[Espanha] Comunicado da CNT Córdoba: Ante a agressão militar dos EUA e Israel contra o Irã

Desde a Confederação Nacional do Trabalho (CNT) de Córdoba, como sindicato de classe, internacionalista e profundamente antimilitarista, manifestamos nossa mais enérgica rechaço ao ataque brutal iniciado em 28 de fevereiro passado pelas forças militares dos Estados Unidos e Israel contra o território iraniano.

Esta ofensiva armada, camuflada sob o pretexto banal dos “ataques preventivos” e uma suposta “democratização” da região, constitui uma agressão imperialista de grande envergadura. Seu objetivo real não é outro que garantir o controle geopolítico e dos recursos energéticos do Oriente Médio. Estamos ante um passo definitivo na “israelização” da ordem internacional impulsionada pela administração Trump, onde os EUA rompem com qualquer simulacro de respeito à legalidade internacional e aos princípios elementares da diplomacia. Se aposta, em troca, pelo sequestro ou assassinato de dirigentes de países soberanos com total impunidade, a imagem e semelhança da política criminosa desenvolvida por Israel de Netanyahu na Palestina e que teve seu antecedente mais próximo na agressão dos EUA contra a Venezuela ainda em curso.

A ruptura dos últimos vestígios da ordem internacional — por injustiça que esta fosse — nos leva à lei do mais forte. Este cenário só leva a aprofundar a crise ecossocial global e a depauperar ainda mais a classe trabalhadora. A escalada bélica cumpre a aspiração israelense de arrastar os EUA a um conflito regional massivo para emergir como potência dominante sob o programa do “Grande Israel”. Nem Trump nem Netanyahu duvidaram em provocar o caos e a destruição, assumindo milhares de vítimas civis e empurrando nossas sociedades a uma crise inflacionária sem precedentes, superior inclusive à provocada pela agressão russa contra a Ucrânia.

Assistimos a consolidação da deriva militarista de um “fascismo fóssil” assentado em petroestados que recorrem à guerra para defender seus interesses vinculados ao controle da energia.

Nossas Considerações :

• Contra a Guerra do Capital: Rechaçamos a política belicista de Trump e Netanyahu. A guerra é uma ferramenta das elites para dirimir suas cotas de poder à custa do sangue e da economia dos que nada tem a ganhar neste conflito: a classe trabalhadora.

• Solidariedade com o Povo do Irã: Nossa solidariedade é com os trabalhadores e os trabalhadores iranianos, que sofrem o duplo golpe da agressão externa e da opressão interna. Não apoiamos regimes teocráticos nem autoritários, mas sustentamos que a liberação dos povos só pode emanar deles mesmos. A história no Iraque, Líbia ou Afeganistão demonstra que as invasões estrangeiras nunca trazem democracia nem soberania.

• Nem um Soldado, Nem um Euro para a Guerra: Exigimos o cessar imediato da agressão e o fim da cumplicidade europeia com os EUA e Israel. A Europa não pode seguir vinculada aos interesses internacionais de um governo como o dos EUA, que viola sistematicamente o direito internacional e se converte no principal risco para a segurança global, e que pretende manter a Europa em uma dependência estratégica, econômica e energética que prejudica os interesses da classe trabalhadora europeia.

• Não ao uso das Bases da OTAN: Aplaudimos o rechaço ao uso das bases militares em solo espanhol (como Rota ou Morón) para fins logísticos neste massacre. Exigimos ao Governo da Espanha uma neutralidade ativa e o desmantelamento das bases da OTAN, que nos convertemos em cúmplices necessários da barbárie.

• Soberania Energética e Descarbonização: É urgente nos independizarmos da chantagem dos petroestados, desde EUA e até Rússia como monarquias do Golfo. Necessitamos de uma transição energética baseada em renováveis ​​que caiba com as dependências que alimentam estas guerras e nos permita avançar na descarbonização real de nossas sociedades.

• Mobilização Permanente: Chamamos à mobilização social, à objeção e à desobediência civil frente à maquinaria de morte. Não permitiremos que o silêncio nos faça cúmplices de novos massacres que se somem ao genocídio na Palestina, protagonizado por esta mesma dupla de agressores.

cordoba.cnt.es

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

casca oca
um charuto
cantou-se toda

Matsuo Bashô

[Reino Unido] 9ª Conferência Internacional da Rede de Estudos Anarquistas   –‒ Chamada para artigos

Anarquismo Mais-Que-Humano.

26 a 28 de Agosto, Universidade de Manchester, Reino Unido.

31 de Agosto, online.

O que significa pensar, sentir e agir em caminhos mais-que-humanos? Como as teorias e práticas anarquistas mudam quando os rios têm direitos, quando as florestas resistem à proteção, quando os animais são sujeitos políticos, quando os humanos se estendem para além do biológico, quando as tecnologias envelhecem contra nós, e quando a Terra, por si só, se transforma em um participante ativo na luta? O anarquismo pode mesmo se dizer anarquismo sendo antropocêntrico? Ou o anarquismo já contém dentro de si as sensações de uma visão de mundo profundamente mais-que-humana?

O Anarquismo Mais-Que-Humano pode ser estruturado como local de tensão (do Anarquismo rejeitando horizontendo elementos mais-que-humanos), como uma política da relação (do Anarquismo com o mais-que-humano), como uma orientação filosófica e ética (anarquismo como mais-que-humano), ou como um que excede completamente as categorias atuais (Anarquismo além do humano).

Quando o anarquismo é entendido como uma resposta para o mais-que-humano, estudantes e ativistas podem focar na suspeita de IA Generativa de propriedade corporativa, ou resistindo à devastação ecológica, confrontando o capitalismo extrativo, construindo práticas de justiça multiespécie, ou se engajando na ação direta ambiental: Da defesa de terras da sabotagem climática, à reintrodução da comunidade a vida selvagem, medicina natural e educação decoloniais e ecológicas.

O Mais-que-humano também pode ser uma prática para a organização e imaginação anarquistas ‒solidariedades não-humanas inseridas em anarquismos ecofeministas e indígenas, a profundidade tática com paisagens e locais em guerrilhas e lutas clandestinas, ou as culturas vibrantes do punk, da arte e da literatura que celebram a co-conspiração de animais, ecossistemas e a própria Terra na revolta. O imaginário Cyberpunk nos encoraja a pensar sobre a humanidade em síntese com a tecnologia e a esfera digital, e mesmo sob o domínio atual das oligarquias tecnológicas, os ativistas continuam a conquistar espaços para explorar tecnologias mais-que-humanas.

Indo mais além, o anarquismo pode ser entendido como uma filosofia enraizada em um mundo de seres interdependentes, agências em rede e materialidades vivas. O social nunca é puramente humano; a vida política emerge de inumeráveis ​​forças relacionadas, animadas e inanimadas, onde derivadas, cooperações e fricções específicas na fábrica da existência. Qualquer tentativa de reduzir esta polifonia a uma simples lógica de dominância, arrisca-se a reproduzir os mesmos modelos hierárquicos que o anarquismo busca abolir.

Finalizando, o anarquismo pode ser um local de conflito e criatividade quando abordado em uma perspectiva mais-que-humana: Como os individualistas, sociais, verdes, queer, indígenas, pós-humanos e eco anarquistas se colidem, se sobrepõem, ou se informam mutualmente uns com os outros? Como os compromissos anarquistas podem ser reconfigurados quando mudarem da libertação humana para o florescimento multiespécie? Ou mesmo para a evolução pós-humana além das nossas limitações biológicas?

Para explorar estas provocações, a 9ª Conferência Internacional da Rede de Estudos Anarquistas os convida à submissão de artigos que abordem o Anarquismo Mais-que-humano como tema central.

