[Holanda] A Feira do Livro Anarquista Amsterdam 2021 acontecerá nos dias 27 e 28 de Novembro

Estamos de volta na 5ª Feira Anarquista do Livro em Amsterdam! A Feira do Livro acontecerá nos dias 27 e 28 de Novembro de 2021 em Dokhuis (Plantage Doklaan 8). Isso mesmo! Serão dois dias inteiros de estandes e workshops de coletivos anarquistas de toda a Holanda e países vizinhos. Vai ser ótimo!

No ano passado vimos muitos desafios para a organização política, mas ao mesmo tempo permitimos muita reflexão sobre o poder duradouro dos movimentos de resistência, bem como o florescimento e a expansão do pensamento radical. Esperamos usar a Feira do Livro Anarquista para controlar, mobilizar e aprender com essa resistência crescente, bem como estender nossa rede cada vez maior de camaradas e lutas mútuas.

Vamos aprender como destruir os sistemas capitalistas ecocidas, patriarcais e coloniais que dominam o mundo. Afinal, o conhecimento é poder! Você está procurando por camaradas? Venha para a Feira do Livro Anarquista de Amsterdam! Você está procurando por livros e zines anarquistas? Teremos tudo isso e muito mais: roupas, botons, editoras, distribuição, workshops, palestras e comida vegana! Venha nos conferir!

Mais informações sobre a participação em coletivos, estandes e workshops, bem como a logística do dia em si, serão compartilhadas em breve! Fique atento para mais informações!

Quer ajudar? Ainda estamos procurando pessoas que queiram ajudar como voluntários durante o evento. Animado? Por favor, envie-nos um email!

Plantage Doklaan 8, 1018 CM Amsterdam – Holanda

anarchistbookfairamsterdam@riseup.net

anarchistbookfairamsterdam.blackblogs.org

Instagram: @anarchistbookfairamsterdam

Facebook: Anarchist Bookfair Amsterdam

Tradução > GTR@Leibowitz__

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A folha se vai
embarca em qualquer som
rio abaixo.

Masatoshi Shiraishi

Lançamento: “Nas Entranhas da(s) Cidade(s)”, de Cleber Rudy

Considerações sobre o movimento squatter no Brasil. Movimento este, que na senda da contracultura européia dos anos 60, manifestava ressonâncias no meio urbano brasileiro, décadas depois através das perspectivas anarco-punks, que projetavam alternativas a organização urbana capitalista, a partir da “expropriação” de casas e demais espaços desocupados ou abandonados.

Nas Entranhas da(s) Cidade(s)

Cleber Rudy

24 páginas

R$ 6,25

editora@monstrodosmares.com.br

monstrodosmares.com.br

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Saudades da amada —
Caem flores de cerejeira
às primeiras luzes.

Kaya Shirao

Novo vídeo: O Fim do Brasil

Bandeiras do Brasil e camisetas da seleção brasileira dominam as manifestações da extrema-direita. Enquanto nas manifestações da esquerda, até aparece uma ou outra bandeira do Brasil, ainda solitárias em meio a uma diversidade de bandeiras de todas as cores.

Entretanto, alguns setores da esquerda sugerem que devemos nos “reapropriar” dos símbolos nacionais.

Mas esses símbolos alguma vez foram nossos?

Neste vídeo levantamos o que de fato é o Brasil. Quem criou este projeto? Com que intenção? E a quem ele serve hoje?

>> Veja o vídeo aqui:

https://antimidia.org/o-fim-do-brasil/

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A lua fria —
Sobre o templo sem portão,
O céu tão alto.

Buson

[Portugal] Memórias de Abril: a autogestão das empresas pelos trabalhadores, à margem dos patrões e dos comissários políticos

A seguir ao 25 de Abril de 1974 dezenas e dezenas de fábricas entraram em regime de autogestão. Muitas porque os patrões as abandonaram e ameaçaram mesmo levar as máquinas; outros porque os trabalhadores as ocuparam devido à deficiente gestão patronal que, em geral, acumulavam salários em atraso. Por todo o país sucederam-se as ocupações de fábricas, ainda antes das ocupações de terras. Foi um movimento generalizado que demonstrou as virtualidades da auto-organização operária. De referir que muitas destas empresas autogestionadas tinham uma parcela muito importante de mulheres, já que foram muitas as empresas da área do têxtil e das confecções que encetaram processo de luta no período inicial pós-25 de Abril. Uma dessas empresas foi a Sogantal. O libertário José Maria Carvalho Ferreira acompanhou este processo e relatou-o nas páginas duma pequena publicação (“O Futuro era Agora”) destinada a assinalar os 20 anos do 25 de Abril e que recolheu diversos testemunhos de militantes de diversas áreas políticas. Entre os jornais que se fizeram eco deste movimento à margem dos patrões e dos comissários políticos e sindicais estiveram na primeira linha “A Batalha” e o “Combate” (o 1º número com um grande destaque sobre a luta das trabalhadoras da Sogantal), um jornal que se destacou pelo apoio às lutas autônomas dos trabalhadores (e que, nesta mesma publicação, é objeto de um artigo do Júlio Henriques, que fez parte do seu corpo redatorial).

