[México] Comunicado em Solidariedade aos Protestos AntiFifa 2026

Oaxaca, territórios em resistência
29 de março de 2026

Expressamos nossa mais firme solidariedade às comunidades, coletivos e pessoas que ontem, 28 de março, tomaram as ruas da Cidade do México no contexto dos eventos prévios à Copa do Mundo de 2026. Desde as vias do sul até as imediações do estádio, sua presença tornou visível uma realidade que os discursos oficiais buscam esconder: que por trás da chamada “festa do futebol” existe um profundo processo de espoliação, exclusão e violência estrutural. As ações realizadas, como as “peladas” no asfalto e as manifestações no espaço público, não foram apenas atos simbólicos, mas uma denúncia direta contra um modelo que privilegia o espetáculo global acima da vida digna dos povos.

Nos solidarizamos especialmente com as mães que buscam seus filhos desaparecidos e com as famílias de pessoas desaparecidas que, com dignidade e dor, levantaram o grito “Não brinquem com a nossa dor”, lembrando que não pode haver celebração enquanto persiste uma crise humanitária marcada pela impunidade. Da mesma forma, reconhecemos a luta dos coletivos de bairro, organizações urbanas e moradores de bairros e colônias que denunciaram a “Copa do Mundo do despojo” e apontaram claramente que se trata de um “evento global com despejo local”. Suas vozes sintetizam o cansaço diante de políticas que priorizam interesses privados, investimentos especulativos e megaprojetos acima de direitos fundamentais como moradia, acesso à água e trabalho digno.

O que hoje se vive na Cidade do México não é um fenômeno isolado, mas parte de um processo mais amplo de turistificação e gentrificação que transforma os territórios em mercadoria. Sob a lógica dos grandes eventos internacionais, as cidades são reconfiguradas para o consumo, os custos de vida aumentam, as populações históricas são deslocadas e o tecido social que sustenta a vida comunitária é rompido. Esse modelo transforma bairros inteiros em zonas de investimento, expulsa quem os habita e redefine o espaço público como uma vitrine a serviço do capital.

Desde Oaxaca, sabemos que esse despojo não se limita às cidades. É o mesmo processo que avança sobre terras comunais e ejidais, que privatiza praias e costas, que impõe projetos turísticos, extrativistas e de infraestrutura em territórios de povos originários sem o seu consentimento. É uma lógica que desarticula comunidades, fragmenta territórios e coloca em risco formas de vida ancestrais em nome do desenvolvimento e do progresso. A Copa do Mundo de 2026, nesse sentido, nada mais é do que uma expressão visível de um sistema que mercantiliza a vida e aprofunda as desigualdades.

Diante disso, alertamos também sobre o uso da força pública, mecanismos de controle e contenção que buscam inibir a protesta e disciplinar as comunidades. A presença policial, os reordenamentos urbanos, a pressão institucional e as formas diretas e indiretas de despejo configuram um cenário onde a defesa do território é constantemente vigiada e, em muitos casos, criminalizada. Rejeitamos qualquer forma de repressão, ameaça ou assédio contra quem exerce seu direito à protesta e à defesa de seus direitos coletivos.

Reafirmamos que não há celebração possível quando se constrói sobre o despojo, o deslocamento e a dor. Não há evento global que justifique a perda de territórios, o rompimento do tecido social nem o silenciamento das lutas. O bairro, a colônia, as praias, a terra, os territórios e a vida não são mercadoria, e sua defesa é um direito legítimo dos povos.

Desde Oaxaca em rebeldia, seguimos convidando para o 2º Encontro Nacional contra a Gentrificação e Turistificação, nos próximos dias 18 e 19 de abril;

Frente de Organizações Oaxaqueñas (FORO)

Fonte: https://tierrayterritorio.wordpress.com/2026/03/29/comunicado-en-solidaridad-con-las-protestas-anti-fifa-2026/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana
 

Rua do tempo:
Imagem volátil
Em olhos opacos.

Abelardo Rodrigues

[Itália] Não basta uma noite para nos fazer desaparecer

Olhos celestes,

um oceano de raiva.

.

Um corpo pequeno que transpira determinação e força.

Um vulcão em erupção.

“Você me deu uma cassetada e eu não senti nada!”

.

Uma companheira gentil,

sempre atenta aos outros,

de uma generosidade rara

neste planeta.

.

…mil outras coisas

que as minhas palavras

não conseguem descrever.

.

Encolhida em posição fetal

vivo esta grande dor

…chorando…

a acolho dentro de mim.

.

Para superar este luto

e recolher

que seja uma migalha

da sua imensa coragem.

.

Gosto de lembrar você assim:

saindo de casa com Dina,

para colher chicória selvagem.

Porque à noite há um jantar beneficente

para os companheiros.

.

Tchau, Sara,

boa viagem.

.

Seu coração bate…

em todas as nossas noites

de fogo.

Fonte: https://lanemesi.noblogs.org/post/2026/03/28/non-basta-una-notte-per-farci-sparire/

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Vultos
Ciscos cegos
No olho da rua.

André Vallias

[Itália] Contra todas as guerras e todos os patrões

Hoje, 28 de março, fomos às ruas em Roma na mobilização “No Kings” (Sem Reis) contra a guerra, o autoritarismo e a exploração.

Entre outras, estavam presentes também aquelas entidades que há anos apoiam governos, missões militares e políticas repressivas.

Nós, não. Nós não esquecemos, não nos confundimos e recusamos as guerras dos patrões. Mas recusamos também a paz feita por eles, feita de exploração, mortes no trabalho, repressão, fronteiras militarizadas e campos de concentração estatais.

A manifestação de hoje foi precedida, ontem à noite, dia 27 de março, por um encontro em nossa sede, muito participado, especialmente por jovens, dedicado ao tema do serviço militar obrigatório e da deserção.

Recusar a guerra é justo e necessário para quebrar a máquina do poder e da exploração.

“nem deus, nem estado, nem guerra”

Todes livres na livre Terr(A)

Grupo anarquista Mikhail Bakunin – FAI Roma & Lazio

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

casa fantasma
cheia de habitantes
feitos de plasma

Carlos Seabra

Convocatória de cartazes: IV Festival Internacional de Cinema Anarquista de Porto Alegre

Saudações Anarquistas!

Abrindo o ano de 2026, terá a quarta edição do Festival Internacional de Cinema Anarquista de Porto Alegre!

Estamos konspirando o evento pros dias 18, 19 e 20 de setembro de 2026 (lugar ainda não confirmado).

Enquanto isso, se tu te motiva a fazer uma arte para a divulgação do evento, aceitamos qualquer tipo de expressão artística (pintura, aquarela, grafitti, serigrafia, stencil, colagem, arte digital, audiovisual, etc.) que tenha a ver com a proposta da atividade!

Saúde y anarkia!

Envie para: festivaldecineanarquistapoa@tutanota.com

Arte do cartaz: @moscacrua

#anarchism#anarchists#festivaldecine#festivaldecinemaanarquista#festivaldecinema

agência de notícias anarquistas-ana

A pedra
nada pergunta ao rio
sobre água e tempo.

