[Chile] Sobre a situação de saúde do companheiro Juan Aliste Vega, por Francisco Solar e Joaquín García

Foi aproximadamente no mês de fevereiro deste ano que nosso irmão e companheiro Juan Aliste Vega começou a sentir os primeiros episódios de dor – até então leves – em seu quadril esquerdo. Como sua personalidade o caracteriza, ele manteve a cotidianidade com esse pequeno incômodo, mas jamais normalizou sua existência; sabia que era uma dor anômala.
 
Com o passar do tempo e o agravamento da dor, de uma situação anômala a realidade se transformou em uma situação preocupante. Por isso, naturalmente, ele buscou atendimento no hospital penal de La Gonzalina, em Rancagua. Sem obter maiores resultados nessa abordagem, foi-lhe administrado e receitado o consumo de medicamentos como paracetamol e tramadol. Juan não ficou satisfeito, as dores não cessavam, não havia clareza sobre o problema de raiz e sua cotidianidade foi notavelmente afetada, pois essas dores geravam, logicamente, um grave problema de mobilidade. Somos testemunhas de sua preocupação e de sua insistência nesse período. Juan nunca foi um companheiro queixoso, e um – lamentavelmente – extenso período na prisão o levou a conhecer seu corpo, ponto importante para se manter firme em uma situação hostil e carente de cuidados.
 
Chegou o dia em que Juan não conseguiu se mover e teve que ser levado de urgência ao Hospital da unidade. Após uma série de negligenciamentos, realização de radiografias e médicos com má disposição, ele foi novamente encaminhado ao módulo com calmantes e soro. Algo não estava bem, todos sabíamos disso. Foi necessária uma segunda ida de urgência, naquela mesma tarde, ao hospital, para que uma nova leitura das radiografias apontasse uma possível artrite séptica no quadril; urgência pela qual foi encaminhado ao Hospital de Rancagua, onde lhe foram administrados fortes antibióticos. Naquela mesma noite, ele voltou ao módulo.
 
A partir desse momento, Juan só poderia se locomover com muletas. Sua cotidianidade estava fortemente afetada; os antibióticos só resolveram uma parte do problema, as dores persistiam, algo ainda estava ali. Apesar do quão adversa se tornou a situação em seu dia a dia, contamos com a sorte de poder apoiá-lo e, dessa maneira, tentar diminuir, ainda que um pouco, a carga sobre seus ombros. Foram e são cuidados e preocupações que acreditamos devem ser sempre oferecidos entre companheiros. Para além de qualquer código de comportamento imposto pelo ambiente carcerário, o carinho revolucionário deve sempre prevalecer sobre a apatia individualista.
 
O ponto culminante dessa situação crítica e que derivou, no princípio, em sua internação no hospital da unidade, se deu por uma dor mais forte do que o “normal” e que novamente o deixou sem poder se mover. Somente nesse instante a administração do hospital decide sua internação para que fosse reavaliado.
 
Desde esse dia não o vimos mais.
 
Apesar das dores e do quão complicada era sua situação, o companheiro sempre, em todo momento, manteve-se forte e com ânimo para enfrentar tudo o que veio sobre ele. Atitude que o caracterizou desde sempre, desde quando, ainda adolescente, decidiu enfrentar a ditadura fazendo parte do Movimento Juvenil Lautaro e, depois, como subversivo autônomo, combatendo sem pausa o capitalismo predador e aqueles que o sustentam. Fortaleza que também demonstrou nos quase 30 anos que leva na prisão por duas causas e contextos diferentes. Anos em que não hesitou em participar de diversas reivindicações anticarcerárias, mobilizações e greves, escrevendo textos solidários, agitando em prol da liberdade de outro companheiro, contribuindo com os grupos em luta que se formam nas ruas, lutando pela dignidade daqueles que nos visitam ou combatendo em cada canto desse espaço de confronto, tornando-se referência da luta anticarcerária.
 
Há mais de alguns meses, Juan encontra-se hospitalizado no Hospital Penal da ex-penitenciária de Santiago, onde tem acesso a melhores cuidados, tratamentos paliativos e, sobretudo, a uma maior proximidade e contato com companheirxs e familiares.
 
A situação do companheiro é gravíssima: múltiplos diagnósticos apontaram a existência de um tumor cancerígeno na altura do quadril esquerdo e ramificações em várias partes do corpo.
 
Ciente de sua gravidade, o companheiro, como não poderia deixar de ser, está decidido a dar a luta. Suas mensagens são de resistência e fortaleza, de luta e dignidade. E apostamos que a resposta solidária nas ruas vá no mesmo sentido. Porque é imprescindível a sintonia entre a rua e a prisão. Porque é necessário estar à altura da trajetória de Juan Aliste e agir em consequência.
 
Francisco Solar Domínguez
Joaquín García Chancks

Cárcere La Gonzalina – Rancagua
Julho de 2026.
 
Fonte: https://informativoanarquista.noblogs.org/post/2026/07/27/chile-sobre-la-situacion-de-salud-del-companero-juan-aliste-vega-por-francisco-solar-y-joaquin-garcia/
 
Tradução > Liberto
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/07/10/chile-quinze-anos-da-minha-detencao-juan-aliste-vega/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
pousada na lama,
a borboleta amarela,
com calor, se abana
 
Alaor Chaves

[Espanha] Ceuta: Os Estados jogam, a classe trabalhadora morre

COMUNICADO DA CNT ANDALUZIA, CANÁRIAS E MURCIA

O que aconteceu em Ceuta não pode ser reduzido a uma suposta “crise migratória”. É o resultado do sistema capitalista, no qual os Estados utilizam as fronteiras, os povos e a vida dos trabalhadores como instrumentos de pressão política.

O regime de Mohamed VI permitiu inicialmente que dezenas de milhares de jovens marroquinos avançassem em direção a Ceuta e só interveio quando considerou que seus objetivos haviam sido alcançados. Marrocos volta, assim, a utilizar o desespero da classe trabalhadora, submetida a uma situação de miséria e pobreza extrema, como arma diplomática, enquanto reprime o povo saharaui e protege os interesses de sua monarquia e de suas elites.

Também não se pode ignorar o cenário imperialista. Donald Trump aproveitou imediatamente a tragédia para falar de “invasão”, alimentar o racismo e defender sua política anti-imigração e de deportações. O Estado genocida de Israel aproveitou a situação em Ceuta para atacar o governo espanhol por suas posições diante do genocídio palestino e da guerra contra o Irã.

Estados Unidos, Israel e Marrocos constituem um eixo responsável por desequilibrar o cenário político de acordo com seus interesses imperialistas e criminosos, atacando e pressionando os Estados que não se submetem aos seus interesses e aos do capital. As tensões provocadas pelas relações com a Argélia, o Saara Ocidental e a recusa em utilizar Rota e Morón na guerra contra o Irã fazem parte do contexto político que envolve essa tragédia.

Diante disso, o Estado espanhol responde com exército, polícia, deportações e barreiras marítimas. Mais uma vez, é a classe trabalhadora que paga com a própria vida pelos interesses desse sistema, enquanto é culpada por sua própria situação para ocultar as estratégias imperialistas que a geram.

Os trabalhadores mortos em Ceuta não são invasores. São vítimas da pobreza, da repressão, das fronteiras e dos interesses daqueles que governam desde Rabat, Washington, Tel Aviv, Madri e Bruxelas; vítimas dos interesses do capitalismo e do imperialismo que lhe é inerente.

