[França-Cuba] A “libertação” de Alexander Díaz Rodríguez

Por Floréal | 15/04/2026
 
Em 11 de julho de 2021, centenas de milhares de cubanos se manifestaram em todo o país, gritando “Liberdade!”. Centenas foram presas e condenadas a longas penas de prisão, pois a ditadura cubana só conhece uma linguagem quando se trata de seu povo: a repressão. Entre os detidos e condenados estava Alexander Díaz Rodríguez, então com 40 anos e morador da cidade de Artemisa. Ele foi condenado a cinco anos de prisão.

Em diversas ocasiões, foram feitos pedidos de sua libertação devido ao seu estado de saúde, já que Alexander Díaz Rodríguez sofria de câncer de tireoide. Todos esses pedidos foram sistematicamente negados por causa de seu “status contrarrevolucionário”, segundo as autoridades judiciais.

Alexander Díaz Rodríguez, portanto, cumpriu sua pena e acaba de ser libertado da prisão. As fotos anexas mostram o estado em que a ditadura cubana o “libertou”.

Estas fotos foram tiradas por iniciativa de Javier Larrondo, chefe da organização Prisoners Defenders (Defensores dos Prisioneiros), que publica regularmente relatórios bem documentados sobre as prisões cubanas e as condições de encarceramento em um país cujos líderes continuam a negar a existência de presos políticos e onde nenhuma organização oficial, humanitária ou não, jamais conseguiu acessar as inúmeras prisões da ilha para investigar suas condições e o que acontece lá dentro.

As imagens de Alexander Díaz Rodríguez, após cinco anos na prisão, tornam-se um testemunho visual dos abusos sofridos por opositores dentro do sistema prisional cubano. “A humanidade não pode tolerar que um regime na situação em que Cuba se encontra continue agindo como tem agido há 67 anos”, disse Javier Larrondo.
 
Fonte: https://florealanar.wordpress.com/2026/04/15/la-remise-en-liberte-dalexander-diaz-rodriguez/
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
na beira do lago
pernilongos esperam
pernas distraídas
 
Nara Fontes

[Itália] Além do Especismo. O caminho rumo à libertação total

“Comer carne é algo que você faz ao corpo de outra pessoa sem o seu consentimento”
Pattrice Jones (Fighting Cocks. Ecofeminism vs. sexualized violence, 2011)

Era 1792 quando Mary Wollstonecraft, sobre quem se falou na coluna Uma filósofa por mês na edição 02/2026 da Umanità Nova, publicou o ensaio A Vindication of the Rights of Woman (Reivindicação dos Direitos da Mulher).


No mesmo ano, Thomas Taylor, filósofo neoplatônico britânico da Universidade de Cambridge, usando um pseudônimo, publicou o texto satírico A Vindication of the Rights of Brutes (Reivindicação dos Direitos dos Animais) com o objetivo de ridicularizar a reivindicação dos direitos das mulheres defendida por Wollstonecraft: para salientar o quão absurdo seria as mulheres poderem reivindicar direitos, Taylor sugeria, de maneira provocadora, estender tais direitos também aos animais.

Taylor em seu panfleto coloca as mulheres, cujas reivindicações suscitam risadas de escárnio, na mesma categoria dos animais, mas, de fato, com tal reductio ad absurdum, sugere a existência de uma conexão entre as demandas feministas e as de libertação animal.


Hoje, que fique bem claro para Taylor, tais reivindicações não suscitam mais tanta hilaridade e, no plano filosófico, as demandas éticas da libertação animal foram acolhidas pelo feminismo desde os anos sessenta. De um ponto de vista político, é possível, de fato, encontrar uma conexão entre feminismo e animalismo, entendidos como movimentos de libertação, que identificam no paradigma da dominação a raiz comum da opressão.

Tal conexão é bem sublinhada pelo filósofo australiano Peter Singer que, em Libertação Animal (1975), populariza o termo especismo (cunhado em 1970 por Richard D. Ryder, psicólogo britânico que, após o início de experimentos em animais, começou uma batalha contra essa prática tornando-se um dos pioneiros do movimento de libertação animal), definindo-o como “uma distorção de julgamento a favor dos interesses da própria espécie e contra os dos membros de outras espécies”. A filosofia de Singer, de cunho utilitarista, considera moralmente corretas as ações que levam em conta os interesses dos seres que têm a capacidade de sofrer.

O especismo é a ideologia difundida, na qual todos nós estamos imersos e que absorvemos sem nos darmos conta, que coloca a espécie humana no vértice de uma pirâmide e a legitima a considerar todas as outras espécies animais como inferiores, uma visão que tem raízes culturais e que, afirma Singer, é codificada nas antigas escrituras hebraicas, onde se lê que a espécie humana teria um direito divino de domínio sobre as outras espécies, e na Grécia clássica com sua visão antropocêntrica. Tais princípios teriam então confluído para o cristianismo, através do qual chegaram ao predomínio na Europa e, nos últimos cinco séculos, para fora das fronteiras europeias, até influenciar o resto do mundo.

A desvalorização sistemática dos animais não humanos, reduzidos a objetos à nossa total disposição, torna possível sua exploração e morte. Daí decorre uma estreita analogia com o racismo e o sexismo, enquanto formas de discriminação fundadas no interesse de um grupo em detrimento de outros e na perpetuação de uma hierarquia de poder. O antiespecismo, próximo ao movimento da ecologia profunda e à anarquia verde, amplia os conceitos de antirracismo e antissexismo incluindo as outras espécies animais e, superando a visão antropocêntrica, sustenta que a pertença biológica à espécie humana não pode de modo algum justificar a possibilidade de dispor da vida, da liberdade e do corpo de um indivíduo pertencente a outra espécie, reconhecido como sujeito senciente e não mais como recurso ou meio.

Entre as figuras a quem Singer reconhece uma extraordinária ação pioneira está o ensaísta e ativista inglês Henry Salt, antiespecista ante litteram, que foi o primeiro, na história do pensamento ocidental, a reconhecer uma raiz política comum entre a opressão humana e animal. Salt, a quem devemos a noção de direitos animais, lutou pela abolição da pena de morte e pela reforma do sistema prisional, e em 1891 fundou a Humanitarian League para se opor tanto às injustiças contra os seres humanos quanto às formas de crueldade contra os outros animais. Em 1894 escreveu o ensaio Animals’ Rights, Considered in Relation to Social Progress (Direitos Animais, Considerados em Relação ao Progresso Social), no qual sublinhava a analogia entre a condição dos animais domésticos e a dos escravos negros do século anterior: “A emancipação dos homens da crueldade e da injustiça — lê-se ali — trará consigo, a seu tempo, também a emancipação dos animais. As duas reformas são inseparáveis e nenhuma delas pode ser completamente realizada sozinha”. A modernidade do pensamento de Salt consiste na superação da atitude piedosa típica da abordagem protecionista em relação às outras espécies e na intuição de reunir os direitos naturais de todas as espécies numa única causa a ser combatida.

Em nossos dias, encontramos uma abordagem semelhante também na obra do filósofo jusnaturalista estadunidense Tom Regan, autor do ensaio The Case for Animal Rights (1983) [publicado no Brasil como “Jaulas Vazias” ou “Direitos Animais”] em que defende a cessação de todas as práticas de exploração, baseando-se no pressuposto de que cada animal, enquanto sujeito-de-uma-vida, dotado, por isso, de valor intrínseco e de interesse em viver, é titular de direitos morais inalienáveis.