Abaixo a não-exaustiva lista de tópicos sugeridos. Engajamentos anarquistas com o Mais-que-humano podem incluir:

• Justiça multiespécie, ajuda mútua ecológica e práticas de criação de laços familiares;

• Críticas anarquistas ao antropocentrismo, supremacia humana e à categoria “humano”;

• Anarquismos indígenas, políticas baseadas na terra e relações ecológicas decolonizadoras;

• Libertação animal, anarquismo vegano e solidariedades interespécie;

• Estratégias ecoanarquistas, incluindo defesa da terra, sabotagem e alternativas ecológicas prefigurativas;

• Abordagens pós-humanistas, neo-materialistas e animistas ao pensamento anarquista;

• A influência política das paisagens, clima, infraestruturas ou tecnologias;

• Colapso climático, resposta a desastres e organização ecológica anarquista;

• Ecologia queer, ecologia crip e desafios anarquistas à personificação humana normativa;

• Reintrodução da comunidade à vida selvagem, permacultura e experiências anarquistas em bens comuns multiespécies;

• O papel das forças não humanas nos movimentos sociais, revoltas e vida cotidiana;

• Futuros anarquistas especulativos, incluindo solarpunk, biorregionalismo e construção de mundos multiespécies;

• Usos potenciais da IA generativa para fins anarquistas;

• Coletivos tecnológicos de base e os mundos tecnológicos alternativos que eles imaginam e constroem;

• Imaginários cyberpunk ou síntese humano-tecnológica e mundos digitais construídos por nós e para nós;

Se você se achar menos-que-interessado nessas sugestões, você está bem vindo para propor um artigo ou algo relacionado a teoria anarquista e práticas que tem menos haver com o tema da conferência.

Nós aceitamos submissões de estudantes, ativistas, artistas e todos aqueles que estão explorando ou experimentando o Anarquismo Mais-que-humano, mas, por favor, note que o compartilhamento de conhecimento é um componente essencial da conferência.

Temas ou correntes de temas particulares são bem vindos, assim como formatos de apresentação não-tradicionais, como performances, exibições, oficinas e muitos outros… Os resumos devem estar em inglês(mas estamos acomodados a artigos em qualquer língua). Por favor, indique se você for apresentar em outra linguagem.

Os resumos não devem ter mais que 350 palavras e precisam ser enviados até 31 de março de 2026, através do formulado indicado abaixo:

Mande sua proposta aqui :  https://cryptpad.fr/form/#

Por favor, indique se você pretende se apresentar pessoalmente ou online. Caso esteja online, por favor, indique seu fuso horário. A conferência em pessoa irá ocorrer na Universidade de Manchester, Reino Unido, 26-28 de Agosto. O dia da conferência Online irá ocorrer  no dia 31 de Agosto. Provavelmente poderemos ajudar um número pequeno de participantes com despesas de viagem e alojamento. Por favor, indique se você precisa de suporte e nos dê uma estimativa aproximada de suas despesas, caso seja preciso.

Entre em contato conosco caso tenha alguma dúvida, necessidade ou comentário específico, e façamos o possível para atendê-lo. Você pode nos encontrar em asn.conference@protonmail.com

anarchiststudies.noblogs.org

Tradução > Núcleo de Traduções Libertárias Ferrer y Guardia (NTLFG)

agência de notícias anarquistas-ana

clube
dividir uma cabeça
faça

Cláudio Fontalan

[Alemanha] 8M | Lutemos juntos pelos direitos humanos de todos e de cada uma, e contra o governo patriarcal!

Por que nos manifestaremos todo em 8 de março? Será em memória da greve selvagem das trabalhadoras de Petrogrado, cuja revolta de fome em 1917 desencadeou a Revolução Russa, em fevereiro? Ou porque o prefeito da Colônia e o comissário de igualdade de oportunidades da cidade convidaram um dia de ação comemorativa no Kulturbunker Mülheim?

O município de Colônia faz suas afirmações corretas, diz que todos os dias deveriam ser 8 de março, incentiva a luta contra a discriminação às mulheres* e pelos direitos políticos. Contudo, como a comemoração dessa histórica greve das mulheres pode ser conciliada em uma aliança local com empreendedoras feministas comprometidas com a “igualdade de oportunidades para mulheres em todos os níveis hierárquicos “? E quem celebra suas carreiras de sucesso junto com os dirigentes dos partidos governamentais CDU, SPD e Verdes, enquanto os sindicalistas reformistas da DGB aplaudem?

Quando se trata da discriminação salarial que sofre as mulheres, e da sua pobreza na melhor-idade, o Dia da Igualdade Salarial , em 27 de fevereiro, seria a data mais completa. Porque é o dia que marca os dados, este ano, em que a desigualdade salarial entre mulheres* e colegas homens* fica explícita. Simboliza o período em que as mulheres* trabalham de graça, em média, em relação aos homens, que recebem desde o início do ano (diferença salarial entre gêneros, Gender Pay Gap).

Dia Anual da Igualdade de Cuidados, em 29/02, também tem como objetivo destacar uma situação desigual, pois chama atenção para o trabalho de cuidado não remunerado, bem como para a distribuição injusta dessas atividades e a sua falta de valorização. Como esses dados existem somente a cada 4 anos como “dia bissexto”, ela simboliza o trabalho de cuidado não remunerado que, do contrário, seria “invisível”. Especialmente porque as mulheres* assumem quatro vezes mais atividades de cuidado que os homens* e ainda estão longe da “igualdade” ideal em tarefas socialmente fáceis.

Algumas feministas, que gostam de celebrar as conquistas do movimento das mulheres em aliança com os governantes, frequentemente argumentam que “nós” estamos indo tão bem aqui na Alemanha, enquanto a situação das mulheres* e meninas* é muito pior globalmente. Isso é, então, citado como motivo para não lutar (mais) contra a opressão patriarcal e a exploração capitalista no terreno e, sim, para fazer as pazes com as condições de 8 de março.

Contudo, outros países da UE já possuem leis mais progressistas para proteger as mulheres*. Na Espanha, por exemplo, a igualdade salarial para as mulheres* está consagrada na lei, assim como a representação proporcional em todos os níveis políticos. Há também o consenso sexual (” Só o sim significa sim!” ), já obrigatório, enquanto, aqui, a norma patriarcal do consentimento tácito das partes ainda é extensamente tida como normal.

Criticar essa “normalidade” como injustiça, porém, significa questionar o sistema de dominação masculina*. Os ideais de liberdade, igualdade e solidariedade deveriam ser passados ​​adiante em conteúdos educacionais esclarecidos. Isso ajudaria as pessoas a assumirem responsabilidades desde cedo, assim como agir de maneira autodeterminada sexual e reprodutivamente.

No entanto, hoje, os ataques da direita visam desmontar os direitos das mulheres, tais como a protecção à violência, o direito ao asilo, ao aborto ou ao emprego (até meio período). O caso de Jeffrey Epstein, em particular, mostra o poder das redes de homens violentos que se apoiam mutuamente, ultrapassando fronteiras nacionais para exploração e opressão, também na política e nos negócios. A violência sexualizada em instituições estatais, como polícia, militares e judiciário, mostra claramente que não há como ter “participação igualitária” num tal sistema patriarcal.

As feministas burguesas, na busca pelo poder econômico e político, fazem parte dessa dominação. Portanto, não deveria surpreender se Alice Schwarzer, conhecida ativista pelos direitos das mulheres, não apenas defende o serviço militar feminino, como até consideraria uma chanceler da AfD como “encorajadora”. Essas mulheres não são aliadas, porque até vão excluir a exclusão de pessoas trans* e inter* e não às ruas no Dia Internacional da Visibilidade Trans * (31.03.) nem no Dia Internacional das Pessoas Não Binárias (14.07).