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://vermelhoenegro.blogs.sapo.pt/memorias-de-abril-a-autogestao-das-5177

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Primeira neve —
Este velho penico
É meu maior tesouro.

Issa

Opinião | Não é Uma “Conspiração”, é Uma Orquestração

Dia desses conversei longamente pelo wapp com uma amiga francesa e, como não poderia deixar de ser, o assunto da pandemia ocupou o primeiro plano da conversa. Em resumo, ela relatou os seguintes eventos da realidade da França, no que concerne a esta situação:

– Ela, tem conhecimento de vários casos de jovens que estão padecendo com efeitos adversos sérios dos “imunizantes” (ela é musicista e atua como professora em escolas também), bem como de mulheres com sérias alterações do ciclo menstrual pelo mesmo motivo;

– O senado francês rejeitou um projeto de lei (proposto pelo Partido Socialista: sempre os “progressistas”) que visava tornar obrigatória a “imunização” na França, alegando (o senado) que ninguém pode ser obrigado a se submeter a um procedimento experimental, e que a França tem uma tradição de respeito às liberdades individuais; porém, mesmo assim, os governos locais continuam impondo políticas de passaporte sanitário aos seus cidadãos;

– Muitos profissionais da saúde na França estão sendo demitidos por se negarem a tomar os “imunizantes” experimentais;

– Ela teve a doença, contraindo a variante Delta, e mesmo não sendo “imunizada”, tomou uma dose de emergência de vitamina D (prescrita pelo seu médico) e logo começou a apresentar melhoras no seu quadro;

– Ela conhece muita gente “imunizada” que está adoecendo seriamente durante esta nova onda mais contagiosa e letal que está assolando a Europa agora;

– Entre as políticas de biocontrole que estão sendo empregadas agora pelo governo francês  para constranger os cidadãos a se submeterem aos “imunizantes” experimentais, está a de instalação de câmeras de reconhecimento facial nas ruas para “rastrear” “não imunizados” circulando em público.

Nossa conversa se estendeu até outras situações “paralelas” que estão se configurando no panorama político econômico da União Europeia agora, tais como os fatos de que, “coincidentemente” ou não, este período da pandemia está ensejando o avanço de políticas financeiras de substituição tendencialmente total do uso de moeda “material” pelo uso de moeda eletrônica, algo que está inclusive formalmente previsto nos documentos estratégicos da União Europeia e que permitirá o desenvolvimento de um sistema de controle total sobre a vida financeira dos cidadãos.

Ao ouvir meu relato sobre os processos bastante similares que estão ocorrendo no Brasil durante este período, ou seja, sobre a “vista grossa” que as autoridades estão fazendo com relação ao acúmulo de casos de reações adversas das vacinas; sobre o pouco caso das autoridades com relação às estratégias terapêuticas “alternativas” de sucesso que vêm sendo adotadas por vários profissionais da saúde; sobre a imposição das políticas de passaporte sanitário e de demissão de trabalhadores não “imunizados”, mesmo isto sendo inconstitucional; minha amiga comentou: “e quando a gente fala com outras pessoas sobre a estranheza de toda esta convergência de formas de ação estratégica em sociedades tão diferentes, elas dizem que isto é ‘teoria da conspiração’.” Ao que eu respondi: não é uma conspiração, porque conspiração pressupõe que todos os atores envolvidos estão perfeitamente cientes de tudo. É uma orquestração: uma situação em que se criou condições, através do controle sobre as instituições de “liderança” internacional (nesse caso, a OMS, os grandes laboratórios de produção farmoquímica e as grandes corporações midiáticas), para atuarem como “maestros” que conduzem a execução das ações dos demais “atores” desta “sinfonia”.

“Que as bruxas existem, existem.”

Vantiê Clínio Carvalho de Oliveira

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Trovão —
Ontem a leste,
Hoje a oeste.

Kikaku

 

[Filipinas] Espaço anarquista completa 11 anos de existência

Etniko Bandido Infoshop e Centro de Recursos Comunitários

Um laboratório para projetos e ideias libertárias. A Etniko Bandido Infoshop tornou-se um espaço para um tipo diferente de evento comunitário, e abriga atividades como oficinas, exibições de filmes, exposições, reuniões, mini shows musicais e outros encontros. Nossa dedicação e paixão aos projetos comunitários e às iniciativas guiadas por valores continuará. Promovendo o antiautoritarismo, a ajuda mútua, a cooperação voluntária, o horizontalismo e a cultura do Compartilhamento.

Neste dia especial, conseguimos organizar uma pequena reunião com nossos amigos. Por volta das 16h, levamos a mesa para fora e preparamos os legumes que seriam doados à comunidade, como parte da iniciativa da Buting Community Free Shop & Pantry. Em seguida, continuamos a atividade no interior da loja.

