[Grécia] Declaração dos 8 companheiros e companheiras detidos no caso de 11 de maio

Nas primeiras horas da manhã de 11 de maio de 2026, um grupo de companheiros e companheiras realizou uma expropriação de um banco em Kato Tithorea [Grécia central]. Cerca de 5 horas depois, 5 deles foram presos após uma operação repressiva coordenada da polícia e invasões domiciliares; 8 companheiros e companheiras, anarquistas, ficamos reféns nas mãos do Estado.

Foi-nos apresentada uma acusação desmedida que inclui roubo de bancos e porte de armas. Os companheiros estão detidos na GADA e as companheiras na Delegacia de Vyronas. Hoje, 12/05, passamos pelo promotor e recebemos um prazo para prestar depoimento ao investigador na sexta-feira, 15/05, às 9h, na Evelpidon, prédio 9.

VIVA A ANARQUIA

SPYROS DRAVILAS PRESENTE

CHARIS TEMPEREKIDIS PRESENTE

SEBASTIAN OVERSLUIJ PRESENTE

Os 8 companheiros/companheiras no caso de 11 de maio

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1641149/

agência de notícias anarquistas-ana

Nuvens,
sem raízes
até que chova.

Werner Lambersy

[Espanha] 90 anos da Revolução Social

Por Fundación Anselmo Lorenzo – FAL
 
Há 90 anos, no verão de 1936, a classe trabalhadora respondeu ao golpe de Estado dos setores reacionários, colocando o corpo a corpo. Milhares de trabalhadores e trabalhadoras saíram às ruas para enfrentar o fascismo, dando suas vidas num confronto desigual que se prolongou por três anos de guerra.
 
Foi justamente nesse momento dramático que os trabalhadores e trabalhadoras deram um passo à frente, tomando boa parte da vida política e econômica em suas mãos e desencadeando, nas zonas do território não controladas por Franco, um programa revolucionário que transformou a sociedade de forma radical.
 
Nesse processo de mudança social acelerada, conhecido internacionalmente como a Revolução Espanhola, a CNT e o restante das organizações do movimento libertário tiveram um papel destacado, realizando inúmeras conquistas revolucionárias, tanto no âmbito urbano quanto no rural, para as quais vinham se preparando há décadas.
 
90 anos depois, o legado revolucionário da Revolução continua alimentando nossa vontade de lutar por um mundo mais justo e livre, tendo como farol o exemplo dos milhares de companheiros e companheiras que deram tudo pela Ideia e lutaram até o fim pela defesa do Comunismo Libertário.
 
Façamos memória: 90 anos
 
Justamente pelo exposto, de abril a dezembro de 2026, a Fundación Anselmo Lorenzo, como fundação cultural e centro documental da CNT, organizará um bom número de eventos que terão como finalidade nos aproximar desse processo revolucionário, com ênfase em seu legado de experiências e sua conexão com as lutas do presente.
 
Exposições • Palestras • Publicações • Atividades
 
Comunicamos que vocês podem se informar sobre todos os eventos relacionados aos 90 anos da Revolução através do site [link abaixo] da Fundação, onde disponibilizamos um espaço especial para dar conta de todas as iniciativas relacionadas à efeméride:
 
https://fal.cnt.es/90-anos-de-la-revolucion-social/
 
Tradução > Liberto
 
Conteúdos relacionados:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/05/11/espanha-lancamento-ocho-dias-de-julio-1936-la-situacion-revolucionaria-en-barcelona-de-agustin-guillamon/
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/05/07/espanha-roc-blackblock-restaura-mural-para-celebrar-o-90o-aniversario-da-revolucao-social-de-1936/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
a sombra da nespereira
mergulha
na frescura do poço
 
Rogério Martins

[Itália] Quebremos os deuses do céu. Retomar a luta antirreligiosa

No aniversário do martírio de Giordano Bruno, em 17 de fevereiro, realizamos, como Federação Anarquista de Livorno, uma iniciativa pública. As reflexões que se seguem pretendem expor as razões da atualidade da luta antirreligiosa, retomando e ampliando o que foi exposto naquela ocasião.

Para compreender as características da luta antirreligiosa, convém ilustrar o papel que o Programa Anarquista atribui à religião na sociedade.

No trecho que trata da questão, o Programa faz referência àquele gigantesco aumento da produção, ocorrido ao longo da história, que permitiu a uma minoria da humanidade viver sem trabalhar às custas da imensa maioria que produzia para todos, cristalizando o privilégio por meio da relação de propriedade privada. Esse processo também viu a constituição de outra classe especial, o clero, que “com uma série de fábulas sobre a vontade de Deus, sobre a vida futura, etc., tenta induzir os oprimidos a suportar docilmente a opressão e, assim como o Governo, além de defender os interesses dos proprietários, também defende os seus próprios”. Nessa perspectiva, a religião não responde a um suposto “espírito religioso” que estaria presente na mente das pessoas, mas à ação consciente de uma minoria que pretende continuar a viver às custas da massa que trabalha, difundindo as fábulas religiosas.

A definição que o Programa Anarquista dá do clero e de sua função remete à divisão entre trabalho manual e trabalho intelectual, sobre a qual convém nos determos.

Com a divisão entre trabalho intelectual e manual, a unidade interna da atividade de trabalho, como desdobramento de energia que se direciona a um fim e o realiza, se desfaz. Uma classe particular de pessoas arroga-se a tarefa de orientar, segundo seu próprio fim, a atividade prática, deixando à classe subordinada a tarefa da atividade manual. Dessa forma, o fim se separa da atividade manual e se transfere para a organização social, que opera como uma força natural impessoal e incompreensível para os produtores reais. O trabalho manual torna-se cada vez mais mecânico, exigindo o desenvolvimento de aptidões especiais em detrimento de outras, impedindo a realização plena das faculdades individuais. Nessas condições, o trabalho se torna uma atividade coercitiva e extrínseca, que traz consigo a deformação e a unilateralidade da pessoa, determinando o fenômeno que foi definido como alienação.

Paralelamente à alienação econômica e social, desenvolve-se a alienação da consciência social, que vê a separação entre a consciência empírica e cotidiana das pessoas e, por outro lado, a evolução do pensamento intelectual, abstrato, da ciência. Desse modo, essa consciência empírica cotidiana torna-se prisioneira de representações fetichistas que dão uma falsa representação da realidade.