Desde a CNT Andaluzia, Canárias e Múrcia, transmitimos toda a nossa solidariedade e apoio às famílias e aos entes queridos das 67 pessoas falecidas. Compartilhamos sua dor e exigimos que essas mortes não sejam reduzidas a um número nem enterradas sob o silêncio institucional. Sua memória nos obriga a apontar aqueles que transformam as fronteiras e a miséria em ferramentas de poder.

Exigimos, além disso, o esclarecimento de todas as mortes, o fim das repatriações imediatas, a revogação da Lei de Estrangeiros, o fechamento dos CIE e a abertura de vias legais e seguras. Exigimos também o fechamento das bases militares de Rota e Morón e o fim da cumplicidade com a ocupação marroquina do Saara Ocidental.

Não escolhemos entre uns Estados e outros. Nossa posição é a da classe trabalhadora internacional frente a todos os governos, exércitos e capitais que transformam nossas vidas em peças de seu tabuleiro.

Contra o imperialismo, internacionalismo.

Contra o racismo, solidariedade de classe.

Contra suas fronteiras, organização e ação direta.

Nenhuma pessoa é ilegal!

As fronteiras matam e os Estados são responsáveis!

Viva a luta internacional da classe trabalhadora!

cnt.es

agência de notícias anarquistas-ana

Chuva miúda,
Desliza pelo vidro,
Mundo borrado.

Liberto Herrera

[Uruguai] Efemérides | 1º de agosto de 2017, desaparecimento e assassinato de Santiago Maldonado

O desaparecimento de pessoas foi uma política repressiva do Estado nas ditaduras do Cone Sul; a impunidade que as democracias garantiram ao terrorismo de Estado não fez senão legitimá-la e perpetuá-la.

Assim, em 1º de agosto de 2017, o jovem anarquista Santiago Maldonado foi dado como desaparecido. Santiago havia se deslocado de El Bolsón até a comunidade mapuche de Pu Lof en Resistencia, em Cushamen, para participar de uma jornada de protesto pela libertação de Facundo Jones Huala, figura de referência da comunidade mapuche que estava em luta defendendo seu território.

O bloqueio da estrada foi reprimido pela Gendarmeria e não se soube mais nada de Santiago Maldonado, que permaneceu desaparecido por 78 dias devido ao aparato repressivo comandado por Patricia Bullrich.

Santiago era um companheiro muito querido na região, já que havia se deslocado para diferentes localidades para compartilhar e apoiar suas lutas, como foi o caso de sua passagem pelo Centro Social Ocupado La Solidaria, em Montevidéu.

Durante os dias de seu desaparecimento, foram realizadas manifestações exigindo seu reaparecimento com vida em diversas localidades da Argentina, do Uruguai e do mundo, como a realizada em 1º de setembro, um mês após seu desaparecimento. No Uruguai, houve mobilizações em Rocha, Maldonado e Montevidéu, onde houve uma marcha da Praça do Entrevero até o consulado argentino, onde a imprensa relatou: “Após a manifestação, foram registrados incidentes envolvendo alguns indivíduos encapuzados que quebraram vidros e vandalizaram vitrines, inclusive as da Embaixada da Argentina.”

Em Buenos Aires, as mobilizações exigindo seu reaparecimento registraram repetidas cenas de violência, com a mídia de esquerda repetindo o discurso de que os incidentes violentos eram provocados por infiltrados da polícia. Nada mais falso: os incidentes foram realizados e reivindicados por companheiros e companheiras anarquistas de Santiago Maldonado, que arriscavam sua liberdade e integridade física exigindo a vida de seu companheiro.

Esse discurso de que todo incidente é provocado por infiltrados serve aos interesses da esquerda institucional (neste caso, o peronismo), já que os distúrbios não são aproveitados eleitoralmente, construindo assim uma imagem de que a única prática válida é a negociação entre as cúpulas políticas. Apesar disso, as práticas de ação direta e confronto com o governo deram frutos, e o corpo foi encontrado — embora o governo não tenha reconhecido seu crime — em um local onde já havia sido procurado repetidas vezes no dia 17 de outubro daquele ano.

Hoje, a memória e o exemplo de luta de Santiago Maldonado continuam vivos em todas as práticas anárquicas e nas lutas em defesa do território da região, assim como o ensinamento de que o terrorismo de Estado deve ser enfrentado sem escrúpulos, se quisermos defender a vida de todas e todos que lutam.

Fonte: https://periodicoanarquia.wordpress.com/2026/08/01/efemerides-1-de-agosto-de-2017-desaparicion-y-asesinato-de-santiago-maldonado/

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Nos bambus já escuros,
morcegos, daqui, dali,
também sem destinos.

Alexei Bueno

[São Paulo-SP] O CCS estará na 9ª edição da FLIPEI expondo, vendendo materiais e lançando livros

No dia 5 de agosto de 2026, quarta-feira, às 14h15, o Centro de Cultura Social (CCS) estará na Festa Literária Pirata das Editoras Independentes (FLIPEI), no Espaço Cultural Elza Soares, na Alameda Eduardo Prado, número 460-474, no bairro do Campos Elíseos, em São Paulo (próximo à Estação Marechal Deodoro), lançando os seguintes livros:

• Anarquismo e Sindicalismo em Santos, de Marcolino Jeremias;

• Revolta Proletária em Santos, de Primitivo Soares;

• Lêgerîn: Caminhos Entre Rojava e América Latina, de Marina Corazza e Natalia Gonsales;

• Arte e Militância de Pedro Catallo — Volumes 1 e 2.

Para além disso, o Centro de Cultura Social (CCS) estará participando todos os dias, de 5 a 8 de agosto de 2026, até às 18h30, da FLIPEI, expondo, vendendo e distribuindo os materiais da entidade.

ONDE: FLIPEI (Festa Literária Pirata das Editoras Independentes)

LOCAL: Espaço Cultural Elza Soares, Alameda Eduardo Prado, 460-474

Campos Elíseos – SP

Próximo Estação Marechal Deodoro

DATA: 05-08-2026

HORÁRIO: 14h15.

agência de notícias anarquistas-ana

Uma folha cai,
Girando no ar leve,
Descansa no chão.

Liberto Herrera

Sinval Borges, um anarquista de Petrópolis!

Por Carlos Ferreira de Araujo Junior

Sinval Borges de Oliveira foi um operário tecelão e sapateiro, anarquista ativo no Rio de Janeiro e em Petrópolis nas décadas de 1910 e 1920. Por muitos anos, Borges foi sapateiro e sofreu as consequências da profissão, mas também os orgulhos de ser operário. O antigo militante revelou que os sapateiros adoeciam por conta da desconfortável ergonomia a que tinham que obedecer. Além disso, estes operários tinham que andar diversos quilômetros por dia até achar clientes e um ponto favorável.

Junto a outros libertários, Sinval Borges colaborou com o periódico A Aurora, da cidade de Petrópolis-RJ. Também fundou e escreveu para o jornal A Verdade, junto a Marques da Costa, Florentino de Carvalho e Joaquim Gomes de Carvalho.

