[Espanha] 17 de outubro em memória de Concha Pérez

Em 17 de outubro às 12 horas se realizará um ato de homenagem e memória a Concha Pérez na praça em que o Município de Barcelona pôs seu nome, justo ao lado do mercado de Sant Antoni onde durante décadas teve seu posto. No 106º aniversário de seu nascimento a Federação Local de Barcelona quer destacar sua figura.

No jornal confederal Rojo y Negro do mês de setembro María Carballo nos recordou sua vida, confira a seguir.

Concha Pérez Collado, Anarquista, sindicalista e miliciana

María Carballo López | Secretaria de Gênero da FL de Barcelona

No sábado 3 de julho de 2021 foi inaugurada a Plaza Concha Pérez Collado, na confluência das ruas de Tamarit e de Comte Borrell (sim, ao lado da burguesia nos tempos da Lei Mordaça) no distrito do Ensanche. A praça está situada no bairro de Sant Antoni, onde Concha Pérez teve um posto nos leilões do mercado.

Concha Pérez Collado nasceu em 17 de outubro de 1915 no bairro de Les Corts de Barcelona no seio de uma família de classe obreira. Seu pai, Juan Pérez, era militante anarquista, pelo que passava frequentemente temporadas na prisão. Aos 13 anos, Concha Pérez Collado começou a trabalhar na fábrica.

Em 1931, com 16 anos, trabalhava como operária em uma oficina de artes gráficas e foi eleita por seus companheiros como delegada no comitê de seu setor na CNT. Em 1932 entrou na FAI. Participou nas atividades recreativas e culturais dos ateneus, onde também se formava lendo, comparando e debatendo os escritos dos pensadores anarquistas e socialistas.

Assim foi como Concha Pérez se converteu em uma destacada sindicalista, apesar de que também tinha que conciliar o trabalho e a militância com as tarefas domésticas. Sempre defendeu a divisão das tarefas domésticas entre homens e mulheres, pois considerava uma grande injustiça que eles estivessem isentos. Essa era a realidade de todas as mulheres obreiras de princípios do século XX, uma tripla jornada que não lhes deixava tempo para elas mesmas nem para os estudos. Naquela época os grupos libertários sindicalistas eram majoritariamente masculinos, pelo que Concha Pérez desde muito jovem compartilhou ideais e tempo livre com homens. Era a única de seu setor que participava assiduamente nas reuniões. Não participou de Mujeres Libres, ainda que sim, as conhecia.

Como militante anarquista, depois do falido golpe de Estado de uma parte do Exército espanhol em 17 de julho de 1936, Concha Pérez participou ativamente na Revolução durante a Guerra Civil espanhola. Nos primeiros dias de revolução em Barcelona esteve no assalto ao quartel de Pedralbes e na tomada de um convento de monjas. Em agosto de 1936 se uniu como miliciana a um grupo armado que partiu para a frente de Aragão. Durante a Guerra Civil espanhola, Concha Pérez foi miliciana, voluntária no Hospital de Maternidade de Barcelona e obreira em uma fábrica de produção de armamentos. Portanto, esteve tanto na frente (majoritariamente masculina, excepcionalmente alguma mulher) como na retaguarda (formada principalmente por mulheres). No final de dezembro de 1938 abandonou Barcelona e se dirigiu à França. Foi transladada ao campo de internamento de Argel, onde realizou tarefas de divisão de víveres e bens de primeira necessidade.

Ao sair do campo de Argel esteve vivendo durante uns anos em Marselha e em setembro de 1942 Concha Pérez regressou a Barcelona junto com seu filho de meses. Foram tempos muito duros de fome, de silêncio e de temor às represálias do regime franquista. Em Barcelona, Concha Pérez se reencontrou com Maurici Palau, iniciando uma relação sentimental que durou 30 anos. O casal abriu um ponto nos Leilões do mercado de Sant Antoni onde vendiam roupa intima e bijuteria. Também, este posto foi um lugar de encontro e ativismo da militância anarquista.

Em dezembro de 1975, Concha Pérez fez parte do comitê organizativo das atividades culturais do bairro de Raval. Após a assembleia para voltar a fundar os sindicatos da CNT em 1976, participou na fundação do Sindicato de Comércio. Em 1997 foi uma das fundadoras da associação “Mulheres de 36”, com o objetivo de difundir as experiências das militantes de movimentos políticos e sociais de esquerda que a história oficial havia esquecido.

Morreu em 17 de abril de 2014 com a idade de 98 anos.

Concha Pérez Collado foi militante anarquista durante toda sua longa vida, que dedicou à luta da classe obreira e defendeu sempre a igualdade entre homens e mulheres. É uma referência que devemos contemplar, como a tantas outras que foram escondidas pela história oficial e patriarcal. Ela também se rebelou contra isto. Foram numerosas as mulheres que participaram no anarquismo espanhol ao longo dos últimos séculos. Como militantes e como sindicalistas costumam ser ignoradas. Desde a Memória histórica libertária é importante recuperar a memória das mulheres do passado, assim como também recolher as experiências das mulheres do presente. Mas, sobretudo, recordar sempre que o movimento anarquista foi e segue sendo revolucionário. Todas estas mulheres contribuíram ideológica, cultural e socialmente com grandes avanços nos movimentos sociais e na sociedade atual.

O nome de Concha Pérez Collado foi escolhido pela Vocalía de Mulheres e de Memória Histórica de Sant Antoni de Barcelona com o objetivo de seguir feminizando a nomenclatura das ruas da cidade. Seria interessante que continuassem fazendo-o, recolhendo os nomes dessas mulheres revolucionárias que a história oficial apagou e estamos recuperando. Um último desejo: que se destaque sempre que foram militantes anarquistas que lutaram e deram suas vidas por uma sociedade melhor.

memorialibertaria.org

Tradução > Sol de Abril

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Acordes são vários
Quintal, um só recital
Cantam os canários

Alvaro Posselt

Piotr Kropotkin

Por Kauan Willian | 03/10/2021

Aspectos do pensamento social do revolucionário russo: sincronia desde baixo, ecologia, internacionalismo e sindicalismo combativo

Nada esperes da humanidade se tu próprio paralisas tua força de ação” (Piotr Kropotkin).

Era uma congelante madrugada, no dia 8 de fevereiro de 1921, quando um dos mais influentes anarquistas e socialistas de todos os tempos faleceu. Seu funeral na Rússia soviética foi massivo, mais de 100 mil pessoas desfilaram em um cortejo de 8 km na cidade de Moscou até o cemitério de Cemitério Novodevichy. Centenas de bandeiras de organizações políticas, grupos científicos, sindicatos e organizações estudantis estavam hasteadas, não só anarquistas. O comitê central soviético, nesse período reprimindo libertários, não conseguiria barrar a homenagem a um militante, teórico e pessoa tão bem quista diante dos trabalhadores e outros oprimidos naquele país e no mundo. Não só autorizaram a organização desse grande evento, mas também libertaram alguns detidos políticos para participarem dele (MORRIS, 2007).