Assim como nos tempos pré-históricos a humanidade era súdita de forças naturais impessoais que não compreendia e não conseguia dominar, hoje as causas profundas dos sofrimentos sociais são incompreensíveis para a maioria da humanidade e assumem a forma de potências naturais incontroláveis.

É sobre essa base que opera a captura do consenso, elaborada por meio de uma visão invertida da realidade, as chamadas ideologias, entendendo-se por este termo aquelas estruturas conceituais que refletem o domínio das condições sociais sobre os indivíduos, das ideias sobre as condições materiais. Que exerçam o controle da formação da consciência social não apenas as classes privilegiadas, mas também centros específicos de privilégio e poder, como universidades, centros de pesquisa internacional ou hierarquias eclesiásticas, faz pouca diferença; simplesmente articula e diversifica o domínio.

No âmbito dessas ideologias, a religião se apresenta como um produto da alienação social e histórica. As ideologias religiosas, em diferentes épocas, permitiram que os grupos sociais dominantes contivessem a rebelião com promessas de um amanhã melhor no além. Ao mesmo tempo, a forma específica da alienação religiosa, que projeta as qualidades humanas em um deus criado pela imaginação humana, convence as massas oprimidas a aceitar sua subordinação ao poder terreno, da mesma forma que aceitam a orientação de um deus onipotente e onisciente, que saberá recompensar aqueles que são submissos e aceitam os sofrimentos cotidianos.

A religião, portanto, é uma consequência da organização hierárquica da sociedade; a superação da religião não é possível, então, sem uma profunda transformação social, que elimine as causas da religião. Ao mesmo tempo, essa transformação social não é possível a não ser que parta da ação direta das próprias classes exploradas, por meio da autogestão e da auto-organização. Por sua vez, essa autoemancipação das classes exploradas não é possível sem que se difunda simultaneamente a reflexão crítica sobre as condições materiais da formação social atual e a crítica ao aparato ideológico, do qual a religião faz parte, justificando sua existência.

Ao lado das lutas por objetivos concretos, que colocam em crise aspectos específicos da opressão e da exploração, deve progredir a luta contra as ideologias: não se trata apenas de contrapor uma ideologia a outra, mas de derrotar na base o mecanismo que as gera: a separação entre trabalho manual e trabalho intelectual, e o papel atribuído às ideias na definição do mundo. Nesse sentido, contrapor à verdade revelada a busca da verdade por meio do debate horizontal e da verificação da experiência é muito mais importante do que memorizar as reflexões deste ou daquele pensador. Essa prática e esse método, juntamente com o da verificação com base na experiência, devem tomar o lugar da confiança nos especialistas e nos textos sagrados, características essenciais de toda religião.

Nesse sentido, o desenvolvimento de um pensamento crítico, que se baseie na crítica prática das condições de exploração, é inseparável da luta contra a religião.

Como é possível um pensamento crítico em uma sociedade dominada pela propriedade privada, uma sociedade dividida em classes, uma sociedade onde existe o controle por parte do Estado, por parte das instituições sobre os meios de comunicação? Existe um poder de fogo da informação oficial que parece capaz de destruir toda forma de opinião não conforme.

É exatamente por isso que hoje, mais do que nunca, a batalha pelo pensamento livre é absolutamente indispensável. Precisamos de um pensamento crítico, um pensamento que seja capaz de desmascarar as contradições desta sociedade e possa dar às classes exploradas aquela ferramenta que, por meio da crítica da ideologia, prefigure aquela expropriação dos meios de produção que é a premissa indispensável para a construção de uma nova sociedade. A batalha antirreligiosa faz parte desse caminho. Houve momentos em que isso esteve muito claro.

Atualmente, a batalha antirreligiosa caiu um pouco no esquecimento porque a temática foi monopolizada por demandas burguesas, assumindo um caráter conservador e elitista, mas também porque, entre as forças que se reivindicam, mais ou menos claramente, da transformação social, foi dado espaço a tendências obscurantistas.

Uma dessas tendências nasce da ideia de que, para subtrair as massas exploradas à influência burguesa, é necessário usar os mesmos instrumentos usados pelas classes privilegiadas para exercer essa influência. É nessa perspectiva que são redescobertos pensadores como Gustave Le Bon ou Georges Sorel, que com seus estudos sobre a dinâmica dos movimentos de massa forneceram as ferramentas para aqueles que queriam exercer o controle ideológico sobre elas. As reflexões desses pensadores voltaram à atualidade com as pesquisas sobre os efeitos dos condicionamentos operados pelas redes sociais nas escolhas políticas dos usuários. Trata-se de reflexões que, de qualquer forma, entram em contradição com um processo efetivo de tomada de consciência, supervalorizando os mecanismos inconscientes de controle e orientação. Visam, em suma, a embotar os processos racionais, em vez de desenvolvê-los.

Outra tendência obscurantista formou-se, de certo modo, no interior da crítica à cultura ocidental e ao colonialismo. No âmbito dessa crítica, desenvolveu-se uma reavaliação daquelas religiões, daquelas igrejas, daqueles dogmas que não pertencem à visão de mundo judaico-cristã. Sob essa perspectiva, a crítica do Islã – que é uma religião em todos os sentidos, assim como o catolicismo – é assimilada a uma forma de preconceito supremacista, fruto de um mal-entendido conceito de “privilégio”, em relação aos povos que majoritariamente seguem essa religião, como se os povos que jazem sob a opressão da religião islâmica não tivessem as mesmas tendências, os mesmos impulsos de construir seu próprio caminho de libertação. Indubitavelmente, o laicismo ou mesmo o ateísmo impostos pelo Estado permitiram que movimentos clericofascistas islâmicos se apresentassem com a função de libertação do autoritarismo do governo e confundissem as próprias forças revolucionárias. Ao mesmo tempo, a defesa da tradição, do hinduísmo na Índia ao budismo no Tibete, assume uma função anti-imperialista, sem se preocupar muito em distinguir se por trás da defesa da tradição está, acima de tudo, a defesa das classes privilegiadas tradicionais.

Essas interpretações, que se encontram frequentemente também dentro dos movimentos antagônicos e revolucionários, tornam necessária uma posição lúcida e clara. Também por isso é necessário retomar a luta contra a religião.

