[Rússia] Declaração do Food Not Bombs Moscou | “Estamos contra as guerras e os assassinatos de civis”

Nunca nos colocaremos do lado deste ou daquele Estado, nossa bandeira é negra, estamos contra as fronteiras e os presidentes oportunistas. Estamos contra as guerras e os assassinatos de civis.

Ao bando imperial de Putin não lhes bastam os palácios, os iates, as penas de cárcere e as torturas para os russos dissidentes, mas há que dar-lhes a guerra e a tomada de novos territórios. E assim, os “defensores da pátria” invadem a Ucrânia, bombardeando zonas residenciais. Investindo-se de enormes somas em armas assassinas enquanto o povo se empobrece cada vez mais.

Há quem não tenha nada que comer nem onde viver, não porque não haja suficientes recursos para todos, mas porque se distribuem de forma injusta: uns tem muitos palácios, enquanto que outros não tem conseguido nem sequer uma choça.

Para manter e aumentar os lucros em suas mãos, o governo declara guerras. A quem tirarão os seus intestinos com as mãos, a quem lhes arrancarão os braços e as pernas com as explosões, cujas famílias enterrarão a seus filhos? Claro, tudo isto não se aplica à minoria governante.

Devemos resistir com todas as nossas forças ao regime militarista e a guerra que trava. Difunda a informação entre vossos camaradas, luta como podes. Não há mais guerra que a de classes. Solidariedade em lugar de bombas.

Food Not Bombs Moscou

Tradução > Sol de Abril

>> Foto em destaque: Chuguiv, Ucrânia, 24 de fevereiro de 2022

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/23/italia-contra-missoes-militares-no-exterior-contra-todas-as-guerras/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/23/italia-contra-a-guerra-na-ucrania-e-em-outros-lugares/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/22/internacional-face-a-escalada-militar-a-tensao-e-o-possivel-conflito-belico-na-ucrania/

agência de notícias anarquistas-ana

O brilho do salto
do peixe na cascata,
lâmina de prata.

Luiz Bacellar

[Bielorrússia] Soldado! O inimigo está em Minsk, não em Kiev!

Putin, com suas ambições imperialistas, ameaça invadir a Ucrânia. Lukashenko está pronto para apoiar seu mestre do Kremlin enviando soldados bielorrussos para a guerra em outro país. As tentativas de injetar patriotismo na sociedade bielorrussa, embora passageiras, são muito modestas. Os soldados terão que morrer pelo czar russo.

Mas, como antes, cada soldado tem uma escolha. Mesmo que essa escolha aqui e agora pareça improvável. Em momentos críticos, todos mostramos grande determinação. A guerra da Rússia por influência na Ucrânia não é uma guerra de soldados bielorrussos. O ditador Lukashenko e o imperador Putin são os verdadeiros inimigos dos povos da Bielorrússia, Ucrânia e Rússia.

Eles querem te jogar como carne para as linhas de frente, para mostrar o poder de um homem que nunca aparecerá nesta frente. Coragem e espírito de camaradagem são desconhecidos para ele e sua comitiva.

Soldados, em suas mãos está uma arma que pode libertar você e seus companheiros do derramamento de sangue e da guerra inúteis. Revolta contra os oficiais e os políticos gananciosos. Se alguém deve perecer em todo esse conflito, é a ditadura bielorrussa e o império russo!

Por um mundo sem guerras, ditadores e impérios!

Anarquistas da Bielorrússia

21/02/2022

Fonte: https://pramen.io/ru/2022/02/soldat-vrag-v-drozdah-a-ne-kieve/

Tradução > GTR@Leibowitz__

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/23/italia-contra-missoes-militares-no-exterior-contra-todas-as-guerras/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/23/italia-contra-a-guerra-na-ucrania-e-em-outros-lugares/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/22/internacional-face-a-escalada-militar-a-tensao-e-o-possivel-conflito-belico-na-ucrania/

agência de notícias anarquistas-ana

Ruídos nas ramas.
Trêmulo, meu coração detem-se
e chora na noite…

Matsuo Bashô

[Rússia] Anarquistas russos contra a guerra do regime de Putin com a Ucrânia

No contexto de uma operação militar em grande escala que começou esta manhã (24/02), é importante notar que os russos não precisam dessa guerra vergonhosa e há alguma oposição no país contra ela. Dada a natureza estritamente autoritária do regime russo, essas ações devem ser elogiadas. Nos últimos dias, dezenas de protestos contra a guerra foram realizados em várias cidades da Rússia – principalmente na forma de protestos simples. E embora sob a lei russa esta forma de ação não exija notificação, a maioria dos protestantes que saíram foram detidos.

Ontem, 23 de fevereiro, foram realizados protestos com a participação de anarquistas em Moscou, Irkutsk e Perm. Pichações anarquistas anti-guerra apareceram em São Petersburgo, e feministas do grupo 8ª Iniciativa realizaram sua própria ação. Algumas outras ações estão ocorrendo em Irkutsk e Novosibirsk.

Ontem, 13 pessoas com cartazes anti-guerra foram detidas em vários lugares de Moscou. Havia também protestantes com cartazes comemorando o próximo aniversário da deportação de chechenos e inguches por Stalin. Apesar dos obstáculos que a polícia montou para os participantes das ações anti-guerra, os anarquistas de Moscou conseguiram distribuir panfletos anti-guerra no centro de Moscou.

Alguns dos detidos de ontem foram mantidos na delegacia de Arbat por mais de 5 horas. De acordo com a prática já estabelecida nos departamentos de polícia de Moscou, seu direito à defesa legal foi restringido e eles foram autorizados a ver um advogado por apenas 30 minutos. Nos protocolos administrativos, nos termos do artigo 20.2, parte 5, os detidos foram acusados ​​de realizar uma manifestação em massa sem notificar as autoridades e gritar palavras de ordem, embora os protestantes estivessem sozinhos e não cantaram nada. Esta também é uma prática estabelecida na Rússia.

Até ex-soldados profissionais que passaram pelo Afeganistão condenaram a escalada da histeria militar e disseram que para a Rússia só poderia terminar com a chegada de caixões da zona de combate.

E, a propósito, os policiais também não disseram nada aos protestantes detidos sobre seu protesto contra a guerra com a Ucrânia – aparentemente, sua perspectiva iminente também não evocou nenhum sentimento patriótico neles.

Hoje, após o início da guerra, dezenas de russos já participaram dos protestos anti-guerra – e as detenções continuam. A petição contra a guerra com a Ucrânia ganhou mais de 100.000 assinaturas em três horas. Estudantes, universitários e professores estão preparando um apelo aberto contra a guerra.

Nas redes sociais, há apelos a todos os que protestam contra o ataque à Ucrânia para se dirigirem às praças centrais das suas cidades às 19h00 de hoje. Em Moscou, uma ação está planejada na Praça Pushkinskaya, e a OMON [polícia de choque] e a Guarda Russa estão se reunindo no centro da capital.

