[Espanha] A memória que o franquismo apagou

O livro “Para hacerte saber mil cosas nuevas” reúne 4.000 histórias de represaliados pelo franquismo na província de Ciudad Real

por Agustín Cacho Borrás | 02/11/2018

Com os olhos da democracia é difícil muitas vezes ver a repressão que viveram muitas pessoas de nosso entorno. Uma barbárie que se exerceu desde o estado, quando a Espanha tinha um governo fascista e que deixou centenas de dramas familiares enterrados nos baús.

Histórias as quais o antropólogo Jorge Moreno trouxe à luz. Primeiro realizando um mapa da repressão na Ciudad Real e depois levou essas histórias a um livro que agora vê a luz: “Para hacerte saber mil cosas nuevas“. Reúne cerca de 4.000 relatos de repressão do franquismo na Ciudad Real. Trata-se de uma publicação editada pela UNED em colaboração com o Conselho Provincial de Ciudad Real.

Histórias que para muitos ecoam longe, outros a vivem muito próximo porque as sofreram em suas próprias carnes. É o caso de Germinal, ciudadrealenho neto, filho e sobrinho de represaliados.

Com uma mescla de orgulho e emoção, Germinal nos conta a história de seu pai, suas recordações de quando apenas tinha 5 anos são muito claras. Seu pai tinha feito parte da CNT durante a Guerra Civil. Quando terminou se transladou a Madrid. Após um breve período na capital da Espanha, foi detido e submetido a julgamento sumaríssimo e sem garantias. Passados uns poucos anos de seu fuzilamento, o próprio Germinal se pôs no cemitério, com apenas 11 anos, para tirar os restos de seu pai e dar-lhe uma sepultura digna.

Sentada junto a Germinal se encontra Paloma. Seu avô também é um dos represaliados que aparecem no livro, uma história que lhe foi transmitida por sua mãe. Foi em fevereiro de 1942 e também após um julgamento sumaríssimo, fazia três anos que havia terminado a guerra. Após vários anos escondido em sua casa, sob uma cama e sem que nem sequer sua própria filha o pudesse chamar papai, foi detido e executado mediante “garrote vil”.

Uma horripilante história de um estado que mostrava sua pior cara… e que marcava a lei do silêncio. Por isso, diz Paloma, é fundamental contá-lo, para fazer justiça a toda uma geração que ainda segue viva.

Paloma, após a morte de seu pai há algumas décadas, animou a sua mãe a escrever a história da família, e quando conheceu o projeto quis que fizesse parte do livro, e a transcreveu.

A ditadura na maioria dos casos não ficou apenas nisso, deixou as famílias dos represaliados na mais absoluta miséria, assinalados durante décadas e no último escalão social.

Fonte: http://cadenaser.com/emisora/2018/10/31/ser_ciudad_real/1541012759_278498.html?fbclid=IwAR2_dMnHqEFOsyvN8Gp7FXCoKEVpNX4MPeOGK1APQW1UJP9idG3uzaebupg

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Atrás do portão
um latido afoito
chegamos junto com a noite

Winston

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