[Chile] O livro sobre Juan Demarchi, o anarquista que inspirou Allende

Por Marco Fajardo

O historiador Manuel Lagos Mieres (1979), apresentou em Valparaíso seu livro “Juan Demarchi (1866-1943) – A tempestuosa vida de um anarquista”, um personagem histórico do anarquismo que inspirou o presidente socialista Salvador Allende, quando este era um adolescente.

A apresentação ocorreu na livraria Flora, no bairro Porto.

Demarchi foi um carpinteiro anarquista italiano que emigrou de Turim, primeiro à Argentina, e logo ao Chile. Dedicou sua vida à defesa dos direitos das pessoas trabalhadoras.

Memória histórica

Lagos é Mestre em História pela Universidade de Santiago, especialista em história social e cultural do anarquismo e comunismo no Chile.

Antes, ele escreveu “Feminismo Obrero en Chile. Orígenes, experiencias y dificultades (1890-1930)”, (Fondo del Libro y la Lectura, 2019) [Feminismo Operário no Chile. Origens, experiências e dificuldades (1890-1930)]; Los comunistas en tierras australes. experiencias de lucha, discursividades y relaciones con la resistencia huilliche, 1917-1927″ (Talleres Sartaña, 2020) [Os comunistas em terras autrais. Experiências de luta, discursividades e relações com a resistência Huilliche, 1917-1927]; “Experiencias educativas y prácticas culturales anarquistas en Chile, 1890-1927” (2013) [Experiências educativas e práticas culturais anarquistas no Chile, 1890-1927]; “Los Subversivos. Las maquinaciones del poder “república” de Chile, 1920″ (Quimantú, 2012) [Os Subversivos. As maquinações do poder “república” do Chile, 1920], entre outras várias publicações.

Perguntado sobre a origem do livro, Lagos contou que “se trata de uma inquietude que vem de anos, quando um grupo de amigos historiadores reunidos em torno do periódico El Surco, começamos a cruzada pelo resgate da memória histórica do anarquismo no Chile”.

“Nesta ocasião, Demarchi aparecia como um candidato proeminente, pois em praticamente todas as biografias de Allende, aparecia nomeado como um personagem relevante em sua formação política, mas nunca havia surgido o interesse por saber quem era realmente este personagem”, explicou.

“Quem foi Juan Demarchi? Um anarquista, daqueles que a imprensa oficial e as autoridades da época qualificaram sob a denominação de ‘agitador social’, portanto, um homem permanentemente perseguido pelas autoridades em praticamente todos os países por onde passou na América do Sul: Brasil, Argentina, Chile, sem citar suas atividades na Itália, França, Marrocos, Portugal e Espanha. Um homem que assumiu suas ideias como uma grande revelação e que, como apóstolo peregrino, quis que o mundo conhecesse. Nesse transe, seus passos o levaram para o Chile”.

Nesse sentido, “esta visão se afasta então das especulações e caricaturas sobre Demarchi, como um aventureiro, um personagem romântico, fugitivo. Se trata, antes de tudo, de um lutador social que fez de sua vida uma entrega total às ideias que propagava. Este livro, nesse sentido, constitui uma primeira aproximação ao que logo será uma publicação definitiva que liquide a dívida histórica que se tem com este lutador”.

Lagos destacou que “nesta pesquisa, várias pessoas contribuíram, e de formas distintas. Não quero falar de ‘achados’, pois a presente obra é também uma história viva, que pode ser construída no calor dos acontecimentos. Nesse sentido, talvez o acontecimento mais importante foi o encontro, tal qual o de Allende e Demarchi nos anos 1920 e 1930 em Valparaíso, foi um encontro mágico, cheio de êxitos, no qual muitas das peças de um quebra-cabeças conseguiram se encontrar novamente, complementando com a memória passada de geração a geração os conhecimentos que eu tinha”.

Relação com Allende

Quanto à relação com Allende, Lagos contou que Demarchi, como militante da seção portenha do sindicato Industrial Workers of the World (IWW), era um dos diretores nessa época (ano 1922-23) do Ateneu Operário da Federação de Carpinteiros, localizado em San Ignacio 109, em Valparaíso.

“Ali se reunia operários de distintos grêmios, artistas operários, certa vanguarda cultural. Allende saía do Liceu Eduardo de la Barra, e caminhava umas quadras desse local, que sempre estava aberto com gente que saía e entrava. Ali mesmo, Juan Demarchi tinha sua oficina de carpintaria, e ao lado estava a oficina de sapataria de Pedro Ortúzar (outro ícone do anarquismo portenho de Valparaíso)”, relata.

“Aqui começou a se forjar esse encontro mágico, como definiu Jorge Arrate. É aqui onde além de jogar xadrez – Allende disse que Demarchi o ensinou a jogar xadrez – se produziu o intercâmbio natural de ideias, leituras, inquietudes e sonhos, que dividia com a plêiade de operários ilustrados que atuavam neste espaço”.

Já em 1926, enquanto Allende vai ao serviço militar, logo estudar medicina na Universidade do Chile, Demarchi, comprometido com a luta social no porto, vai ao exílio. Voltariam a se encontrar nos anos 1930, esta vez com um Allende já militante socialista. Allende editou um Boletim dos Trabalhadores Médicos, e Demarchi colaborou nesse boletim, comentou o historiador.

A atualidade de Demarchi

Quanto à atualidade de Demarchi no Chile após o estallido [revoltas iniciadas em de 18 de Outubro de 2019] e no processo Constituinte, Lagos destacou que “Demarchi e sua geração fundaram no Chile uma forma de fazer política. Essa forma se baseava no respeito absoluto à assembleia: toda decisão coletiva passava por ela”.

“Se autoformavam no calor de inumeráveis atividades culturais, se constituindo como um verdadeiro sinal identitário ao autodidatismo. Aqueles operários foram cultivando estas formas no calor de seus focos de sociabilidade e cultura, para logo expor e colocar à sociedade inteira”, expõe sobre a obra, que a partir da próxima semana esteve na livraria Projeção (San Francisco, 51) de Santiago.

“Começaram a fazer isso já nos anos 1920 e foram acusados de subversão por uma grosseira montagem contra a IWW, e aí se iniciou o chamado ‘Processo aos Subversivos’. Por um lado, a construção política pelas bases, de forma federalista, baseada na ação direta – entendida amplamente, e não só como propaganda pelo fato -, a construção autônoma, o autodidatismo, e por outra, a reação do poder, que não tolerou um tipo de construção que transbordasse os canais institucionais. Ambas formas prevalecem até nossos dias”, concluiu.

Fonte: https://www.elmostrador.cl/dia/2021/09/16/el-libro-sobre-juan-demarchi-el-anarquista-que-inspiro-a-allende/

Tradução > Caninana

agência de notícias anarquistas-ana

Tranqüilidade —
O monge da montanha
Espia através da cerca.

 Issa

[Itália] Milão: Sede do Partido Democrático é atacada

Na noite de 7 e 8 de outubro, as janelas da sede do Partito Democrático (Partido Democrata) no distrito de Ortica foram quebradas.

