
“Cadena Perpetua” é a exposição fotográfica de Ofelia Alcántara Martín sobre animais que vivem nos zoológicos e o quanto é prejudicial para cada indivíduo o cativeiro. A mostra busca visibilizar e mudar a realidade dos animais em cativeiro.
Por Ofelia Alcántara Martín | 18/02/2020
Muito antes de começar a fotografar os protagonistas desta obra, comecei a pensar neles. Em como se sentiriam fechados nos zoológicos, em como suas vidas se tornaram em branco e preto quando foram capturados e encerrados, e em como eu poderia ajudar a mudar sua realidade. Pensei que dar-lhes visibilidade seria um bom começo. E pensei, também, que os animais em cativeiro estão submetidos a uma prisão perpétua.
Este é um projeto artístico sobre os animais que vivem nos zoológicos, sobre o prejudicial que é para cada indivíduo o cativeiro e sobre as diferenças às quais se veem submetidos os animais encarcerados com relação a sua vida em liberdade. Durante os dois anos de trabalho observei através de minha lente que se um animal não pode exercitar seu corpo nem estimular sua mente, o indivíduo desenvolve comportamentos estereotipados ou repetitivos. A documentação reunida neste tempo, apoiada por diversos estudos, afiança que a confinação produz também alterações em seu comportamento e inclusive enfermidades físicas.
Enquanto passava longas horas olhando através da objetiva, e lamentando-me de minha presença ali, observava a tristeza nos olhos dos animais encarcerados. Mas, além de algumas espécies de grande inteligência e similaridade com os humanos, como os símios, eram conscientes de sua realidade. Uma realidade que os mantêm encerrados toda a vida.
Recordo o olhar cravado e os suspiros de desespero de um gorila no Zoológico de Madrid. Um costas prateada que observava, que conhecia sua situação, que tentava esconder-se para não ser visto e, após não consegui-lo, me olhou fixamente, de cima a baixo, e seu olhar me perguntou: que delito cometi para ser um prisioneiro?
A medida que nascem mais gerações de animais em cativeiro, o comportamento deles se separa mais e mais do comportamento natural dos indivíduos selvagens. Se visitamos um zoológico, devemos pensar em que o animal cativo é um ser vivo privado de sua vida natural, exposto a entretenimentos, utilizado para proveito econômico.
Os animais sentem dor física e emocional, e ainda que isto seja óbvio para muitos de nós, o certo é que os humanos atuam em muitas ocasiões como se isso não importasse. Devemos considerar nossos princípios éticos e não proclamar a superioridade e o ego desde o outro lado da vitrine, se isso supõe sofrimento para os animais não humanos. A informação e a educação para as novas gerações é o início do caminho para o respeito animal.
“Cadena Perpetua” pretende dar a informação necessária para abrir a mente e o coração de cada espectador, deixando de lado o ego humano e abrindo caminho para a empatia para com os outros seres sencientes.
Tradução > Sol de Abril
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Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
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crítica válida e pertinente, principalmente para o momento atual.
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