes com seu grupo.
Aprendem rápido: Podem correr até 17 km/h e até jogar vídeo jogos simples!
Cuidam de sua pele: Se revolvem no barro para refrescar-se e proteger-se do sol, como se fosse protetor solar natural.
De grande coração: Se afeiçoam com humanos e outros animais, e inclusive sonham quando dormem.
Conclusão, os porcos são demasiado bonitos, sociais e inteligentes para merecer semelhante comparação.
Em um mundo cada vez mais hostil, sob um sistema que nos insensibiliza, nos separa, nos incentiva a competir e que prioriza o benefício individual sobre o coletivo. Um sistema que perpetua e fomenta a desigualdade social e que, de certa forma, nos iguala. Nos iguala a uma parte da sociedade como classe. A nós, como classe trabalhadora.
O apoio mútuo como ferramenta transformadora
O apoio mútuo se apresenta como uma ferramenta que representa tudo o contrário. Representa a solidariedade, a colaboração e a cooperação na qual o benefício é sempre coletivo. Na qual se oferece e se recebe apoio. Em definitivo, uma ferramenta de defesa comum que nos permite transitar pela vida de forma mais amável e humana.
Criação de espaços seguros
Criando espaços seguros onde poder ser, sentir e dar voz às nossas aventuras e desventuras cotidianas, “aqui escutamos, não julgamos e geralmente contribuímos”, procurando criar um oásis de calma e paz, onde cada integrante do grupo se sinta acolhido pelos demais.
Alcateia, horizontalidade e cuidado coletivo
Uma alcateia de lobas organizadas de maneira horizontal e assemblear, sempre cuidando todos de todos e não deixando ninguém para trás. Parafraseando uma canção que ainda perdura entre pessoas idosas e jovens, e que este ano completa 50 anos:
“Bidean anaia erortzen bazaik Lepoan hartu ta segi aurrera!” (Se um irmão cair no caminho, carregue-o nas costas e siga em frente!)
Conclusão
Em definitivo… Se o apoio mútuo é um pequeno ato revolucionário, caminhemos juntes rumo à revolução!
Entrevista especial com Eleuterio Ascaso, militante anarquista cubano e integrante do Taller Libertario Alfredo López, concedida a Cassio Brancaleone no dia 13/03/2026 para o Instituto de Estudos Libertários (IEL)
Pergunta > Como você analisa a intensificação do cerco e das sanções da administração de Donald Trump, especialmente em seu segundo mandato, sobre a economia cubana, no marco do embargo que os Estados Unidos mantêm há mais de seis décadas? Que efeitos estruturais esta política incide na reprodução social e nas condições de vida da maioria da população?
Resposta < Olha, antes de tudo, é preciso dizer que esta situação de bloqueio internacional por parte do governo dos Estados Unidos da América — supostamente contra o regime daqui, a República de Cuba — tem, como bem diz a pergunta, mais de seis décadas. Agora, é absolutamente verdade que, neste momento, depois que Trump declarou que Cuba é supostamente uma “ameaça extraordinária” para a segurança dos Estados Unidos (colocando entre aspas, que é como deve ser), as coisas aqui em Cuba pioraram muitíssimo. Ou seja, não significa de forma alguma que antes estivessem bem. Antes estava mal, mas agora está pior. Não há combustível para o transporte mais elementar, tanto dentro de Havana quanto fora, em outras províncias. Agora mesmo, nas redes sociais, está viralizando o vídeo de um brother lá de Aguacate, município de Madruga, província de Mayabeque, que montou um polaquito (um Fiat Polski, um Fiat polaco) com um conversor de carvão a gás; algo que era muito utilizado na Alemanha nazista durante a guerra, entre 39 e 45. Bom, eu interpreto que basicamente o que ele faz é converter o carvão em CO, monóxido de carbono, um gás altamente venenoso, e com isso alimenta o motor do polaquito. A situação é pesada. Há outras questões também de importância crucial, como, por exemplo, o fato de uma pessoa poder ter dinheiro no cartão bancário, mas não ser possível convertê-lo em espécie, e muita gente recebe em dinheiro vivo. Porque, entre outras coisas, esses sistemas bancários não funcionam quando há apagão, e os apagões aqui são diários. Nem funcionam quando falta luz no local onde estão os servidores do sistema bancário, que não coincide necessariamente com o lugar onde o banco está. Ou seja, nada feito; é preciso “navegar”, inventar (dar um jeito), ver como se converte esse dinheiro eletrônico do cartão em um dinheiro que se possa consumir. Nessa questão da transferência, nem todos os negócios podem comprar via transferência, porque o Estado também exige que paguem em dinheiro vivo dentro da venda por atacado. Eu devo ressaltar algo muito importante: o bloqueio norte-americano é um fato de classe. Isso é uma questão de classe! As pessoas que dirigem a megacorporação cubana GAESA e outras personalidades da alta burocracia não sentem o bloqueio. O bloqueio norte-americano ataca as pessoas de abajo; ataca trabalhadoras, trabalhadores, aposentados, cuidadores e cuidadoras — ataca a nós. Somos nós quem mais sofremos por essas medidas de “ameaça extraordinária” ditadas pelo governo de Donald Trump