 Como todos os outros partidos, a linha de governo do partido (nos últimos oito anos foi o partido que mais governou) tende a favorecer a elite e piorar as condições de vida dos menos favorecidos, e é um dos principais proponentes das restrições atuais e do passe verde (ou passe sanitário), um instrumento de chantagem e discriminação que impõe a segregação social àqueles que a recusam.

Esta ação quer enviar uma mensagem clara: empreender e apoiar uma luta centrada na proliferação de ações diretas contra as instituições e aqueles que detêm as rédeas.

Solidariedade ativa com os prisioneiros anarquistas espalhados pelo mundo.

Aos que não se rendem, aos que continuam a acreditar na revolta anarquista e na guerra de guerrilha.

Fonte: https://roundrobin.info/2021/10/milano-attaccata-sede-pd/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

É anônimo o autor
Deste esplêndido poema
Sobre a primavera.

Shiki

[Chile] “Editorial autodidacta”, é uma editora anarquista e autogestionada

“Editorial autodidacta”, é uma editora anarquista e autogestionada, nosso principal objetivo é a difusão de nosso belo ideal, pois incentivamos nossos compas a ter livre acesso a nossos livros em PDF, bem como nossos serviços de design, desde cartazes, fanzines, logotipos, revistas, etc. Desde qualquer parte do mundo. Sempre que estejam de acordo com nossos ideais ou façam parte de um coletivo ou organização.

Precisamos de seu apoio e colaboração para que nossos projetos tenham continuidade, para isso você pode adquirir nossos livros impressos a um preço econômico. A “Autodidacta” é feita pela mão de obra artesanal de desenhistas e artistas autônomos.

Colabore, apoie e divulgue.

Editorial Autodidacta.

editorialautodidacta.org

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Céu de primavera
no jardim dorme a menina.
Qual a flor do sonho?

Anibal Beça

[Espanha] Lançamento: “El último resistente de Madrid. Mauro Bajatierra. Vida y obra de un anarquista de acción”, de Julián Vadillo Muñoz

Mauro Bajatierra Morán (Madrid, 1884-1939) foi uma figura-chave na compreensão do estabelecimento e desenvolvimento do movimento operário e libertário em Madrid no primeiro terço do século XX. Padeiro de profissão, sua habilidade e autoeducação o levaram a conhecer muitos idiomas e a colaborar desde cedo na imprensa, o que fez de Bajatierra um jornalista a serviço dos trabalhadores. Algumas delas estão incluídas nesta antologia.

Apesar de pertencer às sociedades de panificação da UGT, Bajatierra promoveu a criação do Ateneu Sindicalista de Madrid e do Centro de Estudos Sociais da capital da Espanha. Sua participação e seu testemunho são fundamentais para compreender o movimento operário na crise da Restauração. Militante da Maçonaria, Bajatierra foi acusado sem provas de ter participado da tentativa de assassinato contra o presidente do governo Eduardo Dato, mas foi absolvido dessas acusações. Ele escreveu a obra “Quem matou Dato?”, incluída neste livro.

Durante a ditadura de Primo de Rivera, seu trabalho foi fundamental nos contatos que a oposição republicana teve com o movimento anarquista, sendo um dos fundadores da FAI, a Federação Anarquista Ibérica, em 1927. Crítico das medidas do governo republicano-socialista desenvolvidas a partir de 1931, o anarquista madrilenho sempre foi a favor da aliança revolucionária entre a CNT e a UGT, participando também com sua caneta em numerosos jornais da época.

A Guerra Civil foi o epítome de sua carreira. Correspondente de guerra do jornal CNT, suas crônicas estavam entre as mais famosas da época.

As atividades de Bajatierra também estavam centradas na literatura, sendo autor de numerosos romances curtos, contos infantis e peças de teatro, alguns dos quais alcançaram grande fama na época.

Seu assassinato em 28 de março de 1939 em Madri, às portas de sua casa, fez de Bajatierra uma das primeiras vítimas do fascismo na capital da Espanha. E como Lucía Sánchez Saornil o apelidou de: “El ultimo resistente de Madrid”.

El último resistente de Madrid. Mauro Bajatierra. Vida y obra de un anarquista de acción.

Julián Vadillo Muñoz

LaMalatesta Editorial, Madrid 2021

460 págs. Rústica 20×13 cm

ISBN 9788494785634

15,00 €

lamalatesta.net

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Pé de ipê!
Dá dó de varrer
o tapete lilás.

Cumbuka

Mulheres Anarquistas | Emilienne Leontine Morin (1901–1991) conhecida como Mimi ou Mimi-FAI

Emilienne Morin nasceu em Angers, na França, em 28 de outubro de 1901. Ela era filha do militante anarquista Etienne Morin. Ele era um trabalhador de construção militante que havia abrigado vários “trapaceiros” e desertores durante a Primeira Guerra Mundial. Ele parece ter se mudado para Paris na década de 1910 com sua família e foi ativo em um grupo da Federation Communiste Anarchiste.

Emilienne estava ativa desde cedo em círculos revolucionários. Em 1916 foi Secretária do jornal anti-guerra Ce Quil Il Faut Dire (Editado pelos anarquistas Sebastien Faure e Mauricius). Ela também atuou no grupo de jovens sindicalistas do 15º arrondissement e, a partir de 1923, atuou como membra de sua secretaria. Em 1924, ela se casou com o militante anarquista italiano Mario Cascari (também conhecido como Cesario Tafani ou Oscar Barodi). Eles se divorciaram três anos depois.

Emilienne foi ativista pela Liberdade de Sacco e Vanzetti dirigida pela União Anarquista Comunista (UAC) e depois pela Comissão de Apoio Durruti-Ascaso-Jover também organizada pela UAC, para defender os três anarquistas espanhóis presos pelo Estado francês.

Em 14 de julho de 1927 ela conheceu o anarquista espanhol Buenaventura Durruti na Livraria Internacional Anarquista em 72 ,Rue Des Prairies ,no 20º , arrondissement de Paris. Sua amiga e camarada Berthe Fabert (muitas vezes erroneamente nomeada como Faber ou Favert) dirigia a livraria com sua então parceira Severin Ferandel e ela conheceu o colaborador próximo de Durruti, Francisco Ascaso no mesmo dia.

Como Emilienne deveria relembrar: “Durruti e eu nunca nos casamos, é claro, o que você acha? Anarquistas não vão ao registro civil, nós nos encontramos em Paris, ele tinha acabado de sair da prisão… Durruti saiu naquela mesma tarde, visitou alguns amigos, eu estava lá, nos vimos, nós interessamos e continuamos”.