Yeda Prates Bernis

[México] Encontro de Rádios, Podcasts e Audiovisuais Anarkopunks

No próximo dia 4 de abril, na Biblioteca La Social, será realizado o Encontro de Rádios, Podcasts e Audiovisuais.

Convocação aberta a todos aqueles que gerenciam projetos de rádio, podcast e/ou audiovisuais que, desde posturas punk e anarquistas, utilizam esses meios para a contra-informação. Para que possamos nos conhecer, compartilhar experiências e conhecimentos. Diante do avanço das IAs, das fake news e da ofensiva da mídia de massa de direita e de esquerda, é necessário que nós, anarquistas e punks, nos mantenhamos à margem disso e façamos da difusão das ideias anarquistas e críticas mais uma ferramenta na luta contra este sistema. Este encontro, é claro, não tem nada a ver com governos, nem com iniciativas governamentais de qualquer tipo, nem com a iniciativa privada.

>> Mais infoshttps://www.facebook.com/people/Encuentro-de-Radios-Podcast-y-Audiovisuales-Anarkopunks/61586945347167/

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noite gelada –
a criança ajeita o gato
nos pés descalços

Rosa Clement

Armas ou Pão: Quando o Orçamento Escolhe a Guerra

Por Akracia – Fenikso Nigra

O orçamento de um país nunca é neutro. Ele revela prioridades, protege interesses e define quem terá acesso à vida digna e quem continuará submetido à precariedade. No Brasil, enquanto milhões enfrentam fome, moradia precária, filas em hospitais públicos e escolas deterioradas, bilhões de reais seguem destinados à máquina militar e à manutenção de estruturas de poder que pouco respondem às necessidades concretas da população.

Em 2025, o Ministério da Defesa recebeu autorização para movimentar cerca de R$ 133 bilhões. A maior parte desses recursos não vai para investimento produtivo ou proteção social: mais de três quartos são absorvidos por folha de pagamento, aposentadorias, pensões e manutenção de aparato institucional. Só militares inativos e pensionistas consomem R$ 56 bilhões anuais — com valores médios mensais de R$ 13.233 para inativos, muito acima dos R$ 9,4 mil anuais recebidos por aposentados do regime geral.

Enquanto isso, saúde e educação — áreas que atendem toda a população — permanecem pressionadas por falta crônica de estrutura, profissionais e financiamento adequado. A diferença é simples: serviços sociais precisam justificar cada gasto; estruturas militares preservam privilégios mesmo em tempos de ajuste fiscal.

A conta não fecha para quem precisa de consulta, vaga em creche ou saneamento básico. Mas fecha perfeitamente para quem administra contratos estratégicos, indústria bélica e cadeias permanentes de defesa estatal.

Submarinos que não reduzem desigualdade

O Programa de Desenvolvimento de Submarinos consome há anos recursos bilionários. Entre seus objetivos está a construção de um submarino de propulsão nuclear, apresentado como símbolo de soberania tecnológica e poder estratégico.

Até agora, o projeto já absorveu cerca de R$ 40 bilhões. A previsão de conclusão é 2037 — mais de uma década de espera para um investimento de longo prazo cuja utilidade social direta é extremamente discutível diante de necessidades urgentes já existentes.

Em dezembro de 2025, o governo liberou mais R$ 1 bilhão para evitar paralisação do programa. No total, foram aprovados R$ 30 bilhões extras para as Forças Armadas, fora do arcabouço fiscal — ou seja, sem passar pelos mesmos cortes que atingem saúde, educação e assistência social.

Com R$ 40 bilhões, quantas escolas poderiam ser reformadas? Quantos hospitais equipados? Quantas moradias construídas? Toda escolha orçamentária é também uma escolha sobre quais vidas importam.

Caças supersônicos, necessidades básicas ignoradas

O Brasil adquiriu 36 caças Gripen da Suécia por valores entre R$ 21 e R$ 26 bilhões. Cada avião custa até US$ 228 milhões. Mais quatro unidades já foram contratadas, e há negociações para comprar até 72 no total.

Essas aeronaves são justificadas oficialmente como instrumentos de vigilância, dissuasão e defesa aérea. Mas sua lógica central continua vinculada à preservação de capacidade militar estatal e à inserção em disputas geopolíticas — não à resolução de urgências sociais imediatas.

Enquanto o Exército apresenta um plano de modernização de R$ 456 bilhões para os próximos anos, escolas públicas operam sem laboratórios, bibliotecas, climatização adequada ou número suficiente de profissionais. A lógica se repete: investir em controle, hierarquia e poder coercitivo recebe prioridade; investir em condições concretas de vida permanece subordinado a disputas fiscais permanentes.

Segurança para quem?

Estados costumam justificar gastos militares em nome da soberania nacional. Mas a principal ameaça à vida cotidiana no Brasil não vem de guerra externa.

Ela vem:

da fome,

da desigualdade,

da ausência de saneamento,

do colapso urbano,

da precariedade no acesso à saúde,

da violência social produzida pelo próprio modelo econômico.

Nenhum submarino enfrenta a fome. Nenhum caça reduz filas cirúrgicas. Nenhum arsenal substitui saneamento básico.

A retórica da segurança nacional frequentemente protege uma abstração territorial enquanto milhões seguem sem segurança material mínima para viver.

Soberania sem soberania alimentar é retórica vazia.

Proteção territorial sem moradia digna é cinismo político.

Defesa nacional sem justiça social é apenas preservação institucional do poder.

Militarismo como estrutura de privilégio

Grande parte do orçamento militar não financia defesa operacional, mas reprodução interna de privilégios corporativos.

Aposentadorias e pensões militares mantêm valores muito superiores aos benefícios médios pagos pelo regime geral da previdência, reforçando uma estrutura desigual protegida pelo próprio Estado. Forças armadas, em muitos países, operam também como burocracias de autopreservação, com forte capacidade de pressão política sobre orçamento público.

Quando recursos sociais sofrem contingenciamento e áreas militares preservam exceções, revela-se quem possui capacidade real de influência institucional.

Não se trata apenas de defesa: trata-se de manutenção de castas administrativas armadas.

Estado, capital e indústria da guerra

A indústria bélica global movimenta trilhões e depende da continuidade de conflitos, tensões geopolíticas e renovação permanente de arsenais. Fabricantes de armas lucram com guerras, tensões regionais e corridas armamentistas.

Estados não são neutros nesse processo: funcionam como compradores garantidos, financiadores tecnológicos e legitimadores políticos desse circuito econômico.

Armas não existem fora da lógica do capital: elas são mercadorias de altíssimo valor, sustentadas por contratos públicos e por uma economia permanente de ameaça. Quando governos dizem não haver recursos para direitos sociais, mas ampliam investimentos militares, a contradição é apenas aparente: o orçamento segue a lógica de preservação do poder, não da emancipação coletiva.

No Brasil, parte significativa do orçamento militar alimenta essa engrenagem enquanto populações inteiras vivem sem água potável, educação adequada ou perspectiva de futuro.

Desmilitarizar o orçamento

Questionar gastos militares não significa ignorar conflitos internacionais. Significa recusar a naturalização de que armas devam receber prioridade enquanto necessidades elementares seguem sem resposta.

Desmilitarizar o orçamento significa:

Redirecionar recursos de grandes projetos militares para saúde, moradia e educação.