e pelas medidas de bloqueio que já existiam antes. Isto é questão de classe. Em Cuba existe uma oligarquia. Essa oligarquia governa. Essa oligarquia vive bem, não vive como vive o povo. Essa oligarquia se desloca em carros norte-americanos de última geração. E é aliada da nova burguesia que está surgindo em Cuba — uma burguesia privada, privatista, que também dirige esses mesmos carros. Eles ganham dinheiro através do processo de “compradoria”; é uma burguesia compradora, fundamentalmente de importação. Ganham seu dinheiro, constroem suas casas luxuosas em todos os lugares de Cuba, mas é uma classe social que não tem nada a ver com o precariado. O precariado é a maioria do povo cubano. O precariado muitas vezes é obrigado a trabalhar até 16 horas, sobretudo as mulheres, sem qualquer garantia de direitos para essa burguesia que anda por aí em carros norte-americanos e motos de última geração. Quando uma dessas mulheres, das que trabalham 16 horas para essa burguesia, fica grávida, não há direito trabalhista que a proteja. Ela tem ou que abortar ou sair do trabalho. Assim funciona a realidade jurídica da Cuba “realmente existente”. Acredito ter sido suficientemente claro sobre esse caráter classista do embargo/bloqueio norte-americano. Quando eu digo que não existem marcos legais para proteger quem trabalha, obviamente não é totalmente assim. Obviamente existe legislação trabalhista, há um novo Código de Trabalho que foi aprovado há pouco tempo. Mas a questão principal está nos procedimentos. Ou seja, a lei adjetiva (o direito processual), como se diz no Direito, não é algo que funcione bem em Cuba. Basicamente, em quase todos os ramos do ordenamento jurídico — talvez apenas no Direito Penal e em algumas coisas do Direito Civil — as leis adjetivas funcionam. Mas, por exemplo, no Direito Trabalhista é complicado ganhar uma disputa contra o empregador, especialmente quando o empregador está empoderado em termos de classe; eu me referia basicamente a isso. Não é que não existam leis, como uma “desregulação” que esses pseudo-libertários inventaram, ou como a que existe na Bielorrússia, onde você tem que assinar o contrato todo ano porque não existe contrato de trabalho permanente. Teoricamente, em Cuba, sobretudo no âmbito estatal, quem trabalha pode reivindicar alguns direitos, mas no mundo da iniciativa privada, especialmente nos pequenos negócios, isso não é assim. E aqui entra a questão do precariado, que é muito importante. O precariado em Cuba é uma classe social que surgiu nos anos 90, quando desapareceu a ajuda e o apoio da União Soviética e do CAME (ou COMECON). Basicamente, os salários continuaram no mesmo nível de antes, mas os mantimentos desapareceram. O que se comprava pela libreta (caderneta de abastecimento) começou a ser em quantidade e variedade muito menores. Agora já quase não se vende nada pela libreta. Tenhamos em conta que, nos anos 80, a libreta era algo que garantia um nível mínimo de bem-estar: vinha proteína, carne, produtos enlatados, frutas, etc. Tudo isso desapareceu em grande parte nos anos 90. Os salários não aumentaram. E isso significa que as pessoas tiveram que começar a “resolver”, como se diz em Cuba, por outras vias — basicamente através da economia informal — as suas necessidades. Por isso eu falo de precariado. Eu sei que a precarização existe no mundo todo, está ocorrendo em praticamente todos os países, não é? Mas o grande ponto disso em Cuba é que o salário normal de um trabalhador ou trabalhadora do Estado geralmente está abaixo da linha da pobreza. De fato, esse dado sobre a linha da pobreza foi informação confidencial durante muito tempo. Agora já existem estimativas de diferentes economistas e, bem, o salário estatal (e o setor estatal ainda é o que mais emprega força de trabalho hoje) está geralmente abaixo da linha da pobreza, salvo algumas exceções. O salário na economia privada pode até estar acima, mas aí a precarização entra por outro lado, por onde eu já comentava: a vulneração dos direitos. Ou seja, nos negócios privados, o trabalhador não tem o que o Estado garante no setor público. Geralmente não há férias (ou são muito poucas), nem licença-maternidade ou paternidade. Também não há auxílio-doença quando alguém adoece. Todas essas coisas no setor privado estão muito vulnerabilizadas. É muito fácil demitir um trabalhador, e o trabalhador sabe que não pode espernear, porque assim se expõe ainda mais. Além disso, todo o tema dos sindicatos em Cuba está muito precarizado também. Não quero dizer que não existam. No setor público, a maior parte da força de trabalho é sindicalizada, mas no privado não. Além disso, no setor privado inventaram um “modelinho cômico” de sindicato vertical, como costumava ser no fascismo, em que o patrão e os empregados pertencem à mesma seção sindical. Obviamente isso não funciona quando existe, porque muitas vezes nem isso existe. Eu só queria pontuar isso porque, para falar do bloqueio como uma questão de classe, é indispensável entender o que é o precariado em Cuba.
