[França] Ideias e Lutas: A Comuna. A guerra civil dos Franceses


A Comuna de Paris, viva e polarizadora

Um novo livro sobre a Comuna de Paris. Embora escrito por Michel Winock, o que podemos aprender de novo sobre este evento histórico? O essencial e o desenrolar dos acontecimentos são conhecidos, os atores também… E no entanto. Antes de mais, a publicação de uma obra sintética sobre o assunto, cujo autor sabe dar sentido aos fatos e discursos, é sempre de saudar. A coleção da Gallimard que acolhe o livro, “Os dias que fizeram a França”, sabe englobar um dia no seu contexto político e social, vamos aquém e além do 18 de março de 1871 para analisar a guerra civil dos Franceses, conforme o subtítulo. Poderíamos lamentar a escolha da ilustração na capa: a queda da coluna Vendôme. Era realmente isso que deveria ser lembrado destes 72 dias da Comuna de Paris? Felizmente, Michel Winock eleva-se na sua análise, mesclando anedotas, discursos e reflexões. Um leitor pouco familiarizado com os acontecimentos encontrará ali o seu contentamento, uma base para avançar em direção aos testemunhos e outras análises.

A Comuna de Paris, de 18 de março a 28 de maio de 1871, ostenta um triplo rosto: republicano, operário e patriótico; ela intervém numa França dilacerada e para além dos fatos e dos anos. Para nossa grande surpresa, ainda hoje, por ocasião da sua 150ª comemoração, eleitos e militantes de direita e extrema-direita se desencadearam para denunciar no Conselho de Paris, na rua, nas redes sociais os pseudocrimes dos Federados ou comunardos. O azedume persistente da reação!! A destacar também o anexo do livro que reproduz excertos de manuais escolares sobre a Comuna.

Paris, o acampamento das revoluções


Primeiro contributo do livro: evocar os anos anteriores. O século XIX, entre a queda de Napoleão 1º em 1815 e a do seu sobrinho em 1870 em Sedan, é um pouco confuso na mente dos leitores. Império, Restauração, as diferentes formas de monarquias, República, novamente Império… as revoluções de 1830, de 1848… Michel Winock sintetiza estes anos com a ascensão do movimento operário e socialista, o lugar da burguesia e o desenvolvimento de uma economia ultrajante, exploradora dos proletários. As manobras de Adolphe Thiers ainda precisam ser analisadas. Ele, de quem Chateaubriand considerava que “compreendia tudo exceto a grandeza”, ele que qualificava o povo de “vile multidão”, ele que empreenderá uma luta de morte contra esta, apesar dos apelos à negociação e ao compromisso. Thiers é o responsável direto pela morte de milhares de Parisienses, pela destruição de bairros, infraestruturas, para o maior alívio da burguesia versalhesa. Mas não só, a clivagem da sociedade também é entre o mundo agrícola, provincial, e o mundo urbano. As cidades são republicanas, os campos monárquicos, legitimistas. Na própria Paris, as distinções sociais tornam-se também topográficas. Entre a capital e a província, o divórcio é cultural, político, social, econômico, uma das razões pelas quais a Comuna de Paris não conseguirá estender a sua ação.

Após o cerco de 1870-1871 e os sacrifícios sofridos, a inépcia dos militares, incluindo Trochu, os Parisienses não suportam o armistício e a paragem dos combates. Thiers desconfia deles e quer retomar os canhões, desarmar a Guarda Nacional. É o caso dos canhões de Montmartre. A insurreição está em marcha e, como havia proposto em 1848 a Luís Filipe, ele evacua Paris para a reinvestir pelas armas e punir este povo que despreza. Michel Winock expõe claramente este contexto, o que poderia ser um feito mais que arriscado.

É a confusão na capital. Os Federados não estão prontos. Os membros da Associação Internacional dos Trabalhadores, como Varlin, Malon, têm algumas ideias, mas como estruturar uma administração para gerir Paris? Eles são muito legalistas e querem eleições, em 26 de março. Três componentes emergem: Republicanos (Delescluzes), blanquistas (Vaillant), proudhonianos, AIT (Beslay, Courbet). Winock dá a lista completa acompanhada de uma curta biografia.

Agir sob o fogo dos versalheses


Sob o fogo dos versalheses e sempre na defensiva após o fracasso da saída de Rueil e Clamart, em 3 de abril, eles vão reativar os serviços, impulsionar princípios (separação da Igreja e do Estado), inovar no ensino, na gestão das empresas, no direito do trabalho. Alguns consideram que estes elementos não foram de grande utilidade e, no entanto, basta reler o programa da Comuna de 19 de abril para avaliar a sua lucidez.

Michel Winock evoca a vida em Paris com um ar de festa, os debates nos clubes, o lugar das mulheres, a liberdade de imprensa com O Grito do Povo de Jules Vallès (100 000 exemplares). Infelizmente, a confusão e as rivalidades nas diferentes instâncias, as traições desferem golpes fatais na Comuna. Evidentemente, a Semana Sangrenta foi medonha e o número exato de vítimas é para sempre desconhecido (entre 17 000 e 30 000, sem contar os mortos na deportação, nos pontões).

Esta Comuna de Paris encerra o ciclo das revoluções em França, torna-se um mito universal e abre espaço ao debate, nomeadamente entre Marx e Bakunin. Após a anistia de 1880, alguns reinvestem-se no combate político, uma maneira de sublinhar que a Comuna está viva e este livro demonstra-o.

• Michel Winock
A Comuna
A guerra civil dos Franceses
Ed. Gallimard, 2026

Fonte: https://monde-libertaire.net/?articlen=8816

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Nas bodas de prata
retornando à terra natal –
flor de laranjeira!

Teruko Oda

[Chile] Semana de agitação pela libertação da presa anarquista Mónica Caballero Sepúlveda, de 23 a 29 de março

Convocatória

Nas próximas semanas, uma comissão de juízes do tribunal de recursos irá analisar, pela segunda vez, a possibilidade de conceder liberdade condicional a Mónica Caballero Sepúlveda; esta decisão será aplicada automaticamente a qualquer presx) condenadx que cumpra os requisitos previstos na lei (especificamente a DL321).