Reduzir privilégios previdenciários corporativos.

Submeter gastos militares ao mesmo controle fiscal aplicado às demais áreas.

Priorizar segurança humana em vez de segurança armada.

Questionar permanentemente a quem servem programas bilionários de rearmamento.

Países com orçamentos militares menores têm índices de desenvolvimento humano superiores ao Brasil. A correlação é clara: quanto mais se gasta em guerra, menos se investe em vida.

Soberania popular contra soberania armada

A verdadeira autonomia coletiva não nasce de submarinos, caças ou arsenais.

Ela nasce de:

acesso universal à saúde,

produção alimentar descentralizada,

educação emancipadora,

moradia digna,

distribuição social de recursos,

autogestão comunitária.

Enquanto bilhões financiam estruturas militares de longo prazo, crianças seguem sem merenda adequada, hospitais operam sob escassez e famílias vivem sem acesso pleno a direitos básicos.

Isso não é erro técnico. É escolha política.

Uma escolha que preserva hierarquias, fortalece o Estado, alimenta setores econômicos ligados à guerra e protege interesses que nada têm a ver com a vida da maioria.

Romper essa lógica exige organização popular, crítica radical ao militarismo e recusa à ideia de que segurança possa nascer da ameaça armada. Exige afirmar que recursos públicos devem servir à vida coletiva, não à reprodução institucional da violência nem ao lucro de quem vende destruição.

A luta por orçamento é luta pela vida. E nessa luta, cada real desviado para arsenais é um real roubado de quem precisa comer, morar, estudar e viver com dignidade.

Na luta somos pessoas dignas e livres!

anarkio.net

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agência de notícias anarquistas-ana

no contorno do gato
um ponto negro no dorso
dorme –

Krzysztof Karwowski

Internacionalistas Sempre! XIII Congresso Internacional das Federações Anarquistas

Após a última edição, que ocorreu em 2023 na Itália, mais precisamente em Massenzatico (RE), chegou a vez da Grécia sediar o décimo terceiro congresso da Internacional das Federações Anarquistas (IFA), que será realizado de 3 a 5 de abril de 2026 em Atenas, na sede da federação grega filiada à Internacional, a Organização Política Anarquista (Αναρχική Πολιτική Οργάνωση – APO).

Desde a fundação da IFA, no famoso Congresso de Carrara em 1968, o Congresso é o principal momento de encontro, organização e tomada de decisões da Internacional anarquista. Deve-se antes de tudo destacar a importância da sede, pois é a primeira vez que este encontro acontece na Grécia, decisão que segue uma tendência evidenciada nos últimos anos, em que a IFA registrou uma expansão para fora dos países que foram tradicionalmente os “berços” de suas primeiras atividades, especificamente a área italiana, a francófona e a ibérica.

Nos últimos anos, de fato, a área dos Bálcãs esteve entre as regiões que viram algumas das atividades internacionais mais vibrantes (um exemplo é a Balkan Anarchist Bookfair), enquanto atualmente a IFA conta com federações fora da Europa, particularmente na área latino-americana, projetos associados como um fórum anarquista transnacional de língua curda e vários contatos com realidades extraeuropeias, de Cuba ao Sudão.

A pauta é particularmente rica em temas ligados aos desafios globais que nosso movimento enfrenta neste período difícil, que serão desenvolvidos em plenárias e seminários temáticos. Em primeiro lugar, estará inevitavelmente a guerra. Nos últimos anos, nossas federações têm se empenhado particularmente em construir uma oposição social e de classe que faça sua uma resposta antimilitarista intransigente aos muitos conflitos em curso no mundo: das lutas contra o genocídio do povo palestino ao apoio a objetores e desertores de todos os conflitos, a começar pelo russo-ucraniano, às campanhas contra os gastos militares, as produções de morte e a propaganda militarista cada vez mais pervasiva.

Uma parte da discussão será dedicada à análise dos vários movimentos de revolta e oposição social ativos no mundo e a como favorecer seu desenvolvimento em um sentido horizontal, fora do Estado, desenvolvendo éticas e práticas de solidariedade internacionalista e de classe, conceitos infelizmente não óbvios em tempos de nacionalismos e ódios étnicos e religiosos, cada vez mais eficazes em dividir as classes exploradas. Um dos principais problemas identificados nesse sentido, e ao qual será dedicado um ponto específico, é o crescimento global da extrema direita, que sob diferentes formas continua não apenas ameaçando as perspectivas de transformação social, mas também acompanhando guinadas reacionárias de vários tipos e em vários níveis, por exemplo, na redução dos espaços de liberdade, incluindo o de manifestar, e na recrudescência das políticas repressivas (longe de serem um monopólio da direita, diga-se de passagem).

Outro tema central serão as lutas contra o patriarcado e a violência de gênero, sobre as quais diversos enfoques serão confrontados e a FAI trará as posições expressas em nossos últimos congressos sobre a necessidade de adotar uma perspectiva transfeminista que desconstrua os gêneros e trabalhe de forma inclusiva nas alianças entre todes aqueles que sofrem os diferentes “eixos” do domínio.

Entre outras temáticas, discutir-se-á sobre pedagogia libertária e lutas contra a reestruturação privatista dos sistemas educacionais, sobre saque e destruição do meio ambiente, sobre abordagens anarquistas às ferramentas digitais e sobre propostas como a organização de um encontro anarquista do Mediterrâneo, além, evidentemente, da parte organizativa.

Esta última nos lembra como a aposta da internacionalização não é óbvia. Por um lado, o anarquismo nasce internacionalista e tem uma formidável tradição em termos de práticas transnacionais, a começar por aquelas gerações de militantes que, por motivos de perseguição política ou migração econômica, tiveram que se deslocar entre vários países e continentes, enfrentando situações caracterizadas por línguas e culturas diferentes. Essas situações migratórias permitiram a circulação de ideias e práticas libertárias e solidaristas através de fronteiras materiais e imateriais, bem como um enriquecimento do nosso patrimônio ideal através do contato com outras tradições de luta. Foi o caso, por exemplo, do encontro entre o anarquismo e os séculos de experiências de resistência das populações indígenas e afrodescendentes da chamada América Latina, um adjetivo, este último, que a crítica decolonial considera impróprio, pois identifica apenas o lado europeu de uma área que teve uma história muito mais rica e complexa.

Por outro lado, vemos dia após dia que praticar o internacionalismo implica desafios. Desafios que se devem, em primeiro lugar, às fronteiras que o sistema dos estados-nação nos impõe e que nem sempre permitem a viagem e o encontro, já que no mundo existem passaportes que permitem ir a qualquer lugar e passaportes que não permitem ir a lugar nenhum. Existem, ainda, barreiras linguísticas que implicam um esforço de tradução que não é apenas técnico, mas também conceitual, porque há termos que podem ser entendidos de maneira diferente no contexto deste ou daquele país, o que exige de todes o máximo de disponibilidade para ouvir e compreender os diferentes contextos locais.