Mais tarde, tivemos uma apresentação improvisada do Ju, que leu e distribuiu cópias de seu zine. Em seguida, uma introdução informal aos zines “Ang Mg Lumpen ng Bangkusay” [“Os Lumpen de Bangkusay”, em tradução livre do filipino], que abordam as histórias de vida dos Lumpen, os chamados párias, pessoas desorganizadas e desimportantes para a sociedade. As publicações também foram inspiradas pelo guerreiro anticolonialista Macario Sakay (1º de março de 1878 – 13 de setembro de 1907), um general filipino que participou da Revolução Filipina de 1896 contra o Império Espanhol e da Guerra de Independência das Filipinas. Após os Estados Unidos terem proclamado o fim da Guerra em 1902, Sakay continuou resistindo e liderando ações de guerrilha.

A discussão prosseguiu enquanto compartilhávamos as comidas e bebidas postas na mesa. Reuniões pequenas como esta aliviam o tédio e o isolamento após um longo ano de restrições e lockdowns, devido à crise da pandemia. Questões de saúde mental, como ansiedade e depressão, tornaram-se experiências comuns por aqui. Não sabemos quando isso vai terminar porque a incompetência do governo em lidar com a situação sanitária também é uma crise.

Somos gratos a todos os amigos que apoiaram e participaram da celebração dos nossos 11 anos como um espaço autônomo ainda em atividade e com envolvimento direto em diversas questões sociopolíticas e ações comunitárias.

Com amor e rebelião incessante – EB.

Fonte: https://etnikobandidoinfoshop.wordpress.com/2021/09/16/11th-years-of-existence/

Tradução > Peixe

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/04/15/ajuda-mutua-nao-caridade-nas-filipinas-marco-de-2021-apoiando-motociclistas-de-triciclo-e-operadores/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/01/30/filipinas-um-apelo-para-fundos-solidarios-energia-solar-movel-autonoma-tekp/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/06/11/filipinas-um-pedido-de-solidariedade-internacional-para-as-iniciativas-de-resistencia-autonoma-e-do-food-not-bombs-pelo-mundo/

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Nos fios do poste
Andorinhas se empoleiram
Vendo o pôr-do-sol

Igor

[Itália] A Sibilla prevê a tempestade?

Na madrugada de 11 de novembro, várias buscas foram conduzidas em diversas cidades italianas e seis camaradas foram notificados com medidas cautelares: prisão para Alfredo, prisão domiciliar para Michele e obrigatoriedade para permanecer no local e informar as autoridades de sua localização três vezes por semana para quatro outros camaradas.

Os camaradas são suspeitos de crime do Artigo 270 bis (associação subversiva com propósitos terroristas e subversão da ordem democrática) para a concepção, edição, impressão e disseminação, incluindo via computador e ferramentas telemáticas, do jornal anarquista “Vetriolo”, por escritas em paredes com conteúdo considerado ultrajante e instigador e por um episódio de danos físicos. Também foram acusados com o Artigo 414 (incitação ao cometimento de crimes) por produzir e disseminar comunicados contendo incitação ao cometimento de crimes contra o Estado com o propósito de terrorismo e subversão da ordem democrática. Dois web sites de contra-informação, roundrobin.info e malacoda.noblogs.org, foram obliterados porque foram considerados um fator agravante ao crime específico de incitação (por meio de instrumento digital).

A investigação tem início no ano 2017, em Milão, desde o começo da experiência editorial do jornal, então passada ao escritório do procurador de  Perugia até hoje, e revisões do conteúdo da propaganda anarquista, de artigos que são declarados perigosos por sua efetividade comunicativa e a propagação da ideia radical.

Este não é um ataque à liberdade de imprensa e ideias. O Estado está fazendo seu trabalho de controlar e gerenciar seu inimigo interno para manter sua autoridade, e publicações que resolutamente afirmam certo tipo de conteúdo que enfraquece seus interesses são claramente atacados, como historicamente acontece. No atual regime democrático e tecnocrático, caracterizado por uma virada autoritária, os restos ‘permitidos’ são confinados entre os limites de manter os lucros econômicos e capitalistas da produção e consumo. Como é evidente nas piazzas da dissidência atual contra as imposições políticas e de saúde, o limite do permissível é definido pelas instituições e os limites da liberdade de protesto está sendo crescentemente restringido.

Qualquer pessoa que decide abertamente publicar um jornal como “Vetriolo”, apoiando e dando voz a anarquistas e revolucionários encarcerados, está ciente da repressão que seguirá, com investigações laçadas em tons sensacionalistas. Mas isso não significa que iremos reclamar sobre a falta de ‘liberdades’ de expressão e de imprensa democráticas, as quais de fato nunca existiram.

Os investigadores argumentam que é a efetividade da mensagem que determina a infração 414. Assim, além do conteúdo em si, há o modo como pode ser recebido, atenuado em tempos de tensão social; por exemplo, quando um certo tipo de conteúdo é mais vastamente compartilhado. Uma distorção pode ser detectada na narrativa policial, nomeadamente que uma imediata relação direta de causa e efeito caracteriza propaganda e ação. Essa é uma simplificação banal. Ideias anarquistas fizeram seu caminho pela sociedade em diferentes períodos históricos e de diferentes maneiras, iniciando atos coletivos e individuais, feitos que caracterizaram as lutas pela libertação dos oprimidos, iluminando pensamentos em uma relação de reciprocidade e união, não em uma relação estática de causalidade, detectável pelos códigos interpretativos da jurisprudência.

