[Grécia] A identidade do anarquista Kyriakos Xymitiris é descrita por sua mãe através de seu depoimento no 3º dia do julgamento do caso Ampelokipi

 
“Nosso filho Kyriakos sempre foi voltado para o bem. Ele se importava e valorizava todas as pessoas, sem hierarquia, e o que lhe interessava era ser, não parecer. Ele se preocupava em ajudar, cuidar de tudo, apoiar, ouvir, doar. Ele celebrava a vida todos os dias, com pequenos e grandes atos difíceis. Porque era isso que fazíamos em nossa família.
 
Conosco, ele aprendeu a compartilhar, a doar e, a partir de suas próprias falhas, aprendeu que nossa família faz parte de um todo: somos parte da sociedade – que geralmente sofre. Ele aprendeu que estamos JUNTOS. Lutamos sempre por justiça e igualdade e contribuímos de todas as formas.
 
Em nossa vida de combate, seu pai cuidava dos doentes – ele era médico no Serviço Nacional de Saúde – e eu, sua mãe, recebia os estudantes e os ajudava a se orientar no vasto mundo em que vivemos hoje; eu era professora em escolas públicas.
 
Ao longo de sua infância, mensagens chegavam de todos os lados indicando que ele estava se tornando uma pessoa afetuosa e de espírito brilhante. Ele foi aprovado nos exames acadêmicos e ingressou na PA.PEI (Public Association of Pearson Institute) para cursar Ciência da Computação, trabalhando simultaneamente, o que lhe permitiu ter condições de frequentar uma faculdade particular e também estudar Sociologia. Posteriormente, foi aceito na Universidade Livre de Berlim, para onde se mudou para estudar. Formou-se com honras, trabalhando ao mesmo tempo para não sobrecarregar as finanças da família.
 
Mas ele olhou ao redor, para o que estava acontecendo no mundo. Viu e sentiu que as pessoas sofriam com a ansiedade do dia a dia, com as dificuldades econômicas, com a exploração dos poderosos, com o racismo, com a guerra às portas, todos esses flagelos que, infelizmente, não estão ausentes das sociedades humanas. E por tudo isso ele se posicionou.
 
Ele escolheu lutar. Apoiou pessoas com problemas de saúde, problemas de moradia, imigrantes em sua adaptação. Participou de coletivos, de passeatas contra o racismo, contra a lei do mais forte. Para Kyriakos, não existia “nós” e “os outros”, existia JUNTOS. Porque ele sempre gostou de aprender, de ler, de expandir seus horizontes, de “ligar os pontos” e, por meio da discussão, chegar a novas conclusões, mas sem se tornar intransigente e dono da verdade.
 
Mas agora ele não está mais conosco. Sua perda é insuportável para mim e para o pai dele. Os dias passam, mas os momentos vêm e vão. Lutamos diariamente. Nossas vidas se dividiram em ANTES, na quinta-feira, 31/10/2024, às 14h40, e DEPOIS, na quinta-feira, 31/10/2024, às 14h40.
 
O que guardo agora em meu coração é sua amada companheira, sua alma gêmea, Marianna. Porque esses dois são muito parecidos. Assim como Kyriakos, Marianna são almas raras, têm um olhar sensível, são sábios, amorosos e honestos, e estão sempre presentes onde quer que sejam necessários. Com dignidade e consistência.
 
Não vim aqui para julgar o filho. Vim aqui para lhes dar a sua imagem e para sentirem a sua presença. Afinal, ele assumiu as suas responsabilidades da melhor forma. Esta luz que também nos chega, a nós, seus pais, como um raio que tenta preencher a fenda do tempo. São os seus amigos e amigas, os seus companheiros e companheiras, uma palavra que tem sido mencionada com tanta suspeita. Crianças que poderiam viver uma vida fácil e despreocupada, mas que, em vez disso, escolheram lutar, reivindicar, sentir a dor dos outros como se fosse sua, e que se mantêm lado a lado em solidariedade. Tal como o nosso filho. Sinto-me feliz por sentir que o meu filho viveu e vive plenamente entre eles. E assim a sua ausência torna-se uma presença.”
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
Em cima da folha
Joaninha descansa
Que colorido!
 
Andréa Cristina Franczak

[Itália] 1º de Maio de 2026 no Circolo Culturale Anarchico “G. Fiaschi”

PRIMEIRO DE MAIO DE 2026
no Circolo Culturale Anarchico “G. Fiaschi”
via Ulivi 8/B, Carrara

O Primeiro de Maio há tempo perdeu o caráter de ruptura dos tempos passados, revestindo-se da ritualidade das manifestações de testemunho próprias destes tempos modernos. O mesmo poderia ser dito de vários outros nossos momentos tradicionais de luta. No entanto, a atual realidade social — entre incessantes massacres no trabalho e um crescente clima belicista no qual a habituação ao horror está ao alcance de qualquer um — necessita hoje, como ontem, do desencadeamento daquelas más paixões de que falava Bakunin. Pois somente a força propulsora e libertadora de uma ideia e de uma prática revolucionária coerente pode dar trabalho aos senhores da guerra e da exploração.

A liberdade é uma qualidade que se experimenta colocando-se em risco, escreveu um companheiro anarquista que por toda a vida uniu pensamento e ação. Uma observação verdadeira como uma razão de viver, uma constatação que vale mais que mil palavras. Sabe bem disso Alfredo Cospito, recluso no 41 bis por ter continuado a se expressar sem receios nem compromissos, e para quem em maio expirarão os primeiros quatro anos de aplicação daquele regime de tortura branca. Sabiam bem disso Alessandro Mercogliano e Sara Ardizzone, companheiros anarquistas que todos conhecíamos, tragicamente mortos em ação no mês de março em Roma. Sandro e Sara nunca fizeram mistério de suas convicções anarquistas. A despeito das alucinações dos vendidos da pena, não tinham uma “vida dupla”. E sua tenacidade se entrelaçava a uma doçura e uma modéstia imensuráveis.

