[Espanha] Crônica do 1º de Maio: memória e dignidade laboral

Este 1º de Maio, Dia Internacional da Classe Trabalhadora, a CNT se mobilizou em Logroño com o lema “Dignidade Laboral” e várias mensagens claras e contundentes: frente à repressão e a exploração, desobediência, solidariedade e apoio mútuo; frente a suas guerras, paz, trabalho e revolução; frente ao pseudo-sindicalismo subvencionado e domesticado, anarcossindicalismo e autogestão.

Homenagem no Memorial do Cemitério de Logroño

A jornada começou com a Homenagem no Memorial do Cemitério de Logroño. Uma introdução sobre a importância da memória, exemplificando com as 400 pessoas assassinadas aqui, deu passagem a Cris e Mariola, que nos contaram seu interessante e necessário “De lo que me dices”. Trata-se de um projeto de investigação e divulgação transfeminista, financiado pela Associação de Memória Histórica La Barranca e que joga luz sobre as formas de resistência das mulheres de Villamediana desde 1936 até o pós-guerra. Leram uma carta escrita por Vicenta Martínez, presa na Industrial, dirigida a sua irmã, e que narra o assassinato de seu marido (entre outros), transladado ao cemitério de Logroño, e da dramática situação que ela, sua família e suas companheiras represaliadas estavam padecendo. Finalmente, lemos uns belos versos da escritora e poetisa Esther Novalgos. Apesar de que Esther não pode estar fisicamente presente na homenagem, como queria, sim a sentimos com o poema A vosotros, que escreveu por causa desta homenagem, sobre a memória, o sacrifício e a luta.

Manifestação

Às 12h00 partiu a Manifestação da CNT desde a Glorieta del Doctor Zubía de Logroño. Contra o forte vento e demais elementos naturais e humanos, levando a frente o cartaz “DIGNIDADE LABORAL. 1º de Maio. Conta com CNT”, acompanhando-a com o grito de nossos lemas e o ondular das bandeiras anarcossindicalistas e anarcofeministas. Após o começo, transitamos e entoamos nossa luta pela Avenida de La Paz, as ruas San Millán, Escuelas Pías, Cantabria e 8 de Marzo, com parada e leitura feminista nesta última. Prosseguimos pelas ruas Alcalde Emilio Francés e Ateneo Riojano, as Avenidas Doce Ligero de Artillería e de La Paz, rua Portales, Plaza de Amós Salvador e rua San Bartolomé, concluindo no número 4, a sede do Escritório Integral 01 da Segurança Social. Ali se comentou brevemente o significado burocrático real desse órgão, assim como a realidade sócio-laboral e as lutas que, por ação ou omissão deste, deve afrontar a classe trabalhadora. O término foi a leitura do manifesto 1º de Maio: Corre, companheira! O velho mundo fica atrás de nós, fundamentado em duas ideias: que não há futuro sem desobediência e que as guerras da classe político-empresarial se combatem com paz, trabalho e revolução. O comunicado relata como o velho mundo — o da hierarquia, da submissão e do medo— se rachava sob nossos pés. Não nos rebelamos por capricho, mas por necessidade. Cada jornada laboral precária, cada direito cortado, cada vida subordinada ao lucro de uns poucos, confirma que nenhuma reforma deste sistema pode extirpar seu caráter dominador.

Vermú música e comida

Às 13h30 se iniciou o vermú musical e às 15h00 a comida popular vegana: salada e cuscuz deliciosos. A chuva da tarde nos obrigou a nos abrigarmos sob a tenda. O entardecer com DJ protagonizou o fim da festa reivindicativa.

Agradecimentos às companheiras que puseram seu grão de areia para que tudo saísse. Saiu bem. Agradecimentos a todas as pessoas que participaram nesta jornada de memória, luta, diversão e convivência.

Viva o Primeiro de Maio!
Viva a luta da classe trabalhadora!
Pela autogestão e o apoio mútuo!

>> Mais fotoshttps://aragon-rioja.cnt.es/cronica-del-1o-de-Mayo-memoria-y-dignidad-laboral/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Vi de uma lagarta:
faço um casulo de lã
na noite gelada.

Anibal Beça

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