Como movimento antifascista, somos criminalizados e sujeitos à repressão. Julgamentos contra antifascistas estão em andamento em Düsseldorf, Stuttgart-Stammheim e Dresden. Os réus são acusados de atacar fascistas ou sabotar empresas de armamento. Além disso, Maja foi sequestrada ilegalmente e levada para Budapeste, onde foi condenada a oito anos de prisão em um julgamento espetacular. O antifascismo não pode ser proibido nem punido com prisão. É um pilar político fundamental para um mundo sem opressão, exploração e dominação.
Antifa significa Palestina Livre
O antifascismo não respeita fronteiras. Somos internacionalistas e nos solidarizamos com nossos camaradas em todo o mundo – em Rojava, Irã, Sudão, Palestina e em todos os lugares. Sem uma posição internacionalista, anticolonial e antigenicida clara, não pode haver um movimento antifascista consistente.
Antifa luta contra a perseguição política
Na Alemanha, pessoas que demonstram solidariedade à Palestina e protestam contra o genocídio em Gaza estão sendo atacadas e criminalizadas pelo Estado. Algumas perderam seus empregos, outras foram desacreditadas, condenadas ou gravemente feridas pela polícia. Ativistas do movimento curdo também estão sendo condenados sob o pretexto de pertencerem a uma organização terrorista. A repressão afeta principalmente migrantes e trabalhadores. Politicamente, o Estado quer nos esmagar, nos isolar e nos silenciar. Estamos unidos contra essa repressão.
Antifa é feminismo
A opressão patriarcal continua sendo uma realidade diária – nas escolas, nas famílias e nos locais de trabalho. Os feminicídios são apenas a ponta do iceberg da violência alimentada por discursos de ódio antifeministas e transfóbicos. O patriarcado tem muitas faces: baixos salários, pobreza na velhice e possessividade são apenas algumas delas. Não pode haver concessões na luta contra a violência patriarcal e o comportamento antifeminista – nem mesmo dentro de nossas próprias estruturas.
Antifa significa solidariedade
Em Berlim, pode-se ter a impressão de que os antifascistas são maioria. Mas mesmo fora do centro da cidade, a situação é diferente. A solidariedade precisa ser praticada. Nossos camaradas precisam de apoio local para seu importante trabalho. Juntos, devemos resistir ao fascismo.
Antifa significa faça você mesmo
Enquanto a ideologia de direita se normaliza, as supostas “barreiras” são inúteis na luta contra o [partido] AfD e o pântano circundante de “Nova Direita” e fascistas nacionalistas. Pelo contrário: a CDU não é muito diferente do AfD. No governo, Merz garante que nossa classe continue empobrecida, que a vigilância seja ampliada, que refugiados sejam submetidos a represálias racistas e que os direitos arduamente conquistados pela FLINTA e pelas pessoas LGBTQIA+ sejam cerceados.
Ombro a ombro contra os fascistas nas ruas e no parlamento.
Contra os ataques à nossa classe. Em defesa dos antifascistas presos e de todos os presos políticos do mundo.
Por uma vida boa para todos.
Junte-se ao bloco antifascista no dia 1º de maio! Vamos à ofensiva!
Somos todos Antifa – nas ruas, no subsolo ou na prisão.
Cerveses Subversiva é uma cooperativa de cerveja artesanal formada por movimentos sociais libertários.
O que queremos?
Dê mais significado à nossa autogestão e solidariedade. Queremos expulsar as cervejarias capitalistas das nossas geladeiras, estabelecimentos e de todos os espaços que não querem contribuir para multinacionais ou PMEs cuja prioridade é o dinheiro e não as pessoas ou o meio ambiente.