No ensaio Empty Cages: Facing the Challenge of Animal Rights (2004) [Jaulas Vazias], a abordagem abolicionista e a recusa das práticas do chamado bem-estar animal são bem sintetizadas por Regan na frase: “Devemos esvaziar as jaulas, não torná-las maiores”.

Apesar de, ao longo dos anos, parecer ter se desenvolvido uma maior atenção ao bem-estar animal, para cuja tutela foram promulgadas várias leis, é indubitável que o advento do capitalismo e da era industrial tornaram a nossa “a pior época para ser um animal”, para usar ainda as palavras de Peter Singer, pois o especismo teve os instrumentos para colocar em prática o maior extermínio da história do planeta: “a pecuária industrial não é nada mais que a aplicação da tecnologia e das forças de mercado à ideia de que os animais são um meio para nossos fins”.

Todos os anos, no mundo, cerca de 170 bilhões de seres sencientes (considerando apenas os animais criados para alimentação), cada um com sua própria e complexa unicidade de indivíduo, mesmo sem que a espécie humana tenha a necessidade de se alimentar deles, vivem aprisionados nas engrenagens de uma gigantesca linha de montagem e, dessas somas já impressionantes, estão excluídos os animais marinhos, cujo número, dificilmente quantificável, mesmo quando arredondado para baixo, supera em muito o relativo ao massacre da fauna terrestre.

Nesses números anormais e na crescente taxa de crueldade que a competição de mercado leva a exercer sobre os animais para incrementar a produção contendo os custos, reside a razão pela qual o historiador americano e estudioso do Holocausto Charles Patterson em 2002 escreveu Eternal Treblinka: Our Treatment of Animals and the Holocaust [Uma Eterna Treblinka], no qual, após uma análise histórica indispensável para entender como se chegou a uma tragédia de tais dimensões, dando voz a alguns sobreviventes do Holocausto, que se tornaram depois defensores dos animais após compreenderem que a raiz da violência é a mesma, estabelece uma comparação inegável entre o modo como os nazistas tratavam suas vítimas e o modo como, na sociedade atual, são tratados os animais. O título do livro inspira-se nos escritos de Isaac Bashevis Singer, e em particular numa passagem de seu conto The Letter Writer (O Escritor de Cartas): “Em relação a eles, todos são nazistas: para os animais, Treblinka dura eternamente”. A analogia estabelecida por Patterson suscitou polêmicas e indignação, mas é inegável que a gestão dos campos de concentração, como descrito pelos testemunhos dos sobreviventes, remete a procedimentos de tipo industrial típicos dos matadouros, exatamente como o tratamento dos corpos dos indivíduos, reduzidos a objetos em ambos os casos.

O tema da reificação dos corpos dos animais, associado à mercificação dos corpos das mulheres, está no centro da obra de Carol J. Adams, ensaísta e ativista estadunidense, autora de The Sexual Politics of Meat: A Feminist-Vegetarian Critical Theory (1990) [A Política Sexual da Carne]. O destino comum reservado quotidianamente aos corpos femininos e animais é identificado por Adams nas fases de objetificação, fragmentação e consumo. É a linguagem que favorece a normalização da opressão, gerando uma dissociação entre a carne presente no prato e o corpo do animal morto. Para explicar tal processo de remoção, Adams introduz o conceito de referente ausente: substituindo o animal que é consumido por termos neutros como “carne”, “hambúrguer” ou “bife”, que desarmam o impacto cruel da violência, a linguagem evita que se produza uma associação direta com o corpo do animal ao qual aqueles pedaços pertenciam. É justamente a partir dos anos noventa que, a nível teórico, se desenvolve um movimento feminista interseccional, antiespecista e ecologista, que identifica como pilares a inviolabilidade dos corpos, a luta contra todo tipo de opressão e contra a cultura do domínio antropocêntrico.

Para superar o antropocentrismo, é necessário repensar radicalmente nosso papel de espécie dentro da rede dos viventes e recuperar aquilo que, graças aos estudos da antropologia moderna, sabemos ter sido a relação do homem pré-civilizado com a natureza, relação que ainda hoje caracteriza muitas populações indígenas: uma relação de não separação, desprovida de hierarquias, que permite ao ser humano dialogar sem fronteiras de espécie com a comunidade dos viventes da qual faz parte.

É preciso lembrar que o conflito entre natureza e cultura que nós, ocidentais modernos, elevamos a paradigma, nada mais é do que uma abordagem disfuncional à realidade, que está nos conduzindo ao nosso próprio fim. Deveríamos superar este modelo dicotômico, esta visão da natureza como alteridade que colonizou as mentes de todos nós, mas que, como hoje sabemos graças aos desenvolvimentos que houve no âmbito científico (sobretudo graças à etologia e às neurociências), está em antítese com a nossa própria biologia.

Como vimos, na base de toda forma de opressão há sempre uma separação, a atribuição arbitrária de superioridade de um lado e subalternidade do outro, que legitima a prepotência, seja quando se fala de corpos humanos, de corpos animais, de florestas, de sistemas ecológicos, de comunidades indígenas, etc.

Se combatemos as discriminações, não existe nenhuma razão válida para não colocar em discussão o especismo. Se combatemos pela liberdade e autodeterminação dos indivíduos, não existe nenhuma razão válida para adotar um padrão moral diferente em relação aos indivíduos que pertencem a uma espécie diferente da nossa. Ser libertário é um motivo a mais para recusar ignorar o horror a que nossa espécie submete todas as outras. Como é possível opor-se à violência, sem considerar o fato de que nossos pratos estão cheios dela? Como é possível aceitar perpetuar a herança religiosa de uma hierarquia entre as espécies?

Construir cercas identitárias e viver as lutas de modo setorial não faz sentido. É, ao contrário, necessário e urgente, sobretudo à luz dos cenários atuais e dos desafios futuros, reafirmar mais uma vez a necessidade de uma abordagem interseccional nas lutas, que veja finalmente reconhecida e enfrentada a matriz comum de todas as formas de opressão, sem esquecer o especismo, que é tão interiorizado e normalizado que frequentemente não só está ausente dos debates, mas nem sequer é considerado um terreno de luta, e que, em vez disso, deve ser absolutamente enfrentado para desmantelar também o último baluarte de exploração e de violência sistemática e para construir uma frente comum no único caminho possível, aquele rumo à libertação total.

Francesca Geloni – Grupo Germinal Carrara

Fonte: https://umanitanova.org/oltre-lo-specismo-il-cammino-verso-la-liberazione-totale/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

O aparecimento desses rostos
na multidão;
Pétalas num galho preto e molhado.

Ezra Pound

[Joinville-SC] 1º de maio pelo direito à literatura

No contexto do dano causado ao setor infantil da nossa Biblioteca Municipal, aconteceu um protesto semanas atrás. Dando continuidade ao trabalho, uma rede informal em defesa da Biblioteca Pública Municipal Prefeito Rolf Colin 100% pública está formada, composta por frequentadores, frequentadoras, trabalhadores e trabalhadoras da palavra escrita e falada.