Apesar da dura vida operária, Sinval Borges foi um ativo militante anarquista. Ele participou de inúmeros comícios, periódicos, greves e assembleias libertárias. Em 1919, Sinval Borges aparece como secretário da União dos Operários em Fábricas de Tecidos em reunião operária com trabalhadores da Fábrica Cometa[1]. Em julho do mesmo ano, Sinval Borges foi um dos organizadores do comício dos operários da Fábrica Cometa, ocorrido em Petrópolis. O comício reuniu cerca de 5 mil pessoas na Praça Dom Pedro, no centro da cidade serrana. Os operários protestavam contra as violências e arbitrariedades de juízes, patrões e policiais contra os trabalhadores[2]. Em setembro, Sinval Borges proferiu palestra na sede da mesma União dos Operários contra os chamados “urubus de batina”, padres e clérigos[3].

Em 1920, foi eleito Secretário-Geral da União dos Operários das Fábricas em Tecidos[4]. Neste mesmo ano, Sinval Borges participou do Terceiro Congresso Operário Brasileiro (1920) no Rio de Janeiro. Na ocasião ele representou os tecelões. No seu discurso, Sinval Borges defendeu a criação de escolas operárias de orientação libertária[5]. Em 1921, Sinval Borges esteve a frente da Greve da Manufatura Progresso, em Petrópolis, por causa de salários atrasados[6]. Neste mesmo ano, Sinval e outros anarquistas foram presos por participarem de um comício contra a condenação de dois anarquistas nos Estados Unidos[7]. Em 1923, Sinval Borges e outros anarquistas foram presos por se oporem a deportação de Pedro Maurini.

Em 1928, Sinval Borges foi preso enquanto discursava no Cemitério São Francisco Xavier durante o sepultamento do anarquista Antônio Dominguez, assassinado por militantes comunistas durante uma assembleia operária na Sede da Associação dos Gráficos no Rio de Janeiro, no dia 14 de fevereiro de 1928. No ano de 1970, o velho anarquista foi entrevistado pelo historiador anarquista português Edgar Rodrigues. Não foram encontradas informações sobre a data e o local do falecimento de Sinval Borges.

Autor:

CARLOS FERREIRA DE ARAUJO JUNIOR – Historiador formado pela UEPB. Bibliografia: Renego – Grito Punk (2021), sobre o punk na Paraíba, e Brasil Negro Insurgente (2025), libertários e socialistas negros no Brasil. Desde 2012, possui um canal acervo punk no youtube: ÔKO DO MUNDO! O autor também escreveu os seguintes cordéis e zines libertários/decoloniais: OBREIROS DA BORBOREMA, BRADO BRUTO, EXU MOLOTOV, PLUMA NEGRA, ZINE AUTÔNOMO TEMPORÁRIO (ZAT).  BLOG PLUMA NEGRA: https://plumahnegra.blogspot.com/

REFERÊNCIAS

KARLLOS, Jr. Brasil Negro Insurgente: biografias de negros e pardos libertários no Brasil (1889-1930). Editora Monstro dos Mares, 2026.

RODRIGUES, Edgar. Os Companheiros. Vol. 05. Editora Insular. Rio de Janeiro. 1994.

SAMIS, Alexandre. Clevelândia: anarquismo, sindicalismo e repressão política no Brasil. senado federal. 2024

PERIÓDICO

A RAZÃO. N. 819, 926, 988, 1218, 1463, 1496.

O PAIZ. N. 13526. Data: 01/11/1921

[1] A RAZÃO. N.819. Data: 12/03/1919

[2] A RAZÃO. N.926. Data: 06/07/1919

[3] A RAZÃO. N.988. Data: 07/09/1919

[4] A RAZÃO. N.1463. Data: 29/12/1920

[5] A RAZÃO. N.1218. Data: 26/04/1920

[6] A RAZÃO. N.1496. Data: 31/01/1921

[7] O PAIZ. N. 13526. Data: 01/11/1921

agência de notícias anarquistas-ana

Água corrente,
Leva pedras e canções,
O que se perdeu.

Liberto Herrera

Memória contra o apagamento: a importância da obra de Edgar Rodrigues para a história das lutas dos trabalhadores e dos libertários

Por Liberto Herrera
 
Resumo: Este artigo analisa a importância da obra do historiador, arquivista e militante libertário Edgar Rodrigues, pseudônimo de Antônio Francisco Correia, para a preservação da história das lutas dos trabalhadores e das tradições anarquistas no Brasil e em Portugal. Parte-se de uma perspectiva de história social comprometida com a recuperação das experiências de sujeitos subalternizados e com a crítica dos mecanismos de apagamento produzidos pelo Estado, pelas classes dominantes e pelas narrativas historiográficas centradas em instituições oficiais. Mediante revisão bibliográfica e análise qualitativa de obras selecionadas de Rodrigues, argumenta-se que sua contribuição ultrapassa a função de fonte auxiliar: ela constitui uma intervenção política e memorial que nomeia militantes, recupera periódicos, transcreve documentos e restitui densidade humana a movimentos frequentemente reduzidos a episódios marginais. Embora sua produção autodidata apresente limites de sistematização teórica e de explicitação metodológica, tais limites não anulam seu caráter pioneiro, seu valor documental nem a coerência ética de um projeto orientado pela solidariedade, pela liberdade e pela emancipação social. Conclui-se que preservar, digitalizar, catalogar e estudar criticamente o legado de Edgar Rodrigues é tarefa indispensável para uma história plural do trabalho e dos libertários.
 
>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:
 
https://libertoherrera.noblogs.org/2026/07/29/memoria-contra-o-apagamento-a-importancia-da-obra-de-edgar-rodrigues-para-a-historia-das-lutas-dos-trabalhadores-e-dos-libertarios/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Broca no bambu
deixa furos de flauta.
O vento faz música.
 
Anibal Beça

[Argentina] Companheiro Anarquista Santiago Maldonado, PRESENTE!

No ar, no fogo, na tempestade

Na chuva que cai sobre a cidade

No gesto cansado do desânimo

No punho cerrado rasgando o vento

Na água salobra, sangue do mar

Ou na doce frescura da nascente

No ônibus cheio de rostos sérios

No riso estrondoso dos recreios

Lá onde gritam para você que não conseguirão

As travas do medo e da crueldade

Lá onde te obrigam a ficar em silêncio

Silenciam sua alma com sofrimento

Sobre o caixão sujo da injustiça

Na breve ternura de uma carícia

No pão prometido dos campos de trigo

No beijo sedento dos amantes

Oito letras voando de casa em casa

Oito letras como oito pombas brancas

Oito letras voando de casa em casa

Pois a história permanece e os homens passam

É a história do homem, de casa em casa

Oito letras de guerra, oito letras de paz

Apenas oito letras: LIBERTAD

Oito letras – Larbanois/Carrero

Falaram de você como o hippie, o tatuador, negando que o mais importante em você eram suas ideias anárquicas, que o levavam a se solidarizar com todos os grupos humanos que lutavam por seus direitos e contra a repressão e a opressão do Estado; enfim, deles não espere mais do que a especulação sobre o que possam ganhar se se mobilizarem em seu nome, é assim que funciona a política partidária e eleitoralista. Mas nós, os companheiros e as companheiras, continuaremos a te lembrar como sempre e como todos os dias nos lembramos dos companheiros que lutaram e entregaram suas vidas por um mundo mais humano, solidário e livre, assim como nos lembramos de Joaquín, de Juan, de Simón, de Kurt e de tantos outros que fizeram isso e continuam fazendo dia após dia. Não vamos te esquecer e você estará sempre presente, companheiro Santiago.

Rádio La Conquista del Pan, música, programação e conteúdos, 24 horas por dia, da Região Argentina para o mundo… Saúde e Liberdade!