Existem, então, os condicionamentos que derivam do fato de vivermos em um mundo dominado pelos estados-nação e suas fronteiras, o que implica o esforço de saber pensar um mundo diferente, a ser prefigurado a partir de nossas práticas. Para começar a fazer isso, muitas das nossas federações estão organizadas segundo uma estrutura territorial que não corresponde à dos respectivos estados, sendo constitutivamente transnacionais, como, por exemplo, a federação francófona e a federação ibérica. Para enfrentar todos esses desafios, mais uma vez o encontro, o conhecimento direto entre militantes, as redes de sociabilidade e solidariedade se revelam indispensáveis: é apenas praticando o internacionalismo que as barreiras podem ser derrubadas. Faremos isso em Atenas, mas devemos fazê-lo todos os dias.

F.F.

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Estação de trem —
tantos lenços acenando
em meio à garoa

Regina Alonso

[Irã] Declaração da Frente Anarquista: Guerra e repressão

16/03/2026

Enquanto caem as bombas sobre o Irã desde o exterior, a República Islâmica trava uma segunda guerra contra seu próprio povo, internamente.

O comandante das forças policiais da República Islâmica anunciou a detenção de 500 pessoas, rotulando-as como “espiões” por supostamente enviarem informações a meios de comunicação estrangeiros. A “Guarda Revolucionária” em Lorestán deteve a outras três pessoas por “alterar a opinião pública, difundir rumores e enviar imagens a meios inimigos”. Nos dezesseis dias transcorridos desde que começaram os ataques estadunidenses e israelenses, se registrou detenções quase que diariamente.

A palavra “espião” não requer provas. Silencia através do medo. Sempre foi a arma preferida do regime contra qualquer um que documente, que fale e que se negue a guardar silêncio.

O que mais nos preocupa não é o que sabemos, mas o que não podemos saber.

O bloqueio da Internet já dura mais de 384 horas (dezessete dias) e a situação piora. Durante o último dia se observou uma diminuição da infraestrutura de rede de telecomunicações reservada, o que reduziu ainda mais a disponibilidade das VPN e deixou sem conexão alguns usuários incluídos na lista branca e os serviços essenciais. Não se trata só de uma falha nas comunicações. É um muro de obscuridade deliberada atrás do qual o regime se move com total liberdade, prendendo, detendo e provocando desaparecimentos. Jovens que compartilharam imagens dos bombardeios. Ativistas que documentaram as baixas civis. Jornalistas que rechaçaram a versão do regime. Cidadãos comuns cujo único delito foi dizer a verdade sobre o que viram.

Não sabemos quantos foram detidos. Não sabemos em quê condições se encontram os que já estavam detidos antes que começasse a guerra. Não sabemos o quê está ocorrendo neste momento nas celas, nas salas de interrogatórios, nas bases militares às quais foram transladados os detidos por participar nos protestos.

Essa ignorância é precisamente o cerne da questão. O bloqueio informativo existe precisamente para que o mundo não possa ver e nós não possamos falar.

Estamos profundamente preocupados pela saúde e a segurança de todos os ativistas sociais e políticos que se encontram atualmente no Irã. Preocupa-nos todos os jovens que pegaram um telefone para documentar esta guerra. Também nos preocupam nossos companheiros anarquistas, que enfrentam tanto as bombas imperialistas como a repressão e o encarceramento.

A nossos companheiros dentro do Irã: não os esquecemos. Ao mundo exterior: o silêncio que ouves desde o Irã não é paz. É uma cortina para a repressão. Rompa-o onde podes.

Não à guerra imperialista e ao terrorismo de Estado!

Não à criminosa República Islâmica que governa o Irã!

Não aos mulás! Não ao Xá!

Jin — Jiyan — Azadî![1]

Frente Anarquista

[1] “Mulher, Vida, Liberdade.”

Na fotografia com a qual se abre este comunicado pode-se ler o mesmo lema.

anarchistfront.noblogs.org

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Entre haicais e chuva
Súbita inspiração:
Um trovão.

Sílvia Rocha

[Canadá] A chamada para financiamento da Freedonia para 2026 já está aberta! Chamada para candidatura a subsídios

Olhando para o estado atual do mundo, é muito fácil cair no desespero e na desesperança. Na melhor das hipóteses, as coisas parecem tristes e, na pior, parecem desanimadoras. No entanto, isso é apenas uma parte da história. Por pior que as coisas possam parecer, sempre há possibilidades de agir. Essas possibilidades podem não ser imediatamente óbvias e provavelmente não são fáceis, mas, mesmo assim, elas existem e queremos ajudar (por mais modestamente que seja) para que as coisas aconteçam.

A Freedonia oferece duas categorias de subsídios (pequenos e grandes) para iniciativas sediadas no Canadá que refletem amplamente os princípios anarquistas (ou seja, igualdade, ajuda mútua, autonomia, ação direta, solidariedade, etc.). Não nos importamos tanto com rótulos, mas sim com o que você faz e como o faz. Nossas pequenas bolsas oferecem financiamento de US$ 2.000 a US$ 8.000, e nossas grandes bolsas oferecem financiamento de US$ 8.001 a US$ 20.000. A maioria das bolsas que concedemos se enquadra na categoria pequena, ao passo que o número de bolsas concedidas na categoria grande é muito mais limitado (1-2 por ano).

Convidamos organizações, grupos e projetos que incorporem os valores da Freedonia a se inscreverem em nossa rodada de financiamento de 2026. Apoiamos organizações voltadas para a mudança social antiautoritária e buscamos financiar projetos comprometidos em agir fora dos canais tradicionais e que provavelmente não seriam elegíveis para receber financiamento em outros lugares. Priorizamos o financiamento de iniciativas populares e empreendimentos autônomos, e somos menos propensos a fornecer financiamento a organizações ligadas a instituições estabelecidas e/ou com grandes orçamentos operacionais.

No momento, estamos particularmente entusiasmados em financiar projetos relacionados à infraestrutura anarquista amplamente definida (ou seja, incluindo, mas não se limitando à infraestrutura material). Queremos apoiar iniciativas que desenvolvam a capacidade coletiva, fortaleçam a capacidade de organização das pessoas a longo prazo e expandam o terreno de luta.

Realizaremos uma sessão online de informações/perguntas e respostas em meados de fevereiro para discutir a rodada de financiamento deste ano e responder a quaisquer perguntas que você possa ter – fique atento para mais detalhes em breve!

freedonia.ca

Tradução > transanark / acervo trans-anarquista

agência de notícias anarquistas-ana

Menino amuado
quem te deu tamanho bico
foi o tico-tico?

Anibal Beça

A “Paz” que Alimenta a Guerra: Os 15 Pontos da Rendição Iraniana e o Espetáculo da Diplomacia Imperial

Enquanto o mundo assiste atônito à escalada no Golfo Pérsico, no contexto da guerra do Irã, o presidente estadunidense Donald Trump anuncia, em 24 de março de 2026, que seu governo “negocia ativamente” com o Irã para encerrar o conflito. Simultaneamente, o Pentágono desloca milhares de paraquedistas da 82ª Divisão Aerotransportada e duas unidades expedicionárias de fuzileiros navais – tropas especializadas em assaltos anfíbios e tomada de território – para o Oriente Médio. O cenário é conhecido: a mão que se estende para um “acordo” é a mesma que empunha a baioneta; a diplomacia serve de vitrine para a preparação da guerra.