Os senhores da nova inquisição, os produtores de morte que obtêm lucros da guerra, os massacreiros de hoje e de ontem — responsáveis por todos os massacres de Estado, de matriz neofascista e em conluio com a OTAN — certamente não estão em condições de dar lições de moral aos anarquistas. As forças repressivas gostariam de impor o silêncio sobre a vida e as escolhas destes nossos companheiros anarquistas. Eis por que neste ano, por ocasião do Primeiro de Maio, pretendemos lembrar Sandro e Sara, companheiros extraordinários que gostaríamos de ter conosco neste dia, e, ao lembrá-los, defenderemos a coerência e a integridade revolucionária que tiveram até o fim.

Nos encontramos na sexta-feira, 1º de maio, às 12h30, no Circolo Culturale Anarchico “G. Fiaschi” para um almoço em buffet. Durante todo o dia, o espaço estará aberto com distribuição de livros e publicações anarquistas e libertárias.

Site: circoloculturaleanarchicofiaschi.noblogs.org
E-mail: circolofiaschi@canaglie.org

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Cresce a erva do tempo, devagar,
brota do chão
e me devora.

Thiago de Mello

[Espanha] 1º de maio: Corre companheira! O velho mundo fica atrás de nós.

Hoje não marchamos por nostalgia nem por ritual. Marchamos porque o presente arde e o futuro querem nos arrebatar. Marchamos porque o trabalho segue sendo exploração, porque a obediência se nos impõem como virtude, e porque a dignidade ainda se negocia em mercados que nunca elegemos.

O velho mundo — da hierarquia, da submissão e do medo — se quebra sob nossos passos. Não o empurramos por capricho, mas por necessidade. Cada jornada laboral precária, cada direito cortado, cada vida subordinada ao lucro de uns poucos confirma que não há reforma suficiente dentro deste sistema.

Não há futuro sem desobediência.

Desobedecer é recordar que não nascemos para obedecer a ordens injustas. É negar-se a aceitar que a vida se reduza a sobreviver. É organizar-nos sem amos, construir sem permissões, resistir sem medo. A desobediência não é caos: é a semente de uma ordem nova, nascida desde baixo, horizontal, solidária e livre.

Frente aos que nos querem isoladas, escolhemos a comunidade. Frente aos que nos querem dóceis, escolhemos a ação direta. Frente aos que nos querem cansadas, escolhemos a luta compartilhada.

Paz. Trabalho. Revolução.

Falar de paz hoje não é ingenuidade: é uma urgência. Vivemos em um mundo atravessado por guerras abertas e conflitos permanentes, onde milhões de pessoas são deslocadas, exploradas ou sacrificadas em nome de interesses que nunca são os seus. As decisões que conduzem à guerra se tomam longe dos que a sofrem, em escritórios onde a vida humana se reduz a cifras, recursos ou fronteiras.

Nos dizem que a guerra é inevitável, que é parte da ordem do mundo, que devemos escolher lado e aceitar suas regras. Mas a guerra que nos impõem não é a nossa. Não lutamos por bandeiras nem por mercados, nem pelos lucros de elites políticas ou econômicas que jamais pisam no front.

A paz que defendemos não é a paz do silêncio, nem a paz dos cemitérios, nem a paz imposta pela força. É uma paz construída desde baixo, desde a justiça social, desde a igualdade real e o fim de toda dominação. Porque não pode haver paz enquanto exista exploração, enquanto a riqueza de uns dependa da miséria de outros, enquanto a vida esteja subordinada ao poder e o lucro.

Rechaçamos um mundo onde a violência é negócio e a guerra uma indústria. Rechaçamos que nossas vidas sejam instrumentalizadas para sustentar sistemas que necessitam do conflito para perpetuar-se.

Nossa paz nasce do apoio mútuo, da solidariedade entre povos, da desobediência aos que nos empurram ao enfrentamento. É a paz dos que se negam a matar e a morrer por interesses alheios. É a paz que se constrói organizando-nos, resistindo e criando alternativas.

Porque lutar pela paz hoje é também lutar contra as causas que tornam a guerra possível. E essa luta — coletiva, consciente, insubmissa — é já uma forma de revolução.

Hoje, como ontem, o anarcossindicalismo não pede permissão: constrói alternativas. Desde os sindicatos de base, as redes de apoio mútuo, as greves, as ocupações, as cooperativas, as ruas. Ali onde haja exploração, haverá resistência. Ali onde haja obediência, haverá rebeldia.

Que tremam os que sustentam este mundo velho.

Que se escutem nossas vozes em cada trabalho, em cada bairro, em cada rincão.

Porque não esperamos o futuro: o estamos criando.

Viva o Primeiro de Maio!

Viva a luta da classe trabalhadora!

Pela anarquia e o apoio mútuo!

cnt.es

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Cachorro vadio
À sombra da quaresmeira
Dorme sobre flores

Tony Marques

[Alemanha] Berlim: Até 1º de Maio – rumo ao bloco de luta de classes da manifestação sindical!

May Day, May Day! Os ataques atuais às principais conquistas do movimento operário ameaçam nossas já precárias condições de trabalho e de vida. Portanto, nós, da FAU Berlim, convocamos todos a irem às ruas no dia 1º de maio – juntos, em um bloco de luta de classes! Porque aqueles que semeiam ataques ao direito de greve colhem a luta de classes. Aqueles que questionam a jornada de 8 horas não devem se surpreender com a resistência coletiva. E aqueles que reclamam da suposta preguiça dos trabalhadores precisam ser trazidos de volta à realidade.
 
Espera-se que todos trabalhemos mais, de preferência na indústria bélica ou até mesmo nas forças armadas. E até mesmo o auxílio-doença está sendo questionado tanto pelo setor empresarial quanto pela política institucional. Nós afirmamos: o problema não são os dias de licença médica dos trabalhadores sobrecarregados, mas sim o próprio sistema que nos adoece – ele precisa ser mudado.
 