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2022/02/24/russian-anarchists-against-the-putin-regimes-war-with-ukraine/

Tradução > J

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/23/italia-contra-missoes-militares-no-exterior-contra-todas-as-guerras/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/23/italia-contra-a-guerra-na-ucrania-e-em-outros-lugares/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/22/internacional-face-a-escalada-militar-a-tensao-e-o-possivel-conflito-belico-na-ucrania/

agência de notícias anarquistas-ana

no calor da sesta
imóvel, o gato vigia
o vôo da vespa

Jorge Lescano

[Grécia] Ataques em solidariedade aos camaradas do 08/02

No dia 8 de fevereiro, nas primeiras horas da manhã, o camarada Thanos Xatziagkelou e a camarada Georgia Voulgari foram presos por ocasião de um ataque incendiário na Fundação para a Reflexão Nacional e Religiosa e na tarde do mesmo dia, o camarada Panos Kalaitzis foi preso tendo como única conexão suas relações amistosas e de camaradagem com Thanos. Nos dias seguintes, as acusações foram elevadas para formação e filiação à Organização de Ação Anarquista e na sexta-feira, 11/02, o promotor ordenou prisão preventiva.

Como resposta reflexiva e mínima, procedemos com ataques coordenados com martelos em:

1 caixa eletrônico na Rua Agia Sofia no Centro

2 caixas eletrônicos na Rua Agios Dimitrios no Centro

1 caixa eletrônico em Triandria

1 caixa eletrônico no Museu da Guerra

1 banco em Nápoles

1 supermercado e 1 caixa eletrônico em Neapoli

Nós sabemos que o Estado suprime o inimigo interno quando devolve uma parcela da violência do poder e criminaliza conexões amistosas e camaradas.

Ao mesmo tempo, encobre a violência de gênero, o estupro infantil da máfia sagrada e os estupradores proeminentes da elite econômica. Tortura nos porões das delegacias, afoga mulheres imigrantes, assassina trabalhadores e aprisiona combatentes.

Nesta guerra social a posição que assumimos é nítida e é o aguçamento da ação contra o Estado e o capital e o ataque a toda estrutura de dominação.

FORÇA E SOLIDARIEDADE AOS COMPANHEIROS PRESOS EM 08/02

LIBERDADE A TODOS OS PRISIONEIROS DA GUERRA SOCIAL

NADA ACABOU, TUDO CONTINUA

ATÉ QUE NOS ENCONTREMOS NOVAMENTE NOS CAMPOS DE BATALHA

Anarquistas

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1617058/

Tradução > JB

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/23/grecia-mensagem-de-resistencia-do-anarquista-preso-thanos-xatziagkelou/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/23/grecia-posicao-politica-do-prisioneiro-anarquista-thanos-xatziagkelou-sobre-o-ataque-a-fundacao-para-a-reflexao-nacional-e-religiosa/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/22/grecia-carta-de-panos-kalaitzis-da-prisao-de-korydallos/

agência de notícias anarquistas-ana

Sob o alpendre
o espelho copia
somente a lua.

Jorge Luis Borges

[Rússia] Contra anexações e agressão imperial – Declaração da Autonomous Action

Ontem, 21 de fevereiro, houve uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança da Rússia. Como parte dessa ação teatral, Putin forçou seus servidores mais próximos a “pedir” publicamente que ele reconhecesse a independência das chamadas “repúblicas populares” da LPR (“Luhansk People’s Republic”) e DNR (“Donetsk People’s Republic”) no leste da Ucrânia.

Claramente, este é um passo para uma maior anexação desses territórios pela Rússia – não importa como seja legalmente formalizado ou não. De fato, o Kremlin não considera mais o LNR e o DNR como parte da Ucrânia e finalmente os torna seu protetorado. “Primeiro reconhecimento da independência, depois anexação”: este cenário já foi praticado na Crimeia em 2014. Isso também é óbvio com as reservas estúpidas de Naryshkin na reunião do SB (“sim, eu apoio a integração desses territórios na Federação Russa”). Como a reunião, como se viu, foi gravada e essas “reservas” não foram cortadas, mas deixadas, a dica é clara.

Em um “discurso ao povo” naquela mesma noite, Putin “concordou” com esses pedidos e declarou o reconhecimento do LNR e do DNR como estados independentes. De fato, ele disse o seguinte: “estamos recuperando o Donbass e, se a Ucrânia tentar fazê-lo, deixe-se culpar, não o consideramos um estado, então reivindicaremos ainda mais”. De acordo com o decreto de Putin, as tropas russas já estão sendo enviadas para LNR e DNR. Este é um sinal claro de ameaça para o resto da Ucrânia e especialmente para as regiões de Luhansk e Donetsk que ainda estão sob controle ucraniano. Esta é uma ocupação de fato.

Não queremos defender nenhuma nação. Somos anarquistas e somos contra qualquer fronteira entre os povos. Mas somos contra essa anexação, porque ela apenas estabelece novas fronteiras, e a decisão de fazê-lo é tomada exclusivamente pelo líder autoritário Vladimir Putin. Este é um ato de agressão imperialista da Rússia. Não temos ilusões sobre o estado ucraniano, mas está claro para nós que não é o principal agressor nesta história – não é um confronto entre dois males iguais. Em primeiro lugar, é uma tentativa do governo autoritário russo de resolver seus problemas internos às custas de uma “pequena e vitoriosa guerra de apropriação de terras”.

É provável que o regime do Kremlin faça algum tipo de espetáculo chamado “referendo” nas áreas anexadas. A DPR e a LPR já realizaram tal espetáculo em 2014, mas nem Moscou reconheceu seus resultados. Agora, aparentemente, Putin decidiu mudar isso. É claro que não pode haver “votos livres e secretos” nesses territórios – eles estão sob o controle de gangues militarizadas que são completamente dependentes de Moscou. Aqueles que eram contra essas gangues e contra a integração com a Rússia foram mortos ou forçados a sair. Assim, qualquer “referendo sobre o retorno do Donbass ao seu solo natal” seria uma mentira de propaganda. Os moradores de Donbass só poderão formular sua decisão quando as tropas de qualquer estado – e principalmente da Federação Russa – deixarem esses territórios.

O reconhecimento e a anexação de DNR e LNR não farão nenhum bem para o próprio povo da Rússia. Primeiro, de qualquer forma, levará à militarização de todas as esferas da vida, ao isolamento internacional ainda mais forte do país, às sanções e à queda da prosperidade. A restauração da infraestrutura destruída e a inclusão das “repúblicas populares” no orçamento também não serão gratuitas – são bilhões de rublos que poderiam ter ido para a educação e a medicina. Não duvide: os iates dos oligarcas russos não ficarão menores, mas a vida de todos os outros ficará pior. Em segundo lugar, a provável escalada do confronto armado com a Ucrânia significará mais soldados e civis mortos e feridos, mais cidades e vilarejos arruinados e mais sangue. Mesmo que esse conflito não se transforme em uma guerra mundial, as fantasias imperiais de Putin não valem uma única vida. Terceiro, há uma nova expansão do chamado “mundo russo”: uma combinação maluca de oligarquia neoliberal, poder centralizado rígido e propaganda imperial patriarcal. Essa consequência não é tão pronunciada quanto o aumento do preço dos alimentos e as restrições aos smartphones, a longo prazo é ainda mais perigosa.

Apelamos para nos opormos à agressão do Kremlin por qualquer meio que você considere apropriado. Contra a tomada de territórios a qualquer pretexto, contra o envio do exército russo ao Donbass, contra a militarização. E no final, contra a guerra. Vá para as ruas, divulgue, converse com as pessoas ao seu redor – você sabe o que fazer. Não fique calado. Tome uma atitude. Mesmo um pequeno parafuso pode emperrar as engrenagens da máquina da morte.