Na perspectiva de dar continuidade à luta comunitária pelo direito à literatura e à cidade, inclusive com a ampliação de novos espaços públicos de leitura, além do fortalecimento dos já existentes, convidamos você para uma manhã de leitura.

O 1º de maio é uma data histórica de luta da classe trabalhadora por 8 horas de trabalho, 8 horas de lazer e 8 horas de descanso. Faz parte dessa história, inclusive, a criação de espaços de educação em sindicatos e associações operárias, em um período em que o Estado e as empresas não garantiam nossos direitos básicos.

No nosso feriado, o primeiro de maio, vamos à praça com nossas cadeiras, um livro de nossa preferência e o desejo de ampliar o direito à preguiça. Afinal, a redução da jornada 6×1, sem redução de salários, aliada à melhoria das bibliotecas públicas e à criação de novos espaços de leitura nos bairros, significará mais tempo livre. Mais tempo para o livro.

Data: 1º de maio

Horário: 9h às 11h

Local: Praça 1º de Maio,

R. Santa Catarina, 231. No final da Av. Getúlio Vargas.

Realização: Em defesa da Biblioteca Pública

Para acompanhar as redes sociais da livraria: https://linktr.ee/ambientearejado  

agência de notícias anarquistas-ana

panela velha
no avarandado novo
vaso de avencas

Alexandre Brito

[Portugal] Jornal MAPA #49 nas ruas

Um MAPA para tempos de guerra

Nestes tempos em que o estado de guerra permanente se instalou, a edição #49 do Jornal MAPA sai para as ruas a posicionar-se ao lado dos movimentos sociais. Dos EUA trazemos o testemunho de uma das vítimas do ICE e falamos sobre a crise social desencadeada pela perseguição de imigrantes. Analisamos o baixar das armas do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) e o que isso significa para a região, e olhamos para a Ucrânia, onde, com polémica, a deserção e a sabotagem não são as únicas saídas possíveis para anarquistas face à invasão russa. Analisamos também a mobilização social que em Janeiro assolou Turim por causa do despejo do centro social Askatasuna, e aproveitamos para dar a conhecer a rádio independente Blackout que emite a partir de Turim há mais de 20 anos.

Da Galiza trazemos notícias de uma vitória popular contra a Altri e contra a indústria extractivista da pasta de papel, mas do Barroso relatamos a acumulação de apoios do Estado para o ataque ambiental em curso. De Lisboa trazemos um ponto de situação sobre a luta pelo Quartel da Graça; trazemos a história da bicicleta enquanto arma contra a ditadura do automóvel, e falamos sobre mulheres imigrantes, com as suas vidas perdidas e sitiadas entre fronteiras e fogões. Esta edição traz também reflexões sobre a decisão governamental de roubar direitos a pessoas trans, e demora-se no nenúfar vitória-régia (Victoria amazonica) para estimular a prática de uma ecologia queer. Também a partir de uma perspectiva queer, questionamos o apelo à criminalização do discurso de ódio, que supõe encontrar no Estado um interlocutor justo na hora de aplicar a lei e de gerir o crime.

Na era da catástrofe, falamos sobre a organização popular e sobre o poder do «colectivismo de desastre», e acompanhamos como de costume as fronteiras da Europa Fortaleza. Partilhamos a história mais ou menos feliz da Casa da Horta, no Porto, trazemos um retrato do filósofo Diógenes, o habitual passeio futurista, a poesia, as palavras cruzadas, os cartoons e as recensões de livros. Tudo isto está na edição #49 do Jornal MAPA, à venda por todo o país e disponível para assinatura anual. Apoia o Jornal MAPA e contribui para a continuação deste projeto de informação crítica. Assina o jornal em https://www.jornalmapa.pt/assinatura-do-jornal/

agência de notícias anarquistas-ana

vulnerabilidade
a tristeza é pedra
água forjada na pupila

José Couto

[Grécia] Reivindicação de responsabilidade por ataque incendiário à casa de um policial pelo Grupo de Ataque Anarquista “Memória e Raiva”

Em março, nenhum de nós morrerá. Março de 2010, Daphne, Lambros Fountas, guerrilheiro anarquista tombado em confronto com policiais. Março de 2026, arredores de Roma, Sara Ardizone e Sandro Mercoliano, camaradas anarquistas mortos por uma explosão.

Em outubro, nenhum de nós morrerá. Outubro de 2024, Ampelokipi, Atenas, Kyriakos Xymitiris, guerrilheiro anarquista morto por explosão.

Em maio, nenhum de nós morrerá. Maio de 2025, Tessalônica, Snizanna Paraskevaidou, tombou em uma explosão durante um ataque a um banco.

E a história continua assim. Pelas batalhas da nossa gente, simples, cotidiana. Como Lambros, como Kyriakos, como Snizanna, como Sandro e Sara, e tantas outras pessoas que perderam a vida em ação direta. Com determinação, com nossa própria raiva e memória, fomos às ruas ao amanhecer de 10 de março, data em que o guerrilheiro revolucionário anarquista Lambros Fountas tombou lutando sob fogo policial em Daphne há 16 anos, e atacamos a casa de um policial em Kaisariani com um artefato incendiário.

Temos todos os motivos para mirar os canalhas do Estado que agem como seguranças dos patrões e da elite dominante. Com esta ação, queremos lembrá-los, e a todos os policiais, de que não deixaremos sua atividade impune. São eles que visam combatentes, atacam violentamente manifestantes, torturam e assassinam pessoas em delegacias, nas fronteiras, assim como pessoas das margens empobrecidas e da nossa própria classe. Que se lembrem e saibam que também podemos localizá-los em suas casas, em seus bairros, em seus trabalhos, e que eles não estão realmente seguros em lugar nenhum ao fazer essa escolha de servir ao sistema.

É fato que o Estado investe em ordem e segurança ao fortalecer o policiamento em todos os níveis do governo central. Dessa forma, impede tanto quanto possível qualquer resistência vinda de baixo em favor do capital, ao mesmo tempo em que fortalece o capital militar policial por meio de verbas para forças de segurança e programas de armamento. Trata-se de um fenômeno paralelo à situação geopolítica internacional. À medida que a guerra se intensifica no exterior, no Oriente Médio e na Ucrânia, e o Estado grego participa dela por meio da aliança greco-israelense-americana, da OTAN e da União Europeia, a repressão doméstica também se intensifica. Policiais de todo tipo são posicionados para controlar nossas vidas. O mesmo vale para todos os campos do espaço público, das universidades aos bairros, praças e outros espaços naturais, como a Praça Exarchia e o Monte Strefi.

Então, que o medo mude de lado. Não importa o quanto a mídia cúmplice e alinhada ao regime os encubra ao esconder nossas ações, nós conhecemos a ansiedade que essas visitas às suas casas lhes causam. Se vocês não recuarem, nós voltaremos. Nossas vidas não são descartáveis. Queremos mostrar que vocês são os terroristas e perigosos ao interesse público, não nós, que devolvemos a vocês a porcentagem mínima da violência que lhes cabe.