Em tempos de rearmamento maciço e vagas reivindicações por mais trabalho circulando na mídia e nos parlamentos, a solidariedade e uma postura militante são mais importantes do que nunca. Somente uma luta de classes de baixo para cima, que transcenda as fronteiras nacionais, pode ajudar. Através do nosso trabalho, que mantém o capitalismo funcionando, possuímos meios eficazes de pressão social: organização e greves! No local de trabalho, no recebimento de benefícios sociais, em nossas casas, em nossos lares, nas escolas e universidades, nas ruas e em todas as esferas da vida, podemos nos fortalecer mutuamente e reivindicar nossos interesses.
 
Vamos nos unir e lutar pelos direitos dos trabalhadores à nossa maneira. Convidamos você a se juntar a nós em apoio ao bloco de luta de classes da manifestação da DGB [maior confederação sindical da Alemanha]. Às ruas por um movimento operário forte – em 1º de maio e todos os dias!
 
#globalmayday2026 #1world1struggle
 
O quê: Manifestação do bloco de luta de classes da DGB
Quando: 1º de maio de 2026, 11h
Onde: Strausberger Platz (U5)
A partir das 13h, o AG Lokal convida você para o tradicional churrasco de 1º de maio no FAU-Lokal (Grüntaler Str. 24). Venha em peso!

 
Até 1º de maio – rumo ao bloco de luta de classes da manifestação sindical!
 
berlin.fau.org
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
amanhece, sol
beija-flor demora no ar
e desaparece.
 
Leticia Kamada

[Grécia] Relato do evento antiguerra de dois dias na Universidade Técnica Nacional de Atenas (UTNA)

RELATO DO EVENTO ANTIGUERRA DE DOIS DIAS NA UNIVERSIDADE TÉCNICA NACIONAL DE ATENAS, EM 23 E 24 DE ABRIL DE 2026

Dia 1: Apresentação da edição ampliada da brochura “Uma história crítica da pesquisa militar, através de fundamentos antimilitaristas”

O evento teve uma excelente participação, evidenciando que a pesquisa universitária sobre a guerra não se restringe às quatro paredes de nossos laboratórios e escolas. As universidades são um elemento fundamental da aliança greco-israelense, um pilar essencial do complexo militar-industrial. Ao mesmo tempo, porém, demonstramos que elas também podem ser um polo e um espaço de resistência e de florescimento do movimento internacionalista antiguerra.

Dia 2: Marcha contra a pesquisa de guerra da UTNA

A marcha contou com a presença de mais de 100 pessoas: estudantes, funcionários, pesquisadores e membros do movimento de solidariedade da UTNA. Percorreu a maioria das faculdades da UTNA, com foco em laboratórios e programas envolvidos na guerra, enquanto um protesto também ocorreu em frente à Reitoria, onde foi destacada a cumplicidade do reitor Hadjigeorgiou no genocídio do povo palestino. Deu-se especial ênfase à Faculdade de Engenharia Civil, envolvida no programa de guerra SWIFT, e ao laboratório I-Sense da ΗΜΜΥ (Faculdade de Engenharia Eletricista e de Computação), que vem realizando pesquisas sobre a guerra há algum tempo e agora participa do programa Cassata. Houve também uma intervenção na ΗΜΜΥ em solidariedade ao estudante anarquista Z.M., condenado por pichar slogans de solidariedade ao povo palestino nas paredes da faculdade, contra a colaboração da UTNA com a empresa bélica Intracom-Defense, que tem interesses israelenses.

Agradecemos a todos os coletivos e indivíduos que apoiaram o evento antiguerra de dois dias. Este evento de dois dias é apenas o começo. Não toleraremos que a UTNA realize pesquisas sobre Israel, a OTAN, fronteiras e o exército.

BLOQUEIO À PESQUISA DE GUERRA

Grupo Autônomo de Eletricistas

Iniciativa Autônoma de Engenheiros Mecânicos

Grupo Libertário da SEMFE

Research Critique

>> Mais fotoshttps://athens.indymedia.org/post/1640874/

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A chuva tardia
deixou perfumes de terra
nas ruas molhadas.

Humberto del Maestro

[Alemanha] A feira de armas fede.

Na Feira de Hannover, indivíduos desconhecidos espalharam um líquido de odor forte em um dos pavilhões. Uma carta reivindicando a autoria do ato veio à tona, leia a seguir.

Hanôver, 21 de abril de 2026

Esta semana acontece a feira Hannover Messe, com foco em inteligência artificial na produção, automação e robótica, e um pavilhão dedicado a empresas de defesa. Diversas empresas de drones, fornecedores e empresas de TI estão reunidas sob o tema “Tecnologia de Produção para a Defesa”.

Assistimos ao discurso de Boris Pistorius (Ministro da Defesa) na segunda-feira e presenciamos o odor insuportável. Temos quase certeza de que ele não conseguiu terminar seu discurso como planejado. É provável que os discursos subsequentes no palco principal do Hall 25 também tenham sido afetados.

De alguma forma, o Ministro da Guerra parece atrair um odor repugnante – seu escritório eleitoral foi recentemente alvo de ataque com ácido butírico.

Entre as empresas listadas na feira está a Siemens, que também está envolvida na exploração global e na destruição ambiental. Diversas estruturas do Instituto Fraunhofer, que atuam há muito tempo no setor de armamentos, não estão listadas na categoria de defesa.

Grandes empresas de tecnologia como Amazon e Microsoft também estão presentes. Nos últimos anos, elas têm praticado não apenas o fascismo, mas também a militarização.

De modo geral, os temas abordados aqui são os que atualmente fascinam o mundo dos negócios e da política: rearme e IA, destruição ambiental e IA, automação e IA… Achamos o slogan publicitário “IA impulsionada por pessoas” particularmente revelador. Será que isso se refere aos milhões de trabalhadores explorados que usam cliques para trabalhar?