Da mesma forma que o espaço Circolaccio Anarchico, em Spoleto, definiu a sede organizacional da associação, foi também criminalizado. Certamente a atividade promovida pelo espaço, mesmo em tempos de isolamento, como os inúmeros eventos da luta contra o gasoduto Snam, as discussões contra o passe verde e políticas de emprego e as análises da crise do Oriente Médio, sempre estimularam o espírito da crítica e encorajaram o pensamento livre, e é então considerada potencialmente perigosa.

Um dos aspectos mais notáveis dessa investigação, depois do fechamento de espaços e da tentativa de desmantelamento de jornais e sites anarquistas, é a persistência com a qual o Estado está perpetuando sua coerção vingativa em ativistas encarcerados que mantêm vivas suas ideias anarquistas e revolucionárias. Os esforços constantes para isolar camaradas encarcerados e promover falta de solidariedade são provas disso. Nessa investigação, é aplicada a medida de prisão preventiva de Alfredo Cospito, já encarcerado desde 2012: uma punição em uma tentativa de desencorajar suas convicções, também um alerta para todos os presos que, longe da lógica de se distanciar de ideias e práticas anarquistas, mantêm sua dignidade, convicção e determinação vital. Outras tentativas desonestas foram feitas recentemente contra camaradas encarcerados nesse mérito, como a notificação na prisão de Messina de um novo 270 bis para Anna em fevereiro de 2021, basicamente pela perda da guarda carcerária de um disco rígido durante sua transferência.

É evidente que aqueles que dão suas vidas ao anarquismo e continuam a resguardar suas posições dão um tapa na cara do poder e continuam a fazê-lo. A intransigência do camarada Alfredo é atacada em uma tentativa de silenciá-lo ao acusá-lo com a infração 414 por uma contribuição enviada à iniciativa anti-prisão de Bure, na França, em março de 2020, uma contribuição enviada à assembleia anti-prisão em junho de 2019 em Bologna e para a entrevista “Which International?” (“Que Internacional?”).

Reiteramos nossa solidariedade e proximidade para nosso camarada Alfredo.

Expressamos nossa proximidade a todos [e todas] sob investigação.

Os órgãos de poder podem reprimir e encarcerar os indivíduos que resistem às autoridades, mas o demônio da revolta continuará a assombrar seus sonhos de paz social.

A guerra social está de pé, entre o Estado, capitalismo e seus inimigos…

A LUTA CONTINUA!

Alguns dos suspeitos e camaradas, em solidariedade.

Fonte: https://malacoda.noblogs.org/post/2021/11/14/la-sibilla-prevede-tempesta/

Tradução > Sky

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As campânulas
Se espalham pelo terreno —
Casa abandonada.

Shiki

Lançamento: “Anarquismo e gastronomia: a utopia intensa de unir fogões, barricadas, prazer e liberdade”, de Nelson Mendez

O ensaio explicita como, desde o século XIX, a partir de publicações como A conquista do pão de Piotr Kropotkin, a gastronomia foi uma preocupação vital para os anarquistas. Todavia, Nelson Mendez vai adiante e mostra como a maneira singular dos libertários lidarem com a comida se ampliou ao longo do século XX, desde as armações naturistas irrompidas nas primeiras décadas, passando pelas coletivizações de fábricas na Espanha, em 1936, e por desdobramentos liberadores de 1968 em todo o planeta. Por fim, o autor cita exemplos de experimentações anarquistas gastronômicas no presente, atualizando essa perspectiva que associa ao combate pela anarquia o prazer de comer livremente.

Anarquismo e gastronomia: a utopia intensa de unir fogões, barricadas, prazer e liberdade

Nelson Mendez

23 páginas

R$ 6,00

editora@monstrodosmares.com.br

monstrodosmares.com.br

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/09/espanha-lancamento-gastronomia-y-anarquismo-de-nelson-mendez/

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nuvem que passa,
o sol dorme um pouco –
a sombra descansa

Carlos Seabra

[Bielorrússia] Julgamento de quatro anarquistas acusados de terrorismo foi realizado a portas fechadas

Apenas cerca de 15 pessoas – parentes dos réus e representantes da mídia russa – tiveram permissão para entrar no tribunal.

Em 15 de novembro, o tribunal regional de Minsk ouviu o processo criminal contra os anarquistas Dzmitry Dubouski, Ihar Alinevich, Syarhei Ramanau e Dzmitry Rezanovich.

O juiz Vyachaslau Tuleyka decidiu realizar o julgamento a portas fechadas. Apenas parentes próximos e representantes da mídia russa foram permitidos no local. O restante das pessoas não foi autorizado a entrar, porque “não há mais lugares”, segundo foi alegado.