Quando Durruti foi expulso da França em julho de 1927, Emilienne desistiu de seu emprego como datilógrafa e se juntou a ele em Bruxelas. Lá, muitos anarquistas espanhóis viviam em semi-clandestinidade. Uma delas, Lola Iturbe, iria relembrar que: “Emilienne era então uma jovem muito simpática, de pele clara e olhos azuis, cabelos cortados em estilo moleque. Seu caráter enérgico, suas convicções ideológicas e seus dotes oratórios foram mostrados nos debates públicos — especialmente com os comunistas — que ocorreram na Maison Du Peuple em Bruxelas.”

A vida foi difícil para o casal em Bruxelas. Em 1931 eles se mudaram para a Espanha. Emilienne continuou com sua atividade militante e foi ativa escrevendo para a imprensa da CNT e participando de reuniões e demonstrações. No dia 4 de dezembro ela deu à luz uma filha, Colette, em Barcelona. Ela teve que criar sua filha quase sozinha, pois Durruti estava quase sempre escondido ou preso neste período. Os camaradas conseguiram um emprego para ela, trabalhando no teatro de Goya enquanto a anarquista de Barcelona, Teresa Margalef, cuidava de Colette.

Com a eclosão da Revolução Espanhola e da Guerra Civil, Emilienne se juntou à Coluna Durruti na Frente de Aragão e trabalhou como secretária em seu QG, onde estava encarestava no A Coluna. Quando A Coluna se mudou para Madri, ela retornou a Barcelona para cuidar de sua filha.

Após a morte de Durruti, ela trabalhou por um tempo com o Conselho de Defesa e depois retornou à França para participar de campanhas solidárias para os anarquistas espanhóis, escrevendo artigos e dirigindo reuniões. Foi uma das palestrantes do encontro em apoio aos anarquistas espanhóis assistidos por 4.000 pessoas e convocada pela União Anarquista (UA) no dia 27 de maio de 1937 em Paris.

Ela tornou-se ativa no Solidarité Internationale Antifasciste (SIA) criado pelos anarquistas Nicolas Faucier e Louis Lecoin, que fez campanha em apoio ao anarquismo espanhol. Ela também escreveu para Le Libertaire, o jornal da UA, contribuindo com artigos sobre a situação espanhola, incluindo sua descrição da vida na Coluna Durruti. Em 22 de novembro de 1938, ela falou na reunião em massa em Paris organizada pela UA para relembrar e celebrar Durruti.

Com a Ocupação, ela teve que viver na clandestinidade, ainda envolvida em solidariedade com os anarquistas espanhóis em circunstâncias difíceis. Ela continuou esta atividade após a guerra e até sua morte em 14 de fevereiro de 1991 em Quimper, na Gran Bretanha.

Enszensberger, Hans Magnus. Le bref été de l’anarchie. (1980)
Paz, Abel. Durruti In The Spanish Revolution (2006)
http://guerraenmadrid.blogspot.com/2013/11/emilienne-morin-la-francesa-que-amo.html
https://militants-anarchistes.info/spip.php?article4086

Fonte: https://medium.com/@anarcofeminismodidatico/mulheresanarquistas-emilienne-leontine-morin-1901-1991-conhecida-como-mimi-ou-mimi-fai-4e3238502dfc

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Azul, céu, veludo
A pipa, a cor se dissipa
e transforma tudo

Alvaro Posselt

[Chile] 18 de outubro: segue o caminho da luta

Há dois anos, as pessoas que vivem no território controlado pelo Estado do Chile eclodiram no que foi denominado estallido. A tradução para a língua portuguesa brasileira ainda não tem um consenso, mas o estallido, esse “estalar” foi uma grande mobilização popular pelo basta às políticas capitalistas, genocidas, etnocidas e patriarcais que foram levadas adiante nos muitos séculos de dominação colonial e, em seguida, militar e neoliberal que levou a maioria da população que lá vive a sentir, na pele, as muitas opressões do Estado sobre a vida das pessoas, dos animais não humanos, e da natureza.

Passados dois anos, e com uma nova Constituição em processo, a luta não parou, assim como as diferentes formas de organização não tiveram início no 18 de outubro de 2019. Diferentes iniciativas, sociais e anti-sociais, estão sendo realizadas para fazer valer as palavras pelas ações: desde a sabotagem, com destruição de caminhões e maquinários de grandes empresários ecocidas que agridem os territórios originários¹ até o lançamento de explosivos para atingir centrais de estudos para investigar e criminalizar iniciativas políticas² são amostras de que a combatividade segue viva, mesmo no declarado Estado de Exceção, que está em vigência em todo o país.

A nova Constituição, sim, é uma conquista dessas jornadas que tiveram o início no estallido³Porém, a presença de pessoas presas políticas nas prisões-empresas – por lá, as prisões são privatizadas – ainda mostra que o Estado concede apenas migalhas do que foi e é exigido pelas muitas frentes de luta que acontecem por lá.

Neste 18 de Outubro de 2021, relembramos as mobilizações das multidões naquela primavera de dois anos atrás. Relembramos as pessoas que ainda estão sequestradas pelo Estado Chileno em suas prisões. Relembramos os ataques aos povos originários nas diferentes regiões de Wallmapu. Relembramos a xenofobia que o Estado e alguns setores da sociedade lançam contra as pessoas imigrantes. Relembramos a violência dos carabineros, a polícia que agride constantemente as pessoas que vivem nas comunidades que não se beneficiam do neoliberalismo. Relembramos as ofensivas que buscam dignidade em um país onde a Ditadura Civil-Militar destruiu os serviços públicos básicos, como saúde e educação, e impôs um regime de previdência privada no qual as pessoas trabalham até morrer.

Esse modelo militarista e neoliberal, combatido no então denominado Chile, está sendo imposto pelo governo que domina o Estado denominado pela colonização como Brasil. Cabe, a quem aqui vive, olhar e agir, relembrando, inspirando e conspirando, tal como as pessoas companheiras que estão do outro lado da Cordilheira dos Andes.

Relembramos e não esquecemos! Só a luta muda a vida! Viva a Anarquia!

Caninana.

Pindorama [São Paulo], 18 de outubro de 2021.

[1] https://www.biobiochile.cl/noticias/nacional/region-de-la-araucania/2021/10/18/al-menos-ocho-camiones-destruidos-y-un-lesionado-dejan-dos-ataques-incendiarios-en-la-araucania.shtml

[2] https://www.biobiochile.cl/noticias/nacional/region-metropolitana/2021/10/18/bomba-que-detono-anoche-en-anepe-no-seria-de-ruido-pericias-buscan-establecer-que-explosivo-se-uso.shtml

[3] https://rebelion.org/un-chile-posneoliberal-feminista-y-plurinacional/

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Da estátua de areia
nada restará,
depois da maré cheia.

Helena Kolody

[EUA] Lançamento: “A Country of Ghosts”, de Margaret Killjoy

Já disponível para pedidos antecipados com desconto de 25% no preço de catálogo! Peça agora sua cópia e te enviaremos assim que o livro for lançado.