Não precisamos nem de rearme nem de “soluções” tecnológicas sem fundamento. Todas essas empresas não fazem parte da solução, mas sim do problema: roubam e desperdiçam recursos, promovem crescimento desenfreado, competição sem fim, etc.

No domingo anterior à feira, Friedrich Merz se reuniu com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva para acertar uma parceria entre os dois países, da qual a Alemanha espera obter elementos de terras raras.

Boris Pistorius foi interrompido com ácido butírico durante seu discurso de abertura. Como Ministro da Defesa, com escritório na cidade e responsável pela feira de armas DSEI, que acontecerá em março [2027] em Hanôver, ele era simplesmente um alvo particularmente fácil.

Contra o mito da defesa, contra a sua guerra

Fonte: https://switchoff.noblogs.org/post/2026/04/21/ruestungsmesse-stinkt/

Nota da ANA:

O Brasil foi o país parceiro oficial dessa feira, com um grande pavilhão, promovendo exportações, tecnologia, produtos de defesa (leia-se material bélico), parcerias… Lula 3 participou da abertura da Hannover Messe 2026. Compra militares: Lá, Governo Lula 3 encomendou quatro fragatas da classe Tamandaré do estaleiro germânico Thyssenkrupp por valores bilionários.

agência de notícias anarquistas-ana

Noite outonal!
Minha avó contando histórias
Na varanda. Agora

Eunice Arruda

Lançamento: “Grafic Punk”, de Rômulo dos Santos Paulino

Grafic Punk é um livro que reúne nove volumes da zine de título homônimo, editado por Rômulo dos Santos Paulino, e apresenta uma série de ilustrações, fotomontagens e rabiscos produzidos por ilustradores e ilustradoras ligados ao movimento punk.

Nesta edição, tomamos contato com os trabalhos de Kalango, Valter Alves, Valdecir da Silva, Jeferson Pizoni, Fabbi Dot Arts, Carlos Casotti, Glauco Rocha, Lúcia Maria e Naira Juliana, com uma curadoria elaborada a partir da memória e da prática artística dos movimentos punks no Brasil dos anos 1990.

Um breve comentário na orelha do livro Grafic Punk – Marciano Ventura

O impulso de coletividade do movimento punk fez com que muitos trabalhos artísticos perdessem a autoria e/ou se convertessem em peças de “domínio público”. As imagens circulavam rapidamente por meio dos zines, transformando-se em estampas de camisetas, patches, adesivos, encartes de fitas K7, capas de discos, tatuagens etc.

Ninguém, aparentemente, pretendia ser artista. Havia um descompromisso proposital com a noção convencional de “arte”. Para essa moçada, composta por jovens de 15 a 25 anos, o papel constituía um suporte-território de comunicação e de experimentações textuais e visuais, em que toda arte era pouca e sujeita à apropriação e até mesmo à mutilação.

Rômulo dos Santos revirou o seu baú e trouxe este conteúdo em Grafic Punk Zine, agora fac-similado neste livro. Vale afirmar a importância desse trabalho como item documental e artístico. Trata-se de um registro inédito de um grupo de criadoras/es visceralmente vinculadas/os à contracultura urbana dos anos 1990.

Grafic Punk

Rômulo dos Santos Paulino

R$ 65,00

lojaintegrada.com.br

agência de notícias anarquistas-ana

sol na varanda –
sombras ao entardecer
brincam de ciranda

Carlos Seabra

[São Paulo-SP] No CCS, 01/05: “Pedagogia Libertária na atualidade”

Quanto você conhece sobre as práticas educacionais libertárias? Como uma pedagogia de base anarquista pode contribuir, hoje, na construção de autonomia e pensamento crítico dentro das comunidades escolares – com estudantes, educadores/as e famílias? 
 
O Centro de Cultura Social (CCS) convida para uma conversa sobre Pedagogia Libertária na atualidade, com o companheiro e educador Bruno Martins, retomando aspectos do livro de sua autoria “Práticas Libertárias na Educação Contemporânea” (Pulsãodescrita, SP, 2025- @pulsaodescrita), junto do educador e membro do CCS Antônio Carlos. Pensando principalmente na educação pública, vamos dialogar sobre as possibilidades das práticas libertárias em nossos dias. 
 
Será no dia 1º de maio de 2026, às 16h.
O CCS fica na Rua General Jardim, 253, sala 22, Vila Buarque – Próximo ao metrô Republica (solicitamos que, por favor, toque interfone 22).
@centro_de_cultura_social
ccssp@ccssp.com.br
https://www.facebook.com/centrodeculturasocialSP/
ccssp.com.br
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
acordei e me olhei no espelho
ainda a tempo de ver
meu sonho virar pesadelo
 
Paulo Leminski

[México] O 1° de Maio é anarquista!

Venha para o fórum de rua em 1° de Maio.

Haverá panela comum (alimentação autogestionada)

Se quiseres monte sua banquinha com o teu produto

Na tarde de 4 de maio de 1886, uma manifestação foi realizada na Praça Haymarket, em Chicago, pela jornada de oito horas. Logo quando estava prestes a terminar, um indivíduo desconhecido jogou uma bomba na rua matando um policial. Os policiais começaram a disparar aleatoriamente, assassinaram pelo menos 10 pessoas. Após os fatos, oito anarquistas foram julgados, nenhum culpado de lançar a bomba. Sete foram condenados à morte, quatro enforcados e um suicidou-se na sua cela.

Anos mais tarde, em 1° de maio de 1913, os trabalhadores da Cidade do México reunidos em torno da Casa do Trabalhador Mundial não assistiram aos seus trabalhos e fizeram um enorme protesto. Cerca de 25 mil trabalhadores saíram às ruas.

Hoje a Coordinadora Anarquista “Tejiendo Libertad” continua organizando e queimando nestas memórias.

