[Reino Unido] John Couzin (1934-2025) seguirá nos inspirando

No dia em que completaria 91 anos, um membro da ACG relembra John Couzin

John Couzin, ativista anarquista, poeta e arquivista, faleceu pouco antes de completar 91 anos.

John provavelmente era mais conhecido como o idealizador do projeto *Glasgow Radical History* e cofundador do respeitado *Spirit of Revolt: Archives of Dissent* (Espírito da Revolta: Arquivos da Dissidência). Embora não fosse um historiador “profissional”, dedicou-se a preservar a memória do movimento anarquista e socialista libertário em Glasgow, na Escócia e além. Um intelectual orgânico, sua adesão à política anarquista nasceu da experiência de vida como trabalhador, primeiro como engenheiro naval em Govan e depois como vendedor ambulante nas áreas mais pobres de Glasgow.

Mais tarde, John começou a publicar um boletim chamado *Anarchist Critic* (Crítica Anarquista). Era comum vê-lo distribuindo o material em manifestações e marchas entre 2002 e 2022, sempre disposto a aproveitar cada oportunidade de espalhar a mensagem anarquista para quem estivesse receptivo. Acreditava que anarquistas precisavam ser visíveis e estar presentes, especialmente nas ruas. Nos últimos anos, foi um defensor entusiasta das celebrações anarquistas do Primeiro de Maio, em particular dos piqueniques no Glasgow Green.

John também foi autor de *Radical Glasgow: A Skeletal Sketch of Glasgow’s Radical Tradition* (Glasgow Radical: Um Esboço Esquelético da Tradição Radical de Glasgow), publicado pela primeira vez em 2006 e já na sua quarta edição. O livro cobre o período do século XVIII até a década de 2010 e reflete sua política não sectária, sem jamais abrir mão de sua perspectiva de luta de classes, uma introdução acessível a muitas lutas e personagens ignorados pela historiografia oficial.

Ele também era conhecido por sua poesia. Na verdade, quando o conheci, vinte e quatro anos atrás, numa manifestação contra a guerra em Glasgow, perguntei se ele era o John Couzin, o poeta? Querendo ser reconhecido como um camarada entre camaradas, ele foi extremamente modesto quanto a isso, como era de seu feitio.

O camarada Couzin era uma pessoa aberta e generosa, com uma energia e um compromisso que pareciam infinitos, apesar dos sérios problemas de saúde. Tinha o hábito de se reerguer após as doenças, pronto para seguir na luta, e, nisso, era uma inspiração para os mais jovens e também para os nem tão jovens. Sentiremos profundamente sua falta, sua companheira e camarada Stacia, assim como todos que o conheceram e lutaram ao seu lado pela realização da visão anarquista.

John Couzin (1934-2025) seguirá nos inspirando.

Fonte: https://www.anarchistcommunism.org/2025/03/23/john-couzin/

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

poente de outono –
nuances avermelhadas
vestígios do dia

Zunir Andrade

 

[Grécia] Cartaz em solidariedade à luta judicial da companheira demitida O.F.

Em julho de 2024, a ONG “Ελληνικό Συμβούλιο για τους Πρόσφυγες” (Conselho Grego para Refugiados) demitiu uma companheira com câncer, refugiada, após 26 anos de trabalho, pouco antes de ela ter direito a uma aposentadoria. O caso da companheira destaca que as ONGs, apesar de sua fachada humanitária, violam sistematicamente os direitos trabalhistas das próprias pessoas que “apoiam”. A exploração, a intimidação, as práticas vingativas, a discriminação de gênero e o preconceito de idade não vão parar, a menos que nós as impeçamos! Eles só serão detidos pela solidariedade entre os trabalhadores, pela coletivização de nossas resistências e pela luta para recuperar o que é nosso.

CONVOCAMOS SINDICATOS E COLETIVOS A PROTESTAR EM SOLIDARIEDADE

JUSTIÇA IMEDIATA PARA NOSSA COMPANHEIRA

agência de notícias anarquistas-ana

antes do meu cochilo
não estavas aí
nuvem de verão

João Angelo Salvadori

[Itália] Profissionais do Espetáculo

Política e entretenimento certamente têm pontos em comum, mas uma das coisas que distingue os dois campos é o fato de que o primeiro deveria lidar com o real, e o segundo não apenas com isso. No entanto, há limites que, quando ultrapassados, podem causar “curtos-circuitos” na comunicação. Se somarmos a isso a possibilidade de personalidades do entretenimento intervirem de forma significativa na política (e vice-versa) e/ou de misturarem as linguagens e técnicas de comunicação características dos dois setores, os problemas começam a se tornar sérios. 

Tomemos, por exemplo, o que aconteceu no final de fevereiro passado no Salão Oval da Casa Branca e o previsível dilúvio de comentários que se seguiu. Poucos levaram em devida conta que, naquela ocasião, estavam frente a frente, diante de câmeras e jornalistas, duas figuras com histórias não ocasionais no setor do entretenimento. Mesmo assim, não deveria surpreender o comportamento de alguém que, após anos frequentando o mundo do espetáculo, aplique o que aprendeu mesmo em outra profissão. 

Trump é uma figura midiática há mais de trinta anos e um político há menos de dez. Sua primeira aparição no cinema talvez date de “Ghosts Can’t Do It” (1989), seguida por “Esqueceram de Mim 2” (1992), “Pequenos Travessos” (1994), “Across the Sea of Time” (1995), “Zoolander” (2001), “Simplesmente Amor” (2002) e “Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme” (2010). Participações em séries famosas: “Um Maluco no Pedaço” (1994), “Sex and the City” (1999) e “Days of Our Lives” (2005). A isso, somam-se as inúmeras aparições no “Saturday Night Live”. E provavelmente falta algo nesta lista. Mas o marco significativo de sua carreira é 2004, quando começou a apresentar um reality show que durou onze anos: “The Apprentice” (2004-2015) e “The Celebrity Apprentice” (2008-2015), que o acompanharam até sua primeira eleição. 

Por sua vez, Zelensky também passou mais de vinte anos no mundo do entretenimento. Começou como comediante em 1997, tem experiência em direção e produção de programas de TV e atingiu o auge da popularidade ao protagonizar a série “Servidor do Povo” (2015), na qual interpretava um professor que se torna presidente da Ucrânia (vejam só!). Uma diferença em relação a Trump é que os programas da TV ucraniana não têm a mesma repercussão global que os norte-americanos. 

Carreiras assim permitem que até mesmo pessoas sem brilho intelectual ou político administrem de forma profissional certos contextos públicos, como um debate diante de câmeras e plateia. 

Ainda assim, há quem se surpreenda com o comportamento do presidente dos EUA, seja ao republicar na internet um vídeo de mau gosto, seja ao dizer coisas que servem apenas para virar manchete. Essa surpresa pode levar a interpretações equivocadas dos fatos. 

Voltando ao ocorrido na Casa Branca, muitos comentários apressados sobre o encontro foram de indignação com o tratamento dado ao presidente ucraniano e com a arrogância e violência verbal de Trump e seu vice. O episódio foi resumido como: “Trump e Vance armam uma emboscada a Zelensky, maltratando-o para servir a seus interesses e aos de Putin.” Mas essa narrativa, se não totalmente falsa, é questionável, principalmente se feita sem considerar o vídeo completo. A gravação integral (supondo que seja) dura cerca de 50 minutos e mostra um típico talk-show – em seus mecanismos de comunicação – comparável aos que infestam TVs do mundo todo. Uma discussão conduzida com um estilo pouco político, entre duas figuras do gênero, e uma suposta “violência” do debate que, comparada à que se vê na TV italiana, foi risível. Muito mais disseram, em certos momentos, as caretas, gestos e movimentos corporais dos protagonistas. 