Lutemos juntos pelos direitos humanos de todos e de cada uma, e contra o governo patriarcal!

Rede Anarco-Sindicalista – ASN-IWA Colônia

Rede Anarco-Sindicalista – ASN-IAA Colônia

Creative Commons: BY-NC (asnkoeln.wordpress.com)

Tradução > CF Puig

agência de notícias anarquistas-ana

como os gatos
ao ritmo das gotas
do candelabro

Valentin Busuioc

Centros sociais autogeridos sofrem ataques fascistas noturnos na Grécia

Frustrados por serem um fracasso total nas ruas, atualmente, especialmente em Atenas, grupos fascistas estão cometendo ataques noturnos a certos locais autogeridos do movimento social.

Por várias semanas, coletivos de solidariedade, antifascistas e anarquistas serviram na mira de cretinos misantrópicos e covardes, do Norte ao Sul do país. Esses ataques noturnos parecem coordenados e servem, de qualquer forma, aos interesses do governo, que imediatamente agrupam todos em uma retórica bem conhecida.

Entretanto, os nossos centros sociais autogeridos alimentam, cuidam e abrigam aqueles em situação precária abandonados pelo Estado, ao mesmo tempo em que oferecem atividades, cursos gratuitos, bibliotecas sociais multilíngues e todo tipo de iniciativas de educação popular e de conscientização política. Sem falar na benevolência e no respeito.

Esta semana, foi uma vez que o centro social libertário Victoire foi atingido, no distrito de Faliro, em Tessalônica. Mais uma vez, durante a noite, cilindros de gás foram colocados de forma a danificar a entrada do centro social autogerido, enquanto acrescentavam as habituais pixações e insultos fascistas.

Há alguns dias, um imigrante foi espancado em Mikrolimani, um pequeno porto a leste de Pireu (onde eu também fui atacado por um grupo neonazista em 14 de junho de 2019). Outro imigrante foi espancado em Patras. Também foram testemunhados diversos ataques homofóbicos.

Por todos os lados, na Europa, a extrema-direita mostra o verdadeiro rosto: odioso, misantrópico, violento, ardiloso e completamente estéril. A extrema-direita é inútil para aqueles que sofrem, exceto para dividi-los e fazê-los sofrer ainda mais. É útil para o poder, especialmente quando uma revolta está se formando, de alguma forma, para os dominados e explorados. A extrema-direita é uma praga espalhada por parte da grande mídia e pela classe política que está se alimentando das brasas.

Se você acha uma sociedade injusta, escolha o humanismo, não a misantropia.

Yannis Youlountas

01/03/2026

agência de notícias anarquistas-ana

Aqui e ali,
Sobre os impostos florescem
Como quaresmeiras.

Paulo Franchetti

[Alemanha] Berlim: Protesto anarquista contra o recrutamento militar obrigatório no dia da greve estudantil.

Contra todos os exércitos e o serviço militar obrigatório! Convocamos a participação e o apoio às ações contra o serviço militar obrigatório no dia 5 de março de 2026, na Potsdamer Platz, em Berlim. Estaremos presentes com uma faixa para garantir a visibilidade da participação anarquista, antimilitarista e queer-feminista. Convocamos também outros grupos anarquistas para participar e apoiar as lutas dos estudantes. Como anarquistas, somos contra todos os militares em todos os países. Consequentemente, rejeitamos o serviço militar obrigatório em todos os lugares. Qualquer um que nos diga que existe um exército “bom” está pensando. Propomos a recusa total em cooperar com os militares.

Se você tem mais de 18 anos, as Forças Armadas Alemãs começarão a enviar um questionário a partir de 1º de janeiro de 2026. Para aqueles registrados como homens (situação no passaporte: masculino), o preenchimento do questionário é obrigatório. A não apresentação do questionário resultará em multa por infração administrativa.

Portanto, se você se opõe firmemente ao alistamento militar obrigatório e decide não preencher este questionário, estará burlando seu registro militar!

Este registro é um pré-requisito para o “exame médico”, durante o qual seu corpo será “escaneado” para verificar sua exclusão para o combate a partir de 2027. Quanto mais homens registrados (e todos os demais) não preencherem este questionário, maior será o problema para a Bundeswehr (Forças Armadas Alemãs).

A situação é dinâmica neste momento. A resistência agora tem um efeito notável. Se um grande número de pessoas participarem da recusa total em cooperar com os militares, eles enfrentarão um sério problema de legitimidade. Para que você não fique sozinho nessa transgressão, converse com seus amigos e familiares e apoie outros objetos de consciência.

Se você quiser organizar uma ação conjunta de grande repercussão e rasgar publicamente seu questionário, entre em contato conosco para que possamos lhe dar mais apoio e orientação. Também podemos organizar ações práticas e divertidas em conjunto com muitas outras pessoas. Se você busca aconselhamento confiável: o IDK (www.idk-info.net) é o lugar certo.

Conselho Anarquista Provisório Antiguerra de Berlim

AG “Rührt Euch”: Anarquistas e ex-recrutas contra todo o militarismo e patriarcado.

antikrieg.noblogs.org

agência de notícias anarquistas-ana

Não enfeitado,
papagaio de papel:
também vou no.

Aníbal Beça

[Chile] Coletivo La Minka. Apresentação + artigo “América Latina: o mito hispanista”

Somos uma agrupação de jovens, de inspiração anarquista, que buscamos nos organizar e nos formar entre companheiros para enfrentar a realidade injusta e desigual na qual nos vemos imersos.

Buscamos construir comunidade e tecido social, fortalecendo o anarquismo, contribuindo para repolitizar os espaços estudantis e gerando consciência e pensamento crítico em nossos pares.

A Minka nasce da necessidade de construir um espaço juvenil que defenda o anarquismo organizado, posicionando-o como uma alternativa de luta para os oprimidos.

Como jovens – adolescentes, trabalhadores, estudantes e moradores -, vemos problemas específicos que queremos enfrentar; como o declínio do anarquismo no território chileno, o avanço das novas direitas, o avanço da expectativa na via institucional e na social-democracia para buscar mudanças, e também, o retorno do movimento estudantil.

Diante disso, decidimos não nos resignar à frustração individual, e nos organizar entre companheiros com o objetivo de facilitar instâncias para a luta social, levantando espaços para a formação e reflexão crítica, contribuindo para a difusão do anarquismo e apresentando propostas para a organização a partir das bases.

Nosso:

• Horizontalidade: Funcionamos sem administradores nem autoridade em nossas dinâmicas, tomamos decisões mediante discussão e acordo.

• Apoio mútuo e companheirismo: Ajudamos uns aos outros de forma voluntária, desinteressada e reciproca. A solidariedade fortalece nossos laços e nossa força coletiva.

• Autonomia: Organizamos em nossos termos e por nossos interesses, de forma independente de qualquer instituição do Estado e dos partidos políticos, trabalhando com base na autogestão.

• Antipatriarcado: Buscamos enfrentar e combater o sistema patriarcal, denunciando a violência machista e o sexismo, gerando uma proposta de despatriarcalização como forma de luta contra a dominação.

• Defesa do comunitário: Promovemos a unidade e o trabalho voluntário e coletivo, em favor da construção de comunidade organizada, situando-nos no território e luta junto ao povo, que é o principal gestor de mudança para romper com o sistema de exploração e dominação capitalista e patriarcal.

• Autocuidado: Fomentamos a responsabilidade individual em instâncias de luta, e promovemos uma distribuição coletiva dos cuidados dentro da ação organizativa.