No mundo inteiro, o movimento operário de diversas matizes, entre China, Itália, Espanha, Argentina, Estados Unidos e muitos outros, prestaram homenagens, ou mesmo atos e greves diante da morte do anarquista russo Piotr Kropotkin. Muitos revolucionários, mesmo posteriormente comunistas, como Astrojildo Pereira, por exemplo, diziam que entre suas obras iniciadoras no campo socialista estavam “A Conquista do Pão” (1892). Mais do que isso, suas obras como essa e “Mutualismo: um fator da evolução” (1902), seus escritos no periódico La Revolté, assim como suas cartas para sindicatos, grupos revolucionários e associações diversas, circularam em grandes eventos como a Revolução Mexicana, sendo veiculados pelos irmãos Ricardo e Enrique Flores Mágon, e a própria Revolução Russa, por Volín, e outros socialistas (HIRSH; VAN DER WALT, 2010). A influência do revolucionário russo vai além das primeiras décadas do século XX, e foi retomada pelas ideias da ecologia social de Murray Bookchin nos anos 1960, e citado por Abdullah Öcalan, influenciando a Revolução Curda (2013).

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://aterraeredonda.com.br/piotr-kropotkin/?fbclid=IwAR3mgfX46xgOtqW8evK6qeQl0ixOk07Tr6-Mt2rqtAhneJv2GBMrLcUjZvA

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Na mata distante,
flores de jacarandá –
Festa da natureza.

Benedita Azevedo

[Itália] Revista IFA

A segunda edição da Revista IFA foi publicada.

A edição que você pode encontrar no link contém contribuições de várias federações, principalmente europeias, sobre diferentes tópicos, assim como alguns comunicados de imprensa internacionais. Estas são várias contribuições escritas em diferentes momentos. É também um texto sobre uma atividade de conexão, intercâmbio e solidariedade que foi mantida durante este período, apesar de ter sido muito difícil, sem a possibilidade de nos vermos pessoalmente, fazer com que o confronto na arena internacional fosse contínuo.

Se você deseja uma versão pdf imprimível, escreva para o endereço da crint: crint@federazioneanarchica.org

https://i-f-a.org/2021/09/11/ifa-magazine-for-2021/

https://i-f-a.org/wp-content/uploads/2021/09/IFA-Issue-2-web.pdf

Fonte: https://umanitanova.org/ifa-magazin/

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Já é primavera
Uma colina sem nome
Sob a névoa da manhã

Bashô

Grécia enterrou acervo inteiro de um museu para salvá-lo dos nazistas

Quando os nazistas chegaram a Atenas, capital da Grécia, em abril de 1941, acreditavam que encontrariam o Museu Arqueológico Nacional, principal acervo da cultura grega da antiguidade, repleto de obras prestes a serem destruídas ou vendidas para o contrabando. Porém, quando os oficiais de Hitler chegaram ao local, descobriram o estabelecimento completamente vazio, mas com os profissionais trabalhando no museu.

Os militares nazistas perguntaram aos arqueólogos e historiadores onde estavam o acervo. Os trabalhadores disseram: “embaixo da terra, onde sempre estiveram”. Os alemães não haviam entendido o recado e pararam de buscar pelas estátuas helenísticas que estavam no museu.

De fato, estava tudo embaixo da terra. Quando os profissionais do Museu Arqueológico Nacional souberam que os alemães se dirigiam rumo a Atenas, eles decidiram que iriam esconder todas as obras. Onde? Sob a terra. De fato, uma obra quase faraônica foi feita: eles cavaram o subterrâneo do local e por meses esconderam o acervo do museu por baixo da terra.

Segundo os documentos do Museu Arqueológico Nacional, as obras começaram já em 1940. Os trabalhadores começavam a cavar os buracos antes do expediente do local e iam até a madrugada para salvar o acervo. Grandes estátuas e pinturas eram guardadas em grandes caixões. As obras foram concluídas apenas 10 dias antes da chegada dos nazis.

O principal motivo para esconder o acervo era a prática chamada de Raubkunst. Basicamente, o Reich roubava obras de arte dos países invadidos e de judeus alemães. As peças eram vendidas principalmente para bancos suíços ou mesmo penhorados pelo governo alemão. Essa prática sistemática roubou mais de 650 mil criações artísticas e é considerada o maior roubo de arte na história.

Fonte: https://www.hypeness.com.br/2021/09/grecia-enterrou-acervo-inteiro-de-um-museu-para-salva-lo-dos-nazistas/

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Poema sem palavras
Harpa sem cordas
Portal sem portas

Alberto Marsicano

 

[EUA] Chamada para submissão de trabalhos para “A Vez Anarquista Feminista: Incorporando Cuidado, Gerando Amor”, uma antologia editada por Cindy Milstein

As aspirações do anarquismo sempre giraram em torno do que poderia ser entendido como ética “feminista” – autodeterminação, associação voluntária e consensual, relações igualitárias, relações amorosas livres assim como lgbts, para mencionar algumas. Além disso, a maior parte do que nós anarquistas fizemos na prática, e ainda fazemos, imperfeita e ainda assim belamente, cai sob a bandeira do cuidado coletivo auto-organizado, livremente dotado – ou novamente, o que poderia ser visto como ética feminista.

No entanto, por uma série de razões – incluindo o patriarcado e a heteronormatividade dentro de nossos próprios círculos – tais aspirações e práticas de cuidado comunitário há muito foram desvalorizadas, rebaixadas, ou destruídas, ou tornadas invisíveis. De toda forma, a maré está virando.

Assim como A Vez Anarquista Feminista: Incorporando Cuidado, Gerando Amor irá argumentar, não é apenas a vez das feministas anarquistas, há muito tempo esperada, de serem vistas, ouvidas e levadas a sério, como muitas anarquistas feministas estão afirmando na prática, sem ou com o rótulo de “anarco/a/x-feminista”. Além disso, a virada contemporânea dos eventos mundiais – dos fenômenos globais de pandemias, regimes fascistas e colapso da infra-estrutura para o bem-estar social, aos desastres climáticos e deslocamentos capitalistas – forçou uma virada dentro do anarquismo para priorizar, antes de tudo, as formas de ajuda mútua. Ou seja, cuidar bem um do outro.

Esta antologia editada visa retratar o que a ética feminista anarquista parece ser “no chão” desta era atual: como o cuidado coletivo é incorporado e, portanto, como formas expansivas de amor são construídas, nas formas em que colocamos o anarquismo neste mundo imperioso, de modo a consertá-lo. A coleção oferecerá não tanto uma definição, definitiva ou não, de “feminismo anarquista”. Em vez disso, ela espera criar um retrato intrincado das muitas maneiras pelas quais pode ser compreendida nas e através das experiências atuais.

Especificamente, estou procurando por peças escritas e ilustrações que:

● falam corajosamente desde o coração

● são maravilhosamente trabalhadas em termos de sua prosa/arte e percepções

● trazem várias lentes, incluindo vários gêneros, culturas, geografias, e mais

● exploram a beleza confusa do “feminismo anarquista” na prática, especialmente como participante

● enfatizam as possibilidades anarquistas feministas que nós mesmas estamos criando

● e extraem o poder das sensibilidades feministas anarquistas dentro de tudo, desde coletivos, espaços e feiras de livros, à mídia e às artes, a revoltas, movimentos sociais e ações diretas, à organização de esforços e projetos (defesa de despejo, ajuda mútua, ajuda emocional, trabalho solidário, justiça transformadora, redução de danos – a lista é interminável), a rituais e artes curativas, e mais

Antologias, para mim, são recipientes: de possibilidade, de intervenção, de diálogo, de inspiração e mais – todos tentando agarrar-se à plenitude de quem somos e poderíamos ser. Se você leu algumas de minhas antologias anteriores, você sabe que eu me inclino em pedaços que são capazes de lutar graciosamente com as tensões generativas. Procuro escritoras e artistas que não se esquivam da honestidade agridoce e da vulnerabilidade terna, e através de arcos narrativos convincentes ou obras de arte que evitam finais arrumados ou felizes, oferecem a complexidade tão necessária, empatia rebelde e rachaduras nas paredes que nos dividem.

