
Por J. James F. | 10/06/2020
Em minha opinião, uma zona autônoma é uma área onde a autoridade estatal foi rechaçada conscientemente. O que faz com que esses blocos em Cap Hill sejam autônomos é que a polícia foi expulsa e as pessoas são livres para se autogestionarem. Um grande efeito secundário é que a gente pode sair e viver uma alternativa ao resto do capitalismo, que nos obriga a estar sempre consumindo ou trabalhando, simplesmente poder estar em uma ocupação como essa é incrivelmente liberador.
Laura, @anarchomastia, testemunha ocular
A classe capitalista na sociedade estadunidense esteve em um estado de negação sobre a crescente privação de direitos das pessoas que vivem aqui e criam toda a riqueza. As comunidades BIPOC e a comunidade LGBTQ + foram maltratadas e abusadas durante toda a história dos Estados Unidos. Ao fazê-lo, a classe capitalista atirou a classe trabalhadora rio abaixo com uma guerra mundial contra os trabalhadores, a onda de ataques mais recentes começa com a fundação da Organização Mundial do Comércio, e é aqui onde se desenvolve a história do Capitólio.
Capitol Hill é um centro de ação radical há muito tempo. Desde os anos 70, teve a reputação de ser o “bairro queer” de Seattle. Segundo Laura, “nos anos 70 e 80, era um dos poucos lugares nos quais se podia ser abertamente gay e não correr o risco de ser criticado”. O espírito radical em Cap Hill viu os moradores tomarem o local e serem o centro do protesto de Seattle ante a OMC em 1999. Cap Hill desde então foi gentrificado, ainda que o sentido de comunidade nunca foi realmente reprimido ou substituído. Ao contrário, foi provado e amadurecido por gerações de trabalhadores que foram maltratados pelo capitalismo. Tudo isto culminou em um ponto de ruptura.
Em 25 de maio de 2020, a polícia foi filmada assassinando George Floyd em Minneapolis. Este ato abriu o saco das injustiças nos Estados Unidos e levou toda a nação a um estado de agitação. Seattle estourou no quarto dia dos protestos e os manifestantes se encontraram com a mesma resposta de brutalidade policial e repressão observada nos protestos em todo o país. O gás lacrimogêneo foi usado em grandes proporções, as imagens de vídeo mostram ruas inteiras cobertas de uma neblina de gases.
Em 8 de junho, um homem conduziu seu automóvel contra os manifestantes e disparou em Daniel Gregory enquanto ele tentava deter o agressor e proteger os demais manifestantes. Em imagens impactantes postadas nas redes sociais, os policiais deixaram que o agressor caminhasse para suas linhas sem nenhum problema. O agressor nem sequer foi detido, só mais tarde daquela noite. Este ataque motivou ainda mais os manifestantes, alguns até sugerindo que quem pudesse se armasse para ajudar a defender as barricadas. Depois do ataque, a polícia foi obrigada a abandonar a delegacia de Capitol Hill, esperando que os manifestantes a incendiassem para ter uma desculpa para uma prisão massiva. Para sua desolação, isso não aconteceu. Pelo contrário, os manifestantes conseguiram construir barricadas para se protegerem.
Laura explicou: “A polícia esperava claramente que as pessoas tentassem marchar para a delegacia ou colocar fogo. Também colocamos tábuas de madeira a seu redor e deixamos paletes por todas as partes. Os manifestantes marcharam com fúria porque queriam derrubar todas as cercas que a polícia erguia. Logo, usaram essas cercas e blocos para construir barricadas escalonadas nas intersecções. As barricadas estão escalonadas para que as multidões possam passar facilmente, mas um automóvel toparia com uma e é parado. Depois do ataque de ontem, todos estavam muito preocupados em proteger o protesto de qualquer ataque de veículos”.
Nos momentos posteriores à polícia abandonou a cena no Capitólio, uma sensação de emoção se estendeu pelo ar inclusive antes de que se levantassem as barricadas. Sabendo que a polícia havia saído fora, o local se converteu em uma zona autônoma. O grupo se instalou em frente à delegacia de polícia e começou o processo de estabelecer uma zona de aproximadamente seis quadras.
O CHAZ (Capitol Hill Autonomous Zone – Zona Autônoma de Capitol Hill) tem um sentimento de liberação e comunidade descrita por Laura como “muito parecido a um jogo desportivo local ou uma grande refeição compartilhada, mesclado com os sentimentos de uma luta militante contra a polícia”. Ao momento de escrever isto (10 junho), o CHAZ sobreviveu mais de um dia e está crescendo para incluir o vizinho Parque Cal Anderson. A comunidade em Capitol Hill está unida em um desejo mútuo de ver que a zona autônoma se fortaleça. Independentemente de quanto dure o CHAZ, despertará a esperança nos corações da classe trabalhadora mundial. Lembre-se que, sem importar os obstáculos, a classe trabalhadora ganhará nossa liberdade da classe capitalista.
Fonte: hamptonthink.org/read/the-birth-of-the-capitol-hill-autonomous-zone
Tradução > Sol de Abril
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Alberto Marsicano
Perfeito....
Anônimo, não só isso. Acredito que serve também para aqueles que usam os movimentos sociais no ES para capturar almas…
Esse texto é uma paulada nos ongueiros de plantão!
não...
Força aos compas da UAF! Com certeza vou apoiar. e convido aos demais compa tbm a fortalecer!