Como fazemos isso?
Organizando-nos em uma assembleia horizontal e tecendo uma rede por todo o território. Sem chefes ou conselhos administrativos nos dizendo o que fazer e quando, de forma cooperativa.
O que devemos fazer?
Cerveja artesanal. É uma cerveja não pasteurizada, feita com diferentes variedades de aveia maltada (malte de grão), trigo, lúpulo, levedura e água; seguindo um processo de produção tradicional.
Quais são os nossos princípios?
Cooperativismo, solidariedade, autonomia, consumo local, ambientalismo, soberania alimentar e tecnológica.
Longe dos grandes eventos de arte, dos insípidos salões de exposição em museus ou a mostra visual tão abstrata e elevada como incompreensível, buscamos retomar as expressões estéticas, criativas e artísticas para e desde a luta anárquica.
Estamos convocando diversos companheiros que se interessem pela gráfica, ilustração, o desenho, as instalações, obras bidimensionais, fotografias, colagem, intervenções, etc. para a realização de uma exposição em memória do companheiro. Não há inconveniente em que decidas aportar com mais de uma obra. A convocatória pode tocar diversas categorias ou arestas, desde os diversos pensamentos plasmados em escritos e poesias por parte de Mauri, uma vida e trajetória multiforme de combate, da ação direta violenta, das projeções anticarcerárias ou da memória posterior, entre outras.
Se te interessa, escreva-nos um e-mail para enviarmos a primeira circular informativa, com as datas, prazos e bem para resolver qualquer dúvida.
Equipe de Curadoria pela agitação da memória insurreta Editorial Cuadernillos incendiarios Editorial Memoria Negra Contato: caoticasintenciones@riseup.net
Parece que desta vez isso realmente vai acontecer. Então, finalmente acho que chegou a hora de entrar em contato e agradecer a todas vocês e todos vocês que permaneceram firmemente ao meu lado, me apoiando e me ajudando a manter o equilíbrio durante todos esses 17 anos de encarceramento no FBOP. Vou deixar a prisão em maio e retornar ao meu estado natal, Michigan, de volta a Detroit.
Esse período não teria sido o mesmo sem vocês. Conheci muitas pessoas que não tinham ninguém a quem recorrer enquanto cumpriam suas penas, então eu sei a diferença que fez ter sempre a minha gente me sustentando. E houve muita coisa a enfrentar, especialmente na defesa da minha transição, em cada etapa. Eu sabia que tinha orientação jurídica, informações médicas e apoio material. Muito obrigado mesmo. Devo a vocês mais do que jamais poderei retribuir.
Da minha parte, procurei ser apoio e conforto para as pessoas ao meu redor em cada lugar para onde o BOP me enviou, transmitindo o amor que me foi demonstrado.
O que eu realmente quero que vocês saibam é o quanto me encheu de orgulho fazer parte de uma comunidade de resistência que permaneceu unida. As pessoas que conheci na prisão ficaram impressionadas ao ver tanto amor e tanta solidariedade se expressarem de forma tão poderosa por alguém que estava atrás das grades.
Isso demonstrou que, em nosso movimento, embora estivéssemos fisicamente separados, podíamos permanecer juntos em espírito, que solidariedade e amor são palavras de ação, e que estamos nisso a longo prazo.
A mudança não vem facilmente, mas a solidariedade é quando exercemos nossa força como povo. Eu realmente não sei o que vem a seguir, mas espero ainda poder servir à minha comunidade de alguma forma que ajude. Tenho estudado para ser tutor de escrita por meio da minha bolsa na Yale Prison Education Initiative e espero ser voluntário no Literacy Project, em Detroit. Também obtive um diploma de paralegal e estudei direito migratório, e espero poder servir também nessa capacidade.
Há muito a fazer, mas muitas mãos tornam o trabalho leve! Obrigado, obrigado, um milhão de vezes, obrigado! Como Elton John costumava cantar: ainda estou de pé, sim, sim, sim.
38 anos da Okupação Lela Karagianni 37 | abril de 1988 – abril de 2026 | No Pasaran!
Diante do velho e decadente mundo do poder, que não tem nada mais a prometer além de doenças, guerras, fome, deslocamento, exploração e opressão. Contra a repressão estatal e as gangues fascistas paramilitares. Devemos defender os espaços ocupados e auto-organizados de vida e luta como parte integrante das resistências políticas, sociais e de classe não tuteladas que tentam erguer barreiras contra o ataque da barbárie estatal e capitalista, como focos de coletivização da luta anarquista antiautoritária e territorialização dos projetos libertários com a visão de uma nova sociedade de propriedade comum, igualdade, solidariedade e liberdade.