Coletivo La Minka

América Latina: o mito hispanista (artigo)

Em 12 de outubro de 1492, Cristóvão Colombo chegou a terras que não eram as que buscava, produto de um erro cartográfico e da tolice de insistir numa rota ocidental de comércio para as Índias. Desde então, a data é comemorada de maneira quase religiosa, transformando este acidente histórico em um símbolo que serve para reivindicar e embranquecer a colonização espanhola. A América tem seu nome em homenagem a Américo Vespúcio, um cartógrafo originário de Florença que abriu os olhos dos néscios conquistadores que insistiam que o território ao qual havia chegado eram as Índias, abrindo, talvez conscientemente, as portas para o domínio simbólico dessas terras e de seu povo.

A Coroa Espanhola, mais tarde, decidiu chamar de vice-reinos suas possessões com o objetivo de suavizar a ideia de colônia e projetar uma falsa sensação de comunidade com os povos submetidos, separando-se assim do projeto de conquista britânica, de natureza mais bárbara. Além disso, não só se tomou uma medida de chamar as colônias espanholas de “vice-reinos”, mas também se aprimorou a tradição da miscigenação espanhola, não só por costume cultural, mas também pela falta de recursos militares e econômicos para realizar uma purga de nativos como os britânicos puderam se permitir.

Esta sequência de fatos, romantizada por historiadores europeus e católicos como Modesto Lafuente, que propôs a colonização como uma missão civilizadora, serviu de alimento para o mito da “hispanidade”. Mas o que é realmente uma “hispanidade”? A hispanidade é, em essência, uma construção homogeneizadora nascida do revisionismo histórico e da idealização elaborada pelos nostálgicos subjugados e subjugados: um relato que busca transformar um processo marcado talvez não pela violência direta, mas sim pelas imposições políticas, hierárquicas e profundamente desiguais.

Por parte dos subjugados, busca-se apropriar-se dos espanhóis a nossa herança cultural: embelezam e atribuem à presença hispana grandes conquistas dos povos nativos, apresentando como “legado hispano” práticas e conhecimentos que, na realidade, também pertencem às civilizações anteriores à chegada europeia, algo especialmente visível na literatura, na filosofia e na ciência.

Por parte dos subjugadores, busca-se instalar termos destinados a construir laços políticos ocultos de camada cultural, que legitimam uma suposta “irmandade” e uma “dívida cultural”, impondo além disso os marcos conceituais com os quais devem ser interpretados a nossa própria história. É precisamente essa capacidade de nomear, definir e ordenar o alheio que permite que continue esta dinâmica imperialista: povos pequenos e ricos em recursos são explorados sob o jugo de um vínculo político fabricado, que justifica o aprimoramento e a subordinação como se fossem parte natural de uma relação.

Seguindo esta linha, a apropriação cultural não é o único problema que nos deixou o império espanhol: também é a imposição do patriarcado europeu, a desarticulação das comunidades matrilineares e a instauração de instituições, sistemas jurídicos, noções de propriedade privada e estruturas estatais que conformam a verdadeira herança quotidiana que persiste até hoje.

Na Europa, o patriarcado surgiu como consequência da acumulação privada de bens e da ascensão de uma classe masculina proprietária que transformou relações comunais em relações de domínio; com isso, a autoridade coletiva foi derivada pela família patriarcal, na qual o homem se tornou dono da propriedade e da descendência. Antes dessa transformação, muitas sociedades se organizaram sob formas matrilineares onde a filiação se dava pela linha materna, a autoridade era compartilhada e a propriedade tinha um caráter comum que impedia a concentração do poder em um só indivíduo. A expansão europeia exportou e impôs esta nova ordem sobre nossos povos, dissolvendo sistemas matrilineares próprios, instaurando posições de gênero que nem sequer existiam na maioria das comunidades originárias e implantando instituições, leis e concepções de propriedade privada que substituíram formas coletivas de organização e que ainda estruturaram nossa vida social.

E, falando do cotidiano, podemos ver que a influência espanhola em nossa gastronomia é mínima, pois nossa alimentação se sustenta principalmente em ingredientes nativos como o milho, a batata, o feijão e o abacate. Um exemplo claro é a gastronomia chilena, cujos pratos típicos como o charquicán, o feijão com “rienda” (feijão com macarrão), as humitas, a cazuela e até mesmo os completos refletem uma base alimentar profundamente indígena que permanece até hoje.

Em resumo, a ideia do mito hispanista é uma construção que romantiza a colonização e busca ocultar as imposições políticas que a Espanha dinâmica em nossas terras. Esta narrativa tenta se apropriar de conquistas e negar saberes indígenas, enquanto apresenta como natural uma relação marcada pela desigualdade e pela exploração. No entanto, a nossa vida quotidiana, desde as formas comunitárias de organização até à própria gastronomia, demonstra que a raiz profunda da nossa identidade é nativa e que nem o império mais letal pode acabar com ela.

Coletivo La Minka

Fonte: https://informativoanarquista.noblogs.org/post/2026/02/12/chile-colectivo-la-minka-presentacion-articulo-america-latina-el-mito-hispanista/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

vento rápido
por que não senta aqui
do meu lado

Alexandre Brito

[EUA] Emma Goldman, superstar? A anarquista judia exerce um papel surpreendente no teatro musical americano

Goldman aparece muito em musicais — o que ela pensaria disso?

Por PJ Grisar | 09/01/2026

Ultimamente, tenho pensado em Emma Goldman, a anarquista judia nascida na Rússia que atraiu multidões de admiradores durante seus mais de 30 anos nos Estados Unidos. Não tenho me concentrado tanto em seu lugar na história em geral, mas sim em sua presença surpreendentemente robusta no mundo do teatro musical. Apesar de toda a sua importância para a esquerda americana, na Broadway ela tem apenas um papel secundário. E isso me incomoda.

Ragtime, de Lynn Ahrens e Stephen Flaherty, agora em uma aclamada reedição no Lincoln Center, dedica uma canção ao seu discurso de 1906 na Union Square. A partir daí, ela interpreta o subtexto de um encontro entre o personagem rico e protestante “Younger Brother” e o pianista negro Coalhouse Walker Jr. Como atriz coadjuvante, sem contar com os números do conjunto, ela aparece em cena por menos de 10 minutos — ela tem mais destaque no romance de E.L. Doctorow.

Quando assisti à produção do Encores no City Center de Nova York no ano passado, lembrei-me de que Goldman tem uma participação especial em Assassins, de Stephen Sondheim; em um breve encontro que mais tarde a assombraria, ela entrega um panfleto ao futuro assassino de William McKinley, Leon Czolgosz. Seu papel lá, interpretado por uma integrante do elenco que também desempenha outras funções, é ainda menor.

Enquanto estava de férias no Colorado durante o Ano Novo (eu esquiei; o teleférico bateu na minha cabeça), recebi um e-mail sobre uma próxima produção de uma ópera de câmara chamada E.G.: A Musical Portrait of Emma Goldman (E.G.: Um Retrato Musical de Emma Goldman). Eu precisava saber mais. Ela finalmente estava recebendo o reconhecimento que merecia?

A peça, que estreou no Theater for the New City em 8 de janeiro, é do compositor Leonard Lehrman e da libretista Karen Ruoff Kramer. Na verdade, não é nada nova, apenas a produção mais recente de uma história que eles vêm contando — ou mensagem que vêm divulgando — há mais de 40 anos. Até o momento, eles apresentaram a peça, juntamente com slides educativos, em cinco países, em universidades e sinagogas, para grupos como o Workers Circle e para marcar aniversários importantes, como o centenário do Motim de Haymarket, que ajudou a radicalizar Goldman. Eles acreditam que a obra está mais atual do que nunca.

“Ela fala sobre como a guerra drena a economia e tudo o mais, e o militarismo, para se manter vivo, procura um inimigo ou até mesmo cria um artificialmente”, disse Lehrman, que na peça toca piano e interpreta Alexander Berkman, amante, amigo e parceiro de Goldman. (Caryn Hartglass interpreta o papel-principal.)

