[Espanha] Nem Mulá, nem Xá! Pão e Liberdade!

Nas últimas semanas, assistimos a uma revolta da população trabalhadora iraniana contra o governo da República Islâmica do Irã, na forma de greves, manifestações e, finalmente, até mesmo a proclamação de conselhos operários em algumas zonas do território.

As causas deste levantamento, como em todas as rebeliões populares, são múltiplas e misturam-se as condições econômicas e materiais de vida da classe trabalhadora com a situação política do país, fruto da situação internacional, mas também das próprias lutas que a população iraniana vem acumulando nos últimos anos: desde a luta das mulheres, dos curdos ou das últimas greves em diversos setores, que se misturam com a situação política da região.

Não podemos ignorar que esta situação se está a desenvolver num clima de guerra crescente a nível mundial, mas especialmente nesta região.

Desde o Secretariado Permanente do Comitê Confederal da CNT, com base nos princípios internacionalistas e libertários que inspiram esta organização, queremos expressar nosso apoio à luta que a classe trabalhadora do Irã está travando. Da mesma forma, denunciamos a repressão do governo iraniano contra os protestos e denunciamos também as interferências imperialistas de Israel, dos Estados Unidos e da União Europeia, que estão tentando aproveitar a ocasião para tentar retornar ao antigo regime monárquico criminoso do Xá, derrubado há décadas pelo povo.

Não podemos ignorar que tudo isso acontece num contexto internacional de intensificação dos conflitos armados nas mãos de governos de todos os tipos, numa deriva totalitária de todas as formas de Estado, incluindo aquelas que se apresentam como democracias parlamentares, e que a crise mundial que o capitalismo atravessa está se acelerando.

Diante dessa situação, a classe trabalhadora deve lembrar que devemos lutar em todos os países contra todos os governos, burguesias e classes dominantes que exploram o trabalho em benefício de minorias privilegiadas de qualquer natureza. Devemos lutar em nossos próprios territórios contra a exploração salarial, contra a destruição dos ecossistemas e contra todas as formas de dominação que oprimem os seres humanos em todos os cantos do planeta.

E, acima de tudo, devemos apoiar quando, em qualquer país do mundo, as classes trabalhadoras se opõem à barbárie e à destruição, lutando pela vida e pela liberdade, como acontece hoje no Irã.

Solidariedade com a revolta no Irã!

Nem Mulá, nem Xá! Pão e Liberdade!

Trabalhadores e trabalhadoras do mundo, unamo-nos!

Paz entre os povos, guerra entre classes!

cnt.es

agência de notícias anarquistas-ana

Frases compostas
no sol que passeia
sob minha caneta.

Jocelyne Villeneuve