Por favor, verifique algumas ou todas as minhas coleções curadas anteriores para ter uma ideia: Não há nada tão completo como um coração partido: Consertando o mundo como anarquistas judeus; Decidindo por nós mesmos: A Promessa da Democracia Direta; O Luto Rebelde: O Trabalho Coletivo do Luto; e Tomando partido: Solidariedade Revolucionária e a Pobreza do Liberalismo (tudo na AK Press em akpress.org), e o livro colaborativo que fiz com Erik Ruin, Caminhos para a utopia: Explorações gráficas do anarquismo cotidiano (PM Press).

DETALHES:

Contato: Favor entrar em contato via e-mail no cbmilstein@yahoo.com.

Submissões: Você pode enviar ou ideias para histórias, ou algo que você já tenha escrito e tenha em mãos (se for o caso, envie-me um arquivo .doc ou .docx, se possível). É preferível que você tenha uma relação com a história – por exemplo, como membro coletivo de um espaço, participante de um movimento social, ou alguém ativamente engajado em um projeto de ajuda mútua. Embora eu tenha o prazer de considerar trabalhos publicados anteriormente, procuro principalmente novos materiais para esta antologia.

Você também pode apresentar peças de arte, ou ideias para elas, com base em amostras de seu trabalho anterior. Elas devem ser reproduzíveis em alta qualidade em preto e branco, ou em escala de cinza. É preferível que sua arte seja engajada politicamente (não eleitoralmente) – quer você a venda ou não – como arte de rua, por exemplo, ou em protestos, organização ou esforços de solidariedade.

Atenção: Todos os colaboradores para esta antologia receberão um exemplar do livro acabado e, espera-se, descontos em exemplares adicionais. Dependendo da editora, pode haver um pequeno honorário para cada peça, mas mais provavelmente, isto será um trabalho de amor, inclusive para mim.

Data limite: até 15 de janeiro de 2022

Perguntas: Envie-me um e-mail com toda e qualquer pergunta.

Compartilhar é cuidar: Definitivamente sinta-se livre para circular, postar e enviar esta “chamada para contribuições” para qualquer pessoa, ou qualquer projeto/grupo, que você acha que poderia ficar intrigado e/ou seria um bom ajuste para uma possível submissão!

[1] O título do livro é provisório. Mais importante, embora não devesse precisar ser dito, por “feminista anarquista”, quero dizer “queer e trans” também, independentemente de como se identifique individualmente.

Fonte: https://cbmilstein.wordpress.com/2021/09/28/the-anarchist-feminist-turn-embodying-care-engendering-love/

Tradução > solan4s

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/05/19/eua-lancamento-decidir-por-nos-mesmos-a-promessa-de-democracia-direta-de-cindy-milstein/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/09/17/eua-anarquismo-verde/

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Quatro horas da tarde –
O cheirinho de cacau
vem da casa ao lado.

Zekan Fernandes

[Espanha] A Fundação Anselmo Lorenzo reeditará o fac-símile da revista Mujeres Libres número 11 no outono de 2021

Após o êxito da publicação do número um, temos o prazer de anunciar o lançamento do número 11 da histórica publicação anarcofeminista.

Dentro de nosso trabalho de resgate e difusão da cultura libertária tratamos de abordar aqueles materiais e documentos que entendemos possam ser mais necessários e podem ter maior impacto na atualidade.

Por isso que faz alguns anos estamos resgatando a história duplamente esquecida da Federação de Mujeres Libres, entendendo que o feminismo se converteu em uma das principais frentes de luta pela mudança social dos últimos anos.

Em 2018 inauguramos a que é até agora a mais detalhada exposição sobre a organização anarcossindicalista realizada até esta data: “Mujeres Libres, precursoras de um mundo novo (1936_1939)”. Uma exposição organizada pela historiadora Sonia Lojo e realizada pelos diretores de arte Sancho R. Somalo e Byron Maher que até o dia de hoje segue percorrendo por toda a geografia com enorme repercussão.

Também, reeditamos fotografias de arquivo histórico da fundação e a bandeira original da organização.

Dentro deste trabalho de difusão, nos propusemos reeditar o conjunto da revista ‘Mujeres Libres’ em versão fac-símile atendendo o valor histórico e artístico da publicação original. Começamos publicando o primeiro número que hoje em dia conta já com três reedições e mil e quinhentos exemplares vendidos. Agora nos é grato anunciar que para este outono de 2021 a Fundação Anselmo Lorenzo publicará, também em edição fac-símile, o número 11 de dita publicação.

Por que o número 11

A revista que começa a ser editada em 1936 e termina sua primeira época em 1939 sofre numerosas mudanças motivadas pelo golpe de estado fascista, o triunfo revolucionário em grande parte do território espanhol e os três anos de guerra.

Após a publicação do primeiro número da revista, cremos que o número 11 contribuirá com uma ideia clara da importância que alcançou Mujeres Libres em uma época na qual o peso da religião católica e a tradição patriarcal torna mais significativa a incrível força desta organização específica de mulheres.

Uma organização que chegou a contar com quase 30.000 mulheres filiadas e implantação em todo o território não submetido pelos fascistas.

A revista conta com 58 páginas que reúnem a criação da Federação Nacional, as atividades e oficinas de capacitação profissional da organização nos diferentes territórios, as publicações editadas pela organização, um comício realizado em Valência por Federica Montseny, Lucía Sánchez Saornil e María Jiménez, análises sobre a situação da mulher, crônicas de guerra e um bom número de artigos de divulgação. Como não poderia ser de outra maneira, Emma Goldman também colabora com uma peça que demonstra a estreita relação do anarcofeminismo internacional com a luta antifascista espanhola.

Todo este enorme material que está apresentado com cuidado desenho e ilustrações do artista Baltasar Lobo dão mostra da potência que alcançou a organização e surpreenderá a todas aquelas pessoas que adquiram a publicação.

Um passo prévio à publicação completa da revista

Brevemente chegará a sindicatos, distribuidoras e livrarias o número onze da publicação, mas o trabalho de recuperação da revista não acaba aí.

Dentro do plano de trabalho, se acordou também publicar a revista completa assim que seja possível. Uma edição que suporá um enorme trabalho a esta fundação, mas que entendemos virá preencher um vazio historiográfico injustificável.

fal.cnt.es

Tradução > Sol de Abril

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/04/03/espanha-5-de-abril-apresentacao-da-reedicao-fac-simile-do-primeiro-numero-da-revista-mujeres-libres/

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as pálpebras do gato
ao ritmo das gotas
do candelabro

Valentin Busuioc

Ajude a construir a 1º Feira Feminista Anarquista de Porto Alegre (RS)!

Saudações Anárkicas!

Vai acontecer a 1ª Feira Anarquista Feminista de Porto Alegre – FAFPOA!

Nos juntamos entre coletivos e individualidades na organização da 1ª Feira Anarquista Feminista da cidade de Porto Alegre!