KTARSE. Após 5 anos do lançamento do seu último álbum de estúdio, disponibiliza o seu mais novo MANIFESTO INSURGENTE: 5° álbum INDIGESTOS E INDOMÁVEIS. O projeto promete dar continuidade ao que o grupo nesses quase 30 anos de engajamento no Movimento de Hip-Hop tem potencializado através de rimas inflamadas com fúria e ódio ao capitalismo, Estado e todas as formas de opressão disseminadas nas periferias. O álbum está municiado de Rimas indigestas e com críticas ao sistema capitalista com uma densa e intensa sonoridade. O título, INDIGESTOS E INDOMÁVEIS, já anuncia que as músicas vieram para provocar, incomodar e não se submeter a padrões da indústria cultural e suas futilidades que aprisionam a mente do povo do gueto. As letras reafirmam a consciência de classe e a potência rebelde, furiosa, contestadora e anárquica do grupo.
Com esse novo álbum, o Ktarse segue consolidando seu espaço no cenário do rap combativo, mostrando que sua arte vai além do entretenimento — é também uma ferramenta de reflexão, resistência e luta dos CRÔNICOS SOCIAIS.
A produção/mixagem/masterização dos álbuns é feita de forma autônoma no “nós por nós”. As letras e a produção sonora são elaboradas por Rodrigo e Leal. Os integrantes do grupo têm uma trajetória de luta e resistência junto a diversos movimentos sociais. Também estão engajados em organizar atividades culturais e debates em espaços públicos e coletivos de luta anticapitalista, assim como fazem palestras sobre a questão racial, social e política em escolas, sistema prisional e coletivos de inspiração libertária.
“Somos a continuidade e seguimos a principiologia do RAP dos anos 90, nosso RAP potencializa as vivências e os saberes de quebrada, lapidando nos livros subversivos vamos construindo trincheiras de rebeldia e resistência dos fudidos através do rap combativo.“
KTARSE – INDIGESTOS E INDOMAVEIS – ÁLBULM 2026
1 – Recíproco part. Beiço / 2 – Principiologia / 3 – MALCOM X (Custe o que custar) / 4 – Rimas Enfurecidas / 5 – Espada part. José Poeta e Palhaço / 6 – Quando a quebrada se enfurecer part. Mano B.O. / 7 – Não se submeta / 8 – Cansaço e Revolta part. Fabio da Silva Barbosa / 9 – Kissinger (100 anos de um facínora) part. Igor CDO / 10 – Livre Palestina / 11- Legado part. José Poeta e Palhaço / 12 – ANTIFA / 13 – Hip-Hop Combatente part. Marcos Favela / 14 – Destinos abortados part. Fabio da Silva Barbosa / 15 – Somos Insurgentes / 16 – PROTESTO part. José Poeta e Palhaço / 17 – Vírus Sonoro part. Melaninaemsi / 18 – Filhos da marginalidade part. José Poeta e Palhaço / 19 – PACHAMAMA / 20 – Triunfo da Estupidez / 21 – No apagar das luzes (Outras perspectivas) part. Thiago Augusto / 22 – Indigestos e Indomáveis / 23 – Enquanto os intelectuais reclamam part. José Poeta e Palhaço / 24 – Crônico Social / 25 – Ainda estamos vivos! part. Maria
A 6ª edição da Feira do Livro Anarquista de Alicante acontecerá nos dias 11 (abertura da Feira), 17 e 18 de abril.
A Feira é um espaço de encontro, debate e aprendizado coletivo em torno de ideias e práticas anarquistas. Durante esses dias, encontraremos editores, coletivos e indivíduos ansiosos para compartilhar livros, experiências, reflexões e ferramentas que nos ajudem a pensar e fortalecer as lutas do presente.
Demolir o velho mundo da exploração para construir uma alternativa comunista libertária, superando o sistema capitalista e abolindo todas as estruturas de dominação que o sustentam, como o Estado, o patriarcado, o militarismo e todas as formas de poder que organizam a sociedade de cima para baixo. Estamos comprometidos com um mundo onde a vida e o cuidado estejam no centro, e onde a gestão da sociedade se dê por meio de estruturas coletivas e horizontais, questionando lideranças e vanguardas.
Hoje, mais do que nunca, é necessário resistir às misérias que este sistema nos impõe e continuar a gerar ferramentas de luta, solidariedade de classe e apoio mútuo, que nos permitam avançar rumo à revolução e construir uma sociedade livre do lucro, da dominação e da destruição. Queremos construir um novo mundo desde baixo, em conformidade com a igualdade e o respeito pela natureza.