O conteúdo do chamado “plano de paz” foi vazado pelo New York Times e expõe a natureza real da proposta. São quinze exigências que equivalem a uma rendição completa da soberania iraniana:

  • Desmantelamento total de qualquer capacidade nuclear, incluindo o encerramento de todas as instalações de enriquecimento de urânio em território iraniano;
  • Entrega à AIEA de 450 quilos de urânio já enriquecido a 60%;
  • Acesso irrestrito a qualquer instalação, sem direito a recusa de inspeções;
  • Abandono de aliados regionais (Hezbollah, Hamas, milícias no Iraque e na Síria);
  • Entrega do Estreito de Ormuz como “corredor livre” – ou seja, sob controle da marinha estadunidense;
  • Limitação do programa de mísseis a um alcance meramente defensivo, definido unilateralmente pelos EUA.

Em troca, o governo Trump oferece o levantamento de sanções econômicas – as mesmas que já estrangulam a população iraniana há anos – e uma vaga “assistência” para um programa nuclear civil supervisionado por Washington. Como cereja no bolo, propõe-se um cessar-fogo de um mês, tempo mais que suficiente para os EUA concluírem o reposicionamento militar enquanto a imprensa global notícia “esforços de paz”.

O Irã, que já foi bombardeado pelos EUA em duas ocasiões enquanto negociava, nega qualquer negociação direta. Admite apenas contatos indiretos via intermediários. E com razão: como um país pode sentar-se à mesa com um império que já o atacou sob a bandeira da diplomacia, e que agora movimenta 8 mil soldados adicionais – somando mais de 50 mil efetivos na região – com capacidade de tomar a ilha de Kharg, gargalo de 90% das exportações de petróleo iranianas?

A Casa Branca, sem pudor, admite planejar “mais semanas de guerra”. O Pentágono já prepara pedido de 200 bilhões de dólares ao Congresso para custear a escalada. O preço do petróleo dispara, a crise no Estreito de Ormuz afeta mais de mil navios, e os mercados globais oscilam ao sabor das notícias fabricadas sobre “negociações”.

Diante disso, a dúvida que a grande mídia coloca – “o plano é um esforço genuíno de paz ou uma cortina de fumaça para preparar um ataque?” – parte de uma falsa premissa. Pois a verdade é muito mais profunda e incômoda: nem o Estado nem o capitalismo têm qualquer interesse genuíno na paz. A guerra é o oxigênio de ambos.

Para o capitalismo, a guerra significa contratos bilionários para a indústria bélica, controle de rotas de energia, especulação financeira com os preços do petróleo e a abertura de novos mercados para o capital estadunidense. O primeiro semestre deste conflito já consumiu 11 bilhões de dólares – dinheiro que sai dos impostos, alimenta acionistas de armamentos e nunca retorna em forma de saúde, educação ou moradia para os povos.

Para o Estado, a guerra é a justificativa suprema para expandir seus poderes de vigilância, controle social e repressão. É o Estado em sua forma mais nua: imposição de fronteiras pela força, disciplina militar, fabricação de inimigos internos e externos. O mesmo Estado que agora se apresenta como “mediador da paz” é o mesmo que, sistematicamente, impede qualquer movimento popular de construir alternativas horizontais de convivência.

A verdade, meus camaradas, está na simultaneidade dos movimentos: enquanto Trump declara “negociações”, seus generais posicionam tropas anfíbias. Enquanto o New York Times divulga “planos de paz”, o Pentágono planeja tomar ilhas. Não há contradição aqui – há complementaridade. A diplomacia imperial nunca é alternativa à guerra; é apenas a guerra com outra vestimenta, usada para ganhar tempo, dividir o inimigo e apresentar à opinião pública a falsa imagem de que “tudo foi tentado”.

A resposta do Irã – que se recusa a negociar sob a mira de fuzis – é um gesto de dignidade que deveria nos inspirar. Mas não nos enganemos: a resistência de um Estado teocrático contra outro Estado imperial não representa uma saída para os povos. Trocaria apenas de carcereiro.

A lição que tiramos, como militantes antiguerra e antiestado, é clara: nenhuma paz virá de cima. Nem Trump, nem o Pentágono, nem os aiatolás, nem qualquer outra figura de autoridade nos libertarão da guerra, porque a guerra é o modo de existência do poder. Enquanto houver Estados armados, enquanto houver capital acumulado pela exploração, a guerra será sempre o desfecho inevitável das contradições que eles mesmos criam.

A única resposta que vale a pena, diante desse espetáculo de hipocrisia, é a construção de uma solidariedade internacional que recuse tanto o imperialismo estadunidense quanto o autoritarismo iraniano – que coloque no centro a vida das pessoas, a autogestão dos territórios, a recusa em servir a qualquer máquina de guerra. Pois se o Estado e o capital se alimentam da guerra, nós nos alimentamos da esperança de um mundo onde não haja nem uns nem outros.

Enquanto isso, mantenhamos os olhos abertos: quando o Império fala em “paz”, é porque está a ponto de dar o golpe.

Liberto Herrera.

Fonte: https://libertoherrera.noblogs.org/2026/03/26/a-paz-que-alimenta-a-guerra-os-15-pontos-da-rendicao-iraniana-e-o-espetaculo-da-diplomacia-imperial/

agência de notícias anarquistas-ana

na folha orvalhada,
gota engole gota,
engorda, desliza e cai

Alaor Chaves

[EUA] Contingente Antiautoritário para o Comício No Kings de 28 de março na chamada Olympia!

Em junho de 2025, mais de 5.000 pessoas se reuniram para o comício No Kings no edifício do capitólio do Estado de Washington, no terreno ocupado de St’cas (a chamada “Cidade de Olympia”). [1] O protesto No Kings em outubro reuniu milhares de pessoas, algo raro nesta cidade. [2]

Vamos lá!

QUANDO: Sábado, 28 de março @ 11:00*

ONDE: Desembarque Percival, St’cas (chamada Olympia, WA)

e logo depois, subida até o prédio do Capitólio

*Não foi um erro de digitação! O comício está marcado para as 11h30, mas venha cedo! Socialize, conheça outras pessoas lá (faça qualquer coisa além de esperar).

Vista-se quente, carregue água, cubra-se; assuma que você vá aparecer em câmeras.

Seja para a passeata ou para o comício: traga os seus próprios planos, disposição para agir e considere trazer algo para compartilhar com os outros.

SEM REIS! SEM PRESIDENTES! SEM PRISÕES! SEM LIMITES! SEM NAÇÕES! SEM GENOCÍDIO!

É tudo! Te vejo lá

…?

… ok, talvez mais uma coisa

Esse apelo é feito com a suposição: Não estamos sozinhos

Ocultos por um oceano de bandeiras americanas, longe das organizações sem fins lucrativos e das tradicionais organizações predatórias que veem qualquer luta como uma campanha de arrecadação de fundos ou recrutamento, há outros na multidão que sentem a mesma raiva pela inação. Essa raiva é isolante. Os horrores normalizados da vida cotidiana e da sobrevivência já são insuportáveis o suficiente sem um comício cheio de supostos cânticos radicais deixados sem realização. Queremos romper com essa normalidade, queremos agir juntos e estamos buscando a oportunidade para isso (ou, nos melhores momentos, aproveitar a oportunidade).