A FAFPOA vai acontecer em dois momentos: um final de semana presencial , no dia 04-05/dez – com medidas de cuidado mútuo coletivo – e um final de semana via internet, no dia 11-12/dez – devido às incertezas da pandemia da Covid-19 e para tornar o evento mais acessível à mais pessoas.

Nós achamos muito importante os encontros e as trocas compartilhadas, principalmente que convergem com o ideal anarcofeminista, e não podemos mais deixar de habitar os espaços, menos ainda no momento pandêmico que estamos vivendo.

Todas as ajudas são bem-vindas para que possamos realizar a Feira e arcar com os custos materiais que envolvem: infraestrutura, apoio a participantes, alimentação, transportes, equipamentos, protocolos relacionados à prevenção da Covid-19​, etc…

>> Para apoiar, clique aqui:

https://apoia.se/fafpoa

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/10/12/feira-anarquista-feminista-de-porto-alegre-rs-chamado-para-atividades-infantis-inscricoes-prorrogadas/

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Num galho qualquer
das árvores do pomar
Tiê-preto canta

Matusalém Dias de Moura

As ofensas russas contra os tsares (e suas punições)

Os russos nem sempre apoiavam seus tsares e imperadores, e prova disso é que arquivos dos órgãos de investigação estatais russos registram muitos xingamentos que o povo lançava sobre os soberanos. E somente isso já era motivo de prisão — quando não de decapitação.

Em 1737, Ivan Pavlov, um escrivão do exército russo, entregou-se ao serviço de segurança estatal russo, chamando Pedro 1° de “blasfemador” e “desafiador de Deus”. Sob interrogatório, Pavlov disse não arredar pé em sua posição e estar pronto a enfrentar a pena de morte. Seu pedido foi respeitado pela decisão do Gabinete de Ministros.

Cabeças rolando

Em 1737, Pedro, o Grande, já estava morto, mas xingar sua figura significava desrespeito os tsares em geral e, por isso, Pavlov foi executado, seguindo a lei. Xingar ou criticar publicamente o príncipe soberano russo era um crime punível com morte por decapitação desde pelo menos os séculos 13 a 14, antes mesmo do nascimento da Rússia como Estado.

Em 1649, sob o reinado de Aleixo da Rússia (1629-1676), o código de leis do Conselho da Terra (Sobornoie Ulojenie) incluiu mais atitudes que eram consideradas como “desaprovar o tsar” – e, portanto, configuradas como crime. Foi durante o reinado de Aleixo da Rússia que o Privi Prikaz, a primeira instituição de polícia secreta, foi introduzida.

O Privi Prikaz investigava, entre outras coisas, casos de ameaça à vida do tsar ou de criticar os atos do tsar. Eis alguns exemplos. Um mujique chamado Savva Korelin disse: “O tsar é jovem e tolo, e só segue os conselhos de seu filho” — por essa frase, o mujique foi preso imediatamente. Outro homem, Dmítri Chmaraev, agradeceu a um amigo por emprestar-lhe aveia, dizendo: “Você é melhor que o tsar!” — o próprio amigo o denunciou, e Dmítri teve que fugir de sua cidade natal.

Até mesmo comparar-se ao tsar podia resultar em prisão, enquanto repreender seus atos publicamente podia resultar em ter a língua cortada e toda a família exilada para a Sibéria, como aconteceu com um camponês chamado Iliá Porchnev, proveniente da região de Níjni Nôvgorod.

O imperador anticristo e sua mulher camponesa

Pedro o Grande, filho de Aleixo da Rússia, foi repreendido pelo povo russo devido a nova ordem que estabelecia no país – muitos acreditavam, supersticiosamente, que após o “ano do diabo” de 1666 (Pedro nasceu em 1672), chegaria um “anticristo”. E Pedro, que foi o primeiro tsar a não usar barba, e a praticar esportes com roupas europeias e adotar vícios europeus como fumar e beber, foi visto por muitos como o próprio anticristo.

Alguns membros da seita dos “velhos crentes” durante o governo de Pedro — e também — depois preferiam queimar vivos que viver sob o domínio do “anticristo”. Mas também havia punições por ofensas menores ainda que repreender diretamente as ações do tsar. Em 1720, por exemplo, Andrêi Saveliev, um corista, recebeu 50 chicotadas por apontar, em fúria, para o retrato de Pedro com sua bengala.

A mulher de Pedro, Catarina 1°, que foi a primeira imperatriz no trono russo, também tinha suas ações repreendidas pelo povo, já que a patriarcal sociedade russa do início do século 18 não conseguia se acostumar a ver uma mulher como soberana. Documentos da Chancelaria Privada (instituição que substituiu o Privi Prikaz) mostram que foram aplicadas penalidades contra pessoas que ousaram mencionar as origens de Catarina I (pois ela era realmente descendente de camponeses). Um homem chamado Kalin Ribkin teve sua língua cortada e foi exilado na Sibéria por xingar Catarina enquanto contava uma piada.

Imperatrizes vingativas

Até mesmo expressar compaixão pela imperatriz podia ter consequências terríveis: em 1739, Avdotia Lvova foi denunciada por cantar uma canção sobre a juventude perturbada da imperatriz Anna da Rússia. A canção lamentava que Anna tivesse sido obrigada a se casar com um príncipe estrangeiro, seguindo a ordem de seu tio, Pedro, o Grande. Devido à canção, Avdotia Lvova foi torturada em um cavalete.

Sob o governo de Isabel da Rússia, dezenas de pessoas foram enviadas a campos de trabalhos forçados por terem falado sobre a vida privada da imperatriz com seus amantes. Em 1742, Grigóriy Timirazev, capitão do regimento Preobrajenski, disse em conversa particular com seu subordinado que Isabel tinha cinco amantes, que conhecia alguns de seus filhos e que eles tinham sido favorecidos com promoções em serviço. O soldado que ouviu tudo isso denunciou Grigóri à polícia secreta e o capitão foi demitido e enviado a uma prisão na Sibéria.

Falar sobre a vida privada ou ser machista contra uma soberana era letal também no governo de Catarina, a Grande – só por dizer que imperatriz era uma “bába” (coloquialismo com conotação pejorativa para se referir a uma mulher, geralmente acima dos 40 anos), ou que “é ordem do diabo curvar a cabeça diante de uma mulher”, e assim por diante.

Mas cuspir no tsar pode?

Nem todos os soberanos russos, entretanto, eram tão vingativos. Em 1845, o primeiro Código Penal foi introduzido na Rússia. Ele afirmava que qualquer comportamento ofensivo contra o imperador, membros da família imperial, ou mesmo seus retratos, era uma ofensa criminal. A sentença podia ser alterada se o crime fosse cometido em estado de embriaguez – porque, naturalmente, a maioria das apregoações contra o imperador eram ditas em tavernas por clientes embriagados.

O imperador Nicolau 1° chegou até a tratar esse tipo de casos com humor. Uma vez, um soldado chamado Agafon Suleikin ficou bêbado em uma taberna e cuspiu no retrato do imperador pendurado na parede. O ocorrido foi denunciado e Nicolau 1° ficou sabendo.

Em vez de enviar o pobre soldado para a Sibéria, Nicolau 1° ordenou: “Anunciem a Agafon Suleikin, na frente de todo seu regimento, que eu cuspi nele também. E como esse bêbado infeliz não sabia o que estava fazendo, declaro o caso encerrado. Além disso, proíbo que pendurem retratos reais em tavernas a partir de agora.”