Na primeira revisão da liberdade condicional (realizada em novembro de 2025), a companheira cumpria amplamente cada um dos requisitos objetivos exigidos, restando apenas argumentos subjetivos para manter a recusa na concessão do benefício da liberdade.

Esses argumentos subjetivos baseiam-se na postura política da companheira, que nunca escondeu a sua posição antiautoritária; este posicionamento, nas palavras de quem defende o sistema, é uma “atitude pró-criminal” que será sempre perigosa.

Conteúdo relacionado:
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/07/11/chile-palavras-da-companheira-anarquista-monica-caballero-sepulveda-sequestrada-pelo-estado-no-carcere-de-san-miguel/

agência de notícias anarquistas-ana

Esqueletos de árvores,
lampiões rodando no vento,
no chão, sombras, bêbadas.

Alexei Bueno

[Reino Unido] Solidariedade DIY – Inscrições abertas (até 31 de março)

DIY Solidarity é um projeto que redistribui recursos entre comunidades DIY (faça você mesmo) para combater, pelo menos em parte, as injustiças decorrentes de uma ordem econômica global completamente desequilibrada. Isso significa que, todos os anos, dispomos de recursos para apoiar projetos DIY. As inscrições para o ciclo de financiamento de 2026 já estão abertas. O formulário de inscrição está disponível até 31 de março.

No âmbito do DIY Solidarity, entende-se que um projeto DIY depende exclusivamente do envolvimento dos participantes e do apoio da comunidade. Sem patrocínio estatal, corporativo ou de ONGs.

Há um formulário de inscrição bastante simples que reduz a burocracia ao mínimo. Basta identificar os pontos-chave do projeto: Onde fica? Do que se trata? E o que as pessoas estão pedindo?

DIY Solidarity

Entre as dezenas de beneficiários anteriores estão:

Etniko Bandido – um espaço descolonizado, antiautoritário e autônomo nas Filipinas.

Satan Not Hatin’ – uma campanha popular lançada pela Global Order of Satan (Ordem Global de Satanás) para combater o racismo, a transfobia, a misoginia, a homofobia, o capacitismo e outras correntes de extrema direita que se infiltraram nas cenas musicais alternativas.

Dajjeh (ضجة) – um coletivo informal com sede em Beirute, no Líbano, que organiza shows de punk.

La Cultura del Barrio – um clube social e esportivo antifascista em Buenos Aires, que se organiza em meio à virada da direita na Argentina.

diyconspiracy.net

Tradução > transanark / acervo trans-anarquista

agência de notícias anarquistas-ana

um pé no degrau
um passo na escada
bate coração

Carlos Seabra

[Alemanha] De Darmstadt a Atenas: Solidariedade com a Comunidade Ocupada de Prosfygika!

Faixa estendida em Darmstadt em solidariedade à Prosfygika. Mãos fora da Prosfygika!

A Comunidade Ocupada de Prosfygika é um raio de esperança para um mundo melhor. Um espaço luminoso e vivo de resistência contra a ordem dominante.

Trata-se de um bairro ocupado e auto-organizado no coração de Atenas, com mais de 400 habitantes de 27 nações. Há mais de 16 anos, a Comunidade construiu o maior projeto social da Grécia e um dos maiores da Europa, distribuído por muitas estruturas de solidariedade e empoderamento.

Hoje (14/03) marca o 37º dia da greve de fome do nosso amigo e companheiro Aristotelis, da Comunidade Ocupada de Prosfygika. Ele iniciou uma greve de fome até a morte em defesa da vida.

O governo da região da Ática, sob o comando de Mitsotakis, apoiado por interesses capitalistas, quer despejar a Comunidade, destruir todas as estruturas cultivadas e promover a gentrificação, tudo isso também com o apoio de financiamento da UE.

Fora de Prosfygika!

Ou vencemos ou vencemos!

Fonte: https://de.indymedia.org/node/717703

Tradução > Reno Moedor

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/02/16/grecia-ataque-e-despejo-iminente-de-prosfygika/

agência de notícias anarquistas-ana

Que verdades conhecia o morto?
Quem estrangulou
sua palavra?

Thiago de Mello

[Grécia] Atenas: Célula anarquista “Lambros Fountas” assume a autoria de ataques incendiários contra residências de policiais

Assumimos a responsabilidade pelos ataques incendiários às residências da unidade MAT (polícia de choque) na Rua Athanaton, nº 12, em Sepolia, em 9 de fevereiro, onde reside Andreas Poligenis, e na Rua Teas, 4-6, em Kaisariani, em 24 de fevereiro, bem como na residência de um policial da unidade OPKE [Unidade de Prevenção e Repressão ao Crime], na Rua Deligianni, 18, em Exarchia, em 7 de março. Dedicamos essas ações à memória de nosso companheiro anarquista e membro da Luta Revolucionária, Lambros Fountas, que caiu em combate durante um confronto armado em Dafni, em 10 de março de 2010. Lambros foi um combatente exemplar que impulsionou a luta multifacetada tendo como objetivo a revolução social. Ele participou de todos os aspectos da ação anarquista, desde assembleias, marchas e confrontos com as forças de repressão até a luta armada revolucionária.

As razões pelas quais realizamos os ataques acima são evidentes: estamos revidando contra aqueles que pisoteiam nossos sonhos. Àqueles que violam pessoas nas delegacias, àqueles que espancam migrantes sem piedade, àqueles que protegem vigaristas como o “ilustre” Ministro da Saúde, Adonis Georgiadis, que desmantelou o Sistema Nacional de Saúde, àqueles que reprimem greves e marchas, como a de 31/10 em homenagem ao guerrilheiro anarquista armado Kyriakos Xymitiris. Não pode haver trégua com aqueles que reprimem nossas vidas.