Uma leitura alternativa poderia ser: “Trump disse a Zelensky que, para acabar a guerra, é preciso ceder algo, tanto aos EUA quanto a Putin. Mas o presidente ucraniano manteve sua posição.” Isso pode ser visto como chantagem, conselho pragmático ou ambos. Na prática, interpretar certos contextos com tais protagonistas é complicado. Especialmente se ignorarmos a piada final de Trump, que ressaltou aos espectadores: “Isso foi um belo pedaço de televisão!” 

A tragédia é que os protagonistas do show conversaram tranquilamente sobre uma guerra de três anos que, segundo estimativas, já causou quase 900 mil mortes e destruição. 

Isso não significa que o espetáculo da política mude quando dois atores medíocres usam a linguagem que conhecem, mas sim que fica mais difícil entender seu conteúdo real. Como comprovam os eventos posteriores: Trump diz uma coisa hoje e o oposto amanhã; Zelensky, talvez, já mudou a posição firme que mantinha em Washington. 

Pelos rumos atuais, teremos de nos acostumar não à invasão de profissionais do entretenimento na política, mas à tentativa de políticos de imitar as habilidades de performers. Isso não é novidade. Veja-se, por exemplo, as “caras e bocas” da primeira-ministra italiana diante das câmeras, parte de sua comunicação direta com o público. 

Antes, os limites entre a linguagem política e a do entretenimento eram ultrapassados ocasionalmente. Hoje, parecem ter sumido, relegando as pessoas ao papel de espectadores que desabafam nas redes sociais em vez de protestar no mundo real.

Pepsy

Fonte: https://umanitanova.org/professionisti-dello-spettacolo/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Apenas os bastões dos peregrinos
Se movem através
Do campo de verão.

Ishu

[Espanha] Anúncio do projeto documental sobre Joan García Oliver

Companheiras e companheiros, sindicatos

Anunciamos o início de um emocionante projeto documental dedicado a explorar e difundir a vida e o legado de Joan García Oliver, destacado líder anarquista e figura chave do movimento anarcossindicalista. Este novo documentário segue a linha do trabalho realizado anteriormente com Salvador Seguí. História de um anarcossindicalista, que comemorou o legado de Salvador Seguí em seu aniversário.

Além do documentário, este projeto inclui um componente significativo: a restauração em Guadalajara, México, de sua tumba, que, esquecida desde sua morte no exílio, em 1980, não constava nem seu nome nem dado nenhum já que morreu só. Na tumba, só constava o nome do filho, Juan García Álvarez, falecido anos antes em um acidente.

Agora, vamos reparar e dignificar dita tumba após o acordo de Plenária correspondente, além de preservar e destacar os lugares vinculados ao legado deste histórico personagem.

Nosso objetivo com este projeto é múltiplo:

  1. Preservar a memória histórica de García Oliver e seu impacto na luta obreira e no movimento anarquista.
  1. Criar um espaço de reflexão sobre o papel das ideias anarcossindicalistas no contexto atual.
  1. Promover a restauração e conservação de espaços históricos para garantir que as novas gerações possam se conectar com esta rica herança.

Este esforço é uma homenagem não só a um indivíduo, mas a um movimento que sonhou em transformar o mundo desde a solidariedade, a ação direta e a justiça social.

Os manteremos informadas e informados dos avanços, enquanto damos vida a este projeto que busca inspirar, educar e manter viva a memória dos que lutaram por um futuro mais justo, dentro do Ideal e da Anarquia.

Fonte: https://memorialibertaria.org/anuncio-del-proyecto-documental-sobre-joan-garcia-oliver/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

uma folha salta
o velho lago
pisca o olho

Alonso Alvarez

[Croácia] Vrrr(a)ne Manifesto | Anarco-Queer-Feminismo

INTRODUÇÃO: PROPÓSITO

As tentativas de repensar nosso futuro como um lugar de solidariedade, apoio mútuo, equidade e decrescimento exigem o questionamento das estruturas de poder existentes. O enfrentamento das desigualdades sociais está no cerne da crítica às estruturas autoritárias e, sem isso, nunca poderemos viabilizar relacionamentos igualitários e de equidade, que são fundamentais a qualquer ideia anarquista.

Em Zagreb, nós, como anarquistas, vemos a necessidade de tratar explicitamente de um desses sistemas de desigualdade e dominação: o patriarcado. Como um sistema consolidado de dominação, ele continua a contribuir para a marginalização, a exploração e as repercussões violentas contra nós que não obedecemos aos papéis estritamente definidos e subjugados que circundam a figura do homem cis dominante. Mesmo em nossos coletivos e comunidades anarquistas, essas estruturas de poder são reproduzidas e, com muita frequência, não são contestadas nem questionadas. Isso gera violência e maior subjugação/marginalização/dominação e constitui um obstáculo imediato às nossas visões.

QUEM SOMOS NÓS?

Somos um grupo autônomo e auto-organizado de anarcofeministas queer que deseja criar um espaço seguro para enfrentar os desafios da opressão e lutar contra todas as formas de discriminação baseadas em gênero e sexualidade.

Somos anarquistas porque somos contra qualquer tipo de dominação e exploração e queremos criar uma sociedade livre onde tais dominações e explorações sejam abolidas.

Nosso grupo foi formado como uma resposta ao estado atual da sociedade patriarcal e à tolerância à violência física e sexual contra mulheres e pessoas queer em nossa sociedade. Isso também é visível em nossos círculos e é necessário aumentar a conscientização e condenar esse tipo de comportamento a partir de nossos espaços e grupos e disseminar nossos princípios na sociedade em geral.

Nossa base é em Zagreb, mas viemos de diferentes partes do mundo, “países” e culturas. Além disso, temos diferentes experiências e maneiras de nos envolvermos no ativismo e queremos compartilhar diferentes maneiras de lutar contra o sistema patriarcal e falar sobre métodos que podem ser diversos, dependendo de nossa experiência e formação anterior, para obter mais conhecimentos culturais sobre como agir ou quais estratégias podemos usar.

METAS/OBJETIVOS

Abordar especificamente tópicos anarco-queer-feministas dentro e fora das organizações anarquistas em Zagreb, inclusive analisando as estruturas e os projetos existentes que se dizem anarquistas sob o ângulo anarco-queer-feminista e, assim, identificar os locais onde ainda é necessário desenvolver a inclusão.

Construir uma rede de apoio e locais para compartilhar experiências relacionadas à violência patriarcal, de modo que seja possível abordá-las adequadamente, denunciá-las e criar locais isentos – na medida do possível – de tal violência.

Educar – por meio de nossa própria organização, encarnando os valores e o mundo que queremos criar e por meio de esforços mais diretos de compartilhamento de conhecimento, pretendemos incentivar uma mudança cognitiva na forma como percebemos o mundo e desmantelar todas as formas de dominação – o estado, o gênero, o hetero- e o cis-sexismo, o casamento e a família nuclear e assim por diante.

A QUEM DAMOS AS BOAS-VINDAS PARA SE JUNTAR À NOSSA LUTA?

Defendemos mulheres trans e cis, homens trans, pessoas genderqueer, two-spirit e não binárias, pessoas intersexo, pessoas queer, pessoas de todas as raças e etnias, pessoas em movimento, profissionais do sexo, pessoas indocumentadas e criminalizadas, pessoas com diferentes capacidades físicas, pessoas neurodivergentes, pessoas de todas as crenças (desde que não entrem em conflito com nossos valores) e muitas outras que são marginalizadas e oprimidas pelo sistema atual. Às pessoas que compartilham de nossos valores, listados aqui, por favor, entrem em contato conosco e vamos transformar nossa fúria em um propósito construtivo para mudar este mundo sombrio em que vivemos!