Tiziano Antonelli

Fonte: https://umanitanova.org/sprezziam-gli-dei-del-cielo-riprendere-la-lotta-antireligiosa/  

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

No Planalto Central,
as cigarras cantam sangue.
A Justiça dorme.

Onofra

[França] A escória são os políticos e os patrões.

A escória são os políticos.

que mentem com a mesma facilidade com que respiram,

que só estão interessados ​​em nós por causa dos nossos votos,

que, tanto a direita quanto a esquerda, defendem o mesmo sistema desigual,

que confinam as mesmas populações aos mesmos guetos.

A escória são os patrões.

que se enriquecem à custa dos trabalhadores, especialmente os menos qualificados, pagando-lhes salários miseráveis ​​e oferecendo-lhes empregos descartáveis,

que nos selecionam para emprego com base em nossas origens

e que, devido a essas origens, nos limitam na escala salarial.

São eles, a escória, que roubam nosso poder de decisão, o produto do nosso trabalho, do nosso tempo, das nossas vidas, que mantêm um clima de competição, desconfiança e insegurança entre nós.

Votar não eliminará as desigualdades deste sistema capitalista. É através da luta que melhoraremos nossas condições de vida e de trabalho, como já fizemos no passado. É nos organizando na base, sem intermediários, em nossos bairros, locais de trabalho e escolas, que construiremos uma sociedade mais justa.

Vamos nos organizar!

CNT-AIT

cnt-ait.info

agência de notícias anarquistas-ana

Insetos que cantam
parecem adivinhar
minha solidão…

Teruko Oda

[Itália] Reggio Emilia: Os Cartazes da Revolução

OS CARTAZES DA REVOLUÇÃO

ESPANHA 1936 – 1939

Na Espanha, em 1936, havia uma guerra civil e, simultaneamente, uma revolução social com fortes conotações libertárias. Em 19 de julho, uma greve geral em larga escala, convocada pelo sindicato anarcossindicalista CNT e pelo sindicato socialista UGT, bloqueou o golpe dos generais de Franco, que pretendiam derrubar a República e impor uma ditadura implacável, como fariam em 1939, quando venceram a guerra.

A partir de 1936, em dois terços da Espanha, em meio a uma amarga guerra civil entre fascismo e antifascismo, foram realizadas inúmeras experiências atribuíveis ao socialismo libertário. A forte presença anarquista e anarcossindicalista conseguiu construir projetos de grande escala de autogestão, relações sociais comunistas, comunidades produtivas urbanas e rurais, práticas antimilitaristas e formas de municipalismo libertário.

Após o golpe militar de 1936, houve uma grande resposta revolucionária, inclusive em termos de comunicação e arte: milhares de cartazes foram impressos, inovando tanto na linguagem quanto nas imagens; antes disso, os cartazes se limitavam à publicidade comercial de produtos, anúncios de eventos e, sobretudo, careciam de ilustrações. Esses novos cartazes surgiram como resposta a necessidades sociais específicas e foram a expressão de um povo que se levantava contra todas as ditaduras.

Os manifestos da CNT e da FAI destacaram os valores construtivos do anarquismo, partindo de um novo socialismo humanitário e libertário, e abordando inúmeras questões: infância, mulheres, trabalho, educação, cultura, comunidades, comunas livres, etc.

A variedade de estilos, a inovação gráfica, o poder criativo e a influência da vanguarda artística demonstraram que, também neste campo, ocorreu uma verdadeira revolução, como se pode constatar pelos 30 cartazes da época presentes nesta exposição.

Os artistas que criaram os cartazes variavam de ilustradores e pintores anônimos a figuras famosas da época. A maioria deles teve que se exilar após a guerra e só retornou à Espanha depois da morte de Francisco Franco, em 1975. Alguns deles são Carles Fontseré (1916-2007), Josep Renau (1907-1982), Eduardo Vicente (1909-1968), Baltasar Lobo (1910-1993), José Bardasano (1910-1999), Enrique Herreros (1903-1977), Vicente Vila (1906-2009), Andrés Martínez de León (1895-1978) e Paquita Rubio (1911-2008).

A exposição será inaugurada na sexta-feira, 15 de maio, e encerrada na quinta-feira, 30 de julho.

Horário de funcionamento da exposição: de segunda a sexta-feira, das 17h30 às 19h00, e mediante agendamento pelo telefone 347 3729676.

REGGIO EMILIA, ARQUIVO HISTÓRICO DA FAI REGGIANA

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a sombra da nespereira
mergulha
na frescura do poço

Rogério Martins

Live da UAF: 16/05/2026

Não se engane: a famigerada escala 6×1 não é apenas um “modelo de jornada”, ela é a face mais brutal e cruel da exploração capitalista no mundo do trabalho moderno. Ela representa o sequestro da nossa vida, a alienação da nossa existência e o roubo sistemático do nosso tempo em troca de migalhas para sobreviver. É a materialização da lógica perversa de que o trabalhador existe apenas para gerar lucro, enquanto seu corpo adoece, sua mente se esgota e seus sonhos são esmagados sob o peso da produção insana. Por isso, não podemos tratar isso como um simples debate técnico ou uma pauta reformista qualquer.

O Brasil e o mundo do trabalho moderno estão imersos em uma crise profunda de humanidade, onde o “tempo é dinheiro” se converteu em um decreto de morte social para a classe trabalhadora. A escala 6×1, em especial, é o símbolo máximo da opressão patronal: é a engrenagem que gira sem descanso para garantir que o patrão acumule riquezas enquanto o operário só acumula cansaço e dívidas. A imagem do relógio e do trabalhador em silhueta na divulgação não é um acaso estético; é um grito visual que denuncia uma vida vivida em função do serviço, onde o “descanso” é apenas um curto intervalo para recarregar as baterias para a próxima rodada de exploração. Esta não é uma discussão sobre leis trabalhistas, é uma discussão sobre a luta de classes.

Chega de conciliação, chega de aceitar migalhas como vitórias. A União Anarquista Federalista convida todos e todas para uma reflexão que é, antes de tudo, um ato de resistência. Não vamos falar sobre como “melhorar” o capitalismo ou como “humanizar” a exploração. Vamos discutir a lógica perversa do trabalho assalariado e como podemos nos libertar dessa jaula. É preciso romper com a passividade, organizar a resistência nos locais de trabalho e construir as bases para uma vida livre, onde o trabalho sirva às necessidades humanas e não ao lucro de meia dúzia de parasitas. Essa live é um chamado às armas, um ponto de encontro para a construção da consciência e da autogestão de classe.

