
As Feiras do Livro Anarquistas se popularizaram por todo o mundo nos últimos anos. Elas são uma amostra da constante e prolífica atividade cultural e ideológica do movimento, expressa tanto na publicação contínua de materiais (livros, revistas, etc.) quanto em sua divulgação e discussão nas palestras, exposições e controvérsias que nelas ocorrem.
Em Montevidéu, foram realizadas oito feiras do livro anarquista; as cinco primeiras ocorreram entre os anos de 2012 e 2016 nas instalações do Centro Social Autônomo La Solidaria, que foi desocupado em 2017. As seguintes foram realizadas no Centro Social Cordón Norte nos anos subsequentes, contando com uma importante afluência de público de diversas regiões do continente e do mundo.
Embora se considere como o início dessas iniciativas a feira realizada em Londres em 1983, encontramos em Montevidéu um antecedente anterior, quando, em 29 de abril de 1944, foi inaugurado o “Primeiro Salão do Livro Anarquista”, que, embora tenha um título diferente, segue exatamente o mesmo formato.
A atividade consistia na exposição de quase mil livros anarquistas de diversos autores e temas¹ e na realização de sessões de debate sobre “os problemas fundamentais de nossas ideias por meio de palestrantes em tribuna livre”, todos os sábados dos meses de maio e junho, às 22h30, no espaço “La Casa de los Libertarios”, localizado na esquina das ruas Yaguarón com Mercedes.
La Casa de los Libertarios havia sido fundada em outubro de 1943 e propunha, em sua declaração de princípios: “Defender o princípio da liberdade como elemento essencial para o desenvolvimento integral do homem e para uma relação social mais harmoniosa; por isso, considera o sistema de governo do homem pelo homem, assim como a atividade política que visa a isso, como propósitos que negam esse princípio. (…) Desenvolver e praticar a ação direta como tática de luta para poder construir os valores humanos indispensáveis para uma sociedade sem opressores nem oprimidos; sem explorados nem exploradores.”
Como se pode ver, a prática regenerativa e de ação direta anarquista tem sido uma constante em nossa região, impulsionando as primeiras associações operárias, associações cooperativas e as primeiras lutas revolucionárias contra o Estado e sua consolidação capitalista. São os mesmos princípios e diretrizes de ação que orientam hoje as diversas lutas autônomas que priorizam a auto-organização social e a ação direta, desprezando os becos sem saída da institucionalidade democrática, que apenas pretende oferecer pequenas concessões para garantir que os problemas estruturais não mudem.
Hoje, assim como os companheiros de La Casa de los Libertarios, apostamos em “desenvolver e praticar a ação direta como tática de luta para poder construir os valores humanos indispensáveis para uma sociedade sem opressores nem oprimidos; sem explorados nem exploradores”.
[1] Ver lista aqui: http://ateneuenciclopedicpopular.org/…/primer-salon-del
periodicoanarquia.wordpress.com
agência de notícias anarquistas-ana
Perto da montanha
Interrompe a caminhada
campo de margaridas
Eunice Kikue Okuma Cavenaghi















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Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!