Em última análise, desejamos que os homens cis lutem ao nosso lado, já que todes sofremos com o patriarcado. No entanto, os mesmos esquemas de dominação patriarcal estão fadados a se repetir; mesmo em círculos anarquistas, vemos como as vozes masculinas são mais ouvidas e recebidas e como elas frequentemente assumem o papel principal. Como confirmação disso, algumas das reações à formação desse grupo refletem o engano comum de que excluir o grupo dominante da auto-organização marginalizada é de alguma forma “discriminação” (como se fôssemos convidar os patrões para os estágios iniciais da sindicalização dos trabalhadores). No entanto, a melhor maneira de eliminar muitos dos padrões de comportamento mencionados acima é simplesmente não permitir a entrada de homens cis no grupo, pelo menos enquanto estivermos nos orientando e estabelecendo uma dinâmica de grupo saudável.

Dito isso, oferecemos apoio a toda e qualquer pessoa que venha em paz e solidariedade.

Esse parágrafo, juntamente com o restante do manifesto, foi escrito logo no início de nossa reunião. Agora, um ano depois de nossa organização, decidimos reavaliar novamente e determinamos que essa decisão passou da validade. Embora essa tenha sido uma conversa contínua ao longo do ano, juntamente com a discussão de nossa rejeição à política de identidade, sabemos que a tomamos conscientemente, principalmente por motivos pragmáticos – era simplesmente mais fácil do que ter de se envolver em processos transformadores quando o grupo ainda é jovem e tem pernas finas. Colaboramos com homens cis em ações e em nossos esforços educacionais, mas mantivemos a organização central fechada para eles. Agora nos sentimos mais confiantes em nossa estrutura não hierárquica e solidária e achamos que estamos em condições de lidar com qualquer comportamento machista e patriarcal que possa surgir em nosso caminho e temos o desejo de abrir o espaço para a participação de homens cis. No entanto, pedimos que todes – mas especialmente os homens cis – se concentrem em agir sem dominar os espaços, ouvindo e refletindo seus comportamentos – portanto, pedimos a presença discreta de companheiros homens cis que queiram aprender.

NOSSOS VALORES

– antiautoritarismo – nos esforçamos conscientemente para denunciar as formas formais e informais de poder centralizado

– cuidado – percebemos que os padrões da economia neoliberal patriarcal, como a competição e a comunicação e o comportamento agressivos, estão sendo perpetuados nas relações sociais dentro e fora de nossos grupos. Em vez disso, queremos que o cuidado ativo e a camaradagem sejam a base de nossas relações sociais e comunidades

– ecofeminismo – o reconhecimento de que a cultura patriarcal e a economia capitalista subjugam e exploram as mulheres e outros grupos marginalizados da mesma forma que fazem com a natureza é fundamental para conectar (e entender melhor) essas lutas, tornando-nos mais conscientes dos padrões repetidos de dominação e mais minuciosos e táticos no desmantelamento desses sistemas de opressão (o que nos torna mais fortes e mais conscientes dos problemas em nossa sociedade)

– anti-especismo – garantimos o respeito e o cuidado com todos os seres vivos, independentemente de sua proximidade com a condição humana

– anticolonialismo e antirracismo – tendo em mente nosso privilégio, estamos tentando ativamente desaprender preconceitos coloniais e de supremacia branca e lutar contra a dominação cultural. Vemos formas específicas de racismo e xenofobia ocorrendo em nosso contexto regional (sentimentos anti-roma, violência contra refugiados…) que nos comprometemos a ajudar a desmantelar e, em contrapartida, contribuir para a liberdade de movimentações de pessoas

– antinacionalismo e antifascismo – reconhecendo a história (e o presente) violenta da região dos Bálcãs e as tensões étnicas ainda não reconciliadas, acreditamos que lutar explicitamente contra os movimentos nacionalistas é fundamental para a construção de uma comunidade melhor

– anticapitalismo – em vez de permitir que o capitalismo neoliberal patriarcal prejudique a totalidade de nossas relações sociais e observar como ocorre a mercantilização de todos os aspectos da vida (isso inclui o consumismo homonormativo e o capitalismo pink!!), estamos trabalhando ativamente com base no apoio mútuo, na economia solidária, nas práticas de compartilhamento e em “cada um de acordo com sua capacidade, a cada um de acordo com suas necessidades”. não podemos ter um crescimento econômico constante, mas podemos ter mais daquilo que realmente importa.

– interseccionalismo – todas as formas de marginalização e violência – racismo, sexismo, heteronormatividade, amatonormatividade, transfobia e transmisoginia, capacitismo, gordofobia, nacionalismo, classismo – trabalham em sincronia para manter as estruturas opressivas de dominação; não podemos ignorar nenhuma delas se quisermos alcançar a equidade e a paz

– anti-assimilacionismo – recusamo-nos a ter nossas identidades e expressões subjugadas e moldadas para sermos mais palatáveis e “mais bem tolerados” dentro da sociedade atual e nos esforçamos para criar espaços de pluralidade onde operamos, trabalhamos, aparentamos e sentimos de maneiras divergentes

– autonomia corporal – recusamo-nos a ter nossas experiências e decisões em relação aos nossos corpos governadas e estritamente controladas pelo estado e, em vez disso, optamos por lutar para ter uma agência maior em relação à saúde reprodutiva e sexual, cuidados de afirmação de gênero, saúde mental e muito mais

– anarco-queer-feminismo

COMO AGIMOS?

– prefiguração – acreditamos que a criação de um novo mundo é tomar medidas para criá-lo e viver a vida que queremos viver. queremos que nossas ações e nossa forma de organização reflitam a sociedade futura em que gostaríamos de viver

– resposta local – compartilhamos nossas preocupações nos grupos e círculos em que atuamos para conscientizar sobre situações e pessoas problemáticas e criar um espaço mais seguro para quem é afetade, nos organizamos no contexto local para atender e ajudar nas necessidades específicas de nossas comunidades e criamos vínculos com outros grupos que compartilham nossos valores e trabalham pelos mesmos objetivos, mas que podem lutar em frentes diferentes

– abordagem holística e antiautoritária para viver e se organizar – queremos trabalhar para fortalecer nossos instintos corporais, mentais, emocionais, interpessoais e outros, e nos engajar tanto na prática quanto na teoria

– uma estrutura de organização horizontal e não hierárquica que opera de forma participativa, com base em consenso – todas as ideias ou preocupações que você possa ter são bem-vindas!

Ao longo do nosso crescimento, planejamos organizar diferentes workshops e campanhas; você será mais do que bem-vinde a participar de cada um deles, ou apenas de um – o que você precisar.

COMO ENTRAR EM CONTATO?

Sinta-se livre para nos contatar em:

vrrrane@riseup.net

vrrrane1312.noblogs.org

Tradução > acervo trans-anarquista

agência de notícias anarquistas-ana

Alto da serra —
Passa sobre a terra arada
A sombra das nuvens.

Paulo Franchetti

[Grécia] Campanha de apoio financeiro para as despesas legais do companheiro Andreas F.

TEMOS UM MUNDO INTEIRO PARA GANHAR
TEMOS UMA VIDA PARA TENTAR

No dia 22/04/24, o companheiro anarquista Andreas F. foi sequestrado pela unidade policial antiterrorista em Patras, onde reside, e levado para Atenas para ser interrogado. Ao mesmo tempo, pela segunda vez (a primeira em relação a um caso de furto de produtos de pequeno valor no supermercado Lidl), sua casa foi invadida pela polícia durante horas para fabricar provas incriminatórias contra ele, além de confiscarem seus dispositivos eletrônicos e objetos pessoais.