 “Isso está acontecendo agora mesmo”, acrescentou Lehrman, “a criação de um inimigo para distrair das falhas internas”.

Lehrman e Kramer começaram a trabalhar no musical em 1984, baseando-se inicialmente na peça Emma, do historiador Howard Zinn. À medida que a dupla pesquisava a vida de Goldman, a história tomou um rumo diferente. Os dois se conheceram como expatriados na Alemanha e, dada essa conexão, se interessaram pela vida dela no exílio, que começou em 1919, quando os Estados Unidos a deportaram como uma “estrangeira” radical. A ação da peça conta a história da vida dela através das várias partes de um pedido de visto que ela preencheu em St. Tropez, em 1933. (A seção do formulário referente ao “nome” trata da identidade e dos casamentos dela, pelos quais ela adotou outros sobrenomes; para “sexo”, ela oferece a resposta de Austin Powers “Sim, por favor” — embora Lehrman e Kramer tenham escrito isso primeiro — e continua assim, cobrindo até mesmo sua prisão em 1916 no prédio do Forward por dar uma palestra sobre controle de natalidade).

“Eu preciso dos Estados Unidos”, diz ela nos momentos iniciais. “E preciso saber: os Estados Unidos precisam de mim agora?”

É compreensível que Goldman expresse suas ideias por meio de canções. Les Miserables, se nada mais, mostrou o potencial hímnico de encenar uma revolução. (Seu hino característico aparece em protestos do mundo real com certa regularidade.)

Goldman é creditado por ter dito: “Se eu não posso dançar, não é minha revolução”, uma citação que ganha destaque no musical de Lehrman. Falando pelo Zoom, Lehrman vestia uma camiseta com essas palavras e um retrato de Goldman.

Lehrman observou que, além de sua ópera, há outras duas sobre Goldman que eles conhecem — uma de Elaine Fine, feita em colaboração com Zinn, e outra do compositor canadense Gary Kulesha.

Dada sua autenticidade radical e seus pensamentos sobre o capitalismo, alguns podem se perguntar se Goldman entraria em conflito com o formato do drama musical. Não temos muito com que trabalhar em relação aos musicais, já que a forma como os conhecemos hoje só foi estabelecida cerca de 13 anos antes de sua morte, com Showboat (estreado em 1927, após sua deportação; suspeita-se que ela aprovaria a forma como o musical abordava o preconceito racial).

Em sua época, a ópera para a burguesia e o vaudeville para as massas eram entretenimentos musicais populares. Embora Goldman tenha recusado ofertas para se apresentar nos palcos do Vaudeville, Samantha M. Cooper, professora de Estudos Judaicos da Universidade do Kansas, observou em uma palestra em 2023 que Goldman era fã — embora também crítica — da ópera, escrevendo sobre ela com certa frequência em sua revista Mother Earth e até mesmo em notas de palestra em admiração a Richard Wagner.

Cooper argumenta que talvez a referência mais importante de Goldman à ópera venha de suas memórias, Living My Life. Nelas, Goldman relata como, depois de assistir a uma apresentação de Carmen no Met, seu mentor Johann Most pediu que ela relembrasse sua primeira experiência na ópera em Königsberg.

Ela contou vividamente ter assistido a Il trovatore quando era estudante, onde “percebeu pela primeira vez o êxtase que a música podia criar em mim”. Ao ouvir sua apaixonada reflexão, Most disse a Goldman que ela tinha talento e deveria “começar logo a recitar e falar em público”.

“Ele sorriu e tomou o resto da bebida em homenagem ao meu ‘primeiro discurso público'”, lembrou Goldman.

Será que devemos agradecer à ópera pela oratória de Emma Goldman e, portanto, por sua futura presença em musicais?

E.G. deixa claro que a ativista radical não é tão unidimensional quanto Ragtime e Assassins a fazem parecer. Sua vida foi marcada por contradições. Ela apreciava as coisas boas da vida — e também criticava os industriais ricos a ponto de tentar assassiná-los.

Com base em cartas que a historiadora Candace Falk encontrou nos fundos de uma loja de discos — o proprietário mostrou-as a ela quando soube que seu cachorro se chamava “Red Emma Goldman” —, o artigo de Lehrman e Kramer revela Goldman como uma criatura sexual com um humor mordaz. E defende que, embora ela tenha sido condenada a uma vida longe dos Estados Unidos por sua suposta subversão, ela era, no entanto, uma patriota.

“É importante que as pessoas vejam que existia uma forma corajosa de ser americano que era diferente de simplesmente acatar quando McCarthy aparecia e dizia: ‘Vocês têm que calar a boca agora'”, disse Kramer.

Embora o perfil em E.G. seja mais amplo do que o que está atualmente no Lincoln Center, ele também apresenta algo maior ao convidar a reflexão sobre o legado dela.

E.G. significa ‘Por exemplo, veja este exemplo'”, disse Kramer. “Não no sentido de clonar Emma em todos os aspectos, mas certamente na insistência por compreender e na coragem de lutar pelo que é certo, mesmo que não seja popular, e que os outros também devem fazer o mesmo.”

No cânone do teatro musical, há muitos exemplos para escolher. Eu gosto daquele que dança. Pode me colocar na lista para levar uma camiseta.

Fonte: https://forward.com/forward-newsletters/looking-forward/796048/emma-goldman-musical-ragtime-assassins-anarchist-jewish/

Tradução > transanark / acervo trans-anarquista

agência de notícias anarquistas-ana

Sobe a piracema…
A continuidade da vida
na contramão.

Teruko Oda

[Peru] Comunicado Internacional | Estados Unidos e Israel cúmplices do terror mundial

Antes os fatos que observamos no Irã, os ataques dado pelos Estados Unidos conjuntamente com Israel contra o Irã nos manifestamos:

Estados Unidos ao longo do mundo tem 750 bases militares em ao menos 80 países, o que constitui a rede militar mais extensa da história contemporânea. Seu orçamento de defesa supera os 800 mil milhões de dólares anuais, mais que a soma de várias potências juntas. Isto não é defesa passiva: é capacidade permanente de projeção de força. Desde 2001, as guerras posteriores ao 11-S, Afeganistão, Iraque, Síria, provocaram, segundo o projeto Costs of War da Universidade de Brown, mais de 4,5 milhões de mortes diretas e indiretas associadas a conflito, deslocamento e destruição de infraestrutura. No Iraque, estudos epidemiológicos estimam centenas de milhares de mortes civis após a invasão de 2003. Não se trata de erros táticos. Trata-se de uma doutrina de supremacia estratégica. Israel possui um dos exércitos tecnologicamente mais avançados do mundo e é um dos maiores receptores de ajuda militar estadunidense (mais de 3.000 milhões de dólares anuais em assistência). No contexto da guerra em Gaza iniciada em 2023, organismos como a Nações Unidas documentaram dezenas de milhares de mortes palestinas e uma devastação massiva de infraestrutura civil na Faixa de Gaza. Hospitais, escolas e redes de água foram gravemente danificados.

Em 2024, a Corte Internacional de Justiça admitiu uma causa apresentada pela África do Sul alegando possível violação da Convenção para a Prevenção do Genocídio. Independentemente do erro final, o fato jurídico reflete a gravidade das acusações e o nível de preocupação internacional. Organizações como Anistia Internacional e Human Rights Watch denunciaram padrões que poderiam constituir crimes de guerra em diversos episódios do conflito.

