
Durante muito tempo permanecemos na imperiosa opacidade, mas esta opacidade não é uma opacidade que invisibilize, ou talvez sim; não nasce da submissão da imaginação, senão da capacidade frugal que interiorizamos; não surge da domesticação do pensamento, senão do pensamento que resiste; não aparece com a imposição do medo, é o medo mesmo que já não impossibilita; não se constitui da colonização da caneta, nem se quer já é só uma caneta que se nega a si mesmo.
Esta opacidade ofensiva da qual falamos tem a capacidade da multiformidade, dentro dela se encontra uma forma que também é multiforme em si mesma, mas que abarca nossa capacidade criadora, imaginativa e comum, esta que se materializa na publicação.
Então a publicação que surge de milhares de formas possíveis, assim como os espaços onde conhecemos técnicas, compartilhamos saberes, criamos possibilidades, destruímos o que nos destrói, são formas possíveis da publicação – fanzine, livro, revista, folheto, ou o que seja que nos ocorra – que tem lugar nestes espaços. Estes lugares se tornam rizomas, para poder conhecer-nos, e conhecer aquilo no qual acreditamos, pensamos ou sentimos.
É assim como se concretiza o ELPA (Encontro do Livro e da Publicação Antiautoritária) para seguir apostando por tudo aquilo que nos parece possível, será um espaço para poder passar da leitura à cumplicidade, e como alguma vez se escreveu em alguma geografia: “Me desfiz também da engenhosa ideia de que a liberdade é o lugar que se espalha fora dos muros do cárcere. Para mim a liberdade não é um lugar, nem uma permissão, é ação, é o sentido antiautoritário que preenche cada ato, é o nervosismo que precede o ataque, é a expressão incontrolada por um/a companheirx, é sentir-se vivx, porque sabes que tua vida já não pertence ao capital mas que o enfrenta“.
E como disseram alguma vez uns compas: “Manifestem-se criaturas de todos os rincões e os ventos! Nos vemos pois, no festim mais suculento…“
E-mail de contato: antiautoritarixs@riseup.net
agência de notícias anarquistas-ana
A lua nova.
Ela também a olha
de outra porta.
Jorge Luis Borges
Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
Noam Chomsky roots are in the Marxist Zionist "Hashomer Hatsair" youth movement. He even spent few months in an Israeli…
crítica válida e pertinente, principalmente para o momento atual.
Que a terra lhe seja leve, compa!