Neste ano faremos uma breve homenagem a Lucy Parsons, que foi uma personagem importante nesta manifestação e é pouco mencionada.

catl.noblogs.org

agência de notícias anarquistas-ana

Entre as ruas, eu,
e em mim, eu em outras ruas,
sob a mesma noite.

Alexei Bueno

[Itália] Caso Cospito: sem livros e CDs musicais para o anarquista no 41 bis

Ministério recorre para bloquear autorização do tribunal de execução penal
 
ROMA, 25 DE ABRIL – O tribunal de execução penal havia autorizado a entrega de livros e CDs ao anarquista Alfredo Cospito, preso no regime 41 bis na cadeia de Sassari. Mas a própria casa de detenção, o Departamento da Administração Penitenciária (Dap) e o Ministério da Justiça recorreram ao Tribunal de Cassação para se oporem à concessão.
 
Aguardando a decisão, o detento não tem permissão para ler os livros ou ouvir os CDs solicitados. “São medidas que se conciliam mal com um Estado democrático”, afirma Flavio Rossi Albertini, advogado de Cospito, segundo o qual “se pretende aplicar o 41 bis completamente fora do perímetro normativo”.
 
Entre os livros pedidos pelo anarquista estão ‘Deus joga dados com o mundo‘, de Giuseppe Mussardo, ‘A maldição da residência Hill‘, de Shirley Jackson, e ‘Ghost story: A história fantasma‘, de Peter Straub. O CD musical é ‘Who let the dog out‘, das Lambrini Girls.
 
Enquanto isso, aguarda-se para o dia 4 de maio, data em que o Ministério deverá decidir se renova por mais dois anos o regime penitenciário duro para o detento.
 
Fonte: Ansa
 
Tradução > Liberto
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
vermelho relâmpago
irrompe do capim seco:
a cobra coral.
 
Anibal Beça

[Chile] 1º de Maio Negro Anárquico Pela Libertação Total

Contra o trabalho assalariado!

Ano após ano, diferentes afinidades anárquicas reivindicamos o 1º de Maio desde nossas próprias trincheiras, declarando guerra àqueles que buscam assimilar esta data de forma funcional ao capital, como “dia de descanso concedido pelo poder”, mas também contra aqueles que buscam se apropriar deste dia instrumentalizando-o politicamente para suas nefastas artimanhas partidárias de mãos dadas com os empresários.

Não comemoramos o 1º de Maio a partir de uma posição vitimista, muito menos do martírio passivo daqueles que colhem crédito político a partir da rançosa nostalgia. Também não queremos dialogar com o poder para mendigar “direitos trabalhistas” através de sindicatos desprezíveis, sejam quais forem seus adjetivos ou cores. E muito menos o sustentamos como uma patética desculpa para invadir uma praça com latas e garrafas de cerveja ao som de consignas vazias que se esfumam pelo ralo com a ressaca do dia seguinte. Nossa intensa antagonia é contra tudo aquilo que sustenta um mundo construído a partir da devastação e do extermínio.

Por isso, o nosso 1º de Maio não é o “dia dos trabalhadores”, porque buscamos precisamente destruir todas as dinâmicas de poder, incluindo o próprio trabalho assalariado. Nosso 1º de Maio é o primeiro dia do mês do caos, onde trazemos ao presente companheiros como Andrea Salsedo, integrante do Circolo Sociale de Galleani, assassinado por esbirros policiais em 3 de maio de 1922 em Nova York, e Mauricio Morales, o Punky Mauri, morto em combate ao tentar instalar um artefato explosivo na Escola de Gendarmaria em 22 de maio de 2009.

Assim, nos lançamos a tomar a rua e os chamados “espaços públicos” para nos reunirmos após a marcha. De cara para a desolação, sem medo do desastre!

Sexta-feira, 1º de Maio de 2026 / Praça Yungay / 14h / Santiago

• A Grande Comparsa do Povo

• Dança “Não se esqueçam de um rosto, não se esqueçam de um nome”

• Tesoura

• Loreone do Krimen

• Nido do Cuco

• Almoço Vegano arrecadando fundos para o 8º Encontro do Livro Anarquista 2026

• Confeitaria vegana em benefício da Escola Libertária do Sul

TRAGA SEU PRÓPRIO FOLHETO, FAIXA!

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Sempre do mesmo lado,

O dia todo e a noite inteira,

O vento da montanha.

Paulo Franchetti

[Espanha] Cartografia anarquista. Um passeio pela história social de Fraga

Desde o Centro de Estudos Libertários José Alberola, apresentamos esta Rota como guia cartográfico onde reconhecer os lugares nos quais se desenvolveram alguns dos acontecimentos mais relevantes da história do anarquismo em Fraga, desde princípios do passado século vinte até os anos trinta.

As ideias libertárias e o anarcossindicalismo enraizaram logo em Fraga e nas Terras Baixas do Cinca, sendo parte ativa do associacionismo obreiro e social desde então. Chegando a alcançar grande notoriedade em momentos históricos concretos: nos anos vinte, nos anos trinta, durante a guerra e a revolução de 1936, inclusive nos obscuros anos da ditadura franquista, na clandestinidade e no pós franquismo.

Agustín Orús, libertário desde sua adolescência, nascido em Fraga em 1918, contava que sua avó lhe cantava, sendo menino, o histórico hino anarquista Hijos del Pueblo. Está documentado o conflito laboral de 1906, como consequência da falta de trabalho pela paralisação das obras do Canal de Aragão e Catalunha (conhecido inicialmente como o Canal de Tamarite de Litera). Convocou-se uma greve reclamando pão e trabalho. Houve barricadas cortando o acesso à cidade na altura da ponte sobre o Cinca com enfrentamentos com a Guarda Civil, com o trágico resultado de vários mortos, entre os quais se encontram cinco obreiros e um guarda civil, e vários detidos. Nessa época se cantava uma balada que dizia: El canal de Tamarite, ni lo han hecho ni lo harán porque no quieren los ricos que los pobres coman pan.