>> Para ouvir a rádiohttps://radiolaconquistadelpan.blogspot.com/

agência de notícias anarquistas-ana

Dia calorento

Uma joaninha amarela

descansa na folha.

Gabriela Matos de Jesus Dias – 9 anos

[Itália] Santiago Maldonado Presente! Santiago Maldonado vive!

Em 1º de agosto de 2017, por volta das 11h15, a Gendarmeria Nacional, sob as ordens de Pablo Noceti, chefe de gabinete de Patricia Bullrich, realizou uma violenta operação irregular contra a comunidade mapuche de Pu Lof Cushamen, na Rota 40, em Chubut, onde ele foi “desaparecido” e, após 78 dias, foi encontrado sem vida no mesmo local em que havia sido procurado várias vezes.

Hoje, nove anos após seu desaparecimento forçado, o Estado argentino continua encobrindo seu crime, tornando-se cúmplice de seus servos uniformizados que o assassinaram.

Nenhum insulto, nenhuma ofensa poderá manchar a memória de Santiago nem apagar sua luta generosa diante da violência perversa do capitalismo e das políticas fascistas dos governos coloniais e racistas em exercício.

Hoje nos unimos profundamente à família do nosso companheiro Santiago Maldonado, que continua lutando pela verdade, em sua memória solidária e consciente da luta do povo mapuche.

Chaltumai Santi por cada momento de amor dedicado à humanidade por um mundo melhor.

NÃO esquecemos, NÃO perdoamos!

Seus companheiros e companheiras da Red Internacionalista por el pueblo mapuche, Itália

Justiça para Santiago Maldonado

Rede Internacional em defesa do Povo Mapuche

mapucheit.wordpress.com

agência de notícias anarquistas-ana

Vento nos ramos,
Balançam folhas verdes,
E pássaros gentis.

Liberto Herrera

[EUA] Anunciando os contemplados com as Bolsas Anarchist Horizons 2026 do IAS

O Instituto de Estudos Anarquistas (Institute for Anarchist Studies – IAS) tem o prazer de anunciar os projetos contemplados com uma bolsa Anarchist Horizons durante o ciclo de financiamento de 2026.

A Cage Is a Cage (Uma Gaiola é uma Gaiola), de Mica Fares e Josh Davidson

Esta bolsa apoia a ilustração e a divulgação de A Cage Is a Cage, um livro infantil sobre a abolição das prisões.

Todos os royalties do livro serão destinados ao Rosenberg Fund for Children, que apoia as necessidades educacionais e emocionais de crianças cujos pais sofreram repressão em razão de seu ativismo político progressista.

A Cage Is a Cage está sendo ilustrado por Mica Fares, anarquista, organizadora e artista, e foi escrito por Josh Davidson, anarquista, abolicionista, integrante do coletivo do calendário Certain Days: Freedom for Political Prisoners, participante do Children’s Art Project junto ao preso político Oso Blanco e editor de dois livros, Rattling the Cages e A Clean Hell, ambos em parceria com o ex-preso político Eric King.

O livro será publicado pela PM Press em 2027.

The Fire Tribe Project, de Pustaka Catut

The Fire Tribe Project é um projeto de pesquisa dedicado às sociedades sem Estado do arquipélago indonésio, povos que viveram sem reis e mantiveram sua autonomia diante dos reinos hindu-budistas, dos sultanatos e, posteriormente, do Estado colonial das Índias Orientais Holandesas.

O resultado será um livro escrito em linguagem acessível ao público leigo e disponibilizado gratuitamente na internet.

A Pustaka Catut é uma editora anarquista da Indonésia, dirigida editorialmente pelo escritor anarquista Bima Satria Putra.

Anarchist Pedagogy and Architecture in Cuernavaca, de Neil Mauricio Andrade

Este projeto de documentação, pesquisa e tradução entrelaça experiências históricas com redes contemporâneas voltadas à produção de espaços “conviviais” (Ivan Illich), fundamentados em uma “sinergia positiva” entre autonomia e heteronomia (Jean Robert). Em outras palavras, trata-se da criação de ambientes que desafiam a urbanização capitalista, promovem formas de habitação e modos de vida não burocráticos e não coercitivos, além do desenvolvimento de ferramentas pedagógicas que ofereçam alternativas aos sistemas educacionais estatais e bancários.

Somos um grupo plural de documentação, arquivo e pesquisa que busca fissurar o sistema colonial-moderno por meio do pensamento crítico e da ação comunitária. Nosso trabalho está enraizado na ideia de “construção simbólica vernacular”, desenvolvida por Jean Robert, e inspira-se na epistemologia decolonial, feminista e zapatista de Sylvia Marcos.

The Big Forget (O Grande Esquecimento), de Kit Blamire

The Big Forget é um projeto de história oral do presente que atravessa a névoa do esquecimento coletivo para registrar as histórias e perspectivas de pessoas que, em Berlim, continuam usando máscaras e politizando a crise contínua da COVID-19 em 2026.

O projeto é desenvolvido por Kit Blamire, organizadora, cineasta, artista e cuidadora do luto residente em Berlim.

Fauda: chaos as mutual aid organizing in the West Bank (Fauda: o caos como organização de ajuda mútua na Cisjordânia), de Ricardo Esteves Ribeiro

Há décadas, comunidades palestinas organizam-se coletivamente por toda a Palestina por meio de algumas das mais sofisticadas redes de ajuda mútua para resistir à ocupação colonial sionista.

Fauda: chaos as mutual aid organizing in the West Bank é fruto de aproximadamente dez anos de reportagem na Cisjordânia, especialmente em Masafer Yatta, Farkha, Ramallah e Belém, além das campanhas de colheita de azeitonas, acompanhando comitês de resistência popular, coletivos e organizadores comunitários que, apesar da escalada da violência, dedicam suas vidas a criar as condições para que as comunidades possam praticar aquilo que chamam de sumud: permanecer na terra e não abandoná-la.

Ricardo Esteves Ribeiro é cofundador do Fumaça, um podcast português de jornalismo investigativo sem fins lucrativos e anti-autoritário dedicado a examinar sistemas de opressão. Desde 2017 cobre a Palestina, passando longos períodos na Cisjordânia e nos territórios ocupados em 1948, escrevendo principalmente para o Fumaça, El Salto e Mondoweiss.

My Cross Is Blacker Than Yours: The Black Anarchic Beyond Anarchism (Minha Cruz é Mais Negra que a Sua: o Anárquico Negro para Além do Anarquismo), de Chaaz C. Quigley

O livro explora o “anárquico” como uma característica recorrente da vida negra por meio de figuras como Ella Baker, do Hoodoo e das redes de parentesco negras.

A obra argumenta que as práticas negras de ajuda mútua, cuidado coletivo, auto-organização e sobrevivência constituem uma tradição própria de construção da liberdade que ultrapassa as categorias políticas herdadas.

Chaaz C. Quigley (pronomes they/them) é uma pessoa negra não binária, escritora, organizadora comunitária e teórica política independente da experiência trans, radicada no Texas. É criadora do Chaos Collectivism e autora de The Clear Seeds of Chaos, Care Is a Weapon e Chaos in Essay.

Join with Me Tomorrow & Other Stories, da After the Storm

Join with Me Tomorrow & Other Stories é uma antologia de nove escritores que imaginam futuros melhores para além do capitalismo, do colonialismo e de outras hierarquias contemporâneas.