Falamos a linguagem da libertação social e de classe, a linguagem da resistência política como contraponto à linguagem do terrorismo de Estado, da disciplina, da exploração implacável, da decadência moral e do beco sem saída do individualismo capitalista. Defendemos a ação direta e o ataque contra aqueles que nos governam e contribuem descaradamente para a formação desta realidade devastada pela guerra; desde a mídia de massa que fabrica consciências fragmentadas e impregnadas de alienação, à justiça burguesa que serve cegamente aos interesses da elite econômica e política, às fábricas exploradoras da escravidão salarial que cheiram a morte, e até mesmo a escória da polícia grega com sua arrogância autoritária sem limites.

Nesta era atual de fragmentação dos movimentos sociais, enfraquecimento do movimento anarquista e apatia e derrotismo generalizados, devemos preservar intactos nossos princípios políticos, fazer do confronto direto com o inimigo nossa prioridade máxima até que o medo mude de lado e externalizar nossa visão de um mundo de igualdade, solidariedade, liberdade e altruísmo.

KYRIAKOS XYMITIRIS, LAMBROS FOUNTAS: SEMPRE PRESENTES NAS ESTRADAS DE FOGO

HONRA E MEMÓRIA A SNIZANA PARASKEVAIDOU, CAÍDA NO CAMPO DE BATALHA

FORÇA AOS PRISIONEIROS DA GUERRA SOCIAL E DE CLASSES, DO IRÃ À GRÉCIA E DA TURQUIA AO CHILE

SOLIDARIEDADE INABALÁVEL COM NOSSOS COMPAS PRESOS QUE ESTÃO SENDO PROCESSADOS NO CASO AMPELOKIPI E SERÃO JULGADOS EM 1º DE ABRIL

Célula Anarquista “Lambros Fountas”

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1640194/

Tradução > Reno Moedor

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/03/10/grecia-agrinio-lambros-fountas-presente/

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de tantos instantes
para mim lembrança
as flores de cerejeira.

Matsuo Bashô

[Chile] Festival Antinazista de Punta Arenas

Sábado, 21 de março · A partir das 15h00

No extremo sul do mundo, onde o vento não se curva e a memória não se apaga, as ruas de Punta Arenas voltam a pulsar ao ritmo da rebeldia. Este dia 21 de março não é uma data qualquer: é um encontro com a dignidade.

As culturas punk, ska, rap de combate e reggae unem-se numa jornada que não é apenas música — é posicionamento, é comunidade organizada, é contracultura viva. Porque quando o fascismo tenta normalizar-se, a resposta não pode ser o silêncio.

A ação direta é autogestão, é apoio mútuo, é presença no espaço público, é dizer “aqui estamos” sem pedir permissão. É criar redes onde outros semeiam o medo. É erguer palcos onde outros erguem muros.

Este festival é mais do que um cartaz; é um gesto coletivo.

É a juventude a tomar a palavra.

É a cultura popular a dizer que não há espaço para o autoritarismo nem para a exclusão.

Não basta estar contra: é preciso estar presente.

Não basta indignar-se em privado: é preciso construir em comum.

Aproxima-te. Divulga. Participa.

Porque a liberdade não se delega.

Porque a memória não se negocia.

Porque a solidariedade se pratica.

Mais informações em @amenaza.anarkopunk

Saúde, Ska e Liberdade.

#ska #punk #antifa

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mar não tem desenho
o vento não deixa
o tamanho…

Guimarães Rosa

[Alemanha] “Não somos de esquerda nem extremistas – somos anarquistas e libertários.”

Comunicado de imprensa da iniciativa Fanny’s and Fanya’s sobre sua inclusão no relatório do estado da Renânia do Norte-Vestfália sobre extremismo de esquerda.

Há duas semanas, foi apresentado o relatório sobre a situação do extremismo de esquerda na Renânia do Norte-Vestfália.

O relatório menciona um cartaz do evento “Anarquia Verde – O que é Anarquismo Verde?” . O evento ocorreu em 2 de maio de 2025, em Bochum, e foi organizado pela iniciativa Fanny’s and Fanya’s para um centro anarquista.

O conteúdo consistia em uma análise crítica da civilização e do antropocentrismo.

O antropocentrismo coloca os humanos acima do resto do meio ambiente. É central para a ideia de querer dominar a “natureza” e, portanto, é parcialmente responsável pela destruição dos ecossistemas globais.

Essa classificação foi parcialmente correta no relatório de situação. No entanto, a classificação como de esquerda e extremista é inadequada do ponto de vista da iniciativa. Portanto, a Fanny’s and Fanya’s considera-se incorretamente incluída neste relatório de situação.

A companheira Leah Feldman explica:

“A Fanny’s and Fanya’s defendem consistentemente uma sociedade sem dominação, algo que muitos grupos de esquerda não defendem. Numerosos grupos do espectro marxista mencionados no relatório de situação almejam uma ditadura do proletariado. Vimos o que isso significa na RDA e na União Soviética. Parte disso envolve mais poder para a polícia e os serviços de inteligência, e uma expansão da vigilância estatal. Nessas aspirações, muitos grupos marxistas têm mais em comum com Herbert Reul e o restante do governo do estado da Renânia do Norte-Vestfália do que conosco.

Rejeitamos o uso do Estado como instrumento. Para nós, o Estado é o extremo. Ele serve para assegurar o domínio de uma elite baseada na opressão e exploração do restante da população.

Para manter essa ordem, sua polícia e forças armadas exercem violência massiva.

Sem o Estado e suas instituições aliadas, como o capitalismo e o colonialismo, não haveria catástrofe climática, pobreza ou guerras. Resistir a isso não é extremo, mas sim libertário. Uma ordem livre e democrática só pode existir sem um Estado.”

O nome “Fanny’s and Fanya’s” também alude ao fato de que ambas as homenageadas, Fanny Kaplan e Fanya Baron, foram assassinadas na luta contra uma ditadura marxista. Fanny Kaplan foi executada por atirar em Vladimir Lenin. O assassinato de Fanya Baron também ocorreu por ordem de Lenin.