A luta por uma existência digna não espera. Marque na sua agenda e prepare seu espírito combativo: a LIVE DA UAF acontecerá no dia 16/05/2026, às 15 horas, pelo canal do YouTube @uaf-br. Não se trata de um evento passivo, mas de uma trincheira de debates e da construção coletiva de um futuro sem patrões, sem jornadas que adoecem e sem as correntes invisíveis do trabalho moderno. Traga sua indignação, traga sua força, mas acima de tudo, traga sua vontade de mudar o mundo. Pela nossa liberdade e contra toda opressão do trabalho!

União Anarquista Federalista – UAF
Filiada à Internacional de Federações Anarquistas – IFA

Contato: uaf@riseup.net

uafbr.noblogs.org

agência de notícias anarquistas-ana

Ao pôr-do-sol
O brilho humilde
Das folhas de capim.

Paulo Franchetti

[Espanha] Morre o cantor flamenco José Domínguez ‘el Cabrero’ aos 81 anos

Por Cristina Pérez | 13/05/2026
 
O cantor flamenco José Domínguez, conhecido como El Cabrero , faleceu em Sevilha na manhã de terça-feira, aos 81 anos. Uma figura carismática, de espírito livre e admirada no mundo do flamenco nas últimas décadas.
 
Desde a infância e durante boa parte da sua vida adulta, ele foi pastor de cabras, embora só tenha entrado nas redes sociais na fase final da sua carreira artística. O pastoreio dava-lhe bastante tempo para “pensar e olhar para o futuro”, servindo-lhe como “um refúgio”.
 
A capela funerária será montada no Teatro Municipal da cidade sevilhana de Aznalcóllar, seu local de nascimento, e, por expresso desejo da família, a cobertura da mídia não será permitida, de acordo com a promotora Acción Producciones.
 
El Cabrero estava afastado dos holofotes há alguns anos. Em 2020, ele se despediu dos palcos e do público por sofrer de “dores no diafragma”, após interromper sua turnê de despedida em maio de 2019 devido a um AVC.
 
Figura lendária, José Domínguez foi tema de uma biografia ficcionalizada pelo jornalista Eduardo Izquierdo, intitulada “Devo ser uma presa muito boa quando tenho tantas espingardas apontadas para mim“. Ele foi uma figura singular na música popular espanhola, distinguindo-se por sua personalidade forte, porém humilde, e por seu status de poeta do povo.
 
Seu início como cantor de flamenco foi inspirado no álbum Canta Jerez, com Tío Borrico, Terremoto, El Sernita, El Sordera, Romerito, El Mono, El Indio e Morao no violão.
 
Emblema cultural da Transição, seu primeiro álbum, em 1975, foi Así canta el Cabrero (Assim canta o Pastor de Cabras). Ele alcançou fama internacional, e a emissora francesa La Sept dedicou-lhe um documentário em 1988: El Cabrero. El canto de la Sierra (O Pastor de Cabras. O canto da Serra). Em seus anos dourados, os clubes de flamenco disputavam seus serviços, ainda mais do que ícones como Camarón ou El Lebrijano.
 
Apaixonado por tango
 
Um cantor flamenco apaixonado pelo tango apresentou os clássicos “Volver”, “Ventarrón”, “Cuesta abajo” e “El último organito” no Festival Internacional de Tango de Granada, acompanhado pelo trio Tango al Sur. El Cabrero recebeu aplausos estrondosos como cantor de tango.
 
O sucesso que alcançou nos palcos de Granada levou-o a tomar uma decisão inédita: gravar um álbum inteiramente dedicado ao tango, sem qualquer fusão ou referência ao flamenco. O álbum, Sin Remache, produzido por Daniel Giraudo, recebeu a mesma aclamação que as suas apresentações ao vivo, tanto em Espanha como na Argentina.
 
Em 1988, o cantor recebeu um convite para participar do Festival de Tango de Buenos Aires, uma honra inesperada que teve de recusar por motivos profissionais.
 
Na década de 1990, ele participou de festivais de música do mundo todo e até se juntou à turnê Secret World Tour de Peter Gabriel em 1993. Colaborou com o grupo de rock Reincidentes, e outra banda, Marea, fez um cover de sua música “Como el viento de Poniente” para o álbum Besos de perro (2002), o que o levou a um público mais amplo.
 
Anarquista filiado à CNT, suas canções retratam trabalhadores braçais, pescadores e lavradores. Seus versos expõem as hierarquias sociais perversas, o vazio dos políticos e as maquinações dos poderosos, ao mesmo tempo que exaltam a dignidade da humanidade.
 
O flamenco nasceu na pobreza da Baixa Andaluzia. Muitas de suas letras e melodias mais representativas são uma expressão perfeita do sofrimento. Por isso, essa arte é e continua sendo um instrumento de conscientização, uma bandeira que El Cabrero, ergueu como nenhuma outra, que descanse em paz.
 
Fonte: https://www.rtve.es/noticias/20260513/muere-cantaor-jose-dominguez-cabrero-81-anos/17066793.shtml
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/12/25/espanha-documentario-mi-patria-es-la-libertad-el-cabrero/
 
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Tarde de outono —
Assustada a coruja
Acorda com o trovão
 
Eduardo Balduino

[Grécia] Volos não deve se tornar o ponto de partida da guerra

SOBRE A INTERVENÇÃO NA PREFEITURA DE VOLOS

Como anarquistas, compreendemos, antes de tudo, a necessidade da ação revolucionária no aqui e agora, com o objetivo de nos aproximarmos um passo da sociedade do amanhã, enquanto, ao mesmo tempo, vemos o inimigo se entrincheirar, provando-nos que a ação anarquista constitui uma ameaça real para ele. A luta anarquista considera a ação direta como algo indispensável, pois não buscamos pequenas reformas para melhorar as condições de nossa exploração, mas trilhamos o caminho das perspectivas insurrecionais, mantendo a agudeza de nossas reivindicações.