Esta bolsa permitirá que o livro seja distribuído no modelo “pague o quanto puder”, além da doação de exemplares para bibliotecas em todo os Estados Unidos.

After the Storm é uma cooperativa de trabalhadores em formação e uma revista de ficção especulativa voltada para imaginar futuros alternativos. Publica histórias que visualizam mundos para além de sistemas de opressão como o patriarcado, o capitalismo e o fascismo. Lança edições trimestrais que convidam ativistas e sonhadores a reinventar o futuro.

Se você gostaria de ser informado sobre futuras oportunidades de bolsas, não deixe de assinar nossa newsletter ou acompanhar nossas redes sociais.

Fonte: https://anarchiststudies.org/2026-ias-grantees/  

Tradução > Contrafatual

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lerdamente,
a água empurra a água
e o rio flui

Alaor Chaves

[Espanha] Se queremos a paz, desarmamento imediato

Por Juan Cáspar | 26/07/2026

Enquanto grande parte do país arde, e infelizmente não é uma metáfora, sem que o sistema político e econômico que sofremos seja capaz, ano após ano, de oferecer uma digna solução preventiva, o mundo continua igualmente se carbonizando, de um modo mais metafórico ou talvez nem tanto. Talvez seja tudo parte do mesmo problema: sociedades hierarquizadas empenhadas mais em controlar do que em cuidar das pessoas e do meio ambiente. Enquanto acaba de terminar aquele peculiar evento realizado na potência estadunidense dirigida por um belicista enlouquecido, uma copa do mundo de futebol que enardece grande parte das massas, as quais vociferam os gols em vez de clamar contra as injustiças, o planeta segue seu triste curso. E falando em Trump, que há não muito tempo clamava contra a Espanha supostamente por não ter seguido à risca o investimento em gastos militares, agora deve estar muito orgulhoso, não só com a vitória esportiva daqueles pro-homens hispânicos bilionários, mas também com as declarações de Pedro Sánchez na recente cúpula da OTAN. Em um exercício notável de cinismo e falta de escrúpulos, o presidente deste inefável Reino da Espanha manifestou com orgulho ter cumprido, inclusive “com folga”, o aumento do gasto militar (2% do Produto Interno Bruto), conforme exigido pela aliança atlântica. Enquanto se cortam os recursos para a saúde pública, a habitação social, a educação ou, claro, o meio ambiente, financiam-se mísseis e todo tipo de veículos militares por terra, mar e ar. Como a linguagem orwelliana está na ordem do dia, já bem entrado o século XXI, aquele que está à frente do autoproclamado governo mais progressista do universo garantiu que todo esse aumento dos gastos belicistas é feito em nome da “busca pela paz”.

É claro que essa argumentação fraudulenta, que talvez penetre em parte do imaginário coletivo, vem acompanhada de um incremento de efetivos militares espanhóis nas Forças Terrestres Avançadas da OTAN, algo que só pode contribuir para o aumento da tensão bélica. E é que, se o mundo arde, os poderes fáticos buscam a solução em fornecer mais combustível ao fogo. Atualmente, os riscos de um devastador conflito mundial, que não esqueçamos que já sofre grande parte do planeta, superam os piores momentos da Guerra Fria ou da época posterior aos atentados de 11 de setembro de 2001. Numa combinação de diversos fatores, o capitalismo sofre crise atrás de crise, a economia globalizada se fragmenta e o mundo se divide em blocos beligerantes opostos. A narrativa da maioria dos meios oficiais, voltada para um público bastante acrítico, é nos vender uma história maniqueísta do certo e do errado, de apresentar um dos lados em litígio de forma humana lutando pela “liberdade” enquanto “os outros” são descritos como tiranias pouco “civilizadas” em termos ocidentais. Não serei eu a defender minimamente regimes como os da Rússia ou do Irã, ou o abertamente totalitário de uma potência emergente como a China, que se mantém aparentemente à margem da tensão bélica, mas a verdade é que os bombardeios e toda atividade militar são sofridos pelos povos, estão sendo sofridos neste momento de maneira indignante enquanto grande parte da humanidade se perde celebrando eventos alienantes, com a cumplicidade ou direta responsabilidade dos governantes que se dizem pertencentes ao “lado correto”. Não entendo muito a lógica do sistema capitalista baseado no investimento, embora me pareça uma ingenuidade e uma quimera pedir aos Estados que os enormes gastos em armamento, controle e vigilância sejam transferidos para a busca por justiça social e climática. Não funciona assim, de modo algum, já que o objetivo é manter a população no medo e na alienação, bem como garantir a manutenção dos poderes estabelecidos.

No entanto, embora a possibilidade de uma comunidade mais livre, justa e inteligente passe, como não poderia deixar de ser, por construir-se de baixo para cima em função dos verdadeiros interesses das pessoas, isso não impede de denunciar a enorme hipocrisia dos poderes políticos e econômicos para tentar amenizar o sofrimento de tantas pessoas aqui e agora. E nos esforçaremos em desmontar esse mesquinho discurso de que é necessário o rearmamento, esse investimento permanente na força militarista atlântica, essa miserável sentença de “se queres a paz, prepara-te para a guerra”. Desde que me entendo por gente, sempre fui antimilitarista, enquanto ouvia “razões” ao meu redor de que os exércitos eram “necessários”. Atenção, não contingentes, como tantas outras atividades produto da atividade humana, mas “necessários”. Algo semelhante se podia ouvir sobre o Estado como forma política, enquanto a crítica anarquista sempre passou por ver um (o Exército) como suporte armado do outro (o Estado, como uma espécie de instituição coercitiva em forma oligárquica). E não só isso, mas o militar tem sido observado como a máxima expressão da hierarquia e do autoritarismo ao buscar a subordinação acrítica do ser humano para aprender a matar ou então sacrificar sua vida em nome desse Leviatã chamado Estado-nação. Esta visão radical, se se quiser hoje utópica diante da possibilidade de um mundo sem fronteiras, ou seja, livre e solidário, não está divorciada da luta pelo desarmamento, aqui e agora. Também não sou nenhum pacifista ingênuo, já que penso que há bons motivos para lutar por um mundo onde se tenha amenizado em grande medida o sofrimento humano. E, provavelmente, para defendê-lo quando estiver estabelecido, embora não na forma de nenhuma força patrioteira e uniformizadora.

Fonte: https://exabruptospoliticos.wordpress.com/2026/07/26/si-queremos-la-paz-desarme-inmediato/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

A noite caminha.
No negrume, o vaga-lume
acende a bundinha.

Flora Figueiredo

[Chile] Endurecimento do isolamento do preso anarquista Aldo Hernández

O preso anarquista Aldo Hernández, condenado a 21 anos de prisão pelo atentado com explosivos contra a sede nacional da Gendarmeria em dezembro de 2021, está há mais de um ano em regime de segurança máxima na prisão La Gonzalina, em Rancagua.
 
O clima social marcado pela obsessão repressiva se traduziu, no interior das prisões, no endurecimento gradual do regime carcerário. Módulos de isolamento extremo, uniformes e salas de visita criaram uma prisão dentro da prisão, inspirados no modelo italiano do 41-Bis. O atual governo, desde o presidente José Antonio Kast até o ministro da Segurança, Martín Arrau, e o ministro da Justiça, Fernando Rabat, afirmaram abertamente sua inspiração italiana para transformar esses módulos em verdadeiros caixões para pessoas vivas.
Nos próximos dias, o regime implementado no REPAS será adotado em La Gonzalina. São 22 horas de confinamento estrito em celas individuais, segregação ainda maior entre os presos para que, nas escassas duas horas de pátio, vejam o mínimo possível de seres humanos, além de restrições à entrada de dinheiro e outros itens. O golpe de misericórdia dessas mudanças é representado pela eliminação do contato humano com a implantação do sistema de visitas por intermédio de um sistema de comunicação.
 