A Feira também pretende ser um espaço para compartilhar ideias, práticas e experiências que alimentem esse caminho, desde a teoria e o debate, mas também da organização cotidiana e da solidariedade de classe.
Esperamos por você nos dias 11, 17 e 18 de abril em Alicante.
105 anos atrás, entre 8 e 9 de abril de 1921, o squadristi fascista desferiu um feroz ataque contra a cidade de Reggio Emilia, destruindo a Câmara do Trabalho, a redação de “La Giustizia” e o novo círculo socialista da cidade. Naqueles dias, os camisas negras [milícia paramilitar fascista de Benito Mussolini] também compareceram à Biblioteca Popular (a atual Biblioteca Panizzi), apreendendo todos os exemplares de Umanità Nova e depois os queimando nas proximidades da Piazza del Monte. Apesar dos gravíssimos fatos de um século atrás, dos ataques dos fascistas e de todos os governos, queremos lembrar que vocês ainda podem encontrar Umanità Nova hoje em Reggio Emilia, no círculo Berneri e em diversas bancas de jornal e livrarias do centro histórico.
Após mais de um século vivido perigosamente, Umanità Nova continua sua jornada com uma informação libertária, independente e autogerida, sempre ao lado dos últimos, contra todas as guerras e todos os exércitos, a exploração capitalista e todas as lógicas de dominação.
Joesley Batista entra na Avibrás e reestruturação abre caminho para novos mísseis do Exército
Joesley Batista, controlador da J&F, um dos homens mais ricos do Brasil e “chegado” do Senhor Lula, decide bancar a retomada da Avibrás, recoloca a maior indústria bélica do país em movimento e já mira a produção de novos mísseis para o Exército brasileiro em meio à sua reestruturação.
Segundo apuração do jornal O Estado de São Paulo, o empresário Joesley Batista assinou contrato para participar do funding da Avibrás, coordenada pelo Fundo Brasil Crédito, principal credor da empresa e autor do plano alternativo de reestruturação já aprovado pela Justiça e por credores.
A reestruturação da empresa consiste na aquisição de R$ 300 milhões oriundos de recursos privados e outros R$ 300 milhões por meio do poder público, através de financiamentos por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).
A movimentação ganhou peso porque a Avibrás está em recuperação judicial desde 2022 e porque sua retomada interessa diretamente ao Governo Lula 3, ao Ministério da Defesa, ao Exército e à Força Aérea, que mantêm projetos e contratos considerados estratégicos com a empresa.
Os principais contratos hoje mantidos pela Avibrás envolvem o Exército e a Força Aérea. A empresa é responsável pelo sistema Astros, considerado a joia da coroa da artilharia do Exército brasileiro e exportado para quase dez países, entre eles Indonésia e Malásia.
A reportagem do Estadão informa que a prioridade imediata da retomada será a continuidade da parceria com o Escritório de Projetos do Exército para concluir o desenvolvimento do Míssil Tático de Cruzeiro (MTC-300). O projeto já está 90% concluído, faltando apenas a campanha de tiro.
Outro programa é o Míssil Tático Balístico S+100, em desenvolvimento pela Força Terrestre. O sistema deverá aproveitar o conhecimento acumulado no projeto S-80 e terá interoperabilidade com outras plataformas da própria Avibrás. Trata-se de um projeto novo, com potencial expressivo de vendas no mercado externo.
As negociações são conduzidas pelo Comando de Logística e pelo Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército. O plano é utilizar recursos assegurados pela Lei Complementar 221, que autorizou a exclusão de até R$ 30 bilhões em despesas com projetos estratégicos de defesa do arcabouço fiscal até 2031. Essas futuras encomendas são vistas como fundamentais para sustentar a empresa em sua nova fase.
Ariane Gransac faleceu em Perpiñán domingo passado, 5 de abril, com a idade de 84 anos; o ato de despedida acontecerá em 15 de abril no crematório dessa cidade.
Antes que deixar-me levar pela tristeza de seu desaparecimento prefiro manter a recordação de sua juvenil alegria quando a conheci faz uns sessenta anos, ali pelo ano de 1966, após sua valente participação no memorável sequestro em Roma do embaixador de Franco ante o Vaticano.
Ariane era filha de uma alta administração do setor da perfumaria e teria podido restringir-se a desfrutar dos privilégios que confere uma folgada situação econômica, mas isso não se encaixava com seu temperamento rebelde. Logo começou a frequentar os meios anarquistas de Paris, integrando-se no grupo Emile Henry da Federação Anarquista, e tanto que aficionada à arte da pintura frequentando os âmbitos culturais de tendência libertária.