No segundo ato do roteiro de terrorismo escrito pela polícia grega, A.F. foi transferido para Atenas, interrogado e, com base na lei antiterrorista 187A, acusado de ser membro da organização “Cooperação de Vingança” e de ser o autor material de suas ações, acusações que o companheiro rejeita totalmente.

O “pilar” das provas que levaram à sua perseguição são dois textos de reivindicação de duas ações da organização “Cooperação de Vingança”, cujas cópias foram encontradas em seus dispositivos eletrônicos, com datas de armazenamento posteriores à publicação desses textos na internet.

Em meio a um delírio de difamação e desinformação por parte da mídia local e nacional, no dia 26/04, a juíza de instrução e o promotor decidiram pela prisão preventiva de Andreas na prisão de Ámfisa. Ao mesmo tempo, a polícia atacou uma concentração em solidariedade a Andreas na ocupação Paratima em Patras, onde prenderam 27 companheiras e companheiros.

A PERSEGUIÇÃO AO COMPANHEIRO É UM ATAQUE CONTRA TODO O MOVIMENTO

Tantos meses depois, não há nenhuma prova contra mim. Estou sendo perseguido por minha presença constante em cada trincheira da luta social e de classe, porque escolhi caminhar por esta vida de cabeça erguida, porque tomei posição na luta mais bonita, a luta pela libertação individual e coletiva de toda a humanidade, por um mundo de solidariedade, dignidade, paz, igualdade, sem exploração nem opressão, sem guerras nem devastação da vida, por um mundo emancipado e livre de dominação.”

Esta campanha tem como objetivo fornecer apoio financeiro ao companheiro, que enfrenta uma grave acusação e um processo judicial custoso.

>> Apoie aquihttps://gogetfunding.com/%ce%ba%ce%b1%ce%bc%cf%80%ce%ac%ce%bd%ce%b9%ce%b1-

freeantreasf.espivblogs.net

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Escalo a colina
cheio de melancolia –
Ah, roseira-brava.

Buson

[Itália] Trítio, Giorgia e Descalzi. A energia nuclear civil como passagem obrigatória para o escudo atômico europeu

A periculosidade e a falta de viabilidade econômica de aquecer água com energia nuclear para produzir eletricidade saltam aos olhos: ninguém usaria uma bomba atômica para esquentar uma panela de macarrão. Mas, além dessas considerações elementares, há uma estreita ligação entre o nuclear civil e o nuclear militar.

Para causar uma reação de fissão que produzirá energia, utiliza-se o urânio-235 — “o único núcleo fissionável que existe na natureza”. No entanto, quando o urânio é extraído, ele contém apenas 0,7% de urânio-235. Os 99,3% restantes são urânio-238. Assim, para produzir energia, é necessário “enriquecer o urânio”, ou seja, aumentar a concentração de urânio-235. Para isso, a principal técnica utilizada é a centrifugação.

Uma usina nuclear precisa de urânio de baixo enriquecimento (com teor de U-235 acima de 0,71% e rigorosamente abaixo de 20%). Isso exige um uso significativo de centrífugas, mas nada comparado ao nível de urânio-235 necessário para reatores de pesquisa nuclear. Nesses casos, usa-se urânio altamente enriquecido, com teor de U-235 igual ou superior a 20%. Uma vez alcançado 20%, é possível chegar a 90% rapidamente.

Como destacava o Relatório sobre a Situação da Indústria Nuclear no Mundo (2018):

“Os Estados com armas nucleares continuam sendo os principais defensores dos programas de energia nuclear. O WNISR2018 oferece uma primeira análise sobre se interesses militares servem como um dos fatores que impulsionam a extensão da vida útil de instalações existentes e novas construções em alguns países. Por que a energia nuclear mostra resistência surpreendente, em certas regiões do mundo, às mudanças drásticas no mercado global de energia e na estrutura de fornecimento de eletricidade? Em um contexto de declínio da indústria nuclear global, planos para estender a vida útil de usinas e novas construções continuam sendo áreas-chave de investimento em países específicos. Projetos como Hinkley Point C, no Reino Unido, persistem apesar de custos quintuplicados, problemas técnicos não resolvidos e demandas por mais garantias governamentais.”

“Evidências começam a surgir em vários Estados nucleares militares sobre interdependências industriais para sustentar programas de propulsão naval nuclear. Com o declínio do nuclear civil nos EUA, relatórios recentes destacam a importância, para a ‘Marinha Nuclear’, de manter uma base nacional de engenharia nuclear apoiada por políticas do setor civil. O Nuclear Sector Deal do Reino Unido afirma que ‘o setor se compromete a aumentar a transferibilidade entre indústrias civil e de defesa’, buscando preencher 18% das lacunas de habilidades com ‘mobilidade’. Em vários países, fatores militares podem explicar a persistência de uma tecnologia cada vez mais vista como obsoleta para geração de energia de baixo carbono.”

Assim, um site civil produtor de energia pode rapidamente se transformar em uma instalação militar disfarçada.

É neste contexto que se insere o acordo entre a ENI e a UKAEA (Autoridade de Energia Atômica do Reino Unido) para pesquisa em fusão nuclear, incluindo a construção da maior instalação mundial de gestão do ciclo do trítio — combustível-chave para fusão. O comunicado da ENI destaca os benefícios futuros, mas, segundo o World Nuclear Industry Status Report 2024, o trítio já tem uso militar atual: armas termonucleares usam esse isótopo radioativo do hidrogênio para aumentar a eficiência da fissão primária, liberando nêutrons que iniciam a fusão secundária.

Com meia-vida de 12,3 anos, o trítio decai 5,5% ao ano, exigindo produção contínua para manter reservas bélicas. Historicamente, EUA e França produziram trítio em reatores militares, mas hoje os EUA usam reatores civis (como Watts Bar, no Tennessee). A França, após fechar seus reatores dedicados, anunciou em março de 2024 parceria com a EDF para produzir trítio na usina de Civaux — projeto ainda não aprovado pelas autoridades de segurança.

Nas armas termonucleares, o trítio é injetado como mistura com deutério, comprimida para gerar fusão e nêutrons energéticos. Isso aumenta a eficiência do combustível primário (plutônio/urânio enriquecido), permitindo redução de massa e prevenção de detonações prematuras. Estima-se que cada ogiva precise de 2 a 4 gramas de trítio, com demanda crescente nos EUA para “melhorar desempenho”.

O governo italiano, independentemente de sua orientação, sempre apoia os interesses da ENI. Agora, aprovou em tempo recorde um projeto de lei que permite ao Estado participar do bolo nuclear militar — disfarçado de civil —, ignorando conquistas do movimento antinuclear.

Mais uma vez, o governo se revela o pior inimigo da sociedade.

Avis Everhard

Fonte: https://umanitanova.org/trizio-giorgia-e-descalzi-il-nucleare-civile-passaggio-obbligato-per-lo-scudo-atomico-europeo/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Oh cruel vendaval!
Um bando de pequenos pardais
agarra-se à relva.

Buson

[São Paulo-SP] Geografias das autonomias indígenas na América Latina

Na sexta feira, dia 28 de março, a Biblioteca Terra Livre em conjunto com o Programa de Pós Graduação em Geografia Humana da USP e o Lemadi-USP realizam o evento “Geografias das autonomias indígenas na América Latina”, com a participação do pesquisador e ativista uruguaio Raúl Zibechi, além dos geógrafos Fábio Alkmin e Adriano Skoda.

O evento é gratuito, aberto para todas as pessoas e não requer inscrição prévia.