Os princípios básicos do grupo incluem:

  • Autodeterminação e igualdade para todos os povos
  • Rejeição de todas as formas de misantropia
  • Tomada de decisão descentralizada e orientada para o consenso, envolvendo todos os afetados por uma decisão.
  • Abolição de todas as formas de dominação, incluindo o Estado, o capitalismo, o patriarcado, o colonialismo e o capacitismo.
  • Fim de todos os sistemas penais, incluindo prisões e polícia
  • Responsabilidade compartilhada em casos de abuso
  • A violência utilizada exclusivamente como meio de autodefesa contra a opressão e não para a imposição de interesses dominantes.
  • Rejeição de todo serviço militar e serviço militar obrigatório
  • O objetivo é lidar com os conflitos, sempre que possível, sem opressão ou violência.

Do ponto de vista da iniciativa, trata-se de defender uma ordem social verdadeiramente livre e equitativa. Isso contrasta com a ordem democrática baseada no Estado, que exige governo (“cracia”) e, portanto, não pode ser livre.

A designação da organização pelo Estado como um adversário político a ser combatido é, portanto, logicamente coerente. No entanto, seria factualmente correto listá-la em um relatório de situação separado sobre o anarquismo, em vez de classificá-la como extremista de esquerda.

Informações de contato

A iniciativa Fanny’s and Fanya’s está disponível para entrevistas (anônimas) à imprensa, em formato escrito, áudio ou vídeo. Entre em contato conosco pelo e-mail fannysandfanyas@riseup.net.

Atenciosamente,

A iniciativa Fanny’s and Fanya’s para um centro anarquista em Bochum

fannysandfanyas.noblogs.org

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Hora do recreio:
periquitos tagarelas
brigam pelas mangas.

Anibal Beça

[Alemanha] Caminhão da Bundeswehr incendiado: Solidariedade com os estudantes em greve!

Estudantes! Você está nas ruas porque não quer ser bucha de canhão.

A “greve escolar contra o recrutamento obrigatório” mobiliza milhares.

Em solidariedade à sua greve, incendiamos um caminhão de transporte “Elefant” da Bundeswehr (forças armadas unificadas da Alemanha), numa oficina de Lüneburg, na noite de 5 de março de 2026.

Ninguém nos protegerá dos supostos perigos, nenhum político, mas nem a expansão da Bundeswehr ou do rearmamento. Estudantes como você são acusados por alguns de serem egoístas e de precisarem defender a “pátria”. Isso é um absurdo – a guerra sempre beneficia os ricos e poderosos, não importa o Estado, não beneficia aqueles fardados e enviados à linha de frente. Isso, em primeiro lugar, ajuda a nossa aliança uns com os outros e, por exemplo, a atacar.

Se você não é estudante e está se perguntando o que pode fazer contra toda essa merda, existem muitas opções:

Se trabalha em empresa ou atividade que tenha cooperação com a indústria de armamentos e com militares, publique essas informações, atrase os processos e prejudique a produção, se recuse a trabalhar. Seja uma empresa de tecnologia, fábrica, universidade ou escola, a guerra é preparada e manejada em inúmeros lugares.

Vamos sabotar a guerra juntos!

Imprensa: https://www.ndr.de/nachrichten/niedersachsen/lueneburg-lkw-der-bundeswehr-ausgebrannt-staatsschutz-ermittelt,bundeswehr-1010.html

Fonte: https://barrikade.info/article/7400

Tradução > CF Puig

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/03/05/alemanha-berlim-protesto-anarquista-contra-o-recrutamento-militar-obrigatorio-no-dia-da-greve-estudantil/

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Sabiá quieto.
O silêncio da tarde
Pousa na antena.

Camila Jabur

[Grécia] Semana Internacional de Ações Solidárias com os companheiros presos e em memória do guerrilheiro armado Kyriakos

Caros companheiros e companheiras, na sequência do nosso último e-mail relativo à Semana Internacional de Ação Solidárias com os companheiros presos no caso Ampelokipoi e em memória do combatente armado Kiriakos Ximitiris, escrevemos para vocês para informar sobre o início do julgamento na quarta-feira, 1° de abril, às 9h, no Tribunal de Apelação de Atenas, Grécia.

Portanto, ficou decidido que a Semana Internacional de Ações Solidárias ocorrerá de 24 a 31 de março. Em Atenas, haverá uma manifestação no centro da cidade, na Praça Syntagma, na sexta-feira, 27 de março, às 19h.

Apelamos à sua resposta através de manifestações/ações de solidariedade nas suas cidades, para que nos unamos no sentido de dar visibilidade ao caso e expressar a nossa solidariedade inegociável com os companheiros presos – tendo em conta a iminente batalha jurídica e política que enfrentam – na luta pela sua libertação e na defesa da memória do nosso companheiro Kiriakos Ximitiris.

Semana Internacional de Ações 24-31 de março | Manifestação de solidariedade no Tribunal de Apelação de Atenas 1° de abril, 9h (início do julgamento)   https://athens.indymedia.org/post/1640139/

Saudações companheiros e companheiras,

Assembleia de Solidariedade com combatentes presos, fugitivos e processados

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/03/16/grecia-solidariedade-internacional-pelo-caso-ampelokipoi/

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e um vaga-lume
lanterneiro que riscou
um psiu de luz

Guimarães Rosa

[Indonésia] O camarada anarquista Dena foi transferido para a prisão de Kebon Waru antes do julgamento.

O camarada anarquista e rapper detido, Dena (Maditya Dena), também conhecido como Apip ou Scoobydoomz , foi transferido da sede da polícia paramilitar de Java Ocidental para a prisão de Kebon Waru, em Bandung. A transferência ocorreu após a apresentação de acusações formais contra ele. Dena é acusado da destruição do Banco Hana, em Bandung, juntamente com o camarada Adit, que também é acusado no mesmo caso e aguarda julgamento. Dena sofre de problemas de saúde relacionados como o seu estado de soropositivo e, na prisão, é difícil obter os medicamentos necessários, que são caros. Dena estava sendo mantido isolado dos demais camaradas do Chaos Star . Espera-se que Dena e Adit enfrentem penas de dois anos ou menos pela destruição de propriedade; no entanto, Adit também enfrenta 25 anos de prisão pelo atentado a bomba contra um posto policial, em um julgamento paralelo, referente a uma ação ocorrida em 2024.