Se algo a distinguia, era sem dúvida sua forte personalidade feita de uma mescla de aguda inteligência e de propensão a uma ironia espirituosa e mordaz que podia desconcertar a qualquer um, mas que não conflitava com uma grande amabilidade e uma afetividade a flor da pele. Ariane era todo um caráter, e nisso radicava parte de seu encanto.
Durante mais de 10 anos se entregou de corpo e alma à luta libertária antifranquista, participando junto a Octavio Alberola em quase todas as ações promovidas pela Federação Ibérica das Juventudes Libertárias (FIJL), muitas delas sob o apelativo de Grupo 1º de Maio. Após o exitoso sequestro de 1966 em Roma, se deslocou a Madrid em outubro desse mesmo ano para a preparação de um sequestro que não chegou a bom termo e culminou com várias detenções. Em solidariedade com os detidos interveio em várias ações diretas realizadas pelo Grupo 1º de Maio em Londres contra representações franquistas, e, já em 1968, se transladou a Bruxelas para preparar o sequestro do embaixador de Franco ante o Mercado Comum, Alberto Ullastres, mas foi detida em 8 de fevereiro antes que a operação pudesse se realizar. Em 1974, fora já das ações da FIJL, mas em solidariedade com Puig Antich, participou no sequestro de Baltazar Suarez, diretor do Banco de Bilbao de Paris; foi detida em 22 de maio junto a Alberola na cidade de Aviñón.
Após o falecimento do ditador participou no movimento libertário francês e se transformou na salvaguarda da memória dos movimentos populares da América Latina com especial ênfase no Peru e na Bolívia, onde graças a Liber Forti estabeleceu relação com a Central Obreira Boliviana.
Não é preciso dizer que essa intensa atividade sempre esteve acompanhada por um forte compromisso com as concepções anarquistas das lutas contra o patriarcalismo, em sintonia com as orientações de Mujeres Libres.
Após a morte de sua mãe a qual tinha que cuidar em Paris, se transladou definitivamente a Perpiñán em 2007, mas após um período de forte depressão entre 2013 e 2015 sua deterioração cognitiva foi progredindo e acabou ingressando em uma residência para pessoas dependentes em dezembro de 2022. Sem dúvida, após quase quatro anos dessa situação seu falecimento foi para ela uma liberação.
Excetuando esses últimos anos, Ariane teve a ousadia de viver intensamente o tipo de vida que havia escolhido, desafiando sempre as dominações em nome da liberdade. Assim a recordaremos.
Em fevereiro de 2025, a Iniciativa Antimilitarista (AMI) lançou uma campanha pública de arrecadação de fundos para desertores e refugiados de guerra. Um ano após o anúncio da campanha, refletimos sobre seu impacto e o contexto mais amplo.
Para começar, queremos observar que nosso grupo é composto principalmente por pessoas que não gostam do mundo das redes sociais, o que foi percebido desde o início como um fator que contribuiria para que a campanha não fosse tão amplamente conhecida e para que menos doações fossem arrecadadas. As redes sociais se tornaram o meio dominante de comunicação e organização ao nosso redor, mas, como é de costume, nadamos contra a corrente, mesmo que isso acarrete certas dificuldades. Percebemos que o preço da “eficiência” das redes sociais é alto demais para que queiramos “pagá-lo”. Damos muito mais ênfase à segurança, à privacidade, à comunicação direta e à continuidade do que à velocidade, à quantidade e à conveniência. Embora tenhamos usado um modelo de arrecadação de fundos ineficiente para os padrões atuais, ainda assim conseguimos arrecadar aproximadamente 83.000 CZK (3.320 euros). Pessoas de cidades como Atenas, Brno, Roma, Viena, Tessalônica, Graz, Praga, Bolonha, Bucareste, Bratislava, Colônia, Budapeste, Toulouse, etc., contribuíram para a campanha de arrecadação de fundos.