Aniquilar qualquer contato, seja um abraço através de um vidro ou uma conversa por um telefone monitorado, é a expressão mais clara da vingança do Estado. Aldo já deveria ter sido transferido para uma ala de cumprimento de pena; por isso, o apelo é para que rejeitemos ativamente esse endurecimento das condições carcerárias e nos solidarizemos com o companheiro Aldo para tirá-lo do isolamento. Hoje, mais uma vez, em nome da solidariedade e da ação.
 
Diante do endurecimento do regime carcerário: Solidariedade e ação!
Aldo Hernández fora das alas de isolamento!
 
Fonte: https://informativoanarquista.noblogs.org/post/2026/07/30/chile-endurecimiento-del-aislamiento-al-prisionero-anarquista-aldo-hernandez/
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/11/07/chile-apos-mais-de-3-meses-finaliza-julgamento-contra-os-irmaos-lucas-e-aldo-hernandez/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
É quase nada
a cara da libélula:
somente olhos.
 
Chisoku

[Espanha] O extrativismo humano por trás da IA

Por Laura Marajofsky – Pikara

O trabalho escravo para treinar os chatbots e fazê-los parecer humanos é invisibilizado para ocultar as contradições dessa indústria. Enquanto nós, que consumimos IA, nos tornamos mais conscientes do que isso implica, os trabalhadores se organizam para lutar contra a precarização extrema.

O Gemini ou o Claude respondem “como humanos” – e esse “como” é fundamental. Para que isso seja possível, há centenas de pessoas trabalhando na produção de dados para esses modelos: criando listas de verificação que definem se uma resposta do chatbot é boa ou ruim, classificando essas anotações, determinando quais são as melhores respostas e até explicando cada passo que deram para chegar a esse resultado ideal, produzindo um “rastro de raciocínio” para que a IA o siga adiante quando se deparar com uma tarefa semelhante.

São trabalhadores mal remunerados, que se encontram em situações precárias em países como Bulgária, Síria, Quênia ou Argentina, onde é possível encontrar mão de obra barata, o que dificulta a possibilidade de se sindicalizar ou denunciar práticas antiéticas e exigir melhores condições, por medo de perder os empregos. A maioria vem de comunidades pobres e marginalizadas (refugiados, encarcerados, migrantes), e muitas são mulheres que, ao realizar o trabalho de forma remota, também conciliam essa função com as tarefas de cuidado não remuneradas – e ainda recebem menos, ficam com as piores atribuições e sofrem violências de gênero, conforme mostra o projeto data-workers.org.

Tudo isso para que a máquina fale como um humano, ou pelo menos soe como algo parecido com isso. Porque o certo é que, dado o atual estágio do desenvolvimento tecnológico e os resultados que estamos vendo, falta muito para que os modelos sejam cem por cento autônomos e inteligentes num sentido profundo ou, como gostam de dizer os tecnófilos, para que sejam “emocionalmente ressonantes” – inclusive, já se fala em certo estagnação técnica. Enquanto isso, no que já se antecipa como uma bolha “pior que a das pontocom”, as Big Techs continuam investindo quantias obscenas de dinheiro e sustentando seus negócios com esquemas trabalhistas exploradores e coloniais, que podem até ser vistos como uma nova forma de colonialismo digital.

A deterioração do trabalho nas mãos da tecnologia é anterior à IA e pode ser rastreada desde o início dos anos 2000, com o surgimento dos modelos de “uberização” do trabalho e a popularização da “economia dos bicos” (gig economy), que chegou para normalizar o emprego temporário, sem proteções e em condições precárias ou de múltiplos empregos – como o professor que também é taxista, o que em economias desvalorizadas como a argentina é um retrato comum. Modelos que vêm incidindo numa deterioração geral das condições de vida para muitas pessoas em todo o mundo, mas que temos totalmente naturalizados e que fazem parte da modernidade.

O que talvez seja novidade é a rapidez com que esse tipo de emprego está se espalhando para outras áreas, desde as mais técnicas, das ciências exatas – nem quem trabalha com programação está a salvo hoje –, até as humanísticas, já que cada vez mais são necessários especialistas com conhecimentos específicos sobre os diversos saberes nos quais o assistente virtual deve ser versado. A preocupação, como colocava um excelente especial da The Verge, é que a inteligência artificial esteja introduzindo no trabalho intelectual (white collar) o tipo de trabalho precário próprio das plataformas digitais, que transformou o transporte ou a entrega de comida em domicílio.

Se a fantasia de que a IA vem para resolver problemas importantes no mundo é parte fundamental da construção narrativa e do hype por trás dessa indústria, é interessante notar que essa fantasia de eficácia e progresso, pelo menos por enquanto, só se sustenta com trabalho precarizado, terceirizado e ocultado. É o que aponta Milagros Miceli, socióloga e engenheira de dados, fundadora do DWI (Data Workers Inquiry) e recentemente destacada entre as 100 figuras mais influentes em IA segundo a revista Time. Mas, como explica Miceli, o trabalho não é invisível, e sim invisibilizado com uma intenção deliberada de não mostrar as contradições intrínsecas a essa indústria, que depende de milhões de trabalhadores (estima-se cerca de 400 milhões, ou 5% da população mundial) fazendo tarefas de geração de dados, verificação, anotação, moderação, suplantação, etc., para que o Gemini funcione de forma mais ou menos decente. E embora não seja objeto de análise desta reportagem, vale dizer também que esses sistemas ainda não funcionam bem (alucinam, mentem, erram, adulam) e que os impactos socioculturais do seu uso massivo não são menores.

“Nós cunhamos o termo ‘trabalho de dados’; antes se falava em microtrabalho, em crowdsourcing. Hoje, é o termo mais aceito para falar disso e nos referimos a todo o trabalho que serve para criar conjuntos de dados que alimentam o treinamento de machine learning, mas também para manter esses sistemas em funcionamento. O que as pessoas não sabem é que esses sistemas, uma vez treinados, precisam de manutenção e supervisão permanentes”, acrescenta Miceli.

Tanto os relatórios da Data Workers Inquiry quanto o especial da The Verge dão conta de uma grande vulnerabilidade trabalhista no setor, já que os empregados são classificados como contratantes independentes ou freelancers e, como tais, não têm direito a férias remuneradas, intervalos, assistência médica, pagamento de horas extras nem seguro-desemprego. Há também uma desumanização total, na qual o controle é absoluto – instala-se softwares em seus computadores para vigiar o tempo ocioso – e as contratadas não podem fazer nada que não seja produtivo – ir ao banheiro, descansar, preparar um café – sob ameaça de serem substituídas. Além disso, como os ciclos próprios do desenvolvimento e teste dessas tecnologias também são bastante irregulares, prevalece a incerteza, já que as contratações vêm e vão aleatoriamente, assim como as demissões, e o desespero por conseguir trabalho leva os empregados a competir por salários paupérrimos em condições cada vez piores.