Contra todas as fronteiras, contra todos os impérios, contra todas as guerras!

Autonomous Action (Avtonom)

Rússia, 22 de fevereiro de 2022.

Tradução  GTR@Leibowitz__

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/23/italia-contra-missoes-militares-no-exterior-contra-todas-as-guerras/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/23/italia-contra-a-guerra-na-ucrania-e-em-outros-lugares/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/22/internacional-face-a-escalada-militar-a-tensao-e-o-possivel-conflito-belico-na-ucrania/

agência de notícias anarquistas-ana

A lua minguante
procura com quem falar
na boca da noite

Ronaldo Bomfim

[Holanda] Manifestação em Amsterdam contra todos os despejos e a repressão do Estado

Estamos convocando esta manifestação como resposta ao despejo da [ocupação] Waldeck Pyrmontlaa, ao processo judicial de nossos camaradas presos, à repressão no protesto habitacional em Leiden e a toda vez que a polícia usa seus meios violentos para proteger os ricos e as estruturas de opressão. Estes despejos rápidos e a repressão policial dizem respeito a todos nós, não apenas aos anarquistas ou aos moradores da ocupação.

Desde os últimos protestos habitacionais, mais pessoas parecem estar perdendo a fé nas abordagens reformistas e nas falsas promessas dos políticos. Ocupar é amplamente apoiado, são chamadas greves de aluguel e as pessoas em todos os lugares estão tomando medidas diretas contra a gentrificação. Políticos de Volt e Groenlinks foram afogados em manifestações e foram incapazes de promover suas falsas promessas.

Lutar por nossas próprias soluções – sem depender do Estado ou fazer exigências do governo é visto como uma solução viável. Como mais pessoas estão adotando táticas e métodos anarquistas de organização, a resposta do Estado parece ser reprimir a situação antes que ela possa se espalhar. Todo um arsenal de táticas é empregado para tentar nos calar, quebrar os laços de solidariedade e afugentar as pessoas.

Desde violência policial em manifestações, despejos, buscas preventivas, envio de informantes e assim por diante. Esta repressão deve ser enfrentada com uma resposta coletiva. Nossa fúria, como nosso movimento, não será contida ou reprimida.

Vamos nos reunir e mostrar nossa ira. Venha preparado, venha em bloco se isso o faz sentir-se mais seguro. Haverá um sistema de som, discursos, uma marcha e bom espírito! Todos são bem-vindos, envie-nos um e-mail com quaisquer preocupações ou perguntas que você possa ter.

25 de Fevereiro, 19h00, Leidseplein, Amsterdam

Nós vislumbramos:

Um mundo sem polícia e prisões
Policiais e câmeras no campus
Refeições gratuitas
Transporte público gratuito para todos
A descolonização da universidade
Cancelamento de todas as dívidas
Moradia gratuita para todos que precisam

Fonte: https://indymedia.nl/node/51588

Tradução > dezorta

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/11/26/holanda-utrecht-ocupacao-em-croeselaan-revelada-durante-manifestacao-contra-a-falta-de-moradia/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/11/23/holanda-ringdijk-8-reocupada/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/11/11/holanda-o-navio-ocupacao-queer-feminista-inaugurada-em-amsterdam/

agência de notícias anarquistas-ana

sinos do Centro
o som não vem da igreja
vem de dentro

João Angelo Salvadori

[Espanha] Novidades jurídicas desde o último comunicado público sobre Gabriel Pombo da Silva (Abril 2021)

Com este comunicado, queremos informar sobre a situação legal atual que continua a impedir a libertação do nosso camarada anarquista, apesar de terem passado 2 anos desde a sua prisão (ilegal). A vontade que os carrascos de toga têm para continuar a raptar o Gabriel é evidente. Com quaisquer meios que os seus (quase) ilimitados poderes lhes permitam, abusam deles, demonstrando a sua vontade de continuar a transformar o tempo numa arma.

A tristeza da mensagem legal (que usamos de forma sintética e fria) torna-se força sabendo que o nosso camarada está de muito boa saúde e de bom humor, apesar desta situação, e apesar do tratamento discriminatório que tem sofrido durante meses depois de ter recusado a “vacina” anti-Covid (não lhe é permitido ter vis-à-vis e só pode receber visitas por telefone). Como sempre, passa o seu tempo (nas suas mãos, como nas nossas, o tempo pode também tornar-se uma arma) a ler livros, a receber e a escrever cartas, a dedicar-se a traduções e ao exercício físico e a projetos de liberdade que esperamos que se concretizem o mais depressa possível.

A intercepção de comunicações foi anulada retroativamente (antes do Verão passado, o Tribunal Provincial, com uma sentença final, estabeleceu a “não perigosidade do recluso”). Em resposta, a prisão vingou-se ao negar a segunda licença por “pertencer a grupos armados” (o recurso foi rejeitado com a desculpa do “afastamento da data de cumprimento” – Novembro de 2030-, sem entrar na questão da acusação injustificada e falsa de “grupos armados”.

Note-se o plural. Até que esta data de cumprimento seja alterada, não é possível solicitar outra autorização.

  • A resposta do Supremo Tribunal relativamente à possibilidade de uma revisão para 20 anos deveria ter chegado no Outono passado, mas a procuradora responsável pela tramitação do recurso não o tramitou, o que nos fez perder 6 meses (os esgotos legais do Estado parte 1). O mesmo tribunal restabeleceu o recurso e temos de esperar pelo menos mais 5 a 6 meses.
  • Durante todos estes meses, a juíza Alcázar Navarro do Tribunal número 2 de Girona nunca respondeu ao pedido relativo ao Código Penal aplicado a Gabriel, apesar da prova de que o Código Penal de 1973 lhe está a ser aplicado (caso contrário, não teria sido condenado). No final de Setembro, a juíza Navarro passou o seu trabalho à juíza Fontana Rodríguez de Acuña que, demonstrando a mesma linha da sua colega (atrasando o tempo por saber que tínhamos razão), obrigou-nos a apresentar uma queixa ao Conselho Geral da Magistratura que, finalmente, a aceitou e induziu o tribunal de Girona a responder-nos. O referido juiz negou a acusação de “atraso indevido” e “abuso judicial” dado que “é um tribunal muito ocupado” e que “não foi feito nenhum mal ao Sr. Pombo“. Esta resposta legitimou-nos a recorrer ao Supremo Tribunal, ganhando um dos nossos objetivos: retirar de uma vez por todas o poder de decisão do Tribunal número 2 de Girona. Temos de esperar 4 a 6 meses para que o Supremo Tribunal tome uma decisão final sobre o código penal aplicado a Gabriel.
  • Continuamos à espera que ao nosso camarada seja reconhecido todos os restantes perdões de pena e depois seja libertado por cumprimento dessa mesma pena. Esperando pelo dia em que finalmente se possa ler em preto e branco que o código penal aplicado é o de 1973, fomos em frente e pedimos ao juiz de Vigilância Penitenciária de León parte da respectiva documentação… em resposta, recebemos a documentação “errada” relativa aos perdões já reconhecidos no ano passado. Este “erro de gabinete” (esgotos legais do Estado, parte 2) está a fazer-nos perder ainda mais tempo.
  • O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem rejeitou o nosso pedido de reconhecimento da violação dos direitos humanos (não admira).
  • A notícia deverá chegar brevemente do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem ao qual já apelamos para denunciar a ilegitimidade do mandato de captura europeu emitido em 2019 (ilegal devido à violação do princípio da especialidade, um dos pilares do direito europeu, em resultado do qual Gabriel não poderia ter sido detido).