Fogo nas prisões! Fogo no estado!

Envie uma mensagem de solidariedade ao camarada Dena, em inglês ou indonésio:

Maditya Dena
JI. Jacarta No.42-44,
Kebonwaru, Kec. Batununggal,
Kota Bandung, Jawa Barat
Indonésia

Palang Hitam/ABC

>> Videoclipes: 

https://youtu.be/fSLda-qk-Io 
https://youtu.be/gQXqj3j-sPk 
https://youtu.be/A07PnT7WkFg 

Fonte: https://darknights.noblogs.org/post/2026/03/12/anarchist-comrade-dena-in-prison-transfer-to-kebon-waru-prison-before-trial-indonesia/ 

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/02/20/indonesia-atualizacoes-sobre-os-julgamentos-de-presos-politicos-anarquistas-em-bandung/

agência de notícias anarquistas-ana

No pé de goiaba,
moleques em algazarra,
roubando sem culpa.

Reneu do Amaral Berni

[Grécia] Na Trilha da Luta: Lambros Fountas presente!

Em 10 de março, há 16 anos, Lambros Fountas, membro da organização Luta Revolucionária, foi morto a tiros pela polícia. O assassinato do camarada anarquista ocorreu durante uma ação preparatória da organização em Dafni, em meio a um confronto armado com as forças policiais.

O movimento anarquista, desde os seus primórdios, defendeu e continua a defender a memória e o conteúdo da ação do combatente armado Lambros Fountas através de marchas, eventos e ações. A própria organização da qual ele era membro realizou um atentado ao Banco da Grécia em 2014, dedicando-o ao seu camarada caído, assumindo a responsabilidade sob a assinatura “Comando Lambros Fountas”, prestando assim homenagem ao revolucionário.

Lambros Fountas, como membro da organização revolucionária armada Luta Revolucionária, optou por agir através do contra-ataque proletário armado num momento em que a base social era afetada por medidas de austeridade. Medidas impostas pela elite local e internacional para evitar a falência do sistema bancário europeu. E enquanto políticos e gestores públicos apresentam os memorandos e contratos como “meios de salvação”, nós os vivenciamos como cortes salariais e de pensões, como um presente empobrecido e um futuro incerto.

A organização Luta Revolucionária lutou contra essa condição, visando os economicamente poderosos e combatendo vigorosamente as medidas dos memorandos. Optou por criar condições de instabilidade política, dificultando a erosão da base social, deixando um grande legado no movimento revolucionário internacional e nacional. Com ações contra “organizações” predatórias – Banco da Grécia, Banco da Cidade, etc. –, a bolsa de valores e os assassinos fardados da MAT [polícia militar], defendeu a revolução social armada, escrevendo novos capítulos no livro da história revolucionária.

E talvez o camarada Lambros Fountas e eu nunca tenhamos nos encontrado, nunca lutado lado a lado. Mas o fio condutor da memória revolucionária une exatamente isso: combatentes, movimentos e lutas que, embora tenham se desenvolvido em diferentes cantos do planeta e em diferentes espaços e tempos, compartilharam uma angústia e uma visão de libertação em comum. Assim, a preservação da memória revolucionária está longe de ser um processo neutro. É um espinho no esquecimento e uma fenda na história dos governantes. É por isso que assegurá-la faz parte da nossa própria luta, parte do presente e do futuro. É por isso que, embora o passado tenha sido manchado de sangue, nossos mortos conseguiram preencher o tinteiro da história revolucionária. E mesmo que não tenhamos caminhado ao lado deles, caminhamos junto a eles. E mesmo que não tenhamos escolhido o mesmo caminho, olhamos para os mesmos céus. Porque compartilhamos os mesmos sonhos e esperanças, experimentamos os mesmos medos e fúrias. Assim, a luta deles, a maneira como agiram e como caíram, é uma luta convidativa, um ponto de partida e uma ocasião para novos ciclos de resistência. E enquanto mantivermos viva a memória revolucionária, manteremos viva também a nossa história. Uma história construída sobre os sorrisos e olhares de camaradagem do nosso povo, dos nossos amigos e dos nossos parceiros. Como o nosso camarada Kyriakos Xymitiris, que caiu em combate há quase um ano e meio, em 31/10/2024, vítima da explosão em Ampelokipi. Um camarada que vislumbrava um mundo de igualdade e liberdade. Um mundo justo, construído sobre as ruínas do antigo.

Portanto, por Lambros Fountas, Kyriakos Ximitiris e todos os outros combatentes que se viam como parte da história revolucionária e se entregaram à luta, chegou a nossa vez de fazer de suas mortes uma causa de guerra. De honrar nossa história e nossas responsabilidades e de encarar suas mortes como uma motivação para continuar a luta.

LAMBROS FOUNTAS IMORTAL

KYRIAKOS XYMITIRIS PRESENTE

LIBERTAÇÃO IMEDIATA DO CAMARADA NIKOS MAZIOTIS

ACABEM IMEDIATAMENTE COM O SEQUESTRO FINANCEIRO DA CAMARADA POLA ROUPA

Mariana Manoura

Dimitra Zarafeta

Prisão feminina de Korydallos.

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1640123/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/03/10/grecia-agrinio-lambros-fountas-presente/

agência de notícias anarquistas-ana

nuvem que passa,
o sol dorme um pouco –
a sombra descansa

Carlos Seabra

[França] Tenda militante para festa e protesto

‘Chapiteau’ é um projeto anarco-radical-feminista com preços (quase) flexíveis, do tipo “pague o quanto quiser”.

