[Colômbia] Até que vejamos mais a nossos seres queridos que ao patrão

Um dia de rebelião, não de descanso! (…) Um dia em que com tremenda força a unidade do exército dos trabalhadores se mobiliza contra os que hoje dominam o destino dos povos (…). Um dia de protesto contra a opressão e a tirania, contra a ignorância e a guerra de todo tipo” – Extrato de um comunicado de trabalhadores nos EUA, 1885.

Rememorar o dia em que anarquistas e obreiros saíram às ruas de Chicago a reclamar a jornada de oito horas — e foram massacrados pelo Estado nas mãos da força pública, enquanto o capitalismo seguia explorando-os através de seus patrões — nos reafirma que, sem a abolição de ambos mediante uma revolução social, seguiremos sendo objeto de uma crueldade que o sistema normalizou.

Desde que nos levantamos a cada dia para ser embutidos em um TransMilenio, muitas vezes em jejum, entregamos nosso tempo de vida à patronal ou, caso contrário, à rua, sem benefícios sociais e dependendo do fluxo de pessoas para conseguir o suficiente para sobreviver um dia mais. Ao final da jornada, apenas alcança para chegar à casa e cozinhar o almoço do dia seguinte.

Não esquecemos que esta cadeia de produção também se mantém sobre labores não remunerados: aquelas que permitem a reprodução de futuros trabalhadores e a manutenção emocional e sexual, indispensáveis para a reposição mental e corporal que exige voltar a trabalhar no dia seguinte e reiniciar o ciclo de apropriação de riqueza por parte do capital.

Além disso, as instituições de controle — escola, universidade, psiquiátrico, CAI, cárceres, entre outras — operam como espaços de disciplina e adaptação, onde se busca despojar-nos da imaginação, naturalizar as injustiças e torná-las cotidianas, debilitando nossa capacidade de nos organizarmos. As complexidades do sistema atual encontram inclusive em territórios como a Palestina um laboratório de guerra, semeando o medo como ferramenta para desmobilizar a luta, enquanto políticos e empresários violam a lei à sua vontade com a cumplicidade dos que dizem garantir igualdade ante a justiça.

Ainda assim, existimos. Resistimos. Sustentamos a vida e produzimos as riquezas que nos são arrebatadas a cada dia. Estamos no fogo do estalido e também na calma do amor. Não nos deixemos arrebatar este dia de luta por uma lavagem institucional de dia festivo de “merecido descanso”, se querem explorar-nos, que explorem eles primeiro. 

Querido obreiro: és mais que teu trabalho. Tua família te espera, teu bairro te aprecia, tua comunidade te necessita!

Já não mais espera, seremos nó e só nós quem destruirá esta ordem e fundará a anarquia!

ULET (Federação Regional de Cundinamarca)

uletsindical.org

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Em lixo comum
começam a transformar-se
as flores que tombaram.

Tsuji Nomoko

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