E isso sem mencionar aspectos como a deterioração progressiva da saúde mental causada por certos tipos de tarefa, que deveriam ser consideradas tão insalubres quanto trabalhar numa mina – e que talvez sejam seu análogo moderno. Falamos das tarefas de moderação de conteúdo, que são para as plataformas sociais o que a geração de dados é para a IA: essenciais. “Cada vídeo de assassinato, suicídio, agressão sexual ou abuso infantil que não é publicado numa plataforma foi revisado e marcado por um moderador de conteúdo ou por um sistema automatizado treinado por um moderador”, detalha um relatório da Noema do qual Miceli participa. Esses moderadores, que veem e etiquetam conteúdo impróprio (discursos de ódio, fake news, violência, etc.), sofrem de ansiedade, depressão e transtorno de estresse pós-traumático devido à exposição constante a esse material, mas também devido às formas precarizantes que o trabalho assume: por exemplo, decidir sobre a violência nos vídeos num prazo de 50 segundos.

“A precarização não é apenas uma questão econômica e de negócio; a precarização tem um fim ulterior, pois é preciso que essas pessoas estejam numa situação de tamanha dependência econômica que não questionem o que estão fazendo. Imagine que um trabalhador de dados médio não sabe para que está etiquetando os dados, nem para que os está coletando, nem que tipo de sistema está supervisionando. Há uma fragmentação do trabalho; dão-se instruções muito restritas e nunca se diz a finalidade ou de onde vêm os dados com os quais estão trabalhando. Há aí uma questão de usar a dependência e a precarização dessas pessoas para que não possam questionar”, enfatiza Miceli.

Assim, o trabalho intermitente e as demissões abruptas, o secretismo extremo e a vigilância como prática comum dentro do setor de dados tornam-se estratégicos para que os trabalhadores vivam num estado de extremo desgaste e máxima competitividade. Some-se a isso o fato de que também não podem falar sobre o trabalho por causa dos acordos de confidencialidade, nem perguntar nada aos chefes, nem se relacionar com outros e compartilhar preocupações ou informações. Também não lhes dá posição para negociar ou estabelecer qualquer tipo de antiguidade ou seniority. Divide e vencerás? As práticas informais também se estendem à forma de contratação – via Google Forms ou obscuras plataformas privadas – e até de comunicação – usam-se grupos de WhatsApp ou Slack onde não se nomeiam os clientes, os projetos e as pessoas não se conhecem.

Essa “precariedade por design” tem um fim que poderíamos chamar de epistemológico e formativo, já que também contribui para a modelagem dos dados que depois serão usados pelos assistentes a que milhões de pessoas recorrem diariamente. E essa modelagem depende tanto de cosmovisões e vieses subjetivos quanto de interesses econômicos e políticos, como mostra Miceli. “No mundo do aprendizado de máquina, é preciso simplificar e fazer com que os dados se ajustem bem ao modelo. Criam-se dados para que o modelo funcione, não se criam modelos para que façam sentido com os dados que tenho. Então, obviamente, é impossível que esses modelos não sejam tendenciosos. Busca-se uma uniformidade dos dados, que sirvam a um propósito muito específico; portanto, é preciso que os trabalhadores não usem sua subjetividade para trabalhar com esses dados, que não tenham opinião ou que não questionem. Há uma questão de criar sentido a partir desses sistemas, mas um sentido que seja o deles e mais nenhum outro. E que não haja nada nem ninguém que questione esses sentidos.”

Para somar a um contexto geopolítico bastante carregado, na corrida para desafiar o domínio estadunidense na IA global, países como a China tendem a subcontratar o trabalho de maneira ainda mais informal, recorrendo a lugares como o Quênia. Não é por acaso que foi lá que, em 2023, se fez história e se criou o Sindicato Africano de Moderadores de Conteúdo.

Como essa é uma luta que não pode ser travada de forma individual, aos poucos começam a surgir outras iniciativas e projetos similares ao do Quênia para organizar a luta (na Argentina, temos a AGC, Associação Sindical de Computação, que inclui esse tipo de trabalhadores de dados); assim como ações coletivas, como as da Califórnia, onde acusam as empresas de classificar erroneamente os trabalhadores como contratantes independentes. “Na Argentina, os profissionais de informática são sindicalizados, o que acho espetacular e pouco comum no mundo, e incluem os trabalhadores de dados”, aponta Miceli.

Talvez uma das tensões mais incômodas em toda essa questão, mais até do que o contraste entre o dinheiro que os laboratórios de IA investem em dados e o que é pago aos funcionários sobre os quais se constroem as fortunas desse tecnofeudalismo, seja o fato de estarmos investindo milhões na nossa própria obsolescência. Embora saibamos que é mais provável que a IA continue produzindo novas e perturbadoras formas de lixo sintético (AI slop) do que nos substituir naquilo que torna um humano interessante, também existe um futuro inquietante em que não importa se as previsões maximalistas que os “tecnobros” tanto gostam de fazer se cumprem ou se há desemprego em massa causado pela inovação. Um futuro em que o trabalho humano se automatize e se degrade cada vez mais.

O que é certo é que continuar falando de “futuro” e “inovação” sustentados por economias escravistas e nada modernas é tão absurdo quanto continuar falando de gastronomia sustentável com restaurantes de alta gastronomia que têm stagiers [estagiários que não recebem para trabalhar]. E, da mesma forma que hoje podemos apelar aos consumidores comuns, muito mais conscientes sobre seus consumos e o que há por trás deles, devemos fazer o mesmo com o consumo de tecnologia. “Não é uma decisão puramente conceitual, é uma decisão política. Podendo dar trabalho a ilustradores, roteiristas, etc., você está dando mais dinheiro a esses monopólios; então, isso também é uma decisão política. A pessoa também pode chegar a entender essas ferramentas, estudá-las muito bem e decidir não usá-las, porque não condiz com seus valores ou porque seu uso, como no caso de muitos profissionais, prejudica especificamente a sua existência”, conclui Miceli.

Fonte: https://acracia.org/el-extractivismo-humano-detras-de-la-ia/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Sapo cantando
Só porque a chuva veio
Tem festa na lagoa.

Karolayn Dias Sanches – 8 anos

[Áustria] Acampamento Anarquista de Verão 2026

Gostaríamos de convidá-lo(a) para o Acampamento Anarquista de Verão 2026 ‘na Estíria Ocidental, em um local ao redor de uma antiga fazenda no sul da Áustria, com amplo espaço para acampar. No âmbito do nosso acampamento de verão auto-organizado, anticapitalista e igualitário, criaremos juntos um espaço para utopias, um lugar de amor, solidariedade, troca de experiências, networking internacional e tudo o mais que você desejar.

Montagem │ 1º e 2 de agosto de 2026 │

Acampamento │ 3 a 8 de agosto de 2026 │

Desmontagem │ 9 e 10 de agosto de 2026 │

Para facilitar o nosso planejamento, solicitamos gentilmente que, se possível, faça a inscrição com antecedência. Fique à vontade para nos contatar por e-mail!

CONTATO

• https://acamp.noblogs.org/

• https://www.instagram.com/anarchistcamp

• email:anarchistcamp@protonmail.com

Estamos ansiosos para vê-los,

Equipe do Acampamento A

agência de notícias anarquistas-ana

Quando a lesma
Ergue a cabeça, eu vejo:
Parece comigo!