Estamos buscando viabilizar a transmissão do evento online. Caso seja possível pedimos para nos contactar para enviarmos o link por email.

Quando: 28/03/2025, sexta-feira, às 18h.

Onde: Auditório Milton Santos – Departamento de Geografia da USP.

agência de notícias anarquistas-ana

fim de tarde
depois do trovão
o silêncio é maior

Alice Ruiz

A História do Movimento anarquista em Belém do Pará e na Amazônia

PANORAMA HISTÓRICO DO ANARQUISMO NA AMAZÔNIA

Acompanhem o surgimento e o desenvolvimento do anarquismo na nossa região ao longo da sua caminhada até os dias atuais. De onde vem o CCLA, como chegamos a construir esse espaço, quais foram as principais etapas desse percurso etc.? Eis algumas respostas a essas perguntas que mereciam que a nossa militância escrevesse algumas linhas.

A chegada da ideologia anarquista na Amazônia segue o mesmo percurso em todo o Brasil, via imigração. Por exemplo, o governo do Pará, a partir da segunda metade do século XIX, tinha uma preocupação em “aumentar” a população da então Província do Grão-Pará, incentivando a vinda de imigrantes europeus, principalmente, portugueses e espanhóis, mas também italianos, franceses, alemães, belgas e suíços. Também vieram norte-americanos, cubanos, argentinos. Assim, em junho de 1875 com a inauguração da colônia Benevides (hoje município da região metropolitana de Belém). Isso tudo motivado por uma crise de abastecimento alimentar na qual a região se encontrava. Boa parte da mão-de-obra disponível (especialmente ligada à agricultura e coleta na floresta) estava orientada para a produção do látex e da borracha (produto muito demandado no final do século XIX), causando uma falta de gêneros alimentícios básicos nas principais cidades. É nesse contexto que o Governo da Província incentivou a entrada de migrantes europeus, mas também muitos trabalhadores nordestinos, em especial cearenses. O objetivo era criar colônias agrícolas, interligadas pela ferrovia Belém – Bragança, que iriam suprir essas necessidades.

Pela cidade de Belém chegavam, passavam, mas também, ficavam uma quantidade expressiva de imigrantes. Registros historiográficos mostram atuação de anarquistas, mesmo que de forma individual, já neste período. Um episódio curioso, talvez poucas pessoas saibam, em maio de 1896, na ilha de Caratateua, em Outeiro, distrito de Belém, na hospedaria onde se abrigava imigrantes, menciona-se um pedido de repatriamento de um imigrante que fazia distribuição de avulsos de propaganda anarquista[1], muito provavelmente, alusivo ao dia da classe trabalhadora (1° de maio) e aos mártires de Chicago.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://cclamazonia.noblogs.org/post/2025/03/10/a-historia-do-movimento-anarquista-em-belem-do-para-e-na-amazonia/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/02/01/ccla-um-espaco-anarquista-no-coracao-da-amazonia-brasileira/

agência de notícias anarquistas-ana

O galo é um leão
furiosamente aberta
a sua juba de penas.

Kikaku

[França] O que resta da utopia anarquista? Chamada de trabalhos

O ideal anarquista, que se enraizou em meados do século XVIII, previa a criação de uma sociedade sem deuses ou mestres, igualitária, justa e harmoniosa. Em suma, o verdadeiro paraíso na terra. Para alcançá-lo, alguns pensaram que teria sido suficiente difundir essas ideias, organizar-se em grupos e associações onde a autogestão cotidiana teria facilitado a emancipação de todos.

Mas percebemos que as coisas não aconteciam assim. As forças agrupadas dos Estados, do capitalismo, dos partidários da dominação, obviamente, não deixaram o caminho aberto para esses rebeldes sem lei. É por isso que imaginamos que uma revolução violenta “infelizmente” seria necessária… sem falar na submissão voluntária que, de geração em geração, se renova em espaços institucionais e íntimos.

Quase dois séculos depois, o que resta desse projeto?

Notamos que esse ideal anarquista ainda está vivo, tanto nos interstícios de pensamento que circulam nos espaços da cultura institucional, no mundo da arte, em grupos, sindicatos, federações – por menores que sejam – reivindicando-o, quanto, de formas muito diversas e às vezes informais, em práticas sociais, políticas e econômicas presentes em diferentes países e continentes.

Gostaríamos de uma reflexão coletiva para lançar luz sobre este tema que nos é caro desde a criação de nossa editora, e já tratado em parte em várias conferências que organizamos no passado e através de todos os nossos títulos.

Para isso, pedimos a todos aqueles que gostariam de contribuir que nos enviem textos originais. De nossa parte, comprometemo-nos a ler atentamente suas propostas, com vistas a uma futura publicação.

Seus textos devem ser enviados para contact@atelierdecreationlibertaire.com

Atelier de Création Libertaire – ACL

agência de notícias anarquistas-ana

A noite caminha.
No negrume, o vaga-lume
acende a bundinha.

Flora Figueiredo

[Rússia] A anarquista Lyubov Lizunova, de 18 anos, foi transferida para uma colônia prisional em Tomsk

Em 14 de fevereiro, Lyubov Lizunova, uma ré no Caso dos Anarquistas de Chita, foi retirada do Centro de Detenção Provisória nº 1 em Chita, no Extremo Oriente russo. A rota de transferência de três semanas passou por Irkutsk e Mariinsk, na região de Kemerovo, na Sibéria. Em 2 de março, Lyubov informou a seus pais que havia chegado à colônia prisional juvenil em Tomsk.

A TVK-2 é atualmente a única colônia prisional para meninas menores de idade. Por lei, as detentas podem ser mantidas lá até a idade de 19 anos.

Durante a transferência, Lyuba leu muito, interagiu com outras companheiras de viagem e recitou seus poemas de memória, que muitas delas gostaram. De acordo com seus pais, um dos guardas teve longas conversas com ela, leu sobre ela na Internet, pediu que ela lesse seus poemas e até chorou quando ela o fez.

De Chita a Mariinsk, Lizunova foi transportada em um vagão de trem “Stolypin”, e de Mariinsk a Tomsk em uma van da prisão. As condições não eram as melhores, mas Lyuba permaneceu positiva, encontrando o lado bom mesmo em uma viagem como essa. Ela ficava feliz em ver a beleza do Lago Baikal, das florestas e dos campos, mesmo que apenas pela janela do vagão do trem.

Atualmente, Lyubov está de quarentena. Com algum tempo livre, ela desenha muito e lê Jane Austen e Charlotte Brontë. Apesar do ambiente em que se encontra, ela tenta se manter forte e não perder a esperança.

Em abril de 2024, Lyubov Lizunova, então com 17 anos, e Alexander Snezhkov, com 20 anos, foram condenados a cumprir penas de prisão por grafitarem a frase “Morte ao Regime” e por administrarem canais anarquistas do Telegram. Lizunova foi condenada a 3,5 anos de prisão, e Snezhkov a 6 anos (sua sentença foi posteriormente reduzida em 2 meses).

Apoie a anarquista em seu novo centro de detenção – escreva uma carta para ela!

Endereço:

Lizunova Lyubov Vitalievna, nascida em 13.07.2006

Koltsevoi pr.-d 20, TVK-2

634027 Tomsk – Rússia

Lembre-se de que todas as cartas devem ser escritas em russo – você pode usar ferramentas de tradução automática on-line.

Fonte: https://avtonom.org/en/news/18-year-old-anarchist-lyubov-lizunova-transferred-prison-colony-tomsk

Tradução > acervo trans-anarquista

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agência de notícias anarquistas-ana

Nuvem escura;
Um dragão de algodão
Cuspindo chuva.