Os réus foram detidos no último dia 28 de outubro perto da fronteira com a Ucrânia. O Ministério de Assuntos Internos informou que apreendeu duas armas de fogo com munição, uma granada de mão, uma pistola Traumatic com munições, armas brancas e latas de gás de pimenta, uniformes e mochilas de estilo militar, tendas, pá de sapador, machado, lanternas, laptops e tablets, rastreadores GPS, gravadores de vídeo, câmeras fotográficas, pen drives, cartões SIM da operadora móvel ucraniana, equipamento de comunicação de rádio com fones de ouvido ocultos, roupas e equipamentos especiais, cartões bancários, dinheiro em diferentes moedas. O Comitê de Segurança do Estado acredita que o grupo de Alinevich é responsável pelo incêndio criminoso da Inspetoria Estadual de Automóveis em Mazyr e dos carros do Ministério Público em Salihorsk.

Todos os quatro são acusados de “ato de terrorismo” (Parte 2 do Artigo 289 do Código Penal) e “tráfico ilegal de armas” (Parte 2 e Parte 4 do Artigo 295 do Código Penal). Ao mesmo tempo, Alinevich e Dubouski também são acusados de “movimento ilegal transfronteiriço de substâncias proibidas” (Parte 1 do Artigo 333). (parte 1 do artigo 333-1 do Código Penal).

Fonte: https://belsat.eu/en/news/16-11-2021-trial-of-four-anarchists-held-behind-closed-doors/

Tradução > Amós Rocha

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/11/04/quatro-anarquistas-detidos-na-fronteira-da-bielorrussia-por-acoes-diretas/

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A flor
Da beira da estrada
Foi comida pelo cavalo.

Bashô

X Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre (RS) começa nesta sexta

|| A X Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre (RS) inicia nesta sexta-feira (26) e vai até o dia 28. ||

Atividade de Abertura da Feira. “O horizonte anarquista”. Sexta Feira, 26 novembro, Brooklim, viaduto da João Pessoa, 19 horas.

Nossa passagem pelo mundo, enquanto anarquistas e anárquicos, precisa deixar uma pegada que mantenha acesas duas vontades fundamentais para viver sem opressões: Destruir o Estado, e construir uma vida livre de todo tipo de tiranias e dominações. Reconhecendo que o Estado, neste continente, significa uma instituição que se justifica na permanente omissão, menosprezo e posterior assimilação de qualquer outra forma de convivência coletiva, ou seja, no apagamento progressivo de qualquer possibilidade.

Num cenário em que essas diminuídas possibilidades de luta contra a normalidade imposta anunciam cair, novamente, no engano coletivo das eleições e da saída institucional, quais nossas ações enquanto anarquistas para provocar minimamente um cenário diferente?

>> Confira a programação completa aqui:

http://flapoa.libertar.se/?p=1580

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/11/23/confira-a-programacao-e-atividades-da-x-feira-do-livro-anarquista-de-porto-alegre-rs/

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Noite na cabana —
Um grilo na prateleira
Procura por algo.

Issa

[Argentina] Víctor Goldgel: “A mídia segue pensando nas pessoas anarquistas como terroristas”

Em diálogo com El Destape, Goldgel apresenta seu novo romance, Modesta Dinamita (editada pelo selo Blatt & Ríos), um percurso por várias vozes pela vida de Floreal, um gráfico anarquista.

Por Ignacio Dunand | 07/09/2021

Modesta Dinamita [Modesta Dinamite] não é um romance convencional. Usando o recurso narrativo de primeira pessoa e diferentes vozes para retratar um protagonista, o escritor Víctor Godgel se dispõe a contar a história de Floreal, um gráfico¹ anarquista. Por meio das pinceladas de sua vida, refletidas em capítulos viciantes nos quais se mescla a ternura e o humor com a violência e a incerteza de viver em uma Buenos Aires em disputa, o romance oferece uma análise minuciosa do anarquismo como movimento político. Em diálogo com El Destape, o autor apresentou seu último trabalho pelo selo Blatt & Ríos.

– Qual foi a inquietação que te levou a escrever Modesta Dinamita?

Várias coisas e situações me levaram a escrever Modesta Dinamita mas o horizonte que tive em todo momento foi querer contar a história de um anarquista, de nome Floreal, com a motivação de poder entender o que foi o anarquismo como movimento na Argentina, e inclusive o que significa hoje na prática.

Tive um familiar, um tio de minha avó, que se chamava Floreal. E era anarquista. Mas isso era o único que eu sabia sobre essa corrente. O romance foi um bom processo de aprendizagem que também me permitiu imaginar como tivesse sido a vida de alguém como ele, na Cidade de Buenos Aires, na década de 1920.

– O romance é uma ficção em que convivem situações e personagens reais. Que coisas te chamaram a atenção durante o processo de pesquisa?

Realidade e ficção foram se misturando de tal maneira que, hoje em dia, me custa diferenciá-las quando volto às páginas do livro. Os pequenos detalhes me surpreenderam. Trabalhei sobre conhecimentos herdados e adquiridos que qualquer pessoa com interesses políticos tem na Argentina: Simón Radowitzky, os anarquistas expropriadores estudados por Osvaldo Bayer, o atentado a Falcón, aspectos e figuras bem conhecidas da época.

Outra coisa que me chamou atenção, por exemplo, foi o fato de que alguém como Silvio Gesell (pai fundador da Villa Gesell) tivesse uma fama enorme na Europa como pensador de certos setores de um anarquismo ligado à propriedade e à imaginação de um mundo sobre as bases de liberdades individuais e liberdade privada. A verdade é que aprendi muitas coisas escrevendo Modesta Dinamita.