Expressamos nossa solidariedade ao povo palestino que luta por sua vida. Intensifiquemos a ação antiguerra contra os crimes de guerra cometidos na Palestina, no Líbano e no Irã pelo bloco ocidental. Não nos tornaremos carne para os canhões dos assassinos porque os governantes locais, com Mitsotakis e Dendias à frente, correram para se aliar a Netanyahu e Trump.

A escolha de conectar esses conteúdos por meio da ação no dia de memória do guerrilheiro anarquista Lambros Fountas constitui um elo entre memória, ação e continuidade.

FORÇA A TODOS OS MILITANTES PALESTINOS DETIDOS PELO REGIME NACIONALISTA ISRAELENSE, SIONISTA, E AMEAÇADOS COM A PENA DE MORTE

LIBERDADE E SOLIDARIEDADE A TODOS OS CAMARADAS PERSEGUIDOS PELO CASO AMPELOKIPI

Grupo de Ataque Anarquista “Memória e Raiva”

Fonte: https://actforfree.noblogs.org/2026/04/09/claim-of-responsibility-for-arson-attack-on-a-cops-house-by-anarchist-strike-group-memory-and-anger-athens-greece/

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Na noite escura
Vaga-lume luminoso
Alegria das crianças

Felipe Bunduki

15 caminhões de abate incendiados pelo ALF (Anarchistes Lance Flamme, França)

A indústria suinícola da região de Paris tem um futuro sombrio pela frente

Na noite de 4 de abril, um grupo antiespecista bem-intencionado incendiou um conjunto (cerca de 15) de caminhões refrigerados pertencentes ao matadouro Paris Terroir (anteriormente conhecido como Guy Harang) em Houdan.

Atacar a logística por trás do comércio de animais é atacar os mecanismos internos do especismo e do capitalismo. Os porcos, como todos os outros animais, não querem participar dessa sociedade mórbida!

Fogo aos matadouros, fim a todas as opressões!

ALF (Anarchistes Lance Flamme)

[Ps: Grupos reformistas, não caiam na armadilha da aceitabilidade. Essas ações salvam as vidas que vocês defendem.]

Fonte: https://animalliberationpressoffice.org/NAALPO/2026/04/04/15-slaughterhouse-trucks-set-afire-by-alf-anarchistes-lance-flamme-france/

agência de notícias anarquistas-ana

Ainda cantando
Os insetos são levados
Sobre o tronco que flutua.

Issa

[Alemanha] Participe da Manifestação Revolucionária do Primeiro de Maio – junte-se ao Bloco Anarquista!

Convocamos a participação no Bloco Anarquista na Manifestação Revolucionária do Primeiro de Maio, porque os tempos são difíceis e a situação é grave!
 
Precisamos extravasar nossa raiva em relação à situação atual, e há motivos de sobra para estarmos com raiva:
 
Repressão contra anarquistas e o movimento de esquerda
 
A onda de batidas policiais de 24 de março demonstrou, mais uma vez, as táticas arbitrárias e violentas que o Estado alemão utiliza contra o nosso movimento. A repressão contra anarquistas e movimentos de esquerda em geral está se intensificando em todo o mundo. A Antifa-Leste está na lista de organizações terroristas do governo Trump, contas bancárias foram congeladas, membros da Antifa foram presos, proibições profissionais foram impostas e o movimento pró-Palestina enfrenta uma repressão brutal, com milhares de acusações. Tudo isso também nos mostra que estamos atingindo o Estado onde mais dói. Portanto, vamos continuar construindo estruturas de resistência e auto-organização para desmantelar a máquina estatal.
 
Nós, como autonomistas e anarquistas, estamos todos envolvidos em ações antifascistas, manifestações e ações contra o genocídio da população palestina, campanhas antimilitaristas, expansão da auto-organização nas comunidades e articulação em redes internacionais. Portanto, quando este Estado submete esses diversos grupos à repressão, todos nós somos alvos!
 
Não nos deixemos dividir, mas permaneçamos unidos, fortaleçamos uns aos outros e lutemos. Agora mais do que nunca!
 
Deslocamento à direita e militarização
 
Ideologias de extrema-direita e fascistas vêm ganhando terreno há anos na Europa e em outros continentes. Isso resultou em restrições massivas aos direitos e à segurança de todos os grupos populacionais que não se conformam à sociedade dominante. Ao mesmo tempo, o financiamento está sendo cortado em todos os setores para ser investido em guerras e no setor militar, o que afeta desproporcionalmente os grupos marginalizados e exacerba guerras e crises internacionais.
 
Opomo-nos resolutamente a esta expansão da exploração e da opressão. Estamos empenhados em expandir e articular as estruturas anarquistas e a resistência, e manifestamos nossa clara solidariedade a todos os afetados pela guerra e pela opressão.
 
Imperialismo e Neocolonialismo
 
As guerras que assolam o mundo demonstram que o colonialismo militarista e genocida está, mais uma vez, em ascensão. Em sua busca por poder e recursos, as potências coloniais deixam um rastro de cadáveres. Palestina, Rojava, Irã, Líbano, Sudão, Saara Ocidental, Cuba, Venezuela… A lista de crimes coloniais é longa e repleta de sofrimento. Jamais devemos nos acostumar com essas condições. Portanto, como anarquistas que vivem nesses estados perpetradores do colonialismo, consideramos nosso dever atacar e desmantelar essa máquina colonial.
 
Nós, autonomistas e anarquistas, manifestamos nossa clara solidariedade aos movimentos de insurreição anticolonial em todo o mundo: Pense globalmente, aja localmente. Morte a todos os colonizadores!
 
Não exija, lute!
 
Como anarquistas, sempre soubemos que simplesmente fazer reivindicações sem resistir ativamente ao sistema no aqui e agora é inútil. Estamos familiarizados com o fenômeno, em nossos círculos, de muitas vezes nos concentrarmos apenas em nossos próprios círculos internos e não olharmos além deles – para os movimentos de resistência militante por toda a Europa e o mundo. Mas quando nos vemos como parte de um movimento maior de resistência contra as condições vigentes, entendemos que simplesmente precisamos começar a nos organizar ainda mais, a criar redes e a lutar juntos. Podemos sempre nos basear em cada abordagem que adotamos e nas experiências que adquirimos, e levar essas lições positivas para a próxima revolta.
 
É por isso que precisamos de todos vocês nas ruas. Vamos trabalhar juntos para garantir que o Estado, seus capangas e todos os inimigos da liberdade e da igualdade recebam o que merecem.
 
Traga faixas, bandeiras, guarda-chuvas e tudo mais que quiser para o quarteirão e avise todos os seus amigos!
 
Por uma sociedade livre! Pela anarquia!
 
COMO SEMPRE: Sem policiais, sem nazistas, sem TERFs, sem Swerfs, turistas de festa, vão embora.
 
Bloco Anarquista na Manifestação Revolucionária do Primeiro de Maio de 2026,
18h, Oranienplatz, Berlim-Kreuzberg

(O Bloco Anarquista estará localizado dentro do Bloco Antifa, onde faixas e bandeiras com o símbolo da anarquia estarão reunidos).
 
