
Por trás da quimera das mudanças sócio-políticas tocadas pelo atual governo, uma série de fatos já estão revelando que essas mudanças visam apenas garantir que tudo permaneça igual, que a continuidade do modelo persista, mesmo em suas formas repressivas e punitivas. Eles afirmam representar o marco histórico que fecharia a “transição política” deste país, mas escandalosamente escondem atrás dos muros o fato de que ainda há prisioneiros políticos cumprindo sentenças proferidas nos anos 90 pelo nefasto sistema de justiça militar, um claro herdeiro da ditadura de Pinochet e de sua ordem repressiva. Este é o caso de Marcelo Villarroel que, através desta aberração legal política, está sendo condenado a prisão perpétua em segredo.
Marcelo tem sido sem dúvida uma parte fundamental da história de subversão e resistência neste território. Ele foi preso e encarcerado pela primeira vez em 1987, aos 14 anos, após realizar uma ação de propaganda em uma escola secundária de Santiago em meio à ditadura, sendo classificado por organizações internacionais da época como o prisioneiro político mais jovem do Chile e da América Latina.
Em outubro de 1992, após dois anos de busca e captura porque foi acusado pelos agentes repressivos da Concertação como membro ativo do Mapu-Lautaro, ele foi preso, iniciando assim um longo período de prisão que continuaria ininterruptamente por 13 anos até dezembro de 2005, quando obteve o benefício da liberdade condicional, que é outra forma de cumprir sua pena.
Acusado de fazer parte do roubo do Banco de Segurança em outubro de 2007, e após uma investigação e julgamento que duraria mais de 4 anos, foi condenado em julho de 2014 a 14 anos de prisão por este ato, mas também para agravar sua punição, os tribunais e a gendarmeria apontaram que, tendo quebrado o benefício da liberdade condicional em meados de 2007, ele deveria cumprir toda a pena restante imposta pela Justiça Militar, acrescentando assim à sua pena mais de 40 anos de prisão, ou seja, com esta medida é aplicada a ele uma pena perpétua disfarçada.
Hoje, como ele está prestes a cumprir sua sentença por roubo, são as sentenças do sistema de justiça militar que projetam a perpetuidade da prisão de Marcelo Villarroel. Em si mesma, esta verdade é intolerável: atualmente, há camaradas que ainda cumprem sentenças proferidas por tribunais militares nos anos 90, ainda mais quando é do conhecimento público as injustiças, abusos e arbitrariedades que foram aplicadas àqueles que estavam sujeitos à sua jurisdição, especialmente quando eram civis.
Naqueles anos, o recentemente “ex-ditador” Pinochet foi comandante-chefe do exército chileno e a partir dessa posição de poder ele decidiu mudar as funções do então chefe da Diretoria Nacional de Inteligência do Exército (DINE) Hernán Ramírez Rurange para assumir o cargo de Juiz Militar de Santiago e a partir daí implementar todo o aberrante processo militar-legal que levou a sentenças irracionais e fora de linha com qualquer lógica processual legal-legislativa e criminal normal, em termos de padrões de imparcialidade e igualdade perante a lei. Ele terminou seus dias em 2015 cometendo suicídio antes de entrar na prisão de Punta Peuco para cumprir sua sentença por crimes contra a humanidade cometidos durante a ditadura militar.
Neste contexto, não é surpreendente que inúmeros testemunhos e relatórios mostrem que todas as “confissões” obtidas no início dos anos 90, e em consequência das quais grandes sentenças foram proferidas contra presos políticos, foram obtidas sob tortura.
Este é o cenário punitivo no qual Marcelo foi condenado por aqueles anos; é esta sentença que procura manter nosso camarada preso por toda a vida; é claro então a vingança política e institucional contra ele. É por isso que é imperativo se mobilizar com força para romper com as penas perpétuas e exigir a libertação imediata de nosso camarada Marcelo Villarroel.
Solidariedade ativa e combativa com prisioneiros anarquistas e subversivos!!!
Marcelo Villarroel às ruas!!!!
Até sua libertação total!
Coordinadora 18 de octubre.
Ciclo de Cine Anticarcelario Libertario.
Radio 31 de Enero.
Maio de 2022.
Tradução > Liberto
agência de notícias anarquistas-ana
Ao deixar o portão
Do templo zen,
Uma noite estrelada!
Shiki
Perfeito....
Anônimo, não só isso. Acredito que serve também para aqueles que usam os movimentos sociais no ES para capturar almas…
Esse texto é uma paulada nos ongueiros de plantão!
não...
Força aos compas da UAF! Com certeza vou apoiar. e convido aos demais compa tbm a fortalecer!