Entretanto, alguns membros da família real ainda usavam seu poder para fazer pouco de seus próprios súditos. O príncipe Piotr Kropotkin escreveu em suas memórias sobre como o jovem Alexandre 3°, então Grão-Duque, xingou um jovem oficial que estava encarregado do fornecimento de armas no exército imperial, durante o reinado de seu pai, Alexandre 2°. O oficial, um sueco a serviço russo, ficou profundamente ofendido. Ele sabia que não podia xingar o Grão-Duque Alexandre de volta, pois era crime. “Ele saiu imediatamente e enviou uma carta ao Grão-Duque, na qual ele exigia que Alexandre pedisse desculpas. O oficial acrescentou que se não houvesse um pedido de desculpas em vinte e quatro horas, ele se mataria”.

Infelizmente, Alexandre não pediu desculpas e o oficial cometeu suicídio. Quando o pai e tsar Alexandre 2° soube, ficou furioso e escreveu Kropotkin. “Alexandre 2° ordenou que seu filho seguisse o caixão do oficial até o túmulo. Mas nem a terrível lição curou o jovem da arrogância e temperamento quente típicos da família Românov”, escreveu.

Fonte: https://br.rbth.com/historia/85864-as-ofensas-russas-contra-os-tsares

agência de notícias anarquistas-ana

Canta coruja,
bela noite de luar,
oculta está!

Mira Margarido

[Bélgica] Manifestação em Bruxelas contra as mudanças climáticas reúne milhares de pessoas

Cerca de 30.000 manifestantes invadiram o centro de Bruxelas neste domingo (10/10) contra as mudanças climáticas, num protesto que ocorreu após as dramáticas inundações deste verão na Bélgica. A marcha foi convocada por mais de 80 organizações antes da cúpula internacional da COP26, que acontecerá na cidade de Glasgow, na Escócia, entre 31 de outubro e 12 de novembro deste ano.

A pedido da Union Communiste Libertaire (UCL), centenas de anarquistas e anticapitalistas se juntaram à marcha em um bloco separado. Em seu folheto, eles escreveram, entre outras coisas:

“O mundo vivo agora está ameaçado pelas mudanças climáticas, a desestabilização da biodiversidade, a poluição da terra e da água, o desmatamento das florestas… A luta ambiental é vital e só faz sentido quando é anticapitalista e antidesenvolvimentista. Está diretamente relacionada à luta por um novo tipo de sociedade. Você não pode distingui-la da luta pela democracia direta e igualdade econômica. Construir uma ponte entre as lutas sociais e ambientais é fundamental para uma estratégia ambientalmente correta para o futuro.”

Nos dias da cúpula, são esperadas marchas em todo o mundo.

agência de notícias anarquistas-ana

por um instante
tudo ao redor silencia –
céu de primavera

Rose Mendes

Feira Anarquista Feminista de Porto Alegre (RS) | Chamado para atividades infantis – Inscrições prorrogadas

Saudações Anárkicas!

Nós agradecemos muito os envios para atividades e bancas que recebemos, estamos empolgades na construção da feira, e sem as propostas ela não seria possível! Coletividade, apoio-mútuo, autogestão, solidariedade e revolta é o que nos movimenta e o que aquece os corações.

Pensando em fazer a feira inclusiva às crianças – e sendo assim, também inclusiva às mães e pessoas que tenham filhes, estamos nos empenhando em fazer uma programação inteira voltada à atividades infantis, no mesmo horário da feira e concomitante às atividades que serão propostas nos dias. Assim, podemos construir essa rede de cuidado mútuo, dando espaço para que elas possam se divertir, aprender, compartilhar com outras crianças momentos que serão pensados para e com elas. Descentralizar o cuidado com as crianças, buscando construir um ambiente no qual elas se sintam inclusas e fortalecidas.

Por isso, estamos prorrogando o prazo do chamado, dessa vez voltado exclusivamente à atividades infantis. Oficinas, brincadeiras, apresentações, ou no que sua criatividade fluir!

Lembrando que, entre coletivos e individualidades na organização, decidimos fazer dois momentos: um final de semana via internet (11/12 de dezembro de 2021) e um final de semana presencial (4/5 de dezembro de 2021), com medidas de cuidado mútuo coletivo. Assim, as propostas podem ser realizadas em qualquer modalidade, ou, inclusive, em ambas.

Para inscrever uma atividade infantil (exceto homens cis), preencha o formulário no link: https://fafpoa.limesurvey.net/536681?newtest=Y&lang=pt-BR. Entraremos em contato para acertar os detalhes.

“Então, para ensinar sem desejo do estudante, é preciso adestrar os vetores, os afetos, as percepções, as anarquismo e descolonização: possibilidades para pensar a infância sensibilidades. Para ensinar, na perspectiva unicamente escolarizada e institucional, se faz necessária a anestesia. Anestesia da autonomia, do reconhecimento do outro enquanto sujeito potente. Em especial, quando falamos sobre a educação de crianças pequenas, é importante considerar que a complexidade das especificidades sobre as culturas infantis por estarem subordinadas a uma visão adultocêntrica que as anula enquanto indivíduos.”

Anarquismo e descolonização: possibilidades para pensar a infância (2016) – Olivia Pires Coelho

feiraanarquistafeminista.noblogs.org

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/09/08/ii-chamada-para-oficinas-rodas-de-conversa-e-banca-de-materiais-feira-anarquista-feminista-de-porto-alegre-rs/

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Amanhece o dia –
O canto do tiê-preto
se ouve à distância

Cyro Mascarenhas

Nova música do Ktarse | Ser Ateu

Bruno Enrico, C333 e Ktarse

L E T R A

.

Ser ateu não é uma simples rebeldia / Contra as religiões ou qualquer crença divina / Ser ateu é romper com o simplismo / É a busca constante pelo saber critico

.

Ser ateu é ter a honestidade em viver a vida / De forma filosófica, coerente e científica / Não de forma dogmática incontestável / É ser realista sem distorcer os fatos

.

Ser ateu é levar uma vida sem superstições / Sem preconceitos e ilusões / Mesmo que a crendice domine a sociedade / Religião nunca foi o cura pra a humanidade

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Ser ateu nos entender as dores do mundo / É ser responsável com a natureza e seus recursos / É não se conformar com ideias simplistas / É se revoltar contra a exploração e injustiça

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Ser ateu é acreditar que a vida tem sentido / Sem promessas divinas, e seu egoísmo / De felicidade ilusória a um paraíso eterno / Ser ateu é admirar a beleza imensa do universo

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Ser ateu é acreditar que não existe outro plano / Além da vida e do conhecimento humano / Ser ateu é ter a mente livre dos grilhões / Moralista e dogmático das religiões

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Como viver o estado laico seguindo o monoteísmo? / O ateísmo te liberta, das correntes imaginárias do divino

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Não ficamos de joelhos, perante aos desafios / Não somos violentos e muito menos pacíficos / As raízes de nossas mazelas não é um plano divino / O colapso social é conduzido pelo capitalismo

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Por deus e o Estado que são absolutistas / Instrumento de dominação religiosa e política / Religião é demência coletiva / Ser ateu é desobedecer qualquer hierarquia

.

Ser ateu é reconhecer que somos inteligentes / A criatividade humana nos faz seguir em frente / Chegamos até aqui, porque somos persistentes / Ousados, rebeldes e desobedientes

.