Gabriel envia um forte abraço cheio de coerência e determinação a todos os combatentes dignos do mundo.

Companheiro, não estás sozinho!

Liberdade para Gabriel!

Todxs livres!

Viva a anarquia!

>> Para escrever a Gabriel:

C.P. de Mansilla de las

Mulas Paraje Villahierro, s/n

24210 Mansilla de las Mulas

León – Espanha

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/10/08/espanha-palestra-de-elisa-di-bernardo-sobre-gabriel-pombo-da-silva/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/05/14/espanha-pela-legitima-libertacao-de-nosso-companheiro-gabriel-pombo-da-silva/

agência de notícias anarquistas-ana

pérolas de orvalho!
olho e vejo em cada gota
a minha casa-espelho

Issa

[Espanha] Noam Chomsky: “A Guerra Civil é um evento crucial na história moderna”

O linguista e cientista político americano publica o ensaio ‘Sobre el Anarquismo‘, no qual analisa a queda do anarquismo espanhol durante 1936-37

O anarquismo, uma das grandes utopias do século 20, e a única que nunca alcançou o poder real em um estado, é analisado no novo ensaio do linguista e cientista político Noam Chomsky (EUA, 1928) do MIT de Massachusetts. “Sobre el Anarquismo“, publicado na Espanha por Capitán Swing, não é nem um livro de história nem uma revisão de um dos “ismos” (comunismo, fascismo, capitalismo…) que participaram das últimas grandes guerras. É um conjunto de, sobretudo, duas grandes reflexões sobre esta proposta de uma sociedade libertária e coletivizada, uma das quais é dedicada ao que aconteceu durante a Guerra Civil espanhola, em 1936 e 1937, quando o anarquismo, após o golpe de Estado de Franco, se impôs em fortalezas tão importantes como Aragão e Barcelona, “uma revolução social de alcance sem precedentes” que foi “esmagada pela força” pelo comunismo, cada vez mais no controle do governo. A “ala direita” da República, como Chomsky a chama.

“A guerra civil espanhola é um dos eventos cruciais da história moderna”, começa o estudioso. Sem uma “vanguarda revolucionária” e de “forma espontânea” conseguiram a coletivização industrial e rural, mas entre as costas e o muro. Por um lado, o fascismo e, por outro, o comunismo com a Guardia Civil completando uma sangrenta repressão em Barcelona, como conclui Chomsky a partir da bibliografia estudada, entre elas a “Homenagem à Catalunha” de Orwell.

Conforme as tropas dos rebeldes avançavam, com ajuda alemã, italiana e britânica, Chomsky revela, a “revolução” anarquista e a “contrarrevolução” soviética entraram em choque. Esta última tinha a vantagem. “Não se deve esquecer que o governo central tinha enormes reservas de ouro que logo seriam entregues à União Soviética”, diz o autor, que adverte sobre a “perda de objetividade” do anarquismo espanhol. Ele termina com uma homenagem ao povo de Membrilla, “os mais pobres” e “os mais justos” sob o amparo libertário de 1937.

Fonte: https://www.lasprovincias.es/culturas/noam-chomsky-guerra-20220115183019-ntrc.html#vca=fixed-btn&vso=rrss&vmc=tw&vli=Culturas

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/14/espanha-sobre-o-anarquismo/

agência de notícias anarquistas-ana

lua na neve
aqui a vida vai ser jogada
em breve

Kikaku

Max Stirner: o grande filósofo do egoísmo

Por Svein Olav Nyberg

Obrigado pelo seu convite. Eu fui convidado a falar sobre Max Stirner com o subtítulo “O Grande Filósofo do Egoísmo”. Um subtítulo mais ousado, “O Grande Filósofo do Individualismo?” talvez fosse ainda mais apropriado. Pois, embora Stirner certamente seja um filósofo do egoísmo, eu diria também que ele é o filósofo mais consistente tanto do egoísmo quanto da categoria maior do individualismo. Mas o tema do egoísmo como o individualismo final terá que esperar um pouco. Nesta conversa, meu foco será em apresentar as idéias de Max Stirner, o que pode causar grande prazer ou aborrecimento!

Você provavelmente está familiarizado com o termo “egoísmo” dos escritos de Ayn Rand. Então você provavelmente não vai vir para essa sessão completamente despreparado. No entanto, o tipo de egoísmo que eu irei apresentar para você hoje não é aquele que a Rand falou; não é tão domado. Assim, às vezes estes conceitos de egoísmo não apenas irão ser diferentes, mas eles serão até mesmo completamente opostos. Ao passo que Rand fala sobre a “Natureza do Homem” (“enquanto Homem”), sobre a moralidade e sobre o estado como o protetor dos direitos do Homem, Stirner revela-se como o anti-moralista. Assim como Henrik Ibsen, ele trata o estado como “a maldição do indivíduo”, e quaisquer alegações sobre a “Natureza do Homem” a parte dos propósitos da classificação biológica, são objetivos favoritos de Stirner.

Então quem é esse Max Stirner? E qual é a sua filosofia?

Max Stirner é principalmente conhecido como o autor de Der Einzige und Sein Eigentum (O Único e Sua Propriedade) e é neste livro que ele expõe adiante a maior parte de sua visão filosófica. Sua filosofia é tanto algo fácil quanto algo difícil para compreender. Durante a sua época e por intermédio de seus oponentes, Der Einzige foi caracterizado como o primeiro livro legível em toda a história da filosofia alemã. Seu estilo é cativante e retórico e torna fácil para o leitor tornar-se intrigado. Ao mesmo tempo é uma peça multifacetada de trabalho; não só na estrutura como no conteúdo é embalado com referências implícitas e explícitas tanto de seu passado como de seu presente: É um trabalho de muitas camadas e eu duvido que eu tenha conseguido compreender todas as suas camadas.

Stirner inicia seu trabalho citando Bruno Bauer e Ludwig Feuerbach. “Para o homem, o ser supremo é o homem”, diz Feuerbach. “O homem só agora foi descoberto”, diz Bruno Bauer. As críticas desses dois filósofos são o núcleo do trabalho de Stirner. Através de sua crítica destes dois filósofos em particular, Stirner critica todos os tipos de filosofia moral até a sua própria época, e uma extensão de sua crítica dentro de nossa época se torna bem aplicável para os filósofos mais recentes.

Você não precisa estar familiarizado com Bauer e Feuerbach para entender a crítica da moralidade de Stirner; o próprio Stirner fornece o discernimento suficiente. Todavia, é útil conhecer de onde Stirner vem. Então vamos fazer um resumo histórico:

Max Stirner (1806-1856) nasceu como Johann Kaspar Schmidt. “Max Stirner” é um apelido que ele adquiriu durante seus anos de faculdade por causa da sua testa alta e larga. Ele, mais tarde, adotou esse nome e mais tarde usou-o como seu pseudônimo literário. Ele estudou filosofia, onde teve Hegel como um de seus palestrantes e foi bem eu seu caminho para um doutorado em filosofia. Entretanto, devido as circunstâncias a respeito da saúde de sua mãe, seu doutorado nunca foi terminado. O plano de fundo intelectual de Stirner é o seu profundo conhecimento da filosofia de Hegel, a Bíblia e a antiguidade grega. Então os conteúdos específicos da crítica de Stirner em Der Einzige se refere a estes elementos.