Este chamado é feito com um incentivo: vamos nos encontrar

Aqueles que lerem este chamado: Vamos nos reunir em 28 de março no desembarque de Percival, mas não para por aí. À medida que centenas e talvez milhares se reúnem, esteja pronto para encontrar e encorajar outros que querem mais do que palavras vazias. Podemos encontrar afinidade em lugares inesperados, e talvez alguém que não se pareça com você, que não se chame radical ou anarquista (ou qualquer outro nome que prefira) encontre você e perceba que você compartilha o mesmo ódio por toda forma de dominação que eles, o mesmo desejo por um mundo melhor e a mesma disposição para agir. E talvez você, eles e nós ajamos juntos.

Esta decisão é feita com um lembrete: a última manifestação foi ruim

A expressão “Sem Reis” foi tornada sem força no seu contexto. Em outro mundo, talvez isso apontasse à necessidade de decapitar os líderes, reconhecimento de que todos que quiserem ser livres deviam destruir total e completamente os sistemas de poder e opressão sob os quais vivemos, junto com os seus executores e, na ausência deles, criar algo novo, um mundo do qual não haveria mais volta.

No nosso contexto, “No Kings” é um slogan e um título feitos para um comício em frente a um prédio vazio do Capitólio. É caracterizado por um mar de bandeiras americanas, placas proclamando que este momento é uma aberração. A culpa pelas atrocidades contínuas do Estado é atribuída à atual administração dos EUA, não à máquina de morte do próprio Estado.

A frase “Sem Reis” espera um retorno a opressores mais respeitáveis, talvez algumas reformas no clube dos assassinos que chamamos de polícia, ICE, CBP, militares etc. Não tem intenção de desmontar a opressão bipartidária e as crueldades que matam e fazem desaparecer nossos vizinhos em prisões e campos de detenção, que financiam genocídio enquanto clamam por protestos para permanecerem “pacíficos”, que bombardeiam crianças no exterior, que despejam nossos vizinhos de prédios de apartamentos e depois os tiram varridos de acampamentos no inverno. Mas não precisa ser assim.

Cada um de nós faz parte do contexto em que vive. O que não tem dentes em um momento pode ser feroz se assim nós o tornarmos.

Este chamado é feito com um reconhecimento: ninguém é dono de nenhum protesto

No comício No Kings de 18 de outubro em St’cas, algumas pessoas na multidão se sentiram insatisfeitas com as placas acenando perto do capitólio. Era uma mistura de pessoas jovens e mais velhas, não muitos, talvez uma dúzia, que espontaneamente saíam para as ruas, incentivando outros a se juntarem a eles. Eles conseguiram chegar a cerca de meio quarteirão antes de desistir, não por causa do trânsito ou da polícia, mas por desânimo; A multidão de ambos os lados da rua optou por permanecer como espectadora. Por um momento, porém, estavam prontos para quebrar a normalidade mágica que mantinha todos os outros na calçada. Eles estavam prontos para infringir a lei (pelo menos a lei de trânsito). Eles queriam outra coisa. Quem sabe o que teriam feito se mais pessoas tivessem se juntado a eles, ou se tivessem ido um pouco mais longe.

Nenhuma pessoa sozinha decide o que acontece em 28 de março. Talvez as pessoas quebrem esse feitiço de normalidade de novo de um jeito que você não esperava (talvez até de formas que você não goste, e tudo bem). Talvez nos surpreendamos e a nós mesmos, talvez encontremos um ao outro e a afinidade, e consigamos mais do que ousamos esperar.

Ou talvez seja uma curta caminhada até um prédio vazio do capitólio. É o que nós fazemos dele.

SEM REIS! SEM PRESIDENTES! SEM PRISÕES! SEM LIMITES! SEM NAÇÕES! SEM GENOCÍDIO! SEM NORMALIDADE!

Palestina Livre & Foda-se os EUA <3

Com amor,

-alguns anarquistas

[1] https://www.king5.com/article/news/local/thousands-rally-state-capitol-…

[2] https://www.chronline.com/stories/handmaids-zebras-and-other-protesters…

Fonte: https://pugetsoundanarchists.org/anti-authoritian-contingent-to-the-march-28th-no-kings-rally-in-so-called-olympia/ 

Tradução > CF Puig

agência de notícias anarquistas-ana

A serra em chuva
Sob o sol poente –
Como não agradecer?

Paulo Franchetti

[Grécia] Sobre a morte dos anarquistas Alessandro Mercogliano e Sara Ardizzone em Roma

Nas primeiras horas da sexta-feira, 20 de março de 2026, dois anarquistas foram encontrados mortos em um imóvel abandonado – uma antiga estação ferroviária no Parco degli Acquedotti, nos arredores de Roma: Alessandro Mercogliano, de 53 anos, e Sara Ardizzone, de 36 anos.

Segundo relatos da polícia, suas mortes ocorreram após a explosão de um artefato explosivo improvisado que estavam preparando, o que provocou o desabamento do telhado do imóvel, soterrando-os sob os escombros. Essa hipótese é reforçada pelo fato de o corpo do companheiro ter sido encontrado com um dos braços amputado e queimaduras pelo corpo, além de depoimentos de vizinhos que relataram ter ouvido uma explosão vinda do parque na noite anterior.

Desde os primeiros minutos após o anúncio de suas mortes, os papagaios jornalísticos da mídia tradicional entraram em ação, falando de “terroristas sedentos de sangue” e “membros-chave do grupo do terrorista anarquista preso Alfredo Cospito”, enquanto cidadãos do bem e escravos voluntários comemoravam suas mortes com postagens e comentários nas redes sociais.

Sara e Sandrone (como era conhecido nos círculos anarquistas) não eram desconhecidos dos mecanismos repressivos ou dos jornalistas tagarelas do país vizinho.

Ela estava entre os processados ​​na operação repressiva antianarquista “Sibilla”, acusados ​​de “incitação ao crime e fuga com o agravante de intenção terrorista”. Antes de sua absolvição no ano passado, na cidade de Perugia, durante a audiência preliminar, ela leu uma declaração no tribunal, na qual, entre outras coisas, afirmou:

“Sou anarquista. Como anarquista, sou inimigo deste Estado, assim como de qualquer outro, pois sua existência pressupõe o exercício do poder militar e econômico por alguns homens e mulheres contra outros povos e contra o planeta em geral. Sou inimiga de qualquer forma de governo, pois a escolha entre democracia e ditadura é apenas a mais funcional para o controle da população ou, mais precisamente, da classe oprimida.”

Ele tem sido alvo de policiais e juízes há muitos anos, algo que também fica evidente pelos recentes vazamentos de informações de segurança, segundo os quais “Mercogliano foi um dos principais protagonistas do terrorismo insurrecional anarquista das últimas décadas”. Em 2019, ele foi um dos cinco réus condenados em primeira instância no importante julgamento antianarquista “Scripta Manent”, que tratava da fundação e da filiação à Federação Anarquista Informal – Frente Revolucionária Internacional (FAI-IRF), que, de 2003 a 2016, realizou dezenas de ações diretas contra alvos políticos, jornalísticos e repressivos. Ele será libertado da prisão em novembro de 2020, após ser absolvido dessas acusações em segunda instância.