Dos anos vinte e trinta fica a recordação da luta anarcossindicalista e o ativismo cultural e libertário: a greve de mulheres trabalhadoras da indústria manufatureira de figos secos. A intensa atividade desenvolvida desde a Sociedade Cultural Aurora – ateneu libertário – com a compra de um solar e a construção de uma casa pela própria militância, onde se instalou a escola racionalista com José Alberola como mestre, além do Sindicato, biblioteca, grupo de teatro e de um grupo de Juventudes Libertárias, etc. 

Na insurreição anarquista de dezembro de 1933, houve participação ativa em vários povoados da comarca, sobretudo em Belver de Cinca; não em Fraga, ainda que sim padeceu a repressão, com várias detenções e fechamento do Sindicato por ordem governamental. Foram muitas as detenções de militantes anarquistas, de povoados das Terras Baixas do Cinca, que estiveram vários dias presos no cárcere de Fraga (sede do partido judicial) até seu translado à prisão de Huesca.

Especial menção merece o processo revolucionário de julho de 1936: criação do Comitê Popular Revolucionário, a coletivização da terra e a incipiente indústria. O Conselho Municipal, a criação da primeira biblioteca pública, Hospital de Sangue ou a sede do primeiro Conselho de Aragão, etc.

Incluímos na Rota os domicílios particulares onde viveram Agustín Orús e Valero Chiné, militantes libertários de Fraga com uma longa trajetória, além do domicílio onde nasceu Liberto Sarrau, histórico militante anarquista, membro do grupo Quijotes del Ideal das Juventudes Libertárias de Barcelona e muito vinculado a Fraga; também a casa onde viveu José Alberola.

Tampouco queremos deixar de mencionar a militância anarquista — com especial relevância— que residiu em Fraga ou, por diferentes circunstâncias, visitou o povoado ou a comarca. Além de José Alberola e seu filho Octavio, não podemos nos esquecer de Ramón Acín, Felipe Alaiz, Buenaventura Durruti, Ricardo Sanz, Joaquín Ascaso, Francisco Ponzán, Manuel Lozano, Joaquina Dorado, Emma Goldman e tantas e tantos outros.

Rota não segue nenhuma cronologia concreta; tentamos fazer um percurso circular para que seja mais simples o percurso. A maior parte das localizações se encontram no casco histórico da cidade, com a exceção da última localização (a número 24), que se encontra na margem direita do rio. É certo que vários dos lugares mencionados correspondem ao período de guerra e o processo revolucionário de 1936-1938.

Não é um trabalho definitivo, mas em construção permanente. Somos conscientes de quão rica é a história do anarquismo em Fraga e nas Terras Baixas do Cinca; isso nos anima a continuar investigando e recopilando dados. Em qualquer caso, a guia tenta dar continuidade ao trabalho de divulgação histórica que desde o Centro de Estudos Libertários José Alberola desenvolvemos durante anos, também com os diferentes passeios guiados, organizados junto à organização anarcossindicalista de Fraga.

Dizer que nossa pretensão não é acadêmica nem científica; em qualquer caso, sempre contrastamos o que afirmamos. A maior parte da informação da qual se nutre a Rota corresponde às colaborações pessoais de companheiros que foram testemunhas ou participaram nos acontecimentos históricos que relatamos; essa condição merece todo nosso respeito e credibilidade. 

Animamos a todo o mundo a passear pelas ruas de Fraga com outro olhar e o entendimento aberto. A história do anarquismo faz parte de todas as pessoas que ansiamos e trabalhamos para alcançar a justiça social e a liberdade plena. 

Se necessitas ampliar informação, podes entrar em contato conosco através do correio eletrônico: celalberola@gmail.com

Fraga, primavera de 2026

Centro de Estudos Libertários José Alberola

Fonte: https://centrodeestudioslibertariosjalberola.blogspot.com/2026/04/cartografia-anarquista-un-paseo-por-la.html

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Dentro da mata –
Até a queda da folha
Parece viva.

Paulo Franchetti

[Espanha] 1º de Maio de 2026: ano de revoluções e de lutas

Neste ano de 2026, celebramos dois aniversários: o 90º aniversário da publicação do primeiro número da revista “Mujeres Libres” (maio de 1936) e também o 90º aniversário do triunfo da revolução social em 18 de julho de 1936 (levante popular que deteve o golpe de estado fascista em Barcelona).

Isso significa que, na CGT, sustentamos um legado histórico do movimento anarcossindicalista que não devemos esquecer e que devemos manter vivo no presente por meio dos princípios que nos identificam, como o da ação direta. Por isso, devemos manter uma luta constante que, de fato, aplicamos diariamente em nossa ação sindical.

O 1º de Maio é uma data simbólica para a classe trabalhadora do mundo inteiro e, neste ano, na CGT queremos unir passado e presente. Lembramos dois fatos muito importantes para a classe trabalhadora e reivindicamos a continuação dessa práxis de luta constante como ferramenta firme e capaz para a resolução dos conflitos, para melhorar nossas condições de vida.

A situação de vida da classe trabalhadora não melhora, embora os porta-vozes do capitalismo (empresários, políticos e alguns agentes sociais) queiram vender o contrário: mais um ano, nossos salários perdem poder aquisitivo, e nem sequer são compensados com a recuperação do IPC. Assim como os suprimentos essenciais, a alimentação e o transporte não param de subir.

A moradia se tornou um luxo que levou ao surgimento de um movimento social cada vez mais forte que reivindica o direito fundamental a um lar digno e que, praticando a ação direta, interrompe despejos e, por meio da ocupação, libera novos espaços.

Continuamos assistindo a uma criminalização da pobreza e da ocupação livre do espaço público com legislações como a atual Ordenança Cínica da Conveniência (chamada pela Prefeitura de Barcelona de “Plano de ordem”).

Além disso, continuamos sofrendo a deterioração dos serviços públicos, pela falta imposta de recursos econômicos e humanos, tanto em serviços gerais quanto em áreas tão importantes como a educação ou a saúde.

