
Desde que os neoliberais sugaram a palavra libertária para recobrir o libertarianismo estadunidense; que a democracia passou a ser uma prática que sobe e desce da família à empresa e ao Estado; que o Estado de direito virou o escudo das esquerdas; que as esquerdas repaginadas pretendem repor o que perderam sem deixar sua devoção à estadolatria; que certos neoliberais aceitam a esquerda; que a direita e a ultradireita passaram a ser sinônimos pejorativos de neoliberalismo; que a ecopolítica cada vez mais se fortalece com seus esperados procedimentos, protocolos diplomáticos e retórica; que o ativismo cresce como negócio sustentável, político e até mesmo micropolítico; que o abolicionismo penal vem sendo sugado pelos teóricos da justiça restaurativa e malabaristas do pastorado de minorias; que cresce a fé em mercado e democracia para monitorar liberdades; que resistências foram abocanhadas pelas resiliências; que os protagonismos sufocam os anarquismos; que não faltam pastores nem cidadãos-polícia … desde quase tudo isso e o mais que isso, também não há negócio com os anarquismos. De repente, eles irrompem do tremor da terra, das lavas, dos raios, nos temporais sob o sol e as constelações, em passos inaudíveis. Não cessam.
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https://www.nu-sol.org/wp-content/uploads/2022/07/flecheira679.pdf
Fonte: Flecheira Libertária, n. 679, 12 de julho de 2022. Ano XVI.
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Vêm as borboletas.
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Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!