No entanto, Sara e Sandrone não eram conhecidos apenas por seus perseguidores. Sua longa e multifacetada atuação no seio do movimento anarquista, sua participação em ocupações e outros projetos, eventos e manifestações auto-organizados, mas sobretudo a camaradagem que construíram e os momentos de luta que compartilharam com camaradas ao longo de todos esses anos, são revelados nos comunicados e textos que já circulam na Itália em defesa de sua memória, que nos lembram de forma palpável que “quem tem camaradas jamais morre”. Como afirma o título do comunicado conjunto de grupos anarquistas, camaradas e companheiros de diversas cidades da Itália, Sandrone e Sara eram “mais fortes que a morte”.

Sara e Sandrone não estão sozinhos. Desde a noite de 19 de março, suas figuras permanecem vivas nos corações de todos aqueles que resistem e lutam contra o Capital e o Estado.

Seus nomes passaram para a imortalidade e permanecem altos, junto com os de Giorgos Tsikouris, Maria Elena Angeloni, Giangiacomo Feltrinelli, Vitaliano Principe, Alfredo Papale, Giovanni Taras, Aldo Orlando Pinones, Attilio Di Napoli, Rocco Sardone, Maria Antonietta Berna, Angelo Del Santo, Alberto Graziani, Kyriakos Xymitiris e tantos outros lutadores que tombaram lutando na incessante luta contra o Poder capitalista-estatal-imperialista.

Da metrópole ateniense, expressamos nossas mais sinceras condolências aos seus entes queridos, amigos e camaradas que lamentam sua perda, dedicando à sua memória o seguinte trecho de uma composição:

[…] e depois há aquelas Estrelas roxas, que amaram tanto a Liberdade, que se aproximaram tanto do sol para queimar e serem queimadas, tanto que se tornaram cinzas e luz […] a morte é o esquecimento, mas a Vida é a Memória […] e, no entanto, lembrarei para sempre aquele brilho nos seus olhos que clamava de longe: ação mais rápida que a decadência […]

Iniciativa Proletária,

Atenas, 22/03/2026

prolprot.espivblogs.net

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agência de notícias anarquistas-ana

Seus cachos de seda
são borboletas douradas
brincando na brisa.

Humberto del Maestro

[Itália] Em memória de Sandro e Sara

Todos nós somos responsáveis pelo nosso sonho de escalar até o céu. Não podemos nos tornar agora anões quando sonhamos, lado a lado, sentindo cada um o bater do coração do outro, de atacar e derrotar os deuses. É esse sonho que assusta o poder“.

A luta para nos libertarmos das amarras da autoridade, da desigualdade e da opressão é uma longa batalha, uma luta de mulheres e homens que, em nome da liberdade, arriscam a própria existência.

Para além de toda a retórica, é na ação que se expressa e se materializa a força revolucionária.

É na soma das decisões individuais de ruptura que se manifesta o sentido mais profundo da luta.

Enquanto dois companheiros perdiam a vida, intensificava-se a propaganda do regime, que agitou o fantasma do terrorismo e invocou novas medidas repressivas com uma abordagem bipartidária.

Esses mesmos partidos que, até algumas horas atrás, acusavam-se mutuamente de trair os valores da Constituição e de atacar as liberdades coletivas, agora se reconhecem como defensores da democracia diante do perigo anárquico.

Enquanto a sociedade desmorona à beira de um conflito mundial, arrasando territórios inteiros em nome do progresso, a classe dominante vê na luta pela liberdade o terror a ser combatido.

Dois companheiros morreram, dois companheiros que deram a vida zombando dos valores que o poder quer nos incutir desde que nascemos, transformando-nos em escravos da lógica do lucro e da opressão.

Das ruínas desta sociedade podre surgirão novos impulsos libertários; diante da repressão, novas mãos se unirão para quebrar as correntes.

Prestamos homenagem àqueles que lutaram com o sorriso zombeteiro de quem não se submete.

Choramos; nossas lágrimas são de dor porque, com Sandro e Sara, perdemos dois companheiros valiosos; mas estamos conscientes de que o exemplo de suas vidas interrompidas não será em vão e contribuirá para a conquista de novas instâncias de liberdade.

O reino do Capital é o reino da morte, da nossa anulação como indivíduos, como mulheres e homens livres.

A própria morte é uma ilusão; na alegria da revolução, nós a derrotamos e exaltamos a vida.

Sandro e Sara, para sempre no coração daqueles que lutam.

Dois companheiros

The Hole

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agência de notícias anarquistas-ana

Começo de chuva…
A tempestade faz festa,
no meio da rua.

Humberto del Maestro

[Espanha] Nenhum regime nem império: povos livres

Comunicado de Embat sobre a guerra no Oriente Médio

A guerra na Ásia ocidental e no norte da África dura décadas. É uma guerra de interesses econômicos entrelaçados. É uma guerra de culturas e religiões, de visões do mundo. É uma guerra geopolítica em grande escala. Há de tudo. A cada poucos anos o conflito estoura em um ou outro país: Palestina, Líbano, Síria, Iraque, Líbia, Sudão, Yemen, Kurdistão… ou Irã. De alguma forma o conflito atual era um acontecimento esperado, o que nos surpreende é a virulência de tudo isso.

Em torno a este ódio atávico entre os diversos estados e povos, destaca-se o papel do estado sionista de Israel, que se converteu na ponta de lança do imperialismo. No contexto atual, o projeto imperialista do Atlântico perdeu todo tipo de verniz humanista e democratizador, empregando a força bruta e a violência verbal com toda a crueza possível. Inclusive falam de guerra santa, exatamente igual o que faz o outro lado iraniano. Os estados europeus, de novo, apoiam os Estados Unidos e Israel em sua nova aventura belicista, arrastando-nos a uma guerra global sem precedentes atuais. A situação se agrava a cada momento, ante a incredulidade dos povos ocidentais, testemunhos distantes de seus líderes cegos pela dinâmica imperial.

Desde Embat, Organização Libertária da Catalunha, rechaçamos esta nova intervenção militar imperialista e sionista que só trará dor e destruição aos povos da zona. Isto não quer dizer que estamos do lado do regime dos ayatolás do Irã. Este regime repressivo assassinou encarniçadamente dezenas de milhares de pessoas que saíram para protestar há cerca de dois meses. Agentes do imperialismo, pessoas que querem democracia ou gente que está farta de tudo? Havia de tudo. Não cairemos no erro de tomar a parte pelo todo, nem o todo pela parte. Reconhecemos a agressão imperialista e a condenamos, assim como condenamos o regime assassino.

Na mesma medida, apoiamos os povos de toda a zona, que lutam por sua sobrevivência, esmagados por regimes autoritários como os estados de Israel, Turquia, Síria, Arábia Saudita, Egito, EAU, Qatar, Bahréin, Omã ou Irã. Simpatizamos com os povos que lutam de forma genuína por sua liberdade, como os kurdos, armênios, assírios, baluchis, amaziges, palestinos e outros que lutam por sua existência. Da mesma forma queremos apoiar as incipientes expressões revolucionárias que possam ocorrer naquelas terras, como os conselhos obreiros ou os comitês de greve. Não são ferramentas do imperialismo yanqui, mas o berço de um novo mundo.