Estamos ante um problema estrutural que está dado: O controle de rotas energéticas e territórios estratégicos. A proteção de interesses geoeconômicos. A consolidação de alianças militares como instrumento de ordem global. A normalização da guerra preventiva como política exterior. Esta hegemonia vai mais além do territorial, é militar, financeira e cultural, a dominação a têm em todas as frentes.  Nos dois últimos anos de nossa história como humanidade condenamos a guerra como modo de expansão e de desculpa de segurança nacional, os humanos não somos peças de um tabuleiro, necessitamos soberania de nossos povos. O direito internacional só se tornou um servente destes grandes poderes e não podem encontrar justiça para todos os mortos produzidos pelas guerras, e é aberrante a anistia que há para os envolvidos nestes genocídios. A morte não é um dano colateral. A guerra desestabiliza todas as dimensões dos povos do mundo e seus integrantes. CONDENAÇÃO TOTAL AOS PAÍSES QUE FAZEM A GUERRA.

Como sabemos todo estado tende a expandir seu poder e a guerra é produto dos estados, e não dos povos e os povos querem paz, justiça e bem estar. Portanto, é urgente:

  • Desmilitarização progressiva global.
  • Redução radical do gasto em armamento.
  • Autodeterminação real dos povos sem intervenção hegemônica ou de toda pretensão imperial.
  • Fortalecimento de redes de apoio mútuo internacionalistas.
  • Justiça internacional independente das potências.

TODOS ESTAMOS CHAMADOS A EVITAR AS GUERRAS E BUSCAR JUSTIÇA PARA TODOS OS ASSASSINADOS PELAS HEGEMONIAS E OS ESTADOS ASSASSINOS. Estados Unidos e Israel são estados criminosos e assassinos, não mais impunidade para estes.

Arequipa, 28 de fevereiro de 2026

REDE DE APOIO MÚTUO

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Brilho da lua se move para oeste
a sombra das flores
caminha para leste.

Buson

[Belém-PA] Programação | 8M Libertária 2026

Data: 08/03/2026

Local: Sede do CCLA/ Ruas de Belém.

Tipo: Evento Presencial, Aberto e Gratuito.

Programaçãoa

07h30 às 8h30 – Café da manhã – oferta CCLA

09h00 – Ato 8M – Frente Feminista/PA – Trajeto: Escadinha da Estação até a Praça da República – Mote: “Mulheres Vivas! Contra o Feminicídio, o Imperialismo e a Transfobia. Pela Soberania dos Povos e o fim da Escala 6×1.”

12h00 – Feijoada veg no CCLA (Feijoada Completa + suco $20/ Sobremesas $6/ Samosas $8)

14h00 – Cine 8M: “Mulheres de Rojava”

15h00 – Temáticas

Tema 01: As Mulheres e a Militância Política Libertária e Anarquista.

Tema 02: Maternidades Disruptivas, com Marjorie e Luciane

Tema 03: Anarcotransfeminismos

Tema 04: Lutas dos Povos contra Coloniais da Amazônia e o protagonismo de Mulheres

Tema 05: Mulheres ARTivistas

18h00 – Ato cultural: Poesia/Circo /Música.

Centro de Cultura Libertária da Amazônia – CCLA

Rua Bruno de Menezes (antiga Gen. Gurjão), 301. Campina. Belém, Pará, Brasil.

Site: cclamazonia.noblogs.org

Instagram: @cclabelem

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/02/27/8-de-marco-a-classe-trabalhadora-em-luta-contra-a-exploracao-e-o-machismo/

agência de notícias anarquistas-ana

Linha de combate:
as granadas e os petardos
são de chocolate.

Flora Figueiredo

[Itália] Feliz aniversário, Umanità Nova!

Em 11 de fevereiro de 1920, não nascia apenas um jornal, mas tomava forma o impossível tornado carne e tinta. Errico Malatesta, retornado do exílio com o coração ainda cheio de esperanças transoceânicas, depositou a primeira semente do Umanità Nova no solo inquieto de Milão. Não era um simples boletim de facção, era um desafio editorial de classe sem precedentes, um experimento único capaz de arrancar da resignação cinquenta mil cópias diárias. No auge do Biênio Vermelho, enquanto as fábricas rugiam com ocupações e os sonhos de revolução pareciam ao alcance das mãos, o diário tornava-se a bússola libertária de um proletariado que não pedia patrões, nem velhos nem novos.

Ao lado de Malatesta, mentes afiadas como navalhas e corações ardentes como tochas: Gigi Damiani, Luigi Fabbri, a lucidez analítica de Camillo Berneri e a paixão indomável de Nella Giacomelli. Uma vanguarda sem hierarquias empenhada em tecer a trama de uma alternativa à sociedade burguesa. O Umanità Nova não se limitava a narrar o mundo, tentava subvertê-lo a cada dia, orientando a resistência contra a sombra negra do fascismo que começava a crescer nas praças.

O romantismo militante dessa empreitada reside na sua própria fragilidade: uma redação que era barricada de papel, um baluarte de liberdade que o poder não podia tolerar. Os ataques esquadristas, sistemáticos e ferozes, culminados na destruição de 1922, não atingiram apenas os prelos e as rotativas, mas tentaram silenciar a voz daqueles que ousaram imaginar um amanhã horizontal. No entanto, entre os escombros daquela sede devastada, restava a marca de um fato consumado: a demonstração de que a anarquia sabe fazer-se cotidiano, organizada e com afeto coletivo. 100 anos destes dias, Umanità Nova! Muitos parabéns a você! Um caro abraço, um ser humano que te lê desde 2006.

www.militanzagrafica.it

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

A rua apinhada
E nos passos apressados
As pessoas solitárias…

Débora Novaes de Castro

[Espanha] Mulheres em luta, rompendo fronteiras

Frente ao fascismo, o racismo e o colonialismo

Este 8 de março saímos juntas porque o avanço do fascismo, do racismo e do  colonialismo já está afetando nossas vidas. Não é uma ameaça longínqua: se expressa em guerras, ocupações, fronteiras cada vez mais violentas, políticas de expulsão e detenção, perda de direitos e controle social, a serviço de um sistema capitalista e patriarcal que necessita a desigualdade para sustentar a exploração.

Este avanço golpeia de forma específica as mulheres. Em contextos de guerra, ocupação e militarização, nossos corpos e nossas vidas se convertem em território de violência, pobreza e desapropriação, reforçando as violências machistas e limitando nossa autonomia.

Desde um feminismo internacionalista, denunciamos as consequências deste sistema sobre as mulheres em diversos lugares do mundo: a situação que vivem as mulheres na Síria; a resistência cotidiana das mulheres saharauis e palestinas frente ao colonialismo e o deslocamento forçado; e a perseguição que sofrem hoje as mulheres kurdas por sustentar projetos de autonomia e emancipação feminista. Do mesmo modo, denunciamos as políticas de detenção, deportação e separação de famílias que golpeiam especialmente as mulheres migrantes, gerando sofrimento, medo e desenraizamento. Não são realidades alheias, mas expressões de uma mesma estrutura de dominação que atravessa fronteiras.

Aqui e agora, a perda de direitos e a deterioração dos serviços públicos avançam pela mão dos governos de direita, com ataques diretos à autonomia das mulheres. Questionam-se conquistas básicas como o acesso ao aborto, a educação em igualdade ou a liberdade sexual e reprodutiva, enquanto se reforçam o controle, a desigualdade e a exclusão.

As consequências são visíveis na vida cotidiana: precariedade, dificuldade de acesso a uma moradia digna, empobrecimento e um aumento da violência machista em todas as suas expressões — físicas, sexuais, econômicas e institucionais —, que segue custando vidas.

Frente a este contexto, nossas reivindicações não são abstratas: são respostas concretas para defender vidas dignas e livres de violências.