Em 1841 Stirner iniciava sua associação com “Die Freien” (“O Livre”), um círculo de intelectuais que se encontravam para beber e debater no Hippel’s Weinstube em Berlim. Estes “Livre”eram também conhecidos como “Jovens Hegelianos” ou os “Hegelianos de Esquerda“. Observe que o significado de “esquerda” aqui é aquele usado no parlamento francês após a revolução de 1789 e não aquele da classificação política atual. Neste círculo de intelectuais, Stirner era também conhecido por seus poucos, porém perspicazes argumentos, geralmente confinando estes argumentos para o seu próximo. O debate geral ele tendia a observar apenas de uma uma distância com um sorriso irônico. Em 1844 ele publicou seu infame magnus opus; um trabalho que não apenas deu a ele notoriedade imediata, mas também esmagou as ilusões dos Hegelianos de Esquerda, e por todas as propostas práticas destruiu o movimento.

Sendo um bom livro subversivo, Der Einzige foi, claro, confiscado pelo governo. Stirner e seu editor tinham, contudo, se planejado para essa contingência e já tinham distribuído consideravelmente alguns livros antes que a censura pudesse se apossar de suas primeiras cópias. Após um curto tempo, o livro foi lançado novamente, declaradamente “absurdo demais para ser perigoso”! “Absurdo” foi também a reação de Karl Marx. A história é que Engels escreveu para Marx[1] sobre essa publicação e falou simpaticamente sobre Der Einzige. A resposta de Marx não foi preservada, mas em sua seguinte carta à Marx, Engels declara que ele mudou sua opinião e que ele agora acha o livro “o que você julgar, que seja”. Estes dois parceiros no crime então começaram escrever A Ideologia Alemã, originalmente um trabalho de 700 páginas sobre seus contemporâneos. Este trabalho é normalmente publicado em uma versão com seus ataques ad hominem embaraçosos sobre Max Stirner editado de longe – uma versão de umas meras 200 páginas.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

http://aesquerdalibertaria.blogspot.com/2017/06/max-stirner-o-grande-filosofo-do-egoismo.html#.Yha8ntJv-1t

agência de notícias anarquistas-ana

Lágrima aflora.
Na música lá fora
uma alma chora.

Rogério Viana

O símbolo em comum entre Direito romano, fascismo italiano e Justiça do Trabalho

Por Lucas Hendricus Andrade Van den Boomen

A Emenda Constitucional nº 24, de 9 de Dezembro de 1999, entre outras alterações, extinguiu a representação classista e as Juntas de Conciliação e Julgamento no âmbito da Justiça do Trabalho [1], após mais de meio século de existência dos referidos institutos criados na “era Vargas” (1930-1945). Com a extinção das antigas Juntas, instituíram-se as Varas do Trabalho. A nomenclatura “vara”, que se refere “à circunscrição em que o juiz exerce sua jurisdição” (Guimarães, 2016, p. 321) [2], já era amplamente utilizada na Justiça comum. A priori, a adoção desse termo pela Justiça especializada trabalhista foi fruto de mera adequação ao que já era usual em outros ramos do Poder Judiciário. Todavia, tal mudança terminológica carrega coincidências que se reportam às origens do Direito do Trabalho no Brasil.

Faz-se necessário iniciar o nosso percurso através de uma introdução histórica e etimológica. Para além do conceito jurídico, a palavra “vara” tem origem romana e ligação direta com um objeto/símbolo conhecido como fasces. É de reconhecimento geral a grande influência exercida pela cultura, os costumes e as instituições da Roma Antiga (753 a.C. – 476 d.C.) na história ocidental ao longo dos últimos dois milênios. Um dos símbolos romanos mais famosos, que inclusive sobreviveu à queda do império, é o já citado fasces.

O vocábulo latino fasces (ou fascio) designa um objeto utilizado em Roma, oriundo do período monárquico ou régio (753 a.C. — 509 a.C.). O referido objeto era constituído por um feixe de varas firmemente amarradas, usualmente de madeira de bétula, envoltas ao redor de uma machadinha (secures em latim) feita de metal. Tal instrumento era utilizado com o fito de abrir caminho para o rei, na época da realeza romana, e posteriormente para os magistrados, no período republicano (509 a.C. – 27 a.C.), bem como para executar penas capitais. Meira (1996, p. 41) explica que “as varas, utilizavam-nas para vergastar e a machadinha para cortar a cabeça às vítimas” [3]. Por conseguinte, o fasces era um símbolo do poder de punir do Estado romano, e, consequentemente, da aplicação da justiça pelos lictores.

O lictor era o empregado que acompanhava as autoridades romanas. Ao longo de vários séculos o poder de punir (ius puniendi), ou ao menos a execução das penas, ficou a cargo desses homens que dividiam as funções de guarda-costas e carrascos sob o comando dos magistrados dotados de imperium, ou seja, “o poder de coerção e aplicação de castigos físicos” (Meira, 1996, p. 40). O “cônsul” era um exemplo de magistrado romano dotado de imperium. Segundo Rolim (2008), “quando os cônsules saíam às ruas, iam acompanhados por doze lictores que carregavam o fasces (um feixe de varas significando união). Quando estavam fora da cidade de Roma, os lictores carregavam, além dos fasces, as denominadas secures (machadinhas), que significavam o poder de vida e morte sobre as demais pessoas” (Rolim, 2008, p.54) [4].

Tal tradição chegou até o Direito português. As Ordenações Filipinas (1603), que vigoraram até o surgimento do Código Civil de 1916, ainda previam a obrigatoriedade dos magistrados portarem o feixe de varas durante caminhadas pelas vilas da colônia brasileira no ultramar [5]. O fasces também foi adotado como importante símbolo republicano na França e nos Estados Unidos da América no período das revoluções burguesas.

Assim, o fasces foi convertido ao longo da história num símbolo da autoridade judicial e estatal, do poder de punir, da unidade e, notadamente, da aplicação da justiça até ser apropriado pelo movimento fascista na Itália, liderado por Benito Mussolini. A própria palavra “fascismo” tem origem nesse símbolo, que teve o seu significado original de justiça, união e autoridade, usurpado por uma ideologia extremista. É neste momento que conseguimos traçar a ligação entre as varas, o fasces e o Direito do Trabalho no Brasil, pois a Consolidação das Leis do Trabalho (1943) de Vargas foi inspirada na Carta del Lavoro (1927) de Mussolini [6], cujo regime adotava como símbolo máximo o famigerado feixe de varas. Por outro lado, a nomenclatura “vara” entendida como a unidade de jurisdição de um magistrado só foi adotada na Justiça do Trabalho ao final do século 20, por meio da EC nº 24/1999. Eis o exercício semântico: o vocábulo “vara”, que integra o símbolo fascista usurpado dos romanos, também denomina as sedes da Justiça trabalhista nas quais são exaradas as decisões judiciais. Seria essa uma coincidência ingrata? De qualquer forma, essa teia de conexões históricas liga de algum modo o Direito romano, a imagética fascista e a legislação trabalhista brasileira, através da mediação de um símbolo milenar. Essa foi a reflexão proporcionada por uma mera alteração do texto constitucional que trocou títulos na Justiça do Trabalho com vistas à adequação dos mesmos à padronização seguida no resto do Poder Judiciário brasileiro.