“Uma fantasia política e épica na tradição de Tepper e Le Guin. Não há ninguém hoje em dia produzindo um trabalho igual ao de Margaret Killjoy. Um livro forte, que não deve desculpas a ninguém, ferozmente original.” – Laurie Penny, autora de Everything Belongs to The Future

“Este romance corajoso e evocativo explora a questão do que uma comunidade anarquista poderia fazer para resistir aos ataques que certamente viriam se alguma experiência deste tipo virasse realidade.” – Kim Stanley Robinson, autor da trilogia Mars

A Country of Ghosts é divertido, politicamente intrigante e seu cenário é um lugar do qual eu senti saudade imediatamente após virar a última página.” – Nick Mamatas, autor de I am Providence Bullettime

Dimos Horacki é um jornalista boroliano e patriota cínico cujo passado é de sujeiras. Mas quando seu jornal faz com que ele vá parar no front, ele é incorporado pelo exército imperial e a realidade da expansão colonial se dá diante dele. Suas aventuras o levam das pequenas vilas para o grande refúgio na cidade de Hronople, feita de vidro, aço e pedras. Tudo isso se dá enquanto a guerra se espalha ao seu redor. O império luta por carvão e ferro, enquanto os anarquistas de Hron lutam pelos seus meios de vida. O livro é um romance de utopia sitiada que desafia qualquer premissa da sociedade contemporânea.

Esse é o segundo título na série Back Dawn de ficção especulativa da editora AK Press

Margareth Killjoy é a autora trans de The Lamb Will Slaughter The Lion and The Barrow Will send What it May.

A Country of Ghosts

Margaret Killjoy

Editora: AK Press

Formato: Book

Encadernação: pb

Páginas: 200

Data de Lançamento: 23 de novembro de 2021

ISBN-13: 9781849354486

akpress.org

Tradução > Calinhs

agência de notícias anarquistas-ana

Morcego em surdina
morde e sopra o velho gato.
Não contava o pulo…

Anibal Beça

Papo de Punk | “Rupturas e continuidades no punk de São Paulo”

Dia 23 de Outubro, às 19 horas, temos mais um encontro marcado com o Papo de Punk. Dessa vez receberemos a Tatiana Sanson (Cientista Social, baixista no Avante!, e que já atuou em bandas como TPM, Infect e No Violence) e o Ruy Fernando (Apresentador do Programa de rádio on-line xruydox, Ex-No Violence, Parental Advisory, Bandanos e Static Control, e ex- membro dos coletivos Juventude Libertária, SELF, Alimento & Ação e Verdurada). O bate-papo será mediado pelo João Bittencourt (PSN Brasil) com transmissão pelo canal da Punk Scholars Network Brasil, no YouTube Esperamos vocês!

Arte: @rafaeleffe

>> Acesse o link e se inscreva em nosso canal:

https://youtube.com/channel/UCZDgFbQp1tW0MVPOQpJAyJw

Punk Scholars Network Brasil (PSN-BR)

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/09/23/papo-de-punk-selos-e-distribuidoras-diy-a-experiencia-da-no-gods-no-masters/

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O sol já se foi –
Nuvens negras sobre o céu
e o brilho do ipê.

Benedita Azevedo

Justiça condena União, Funai e MG por campo de concentração indígena durante ditadura militar

O povo Krenak foi expulso de suas terras e obrigado a viver confinado em uma fazenda. O governo ainda criou uma prisão indígena e formou uma guarda composta por pessoas de várias etnias para causar desagregação da cultura.

A 14ª Vara Federal de Minas Gerais condenou a União, a Fundação Nacional do Índio (Funai) e o governo do estado por violações dos direitos humanos e civis do povo indígena Krenak – que vive na Região do Vale do Rio Doce – durante a ditadura militar.

Em 1972, homens, mulheres e crianças foram expulsos de suas terras pelo governo e obrigados a viver confinados na Fazenda Guarani, pertencente à Polícia Militar (PM), em Carmésia, a mais de 300 quilômetros de distância de suas terras. A medida foi tomada para facilitar a ação de posseiros vizinhos que tomaram os mais de 4 mil hectares dos indígenas.

Em 1969, o governo militar já havia criado o Reformatório Agrícola Indígena Krenak, um presídio que chegou a abrigar 94 pessoas de 15 etnias, vindas de 11 estados brasileiros.

Guarda e tortura

Outra violação foi a criação da Guarda Rural Indígena, composta por pessoas das aldeias que vigiavam e puniam os presos. A primeira turma foi treinada pela Polícia Militar de Minas Gerais e era composta por 84 indígenas de diferentes etnias e regiões do país, entre elas Craós (Maranhão), Xerente (Goiás), Carajás (Pará), Maxacali (Minas Gerais) e Gaviões (Tocantins).

A medida causou desagregação dentro do grupo, ferindo a cultura e o espírito de irmandade entre os povos.

A única foto que documenta uma cena de tortura durante a ditadura militar é de um indígena em um pau-de-arara sendo “exibido” em Belo Horizonte, na presença de autoridades como secretários de estado. O evento era a formatura da 1ª turma da Guarda Rural Indígena.

O que determina a Justiça

Segundo a decisão da juíza federal Anna Cristina Rocha Gonçalves, a União, a Fundação Nacional do Índio (Funai) e o governo do estado terão que realizar, em um prazo de seis meses, “após consulta prévia às lideranças indígenas Krenak, cerimônia pública, com a presença de representantes das entidades rés, em nível federal e estadual, na qual serão reconhecidas as graves violações de direitos dos povos indígenas, seguida de pedido público de desculpas ao Povo Krenak”.

A Funai também terá que concluir o processo administrativo de delimitação da terra de Sete Salões, considerada sagrada para os indígenas. Só em 1993 que os Krenak conseguiram parte dos 4 mil hectares originais de volta. Porém, esta área ficou de fora.

A Justiça também determinou que a Funai e o Estado de Minas Gerais implementem “ações e iniciativas voltadas ao registro, transmissão e ensino da língua Krenak, de forma a resgatar e preservar a memória e cultura do referido povo indígena, com a implantação e ampliação do Programa de Educação Escolar Indígena”.

A União deverá reunir toda a documentação relativa às graves violações, disponibilizando-a na internet, no prazo de seis meses.

Violência sexual

Na ação, o Ministério Público Federal (MPF) ainda pede a punição do capitão Manoel dos Santos Pinheiro, responsável pelo reformatório na época de sua criação. O órgão reivindicou a perda da patente e da aposentadoria de militar.

Indígenas ouvidos pela Comissão da Verdade nos últimos anos relataram abusos cometidos pelo capitão:

“Não tinha juiz, não tinha advogado, não tinha Justiça, não tinha nada. O capitão Pinheiro era quem decidia quem ia para a cadeia e quanto tempo ficava”, disse a indígena Maria Júlia, em depoimento.

“Se um militar queria uma índia, ela tinha que dormir com ele e o marido ficava preso. E isso aconteceu muitas vezes. O próprio capitão Pinheiro vinha de vez em quando na aldeia Krenak e praticava estes atos de violência sexual contra as mulheres”, contou Douglas Krenak, também em depoimento.