Fonte: https://anarchists4palestine.noblogs.org/files/2026/04/poster-anarchist-block-1mai2026-slide1.jpg
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/04/10/alemanha-antifa-na-ofensiva-rumo-ao-primeiro-de-maio-revolucionario-para-o-bloco-antifa/
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/03/25/alemanha-onda-massiva-de-repressao-contra-o-movimento-eco-anarquista/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
chuva fina
tarde esfria
todo o lago se arrepia
 
Alonso Alvarez

[Espanha] Contra o fascismo e o esquecimento

Não existe um fascismo abstrato, etéreo, de manual. O fascismo sempre teve nomes, sobrenomes, uniformes, igrejas cúmplices, juízes obedientes, falangistas disfarçados de policiais ou empresários beneficiados e vítimas perfeitamente identificáveis. O fascismo não é uma opinião incômoda nem um excesso do passado: é um regime criminoso, uma prática sistemática de terror, extermínio e saque, cuja marca continua viva onde quer que a justiça não tenha sido feita.

O fascismo espanhol não foi uma reação, foi uma agressão. A guerra civil de 1936 não foi uma guerra entre irmãos, foi uma guerra de classes iniciada por uma sublevação militar contra um regime democrático. Desde o primeiro dia, impôs-se a lógica do extermínio: fuzilamentos em massa, valas e poços, prisões, campos de concentração, exílio, roubo de bens, de dignidade e até de bebês. Não houve simetria possível. Houve vencedores armados que saciaram sua sede de vingança até a exaustão e vencidos indefesos e humilhados, destinados a ser vítimas, sem outra missão que o sofrimento.

Durante quarenta anos, o franquismo proibiu até o direito mais elementar: enterrar os mortos. Como na tragédia de Sófocles, o Estado arrogou-se a potestade de decidir quem merecia sepultura e quem devia apodrecer como exemplo. Essa proibição não foi apenas material, foi moral e política. A uma parte do país negou-se o luto, a memória e a palavra. Essa é a autêntica síndrome de Antígona: a condenação a viver sem verdade nem justiça.

A chamada Transição não rompeu com esse crime fundacional. Administrou-o. Consagrou a impunidade dos algozes e o silencioso medo das vítimas. Anistiou-se os criminosos e exigiu-se paciência às famílias dos assassinados. Os arquivos permaneceram fechados, os juízes viraram a página e os responsáveis morreram na cama, com honras, medalhas e funerais de Estado. Enquanto isso, os familiares dos fuzilados ou desaparecidos envelheciam sem saber onde estavam os ossos dos seus.

Dessa capitulação nasce a farsa da equidistância: a chamada “Terceira Espanha”. Uma ficção cômoda que pretende igualar vítimas e algozes, fascistas e antifascistas, aqueles que deram ordens de matar e aqueles que jazem ainda nas valas, poços e valetas. Não é neutralidade: é branqueamento. Não é reconciliação: é continuidade do crime por outros meios, sua permanência e institucionalização.

Não se pode colocar no mesmo saco quem defendia um governo legítimo e quem o destruiu a sangue e fogo. Não se pode falar de “excessos em ambos os lados” quando apenas um lado construiu um Estado baseado no terror… durante décadas, enquanto o outro lado sobrevivia no exílio ou foi submetido à brutal ditadura do tirano. Não se pode condenar a violência em abstrato para evitar apontar o fascismo e os executores fascistas em concreto, com seu nome e sobrenome. Isso não é rigor histórico, é covardia política.

O fascismo não terminou com a morte do ditador. Fraga assumiu a rua em Vitoria e ainda hoje sobrevive na estrutura do poder, na impunidade judicial, na corrupção herdada, nos monumentos de exaltação, nos discursos que criminalizam os vencidos e absolvem os vencedores. Sobrevive cada vez que se nega uma exumação, cada vez que se relativiza um crime, cada vez que se pede esquecimento. Sobrevive na cruz do Vale dos Caídos, porque essa cruz é uma suástica.

Não queremos monumentos vazios nem homenagens oficiais sem consequências. Queremos a verdade completa: todos os arquivos abertos, todas as valas exumadas, todos os nomes sobre a mesa. Queremos saber quem matou, quem ordenou, quem denunciou, quem enriqueceu. Queremos justiça, ainda que tarde, porque sem justiça não há nem o menor simulacro de democracia, apenas administração do passado criminoso.

O fascismo não se discute: combate-se. Combate-se com memória, com verdade, com justiça e com uma repulsa sem nuances. Não há meio-termo entre algozes e vítimas. Não há terceira via entre a barbárie e a dignidade. Enquanto restar um só desaparecido numa vala, num poço, numa valeta, numa cova e um só criminoso sem ser julgado, o combate continua.

Porque calar não é neutralidade. Calar é tomar partido pelo fascismo.

Que um criminoso de guerra, confesso e vitorioso, que um assassino de massas ocupasse a Chefia do Estado durante quarenta anos não se apaga facilmente, e suas sequelas são inúmeras e persistentes, mesmo cinquenta anos depois de sua morte na cama.

E os nostálgicos do tirano contam-se aos milhares, sobretudo entre jovens um tanto ingênuos e demasiado ignorantes que não viveram nem sofreram o franquismo.

No entanto, sempre nos restará o canalha do Bourbon nomeando a si próprio impulsor e protetor de uma reconciliação e uma transição fantasmagóricas. Como se reconciliação e transição não tivessem sido a impunidade definitiva e absoluta dos algozes fascistas por todos os seus crimes, desde 1936 até 1976.

O “tudo atado e bem atado” de Franco.

Agustín Guillamón

Barcelona, abril de 2026

Fonte: https://alasbarricadas.org/noticias/node/58941

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Gotas de vidro
Espelho da penumbra
Alívio da manhã.

José Feldman

[Chile] Santiago: 5ª Feira Do Livro em Resistência – 18 e 19 de Abril

Contra o mundo da mercadoria, contra a obediência e a resignação, levantamos novamente um espaço para a palavra livre e a insubmissão.
 
Nos dias 18 e 19 de abril nos encontramos na Feira do Livro em Resistência, uma jornada onde a tinta, o papel e as ideias se convertem em ferramentas de combate contra a ordem estabelecida.
 
Abandonamos a cultura domesticada pelo mercado. Aqui circulam ideias que incomodam o poder.
 
Anarquismo que nega toda autoridade.
Anticapitalismo que rechaça a exploração e a mercadoria.
Antifascismo que enfrenta toda forma de dominação.
 
Entre livros, panfletos, editoras e conversações sem hierarquias, buscamos algo mais que uma feira: um ponto de encontro entre individualidades rebeldes e vontades indóceis que não aceitam viver ajoelhadas ante o Estado, o capital nem a moral imposta.
 
Porque cada livro pode ser uma chispa.
Cada palavra, uma fenda na ordem existente.
Cada encontro, uma conspiração pela liberdade.
 
18 e 19 de abril
 
Que circulem os livros proibidos.
Que se escutem as vozes insubmissas.
Que se encontrem os que ainda creem na vida livre e sem amos.
 
Nos vemos na Feira do Livro em Resistência.
 
Saúde e Revolução Social.
 
Inscrições e cronograma:
 
https://ferialibro.sovsantiago.org/
 
Tradução > Sol de Abril
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
por entre os salgueiros
clarão sedoso das águas
enluaradas
 
Rogério Martins

[Itália] Obrigado, Claudio, não vamos te esquecer!