– Me atraiu a decisão narrativa que você tomou: vários personagens contam a história de Floreal, o protagonista.

Quando terminei de escrever meu primeiro romance – em terceira pessoa e com uma narrativa mais linear – fiquei com a curiosidade de como seria explorar a primeira pessoa e usar múltiplos pontos de vista, algo que outros escritores que admiro sabem fazer com muito talento. Daí que me propus fazer este complicado projeto. Poder encaixar todas estas vozes me levou 10 anos. Cada uma era um  mundo, um romance inteiro. Conseguir que todas encaixem é um trabalho enorme.

– Que análise você faz do anarquismo na atualidade?

É um movimento heterogêneo que cada pessoa vive de maneira diferente. Por um lado, está a caricatura dos anarquistas. Pensam como pessoas que querem, basicamente, destruir o Estado e a sociedade pondo bombas. Essa caricatura de pensar as pessoas anarquistas como terroristas é muito recorrente na mídia. Lembro que quando Patrícia Bullrich era ministra da Segurança se utilizou muito essa imagem demonizada das pessoas anarquistas para pensar no ativismo Mapuche. De fato, há pouco circulou em Viedma um panfleto que falava de “anarco mapuches”.

Por outro lado, estão as pessoas que se inspiram em princípios anarquistas para organizar sua atividade política. Desde organismos como a Coordinadora contra la Represión Policial e Institucional (CORREPI), que tem como princípio básico se manter com uma distância absoluta com respeito ao Estado, até pessoas que levam o anarquismo à prática pedagógica em aulas e propõem junto às/aos estudantes a melhor maneira de se organizar.

[1] Aqui escolhemos a palavra “gráfico” para traduzir o original “imprentero”. A imprenta no idioma espanhol, significa a prensa ou a gráfica, no sentido de impressora de jornais, livros, etc.

Fonte: https://www.eldestapeweb.com/cultura/entrevistas/victor-goldgel-los-medios-siguen-pensando-a-los-anarquistas-como-terroristas–2021972170

Tradução > Caninana

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/10/15/anarquistas-de-acao-na-historia-argentina/

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saúda o dia
no horizonte a chuva
bons ventos em flor

Rita Schultz

[Portugal] Vídeo | Entrevista de Chomsky à RTP. Um olhar crítico sobre o mundo atual

Em entrevista à RTP, Noam Chomsky lança um olhar sobre o mundo atual: ameaçado pela pandemia, pelas alterações climáticas, por uma nova corrida às armas nucleares. Lança também um olhar sobre a política norte-americana: 20 anos a ocupar o Afeganistão, uma retirada desastrosa, um populismo que ameaça voltar à carga depois do putsch falhado de 6 de janeiro.

Noam Chomsky afirma, aos 92 anos, que o maior sucesso duma vida de ativismo político foi ter contribuído com outras pessoas para o fim do genocídio do povo maubere e para a independência de Timor-leste.

>> Veja o vídeo aqui, legendas em português de Portugal:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/entrevista-de-chomsky-a-rtp-um-olhar-critico-sobre-o-mundo-actual_v1357883

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trigo dourado
pelas mão do vento
é penteado

Carlos Seabra

 

Confira a programação e atividades da X Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre (RS)

>> Sexta-feira 26 de Novembro. Brooklim, viaduto da João Pessoa, 19 horas:

Atividade de abertura da X Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre.

Roda de conversa e debate: O horizonte anarquista.

>> Sábado 27 de Novembro. Sede da Escola de Samba Acadêmicos da Orgia, Av. Ipiranga 2741.

09:30: Yoga para Subversivos

10:00: Bora? Anarkia na Estrada

11:15: Técnicas de Defesa Pessoal a partir do Jiu-Jitsu

12:30: Pausa para o almoço com

Restaurante Antiespecista  AURORA.

Durante a pausa se projetará o Primeiro bloco de vídeos da Antimídia: Sessão sobre abolicionismo penal com os vídeos: Pelo Fim da Polícia e Pelo Fim das Prisões.

14:30: Reaja ou Será Morta, Reaja ou Será Morto. Uma troca de idéias sobre a dominação, o encarceramento, o racismo e a luta contra as prisões. Vídeo Conferência desde a Bahia.

16:00: Apresentação dos livretos: A sociedade contra o Estado, de Pierre Clastres. A sociedade afluente original, de Marshall Sahlins e Fundamentos da civilização,  pela Editora Contraciv

17:00: Apresentação do livro pela Barricada de Livros, desde Portugal.

18:00: Roda de conversa: Saúde e doença como justificativa para o condicionamento social,  Equipe de Urgências e Emergências.

19:00: Segundo bloco de vídeos da Antimídia. Sessão decolonial com os vídeos: Queimar Igrejas e Derrubar Estátuas e “Pelo Fim do Brasil”.

19:30. Som com as bandas: Revolta, (R)existência Miserável, Xirupank, Crua, e desde Santa Maria: Cunumi e Esmurrugador.