A tirania da crença em deus e os delírios / São grilhões do obscurantismo / Ser ateu é executar a difícil tarefa de viver / Com responsabilidade, atitude, proceder

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Não apenas para si mesmo, mas pela humanidade / A sabedoria da vida não está na religiosidade / Ser ateu é se comover com a beleza / Ser ateu é aceitar que fazemos parte da natureza

.

Que estamos sozinhos na luta pela vida / Não existe força sobrenatural divina / Ser ateu é levar a vida como ela é / Sem deuses, sem mestres, sem crenças, sem fé

.

Como viver o estado laico seguindo o monoteísmo? / O ateísmo te liberta, das correntes imaginárias do divino

>> Escute a música aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=KpGxpSI6f1c

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A nuvem atenua
O cansaço das pessoas
Olharem a lua.

Matsuo Bashô

Nova editora independente | Impressora Anarquista

A Impressora Anarquista, localizada em Goiânia-GO, está online a partir de outubro de 2021, divulgando as publicações independentes do coletivo Contraciv e do site Contrafatual. Desde 2011, ela é uma impressora compartilhada (de uso coletivo) com a qual imprimimos trabalhos de faculdade para estudantes de baixa renda, por exemplo. Hoje a Impressora Anarquista se tornou também uma “editora caseira”, acreditando que não é preciso muita coisa para fugir de um mercado editorial injusto e colocar suas próprias ideias para navegar.

Todas as publicações da editora estão disponíveis gratuitamente em PDF, e são vendidas ao preço mais acessível possível (Entre 1 e 5 reais). Para se manter funcionando, a impressora conta com doações voluntárias.

> Contato: contraciv@riseup.net

> Para acessar a loja da Impressora Anarquista:

https://impressora-anarquista.lojaintegrada.com.br/

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Na soleira do sítio
a graúna canta
ao silêncio do sol.

Anibal Beça

[Grécia] Apoio a Giorgos Kalaitzidis e Nikos Mataragkas do Grupo Anarquista Rouvikonas

Alerta e petição de apoio antes do julgamento de 13 de outubro de 2021!

Dois anos após a tremenda efusão de solidariedade sem fronteiras que permitiu a dois membros do Rouvikonas evitar a prisão, uma nova ameaça de magnitude sem precedentes paira sobre o grupo. Um julgamento kafkiano aguarda Giorgos e Nikos em 13 de outubro, com base em acusações falsas. Esta tentativa de criminalizar o movimento social poderá custar a estes dois ativistas políticos prisão perpétua. O grupo deles, por mais impecável e exemplar que seja, tornou-se obviamente muito desconfortável. Uma nova mobilização internacional é necessária.

Os fatos: em 7 de junho de 2016, um traficante de drogas foi executado em Atenas, no distrito de Exarchia. Esta execução é reivindicada por um coletivo de autodefesa chamado “Milícia Popular Armada” que declara que o traficante de drogas se comportou de forma violenta, ameaçadora e perigosa em Exarchia, tanto em relação aos membros do movimento social quanto aos habitantes do bairro.

Três anos se passaram. Nenhum membro do Rouvikonas é o objeto da investigação. Em julho de 2019, Kyriakos Mitsotakis [primeiro-ministro da Grécia] chegou ao poder na Grécia e promete, entre outras coisas, pôr um fim “por todos os meios” ao grupo anarquista Rouvikonas, reconhecido em todo o país por suas ações de solidariedade e resistência não relacionadas a este tipo de processo. Após alguns meses, em março de 2020, um juiz de instrução assumiu o caso e acusou dois ativistas do Rouvikonas: Nikos Mataragkas e Giorgos Kalaitzidis, respectivamente, de assassinato e incitação ao assassinato.

Mas em junho de 2020, após suas audiências de acusação, ambos foram liberados sem fiança e o processo foi logicamente arquivado.

Mudança dramática ocorre em abril de 2021: embora o processo esteja vazio contra os membros do Rouvikonas, o Estado e os mecanismos repressivos decidem subitamente processar Giorgos e Nikos com base em acusações falsas e seu julgamento está agendado para 13 de outubro de 2021.

Esta manipulação por parte dos poderes – que fazem de Giorgos e Nikos seus reféns e visa destruí-los política e fisicamente: eles arriscam a pegar prisão perpétua! O objetivo também é prejudicar a imagem do grupo Rouvikonas e criminalizar o movimento social na Grécia, como fizeram os coronéis no poder há cinquenta anos.

Diante deste julgamento kafkiano, apoiamos os ativistas políticos e solidários Giorgos Kalaitzidis e Nikos Mataragkas e exigimos a suspensão imediata do julgamento.

Pedimos o fortalecimento do comitê de apoio internacional: support@rouvikfrancophone.net (envie seu nome, sobrenome e profissão para juntar-se aos signatários).

Também convidamos você a apoiá-los financeiramente neste confronto, que não se limita a este julgamento contra o grupo Rouvikonas: o grupo está frequentemente sujeito a procedimentos legais por razões menos sérias, mas muito caras (no total, para todas as ações atualmente em julgamento e nos próximos meses, os custos legais do grupo totalizam várias dezenas de milhares de euros):

https://fr.gofundme.com/f/soutien-giorgos-et-nikos-athnes

Finalmente, chamamos aqueles que puderem, para uma manifestação de apoio no dia do julgamento: quarta-feira, 13 de outubro, às 09h00, no tribunal de Efeteio, c/Degleri 4, em Atenas. Fotos de ações de apoio fora da Grécia também são bem-vindas.

Que nenhum de nós caia diante do poder sozinho.

Comitê Internacional de Apoio a Giorgos Kalaitzidis e Nikos Mataragk

>> Sobre as ações de resistência e solidariedade do Rouvikonas na Grécia (vídeo de 10 minutos):

https://www.youtube.com/watch?v=342ZzVVCm70&feature=emb_title

>> Algumas respostas a perguntas comuns sobre o Rouvikonas:

– Rouvikonas é também um grupo de solidariedade que frequentemente realiza ações com gregos precários e migrantes, incluindo a distribuição de alimentos e outras formas de ajuda.

– Rouvikonas é também um grupo antifascista, sobretudo desde que o Rouvikonas criou a rede antifascista Distomo (que ajudou a expulsar o Aurora Dourada do centro de Atenas, muito antes das sanções legais).

– Rouvikonas é um grupo misto onde as garotas estão muito presentes e onde o sexismo, machismo e virilismo são rejeitados (o grupo também inclui uma seção feminista muito ativa e autônoma).

– Rouvikonas inclui membros de várias nacionalidades e origens.

– Rouvikonas é composto em sua maioria por trabalhadores precários.

– Rouvikonas rejeita a vanguarda e não quer ser rotulado como tal.

– Rouvikonas não está ativo apenas em Exarchia, mas em toda a Grécia.

– Rouvikonas realiza reuniões públicas regulares para discutir com as pessoas que querem ser informadas e possivelmente se juntar ao grupo.

– Rouvikonas frequentemente realiza ações em conjunto com outros grupos (Anars de Tessalônica, Curdos, migrantes, antifas, solidariedade…).

– Rouvikonas é filiado à Federação Anarquista da Grécia – AO (anarxiki omospodia).

– Rouvikonas também participa de reuniões, concertos ou mesmo torneios de futebol antifa que reúnem diferentes coletivos.

Fonte: http://blogyy.net/2021/09/22/deux-membres-de-rouvikonas-menaces-de-prison-a-vie/

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Dia de primavera —
Os pardais no jardim
Tomam banho de areia.

