
Por Karen Pickett
O movimento radical ambientalista orientado por ação direta Earth First! e seu braço público, a Earth First! Journal, completaram 40 anos em 2020 – e 2020 quase matou a venerável revista.
A beligerante e irreverente publicação foi mergulhada no inferno da pandemia e quarentena, como seus voluntários e pequena equipe da sede no sul do Oregon, acostumados a trabalhar em conjunto presencialmente, passando os artigos a serem editados. Eles se encontraram de repente em caos, navegando pela internet ruim no Oregon rural e se conduzindo sobre outras pedras no asfalto.
É impossível falar sobre o movimento Earth First! sem falar sobre a Earth First! Journal ao mesmo tempo. Um dos aspectos únicos da organização é que não é realmente uma organização, uma vez que sua infraestrutura é essencialmente mínima e horizontal. Além da revista, a publicação online “Earth First! Newswire” e encontros nacionais semestrais, não há uma infraestrutura central; ao invés disso, o que constitui as atividades do Earth First! é a participação em campanhas enraizadas nas bases da ação direta, biocentrismo e uma declaração de “não comprometer a defesa da Mãe Terra.”
Não há dúvidas de que o Earth First! se tropeçou em si mesmo em seu histórico de quatro décadas, mas tem sido uma evolução rápida em sua maioria, cultural e estrategicamente. De seu nascimento em uma época em que o movimento ambientalista era tão branco quanto a neve, em sua maioria masculino e insular, o Earth First! tem se arriscado, irreverente e modesto, e profundamente comprometido a parar as forças movidas pelo lucro destruindo o tecido biológico da Terra.
O Earth First! e sua revista defendeu outras espécies ao ponto de serem acusados de misantropia, o que não é totalmente sem fundamento. Houveram calorosos debates infames com o grupo do teórico anarquista de Murray Bookchin nos anos 1980 e 90 sobre seu conceito de ecologia social contra a ecologia profunda do EF!.
Há uma crítica de algumas ações individuais que foram rotuladas como “masculinidades”, como subir em árvores para protegê-las e se acorrentar às máquinas; contudo, a maior parte da comunidade ativista tornou essas práticas comuns nas décadas subsequentes.
Agora, ação direta e a sabotagem ambiental conhecida pelos EF!ers como monkey wrenching são empregadas em inúmeras campanhas ambientais, por muitas organizações. Até o indigesto Sierra Club se engaja em desobediência civil.
Mas chegamos ao ponto de um enquadramento para nossa organização que é agora rotulado de Ecologia Revolucionária. Como a ativista icônica Judi Bari, que foi gravemente ferida por uma bomba em seu carro no ano de 1990 em retaliação por sua organização dentro do Earth First!, dizia: “a começar pelo conceito muito razoável, mas infelizmente revolucionário de que práticas sociais que ameaçam a continuação da vida na Terra devem ser modificadas, precisamos de uma teoria de ecologia revolucionária que irá abranger questões biológicas e sociais, a luta de classes e o reconhecimento do papel do capitalismo empresarial global na opressão dos povos e na destruição da natureza. Biocentrismo é uma lei da natureza que existe independentemente dos humanos reconhecê-la ou não.”
A teoria é a ecologia profunda, e é a crença essencial desse movimento ambientalista radical. Também conhecida por biocentrismo, é o entendimento de que a natureza não existe para servir aos humanos, que todas as espécies têm um direito inerente à existência, independentemente de sua função na vida humana. E a biodiversidade é um valor em si mesmo, essencial para o florescimento da vida — ambas humana e não-humana. Um movimento revolucionário ecológico deve também ser organizado entre pessoas pobres e comuns.
O biocentrismo é sabedoria indígena antiga, mas outro aspecto singular do Earth First! é que o biocentrismo, ao invés do antropocentrismo, é o pano de fundo de suas estratégias de campanha.
Enquanto nos rastejamos para fora da pandemia e do ano politicamente tóxico de 2020, vários de nós estão trabalhando para voltar a uma agenda de publicação para a revista e para o Earth First! Newswire. As pessoas nesse trabalho estão ferozmente comprometidas porque não há outra direção a seguir, outro grupo a encontrar com uma organização adversa a comprometer a ação direta, a estratégia filtrada por lentes biocêntricas. Se a Earth First! Journal desaparecer no horizonte, as mesmas campanhas estariam ali; as pessoas estariam ali, junto com as táticas e estratégias. Mas é um movimento, uma convergência de propósitos e filosofias e valores que une grupos de afinidades usando camisetas do Earth First!.
Dada a ausência de uma infraestrutura formal, não é claro como o movimento Earth First!, resiliente como é, sobreviveria a perda de suas ferramentas que compõe sua rede, sua ferramenta de comunicação infra-organizacional, sua face pública.
Espero que os leitores e leitoras do Fifth Estate conheçam a revista. Há artigos do EF! online à venda, para que você possa se enfeitar com uma camiseta do Earth First!, ou com outras bugigangas corajosas. O que é mais necessário são pessoas que se inscrevem e acompanham o movimento.
Inscreva-se agora, tempo de receber a publicação especial retirada-das-cinzas do 40º aniversário que dará uma guinada de relançamento à revista. Trará história radical – e um futuro radical – para as suas mãos e ajudará o Earth First! a reemergir renovado, corajoso e pronto para defender a Terra com tudo o que temos.
Você pode entrar em contato com a Earth First! Journal por P.O. Box 411892, Kansas City, MO 64141, e online para inscrição, produtos, informações e doações em earthfirstjournal.news.
> Karen Pickett é uma ativista raiz há mais de quatro décadas, organizada em liberdades civis e ecológicas e campanhas de justiça social, engajada em muitas estratégias de ação direta, construção de alianças e treinamento de habilidades e de resiliência comunitária. É também escritora e editora, e está trabalhando em um livro sobre o movimento ambientalista radical.
Fonte: Fifth Estate # 409, Summer, 2021
Tradução > Sky
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Alexandre Brito
História sensacional! Desconhecia completamente essas informações.
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