L’équipe du chapitoto ~

Em 2025, entre Castres e Toulouse, uma pequena equipe nossa se animou a lançar este projeto, maior do que nós: a tenda de protesto. Na realidade, alugar tendas ao longo da rodovia A69 sempre foi incrivelmente caro (chega a mais de 3.000 euros por tenda), e dependíamos muito de empresas profissionais que não estavam dispostas a arriscar os seus equipamentos em uma única instalação, além de estarmos bem cansados das configurações ditadas pelas autoridades.

Também achamos que, dado todo o suporte logístico que recebemos (dezenas de banheiros, barracas de comida incríveis, tendas, mesas e bancos, sistema de som…) e o ótimo clima no grupo, seria ótimo tentar.

No final do Turbo Teuf (festival local), tínhamos uma boa grana. Graças à criatividade, a autoindicações, a subsídios de organizações envolvidas no projeto A69 e às generosas caixas de doações e do bar, lotados com o sucesso e a boa presença no evento, a equipe precisou decidir sobre os lucros.

Havia três opções principais que pareciam consistentes com as doações recebidas: adiar o evento para outra festa, e correr o risco de precisar decidir dentro de um grupo pequeno e mais velho; contribuir ao fundo antirrepublicano, onde é impossível saber quanto será necessário; ou gastar o dinheiro em itens relacionados à militância do evento e que animaria mais pessoas. O resultado dos debates intermináveis foi que parte do dinheiro permaneceria intacto, porque nunca se sabe, e o restante poderia ser gasto em equipamentos, incluindo a tenda!

Algumas pessoas procuraram uma tenda, depois um grupo se reuniu, e fizemos algumas instalações. Nossa utopia é um grupo aberto, rotativo e inclusivo, uma cobertura compartilhada com amigos etc. Só que, até agora, são principalmente pessoas que já se conhecem bem. Como a quantidade enorme de segurança e o tempo que levamos para aprender a organizar o pessoal corretamente com um grupo já bem estabelecido é um pouco avassalador, achamos que a inclusão acontece mais por interações pessoais ou organizando eventos.

Para iniciar, a tenda precisa estar alinhada com a nossa visão, ser boa para a logística, e ter pessoas suficientes para ajudar no dia.

Politicamente falando, a tenda militante é um projeto anarco-radical-feminista, anticapitalista, e tudo mais. Queremos que seja uma ferramenta para lutas sociais. Por isso, estamos ansiosos para discutir com os organizadores do evento ao qual vamos (dependendo da disponibilidade de todos) para ver se está alinhado com os nossos valores, especialmente nossas posições antiautoritárias, feministas e antirracistas.

Logisticamente, manter uma tenda exige acesso de veículos, uma área plana onde possamos montar os grandes pinos da barraca, e um espaço plano de 31×35 metros. Para os custos, cobrimos seguro, suprimentos e despesas diversas com 500 euros por saída, além de despesas de viagem de 40 centavos por quilômetro a partir de Toulouse. Depois disso, é o ‘pague o que você quiser’, por exemplo, para ajudar quando recebemos multas de estacionamento, pagar por espaço de armazenamento se não encontrarmos algo de graça (ajuda!), para comprar equipamentos elétricos e iluminação, ou ajudar ainda àqueles que precisam tirar a licença de trailer.

Em relação às reservas, nunca é tarde para nos contatar; é uma ótima vantagem poder confirmar sua participação três dias antes do evento, caso esteja com pouco tempo. No entanto, o melhor é entrar em contato conosco o quanto antes. Confirmaremos em uma reunião do grupo, com base na disponibilidade, em restrições logísticas ou na facilidade de planejamento, além do alinhamento político geral do evento.

Entre em contato conosco pelo Signal em @chapitoto.03 ou por e-mail em chapitoto@systemli.org se tiver alguma dúvida ou solicitação. Para o verão de 2026, temos uma série inicial de validações agendada para o início de março.

Acabisous,

A equipe Chapitoto

Fonte: https://valleesenlutte.org/spip.php?article1029

Tradução > CF Puig

agência de notícias anarquistas-ana

amanhece
sol atrás do prédio
vestindo-se de luz

Alonso Alvarez

Nem com os Mísseis de Washington, Nem com os Fuzis de Teerã: A Guerra é a Mesma Morte para o Povo

As guerras são a saúde do Estado. Esta máxima, cunhada há mais de um século pelo sociólogo Randolph Bourne, permanece mais atual do que nunca. Em fevereiro de 2026, os Estados Unidos e Israel desencadearam mais um ataque militar contra o Irã. Enquanto os mísseis teleguiados cruzam as fronteiras e as bombas inteligentes são lançadas com precisão cirúrgica sobre alvos “estratégicos”, o que vemos é a engrenagem mais fundamental do poder estatal sendo lubrificada com sangue.

A máquina de guerra não é um desvio na trajetória dos Estados; ela é o seu motor principal. Para os Estados Unidos, o complexo industrial-militar é uma fatia crucial da economia: contratos bilionários com a Lockheed Martin, a Raytheon, a General Dynamics. As ações sobem, os acionistas lucram, os generais ganham promoções e os políticos recebem financiamentos de campanha. A guerra no Irã não é um acidente de percurso, é um negócio. É a garantia de que o Pentágono continuará a consumir mais recursos do que qualquer programa social. Enquanto isso, jovens americanos são enviados para morrer ou matar em nome da “segurança nacional”, quando na verdade estão servindo aos lucros de uma elite que nunca verá um campo de batalha.

Mas não nos enganemos: o Estado iraniano, alvo dos bombardeios, é tão vil quanto seus agressores. O mesmo regime que agora vê seu território ser violado por potências estrangeiras é o mesmo que, em janeiro de 2026, assassinou a sangue frio pelo menos 250 mulheres nos protestos internos. É o mesmo que, em 2025, executou 55 mulheres, prendeu arbitrariamente outras 182 e condenou 80 ativistas a penas de prisão, açoites e morte. É o regime que registrou, no mínimo, 207 feminicídios no mesmo período, muitos deles disfarçados de “crimes de honra”. As mulheres curdas, em particular, sofrem uma dupla opressão: 24 delas foram mortas nas manifestações de janeiro, e outras 30 foram vítimas de feminicídio apenas nas províncias curdas em 2025.