A CGT deve continuar nossa luta diária nos locais de trabalho e nas ruas, defendendo a ação direta e a organização da classe trabalhadora.

A luta não pode parar e deve ser contínua.

Inundemos as ruas!

cgtbarcelona.org

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Árvore curvada
tentando catar folhinhas
caídas no chão.

Lena Jesus Ponte

[Chile] Atualização Situação Carcerária do Companheiro Lucas Hernández (Abril 2026)

Passou mais de um mês desde que o companheiro Lucas Hernández foi transladado desde o cárcere de prisão preventiva Santiago Uno, para o cárcere de cumprimento Santiago Sur (Ex-Penitenciária), e desde sua chegada a perseguição tem sido permanente.
 
Lucas se encontra faz mais de um mês habitando a Rua 4 da Ex-Penitenciária, dependência de população penal isolada e castigada, com um regime de confinamento de 24 horas, em condições de superlotação que o levam a compartilhar cela com mais de 20 pessoas, e com uma série de limitações em seu deslocamento ao interior da rua mesma devido a sua negativa a professar religião alguma em seu cotidiano atrás das grades.
 
No transcurso deste mês se realizaram uma série de audiências derivadas do recurso de amparo interposto pelos advogados defensores de Lucas. O fim do recurso era denunciar e fazer cessar as violações aos direitos do companheiro que estavam sendo perpetrados pela Gendarmeria, no entanto, ainda quando o Recurso foi acolhido pelo Tribunal ordenando tirar Lucas do isolamento, a  Gendarmeria do Chile através de seus advogados dilataram o processo não apresentando os informes exigidos pelo tribunal e sem que até o dia de hoje cumpram com o ordenado, nem deem sequer uma explicação do fundamento para manter Lucas nesta situação.
 
Nosso companheiro permanece firme, digno e inteiro apesar da tortura psicológica diária à qual tem sido submetido pelos carcereiros em vingança de seu posicionamento político refratário.
 
Fazemos o chamado urgente a todo aquele que mantenha um discurso anticarcerário a não ficar na inatividade das palavras, que se multipliquem as ações solidárias exigindo o fim do isolamento de Lucas Hernández e o cessar da perseguição por parte da Gendarmeria. 
 
Fazer das ideias uma ameaça real. 
Aldo & Lucas à rua!
 
Fonte: @kallejaalakallee
 
Tradução > Sol de Abril
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/11/07/chile-apos-mais-de-3-meses-finaliza-julgamento-contra-os-irmaos-lucas-e-aldo-hernandez/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
flores na mão
saúdam uma desconhecida
no cemitério
 
Carol Lebel

[Nova Zelândia] Para o Dia do Anzac: A luta pelo anarquismo é a luta pela paz.

Do The Polar Blast – Notícias e Opiniões Anarquistas sobre a Luta de Classes em Aotearoa
 
O Dia de Anzac¹ (Anzac Day-25 de abril) sempre parece uma ocasião apropriada para reafirmar a oposição anarquista à guerra e reiterar que nunca é do interesse da classe trabalhadora apoiar a guerra.
 
A argumentação anarquista contra a guerra surge de nossa análise e oposição ao capitalismo. O capitalismo é a causa da guerra moderna. A insaciável sede de lucro gera uma busca implacável, por parte das diversas potências capitalistas, por mercados e fontes de matérias-primas. A guerra moderna é, na realidade, uma extensão dos “negócios sob o capitalismo” levada a um extremo de violência, onde as rivalidades econômicas entre os diversos setores nacionais da classe capitalista não podem mais ser resolvidas ou controladas pacificamente.
 
Apesar da narrativa de que a Primeira Guerra Mundial começou com o assassinato do arquiduque Ferdinando, sobrinho do imperador austríaco, por nacionalistas sérvios, a realidade é que ela foi o resultado de anos de interesses capitalistas conflitantes. O capitalismo britânico e francês na Nova Zelândia estava sendo desafiado pela crescente expansão da Alemanha, tanto na Europa quanto no exterior. Quando a Alemanha demonstrou, em 1911, ao enviar um navio de guerra à cidade de Agadir, sua intenção de estabelecer uma base no Marrocos, o então Ministro da Fazenda do Reino Unido, Lloyd George, reagiu imediatamente com um discurso ameaçando guerra.
 
Nesse ambiente internacional tenso, a crise que levaria a uma guerra em escala global era provavelmente inevitável. A “disputa entre Áustria e Sérvia” foi apenas a faísca que incendiou o conflito.
 
Quem prega a paz e o desarmamento sem exigir a derrubada do capitalismo ainda não demonstrou como esses objetivos podem ser alcançados, ou como o comércio e a exportação de capital podem se expandir sem que a violência seja o resultado.
 
A abolição da guerra, e da ameaça de guerra, só se concretizará com a derrubada do capitalismo e a reestruturação da sociedade com base na propriedade e produção comuns, voltadas unicamente para a satisfação das necessidades humanas. Tal sociedade uniria a raça humana, sem classes econômicas ou barreiras nacionais que nos dividam.
 
Sempre que uma guerra é travada, quaisquer que sejam as falsas razões que nos apresentem, e qualquer que seja o lado declarado vencedor, um lado sempre sai perdendo, e esse lado somos nós, os trabalhadores do mundo.
 
Como trabalhadores, precisamos perceber que nosso inimigo não é o trabalhador em outros países; em vez disso, é a classe capitalista em nosso próprio país, e essa é uma divisão muito mais importante do que aquela que separa as nações.
 
A luta pelo anarquismo é indissociável da luta contra a guerra. A única maneira de combater o militarismo é combater o capitalismo e o Estado.
 
A luta pelo anarquismo é a luta pela paz.
 