EXIGIMOS:

• O fim de todas as violências machistas, incluídos os feminicídios, a violência vicária e os assassinatos de caráter machista, com políticas reais de prevenção, proteção, reparação e recursos suficientes.

• O fim da precariedade estrutural, da divisão sexual do trabalho e da diferença salarial e de pensões que condena as mulheres à desigualdade durante toda sua vida.

• Um sistema público de cuidados, comunitário, universal e gratuito, junto com condições laborais dignas no setor, com salários justos, estabilidade, convênios coletivos e acesso à greve.

• O direito a uma moradia digna e aos suprimentos básicos, frente à especulação, os desalojos e a precariedade habitacional.

• Proteção efetiva ante qualquer crise, porque suas consequências recaem de forma desproporcional sobre mulheres e pessoas em situação de vulnerabilidade.

• A erradicação de todas as violências e discriminações para com as mulheres, pessoas dissidentes e LGTBIQA+, assim como dos preconceitos de gênero na saúde.

• O fim da violência institucional, que criminaliza, desprotege e vulnera direitos, especialmente contra mulheres, pessoas migrantes e coletivos em luta.

• A revogação da reforma laboral e das reformas de pensões que nos condenam a vidas esgotadas e precárias.

• A revogação da lei mordaça, que criminaliza e castiga com sanções e cárcere o protesto social, utilizando-se para perseguir e reprimir coletivos feministas, sindicais e movimentos sociais críticos.

• Uma renda básica igualitária e a redução da jornada laboral a 30 horas.

Visibilidade e representação equitativa de mulheres e pessoas não binárias em todos os âmbitos.

• Uma sociedade não capacitista, inclusiva com a diversidade funcional e os corpos não normativos.

• Políticas reais de coeducação, formação e sensibilização em igualdade.

• A regularização de todas as pessoas migrantes, a revogação da lei dos estrangeiros, o fim dos CIE e o fim das deportações.

• Medidas urgentes frente à emergência climática, desde a justiça social.

Frente ao fascismo não há neutralidade.

Nossa resposta é coletiva, feminista e sem fronteiras, nas ruas, nos centros de trabalho e em todos os espaços da vida.

Mulheres em luta, rompendo fronteiras

Nos vai a vida, nos vão as liberdades

cgt.es

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Folhas no chão —
A piscina de bolinhas
do gato brincalhão.

Cristina Chinen

Um novo livro sobre cinema e cosmologias ameríndias

Está no ar a campanha de financiamento coletivo do livro Cosmologias ameríndias em movimento no cinema de ficção, de Juliano Gonçalves da Silva. A obra investiga como o cinema latino-americano mobiliza cosmologias ameríndias e como imagens, narrativas e personagens indígenas tensionam estereótipos históricos ainda presentes na linguagem cinematográfica.

Ao tratar o cinema como espaço de produção de sentidos, memória e disputa simbólica, o livro propõe uma leitura crítica e sensível sobre representação, decolonialidade e modos de imaginar o mundo. É uma pesquisa que dialoga com quem se interessa por cinema, estudos indígenas, imagem e pensamento latino-americano.

O livro está disponível por valor promocional durante o financiamento coletivo, e a campanha também reúne outras obras do autor, além de opções com múltiplos exemplares para compartilhar, presentear ou dividir com amizades.

Apoiar esta campanha é contribuir para a circulação de pesquisas independentes, para o fortalecimento da edição autônoma e para a ampliação de debates sobre representação e cosmologias ameríndias no cinema.

>> Conheça as recompensas e apoie o projeto em: https://catarse.me/cosmologias-amerindias

agência de notícias anarquistas-ana

Vermelho céu manchado
Sombras em seus lugares
Lua aparece.

Chang Yi Wei

[EUA] Terceira Feira Anarquista do Livro do Upstate nos dias 2 e 3 de maio de 2026.

Reserve a data! As inscrições para expositores já estão abertas para a Terceira Feira Anarquista do Livro do Upstate, nos dias 2 e 3 de maio de 2026, em Binghamton, NY, realizada no armazém da PM Press. Saiba mais, participe e inscreva-se em breve em upstateanarchistbookfair.com.

Sobre
O armazém da PM Press, localizado na 21 Emma Street, em Binghamton, NY, sediará a Terceira Feira Anarquista do Livro do Upstate nos dias 2 e 3 de maio de 2026.

Em celebração ao Dia Internacional dos Trabalhadores, a feira de dois dias contará com expositores de livros e zines, uma liquidação de armazém, organizações comunitárias, dois dias inteiros de mesas e debates, música ao vivo a partir da doca de carregamento e muito mais. Todas as pessoas são bem-vindas para se juntar a nós na criação de comunidade, no compartilhamento de saberes e paixões e no debate sobre a melhor forma de derrubar o sistema capitalista (patriarcal, racista, cis-hetero).

A feira do livro é uma oportunidade não apenas para vender e divulgar, mas para criar comunidade. Você não precisa se identificar como anarquista para participar ou frequentar a feira!

Por que uma Feira Anarquista do Livro do Upstate em Binghamton, NY?

O motivo prático: a PM Press comprou um armazém de 17.000 pés quadrados em Binghamton em 2021. Também adquirimos uma livraria de usados (Autumn Leaves) em Ithaca, NY. Ao longo dos últimos anos, enchemos o armazém com prateleiras e mais prateleiras de literatura de esquerda (tanto da PM Press quanto de outras editoras camaradas). Hoje, ele é certamente um dos maiores repositórios de literatura de esquerda do mundo. Também contamos com um grande estacionamento, um espaço de eventos em desenvolvimento e conexões com uma comunidade local DIY com as habilidades necessárias para organizar um evento divertido, produtivo e reflexivo.

O motivo político: Binghamton é a cratera pós-industrial deixada por belicistas paternalistas e anti-sindicais como a IBM e a Endicott-Johnson Shoe Company. Antiga sede da KKK do estado de Nova York e atual epicentro do encarceramento em massa no interior do estado, Binghamton é, como muitas pequenas cidades do Rust Belt, governada por reacionários que cresceram na “era de ouro” da cidade e estão convencidos de que bastam alguns incentivos fiscais e batidas policiais contra drogas para voltarmos a 1959. Também temos uma pequena, porém dedicada, comunidade de ativistas lutando para libertar Binghamton desses senhorios de cortiço/policiais/empresários pequeno-burgueses oportunistas/elite política. Esperamos que eventos como a UABF reúnam camaradas e coletivos de toda a região para compartilhar conhecimentos, habilidades e alegria, expandindo nossas pequenas redes de agitação radical em uma força coletiva capaz de desafiar o capitalismo no condado, no estado e além.

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

na ordem alfabética
conseguir captar
a desordem poética

Jandira Mingarelli

[Espanha] 8M | Mulheres livres. Contra toda autoridade

Não viemos pedir nada. Não viemos implorar direitos nem mendigar compreensão. Viemos exigir-nos a nós mesmas, a sacudir a preguiça mental.

Frente ao avanço do fascismo, do patriarcado e de um sistema que pretende governar-nos com medo, disciplina e obediência, afirmamos o mesmo que ontem e que hoje volta a ser urgente: não aceitamos tutelas. Nem a do Estado, nem a do homem, nem de partidos, nem de hierarquias que falam em nosso nome enquanto decidem por nós.

Somos feministas porque combatemos todas as violências.

Somos antifascistas porque o autoritarismo sempre começa controlando corpos e silêncios.

Somos anarquistas porque cremos na ação coletiva, no apoio mútuo e na autogestão e na horizontalidade.

Queremos mudar tudo. Queremos vidas dignas, livres e sem medo. Mulheres que não obedeçam cegamente, que não repitam bandeiras alheias.

Não queremos disciplina que anule a iniciativa, nem hierarquias que convertam a umas em mandos e a outras em obedientes. Queremos responsabilidade livremente assumida e cooperação.