Neste sentido, nosso trabalho como militantes revolucionárias internacionalistas é indubitavelmente asfixiar a máquina de guerra industrial e trabalhar para tornar impossível a agressão imperialista. Em nosso território temos empresas armamentistas internacionais, vivemos em um estado imperialista que faz parte da OTAN e temos bases do exército americano, e por muito “não à guerra” que queira apropriar a socialdemocracia, sabemos que a paz é a proposta revolucionária histórica. Necessitamos hegemonizar o discurso, o rechaço antiautoritário a dominação dos povos e trabalhar ativamente com o restante de agentes revolucionários para impossibilitar a expansão belicista que propõem os centros imperiais. O signo de nosso tempo é a decomposição da ordem imperial, a crise capitalista e a devastação climática. Hoje mais do que nunca nossos corações e pensamentos estão com os que enfrentam a cara mais crua destes tempos. Para uma paz verdadeira, a única proposta válida passa por desmantelar sua maquinaria de guerra global, uma liberação real que passa pela ação revolucionária pela qual trabalhamos as militantes de Embat.

A hora mais escura é sinal de que a longa noite está terminando

Longa vida aos povos irmãos do Oriente Próximo

OTAN Não, Bases Fora!

Agora mais do que nunca, Socialismo ou Barbárie!

Fonte: https://embat.info/ni-regim-ni-imperi-pobles-lliures/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Desde aquele dia
não movi as peças
no tabuleiro.

Jorge Luis Borges

[França] Lançamento: Votar, eu? Nunca!

Desde o início dos tempos democráticos, o abstencionista tem sido um alvo perfeito, um encrenqueiro por padrão, um culpado ideal quando há uma crise política. Não votar seria crime; Hoje em dia, é crime em alguns países. Não votar então proibiria você de ter qualquer direito à expressão política. Nada poderia estar mais longe da verdade.

Desde o início dos tempos anarquistas, muitos camaradas se recusaram a se submeter à primazia coercitiva da maioria e a seguir na direção desse gado eleitoral que cederá sua soberania aos eleitos divinos. “Nem Deus, nem César, nem tribuno”, disse um deles; Acima de tudo, não havia “servidão voluntária”, argumentava o outro.

De Octave Mirbeau a Sébastien Faure, passando por Reclus, Louise Michel, Pouget, Libertad e tantos outros, La Pigne reuniu todo um argumento político e histórico com o objetivo de transformar a democracia representativa em uma ilusão e o voto uma abdicação insuportável.

Sim, cidadão-eleitor, o criminoso é você!

E, até certo ponto, esses textos incisivos e corrosivos, ancorados em seu tempo, o da triunfante Terceira República, acabariam até por ser de atualidade ardente. Votar, eu? Nunca!

Voter, moi? Jamais!

Coletivo

Éditions de la Pigne, formato 12 x 20 cm, 160 páginas

9 euros

lapigne.org

agência de notícias anarquistas-ana

Regato tranqüilo:
uma libélula chega
e mergulha os pés.

Anibal Beça

[Indonésia] Paramilitares tentam assassinar o camarada Andrie Yunus – Declaração da Persaudaraan Pekerja Anarko-Sindikalis (PPAS-IWA)

A Persaudaraan Pekerja Anarko-Sindikalis, parte da Associação Internacional dos Trabalhadores (PPAS-IWA), condena veementemente a tentativa de assassinato de Andrie Yunus, ativista de direitos humanos e Vice-Coordenador da Comissão para Pessoas Desaparecidas e Vítimas de Violência (KontraS). Na noite de 12 de março de 2026, Andrie Yunus foi atacado com ácido, resultando em queimaduras que cobrem 24% de seu corpo, incluindo especialmente os olhos e o rosto (principalmente o lado direito), o peito e ambas as mãos. Este ato não pode ser tratado como um acidente, pois foi executado de forma organizada e planejada: com foco em partes vitais do corpo; utilizando meios de difícil obtenção; e, sobretudo, precedido por intimidação e perseguição nos dias anteriores.

Andrie Yunus é um trabalhador que dedicou sua vida à defesa do interesse público e à proteção de vítimas de violações de direitos humanos e da violência estatal que não têm acesso a serviços jurídicos. Ao longo desse trabalho, tem denunciado de forma consistente o Estado, cujas operações são marcadas por violência, exploração, práticas corruptas e submissão aos interesses capitalistas.

O ataque com ácido contra Andrie Yunus ocorreu imediatamente após ele gravar um podcast sobre remilitarização e a revisão judicial da Lei da TNI (Forças Armadas Nacionais da Indonésia). Aproximadamente um ano antes, ele havia forçado a entrada em uma sala de reuniões em um hotel de luxo onde elites políticas se preparavam para aprovar essa mesma lei, legislação posteriormente contestada por diversos grupos por enfraquecer a posição dos civis em um mercado de trabalho já limitado.

Em diversas ondas de protesto, como #EmergencyWarning (#PeringatanDarurat), #DarkIndonesia (#IndonesiaGelap), #RejectTheTNIBill (#TolakRUUTNI) e os protestos de agosto e setembro de 2025, Andrie Yunus atuou junto à Equipe de Advocacia pela Democracia para defender a libertação de inúmeros manifestantes que foram presos, espancados pela polícia e criminalizados, incluindo anarquistas. Em especial nessa última onda de protestos, ele também integrou o Comitê de Apuração de Fatos, conduzindo investigações independentes sobre violações e uso excessivo da força por autoridades estatais.

Esses fatos demonstram que Andrie Yunus esteve envolvido na luta contra a brutalidade policial e o militarismo, instrumentos que o Estado utiliza de forma recorrente para sustentar os interesses dos proprietários do capital e a exploração da classe trabalhadora. Embora nunca tenha se identificado como anarquista, sua atuação consistente na defesa da classe trabalhadora e da população em geral, bem como sua oposição a diversas regulamentações que fragilizam a posição dos civis e dos trabalhadores, deve ser reconhecida como uma prática alinhada à defesa dos interesses da classe trabalhadora, em consonância com os princípios centrais do anarco-sindicalismo. A tentativa de assassinato contra Andrie Yunus e sua atuação reforçam ainda mais a tese histórica do anarquismo de que o Estado não é senão um conjunto de crimes, não havendo, portanto, motivo para defendê-lo.

Diante disso, a PPAS-IWA declara sua solidariedade a Andrie Yunus e a todas as pessoas que foram vítimas de violência por resistirem à arbitrariedade estatal.

Uma agressão contra um é uma agressão contra todos. Atacar um é atingir mil. Que a justiça seja restaurada a todos que têm direito a ela. Exijamos o impossível. Pois, ao fim, restam apenas dois caminhos: o caminho da vitória da classe oprimida e explorada sob o Estado capitalista, ou o caminho da vitória do fascismo.

Viva a solidariedade!

15 de março de 2026

Fonte: https://redandblackanarchists.com.au/statement-from-the-persaudaraan-pekerja-anarko-sindikalis-ppas-iwa-in-solidarity-with-andrie-yunus/

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquuistas-ana

Antes que algum nome
nos designasse, já rias,
pequena cascata.

Alexei Bueno