No dia 06/05, realizou-se uma intervenção no seminário organizado pela prefeitura e pela reitoria [da Universidade de Volos] em parceria com a DAP-NDFK, no qual seriam apresentadas empresas que atuam no setor agrícola, sendo uma delas a CNH Industrial. A holandesa CNH Industrial desenvolveu relações de cooperação com o Estado genocida de Israel, construindo o muro de “segurança” na Cisjordânia, demolindo assentamentos palestinos e construindo assentamentos israelenses. A aliança do prefeito mafioso Beu e do reitor Billinis, representante do ND [partido Nova Democracia], com os imperialistas e carniceiros dos povos, bem como as festas belicistas, foram efetivamente anuladas pela intervenção combativa do movimento.

Nela participamos como Iniciativa de Estudantes Anarquistas de Volos, juntamente com outros ativistas e coletivos da cidade e, por meio de nossa presença dinâmica, impedimos a realização do evento que encobre o genocídio do povo palestino por meio da promoção dos planos “de desenvolvimento” empreendidos pela empresa assassina CNH Industrial.

>> Mais fotoshttps://athens.indymedia.org/post/1641148/

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Com dignidade
nas minhas velhas roupas –
o espantalho

Stefan Theodoru

[Itália] Turim: Espanha, 1936 – A Revolução Anarquista

Noventa anos após a revolução social na Espanha, oferecemos três documentários feitos com imagens da época e entrevistas com os protagonistas da insurreição e do processo revolucionário.

“Espanha 1936: A utopia torna-se história”

Texto de Pino Cacucci (DVD 56′, preto e branco)

Imagens captadas por funcionários da área de entretenimento da CNT.

Narração de Paolo Rossi e Francesca Gatto.

Em 18 de julho de 1936, uma revolta militar tentou derrubar a República. Em 19 de julho, o povo da Espanha se levantou.

Os protagonistas da insurreição foram os trabalhadores da CNT, a organização anarco-sindicalista cujo programa incluía o comunismo anarquista e a autogestão. Seriam três longos anos de guerra civil, que terminariam em derrota militar. Foram os anos em que os trabalhadores da Barcelona industrial e os camponeses do campo expropriaram as fábricas, comunalizaram a terra e experimentaram concretamente a anarquia.

As imagens, filmadas por funcionários da CNT para distribuição no exterior, transmitem a atmosfera daqueles anos: as barricadas de Barcelona, ​​os voluntários armados, as mulheres de macacão e com rifles, os campos onde as pessoas trabalhavam sem patrão, as fábricas nas mãos dos operários.

Nesta edição, o texto de Pino Cacucci reconstrói a epopeia pouco conhecida daqueles três anos em que a utopia libertária se tornou história. As imagens extraordinárias recolhidas nas ruas e nas linhas de frente mostram em primeira mão o desenrolar histórico de uma revolução que envolveu milhões de pessoas.

“Entre a guerra e a revolução: anarquistas italianos na Espanha.”

Editado por Claudio Venza, professor de história da Universidade de Trieste, e Paolo Gobetti, do Arquivo Nacional de Filmes da Resistência.

O testemunho vivo de algumas das centenas de anarquistas que acorreram à Espanha para apoiar a revolução social.

“Anarquistas e a experiência dos coletivos agrícolas.”

Este vídeo apresenta depoimentos de algumas das figuras-chave na autogestão de terras expropriadas de seus proprietários.

Federazione Anarchica Torinese (FAT)

Corso Palermo 46

anarresinfo.org

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Fugiu-me da mão
no vento com folhas secas
a carta esperada.

Anibal Beça

[Grécia] Manifestação em memória e luta pelos 41 anos do assassinato de Christos Tsoutsouvis pelas autoridades

Gyzi sempre vai trazer alguma lembrança

Em 15 de maio de 1985, na rua Amfikleias, em Gyzi [bairro no centro de Atenas], após um confronto armado com guardas estatais uniformizados, morreu Christos Tsoutsouvis, militante da luta de classes e revolucionária do período pós-ditatura.

Nascido em 1953 em Nemeia, Tsoutsouvis se politizou durante os anos da ditadura dos coronéis. Na Áustria, onde se encontrava como estudante, entrou inicialmente em contato com círculos antiautoritários e organizações de esquerda. Após a queda da ditadura, ele se filiou ao “ELA” [Luta Revolucionária Popular] e, mais tarde, passou a integrar o grupo armado antiautoritário “Luta Anti-Estado”, que, em março de 1985, assumiu a responsabilidade política pelo assassinato do promotor G. Theofanopoulos, um “mercenário que não hesitava em enviar os outros, com total frieza, para a prisão, para a tortura e até mesmo para a morte”.

O Luta Anti-Estado foi o primeiro grupo de luta armada da história a defender princípios antiestatais e anticapitalistas, e Christos Tsoutsouvis, dentro de suas fileiras, foi a segunda vítima fatal da ação revolucionária do pós-ditatura, depois de Christos Kassimis. Seu nome ficou associado — por meio das organizações das quais participava — às ações de luta da época contra alvos do Estado, torturadores da ditadura e representantes do poder judiciário. Christos Tsoutsouvis carregava todo o peso histórico da ação antiditatorial, das aspirações populares e de classe da revolta de 1973 e da “luta que continua” no âmbito da democracia burguesa.

O confronto em Gyzi, após uma emboscada armada perpetrada pelos guardas do Estado fardados, revela, por um lado, toda a grandeza da dignidade e da ética revolucionárias – tendo Tsoutsouvis como sua encarnação viva – e, por outro lado, a mesquinhez daqueles que empunham armas para defender o poder, a injustiça e a exploração.

41 anos depois, não esquecemos os mortos da guerra social e de classes. Não esquecemos os mortos da nossa história revolucionária. Não esquecemos Christos Tsoutsouvis. A luta antiditatorial, as lutas das primeiras décadas da transição democrática e suas conquistas sangrentas, que nos anos da crise e dos memorandos estão sendo desmanteladas uma a uma, não são cedidas, não são vendidas, não são entregues! São as matrizes das novas lutas, os faróis da resistência que iluminam os caminhos que somos chamados a trilhar hoje.

Os lutadores e revolucionários falecidos, os símbolos históricos e os bastiões, as conquistas sociais e de classe, continuam sendo um campo de disputa, pontos de ligação entre o passado militante e o presente. Christos Tsoutsouvis está presente na luta pela Revolução Social, símbolo e bandeira da luta antiautoritária, símbolo e bandeira de uma outra organização social e econômica sem Estados e sem poder, sem exploradores e explorados.