A defesa do militar reformado nega as acusações. A juíza entendeu que o pedido de punição do MPF deve ser analisado pela Justiça Militar, mas determinou que ele também é responsável pelas violações dos direitos dos indígenas.

O que dizem os condenados

A União e a Funai — ambas representadas pela Advocacia-Geral da União (AGU) — disseram que não receberam intimação até a manhã desta quinta-feira (16).

A Advocacia-Geral do Estado informou que ainda não foi notificada da decisão.

Fonte: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2021/09/15/justica-condena-uniao-funai-e-governo-de-mg-por-campo-de-concentracao-indigena-durante-ditadura-militar.ghtml

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Uma flor que cai –
Ao vê-la tornar ao galho,
Uma borboleta!

Arakida Moritake

 

“O Inimigo do Rei”

Neste mês de outubro, em 1977, seria impresso o primeiro número do periódico “O Inimigo do Rei”, na Bahia, na cidade de Salvador. Ele foi um dos principais organismos libertários e anarquistas no período da Ditadura Militar. Para diversos especialistas, o periódico se sobressaiu por adiantar muitos dos temas da contracultura e do ressurgimento do anarquismo no país, pois além de certa inserção no movimento estudantil da Bahia, foi distribuído em São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro. Abordava diversos temas como a defesa de um movimento estudantil combativo, o apoio à radicalização dos sindicatos, a tentativa de reconstrução do anarcossindicalismo, a luta contra a homofobia e denúncias de governos de direita e esquerda homofóbicos, descriminalização do aborto, antirracismo, anti-imperialismo e outros.

>> Para mais infos, acesse:

INIMIGO DO REI. A MÍDIA ALTERNATIVA ANARQUISTA: ESTUDOS DE CASOS. BRASIL. (1977 – 1988)

http://www.uel.br/cch/cdph/portal/pages/arquivos/Instrumentos-Pesquisa/TRAB-ACADEMICOS_DIGITALIZADOS/HISTORIA/INIMIGO%20DO%20REI.%20A%20MIDIA%20ALTERNATIVA%20ANARQUISTA%20ESTUDOS%20DE%20CASOS.%20BRASIL.%20%20(1977%20-%201988).pdf?fbclid=IwAR2s5E43QcQro7QmTYUCzaAS_0Egm_Wc7LlNzxcOpaBV5ShMl7tGObUwyZI

Fonte: História da Classe Trabalhadora

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Tarde no jardim –
Desprende-se do galho
uma borboleta

Alvaro Posselt

Anarquistas de ação na história argentina

O autor do romance “Modesta dinamite” repassa o percurso do anarquismo na Argentina e conta como resolveu os pontos cegos de sua trajetória em seu próprio livro.

Na extensa história dos massacres argentinos, a repressão contra militantes anarquistas no começo do século XX foi um dos capítulos mais cruéis.

Em 1921, como lembrarão quem viu o filme “La Patagonia rebelde” ou lido Osvaldo Bayer, centenas de pessoas anarquistas foram fuziladas por fazer greve. Quantas pessoas, exatamente, nunca poderemos saber, pela impunidade com a que o Exército operou.

Somente na estância Anita, propriedade dos Braun-Menéndez perto de El Calafate, as pessoas executadas foram mais de 150. A maioria dos corpos nunca foram encontrados. Agora, que são cumpridos 100 anos desses fuzilamentos sem julgamento, a memória ressurge na mídia e nas redes sociais, despertando um leque de reações parecidas com as daquela época: pedir que os restos mortais sejam procurados e que a justiça seja feita, mudar de assunto, colocar a culpa nas pessoas grevistas, denunciar a hipocrisia do governo ou da oposição, criticar a idealização do operariado e a demonização do setor proprietário, etc.

Como o extermínio dos povos originários durante as sucessivas “Campanhas do Deserto”, os fuzilamentos de lideranças anarquistas colocaram o aparato repressivo do Estado ao serviço dos poderosos. Se o Exército arrasou primeiro com os povos originários, até 1921 o governo de Yrigoyen o pôs à disposição do patronato para esmagar os trabalhadores em greve que pediam uma fatia menos miserável do grande bolo da exportação. Mas a violência e a impunidade foram tão indignantes que um anarquista alemão de sobrenome Wilckens ia, rapidamente, passar à história como o vingador das pessoas que foram fuziladas.

A famosa “rachadura” que divide hoje as pessoas nascidas na Argentina não deve muito ao que havia até 1920, quando o Terrorismo de Estado se levantava sobre as pessoas militantes operárias.

Em fevereiro de 1922, na Câmara de Deputados da Nação, o representante socialista Antonio de Tomaso denunciava justamente o silêncio cúmplice da “imprensa grande”, como ele dizia, opondo à “imprensa livre”. Tão enorme era a rachadura, que Tomaso sentia a necessidade de explicar que representante gremial não é sinônimo de bandido, e que as greves da Patagônia não eram atos de terrorismo. Não havia mortos entre as tropas do exército, apontava, nem entre os fazendeiros e seus administradores, enquanto que todas as pessoas representantes operárias, que os informes militares designavam como cabeças, tinham “desaparecido”.

De Tomaso, dificilmente tinha podido imaginar que a palavra “desaparecido” ia se instalar definitivamente na história argentina. A outra campanha foi lançada por Manuel Carlés, o líder da Liga Patriótica, em um memorial publicado no jornal La Nación, no qual se reivindicava a repressão de uma nova conquista do deserto.

Sobre um fundo de valas comuns e cadáveres queimados com querosene, certos indivíduos se tornaram lendários. Um deles foi o oficial a cargo dos fuzilamentos, o tenente coronel Héctor Benigno Varela, que de benigno tinha muito pouco, pelo menos para as pessoas anarquistas. Em janeiro de 1923, o alemão Kurt Gustav Wilckens, outro dos nomes que geralmente é lembrado quando se alude a esta história, o interceptou na saída de sua casa, na Rua Fitz Roy, 2461 da então Capital Federal, jogou uma bomba nele e o arrebatou com um revólver.

Wilckens, que tinha chegado à Argentina em 1920, se tornou um herói regional. Na prisão, declarou que não queria ter matado um miserável oficial, mas “ferir nele ao ídolo desnudo de um sistema criminoso” para aproximar um futuro de “vida, amor e ciência”. Como os políticos e juízes lhes davam as costas, as classes operárias viram em Wilckens um justiceiro do povo, que nessa época era uma entidade bastante cosmopolita.

As pessoas operárias da Patagônia, por exemplo, costumavam vir de lugares tão diferentes como o antigo Império Russo ou Chile. Esse povo internacionalista associava Wilckens com outro mártir do anarquismo, Simón Radowitzky, que estava preso em Ushuaia há mais de uma década, por matar outro assassino, o coronel Ramón Falcón.

Os admiradores de Varela, contudo, não eram poucos, nem desprezavam os gestos de solidariedade. Depois de receber a notícia do atentado, os fazendeiros britânicos da Patagônia, que em muitos casos viviam em Buenos Aires e em Londres, encomendaram um monumento em sua honra.

