
Por Marius Mason
Fifth Estate # 417, Inverno de 2025
Uma análise de Dez Pequenas Anarquistas de Daniel de Roulet. Autonomedia, 2023.
A novela de Daniel de Roulet, Dez Pequenas Anarquistas, é uma trama magistral de fantasia e fato, história e histrionismo, ideologia e imaginação.
É uma mistura de pensamento feminista, prática pragmática e um diálogo aberto sobre estratégia e prioridades para o movimento anarquista.
A história é contada através de conversas dinâmicas e das vidas de dez mulheres anarquistas que se aventuram por conta própria e deixam o velho mundo para trás, em seu esforço de criar uma verdadeira comunidade anarquista numa terra estrangeira.
A história é baseada vagamente em um grupo real de mulheres operárias relojoeiras que deixam a vila suíça de Saint-Imier.
A ideia vem para as mulheres após uma visita de Mikhail Bakunin, que fala para elas sobre a Comuna de Paris de 1871 e as inspira a tentar viver uma vida diferente, longe das convenções de casa. O grupo viaja de barco para a Patagônia na ponta da América do Sul, apesar de não ter sido de propósito. Elas são levadas pelos ventos e se encontram abandonadas ali. Assim, começa a aventura.
Este pequeno –porém poderoso– livro é traduzido do francês por Joycelyn Genevieve Barque e John Galbraith Simmons. Eu estou sempre ciente de que o autor talvez tenha usado diferentes maneiras de transmitir sua mensagem, mas a tradução é de fácil entendimento e conversacional no estilo em que a narradora da história, Valentine, descreve as outras e as situações que elas encontram.
Trata-se de um dispositivo impressionante para atrair o leitor para a história, para relacionar a comunalidade dos problemas humanos (comida, abrigo, amor, cuidar de crianças) –o que conecta todos nós– e usa isso para introduzir temas e ideias que vão longe do cotidiano.
Tem um toque mágico na maneira em como a serendipidade beneficia o pequeno grupo de mulheres, incluindo a aparição do anarquista italiano Errico Malatesta em momentos oportunos.
Mas estas não são mulheres indefesas ou infelizes, que dependem dos outros para seu resgate. São um grupo comprometido de feministas e não tradicionalistas que são talentosas, engenhosas e corajosas.
Elas sofrem a ira e o assédio dos oficiais do governo e da polícia, amantes rejeitados e patronos conservadores da sociedade. Mas, apesar de tudo isso, usam sua engenhosidade e inteligência para formar um coletivo de relojoeiros que as sustenta e provém o capital necessário para reivindicar uma comunidade insular e formar um estado sem Estado.
E, hilariamente, sua comunidade frágil quase implode devido as mais bobas razões domésticas, mas são salvas dessa discussão final por uma introdução oportuna de cogumelos mágicos num jantar compartilhado.
Tendo estado em coletivos anarquistas que se desfizeram porque as pessoas não lavavam a própria louça, isto foi um ponto alto cômico do livro.
Infelizmente, as dez pequenas anarquistas foram se desfazendo, uma por uma pelas provações e dificuldades que encontraram. A última, Valentine, descreve sua questão interna com a violência política e toma sua decisão com determinação.
Eu terminei o livro me perguntando o que aconteceria depois, enquanto Valentine encara seu futuro sozinha, mas sem se curvar.
Marius Mason — um anarquista, vegano, prisioneiro trans federal, que esteve confinado desde 2008 por atos em defesa do meio ambiente — foi uma parte integral da comunidade anarquista de Detroit antes de ser condenado e esperamos poder recebê-lo de volta quando ele for solto. Solidariedade e informações sobre Marius estão disponíveis em supportmariusmason.org.
Tradução > NTLFG (Núcleo de Traduções Libertárias Ferrer y Guardia)
agência de notícias anarquistas-ana
Salpicados de sons
Silêncio em suspenso:
Grilos e estrelas.
Marcos Masao Hoshino















Discordo de chamarem aos regimes políticos onde existem eleições de "democráticos". Representatividade não é democracia. E regimes representativos, são elitistas;…
O conceito de liberdade como prática cotidiana e resistência constante às cercas — seja do Estado, do capital ou das…
Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
Noam Chomsky roots are in the Marxist Zionist "Hashomer Hatsair" youth movement. He even spent few months in an Israeli…