MANIFESTAÇÃO pelos 41 anos do confronto armado em Gyzi e do assassinato de Christos Tsoutsouvis

Praça Gyzi, sexta-feira, 15 de maio, às 19h

União Federalista Anarquista (UFA)

agência de notícias anarquistas-ana

dia de sol –
até o canto do passarinho
tem cor

Jandira Mingarelli

[Japão] Novidade editorial: O Anarquismo Japonês Além-Fronteiras: Do Final do Século XIX até Meados do Século XX

Editado por Tanaka Hikaru, com escritos de Gotō Akinobu, Yamamoto Kenzō, Ono Yasuteru e Morimoto Nao

Uma Reavaliação da História do Anarquismo Japonês

O anarquismo japonês não se limitou a Kōtoku e Ōsugi. Aproveitando ao máximo o esperanto e outras línguas, e comunicando-se por meio de cartas, revistas e panfletos, os anarquistas japoneses cultivaram intercâmbios com pessoas de todo o mundo.

O livro revisita o anarquismo no Japão por meio de exemplos de práticas anárquicas que ultrapassaram as fronteiras nacionais: as fontes intelectuais por trás do “Do-min Seikatsu” (“vida do povo” / “vida comunitária enraizada na terra”), ex-combatentes da Revolução Russa inspirados pelo Japão, comunistas coreanos que absorveram as ideias de Ōsugi, Nobushima Eiichi, que continuou a divulgar suas ideias pelo mundo, e a Federação Anarquista Japonesa, atuando em solidariedade com movimentos antiguerra e pela paz.

国境を越える日本アナーキズム

19世紀末から20世紀半ばまで

Editado por Tanaka Hikaru

Formato: Capa dura A5.

Páginas: 294.

Preço: 5000 ienes + impostos.

ISBN: 978-4-8010-0794-9 C0031.

Projeto gráfico: Junichi Munetoshi.

ci.nii.ac.jp

agência de notícias anarquistas-ana

Rastros de vento,
escuridão de brasas,
um salto suave.

Soares Feitosa

Cínico, hipócrita, oportunista, dissimulado…

Em 08/04/2026 Lula 3 disse que o ​cenário ⁠geopolítico ​global obriga o ⁠Brasil a ​pensar em sua segurança e defesa ‌com mais seriedade, ‌apontando ​a necessidade de dar ‌atenção à indústria de defesa para evitar que o país fique vulnerável e que países que não investem em armamentos estão sujeitos a serem invadidos. “Se a gente não se preparar, qualquer dia alguém invade a gente“.
 
Traduzindo a fala de Lula 3, pacifista de araque: aumento nos gastos militares, fortalecimento da Base Industrial de Defesa (BID) nacional com investimentos na indústria bélica, no mercado da morte, da repressão e da guerra.
 
E não se enganem: não é defesa, é negócio. Não é patriotismo, é oportunismo. Não é proteção, é preparação para reprimir aqui dentro também. Pois exército forte contra “ameaça externa” sempre vira exército forte contra greves, contra movimentos sociais, contra favelas, contra quilombos, contra indígenas.
 
Mais: A indústria bélica e os exercícios militares agravam severamente a crise climática, destroem a natureza.
 
Que venham nos chamar de ingênuos. Preferimos ser ingênuos vivos do que “realistas” capachos da indústria funerária.
 
Contra os gastos militares! Contra o macabro comércio de vendas e compras de armas! Converter a indústria bélica para fábricas civis! Contra a normalidade da lógica militarista! Abaixo todos exércitos!!!
 
Anarquistas Antimilitaristas <
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/02/07/gastos-militares-mercado-da-morte-governo-lula-novos-blindados-do-exercito-vao-custar-mais-de-r-20-bilhoes/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Pra que respirar?
posso ouvi-la, fremindo,
maciez de noite.
 
Soares Feitosa

[Espanha] Rumo a uma economia global de guerra

O crescimento sustentado dos gastos militares globais, sua concentração em um punhado de potências, a expansão recorde da indústria armamentista e a crescente integração entre economia civil e militar mostram que o capitalismo contemporâneo avança para uma forma de economia de guerra permanente, na qual a destruição e sua preparação metódica se tornam mecanismos de reprodução do sistema.
 
A guerra, o fascismo e a luta de classes
 
A guerra e o fascismo não são um acidente provocado por líderes enlouquecidos e ideologias insolidárias e cruéis, mas o produto inevitável do curso histórico do capitalismo. A guerra é a expressão mais autêntica da natureza obsoleta, irracional e criminosa do capitalismo atual.
 
O poder político não pertence a indivíduos como Donald Trump, Vladimir Putin ou Xi Jinping, mas às gigantescas concentrações industriais e financeiras do capital, que dirigem, controlam e manipulam os diferentes aparelhos estatais.
 
A Segunda Guerra Mundial não ocorreu porque Hitler estivesse louco, mas porque o nazismo e o fascismo — assim como as democracias e a União Soviética — tentaram solucionar o desemprego em massa e a depressão econômica por meio de investimentos públicos e da indústria bélica. Quem estava enlouquecido era o sistema capitalista, mergulhado nos anos 1930 em uma fortíssima depressão, sem outra saída além de uma economia global de guerra: como hoje.
 
Hoje, essa dinâmica se expressa em uma tendência cada vez mais clara rumo a uma economia global de guerra. Os gastos militares mundiais alcançaram aproximadamente 2,8 trilhões de dólares anuais, o nível mais alto já registrado, após mais de uma década de crescimento contínuo. Esse gasto já representa cerca de 2,5% do PIB mundial, com mais da metade concentrada em poucas potências.
 
Os principais orçamentos militares ilustram essa concentração do capital armado: os Estados Unidos ultrapassam os 900 bilhões de dólares anuais, a China os 330 bilhões, a Rússia gira em torno de 190 bilhões, enquanto potências como Alemanha e Índia superam amplamente os 90–100 bilhões. Não se trata de números isolados, mas da expressão de uma reorganização estrutural da economia mundial em torno da guerra.
 
O aumento dos preços do petróleo, dentro de certos limites, beneficia diferentes burguesias nacionais: a estadunidense, transformada em uma das principais produtoras e exportadoras mundiais; a russa; e também a iraniana, que continua colocando seu petróleo no mercado mundial mesmo em condições de conflito.
 