O ataque dos EUA e de Israel não é uma missão de libertação. Não se enganem com o discurso humanitário que tenta justificar a intervenção. Os mesmos Estados que bombardeiam Teerã são os que armam e financiam ditaduras na região, os que fecham os olhos para os massacres quando convém. A “preocupação” com as mulheres iranianas é uma cortina de fumaça para esconder interesses geopolíticos: petróleo, gás, corredores estratégicos, hegemonia regional. Enquanto isso, as verdadeiras vítimas — as mulheres, os curdos, os bahá’ís, os ativistas — continuam sendo esmagadas entre o martelo do Estado teocrático iraniano e a bigorna do imperialismo ocidental.

A guerra fortalece os Estados de ambos os lados. Em Teerã, o ataque estrangeiro serve para unificar a população em torno do regime, silenciar as vozes dissidentes e justificar uma repressão ainda mais brutal. Em Washington, a guerra desvia a atenção dos problemas internos, infla o orçamento militar e reforça o controle social sob o manto do patriotismo. Os Estados se alimentam mutuamente, como predadores que competem pela mesma presa: a população.

Nós, anarquistas, não temos pátria, nem exército, nem bandeira. Não torcemos por um Estado contra o outro. Nos opomos a todos os Estados, a todas as fronteiras, a todos os exércitos. Denunciamos a hipocrisia dos que falam em direitos humanos enquanto vendem armas. Denunciamos a tirania dos aiatolás e a tirania dos generais do Pentágono. Ambas se sustentam pela violência, pela hierarquia e pela exploração.

A verdadeira solidariedade não está em escolher lados na guerra entre Estados, como alegremente a Esquerda faz, mas em apoiar as lutas autônomas das pessoas comuns contra toda forma de dominação. As mulheres do Irã que enfrentaram os fuzis da Guarda Revolucionária em janeiro merecem nosso apoio incondicional — não os mísseis que agora caem sobre suas cabeças em nome de uma “libertação” que nunca chegará.

Fora com a guerra dos Estados! Abaixo o patriarcado e o capitalismo que a alimentam! Que as armas se calem e que as ruas voltem a ser das pessoas, não dos exércitos.

Sem deuses, sem senhores, sem pátrias, sem fronteiras. Pela autonomia e pela vida.

Fonte: https://libertoherrera.noblogs.org/2026/03/13/nem-com-os-misseis-de-washington-nem-com-os-fuzis-de-teera-a-guerra-e-a-mesma-morte-para-o-povo/

agência de notícias anarquistas-ana

Vassoura encostada —
Um grande ipê amarelo
derrama-se em flores.

Reneu do Amaral Berni

[França] Léo Malet: a fascinação pelo ilegalismo

O escritor de romances policiais parisiense, que morreu há 30 anos, foi, a vida inteira, anarquista, e continua popular até hoje.

Maurice Schuhmann ~

O escritor francês anarquista e surrealista de romances policiais, Léo Malet, faleceu em 3 de março de 1996 sentado à frente da televisão. Nascido em Montpellier em 1909, envolveu-se no movimento anarquista desde cedo e escreveu para jornais como Le Libertaire e L’En-Dehors. Sua associação com este último não é surpreendente, assim como o editor, o antigo tolstoyano Emile Armand, Malet não se distanciou dos ilegalistas da época, mas simpatizou com eles, seja com Jules Bonnot e sua gangue, cuja história, mais tarde, incorporou ao romance La Vie est dégueulasse, ou com Marius Alexandre Jacob.

Mais tarde, colaborou com os surrealistas, notadamente, André Breton, assim como com trotskistas. O anarquismo, no entanto, permaneceu como presença constante na sua obra.

A partir de 1943, publicou romances policiais, entre outras obras, sob vários pseudônimos – por exemplo, JohnnyMetal. Em sua autobiografia La Vache Enragée, ele citou como uma de suas principais fontes de inspiração o cavalheiro ladrão Arsène Lupin, criado por Maurice Leblanc. Mais conhecido pelas histórias centradas no detetive particular Nestor Burma, que se caracterizam sobretudo por sua cor local parisiense distinta e pela paródia da ficção policial americana popular da época.

Inspirado por Os Mistérios de Paris, o romance moralizante do meio do século XIX escrito pelo socialista Eugène Sue, criou o ciclo Os Novos Mistérios de Paris. Cada romance da série se passa em um distrito diferente de Paris. Experiências autobiográficas, incluindo o envolvimento no movimento anarquista, surgem repetidamente nessas obras. A bem-sucedida série de livros foi adaptada várias vezes para o cinema, para quadrinhos, notadamente pelo artista anarquista Jacques Tardi, e produzida como reportagens para rádio. Ele recebeu diversos prêmios prestigiados de escrita policial e as suas obras continuam sendo reeditadas até hoje.

Além disso, escreveu a chamada “trilogia negra” de crítica social, que inclui o já mencionado romance sobre Bonnot. São histórias sobre azarões e marginais da sociedade francesa. Do ponto de vista atual, porém, também há motivos para críticas, especialmente sobre representações às vezes estereotipadas nos romances que beiram clichês racistas, especialmente em relação a personagens de origem árabe.

A autobiografia, que mencionamos, La Vache Enragée, vale muito a leitura, e dá uma visão abrangente do anarquismo contemporâneo e da sociedade francesa.

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2026/03/03/leo-malet-a-fascination-with-illegalism/

Tradução > CF Puig

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/06/15/landmark-publica-edicao-bilingue-de-arsene-lupin-um-ladrao-refinado-e-anarquista/

Agência de notícias anarquistas-ana

Escurece rápido.

Insistente, a corruíra

cisca no quintal.

Jorge Fonseca Jr.

