[EUA] Quarenta anos é tempo demais: ainda não há justiça para Mumia

Por William P. Muhammad | 14/12/2022

Apoio nacional e internacional para o jornalista encarcerado e ex-membro do Partido dos Panteras Negras Mumia Abu-Jamal continua nas ruas de cidades do mundo inteiro e no ciberespaço. Apoiadores e apoiadoras estão chamando por sua condolente liberdade, citando não apenas testemunhos questionáveis que levaram a sua detenção em 1981 por matar um policial branco, mas também a natureza política do veredicto e sentença, sua idade e condição debilitada de saúde na prisão.

“9 de dezembro de 1981, Mumia Abu-Jamal é detido (e) baleado, em um caso que mudou o mundo e impactou todos nós”, afirma Gabriel Bryant, moderador do webcast em protesto em várias plataformas de redes sociais da Filadélfia. “Esse caso, na verdade, traz a este momento, 40 anos depois. O que ele significa para um homem que todos sabem que é fatidicamente e legalmente inocente?”, questionou na abertura do evento transmitido ao vivo.

Referindo-se ao encarceramento do Mumia como uma extensão do infame Counter-Intelligence Program (COINTELPRO) do governo federal, o qual por décadas buscou destruir lideranças da libertação preta e movimentos sociais pelos Estados Unidos, o evento “Free Mumia” recente usou plataformas de redes sociais e uma rede de apoiadores internacionais para dizer que 40 anos como preso político é tempo o suficiente.

“Mumia ainda está aqui hoje apesar das muitas tentativas de matá-lo devagar”, diz Sophia Williams, ativista de Nova Iorque e co-apresentadora do painel no Zoom que incluiu participantes de lugares tão longínquos quanto a Europa, o Caribe e a América Latina. “O evento de hoje à noite (é) incrível e nos mobilizará a continuar a retomar a narrativa e a tomar as ruas para ganhar a liberdade de Mumia”, declarou.

Clarence Thomas, ativista da luta trabalhista da Costa Oeste e contribuinte da discussão do painel, também representante executivo aposentado do International Longshore and Warehouse Union Local 10 (ILWU) e autor de “Mobilizing in Our Own Name”, disse que sua organização tem estado na vanguarda da liderança do movimento pela liberdade de Mumia Abu-Jamal e quatro décadas de confinamento, incluindo seu recurso de 2001 que teve sucesso em removê-lo do corredor da morte, deve resultar na vigilância contínua a questões de injustiça na América e no mundo.

“Mumia Abu-Jamal sempre manteve sua inocência sobre o assassinato do policial Daniel Faulkner da Filadélfia, e há membros dos Panteras Negras que foram parte do Movimento de Libertação Negra que têm definhado como presos políticos por mais de meio século”, continuou o Sr. Thomas.

Além das críticas alegando prevaricação judicial, outros apresentadores e apresentadoras expressaram sua preocupação com os múltiplos problemas de saúde de Mumia, incluindo doenças do fígado e insuficiência cardíaca congestiva intensificados pela pandemia global do Covid-19, acusando um complexo industrial prisional cruel e indiferente de extremos abusos aos direitos humanos.

Pela contribuição de conhecedores da legalidade do caso e por declarações de outros estadunidenses que sofreram semelhantemente com repressão policial, panelistas mencionaram cartas internacionais de apoio do México, Áustria, Alemanha e França, expressando não apenas incredulidade ao que muitos afirmam ser uma grande injustiça, mas também ao que chamaram de hipocrisia estadunidense no cenário mundial.

“Do 40º aniversário de sua prisão, tudo o que podemos dizer é que isso já durou por tempo demais e os líderes da Pensilvânia e das instituições federais são diretamente responsáveis por essa injustiça; (ele) deveria ser solto pelas autoridades”, declarou Jacky Hortaut, co-coordenador do Free Mumia Collective francês, durante sua apresentação ao vivo na conferência de Paris.

Falando por meio de um intérprete, Mr. Hortaut disse ainda que ativistas franceses organizaram uma manifestação em frente a embaixada estadunidense antes da conferência e, dias depois, o prefeito de Paris, ao lado de ativistas europeus pelos direitos humanos, fortaleceram os protestos na embaixada ao honrar Mumia como a primeira pessoa em 20 anos a ser reconhecida como cidadã de Paris pela Prefeitura.

A conferência online foi encerrada com uma discussão entre uma ampla variedade de líderes das juventudes, incluindo a juventude trans, representando a próxima geração de ativistas pelos direitos humanos por todos os Estados Unidos continentais, incluindo pretos, brancos, indígenas, asiáticos do Pacífico e latinos.

Fonte: https://new.finalcall.com/2021/12/14/forty-years-is-too-long-still-no-justice-for-mumia/

Tradução > Sky

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brincam de ciranda

Carlos Seabra

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