[1] O Dia de Anzac (data militarista) comemora o desembarque do Corpo de Exército Australiano e Neozelandês (Anzac) em Galípoli, na Turquia, durante a Primeira Guerra Mundial, em 1915. Este evento, também celebrado na Austrália, homenageia todos os neozelandeses que serviram ao seu país em guerras e conflitos. O Dia de Anzac é um feriado nacional. É um dia de folga para a população em geral, e as escolas e a maioria das empresas estão fechadas. Muitos neozelandeses participam de desfiles, cerimônias da alvorada ou cerimônias comemorativas.
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/02/07/australia-a-colonia-deve-cair/
 
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Vultos
Ciscos cegos
No olho da rua.
 
André Vallias

Primeiro de Maio, nenhum segundo a mais, nenhum centavo a menos!

Por Expressões Anarquistas – Fenikso Nigra

Chega mais um primeiro de maio, data que carrega memória de greve, confronto e invenção coletiva. Não é feriado neutro nem palco para discurso oficial. É marco de conflito aberto entre quem vive do próprio esforço e quem extrai valor desse esforço. Diante do avanço da chamada flexibilização, retomar o sentido desse dia exige ir além da celebração simbólica. Exige organizar recusa concreta: nenhum centavo a menos, nenhum segundo a mais.

A flexibilização aparece como promessa de autonomia, mas opera como disciplina difusa. Horário “livre” vira disponibilidade total. Contrato “por demanda” vira renda incerta. A responsabilidade pelos riscos migra para quem trabalha, enquanto o controle permanece concentrado em plataformas, métricas e contratos opacos — frequentemente com respaldo legal e institucional que legitima essa transferência de risco. O resultado é uma forma de exploração que dissolve limites: o tempo de descanso se mistura ao tempo produtivo, o custo de produção é empurrado para quem trabalha, e a renda passa a oscilar conforme regras que ninguém controla.

Nesse cenário, a luta não pode depender de mediação vertical ou de negociação que aceite a lógica imposta. A tarefa é construir poder direto, com base na cooperação e na igualdade de decisão. Em vez de delegar, assumir. Em vez de esperar, agir. Isso implica formas de organização capazes de atravessar a fragmentação: assembleias abertas, coordenação por mandato revogável, rotatividade de tarefas, partilha de informação sem barreiras. Não há chefia permanente nem especialização que concentre poder; há aprendizagem contínua e distribuição de responsabilidades.

A fragmentação é o principal instrumento de dominação atual. Pessoas isoladas, tarefas quebradas em micro-unidades, vínculos que começam e terminam no aplicativo. Para enfrentar isso, é preciso reconstruir laços onde o sistema tenta impedir encontros. Pontos de apoio locais, grupos de comunicação direta, mapeamento coletivo de condições de trabalho e remuneração. Quando se compartilham dados sobre tarifas, tempos, bloqueios e punições, o véu da arbitrariedade se rompe. O que parecia problema individual revela padrão. E padrão permite ação coordenada.

Recusar o trabalho flexibilizado não é abandonar toda atividade, mas negar as condições impostas. Significa estabelecer limites comuns: não aceitar corridas abaixo de certo valor, não realizar tarefas fora do escopo sem pagamento adicional, não estender jornada sem compensação. Significa também criar redes de apoio para quem sofre retaliação: fundos solidários, defesa coletiva, visibilidade para abusos. Cada recusa isolada é vulnerável; a recusa coletiva cria força.

Há ainda um aspecto menos visível, porém decisivo: a crítica das ideias que naturalizam a exploração. A narrativa de que “empreender é liberdade” ou “se esforçar mais resolve” precisa ser confrontada com a experiência concreta. Espaços de troca são também espaços de pensamento, onde diferentes hipóteses podem ser testadas sem autoridade central que dite o caminho. Não existe método único garantido; existe experimentação prática, correção de rota, combinação de estratégias conforme o contexto. A diversidade de táticas não é fraqueza, mas condição de adaptação.

Importa lembrar que a recusa não aponta para um retorno idealizado ao passado. O objetivo não é restaurar formas antigas de contrato, mas afirmar um princípio: a vida não deve ser subordinada ao lucro. O tempo é finito, o corpo tem limites, o desgaste acumula. Quando o trabalho invade tudo, resta pouco para viver. Por isso, a defesa do “nenhum segundo a mais” não é detalhe contábil; é proteção da própria existência.

No Primeiro de Maio, a memória das lutas serve como ferramenta, não como vitrine. Greves que interromperam a produção, boicotes que expuseram abusos, redes que sustentaram quem enfrentou retaliação: tudo isso aponta para a mesma direção. A organização eficaz nasce de baixo, sem tutela, e se mantém viva pela participação direta. Onde há centralização, cresce a distância entre decisão e realidade; onde há horizontalidade, aumenta a capacidade de resposta.

O desafio imediato é transformar indignação difusa em prática coordenada. Começa com conversas francas entre quem divide o mesmo ramo, segue com acordos mínimos de ação comum e se fortalece com estruturas que garantam continuidade. Exemplos concretos ajudam a iniciar: criação de grupos locais de mensagem entre quem atua na mesma área; definição coletiva de um valor mínimo aceitável por tarefa; construção de calendários de paralisação parcial para testar adesão; registro sistemático de abusos para divulgação pública; formação de caixas solidárias para sustentar quem sofre bloqueio. Pequenos passos, quando articulados, produzem deslocamentos reais.

Nenhum centavo a menos. Nenhum segundo cedido. Nenhuma confiança em promessas que mascaram controle. A recusa do trabalho flexibilizado é afirmação de dignidade e de autonomia coletiva. É construção paciente de um poder que não pede licença e não se submete a hierarquia. Neste Primeiro de Maio, a escolha é clara: aceitar a dispersão ou tecer, com as próprias mãos, a força comum. Na luta somos pessoas dignas e livres!

anarkio.net

agência de notícias anarquistas-ana

Salpicados de sons
Silêncio em suspenso:
Grilos e estrelas.

Marcos Masao Hoshino