Shiki

[Itália] 1922- 2026 | Em memória de Filippo Filippetti

Anarquista de Livorno, antifascista, assassinado pelos fascistas

Domingo, 2 de agosto de 2026

As 19h00 Celebração na lápide

Via Provinciale Pisana 354, Livorno (ex-scuola Camilli)

Filippo Filippetti, jovem anarquista, foi assassinado no dia 2 de agosto de 1922 pelos fascistas enquanto se opunha, junto a outros antifascistas, em uma expedição punitiva contra Livorno.

No dia 2 de agosto de 1922 um grupo de jovens antifascistas, entre eles alguns anarquistas, travaram um confronto armado perto de Pontarcione com os caminhões dos fascistas. Morre na troca de tiros Filippo Filippetti, membro dos Arditi del Popolo (algo como resistentes do povo), sindicalista da USI (União Sindical Italiana, organização anarcossindicalista) no setor da construção civil.

No verão de 1922 foi dada a cartada final na tentativa de parar a reação antiproletária: o país foi atravessado por crescentes agressões realizadas pelos fascistas contra as organizações do movimento operário e aos militantes, pode-se contar dezenas de mortos entre os antifascistas.

Há meses a União Anarquista Italiana e o jornal “Umanità Nova” (jornal fundado por Errico Malatesta) lutam por um apoio do movimento dos Arditi del Popolo, para construir uma frente única proletária que organize a defesa.

Por iniciativa do Sindicado Ferroviário Italiano foi constituída a Aliança do Trabalho, à qual participaram todos os sindicatos, com o apoio da União Anarquista, do Partido Republicano, do Partido Comunista e do Partido Socialista.

A Aliança do Trabalho chamou uma greve geral sem data pra terminar contra as violências fascistas a partir da meia-noite do dia 31 de julho.

Os fascistas patrocinados pelos ruralistas e industriais, armados pelos Carabinieri (polícia militar) e exército, protegidos pela monarquia e pela igreja, agrediram as fortalezas operárias.

Em muitas cidades, entre elas Piombino, Ancona, Parma, Civitavecchia e Bari os fascistas foram rechaçados com a ajuda dos Arditi Del Popolo. No momento em que a resistência operária cresce, a CGL (Confederação Geral do Trabalho, sindicato socialista) e o PSI (Partido Socialista Italiano), esperando mais uma vez um acordo, se retiram da luta, abrindo o caminho à retaliação armada do Governo.

Livorno é um dos centros do combate. Entre os dias 1 e 2 de agosto de 1922 grupos fascistas provenientes de toda a Toscana lançam a caça aos antifascistas de Livorno, fazendo incursões nos bairros populares que resistem à invasão.

Muitas pessoas foram assassinadas naqueles dias. Gente do povo, militantes comunistas, anarquistas, republicanas/os e socialistas, entre elas Luigi Gemignani, Gilberto Catarsi, Pietro Gigli, Pilade Gigli, Oreste Romanacci, Bruno Giacomini e Genoveffa Pierozzi.

Os anarquistas convidam todas/os antifascistas a participar da celebração.

Federazione Anarchica Livornese // cdcfedanarchicalivornese@virgilio.it // federazioneanarchica.org

Collettivo Anarchico Libertario // collettivoanarchico@hotmail.it // collettivoanarchico.noblogs.org/

agência de notícias anarquistas-ana

brilha o grampo
ou ela tem no cabelo
um pirilampo?

Carlos Seabra

[Grécia] Faixa na Kallidromiou | Solidariedade aos companheiros perseguidos pela expropriação de um banco em Kato Tithorea

No dia 11 de maio, ocorreu a expropriação de um banco em Kato Tithorea. Após uma ampla operação policial, oito companheiros foram presos, levados ao promotor público sob graves acusações e seis deles foram colocados em prisão preventiva. Manifestamos nossa solidariedade à decisão dos companheiros de recuperar uma parte da riqueza roubada pelos patrões, quebrando o monopólio da violência do Estado. Como um mínimo gesto de solidariedade, colocamos uma faixa gigante na rua Kallidromiou, próximo à ocupação GARE. Entendemos as ocupações como parte indissociável da efervescência e da luta. As ocupações constituem, ao longo do tempo, baluartes de ações revolucionárias e focos de resistência ao sistema estabelecido.
 
SOLIDARIEDADE AOS 8 COMPANHEIROS PERSEGUIDOS PELA EXPROPRIAÇÃO DO BANCO EM KATO TITHOREA.
TERRORISTAS E LADRÕES SÃO OS BANCOS E OS CAPITALISTAS.
TUDO É NOSSO, POIS TUDO FOI ROUBADO.
10, 100, MILHARES DE OCUPAÇÕES, CONTRA UM MUNDO DE PODRIDÃO ORGANIZADA.
 
e-mail: 11th_of_may@espiv.net
 
Assembleia Aberta de Solidariedade aos/às perseguidos/as pela expropriação do banco em Kato Tithorea
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/06/02/grecia-atualizacao-sobre-uma-marcha-de-motocicletas-em-solidariedade-as-vitimas-da-expropriacao-do-banco-em-kato-tithorea/
 
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um tufo de algodão
flutuando na água
uma nuvem
 
Rogério Martins

[Espanha] Acampamento Internacionalista em Defesa dos Corralones

Com o objetivo de defender e manter o espaço coletivamente, compartilhar ferramentas de luta e criar laços de solidariedade, estamos lançando o Acampamento dos Corralones em Sevilha.

O que é o acampamento?

Este é um apelo à solidariedade, para estendermos nosso apoio àqueles que lutam contra aqueles que devastam e vendem nossas terras com a audácia característica dos ricos e poderosos. Em nossa cidade, Sevilha, localizada no sul da Europa e dominada e ocupada pelo Estado espanhol, uma operação massiva de desapropriação está em curso sob o eufemismo de um plano estratégico para o desenvolvimento do turismo. Este plano está expulsando pessoas de seus bairros e casas para transformar toda a cidade em um gigantesco hotel para viajantes privilegiados de terno e gravata, tornando-se, em última análise, um saque descarado do nosso povo, através de condições de vida precárias e vidas indignas.

A resistência que estamos realizando em Los Corralones é uma ação direta, uma demonstração de desobediência e ódio contra o turismo e contra aqueles que defendem o lucro e o dinheiro acima de tudo. Há meses lutamos contra a violência legal e a posse de uma família rica que vive de aluguel e explora os outros, usando os meios mais sujos para destruir um lugar que resistiu à gentrificação e à homogeneização de nossas vidas por mais de um século, uma homogeneização imposta por normas cívicas e controle social de cima para baixo.

Queremos que nossa luta seja um megafone que proclame em alto e bom som as consequências de toda essa máquina capitalista que transformou nosso território em um ponto de trânsito para os ricos do norte.

Este acampamento tem como objetivo reunir movimentos de resistência urbana que ocorrem em toda a Europa, para que nos inspiremos mutuamente com nossas lutas e aprendamos em primeira mão sobre diferentes experiências, bem como compartilhemos conhecimentos e técnicas que nos permitam enriquecer-nos uns aos outros, criando redes de solidariedade repletas de internacionalismo e apoio mútuo.

• Datas: 15 de julho a 30 de agosto de 2026

• Estadia mínima: Preferencialmente 7 dias (caso não seja possível, entre em contato conosco e consideraremos outras opções).

• Estadia máxima: 1 mês e meio

• Pré-inscrição por e-mail: escreva para nós em comunicacioncorralones@riseup.net .

>> Mais infos: campamentocorralones.noblogs.org

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uma folha salta
o velho lago
pisca o olho

Alonso Alvarez