Wilckens, como explica Osvaldo Bayer em “Los vengadores de la Patagonia trágica”, era um antimilitarista fervoroso. Qual foi o contexto em que decidiu matar e o permitiu fazer o plano? Evidentemente, não estava sozinho, apesar de ter se isolado por um tempo para não comprometer ninguém. Alguém fabricou a bomba (Andrés Vázquez Paredes, segundo uma testemunha que conversou com Bayer), e também foi graças a outras pessoas que aprendeu a usar o revólver que atirou em Varela.

Esses outros costumavam chamar a si mesmos anarquistas expropriadores. Um dos mais conhecidos foi o ferreiro Miguel Arcángel Roscigna, que organizava assaltos para financiar a militância. Quis ser consequente com a verdade de que “a propriedade é um roubo”, e o pagou com a sua vida. O “desapareceram”.

Por sua parte, um nacionalista de direita, Jorge Pérez Millán Temperley, se propôs a assassinar Wilckens. Foi em 1923. Entrou ao Corpo de Guarda de Prisões, conseguiu que o transferissem à prisão, entrou em sua cela e o matou com um Mauser, à queima-roupa. O juiz lhe deu a pena mínima, oito anos, em virtude de suas “anomalias psíquicas”. O transferiram ao hospício da rua Vieytes (onde está o Hospital Borda) e o puseram no pavilhão dos tranquilos. Em 1925, outro internado ia assassiná-lo, dando uma volta a mais no parafuso da vingança.

O movimento anarquista argentino teve um peso enorme, talvez só comparável aos da Espanha e Itália, e a historiografia o reconstruiu com lucidez. Mas as fontes históricas impõem seus limites. A partir daí, só resta imaginar.

Como romancista, me propus a explorar alguns aspectos dessa realidade às pessoas que já não tem acesso a ela. Por exemplo, o que sentia um garoto de quinze anos ao se tornar um anarquista de ação, imprimir dinheiro falso e usar uma das bombas preparadas por Vázquez Paredes (daí, parte do título do romance, “Modesta dinamita”). Ou o diálogo e a colaboração que os anarquistas judeus de Buenos Aires puderam ter tido com Albert Einstein durantes sua visita à Argentina, com a escritora feminista Elsa Jerusalén, ou com empresários heterodoxos como Silvio Gesell, que em 1919 quis fazer uma reforma agrária e criar um pagamento universal para as mães na efêmera República Soviética da Baviera.

Um empresário que financiou anarquistas. Einstein, um mulherengo aprendendo sobre feminismo e cantando o Parabéns com Carlos Gardel. Um livro-bomba para fazer cair um ídolo da direita. São alguns exemplos de como a ficção pode enfrentar a um passado que nos rodeia como um fantasma.

Víctor Goldgel é autor de “Modesta dinamita” (Blatt & Ríos).

Fonte: https://noticias.perfil.com/noticias/cultura/anarquistas-de-accion-en-la-historia-argentina.phtml

Tradução > Caninana

agência de notícias anarquistas-ana

Um ipê na esquina
A pétala cai do pé
feito bailarina

Alvaro Posselt

[Chile] O capitalismo se destrói pelos seus cimentos, não pela constitucionalidade

O capitalismo teve seu gérmen no Império Romano. Por isso, hoje em dia, é uma réplica de sua estrutura socioeconômica religiosa.

A religião católica foi inventada para dominar as pessoas escravizadas, os três pilares da democracia (legislativo, executivo e judiciário), são o placebo para que o povo acredite que tem liberdade e sua opinião é tomada em conta… mas todes sabemos que não é assim.

Assim nasceu a burguesia, classe dominante e com o poder que manipulam as nações.

Em todo o mundo, absolutamente todo o poder executivo, judicial e legislativo de cada “país” responde aos interesses de esta classe: a burguesia. Os partidos e organizações, que em muitos casos se autodenominam de esquerda, mas não o são, a eles se chama pseudoesquerda (pseudo=falso), estes são fáceis de reconhecer, por que seu objetivo jamais será destruir o capitalismo, e portanto a classe burguesa, já que se nutrem dela; também é possível reconhecê-los porque seus dirigentes são egoístas, déspotas, superficiais, aburguesados, personalistas, buscam fama, reconhecimento e se cagam na luta.

Toda “luta” a partir da institucionalidade é uma pseudoluta, a luta real e genuína é a partir de baixo, ou seja, sem personalismos, seguindo o caminho do weychan [guerra ou luta, no idioma Mapudungun], sem vícios burgueses de nenhum tipo (drogas, alcoolismo, promiscuidade, traições, enaltecimento do ego, egoísmo, etc.) e atacando diretamente os cimentos do capitalismo (já sabem).

O que sustenta o capitalismo?

A burguesia, como a burguesia se mantém? Como se alimenta? Bem, com suas malditas corporações multinacionais (droga, tráfico de pessoas, armas, pseudoguerras, minerações, petroleiros, desmatamento, indústria farmacêutica, bancos, o FMI, enfim).

A essência nativa que todes temos:

Há gente que diz que não tem raiz originária, e isso é um erro. Algumas pessoas são Mapuche, outras de outros povos originários conhecidos, mas… o que há de europeu, por exemplo, é o mais negacionista, bem, pois essas pessoas também tem a raiz de um povo originário, por exemplo o Celta. O que aconteceu foi que antes que a burguesia no Poder chegasse à América e destruísse nossas culturas, destruíram previamente na Europa, por isso seu povo é pioneiro em negar sua origem, em perder sua essência, e isso é o que o Poder queria, porque é a única forma de que se perca a conexão com a terra, com todo ser vivo, com o Newen [força, energia em Mapudungun] que há em cada coisa, e ao perder, pois não respeita, justamente isso é o que o poder queria… assim, prevalece o extrativismo, a poluição, a aniquilação de espécies, e tudo com a finalidade de fazer dinheiro.

Para conseguir destruir isso, pois primeiro e antes de tudo é necessário recuperar a essência perdida, voltar às raízes, só assim, ao adquirir novamente o kimun (conhecimento) ancestral, é que a pessoa está pronta para enfrentar este gigante, por que entenderá o propósito do porquê realmente lutamos e devemos destruir o capitalismo e, portanto, a burguesia.

Povos no mundo, escutem sua essência e se levantem!

Wüñelfe Contrainfo

Fonte: https://wunelfecontrainfo.wordpress.com/2021/10/02/el-capitalismo-se-destruye-desde-sus-simientos-no-desde-la-constitucionalidad/?fbclid=IwAR1Yl2DYC9qVUwp22sdshLGQ1L78hV4Daso1HwIZb8LopZA4X-OvMnnnhsI

Tradução > Caninana

agência de notícias anarquistas-ana

Noite de silêncio
Uma moça na janela
Contempla a neblina

Tânia Souza

[Chile] Fundação do Sindicato de Ofícios Vários Valparaíso

Nós que fazemos parte de Solidaridad Obrera – AIT na Região de Valparaíso nos encontramos em um processo de agitação anarcossindicalista, de desenvolvimento organizativo, incorporação de novos militantes, e habilitação de um espaço próprio.