O aumento da inflação, ligado ao encarecimento da energia, não prejudica essencialmente as grandes empresas, que repassam os custos aos preços. Em contrapartida, atinge os proletários, cujos salários reais diminuem. Desse modo, a inflação se converte em um mecanismo indireto de redistribuição favorável ao capital.
 
A guerra não responde apenas a interesses geopolíticos, mas alimenta diretamente o aparato industrial e tecnológico. As 100 maiores empresas armamentistas do mundo já geram cerca de 700 bilhões de dólares em vendas anuais, em crescimento constante. A destruição e a produção de meios de destruição tornam-se, assim, um setor-chave para a acumulação. E isso abre perspectivas para futuros planos de reconstrução do que foi destruído.
 
A Europa oferece um exemplo particularmente claro: os gastos militares cresceram em ritmo de dois dígitos, superando níveis que não eram vistos desde a Guerra Fria. As indústrias civis se reconvertem, os planos de rearmamento se multiplicam e os Estados direcionam recursos públicos ao complexo militar-industrial. A Alemanha resolve a crise de produção de sua indústria automobilística convertendo-a em indústria bélica.
 
Essa tendência confirma que a guerra não é uma anomalia, mas um componente estrutural do capitalismo em sua fase atual. A preparação permanente para a guerra, a militarização da economia e a integração entre Estado e indústria bélica configuram uma economia global de guerra, na qual produção e destruição fazem parte do mesmo ciclo de valorização do capital.
 
O aumento dos orçamentos de defesa implica sempre — e em toda parte — cortes nos orçamentos de educação, saúde, serviços sociais e aposentadorias. É o conhecido dilema entre manteiga ou canhões.
 
E essa economia, doente e criminosa, só pode conduzir à guerra; uma guerra considerada motor e fim em si mesma. Orwell já antecipava isso em seu romance 1984.
 
O entrelaçamento de interesses entre potências rivais demonstra que as contradições entre Estados não são absolutas. As burguesias competem, mas também cooperam, comerciam e se beneficiam mutuamente até mesmo em contextos de conflito. A rivalidade fundamental e última é a existente entre os capitalismos de Estado chinês e estadunidense.
 
O que importa para a burguesia internacional não é tanto quem vence, mas que a guerra exista, que destrua excedentes, reative a produção e discipline a classe trabalhadora. A guerra imperialista é, em última instância, uma guerra contra o proletariado mundial.
 
As declarações em defesa da democracia ou do anti-imperialismo encobrem essa realidade. Sob a máscara democrática, o que impera é a ditadura do capital. As liberdades são concedidas apenas na medida em que não dificultam a acumulação; em tempos de crise e guerra, são reduzidas à caricatura ou eliminadas.
 
Os partidos da esquerda liberal, ao se limitarem a administrar o capitalismo, desarmam politicamente os trabalhadores. Incapazes de oferecer uma alternativa real, deixam terreno fértil para o avanço do fascismo, que canaliza o descontentamento para saídas autoritárias e reacionárias.
 
A Segunda Guerra Mundial somou cerca de oitenta milhões de mortos e desaparecidos. Pela primeira vez na história da humanidade, HOJE está em risco a continuidade da espécie. A revolução não é uma utopia, nem uma ideia quimérica ou impossível: é uma necessidade material urgente.
 
Assim, a humanidade enfrenta uma disjuntiva histórica: não entre democracia e fascismo, mas entre guerra ou revolução. A única alternativa real é aquela entre revolução ou barbárie. Basta ligar a televisão ou o rádio para compreender que a barbárie já está aqui: em Gaza, Cisjordânia, Líbano, Irã, Ucrânia, Minneapolis…
 
Contra a guerra entre os Estados, por meio da luta de classes!
Guerra à guerra!

 
Agustín Guillamón
 
Tradução > Liberto
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
Leve brisa
aranha na bananeira
costura uma folha.
 
Rodrigo de Almeida Siqueira

Manifestação contra a cúpula da OTAN em Helsingborg, Suécia, 21-22 de maio de 2026

Em maio de 2026, o governo sueco sediará uma reunião informal dos ministros das Relações Exteriores da OTAN na cidade de Helsingborg. Este é um convite para se juntar à resistência. Juntos, vamos impedir a realização da reunião da OTAN.

Esta é a primeira vez que uma cúpula da OTAN é realizada em solo sueco, marcando a entrada oficial do país em uma organização responsável por décadas de mortes incontáveis, atos violentos contra a humanidade e guerras travadas para proteger os interesses comerciais ocidentais e as rotas de abastecimento de recursos. Durante a reunião, estarão presentes mais de 2.000 pessoas – delegados, autoridades, especialistas em segurança e jornalistas –, acompanhadas por um exército de policiais, agentes dos serviços secretos e militares protegendo os ministros da OTAN e os governantes mundiais. A escolha de Helsingborg não é aleatória: a cidade fica no estreito de Öresund, uma das vias navegáveis mais movimentadas do mundo e a entrada para o Mar Báltico. A localização estratégica da cidade liga os países nórdicos ao resto do continente europeu, tornando-a o símbolo ideal para apresentar a Suécia à Aliança do Atlântico Norte.

O momento em que a reunião ocorre também é especial. Mais uma vez na história do capitalismo, os patrões e os “líderes” políticos preparam a nós e nossas sociedades para a guerra. Esses planos de guerra baseiam-se em séculos de experiência acumulada na organização, gestão e condução de guerras. Os países da OTAN possuem vasta experiência na preparação de uma economia de guerra e na gestão dos desastres e do número de vítimas mortais decorrentes de um conflito. Pois uma guerra — seja ela militar, comercial ou de qualquer outra forma — pressupõe sociedades preparadas para participar nos combates. Os planos de guerra da OTAN e do Estado sueco nunca se concretizariam sem que as sociedades ocidentais os aceitassem e participassem deles. E é disso que se trata a reunião de Helsingborg – mais uma cúpula crucial para nos preparar e nos envolver em uma possível guerra.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) constitui uma aliança militar liderada pelos Estados Unidos, fundamental para as guerras expansionistas e ocupações que causaram a morte e o deslocamento de milhões de pessoas em todo o mundo. A estratégia expansionista da OTAN intensifica conflitos e rivalidades entre estados, ao mesmo tempo em que promove os interesses geopolíticos ocidentais às custas da paz global – seja em seu envolvimento indireto na Ucrânia, nas guerras dos EUA contra a Venezuela e o Irã, ou no genocídio na Palestina. A OTAN está focada na distribuição de interesses geopolíticos e reivindicações de poder, bem como na coordenação da exploração mundial por meio de um aparato fortemente armado, tendo armas nucleares como principal elemento ofensivo.