Nossa luta não é contra o homem, mas contra tudo o que oprime: a ignorância, a miséria, a exploração e a autoridade imposta.

Por isso saímos à rua.

A luta é agora. A fazemos nossas.

Nos organizamos porque a vida não se delega.

CNT-AIT

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

sob o último sol,
ave beija a face do lago;
o espelho trêmulo se arrepia.

Alaor Chaves

Nasce o Livro Livre: Um Ponto de Resistência Anarquista no Sul do Espírito Santo

A cidade de Cachoeiro de Itapemirim, berço de uma cultura muitas vezes aprisionada pelas elites, ganha um sopro de liberdade e resistência. A União Anarquista Federalista (UAF), em parceria com a Federação Anarquista Capixaba (FACA), lança o projeto Livro Livre: um ponto físico de troca de livros baseado no mais puro princípio do apoio mútuo. Aqui, não há moeda, não há patrão, não há catraca. Deixe um livro, leve outro. É um ato simples, mas profundamente subversivo em um mundo que tenta mercantilizar cada aspecto de nossas vidas e conhecimentos.

Este espaço é mais do que uma estante; é um marco territorial da cultura libertária na cidade. É um convite para que a classe trabalhadora, os estudantes, os artistas e todos os inconformados ocupem esse pedaço da cidade com ideias que o sistema quer ver esquecidas. Ao colocar em circulação livros sobre anarquismo, anticapitalismo, feminismo, ecologia social e história vista de baixo, estamos construindo as trincheiras ideológicas da nossa luta. Cada livro retirado é uma semente plantada; cada livro doado é um tijolo no muro da resistência popular.

Funciona pela solidariedade e pela confiança, valores que o capitalismo tenta destruir diariamente. Se você tem livros pegando poeira em casa, traga-os para ganharem vida nova nas mãos de outros combatentes. Se você busca conhecimento para entender o mundo e transformá-lo, venha buscar. Não se trata de caridade, mas de responsabilidade coletiva com a formação da nossa classe. O projeto Livro Livre vive pela comunidade e para a comunidade, sendo um exercício prático de autogestão e horizontalidade, mostrando que podemos organizar nossa cultura e nossa educação sem esperar permissão do Estado ou dos empresários.

Por isso, conclamamos todos os moradores de Cachoeiro e região: venham conhecer, participem, doem, levem, divulguem. Apoiem essa iniciativa que aquece nossos corações e mentes para a batalha das ideias. O futuro que queremos construir, sem exploração e sem opressão, passa também por gestos como esse. O Livro Livre é nosso, é de quem o fizer. Ocupe a cultura, liberte-se! Viva a UAF! Viva a FACA! Pelo apoio mútuo e pela revolução social!

União Anarquista Federalista – https://uafbr.noblogs.org/

Federação Anarquista Capixaba – https://federacaocapixaba.noblogs.org/

agência de notícias anarquistas-ana

tão longa a jornada!
e a gente cai, de repente,
no abismo do nada

Helena Kolody

[Uruguai] O problema não é Chomsky, somos nós

Por Raúl Zibechi – Kaosenlared (18.02.2026)

A adoração de personagens públicos, aos quais se atribuem enormes méritos, chegando a transformá-los em “quase deuses”, é um problema que se arrasta desde muito tempo atrás nas esquerdas e nos movimentos emancipatórios. Exaltam-se virtudes, mas nunca defeitos. Inventa-se uma realidade em tons de branco ou preto, excluindo matizes, os cinzas e tudo aquilo que possa ofuscar o personagem endeusado.

A própria palavra cinza é usada como adjetivo. “Uma pessoa cinza” é entediante, sem méritos, incapaz de nos atrair ou chamar nossa atenção, menos ainda algum tipo de admiração. No entanto, a realidade é pintada em múltiplas cores e é muito mais rica que o binário branco-preto. Com essa clivagem, na maioria das vezes pretendemos acalmar nossas incertezas, fugindo dos incômodos matizes que tanta insegurança nos provocam. Porque, admitamos, o ser humano branco e ocidental busca desesperadamente a segurança.

Muitas pessoas de esquerda admitem que o culto à personalidade de Stalin foi algo negativo, mas aceitam o culto a Lênin ou a Marx, por exemplo. Creio que neste ponto a cultura “emancipatória” das esquerdas é herdeira do caudilhismo e do culto aos reis tão presentes na história da humanidade, desde as primeiras sociedades até hoje. Com o agravante de que os cultos atuais se disfarçam de emancipação, mas no fundo são tão absurdos quanto a submissão aos reis e rainhas.

Ainda hoje vemos como esse culto continua fazendo seu tremendo trabalho de paralisia das sociedades, seja no apoio acrítico a Evo Morales ou Hugo Chávez, para citar apenas dois exemplos. Os processos progressistas da América Latina estiveram, todos eles, ligados a um caudilho, desde Néstor Kirchner até Lula, passando por Correa e os já mencionados.

No caso de Chomsky, sobressai a gravidade de seu estreito vínculo com o pedófilo-criminoso e milionário Epstein, mesmo depois de ele ter sido condenado e de se conhecerem suas façanhas. No entanto, se Epstein não fosse pedófilo-criminoso, algo teria mudado? Podemos validar que um personagem público das esquerdas tenha estreitos vínculos com um milionário? Não vale qualquer amizade, com qualquer pessoa, passando por cima das classes, das posições políticas e do status das pessoas. Sem esquecer que Chomsky cometeu outros pecados, como trabalhar para programas militares.

Uma pessoa como nós, os leitores desta página, pode relacionar-se com qualquer pessoa, com um Berlusconi, um Bolsonaro ou um Putin? Não me refiro a gente de baixo que tenha apoiado esses personagens, mas às relações com as elites dominantes, um estilo que se cultiva nos parlamentos de todo o mundo, quando deputados que estão em posições políticas opostas comem na mesma mesa e acabam se socializando nos mesmos espaços.

O caso de Chomsky é simplesmente repugnante. Mais grave ainda por se tratar de uma personalidade pública que deve dar o exemplo e pedir perdão quando erra. O que pretendo com estas linhas é pôr um espelho coletivo, como costumam dizer os zapatistas, para nos perguntarmos: E nós, o quê?

Quantos Chomsky existem em nossos cérebros e corações? Colocar toda a maldade no linguista é igual a colocar todos os méritos num caudilho, como Pepe Mujica, por exemplo. Sendo uruguaio, sofro cada vez que gente de baixo em algum canto do planeta me diz maravilhas de um personagem que, neste país, conhecemos e não admiramos, pelo menos quem isto escreve e grande parte de seus amigos.

O culto à personalidade revela, além disso, nosso proverbial individualismo, já que colocamos todos os valores positivos numa pessoa, mas não num coletivo. Fazem bem os zapatistas em cobrir o rosto, em igualar-se todos e todas com o passamontanhas e o paliacate. Observemos que toda a cultura capitalista gira em torno de pessoas, desde Messi até Trump, seja para endeusar ou reprovar. Mesmo no caso do zapatismo, não são iguais as atitudes que temos em relação ao subcomandante Marcos ou a qualquer uma das comandantas, incluindo quem isto escreve.

Talvez a lição que possamos aprender do caso Epstein-Chomsky é que devemos ser mais cuidadosos, mais moderados na hora de mitificar personagens. Mas, sobretudo, ser mais comunitários, destacar o coletivo e o simples, a inocência das meninas e meninos antes que o sistema os conduza à adoração das celebridades.

Fonte: https://redeslibertarias.com/2026/02/26/el-problema-no-es-chomsky-somos-nosotros/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

horizonte esmeralda
uma vela voga
em direção ao céu

Rogério Martins