João Anatalino

[Reino Unido] Teslas em chamas enquanto Musk se prepara para colonizar Marte

Incompetência insana do homem mais rico do mundo alimenta reação contra a oligarquia

Rob Latchford

Uma pessoa vestida de preto atirou contra vários veículos da Tesla antes de incendiar dois deles em uma oficina de reparos em Las Vegas, na madrugada de terça-feira (18 de março). Ninguém se feriu, e a palavra “Resista” foi pichada no prédio. A força-tarefa conjunta de terrorismo do FBI está envolvida na investigação desse último episódio de uma série de ataques que visam causar prejuízo econômico ao homem mais rico do mundo. Na França, uma concessionária da Tesla perto de Toulouse foi atacada no início do mês, com um coletivo anarquista reivindicando a ação.

Em Berlim, quatro veículos da Tesla foram incendiados na madrugada de sexta-feira (14 de março), e a polícia não descarta uma “motivação política” ligada à parceria de Elon Musk com Donald Trump e seu apoio ao partido fascista AfD na Alemanha.

No Colorado, Lucy Nelson foi presa na semana passada por ataques a uma concessionária da Tesla, onde foi pichado “Carros nazistas” no prédio e coquetéis molotov foram lançados contra quatro carros. Incêndios de Teslas também foram registrados em Berlim no dia seguinte ao Ano Novo e, no mês seguinte, em Dresden, totalizando quatro veículos. No início de março, a vitrine de uma loja da Tesla foi atingida por tinta no centro de Berlim.

Enquanto isso, Musk declarou que seu foguete Starship, da SpaceX, seguirá para Marte até o final do ano que vem, enquanto a empresa investiga várias explosões recentes nos testes de voo. Musk afirmou esperar pousos humanos por volta de 2030. Ainda não está claro se ele pretende deixar a Terra para trás com algo ainda vivo sobre ela.

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2025/03/19/teslas-on-fire-as-musk-prepares-to-colonise-mars/

Tradução > Contrafatual

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agência de notícias anarquistas-ana

Ah, lua de outono –
Caminhei a noite inteira
Em torno do lago.

Bashô

[EUA] Peter Kropotkin, o Príncipe da Ajuda Mútua

Vamos dar uma olhada mais de perto no aristocrata russo que virou anarquista e que (literalmente) definiu o conceito de ajuda mútua.

Por Matthew Wills | 04/02/2025

A ajuda mútua é um sistema voluntário de cooperação, troca e colaboração para o benefício comum. A frase tem sido ouvida cada vez mais neste século, à medida que os estados se revelam menos resilientes diante de desastres naturais e não naturais. A fonte deste artigo, um conjunto de grupos de ajuda mútua na cidade de Nova York, por exemplo, mostra a gama de compartilhamento de recursos/habilidades que está acontecendo.

A ideia de ajuda mútua é muito mais antiga do que seu ressurgimento atual. Afinal, a cooperação tem sido fundamental para a história humana. E o mutualismo, como a cooperação simbiótica é chamada na biologia, é vital para a própria vida. Como o príncipe russo que virou anarquista Peter Kropotkin argumentou há mais de um século com o subtítulo de seu Mutual Aid (1902), é “um fator-chave da evolução”.

No entanto, a ajuda mútua/mutualismo nunca está tão em voga quanto o conflito/competição. Desde Darwin, as elites têm justificado sua existência com a noção da evolução como uma questão de vencedores e perdedores, fundindo a biologia com a economia de mercado e promovendo o que Herbert Spencer chamou de “sobrevivência do mais apto”. Spencer alinhou sua leitura de Darwin com suas próprias teorias econômicas: o “darwinismo social” resultante deveria na verdade ser chamado de “Spencerismo”. A descida do spencerismo à eugenia fundamentou as auto definições da elite — bem como os reinados assassinos do racismo e do nacionalismo — por décadas. Seu reaparecimento na cena americana no século XXI deve ser tomado como um presságio.

A ajuda mútua ainda recebe pouca atenção. Simplesmente não é tão sexy nem atrai multidões quanto a ideia de “natureza, vermelha em dentes e garras” — uma frase presenteada ao mundo pelo poeta Alfred Tennyson. Considere os entretenimentos de documentários sobre a natureza: haverá mais cenas supostamente emocionantes de antílopes sendo caçados por predadores do que de insetos polinizando plantas.

Pyotr Alexeyevich Kropotkin, geralmente chamado de Peter Kropotkin em obras de língua inglesa, nasceu príncipe em 1842. Ele renunciou seu título. Antes disso, ele foi escolhido aos oito anos pelo próprio czar para frequentar a escola de elite militar Corpo de Pajens em São Petersburgo. Em 1861, ele se tornou assessor do czar. Esse foi o ano da emancipação dos servos da Rússia; o pai de Kropotkin possuía servos em três províncias. Naquela época, Peter já estava em processo de radicalização. Ele acabaria sendo preso na Rússia e na França por sua política. Ele passou quatro décadas de sua vida no exílio na Suíça, França e Inglaterra.

Inspirado pela situação dos servos e sua experiência entre os nômades siberianos e os relojoeiros de Jura, Suíça, entre outras influências, Kropotkin se tornou um erudito do comunismo anarquista. Esta versão esquerdista do anarquismo postulou o fim da propriedade privada e da propriedade social e distribuição de recursos.

A teórica política Ruth Kinna coloca Kropotkin em um contexto histórico específico, explicando que:

A teoria de ajuda mútua de Kropotkin pode ser vista como uma tentativa de motivar a ação diante do declínio do anarquismo revolucionário. […] A compreensão particular de Kropotkin da ciência e da teoria darwiniana o levou a acreditar que a ciência poderia ser usada como um instrumento político para deter esse declínio.

Como anarquista, Kropotkin se opôs tanto à social-democracia/marxismo, que ele via como inevitavelmente autoritário, quanto ao liberalismo/individualismo/libertarianismo laissez-faire, que, é claro, negava a ajuda mútua. Em seus argumentos sobre a importância da cooperação no processo evolutivo, ele sugeriu que havia dois sentidos de ajuda mútua, biológico e ético. Como Kinna parafraseia, “Biologicamente, a ajuda mútua era um sentido instintivo de cooperação. A ajuda mútua ética, por outro lado, foi criada pelos hábitos que resultam da prática biológica. Ao cooperar, as espécies formulam códigos de comportamento, línguas e senso de interesse comum.”

Kropotkin retornou à Rússia após a Revolução de Outubro de 1917, mas o estado bolchevique resultante acabou sendo exatamente o que ele sempre argumentou contra. Seu funeral em 1921 seria a última reunião anarquista permitida na União Soviética — depois disso, o anarquismo russo seria implacavelmente suprimido.

A ajuda mútua, no entanto, continua viva — precisamente porque faz parte da vida.

Fonte: https://daily.jstor.org/peter-kropotkin-the-prince-of-mutual-aid/

Tradução > Bianca Buch

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agência de notícias anarquistas-ana

Um grande silêncio —
Nuvens escuras se acumulam
Sobre a terra seca.

Paulo Franchetti

5ª Conferência Internacional de Geógrafxs e Geografias Anarquistas

Departamento de Geografia, FFLCH, Universidade de São Paulo (USP),
9-12 Dezembro 2025

Depois das quatro Conferências Internacionais de Geógrafxs e Geografias Anarquistas organizadas em Reggio Emilia (Itália, 2017 https://rgl.hypotheses.org/361), Rabastens (França, 2019 https://rgl.hypotheses.org/822), Oaxaca (México, 2021 http://www.h-mexico.unam.mx/node/26262) e Córdoba (Argentina, 2023 https://ffyh.unc.edu.ar/ciffyh/4-conferencias-internacionales-de-geografes-y-geografias-anarquistas/), a quinta acontecerá na cidade de São Paulo (Brasil) entre os dias 9 e 12 de dezembro de 2025.