[Espanha] 17 de março: greve geral

Nossa luta não se resume ao salário. Não queremos apenas vender mais cara a nossa força de trabalho; queremos questionar o modelo que nos obriga a vendê-la para sobreviver. Por isso, defendemos uma jornada de trabalho de 30 horas semanais sem redução salarial, como forma de repartir o trabalho, redistribuir a riqueza e recuperar tempo de vida. Defendemos também uma aposentadoria digna após 30 anos de contribuição, porque prolongar indefinidamente a vida laboral é um roubo de tempo e saúde.

Reivindicamos um Salário Mínimo Interprofissional (SMI) verdadeiramente universal que inclua aqueles que hoje ficam de fora: trabalhadoras do lar, pessoas migrantes, setores informais e precarizados. Exigimos soluções reais para o problema da moradia, a paralisação dos despejos e o fortalecimento de um parque público efetivo. E defendemos, sem ambiguidades, os serviços públicos contra as privatizações e cortes que transformam direitos básicos em negócio.

A CNT participará das mobilizações do dia 17 de março porque a greve é uma ferramenta legítima de confronto contra o patronato e o Estado. Vamos para fortalecer a organização operária, não para delegar nossa força nem para aceitar limites impostos de cima. Por isso, apostaremos na coordenação com outras forças e organizações que defendam os interesses coletivos da classe trabalhadora, de forma horizontal e distante dos interesses institucionais. A emancipação da classe trabalhadora será obra da própria classe trabalhadora.

SALÁRIO MÍNIMO INTERPROFISSIONAL UNIVERSAL E DIGNO!

REDUÇÃO REAL DA JORNADA DE TRABALHO SEM REDUÇÃO SALARIAL!

REVOGAÇÃO DAS REFORMAS TRABALHISTAS!

FIM DA PRECARIEDADE, DA TEMPORARIEDADE E DOS ABUSOS PATRONAIS!

CONDIÇÕES DE TRABALHO E DE VIDA DIGNAS!

Fonte: https://irunea.cnt.es/sindical/17-de-marzo-huelga-general/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Laranjais em flor.
Ah! que perfume tenuíssimo…
Esperei por ti…

Fanny Dupré

[Reino Unido] Concerto beneficente solidário em 21 de março para a Cruz Negra Anarquista Indonésia Palang Hitam (sul de Londres)

Concerto beneficente solidário para a Cruz Negra Anarquista Indonésia Palang Hitam, para ajudar com assistência jurídica após a insurreição de agosto de 2025.

21 de março, The Birds Nest, 32 Deptford Church Street, SE8 4RZ

Início às 20h, doação sugerida de 5 libras.

Este texto é o verso do panfleto do concerto beneficente de solidariedade:

A Indonésia é um arquipélago de exploração cancerosa, da qual o Reino Unido é cúmplice, com um valor de 2,86 bilhões de dólares. A British Petroleum vem devastando a paisagem da Papua Ocidental há 20 anos, pagando ao exército local para assassinar e torturar a resistência indígena, a fim de obter “gás natural”. A mercadoria que o Reino Unido importa em maiores quantidades da Indonésia é o níquel. As minas de níquel devastaram as florestas de Sulawesi, provocando o envenenamento em massa das fontes de água através do seu processamento químico.

Este metal é particularmente necessário para as baterias elétricas que o Reino Unido consome para a proliferação de veículos elétricos, como parte de sua transição “verde” totalitária. Os centros urbanos da Indonésia estão repletos de gigantescas favelas de material humano “excedente”, excluído da economia mundial. A luta desesperada pela sobrevivência sob este regime cria condições ideais para o recrutamento para a escravidão moderna das fábricas exploradoras que fabricam e exportam tênis Nike.

As elites que governam o Estado na Indonésia recompensam-se com corrupção extravagante pelo seu papel diligente como executores das exigências deste mercado global. Este ano, a máfia parlamentar votou a favor de um aumento salarial significativo, o que desencadeou protestos em massa em todo o país. Em agosto de 2025, um veículo blindado que perseguia um desses protestos atropelou mortalmente um motorista de motocicleta que fazia entregas. Já chega!

O arquipélago explodiu em tumultos violentos, queimando e destruindo todos os símbolos visíveis do poder em seu caminho, espalhando-se por toda parte, de forma incontrolável. Assim como no Nepal, Madagascar, Marrocos, Irã e muitos outros lugares, os despossuídos despertaram em alegre conspiração contra os regimes que os aprisionavam.

Desde então, a vingança repressiva na Indonésia tem sido implacável. Os “anarquistas” foram designados pelos juízes e pelos estúdios de televisão como os inimigos do momento. Eles foram claramente destacados não apenas por sua presença apaixonada e intransigente entre seus irmãos e irmãs explorados na revolta, mas também pela continuidade de sua luta revolucionária antipolítica, que abrangeu desde a resistência auto-organizada contra a apropriação de terras até ataques noturnos à bancos e postos policiais durante anos – ações que enriqueceram a imaginação da revolta no território.

Estão ocorrendo prisões em massa, a tortura é generalizada, muitos companheiros estão na prisão, muitos foram levados à clandestinidade. Para o Estado, todo o movimento anarquista deve pagar o preço pelo despertar da dignidade ferida que abalou os alicerces da normalidade daquele arquipélago saqueado.

A luta continua. A Cruz Negra Anarquista da Indonésia, Palang Hitam, apelou aos camaradas internacionais para que apoiem neste momento sombrio de terror estatal. Consideramos necessário responder e também divulgar, tanto quanto possível, a natureza e a qualidade da luta pela liberdade, que não se extinguiu e para a qual só podemos contribuir expandindo a luta contra todas as formas de poder, onde quer que estejamos.

Divulgação: alguns anarquistas do sul de Londres

Fonte: https://darknights.noblogs.org/post/2026/02/25/solidarity-benefit-gig-21-march-for-the-indonesian-anarchist-black-cross-palang-hitam-south-london-uk/

Tradução > Reno Moedor

agência de notícias anarquistas-ana

Tens frio nos meus braços
Queres que eu aqueça
O vento

Jeanne Painchaud