No dia 7 de abril, faleceu Claudio Strambi, destacado militante anarquista e anarcossindicalista italiano, ligado à Unione Sindacale Italiana (USI) e à Federazione Anarchica Italiana (FAI). Morreu repentinamente, após décadas de ativismo no sindicalismo de base e no movimento libertário em cidades como Pisa, Florença e Volterra. A seguir, palavras dos seus companheiros de Pisa e Volterra.

Perdemos um amigo e companheiro. Não temos palavras no momento, e poucas linhas não seriam suficientes para retroceder décadas de militância anarquista, sindicalismo de base e anarcossindicalista.

Agradecemos àqueles que se lembraram destes dias, com comunicações e mensagens pessoais. Agradecemos aos companheiros de Pisa, Toscana, e um pouco de toda a Itália que nos fizeram sentir sua proximidade.

Era conhecido como enfermeiro e organizador sindical em seu local de trabalho em Pisa, no hospital Santa Chiara, sua cidade natal, e em Florença, onde viveu muitos anos, contribuindo para as lutas sindicais, inclusive em Careggi. Era anarquista, comunista libertário, organizador político e sindical, ativo em lutas sociais, desde o direito à moradia até a defesa dos espaços sociais, bem como na luta antimilitarista, pela saúde pública, pela solidariedade internacionalista e em muitos outros campos de atuação. Seu compromisso sempre esteve na linha de frente, muitas vezes enfrentando a repressão estatal. Sempre participou do debate aberto, comprometido com a construção de caminhos unificados, livres de lógicas minoritárias, mas sempre fiel à sua perspectiva anarquista.

Participou de inúmeras atividades organizativas. Destacam-se sua contribuição para a revista Comunismo Libertário, a fundação do Kronstadt Anarchico Toscano e de sua revista homônima — que durante anos teve sua sede no clube Vicolo del Tidi, fruto de suas relações com companheiros de Volterra e outras localidades da Toscana —, bem como sua filiação à Federazione Anarchica Italianae à Unione Sindacale Italiana.

Nunca se contentou em seguir a corrente, trazendo suas análises originais e perspicazes para o debate e a reflexão, sempre se esforçando para ver o anarquismo como uma força política capaz de intervir em meio às contradições da sociedade. Colaborou com a imprensa do movimento, em particular com o Umanità Nova. Durante anos, realizou um estudo exaustivo sobre Camillo Berneri, a partir do qual publicou os três primeiros volumes de “L’inquieta attititudine”.

Quando voltou para Pisa há alguns anos, dedicou grande parte de sua energia ao Círculo Anarquista de Vicolo del Tidi. Intolerante com o ritualismo, conferiu ao movimento anarquista uma dimensão contemporânea e dinâmica. Por meio da criação de grupos, redes e relações libertárias de solidariedade, bem como da participação em assembleias, lutas e movimentos, sempre conferiu ao anarquismo um papel proativo, tanto na ação prática quanto na análise.

Sempre soube destacar a capacidade do anarquismo de servir como ponto de referência para os problemas mais atuais e aparentemente complexos, livre de dogmatismo e ilusões autoritárias, justamente porque estava muito distante de qualquer ideia de “tomada do poder”.

Também nos lembramos dele em momentos de alegria e camaradagem, em conversas em eventos ou na rua tomando uma cerveja, por seu humor irreverente, por sua maneira peculiar de se vestir e andar, pela música que o acompanhava e por suas canções.

Seus pensamentos e ações para mudar o mundo o caracterizaram profundamente, e essa tensão transformadora e ideal para a autoemancipação social, feita de humanidade e rara sensibilidade, permanece viva em sua memória para todos os seus companheiros.

Nossos pensamentos estão com sua família, seu filho e todos os seus entes queridos.

Obrigado, Claudio!

Círculo Anarquista de Vicolo del Tidi, Pisa

Espaço Libertário Pietro Gori – Kronstadt Volterra

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Grito da sineta
na última aula. Alegria.
Depois o silêncio.

Alexei Bueno

[Hungria] Feira do Livro Anarquista de Budapeste

No dia 18 de abril, realizaremos pela terceira vez a Feira do Livro Anarquista de Budapeste!

Como sempre, apresentaremos publicações, livros e panfletos tanto em húngaro quanto em inglês. Os livros e panfletos em inglês são da Active Distribution, e alguns panfletos novinhos em folha também estarão disponíveis.

Também prepararemos comida durante o dia!

Venha dar uma passada, dar uma olhada no Infoshop, ler e bater um papo conosco.

O Infoshop ficará aberto o dia todo!

Infoshop Hétvége [A] helyen!

Auróra utca 34

1084 Budapeste

agência de notícias anarquistas-ana

Fundo de quintal…

Silêncio. No velho muro,

uns cacos de sol…

Jorge Fonseca Jr.

[Grécia] Solidariedade com o povo de Cuba e nossos camaradas anarquistas

Desde o 13º Congresso da Internacional das Federações Anarquistas, realizado em Atenas (3 a 5 de abril de 2026), enviamos nosso apoio e solidariedade inabaláveis aos nossos camaradas anarquistas em Cuba, que não puderam viajar para participar dos trabalhos da IFA.
 
O embargo econômico contra Cuba está em vigor desde a década de 1960, mas nos últimos meses os EUA endureceram sua postura, impondo sanções a navios que transportam petróleo para a ilha e ameaçando aplicar tarifas contra os países que o fornecem.
 
A coerção punitiva de todo um povo a viver em condições extremas e devastadoras (sem eletricidade, essencial para o funcionamento da infraestrutura básica para a sobrevivência humana) constitui um crime contra a humanidade.
 
Nenhuma tolerância, nenhum silêncio diante do crime que os Estados Unidos estão cometendo contra o povo de Cuba e contra a guerra global que estão travando contra a humanidade — uma guerra que amanhã atingirá a todos nós, em todos os cantos da Terra.
 
Internacional das Federações Anarquistas (IFA-IAF)
3 a 5 de abril de 2026 – Atenas, Grécia
 
apo.squathost.com
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/03/30/internacionalistas-sempre-xiii-congresso-internacional-das-federacoes-anarquistas/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Rastros de vento,
escuridão de brasas,
um salto suave.
 
Soares Feitosa

[Alemanha] Pelxs nossxs companheirxs que morreram em defesa da vida

PELXS NOSSXS COMPANHEIRXS QUE MORRERAM EM DEFESA DA VIDA

PELXS COMPANHEIRXS QUE DECIDIRAM TOMAR O PRÓPRIO DESTINO NAS MÃOS

PELXS COMBATENTES QUE ESTAVAM DISPOSTXS A FAZER TUDO O QUE FOSSE NECESSÁRIO

PELXS REVOLUCIONÁRIXS QUE NÃO SE CONTENTAVAM COM NADA MENOS DO QUE TUDO

E PELAS PESSOAS QUE ERAM JOVENS COMO VOCÊ E EU

POR VOCÊ, KYRIAKOS

POR VOCÊ, SARA E SANDRO

POR TODXS AQUELES QUE DERAM A VIDA PARA DEFENDER A VIDA

Em 19 de março de 2026, xs companheirxs anarquistas Sara Ardizzone e Alessandro Mercogliano foram encontradxs mortxs após o desabamento de uma casa rural em Roma. A mídia fala de uma suposta detonação de um artefato explosivo. Embora as circunstâncias exatas permaneçam pouco claras, uma coisa é certa para nós: Sara e Sandro morreram em ação, morreram combatendo.