São Paulo tem sediado uma série de conferências internacionais sobre figuras históricas da geografia anarquistas. Pode-se destacar os Colóquios Internacionais sobre Élisée Reclus (2011) https://reclusmundusnovus.wordpress.com/ e sobre o Centenário do falecimento de Piotr Kropotkin (2021) https://kropotkin2021.wordpress.com/), que foram organizados pela Biblioteca Terra Livre com o apoio do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo.

Para esta quinta edição, convidamos a enviar propostas de resumos principalmente (mas não exclusivamente) sobre os seguintes eixos temáticos:

1) Práticas de lutas libertárias e espacialidades emancipatórias
2) Pedagogias anarquistas e outras práticas libertárias de educação
3) Povos originários, movimentos negros, indígena e desafios da decolonialidade
4) Colapso ambiental e outras relações entre sociedades e naturezas
5) Corpo-território: Gênero, espaço e sexualidade
6) Contra-cartografias
7) Geografias da abolição: Prisões, fronteiras, Estados
8) Outras histórias da geografia e do anarquismo
9) Espaços das lutas de classes
10) Perspectivas transnacionais e internacionalistas das geografias anarquistas

Datas importantes

Prazo para submissão dos resumos:
31 de março de 2025, para cigga.icagg@gmail.com

Prazo para resposta:
15 de abril de 2025

Apresentações:
A Conferência aceita tanto apresentação trabalhos acadêmicos quanto apresentações artísticas: teatro, performances ou vídeos.

Orientações para envio dos resumos:
Incluir título | autoria | referência ativismo e/ou militância, afiliação acadêmica | email | resumo (entre 200 e 400 palavras) | referências bibliográficas.

Referências bibliográficas:

Para evitar dispersão em temáticas demasiado genéricas, se pede de incluir referência a pelo menos dois autorxs do campo anarquista/libertários.

Orientação para envio de apresentações artísticas:
Envio de sinopse ou resumo da apresentação, deve conter entre 200 e 400 palavras.

Idiomas:
Português | Espanhol | Inglês | Francês

Tradução:
Durante o evento a tradução será solidária.

Natureza do evento:
Presencial.

Transmissão ao vivo:
A depender da disponibilidade do Departamento de Geografia.

Estudo do meio:
Possibilidade de estudo do meio no 13 de dezembro.

Organizador:
Biblioteca Terra Livre.

Apoio:
Departamento de Geografia – Universidade de São Paulo

Biblioteca Terra Livre
bibliotecaterralivre.noblogs.org

agência de notícias anarquistas-ana

de manhã: mia, mia, mia
só depois de comer,
mia um bom dia

Alonso Alvarez

‘Usei ácido por dois meses seguidos. Foi a melhor época da minha vida’: A anarco-punk americana Sunny War fala sobre bebida, drogas e a KKK

Por Alex Pedritix | 07/03/2025

Ela é a cantora de blues que dedilha e cuja vida foi transformada pela banda punk Crass – e que se tornou viral por fazer shows enquanto era sem-teto. Ela fala sobre fantasmas, sua infância “fedorenta” e a luta contra a extrema direita.

Sunny War está ligando por vídeo de sua casa em Chattanooga, Tennessee. A casa pertencia à sua avó e depois ao seu pai, que morreu durante a produção de seu último álbum. Depois que War e seu irmão se mudaram para lá, ela se convenceu de que a casa era mal-assombrada. Ela via pessoas e ouvia ruídos à noite. “Parecia que alguém estava andando por ali, a ponto de eu sair pulando com um facão na mão, achando que alguém tinha invadido a casa”, diz ela. “Isso acontecia o tempo todo. Eu achava que estava ficando louca aqui dentro.” Era confuso, “porque eu já fui louca antes. E também estava bebendo muito e, às vezes, isso me faz ter alucinações.”

Mas as aparições não eram fantasmas, nem resultavam de uma crise de saúde mental, nem mesmo de uma bebedeira: “Eu não tinha dinheiro, então não podia inspecionar a casa nem nada”, diz War, com 35 anos. “Eu estava meio que ocupando um espaço por um tempo. Então, só descobri depois de um ano que havia um vazamento de gás muito ruim no sistema dos aquecedores – era essa a causa do problema. As pessoas que inspecionaram a casa disseram: ‘Há quanto tempo você está aqui? Isso é realmente perigoso'”.

Os vazamentos de gás foram consertados, as alucinações pararam e War escreveu uma música a partir disso: Ghosts, uma exploração da morte de seu pai e do que se seguiu, aparece em seu novo álbum, Armageddon in a Summer Dress. É um disco fantástico, mais uma prova de um talento de compositora que atraiu a atenção de Willie Nelson (que fez um cover de sua música If It Wasn’t Broken em seu último álbum) e Mitski, que convidou War para tocar em seus shows mais recentes em Nova York. Trata-se de uma música americana profundamente enraizada no blues – War é uma devota de Elizabeth Cotten, cuja música Freight Train se tornou um clássico da era skiffle, e toca guitarra com um estilo característico de dedilhado “crab claw”, mais comumente usado em banjo – mas ela também mostra seu amor de longa data pelo anarco-punk.

Baforando um cigarro enquanto fala, ela é uma entrevistada desarmantemente franca e aparentemente sem filtro. “Todo mundo que eu amo é punk”, ela dá de ombros. “Quando era criança, essas eram as únicas pessoas que faziam amizade comigo, porque talvez eu fosse um pouco fedorenta e tivesse problemas com a bebida.”

Ex-integrante de uma dupla punk com o nome espetacular de Anus Kings [Reis dos Cus], War tem pôsteres antigos de Discharge e Multi-Death Corporations na parede de sua casa; ela é vista com frequência usando camisetas de Rudimentary Peni e Conflict. As letras de Armageddon in a Summer Dress versam sobre tudo, desde romance até o desejo de se desligar do incessante fluxo de notícias. Há momentos em que elas soam notavelmente como o conteúdo de um single punk de 7 polegadas: “Sucking dick for a dollar’s not the only way to ho / We sell labour, we sell hours, sell our power, sell our souls.” (“Chupar paus por alguns dólares não é a única maneira de se prostituir / Nós vendemos trabalho, vendemos horas, vendemos poder, vendemos nossas almas”) Até mesmo seu nome artístico faz com que ela soe como membro de uma banda punk – seu nome verdadeiro é Sydney Ward – ao passo que Armageddon talvez seja o primeiro álbum da história a contar com a participação de Steve Ignorant, ex-vocalista do Crass, que você poderia imaginar sendo tocado na BBC Radio 2 ou rendendo ao seu autor uma vaga no Later… With Jools Holland (De Noite… com Jools Holland).

A participação de Ignorant, segundo ela, foi a realização de um sonho: ela ouviu o Crass quando tinha “provavelmente 13 anos” e eles mudaram sua vida. “Fui criada como cristã batista – minha avó fez uma lavagem cerebral em mim para que eu tivesse medo do inferno – e o Crass me fez perceber: sofri abuso. Foi abusivo fazer com que uma criança tivesse tanto medo de algo sem escolha. Eu estava tendo muita dificuldade na escola, não era boa em aprender da maneira que eles tentavam nos ensinar, estava sendo reprovada em tudo. O Crass me mostrou: Não tenho que fazer isso; tudo o que estou fazendo é contra a minha vontade. Comecei a pensar de forma diferente”. Ela faltou à escola para sair com punks “que bebiam na praia o dia todo e comiam lixo – fatias de pizza que as pessoas tinham jogado fora. O Crass foi como a porta de entrada para eu descobrir o que queria fazer”.