Onitsura

[Chile] Urgente! Sobre a recente enfermidade detectada no companheiro anarquista Francisco Solar e sua delicada situação de saúde

Nos primeiros meses de 2021, Francisco junto com outros prisioneiros anarquistas e subversivos realizaram uma greve de fome que se estendeu por mais de 50 dias contra a modificação do Decreto Lei 321 e pela imediata saída à rua de Marcelo Villarroel.

Após uma lenta recuperação, contínuas cólicas, sede excessiva, baixa de peso, Francisco solicita exames médicos após ser transladado ao cárcere de Rancagua. Recentemente, em 22 de setembro, ditos exames se realizam, sendo hospitalizado com urgência. O diagnóstico: Diabetes avançada com 700 mg/dl de glicose, quer dizer, à beira de um coma diabético. Após conseguir uma mínima estabilização, é devolvido ao Módulo 2, onde apesar das duas doses de insulina diária administradas de forma restritiva pelos médicos-carcereiros, ainda não consegue parâmetros normais de glicose.

Há poucos dias, o companheiro começa a ter uma importante perda da visão que se estende até hoje, sem receber nenhuma atenção a respeito, impedindo-o de ler ou outras atividades cotidianas.

Pela vida e a saúde de nosso companheiro, se faz urgente que a Gendarmeria não faça restrições para a entrada que já está em tramitação de uma médica particular, o fim das proibições e limitações na petição, as facilidades para um tratamento adequado que lhe permita uma mínima autonomia dentro do cárcere.

Sabemos que o cárcere busca o aniquilamento e a diminuição do indivíduo, pelo que superar os obstáculos e impedimentos postos pela burocracia carcerária, só se pode fazer com mobilização, solidariedade e apoio mútuo. Responsabilizamos a Gendarmeria, por qualquer agravamento na condição de saúde do companheiro.

Agitar e solidariedade pela saúde do companheiro Francisco!

Prisioneiros subversivos e anarquistas à rua!

Outubro 2021

Tradução > Sol de Abril

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/07/07/chile-termina-a-greve-de-fome-dos-prisioneiros-transferidos-da-prisao-de-alta-seguranca-para-rancagua/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/07/23/chile-palavras-do-companheiro-anarquista-francisco-solar-em-memoria-de-luisa-toledo-sepulveda/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/02/08/chile-atualizacao-da-situacao-dos-companheiros-anarquistas-francisco-solar-e-monica-caballero/

agência de notícias anarquistas-ana

É anônimo o autor
Deste esplêndido poema
Sobre a primavera.

Shiki

[Espanha] Antonio Salón, miliciano com conhecimento de causa

Por Miguel A. Fernández

A fotografia foi tirada em algum lugar de Bizkaia em princípios de 1937. Se não fosse pelos acessórios e as graduações militares que aparecem aqui e ali, poderíamos pensar que se trata de uma quadrilha basca que busca captar para a posteridade uma reunião festiva. O ambiente é, até certo ponto, divertido, assim o expressam seus semblantes: se excetuamos a figura central, quase todos os demais sorriem e os gestos são tranquilos. Mas, ainda que não o pareça, o instantâneo da oficialidade do batalhão ‘Isaac Puente’, foi feito pouco tempo depois da sangrenta batalha de Villarreal, com a qual as forças leais à República tentaram, sem sucesso, chegar a Vitoria, e ao mesmo tempo aliviar a pressão franquista sobre Madrid, e na qual os milicianos se bateram sofrendo numerosas baixas [1].

Entre os presentes, ao lado de Enrique Araujo, personagem central e comandante da unidade, se destaca um tenente negro. Sorri, como o resto de seus companheiros, alheio ao fato de que poucos meses depois será feito prisioneiro pelas tropas italianas na emboscada de Santoña [2].

Uma presença singular, mas que não deveria surpreender-nos, pois nas unidades confederais bascas é habitual ver estrangeiros e inclusive comandos de origem latino-americana: Julio Martínez Sánchez, capitão da 1.ª companhia do batalhão Bakunin é natural de Havana; Manuel Azurmendi Embeitia, tenente do batalhão Malatesta é de Montevidéu. Por sua parte, Manuel de la Mata Ibeas, comandante do Isaac Puente, é cubano e o capitão ajudante, Argentino Eizaguirre Fernández, portenho, tal e como denota seu nome. Tudo isso, sem contar os numerosos milicianos rasos de origem estrangeira. De fato, é tal o contingente de voluntários estrangeiros presentes em Euskadi, que em dezembro de 1936 a CNT inicia a organização de um Batalhão Internacional para agrupar os “companheiros de todas as nacionalidades residentes no Norte”, seguindo o exemplo das Brigadas Internacionais, e em princípios de janeiro, anuncia a formação do “Batalhão Internacional do Norte”, que será o 7.º da CNT e 65.º de Euzkadi e que trataria de agrupar todos os voluntários estrangeiros em geral e os anarquistas em particular. Em todo caso, a unidade não chegará a constituir-se como batalhão de combate e sua atividade se reduzirá a atuar como unidade de reserva e recuperação, para desaparecer ao ordenar-se a supressão das incompletas, e passar seus integrantes a outras unidades [3].

Em todo caso, Antonio Salón Cubano, que é como se chama o miliciano que nos ocupa, não veio de além de nossas fronteiras: de fato, nasceu em Santurce e no começo da guerra, momento no qual se incorpora às milícias confederais, é morador de Bilbao. A sentença que, uma vez capturado, o condenará a 15 anos de reclusão por sua atuação na guerra, evidencia um discurso cheio de preconceitos: “ainda que pertencente à raça negra, de nacionalidade espanhola , carente em absoluto de conhecimento e dotes culturais”… [4].

Desconhecemos a capacidade intelectual de Antonio, mas estamos convencidos do contexto racista das afirmações contidas na sentença, pois precisamente o que evidencia sua história pessoal é que desde bem jovem teve indubitável conhecimento da causa, a das lutas e aspirações da classe obreira e libertária a qual pertencia. De fato, o santurtziarra começou logo a trabalhar nos Altos Fornos, filiando-se à CNT, e iniciada a guerra, não duvidaria tampouco em somar-se a seus companheiros de ideal no batalhão Isaac Puente, onde se destacaria por seu arrojo na sangrenta batalha de Villarreal, o que o levaria a ser promovido a tenente. Da mesma forma, participaria na ofensiva contra Oviedo, onde ocorreria um fato que nos faz ver que tampouco carecia de senso de humor e boa diversão: nas escaramuças pela infrutífera conquista da capital asturiana, um dos companheiros de batalhão está a ponto de disparar ao confundi-lo com um integrante das tropas mouras que se encontram guerreando como mercenários para o bando nacional. Antonio, inteirado do acontecido, jurará jocoso pintar as orelhas de vermelho e refletir assim, em sua cara, as cores confederais para não voltar a ser confundido com o inimigo. O fato foi colhido pela repórter Cecilia G. Guilarte – outra injustamente esquecida – em CNT do Norte, jornal para o qual se encontra cobrindo a guerra na frente de Oviedo [5].

Após continuar o combate contra o fascismo em Bizkaia e Santander, será capturado e recluso nos presídios de Bilbao e Astorga, cidade na qual se estabeleceria após sua liberação (e muito próximo da Bañeza, onde faleceria pouco depois de enfermidade).

