O professor francês perseguido em SP por querer educar trabalhadores

por Vinícius Pereira | 04/08/2019

O período da República Velha foi marcado por intensos conflitos e mudanças sociais no Brasil. Era uma época em que grandes donos de terras, obrigados a substituir a mão de obra escravizada pela assalariada, enfrentaram ondas de insatisfação de trabalhadores – e rebeliões – em vários pontos do país. Uma época que produziu importantes figuras, mas que são desconhecidas pela história oficial.

É o caso de Joseph Jubert, um professor e advogado francês que enfrentou fazendeiros e desafiou autoridades por melhores condições de trabalho nas lavouras. Por isso, foi tachado de “vagabundo”, “perigoso e com intuitos subversivos”.

Após projetar escolas para trabalhadores e seus filhos, que seguiriam uma linha de ensino distante dos dogmas da instituição e mais próxima da ciência, entrou em confronto com membros da Igreja Católica.

Quando defendeu uma paralisação de trabalhadores nas fazendas de café, jornais da época cobraram “providências justas da polícia pela paz e prosperidade da terra”, enquanto era intimidado no Judiciário por “interferir na atividade econômica” e “iludir os colonos”.

Recebeu o apelido de “o terrível anarquista”, por mais que registros da época mostrem um sujeito culto e distante de qualquer ato de violência.

Perseguido, Jubert respondeu diversos processos durante suas passagens por cidades do interior de São Paulo. Graças às essas ações, foi preso, torturado e, também, apagado da história.

‘O terrível anarquista’

Jubert nasceu em Lyon por volta de 1876 e veio ao Brasil ainda criança, em um período de intensa imigração de trabalhadores assalariados europeus, que chegavam ao país para substituir a mão de obra escravizada nas fazendas. Muitos deles acabaram enganados sobre as reais condições encontradas por aqui.

“A maior parte [dos estrangeiros] vinha na expectativa de possuir terras e fugir da fome. Quando chegam aqui e são jogados para trabalhar nos cafezais, passam por maus tratos, dívidas com os armazéns, e muitos desses colonos vão se rebelar”, conta Ricardo Rugai, doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP).

É nesse contexto, de desapontamento e abusos sofridos pelos colonos, é que as ideias de afronta à ordem vigente ganham força – e que Jubert inicia sua politização.

“A ideia dominante era a de que anarquistas, comunistas, sindicalistas e qualquer outro ator político tenham vindo para cá já politizados. Mas, na verdade, a maioria dos europeus se tornou anarquista, por exemplo, aqui no Brasil”, conta Rugai.

Jubert se aproximou dos anarquistas, mas não se reconhecia como um deles.

“Ele era contra o poder do Estado, da Igreja e da propriedade privada. Mas se declara um livre pensador”, afirma Sandra de Souza, que estudou a história de Jubert durante o mestrado pela Universidade São Francisco (USF).

A distância inicial, porém, não o livrou de ser tachado de perigoso. Logo, o francês foi apelidado de “o terrível anarquista”, alcunhada dada por um jornal, e passou a sofrer perseguições de representantes da oligarquia rural.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://www.bbc.com/portuguese/geral-49107167

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agência de notícias anarquistas-ana

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