Nossa organização se constituiu, em uma primeira instância, pelos que foram militantes da SROV Valparaíso, participando nos protestos por causa da contaminação ambiental que afeta as comunas de Quintero e Puchuncaví, e na revolta social que desde 2019 mobilizou toda a população do país, demandando melhores condições de vida.

Desde princípios desse ano nos pusemos em contato com o Grupo Germinal de Concepción, um grupo amigo da Associação Internacional de Trabalhadores (AIT), e solicitamos – em conjunto – nossa incorporação à Internacional, agora com o nome de Solidaridad Obrera – AIT.

No dia de hoje nos propusemos constituir-nos como o Sindicato de Ofícios Vários de Valparaíso, que aglutina os que trabalham em feiras, indústrias e comércios da Região.

Através de uma oficina de introdução ao anarcossindicalismo, os novos militantes do Sindicato podem ter acesso a informação que lhes permita enfrentar a luta com as ferramentas necessárias para alcançar seus objetivos, em um ambiente fraterno, onde se compartilham os saberes coletivos.

Desde nossa incorporação à AIT crescemos sustentavelmente, para poder chegar a mais comunas de nossa Região, trabalhando de forma federativa e fraterna com Solidaridad Obrera – AIT de Concepción, levantando campanhas a nível regional que permitam fazer crescer o anarcossindicalismo, e projetá-lo desde o Sul a todo o mundo.

Sindicato de Ofícios Vários Valparaíso
sov.valparaiso@riseup.net

Solidaridad Obrera – AIT
solidaridadobrera@riseup.net
www.solidaridadobrera.cl

Região de Valparaíso, 9 de outubro de 2021.

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/09/30/chile-declaracao-sobre-o-ato-de-racismo-e-xenofobia-em-iquique/

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Mar de primavera
O dia todo,
Ondula, ondula …

Buson

 

Por que 500 africanos protestaram na Praça Vermelha em 1963?

Morte suspeita desencadeou protestos de estudantes estrangeiros, e o evento foi rapidamente politizado.

Em um dia frio de dezembro de 1963, estudantes negros de países africanos ocuparam a Praça Vermelha no primeiro grande protesto em Moscou desde os anos 1920.

A morte de um estudante de medicina proveniente de Gana, que teria provocado os protestos, foi envolta em mistério. Nos dias que antecederam os protestos, as autoridades soviéticas perceberam padrões suspeitos e suspeitas de crime.

Morte misteriosa em Khovrino

Em 13 de dezembro de 1963, um corpo foi descoberto em um terreno baldio ao longo de uma estrada rural em Khovrino, um dos distritos no norte de Moscou. A vítima era um homem negro, e a polícia descobriu rapidamente sua identidade: Assare-Addo, um estudante de medicina de 29 anos oriundo de Gana. A vítima apresentava um pequeno ferimento debaixo do queixo. Segundo os investigadores, o corpo foi descoberto em um local remoto demais para supor que Assare-Addo estivesse vagando por ali vagar acidentalmente, mesmo porque o estudante morava em outra cidade. A notícia se espalhou rapidamente dentro da comunidade de estudantes negros africanos que estudavam na União Soviética.

Grande aliado dos movimentos anticoloniais marxistas em todo o continente africano durante a Guerra Fria, a URSS concedeu a jovens de alguns países africanos diversas bolsas para estudar na União Soviética. Em 1960, o governo soviético estabeleceu, inclusive, uma nova universidade com o nome do líder da independência congolesa, Patrice Lumumba, para proporcionar educação a pessoas de países socialistas na África, Ásia e América Latina. Com o influxo de estudantes negros na sociedade soviética, incidentes isolados de conflitos raciais estavam fadados a acontecer, mas um assassinato jamais havia ocorrido antes.

Alguns estudantes vazaram uma história sobre o casamento de Assare-Addo com uma garota russa, que estava supostamente programado para acontecer no sábado, um dia após o corpo ter sido descoberto em Moscou. Uma das teorias dos manifestantes era de que o colega ganiano teria sido assassinado pelos parentes da jovem para impedir o casamento. Outra hipótese era de que Assare-Addo fora vítima de um ataque aleatório com motivação racial. A percepção da injustiça contra os negros africanos na União Soviética gerou protestos que se espalharam pela Praça Vermelha.

Alabama 2

Logo após a notícia da descoberta do corpo se espalhar entre os estudantes africanos em Moscou, manifestantes negros saíram às ruas. Reunindo-se na embaixada de Gana na capital russa, o grupo de 500 pessoas se dirigiu ao coração da URSS, a Praça Vermelha.

Os manifestantes, praticamente todos homens, carregavam cartazes com dizeres como “Moscou, uma segunda Alabama”, “Parem de matar africanos” e “É a mesma coisa em todo o mundo”. A polícia soviética fez uma tentativa tímida de bloquear o protesto, mas não foi capaz de impedi-los de acessar a Praça Vermelha. Não houve qualquer detenção, talvez por considerações políticas. Uma vez lá, os manifestantes se reuniram nos Portões Spasskie do Kremlin, onde deram entrevistas a correspondentes ocidentais.

Na esperança de dissipar a multidão furiosa e manter a situação sob controle, as autoridades decidiram negociar. O ministro da Educação soviético, Viatcheslav Eliutin, convidou alguns representantes dos estudantes africanos para conversas. Eliutin lidou com a situação com habilidade, o ministro expressou condolências pela morte de Assare-Addo e propôs um minuto de silêncio em sua homenagem, o que temporariamente aplacou os manifestantes.

Em seguida, Eliutin começou a discursar:

“Temos um país grande e é possível encontrar pessoas isoladas que são más, assim como em qualquer país, há uma pequena quantidade de pessoas dispostas a cometer atos de vandalismo. Esses indivíduos isolados podem, é claro, ofender um cidadão soviético ou estrangeiro. Mas é inadmissível e incorreto generalizar ou tirar conclusões com base em tais casos, se porventura acontecerem, ou falar sobre as relações do povo soviético com vocês baseado nisso. Isso é algo que qualquer pessoa objetiva e sem preconceitos deve entender. Também nunca aconteceu e nenhum de vocês pode dizer que ocorreu, que um de nossos reitores, professores ou funcionários do ministério tenham deixado escapar um palavrão ou tomado uma atitude ruim em relação a vocês.”

A linha que as autoridades soviéticas tomaram em relação aos protestos foi igualmente astuta: depois de aplacar a indignação inicial, prometeram uma investigação ampla sobre a morte do estudante de medicina. Também denunciaram os protestos – que acreditavam favorecer os imperialistas, além de prejudicar a imagem da União Soviética – usando jornais e canais acadêmicos e lidando impiedosamente com os instigadores mais ativos.