Se compararmos o montante que arrecadamos com as somas que alimentam a máquina de guerra diariamente, todo o empreendimento pode parecer um fracasso. Mas nossos critérios são diferentes. A base do sucesso não é a quantidade de dinheiro nos cofres, mas, acima de tudo, o fato de que o próprio processo de promoção e coordenação da arrecadação se tornou parte da auto-organização da classe trabalhadora em várias regiões europeias. Durante todo o processo, nosso objetivo foi que a campanha fosse interativa e não reproduzisse um modelo em que um grupo se organiza ativamente enquanto outro contribui passivamente com dinheiro, e isso é tudo para eles. Ao longo do processo de arrecadação, demos grande ênfase à troca de informações entre nós e ao uso dessas informações tanto para fornecer ajuda prática às pessoas afetadas pela guerra quanto para fortalecer a infraestrutura de resistência contra a guerra. E embora ainda sejamos uma minoria, sentimos que rompemos o isolamento e a fragmentação que antes nos impediam de avançar. Não estamos em uma era em que nossas atividades assumam a forma de um movimento de massas, mas acreditamos que a rede de contatos promovida pela campanha de arrecadação de fundos é uma ferramenta muito prática para o futuro da luta de classes da classe trabalhadora.
Até o momento, a maior parte dos recursos foi alocada em cinco áreas:
1) Cobrir despesas de viagem e transporte de suprimentos de emergência
2) Oferecer abrigo para pessoas que fugiram da zona de guerra
3) Fornecer alimentos e itens de primeira necessidade
4) Divulgação na mídia e compartilhamento de informações práticas sobre a situação dos desertores e formas de apoiá-los
5) Aquisição de equipamentos para a troca segura de informações, comunicação e coordenação de atividades de solidariedade
Naturalmente, não é possível declarar abertamente para onde exatamente o dinheiro foi ou será destinado. Ao contrário daqueles que financiam a guerra, estamos em desvantagem, pois nossas atividades serão sempre criminalizadas, punidas e reprimidas. Todos os opositores do serviço militar, desertores, sabotadores e aqueles que os auxiliam são rotulados como inimigos pelo Estado. Na guerra, as pessoas podem financiar legalmente máquinas de extermínio em massa, mas ajudar a salvar a vida daqueles que se recusam a continuar a guerra ou a sabotá-la é considerado um ato punível de traição. Para proteger a nós mesmos e àqueles que auxiliamos, devemos ser cautelosos e não podemos divulgar detalhes específicos sobre nossas atividades. Agradecemos a todos os nossos amigos que compreendem isso, confiam em nós e não têm dúvidas de que utilizaremos as doações de forma eficaz onde forem necessárias. A campanha de arrecadação de fundos para desertores e refugiados de guerra ainda está em andamento. Agradecemos a todos que contribuíram, bem como àqueles que o farão no futuro.
Iniciativa Antimilitarista (AMI), fevereiro de 2026
Já se encontra disponível o número 16 (Primavera, 2026) de Asturies, projeto de contrainformação anarquista que continua seu trabalho de análise e agitação desde Astúrias. Sob o título principal “Crisis ambiental y transición enerxética” (Crise ambiental e transição energética), esta nova edição põe o foco na falsa saída do “capitalismo verde” e a necessidade de uma defesa da terra desde uma perspectiva de classe e de confronto.
Em suas páginas, este número oferece conteúdos de grande atualidade para as lutas sociais na região e fora dela: análise sobre o movimento francês As sublevações da terra e a urgência de um ecologismo social; uma crônica sobre o impacto dos polígonos eólicos nas zonas rurais; detalhes sobre a vitória de moradores na central térmica de La Pereda (Mieres); e informação sobre a resistência de moradores contra a mineração em Peñamayor.
O jornal Asturies é um meio libertário que tem como objetivos expandir as práticas e teorias anarquistas, assim como oferecer informação e análise da realidade desde uma ótica libertária e anticapitalista.
Como meio de informação, trata de combater a propaganda burguesa e como meio contra todo poder não dá a palavra às instituições nem às organizações relacionadas com o Estado ou o capital; ao contrário, dá a palavra aos movimentos e organizações sociais e aos protagonistas das lutas obreiras.
Asturies é formado por um grupo de pessoas pertencentes ao mundo libertário. O meio funciona de maneira assembleária e autogestionada. Seus recursos provêm dos esforços individuais de seus integrantes e das colaborações de outras pessoas que desejam sustentar a imprensa libertária.
Discordo de chamarem aos regimes políticos onde existem eleições de "democráticos". Representatividade não é democracia. E regimes representativos, são elitistas;…
O conceito de liberdade como prática cotidiana e resistência constante às cercas — seja do Estado, do capital ou das…
Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
Noam Chomsky roots are in the Marxist Zionist "Hashomer Hatsair" youth movement. He even spent few months in an Israeli…
Discordo de chamarem aos regimes políticos onde existem eleições de "democráticos". Representatividade não é democracia. E regimes representativos, são elitistas;…
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Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
Noam Chomsky roots are in the Marxist Zionist "Hashomer Hatsair" youth movement. He even spent few months in an Israeli…