Alinhada a Mussolini e a Levy Fidelix, Frente Nacionalista é alvo de investigação pelo MP-PR

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A pedido do Ministério Público do Paraná (MP-PR), a Polícia Civil está investigando um grupo intitulado Frente Nacionalista, responsável por um evento que gerou controvérsia no mês passado em Curitiba. Nele, várias vertentes da extrema direita do País estariam reunidas e, diante das denúncias, o evento acabou não acontecendo. Mas as apurações prosseguem.

“Embora constitucionalmente haja um direito de reunião, de livre associação e de livre manifestação de pensamento protocolado no estado de direito democrático, é impossível se reunir para fazer incitação ao ódio, para fazer apologia do crime, para pregar retorno de uma ditadura militar”, explicou ao G1 o procurador de Justiça,Olympio de Sá Sotto Maior.

Intitulado ‘Dezembrada’, o evento contaria com grupos neonazistas, skinheads e também com representantes do PRTB, partido liderado por Levy Fidelix e que não esconde os seus valores nacionalistas. Cartazes anunciando o encontro foram espalhados por Curitiba e cerca de 1 mil pessoas chegaram a confirmar presença, mas a organização cancelou o evento diante da repercussão negativa. Na época, o MP-PR pediu providências às autoridades.

Em entrevista à Rádio CBN, o representante da Frente Nacionalista do Paraná, Ricardo Gonçalves, chamou a Promotoria de ‘irresponsável’ e revelou que lideranças do movimento estão sendo ameaçadas também em outros Estados.

Em sua página no Facebook, a Frente Nacionalista soltou no mês passado um comunicado em que rechaçou qualquer associação ao nazismo e ao fascismo, embora admita que “alguns pontos programáticos oriundos do fascismo”. Um vídeo oficial do movimento, porém, conta até com o áudio de saudações do nazismo, como ‘Heil Hitler’.

À CBN, Gonçalves explicou alguns pontos defendidos pelo movimento. “Defende Deus, pátria e a família. Defende os direitos humanos. Defende a soberania da nação brasileira. Defende as crianças contra a agenda sexual implementada nas escolas para treinar crianças para serem parceiras sexuais de adultos”, pontuou.

Estudos nacionais apontam que os Estados do Sul e do Sudeste concentram o maior número de grupos neonazistas e fascistas no País. No Paraná, em 2009, uma disputa pelo poder do movimento de extrema direita terminou em morte em Quatro Barras, na região metropolitana de Curitiba, em um crime que até hoje não foi julgado.

Inspiração em Mussolini e na Ação Integralista

A Frente Nacionalista informa em sua página oficial que foi fundada em abril de 2015 e que trata-se de “um movimento político-partidário que reúne agrupamentos nacionalistas de várias tendências cujas vozes eram interditadas na constelação de partidos que gravitam em torno do esquerdismo e do fisiologismo”.

O grupo prega a chamada Terceira Posição política, que não se coloca nem à esquerda, nem à direita, mas que prega o ultranacionalismo e que se opõe veementemente ao marxismo e ao capitalismo liberal. Essa postura é amplamente adotada por movimentos de extrema direita em vários países europeus que também discursam “em defesa da família”.

Ideologicamente, a Frente Nacionalista se coloca ao lado de ideias defendidas pelo líder do fascismo italiano, Benito Mussolini (aliado do nazista Adolf Hitler na Segunda Guerra Mundial), as quais inspiraram o líder integralista brasileiro Plínio Salgado, outro nome que o movimento sempre menciona em suas mensagens.

Além disso, na sua página a frente faz questão de exaltar os valores da ditadura militar, ao mesmo tempo em que denuncia o que considera ‘perseguições de grupos LGBT’ e ‘esquerdismo’ no País.

Fonte: http://www.brasilpost.com.br/2016/01/10/frente-nacionalista-parana_n_8949166.html

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