Atividades que estarão ocorrendo permanentemente ao longo do dia:

Solidariedade A flor da Pele. Flash Tattoo

Estação para treinamentos de Primeiros Socorros (reanimação cardiovascular e preservação de vias aéreas) com materiais DIY.

Exposição de Fotos de Alass Derivas: Barricada, Revolta e Resistência contra o racismo multinacional do capital.

Pirata de Prata. Fliperama Itinerante.

Atividades para crianças.

Bancas de publicações e criações anarquistas.

>> Domingo 28 de Novembro, desde as 10 hs até as 19:30 hs,

Praça do Aeromóvel, Gasômetro:

10:30. Apresentação do Livro: Foge Cara Foge, Xosé Tarrío.

11:00. Apresentação dos livretos: Memória Combativa Edições Crônica Subversiva, por A. G.

Atividades que estarão ocorrendo permanentemente ao longo do dia:

Feira do Livro com bancas de publicações e criações anarquistas.

Feira de Sementes Crioulas.

Atividades para crianças.

Exposição de Fotos de Alass Derivas: Barricada, Revolta e Resistência contra o racismo multinacional do capital.

flapoa.libertar.se

agência de notícias anarquistas-ana

Acenda o fogo.
Que lhe mostro algo legal —
Uma grande bola de neve.

Bashô

[Grécia] Vídeo: Ataques a bancos | Solidariedade com G. Kalaitzidis e N. Mataragkas

Com um julgamento baseado em uma acusação infundada que começou em 13 de outubro, continuou em 29 de outubro e está chegando ao fim em 25 de novembro, o Estado está tentando colocar em prática as decisões que há muito tomou sobre o que quer fazer com aqueles que estão lutando. Especialmente quando a luta que eles estão travando é contrária aos seus interesses.

Mas estamos ao lado daqueles que estão lutando e, como sinal de solidariedade, realizamos ataques a dois bancos, o Banco Nacional em Egaleo e o Banco Alfa em Ilioupoli.

NINGUÉM SOZINHO NAS MÃOS DO ESTADO

SOLIDARIEDADE COM G. KALAITZIDIS E N. MATARAGKAS

Solidariedade

>> Clique aqui para ver o vídeo:

https://athens.indymedia.org/post/1615506/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/10/28/grecia-ataque-contra-filial-do-banco-nacional-efka-em-kifissia-solidariedade-com-giorgos-kalaitzidis-e-nikos-mataragkas/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/10/22/grecia-as-testemunhas-do-julgamento-denunciam-a-orquestracao-do-estado-contra-os-anarquistas/

agência de notícias anarquistas-ana

Ao derreter-se a neve,
A aldeia se enche
De crianças!

Issa

[Itália] Operação Sibilla | SEMPRE AVANTE! Solidariedade com os recalcitrantes!

“…O uso que está sendo feito da acusação de instigação, seja ela usada “em pureza” ou como “condimento” para outras acusações, é indicativo porque visa quebrar o vínculo entre a ação revolucionária e a propaganda das ideias que ela suscita e apoia, procurando assim nos empurrar a baixar nossas convicções assim como nossos modos de expressão“…  (Vetriolo N°6)

Com estas poucas linhas queremos expressar toda nossa solidariedade e proximidade aos companheiros anarquistas presos e investigados pela enésima investigação lançada pelo Ministério Público de Perugia, que desta vez é chamada de “Operação Sibila”.

As investigações realizadas pelos Carabinieri do R.O.S., por ordem do Ministério Público de Perugia, na pessoa de Manuela Comodi, concentram-se em particular no jornal anarquista Vetriolo.

Os companheiros estão sendo investigados, em vários casos, pelos delitos de instigação ao crime e instigação ao crime agravado para fins de terrorismo e subversão da ordem democrática, bem como de associação genérica. Seis são as medidas de precaução decretadas, quatro obrigações de permanência [obblighi di dimora] e de assinatura, uma de prisão foi notificada ao companheiro anarquista Alfredo Cospito já preso por outros procedimentos, e prisão domiciliar com restrições e pulseira eletrônica para a companheira anarquista Michele Fabiani.

Como anarquistas, certamente não esperamos que o poder nos trate com luvas de veludo branco, já o sabemos há muito tempo, já que o sistema Estado-Capital Global procura se livrar de quem não aceita em sua pele as causas e consequências deste sistema mortal, somos cientes disso, estamos bem cientes disso desde o momento em que tentamos colocar em prática o pensamento anarquista.

Acreditamos que é importante não ficar em silêncio, um silêncio que, em uma época de forte pacificação social e extrema “politização” das lutas (no sentido mais desprezível), facilitaria o trabalho que o poder faz diariamente para isolar e criminalizar todos aqueles que não se submetem a suas regras. Diante do apodrecido espetáculo da realidade e da evidente regressão cultural e moral dos indivíduos e das relações humanas em todas as esferas da existência, não pretendemos permanecer inertes. Ontem como hoje, portanto, estamos e estaremos em guerra aberta contra o sistema de dominação estatal, capitalista, tecnológico e religioso em todas as suas formas e manifestações, e quaisquer que sejam os governos que o compõem, sejam eles democráticos ou ditatoriais (ou como quer que se definam ou se organizem), estaremos sempre lá para combatê-los com ferro e fogo desde suas próprias fundações.