Motivos ocultos

A autópsia conduzida por um médico soviético e acompanhada por dois estudantes de medicina de Gana, convidados a comparecer ao procedimento por uma questão de transparência, não revelou sinais de morte violenta. Segundo o parecer final, a morte teria sido “efeito do frio em um estado de estupor induzido pelo álcool”. Assare-Addo não foi vítima de crime de ódio; em vez disso, foi um acidente infeliz e, talvez, o descuido que o matou.

Embora nem todos tenham ficado satisfeitos com o relatório do legista oficial, as autoridades agiram rapidamente para encerrar o caso e abordar outro mistério, mais politicamente preocupante: como os estudantes africanos conseguiram se mobilizar tão rapidamente?

As autoridades soviéticas estavam perplexas com alguns detalhes acerca dos protestos. O corpo foi descoberto em 13 de dezembro, e a manifestação ocorreu em 18 de dezembro. No entanto, o Ministério da Educação teria sido notificado por universidades de Leningrado e Kalinin de que estudantes ganianos dessas cidades haviam sido convocados a Moscou para participar de um evento na Embaixada de Gana já em 9 de dezembro. Questionado, o órgão disse que não convocou os alunos e que não havia nenhum evento planejado para a data.

Curiosamente, as autoridades concluíram que Assare-Addo – que estudava em Kalinin – estaria provavelmente a caminho do “evento” na Embaixada quando morreu. No mesmo dia, centenas de estudantes de Gana e outros países africanos demonstraram indisciplina, levando o embaixador e sua esposa a se barricar em uma sala no último andar do edifício.

Diversas teorias foram aviltadas quanto às origens da convocação e do protesto. Alguns possíveis culpados foram nomeados não oficialmente, incluindo algumas embaixadas ocidentais e até mesmo o errático presidente ganês, Kwame Nkrumah, que poderia ter seus motivos. No entanto, as autoridades soviéticas decidiram não apontar o dedo a nínguem.

O governo da URSS encerrou o caso Assare-Addo, expulsou os estudantes africanos mais beligerantes, desacreditou o protesto aos olhos da comunidade acadêmica e, por fim, fortaleceu a educação ideológica para estudantes estrangeiros. E assim terminou o grande protesto de estudantes africanos na União Soviética.

Fonte: https://br.rbth.com/historia/85955-por-que-500-africanos-protestaram-praca-vermelha-1963

agência de notícias anarquistas-ana

Dias que se alongam —
Cada vez mais distantes
Os tempos de outrora!

Buson

[Itália] Comunicado da assembleia antimilitarista

A assembleia antimilitarista realizada em 9 de outubro em Milão contou com a presença de dezenas de camaradas de vários locais. Numerosos discursos analisaram as várias facetas do militarismo na Itália e em outros lugares. Todos expressaram o desejo de lançar uma ampla campanha antimilitarista que combinaria eventos nacionais com uma ampla ação no terreno.

A satisfação foi expressa pela inclusão da questão antimilitarista pelo sindicalismo de base na plataforma da greve de 11 de outubro, que também é o resultado de posições promovidas por várias das organizações presentes hoje.

Os seguintes são identificados como pontos de qualificação da campanha:

• lutar pela retirada completa das missões militares no exterior;

• boicote ativo da indústria bélica para conseguir sua reconversão completa para uso civil;

• mobilização contra todas as formas de militarização dos territórios: das bases militares à presença dos militares nas ruas de nossas cidades e nos polígonos, ao blindamento das fronteiras e dos mares contra aqueles que migram de seus países;

• denúncia dos gastos militares como um recurso retirado dos serviços sociais, como saúde, educação, transporte, etc.

• lutar contra os interesses das multinacionais italianas, antes de tudo da ENI, que de fato ditam a agenda do governo para as missões militares no exterior;

• lutar contra a devastação ambiental causada pelos exércitos e pelas multinacionais que protegem, e criar interseções entre os movimentos ecológicos de base e o antimilitarismo;

• contrariar a crescente propaganda militarista nas escolas e os laços cada vez mais fortes entre a indústria militar e as universidades;

• denunciar a íntima correlação entre a violência sexista e patriarcal e a lógica militarista.

Sobre estes conteúdos foi decidido dar os primeiros encaminhamentos de mobilização:

• iniciativas generalizadas nos territórios em 4 de novembro, a festa das forças armadas;

• uma marcha em Turim em 20 de novembro contra a exposição internacional da indústria aeroespacial e ações de oposição à própria exposição, que ocorrerá entre 30 de novembro e 2 de dezembro. Uma mobilização que, a partir do protesto contra a exposição, poderá se espalhar por todos os pontos da campanha.

A assembleia aceita a proposta de construir um caminho para uma campanha nacional contra a ENI que também verá uma manifestação nacional nos primeiros meses do próximo ano na região de Milão.

Considera significativo o compromisso de sublinhar a ligação entre militarismo e sexismo em todas as iniciativas relacionadas à luta contra a violência de gênero, incluindo as que ocorrerão no final de novembro.

A vontade é de relançar uma nova assembleia nacional no início do ano para continuar a mobilização.

Contra todos os exércitos, contra todas as guerras, vamos emperrar as rodas do militarismo!

Os camaradas da assembleia antimilitarista se reuniram em Milão em 9 de outubro de 2021.

> A FAI saúda o sucesso da assembleia antimilitarista <

A conferência da FAI, que se reuniu em 10 de outubro em Milão, saúda o sucesso da assembleia antimilitarista de 9 de outubro. Ela acredita ser essencial apoiar a campanha lançada pela assembleia e considera igualmente importante que todos os grupos e indivíduos da Federação trabalhem para o sucesso dos primeiros prazos promovidos pela assembleia: iniciativas generalizadas nos territórios em 4 de novembro e uma marcha em Turim em 20 de novembro contra a exposição internacional da indústria aeroespacial de guerra.

Apelamos a todo o movimento anarquista que se reconhece no comunicado da assembleia antimilitarista para participar ativamente das iniciativas de luta.

Milão, 10 de outubro de 2021.

Fonte: https://umanitanova.org/comunicato-dellassemblea-antimilitarista/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Borboleta!
O que sonhas, assim,
mexendo suas asas?

Chiyo-ni

[Grécia] Tessalônica: 13 anos da Ocupação Libertatia

Evento de 13 anos da Ocupação Libertatia em Tessalônica

Solidariedade | Auto-organização | Resistência

Sábado, 16/10

17h30: apresentação da nova estrutura funcional da Ocupação Libertatia e seus grupos de trabalho

20h00: espetáculo de “cabaré” da rede de artistas

Domingo, 17/10

17h00: cozinha coletiva com acompanhamento de música

> Convidamos você para conhecer o acervo de livros e publicações da biblioteca

> Haverá um bazar de livros na ocupação

Entre em contato com libertatia_squat@riseup.net

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/07/23/grecia-video-o-renascimento-da-okupacao-libertatia/

agência de notícias anarquistas-ana

Da estátua de areia
nada restará,
depois da maré cheia.

Helena Kolody