Apesar da coincidência, é óbvio que as Juntas de Conciliação e Julgamento, renomeadas como Varas do Trabalho, não vieram para enfeixar a machadinha fascista de Mussolini, e nem para vangloriar os feitos do velho caudilho, Getúlio Vargas. Quando foi publicada a Emenda Constitucional nº 24/1999, já haviam se passado 45 anos desde o suicídio do “pai dos pobres”. Não obstante, no pós-1988 as unidades de jurisdição trabalhista se transformaram no locus de concretização de importantes direitos sociais insculpidos na constituição cidadã. Além disso, o valor social do trabalho foi consagrado como fundamento da República Federativa do Brasil (artigo 1°, inciso IV). Por essas e outras, resta patente a necessidade de proteção dos direitos dos trabalhadores e dos reflexos de sua atividade laboral, nem que seja “debaixo de vara”.

Faz-se necessário iniciar o nosso percurso através de uma introdução histórica e etimológica. Para além do conceito jurídico, a palavra “vara” tem origem romana e ligação direta com um objeto/símbolo conhecido como fasces. É de reconhecimento geral a grande influência exercida pela cultura, os costumes e as instituições da Roma Antiga (753 a.C. – 476 d.C.) na história ocidental ao longo dos últimos dois milênios. Um dos símbolos romanos mais famosos, que inclusive sobreviveu à queda do império, é o já citado fasces.

O vocábulo latino fasces (ou fascio) designa um objeto utilizado em Roma, oriundo do período monárquico ou régio (753 a.C. — 509 a.C.). O referido objeto era constituído por um feixe de varas firmemente amarradas, usualmente de madeira de bétula, envoltas ao redor de uma machadinha (secures em latim) feita de metal. Tal instrumento era utilizado com o fito de abrir caminho para o rei, na época da realeza romana, e posteriormente para os magistrados, no período republicano (509 a.C. – 27 a.C.), bem como para executar penas capitais. Meira (1996, p. 41) explica que “as varas, utilizavam-nas para vergastar e a machadinha para cortar a cabeça às vítimas” [3]. Por conseguinte, o fasces era um símbolo do poder de punir do Estado romano, e, consequentemente, da aplicação da justiça pelos lictores.

O lictor era o empregado que acompanhava as autoridades romanas. Ao longo de vários séculos o poder de punir (ius puniendi), ou ao menos a execução das penas, ficou a cargo desses homens que dividiam as funções de guarda-costas e carrascos sob o comando dos magistrados dotados de imperium, ou seja, “o poder de coerção e aplicação de castigos físicos” (Meira, 1996, p. 40). O “cônsul” era um exemplo de magistrado romano dotado de imperium. Segundo Rolim (2008), “quando os cônsules saíam às ruas, iam acompanhados por doze lictores que carregavam o fasces (um feixe de varas significando união). Quando estavam fora da cidade de Roma, os lictores carregavam, além dos fasces, as denominadas secures (machadinhas), que significavam o poder de vida e morte sobre as demais pessoas” (Rolim, 2008, p.54) [4].

Tal tradição chegou até o Direito português. As Ordenações Filipinas (1603), que vigoraram até o surgimento do Código Civil de 1916, ainda previam a obrigatoriedade dos magistrados portarem o feixe de varas durante caminhadas pelas vilas da colônia brasileira no ultramar [5]. O fasces também foi adotado como importante símbolo republicano na França e nos Estados Unidos da América no período das revoluções burguesas.

Assim, o fasces foi convertido ao longo da história num símbolo da autoridade judicial e estatal, do poder de punir, da unidade e, notadamente, da aplicação da justiça até ser apropriado pelo movimento fascista na Itália, liderado por Benito Mussolini. A própria palavra “fascismo” tem origem nesse símbolo, que teve o seu significado original de justiça, união e autoridade, usurpado por uma ideologia extremista. É neste momento que conseguimos traçar a ligação entre as varas, o fasces e o Direito do Trabalho no Brasil, pois a Consolidação das Leis do Trabalho (1943) de Vargas foi inspirada na Carta del Lavoro (1927) de Mussolini [6], cujo regime adotava como símbolo máximo o famigerado feixe de varas. Por outro lado, a nomenclatura “vara” entendida como a unidade de jurisdição de um magistrado só foi adotada na Justiça do Trabalho ao final do século 20, por meio da EC nº 24/1999. Eis o exercício semântico: o vocábulo “vara”, que integra o símbolo fascista usurpado dos romanos, também denomina as sedes da Justiça trabalhista nas quais são exaradas as decisões judiciais. Seria essa uma coincidência ingrata? De qualquer forma, essa teia de conexões históricas liga de algum modo o Direito romano, a imagética fascista e a legislação trabalhista brasileira, através da mediação de um símbolo milenar. Essa foi a reflexão proporcionada por uma mera alteração do texto constitucional que trocou títulos na Justiça do Trabalho com vistas à adequação dos mesmos à padronização seguida no resto do Poder Judiciário brasileiro.

Apesar da coincidência, é óbvio que as Juntas de Conciliação e Julgamento, renomeadas como Varas do Trabalho, não vieram para enfeixar a machadinha fascista de Mussolini, e nem para vangloriar os feitos do velho caudilho, Getúlio Vargas. Quando foi publicada a Emenda Constitucional nº 24/1999, já haviam se passado 45 anos desde o suicídio do “pai dos pobres”. Não obstante, no pós-1988 as unidades de jurisdição trabalhista se transformaram no locus de concretização de importantes direitos sociais insculpidos na constituição cidadã. Além disso, o valor social do trabalho foi consagrado como fundamento da República Federativa do Brasil (artigo 1°, inciso IV). Por essas e outras, resta patente a necessidade de proteção dos direitos dos trabalhadores e dos reflexos de sua atividade laboral, nem que seja “debaixo de vara”.

[1] CHAVES, Luciano Athayde. A Emenda constitucional n. 24/99 e o processo do trabalho: mutações infraconstitucionais e ajustes conforme a constituição. Revista de informação legislativa, Brasília, v. 50, nº 197, 2013. Disponível em: < http://www2.senado.leg.br/bdsf/item/id/496968 >. Acesso em: 20 fev. 2019.

[2] GUIMARÃES, Deocleciano Torrieri. Dicionário Universitário Jurídico. 20. ed. São Paulo: Rideel, 2016.

[3] MEIRA, Silvio. Curso de direito romano. ed. fac-sim. São Paulo: LTr, 1996. 

[4] ROLIM, Luiz Antonio. Instituições de direito romano. 3. ed. rev. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2008.

[5] Ordenações Filipinas, livro I, título LXV, I. Disponível em: https://www2.senado.leg.br/bdsf/item/id/242733.

[6] Acreditamos que não se pode exagerar a real importância da influência italiana na CLT, tendo em vista que naquele período houve outras influências relevantes na confecção da legislação trabalhista brasileira, como o positivismo castilhista oriundo do Rio Grande do Sul, a doutrina social da igreja católica e até mesmo as ideias do jurista Pontes de Miranda. Desenvolvi esse tema em artigo também publicado no Consultor Jurídico: https://www.conjur.com.br/2021-jun-06/boomen-origens-clt-alem-fascismo-italiano.