Ela fugiu de casa para Venice Beach, na Califórnia, pegando trens, “dormindo na floresta”, fazendo bicos para ganhar dinheiro. “Foi a melhor época da minha vida”, diz ela. “Eu só tinha uma mochila, um saco de dormir e meu violão. Eu dormia no Golden Gate Park [em São Francisco], ia para o Oregon. Fui ao [festival de contracultura] Rainbow Gathering com os esquisitões do Grateful Dead que conheci, tomei ácido por dois meses seguidos e me diverti muito. Foi incrível”. Longe de ser um ambiente inseguro para uma adolescente, ela diz: “As pessoas cuidavam de mim, certificavam-se de que eu não fosse presa, diziam-me com quem não deveria andar, alertavam sobre quem era um abusador”. Foi ótimo, até que não foi mais. “Eu me envolvi com várias drogas e fiquei muito dependente.”

War começou a atrair atenção por sua música quando um professor de uma faculdade comunitária que estava fazendo um documentário sobre comunidades sem-teto a filmou tocando “um blues de Nashville que eu escrevi” e publicou no YouTube com o título Amazing Venice Beach Homeless Girl on Guitar. O vídeo teve milhões de visualizações, mas War tinha desenvolvido um problema com heroína e metanfetamina. Ela começou a ter convulsões e passou um tempo na cadeia e em hospitais psiquiátricos. Ela gravou seu primeiro EP enquanto residia em um asilo, produzindo CDs para vender nas ruas. Certa vez, ela calculou que “quase 40 pessoas que conheci quando era criança de rua” estavam mortas, seja por insuficiência hepática ou overdose. “Mas tenho alguns amigos que ainda pegam trens e dormem na rua. Eles são honestos e muito saudáveis”, ela dá de ombros. “Eles são tipo veganos e tal.”

Depois de ficar limpa, ela começou a lançar álbuns por conta própria, assinou contrato com uma gravadora local e, em seguida, com a instituição americana de longa data New West – lar de Steve Earle, Drive-By Truckers e Elvis Costello e T Bone Burnett’s the Coward Brothers. Sua estreia veio com Anarchist Gospel, de 2023, que contou com a participação da realeza do country alternativo David Rawlings. Os anos de shows na rua a prepararam para a vida de turnê. “Não tenho o medo que outros artistas têm, porque todas as coisas mais malucas que poderiam acontecer enquanto você está tocando já aconteceram comigo”, diz ela. “Já tive gangues de adolescentes que me provocaram. Um viciado em crack roubou todas as minhas gorjetas do estojo da guitarra e fugiu. E presto muita atenção em como as pessoas reagem às músicas, porque, como músico de rua, você está sempre tentando descobrir: ah, as pessoas dão gorjetas muito boas se você tocar isso.”

Ela diz que ainda se identifica como anarquista, embora admita estar se sentindo um pouco “derrotada” e “exausta” atualmente. “No trabalho ativista do qual participei, a polícia se opôs a coisas que eram obviamente positivas.” Ela cita a South Central Farm, uma horta comunitária em Los Angeles que funcionou por cerca de duas décadas, mas foi desmantelada em meados dos anos 2000 depois que o terreno foi vendido. “Havia uma grande fazenda urbana nesse deserto de alimentos em South Central, uma coisa linda. As pessoas estavam cultivando alimentos porque não havia mercearias na área para comprar produtos e ninguém podia comer nada além de fast food. Tudo estava desenvolvido, as pessoas estavam realmente conseguindo se alimentar. E eles simplesmente destruíram tudo sem motivo algum”. Ela solta um suspiro. “Você sente que há pessoas contra tudo o que poderia ser bom.”

É um sentimento agravado pelos recentes acontecimentos na política americana. War se descreve como “”Negra não como Obama; mas sim Negra como quando os Nigerianos me perguntam de que tribo eu sou””. Em Chattanooga, ela viu recentemente um panfleto de divulgação da divisão local da Ku Klux Klan: “VÃO EMBORA”, dizia; ‘SE AUTO-DEPORTEM’. Ela postou o panfleto no Instagram sugerindo que a única resposta racional seria usar suas velhas botas com biqueira de aço. “Isso é real”, ela acena com a cabeça. “Onde eu moro, a KKK nunca foi embora. Mas agora eles têm o cara deles no poder. A única maneira de lidar com isso, para mim, é aceitar que essas pessoas estão no comando de suas próprias vidas. Não posso colocar toda a minha energia em ficar com raiva de como alguém escolhe pensar. Se você é um adulto e se identifica como um Klansman [membro da KKK], o que devo fazer? Não é minha responsabilidade mudar a maneira de pensar de alguém com 40 anos. É apenas um bando de malditos nazistas. Eu nasci aqui; tudo o que posso fazer é me defender. Você tem o direito de ser o que você é, creio eu. E eu tenho o direito de lutar contra você se algo acontecer.”

Pelo menos, em um nível pessoal, as coisas estão indo bem. Armageddon foi aclamado pela crítica e War planeja entrar em processo de produção e fazer uma turnê pelo Reino Unido, embora as condições financeiras impeçam sua ideia de se apresentar com os “cinco guitarristas” que deseja. Além disso, ela conquistou um espaço único para si mesma: realmente não há muitos artistas americanos Negros de inspiração anarco-punk, embora ela diga que não tem certeza do motivo. “Para mim, é o mesmo tipo de música. Se você gosta de punk por causa das letras e da mensagem, com certeza há muita música antiga que tem esse espírito. O folk costumava ser muito anti-institucional. Pete Seeger, canções sindicais, Woody Guthrie – isso é punk-rock. É basicamente uma questão de ser um forasteiro”.

  • Armageddon in a Summer Dress está disponível hoje em New West

Fonte: https://www.theguardian.com/music/2025/mar/07/americana-anarcho-punk-sunny-war-on-ghosts-crass-and-the-kkk

Tradução > acervo trans-anarquista

agência de notícias anarquistas-ana

Rumo sem destino
Borboletas amarelas
voam par em par.

Rafaela Cristiane W. Kowalski

[França] Apresentação do livro “Jean Meslier, padre, ateu e anarquista para o século 21” por Philippe Diaz

25 março 2025 | Marselha | 19h | Livraria Transit – 51 Bd de la Libération –13001 | Apresentado por Philippe Diaz

Jean Meslier era o pároco de uma pequena aldeia nas Ardenas no século XVII. Lá ele escreveu um dos tratados mais visionários da história da humanidade, propondo uma nova forma de sociedade.

Ele foi o primeiro a lançar as bases do comunismo 150 anos antes de Marx, a delinear a teoria da evolução 100 anos antes de Darwin e a lançar as bases de uma sociedade anarquista 100 anos antes de Proudhon e Bakunin. Ele também foi o primeiro a escrever um tratado sobre o ateísmo, não como um conceito intelectual, mas como uma ferramenta para a libertação dos povos.

Mas, como Meslier escreveu suas memórias à noite, como ele mesmo diz “com pressa”, ele não se importava com estilo ou ensaios. Ele escreveu sob a influência da revolta e da paixão, o que torna este trabalho muito difícil de ler. As páginas que seguem a introdução, a vida de Jean Meslier e seu manuscrito, e que precedem a análise de sua sociedade anarquista, são uma condensação das mil páginas de suas Memórias.

>> Desde o trabalho para elevar o padrão da livraria, a capacidade da livraria é limitada, por isso aconselhamos que você chegue cedo. Desculpe por essa restrição.

agência de notícias anarquistas-ana

Aqui e ali,
Sobre os campos florescem
As quaresmeiras.

Paulo Franchetti