Recebemos essas notícias pouco antes do início do julgamento de Ampelokipi contra nossas companheiras anarquistas Marianna Manoura e Dimitra Zarafeta, bem como contra xs outrxs três réus. Marianna ficou gravemente ferida na explosão de um artefato em 31 de outubro de 2024 em Atenas e desde então está detida junto com Dimitra na prisão feminina de Korydallos.

Essa mesma explosão matou nosso companheiro Kyriakos Xymitiris.

Recordamos com dor aqueles primeiros dias após a morte dele: o vazio, a dor, a raiva. A tentativa de compreender o incompreensível, de entender a definitividade de um único ato. Somente juntxs podíamos enfrentar a realidade em que vivemos.

Choramos juntxs e gritamos juntxs. Sentamo-nos juntxs em silêncio. Discutimos, fizemos planos e agimos juntxs. Decidimos considerar a defesa da memória revolucionária como nossa responsabilidade e como a consequência lógica da nossa luta comum.

Axs amigxs, axs companheirxs e às famílias de Sara e Sandro: sentimos a sua dor, compartilhamos a sua raiva e estamos ao seu lado na defesa da memória dxs nossos companheirxs caídxs. Desejamos a vocês toda a força, todo o amor e toda a ternura de que precisamos para manter viva a chama da nossa luta comum. Desejamos a vocês momentos de descanso, para chorar e sofrer juntxs. Lutamos ao seu lado por momentos de insurgência, em que deixamos que nossa raiva se torne o fogo que mantém viva a memória dxs nossxs companheirxs.

Os corações revolucionários ardem para sempre!

De Roma a Atenas a Berlim: temos razão, venceremos!

Sara Ardizzone  Sempre ao nosso lado!

Alessandro Mercogliano  Sempre ao nosso lado!

Kyriakos Xymitiris  Sempre ao nosso lado!

-R94

Fonte: https://brughiere.noblogs.org/post/2026/04/09/per-lx-nostrx-compagnx-che-sono-mortx-in-difesa-della-vita/

Tradução > Liberto

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O vaga-lume à noite
acende sua luz.
Pisca-pisca.

Aprendiz

Agir hoje para não obedecer amanhã: a força cotidiana da autonomia

A autonomia não é uma promessa distante, uma miragem que surgirá no horizonte depois da revolução. Ela se faz no suor do agora, no gesto cotidiano de recusar as amarras que nos sufocam. Enquanto muitos se perdem na ilusão de que a transformação social é um evento futuro — uma grande noite em que, finalmente, tomaremos o poder —, nós, anarquistas, sabemos que o amanhã é moldado pelas mãos que ousam construir hoje. A autonomia não é herança que se recebe; é conquista que se tece na desobediência de cada instante. Esperar é consentir. Agir é existir.

A história nos mostra que as mudanças radicais nunca foram decretadas de cima para baixo, mas brotaram das trincheiras da vida real. As fábricas recuperadas, os hortos comunitários, as escolas livres, as redes de apoio mútuo: todas essas sementes de emancipação não aguardaram a permissão de um Estado ou a data marcada por uma vanguarda. Elas surgiram quando pessoas comuns, cansadas da espera, disseram “basta” e estenderam as mãos para construir o novo sob os escombros do velho. É nesse terreno — áspero, imediato, imperfeito — que a autonomia deixa de ser ideia e se torna força viva.

Dizer que agimos “enquanto esperamos” a grande transformação é um contrassenso perigoso. É justamente o contrário: são as práticas autônomas de hoje que forjam a subjetividade rebelde de amanhã. Se nos acostumamos a delegar, a obedecer, a adiar a nossa potência, estaremos apenas reproduzindo dentro do movimento a mesma lógica de dominação que dizemos combater. A autonomia não é um ponto de chegada; é um método. Cada vez que decidimos coletivamente sobre nossas vidas, cada vez que rompemos com a lógica do consumo e da hierarquia, estamos antecipando o mundo que queremos ver. E nessa antecipação, criamos as condições materiais e subjetivas que tornam a revolução não apenas possível, mas inevitável.

Acreditar que a liberdade plena só virá depois de uma “tomada do poder” é cair na armadilha do pensamento autoritário. Para o anarquismo, os meios e os fins são indissociáveis. Se usamos meios autoritários, hierárquicos ou adiamos a liberdade para um futuro incerto, jamais chegaremos a um resultado libertário. Por isso, a construção da autonomia é uma militância de todos os dias. É no presente que forjamos a confiança mútua, a solidariedade concreta e a capacidade de autogestão. É agora que ensaiamos, erramos, aprendemos e fortalacemos os laços que farão frente ao leviatã quando ele tremer.

Não há transformação social sem sujeitos transformados, e esses sujeitos não nascem da noite para o dia. Eles são forjados na prática incessante da autonomia: na vizinha que organiza com as outras a segurança do beco contra a violência policial, no coletivo que ocupa um prédio abandonado e decide em assembleia os rumos da moradia, nos trabalhadores que retomam os meios de produção sem pedir licença ao patrão. Cada ato de recusa e criação é uma célula do novo mundo. E quanto mais células formamos, mais o corpo social adoece de liberdade, até que a estrutura do poder já não tenha onde se sustentar.

Portanto, camaradas, deixemos de lado a ansiedade pelo “grande dia” e concentremos nossa fúria criadora no que podemos fazer com as mãos, agora, neste chão que pisamos. A autonomia não é um prêmio para os que souberem esperar; é uma ferramenta para os que se recusam a esperar. Cada hora vivida em autogestão é uma hora de revolução real. Cada laço horizontal que tecemos é uma derrota para a lógica da dominação. Não construímos autonomia para a revolução: construímos autonomia como a própria revolução em movimento. O amanhã que queremos já começou — e começa agora, na coragem de quem decide ser, hoje, o agente da sua própria vida.

Liberto Herrera.

Fonte: https://libertoherrera.noblogs.org/2026/04/10/agir-hoje-para-nao-obedecer-amanha-a-forca-cotidiana-da-autonomia/

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dois amigos na janela
a lua
encontra o pinheiro

Ricardo Portugal

[Reino Unido] Acadêmicos anarquistas chegam a Oxford

A Rede de Estudos Anarquistas organizou três sessões na Conferência da Associação de Estudos Políticos de 2026
 
– Coordenação da ASN
 
A Rede de Estudos Anarquistas, ou Anarchist Studies Network (ASN), organizou sua plataforma mais significativa até hoje na conferência da Political Studies Association (PSA), em Oxford, no fim de março. Como um dos quarenta e oito “grupos de interesse” ativos dentro da PSA, a ASN existe “para coordenar e promover a investigação do anarquismo como práxis social e política”.
 
