Jornais de TV comparam anarquistas com neonazistas e disseminam analfabetismo político

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Por Pedro Zambarda | 30-10-2017

SBT e Globo protagonizam um episódio lamentável de deseducação e desinformação política ao tratar de acusados presos pela polícia de Porto Alegre.

Grupos anarquistas Pandorga e Parrhesia foram alvo de mandados de prisão pela polícia do Rio Grande do Sul. A operação policial foi tema de reportagens da SBT e da TV Globo, através do seu programa dominical Fantástico.

Os dois programas televisivos espalharam o analfabetismo político a respeito do anarquismo e se focaram nos crimes de depredação do patrimônio público. Nenhum dos dois programas ressaltou que, na mesma época em que ocorreram depredações de viaturas policiais, PMs foram vistos agredindo sem razão judicial manifestantes pela redução das passagens de transporte público. A questão, levada nacionalmente pelo Movimento Passe Livre (MPL), resultou em violência policial inclusive em São Paulo, gerando as chamadas “Jornadas de Junho de 2013”.

As emissoras televisivas emplacaram a imagem de que anarquismo é extremismo e vandalismo. Mas será que é isso mesmo?

O caso do SBT

O jornalista Thiago Zahreddine da emissora de Silvio Santos compara anarquismo com neonazismo. Afirma, de maneira resumida, que anarquistas seriam uma espécie de “extrema-esquerda autoritária” ou “vândala”. A dedução do repórter não poderia estar mais equivocada, considerando que a anarquia tem viés antiautoritário.

O pré-anarquismo remonta o século 6 no taoísmo oriental (pensamento de Laozi) e chegaram com força durante a Renascença Francesa e a Revolução. O teórico russo Mikhail Alexandrovich Bakunin reforçará o ideário no século 19 e se opõe às outras vertentes de esquerda, que reforçarão o autoritarismo presente sobretudo na União Soviética.

Nem todo anarquismo é pró-ação direta ou violenta contra propriedades. No entanto, a maioria das vertentes têm em comum a luta contra o patriarcado (feminismo), contra os abusos do capitalismo, pela democracia direta e pelo fim da propriedade privada.

Nenhum destes elementos está presente na reportagem do SBT, que visa estigmatizar a ideologia, como se ela fosse o fato de ligação entre os ataques no Rio Grande do Sul.

O caso do Fantástico na Globo

Numa falsa tentativa de parecer imparcial, a Globo ouve os professores de Direito Walter Maierovitch (pró-polícia e legalista) e André Luís Callegari (que tenta explicar o que é anarquismo). No entanto, a seleção de imagens revela que o Fantástico toma partido dos policiais e não critica de forma alguma o comportamento da organização diante de anarquistas em protestos pela redução das passagens.

É uma reportagem falsamente isenta.

Possível conclusão

Anarquismo é uma ideologia que, você concorde ou não, contribui para uma crítica correta da esquerda e da democracia. Neonazismo – e o nazismo, e o fascismo – é uma ideia retrógrada que traz de volta uma ideologia totalitarista dos séculos 19 e 20.

Não confunda as coisas e não confie em uma mídia que coloca ambos em simetria.

Este é o caso do SBT e da Globo.

Fonte: https://www.topbuzz.com/@pedrozambarda/jornais-de-tv-comparam-anarquistas-com-neonazistas-e-disseminam-analfabetismo-pol%C3%ADtico-CgKAJWtD91k

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