Expressamos mais uma vez nossa total e incondicional cumplicidade e afinidade com todos os companheiros presos e investigados, com o espaço “Circolaccio Anarchico” e com a redação do jornal anarquista Vetriolo.

Michele e Alfredo, livres!

Anarquistas sardenhos

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agência de notícias anarquistas-ana

Venerável
É quem não se ilumina
Ao ver o relâmpago!

Bashô

Democracia: A ilusão da liberdade por Mikhail Bakunin

Democracia é um regime político que nasceu na Grécia Antiga. Sua etimologia provém do prefixo “demo” que significa povo, e “cracia” governo.  A partir deste ponto, possuímos uma ideia iminente de como funcionaria este governo do povo. Como citado na charge da Mafalda, democracia é a forma de governo no qual a soberania é exercida pelo povo, entretanto, na democracia contemporânea, pouco funciona assim. Mikhail Bakunin, em A ilusão do sufrágio universal, cita que o estabelecimento da democracia garantiria a liberdade do povo, uma vez que os poderes emanam diretamente de uma eleição popular, os governantes assim elegidos não representam a liberdade e o bem-estar da população? A resposta para essa provocação pode-se encontrar no livro O Príncipe de Maquiavel.

Através de sua escrita, Maquiavel ensina a forma como um governante deve se portar diante do povo, entretanto, esse governante não deve agir com todos os princípios “bons”. Ao se candidatar ao poder, esse governante deve criar uma imagem atendendo as expectativas do que a população quer, mesmo ele não representando verdadeiramente a figura que ele criou. A partir disso, quem tiver mais poder sobre o povo, terá mais domínio sobre os votos.

Caso esse governante seja eleito, a população não consegue fiscalizar as ações prometidas inicialmente por ele, ou saber se ele está realmente cumprindo o papel de beneficiar os direitos das camadas mais populares. Ainda em O Príncipe, Maquiavel diz que o governante, se possível, deve ser amado e temido pelo povo, mas caso haja uma escolha, a melhor escolha é ser temido. Em suas palavras, o governante “deve firmar suas decisões como irrevogáveis e manter sua posição de modo que ninguém consiga enganá-lo nem fazê-lo mudar de opinião”. Para Bakunin, essa dominação é um sentimento de superioridade fruto de uma elevação de postos.

Bakunin, ainda em A ilusão do sufrágio universal, dá um exemplo da diferença entre a classe governante e a massa dos governados. A classe governante representa a burguesia. O poder está nas mãos da burguesia, e é o povo, operários e camponeses que obedecem. Com esse tipo de dominação e poder concentrados na mão daqueles que não fazem parte do povo, como pode a burguesia expressa nas leis e no governo, o sentimento presente na massa dos governados?

Contudo, na época de eleições, mesmo a burguesia sendo orgulhosa e separada como é do povo – se tiver ambição política – deve-se curvar a massa dos governados, ou seja, a Soberania Popular. Terminadas as eleições, o povo volta ao trabalho e continua ignorante na maioria dos problemas. O controle exercido pelos eleitores aos seus representantes eleitos é pura ilusão, “uma vez que no sistema representativo, o controle popular é apenas uma garantia de liberdade do povo, e é evidente que tal liberdade não é mais do que ficção.”

Na busca cada vez mais acirrada pela dominação através do poder, muitos governantes tendem a usar as redes sociais como um meio de manipulação, já que a sociedade se encontra cada dia mais ligada e presente virtualmente.

O filósofo Leandro Karnal, em resposta a uma pergunta sobre o poder das redes sociais, diz que cada vez mais estamos gritando para sermos observados e que ouçam a nossa opinião. Karnal nos dá um exemplo de quando batemos centenas de fotos em uma viagem e as postamos nas redes: essas fotos não serão vistas por ninguém ou serão vistas por cinco mil amigos de Facebook que não irão ver as fotos, mas apenas sentirão inveja da observação que estaríamos atraindo. Ele cita isso como um problema que o preocupa, pois a realidade virtual está se sobressaindo a real. Ainda, Karnal cita Hamlet, e é esse vazio que Hamlet estranharia.

Com essa reflexão, temos uma ideia da manipulação política cada vez mais crescente através das redes sociais. Essa manipulação é imprimida com a ideia de que irão fazer aquilo que o povo supostamente quer. Entretanto, o povo não possui um certo conhecimento sobre o assunto e, mesmo assim, compartilham essas ideias em suas redes, criando um ciclo de mentiras que são observadas por outros e passadas adiante.

Essa conexão da dominação de classes pelo poder através da ideia de “democracia”, é observada por Mafalda em seu quadrinho, pois quando ela lê o significado do que é um regime político democrático, ela ironiza-o, pois assim como Bakunin diz, tudo não se passa de uma ilusão que não garante verdadeiramente a liberdade do povo.

Milene Maeda

Fonte: https://falauniversidades.com.br/democracia-a-ilusao-da-liberdade-por-mikhail-bakunin/

agência de notícias anarquistas-ana

Joaninha caminha
no braço da menina.
Olhar encantado.

Renata Paccola