Recuperar pequenas histórias como a de Antonio Salón ajudam a ir ampliando o desconhecido mosaico das minorias racializadas no seio do Movimento Libertário. Algo no qual já abriram caminho os recentes trabalhos sobre Mariano Rodríguez Vázquez, “Marianet”, que chegaria a ser secretário geral da CNT, Helios Gómez Rodríguez, o “artista da gravata vermelha” com viagens de ida e volta ao anarquismo, ou a incombustível miliciana donostiarra Casilda Hernáez Vargas, todas elas, pessoas de etnia cigana.

Notas

1. Há várias cópias da imagem expostas nas redes sociais, mas o original faz parte do impressionante Arquivo fotográfico da guerra civil espanhola da Fundação Anselmo Lorenzo.

2. Outros dados afirmam que foi capturado em Bilbao, pego pelas forças nacionais.

3. “Voluntarios internacionales y asesores extranjeros en Euzkadi (1936-1937)”. Francisco Manuel Vargas Alonso. Historia contemporánea nº 34, pp. 323-362 (2007).

4. https://nabarralde.eus/salon-cubano-antonio/

5. “Nuestra reporter en los frentes de Oviedo”. CNT do Norte, 26 de fevereiro de 1937. https://elgrancapitan.org/foro/viewtopic.php?t=26175&start=180

Fonte: https://serhistorico.net/2021/10/02/antonio-salon-miliciano-con-conocimiento-de-causa-miguel-a-fernandez/

Tradução > Sol de Abril

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Já é primavera —
Uma colina sem nome
Sob a névoa da manhã.

Bashô

[Espanha] 85 anos do Conselho de Aragão, o primeiro e último governo libertário do mundo

• Localizada na parte oriental de uma comunidade autônoma dividida em duas pela Guerra Civil, foi definida como uma entidade administrativa autônoma que gozou da aquiescência da República até que esta decretou seu fim em um período de apenas dez meses, entre outubro de 1936 e agosto de 1937.

Por Miguel Barluenga | 23/08/2021

Foi o primeiro governo libertário reconhecido no mundo e, no final, uma experiência única. Uma república dentro da República Espanhola com uma vida efêmera. Contra o pano de fundo da deflagração da Guerra Civil e do avanço das tropas insurgentes em Aragão, foi fundado em outubro de 1936 o Conselho Regional de Defesa de Aragão. Durante 10 meses, até 11 de agosto de 1937, foi definida como uma entidade administrativa autônoma localizada na parte oriental da região, na qual foi criada uma organização econômica baseada em coletividades e politicamente progressista; ao mesmo tempo, tentou canalizar o esforço de guerra. Dependendo da Segunda República, esta última decretou sua dissolução “manu militari”.

Passarão agora 85 anos desde esta iniciativa, que teve seu órgão de governo: presidente, conselheiros e capital. Havia dois, primeiro em Fraga e depois, definitivamente, em Caspe. Nos primeiros meses da guerra, os golpistas entraram em Aragão pelo lado ocidental e logo controlaram as três capitais de província: Huesca, Zaragoza e Teruel. A linha de frente separava então aquela parte do território do leste, onde a Confederação Nacional dos Trabalhadores (CNT) era forte. Depois de avançarem da Catalunha e da Comunidade Valenciana, os anarquistas determinaram a organização econômica e social do território que dominavam com a conivência dos órgãos governamentais locais.

A partir de janeiro, os comunistas, Izquierda Republicana e UGT aderiram ao Conselho Aragonês. A impossibilidade de preservar o tráfego comercial e o funcionamento normal das administrações em uma comunidade autônoma dividida pela metade levou o governo republicano a se comprometer com a situação. Tudo isso no interesse de uma maior coordenação, já que as milícias revolucionárias controlavam a área e, na opinião de alguns historiadores, garantiam assim a sobrevivência das aldeias da área em meio à guerra. Diante desta necessidade, a CNT convocou uma reunião plenária sindical em setembro de 1936 na cidade de Bujaraloz, na sede da Coluna Durruti, que deu forma a este Conselho presidido pelo militante da CNT Joaquín Ascaso.

A sessão plenária concordou com a criação do Conselho Regional de Defesa de Aragão, que incluiu 450 coletivos rurais. Quase todos eles estavam nas mãos da CNT e cerca de 20 nas mãos da UGT. Segundo o historiador Santiago Navascués, “o governo da República nunca gostou da ideia do território permanecer nas mãos dos anarquistas”. Mas em dezembro não teve outra escolha senão aceitar a situação e reconhecer o Conselho de Aragão como o órgão do governo republicano na área. Era isso ou criar um vácuo de poder e um caos que teria sido explorado pelo exército de Franco. Isto significou que durante cerca de seis meses, na prática, foi um pequeno estado independente e revolucionário, com suas luzes e sombras, dentro do estado republicano”.

A bandeira, que aspirava um dia suceder a espanhola, representava todas as forças antifascistas: vermelho e preto (CNT), vermelho (UGT) e roxo em alusão aos partidos da Frente Popular. O brasão foi dividido em quatro quartos por um A de Aragão, representando uma oliveira em relação a Teruel, o rio Ebro em Zaragoza e os Pirineus em Huesca. A corrente quebrada no centro simbolizava o novo e livre Aragão. O brasão de armas foi coroado por um sol nascente, emblema do Aragão que se levantava sobre o que havia sido destruído pelos inimigos da liberdade.

A evidente tensão e desconfiança entre os anarquistas e o resto das formações de esquerda diminuíram a partir de 1937 e também foi alcançada uma harmonia que, no entanto, não desempenhou um papel decisivo no desenvolvimento da guerra na chamada “Frente Aragão”. O Conselho estava preocupado com a alfabetização, começou a construir escolas e lançou campanhas de leitura. Manteve boas relações com a Catalunha e Valência e estimulou o comércio com produtos excedentes, como cereais, óleo e castanhas. Para Ledesma, “é difícil avaliar a gestão econômica das coletivizações anarquistas, mas o historiador Hugh Thomas apontou que a produção de carvão nas minas de Utrillas era apenas um décimo do que era antes da guerra”.

O início do fim do Conselho de Aragão foi forjado a partir de dentro. O governo da República não queria que seu exército confiasse fortemente nas milícias dos trabalhadores. O desenvolvimento da guerra colocou um obstáculo nesta iniciativa, e como resultado de dissensões internas, o então presidente da República, Juan Negrín, decretou em 18 de agosto de 1937 a dissolução do Conselho de Aragão com a ajuda das tropas de Enrique Líster e nomeou José Ignacio Mantecón, membro da esquerda republicana, como governador-geral de Aragão. Joaquín Ascaso e outros membros do Conselho foram presos e acusados, entre outras coisas, de contrabando de jóias.

O último suspiro deste corpo também antecipou a morte dos republicanos. Os camponeses invadiram os coletivos, os escritórios do Comitê Regional da CNT foram ocupados e seus arquivos e registros confiscados pelas autoridades republicanas. Outras unidades militares de limpeza da comunidade ocuparam vários coletivos no vale do Ebro e Alto Aragão e a prisão foi o destino habitual dos anarquistas que participaram do lançamento de uma iniciativa pioneira, de curta duração e sem herdeiros.

Fonte: https://www.eldiario.es/aragon/85-anos-consejo-aragon-primer-ultimo-gobierno-libertario-mundo_1_8240410.html

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Ao florescer em tom rosa
pálido, quase branco, o ipê
brinca que está nevando.

Ana Setti