Para a conferência deste ano, organizamos três sessões distintas, representando perspectivas políticas diversas e argumentos práticos. Houve uma mesa-redonda sobre a relevância contemporânea do pensamento anarquista, presidida por Shane Little, com a participação de Laurence Davis, Rhiannon Firth, Jim Donaghey e Jon Bigger, do próprio Freedom. O primeiro painel contou com falas de Elke Van dermijnsbrugge sobre “Max Stirner, políticas de identidade e coexistência multiespécie“; de Rhiannon Firth, intitulada “Comam os ricos: prefigurando a recomposição ecológica e social por meio da ajuda mútua e dos movimentos cooperativos de alimentação“; e de James Willis, intitulada “Criação de mundos e misticismos ferais: resistência como Via Negativa Política“.
 
O segundo painel contou com falas de Ray Di Marco Campbell, intitulada “Anarquismo em ação: cortes comunitários, refeições e conexão“; de Matti Eskelinen, intitulada “Propriedade, não liberdade! Desatando os nós entre anarquismo e libertarianismo em relação ao propertarianismo“; e de Ivan de Oliveira sobre a “Alianza Libertaria Argentina: contexto e criação de uma organização política anarquista nos anos 1920“.
 
Embora atuar em contextos acadêmicos implique uma multiplicidade de desafios práticos e éticos, os cargos que muitos de nós ocupamos em ambientes educacionais nos oferecem espaços altamente privilegiados nos quais podemos integrar, incorporar e alinhar nossas perspectivas anarquistas às nossas práticas. Assim como a plataforma da ASN na conferência da PSA permitiu que pessoas não familiarizadas com abordagens anarquistas e afins, intrigadas por elas ou mesmo abertamente hostis a elas, participassem dos espaços que organizamos, nossa posição nessas organizações às vezes também facilita o acesso a financiamento institucional, a ambientes de ensino nos quais podemos expor estudantes a ideias radicais para além dos currículos acadêmicos convencionais de nossas respectivas áreas, e a oportunidades de envolver públicos diversos em debates críticos.
 
Nenhum de nós entrou nessas instituições com ilusões sobre o que elas representam, como lucrar com estudantes pagantes, usar qualificações como barreiras de acesso aos tipos de trabalho que nossos estudantes desejam exercer, e assim por diante. Em vez disso, estamos buscando fortalecer nossas próprias redes para que, em nossos espaços dedicados, seja na PSA, em nossas próprias conferências ou em outros eventos, possamos continuar promovendo solidariedade, parcerias e colaboração dentro de uma cultura que frequentemente promove e até valoriza justamente o oposto.
 
Além de nossa próxima conferência em Manchester, organizamos um programa de atividades de dois dias para acadêmicos em início de carreira, incluindo pesquisadores, docentes e outras pessoas que atuam na academia, que ocorrerá nos dois dias imediatamente anteriores à conferência, na segunda-feira, 24 de agosto, e na terça-feira, 25 de agosto de 2026. Anarchademics, Unite! é aberto a estudantes de pós-graduação em nível de mestrado e doutorado “cuja pesquisa dialoga com o anarquismo e que estejam considerando um futuro na academia ou para além dela”. Embora estejamos particularmente interessados em apoiar colegas que enfrentam barreiras adicionais para ingressar ou se estabelecer na academia, incluindo, mas não se limitando a, ideologia, classe, raça e pertencimento étnico, religião, gênero, sexualidade, status de residência, deficiência e todo tipo de intersecção, todas as pessoas interessadas são encorajadas a enviar uma manifestação de interesse. As sessões abordarão pedagogias radicais, propostas de financiamento de pesquisa, elaboração de programas de curso, publicação acadêmica e outras questões relacionadas.
 
Para melhorar a acessibilidade das oficinas, a rede comprometeu recursos para apoiar o deslocamento das pessoas selecionadas, com até 150 libras de reembolso para ida e volta, oferecerá duas noites de hospedagem, dará suporte alimentar com bebidas e lanches durante os dois dias de atividades e cobrirá o jantar da primeira noite do programa. As pessoas interessadas devem preencher um breve formulário explicando o que esperam obter com os eventos, com espaço também para ajudar a definir os focos das atividades ao detalhar desafios específicos que tenham enfrentado até agora. Também encorajamos as candidaturas a informar quaisquer adaptações que possamos fazer para facilitar melhor sua participação nesse espaço. O formulário pode ser encontrado em nosso site, aqui; as inscrições preenchidas devem ser enviadas até segunda-feira, 20 de abril. Pretendemos informar todas as pessoas candidatas sobre o resultado em até quatro semanas após o envio.
 
anarchiststudiesnetwork.org
 
Fonte: https://freedomnews.org.uk/2026/04/10/anarchademics-descend-on-oxford/  
 
Tradução > Contrafatual
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/03/05/reino-unido-9a-conferencia-internacional-da-rede-de-estudos-anarquistas-%e2%80%92-chamada-para-artigos/
 
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uma pétala caída
que torna a seu ramo
ah! é uma borboleta
 
Arakida Moritake

[Argentina] Patricia Olivier

Em 11 de abril de 1977 é assassinada em Buenos Aires a militante anarquista Patricia Silvia Olivier Testa, conhecida como Paíta. Havia nascido em 24 de dezembro de 1952 em Buenos Aires. Criou-se em Ituzaingó (Buenos Aires). Depois de realizar os estudos secundários, matriculou-se na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Buenos Aires (UBA).

Formou casal com o estudante anarquista Luis Esteban Matsuyama Goyeneche (El Chino) e ambos militaram na Resistência Estudantil pelo Socialismo (RES), grupo estudantil e sindicalista da organização libertária Línea Anarco-Comunista (LAC), organização que se dissolveu entre 1975 e 1976; parte de sua militância integrou-se na agrupação anarquista Resistência Libertária (RL).

O RL criou-se em La Plata (Buenos Aires), com vínculos com Buenos Aires e Córdoba, e da qual fizeram parte destacados anarquistas argentinos e uruguaios exilados, como Rufino Almeyda, Rita Artabe, Ether Biscayart de Tello Fernando López, Elsa Martínez, Elvi Mellino, Raúl Olivera, Hernán Ramírez Achinelli, Marcelo Tello, Pablo Tello, Rafael Tello, etc. Com Luis Matsuyama, a partir de 1975 trabalhou como desenhista técnica na empresa Techint e viviam no número 5.810 da Rua Corrientes, no bairro de Villa Crespo de Buenos Aires, lugar de reunião da militância.

Em consequência da detenção e assassinato em 8 de abril de 1977 da irmã de Luis, Norma Matsuyama (grávida), seu companheiro Eduardo Testa e Adriana Gatti Casal (grávida) no bairro de Agronomia de Buenos Aires, os três militantes do grupo Montoneros e da União de Estudantes do exército da ditadura cívico-militar pode saber seu endereço. Patricia Olivier e Luis Matsuyama foram sequestrados em 11 de abril de 1977 em seu domicílio de Buenos Aires e, após sofrer torturas na Escola de Mecânica de Armanda (ESMA), desaparecidos.

Em 27 de maio de 2017 colocou-se um azulejo comemorativo em sua recordação a poucos metros de sua residência em um ato organizado pelo grupo Barris pela Memória e Justiça de Villa Crespo.

ALEN

Fonte: https://pacosalud.blogspot.com/2026/04/patricia-olivier.html

Tradução > Sol de Abril

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Em câmera lenta
preguiça na imbaubeira
passa a outro galho.

Anibal Beça