
Devemos discordar da opinião generalizada de que o anarquismo está no marasmo em comparação com o que um dia foi. O movimento anarquista e o anarquismo, o conjunto de ideias que constituem o corpo de sua doutrina, são como um rio que às vezes corre no subsolo e outras vezes vem à superfície e transborda tudo. Por exemplo, em maio de 1968, quando foi mostrado que este anarquismo, que parecia ter desaparecido da sociedade francesa, floresceu novamente e foi, de certa forma, a nota dominante de tudo aquilo que era a ação dos estudantes.
Na Espanha, este movimento não pode ser considerado como deslocado, mas é preciso reconhecer que ideologicamente e sindicalmente é o movimento que representa a única esperança para a classe trabalhadora, especialmente no momento atual. E não apenas porque a mensagem anarquista visa integrar esta classe naqueles quadros em que esta organização de trabalhadores segue a antiga tradição de ação direta, ou seja, sem intermediários entre capital e trabalho, mas porque esta tradição é o lugar fora do qual todas as organizações de trabalhadores estão hoje em nosso país, fechadas e sujeitas ao capital. A mensagem permanente da CNT em nosso país deixa claro que ela é a única organização de trabalhadores que tem em alta a bandeira da independência. É o único movimento operário independente que não se submete e que fará todo o possível para não se submeter ao confinamento no qual o franquismo quis primeiro prendê-lo e depois outras forças políticas quiseram colocá-lo durante o regime de 78. Forças que não eram mais franquistas, mas que tenderam a garantir que não houvesse movimento de trabalhadores independentes; e procuraram um movimento de trabalhadores que fosse uma imitação do que era nos Estados Unidos, Inglaterra, França e outros países. Lugares onde o trabalhador não tem personalidade própria, mas é uma transcrição ou um instrumento utilizado pelas forças políticas para administrá-lo e usá-lo na maior parte do tempo para seus próprios interesses.
Além destes aspectos de natureza sindical, o anarquismo na Espanha tem raízes muito profundas que remontam não à vinda de Fanelli para nosso país ou às ideias de Bakunin, mas a algo que é nativo, que nasceu em nosso país, e que foi continuado e herdado, para dar um exemplo, pelo federalismo de Pi i Margall. O conceito de autonomia, respeito e exaltação do indivíduo são coisas que fazem parte da idiossincrasia espanhola e que nada nem ninguém pode destruir, pois eles teriam que destruir todos nós espanhóis. Eu diria até mesmo que na Espanha os reacionários são anarquistas sem saber disso.
O anarquismo não desapareceu em nossos dias; não é, como se fosse um idealismo da moda, ofuscado; pelo contrário, está em primeiro plano da atualidade social e política de nosso tempo. O erro mais grave que se pode cometer é pensar que este movimento é uma realidade estática, um dogma; não é e nunca foi. O anarquismo não surge por geração espontânea ou por uma revolução imposta pela força ou por uma ditadura; este movimento sempre ressurge e permeia a sociedade, como é o caso hoje. Há tantas ideias anarquistas que estão em uso comum hoje em dia. O amor livre é praticado hoje como nunca foi praticado antes. A maioria dos casais começa a viver juntos e quando há filhos legalizam ou não essa união. A desobediência civil, propagada por Thoreau, é um dos procedimentos da luta pacífica de hoje que vem do anarquismo. A luta contra a explosão populacional, o uso de métodos contraceptivos ou a autorização da prática do aborto vem do anarquismo. O anarquista Lluis Bulffi passou vários anos na prisão precisamente por escrever o panfleto “Greve de ventres”. O movimento verde e os ecologistas nada mais são do que uma tradução do naturismo libertário. Há uma série de ideias que permeiam nossa sociedade que ninguém sabe que vêm do anarquismo. A lista seria interminável.
Fonte: https://www.diariojaen.es/opinion/articulistas/anarquismo-y-espana-NK7950681
Tradução > Liberto
agência de notícias anarquistas-ana
No frescor da sombra
Caldo pelos cotovelos —
Manga madura
Neiva Pavesi
Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
Noam Chomsky roots are in the Marxist Zionist "Hashomer Hatsair" youth movement. He even spent few months in an Israeli…
crítica válida e pertinente, principalmente para o momento atual.
Que a terra lhe seja leve, compa!