A cúpula da OTAN em Helsingborg não é uma reunião que represente os cidadãos dos países membros da OTAN, mas sim uma assembleia de governos burgueses, estados violentos, do complexo militar-industrial e de um bloco militar beligerante que visa a exploração global. Essa cúpula possibilitará negociações e preparativos para novos conflitos militares — levando a mais mortes, destruição e deslocamento de populações.

Em 18 de maio de 2022, o estado sueco solicitou a adesão à OTAN. Quase dois anos depois, em 7 de março de 2024, a Suécia foi aceita por todos os estados-membros e aderiu à aliança militar. A chamada neutralidade sueca de longa data e o pretensioso não alinhamento, bem como o “critério de democracia” sueco para a concessão de licenças de exportação de armas, foram todos esquecidos pelo estado sueco para que pudesse ser “protegido” pela aliança da OTAN. Um dos grandes beneficiados da adesão da Suécia à OTAN foi, naturalmente, a indústria de armamentos sueca. Essa indústria, que lucra com o sofrimento das pessoas, só vem se fortalecendo economicamente com os conflitos entre os estados e com a adesão da Suécia à OTAN, que se traduziu em um aumento do orçamento militar para 5% do PIB (uma exigência dos EUA). A ânsia do estado sueco pela adesão à OTAN trouxe um aumento no orçamento militar, levando a mais dinheiro nos cofres da indústria de armas, o que, por sua vez, significa mais armas e, em última instância, mais sofrimento humano. Pessoas estão morrendo enquanto os lucros da indústria de armas disparam.

Quando os representantes da OTAN mostrarem suas caras feias em Helsingborg, vamos enfrentá-los com nossas ações de resistência diversificadas e coloridas e com nossa ideia de solidariedade mundial. Pretendemos estar em Helsingborg para atrapalhar os planos de alguns dos opressores do planeta. A repressão não conseguirá impedir isso se formos muitos e se formos imprevisíveis.

Este é um convite aos nossos camaradas, companheiros e amigos de todo o mundo: venham a Helsingborg em maio de 2026 e juntem-se à resistência contra a OTAN! A esquerda autônoma e antiautoritária já enfrentou os governantes em muitas lutas: nossa força está no número, e enquanto formos muitos e imprevisíveis, nenhuma repressão poderá nos deter. Convidamos todos vocês a se juntarem a nós nas ruas de Helsingborg!


Acabem com a OTAN! Outro mundo é possível!

Tradução > acervo trans-anarquista

agência de notícias anarquistas-ana

terreno baldio
lixo revirado
gato vadio

Carlos Seabra

[Espanha] Lançamento: “Conciencia de clase, psicología y anarquismo”, de Ángel E. Lejarriaga

Necessitamos uma filosofia universal que estruture o pensamento crítico, o mal estar social e a revolta. Uma filosofia com a capacidade de redefinir todos os aspectos da vida social, que ofereça soluções que partam da experiência e o bem comum: o anarquismo.

Kropotkin disse que a chave da evolução humana era o apoio mútuo. Precisamente, este é o princípio básico a redescobrir em nosso sistema de crenças. Podemos despertar nossa consciência de oprimidas, mas para que a sociedade progrida é necessário que se cumpram umas condições psicológicas mínimas. Este pequeno ensaio aborda a relação entre essas condições psicológicas, a consciência coletiva e o anarquismo.

Ángel E. Lejarriaga (Madrid, 1956) é psicólogo clínico, editor da revista cultural libertária La Idea e do blog El viajero de Orión. Colabora habitualmente na imprensa libertária, como Rojo y Negro (CGT)Publicou El sueño de Iris (2001), La trompeta sin sombra (2007), El viajero de Orión (2011) e Bajo la nube negra (2023).

Conciencia de clase, psicología y anarquismo

Autor: Ángel Lejarriaga

ISBN: 979-13-990905-2-9

Páginas: 91

2026

Preço 9,00 €

piedrapapellibros.com

agência de notícias anarquistas-ana

casa quieta –
cochila o avô e
dorme a neta

Carlos Seabra

[Grécia] Intervenção no Hospital Elena | “Nenhum médico, padre, policial ou chefe decide por nós”

No domingo, 10 de maio, realizamos uma manifestação em frente ao Hospital-Maternidade Elena Venizelos, em relação à recente pesquisa que confirmou o que já vínhamos constatando há muito tempo: dezenas de hospitais no interior e nas ilhas negam às pessoas com útero o acesso ao aborto.

A recusa dos médicos em realizar abortos faz parte do ataque patriarcal do Estado e da Igreja contra nossos corpos e nossas vidas.

Durante a ação, foram distribuídos textos traduzidos para várias línguas e panfletos foram espalhados pela área ao redor do hospital.

O dia não foi escolhido por acaso. Foi simbolicamente marcado para 10 de maio, Dia das Mães, em oposição à imposição da maternidade como “papel natural” e dever social. O aborto é um direito e a autodeterminação é inegociável.

Com o slogan:

“CONTRA O ESTADO, A IGREJA E A PÁTRIA, A PALAVRA SOBRE O NOSSO CORPO É NOSSA”

Deixamos claro que nenhum médico, padre, policial ou chefe decide por nós.

A repressão estatal se manifestou imediatamente, com a DIA, viaturas e a polícia de segurança vigiando a intervenção durante toda a sua duração. Os mecanismos do Estado parecem sempre encontrar tempo e forças para vigiar aqueles que optam por lutar, mas nunca para aqueles que são assassinados pela violência patriarcal.

A repressão não nos aterroriza; pelo contrário, nos enche ainda mais de raiva.

NÃO NASCEMOS, NÃO LUTAMOS POR NENHUMA PÁTRIA – DEUS – SENHOR

ACESSO GRATUITO AO ABORTO PARA TODAS AS PESSOAS COM ÚTERO

Casa para o Empoderamento e a Emancipação

Coletivo Feminista de Base

agência de notícias anarquistas-ana

Chuva de outono
Folhas secas de momiji
Entopem a calha

Chico Pascoal