Fonte: https://www.conjur.com.br/2022-fev-19/opiniao-direito-romano-fascismo-italiano-justica-trabalho

agência de notícias anarquistas-ana

caído, um corpo
acabado, um sonho
imóvel, um morto

Carlos Seabra

[Itália] Contra missões militares no exterior, contra todas as guerras!

Vamos fortalecer a luta antimilitarista!

Nos últimos meses, o engajamento militar da Itália no exterior aumentou ainda mais com novas missões, principalmente na África e no cenário ucraniano.

Ao mesmo tempo, a militarização interna composta por soldados nas ruas e controles de fronteira não dá sinais de diminuir enquanto o complexo industrial-militar continua aumentando seus lucros.

Por isso, acreditamos ser central nos próximos meses apoiar e ampliar as lutas antimilitaristas nos diversos territórios: desde as mobilizações no Piemonte contra a indústria aeroespacial de guerra e a candidatura de Turim a sediar o DIANA (Acelerador de Inovação em Defesa para o Atlântico Norte) da OTAN às lutas na Sardenha contra bases militares e campos de tiro, desde os da Sicília contra Muos (Sistema de objetivo do usuário móvel) até os de Friuli contra os novos quartéis “verdes” do exército e a poluição produzida pelos exercícios.

Também é importante o contraste com a crescente penetração da propaganda do Exército nas escolas e universidades, inclusive a estipulação de acordos para a realização de PCTOs (caminhos para competências transversais e orientação) na Sicília nos quartéis.

Apoiamos fortemente as próximas iniciativas promovidas pela Assembleia Antimilitarista em 19 de março e 2 de abril, ambos em Milão, para denunciar o papel da Eni [gigante italiana de energia] em ditar a política externa do governo italiano para captar recursos energéticos saqueando e devastando países do sul, do mundo e da África em especial. É importante lutar contra a devastação ambiental causada pelos exércitos e multinacionais que eles protegem e criar interseções entre os movimentos ecológicos de baixo e o antimilitarismo.

Hoje mais do que nunca, mesmo diante dos ventos de guerra que também varrem a Europa, é necessário desenvolver e praticar o antimilitarismo em todas as áreas da sociedade.

Federação Anarquista Italiana – FAI

Conferência de 19 a 20 de fevereiro de 2022

Tradução >  GTR@Leibowitz__

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/22/internacional-face-a-escalada-militar-a-tensao-e-o-possivel-conflito-belico-na-ucrania/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/22/italia-manifestacao-nao-a-todas-as-guerras-dos-poderosos-e-opressores/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/21/italia-boletim-de-guerra-nao-tomamos-partido-de-nenhum-governo-sujo/

agência de notícias anarquistas-ana

dois amigos na janela
a lua
encontra o pinheiro

Ricardo Portugal

[Itália] Contra a guerra na Ucrânia e em outros lugares

No sábado passado (19/02), uma primeira manifestação foi realizada em Livorno contra a escalada militar na Europa Oriental. Cem pessoas participaram da guarnição organizada pela coordenação cidadã para a retirada das missões militares na Praça Grande, que reúne diversas forças políticas, sociais e sindicais. Entre outras coisas, destacou-se o papel da Itália no atual contexto de tensão internacional. É importante continuar a construir um amplo movimento antiguerra para poder dizer não à loucura belicista e poder impor a retirada das missões militares italianas no exterior. Nem um centavo, nem um soldado, nem uma hora de trabalho para a guerra!

Segue abaixo o texto do panfleto distribuído no sábado

DEIXEM-NOS ESCUTAR CONTRA AS GUERRAS

Parar a escalada imperialista na Ucrânia.

Os governos dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha, da União Europeia e da Rússia, juntamente com os grupos empresariais que os apoiam, competem pelo poder com armas e exércitos jogando na pele das classes exploradas.

Pela retirada imediata das tropas, navios e aviões italianos da Europa Oriental.

– Letônia: tropas com tanques equipados para neve, como parte da missão “Baltic Guardian” da OTAN.

– Romênia: perto de Constanta há um esquadrão de 4 caças Typhoon como parte da missão “Air Black Storm”.

– Mar Negro: há uma fragata FREMM, uma fragata caça-minas e um porta-aviões com caças F-35.

Para parar a expansão da base dos EUA em Camp Darby.

Já hoje um arsenal e nó crucial para a logística de armas e veículos no Mediterrâneo e além. A ampliação da base inclui, entre outras coisas, a criação de uma nova linha férrea, que transportará até dois trens carregados de armas todos os dias.

Para evitar o aumento dos gastos militares.

Em 2022, os gastos militares ultrapassaram 26 bilhões de euros. Em 2021, 1 bilhão e 100 milhões foram gastos apenas em missões militares italianas, incluindo intervenções neocoloniais na África.

Coordenação cidadã para a retirada imediata das missões militares no exterior.

Tradução > GTR@Leibowitz__

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/22/internacional-face-a-escalada-militar-a-tensao-e-o-possivel-conflito-belico-na-ucrania/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/22/italia-manifestacao-nao-a-todas-as-guerras-dos-poderosos-e-opressores/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/21/italia-boletim-de-guerra-nao-tomamos-partido-de-nenhum-governo-sujo/

agência de notícias anarquistas-ana

sob a janela
o gato prepara o salto
como sempre faz

Fred Schofield

[Grécia] Mensagem de resistência do anarquista preso Thanos Xatziagkelou

Quando começamos a contar as horas para a perda total da liberdade, nas prisões de isolamento, cada momento ganha seu próprio significado existencial. Um sorriso, um toque, o calor da voz de um camarada em uma fria chamada telefônica, os cantos do lado de fora da sala de interrogação são as chamas que queimam no seu coração, te lembrando que nada acaba. A guerra tem suas baixas. Mas nada nos foi dado, quando estendemos a mão, não nos deram nada. Não conquistamos nada rezando.

O branco, traiçoeiro, inumano de seus olhos me lembrou o armistício em um campo de batalha

Nessa vida, tudo é ganho através de convicção e dedicação ao campo da luta social. Com esforço nas batalhas e tensão incansável. Através da minha pequena contribuição à evolução da guerra de classes, para além dos meus erros e minhas contradições, se há algo que me caracteriza é a consciência social e o compromisso ao dever revolucionário. Essas são as duas coisas que, em algumas noites, se tornaram uma corda ao redor do seu pescoço e não te deixa dormir. Gritos, soluções, e mesmo silêncios despertam, e te enfurecem, te enfurecem, te armam. Responsabilidades camaradas. Nós temos responsabilidades. Tenho orgulho de todas aquelas noites sem descanso, que escolhi olhar as estrelas. Eu permaneço inabalável, sem arrependimentos, e furioso como nunca, pois eu defendo meu cativeiro com orgulho, contra a liberdade morta da decadência.

Todos meus pensamentos, amor e apoio permanecem firmes ao lado dessas duas pessoas que estão aprisionadas ao meu lado, dando o melhor de nós nessa luta. Na luta contra o absurdo da repressão. Já eu, eu quero te lembrar que a revolução contra a tirania é uma história que permanece em aberto. E a violência revolucionária deve ser uma via inegociável.

