A corrida armamentista global atingiu um novo patamar em 2025, consolidando um cenário de crescente tensão geopolítica e transformação estratégica entre as principais potências mundiais. Os gastos militares globais alcançaram o recorde de US$ 2,9 trilhões, o equivalente a 2,5% do PIB mundial, marcando o maior nível proporcional desde 2009 e o 11º ano consecutivo de crescimento.
A informação foi divulgada pelo Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI) e repercutida pela Veja, conforme dados publicados no relatório anual Tendências nos Gastos Militares Mundiais, referência global no monitoramento de defesa e armamentos.
Esse avanço reflete, sobretudo, o impacto direto da Guerra na Ucrânia, além das crescentes tensões no Indo-Pacífico e da busca europeia por maior autonomia militar em relação aos Estados Unidos. Nesse sentido, o cenário internacional se mostra cada vez mais instável — e caro.
Europa lidera disparada e redefine estratégia de defesa
A Europa foi o epicentro da expansão militar em 2025. Os gastos no continente cresceram 14%, atingindo US$ 864 bilhões, o maior aumento regional registrado no período e o crescimento mais acelerado entre membros da OTAN desde 1953.
Esse movimento não ocorre por acaso. Por um lado, a continuidade da guerra no Leste Europeu exige reforço constante de capacidade militar. Por outro, há uma pressão crescente dos Estados Unidos para que aliados europeus assumam maior responsabilidade dentro da aliança.
Entre os países com maiores aumentos proporcionais estão:
• Bélgica: +59%
• Espanha: +50%
• Noruega: +49%
• Dinamarca: +46%
• Alemanha: +24%
• Polônia: +23%
• Canadá: +23%
A Alemanha, em especial, alcançou um marco histórico ao se tornar o quarto maior investidor militar do mundo, consolidando uma mudança significativa em sua política de defesa no pós-Segunda Guerra Mundial. Já a Espanha ultrapassou, pela primeira vez em décadas, o patamar de 2% do PIB em defesa, alinhando-se às metas da OTAN.
Guerra na Ucrânia impulsiona gastos extremos
A Ucrânia segue no centro da dinâmica global de defesa. Em 2025, o país destinou cerca de 40% do seu PIB para gastos militares — a maior proporção do mundo.
Com isso, Kiev passou a deter o 7º maior orçamento militar global, totalizando US$ 84,1 bilhões.
Já a Rússia ampliou seus gastos em 5,9%, direcionando 7,5% do PIB para suas Forças Armadas. Segundo o SIPRI, tanto Rússia quanto Ucrânia atingiram níveis históricos de comprometimento orçamentário com defesa — tendência que deve persistir caso o conflito se prolongue.
Ásia acelera modernização e rivalidade militar
Na região da Ásia-Oceania, os gastos cresceram 8,1%, somando US$ 681 bilhões — o maior aumento desde 2009.
A China, principal potência militar regional, ampliou seus investimentos em 7,4%, marcando o 31º ano consecutivo de crescimento e reforçando seu plano de modernização total das Forças Armadas até 2035.
Esse avanço, por sua vez, desencadeou uma reação em cadeia entre países vizinhos:
• Japão: +9,7% (US$ 62,2 bilhões; 1,4% do PIB — maior nível desde 1958)
• Taiwan: +14,2% (maior salto desde 1988)
• Austrália e Filipinas: aumentos significativos diante de incertezas sobre o apoio militar dos EUA
Portanto, a região se consolida como um dos principais focos de tensão estratégica global.
Oriente Médio, Índia e África mantêm expansão estratégica
No Oriente Médio, a Arábia Saudita liderou os gastos com US$ 83,2 bilhões, mantendo sua posição dominante na região.
Já Israel registrou queda de 4,9% após o cessar-fogo em Gaza em outubro de 2025, embora os níveis ainda permaneçam elevados.
O Irã apresentou números oficiais menores, mas especialistas indicam que inflação e receitas paralelas podem ocultar um crescimento real mais significativo.
Na Ásia Meridional, a Índia aumentou seus gastos em 8,9%, consolidando-se como a quinta maior potência militar do mundo.
Já na África, os investimentos cresceram 8,5%, com destaque para a Argélia, que lidera em proporção do PIB destinada à defesa.
Brasil lidera crescimento militar na América do Sul
Na América do Sul, os gastos militares aumentaram 3,4%, alcançando US$ 56,3 bilhões.
O Brasil manteve sua posição como principal potência militar regional, com despesas de US$ 23,9 bilhões, um crescimento de 13%, ocupando a 21ª posição no ranking global.
Além disso, a Guiana registrou aumento expressivo em seus investimentos, impulsionada por tensões territoriais com a Venezuela na região de Essequibo.
Tendência global aponta para expansão contínua até 2026
O cenário indica que a escalada armamentista está longe de desacelerar. A combinação de fatores — como a guerra prolongada no Leste Europeu, a rivalidade entre Estados Unidos e China, instabilidades no Oriente Médio e novas prioridades estratégicas — sugere que os gastos militares continuarão crescendo ao longo de 2026 e além.
Portanto, mais do que números recordes, o que se observa é uma transformação estrutural no equilíbrio de poder global — com impactos diretos na segurança internacional, na economia e nas decisões políticas de diversas nações.
Fonte: agências de notícias
agência de notícias anarquistas-ana
O circo partiu –
instalou-se na cidade
o vento de outono.
Mayuzumi Madoka
A autoridade dos que são contra não é menos autoritária que as outras e encontra, quanto a mim, uma sólida…
Em agosto me mudarei com a família para o espírito santo. Mudança a trabalho. O lado bom é que terei…
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Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!