Camaradas, até que nos encontremos nos campos de batalha, não devemos nos conformar com nada menos que tudo.

Abaixo o Estatismo, Vida Longa à Anarquia

Thanos Xatziagkelou

Tessalônica Delegacia de Polícia
Terça-feira, 10/02/22.

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1616971/

Tradução > 1984

agência de notícias anarquistas-ana

é quase noitinha
o céu entorna no poente
um copo de vinho

Humberto del Maestro

[Argentina] FORA relança quatro livros de referência

Nos alegra poder anunciar que já estão disponíveis para a venda os títulos que publicamos desde nosso selo editorial.

Trata-se de quatro livros que viram a luz pela primeira vez faz já cinco anos, mas com uma tiragem muito reduzida. Agora, graças à colaboração dos companheiros da Editorial Tierra del Sur, conseguimos fazer uma quantidade significativa para sua maior distribuição.

Os títulos selecionados respondem ao interesse que nos mobiliza para divulgar os posicionamentos e a história do movimento revolucionário da FORA, seja através de autobiografias, ensaios doutrinais ou estudos atuais que, desde diferentes disciplinas, atravessam o curso do movimento obreiro e do anarquismo.

Link de compra:

https://listado.mercadolibre.com.ar/_CustId_424025478

Ofícios Vários Capital Fora

agência de notícias anarquistas-ana

O corpo é um caminho:
ponte, e neste efêmero abraço
busco transpor o abismo.

Thiago de Mello

[Grécia] Posição política do prisioneiro anarquista Thanos Xatziagkelou sobre o ataque à Fundação para a Reflexão Nacional e Religiosa

A violência baseada em gênero não é apenas um fato. É a normalidade que é constantemente imposta pelo patriarcado. Feminicídios, estupros e abusos, comentários depreciativos e irônicos, constrangimentos e intimidações. E quando estas coisas recebem a bênção divina do obscurantismo civilizado que a igreja está colhendo, a raiva intransigente toma forma, toma forma nas ruas e busca uma voz. A violência revolucionária assume suas responsabilidades.

Em 21/01, outra peça foi acrescentada ao quebra-cabeça da podridão cultural que domina a vida social e política. Um padre de 37 anos, um violador de crianças, foi acusado de exposição indecente a uma menina de 11 anos que frequentava o catecismo no grupo religioso rufião de Patisia (área de Atenas). Tristeza, repugnância, raiva, mas acima de tudo responsabilidade. Responsabilidade em não querer encobrir mais um episódio repugnante que acrescenta ao fedor da máfia sagrada. Responsabilidade de não deixar passar. E a responsabilidade, se não for traduzida em ação, perde-se no vórtice da aceitação e da demissão.

Assumo a responsabilidade pelo ataque incendiário à Fundação para a Reflexão Nacional e Religiosa, porque a rejeição da aceitação arma a afirmação da justificação. Porque não espero justiça para aqueles que sistematicamente sancionam a normalização da violência baseada no gênero e a morte, fornecendo explicações e desculpas. Eu queria realizar uma ação política altamente simbólica, contra um agente da máfia sagrada. Eu queria enviar uma mensagem clara: contra a lei da opressão, a justiça revolucionária é o único caminho a seguir.

Nossa prisão não mostra nada além da polarização que alimenta dois mundos em constante colisão. Aceito com orgulho minha responsabilidade, com minha cabeça erguida e um sorriso no rosto, mesmo que isso signifique a perda de minha liberdade individual, mesmo que signifique iniciar uma nova caça às bruxas, porque minhas responsabilidades pesam como montanhas.

Com nossos corpos presos dentro de paredes, barras e correntes, mas com nossos corações sempre livres, continuamos nossa luta pela igualdade, justiça e autodeterminação.

Meu apoio absoluto, amor e solidariedade aos dois perseguidos Geórgia Voulgari e Panagiotis Kalaitzis. Meu amor incondicional às centenas de corações que batem do nosso lado, com a promessa de que não vacilaremos nem por um momento. Estamos em guerra.

Prisioneiro anarquista, ΓΑΔΘ (celas de detenção da Sede da Polícia de Tessalônica)

12/2/2022

Fonte: https://infernourbano.altervista.org/grecia-posizione-politica-del-prigioniero-anarchico-thanos-hatziangelou-sullattacco-alla-fondazione-per-la-riflessione-nazionale-e-religiosa/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Dentro da mata –
Até a queda da folha
Parece viva.

Paulo Franchetti

 

[Internacional] Face à escalada militar, a tensão e o possível conflito bélico na Ucrânia

A Ucrânia tem sido um barril de pólvora desde há muitos anos. O conflito tem raízes num quadro histórico muito complexo que vai desde a derrota russa na Guerra da Crimeia no século XIX, à guerra da Ucrânia no século XX, que levou à criação da República Socialista Soviética da Ucrânia, à entrega por Nikita Khrushchev da Crimeia à Ucrânia, ao processo conhecido como Euromaidan, à Guerra de Donbass e à anexação russa da Crimeia.

Nem os acordos de Minsk II, assinados para reduzir a tensão da guerra do Donbass, nem a diplomacia europeia conseguiram mitigar este longo conflito em que estão em jogo demasiados interesses geopolíticos, econômicos, energéticos e étnicos. Interesses que colocam as oligarquias pró-russas contra as nacionalistas pró-europeias e que deixam os trabalhadores ucranianos no meio, os quais têm que aprender a viver numa incerteza constante entre a guerra civil, a ocupação militar, a miséria que a guerra traz e que oligarcas irão lucrar com o seu trabalho.

Uma incerteza que nós, trabalhadores da Europa e do mundo, também somos obrigados a partilhar, visto que as potências beligerantes possuem milhares de ogivas nucleares, tornando esta tensão muito semelhante às que já se viveram durante a Guerra Fria.

A atitude do governo espanhol de enviar tropas para os vários exercícios militares da OTAN¹, assim como em organizar a cúpula de Madrid em 2022, responde à escala militarista que estamos a ver crescer, em que se investe cada vez mais em militares e armamentos, e onde a indústria militar engorda com a venda de armas e com a participação da Espanha em conflitos internacionais.

Perante a escalada da tensão e do possível conflito bélico, solidarizamo-nos com os trabalhadores ucranianos. Rejeitamos a interferência imperialista da OTAN e da Rússia, a ocupação estrangeira e o nacionalismo, e fazemos nossas as palavras de Nestor Makhno:

Um poder estatal “intruso” e um poder de Estado “independente” dão no mesmo, e os trabalhadores não ganham nada com nenhum deles: eles devem orientar os seus esforços, onde quer que estejam, para destruir o aparelho de Estado e substituí-lo por organismos operários e camponeses vocacionados para a autogestão social e econômica“.

Nem guerra nem negócio de morte
Nem guerra entre povos nem paz entre classes

Federação Anarquista Ibérica – FAI

[1] Também Portugal já anunciou o envio de militares para integrar os contingentes da OTAN nos países que integram a organização no leste europeu.

federacionanarquistaiberica.wordpress.com

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/07/espanha-declaracao-da-cnt-contra-a-guerra-na-ucrania-e-o-militarismo/

agência de notícias anarquistas-ana

nuvem que passa,
o sol dorme um pouco –
a sombra descansa

Carlos Seabra